sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - Nervos à flor da pele.

Nervos à flor da pele no Planalto

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Alguém pode explicar por que, se tudo vai tão bem, se a economia está crescendo – como assegura Henrique Meirelles – e se o governo tem maioria para aprovar o que quiser, mesmo a absurda indicação de Alexandre de Moraes para o STF, porque é que os integrantes do núcleo do Governo estão agindo da maneira apavorada que estão?
O líder de Temer no Senado, Romero  Jucá, solta aquela delicadeza “é todo mundo na suruba” sobre o foro privilegiado e Moreira Franco, o “Angorá” de Temer, cujo ingresso na “suruba” foi garantido com sua nomeação ao Ministério, diz que o líder do Governo não fala em nome do Governo.
E ainda acena com a historinha de que não haverá “enquadramento” das bancadas na reforma da Previdência, dizendo que o PMDB “não tem tradição leninista”. Jura, Moreira? Coitado do Lênin, tira ele dessa…
Eliseu Padilha some por uns dias com uma crise de pressão alta. José Serra, o primeiro tucano a aderir ao governo, pede exoneração do Itamarati, em lugar de licenciar-se para tratamento de sua coluna (a cervical, não a quinta-coluna, devidamente tratada com a venda do petróleo e a redução brutal do conteúdo nacional exigido em sua exploração).
E o ex-futuro Ministro da Justiça, Carlos Velloso,  que deu entrevistas, posou para fotos e, no dia seguinte, mandou uma cartinha na base do “não tô a fim mais, não”?
Tudo isso na semana, em tese, meio morta do pré-carnaval, onde o Bloco do Sujo costuma ter uma versão mais divertida e inocente do que a política.
Não fosse o decantado sucesso político e econômico do governo, bem que se poderia lembrar do dito popular: “casa onde falta o pão, todo mundo briga e ninguém tem razão.
No Planalto, não falta pão, mas sobra delação.

POLÍTICA - Lula aciona a IstoÉ pela capa com o "doidão da delação".


Lula aciona Istoé em R$ 1 milhão pela capa com o “doidão da delação”

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Os advogados de Lula abriram uma ação de reparação moral contra a Istoé pelo cúmulo da picaretagem a que se prestou a revista dando capa para um certo Davincci Lourenço de Almeida, o cidadão que é químico amador, gênio da nanotecnologia, verificador ideológico do mosquito da dengue, entre outras proezas.
Lula pede um milhão à revista, o que deve ser menos do que ela gastou para o convescote destinado a dar a Michel Temer o título de “Homem do Ano”, com direito a risadinhas de Sérgio Moro e Aécio Neves para servirem de “fundo” ao chefe.
Sobre Davincci, o cidadão que a revista escalou para dizer que entregou uma mala de dinheiro a Lula, se você não o viu, pessoalmente, em suas transtornadas performances, que este Tijolaço publicou após dez minutos de pesquisa no Google, leia estes trechos da representação de Lula:
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E isso não é tudo:
doidaob
Parece que, finalmente, Lula vai ganhar algum dinheiro com esta história toda.
Não de propina, obvio. De indenização.

POLÍTICA - O novo diversionismo da lava jato.

O novo diversionismo da Lava-Jato

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Através de seu órgão oficial, o blog do Fausto Macedo, vinculado ao Estadão, a Lava Jato não esconde sua obsessão em controlar a narrativa.



Com os operadores da Lava Jato defendendo Alexandre de Moraes, ministro da Justiça de Temer, no STF, e o próprio Sergio Moro atuando como bombeiro no incêndio que Eduardo Cunha ameaça lançar sobre o Planalto, a operação perdeu o seu charme “subversivo” e tornou-se uma iniciativa governista.

A nova etapa lançada hoje é uma tática diversionista.

“Lava Jato avança contra partido do governo”…

Vá enganar outro.

O partido do governo não é o PMDB, muito menos Renan Calheiros. Esses caciques do PMDB há tempos perceberam que, aos olhos de quem manda, ou seja, aos olhos das castas judiciais e da mídia, eles não passam de cordeiros gordos de sacrifício.

O “partido do governo” hoje é o PSDB.

Além disso, as investigações lançadas hoje como novidade não tem nada de novidade. São coisas velhas, requentadas.

Joga-se um monte de informações ao leitor, sobre contratos, licitações, contas no exterior. Ninguém consegue entender direito o que é crime e o que não é, e pronto, eis mais um show no circo romano, desviando a atenção de um público, que poderia, perigosamente, prestar mais atenção ao desmonte nacional.

A Lava Jato está sempre de olho no “timing”. Como a nomeação de Moraes para o STF causou muito constrangimento, então o consórcio golpista tratou de lançar vários factoides para neutralizar: vazou uma doação para André Sanches, ex-presidente do Corinthians e neopetista e agora lança uma etapa, para ocupar as manchetes com denúncias vagas contra Renan Calheiros.

Calheiros está relativamente tranquilo. O STF já tirou a máscara há tempos. Agora trabalha inteiramente para a consolidação do golpe. Claro que tudo pode acontecer no Brasil, e Renan não é peça estratégica, mas a entrada de Alexandre de Moraes na alta corte foi feita justamente para dar conta dos processos contra o PMDB.

Parodiando um sábio governista, temos tudo “delimitado onde está”, com Supremo, com Globo, com tudo.

POLÍTICA - Como soltar o Cunha?

O problema da República: como soltar Cunha

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



A lógica da política já é complicada. A da política bandida, quase indecifrável. E quando o banditismo político infiltra-se em meio às togas, aí se passa a ter de raciocinar com o pressuposto do crime e da conspiração nas próprias instituições, já não apenas nos homens.

Há muita gente achando que a súbita sinceridade de José Yunes, dispondo-se a fazer o papel de velho “bobo”, é parte de uma estratégia que aceita degolar o entorno de Temer – Geddel já foi, Moreira Franco é um morto-vivo político (mesmo antes, prestava-se mais a negócios, para o que hoje está interditado) e Eliseu Padilha agora só vai ficar a salvo enquanto permanecer no hospital.

O PSDB vai se assenhoreando do governo de fato e o PMDB vai sendo “escanteado”.

Mas há um problema na “transição tucana” do Governo Temer.

Está em Curitiba e chama-se Eduardo Cunha.

Como dito no post anterior, Cunha provou ter nas mangas todos os trunfos de intimidade com esquemas financeiros de Michel Temer e mostra a ponta das cartas quase que como a gritar por ser libertado, com o ressentimento de um vitorioso no golpe que foi descartado logo ao início do pós-golpe.

