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domingo, 19 de agosto de 2018

Que Mêda do Lula

A inutilidade dos debates entre presidenciáveis

POLÍTICA - Em 12 estados, Lula ganha em 10.

A mídia não deu: em 12 estados, Ibope aponta liderança de Lula em 10

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Seis dias atrás, registrei aqui que o Ibope estava fazendo pesquisas de intenção de voto no plano estadual (governador e senadores) e também para presidente  em 12 estados e, em seguida, registrou pesquisas em praticamente todas as unidades da Federação.
Como todos devem estar acompanhando, os resultados estaduais foram divulgados.
Os presidenciais, ao menos até agora, não saíram nos jornais nem nas televisões que encomendaram e pagaram caro pelas pesquisas.
Mas estão na internet, e este o Tijolaço que não tem  milhares de reais para pagar por elas, faz questão de publicar o que consta dos relatórios do Ibope e a mídia resolveu ignorar.
No próximo post, comento os números:

Região Norte

Amapá – 0,348% do eleitorado nacional

Amazonas – 1,648% do eleitorado nacional

Tocantins – 0,706% do eleitorado nacional

Roraima – 0,225% do eleitorado nacional

Região Nordeste

Alagoas – 1,485% do eleitorado nacional

Ceará -4,307% do eleitorado nacional

Rio Grande do Norte – 1,611% do eleitorado nacional

Sergipe – 1,071% do eleitorado nacional

Região Centro Oeste

Goiás – 3,024% do eleitorado nacional

Região Sudeste

Espírito Santo – 1,870% do eleitorado nacional

Região Sul

Santa Catarina  – 3,442% do eleitorado nacional

Rio Grande do Sul – 5,672% do eleitorado nacional

Os dados de cada pesquisa – número de entrevistas, margens de erro e nota metodológicas esta na página de cada uma delas no site do Ibope, acessível aqui.

Balanço do dia: Dodge, MBL e Bolsonaro

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

'DECISÃO OBRIGATÓRIA' POSIÇÃO DA ONU SOBRE LULA DIZ PAULO SÉRGIO PINHEIRO

TUTAMÉIA - Decisão da ONU sobre Lula é analisada por Paulo Sérgio Pinheiro

CELSO AMORIM COMENTA DECISÃO DA ONU SOBRE LULA

XP: briga em torno do registro de Lula já beneficia Haddad

ONU anuncia oficialmente que Lula tem direito de ser candidato - Portal Vermelho

ONU anuncia oficialmente que Lula tem direito de ser candidato - Portal Vermelho: Em nota, a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou ao Estado Brasileiro que “tome todas as medidas necessárias para permitir que Lula desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições, incluindo acesso irrestrito à imprensa.

ONU anuncia oficialmente que Lula tem direito de ser candidato - Portal Vermelho

ONU anuncia oficialmente que Lula tem direito de ser candidato - Portal Vermelho: Em nota, a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou ao Estado Brasileiro que “tome todas as medidas necessárias para permitir que Lula desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições, incluindo acesso irrestrito à imprensa.

POLÍTICA - O que não faltam são analfabetos políticos.


O analfabetismo político funcional

Por João Paulo Cunha, no jornal Brasil de Fato:

O nível de conflagração política no país tem gerado uma falsa ideia de que há uma divisão racional entre diferentes visões de mundo. O Brasil não está dividido entre esquerda e direita, com suas ponderações que incorporam o centro como agente suavizante, de um lado ou de outro. O que se observa, na troca de ódios que alimenta o dia a dia da nação, é uma regressão ao nível da irracionalidade.

Muitos acreditam que ainda vale a pena conversar com amigos e familiares, colegas de trabalho e pessoas com as quais se relacionam informalmente, para apresentar seus pontos de vista e avançar até um consenso possível ou uma respeitosa discordância. Não estamos mais, infelizmente, nesse patamar. O sarrafo da inteligência já desceu ao nível do analfabetismo político funcional. Agora é hora da disputa de projetos para o país. A continuidade do golpe ou a reversão a um projeto popular interrompido.

