domingo, 28 de maio de 2017

POLÍTICA - "Você é o próprio bichinho de estimação do bandido".


A atriz Renata Sorrah postou em seu Twitter uma mensagem aos chamados "coxinhas", aqueles que defenderam cegamente o golpe contra a presidente deposta Dilma Rousseff e embarcaram no movimento liderado pelo senador Aécio Neves; "Você é o próprio bichinho de estimação do bandido. Votou no Aécio, foi pras ruas protestar contra a derrota que sofreu, balançou o rabinho para a aliança dele com Cunha e Temer, fez dancinha pedindo o impeachment da Dilma, rosnou nas redes sociais. E agora, quando a casa caiu, se finge de morto. Bem adestrado", disse Sorrah; a voz da atriz surge no momento em que artistas e apresentadores, como Luciano Huck e Márcio Garcia, que apoiaram Aécio, agora, envergonhados e decepcionados, demonstram decepção com o senador mineiro; principal articulador do golpe, Aécio Neves hoje está atolado em denúncias, afastado da presidência do PSDB, além de ser acusado de cometer diversos crimes
28 de Maio de 2017 às 14:55 // 247 no Telegram Telegram // 247 no Youtube Youtube
247 - A atriz Renata Sorrah, que atua na Globo, postou em seu Twitter uma mensagem aos coxinhas: "Você é o próprio bichinho de estimação do bandido", diz ela. No dia 10 de maio, a atriz estava em Curitiba e participou do ato de apoio ao ex-presidente Lula, que naquela ocasião prestou depoimento ao juiz Sergio Moro. "Estou nesse momento em Curitiba. Avante! #MoroPersegueLula", tuitou Renata naquele dia.
"Recado para meu amigo coxinha: claro que você não tem bandido de estimação. Você é o próprio bichinho de estimação do bandido. Votou no Aécio, foi pras ruas protestar contra a derrota que sofreu, balançou o rabinho para a aliança dele com Cunha e Temer, fez dancinha pedindo o impeachment da Dilma, rosnou nas redes sociais. E agora, quando a casa caiu, se finge de morto. Bem adestrado", postou Sorrah.
A voz ativa da atriz no mundo da mídia contrasta com a sentimento de decepção que tomou conta de muitos artistas que vestiram camisetas de apoia a Aécio Neves e agora estão decepcionador com senador, afundado em muitas denúncias de corrupção e outros crimes. O caso mais emblemático é o do apresentador Luciano Huck, parceiro de primeira hora do político mineiro e que agora, envergonhado, tenta justificar os laços com o senador. Huck disse que nunca misturou amizade com política ou negócios.
Outras figuras, como os atores Marcelo Serrado e Márcio Garcia, agora tentam desvincular suas imagens da de Aécio, que foi principal articulador do golpe. "Só agora a ficha caiu. E esta é a minha sensação: rasgaram o nosso país. Que vergonha pra todos nós. Acho que neste momento não há um único brasileiro orgulhoso, muito menos com orgulho do seu voto pra Presidente. Nenhum. Me incluo em primeiro lugar. Não existe um eleitor neste país que não esteja decepcionado com o seu "candidato"", escreveu Garcia.
"O Aécio foi padrinho do meu casamento. Ele e a esposa dele são meus amigos há muitos anos. Eu conheço a pessoa, e sobre a pessoa eu não tenho nada de ruim para dizer. Ele é um amigo incrível, um pai incrível e uma pessoa incrível. Eu nunca convivi com ele no exercício da profissão. Sobre todas essas denúncias, acho que primeiro as coisas têm de ser investigadas. Se ficar provado que ele fez algo errado, ele terá que pagar por isso. Todos que estão envolvidos em escândalos precisam ser investigados", tentou justificar a cantora Wanessa Camargo.

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POLÌTICA - Jânio sepulta Johnbim e Tasso.

Janio sepulta Johnbim e Tasso

Tasso é também o Pacheco do Eça de Queiroz!

publicado 28/05/2017
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Do artigo de Janio de Freitas "Em nome da solução", na Fel-lha:
(...) Sumiram as citações à exigência, para candidaturas a presidente, de filiação partidária seis meses antes da eleição. Com isso, Nelson Jobim torna-se presença constante no noticiário, em justa retribuição às suas relações jornalísticas. Mas as manobras que burlaram a concorrência para construção da base naval e produtora de submarinos no Rio, entregando-a à Odebrecht como se fora empresa estrangeira, podem sair do silêncio a qualquer hora. Por envolver a Marinha, a Lava Jato finge que o assunto não existe -como fazia com a corrupção de gente do PSDB. Mas nem tudo pode ser sempre controlado por lá- como se viu com a corrupção de gente do PSDB.

Quando ministro da Defesa, Jobim esteve, com Roberto Mangabeira Unger, no centro das negociações de investimentos militares altíssimos (e, em grande parte, duvidosos como estratégia). Dado como proponente dos caças franceses e, depois, dos americanos, Jobim não os fez vencedores. A FAB conseguiu impor sua preferência pelo acordo com os suecos. Mas a contratação e suas piruetas para a base e os submarinos, inclusive o nuclear, efetivaram-se. Com ausência de explicações muito além da necessária ao aspecto militar. Jobim já teve a honra de ao menos uma citação na Lava Jato. Se candidato, à indireta ou à direta, pode esperar mais, com intenções decisivas.

Mais político do que empresário, e empresário mais rico do que a grande maioria dos empresários brasileiros, Jereissati não está imune a cobranças variadas. Lá pelos anos 1990, assinei textos na Folha sobre um sistema de sonegação de impostos no Ceará. Numerosas empresas usavam uma espécie de central contábil, na qual notas fiscais, frias ou não, e outros documentos entrelaçavam-se para a mágica de reduzir ou evaporar impostos. Empresas de Tasso Jereissati eram parte importante do sistema. Como nem o seu prestígio de governador conseguia parar as investigações da Superintendência da Polícia Federal no Estado, Jereissati obteve de Romeu Tuma, então diretor da PF, a substituição do delegado-superintendente. Pronto. Mas o caso pode voltar à superfície.

(...)
Em tempo: e imperdiveis "Brasileirinhas":
1) Aécio Neves gastou horas de explicações, mas sem explicar por que os R$ 2 milhões tomados de Joesley Batista, "para pagar advogado", foram parar com o filho do senador Zezé Perrella, e não com sua defesa.

2) Raul Jungmann deu como mal-entendido sua afirmação de que o Exército foi chamado pelo deputado Rodrigo Maia, e não por Temer. Bem entendido, o Exército vai para as ruas sem que o ministro da Defesa precise saber sequer quem o pediu.

3) Mais um massacre, dez mortos, feito pela PM do Pará. A polícia do Pará precisa ser presa.

POLÍTICA - Cai mais um ministro do traíra.


Serraglio cai. Jardim, ex-TSE, vai para a Justiça, Loures, para Moro

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Acaba de cair o Ministro da Justiça, Osmar Serraglio, acaba de ser demitivo.
Para o seu lugar, vai o atual Ministro da Transparência (sic), Torquato Jardim, ex-ministro do TSE e por lá ainda influente.
Dia 6, como se sabe, a cassação de Temer irá à pauta do Tribunal, embora seja, provavelmente, travada por um pedido de vistas.
A demissão de Serraglio, porém, tem uma consequência imediata. A menos que seja nomeado para outro posto, ele volta para a Câmara e, com isso joga o delatado maleiro Rodrigo Rocha Loures para o foro comum, caso o TSE não o faça co-réu no processo que, fatalmente, se abrirá contra Michel Temer.
Como há um pedido de prisão pendente contra Loures, feito por Rodrigo Janot, será Sérgio Moro quem o decidirá, no caso de que ele perca o foro privilegiado.
E as negociações por sua delação premiada voltam à estaca zero, porque, em princípio, terão de ser fechadas com a PGR curitibana, leia-se a Força Tarefa.
Hora de ver como se portará o “coração generoso” de Sérgio Moro.
Serraglio, que resistiu mudo e calado ao embrulho que tirou do país  com a Operação Carne Fraca vinha sendo mantido com nitritos e conservantes no cargo, apesar dos odores que emanava.
Agora, porém, foi queimado no altar das necessidades temeristas. Mas queimado morto, enquanto Rocha Loures, se não encontrar a generosidade morista, será queimado vivo, com o risco de urrar como um boi no matadouro.

