por Mauro Santayana, no Jornal do Brasil
Os elogios que partem do estrangeiro ao desempenho da economia brasileira devem ser recebidos com cautela. Se observarmos bem, eles não se destinam à nossa autonomia na administração do Estado, nem aos esforços a fim de reduzir as penosas desigualdades sociais que nos constrangem, mas ao fato de que continuamos (o que não é verdade inteira) a política de abertura do governo passado.
Ainda agora, o presidente Lula é agraciado, na Chattam House, em Londres, e, em Madri, a Fundação Marcelino Botin, do Banco Santander, encerrou, quarta-feira, um seminário sobre o Brasil, visto como futura “potência latina”, desde, é claro, que mantenha abertas as suas portas aos investimentos estrangeiros. O Banco Santander, graças ao Brasil, é hoje o maior banco espanhol e um dos maiores do mundo. Como todos se recordam, o Santander adquiriu o Banco do Estado de São Paulo, em uma operação ainda não muito clara. Antes, já havia adquirido outros bancos menores. E, depois, adquiriu bancos maiores, entre eles o Amro. A Fundação Marcelino Botin é também presidida pelo senhor Emílio Botin, principal acionista do Santander, que também acompanha, com empresários brasileiros, a visita de Lula à Inglaterra. Há poucas semanas, o Santander Brasil aumentou seu capital, de mais de R$ 49 bilhões, para mais de R$ 61 bilhões.
Os mineiros ficam sempre desconfiados quando recebem excessivos elogios. A pergunta que se fazem é: o que estão querendo de mim? O que estão querendo do Brasil, com essa série de elogios, não só a seu presidente, mas ao país? Os espanhóis se encontram em uma situação econômica complicada, como todos sabem, e eles não conseguem escondê-la. Por que se interessarem tanto pela economia brasileira, a ponto de promoverem a reunião em Madri, com a presença de brasileiros, alguns membros do governo, e especialistas estrangeiros, em lugar de discutirem profundamente as causas da recessão em seu próprio país?
O jornal El País publicou ontem um artigo do jornalista conservador Federico Ysart Alcover, diretor do Observatório de Análises e Tendências da Fundação M. Botin, que promoveu o encontro sobre o Brasil. Nada pode ser mais explícito. Ele pergunta se o Brasil está disposto realmente a transformar-se em uma potência e esclarece, que, para isso, a sociedade e o governo devem continuar a política do governo anterior, de abertura dos mercados aos estrangeiros, e aprofundar a globalização. É interessante que se faça o elogio do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, nas mesmas horas em que o ex-presidente entra em cena com seu artigo-plataforma. Federico Ysart é homem ligado ao Banco Santander há muitos anos, e pertenceu ao governo conservador de Adolfo Suarez. Foi, ainda, deputado federal pela UCD. E lhe coube coordenar o encontro de Madri, ontem concluído.
O banqueiro Emílio Botin é filho e neto de banqueiros da Cantábria, e não esconde que deu a sua maior jogada ao entrar no mercado financeiro brasileiro. Está sempre em nosso país, onde transita com grande desenvoltura, sendo figura constante nas festas e outros eventos sociais. O rei Juan Carlos concedeu, recentemente, à sua esposa, a pianista Paloma O’Shea, o título de Marquesa de O’Shea, o que fez de Emilio Botin o Marquês Consorte de O’Shea.
Desde o fim do franquismo, com a morte do ditador e a assunção do poder por Adolfo Suarez, os espanhóis decidiram recolonizar a América Latina. Os governos – incluídos os socialistas –, a partir de então, passaram a investir tudo nessa ofensiva, financiando a compra de empresas em nosso continente, mesmo à custa do aumento brutal de sua dívida pública, uma das maiores do mundo. Com a velha arrogância ibérica, chegaram a tratar governantes de nossos países como vassalos, como fez o direitista Aznar com o presidente Duhalde, da Argentina, a quem telefonava dando ordens e exigindo explicações. E nem vale a pena lembrar o “por qué no te callas” de Juan Carlos, em inaceitável ofensa ao presidente da Venezuela.
Enquanto o desemprego grassa na Espanha, seus empresários enchem os bolsos com os lucros obtidos em nossos países. Aqui, a Telefónica disputa a compra da GVT, para ampliar, ainda mais, a sua presença na telefonia brasileira. O seminário de Madri deve ser visto dentro desse quadro de fundo. É melhor dispensar as lisonjas, que soam interessadas, e criar instrumentos jurídicos e políticos que lhes fechem o caminho.
JBonline.
domingo, 8 de novembro de 2009
LULA E ALENCAR, DOIS SEM DIPLOMA, CRIARAM 12 UNIVERSIDADES.
Com a sanção por parte de José Alencar, presidente da República em exercício, do projeto de lei que cria a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), o governo Lula atingiu nesta quinta-feira (5) a marca de 12 universidades criadas – recorde histórico no Brasil. A marca anterior era do presidente Juscelino Kubitschek, com 10 universidades federais.
O novo campus será inaugurado na primeira semana de dezembro e abrigará 1,4 mil universitários. Segundo Alencar, quando assumiu o governo teve uma conversa com o presidente Lula na qual ressaltava o fato de não terem curso superior: “O presidente Lula sempre diz assim: isso vai ficar para a história porque os brasileiros elegeram dois políticos que não têm curso superior. Por isso, nos compete fazer algo especial pela educação”.
O ministro Fernando Hadad (Educação) reforçou o discurso de José Alencar ao informar que até dezembro de 2010, o governo Lula terá inaugurado mais duas universidades. Hadad explicou também que o governo federal vem agindo em outras áreas, como a construção de escolas técnicas e creches. “O compromisso com a educação foi trazido para a agenda nacional e o País vem vivendo com os novos marcos”, explicou. Hadad informou também que houve a desvinculação da DRU o que permite ao Ministério da Educação contar com aporte de R$ 10 bilhões no próximo ano. Além disso, o Ministério terá mais R$ 5 bilhões proveniente do Fundeb.
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, destacou a luta das lideranças políticas da região oeste do Pará para a aprovação do projeto de lei que resultou na nova universidade. “É a primeira universidade no interior da região amazônica”, disse. A UFOPA atua numa área com 18 municípios e um milhão de habitantes.
Nota do Viomundo: Este site acredita que o debate sobre "subperonismo", proposto pelo ex-presidente FHC, tem o objetivo de esconder esses números. Qual é o motivo "obscuro" por trás da criação de universidades? Fazer doutrinação comunista? Fazer doutrinação de novos sindicalistas? Formar sindicalistas comunistas para tocar o estado subperonista? Quantas universidades o doutor FHC criou? Entenderam agora porque ele quer debater "subperonismo"?
Fonte: Blog do Planalto
O novo campus será inaugurado na primeira semana de dezembro e abrigará 1,4 mil universitários. Segundo Alencar, quando assumiu o governo teve uma conversa com o presidente Lula na qual ressaltava o fato de não terem curso superior: “O presidente Lula sempre diz assim: isso vai ficar para a história porque os brasileiros elegeram dois políticos que não têm curso superior. Por isso, nos compete fazer algo especial pela educação”.
O ministro Fernando Hadad (Educação) reforçou o discurso de José Alencar ao informar que até dezembro de 2010, o governo Lula terá inaugurado mais duas universidades. Hadad explicou também que o governo federal vem agindo em outras áreas, como a construção de escolas técnicas e creches. “O compromisso com a educação foi trazido para a agenda nacional e o País vem vivendo com os novos marcos”, explicou. Hadad informou também que houve a desvinculação da DRU o que permite ao Ministério da Educação contar com aporte de R$ 10 bilhões no próximo ano. Além disso, o Ministério terá mais R$ 5 bilhões proveniente do Fundeb.
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, destacou a luta das lideranças políticas da região oeste do Pará para a aprovação do projeto de lei que resultou na nova universidade. “É a primeira universidade no interior da região amazônica”, disse. A UFOPA atua numa área com 18 municípios e um milhão de habitantes.
Nota do Viomundo: Este site acredita que o debate sobre "subperonismo", proposto pelo ex-presidente FHC, tem o objetivo de esconder esses números. Qual é o motivo "obscuro" por trás da criação de universidades? Fazer doutrinação comunista? Fazer doutrinação de novos sindicalistas? Formar sindicalistas comunistas para tocar o estado subperonista? Quantas universidades o doutor FHC criou? Entenderam agora porque ele quer debater "subperonismo"?
Fonte: Blog do Planalto
INTERNET - Carta a um jovem internauta.
Frei Betto
Adital
Sei que você passa longas horas no computador navegando a bordo de todas as ferramentas disponíveis. Não lhe invejo a adolescência. Na sua idade, eu me iniciava na militância estudantil e injetava utopia na veia. Já tinha lido todo o Monteiro Lobato e me adentrava pelas obras de Jorge Amado guiado pelos "Capitães de areia".
A TV não me atraía e, após o jantar, eu me juntava à turma de rua, entregue às emoções de flertes juvenis ou sentar com meus amigos à mesa de uma lanchonete para falar de Cinema Novo, bossa nova - porque tudo era novo - ou das obras de Jean Paul Sartre.
Sei que a internet é uma imensa janela para o mundo e a história, e costumo parafrasear que o Google é meu pastor, nada me há de faltar...
O que me preocupa em você é a falta de síntese cognitiva. Ao se postar diante do computador, você recebe uma avalanche de informações e imagens, como as lavas de um vulcão se precipitam sobre uma aldeia. Sem clareza do que realmente suscita o seu interesse, você não consegue transformar informação em conhecimento e entretenimento em cultura. Você borboleteia por inúmeros nichos, enquanto sua mente navega à deriva qual bote sem remos jogado ao sabor das ondas.
Quanto tempo você perde percorrendo nichos de conversa fiada? Sim, é bom trocar mensagens com os amigos. Mas, no mínimo, convém ter o que dizer e perguntar. É excitante enveredar-se pelos corredores virtuais de pessoas anônimas acostumadas ao jogo do esconde-esconde. Cuidado! Aquela garota que o fascina com tanto palavreado picante talvez não passe de um velho pedófilo que, acobertado pelo anonimato, se fantasia de beldade.
Desconfie de quem não tem o que fazer, exceto entrincheirar-se horas seguidas na digitação compulsiva à caça de incautos que se deixam ludibriar por mensagens eróticas.
Faça bom uso da internet. Use-a como ferramenta de pesquisa para aprofundar seus estudos; visite os nichos que emitem cultura; conheça a biografia de pessoas que você admira; saiba a história de seu time preferido; veja as incríveis imagens do Universo captadas pelo telescópio Hubble; ouça sinfonias e música pop.
Mas fique alerta à saúde! O uso prolongado do computador pode causar-lhe, nas mãos, lesão por esforço repetitivo (ler) e torná-lo sedentário, obeso, sobretudo se, ao lado do teclado, você mantém uma garrafa de refrigerante e um pacote de batatas fritas...
Cuide sua vista, aumente o corpo das letras, deixe seus olhos se distraírem periodicamente em alguma paisagem que não seja a que o monitor exibe.
E preste atenção: não existe almoço grátis. Não se iluda com a ideia de que o computador lhe custa apenas a taxa de consumo de energia elétrica, as mensalidades do provedor e do acesso à internet. O que mantém em funcionamento esta máquina na qual redijo este artigo é a publicidade. Repare como há anúncios por todos os cantos! São eles que bancam o Google, as notícias, a wikipédia etc. É a poluição consumista mordiscando o nosso inconsciente.
Não se deixe escravizar pelo computador. Não permita que ele roube seu tempo de lazer, de ler um bom livro (de papel, e não virtual), de convivência com a família e os amigos. Submeta-o à sua qualidade de vida. Saiba fazê-lo funcionar apenas em determinadas horas do dia. Vença a compulsão que ele provoca em muitas pessoas.
E não se deixe iludir. Jamais a máquina será mais inteligente que o ser humano. Ela contém milhares de informações, mas nada sabe. Ela é capaz de vencê-lo no xadrez - porque alguém semelhante a você e a mim a programou para jogar. Ela exibe os melhores filmes e nos permite escutar as mais emocionantes músicas, mas nunca se deliciará com o amplo cardápio que nos oferece.
Se você prefere a máquina às pessoas e a usa como refúgio de sua aversão à sociabilidade, trate de procurar um médico. Porque sua autoestima está lá embaixo e o computador não haverá de encará-lo como se fosse um verme. Ou sua autoestima atingiu os píncaros e você acredita que não existem pessoas à sua altura, melhor ficar sozinho.
Nas duas hipóteses você está sendo canibalizado pelo computador. E, aos poucos, se transformará num ser meramente virtual. O que não é uma virtude. Antes, é a comprovação de que já sofre de uma doença grave: a síndrome do onanismo eletrônico.
Adital
Sei que você passa longas horas no computador navegando a bordo de todas as ferramentas disponíveis. Não lhe invejo a adolescência. Na sua idade, eu me iniciava na militância estudantil e injetava utopia na veia. Já tinha lido todo o Monteiro Lobato e me adentrava pelas obras de Jorge Amado guiado pelos "Capitães de areia".
A TV não me atraía e, após o jantar, eu me juntava à turma de rua, entregue às emoções de flertes juvenis ou sentar com meus amigos à mesa de uma lanchonete para falar de Cinema Novo, bossa nova - porque tudo era novo - ou das obras de Jean Paul Sartre.
Sei que a internet é uma imensa janela para o mundo e a história, e costumo parafrasear que o Google é meu pastor, nada me há de faltar...
O que me preocupa em você é a falta de síntese cognitiva. Ao se postar diante do computador, você recebe uma avalanche de informações e imagens, como as lavas de um vulcão se precipitam sobre uma aldeia. Sem clareza do que realmente suscita o seu interesse, você não consegue transformar informação em conhecimento e entretenimento em cultura. Você borboleteia por inúmeros nichos, enquanto sua mente navega à deriva qual bote sem remos jogado ao sabor das ondas.
Quanto tempo você perde percorrendo nichos de conversa fiada? Sim, é bom trocar mensagens com os amigos. Mas, no mínimo, convém ter o que dizer e perguntar. É excitante enveredar-se pelos corredores virtuais de pessoas anônimas acostumadas ao jogo do esconde-esconde. Cuidado! Aquela garota que o fascina com tanto palavreado picante talvez não passe de um velho pedófilo que, acobertado pelo anonimato, se fantasia de beldade.
Desconfie de quem não tem o que fazer, exceto entrincheirar-se horas seguidas na digitação compulsiva à caça de incautos que se deixam ludibriar por mensagens eróticas.
Faça bom uso da internet. Use-a como ferramenta de pesquisa para aprofundar seus estudos; visite os nichos que emitem cultura; conheça a biografia de pessoas que você admira; saiba a história de seu time preferido; veja as incríveis imagens do Universo captadas pelo telescópio Hubble; ouça sinfonias e música pop.
Mas fique alerta à saúde! O uso prolongado do computador pode causar-lhe, nas mãos, lesão por esforço repetitivo (ler) e torná-lo sedentário, obeso, sobretudo se, ao lado do teclado, você mantém uma garrafa de refrigerante e um pacote de batatas fritas...
Cuide sua vista, aumente o corpo das letras, deixe seus olhos se distraírem periodicamente em alguma paisagem que não seja a que o monitor exibe.
E preste atenção: não existe almoço grátis. Não se iluda com a ideia de que o computador lhe custa apenas a taxa de consumo de energia elétrica, as mensalidades do provedor e do acesso à internet. O que mantém em funcionamento esta máquina na qual redijo este artigo é a publicidade. Repare como há anúncios por todos os cantos! São eles que bancam o Google, as notícias, a wikipédia etc. É a poluição consumista mordiscando o nosso inconsciente.
Não se deixe escravizar pelo computador. Não permita que ele roube seu tempo de lazer, de ler um bom livro (de papel, e não virtual), de convivência com a família e os amigos. Submeta-o à sua qualidade de vida. Saiba fazê-lo funcionar apenas em determinadas horas do dia. Vença a compulsão que ele provoca em muitas pessoas.
E não se deixe iludir. Jamais a máquina será mais inteligente que o ser humano. Ela contém milhares de informações, mas nada sabe. Ela é capaz de vencê-lo no xadrez - porque alguém semelhante a você e a mim a programou para jogar. Ela exibe os melhores filmes e nos permite escutar as mais emocionantes músicas, mas nunca se deliciará com o amplo cardápio que nos oferece.
Se você prefere a máquina às pessoas e a usa como refúgio de sua aversão à sociabilidade, trate de procurar um médico. Porque sua autoestima está lá embaixo e o computador não haverá de encará-lo como se fosse um verme. Ou sua autoestima atingiu os píncaros e você acredita que não existem pessoas à sua altura, melhor ficar sozinho.
Nas duas hipóteses você está sendo canibalizado pelo computador. E, aos poucos, se transformará num ser meramente virtual. O que não é uma virtude. Antes, é a comprovação de que já sofre de uma doença grave: a síndrome do onanismo eletrônico.
DUAS CRISES FINANCEIRAS, DOIS RESULTADOS.
Elio Gaspari explica: governo Lula tem
discurso e a comparação lhe é favorável.
Vale a pena ler o artigo abaixo, corrobora o que este blog tem escrito sobre o mesmo assunto: a oposição não tem discurso e o governo poderá liquidar a fatura em 2010 com certa facilidade, se explorar justamente a compração feita pelo jornalista Elio Gaspari, em sua coluna deste domingo, publicada em diversos jornais do país.