Grande parte das pessoas não precisa de argumentos, bastam ideias soltas, afirmações rasteiras, slogans preconceituosos, vômitos moralistas, frases feitas. É o típico repertório de Bolsonaro e Daciolo. O capitão e o cabo, seguindo a vertente autoritária que sustenta seu modo de ser, se dão por satisfeitos com comandos curtos, típicos dos treinamentos que se dão no nível medular, sem chegar ao cérebro. Tudo que é mais complicado é jogado no colo de Deus ou do posto Ipiranga.

Estão na disputa exatamente para consolidar essa divisão. Ficam responsáveis pela pauta moralista, chauvinista e retrógrada, deixando as questões fundamentais do país na mão de especialistas convocados no mercado. São como aqueles peixes sem capacidade própria de sobrevivência, que ficam em torno de tubarões, alimentando-se de suas sobras. Com a diferença que pensam que são tubarões.

Fossem apenas os candidatos, teríamos um cenário lamentável. Mas são mais que isso: são candidatos, sobretudo Bolsonaro, que conquistam boa parte do eleitorado. Isso aponta para uma cadeia de transmissão dessa lógica de desvalorização das ideias. A agenda desses postulantes é o que menos importa. Eles se firmam em chavões irresponsáveis e no descrédito com a política. Quando se tornam relevantes numericamente, o alerta precisa acender.

A extrema direita entrou na eleição inflada pela mídia para assumir a linha auxiliar de combate ao PT e às esquerdas. A ideia era juntar o ideário liberal em economia, elevado à posição de verdade absoluta pela mídia comercial, com a estratégia pit bull no tocante a temas relativos a segurança e direitos humanos. Na hora certa, os boçais seriam descartados.

O que ocorreu foi que a incapacidade de sustentar um candidato viável de suas hostes, somado ao incentivo à estupidez, gerou um revés praticamente incontornável. Por outro lado, a crença na destruição da esquerda, sobretudo a partir do discurso moralizante anticorrupção do “país que eu quero para o futuro”, começou a fracassar em razão da recuperação da memória social e do sentimento real de perda. De emprego, saúde, segurança e direitos trabalhistas.

Está claro que a situação está péssima e que já foi melhor há não muito tempo. Nessa hora, não há manchete canalha ou comentarista de TV a cabo que convença que a economia está reagindo bem e que os empregos estão voltando. A persistência do voto declarado em Lula, mesmo preso e com jornadas incessantes de desmoralização, se explica. Como também se explicam as investidas judiciais extremamente politizadas e o acirramento da partidarização da mídia.

Nos dois acasos, o cidadão acompanhou nos últimos dias fatos patéticos. Na Justiça, o açodamento em tentar impedir o registro da candidatura petista com declarações histéricas de ministros das cortes superiores. Falou-se até em cobrar pelo prejuízo financeiro de realizar uma eleição num Estado que se diz democrático. Rosa Weber, assumindo a presidência do TSE, disse que não precisa esperar pedido de impugnação para agir, se prontificando a fazer de ofício o que não fez em outra ação no STF, quando votou contra a própria convicção. A PGR não esperou nem o sol se pôr para se manifestar, disputando as primícias com o MBL e Alexandre Frota.

A imprensa secundou a farsa, transformando o histórico episódio de um registro de candidatura feito por dezenas de milhares de cidadãos em marcha que atravessou o país em um ato de balbúrdia. E fez mais: a publicação de um artigo de Lula no New York Times deu vazão a um misto de dor-de-cotovelo e ridículo. No jornal O Globo, a colunista Miriam Leitão publicou coluna em que apontava o que faltou no texto de Lula. A Folha de S. Paulo foi ainda mais longe e convocou um jornalista gringo para escrever o artigo que deveria ter sido escrito por Lula.

Além de não engolirem o fato de serem furados por um jornal do lado de cima dos trópicos, não foram capazes de ler o que estava escrito, propondo derivativos. Os jornais brasileiros prezaram sempre por escrever a história que preferem registrar como plausível, no lugar de reportar a realidade como ela simplesmente é. Em lugar da manifestação da opinião livre, a copidescagem do real. O NYT não é petista, é apenas um jornal, o que parece inaceitável para a mídia brasileira.