MÍDIA - Folha "ficou em cima do muro".

Após 34 anos, Folha de S. Paulo se acovarda!

Por Marcelo Auler, em seu blog:
Quem lê o editorial deste domingo (28/05) da Folha de S. Paulo – Sucessão Especulada – e foi testemunha, em 1983, da audaciosa coragem do jornal ao publicar o editorial Por eleições diretas, conclui facilmente que na ausência do seu antigo dono, Octávio de Oliveira Frias, o jornal, hoje comandado por seus filhos, Octávio Filho, na parte editorial, e Luís Frias, como presidente da empresa, se acovardou. Lamentavelmente!

A Folha, que nos anos de 1983/84 escreveu parte da História do Brasil (com maiúscula) ao se transformar em porta-voz do que a sociedade civil clamava, hoje é capaz de criticar o processo de escolha indireta, como faz o editorial, sem, contudo, assumir aqui que milhões de brasileiros já pedem em praça pública e renovarão os pedidos ao longo deste mesmo domingo ao ocuparem ruas de diversas cidades brasileiras: Diretas Já!

Este foi o primeiro, mas não o único. Talvez, o mais importante tenha sido o de 3 de novembro do mesmo ano – Diretas agora - que marcou definitivamente o ingresso do jornal na campanha, transformando-o no Jornal das Diretas. Algo bastante ousado na época, mas que só a Folha, por sua independência financeira e editorial, poderia fazer. O resultado, até comercialmente falando, foi palpável, a ponto de tornar-se o maior matutino do país. Em termos de respeitabilidade então nem se fale. Quem viveu aquela época como seu repórter sabe disso.

Vivo fosse “Sr. Frias”, que muitos acusavam de ser um “granjeiro dono de jornal”, jamais publicaria uma posição em cima do muro como a que seus filhos fizeram hoje em um jornal que, merecidamente, foi chamado por Ulisses Guimarães de “Porta-voz das Diretas Já!“. Basta lembrar a forma como ele decidiu engajá-lo e toda a sua equipe, a partir de novembro daquele ano, na campanha que ainda se iniciava. Fui partícipe desta bela época e testemunhei tais fatos, ainda que possa não ter estado em todas as reuniões que o levaram a ganhar destaque na sociedade brasileira.


Editoria de 3 de novembro de 1983, que marca o ingresso do jornal na campanha.

A ideia de o jornal – que se intitulava um “saco de gatos” por se dar ao direito de, em plena ditadura, publicar artigos de todas as correntes ideológicas -, abraçar a bandeira do voto do eleitor para escolher o sucessor do general de plantão no Planalto, João Baptista Figueiredo, partiu do Ricardo Kotscho. Ele, casualmente, sentava-se ao meu lado na velha redação da Rua Barão de Limeira. Entre a apresentação da proposta que idealizou durante um fim de semana e a decisão do “Sr. Frias” não foram gastos nem 24 horas, como narro mais adiante. O jornal poderia – como queriam alguns, entre os quais Boris Casoy, então diretor de redação -, não abraçar esta bandeira. Jamais, porém, tomaria uma posição dúbia, como consta do editorial deste domingo, quase três décadas e meia depois.

Kotscho entregou as três laudas em que expôs e defendeu o engajamento na campanha como forma de a Folha tomar o partido da sociedade civil que já clamava há tempos pelo direito de escolher seu presidente, a Adilson Laranjeiras, então chefe de reportagem. Pouco tempo depois estava nas mãos do Sr. Frias que convocou editores e repórteres especiais para uma reunião na mesma tarde, ou fim de tarde. Após ler o que recebera como proposta, todos foram ouvidos.

Eu não estava nessa reunião, ainda era um “bagrinho” como diziam, embora participasse da Comissão de Redação – a primeira instituída oficialmente em órgão de imprensa. Pelo que soube, o último a falar foi justamente Casoy, que se posicionou contrário à ideia, dando seus motivos. “Sr. Frias”, porém, não se convenceu e decidiu ali mesmo que o jornal se engajaria na campanha.

No relato do próprio Kotscho no livro “Explode um Novo Brasil – Diário da Campanha das Diretas” (Editora Brasiliense, 1984), na hora foi constituído um grupo para cuidar de toda a cobertura da campanha que era coordenado exatamente por Octávio Frias Filho, então secretário do Conselho Editorial. Como tal ele respondia, junto com o pai, pela linha editorial que o jornal tinha. Por isso, causa estranheza a quem viveu aquele período dentro do que chamávamos de “Vênus Pastilhada” (por conta das pastilhas amarelas que cobriam sua fachada e em um contraponto ao prédio da Rede Globo no Rio, conhecido como Vênus Platinada), ver a Folha, ainda sob o comando de Octávio Frias Filho, publicar um editorial com as passagens que destaco abaixo:



Nem se recorra ao argumento de que hoje a Constituição prega a eleição por meio do Congresso Nacional. Isso também acontecia em 1983 e a Folha foi clara ao se opor ao texto daquela Carta, reescrita durante a ditadura civil-militar, que o jornal apoiou no seu início, com episódios lamentáveis que a História registrou. A campanha de 1983, no fundo, é quase idêntica à campanha atual que ganha cada vez mais adesão da população: mude-se a regra.

O “quase idêntica” fica por conta de que hoje, como narramos em TSE pode provocar Diretas Já!, existir na legislação vigente a previsão da eleição direta no caso da vacância dos cargos de presidente e vice-presidente. Está no Código Eleitoral. É verdade que a constitucionalidade dele está sendo questionada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no Supremo Tribunal Federal, desde maio de 2016.

Mas, não é menos verdade, que na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5525 foi pedida uma liminar suspendendo a validade da lei e o ministro relator, Luís Roberto Barroso, não a concedeu. Portanto, para todos os efeitos, a lei está vigente.

A propósito da discussão da constitucionalidade desta mudança que o Congresso Nacional fez em 2015, vale a leitura do artigo do ex-procurador regional da República, Daniel Sarmento, professor de Direito Constitucional na UERJ. Ele, em nome da Clínica de Direitos Fundamentais da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, pediu ingresso no processo, na qualidade de amicus curiae (amigo da corte). Com isso, terá voz na hora do julgamento do caso.

A tese que ele defende para justificar a mudança na legislação e o acatamento a ela, independentemente do texto constitucional está muito bem explicada em artigo que publicou em outubro de 2016, no site Jota -Eleições presidenciais (in)diretas, a ADI 5.525 e o espírito da Constituição cidadã. Deste artigo, copio o trecho abaixo em que ele expõe quando deve ocorrer a eleição indireta prevista no art. 81 da Constituição e quando ela deve ser Direta, como o Congresso incluiu no Código Eleitoral:

“De acordo com a disciplina legislativa adotada, quando a segunda vacância ocorrer na metade final do mandato presidencial, e derivar de causas não eleitorais – e.g., morte, renúncia, impeachment, condenação criminal – aplica-se o art. 81, § 1º, da Lei Fundamental, com a convocação de eleições indiretas. Nesse caso, a primeira eleição foi presumivelmente válida, mas ocorreram fatos supervenientes, impeditivos da conclusão do mandato pelo Presidente e por seu substituto. Já quando o pleito tiver sido contaminado por vícios reconhecidos pela Justiça Eleitoral, o art. 81, §1º, não incide. Nessa última hipótese, diante da invalidade do resultado da eleição originária ou dos mandatos por ela conferidos, entendeu o legislador que se deveria, na medida do possível, atribuir ao próprio povo a prerrogativa de eleger validamente a sua (ou o seu) Presidente da República, ao invés de se conferir tão importante poder ao Congresso Nacional. Em outras palavras, na ótica do legislador, a incidência do art. 81, § 1º, da Carta, pressupõe a validade do pleito eleitoral original e dos mandatos que dele resultarem“.