Na crise de 97/99 o tucanato avançou no bolso da patuleia, na de 2008 Nosso Guia apostou no consumo
Um malvado devorador de números fez um exercício e comparou as iniciativas tomadas pelo tucanato durante a crise financeira internacional de 1997/1999 com as medidas postas em prática pelo atual governo desde o ano passado. Fechando o foco nas mudanças tributárias, resulta que os tucanos avançaram no bolso da patuleia, enquanto Nosso Guia botou dinheiro na mão da choldra.
Entre maio de 1997 e dezembro de 1998 o governo remarcou, para cima, as alíquotas de sete impostos, além de passar a cobrar um novo tributo.
A alíquota do Imposto de Renda do andar de cima passou de 25% para 27,5%. O IOF de créditos pessoais dobrou e aumentaram-se as dentadas nas aplicações. O IPI das bebidas ficou 10% mais caro, e a alíquota do Cofins passou de 2% para 3%. Tudo isso e mais a entrada em vigor da CPMF, que arrecadou R$ 7 bilhões em 1997.
A voracidade arrecadatória elevou a carga tributária de 28,6% para 31,1% do PIB. O produto interno fechou 1998 com um crescimento de 0,03% e a taxa de desemprego pulou de 10% para 13%. Em 1999, o salário mínimo encolheu 3,5% em termos reais.
A crise financeira mundial de 2008/ 2009 foi mais severa que as dos anos 90. Em vez de aumentar impostos, o governo desonerou setores industriais, baixou o IPI dos carros, geladeiras e fogões, deixando de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões nos primeiros três meses do tratamento.
Uma mudança na tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas, resolvida antes da crise, deixou cerca de R$ 5,5 bilhões na mão da choldra. A carga tributária caiu de 35,8% do PIB para 34,5%. Em 2009 o salário mínimo teve um ganho real de 6,4%.
O desemprego deu um rugido, mas voltou aos níveis anteriores à crise. Ao que tudo indica, a crise de 2008 sairá pelo mesmo preço que a de 1997/98: um ano de crescimento perdido.
As duas situações foram diferentes, mas o fantasma do populismo cambial praticado pela ekipekonômica de 1994 a 1998 acompanhará o tucanato até o fim de seus dias. O dólar-fantasia teve uma utilidade, ajudou a reeleger Fernando Henrique Cardoso. Ele derrotou Lula em outubro, e o real foi desvalorizado em janeiro.
Fonte:Entrelinhas
discurso e a comparação lhe é favorável.
Vale a pena ler o artigo abaixo, corrobora o que este blog tem escrito sobre o mesmo assunto: a oposição não tem discurso e o governo poderá liquidar a fatura em 2010 com certa facilidade, se explorar justamente a compração feita pelo jornalista Elio Gaspari, em sua coluna deste domingo, publicada em diversos jornais do país.
Na crise de 97/99 o tucanato avançou no bolso da patuleia, na de 2008 Nosso Guia apostou no consumo
Um malvado devorador de números fez um exercício e comparou as iniciativas tomadas pelo tucanato durante a crise financeira internacional de 1997/1999 com as medidas postas em prática pelo atual governo desde o ano passado. Fechando o foco nas mudanças tributárias, resulta que os tucanos avançaram no bolso da patuleia, enquanto Nosso Guia botou dinheiro na mão da choldra.
Entre maio de 1997 e dezembro de 1998 o governo remarcou, para cima, as alíquotas de sete impostos, além de passar a cobrar um novo tributo.
A alíquota do Imposto de Renda do andar de cima passou de 25% para 27,5%. O IOF de créditos pessoais dobrou e aumentaram-se as dentadas nas aplicações. O IPI das bebidas ficou 10% mais caro, e a alíquota do Cofins passou de 2% para 3%. Tudo isso e mais a entrada em vigor da CPMF, que arrecadou R$ 7 bilhões em 1997.
A voracidade arrecadatória elevou a carga tributária de 28,6% para 31,1% do PIB. O produto interno fechou 1998 com um crescimento de 0,03% e a taxa de desemprego pulou de 10% para 13%. Em 1999, o salário mínimo encolheu 3,5% em termos reais.
A crise financeira mundial de 2008/ 2009 foi mais severa que as dos anos 90. Em vez de aumentar impostos, o governo desonerou setores industriais, baixou o IPI dos carros, geladeiras e fogões, deixando de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões nos primeiros três meses do tratamento.
Uma mudança na tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas, resolvida antes da crise, deixou cerca de R$ 5,5 bilhões na mão da choldra. A carga tributária caiu de 35,8% do PIB para 34,5%. Em 2009 o salário mínimo teve um ganho real de 6,4%.
O desemprego deu um rugido, mas voltou aos níveis anteriores à crise. Ao que tudo indica, a crise de 2008 sairá pelo mesmo preço que a de 1997/98: um ano de crescimento perdido.
As duas situações foram diferentes, mas o fantasma do populismo cambial praticado pela ekipekonômica de 1994 a 1998 acompanhará o tucanato até o fim de seus dias. O dólar-fantasia teve uma utilidade, ajudou a reeleger Fernando Henrique Cardoso. Ele derrotou Lula em outubro, e o real foi desvalorizado em janeiro.
Fonte:Entrelinhas
MÍDIA - Jornalistas de todo mundo enxergam uma nova cara.
Livro do sociólogo Demétrio Magnoli explica como iniciativas racialistas envenenam a sociedade. Por Fábio Terra Teixeira
Leitor colaborador
Próxima Parada
Por Claudio Carneiro
Parece que o Brasil subiu mesmo alguns degraus na escada que leva ao prestígio e ao reconhecimento mundial reservado às grandes nações. Mesmo diante dos problemas sociais com os quais convivemos e dos incontáveis e caseiros escândalos políticos, é certo que já somos vistos de jeito diferente pelo mundo. A imagem do país mudou. O fato de termos passado sem maiores problemas pela crise econômica mundial, a escolha do país para sediar eventos como Copa do Mundo e as Olimpíadas, além da força midiática do presidente da República – chamado de “o cara” por Barack Obama e comparado a Jesus Cristo por Hugo Chávez –, reforçam a sensação de que o país está na moda e respira uma nova atmosfera de otimismo e crescimento.
Não é fácil esquecer as recentes imagens daquele helicóptero despencando em chamas ou do corpo de um homem num carrinho de supermercado em mais um dia de violência na futura cidade–sede de importantes competições. Isso sem mencionar – e já citando – o desmatamento da Amazônia e a manutenção de velhas raposas em pontos-chave do poder – fato que lembra citação de Lula à Folha de São Paulo de que “no Brasil, Jesus teria de fazer aliança com Judas”. O certo é que a imprensa internacional tem papel importante na exportação desta nova cara.
Para o comentarista político escocês John Fitzpatrick – 14 anos de Brasil – e também editor do Latin Business Chronicle, os países desenvolvidos agora entendem que existe um grupo com grande potencial – liderado pelos chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) – e que o Brasil está ganhando espaço na mídia no exterior. “Nesta última semana, dei entrevistas para rádios e publicações da Áustria, China, EUA, Jamaica e Rússia. A imagem de Lula – equivalente a de Vladimir Putin – é mais forte que a dos presidentes destes outros países” avalia.
Lula, por exemplo, é considerado pelo colombiano Jaime Ortega, da Agência Efe, um símbolo da luta pelos direitos dos trabalhadores que soube conciliar as demandas trabalhistas com a visão do empresariado. Há doze anos no Brasil, o colombiano acha que a liderança política na região e a luta contra a fome e a pobreza – que tem sua marca no Bolsa-Família – contribuíram para firmar a boa imagem do país e de seu presidente, nos últimos anos. Para o mineiro Marcelo Torres, correspondente do SBT na Inglaterra, Lula é tido pela imprensa europeia como o protagonista de um país que, nas próximas décadas, será visto pela comunidade internacional como uma potência: “As esquerdas nos países latinos da Europa, como a Espanha, por exemplo, veem no presidente brasileiro um líder que encontrou a terceira via entre a direita latino-americana e a esquerda mais “desastrada”, simbolizada por Hugo Chávez”, observa.
Corrida de obstáculos: a flexibilidade em lidar com as dificuldades
Os correspondentes concordam que o Brasil está entre os que menos sofreram com a crise econômica mundial. É o que diz o diretor da agência chinesa de notícias Xinhua no Rio de Janeiro, Yang Limin. ”A velocidade com que o Brasil se livrou do cenário recessivo surpreendeu os economistas chineses”. Fitzpatrick, por sua vez, acha que tudo não passou de um breve recuo: “Baseio meu julgamento naquilo que vejo nas ruas, lojas, restaurantes, supermercados e não em estatísticas e indicadores”. Mesmo sentimento tem Marcelo Torres. ”A recuperação foi principalmente centrada no mercado interno, que continuou a crescer apesar de o apetite externo pelas exportações brasileiras ter sofrido uma queda momentânea. O modo como o Brasil lidou com a crise foi elogiado por veículos especializados, como a revista The Economist e o jornal inglês Financial Times”, comenta.
Ainda segundo os jornalistas, as indicações para sediar a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos olímpicos, em 2016, são emblemáticas para demonstrar a mudança da imagem do país. “Até o início dos anos 1990, este era um país pouco sério – do futebol, samba e carnaval. Mas a estabilidade econômica – e também política – trouxe respeito internacional ao Brasil que passou a ser considerado ator importante no cenário global”, diz Ortega. Para Yang Limin, a escolha como país-sede de importantes eventos esportivos foi outra surpresa brasileira para os chineses “porque eles achavam que, economicamente, o Brasil era pouco desenvolvido”. Marcelo Torres arremata: “o país finalmente começa a ser levado a sério. Há um clima mundial favorável para inseri-lo, cada vez mais, como um dos grandes “players” do mundo moderno.
Para os correspondentes, a estabilidade política ajudou a aumentar o otimismo. O fato de Fernando Henrique Cardoso e Lula terem sido reeleitos criou um clima de confiança que o país nunca experimentara. É o que afirma Fitzpatrick: “Mesmo que Lula goste mais de fazer palestras e discursos do que administrar o país, ele teve o bom senso de deixar a área econômica em mãos seguras – especialmente o Banco Central –, não mexeu no câmbio ou na meta de inflação, ao mesmo tempo em que manteve o (Guido) Mantega sob firme controle”. Já o repórter do SBT acha que depois de mais de uma década de políticas consistentes para combater a inflação e a insolvência, o país finalmente começa a ser levado a sério para investimentos de longo prazo. “O carimbo das agências de crédito de que o país é seguro para receber esse crédito também ajudou muito”, afirma Marcelo.
E se o brasileiro tem como principais qualidades a flexibilidade em lidar com as dificuldades, o empreendedorismo, o potencial para o crescimento e sua simpatia – apontados por todos os correspondentes – ele tem também os seus defeitos. A tolerância quase apática do cidadão diante da violência, da burocracia, da falta de eficiência, da corrupção, do paternalismo, da preguiça e, ainda, a histeria diante da proximidade do verão estão entre os nossos comportamentos mais negativos. Tudo isso visto por profissionais que têm compromisso com a verdade e um distanciamento seguro de nossa realidade. Esta pode ser uma grande lição.
Escrito por: Claudio Carneiro
Fonte:Opinião e Notícia
Leitor colaborador
Próxima Parada
Por Claudio Carneiro
Parece que o Brasil subiu mesmo alguns degraus na escada que leva ao prestígio e ao reconhecimento mundial reservado às grandes nações. Mesmo diante dos problemas sociais com os quais convivemos e dos incontáveis e caseiros escândalos políticos, é certo que já somos vistos de jeito diferente pelo mundo. A imagem do país mudou. O fato de termos passado sem maiores problemas pela crise econômica mundial, a escolha do país para sediar eventos como Copa do Mundo e as Olimpíadas, além da força midiática do presidente da República – chamado de “o cara” por Barack Obama e comparado a Jesus Cristo por Hugo Chávez –, reforçam a sensação de que o país está na moda e respira uma nova atmosfera de otimismo e crescimento.
Não é fácil esquecer as recentes imagens daquele helicóptero despencando em chamas ou do corpo de um homem num carrinho de supermercado em mais um dia de violência na futura cidade–sede de importantes competições. Isso sem mencionar – e já citando – o desmatamento da Amazônia e a manutenção de velhas raposas em pontos-chave do poder – fato que lembra citação de Lula à Folha de São Paulo de que “no Brasil, Jesus teria de fazer aliança com Judas”. O certo é que a imprensa internacional tem papel importante na exportação desta nova cara.
Para o comentarista político escocês John Fitzpatrick – 14 anos de Brasil – e também editor do Latin Business Chronicle, os países desenvolvidos agora entendem que existe um grupo com grande potencial – liderado pelos chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) – e que o Brasil está ganhando espaço na mídia no exterior. “Nesta última semana, dei entrevistas para rádios e publicações da Áustria, China, EUA, Jamaica e Rússia. A imagem de Lula – equivalente a de Vladimir Putin – é mais forte que a dos presidentes destes outros países” avalia.
Lula, por exemplo, é considerado pelo colombiano Jaime Ortega, da Agência Efe, um símbolo da luta pelos direitos dos trabalhadores que soube conciliar as demandas trabalhistas com a visão do empresariado. Há doze anos no Brasil, o colombiano acha que a liderança política na região e a luta contra a fome e a pobreza – que tem sua marca no Bolsa-Família – contribuíram para firmar a boa imagem do país e de seu presidente, nos últimos anos. Para o mineiro Marcelo Torres, correspondente do SBT na Inglaterra, Lula é tido pela imprensa europeia como o protagonista de um país que, nas próximas décadas, será visto pela comunidade internacional como uma potência: “As esquerdas nos países latinos da Europa, como a Espanha, por exemplo, veem no presidente brasileiro um líder que encontrou a terceira via entre a direita latino-americana e a esquerda mais “desastrada”, simbolizada por Hugo Chávez”, observa.
Corrida de obstáculos: a flexibilidade em lidar com as dificuldades
Os correspondentes concordam que o Brasil está entre os que menos sofreram com a crise econômica mundial. É o que diz o diretor da agência chinesa de notícias Xinhua no Rio de Janeiro, Yang Limin. ”A velocidade com que o Brasil se livrou do cenário recessivo surpreendeu os economistas chineses”. Fitzpatrick, por sua vez, acha que tudo não passou de um breve recuo: “Baseio meu julgamento naquilo que vejo nas ruas, lojas, restaurantes, supermercados e não em estatísticas e indicadores”. Mesmo sentimento tem Marcelo Torres. ”A recuperação foi principalmente centrada no mercado interno, que continuou a crescer apesar de o apetite externo pelas exportações brasileiras ter sofrido uma queda momentânea. O modo como o Brasil lidou com a crise foi elogiado por veículos especializados, como a revista The Economist e o jornal inglês Financial Times”, comenta.
Ainda segundo os jornalistas, as indicações para sediar a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos olímpicos, em 2016, são emblemáticas para demonstrar a mudança da imagem do país. “Até o início dos anos 1990, este era um país pouco sério – do futebol, samba e carnaval. Mas a estabilidade econômica – e também política – trouxe respeito internacional ao Brasil que passou a ser considerado ator importante no cenário global”, diz Ortega. Para Yang Limin, a escolha como país-sede de importantes eventos esportivos foi outra surpresa brasileira para os chineses “porque eles achavam que, economicamente, o Brasil era pouco desenvolvido”. Marcelo Torres arremata: “o país finalmente começa a ser levado a sério. Há um clima mundial favorável para inseri-lo, cada vez mais, como um dos grandes “players” do mundo moderno.
Para os correspondentes, a estabilidade política ajudou a aumentar o otimismo. O fato de Fernando Henrique Cardoso e Lula terem sido reeleitos criou um clima de confiança que o país nunca experimentara. É o que afirma Fitzpatrick: “Mesmo que Lula goste mais de fazer palestras e discursos do que administrar o país, ele teve o bom senso de deixar a área econômica em mãos seguras – especialmente o Banco Central –, não mexeu no câmbio ou na meta de inflação, ao mesmo tempo em que manteve o (Guido) Mantega sob firme controle”. Já o repórter do SBT acha que depois de mais de uma década de políticas consistentes para combater a inflação e a insolvência, o país finalmente começa a ser levado a sério para investimentos de longo prazo. “O carimbo das agências de crédito de que o país é seguro para receber esse crédito também ajudou muito”, afirma Marcelo.
E se o brasileiro tem como principais qualidades a flexibilidade em lidar com as dificuldades, o empreendedorismo, o potencial para o crescimento e sua simpatia – apontados por todos os correspondentes – ele tem também os seus defeitos. A tolerância quase apática do cidadão diante da violência, da burocracia, da falta de eficiência, da corrupção, do paternalismo, da preguiça e, ainda, a histeria diante da proximidade do verão estão entre os nossos comportamentos mais negativos. Tudo isso visto por profissionais que têm compromisso com a verdade e um distanciamento seguro de nossa realidade. Esta pode ser uma grande lição.
Escrito por: Claudio Carneiro
Fonte:Opinião e Notícia
sábado, 7 de novembro de 2009
HISTÓRIA - 85 anos da Coluna Prestes - uma epopéia brasileira.
“Luiz Carlos Prestes entrou vivo
no Panteon da História.
Os séculos cantarão a 'canção de gesta'
dos mil e quinhentos homens da
Coluna Prestes e sua marcha de quase
três anos através do Brasil.
Um Carlos Prestes nos é sagrado.
Ele pertence a toda a humanidade.
Quem o atinge, atinge-a.”