A eleição tem um duro caminho pela frente. Nada está garantido até agora, nem mesmo a liberdade de voto. Mas muito mais duro será reverter, no novo governo que se espera legitimamente eleito, a situação a que chegamos. Não estaremos - e os EUA nos mostram que essa é uma realidade universal - livres dos imbecis e suas ideias tóxicas. O que precisamos apenas é de maturidade suficiente para que não sejam levados a sério ou se revelem como ameaça aos valores mais básicos da civilização.

Entrevista com Marcos Coimbra: o cenário para as eleições

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Altamiro Borges: A cartada arriscada e decisiva do PT

Altamiro Borges: A cartada arriscada e decisiva do PT: Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil : O Partido dos Trabalhadores começa a executar hoje sua estratégia eleitoral complexa, arriscada,...

Altamiro Borges: A cartada arriscada e decisiva do PT

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Altamiro Borges: 'Quadrilha de togados' quer manter Lula preso

Altamiro Borges: 'Quadrilha de togados' quer manter Lula preso: Por Ricardo Kotscho, em seu blog : Da tribuna do plenário da Câmara Federal, o deputado petista Paulo Pimenta, do Rio Grande do Sul, de...

"Rogério Galloro deveria ser demitido", opina Reinaldo Azevedo

POLÍTICA - Não vai dar em nada.

Representação contra Moro ao MP é um retrato de um autoritário

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A representação feita ao Ministério Público, hoje, contra o juiz Sérgio Moro, pedindo que contra ele se abra inquérito por prevaricação (Art. 319 do Código Penal – retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal) por desobediência (art. 330 do CP) e por  abuso de autoridade vai dar trabalho aos rapazes do Ministério Público do Paraná.
Porque o texto, no qual as assinaturas são encabeçadas por Celso Bandeira de Mello, um dos mais consagrados juristas brasileiros, é, como dizem no meio jurídico, de uma clareza solar.
Não entra no alegado – e inexistente – “conflito positivo de jurisdição” que se poderia alegar entre a decisão de Rogerio Favreto e a de João Gebran Neto ou mesmo, apenas para argumentar, com a do presidente do TRF-4, Carlos Thompson Flores.
Bandeira de Mello e os advogados que peticionam focam no primeiro argumento, irretorquível: Moro não tinha mais jurisdição no processo, o que se esgotou ao concluí-lo com sua sentença. Não tinha, portanto, que “opinar” e muito menos tomar decisões.
A seguir, demonstra pelo comportamento de Moro, que esta intervenção indevida satisfazia as opiniões pessoais e preferências notórias de Sérgio Moro.
O segundo ponto, o da desobediência (“desobedecer a ordem legal de funcionário público”) está claramente descrito:
“O juiz Sérgio Fernando Moro atuou claramente para evitar que a manifestação do magistrado de segundo grau fosse cumprida, faltando com o dever de seu cargo e manifestando um estranho interesse no deslinde de uma causa à qual não está vinculado, porque, como já afirmado, sua jurisdição se encerrara com a sentença, como é próprio do processo. O crime [de desobediência] foi consumado com o despacho para o não cumprimento da decisão do desembargado plantonista.”
No crime de abuso de autoridade (Lei 4.898/65), segundo a representação, Moro praticou “ato ilegal e abusivo, acarretando, na prática, o retardamento da soltura do paciente {do habeas corpus] por decisão de autoridade hierarquicamente superior” ou que, demonstra o texto, fere o inciso “d” do artigo 4° daquela lei, que tipifica como crime “deixar o Juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada”.
Vale a pena a leitura da peça. Clara, curta, sem “rococós jurídicos” ou citações que serviriam de muletas a causas  capengas, vai, no mínimo, ao ser recusada pelo MP expor o autoritarismo, a parcialidade e a pobreza de uma instituição que funciona, objetivamente, como um cúmplice dos desejos e desvios de Sérgio Moro.
A íntegra do texto está aqui.

POLÍTICA - A lava jato com o Dr. Moro à frente é o maior cabo eleitoral do Lula.