Há, portanto, uma diferença básica entre a situação de 1983 e a atual. Mas, no fundo, há coincidências também maiores que devem ser levadas em conta.

Inicialmente, tanto quanto o governo militar de Figueiredo, ainda que por motivos diversos, o atual governo de Michel Temer não tem respaldo popular. Ambos foram conquistados na base do golpe. Um que levou25 anos para terminar. Outro, o atual, que pode se encerrar em pouco mais de um ano. O impossível, na visão dos eleitores, é se manter este governo mais do que suspeito, mas envolvido com diversos de seus membros em casos explícitos de corrupção.

Outra coincidência entre as duas situações é a falta de confiança da população no Congresso Nacional (CN). Ou seja, no chamado “colégio Eleitoral indireto”. Isto, por sinal, é explicitado nos dois editoriais da Folha.

No corajoso editorial que defendeu Diretas em 1983, o jornal retrata a realidade de então:

“Falta ao Colégio Eleitoral previsto pela Constituição, antes de tudo, representatividade para escolher em nome do povo, uma vez que sua composição, definidas a garantir a supremacia do PDS, não reflete sequer aproximadamente as tendências do voto popular nas eleições de 1982“.*

Na posição ambígua e covarde que adotou neste domingo (28/05), o editorial também, expõe, ainda que de forma disseminada, as dificuldades políticas que envolverão uma negociação para a escolha do sucessor de Temer dentro do Legislativo. Inclusive, como lembra o próprio editorial, incluindo acordos para salvar a pele de políticos corruptos, a começar pelo próprio presidente golpista:

“(…) O acordo dependerá de um rearranjo de forças e papéis entre os múltiplos partidos governistas, PMDB e PSDB em especial.

Conforme os cenários mais discutidos no momento, trata-se de decidir pela candidatura tucana do senador Tasso Jereissati (CE) ou a do preferido dos deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara. Há mais, porém.

Mesmo o PMDB tendo sido gravemente avariado por escândalos, não haverá composição viável sem o apoio do partido, que, além de postos no poder, demanda uma transição que não deixe sua cúpula no sereno da Justiça.

Mesmo antes da irrupção da crise, era árduo o trabalho para aprovar as reformas, em especial a da Previdência. A maioria que se articulava teria de ser, no mínimo, renegociada em uma hipotética troca de comando do Executivo.

Tendem a ser reabertos ainda, nesse caso, entendimentos em torno de projetos legislativos capazes de atenuar punições aos políticos hoje ameaçados por processos judiciais. Iniciativas do gênero, se levadas a cabo, agravariam o descrédito geral da elite dirigente perante a opinião pública.”


Se o próprio jornal afirma que a saída que os políticos buscam para resolver a sucessão entre eles, sem ouvir a opinião popular, “envolve o risco de acentuar fissuras na base partidária, o que inviabilizaria medidas ambiciosas”.

Mais ainda. Ao dizer que acontecendo isso, o governo eleito indiretamente “pouco poderia fazer além de evitar um desastre econômico maior, conduzindo o país em banho-maria até as eleições de 2018“, a conclusão óbvia é de que a melhor definição será a escolha direta, pelo povo, dando legitimidade ao novo governo. Tal conclusão não é apenas óbvia, mas acima de tudo lógica.

Para expô-la, porém, era preciso ter a coragem que, usando o termo carinhoso de Kotscho, “o velho Frias” teve, em 1983. Mas aos seus sucessores ela parece ter faltado, seja por que motivos (interesses?) forem. Perderam uma boa oportunidade que o pai jamais perderia.

POLÍTICA - A derrocada da "República de Curitiba".

A derrocada da "República de Curitiba"

Por Erika Kokay, na revista CartaCapital:

As “ações controladas” da Operação Lava Jato, de iniciativa da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, que constituíram provas materiais contra o senador tucano Aécio Neves​ e o presidente ilegítimo Michel ​T​emer, desmascarou de uma vez por todas a parcialidade do juiz Sergio Moro e dos procuradores da “República de Curitiba”.

Não estamos falando de PowerPoint com convicções para ser exibido de forma espetaculosa pela mídia, mas de provas documentais, de amplo e farto material fotográfico, áudios e vídeos, dinheiro rastreado, malas com chips, enfim, todo um processo de investigação sigiloso da Polícia Federal que comprovou esquemas de propina e corrupção envolvendo dois importantes nomes da política nacional.

Desde o início da Lava Jato, Aécio e Temer foram citados dezenas de vezes em depoimentos de réus, delatores e investigados da operação, apareceram em diversos diálogos gravados por operadores de esquemas de corrupção na Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, mas nada foi suficiente para que a seccional da Lava Jato de Curitiba tomasse qualquer providência contra eles.

Quem não se lembra das gravações de áudio a envolver o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e o então ministro do Planejamento, Romero Jucá ​ (PMDB-RR)​

Eles revelaram que o impeachment da presidenta legitimamente eleita, Dilma Rousseff, era parte de uma estratégia para “estancar a sangria” da Lava Jato. Além disso, foram realizadas citações contundente envolvendo Aécio Neves, naquele momento citado cinco vezes na operação. “Quem não conhece o esquema do Aécio?”, pergunta Machado a Jucá. Pelo visto, Moro era o único que não conhecia ou fingia não conhecer tal esquema.

Várias vezes o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ)​ dirigiu perguntas a Temer. A sociedade brasileira sabia que o conteúdo das perguntas tinha o sentido de pressionar e chantagear Temer. Cunha fazia essas perguntas para deixar claro que sabia muito e que seu silêncio era muito valioso. E o que fazia Moro com essas perguntas? Engavetava. Em vez de agir como juiz, Moro atuava como advogado de defesa de Temer, a exemplo de quando impugnou 21 das 41 questões levantadas por Cunha. Moro chegou a cometer o absurdo de dizer que o roteiro das perguntas de Cunha era um “episódio reprovável” e “tentativa de intimidação da Presidência da República”.

Diferente desse joguete de compadres com corruptos do PSDB e do PMDB, Moro não hesitou em fazer da Lava Jato uma trincheira de perseguição jurídica e política contra Lula, Dilma e o PT.

Em todo o tempo, Moro preocupou-se tão somente em fazer o uso político da operação para vazar delações e fazer escutas ilegais e influenciar o cenário político nacional. Em um momento crucial do processo de impeachment contra Dilma, Moro vazou para a Globo diálogos da presidenta com o ex-presidente Lula. Apesar do diálogo não ter absolutamente nada de comprometedor, foi decisivo para o desfecho do processo, tornando-se um episódio emblemático da atuação política persecutória de Moro.

Em vez de investigar, qual era o uso que Moro dava às delações? Com auxílio da mídia, as utilizava de modo ilegal e discricionário a partir do calendário político-partidário. Ora, as delações eram vazadas em momentos em que a população brasileira ia às ruas em atos pró ou contra o impeachment, em véspera de eleições, em momentos-chave da política nacional.

E por que Moro nunca optou por um processo investigatório profundo? Sabia e sabe que se desse um passo para além de delações sem provas inocentaria Lula. Não poderia continuar com o discurso farsesco de que o ex-presidente é o chefe de um esquema criminoso na Petrobras, dono de um tríplex que não lhe pertence, dono de um sítio que não lhe pertence, enfim, com acusações sem lastro comprobatório de que o Instituto Lula teria adquirido um terreno que nunca foi comprado. Um processo investigatório sério que buscasse provas, certamente inocentaria Lula, o que não interessa e nunca interessou à “República de Curitiba” e àqueles que tramaram um golpe contra a democracia.