(Romain Roland, 1936)
A Coluna Prestes, sem vencer nem ser vencida pelo governo que combatia, percorreu 25 mil quilômetros para abalar as estruturas da República Velha
Anita Leocádia Prestes
28 de outubro de 1924: começa o levante tenentista no estado do Rio Grande do Sul. Logo a seguir tem início a marcha rebelde que, mais tarde, entraria para a História como a Coluna Prestes (ou a Coluna Invicta) – episódio culminante do movimento tenentista.
Diante da grave crise estrutural (econômica, social, política, ideológica e cultural), que abalava a República no início dos anos 20 – a crise do “pacto oligárquico” estabelecido entre os grupos oligárquicos dominantes -, os setores médios mostravam-se insatisfeitos com a falta de liberdade e as limitadas possibilidades de influir na vida política. Predispunham-se à revolta e a apoiar ações radicais contra o poder oligárquico. Faltavam-lhes, contudo, organização e capacidade de arregimentação para assumir a direção do movimento de rebeldia contra o poder oligárquico estabelecido.
. A insatisfação no país era geral, mas foi a jovem oficialidade do Exército e da Marinha (os chamados “tenentes”) que assumiu a liderança das oposições. O tenentismo veio preencher o vazio deixado pela falta de lideranças civis aptas a conduzirem o processo de lutas que começava a sacudir as já caducas instituições políticas da Primeira República. Os “tenentes” assumiram as bandeiras de conteúdo liberal que, há algum tempo, já vinham sendo agitadas pelos setores oligárquicos dissidentes, dentre as quais se destacava a demanda do voto secreto, refletindo o anseio generalizado de liquidação da fraude eleitoral então em vigor. O que distinguia os “tenentes” das oligarquias dissidentes e dava ao seu liberalismo um caráter radical era a disposição de recorrer às armas na luta por tais objetivos.
A primeira revolta tenentista, rapidamente sufocada tanto no Rio de Janeiro como em Mato Grosso – os únicos lugares em que chegou a ser deflagrada -, imortalizou-se pelo episódio do levante dos 18 do Forte de Copacabana, no dia 5/07/1922. Liderados pelo tenente Antônio de Siqueira Campos, um pequeno grupo de jovens militares marchou pela praia de Copacabana, de peito a descoberto, disposto a enfrentar os disparos das tropas governistas. Manchando de sangue as areias de Copacabana, os jovens foram trucidados. Apenas dois conseguiram sobreviver: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes. O episódio repercutiu por todo o Brasil, apesar do estado de sítio e da censura à imprensa, decretados pelo Congresso Nacional. E os nomes dos heróis do Forte tornaram-se símbolo do clima de revolta então existente contra os governos das oligarquias dominantes – os governos de Epitácio Pessoa e do seu sucessor Artur Bernardes. Ambos representavam, no fundamental, os interesses das oligarquias cafeicultoras de São Paulo e Minas Gerais e, dada a grave crise que abalava as estruturas do regime republicano, adotavam políticas econômiczas cada vez mais excludentes em relação aos grupos oligárquicos dos demais estados da União e aos diversos setores da sociedade brasileira da época.
Em 5/07/1924, dois anos após o levante de 1922, estourava a Rebelião de São Paulo, inaugurando uma nova onda de revoltas tenentistas. Era o “segundo 5 de julho”. Levantaram-se vários grupamentos policiais e unidades do Exército sediados nesse estado. O comando geral do movimento fora entregue pelos jovens rebeldes ao general reformado do Exército Isidoro Dias Lopes, que contava com a colaboração do major Miguel Costa, comandante da Força Pública de São Paulo (a polícia militar do estado).
O objetivo do movimento era depor o presidente Artur Bernardes, cujo governo transcorria, desde o início, sob estado de sítio permanente e sob vigência da censura à imprensa. Os rebeldes pretendiam substituir Bernardes por um político capaz de “moralizar os costumes políticos”. Lutava-se pelas mesmas demandas de caráter liberal já levantadas em 1922: além do voto secreto, “representação e justiça”, moralização dos costumes políticos e, de uma maneira geral, o cumprimento dos preceitos liberais da Constituição de 1891.
Durante 3 semanas, os rebeldes resistiram ao cerco das tropas governistas à capital de São Paulo. Ante o dilema de serem derrotados pela superioridade militar das tropas governistas ou e retirarem para outra região, onde fosse possível rearticular o movimento, o general Isidoro optou pela segunda alternativa. Sempre perseguidos pelos adversários mais numerosos e bem-armados, os rebeldes conseguiram chegar ao oeste do estado do Paraná, onde se estabeleceram. Logo enfrentariam as tropas comandadas pelo general Cândido Mariano Rondon, que se havia oferecido a Artur Bernardes para dar combate aos militares rebelados.
A conspiração tenentista prosseguiu durante todo o ano de 1924. Após o levante paulista, ela atingiu um ritmo mais acelerado no Rio Grande do Sul, estado em que viria a contar com o apoio dos maragatos (os libertadores) liderados pelo rico fazendeiro Joaquim Francisco de Assis Brasil. As condições precárias dos rebeldes paulistas, cercados no oeste do Paraná, contribuíram para aguçar o espírito de luta da jovem oficialidade comprometida com a chamada “revolução”, levando-a a mobilizar-se em solidariedade aos companheiros de São Paulo.
O principal coordenador da conspiração militar no Rio Grande do Sul foi o tenente Aníbal Benévolo, jovem oficial da Brigada de Cavalaria de São Borja. Também foram importantes na deflagração do levante gaúcho o capitão Luiz Carlos Prestes e o tenente Mário Portela Fagundes. Ambos haviam servido no 1º Batalhão Ferroviário (1ºBF) de Santo Ângelo e mantido contato estreito e permanente com a tropa.
Na noite de 28 de outubro, levantou-se o 1º BF, sob o comando de Prestes e Portela, e, na madrugada do dia 29, algumas outras unidades militares nesse mesmo estado. Ao mesmo tempo, vários caudilhos ligados a Assis Brasil aderiram ao levante. As tropas dos maragatos, de lenço vermelho no pescoço, incorporaram-se às diversas unidades rebeladas, constituindo um reforço para a “revolução” tenentista.
As forças governistas foram rapidamente mobilizadas e lançadas contra os rebeldes. Devido à falta de coordenação entre as unidades rebeladas e à espontaneidade de suas ações, em poucos dias estavam desbaratadas. A “revolução” conseguiu sobreviver apenas na região de São Luís Gonzaga: primeiro pelo fato de a cidade se encontrar distante de qualquer linha férrea, o que, naquela época, dificultava o acesso das tropas governistas, retardando sua investida contra os rebeldes; segundo por conta do papel decisivo do capitão Prestes na reorganização das tropas. Na prática, Prestes passou a comandar não só o 1º BF, que viera com ele de Santo Ângelo, como também os elementos militares e civis remanescentes dos diversos levantes ocorridos no estado.
A atuação prévia de Prestes no 1º BF, durante quase 2 anos, levara-o a introduzir nessa unidade não só um novo tipo de instrução militar como também um novo tipo de relacionamento, até então desconhecido no Exército brasileiro, entre os soldados e o seu comandante. Assim, o jovem capitão, preocupado em garantir uma boa alimentação para a tropa, adotou uma série de medidas, por exemplo, a contratação de um padeiro e um cozinheiro. Organizou as atividades e o tempo dos seus subordinados de maneira que todos pudessem estudar, receber educação física e instrução militar, além de trabalharem na construção da linha férrea que ligaria Santo Ângelo a Giruá (RS). O próprio Prestes tornou-se professor e criou três escolas: uma para alfabetização e as outras duas de primeiro e segundo graus. Em 3 meses, não havia analfabetos na companhia. Prestes não só comandou seus soldados como, ao mesmo tempo, trabalhou junto com eles, levando a mesma vida de seus subordinados. O jovem capitão conseguia estimular a iniciativa dos soldados, sem desprezar a disciplina, que era obtida com o exemplo do próprio comportamento e excluía a prática de qualquer tipo de violência. Em conseqüência, o prestígio de Prestes se tornou enorme, garantindo a fidelidade do 1º BF na hora do levante.
Em São Luís Gonzaga, Prestes enfrentou a necessidade de organizar a resistência ao ataque inimigo em preparação. Foi assim que o 1º BF transformou-se na espinha dorsal da tropa rebelde, que ficaria conhecida como a Coluna Prestes.
Em dezembro de 1924, 14 mil homens, sob o comando do Estado-Maior governista, marchavam sobre São Luís Gonzaga. Formavam o chamado “anel de ferro”, com o qual se pretendia estrangular os rebeldes – cerca de 1,5 mil homens, armados precariamente e quase desprovidos de munição –, acampados em torno da cidade. O governo adotava a “guerra de posição” – a única tática que os militares brasileiros conheciam e que, de acordo com o modelo dos combates travados durante a Primeira Guerra Mundial, consistia em ocupar posições, abrindo trincheiras e permanecendo na defensiva, à espera do inimigo. Ou, então, quando as posições inimigas estavam localizadas, definia-se o “objetivo geográfico” para onde se deveria marchar, com a meta de cercar o adversário, tendo como paradigma o famoso sítio de Verdun, que durara meses, no ano de 1916, quando se defrontaram os exércitos da Alemanha e da França.
Prestes, assessorado por Portela, põe então em prática a “guerra de movimento” – uma espécie de luta de guerrilhas, então uma novidade para o Exército brasileiro. O rompimento do cerco de S. Luís pelos rebeldes e a marcha vitoriosa da Coluna comandada por Prestes em direção ao norte, visando socorrer os companheiros de São Paulo, cercados pelas tropas do general Rondon, constituiu a primeira grande vitória da nova tática militar imaginada por Prestes.
Em 12/04/1925, na cidade paranaense de Foz do Iguaçu, deu-se o encontro histórico das tropas gaúchas com os rebeldes paulistas. A proposta de Prestes de prosseguir na luta, dando continuidade à Marcha rebelde acabou prevalecendo. O principal objetivo era manter acesa a chama da rebeldia tenentista e, com isso, atrair as forças inimigas para o interior do país – o que poderia contribuir para o êxito dos “tenentes”, que conspiravam no Rio de Janeiro e em outras capitais, preparando novos levantes.
Após a junção das colunas paulista e gaúcha, as tropas rebeldes foram reorganizadas, criando-se a 1a Divisão Revolucionária, constituída pelas brigadas “São Paulo” e “Rio Grande”, sob o comando do major Miguel Costa, o oficial de maior patente, promovido a general-de-brigada pelo general Isidoro. Ao todo, a divisão contava com menos de 1,5 mil combatentes, sendo oitocentos da coluna gaúcha e os restantes da coluna paulista. Havia cerca de 50 mulheres, entre gaúchas e paulistas, que, na maioria dos casos, acompanhavam seus maridos e companheiros.
A formação da 1a Divisão Revolucionária representou a vitória da perspectiva aberta por Prestes de os rebeldes atravessarem o rio Paraná e marcharem para Mato Grosso, dando continuidade à “revolução” tenentista. Enquanto as tropas paulistas haviam sofrido uma séria derrota em Catanduvas (PR), a Coluna Prestes vinha do sul coberta de glórias. Nessas circunstâncias, Prestes teria um papel destacado à frente da 1a Divisão Revolucionária. O general Miguel Costa tornara-se o comandante-geral, mas, reconhecendo a competência e o prestígio de Prestes, entregou-lhe, na prática, o comando da Coluna. A Coluna Prestes, que nascera no Rio Grande do Sul, partiu do Paraná revigorada pela junção com os rebeldes que se haviam levantado em São Paulo, a 5/07/1924.
A Coluna, além de mal-armada (não dispondo de fábricas de armamento e munição), não contava com uma retaguarda que assegurasse o abastecimento da tropa. Baseado na experiência do 1º BF, Prestes transformou a tropa rebelde num exército, em que vigorava a disciplina militar e, ao mesmo tempo, era estimulada a iniciativa dos soldados. Sem uma disciplina rigorosa e um comando único e centralizado, as forças rebeldes seriam desbaratadas. Mas, sem a participação ativa de cada soldado, sem a compreensão, de parte de cada um deles, de que a luta era pela libertação do Brasil do governo despótico de Artur Bernardes, seria impossível garantir a sobrevivência de uma força armada tão diferente: não havia soldo, nem pagamento de qualquer espécie, ou vantagens de qualquer tipo, e se exigia, para permanecer em suas fileiras, um grande espírito de sacrifício e muita disposição de luta.
A experiência dos maragatos foi valiosa na organização das forças rebeldes. Adotou-se, por exemplo, o método gaúcho de arrebanhar animais, as “potreadas”: pequenos grupos de soldados se destacavam da tropa em busca não só de cavalos para a montaria e de gado para a alimentação, como de informações, que eram transmitidas ao comando. Esses dados constituíram elementos valiosos para a elaboração de mapas detalhados sobre cada região atravessada pelos rebeldes, permitindo que a tática da Coluna fosse traçada com precisão e profundo conhecimento do terreno. Assim, reduziam-se os riscos de que os rebeldes acabassem pegos de surpresa pelo inimigo. Na verdade, era a Coluna Prestes que, com seus lances inesperados, surpreendia as forças governistas. As potreadas consistiam num fator fundamental para desenvolver a iniciativa e o espírito de responsabilidade dos soldados. Nas palavras de Prestes, foram “os verdadeiros olhos da Coluna”.
A Coluna não se poderia transformar num exército revolucionário, movido por um ideal libertário, se não incutisse em seus combatentes uma atitude de respeito e solidariedade em relação ao povo com que mantinha contato. Qualquer arbitrariedade era punida com grande rigor; em alguns casos de maior gravidade, chegou-se ao fuzilamento dos culpados, principalmente quando houve desrespeito a famílias e, em particular, a mulheres. Da mesma forma, não se admitiam saques ou atentados gratuitos à propriedade.
A Coluna Prestes durou 2 anos e 3 meses, percorrendo cerca de 25 mil quilômetros através de treze estados do Brasil (ver mapa). Jamais foi derrotada, embora tenha combatido forças muitas vezes superiores em homens, armamento e apoio logístico, tendo enfrentado ao todo 53 combates. Os principais comandantes do Exército nacional não só não puderam desbaratar a Coluna Prestes, como sofreram pesadas perdas e sérios reveses impostos pelos rebeldes durante sua marcha. A Coluna, em seu périplo pelo Brasil, derrotou 18 generais.
Ao adotar a tática da “guerra de movimento”, a Coluna Prestes garantiu a própria sobrevivência em condições que lhe eram extremamente desfavoráveis. E mais, transformou-se num exército com características populares. Paralelamente, forjou um novo tipo de combatente, de soldado da liberdade, que se batia por um ideal, e também formou líderes de envergadura que vieram a influir decisivamente nos acontecimentos posteriores.
Dado o fracasso governista no combate à Coluna Prestes, ela poderia continuar percorrendo o país, tirando proveito de sua mobilidade extrema, a grande arma que a tática da “guerra de movimento” lhe conferia. Mas Prestes compreendeu que havia chegado a hora de mudar de tática. Uma nova visão do Brasil – que ele adquirira durante a marcha, ao se deparar com a miséria em que vegetava a maior parte da população do país – contribuiu para essa conclusão. Dessa forma, o comando da Coluna tomou a decisão de partir para o exílio, ingressando na Bolívia em 3/02/1927. Como assinalou o cronista da Marcha, Lourenço Moreira Lima, “não vencemos, mas não fomos vencidos”.
Apesar das dificuldades, os rebeldes chegaram à Bolívia com o moral elevado, cônscios de que haviam cumprido o seu dever, sem nada receber em troca. Os comandantes e soldados da Coluna partiram para o exílio num estado de absoluta pobreza, enquanto os generais governistas tinham enchido os bolsos às custas do erário público, que lhes oferecera verbas generosas para liquidar os revoltosos. A Coluna, praticamente desarmada, contando apenas 620 homens, havia vencido todos os embates com as forças governistas.
Os soldados rebeldes foram os desbravadores do caminho que minou os alicerces da Primeira República. A sobrevivência da Coluna Prestes constituiu um fator decisivo para que, em diversos pontos do país, eclodissem levantes tenentistas. Embora essas revoltas militares – que sempre contaram com a colaboração de civis – tivessem sido esmagadas, a Coluna Prestes contribuiu para que, durante vários anos, fosse mantido um clima “revolucionário” no país, favorável à germinação das condições que levaram ao colapso da República Velha e à vitória da chamada Revolução de 30, propiciando o início de uma nova etapa no desenvolvimento capitalista no Brasil.
A Marcha da Coluna e o impacto causado em Prestes pela situação deplorável em que viviam as populações do interior do Brasil levaram o Cavaleiro da Esperança a se transformar, anos mais tarde, na principal liderança do movimento comunista no país. A Coluna Prestes gerara o líder mais destacado da revolução social no Brasil.
Fonte:Café História
no Panteon da História.
Os séculos cantarão a 'canção de gesta'
dos mil e quinhentos homens da
Coluna Prestes e sua marcha de quase
três anos através do Brasil.
Um Carlos Prestes nos é sagrado.
Ele pertence a toda a humanidade.
Quem o atinge, atinge-a.”
(Romain Roland, 1936)
A Coluna Prestes, sem vencer nem ser vencida pelo governo que combatia, percorreu 25 mil quilômetros para abalar as estruturas da República Velha
Anita Leocádia Prestes
28 de outubro de 1924: começa o levante tenentista no estado do Rio Grande do Sul. Logo a seguir tem início a marcha rebelde que, mais tarde, entraria para a História como a Coluna Prestes (ou a Coluna Invicta) – episódio culminante do movimento tenentista.