O MP já nem esconde querer Lula incomunicável

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Já não basta manter Lula preso.
Já não basta impedi-lo de conversar com quem o quiser visitar na cela da Polícia Federal.
É preciso tornar Lula incomunicável, não porque isso vá interferir em processos ou investigações mas, assumidamente, porque isso vai interferir no processo eleitoral.
É isso o que o MP está exigindo da juíza Carolina Lebbos, ao pedir que proíba Fernando Haddad e Gleisi Hofmann, ambos advogados e legalmente constituídos, de o visitarem em Curitiba.
Exigem porque não conseguem enxergar o óbvio: que Lula se mantém à frente das pesquisas eleitorais porque representa um sentimento popular.
Acham que está nesta condição porque, “gênio perverso”, consegue manipular dezenas de milhões de brasileiro com simples opiniões, recados, sem ser visto nem ouvido, como uma entidade sobrenatural.
São uns imbecis, se me perdoam a definição dura e direta.
O que Lula e seus advogados conversam, segundo a lei, é inviolável.
Ainda mais porque Lula não perdeu seus direitos políticos – Art.15 da Constituição, isso só ocorre com o trânsito em julgado de sentença condenatória –  e É candidato presidencial à espera de deferimento ou não de seu registro.
O Ministério Público, hoje, assemelha-se a um apresentador de programa policial de televisão, daqueles aos quais basta que se mande prender alguém para que seja justificável tratá-lo pior do que a um animal, uma espécie de senso comum dos idiotas.
A lei não é mais uma bíblia, é só um problema, com seu “excesso de garantias”.
Está claro, para quem quiser pensar cinco segundos, que o interesse do MP é político-eleitoral.
E inútil e até contra producente, porque revela o medo-pânico dos covardes.
Borram-se de medo de um homem aprisionado e tornado mudo à força.
Tremem de pensar como tem-lhes o sentido de maldição a frase de Lula, entes de ser preso, sobre ser agora uma ideia, mais que um ser de carne e osso.
Não são mais promotores e juízes, são carcereiros e sonham em ser carrascos.
Quanto mais fizerem Lula de mártir, maiores serão os milagres de compreensão do povo brasileiro.
Este ente para eles misterioso que, do alto de seu elitismo e arrogância, não compreendem e desprezam.

POLÍTICA - Que medo do Lula, Dr. Moro.

Moro percebeu o risco de polarizar com Lula, diz Helena Chagas

 
Jornal GGN - Ao que tudo indica, a Lava Jato em Curitiba absorveu a ideia de que Lula mantém seu capital político a despeito da condenação e prisão no caso triplex e, para evitar dar mais municação ao petista, Sergio Moro decidiu recuar de um interrogatório sobre o sítio de Atibaia. Com essa estratégia de ordem política, a Lava Jato mostra que entrou de vez na eleição. "(...) Sérgio Moro já percebeu o risco da politização", escreveu Helena Chagas, nesta quarta (15).
 
A jornalista ainda lembrou em artigo que o Ministério Público Federal em Curitiba, em outra frente, decidiu atacar Lula pedindo restrições a visitas de petistas cadastrados como advogados, caso de Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad, entre outros. Com isso, os procuradores tentam podar a "interferência" de Lula na eleição presidencial, usando os mecanismos jurídicos.
 
Leia, abaixo, o artigo completo.
 
Por Helena Chagas
 
Em Os Divergentes
 
 
A Lava Jato entrou de vez na eleição. Desde a semana passada, repercutem no noticiário novos depoimentos sobre assuntos meio requentados, como o de Mônica Moura sobre pagamentos da Odebrecht ao PT, denúncias como a que o Ministério Público fez contra Antônio Palocci e Guido Mantega – aceita pelo juiz Sérgio Moro em relação a este último – e  outros movimentos inequívocos de Curitiba. Se alguém tinha alguma dúvida, surge hoje a petição da força tarefa à juíza de execuções penais contra as visitas a Lula na carceragem da PF.
 