A ação da PGR e do STF deixa clara a parcialidade de Moro, a conveniência de suas ações ao sabor da conjuntura política, não tendo em nenhum momento a responsabilidade que o P​oder Judiciário exige de investigar os fatos e elucidar os supostos crimes denunciados.

E o que faz o juiz de Curitiba após as avassaladoras provas contra Temer e Aécio? Tenta de modo desavergonhado manter uma narrativa furada de que “não havia, na época da decisão, qualquer notícia do envolvimento de Temer nos crimes que constituem o objeto daquela ação penal”.

Definitivamente, Moro foi desmascarado. A casa da Lava Jato de Curitiba caiu.

* Erika Kokay é deputada federal e presidenta do PT-DF​.

POLÍTICA - Cadê os paneleiros?

Por que não há panelaços contra Temer?

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Uma das queixas mais frequentes entre os simpatizantes de Dilma é esta: onde foram parar as panelas?

A cada denúncia de corrupção, a questão reaparece nas redes sociais: e aquele pessoal que batia panela o tempo todo?

Pois bem.

Houve nas redes sociais registros de panelas no pronunciamento de Temer no Natal.

Mas nada comparável aos panelaços de antigamente.

Que houve com elas, as panelas? O fato é que elas já não são as mesmas.

Os panelaços eram não exatamente contra a corrupção. Eram contra o PT e Dilma. Por isso sumiram.

Qualquer coisa servia de pretexto para ir para a janela do apartamento com uma panela. Os tolos estavam sendo manipulados, mas pensavam estar fazendo história.

Era uma atitude que para sempre estará vinculada a uma classe média reacionária e visceralmente analfabeta política.

É um tipo de gente que aceita corrupção nos outros, e até em si própria. Mas no PT qualquer boato, qualquer suspeita de corrupção é um horror de proporções ciclópicas.

Outra diferença vital entre as panelas está na mídia.

A imprensa decide a repercussão que vai dar a qualquer manifestação. O jornalismo de guerra dá volume máximo para protestos contra o PT, e mínimo ou nenhum para os outros.

Ainda que houvesse uma adesão maciça às panelas na fala televisiva de Temer, isto não teria sido notícia.

Há panelas e há panelas. Aquelas que vinham envoltas em xingamentos contra Dilma e o PT só sairão das cozinhas quando - e se - o PT voltar ao poder.

Até lá, pode esquecer.

POLÍTICA - A refletir.


CELSO LUNGARETTI
A ESQUERDA ESTÁ OU NÃO
COLOCANDO AZEITONA NA EMPADA ALHEIA? 
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Desde o primeiro momento estranhei que a atrapalhada tentativa de derrubar o presidente Michel Temer estivesse se dando por meio de uma ação concertada entre (pelo menos) delegados de polícia, promotores da Lava-Jato, o procurador-geral da República Rodrigo Janot e as Organizações Globo, com um ponto de interrogação no que tange ao ministro do STF Edson Fachin, que tanto poderia estar envolvido com a tramoia quanto haver sido feito de inocente útil.

E estranhei muito mais a participação incendiária (no sentido estrito e no sentido lato) da esquerda em tal tentativa, pois seria a última a lucrar com o êxito do plano.

Hoje se percebe que foi uma das toscas conspirações desse tipo já vistas em todos os tempos, um incrível golpe de Brancaleone, pior ainda do que aquela desencadeada para privar Leonel Brizola de uma vitória eleitoral em 1982, igualmente sob os auspícios da Globo.

A principal prova, uma gravação totalmente ilegal, revelou-se inconclusiva tão logo ficou conhecida no seu todo, apesar dos esforços retóricos de Janot para, forçando grotescamente a barra, tentar convencer o respeitável público que a única interpretação cabível das respostas lacônicas e ambíguas de Temer era aquela que o desgraçaria. 

Depois se descobriu que a gravação da discórdia, ademais, havia sofrido manipulações amplas, gerais e irrestritas. Dada a gravidade do que se pretendia obter com ela, é simplesmente inaceitável que nenhuma perícia tenha sido efetuada antes de virarem o país de pernas pro ar. Ou Janot e Fachin merecem o impeachment por cumplicidade com um complô, ou por crassa incompetência. A desculpa esfarrapada de que a perícia se faria depois, no curso das investigações, ofende a nossa inteligência. 

Hoje (28/05) a imprensa confirma o que eu também afirmei desde o primeiro momento: derrubar presidente fraco seria fácil, mas forçar a realização de eleições diretas não passava de sonho de uma noite de verão.

Dos líderes dos dez maiores partidos da Câmara e do Senado, que reúnem 72 senadores (89% do total) e 397 deputados (77%), só os do PT, PSB e PDT apoiariam uma emenda que viabilizasse as diretas-já. Os três juntos representam menos de 30% das principais bancadas. A aprovação exigiria 60%. Não vai rolar. 

E chegamos à pergunta que não quer calar: o que lucra a esquerda servindo como força auxiliar de tal conspiração de direita?

Pois, se não dispõe de maioria parlamentar para forçar a realização de uma eleição direta, também não a teria para eleger um dos seus na eleição indireta que ocorrerá caso Temer seja defenestrado.

Mais: quem conhece os humores de tal colégio eleitoral, aponta favoritismo para o tucano Tasso Jereissati, presidente do partido. E não é preciso muito esforço mental para se deduzir que, se o excesso de candidatos e a falta de uma nítida superioridade por parte de algum deles levar a um impasse, com a anulação mútua dos pretendentes, a saída óbvia será a escolha do sábio ancião da República, Fernando Henrique Cardoso, o único dentre eles que já envergou a faixa presidencial (duas vezes!).

Conviria à esquerda que um político hábil e articulado como Jereissati ou FHC substituísse Temer, ave de voos rasteiros, cujo partido não passa de um balcão de negócios?

É quase nenhuma a chance de, mesmo sobrevivendo ao puxa-tapete, Temer conseguir fazer o seu sucessor. Já qualquer dos outros dois, com a caneta presidencial na mão, saberia muito bem encaminhar a vitória eleitoral tucana em 2018. 
Escândalo Proconsult: outra fraude desmascarada.

Por último, há o que a trapalhada escancarou sobre a Lava-Jato: a existência de segundas intenções por trás dela, nem que seja apenas o de prolongar a caça às bruxas que tanto alavanca a carreira dos dela participantes.

Mas, a coisa pode ser bem pior, como advertiram Christian Lynch e Rodrigo Vianna: um tenentismo togado, que tenta implodir o sistema político para que, sobre seus escombros, brote algo diferente, que nem mesmo os demolidores têm clareza quanto ao que possa vir a ser.

Trouxe-me à lembrança a explicação que, em Deus e o Diabo na Terra do SolAntônio das Mortes dá para sua faina exterminadora de cangaceiros e fanáticos: ele antevê o dia em que o povo enfim se revoltará contra os poderosos e acredita que tal guerra deva ser travada "sem a cegueira de Deus e do diabo", daí estar limpando o caminho para o conflito apocalíptico...

A falta de clareza dos tenentes de 1930 fez com que sua ação abrisse caminho uma ditadura de 15 anos e, de certa forma, inspirasse outra ditadura pior ainda, a dos generais, que durou 21 anos.

E também por conta da falta de clareza, os ativistas do meio jurídico agora poderão, como alerta Vianna, propiciar o surgimento de "uma liderança autoritária, que ofereça um sentido para a destruição promovida pelo tenentismo togado (...), mas agora com um sentido regressivo, de recolonização do Brasil".