Diante da grave crise estrutural (econômica, social, política, ideológica e cultural), que abalava a República no início dos anos 20 – a crise do “pacto oligárquico” estabelecido entre os grupos oligárquicos dominantes -, os setores médios mostravam-se insatisfeitos com a falta de liberdade e as limitadas possibilidades de influir na vida política. Predispunham-se à revolta e a apoiar ações radicais contra o poder oligárquico. Faltavam-lhes, contudo, organização e capacidade de arregimentação para assumir a direção do movimento de rebeldia contra o poder oligárquico estabelecido.
. A insatisfação no país era geral, mas foi a jovem oficialidade do Exército e da Marinha (os chamados “tenentes”) que assumiu a liderança das oposições. O tenentismo veio preencher o vazio deixado pela falta de lideranças civis aptas a conduzirem o processo de lutas que começava a sacudir as já caducas instituições políticas da Primeira República. Os “tenentes” assumiram as bandeiras de conteúdo liberal que, há algum tempo, já vinham sendo agitadas pelos setores oligárquicos dissidentes, dentre as quais se destacava a demanda do voto secreto, refletindo o anseio generalizado de liquidação da fraude eleitoral então em vigor. O que distinguia os “tenentes” das oligarquias dissidentes e dava ao seu liberalismo um caráter radical era a disposição de recorrer às armas na luta por tais objetivos.
A primeira revolta tenentista, rapidamente sufocada tanto no Rio de Janeiro como em Mato Grosso – os únicos lugares em que chegou a ser deflagrada -, imortalizou-se pelo episódio do levante dos 18 do Forte de Copacabana, no dia 5/07/1922. Liderados pelo tenente Antônio de Siqueira Campos, um pequeno grupo de jovens militares marchou pela praia de Copacabana, de peito a descoberto, disposto a enfrentar os disparos das tropas governistas. Manchando de sangue as areias de Copacabana, os jovens foram trucidados. Apenas dois conseguiram sobreviver: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes. O episódio repercutiu por todo o Brasil, apesar do estado de sítio e da censura à imprensa, decretados pelo Congresso Nacional. E os nomes dos heróis do Forte tornaram-se símbolo do clima de revolta então existente contra os governos das oligarquias dominantes – os governos de Epitácio Pessoa e do seu sucessor Artur Bernardes. Ambos representavam, no fundamental, os interesses das oligarquias cafeicultoras de São Paulo e Minas Gerais e, dada a grave crise que abalava as estruturas do regime republicano, adotavam políticas econômiczas cada vez mais excludentes em relação aos grupos oligárquicos dos demais estados da União e aos diversos setores da sociedade brasileira da época.
Em 5/07/1924, dois anos após o levante de 1922, estourava a Rebelião de São Paulo, inaugurando uma nova onda de revoltas tenentistas. Era o “segundo 5 de julho”. Levantaram-se vários grupamentos policiais e unidades do Exército sediados nesse estado. O comando geral do movimento fora entregue pelos jovens rebeldes ao general reformado do Exército Isidoro Dias Lopes, que contava com a colaboração do major Miguel Costa, comandante da Força Pública de São Paulo (a polícia militar do estado).
O objetivo do movimento era depor o presidente Artur Bernardes, cujo governo transcorria, desde o início, sob estado de sítio permanente e sob vigência da censura à imprensa. Os rebeldes pretendiam substituir Bernardes por um político capaz de “moralizar os costumes políticos”. Lutava-se pelas mesmas demandas de caráter liberal já levantadas em 1922: além do voto secreto, “representação e justiça”, moralização dos costumes políticos e, de uma maneira geral, o cumprimento dos preceitos liberais da Constituição de 1891.
Durante 3 semanas, os rebeldes resistiram ao cerco das tropas governistas à capital de São Paulo. Ante o dilema de serem derrotados pela superioridade militar das tropas governistas ou e retirarem para outra região, onde fosse possível rearticular o movimento, o general Isidoro optou pela segunda alternativa. Sempre perseguidos pelos adversários mais numerosos e bem-armados, os rebeldes conseguiram chegar ao oeste do estado do Paraná, onde se estabeleceram. Logo enfrentariam as tropas comandadas pelo general Cândido Mariano Rondon, que se havia oferecido a Artur Bernardes para dar combate aos militares rebelados.
A conspiração tenentista prosseguiu durante todo o ano de 1924. Após o levante paulista, ela atingiu um ritmo mais acelerado no Rio Grande do Sul, estado em que viria a contar com o apoio dos maragatos (os libertadores) liderados pelo rico fazendeiro Joaquim Francisco de Assis Brasil. As condições precárias dos rebeldes paulistas, cercados no oeste do Paraná, contribuíram para aguçar o espírito de luta da jovem oficialidade comprometida com a chamada “revolução”, levando-a a mobilizar-se em solidariedade aos companheiros de São Paulo.
O principal coordenador da conspiração militar no Rio Grande do Sul foi o tenente Aníbal Benévolo, jovem oficial da Brigada de Cavalaria de São Borja. Também foram importantes na deflagração do levante gaúcho o capitão Luiz Carlos Prestes e o tenente Mário Portela Fagundes. Ambos haviam servido no 1º Batalhão Ferroviário (1ºBF) de Santo Ângelo e mantido contato estreito e permanente com a tropa.
Na noite de 28 de outubro, levantou-se o 1º BF, sob o comando de Prestes e Portela, e, na madrugada do dia 29, algumas outras unidades militares nesse mesmo estado. Ao mesmo tempo, vários caudilhos ligados a Assis Brasil aderiram ao levante. As tropas dos maragatos, de lenço vermelho no pescoço, incorporaram-se às diversas unidades rebeladas, constituindo um reforço para a “revolução” tenentista.
As forças governistas foram rapidamente mobilizadas e lançadas contra os rebeldes. Devido à falta de coordenação entre as unidades rebeladas e à espontaneidade de suas ações, em poucos dias estavam desbaratadas. A “revolução” conseguiu sobreviver apenas na região de São Luís Gonzaga: primeiro pelo fato de a cidade se encontrar distante de qualquer linha férrea, o que, naquela época, dificultava o acesso das tropas governistas, retardando sua investida contra os rebeldes; segundo por conta do papel decisivo do capitão Prestes na reorganização das tropas. Na prática, Prestes passou a comandar não só o 1º BF, que viera com ele de Santo Ângelo, como também os elementos militares e civis remanescentes dos diversos levantes ocorridos no estado.
A atuação prévia de Prestes no 1º BF, durante quase 2 anos, levara-o a introduzir nessa unidade não só um novo tipo de instrução militar como também um novo tipo de relacionamento, até então desconhecido no Exército brasileiro, entre os soldados e o seu comandante. Assim, o jovem capitão, preocupado em garantir uma boa alimentação para a tropa, adotou uma série de medidas, por exemplo, a contratação de um padeiro e um cozinheiro. Organizou as atividades e o tempo dos seus subordinados de maneira que todos pudessem estudar, receber educação física e instrução militar, além de trabalharem na construção da linha férrea que ligaria Santo Ângelo a Giruá (RS). O próprio Prestes tornou-se professor e criou três escolas: uma para alfabetização e as outras duas de primeiro e segundo graus. Em 3 meses, não havia analfabetos na companhia. Prestes não só comandou seus soldados como, ao mesmo tempo, trabalhou junto com eles, levando a mesma vida de seus subordinados. O jovem capitão conseguia estimular a iniciativa dos soldados, sem desprezar a disciplina, que era obtida com o exemplo do próprio comportamento e excluía a prática de qualquer tipo de violência. Em conseqüência, o prestígio de Prestes se tornou enorme, garantindo a fidelidade do 1º BF na hora do levante.
Em São Luís Gonzaga, Prestes enfrentou a necessidade de organizar a resistência ao ataque inimigo em preparação. Foi assim que o 1º BF transformou-se na espinha dorsal da tropa rebelde, que ficaria conhecida como a Coluna Prestes.
Em dezembro de 1924, 14 mil homens, sob o comando do Estado-Maior governista, marchavam sobre São Luís Gonzaga. Formavam o chamado “anel de ferro”, com o qual se pretendia estrangular os rebeldes – cerca de 1,5 mil homens, armados precariamente e quase desprovidos de munição –, acampados em torno da cidade. O governo adotava a “guerra de posição” – a única tática que os militares brasileiros conheciam e que, de acordo com o modelo dos combates travados durante a Primeira Guerra Mundial, consistia em ocupar posições, abrindo trincheiras e permanecendo na defensiva, à espera do inimigo. Ou, então, quando as posições inimigas estavam localizadas, definia-se o “objetivo geográfico” para onde se deveria marchar, com a meta de cercar o adversário, tendo como paradigma o famoso sítio de Verdun, que durara meses, no ano de 1916, quando se defrontaram os exércitos da Alemanha e da França.
Prestes, assessorado por Portela, põe então em prática a “guerra de movimento” – uma espécie de luta de guerrilhas, então uma novidade para o Exército brasileiro. O rompimento do cerco de S. Luís pelos rebeldes e a marcha vitoriosa da Coluna comandada por Prestes em direção ao norte, visando socorrer os companheiros de São Paulo, cercados pelas tropas do general Rondon, constituiu a primeira grande vitória da nova tática militar imaginada por Prestes.
Em 12/04/1925, na cidade paranaense de Foz do Iguaçu, deu-se o encontro histórico das tropas gaúchas com os rebeldes paulistas. A proposta de Prestes de prosseguir na luta, dando continuidade à Marcha rebelde acabou prevalecendo. O principal objetivo era manter acesa a chama da rebeldia tenentista e, com isso, atrair as forças inimigas para o interior do país – o que poderia contribuir para o êxito dos “tenentes”, que conspiravam no Rio de Janeiro e em outras capitais, preparando novos levantes.
Após a junção das colunas paulista e gaúcha, as tropas rebeldes foram reorganizadas, criando-se a 1a Divisão Revolucionária, constituída pelas brigadas “São Paulo” e “Rio Grande”, sob o comando do major Miguel Costa, o oficial de maior patente, promovido a general-de-brigada pelo general Isidoro. Ao todo, a divisão contava com menos de 1,5 mil combatentes, sendo oitocentos da coluna gaúcha e os restantes da coluna paulista. Havia cerca de 50 mulheres, entre gaúchas e paulistas, que, na maioria dos casos, acompanhavam seus maridos e companheiros.
A formação da 1a Divisão Revolucionária representou a vitória da perspectiva aberta por Prestes de os rebeldes atravessarem o rio Paraná e marcharem para Mato Grosso, dando continuidade à “revolução” tenentista. Enquanto as tropas paulistas haviam sofrido uma séria derrota em Catanduvas (PR), a Coluna Prestes vinha do sul coberta de glórias. Nessas circunstâncias, Prestes teria um papel destacado à frente da 1a Divisão Revolucionária. O general Miguel Costa tornara-se o comandante-geral, mas, reconhecendo a competência e o prestígio de Prestes, entregou-lhe, na prática, o comando da Coluna. A Coluna Prestes, que nascera no Rio Grande do Sul, partiu do Paraná revigorada pela junção com os rebeldes que se haviam levantado em São Paulo, a 5/07/1924.
A Coluna, além de mal-armada (não dispondo de fábricas de armamento e munição), não contava com uma retaguarda que assegurasse o abastecimento da tropa. Baseado na experiência do 1º BF, Prestes transformou a tropa rebelde num exército, em que vigorava a disciplina militar e, ao mesmo tempo, era estimulada a iniciativa dos soldados. Sem uma disciplina rigorosa e um comando único e centralizado, as forças rebeldes seriam desbaratadas. Mas, sem a participação ativa de cada soldado, sem a compreensão, de parte de cada um deles, de que a luta era pela libertação do Brasil do governo despótico de Artur Bernardes, seria impossível garantir a sobrevivência de uma força armada tão diferente: não havia soldo, nem pagamento de qualquer espécie, ou vantagens de qualquer tipo, e se exigia, para permanecer em suas fileiras, um grande espírito de sacrifício e muita disposição de luta.
A experiência dos maragatos foi valiosa na organização das forças rebeldes. Adotou-se, por exemplo, o método gaúcho de arrebanhar animais, as “potreadas”: pequenos grupos de soldados se destacavam da tropa em busca não só de cavalos para a montaria e de gado para a alimentação, como de informações, que eram transmitidas ao comando. Esses dados constituíram elementos valiosos para a elaboração de mapas detalhados sobre cada região atravessada pelos rebeldes, permitindo que a tática da Coluna fosse traçada com precisão e profundo conhecimento do terreno. Assim, reduziam-se os riscos de que os rebeldes acabassem pegos de surpresa pelo inimigo. Na verdade, era a Coluna Prestes que, com seus lances inesperados, surpreendia as forças governistas. As potreadas consistiam num fator fundamental para desenvolver a iniciativa e o espírito de responsabilidade dos soldados. Nas palavras de Prestes, foram “os verdadeiros olhos da Coluna”.
A Coluna não se poderia transformar num exército revolucionário, movido por um ideal libertário, se não incutisse em seus combatentes uma atitude de respeito e solidariedade em relação ao povo com que mantinha contato. Qualquer arbitrariedade era punida com grande rigor; em alguns casos de maior gravidade, chegou-se ao fuzilamento dos culpados, principalmente quando houve desrespeito a famílias e, em particular, a mulheres. Da mesma forma, não se admitiam saques ou atentados gratuitos à propriedade.
A Coluna Prestes durou 2 anos e 3 meses, percorrendo cerca de 25 mil quilômetros através de treze estados do Brasil (ver mapa). Jamais foi derrotada, embora tenha combatido forças muitas vezes superiores em homens, armamento e apoio logístico, tendo enfrentado ao todo 53 combates. Os principais comandantes do Exército nacional não só não puderam desbaratar a Coluna Prestes, como sofreram pesadas perdas e sérios reveses impostos pelos rebeldes durante sua marcha. A Coluna, em seu périplo pelo Brasil, derrotou 18 generais.
Ao adotar a tática da “guerra de movimento”, a Coluna Prestes garantiu a própria sobrevivência em condições que lhe eram extremamente desfavoráveis. E mais, transformou-se num exército com características populares. Paralelamente, forjou um novo tipo de combatente, de soldado da liberdade, que se batia por um ideal, e também formou líderes de envergadura que vieram a influir decisivamente nos acontecimentos posteriores.
Dado o fracasso governista no combate à Coluna Prestes, ela poderia continuar percorrendo o país, tirando proveito de sua mobilidade extrema, a grande arma que a tática da “guerra de movimento” lhe conferia. Mas Prestes compreendeu que havia chegado a hora de mudar de tática. Uma nova visão do Brasil – que ele adquirira durante a marcha, ao se deparar com a miséria em que vegetava a maior parte da população do país – contribuiu para essa conclusão. Dessa forma, o comando da Coluna tomou a decisão de partir para o exílio, ingressando na Bolívia em 3/02/1927. Como assinalou o cronista da Marcha, Lourenço Moreira Lima, “não vencemos, mas não fomos vencidos”.
Apesar das dificuldades, os rebeldes chegaram à Bolívia com o moral elevado, cônscios de que haviam cumprido o seu dever, sem nada receber em troca. Os comandantes e soldados da Coluna partiram para o exílio num estado de absoluta pobreza, enquanto os generais governistas tinham enchido os bolsos às custas do erário público, que lhes oferecera verbas generosas para liquidar os revoltosos. A Coluna, praticamente desarmada, contando apenas 620 homens, havia vencido todos os embates com as forças governistas.
Os soldados rebeldes foram os desbravadores do caminho que minou os alicerces da Primeira República. A sobrevivência da Coluna Prestes constituiu um fator decisivo para que, em diversos pontos do país, eclodissem levantes tenentistas. Embora essas revoltas militares – que sempre contaram com a colaboração de civis – tivessem sido esmagadas, a Coluna Prestes contribuiu para que, durante vários anos, fosse mantido um clima “revolucionário” no país, favorável à germinação das condições que levaram ao colapso da República Velha e à vitória da chamada Revolução de 30, propiciando o início de uma nova etapa no desenvolvimento capitalista no Brasil.
A Marcha da Coluna e o impacto causado em Prestes pela situação deplorável em que viviam as populações do interior do Brasil levaram o Cavaleiro da Esperança a se transformar, anos mais tarde, na principal liderança do movimento comunista no país. A Coluna Prestes gerara o líder mais destacado da revolução social no Brasil.
Fonte:Café História
"LULINHA PAZ E AMOR" JÁ ERA> COMEÇOU A LUTA PARA VALER.
A causa da direita é ruim, é muito ruim. Não lhe é possível dizer o que pensa, claramente. Imaginem um discurso eleitoral de seus candidatos dizendo: “queremos que o Brasil continue a ser injusto, queremos uma elite privilegiada e massas excluídas, adoramos ser os feitores de uma colônia com um núcleo moderníssimo e com uma periferia medieval, selvagem, desumana (desde que não entrem nas nossas áreas, claro), onde se mata e se morre como numa selva?
Impossível, não é? Por isso, o discurso da direita, quase sempre, tem dois temas: competência e terror.
De um lado, são os sábios, os eruditos, os capazes, os preparados. Sabem tudo, embora um rápido olhar já dê para perceber que sua sabedoria nada mais é que aplicar as fórmulas que vêm de fora. Propagam que há uma mão, a mão do mercado, que é capaz de, espontaneamente, trazer a fartura, o progresso, o desenvolvimento, desde que, pacientemente, esperemos o seu milagre.