O UOL obteve o documento assinado pelos procuradores da LJ e divulgou há pouco: a força tarefa de Curitiba reclama da “proliferação de advogados” do ex-presidente, que o visitam todos os dias, e diz que o local de sua prisão virou um “comitê de campanha”.  Reclama sobretudo de petistas como Gleisi Hoffmann e Fernando Haddad que, advogados, tem usado essa prerrogativa para entrar e sair da PF de Curitiba fora do horário das visitas comuns. Pedem à juíza Carolina Lebbos – aquela que não permite nada – restrições a essas visitas.
 
Mais do que atrapalhar a vida de Lula – que, todo mundo sabe, em poucos dias transferirá a candidatura a Fernando Haddad – o gesto expõe a força tarefa e a própria Justiça. Se a petição for aceita, o ex-presidente será vitimizado à máxima potência, num grau que poderá ser facilmente explorado por seu partido na campanha eleitoral. Além de julgado em tempo recorde, preso e proibido de falar, Lula não poderá mais nem receber as visitas de Gleisi e Haddad – e isso reforçará a narrativa da perseguição a ele.
 
Ao que parece, o juiz Sérgio Moro já percebeu o risco da politização e não terá sido outra a razão pela qual decidiu adiar para novembro o depoimento de Lula no caso do sítio de Atibaia, inicialmente marcado para setembro – momento de um confronto esperado entre os dois. Preferiu não arriscar. Com isso, porém, deixa claro que o ex-presidente não será condenado novamente antes das eleições.

POLÍTICA - Os juízes que odeiam a democracia.