Afora os temores que nos deve inspirar o fato de ser uma atuação política nascida no meio jurídico. O fantasma do advogado Maximilien de Robespierre nos ronda. Jamais podemos esquecer o terror jacobino, quando a revolução devorou os próprios filhos!

Se a opinião do advogado Cristiano Zanin Martins for a mesma de Lula, a quem ele defende na Justiça, a euforia ingênua com uma possível vendetta contra Temer não deve implicar uma adesão da esquerda à armação ilimitada em curso: Martins afirmou que o editorial publicado pela revista veja desta semana, denunciando o "estado policial" causado pela Lava-Jato, chegou "com um ano de atraso".

Como Lula não é bobo nem nada, deve saber muito bem que ele será, inevitavelmente, uma das primeiras vítimas de tal estado policial. 

Então, servir de coadjuvante para os que armam guilhotinas não é, nem de longe, a coisa mais inteligente para a esquerda fazer neste momento.

Isso pode voltar a acontecer.

Depoimento de vítimas do governo Collor


Desde Collor, os neoliberais destruidores de vida. Assista e lembre

vitimascolor
Os mais jovens não sabem o que foi a chegada dos neoliberais, pregadores do “Estado Mínimo”, até hoje dando “lições” sobre o que devem ser a economia e a administração pública.
Eles não contam, e a mídia não mostra o que aconteceu no passado e está acontecendo agora e acontecerá de novo do jeito que  as coisas vão. A senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), da base do Governo Temer, apresentou, há duas semanas, um projeto autorizando a demissão, sem justa causa, dos servidores públicos.
Num congresso como este, não será de admirar que isso prospere.
A equipe do  deputado estadual Gilberto Palmares(PT),  lançou o vídeo “Anistiados do Plano Collor: uma história de resistência”, dando voz aos que sofreram na pele com as medidas arbitrárias contra os trabalhadores, anistiados por Itamar Franco e novamente barrados por Fernando Henrique, até que Lula os reintegrasse definitivamente, ainda assim sem tudo o que perderam ao longo de 20 anos.
No momento em que a ameaça aos direitos duramente conquistados se faz presente através do governo golpista Temer, resgatar essa história é lançar um alerta para que ela não se repita.

sábado, 27 de maio de 2017

POLÍTICA - Não é o método, são os motivos.

Do Blog da Elaine Tavares

 

Não é o método, são os motivos



Na Venezuela, "opositores"

 No Brasil, "vândalos"

Certa vez um amigo me dizia que colocar fotos de palestinos mortos nos atos pela Palestina não era bom. Afastava as pessoas. Ninguém quer ver tragédia, argumentava. Eu fiquei muito tempo pensando sobre isso, tentando encontrar outras formas de falar sobre a Palestina ocupada e violentada. Mas não havia. Eu então me perguntava. Mas por que tanta gente assiste a esses programas horríveis, de mortes e tragédias? Se não gostam de vê-las, por quê?
O mesmo se dá com o lance dos vândalos. Quando os que quebram e depredam estão na Venezuela, são “opositores”. Se isso acontece no Brasil, contra a reforma da Previdência, são vândalos. 

Ora, não é preciso a gente ser muito inteligente para se tocar. Não é o método. São os motivos. Se alguém sai às ruas botando fogo em prédios públicos, carros de polícia e machucando pessoas, mas o faz contra o “ditador” Maduro, tudo bem. São até transformados em heróis. Vejam o caso do ex-prefeito de Chacao, Leopoldo Lopez, que é tido como um “prisioneiro político” pela direita mundial. Incitou o povo à violência e foi o responsável por mais de 40 mortes.

Mas, no Brasil, se as pessoas quebram vidros, queimam ônibus, ou se defendem com pedras de uma polícia assassina, são chamados de vândalos. E as carolas destilam seus ódios pelas redes sociais, desejando que jovens morram, porque não deveriam estar na rua lutando contra a ditadura do capital. 

São dois pesos e duas medidas. Noam Chomsky já desvendou essa dupla mirada que existe principalmente nos meios de comunicação. No seu livro “Guardiões da Liberdade” ele mostra como os inimigos dos Estados Unidos são mostrados como bandidos, à exaustão. E os inimigos dos amigos dos EUA também. Já os amigos que fazem coisas ruins, aparecem muito rapidamente, numa nota de roda pé. E olhe lá. 

A questão deve ser vista então sob um olhar de classe. Todos aqueles que lutam contra o sistema capitalista estão a favor dos trabalhadores, tem um lado claro, sem rugosidades. E os que atacam os governos progressistas ou socialistas, mesmo que sejam pobres, estão ao lado da classe dominante. Escolheram um lugar. E não é do lado dos trabalhadores. Preferem seguir comendo as migalhas da mesa do banquete dos patrões. 

Por isso os jovens venezuelanos “guarimbeiros” aparecem na mídia como defensores da liberdade. É uma verdade isso aí. Só que a liberdade que eles estão a defender é a de meia dúzia de milionários que os descartarão tão logo cheguem ao poder. Ou o manterão apenas como subalternos, cães de guarda.

Já a nossa juventude que se arrisca no confronto com as forças da repressão, são os “comunistinhas vagabundos”, os que estão “pedindo para levar”. E se por acaso se ferem gravemente ou morrem, os bons cristão proferem a sentença: bem-feito, quem mandou fazer baderna. E se quebram o vidro de um banco então, deus nos acuda. Pobrezinhos dos bancos. São tão pobres que precisam ter suas dívidas de 25 bilhões perdoadas pelo governo. Claro, o governo pode tirar do trabalhador. 

Então a parada é simples. Não importa como a gente faça a luta. Se nossos motivos forem as lutas contra o capital ou contra a classe dominante, a ideologia que é vomitada pelos meios de comunicação sempre nos colocará como bandidos. Ainda que entreguemos flores, como foi o caso de uma ciclista em São Paulo. Ela ofereceu flores ao prefeito João Dória e ele indignou-se, jogou tudo pela janela. Pois não é que teve gente que achou bom? Na visão dessa gente a garota e seu gesto de paz era apenas “uma ridícula”. Pois é. Insisto: não é o método, são os motivos.

ARTIGAS, UM CAMINHO.

Do Blog da Elaine Tavares

Artigas, um caminho

o exército de Brancaleone...


Gina, a condutora, artiguista de valor


Sempre que nos encontrávamos nosso assunto preferido era o Artigas, o homem que conduziu o povo da banda oriental para a liberdade. Gina e eu somos orientais. Ela, do Uruguai e eu de Uruguaiana. Nossas histórias se misturavam com a história daquela região. Gina, carregando suas caixas de livro, armando a barrada da Expressão Popular, me provocava. “Tens que escrever o livrinho sobre o general”. E eu dizia: - vou escrever, vou escrever. Por vários anos fomos recolhendo tudo sobre Artigas e nas nossas conversas ele era sempre o foco. Ambas éramos apaixonadas por aquele homem. Então, em 2015 decidi fazer o caminho do “êxodo”, a saga do povo oriental que seguiu Artigas por mais de 500 quilômetros Uruguai afora, primeiro fugindo e depois voltando para a vitória.

Num carrinho Fiat, todo estuporado, confiando na providência, partimos, eu, Rubens, Antônio e Renato. Uma equipe minúscula, com uma câmera e a ideia na cabeça. Dois nunca tinham mexido com vídeo. Mas, não faltava vontade. Viajamos por quase 20 dias, atravessando o Uruguai. Buscávamos as pegadas de Artigas. Foi uma viagem fantástica, de risos, lágrimas e descobertas.