Essa “fé sem obras”, que exatamente por isso já vinha se erodindo, sofreu o seu mais duro golpe , ano passado. O mundo do mercado ruiu,de forma estrepitosa, e teve de ser “salvo” pelo velho e maldito Estado. Os homens que diziam tudo o que o mundo devia fazer, que nos repetiam ordens para “fazer o dever de casa” direitinho viram-se, de repente soltos no ar, tendo de se pendurar desesperadamente nos tesouros públicos para não virem ao chão.
Os governos saíram em seu socorro. Nem mesmo se pode condenar que o tenham feito, menos por piedade dos “deuses caídos” do mercado, mas porque osefeitos disso foram extremamente cruéis para com os povos. Esta crise ceifou, no mundo inteiro, dezenas de milhões de empregos e isso que dizer dor, fome, abandono. Para os povos e para os países pobres que tinham “feito o dever de casa” que lhe prescreviam e internacionalizado completamente suas economias. As empresas “sem pátria”, “universais”, na hora da crise, drenaram o que puderam das economias pobres para socorrer as “matrizes” que diziam não mais existir.
Graças a isso, à drenagem do dinheiro público e à drenagem da economia mundial, conseguiram sobreviver. Mal e mal, como se vê pela situação da economia americana e inglesa. Lograram, entretanto, algo mais importante: mantiveram o seu templo econômico, o seu modelo, a santidade do mercado como regra e dogma da economia.
Certo que emudeceram por uns meses, mas não perderam a voz. Podem ser e são, a cada dia mais, pregoeiros dos falsos milagres a que antes me referi. Nada diziam, no final do ano passado, quando o país se esvaía com a saída dos dólares dos investidores estrangeiros - livres, como eles diziam ser um “mandamento” do mercado. Tiraram do Brasil, entre setembro e dezembro de 2008, US$ 14 bilhões, afundaram quase 30% nossa moeda, arruinaram em quase um milhão o número de empregos dos brasileiros.
Tudo sem a menor cerimônia. Não fugiram daqui porque o Brasil tivesse tomado medidas protecionistas, criado impostos, estatizado setores da economia. Nada disso. Fugiram daqui seguindo a única lógica que conhecem, que é intrínseca à sua própria natureza: a conveniência dos lucros e dos negócios. A mesma lógica que os faz correr para cá, agora. Perde tempo quem quiser “catequizar” o capital. Ele pode ser disciplinado, mas não “convertido”.
Creio que esse momento foi um ponto de inflexão no Governo Lula. Ao contrário do que diz Fernando Henrique Cardoso, Lula não é um ignorante. Pode ter muitos defeitos, não esse. Ele percebeu que as forças às quais ele próprio, para escapar da força irresistível do “pensamento único”, cedera e concedera muito, se arruinavam.
Essa força é mais significativa ainda porque ela impregnou fortemente o PT, desde a sua fundação. O partido sempre foi adepto de uma visão que era uma espécie de olhar invertido - sentido inverso, mas mesma direção - da “liberdade empresarial”. Se, no mundo das empresas, que vençam os mais fortes, mais organizados e os que estiverem para onde o mercado flui, o PT cansou de reproduzir os mesmos conceitos em relação aos trabalhadores e à questão social: o Estado deveria interferir o mínimo, eram as organizações de trabalhadores que iriam conquistar salário e vida melhores.
Sem querem me estender muito, porque não é meu tema nem minha índole ficar remoendo o passado, por quantos anos trataram com desdém valores como nacionalismo, como a legislação trabalhista, como a personificação da vontade nacional numa figura política? Ia tudo para o “saco” do mesmo populismo que as elites afetadas - de O Globo a Fernando Henrique - diziam que era arcaico e de inspiração fascista.
Nada como os fatos, porém, para mudar a visão preconceituosa e primária e começar a entender a história muito além das teorias acadêmicas das elites. Imaginem como, há dez anos atrás, os intelectual petistas se revoltariam ao ler o que escreveu Emir Sader, em seu blog, para defender Lula dos ataques de Fernando Henrique Cardoso?
“Perón, Getúlio e Lula têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.”
Lula, que ninguém deixe de considerar isso, é um sobrevivente. Percebeu que ali estava sua chance de diferenciar-se e diferenciar o Brasil. Todos os ridicularizaram quando ele falou em “marolinha”, tratando-o como se fosse um tolo, um idiota. Qual nada: como disse, de tolo Lula não tem nada.
Lula sentiu que era hora de fazer o contrário do receituário que o neoliberalismo sempre mandou seguir contra as crises: arrochar gastos públicos, arrochar salários, reprimir o consumo. Fez o contrário.
Isso não é esquerdismo ou anticapitalismo. É apenas antineoliberalismo, e não é novo. Foi o remédio “herético” que Roosevelt e Keynes usaram para tirar os EUA da Grande Depressão, nos anos 30. Volto a citar Emir Sader:
“Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economias na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.”
Não se está comparando pessoas - antes que me venham com subjetividades sobre a natureza de cada um deles e de Lula -, mas situações. Elas são muito mais importantes que os homens, embora eles sejam decisivos nos momentos agudos. Mas é curioso notar que todos seguiriam a política da moderação, da composição com a direita, dos pactos de governabilidade se não fosse - e como foi e é! - mesquinha, furiosa, intransigente e egoísta a nossa elite. E mais: como ela é incapaz de aceitar que o povo faça parte - mesmo que não seja o protagonista - da vida deste país.Aliás, o próprio país e seu povo não passam de uma mercadoria a ser vendida.
Desculpem se me estendo (vou tratar do discurso do terror em outro post) antes de explicar o título desta postagem. O que motivou esta reflexão foi o tom que o discurso de Lula - e ontem, no Congresso do PC do B - também o de Dilma Roussef (leia aqui a matéria no site do partido) vai assumindo a cada dia.
Os tempos do “Lulinha Paz e Amor” se foram. Os marqueteiros, agora, passarão a se ocupar de tentar “conter os danos” do enfrentamento que virá. E virá de forma dura, aguda, passional.
Faz algum tempo que venho afirmando isso, aqui no blog. As próximas eleições não serão, como pretende a direita, uma comparação de currículos, nem de simpatia pessoal, nem de “competência”. Nem mesmo será um concurso para ver quem apresenta um projeto melhor ou mais simpático para o Brasil.
O que está em jogo não é se o país precisa de uma mudança neste ou naquele sentido. A disputa eleitoral é sobre se a mudança que está em curso - não importa se nos desagrade a velocidade ou a profundidade que ela tem - vai continuar ou vamos retroceder.
Esta questão é mais importante que as pessoas, como indivíduos. Mais relevante que nossas queixas, mágoas, críticas, senões. É o nosso povo e o nosso país que estão em jogo. Vamos assistir, e logo, uma crescente polarização. Isso não quer dizer que percamos nossa identidade, nossa independência de análise e de ação, muito menos nossa admiração e simpatia por pessoas, dentro ou fora do PDT, que acham ser possível, de forma isolada do processo social, imprimir uma inflexão à esquerda nesta mudança.
O essencial, porém, é perceber por onde caminha o povo brasileiro,aquilo que Leonel Brizola chamava de “o processo social”. Perceber quer dizer agir sem pretensão de sermos os “doutos”, que sabemos melhor que o povo para onde e como caminhar. Esta é a pretensão da direita e, por extensão, leva a este campo quem se crê capaz de dar lições ao nosso povo.
Há um processo em curso e não serão muitos os dias que ele levará até expressar-se de maneira crua. E que vai exigir de nós uma definição muito clara, sem vacilações. Mas também ela, a definição, só será correta, sábia e justa se inspirar-se em tal processo social.
Aí está o exercício de sabedoria política que, este sim, precisamos ter. Se estivermos ao lado do povo - não da eventual simpatia de marketing, mas dos seus sentimentos profundos, na hora das decisões históricas - estaremos do lado certo. Do contrário, ficaremos à margem. Pouco importaria, se fosse apenas isso. Mas isso implicaria na deserção de uma luta que juramos travar pelo povo brasileiro.
Blog "Tijolaço" do Brizola Neto.
Impossível, não é? Por isso, o discurso da direita, quase sempre, tem dois temas: competência e terror.
De um lado, são os sábios, os eruditos, os capazes, os preparados. Sabem tudo, embora um rápido olhar já dê para perceber que sua sabedoria nada mais é que aplicar as fórmulas que vêm de fora. Propagam que há uma mão, a mão do mercado, que é capaz de, espontaneamente, trazer a fartura, o progresso, o desenvolvimento, desde que, pacientemente, esperemos o seu milagre.
Essa “fé sem obras”, que exatamente por isso já vinha se erodindo, sofreu o seu mais duro golpe , ano passado. O mundo do mercado ruiu,de forma estrepitosa, e teve de ser “salvo” pelo velho e maldito Estado. Os homens que diziam tudo o que o mundo devia fazer, que nos repetiam ordens para “fazer o dever de casa” direitinho viram-se, de repente soltos no ar, tendo de se pendurar desesperadamente nos tesouros públicos para não virem ao chão.
Os governos saíram em seu socorro. Nem mesmo se pode condenar que o tenham feito, menos por piedade dos “deuses caídos” do mercado, mas porque osefeitos disso foram extremamente cruéis para com os povos. Esta crise ceifou, no mundo inteiro, dezenas de milhões de empregos e isso que dizer dor, fome, abandono. Para os povos e para os países pobres que tinham “feito o dever de casa” que lhe prescreviam e internacionalizado completamente suas economias. As empresas “sem pátria”, “universais”, na hora da crise, drenaram o que puderam das economias pobres para socorrer as “matrizes” que diziam não mais existir.
Graças a isso, à drenagem do dinheiro público e à drenagem da economia mundial, conseguiram sobreviver. Mal e mal, como se vê pela situação da economia americana e inglesa. Lograram, entretanto, algo mais importante: mantiveram o seu templo econômico, o seu modelo, a santidade do mercado como regra e dogma da economia.
Certo que emudeceram por uns meses, mas não perderam a voz. Podem ser e são, a cada dia mais, pregoeiros dos falsos milagres a que antes me referi. Nada diziam, no final do ano passado, quando o país se esvaía com a saída dos dólares dos investidores estrangeiros - livres, como eles diziam ser um “mandamento” do mercado. Tiraram do Brasil, entre setembro e dezembro de 2008, US$ 14 bilhões, afundaram quase 30% nossa moeda, arruinaram em quase um milhão o número de empregos dos brasileiros.
Tudo sem a menor cerimônia. Não fugiram daqui porque o Brasil tivesse tomado medidas protecionistas, criado impostos, estatizado setores da economia. Nada disso. Fugiram daqui seguindo a única lógica que conhecem, que é intrínseca à sua própria natureza: a conveniência dos lucros e dos negócios. A mesma lógica que os faz correr para cá, agora. Perde tempo quem quiser “catequizar” o capital. Ele pode ser disciplinado, mas não “convertido”.
Creio que esse momento foi um ponto de inflexão no Governo Lula. Ao contrário do que diz Fernando Henrique Cardoso, Lula não é um ignorante. Pode ter muitos defeitos, não esse. Ele percebeu que as forças às quais ele próprio, para escapar da força irresistível do “pensamento único”, cedera e concedera muito, se arruinavam.
Essa força é mais significativa ainda porque ela impregnou fortemente o PT, desde a sua fundação. O partido sempre foi adepto de uma visão que era uma espécie de olhar invertido - sentido inverso, mas mesma direção - da “liberdade empresarial”. Se, no mundo das empresas, que vençam os mais fortes, mais organizados e os que estiverem para onde o mercado flui, o PT cansou de reproduzir os mesmos conceitos em relação aos trabalhadores e à questão social: o Estado deveria interferir o mínimo, eram as organizações de trabalhadores que iriam conquistar salário e vida melhores.
Sem querem me estender muito, porque não é meu tema nem minha índole ficar remoendo o passado, por quantos anos trataram com desdém valores como nacionalismo, como a legislação trabalhista, como a personificação da vontade nacional numa figura política? Ia tudo para o “saco” do mesmo populismo que as elites afetadas - de O Globo a Fernando Henrique - diziam que era arcaico e de inspiração fascista.
Nada como os fatos, porém, para mudar a visão preconceituosa e primária e começar a entender a história muito além das teorias acadêmicas das elites. Imaginem como, há dez anos atrás, os intelectual petistas se revoltariam ao ler o que escreveu Emir Sader, em seu blog, para defender Lula dos ataques de Fernando Henrique Cardoso?
“Perón, Getúlio e Lula têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.”
Lula, que ninguém deixe de considerar isso, é um sobrevivente. Percebeu que ali estava sua chance de diferenciar-se e diferenciar o Brasil. Todos os ridicularizaram quando ele falou em “marolinha”, tratando-o como se fosse um tolo, um idiota. Qual nada: como disse, de tolo Lula não tem nada.
Lula sentiu que era hora de fazer o contrário do receituário que o neoliberalismo sempre mandou seguir contra as crises: arrochar gastos públicos, arrochar salários, reprimir o consumo. Fez o contrário.
Isso não é esquerdismo ou anticapitalismo. É apenas antineoliberalismo, e não é novo. Foi o remédio “herético” que Roosevelt e Keynes usaram para tirar os EUA da Grande Depressão, nos anos 30. Volto a citar Emir Sader:
“Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economias na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.”
Não se está comparando pessoas - antes que me venham com subjetividades sobre a natureza de cada um deles e de Lula -, mas situações. Elas são muito mais importantes que os homens, embora eles sejam decisivos nos momentos agudos. Mas é curioso notar que todos seguiriam a política da moderação, da composição com a direita, dos pactos de governabilidade se não fosse - e como foi e é! - mesquinha, furiosa, intransigente e egoísta a nossa elite. E mais: como ela é incapaz de aceitar que o povo faça parte - mesmo que não seja o protagonista - da vida deste país.Aliás, o próprio país e seu povo não passam de uma mercadoria a ser vendida.
Desculpem se me estendo (vou tratar do discurso do terror em outro post) antes de explicar o título desta postagem. O que motivou esta reflexão foi o tom que o discurso de Lula - e ontem, no Congresso do PC do B - também o de Dilma Roussef (leia aqui a matéria no site do partido) vai assumindo a cada dia.
Os tempos do “Lulinha Paz e Amor” se foram. Os marqueteiros, agora, passarão a se ocupar de tentar “conter os danos” do enfrentamento que virá. E virá de forma dura, aguda, passional.
Faz algum tempo que venho afirmando isso, aqui no blog. As próximas eleições não serão, como pretende a direita, uma comparação de currículos, nem de simpatia pessoal, nem de “competência”. Nem mesmo será um concurso para ver quem apresenta um projeto melhor ou mais simpático para o Brasil.
O que está em jogo não é se o país precisa de uma mudança neste ou naquele sentido. A disputa eleitoral é sobre se a mudança que está em curso - não importa se nos desagrade a velocidade ou a profundidade que ela tem - vai continuar ou vamos retroceder.
Esta questão é mais importante que as pessoas, como indivíduos. Mais relevante que nossas queixas, mágoas, críticas, senões. É o nosso povo e o nosso país que estão em jogo. Vamos assistir, e logo, uma crescente polarização. Isso não quer dizer que percamos nossa identidade, nossa independência de análise e de ação, muito menos nossa admiração e simpatia por pessoas, dentro ou fora do PDT, que acham ser possível, de forma isolada do processo social, imprimir uma inflexão à esquerda nesta mudança.
O essencial, porém, é perceber por onde caminha o povo brasileiro,aquilo que Leonel Brizola chamava de “o processo social”. Perceber quer dizer agir sem pretensão de sermos os “doutos”, que sabemos melhor que o povo para onde e como caminhar. Esta é a pretensão da direita e, por extensão, leva a este campo quem se crê capaz de dar lições ao nosso povo.
Há um processo em curso e não serão muitos os dias que ele levará até expressar-se de maneira crua. E que vai exigir de nós uma definição muito clara, sem vacilações. Mas também ela, a definição, só será correta, sábia e justa se inspirar-se em tal processo social.
Aí está o exercício de sabedoria política que, este sim, precisamos ter. Se estivermos ao lado do povo - não da eventual simpatia de marketing, mas dos seus sentimentos profundos, na hora das decisões históricas - estaremos do lado certo. Do contrário, ficaremos à margem. Pouco importaria, se fosse apenas isso. Mas isso implicaria na deserção de uma luta que juramos travar pelo povo brasileiro.
Blog "Tijolaço" do Brizola Neto.
POR QUE LULA E O POVO SE ENTENDEM TÃO BEM....
Cidade Copacabana - JBlog - Jornal do Brasil
Andre Balocco
Foi apenas um trailer, mas o suficiente para que eu me emocionasse. Ali, na telona, diante de mim, estava a saga de um brasileiro. Nordestino, retirante, semi-analfabeto, com o pai alcoólatra, criado junto a uma multidão de irmãos pela mãe, que suava bicas para manter a dignidade da família. E aquele homem ali retratado foi, pouco a pouco, subindo na vida, desafiando o sistema e se impondo. Não, não estou falando dos milhões de Severinos que inundaram as cidades grandes com sua mão de obra barata e deram sustento ao milagre econômico da ditadura no 'Sul Maravilha', como Henfil bem denominou os 'paraíbas' e 'baianos' que por aqui aportaram. Estou falando de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Brasil.
É inegável que sua trajetória de vida - sem entrar no mérito da política - é extremamente representativa. Senão, vejamos a identificação deste homem com o povo brasileiro.
Seu pai aparece, no breve resumo de 'Lula, o filho do Brasil', como um alcoólatra que ignora a esposa e ameaça bater nos filhos. Qualquer semelhança com os jovens que abarrotam as senzalas modernas de hoje em dia (ou favelas, se preferirem) não é mera coincidência...