Talvez os episódios de ontem – a confissão de Yunes e a nomeação de Osmar Serraglio, ex-homem de confiança de Cunha, para o Ministério da Justiça – sejam parte da solução do “problema”.

Solução que parece ter começado a evidenciar-se com a fala de Gilmar dizendo que o STF tem um encontro “com as alongadas prisões de Curitiba”.

A dificuldade é “combinar com os russos” da opinião pública.

Soltar Cunha será um escândalo que razão jurídica alguma conseguirá abafar, pois “venderam” ao país que prisão preventiva, dependendo de quem, pode ser eterna. De forma mais simples: que a prisão precisa mais de razões morais do que legais.

Soltar Cunha é também dizer adeus a uma estratégia que está, hoje, meio em banho-maria: a de prender Lula.

Depois de terem “perdido o timing“, como disse aquele delegado falastrão, para prendê-lo, o que vem se desenhando é acelerar os processos e levar o caso logo à condenação – ou alguém duvida que o veredito de Moro já está pronto, devidamente retocado com honras de estilo e falsa erudição, para ficar como documento histórico do “anjo vingador” e confirmar a sentença em 2ª instância, no Tribunal Regional Federal, onde “tá tudo dominado” e pronto a correr em altíssima velocidade.

Ainda assim. complicado, porque a condenação em segunda instância, pelo novo e feroz entendimento do Supremo, leva à prisão do já então candidato Lula. Implicará numa cassação e na cassação do favorito na disputa eleitoral.

Estamos nos movendo no terreno pantanoso da traição, dos acordos secretos, da mancebia entre política e Justiça.

Tudo é imensamente imprevisível e, ao mesmo tempo, evidente.

Somos governados por uma associação de quadrilhas e falta pouco, muito pouco, para que a própria Justiça seja uma delas.

POLÍTICA - "Fui mula do padilha".

"Mula" Yunes reforça delação contra Temer

Da revista CartaCapital:
"Fui mula involuntário do Padilha", disse o advogado à Veja, que confirmou sua versão à publicação e também ao jornal Folha de S.Paulo. "Não teria problema nenhum ele [Padilha] reconhecer que ligou para mim para entregar um documento, o que é verdade. Vamos ver o que ele vai falar. Estou louco para saber o que ele vai falar. Ele é uma boa figura. Mas, nesse caso, fiquei meio frustrado. Não sei. É tão simplório. É estranho, não é?", disse Yunes à revista.

Em seu depoimento, Yunes trouxe um elemento novo ao caso contra Temer e Padilha. Segundo o advogado, o mensageiro da Obebrecht era o doleiro Lucio Bolonha Funaro, que teria mencionado, em rápida conversa, financiamento a 140 deputados para "fazer o Eduardo presidente da Casa".

Eduardo era Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado federal cassado que de fato foi eleito presidente da Câmara, cargo por meio do qual liderou o impeachment contra Dilma Rousseff (PT). Lucio Funaro é apontado pelo Ministério Público Federal como operador de Cunha e, assim como o ex-deputado, está preso no âmbito da Operação Lava Jato.
O pacote, afirmou Yunes, foi retirado mais tarde por uma pessoa que ele não teria identificado. De acordo com o blog do jornalista Gerson Camarotti, no portal G1, que também trata do depoimento de Yunes, a encomenda teria sido levada ao ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Encontro com Temer
Na carta de demissão enviada a Temer em dezembro, Yunes afirmara que tomou a decisão "em respeito à família", para "preservar a dignidade". Nesta quinta-feira 23, Yunes esteve em Brasília e conversou com Temer. O encontro não aparece na agenda de Temer, mas foi confirmado pelo Palácio do Planalto ao Blog do Camarotti.

O nome de Yunes chegou às manchetes em 9 de dezembro, após o vazamento da delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht. No depoimento aos procuradores responsáveis pela Lava Jato, Melo Filho narrou ter enviado um emissário para entregar dinheiro vivo no escritório Yunes em São Paulo em 2014.

O dinheiro seria parte, ainda segundo o delator, de um total de 10 milhões de reais acertados entre Temer e Marcelo Odebrecht, o dono da construtura, em um jantar realizado em maio daquele ano no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência.

Esse montante de 10 milhões, afirma o delator, deveria ser dividido em duas partes: 6 milhões de reais para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, então candidato a governador de São Paulo, e 4 milhões para Eliseu Padilha, que distribuiria o valor para outros candidatos do PMDB.

Cunha, Moro e Temer
À revista Veja, o ministro-chefe da Casa Civil disse que não conhece Lucio Funaro e que não pediu nenhuma entrega a ele. Quando o caso veio à tona, o Palácio do Planalto confirmou o acordo com a Odebrecht para o repasse de 10 milhões de reais, mas disse que se tratava de verbas para financiar a campanha. O delator Cláudio Melo Filho sustenta que tratava-se de propina.

Réu na 13ª Vara Federal de Curitiba, na qual tramita a Lava Jato em primeira instância, Eduardo Cunha arrolou Temer como testemunha e apresentou uma lista de 41 perguntas a serem feitas a ele. O juiz Sergio Moro barrou, entretanto, 21 dessas questões, incluindo as três que citavam Yunes.

Nos questionamentos, Cunha perguntava sobre qual era a relação de Temer com Yunes e se o presidente "recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB". Na terceira pergunta, Cunha levantava a possibilidade de caixa dois ou propina ao indagar se as contribuições "foram realizadas de forma oficial ou não declarada".

Na ocasião, Moro considerou as 21 perguntas excluídas como inapropriadas ou sem pertinência com o objeto da ação penal. Para o mundo político, a simples apresentação das perguntas por parte da defesa de Cunha foi uma sinalização do deputado cassado a respeito do potencial explosivo que uma delação premiada por parte dele poderia ter.

Após o Carnaval, três delatores da Odebrecht, incluindo Cláudio Melo Filho, serão ouvidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na ação contra a chapa Dilma-Temer, que pode ser cassada. Caso esse seja o desfecho do julgamento, Temer pode ser destituído e uma eleição direta definiria um presidente tampão até as eleições de 2018.

POLÍTICA - Demissão de Serra.

Quatro fatores na demissão de Serra

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

José Serra é um político à deriva. É detestado no PSDB, suportado no governo Temer e se tornou eleitoralmente irrelevante. Tão irrelevante que a última sondagem CNT sequer o incluiu nas fichas de presidenciáveis.