Na volta, fui ver a Gina. Queria contar pra ela tudo que tinha vivido. Foi uma tarde memorável. Ela já estava doente, mas sua alma era a de uma menina, encantada com todas as estórias. Rimos, tomamos café, falamos de Artigas, de toda a experiência, do meu encontro com sua alma libertária. Pedi a ela que me desse uma entrevista. Falando de Artigas. Ao longo de toda nossa vida juntas ela nunca quis me dar entrevista. Dizia que sua vida não era importante. Ora, pois. Mas, para falar de Artigas, sim, topava. Foi a primeira e última vez que ela fez um depoimento gravado em vídeo. Nós duas sabíamos o quanto aquilo era importante. Era Artigas.

Ela queria muito que o vídeo sobre o Artigas ficasse logo pronto, para que mais pessoas pudessem conhecer aquele homem que tanto nos arrebatava. E nós, com as parcas condições materiais que tínhamos, fomos fazendo o que era possível. Demorou demais.

No dia 2 de setembro de 2016 a Gina me fez essa sacanagem. Encantou. Não pode ver o vídeo pronto. Quase desisti do projeto. Estava difícil demais terminar. Mas, a Gina merecia que fôssemos até o fim. Com a parceria essencial do amigo/filho/irmão Rubens Lopes, o trabalho seguiu. Com sua mão firme na edição, o documentário sobre o Artigas foi tomando forma. E, no início desse ano, depois de várias batalhas, terminamos.

Hoje saiu a notícia de que o nosso vídeo, pequeno e intimista, foi selecionado para o FAM, a mais importante mostra de vídeos e filmes do Mercosul. Foi uma alegria sem fim. Finalmente Artigas vai ser visto por outros tantos brasileiros, tal qual a Gina queria, mostrado pelos nossos olhos. Ela é condutora. Ela é alma que move cada centímetro. Chorei bastante. Queria que ela estivesse viva para ver. É um vídeo singelo, como era a Gina, e eu sei que ela o amaria.  

Divido então esse contentamento, certa de que todos os nossos amigos lá estarão no dia da mostra, que será na UFSC, em junho. Para ver a Gina, para ver Artigas e para conhecer essa saga incrível do povo da banda oriental. A nossa história. A história da nossa libertação.

E, sei, que de algum lugar - talvez de dentro de mim - a Gina estará vibrando com seu riso doce, murmurando: mi general!!!! 



Resposta ao MBL: Vocês têm bandido de estimação, sim

Por que Cristinaldo quis se manifestar em Brasília

POLÍTICA - revista Piauí entrevista o líder do Revoltados online.


Quebrado e no ostracismo, dono do Revoltados Online quer ser deputado



A revista Piauí fez um perfil do que sobrou de Marcello Reis, dono do Revoltados Online:

empresário paulista Marcello Reis cultiva o peculiar hábito de dar um Google em si mesmo. Ele costuma ir atrás de imagens e notícias que remontam à uma época recente – quando alcançou notoriedade e fez barulho nas redes sociais como porta-voz de uma causa que – segundo ele – justificaria sua existência: o impeachment de Dilma Rousseff e a varredura do Partido dos Trabalhadores da vida política nacional.
(…)
Sem explicação, aviso prévio ou sinal de fumaça, o Facebook simplesmente apagou da rede sua página de 2 milhões de seguidores e mais de 100 000 postagens. O exército digital virou uma armada Brancaleone sem voz. O argumento lacônico era que a página havia desrespeitado as regras da rede social. Incrédulo, Reis caiu no choro. Ligou a câmera e, aos prantos, reclamou de censura em um vídeo postado horas depois em seu perfil pessoal e no YouTube. “Isso é uma puta sacanagem, a gente não tá vivendo numa ditadura…”, reclamava, de olhos marejados e rosto vermelho.
O vídeo viralizou entre blogs de esquerda, que malharam Reis e o transformaram no bebê chorão da extrema direita. Ele correu atrás de um advogado e começou o processo para tentar entender o que tinha feito de errado e como poderia ter a página (e os fãs) de volta. A tréplica do Facebook foi direta: “Nossas regras proíbem conteúdos como discurso de ódio e homofobia.” Quando o impeachment foi aprovado, Reis estava de fora da festa. “Imagina você montar uma empresa e, depois de dez anos, quando chegar pra trabalhar, ver que ela não existe mais? Foi exatamente isso que aconteceu”, disse.
Assim, do mesmo jeito que surgiu, o Revoltados On Line desapareceu. E Reis também. Desde então, passou a viver quase recluso. Ele justifica o comportamento citando perseguições políticas que evita detalhar. A última vez em que se meteu num protesto, em fevereiro passado, levou a pior.
Tomava cerveja com dois amigos no Charme, um bar na Avenida Paulista, quando quatro homens com camisa do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, acampados na região, o provocaram enquanto iam ao banheiro. “Sua cabeça tá a prêmio”, teria dito um dos acampados, que o reconheceu. Alguns goles depois, Reis pediu para um amigo segurar sua bicicleta e o outro, skatista, para filmar. Aproximou-se do acampamento do grupo e, em tom de desafio, perguntou: “Alguém conhece o Boulos? Se eu quiser falar com bandido, falo com ele, o Boulos, o chefe de vocês”, referiu-se a Guilherme Boulos, principal liderança do MTST. Na mesma hora, ele chutou uma barraca do acampamento. A resposta foi imediata: aplicaram-lhe uma surra de socos e pontapés. Abatido, o líder do Revoltados On Line foi ao chão. “Meu joelho tá fodido até hoje”, disse, mostrando a perna. “Pra andar tá um sufoco.”
(…)
A ressurreição tem um objetivo: Reis ainda sonha ser deputado. Ele quer concorrer a um cargo federal em 2018. “Estou analisando qual partido é o menos pior”, disse. “É bem difícil entrar nessa questão. Mas vejo que é uma necessidade. Se eu não entrar, eles continuarão do jeito que estão.”
Sua plataforma é anti-imigração. Ele disse ser contra a nova lei, aprovada em maio por todos os partidos, que passa a tratar imigrantes em solo nacional com direitos alinhados às recomendações da ONU e muito similar aos brasileiros natos. “Isso abrirá as fronteiras e os terroristas virão para cá para ficar perto dos Estados Unidos”, alardeou, em referência ao Estado Islâmico. “Primeiro vão entrar disfarçados lá pro lado do Nordeste. Lá pra cima. E aí terá resistência, claro, mas alguns cabeças estão querendo que se implante isso. Já tentaram implantar sistemas parecidos como o bolivarianismo e não conseguiram. Agora a situação é pior. Sou completamente contra essa lei.” No dia em que Reis conversou comigo, ele havia pedido para marcarmos a entrevista para algumas horas antes do combinado. Depois do nosso papo, ele participaria de um ato contra a Nova Lei de Imigração. O problema foi que, como ele perceberia pouco tempo depois, o evento tinha acontecido na noite anterior.

POLÍTICA - Por que só agora?

247 - O advogado Cristiano Zanin Martins,da equipe da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o editorial publicado pela revista Veja desta semana denunciando "estado policial" causado pela Lava Jato chegou "com um ano de atraso".
"Antes tarde do que nunca. As violações precisaram atingir Reinaldo Azevedo para serem reconhecidas como incompatíveis com o Estado de Direito", disse Zanin, no Twitter.
Somente agora a publicação da editora Abril, uma das mais ferrenhas apoiadoras do golpe, se manifestou sobre a gravação envolvendo Lula e a presidente deposta Dilma Rousseff.
Segundo o editorial da revista, foram ilegais as divulgações dos grampos, repassados pelo juiz Sergio Moro ao Jornal Nacional, da Globo; a Veja também condenou a publicidade dada a conversas entre a ex-primeira-dama Marisa Letícia e seus filhos – que a própria revista divulgou, diga-se de passagem.
"O editorial de Veja desta semana denunciou o "Estado Policial". Está correto mas com um ano de atraso. Em 2016 houve violações a sigilo profissional igualmente protegido por lei", comentou o advogado.
Zanin criticou também a postura da Ajufe (Associação de Juízes Federais).
"Já a AJUFE segue na contramão. A associação de juízes está pedindo intervenção em processos que iniciamos em 2016.
Após a violação do sigilo garantido a advogados e escritórios de advocacia no caso Lula.
A AJUFE não quer que seja reconhecida a ilicitude dos atos praticados por seus membros ao autorizarem as interceptações e a divulgação de conversas envolvendo advogados no exercício da profissão."