Sua mãe tem de criar os filhos sozinhos e, guerreira que é, os enfiou num pau de arara para, em São Paulo, lavar roupa e fazer trabalho de doméstica. Se identifica? Lembra daquela 'paraíba' que sequer sabia falar e que fazia aqueles pasteizinhos maravilhosos em sua casa...
Sua única chance de trabalho, já que sua escolaridade é baixa, reside em entrar numa das escolas que a indústria (ainda) mantém para formar mão de obra com um mínimo de especialização para manusear seus equipamentos...
No trabalho, sofre um acidente e tem de se aposentar por invalidade. Ainda não se identificou? Lembra-se daqueles homens que ficam deitados, estirados nas ruas pedindo dinheiro? Pois é...
Mas Lula não se acomodou com o destino medíocre. Contra tudo e contra todos, desafiou a Ditadura, pôs a cara a tapa, paralisou o ABC e fez os militares ruirem de podre. Sem pegar numa única arma!
Estou ansioso pela estreia deste filme. Cansei de ver a saga de herois norte-americanos, louros e brancos de olhos azuis, incapazes de gerirem a fome - seja ele de alimentos, de cultura, de vida.
Quero assistir a Lula, quero assitir a um brasileiro!
Fonte:JBonline
Andre Balocco
Foi apenas um trailer, mas o suficiente para que eu me emocionasse. Ali, na telona, diante de mim, estava a saga de um brasileiro. Nordestino, retirante, semi-analfabeto, com o pai alcoólatra, criado junto a uma multidão de irmãos pela mãe, que suava bicas para manter a dignidade da família. E aquele homem ali retratado foi, pouco a pouco, subindo na vida, desafiando o sistema e se impondo. Não, não estou falando dos milhões de Severinos que inundaram as cidades grandes com sua mão de obra barata e deram sustento ao milagre econômico da ditadura no 'Sul Maravilha', como Henfil bem denominou os 'paraíbas' e 'baianos' que por aqui aportaram. Estou falando de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Brasil.
É inegável que sua trajetória de vida - sem entrar no mérito da política - é extremamente representativa. Senão, vejamos a identificação deste homem com o povo brasileiro.
Seu pai aparece, no breve resumo de 'Lula, o filho do Brasil', como um alcoólatra que ignora a esposa e ameaça bater nos filhos. Qualquer semelhança com os jovens que abarrotam as senzalas modernas de hoje em dia (ou favelas, se preferirem) não é mera coincidência...
Sua mãe tem de criar os filhos sozinhos e, guerreira que é, os enfiou num pau de arara para, em São Paulo, lavar roupa e fazer trabalho de doméstica. Se identifica? Lembra daquela 'paraíba' que sequer sabia falar e que fazia aqueles pasteizinhos maravilhosos em sua casa...
Sua única chance de trabalho, já que sua escolaridade é baixa, reside em entrar numa das escolas que a indústria (ainda) mantém para formar mão de obra com um mínimo de especialização para manusear seus equipamentos...
No trabalho, sofre um acidente e tem de se aposentar por invalidade. Ainda não se identificou? Lembra-se daqueles homens que ficam deitados, estirados nas ruas pedindo dinheiro? Pois é...
Mas Lula não se acomodou com o destino medíocre. Contra tudo e contra todos, desafiou a Ditadura, pôs a cara a tapa, paralisou o ABC e fez os militares ruirem de podre. Sem pegar numa única arma!
Estou ansioso pela estreia deste filme. Cansei de ver a saga de herois norte-americanos, louros e brancos de olhos azuis, incapazes de gerirem a fome - seja ele de alimentos, de cultura, de vida.
Quero assistir a Lula, quero assitir a um brasileiro!
Fonte:JBonline
POLÍTICA - Dilma diz que "forças do passado" fazem queixumes, resmungos e lamúrias.
Eu que acompanhei as manobras da direita para destruir os governos Vargas, JK e Jango,tenho que concordar com a Dilma quando fala em "forças do passado".
Carlos Dória
por Luiz Carlos Azenha no blog "Vi o Mundo".
O Viomundo sugeriu ao presidente Lula e à ministra Dilma Rousseff que identificassem Fernando Henrique Cardoso como um homem do século 20, com ideias do século 20, defensor de um capitalismo para poucos. Um homem do passado.
Em outras palavras, acreditamos que o governo não deve repetir a batalha ideológica que vem sendo travada desde os anos 60, entre esquerda e direita. Convenhamos, o governo Lula é uma coalizão centrista e como tal deve se apresentar. Deve falar aos eleitores sobre coisas concretas: banheiro com privada, melhoria do acesso à saúde e educação, oportunidades de emprego, melhoria salarial, projetos sociais para fortalecer o mercado interno, agricultura familiar, etc. Deve articular a ideia de que os projetos sociais melhoram o mercado interno, o que é bom para todos os brasileiros: mais gente comprando é mais gente produzindo. Chamem de capitalismo solidário, capitalismo do século 21, capitalismo para todos. A nomenclatura pouco importa.
Importa articular a ideia de que existe uma grande diferença entre um projeto político includente e outro, excludente.
Apesar de não ser exatamente uma novata, Dilma Rousseff pode se apresentar, sim, como candidata da renovação, por ser a primeira mulher com chances de chegar ao Planalto. José Serra e FHC, do outro lado, se encaixam perfeitamente -- no campo da imagem -- na ideia de forças do passado. Se o candidato tucano fosse Aécio Neves, as coisas seriam diferentes:
Lula critica FHC e Dilma diz que ‘forças do passado são patéticas’
por Maria Angélica Oliveira
Do G1, em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas à oposição e, em especial, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesta sexta-feira (6). Além disso, Lula voltou a defender a candidatura da ministra Dilma Roussef à presidência em 2010.
"O Fernando Henrique Cardoso eu tenho uma convicção absoluta de que ele tinha certeza absoluta de que nós seríamos um fracasso e que ele poderia voltar por conta do meu fracasso. É isso que magoa. Eu lamento, porque o mundo não deveria ser assim. A gente quando perde uma coisa a gente tem que torcer para o outro fazer", afirmou, durante o 12º Congresso do PC do B, em São Paulo.
A fala do presidente foi interpretada como uma resposta a artigo escrito por FHC e publicado no último domingo (1) nos principais jornais do país, em que o ex-presidente criticou o governo Lula e pediu o 'fim do continuísmo'.
Num discurso que durou uma hora, ele mostrou um recorte de jornal com uma reportagem cujo título era, segundo ele, “Contra Lula, PSDB treina cabos eleitorais no Nordeste.
“É um pouco do que Hitler fazia para os alemães pegarem os judeus, ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam. (...) Fiquei com pena. (...) Vão encontrar gente do PT, do PC do B, da CUT, do MST. Acho que vão se dar mal”, disse.
Em nota, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que Lula age como um "psiquiatra", que interpreta sentimentos alheios. FHC disse que sempre torceu, porque ama o Brasil, que o governo Lula desse certo e, para isso, preparou uma transição "suave".
Em outro momento, Lula defendeu o nome da ministra Dilma Rousseff para “consagrar a continuidade”. Ele disse sentir “uma certa tristeza” porque “vai ser a primeira eleição para a Presidência da República que meu nome não vai estar na cédula”. “Vai ter um vazio. Na minha cabeça, vai ter um vazio. Por isso, depois dele, a Dilma, para gente poder consagrar a continuidade de um projeto. Preste atenção porque essa coisa é muito séria. Quem é prefeito ou governador sabe que um estranho no ninho pode desmontar tudo o que foi feito em apenas dois anos”.
'Patéticos'
Ao lado de Lula e diante de ministros e lideranças de partidos da base aliada, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada como possível candidata do PT ao Palácio do Planalto, afirmou que “forças do passado” usam “velhas táticas” para tentar fragmentar a base aliada do governo e que “são patéticas ao tentar confundir as pessoas”.
“Os que vão fazer o Brasil avançar não serão aqueles que imobilizaram num modelo neoliberal este país por tantos anos, forças do passado que mais uma vez tentam se organizar e que usam as mesmas velhas táticas. Pensam ser astutos ao tentar fragmentar a base aliada do governo Lula por meio de crises artificiais. São patéticos ao tentar confundir as pessoas ao dizer que nossos modelos são parecidos, nossa política econômica é a mesma. São patéticos quando afirmam que o Bolsa Família é a continuidade do Vale Gás e do Bolsa Escola”.
"Eles reiteradamente se esqueceram do povo, dilapidaram o patrimônio público com privatizações. Ele não tem moral para falar de nós", referindo-se ao ex-presidente e a seu partido, o PSDB. A ministra disse ainda identificar por parte dos opositores "queixumes, resmungos e lamúrias", além de ´excesso de vaidade´e falta de rumo.
Antes de discursar, Dilma foi saudada como “futura presidente da República” pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT), e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).
Na mesa com Lula e Dilma, estavam também os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Orlando Silva (Esportes), Tarso Genro (Justiça), Paulo Vanucchi (Direitos Humanos), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), lideranças do PC do B e deputados do PSB e PDT, que falaram em nome de seus partidos.
A ministra afirmou ainda que o povo brasileiro “sabe comparar”. “O povo brasileiro sabe comparar. Pensa, reflete e decide muito bem. (...) O povo brasileiro vai saber comparar um país que está vencendo a crise, que consolidou a participação dos movimentos sociais, um país que quebrou mitos, que soube criar uma fórmula que permite distribuir renda e crescer.”
(Com informações do Jornal da Globo e da Agência Estado)
Carlos Dória
por Luiz Carlos Azenha no blog "Vi o Mundo".
O Viomundo sugeriu ao presidente Lula e à ministra Dilma Rousseff que identificassem Fernando Henrique Cardoso como um homem do século 20, com ideias do século 20, defensor de um capitalismo para poucos. Um homem do passado.
Em outras palavras, acreditamos que o governo não deve repetir a batalha ideológica que vem sendo travada desde os anos 60, entre esquerda e direita. Convenhamos, o governo Lula é uma coalizão centrista e como tal deve se apresentar. Deve falar aos eleitores sobre coisas concretas: banheiro com privada, melhoria do acesso à saúde e educação, oportunidades de emprego, melhoria salarial, projetos sociais para fortalecer o mercado interno, agricultura familiar, etc. Deve articular a ideia de que os projetos sociais melhoram o mercado interno, o que é bom para todos os brasileiros: mais gente comprando é mais gente produzindo. Chamem de capitalismo solidário, capitalismo do século 21, capitalismo para todos. A nomenclatura pouco importa.
Importa articular a ideia de que existe uma grande diferença entre um projeto político includente e outro, excludente.
Apesar de não ser exatamente uma novata, Dilma Rousseff pode se apresentar, sim, como candidata da renovação, por ser a primeira mulher com chances de chegar ao Planalto. José Serra e FHC, do outro lado, se encaixam perfeitamente -- no campo da imagem -- na ideia de forças do passado. Se o candidato tucano fosse Aécio Neves, as coisas seriam diferentes:
Lula critica FHC e Dilma diz que ‘forças do passado são patéticas’
por Maria Angélica Oliveira
Do G1, em São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas à oposição e, em especial, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesta sexta-feira (6). Além disso, Lula voltou a defender a candidatura da ministra Dilma Roussef à presidência em 2010.
"O Fernando Henrique Cardoso eu tenho uma convicção absoluta de que ele tinha certeza absoluta de que nós seríamos um fracasso e que ele poderia voltar por conta do meu fracasso. É isso que magoa. Eu lamento, porque o mundo não deveria ser assim. A gente quando perde uma coisa a gente tem que torcer para o outro fazer", afirmou, durante o 12º Congresso do PC do B, em São Paulo.
A fala do presidente foi interpretada como uma resposta a artigo escrito por FHC e publicado no último domingo (1) nos principais jornais do país, em que o ex-presidente criticou o governo Lula e pediu o 'fim do continuísmo'.
Num discurso que durou uma hora, ele mostrou um recorte de jornal com uma reportagem cujo título era, segundo ele, “Contra Lula, PSDB treina cabos eleitorais no Nordeste.
“É um pouco do que Hitler fazia para os alemães pegarem os judeus, ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam. (...) Fiquei com pena. (...) Vão encontrar gente do PT, do PC do B, da CUT, do MST. Acho que vão se dar mal”, disse.
Em nota, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que Lula age como um "psiquiatra", que interpreta sentimentos alheios. FHC disse que sempre torceu, porque ama o Brasil, que o governo Lula desse certo e, para isso, preparou uma transição "suave".
Em outro momento, Lula defendeu o nome da ministra Dilma Rousseff para “consagrar a continuidade”. Ele disse sentir “uma certa tristeza” porque “vai ser a primeira eleição para a Presidência da República que meu nome não vai estar na cédula”. “Vai ter um vazio. Na minha cabeça, vai ter um vazio. Por isso, depois dele, a Dilma, para gente poder consagrar a continuidade de um projeto. Preste atenção porque essa coisa é muito séria. Quem é prefeito ou governador sabe que um estranho no ninho pode desmontar tudo o que foi feito em apenas dois anos”.
'Patéticos'
Ao lado de Lula e diante de ministros e lideranças de partidos da base aliada, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada como possível candidata do PT ao Palácio do Planalto, afirmou que “forças do passado” usam “velhas táticas” para tentar fragmentar a base aliada do governo e que “são patéticas ao tentar confundir as pessoas”.
“Os que vão fazer o Brasil avançar não serão aqueles que imobilizaram num modelo neoliberal este país por tantos anos, forças do passado que mais uma vez tentam se organizar e que usam as mesmas velhas táticas. Pensam ser astutos ao tentar fragmentar a base aliada do governo Lula por meio de crises artificiais. São patéticos ao tentar confundir as pessoas ao dizer que nossos modelos são parecidos, nossa política econômica é a mesma. São patéticos quando afirmam que o Bolsa Família é a continuidade do Vale Gás e do Bolsa Escola”.
"Eles reiteradamente se esqueceram do povo, dilapidaram o patrimônio público com privatizações. Ele não tem moral para falar de nós", referindo-se ao ex-presidente e a seu partido, o PSDB. A ministra disse ainda identificar por parte dos opositores "queixumes, resmungos e lamúrias", além de ´excesso de vaidade´e falta de rumo.
Antes de discursar, Dilma foi saudada como “futura presidente da República” pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT), e pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).
Na mesa com Lula e Dilma, estavam também os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Orlando Silva (Esportes), Tarso Genro (Justiça), Paulo Vanucchi (Direitos Humanos), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), lideranças do PC do B e deputados do PSB e PDT, que falaram em nome de seus partidos.
A ministra afirmou ainda que o povo brasileiro “sabe comparar”. “O povo brasileiro sabe comparar. Pensa, reflete e decide muito bem. (...) O povo brasileiro vai saber comparar um país que está vencendo a crise, que consolidou a participação dos movimentos sociais, um país que quebrou mitos, que soube criar uma fórmula que permite distribuir renda e crescer.”
(Com informações do Jornal da Globo e da Agência Estado)
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
ANOS DE CHUMBO - Carlos:mulato, baiano, comunista, brasileiro.
Carlos: mulato, baiano, comunista, brasileiro
Os 40 anos passados desde sua morte na luta revolucionária de resistência à ditadura, só multiplicaram a imagem de Carlos Marighella, como dirigente revolucionário brasileiro e latinoamericano. Identificado com os projetos revolucionários de libertação da América Latina desde a década de 30, teve um protagonismo central nos momentos mais difíceis vividos pelo PCB depois do golpe de 1964, quando debateu as razões do golpe e os novos horizontes de luta da esquerda brasileira. O artigo é de Emir Sader.
Emir Sader
Carlos é o protótipo do brasileiro. Amado na sua Bahia, com quem o povo baiano se identifica, como se identifica com Caimmy, com a Menininha do Gantuá, com tudo o que é expressão genuína daquelas terras tão brasileiras.
Filho de uma negra escrava, Maria Rita, linda, com pai de origem italiana, Augusto, Carlos é uma das expressões mais genuínas da mestiçagem do povo brasileiro. As conversas com os vizinhos da casa modesta onde nasceu e cresceu, em Salvador, as fotos com os colegas de escola, com os amigos, revelam o mulato sestroso, conversador, gentil, sensível, típico dos bairros populares da velha São Salvador.
Como quem chegou à adolescencia naqueles anos-chave da década de 30, Carlos se identificou profundamente com os projetos revolucionarios da década, antes de tudo com a lideranca de Prestes no PCB, depois da aventura extraordinaria da Coluna. Viveu Carlos aí a primeira grande experiência, que o marcaria pelo resto da vida, consolidando nele a opção revolucionária.
Não protagonizou com sua participação os grandes debates no seio do PC ao longo das décadas seguintes. Seu protagonismo ficou reservado para os momentos mais difíceis vividos pelo Partido, logo depois do golpe de 1964. Já sua resistência à prisao na Cinelândia, no Rio, poucos días depois do golpe, demonstrava a atitude de rebeldia e de resistência que Carlos imprimiria à sua atitude e à que convocava aos brasileiros.
Dessa vez Carlos foi o principal protagonista dos debates internos do PCB, sobre as razões do golpe e os novos horizontes de luta da esquerda brasileira. Ele se identificou de forma direta com a dinâmica proposta pela Revolução Cubana, que aparecia como uma alternativa real para os países em que as elites dominantes apelavam para a ditadura, diante das ameaças dos movimentos populares, optando pelo projeto norteamericano da Doutrina de Segurança Nacional.