No centro da crise, os juízes que odeiam a democracia
por Fábio de Oliveira Ribeiro
Hoje a candidatura de Lula será formalizada aumentando a pressão política sobre o Judiciário. O nível de estresse imposto ao sistema jurídico em razão do atavismo judicial levará o Brasil à uma grave ruptura política?
O golpe de 2016 não atingiu os objetivos que foram delimitados pelo mercado. A previdência não foi privatizada, a queda de Dilma Rousseff e a prisão de Lula não foram capazes de silenciar ou diminuir a influência da esquerda, a direita não conseguiu se impor como força eleitoral consensual.
A imprensa brasileira apostou suas fichas no golpe e conseguiu impor Michel Temer ao país. Mas ao fazer isso ela teve que amargar um prejuízo inestimável. A imprensa internacional não engoliu a narrativa do Impeachment e isolou o Brasil ao afirmar que fomos vítimas de um golpe de estado disfarçado mediante um processo fraudulento. O fracasso econômico do governo golpista se deve em parte a esse isolamento. 
Os jornalistas brasileiros exigiram a condenação de Lula e aplaudiram a prisão do ex-presidente petista. O preço que a imprensa brasileira está pagando neste caso é ainda maior. Lula é tratado como preso político na Europa e nos EUA. Em torno da liberdade Lula se organizou um movimento que ganhará ainda mais ímpeto em virtude do registro da candidatura dele na data de hoje.
PSDB x PT ou PT x Jair Bolsonaro:  os dois cenários que os analistas projetam para o segundo turno das eleições presidenciais colocam o PT como um grande jogador (ou como o jogador vitorioso com ou sem Lula na urna eletrônica).
A raiva contida da esquerda explodirá se Lula não for candidato ou se a Justiça impedir outro candidato do PT de disputar as eleições? A raiva manifesta da direita irá explodir bombas se o PSDB ou Jair Bolsonaro forem derrotados no segundo turno?
Ao refletir sobre a situação política do Brasil, a psicanalista Maria Rita Kehl foi extremamente feliz.  Disse ela“...que a questão não é odiar, a questão é  perceber que não existe confiança nas instituições democráticas de que você pode dar um destino político para o seu ódio” https://www.youtube.com/watch?v=ytL5hfzb2Kc.
No centro da discussão levantada pela psicanalista colocou a questão do senso de justiça que foi ofendido com o golpe de estado e com a prisão política do maior líder popular brasileiro. Nesse sentido, vale a pena refletir sobre o que está ocorrendo levando em conta as palavras de uma outra grande pensadora:
“A raiva não é, de modo algum, uma reação automática à miséria e ao sofrimento; ninguém reage com raiva a uma doença incurável ou a um terremoto, ou, no que concerne ao assunto, a condições sociais que parecem imutáveis. A raiva aparece apenas quando há razão para supor que as condições poderiam ser mudadas mas não são. Reagimos com raiva, apenas quando nosso senso de justiça é ofendido, e essa reação de forma alguma reflete necessariamente uma injúria pessoal, como é demonstrado por toda história da revolução, em que, invariavelmente, membros das classes altas deflagravam e depois conduziam as rebeliões dos oprimidos e humilhados. Recorrer à violência em face de eventos ou condições ultrajantes é sempre extremamente tentador em função de sua inerente imediação e prontidão. Agir com rapidez deliberada é contrário à natureza da raiva e da violência, mas não os torna irracionais. Pelo contrário, tanto na vida privada quanto na vida pública há situações em que apenas a própria prontidão de um ato violento pode ser um remédio apropriado. O ponto central não é que isso, nos permite desabafar – o que poderia igualmente ser feito dando-se uma pancada na mesa ou batendo-se uma porta. O ponto é que, em certas circunstâncias, a violência – o agir sem argumentar, sem o discurso ou sem contar com as consequências – é o único modo de reequilibrar a balança da justiça.” (Sobre a violência, Hannah Arendt. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2009, p. 81/82)
No centro da crise brasileira está o Judiciário. Os juízes ajudaram a derrubar Dilma Rousseff porque não foram capazes de aceitar o veto ao aumento de salário que eles desejavam. Michel Temer fez o que os juízes queriam, mas a economia do Brasil e a imagem do país no exterior tiveram que ser destruídas para que os juízes pudessem desfrutar salários maiores e benefícios medievais nos castelos em que eles se isolaram da população.
Vivemos, portanto, num país que foi duplamente sitiado. O poder político não encontra fundamento na soberania popular. A restauração democrática provoca temor nos juízes que passaram a odiar de maneira evidente o sistema legal que são obrigados a “cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão” (art. 35, da Lei Orgânica da Magistratura).
A prova da psicopatia que se abate sobre os juízes brasileiros foi dada de maneira eloquente por dois desembargadores do TRF-4: o crime de desobedecer a um comando judicial (art. 330, do Código Penal) foi elevado ao status de ato virtuoso pelos próprios criminosos que agiram para impedir o cumprimento do HC dado a Lula. Pior... eles agiram como se pudessem julgar suas próprias condutas, o que indica que eles já se tornaram justiceiros.
Ao encerrar seu mandato no TSE o ministro Luiz Fux insinuou que se houver uma crise a culpa será de Lula. Essa declaração apenas reforça o que foi dito por Maria Rita Kehl. Os juízes se encastelaram numa posição insustentável. Portanto, se houver uma crise eles, os juízes, serão os principais responsáveis e terão que pagar o preço da derrota política nas urnas e/ou nas ruas. O poder emana do povo (art. 1º, parágrafo único, da CF/88) e será por ele exercido inclusive e principalmente contra aqueles que destilam o ódio porque não aceitam se submeter à soberania popular.

PETROBRÁS - Esclarecimentos da Aepet.

Aepet: Esclarecendo os esclarecimentos da Petrobras sobre os resultados do 1º semestre de 2018

da AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobras
No dia 6 de agosto de 2018, a diretoria da Petrobrás enviou mensagem aos petroleiros sobre os resultados semestrais da companhia.
Nossa Associação avalia as informações e interpretações apresentadas.
A seguir comentamos trechos referentes ao desempenho empresarial no semestre.
“Atingimos o lucro líquido de R$ 17 bilhões no primeiro semestre, dos quais, R$ 10 bilhões no segundo trimestre, ambos os maiores desde 2011. Sim, a alta das cotações internacionais do petróleo ajudou, mas não explica tudo. Muito se deve aos nossos esforços. Tanto é que, naquele ano, o barril de petróleo estava acima de US$ 100 e o nosso fluxo de caixa, que está positivo há 13 trimestres, era negativo. “
O preço médio do petróleo no primeiro semestre de 2011 foi de US$ 111,16 por barril, enquanto no primeiro semestre de 2018 foi de US$ 63,07. Ocorre que o preço do barril não pode ser utilizado como referência isoladamente, sem considerar a taxa cambial. A taxa média no primeiro semestre de 2011 foi de R$ 1,63, enquanto no primeiro semestre de 2018 foi de R$ 3,42 por dólar.