Seu pedido de demissão deve-se aos seguintes fatores:

Fator 1 – a irrelevância de sua atuação à frente do MRE

O insuspeito O Globo relacionou todos os fatos relevantes da gestão Serra no MRE. Sob o impactante título “As principais passagens de Serra no MRE”, relacionou os seguintes feitos:

· Defesa do apoio ao governo

· Polêmica com países bolivarianos

· Proximidade com a Argentina

· Passaportes diplomáticos

· E seu grande momento: Homenagem à Chapecoense.

E nada mais havia para se dizer. O cargo, aliás, comprovou a profunda ignorância de Serra em relação a qualquer tema contemporâneo. Em uma das áreas mais sensíveis, para a reaproximação com os Estados Unidos, não logrou nenhum protagonismo. Sua insegurança era tal que chegou a levar Fernando Henrique Cardoso em um dos primeiros encontros de confronto do Mercosul, pela incapacidade de desenvolver um discurso minimamente eficaz.

Na vitrine o MRE, além disso, ficou escancarada sua baixíssima propensão ao trabalho. Serra é de acordar tarde, dormir tarde e não tem pique gerencial. Por isso, em cargos executivos acaba restringindo sua agenda diária a encontros insossos com um ou outro secretário.

Fator 2 – sua irrelevância política

Serra é detestado no PSDB, aturado no PMDB e descartado no governo Temer. No Palácio, era alvo de piadas e gozações da troupe de Temer, por impropriedades cometidas, a julgar pelos relatos do mais assíduo dos comensais, Jorge Bastos Moreno.

Havendo eleições em 2018, o PSDB teria Geraldo Alckmin ou Aécio Neves e Temer—PMDB apostará em Henrique Meirelles.

A volta para o Senado devolve Serra ao seu habitat natural. Seu maior mérito foi o de sempre ter-se cercado de bons assessores para as atividades parlamentares.
Fator 3 – a Lava Jato

Ao longo de sua carreira, Serra sempre amarelou em momentos graves. Apesar de se dizer defensor de câmbio competitivo, enquanto Ministro do Planejamento de FHC desapareceu das discussões públicas. Anos depois, Gustavo Franco confessaria seu espanto com o baixo nível de informação econômica de Serra.

No governo de São Paulo, as principais crises foram enfrentadas assim:

· Na greve da USP, mandou a Polícia Militar retirar estudantes a cacetada.

· Na greve da Polícia Civil, que cercou o Palácio Bandeirantes, recuou rapidamente de sua decisão de não receber grevistas e acabou premiando-os com mais do que as próprias propostas da categoria.

· Nas enchentes que assolaram o Estado, sumiu. Não presidiu uma reunião sequer da defesa civil, não veio uma vez sequer a público comandar os trabalhos do governo. Quando saiu candidato a presidente, demonstrou não conhecer sequer o conceito de Defesa Civil.

Com as investigações da Lava Jato batendo na sua porte, o pânico é evidente. Até algum tempo atrás, Serra mantinha em casa uma coleção de obras de arte capaz de provocar inveja até em ricos de verdade, como Roberto Civita, dono da Abril. A quebra do sigilo do fundo de investimento de sua filha Verônica certamente teria um efeito devastador sobre seu futuro.

No Senado, Serra voltará a ser mais um dentre muitos – e não um Ministro exposto. E terá tempo para tentar recompor seus laços com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, que lhe permitiram, em outros tempos, montar dossiês mortais e ações policiais contra adversários políticos.

Fator 4 – a doença

Em praticamente todas as fotos em que aparece, como chanceler, há a expressão do olhar vazio, da falta de energia, indicando claramente problemas físicos. Serra alega ter dores na coluna que o impediriam de efetuar viagens longas. É provável.

Mas padece de outros problemas. Colegas tucanos apontam para uma depressão continuada. Cenas recentes – dele não sabendo declinar nomes de países que compõem os BRICs – podem indicar problemas graves de memória, mas pode ser efeito de medicamentos pesados.

Altamiro Borges: A quadrilha no governo e a dos cúmplices

Altamiro Borges: A quadrilha no governo e a dos cúmplices

PETROBRAS - Alteração do conteúdo local deverá agravar o desemprego.



Desemprego: Temer altera conteúdo local e deve agravar cenário




   
Os dados são de uma pesquisa de 2016 e mostram uma realidade ainda pior do que o rascunho que era conhecido. No final do ano passado, faltava trabalho para 24,3 milhões de brasileiros. É o indicador mais extenso do desemprego em nosso país. A taxa de subutilização da força de trabalho foi a 22,2% no quarto trimestre, bem acima dos 14,9% do mesmo período de 2014.

O indicador leva em conta, além dos desempregados, as pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana e buscam outras ocupações. Aqueles que não procuram emprego, mas gostariam de trabalhar. Em um ano, mais 5,8 milhões de pessoas entraram nesse cálculo da força de trabalho subutilizada, alta de 31,4%. Números que provavelmente o núcleo do governo já conhecia, mas que não foram levados em conta quando da decisão de estimular as petroleiras internacionais instaladas no Brasil, e, liderada pelo presidente da Petrobrás, Pedro Parente, levar para o exterior as obras que poderiam ajudar a reaquecer a economia brasileira. O número de desempregados no país é muito alto, e não é a única notícia ruim do mercado de trabalho. No quarto trimestre, o número de pessoas que buscavam uma ocupação sem encontrar ficou em 12,3 milhões. Ou seja, a medida tradicional do desemprego era apenas metade do problema.

Diante deste quadro, conforme o Petronotícias postou durante toda quinta-feira (23), é compreensível a irritação, a desesperança das grandes indústrias, dos trabalhadores e das federações de empresas, que ficaram frustradas com a insensibilidade das operadoras de petróleo que atuam no Brasil e ainda mais com os ministros responsáveis do governo Temer, que capitularam diante da pressão dessas petroleiras internacionais, lideradas pela Petrobrás. Elas fizeram pressão para que os empregos que poderiam ser criados no Brasil fossem levados para o exterior com autorização oficial, sem que fossem penalizadas. As consequências dessa atitude, provavelmente, só serão conhecidas num futuro, talvez, próximo, quando a desesperança do desemprego impulsionar atos de desespero da população que busca o trabalho para sobreviver, mas não encontra. Será a hora de se conhecer quem será o dono do filho feio.