Carlos conclamou a resistência a aderir ao projeto da luta armada, sob a forma da guerra de guerrilhas, rompendo assim com o PCB e fundando a ALN. Junto com a VPR, dirigida por Carlos Lamarca, protagonizaram a versão mais radical da resistência clandestina à ditadura militar, de que o espetacular sequestro do embaixador dos EUA – com a libertação de 15 militantes da resistência e a leitura de declaração contra a ditadura em cadeia nacional de rádio e televisão – foi uma de suas mais expressivas manifestações.
Os 40 anos passados desde sua morte na luta revolucionária de resistência à ditadura, só multiplicaram a imagem de Carlos, como dirigente revolucionário brasileiro e latinoamericano. Carlos, mulato, baiano, comunista, brasileiro.
Agência Carta Maior.
Os 40 anos passados desde sua morte na luta revolucionária de resistência à ditadura, só multiplicaram a imagem de Carlos Marighella, como dirigente revolucionário brasileiro e latinoamericano. Identificado com os projetos revolucionários de libertação da América Latina desde a década de 30, teve um protagonismo central nos momentos mais difíceis vividos pelo PCB depois do golpe de 1964, quando debateu as razões do golpe e os novos horizontes de luta da esquerda brasileira. O artigo é de Emir Sader.
Emir Sader
Carlos é o protótipo do brasileiro. Amado na sua Bahia, com quem o povo baiano se identifica, como se identifica com Caimmy, com a Menininha do Gantuá, com tudo o que é expressão genuína daquelas terras tão brasileiras.
Filho de uma negra escrava, Maria Rita, linda, com pai de origem italiana, Augusto, Carlos é uma das expressões mais genuínas da mestiçagem do povo brasileiro. As conversas com os vizinhos da casa modesta onde nasceu e cresceu, em Salvador, as fotos com os colegas de escola, com os amigos, revelam o mulato sestroso, conversador, gentil, sensível, típico dos bairros populares da velha São Salvador.
Como quem chegou à adolescencia naqueles anos-chave da década de 30, Carlos se identificou profundamente com os projetos revolucionarios da década, antes de tudo com a lideranca de Prestes no PCB, depois da aventura extraordinaria da Coluna. Viveu Carlos aí a primeira grande experiência, que o marcaria pelo resto da vida, consolidando nele a opção revolucionária.
Não protagonizou com sua participação os grandes debates no seio do PC ao longo das décadas seguintes. Seu protagonismo ficou reservado para os momentos mais difíceis vividos pelo Partido, logo depois do golpe de 1964. Já sua resistência à prisao na Cinelândia, no Rio, poucos días depois do golpe, demonstrava a atitude de rebeldia e de resistência que Carlos imprimiria à sua atitude e à que convocava aos brasileiros.
Dessa vez Carlos foi o principal protagonista dos debates internos do PCB, sobre as razões do golpe e os novos horizontes de luta da esquerda brasileira. Ele se identificou de forma direta com a dinâmica proposta pela Revolução Cubana, que aparecia como uma alternativa real para os países em que as elites dominantes apelavam para a ditadura, diante das ameaças dos movimentos populares, optando pelo projeto norteamericano da Doutrina de Segurança Nacional.
Carlos conclamou a resistência a aderir ao projeto da luta armada, sob a forma da guerra de guerrilhas, rompendo assim com o PCB e fundando a ALN. Junto com a VPR, dirigida por Carlos Lamarca, protagonizaram a versão mais radical da resistência clandestina à ditadura militar, de que o espetacular sequestro do embaixador dos EUA – com a libertação de 15 militantes da resistência e a leitura de declaração contra a ditadura em cadeia nacional de rádio e televisão – foi uma de suas mais expressivas manifestações.
Os 40 anos passados desde sua morte na luta revolucionária de resistência à ditadura, só multiplicaram a imagem de Carlos, como dirigente revolucionário brasileiro e latinoamericano. Carlos, mulato, baiano, comunista, brasileiro.
Agência Carta Maior.
HONDURAS -O golpe do golpista.
Do blog "Tijolaço" do Brizola Neto.
Inacreditável e certamente fadada a provocar nova crise internacional a decisão do chefe do governo golpista de Honduras de dar um “golpe” no acordo firmado há pouco mais de dez dias com o emissário americano Thomas Shannon. O acordo, divulgado para o mundo, previa a volta do presidente eleito Manoel Zelaya ao governo, continuidade dos processos judiciais que se movem contra ele e realização de eleições para presidente - tudo sob observação internacional. Segundo o cronograma do acordo Tegucigalpa-San José, firmado na sexta-feira passada sob mediação do Departamento de Estado norte-americano - um governo de unidade nacional deveria ser estabelecido até meia-noite de quinta-feira (horário local, 4h de sexta-feira em Brasília) sob vigilância de uma Comissão de Verificação, composta por dois representantes internacionais e dois locais.
Michelleti agora diz que não sai do Governo, que a decisão sobre a volta de Zelaya ao governo fica para não se sabe quando e que vai formar um governo de “unidade nacional”.
A Frente de Resistência Contra o Golpe em Honduras anunciou que caso o presidente deposto, Manuel Zelaya, não fosse restituído até a meia-noite desta quinta-feira (horário local, 4h de sexta-feira em Brasília), chamarão a população a não participar nas eleições do próximo dia 29 de novembro.
A Frente acusa a Organização de Estados Americanos (OEA) e o governo dos Estados Unidos de “cúmplices do golpe de Estado militar” e convocam a comunidade internacional a manter a posição de “não legitimar” do processo eleitoral . Brasil e a maioria dos países da América Latina afirmam que não reconhecerão o resultado das eleiçõe se Zelaya não for restituído.
Inacreditável e certamente fadada a provocar nova crise internacional a decisão do chefe do governo golpista de Honduras de dar um “golpe” no acordo firmado há pouco mais de dez dias com o emissário americano Thomas Shannon. O acordo, divulgado para o mundo, previa a volta do presidente eleito Manoel Zelaya ao governo, continuidade dos processos judiciais que se movem contra ele e realização de eleições para presidente - tudo sob observação internacional. Segundo o cronograma do acordo Tegucigalpa-San José, firmado na sexta-feira passada sob mediação do Departamento de Estado norte-americano - um governo de unidade nacional deveria ser estabelecido até meia-noite de quinta-feira (horário local, 4h de sexta-feira em Brasília) sob vigilância de uma Comissão de Verificação, composta por dois representantes internacionais e dois locais.
Michelleti agora diz que não sai do Governo, que a decisão sobre a volta de Zelaya ao governo fica para não se sabe quando e que vai formar um governo de “unidade nacional”.
A Frente de Resistência Contra o Golpe em Honduras anunciou que caso o presidente deposto, Manuel Zelaya, não fosse restituído até a meia-noite desta quinta-feira (horário local, 4h de sexta-feira em Brasília), chamarão a população a não participar nas eleições do próximo dia 29 de novembro.
A Frente acusa a Organização de Estados Americanos (OEA) e o governo dos Estados Unidos de “cúmplices do golpe de Estado militar” e convocam a comunidade internacional a manter a posição de “não legitimar” do processo eleitoral . Brasil e a maioria dos países da América Latina afirmam que não reconhecerão o resultado das eleiçõe se Zelaya não for restituído.
CUBA - O Brasil incrementa investimentos em Cuba.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Miguel Jorge, anunciou novos investimentos de seu país em Cuba e expressou à imprensa credenciada na Fihav 2009, que "as relações com a Ilha são ótimas, nunca antes estiveram melhor que agora".
Informou que em meados de dezembro próximo como parte da colaboração entre as duas nações, começará na Ilha a montagem de uma fábrica de vidros planos com areia sílice cubana, especial para este tipo de produção.
Os projetos incluem uma fábrica de latas (para cervejas, refrigerantes e sucos) e a modernização de outra para o mesmo fim, com o objetivo de susbstituir importações na Ilha, que atualmente é obrigada a comprar no exterior 96% de suas necessidades nesse setor.
Empresas farmacêuticas locais assinaram contratos com seus similares brasileiras e nos projetos também está incluída a instalação na nação sul-americana de uma fábrica de produtos farmacêuticos com tecnologia cubana.
O ministro brasileiro lembrou as operações conjuntas para construir um porto perto de Mariel, ao oeste de Havana, as quais ainda estão em fase inicial.
Petrobrás trabalha também com provas sísmicas no bloco que adquiriu em outubro passado na zona econômica exclusiva cubana no Golfo do México, para a exploração e prospecção de petróleo.
A Fihav comemorou o dia nacional do Viretnã e foi assinada uma carta de intenção para a montagem e comercialização em Cuba de caminhões, ônibus e veículos ligeiros, processo que inclue assessoria nos primeiros 200 equipamentos.
A Corporação Cimex S.A. assinou um convênio de exportação com a firma vietnamita What Thang Co. LTD, que inclui os produtos cubanos café Cubita, rum Varadero e Caney, frutas em conservas e outros produtos muito procurados no país asiático.
Blog do Velho Comunista.
Informou que em meados de dezembro próximo como parte da colaboração entre as duas nações, começará na Ilha a montagem de uma fábrica de vidros planos com areia sílice cubana, especial para este tipo de produção.
Os projetos incluem uma fábrica de latas (para cervejas, refrigerantes e sucos) e a modernização de outra para o mesmo fim, com o objetivo de susbstituir importações na Ilha, que atualmente é obrigada a comprar no exterior 96% de suas necessidades nesse setor.
Empresas farmacêuticas locais assinaram contratos com seus similares brasileiras e nos projetos também está incluída a instalação na nação sul-americana de uma fábrica de produtos farmacêuticos com tecnologia cubana.
O ministro brasileiro lembrou as operações conjuntas para construir um porto perto de Mariel, ao oeste de Havana, as quais ainda estão em fase inicial.
Petrobrás trabalha também com provas sísmicas no bloco que adquiriu em outubro passado na zona econômica exclusiva cubana no Golfo do México, para a exploração e prospecção de petróleo.
A Fihav comemorou o dia nacional do Viretnã e foi assinada uma carta de intenção para a montagem e comercialização em Cuba de caminhões, ônibus e veículos ligeiros, processo que inclue assessoria nos primeiros 200 equipamentos.
A Corporação Cimex S.A. assinou um convênio de exportação com a firma vietnamita What Thang Co. LTD, que inclui os produtos cubanos café Cubita, rum Varadero e Caney, frutas em conservas e outros produtos muito procurados no país asiático.
Blog do Velho Comunista.
ACORDO EUA-COLÔMBIA: sem os véus da alegoria.
Por Mauro Santayana
Não há como dissimular: o acordo militar dos Estados Unidos com a Colômbia tem o claro objetivo de proteger os interesses de Washington contra os governos “antiamericanos” da região. Assim, todos os governos do continente estão condenados a ser pró-americanos, ou sujeitos à punição militar imperial. Em suma, somos vassalos, ou corremos o risco de retaliações, se repelimos sua ingerência em nossa soberania. Desde que o mundo é mundo, os povos defendem seus próprios interesses diante dos estrangeiros, mesmo quando se aliam circunstancialmente contra terceiros, como nos casos de guerra, quando a trégua só dura enquanto prevalece a conveniência, e assim ocorreu na Segunda Guerra Mundial, com o acordo dos aliados com Moscou.
Segundo o senador Gustavo Petro, candidato de oposição a Uribe, o acordo é inconstitucional, uma vez que não foi aprovado pelo Senado. Conforme a Constituição da Colômbia (artigo 173, parágrafo 4), cabe ao Senado permitir o trânsito de tropas estrangeiras pelo território da República. Há mais, além do dispositivo lembrado por Petro. O artigo 224, da mesma Carta Política, determina que “los tratados, para su validez, deberán ser aprobados por el Congreso”. Como o documento foi assinado na semana passada, pelo chanceler colombiano e pelo embaixador dos Estados Unidos, não temos notícia de sua ratificação parlamentar.
A interpretação do Itamaraty é correta. Não só a Venezuela se encontra ameaçada. Todos os países da América do Sul se encontram sob o mesmo perigo. Enfim, segundo os Estados Unidos e o governo de Uribe, a incolumidade territorial e política dos países vizinhos será preservada, pero no mucho. Há outros pontos danosos no convênio. Um deles se refere à imunidade diplomática a ser concedida aos militares ianques estacionados na Colômbia. Essa inconcebível prerrogativa está sendo contestada pelos colombianos. Eles se recordam do caso de Jessika Beltrán, menina de 12 anos, estuprada pelo sargento Michael Cohen e o empreiteiro César Ruiz, ambos norte-americanos, que trabalhavam no Plano Colômbia. Os dois viajaram tranquilamente para os Estados Unidos e não foram levados aos tribunais, ainda que não gozassem de imunidade.
Não há como esconder a gravidade desse entendimento entre Washington e Bogotá, quando o relacionamos com outros fatos. Os incidentes fronteiriços entre a Colômbia e a Venezuela repetem episódios históricos conhecidos. Nada mais fácil do que provocar assassinatos nas fronteiras a fim de excitar o patriotismo natural dos povos e justificar, junto a terceiros, medidas militares de represália. Isso sempre ocorreu, e nisso foram mestres os alemães, na fronteira com a Polônia, e nos Sudetos. O assassinato de colombianos em território venezuelano e o assassinato de funcionários venezuelanos na faixa de fronteira são maus sinais do que pode ocorrer. Quando conhecemos como age a CIA, todas as suspeitas são procedentes. Na Itália, 22 agentes seus foram condenados à prisão, esta semana, pelo sequestro de um religioso muçulmano, transferido clandestinamente, em avião da agência, para uma prisão egípcia, onde foi torturado por “interrogadores” americanos. O juiz italiano condenou-os ainda a pagar a indenização de US$ 1,5 milhão ao religioso e à sua mulher. Escaparam da justiça seus chefes, protegidos pela imunidade diplomática. Temos, os brasileiros, que manter a calma e a prudência, mas reforçar as nossas fronteiras setentrionais. Não nos cabe intervir, a não ser diplomaticamente, no conflito fronteiriço. Mas é necessário que nos movamos, no continente, a fim de estabelecer posição comum em defesa da integridade territorial.
Além disso, há insistentes rumores de preparativos de golpe contra o presidente Lugo, no Paraguai. Os que conhecem história sabem como é difícil a construção democrática republicana em nossos países, e, especialmente, no Paraguai e na Bolívia, marcados pela presença de pequenos ditadores serviçais dos estrangeiros. Entre os dois países têm ocorrido, atualmente, pequenos incidentes fronteiriços. Foram provocações menores que conduziram à Guerra do Chaco, entre 1934 e 1937, que destruiu a economia e causou a morte de milhares de soldados das duas nações. Paraguaios e bolivianos, na verdade, estavam lutando no conflito de interesses de companhias petrolíferas internacionais, que disputavam as jazidas da área. A história sempre se repete, algumas vezes com os mesmos movimentos.
JB online
Não há como dissimular: o acordo militar dos Estados Unidos com a Colômbia tem o claro objetivo de proteger os interesses de Washington contra os governos “antiamericanos” da região. Assim, todos os governos do continente estão condenados a ser pró-americanos, ou sujeitos à punição militar imperial. Em suma, somos vassalos, ou corremos o risco de retaliações, se repelimos sua ingerência em nossa soberania. Desde que o mundo é mundo, os povos defendem seus próprios interesses diante dos estrangeiros, mesmo quando se aliam circunstancialmente contra terceiros, como nos casos de guerra, quando a trégua só dura enquanto prevalece a conveniência, e assim ocorreu na Segunda Guerra Mundial, com o acordo dos aliados com Moscou.
Segundo o senador Gustavo Petro, candidato de oposição a Uribe, o acordo é inconstitucional, uma vez que não foi aprovado pelo Senado. Conforme a Constituição da Colômbia (artigo 173, parágrafo 4), cabe ao Senado permitir o trânsito de tropas estrangeiras pelo território da República. Há mais, além do dispositivo lembrado por Petro. O artigo 224, da mesma Carta Política, determina que “los tratados, para su validez, deberán ser aprobados por el Congreso”. Como o documento foi assinado na semana passada, pelo chanceler colombiano e pelo embaixador dos Estados Unidos, não temos notícia de sua ratificação parlamentar.
A interpretação do Itamaraty é correta. Não só a Venezuela se encontra ameaçada. Todos os países da América do Sul se encontram sob o mesmo perigo. Enfim, segundo os Estados Unidos e o governo de Uribe, a incolumidade territorial e política dos países vizinhos será preservada, pero no mucho. Há outros pontos danosos no convênio. Um deles se refere à imunidade diplomática a ser concedida aos militares ianques estacionados na Colômbia. Essa inconcebível prerrogativa está sendo contestada pelos colombianos. Eles se recordam do caso de Jessika Beltrán, menina de 12 anos, estuprada pelo sargento Michael Cohen e o empreiteiro César Ruiz, ambos norte-americanos, que trabalhavam no Plano Colômbia. Os dois viajaram tranquilamente para os Estados Unidos e não foram levados aos tribunais, ainda que não gozassem de imunidade.