ESPIRITISMO - Há provas científicas da existência dos espíritos (I)


Há provas científicas da existência dos Espíritos? Parte I, por Marcos Villas-Bôas



Há provas científicas da existência dos Espíritos? Parte I
por Marcos Villas-Bôas

Os últimos textos, como primeiros do blog, tinham o objetivo de despertar a curiosidade sobre o estudo científico dos Espíritos e tratar de alguns pontos básicos. Muitos têm cobrado agora a apresentação de provas científicas da existência de Espíritos. Alguns elementos já foram apresentados em texto anterior, mas iremos, de agora em diante, descer em mais detalhes sobre sólidos estudos realizados por célebres cientistas ao longo da história.
Primeiramente, é preciso tecer algumas palavras sobre a prova e sobre a prova científica. Uma prova é um relato sobre um fato, é algo que atesta a ocorrência do evento ou a procedência de uma teoria e lhe faz, assim, fato, consumado, aceito. A prova, portanto, é, como tudo na vida social, comunicacional e retórica.
Quer-se dizer com isso que não existe a “prova em si”, mas apenas a “prova aceita”. Há prova quando há concordância sobre algo estar provado.
A prova científica se forma, então, quando há concordância de estudiosos acerca de um relato ou de uma teoria sobre algo, e essa “certeza” depois termina “escoando” para a sociedade. É, portanto, um conceito fluido, na medida em que não há uma definição de quantas pessoas seriam necessárias para se falar em “prova científica”. É preciso unanimidade? Seria maioria? Se sim, simples ou absoluta?
Pretende-se demonstrar com isso que há um claro e considerável grau de subjetividade em relação ao que está provado cientificamente e ao que não está. A imensa maioria das pessoas não faz experimentos científicos, nem viu com os próprios olhos as provas de 99,99% deles. Elas simplesmente acreditam, pois veem especialistas falando sobre aquilo, beneficiam-se de tecnologias resultantes das descobertas e sua racionalidade aceita a hipótese.
Quantos já fizeram experiências científicas com a energia elétrica? A partir de qual momento foi possível afirmar que havia prova da sua existência? Apesar de Tales de Mileto tê-la descoberto na Grécia Antiga, se alguém afirmasse isso no século XIII, seria queimado na fogueira como demoníaco. Se falasse no início do século XVII, seria tido por louco.
Foi apenas em meados do século XVII, 23 séculos depois de Tales de Mileto, que se iniciaram estudos sistematizados da energia elétrica com Otto von Guericke. No século XVIII vieram Ewald Georg von Kleist, Petrus van Musschenbroek, Benjamin Franklin, Luigi Aloisio Galvani e outros. No século XIX, vieram James Clark Maxwell, Heinrich Hertz, Thomas Alva Edson e outros. Em 1876, próximo do final do século XIX, ainda não se sabia transmitir a energia elétrica gerada.
Qual a importância disso para o estudo dos Espíritos? Ninguém vê propriamente a energia elétrica, mas apenas os efeitos que provoca, sendo possível senti-la. Até o início do século XVIII, mesmo apesar dos estudos de alguns dos cientistas geniais aqui citados, a grande maioria das pessoas negava existir a energia elétrica. Algo similar acontece com os Espíritos, que, em regra, não se mostram aos olhos da maioria dos humanos. Segundo Kardec, no item 105 do Livro dos Médiuns:
“Por sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível e tem isto de comum com uma imensidade de fluidos que sabemos existir, sem que, entretanto, jamais os tenhamos visto. Mas, também, do mesmo modo que alguns desses fluidos, pode ele sofrer modificações que o tornem perceptível à vista, quer por meio de uma espécie de condensação, quer por meio de uma mudança na disposição de suas moléculas. Aparece-nos então sob uma forma vaporosa”.
O estudo do Espírito enquanto objeto científico começou apenas em meados do século XIX, com Allan Kardec. Quem lê suas obras nota a sua rara racionalidade e capacidade científica, mas é preciso, como sempre, desenvolver e difundir a ciência que ele sistematizou.
A sociedade em geral apenas aceitará a existência dos Espíritos na medida em que possa ter mais elementos concretos, o que é complicado, pois eles são seres inteligentes em corpos semimateriais, de modo que, primeiramente, o estudo dessa ciência depende de uma aquiescência dos próprios Espíritos, que são gente como a gente, em participar das experiências.
Os experimentos Scole dão provas robustas da existência de Espíritos, pois registraram em áudio, fotos e vídeo a desmaterialização e rematerialização de objetos, comunicações espirituais, toques deles nos pesquisadores por meio de uma mão visível e palpável etc.
Como de costume, alega-se que pode haver embuste nesses experimentos. Há pessoas que poderiam se deparar com o Espírito de um ente querido, se comunicar claramente com ele e, mesmo assim, não acreditariam que aquilo tivesse realmente ocorrido. Não adianta querer fazer enxergar aquele que não quer ver. Recorre-se com frequência à justificativa do sonho e das alucinações para afastar qualquer possibilidade espiritual.
No caso dos que estão abertos a entender os Espíritos, eles são inteligências fora do corpo físico, ou seja, são nós mesmos, humanos, desencarnados, não havendo o que temer, mas apenas respeitar e compreender. É preciso, no entanto, um forte senso crítico para que a aceitação da existência dos Espíritos, ou para que a afinidade com a Ciência Espírita, não leve a conclusões precipitadas.
Carl Gustav Jung, o pai da Psicologia Analítica, passou toda sua vida lidando com experiências mediúnicas de sua mãe e dele próprio, porém nunca afirmou existir prova científica da existência dos Espíritos.
Com receio de ser execrado do meio científico, uma vez que já tinha sofrido retaliações de Freud e outros por se interessar pelo Ocultismo, ele era muito cauteloso e não afirmou abertamente que tinha contatos com o mundo espiritual até a sua última brilhante obra, escrita quando já tinha mais de 80 anos de idade. Nela, ele afirma:
“Não foram somente os meus sonhos mas, ocasionalmente, os de outras pessoas que, revisando ou confirmando os meus, deram forma às minhas concepções a respeito de uma sobrevida” (Memórias, Sonhos e Segredos, p. 40).
Jung cita ao longo desse livro inúmeros casos de premonições dele e de outras pessoas, encontros com Espíritos durante o desprendimento da alma ao longo do sono, com coincidências incríveis e que, de tão incríveis, o levaram a concluir que aquilo não era simplesmente ação da sua imaginação.
Como todo bom cientista, Jung procurava se questionar bastante sobre todos os sonhos e visões que tinha. O mesmo acontecia com Camille Flammarion. Em texto anterior publicado aqui no blog, um leitor deixou comentário sobre o fato de o próprio astrônomo ter afirmado que as cartas escritas por ele e assinadas como “Galileu” não foram eventos mediúnicos em comunicação com Galileu Galilei, mas apenas sonhos, elementos da sua imaginação:
“Naquelas reuniões na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, escrevi, por meu lado, páginas sobre astronomia assinadas por ‘Galileu’. Essas comunicações ficavam no escritório da sociedade, e Allan Kardec publicou-as em 1867, sob o título Uranographie générale (Uranograjia Geral), em seu livro intitulado Genese (Gênese) (do qual conservei um dos primeiros exemplares, com a dedicatória do autor). Essas páginas sobre astronomia nada me ensinaram. Não tardei em concluir que elas eram apenas o eco daquilo que eu sabia e que Galileu nada tinha a ver com aquilo. Era como uma espécie de sonho acordado. Além disso minha mão parava quando eu pensava em outros assuntos” (As forças naturais desconhecidas, p. 44).