No ano passado, um quinto dos desempregados já procuravam emprego pelo menos há dois anos. Entre 2012 e 2016, esse grupo de trabalhadores cresceu 53%. Era de 1,5 milhão em 2012 e passou para 2,3 milhões em 2016. Também explodiu o grupo de brasileiros que ficou de um ano a menos de dois anos buscando trabalho nesse mesmo período. Passou de 978 mil pessoas em 2012 para 2,16 milhões em 2016, alta de 121%. O grupo que buscou trabalho por um mês a menos de um ano cresceu 64,7%, e o que procurou por menos de um mês teve alta de 30%. Em 2016, faltou trabalho para 22,6 milhões de brasileiros, considerados pelo IBGE como subutilizados. Esse grupo é formado por todas as pessoas de 14 anos ou mais que estavam sem emprego na força de trabalho potencial. Não trabalhavam nem procuravam emprego, mas estavam disponíveis para trabalhar ou procuravam, mas não estavam disponíveis. Esse grupo cresceu 24,3% em relação a 2015. A taxa média de desemprego no país atingiu 11,5% em 2016 e o número de desempregados ficou em 11,8 milhões de pessoas: os dois indicadores são recordes da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em 2015, a taxa média do ano já havia disparado e ficado em 8,5%, com 8,6 milhões de pessoas desempregadas, contra os 6,8% do ano anterior.


Fonte: Petronotícias

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Por Paul Craig Roberts*

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Pentágono admite ter usado urânio empobrecido na Síria - Portal Vermelho: Em pelo menos dois bombardeios na Síria, a aviação norte-americana usou munições com urânio empobrecido. E vai voltar a fazê-lo, garante o Pentágono.

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Altamiro Borges: A quadrilha no governo e a dos cúmplices

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - A proteção descarada do Janot ao seu conterrâneo Aécio Never.

Janot e os inquéritos contra Aécio

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Não se pode acusar o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot de imprevisível. Sua atuação tem ajudado a confirmar todos os cenários traçados pelo Xadrez sobre a maneira como trabalha os inquéritos contra seu conterrâneo, o senador Aécio Neves: empurrar com a barriga o máximo de tempo possível.

A delação do ex-senador Delcídio do Amaral criou uma dor de cabeça para Janot. Delcídio avançou uma série de acusações contra Lula, Dilma e o PT. Mas incluiu na delação denúncias contra Aécio. Como não poderia ignorar algumas denúncias e acatar outras, Janot foi obrigado a abrir dois inquéritos contra Aécio: um, sobre o sistema de propinas de Furnas; outro, sobre a falsificação de documentos para a CPMI dos Correios, visando ocultar o mensalão mineiro.

Um ano antes, em março de 2015, já havia uma série forte de indícios contra Aécio – a Operação Norbert (que permaneceu na gaveta da PGR desde 2010), identificando contas em Liechtenstein, as informações de Alberto Yousseff sobre as propinas de Furnas, o nome do diretor que recolhia a caixinha, Dimas Toledo, da empresa que lavava o dinheiro, a Bauruense, a titular da conta onde o dinheiro era depositado, Andréa Neves.

Mesmo assim, Janot não pediu o indiciamento de Aécio, denunciando outros senadores – como Lindbergh Faria e Antônio Anastasia – com base em indícios muitíssimos mais frágeis, surpreendendo o relator Teori Zavascki.

Com a delação de Delcídio, foi obrigado a voltar ao tema.

De lá para cá, tem havido um jogo de empurra e de adiamento das investigações, quase escandaloso.

Em maio de 2016, Janot decidiu pedir autorização para abrir dois inquéritos contra Aécio.

Batendo no STF (Supremo Tribunal Federal), o suspeito algoritmo do tribunal jogou os dois pedidos de abertura de inquérito nos braços de Gilmar Mendes. Que, obviamente, não autorizou a abertura dos inquéritos, obrigando Janot a insistir (https://goo.gl/e8U4DD). Não autorizou sequer a tomada de depoimento de Aécio e a colheita de provas adicionais na Lava Jato (https://goo.gl/uZt4SK). Deixou-se de lado a conta em Liechtenstein sob a alegação de que a cooperação internacional não chegava até lá.

Ante a falta de sutileza de Gilmar, Janot foi obrigado a insistir no pedido, que acabou autorizado (https://goo.gl/jf5HDN).

No entanto, até 23 de novembro, ou seja, com oito meses de investigações, nem a PGR nem a Polícia Federal haviam sequer colhido depoimentos autorizados, entre eles o de Dimas Toledo (https://goo.gl/YA4G3t), obrigando Gilmar a prorrogar o prazo:

"Os autos foram remetidos à Corregedoria-Geral da Polícia Federal para inquirição de três testemunhas, interrogatórios do investigado, além de requisição e juntada de documentação constante dos autos de outras investigações. A remessa dos autos à Corregedoria-Geral da Polícia Federal foi feita em 10.6.2016. (...) As inquirições não foram realizadas ou agendadas. (...) Ficam a Autoridade Policial e o Ministério Público Federal instados a observar os prazos de tramitação, nesta e em todas as investigações supervisionadas por este Relator", diz a decisão.

Vencido o prazo, a conclusão da investigação sobre a suposta atuação de Aécio Neves maquiando dados para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) – escondendo sua relação com o Banco Rural – foi mais uma vez adiada a pedido de Janot (https://goo.gl/9jItJe).

Pediu prazo de mais 120 dias para o ingente trabalho do liquidante do Banco Rural fornecer informações solicitadas. “No decorrer desse lapso de tempo, a Procuradoria-Geral da República providenciará a análise, ainda que preliminar, dos documentos da CPMI dos Correios”. 120 dias para uma análise preliminar dos documentos da CPMI dos Correios.

Até hoje ainda não foi identificado o gestor do Banco Rural que enviou os documentos falsos. Nada ocorreu com Dimas Toledo, o notório diretor de Furnas que se vangloriava de passar propinas para mais de uma centena de parlamentares. Para se ter uma ideia da sua importância, o papel de Dimas em Furnas equivaleria a de Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa somados na Petrobras.

Há limites para a hipocrisia. E Janot corre o risco de desmoralizar-se a si e ao MPF com essa solidariedade mineira.

POLÍTICA - "Só chamando a polícia".