                                           1º semestre 2011      1º semestre 2018
Petróleo Brent (US$/bbl)                 111,16                      63,07
Cotação R$ / US$                               1,63                        3,42
Petróleo Brent (R$/bbl)                   181,19                     215,70
Portanto o preço do barril em reais em 2011 era de R$ 181,19 enquanto que em 2018 foi de R$ 215,70 - 19% superior. Sendo assim, as condições do 1º semestre de 2018 são mais favoráveis do que aquelas de 2011.
Não cabe, portanto, o autoelogio de apontar o maior lucro líquido desde 2011 como resultado das medidas adotadas pela atual gestão da companhia. Para se atribuir mérito, o resultado deveria ter sido melhor que o de 2011, já que as condições de preço assim permitiriam.
Com relação a afirmação de que "o nosso fluxo de caixa, que está positivo há 13 trimestres, era negativo (em 2011) ”. Quando falam em "fluxo de caixa", os executivos estão tratando do "fluxo de caixa livre" que é calculado da seguinte forma:
Fluxo de caixa livre = Geração operacional de caixa - Investimentos
Sendo assim, quanto menor o investimento, maior será o fluxo de caixa livre. A tabela a seguir mostra o comparativo:

Em bilhões de US$                               1º semestre 2011             1º semestre 2018
Geração operacional de caixa                         18,40                              13,95
Investimento                                                20,20                                5,40
Fluxo de caixa livre                                        -1,80                                8,55
Em 2011, no primeiro semestre, a geração operacional de caixa somou US$ 18,40 bilhões. Vale salientar que esta foi a maior geração operacional de caixa semestral da história da companhia.
É preciso registrar que mesmo enquanto a Petrobrás subsidiava o consumidor brasileiro, ela obteve seu recorde de geração de caixa.
Ocorre que naquele semestre os investimentos somaram US$ 20,20 bilhões e, portanto, o caixa livre foi negativo em US$ 1,80 bilhões.
O investimento de US$ 5,40 bilhões, realizado no 1º semestre de 2018, é o menor investimento para o período desde 2005. Assim é muito fácil se obter caixa livre positivo.
O resultado comemorado pela atual administração, do fluxo de caixa livre positivo há 13 trimestres, é resultado da redução significativa dos investimentos e nada tem a ver com os “esforços” de gestão.
“Obtivemos a redução do nosso endividamento para o menor patamar desde 2012. A dívida bruta caiu para abaixo de US$ 100 bilhões, chegando a US$ 91,7 bilhões, enquanto a líquida caiu de US$ 100,4 bilhões para US$ 74 bilhões. Alongamos prazos, com nossa gestão de dívida. “
O alongamento dos prazos da dívida é um aspecto positivo, considerando as características dos projetos do setor de petróleo e gás cuja maturidade e retorno se dão em longo prazo, na ordem de dez anos.
A redução da dívida é consequência direta da redução dos investimentos, mas eles são imprescindíveis para o desenvolvimento dos projetos do pré-sal e na agregação de valor ao petróleo cru.
A redução dos investimentos associada à aceleração dos leilões de privatização do petróleo, e às chamadas “parcerias estratégicas”, transferem as oportunidades de acesso ao petróleo e à renda petroleira para as multinacionais, privadas e estatais, estrangeiras.
A Petrobrás poderia administrar facilmente sua dívida, sem privatizar ativos rentáveis ou entregar oportunidades do desenvolvimento do pré-sal para suas concorrentes. A capacidade de endividamento da Petrobrás está longe do limite, tendo em vista a quantidade e a qualidade dos projetos de investimento que a companhia dispõe, assim como por seu potencial de crescimento na produção e geração de caixa.
“Aumentamos a geração de caixa que - no conceito técnico de Ebitda ajustado, o que usamos na métrica de topo financeira - cresceu 26% em comparação ao primeiro semestre de 2017 para R$ 55,8 bilhões, deixando a nossa dívida líquida em 3,23 vezes a geração de caixa. “