Cabe aqui uma importantíssima observação destinada a todos, mas especialmente aos que já são espíritas fervorosos. Assim como acontece no debate político, tendemos a aceitar aquilo que nos agrada e a refutar aquilo que nos desagrada. Se queremos realmente aprender mais e nos aprofundar em algum tema, é preciso questionar cada fato, cada premissa e cada conclusão. Do contrário, o risco de erros é enorme e, no caso da Ciência Espírita, o risco de misticismo também.
Quanto à afirmação acima de Flammarion, contudo, pode ser que ele mesmo tenha ficado confuso e chegado a uma conclusão errada. De qualquer forma, mesmo que ele houvesse sonhado e não tivesse psicografado Galileu, ou mesmo que ele não fosse, como alguns propõem a reencarnação de Galileu, que buscava o conhecimento no seu inconsciente, isso em nada ruminaria a existência de Espíritos e da psicografia, como o mesmo Flammarion afirma tantas vezes no próprio livro:
“Mas, nada é mais raro, no nosso planeta, que a independência e a liberdade absoluta da mente; nada é mais raro, também, que a verdadeira curiosidade científica, desprovida de qualquer interesse pessoal. Os leitores, em geral, dirão: ‘O que há nisso de tão importante? Mesas que se elevam, móveis que se mexem, poltronas que se deslocam, pianos que saltam, cortinas que se agitam, pancadas dadas sem causa conhecida, respostas a questões mentais, frases ditadas ao contrário, aparições de mãos, de cabeças ou de fantasmas, tudo isso não passa de banalidades ou de bobagens indignas de ocupar a atenção de um cientista. E o que isso provaria, se fosse verdade? Isso não nos interessa’. Há pessoas incapazes de se abalarem, mesmo que o céu lhes caia sobre a cabeça. Eu responderei: Mas como? Nada significa saber, constatar, reconhecer, que existem forças desconhecidas ao nosso redor?” (As forças naturais desconhecidas, p. 9-10).
Flammarion demonstra, a todo o tempo, nesse livro o cientista brilhante e curioso que era, sempre aberto a descobertas, a infirmar suas próprias “verdades”, mas também questionador, desconfiado. Essa deve ser a postura de um estudioso, de alguém ávido por aprender mais e mais. À frente, ele diz o seguinte:
 “De um lado, os céticos não abrem mão de suas objeções, convencidos de que eles conhecem todas as forças da natureza, que todos os médiuns são farsantes e que os experimentadores não sabem observar. Por outro lado, os espíritas crédulos que imaginam haver constantemente espíritos à sua disposição em uma mesinha redonda e evocam, sem pestanejar, Platão, Zoroastro, Jesus Cristo, Santo Agostinho, Carlos Magno, Shakespeare, Newton ou Napoleão, eles irão me lapidar pela décima vez, declarando que me vendi ao Instituto por uma ambição inveterada, e que não ouso concluir em favor da identidade dos espíritos, para não contrariar os amigos ilustres” (As forças naturais desconhecidas, p. 10-11).
Essa obra de Flammarion aqui citada é de 1906, mas foi uma revisão de texto publicado no ano de 1865, o que é muito interessante, pois, quarenta anos após o jovem cientista escrever sobre o assunto, ele volta a analisar aqueles fenômenos espirituais muito mais maduro e após adquirir bem mais conhecimento. A sua importância histórica também é evidente. Um trecho transcrito da primeira obra diz o seguinte:
“É preciso ser bem audacioso para insistir, em nome da própria ciência positiva, em afirmar a possibilidade dos fatos chamados (erroneamente) de sobrenaturais, e de se fazer o campeão de uma causa aparentemente absurda, ridícula e perigosa, sabendo-se que os partidários confessos dessa causa têm pouca autoridade na ciência, e que seus partidários ilustres não ousam declarar que o são tão abertamente. Todavia, já que essa causa acaba de ser tratada momentaneamente por uma infinidade de jornalistas, cujas preocupações habituais são bem diferentes dos estudos das forças da natureza; como, de toda essa massa de escritores, a maior parte só fez acumular erros sobre erros, puerilidades sobre extravagâncias, e como fica evidente em cada uma de suas páginas (que eles me perdoem essa confissão!) que não somente eles não conhecem os rudimentos do assunto que pensaram poder tratar de acordo com sua fantasia, mas que também seu julgamento sobre essa ordem de fatos não repousa em nenhuma base, eu penso que seria útil deixar desta longa discussão um documento mais fundamentado, e enfrento voluntariamente mil críticas, por amor à verdade” (As forças naturais desconhecidas, p. 13).
Como se nota, muito pouco mudou. O tema dos Espíritos era tratado do final do século XIX para o início do século XX pela maioria como fantástico e de forma fantasiosa. Uns queriam negar a todo custo e outros queriam acreditar a todo custo. Os famosos que acreditavam buscavam, muitas vezes, não aparecer, com receio dos preconceitos de pessoas que os criticavam duramente sem nada saber das manifestações.
Como Flammarion as vinha pesquisando havia alguns anos, rebatia-os com certa indignação:
“É bom que se saiba que não considero meu julgamento superior ao dos meus colegas, dos quais alguns têm, em outros assuntos, um alto valor. É simplesmente porque, não estando familiarizados com o assunto, eles se perdem a torto e a direito, errando em uma região desconhecida, confundindo até os próprios termos e considerando como impossíveis fatos constatados há muito tempo, ao passo que este que escreve estas páginas vem fazendo experiências e discutindo o assunto já há muitos anos” (As forças naturais desconhecidas, p. 13-14).
Não é nenhuma novidade a desconfiança humana em relação ao que é novo, sobretudo ao que desmente suas crenças, mais especialmente ainda se disser respeito a suas crenças mais íntimas sobre quem ele é e sobre como o mundo a sua volta funciona. Flammarion nos remete, então, de volta à descoberta da eletricidade:
“Em 1791, um italiano, em Bolonha, tendo pendurado na balaustrada de sua janela rãs esfoladas, com as quais havia preparado um caldo para sua jovem esposa doente, viu-as se mexerem automaticamente, embora elas tivessem sido mortas na véspera. O fato era inacreditável e, por isso, Galvani encontrava uma oposição unânime por parte daqueles a quem contava o fato. Os homens sensatos pensavam que se rebaixariam caso se dessem ao trabalho de verificá-lo, tanto que estavam certos de sua impossibilidade. Todavia, Galvani chegara a notar que o efeito máximo se produzia quando se colocava um arco metálico de estanho e cobre em comunicação com os nervos lombares e a extremidade das patas da rã. Então, ela entrava em convulsões violentas. Ele pensou tratar-se do fluido nervoso e perdeu o fruto de suas descobertas. Ele estava reservado a Volta, ao descobrir a eletricidade” (As forças naturais desconhecidas, p. 17).
Os Espíritos fazem analogias frequentes entre a eletricidade, o magnetismo e fenômenos espirituais. Trata-se, em todos os casos, de fluidos ainda pouco conhecidos pelo homem, sobretudo na última situação. Assim como levou muitas décadas para a eletricidade ser aceita como descoberta científica e é difícil dizer em qual momento exato se teria uma prova científica dela, o estudo dos Espíritos está em processo de maturação, carecendo de curiosidade e cautela de todos que lidem com ele.
Os excelentes livros de Jung e Flammarion citados aqui buscam entender cientificamente as manifestações espirituais e merecem, com certeza, ser lidos por todos. Em textos seguintes, continuaremos a analisá-los, juntamente com obras de outros estudiosos tão ou mais célebres do que eles, procurando uma resposta para a pergunta: há prova científica da existência dos Espíritos?