Janio de Freitas: só chamando a polícia para lidar com as façanhas de Temer


Desde a exclusão de Geddel Vieira Lima, não parou mais. O aperitivo da Odebrecht com 34 citações a Moreira Franco, e dezenas de outras, ainda sem contagem precisa, a Michel Temer. A aberração da escolha de Temer para suceder Teori Zavascki. A criação de um ministério para dar foro privilegiado a Moreira. O hacker de Marcela.
A censura de Temer à Folha e ao Globo. A derrota judicial do censor ameaçado de ver-se “jogado na lama”. A identificação do indicado para o Supremo, Alexandre de Moraes, como plagiário. Os vetos e recusas de convidados por Temer para ministro da Justiça.
Mais de um mês de predomínio do noticiário pelas façanhas de Temer. Só mesmo chamando a polícia.
É o que foi feito. À falta de mais imaginação, a Polícia Federal sacou um “relatório parcial”, logo “vazado” para imprensa e TV. Pronto, Lula voltou à proeminência do noticiário. Acompanhado, como convém, por Dilma Rousseff. E, de quebra, Aloizio Mercadante.
Ainda aquela história de que quiseram obstruir a Lava Jato, os dois primeiros com a nomeação de Lula para ministro da Casa Civil. Mercadante, por aconselhar calma a Delcídio Amaral, ainda tido, na ocasião, como pessoa séria.
Mas, de fato, não é “aquela história”. É aquela fraude. No episódio, ilegal foi a conduta de Sergio Moro. Três vezes: ao desprezar o excedente de mais de duas horas entre o prazo de escuta telefônica, por ele mesmo fixado, e o telefonema gravado pela PF; ao divulgar, ele próprio, a gravação ilegal; e fazer o mesmo, sem razão para isso, com uma conversa entre Marisa Lula da Silva e um filho.
O decano pouco liberal do Supremo, Celso de Mello, mencionou na semana passada que foro privilegiado, por transferência de um processo para o Supremo, não interfere e muito menos interrompe o processo. Muda o nível de tramitação, não mais. Deveria ser verdade. Mas é só meia verdade. Porque no Supremo vale para alguns, como Temer e Moreira Franco. Para outros, não, como negado para Lula e, por extensão, para Dilma. Feito de Gilmar Mendes, ministro à direita de Celso de Mello.
Os cursos de Direito precisam acabar com o ensino de leis e de como as empregar. O que vale hoje, está visto, são os truques, capazes até de tirar um presidente da República que as leis não puniram.
Mais um truque está em gestação, agora entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro Luiz Fux, do Supremo.
A lei exige que seja verificada a autenticidade das assinaturas do “projeto popular” proposto pela Lava Jato – aquele que propõe até a aceitação de provas ilícitas. A Câmara não tem como verificar dois milhões de autenticidades. Os dois poderosos combinam a solução: apenas serão lidos por funcionários, sem exame algum, os nomes, endereços e números declarados de títulos eleitorais.
Até que comece a leitura, a proposta da Lava Jato é um AI-5 envergonhado. Da leitura em diante, seguirá como fraude. A lei será burlada e ao resultado da burla será dada falsa validade legal.
Está feita a primeira reforma dos novos tempos: direito é truque.
(…)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

PETROBRAS - BR Distribuidora já nasceu estratégica.