A comemoração em função de que o Ebitda ajustado cresceu 26% em relação a 2017, alcançando R$ 55,8 bilhões, o equivalente a US$ 16,29 bilhões, precisa ser ponderada. Em 2011, em equivalente período semestral, o Ebitda ajustado foi de US$ 18,96 bilhões, recorde histórico e 16,4% superior ao resultado comemorado do 1º semestre de 2018.
“No entanto, não vamos nos iludir, nossa dívida continua alta e não podemos arrefecer. O marco de 2,5 para o fim deste ano não é nosso objetivo final. Temos que continuar trabalhando para reduzir nossa relação entre a dívida líquida e a geração de caixa para que possamos ficar mais competitivos perante outras companhias globais na nossa indústria, diminuir nossas despesas com juros e seguir com nossos investimentos. “
A escolha da alavancagem como indicador estratégico não é adequada para a Petrobrás, sua meta (2,5) e prazo (2018) são arbitrários e descabidos, assim como a declaração de que a alavancagem deve ser reduzida ainda mais.
O verdadeiro objetivo da atual gestão é a privatização, por partes, dos ativos rentáveis da Petrobrás. Sabemos que a escolha do indicador de alavancagem, seus objetivos e prazos são as consequências da meta de privatização e não o contrário.
Trata-se de uma falácia, de inversão de causa e efeito, que é repetida muitas vezes.
“Aumentamos nossa participação de mercado em relação a 2017 tanto no diesel quanto na gasolina. Melhoramos nossa eficiência logística com redução no custo unitário de descarregar navios e redução do número dessas embarcações de 73 para 54, sem perda de nível de serviço. “
Mais adequado seria dizer que houve recuperação do mercado perdido em decorrência da política de preços altos praticada pela Petrobrás, desde Parente, a partir de outubro de 2016.
O aumento da participação no mercado foi consequência da greve dos caminhoneiros e do programa federal de subvenção aos produtores e importadores de diesel que aumentou o risco, e reduziu a lucratividade potencial, da cadeia de importação do diesel.
A mudança da política de preços inaugurada por Parente seria benéfica para a Petrobrás, o consumidor e o governo brasileiro. A estatal teria melhores resultados pela recuperação do mercado, os consumidores teriam preços moderados e desvinculados da variação do petróleo e cambial e o governo não precisaria subvencionar a Petrobrás e os importadores. Basta que a estatal se livre da política de preços de Parente!
“Enfim, trabalhamos por uma Petrobrás segura e saudável! Segura para os nossos trabalhadores e operações e com as finanças saudáveis também. São bases para termos um futuro de crescimento sustentável, contribuindo, por nossos negócios, para a economia do país e a geração de empregos. “
Assinam a mensagem, Ivan, Eberaldo, Hugo, Jorge, Nelson, Rafael Gomes, Rafa Grisolia e Solange
Uma empresa para ser saudável e segura deve ser transparente, notadamente em relação aos seus resultados.
A condenação da Petrobrás no processo da Remuneração Mínima de Nível e Regime (RMNR), no Tribunal Superior do Trabalho (TST), exige provisionamento dos valores contingenciados que somam R$ 21 bilhões. Não provisionar sob a alegação da decisão liminar, de Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que obsta os efeitos do acórdão do TST é questionável e deveria ser muito bem justificado no balanço. Ainda sob a constatação de que a decisão liminar do Ministro Dias Tóffoli foi concedida no mês de julho, fora do período de fechamento do balancete, até junho.
Outro ponto relevante é a dívida, questionada na Justiça, da Petrobrás com a Petros. Estimada em R$ 15 bilhões, seria razoável que estivesse contingenciada, tanto como ativo da Petros, quanto como passivo da Petrobrás.
São aspectos relevantes que deveriam ser considerados como impeditivos para o adiantamento de pagamento dos dividendos aos acionistas, contabilizados na forma de juros sobre o capital próprio, que consideramos inadequados diante do montante dos passivos em disputa judicial.
* Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)