BR Distribuidora já nasceu estratégica

Data: 21/02/2017 
Autor: Rogério Less
Economista pós-graduado pelo Conselho Nacional de Economia em 1963 e formado pela Scuola di Hidrocarburi Enrico Mattei (Milão – Itália, 1966), Sylvio Massa de Campos foi designado por Ernesto Geisel, então presidente da Petrobrás, Diretor Comercial da Petrobras Distribuidora já em 1971, ano da fundação daquela estratégica subsidiária, que agora está sob ataque e consta da lista de ativos que a atual gestão pretende entregar, a pretexto de equacionar o endividamento da Companhia. 
“Com a criação da BR Distribuidora, a Petrobrás estaria atuando em todas as etapas da indústria do petróleo, em estrutura empresarial análoga a das multinacionais, apropriando-se também de parte das margens de lucro desse segmento para financiar os vultosos investimentos nas áreas de exploração, produção e refino”, lembra o primeiro Diretor Comercial da BR Distribuidora.
Como cidadão, Sylvio Massa distingue três fases da evolução da História do Brasil como Nação, consciente de que as duas primeiras se entrelaçaram e geraram desdobramentos na configuração da escala da nossa economia e na inserção de expressivos novos grupos sociais na renda nacional, dando ao País relevância entre as nações, dignidade para sua gente e respeito à sua bandeira.  
Na primeira fase, ele destaca os grandes vultos que vislumbraram o que será um dia a Nação brasileira, soberana e independente.
Em um segundo plano estariam os grandes construtores e empreendedores públicos e privados, que estruturaram nosso desenvolvimento, inserindo a economia brasileira entre as dez mais expressivas sob o aspecto do valor da produção industrial, agrícola e de serviços.
Por fim, na direção oposta, uma terceira fase, iniciada em meados do Século XX, na qual se projetaram executivos especializados em vender bens públicos sob as mais diversas justificativas, e, assim, não se vinculando as fases anteriores da nossa História.
“Nenhum país se desfaz de seus símbolos sem luta, apagando a memória de sua História, pois eles representam a quintessência de um povo que, com o saber técnico acumulado e a tipicidade de sua cultura, cria valores basilares, para o orgulho de seus cidadãos, no presente e para o futuro”. 
Entre esses símbolos, Sylvio Massa vê um significado especial tanto na Petrobrás, criada nos anos 1950 por clamor popular, quanto na BR Distribuidora dos anos 1970, planejada por técnicos da própria empresa.
Nesta entrevista, o economista traça um histórico da empresa que ajudou a desenvolver e apresenta, didaticamente, fatos e razões para mantê-la sob o controle integral da Petrobrás e dos brasileiros.
Qual o objetivo da BR na época de sua criação?
Naquele momento, a distribuição de derivados era praticamente controlada pelas multinacionais do petróleo, inclusive abastecendo as Forças Armadas brasileiras.
Apenas duas empresas brasileiras atuavam nesse mercado, dominado pelas multinacionais: a Ypiranga, muito bem estruturada, porém com alcance apenas regional, no Sul; e a Petrominas, em processo falimentar.
A direção da Petrobrás, sob a orientação do presidente Geisel, criou a SUDIST (Superintendência de Distribuição) com o objetivo de gerar um plano para que a Petrobrás atuasse naquele mercado aberto e concorrencial, que tinha a sólida presença das sete irmãs do petróleo.
Desse modo, a Petrobrás estaria presente em todas as etapas da indústria do petróleo, em estrutura empresarial análoga a das multinacionais, apropriando-se também de parte das margens de lucro desse segmento para complementar o financiamento dos vultosos investimentos nas áreas de exploração, produção e refino.
Em 19 de janeiro de 1970, pouco antes da criação da BR, o senhor foi designado Superintendente de Distribuição, ou seja, o gestor da SUDIST. Quais foram as principais iniciativas daquele período?
Junto com a equipe de profissionais da Petrobrás, apresentamos um ousado planejamento que afetaria profundamente a empresa, com destaque para sua imagem:
- mudança da logomarca, até então identificada por um losango azul e branco e o nome Petrobrás ali inserido; 
- nova concepção de arquitetura para os postos de serviços valorizando as áreas urbanas onde se instalassem;
- lançamento de novos produtos com a marca Petrobrás: lubrificantes, querosene, fluidos, solventes etc;
- foi organizada uma frota de Kombis que inspecionariam as bombas e a qualidade dos produtos expostos, bem como a limpeza e apresentação dos frentistas, cujo uniforme seria branco.
Também fizeram parte da estratégia comercial as conquistas de postos da concorrência para a mudança de bandeira e de grandes consumidores industriais (produtores de cimento, vidro, siderúrgicos e têxteis, entre outros), além da contratação dos profissionais do mercado mais representativos para cada área.
Essa formulação foi aprovada pela diretoria e os seguintes profissionais, expoentes do mercado, foram contratados:
Aloisio Magalhães - principal nome do design nacional, criador do símbolo BR, representativo de nosso país, em verde e amarelo, nossas cores, para ser a bandeira dos postos de serviço da Petrobrás; 
Ziraldo - o famoso cartunista, ilustrador de livros e criador do primeiro calendário, para motoristas de caminhão;
Henfil – também cartunista e autor de textos para seus personagens, elaboraria a primeira cartilha para frentistas dos postos de serviço sob o ponto de vista de limpeza, delicadeza e presteza;
Dilson Gestal Pereira - profissional que revolucionou o conceito de arquitetura para postos de serviços com desenvolvimento de outras atividades mercantis. Seu projeto para os postos da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, foi premiado na Alemanha;
- O poeta Decio Pignatari para a criação da logomarca LuBRax, onde o BR grifado indicaria produto Petrobrás;
Além desses expoentes, pessoas físicas, foram feitos acordos e parcerias estratégicas com instituições?
Sim. Fizemos negociações principalmente, com as grandes redes de distribuição para mudanças de bandeira, em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com destaque para o acordo com TOURING Clube do Brasil.
E quanto ao setor público?
As prefeituras nos cederam áreas estratégicas sob o ponto de vista de consumo e de exposição da imagem em troca de asfalto. Assim ocorreu no Rio, São Paulo, Santos e nos estados de Alagoas e Paraíba, entre outras unidades da Federação, com destaque para os postos da Transamazônica. Nesse contexto, merece ressaltar a instalação dos postos na praia de Copacabana e a conquista, por concorrência pública, dos postos do Aterro do Flamengo, até então sob a bandeira da Shell, áreas nobres onde a Petrobrás se apresentava com os melhores índices de atendimento ao público.
Assim, a Petrobrás se afirmava no mercado de distribuição, em acirrado processo de concorrência e sob os clamores e falsas denúncias das multinacionais junto ao Conselho Nacional do Petróleo e ao Sindicato das Distribuidoras, que exigiam a criação de uma empresa fora da contabilidade da Petrobrás. 
Nasceu então, em 12 de novembro de 1971, já adulta, a BR Distribuidora, com mais de 800 postos de serviços, 40% do mercado de óleo combustível e novos produtos com a marca BR-Petrobrás, em especial o lubrificante LUBRAX, não obtendo a Chevron, cedente da tecnologia, como proposto, destaque nas embalagens, após ferrenha luta dentro da Petrobrás.
Por que as multinacionais exigiam a criação de uma empresa fora da contabilidade da Petrobrás? 
O objetivo era apenas usar a mídia para denunciar e fazer barulho contra a entrada da Petrobrás num mercado controlado por elas há muitos anos e com péssimos serviços prestados à população.
O objetivo da criação da BR Distribuidora se mantém inalterado ou modificou-se ao longo do tempo?
A Petrobrás e suas subsidiárias foram pensadas por brasileiros, criadas com apoio das Forças Armadas e desenvolvidas por seu corpo técnico, tendo a avaliação do mérito profissional a principal característica para a formação de seus quadros, sem trocas de favores, com rígido controle do Manual de Contratação, permanente auditagem interna dos negócios e ampla liberdade para contradizer ou denunciar qualquer fato estranho às normas.
Causa vergonha e revolta assistir aos fatos recentes de corrupção dentro da empresa que, ao final, e talvez como causa planejada, servem para alimentar a desmoralização de sua respeitada história e o esquartejamento de sua estrutura empresarial.
Qual era o cenário político na época; muito diferente do atual?
A geopolítica era diversa da atual, o mundo era polarizado e prevalecia ainda o conceito da existência de fronteiras não somente as geográficas, a serem defendidas. 
Não queríamos ser o quintal de nenhuma nação e muito menos inquilinos dentro de nosso próprio País.
Com relação às pressões externas; algum dia deixaram de existir?
Em particular, e com maior amplitude no sistema capitalista, as pressões externas e internas por vantagens de qualquer natureza vão existir sempre e são naturais. Devemos olhar é a nossa capacidade de resistir e não deixar de buscar o significado das novas criações ideológicas que envolvem a procura de novos mercados. 
Que governos resistiram mais?
O governo de Getúlio Vargas, em sua segunda fase, e o governo Ernesto Geisel, sob o ponto de vista da nossa nacionalidade, sem dúvida, foram os mais aguerridos na tentativa de estruturar o desenvolvimento técnico e econômico do País de forma autônoma em suas decisões.
Durante sua existência, quais os principais benefícios trazidos pela BR para a Petrobrás e para o País?
Para a Petrobrás, na consolidação de resultados, o reforço na liquidez do seu fluxo de caixa, na apropriação da margem de distribuição em seus resultados financeiros.
Para o País, a presença do símbolo BR em todos os rincões do território nacional garantindo o abastecimento de combustíveis, mesmo, às vezes, com resultados financeiros desfavoráveis.
Como avalia o papel desempenhado pelos últimos dirigentes da Companhia, que optaram pela venda de ativos estratégicos sob pretexto de equacionar o endividamento, em momento de desvalorização e com prejuízo ao fluxo de caixa no futuro?
O enfraquecimento político do corpo técnico da empresa, a perda de representatividade das instituições nacionais, como o Clube de Engenharia, ABI, OAB, entre outras, além da ausência de líderes cívicos, como Barbosa Lima Sobrinho. Todas essas perdas permitem que dirigentes, adeptos exclusivamente da regulação do mercado "livre", sem vinculo com o fazer, com o construir, tratem importantes ativos, com alto valor simbólico, como um parafuso qualquer posto à venda, com o frágil  argumento de reduzir a dívida que foi contraída para a realização de investimentos ainda não finalizados e ainda sem oferecer o retorno financeiro esperado. 
Vender ativos que são geradores expressivos de receita para a empresa, descaracterizar a bandeira BR com a ameaça de cessão de parte do capital da Petrobrás Distribuidora, depenar pelas beiradas a estrutura verticalizada da Petrobrás constituem crimes contra a pátria. Espero que um dia essa venda seja anulada.
Qual o peso da BR entre as subsidiárias estratégicas do sistema?
O peso da BR é materialmente muito importante no fluxo de caixa da Petrobrás.
Por outro lado, os brasileiros vêem pouco as refinarias, as bases, os petroleiros ou os terminais, por exemplo, mas a bandeira BR em sua cidade, em seu município, em seu estado, expressando um símbolo nacional, promove orgulho de ver uma empresa tecnicamente vitoriosa, pensada com a coragem cívica e construída com o trabalho de honrados brasileiros.
Entre as ações desta diretoria, existe alguma que, a seu ver, é passível de contestação judicial?
Sim, e a mais eficaz é a ação pública do corpo técnico da empresa, principalmente dos empregados ativos, exigindo participação nas decisões e não apenas a aceitação do veredicto dos prepostos temporários do poder. 
A Petrobrás vem sendo processada em instâncias internacionais, sobretudo porque boa parte de suas ações foi negociada para investidores da bolsa americana. A Companhia estaria mais preservada se tivesse um maior controle por acionistas brasileiros?
Sem dúvida a Petrobrás estaria muito mais protegida caso estivesse regida exclusivamente pela legislação brasileira, pela nossa CVM.
Seguindo o exemplo das grandes corporações, com sólida experiência de atuação mercantil em vários mercados, que evitam, quando possível, submeter-se às legislações de mercado aberto, onde  os ativos mobiliários ou títulos de divida são negociados, pois a especificidade é maior proteção ao investidor individual, em grupo ou fundos de pensão.
Um governo comprometido com a Nação não deveria promover a recompra desses papéis?
Qualquer governo, mesmo em regime de ditadura, age de acordo com a pressão da sociedade, representada por suas instituições e organizações, que, em suas manifestações, passam a exigir, cobrar, alertar para a necessidade de alterar o rumo da política em vigor. Considero que AEPET tem as credenciais morais, éticas e técnicas para inaugurar uma campanha pela recompra dos papéis da Petrobrás no exterior.  
É possível reverter o quadro político atual?
O surgimento de novas lideranças, afastadas das atuais organizações oficiais, deve ser buscado; a livre denúncia nas redes sociais dos atos e fatos que prejudiquem o futuro da empresa; a formação de um corpo de defesa dos nossos símbolos junto à sociedade civil para ,assim, defender os interesses da Nação, do Estado e não apenas do Governo.

POLÍTICA - Segundo tempo do golpe.

O PSDB no segundo tempo do golpe

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:
Peça 1 – o fator Alexandre de Moraes
Analise-se, primeiro, a ficha de Alexandre de Moraes:

1. Suspeitas de captar clientes entre grupos beneficiados por ele enquanto Secretário de Administração da gestão Gilberto Kassab na prefeitura de São Paulo.

2. Estimulador da violência inaudita da PM paulista contra estudantes secundários, inclusive permitindo o trabalho de grupos de P2 contra adolescentes.

3. Autor de um plano de segurança condenado unanimemente por todos os especialistas no tema.

4. Acusação de plágio em suas obras e uma resposta ridícula, na sabatina do Senado: a de que manifestações em sentenças de Tribunais superiores (no caso, da Espanha) não contempla direito autoral. Ora, ele copiou as manifestações sem aspas – isto é, apropriou-se do texto copiado.

5. Nenhuma dúvida sobre a parcialidade com que irá se conduzir no Supremo Tribunal Federal (STF).
O que explicaria, então, a quantidade de apoios que recebeu de entidades e juristas, quase tão expressivo quanto as manifestações de indignação.

Peça 2 - os apoios a Alexandre de Moraes
O que o Conselho Nacional de Procuradores Gerais do Ministério Público dos Estados, a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), o Ministro Celso de Mello, o diretor da Escola de Direito da FGV-SP Oscar Vilhena, a OAB nacional, a Associação dos Juízes Federais (AFUFE), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Gilmar Mendes, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima e a Procuradoria Geral da República (PGR) tem em comum, a ponto de hipotecar apoio à indicação de Moraes?

1. São radicalmente antipetistas e tiveram papel no movimento de deposição de Dilma Rousseff.

2. Compõem uma frente informal de apoio ao PSDB.

O apoio dado à indicação de Alexandre de Moraes inaugura o segundo ciclo da Lava Jato, de partidarização maior ainda do Judiciário, que será a grande marreta sobre a cabeça do lulismo.

Entra-se, agora, no segundo tempo do golpe, com a tentativa de institucionalização do protagonismo do Judiciário e do ataque final à candidatura de Lula em 2018.

Peça 3 – como será o segundo tempo
As características do segundo tempo estão dadas.

Em breve, haverá a explosão das delações da Odebrecht, de alto impacto, mas sem foco definido devido à extensão das denúncias. Durante algumas semanas se ouvirão os ecos da bomba. Depois, volta-se ao dia a dia da Lava Jato.

O fluxo de fatos e factoides surgirá de dois centros: o TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4aRegião), julgando as sentenças de Sérgio Moro; e o Supremo Tribunal Federal (STF), analisando as denúncias de Rodrigo Janot.

No inferno, os réus sem prerrogativa de foro; no purgatório, alguns caciques do PMDB; no paraíso, o PSDB.

Com a garantia do voto de Alexandre de Moraes pela prisão após a confirmação de sentença em 2a instância, e sabendo-se de antemão do posicionamento político dos desembargadores do TRF4, se terá a cada semana uma prisão nova a ser celebrada.

Já o ritmo das denúncias dos políticos com foro privilegiado dependerá exclusivamente da PGR que já demonstrou à farta seu jogo, cuidando de asfaltar as estradas que o levam ao PSDB ao indicar como vice-procurador José Bonifácio Borges de Andrada, umbilicalmente ligado ao PSDB de Aécio Neves.

Janot é todo-poderoso, porque suas armas são fundamentalmente subjetivas – isto é, dependem exclusivamente de sua vontade.

Bastará acelerar as ações contra o PMDB e segurar as denúncias contra o PSDB para promover a cristianização final do PMDB (de Cristiano Machado, candidato a presidente abandonado por seus correligionários). Ou basta produzir uma denúncia inepta para assegurar a blindagem do réu.

Tem-se, então, todos os pontos críticos sob controle:

1. Na PGR, Janot e Bonifácio.

2. No Supremo, Gilmar, Toffoli, Alexandre, Barroso.

3. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar, possivelmente Alexandre e novos Ministros nomeados por Temer.

4. No Ministério da Justiça, alguém da confiança de Temer.

5. Na PGR e na Polícia Federal, uma frente política cerrada contra o PT.

Peça 4 – a força tarefa da Lava Jato
A força tarefa da Lava Jato – juiz, procuradores e delegados – praticamente dá seu trabalho por encerrado. Agora, é apenas aguardar a confirmação das sentenças de Sérgio Moro e correr para o abraço.

Como profissionais aplicados, em todo caso, deixaram lotadas as estantes das delações, permitindo boa margem de manobra para a PGR. E continuarão trabalhando incessantemente para encontrar algo que inviabilize a candidatura de Lula.

Peça 5 – a dificuldade do jogo de cena
Aí se entra em um terreno complexo: como administrar a malta, a opinião pública sedenta de sangue?

Na bomba Odebrecht, o sistema Globo e os jornalões certamente focalizarão preferencialmente no PT e no PMDB. Mas não haverá como esconder os malfeitos dos tucanos.

O jogo do PGR e da mídia é fundamentalmente hipócrita. Mas não há hipocrisia que resista à luz do sol. A cada dia que passa, mais nítido fica a parcialidade da mídia e de Janot. A recuperação de parte da popularidade de Lula é a prova mais significativa.

Com as revelações da Odebrecht, o leão se contentará apenas com a carne de petistas ou irá querer carne nova?

A cada dia que passa, novos veículos vêm se somar aos trabalhos pioneiros dos blogs, aplicando um dos princípios básicos do jornalismo: revelar o lado oculto da notícia. Há tempos a imprensa internacional rompeu a dependência dos órgãos de imprensa nacionais. É BBC, El Pais, Washington Post, New York Times, Guardian, todos de olho em um jogo de cartas marcadas.

Quanto tempo a hipocrisia nacional resistirá a essa devassa?

Altamiro Borges: De oposição ao jornalismo chapa branca

Altamiro Borges: De oposição ao jornalismo chapa branca: Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena : Antes de Dilma Rousseff cair, há quase um ano, alguns colunistas da velha mídia adora...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - Segundo turno entre Lula e Bolsonaro. O Brasil estaria pronto?

O Brasil está pronto para um segundo turno entre Lula e Bolsonaro?

Revista ihu on-line


Como agiria a direita, os liberais econômicos ou mesmo o pessoal cansado do PT e suas trapalhadas? Negariam o voto útil a Lula? Anulariam ideologicamente o voto – como, aliás, faz uma parte da esquerda quando o candidato em segundo turno é do PT? Iriam para a praia e justificariam pelo correio? Votariam no Bolsonaro como mal menor?, pergunta Leonardo Sakamoto, jornalista e cientista social, em artigo publicado por Uol, 19-02-2017.
Eis o artigo.
A possível candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República ainda tem sido tratada por parte considerável da imprensa, de analistas e intelectuais e da elite política como uma piada ou um assunto escatológico e, portanto, proibido em rodas de conversa educadas.
E há um complicador para essa discussão. Considerando um hipotético segundo turno entre Lula (que segue à frente nas pesquisas de intenção de voto) e Bolsonaro (que, assim como o ex-presidente, subiu na preferência e, neste momento, surge em segundo lugar), em quem uma parcela da direita esclarecida e dos liberais anti-PT votariam? Não estou falando de certos grupos que não podem ser chamados de direita, flertam com o fascismo descaradamente, acham que toda pessoa que não se encaixa em seu padrão de mundo deva ser exterminada e vestem a camisa do deputado federal. Falo do pessoal responsável que ainda não se forma totalmente por memes na rede e não acredita que há um golpe comunista em curso no país.
Como agiria a direita, os liberais econômicos ou mesmo o pessoal cansado do PT e suas trapalhadas? Negariam o voto útil a Lula? Anulariam ideologicamente o voto – como, aliás, faz uma parte da esquerda quando o candidato em segundo turno é do PT? Iriam para a praia e justificariam pelo correio? Votariam no Bolsonaro como mal menor?
Tenho certas dificuldades de imaginar essa ultima opção, da mesma forma que muito eleitor histórico do PT votaria em um candidato do PSDB se a outra opção fosse o polêmico deputado do PSC. Aliás, isso já aconteceu no voto útil em Mário Covas no segundo turno contra Paulo Maluf em 1998. Aliás, é de Covas a frase ''eleição de governador não é nomeação de gerente''.
Creio que uma parcela considerável da imprensa brasileira tem dificuldade de imaginar Bolsonaro sentado na cadeira do Palácio do Planalto. A mídia tradicional, tanto a progressista quanto parte da conservadora, nos Estados Unidos, também tinha a mesma dificuldade e tratava Donald Trump como uma piada de mau gosto – que, ao final, riu por último. Quando tentaram desconstruir quem ele era e seu discurso, já era tarde.
Bolsonaro não é Trump. Mas, lá, eles chamam House of Cards de ''série de ficção''. Por aqui, nós ficaríamos em dúvida entre chamá-la de ''2015'' ou ''2016''.
Claro que há muito chão até lá. Pode ocorrer de tudo – desde uma condenação em segunda instância de Lula, inviabilizando-o para a disputa, até João Dória desbancar Alckmin (seu criador), Aécio e Serra e seu estilo Village People/Raio Privatizador/Tirei-foto-de-comida-e-postei-no-Face de governar ser aclamado pelas pesquisas de 2018 para a disputa pelo PSDB.
Afinal, talvez o próximo presidente nem esteja sendo citado ainda na futurologia eleitoral. Talvez virá montado no discurso da ética (mesmo que não a pratique) e se colocará como um não político, prometendo resolver toda bagunça que está aí (mesmo que, com esse discurso falso, seja o mais político de todos).
Cita-se muito o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa como possibilidade eleitoral, mas tenho minhas dúvidas. Afinal, desconfio que nosso Brasil racista elegeria um candidato abertamente homofóbico, misógino, contra direitos humanos e a favor da ditadura militar antes de eleger um negro ou uma negra presidente.
E é exatamente por isso que um segundo turno com Bolsonaro não só é possível, como pode estar no horizonte. Apenas esse hipotético risco deveria ser suficiente para ligar o alerta de democratas de todos os espectros ideológicos. Mas, como acontece com o aquecimento global, o pessoal só vai se ligar quando a água bater na bunda.

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