Não há como esconder a gravidade desse entendimento entre Washington e Bogotá, quando o relacionamos com outros fatos. Os incidentes fronteiriços entre a Colômbia e a Venezuela repetem episódios históricos conhecidos. Nada mais fácil do que provocar assassinatos nas fronteiras a fim de excitar o patriotismo natural dos povos e justificar, junto a terceiros, medidas militares de represália. Isso sempre ocorreu, e nisso foram mestres os alemães, na fronteira com a Polônia, e nos Sudetos. O assassinato de colombianos em território venezuelano e o assassinato de funcionários venezuelanos na faixa de fronteira são maus sinais do que pode ocorrer. Quando conhecemos como age a CIA, todas as suspeitas são procedentes. Na Itália, 22 agentes seus foram condenados à prisão, esta semana, pelo sequestro de um religioso muçulmano, transferido clandestinamente, em avião da agência, para uma prisão egípcia, onde foi torturado por “interrogadores” americanos. O juiz italiano condenou-os ainda a pagar a indenização de US$ 1,5 milhão ao religioso e à sua mulher. Escaparam da justiça seus chefes, protegidos pela imunidade diplomática. Temos, os brasileiros, que manter a calma e a prudência, mas reforçar as nossas fronteiras setentrionais. Não nos cabe intervir, a não ser diplomaticamente, no conflito fronteiriço. Mas é necessário que nos movamos, no continente, a fim de estabelecer posição comum em defesa da integridade territorial.
Além disso, há insistentes rumores de preparativos de golpe contra o presidente Lugo, no Paraguai. Os que conhecem história sabem como é difícil a construção democrática republicana em nossos países, e, especialmente, no Paraguai e na Bolívia, marcados pela presença de pequenos ditadores serviçais dos estrangeiros. Entre os dois países têm ocorrido, atualmente, pequenos incidentes fronteiriços. Foram provocações menores que conduziram à Guerra do Chaco, entre 1934 e 1937, que destruiu a economia e causou a morte de milhares de soldados das duas nações. Paraguaios e bolivianos, na verdade, estavam lutando no conflito de interesses de companhias petrolíferas internacionais, que disputavam as jazidas da área. A história sempre se repete, algumas vezes com os mesmos movimentos.
JB online
AFEGANISTÃO - A encruzilhada de Hamid Karzai.
As eleições afegãs acabaram, mas segundo a Economist, foi uma farsa. Muitos afegãos estão aliviados que não haverá segundo turno, por causa das ameaças do Talibã, a indiferença dos eleitores e a chegada do inverno.
Os ocidentais que lidam com a crise também estão aliviados, pois não haverá protestos pelos partidários de Abdullah por enquanto. Desde as eleições, que custaram RS$300 milhões e pioraram a crise do país, 170 soldados da OTAN foram mortos. Cada vez mais ocidentais perguntam por que seus compatriotas continuam morrendo para apoiar o corrupto Karzai.
Esta semana Karzai prometeu acabar com o estigma de corrupção e criar um governo que será o reflexo do Afeganistão. Karzai precisa nomear ministros competentes, substituir os bajuladores, processar oficiais corruptos e afastar seu irmão Ahmad Wali, acusado de envolvimento com drogas e de receber pagamentos da CIA. Com as reformas, talvez ele ainda seja lembrado como o pai do Afeganistão pós Talibã. Caso ele mantenha o seu estilo, pode se tornar um novo Najibullah, o último presidente comunista que abandonou Moscou e foi enforcado em 1996 em um poste de Cabul.
Fonte:Opinião e Notícia
Os ocidentais que lidam com a crise também estão aliviados, pois não haverá protestos pelos partidários de Abdullah por enquanto. Desde as eleições, que custaram RS$300 milhões e pioraram a crise do país, 170 soldados da OTAN foram mortos. Cada vez mais ocidentais perguntam por que seus compatriotas continuam morrendo para apoiar o corrupto Karzai.
Esta semana Karzai prometeu acabar com o estigma de corrupção e criar um governo que será o reflexo do Afeganistão. Karzai precisa nomear ministros competentes, substituir os bajuladores, processar oficiais corruptos e afastar seu irmão Ahmad Wali, acusado de envolvimento com drogas e de receber pagamentos da CIA. Com as reformas, talvez ele ainda seja lembrado como o pai do Afeganistão pós Talibã. Caso ele mantenha o seu estilo, pode se tornar um novo Najibullah, o último presidente comunista que abandonou Moscou e foi enforcado em 1996 em um poste de Cabul.
Fonte:Opinião e Notícia
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
BRASIL VIVE "REVOLUÇÃO SILENCIOSA", DIZ LULA EM LONDRES.
Rogerio Wassermann
Da BBC Brasil em Londres
Lula disse em Londres que Brasil passa por um momento 'quase mágico'
O Brasil vive uma "revolução silenciosa" com a recuperação da auto-estima da sociedade e está preparado para se tornar uma grande nação no século 21, afirmou nesta quinta-feira, em Londres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração foi feita durante um discurso a empresários e investidores no seminário "Investindo no Brasil", organizado em parceria pelos jornais Financial Times, da Grã-Bretanha, e Valor Econômico, do Brasil.
"Estamos vivendo um momento quase mágico", disse o presidente, após afirmar que o Brasil "cansou de ser o país do futuro" e não quer perder "nenhuma oportunidade" no século 21. "O século 21 é o século do Brasil", afirmou Lula.
O presidente defendeu que os programas sociais do governo e os avanços econômicos do país estão promovendo no país um "milagre da transformação", que ainda não estaria sendo medido pelos especialistas e pelos institutos de pesquisa.
Lula citou o caso de uma mulher que conheceu recentemente que tomou R$ 50 emprestados para fazer pastéis e vendê-los em uma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no ano passado e que hoje estaria servindo 400 refeições por dia na obra e já teria conseguido comprar um carro e uma moto.
"Ela me contou com orgulho que já tinha pago R$ 5 mil de imposto de renda", disse o presidente. "É fantástico que uma pessoa que há um ano e meio não tinha nem R$ 50 já tem um carro, uma motocicleta, um restaurante e já está pagando imposto."
Participação do Estado
Após falar à plateia sobre os ajustes realizados na economia no início de seu primeiro mandato presidencial, Lula disse que a crise serviu para mostrar que os países que tiveram uma maior participação do Estado sobre a economia sentiram menos os efeitos da crise.
"A classe política mundial precisa aprender que somos eleitos para governar, e estávamos habituados a pensar que não precisávamos governar porque o mercado resolveria tudo", disse Lula.
"O mercado pode resolver uma parte substancial das coisas do país, mas tem coisas que o mercado não consegue resolver, porque não é papel do mercado", acrescentou. "O mercado não faz política social, é o Estado que tem que fazer. O mercado não cria um programa como o Luz para Todos, ou o Bolsa Família, isso tem que ser política de Estado."
Lula sugeriu que a crise econômica mundial poderia ter sido evitada ou amenizada se o ex-presidente americano George W. Bush, no fim do seu mandato, "tivesse tido as informações corretas e tomado as decisões corretas" para evitar a quebra do banco Lehman Brothers.
"Possivelmente, teria custado muito menos que os bilhões de dólares que tivemos que colocar nos mercados depois que o Lehman Brothers quebrou", afirmou.
"Essa crise, que chegou muito forte depois da quebra do Lehman Brothers, não precisaria ter chegado a essa profundidade se os governantes tivessem tomado medidas corretas na hora certa. É para isso que existe governo", disse.
Lula afirmou que, quando é cobrado pelos altos lucros dos bancos no Brasil, responde que prefere que eles continuem ganhando muito dinheiro, porque "quando eles quebram, o prejuízo é infindável".
Refundação
Ao final de seu discurso, o presidente brasileiro voltou a defender uma maior participação dos países emergentes nos organismos econômicos internacionais como o FMI e o Banco Mundial para refletir melhor a nova ordem global.
"Estamos avançando na refundação das instituições de Bretton Woods, mas ainda falta muito para restaurar uma governança financeira forte e transparente", disse.
Para Lula"novas estruturas e regras devem refletir a emergência dos países em desenvolvimento como atores indispensáveis em um mundo cada vez mais interdependente".
O seminário sobre oportunidades de investimento no Brasil foi o principal evento da visita de dois dias de Lula a Londres.
Ainda na tarde desta quinta-feira, o presidente se encontraria em uma audiência privada com a rainha Elizabeth 2ª, no Palácio de Buckingham.
Antes de retornar a Brasília, à noite, o presidente recebe um prêmio concedido pela Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais) por seus esforços para a melhoria das relações entre os países da América Latina.
Fonte:BBC BRASIL
Da BBC Brasil em Londres
Lula disse em Londres que Brasil passa por um momento 'quase mágico'
O Brasil vive uma "revolução silenciosa" com a recuperação da auto-estima da sociedade e está preparado para se tornar uma grande nação no século 21, afirmou nesta quinta-feira, em Londres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração foi feita durante um discurso a empresários e investidores no seminário "Investindo no Brasil", organizado em parceria pelos jornais Financial Times, da Grã-Bretanha, e Valor Econômico, do Brasil.
"Estamos vivendo um momento quase mágico", disse o presidente, após afirmar que o Brasil "cansou de ser o país do futuro" e não quer perder "nenhuma oportunidade" no século 21. "O século 21 é o século do Brasil", afirmou Lula.
O presidente defendeu que os programas sociais do governo e os avanços econômicos do país estão promovendo no país um "milagre da transformação", que ainda não estaria sendo medido pelos especialistas e pelos institutos de pesquisa.
Lula citou o caso de uma mulher que conheceu recentemente que tomou R$ 50 emprestados para fazer pastéis e vendê-los em uma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no ano passado e que hoje estaria servindo 400 refeições por dia na obra e já teria conseguido comprar um carro e uma moto.
"Ela me contou com orgulho que já tinha pago R$ 5 mil de imposto de renda", disse o presidente. "É fantástico que uma pessoa que há um ano e meio não tinha nem R$ 50 já tem um carro, uma motocicleta, um restaurante e já está pagando imposto."
Participação do Estado
Após falar à plateia sobre os ajustes realizados na economia no início de seu primeiro mandato presidencial, Lula disse que a crise serviu para mostrar que os países que tiveram uma maior participação do Estado sobre a economia sentiram menos os efeitos da crise.
"A classe política mundial precisa aprender que somos eleitos para governar, e estávamos habituados a pensar que não precisávamos governar porque o mercado resolveria tudo", disse Lula.
"O mercado pode resolver uma parte substancial das coisas do país, mas tem coisas que o mercado não consegue resolver, porque não é papel do mercado", acrescentou. "O mercado não faz política social, é o Estado que tem que fazer. O mercado não cria um programa como o Luz para Todos, ou o Bolsa Família, isso tem que ser política de Estado."
Lula sugeriu que a crise econômica mundial poderia ter sido evitada ou amenizada se o ex-presidente americano George W. Bush, no fim do seu mandato, "tivesse tido as informações corretas e tomado as decisões corretas" para evitar a quebra do banco Lehman Brothers.
"Possivelmente, teria custado muito menos que os bilhões de dólares que tivemos que colocar nos mercados depois que o Lehman Brothers quebrou", afirmou.
"Essa crise, que chegou muito forte depois da quebra do Lehman Brothers, não precisaria ter chegado a essa profundidade se os governantes tivessem tomado medidas corretas na hora certa. É para isso que existe governo", disse.
Lula afirmou que, quando é cobrado pelos altos lucros dos bancos no Brasil, responde que prefere que eles continuem ganhando muito dinheiro, porque "quando eles quebram, o prejuízo é infindável".
Refundação
Ao final de seu discurso, o presidente brasileiro voltou a defender uma maior participação dos países emergentes nos organismos econômicos internacionais como o FMI e o Banco Mundial para refletir melhor a nova ordem global.
"Estamos avançando na refundação das instituições de Bretton Woods, mas ainda falta muito para restaurar uma governança financeira forte e transparente", disse.
Para Lula"novas estruturas e regras devem refletir a emergência dos países em desenvolvimento como atores indispensáveis em um mundo cada vez mais interdependente".
O seminário sobre oportunidades de investimento no Brasil foi o principal evento da visita de dois dias de Lula a Londres.
Ainda na tarde desta quinta-feira, o presidente se encontraria em uma audiência privada com a rainha Elizabeth 2ª, no Palácio de Buckingham.
Antes de retornar a Brasília, à noite, o presidente recebe um prêmio concedido pela Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais) por seus esforços para a melhoria das relações entre os países da América Latina.
Fonte:BBC BRASIL
LULA, SEGUNDO MENDONÇA DE BARROS.
Copiado do "blog do Nassif".
Por Calbercan
Em entrevista à revista Viver, de Belo Horizonte, o tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros rasga elogios ao governo Lula. E espeta FHC. Sobre sua ida ao Senado para responder sobre as acusações de ter beneficiado a Telemar, diz: “Eu tomei a decisão de ir ao Senado e aí inovei, porque ao invés de fugir, eu fui lá. Eu tive uma orientação do Fernando Henrique para viajar, sumir, mas eu quis enfrentar.”
Sobre a interferência do governo Lula em empresas privatizadas (outro ponto que FHC critica no seu famoso último artigo), diz: “Se é o custo que nós temos que pagar para o Lula manter a política macroeconômica, eu pago. Vamos nos preocupar com problemas gordos. Com alguns assuntos a gente não pode ser crircri e ficar questionando tudo”.
Sobre o pré-sal: “Se é partilha ou concessão, tem coisas boas e coisas ruins. Portanto não me preocupo muito”.
Diz mais: “Todo governo toma medidas que não precisavam ser tomadas, até para atender a base aliada”.
Sobre o PSDB: “Se você olhar bem o PSDB, ele é o partido da elite. A cara do PSDB é a cara da elite. Os tucanos têm medo de serem considerados populistas. ”
Sobre Lula: “Lula é populista e é a cara de 80% dos brasileiros. O Lula é o Brasil”.
Sobre o governo Lula:
“Numa sociedade de massa, pode-se dizer que 70% dos brasileiros são felizes gastando e consumindo, e a venda no varejo está crescendo 10, 12% ao ano”.
“Na economia moderna, o sujeito vota com o estômago e com o bolso. A vida desse pessoal melhorou muito”.
“Embora tenha usado o software pirata macroeconômico, ele introduziu as políticas sociais, como o aumento do Bolsa Família e principalmente o aumento real continuado do salário mínimo. Isso não fazia parte do software do Fernando Henrique. Lula tem o mérito de ter feito essa gambiarra (sic) social que funcionou muito bem de maneira que hoje o fruto do crescimento mexeu com 25 milhões de brasileiros que deram uma subida na escala social. Isso foi muito bom”.
Sobre os programas sociais do governo Lula: “Não tem volta atrás. O que o fez foi correr o risco de dar errado. Como deu certo, já está incorporado”.
Sobre o Serra: “O Serra tem uma posição difícil. Que discurso ele vai fazer? O PSDB dispersou”.
Ao contrário de FHC, ele não está vendo ameaças à ordem institucional no “lulismo”.
Comentário
Comparem o discurso do Luiz Carlos com o que este Blog vem dizendo há mais de três anos. Não apenas Mendonça de Barros, mas Luiz Carlos Bresser Pereira e outros que ajudaram a moldar o pensamento inicial do velho e extinto PSDB.
Só que, até algum tempo atrás, muitos recusavam-se a admitir esse quadro por medo do patrulhamento e dos ataques que sofreriam.
O grupo que cerca Serra, composto por bons quadros – como José Roberto Affonso e Luiz Carlos Vellozo Lucas – hoje em dia é desperdiçado com o radicalismo inútil e estéril do chefe.
Por Calbercan
Em entrevista à revista Viver, de Belo Horizonte, o tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros rasga elogios ao governo Lula. E espeta FHC. Sobre sua ida ao Senado para responder sobre as acusações de ter beneficiado a Telemar, diz: “Eu tomei a decisão de ir ao Senado e aí inovei, porque ao invés de fugir, eu fui lá. Eu tive uma orientação do Fernando Henrique para viajar, sumir, mas eu quis enfrentar.”
Sobre a interferência do governo Lula em empresas privatizadas (outro ponto que FHC critica no seu famoso último artigo), diz: “Se é o custo que nós temos que pagar para o Lula manter a política macroeconômica, eu pago. Vamos nos preocupar com problemas gordos. Com alguns assuntos a gente não pode ser crircri e ficar questionando tudo”.
Sobre o pré-sal: “Se é partilha ou concessão, tem coisas boas e coisas ruins. Portanto não me preocupo muito”.
Diz mais: “Todo governo toma medidas que não precisavam ser tomadas, até para atender a base aliada”.
Sobre o PSDB: “Se você olhar bem o PSDB, ele é o partido da elite. A cara do PSDB é a cara da elite. Os tucanos têm medo de serem considerados populistas. ”
Sobre Lula: “Lula é populista e é a cara de 80% dos brasileiros. O Lula é o Brasil”.
Sobre o governo Lula:
“Numa sociedade de massa, pode-se dizer que 70% dos brasileiros são felizes gastando e consumindo, e a venda no varejo está crescendo 10, 12% ao ano”.
“Na economia moderna, o sujeito vota com o estômago e com o bolso. A vida desse pessoal melhorou muito”.
“Embora tenha usado o software pirata macroeconômico, ele introduziu as políticas sociais, como o aumento do Bolsa Família e principalmente o aumento real continuado do salário mínimo. Isso não fazia parte do software do Fernando Henrique. Lula tem o mérito de ter feito essa gambiarra (sic) social que funcionou muito bem de maneira que hoje o fruto do crescimento mexeu com 25 milhões de brasileiros que deram uma subida na escala social. Isso foi muito bom”.
Sobre os programas sociais do governo Lula: “Não tem volta atrás. O que o fez foi correr o risco de dar errado. Como deu certo, já está incorporado”.
Sobre o Serra: “O Serra tem uma posição difícil. Que discurso ele vai fazer? O PSDB dispersou”.
Ao contrário de FHC, ele não está vendo ameaças à ordem institucional no “lulismo”.
Comentário
Comparem o discurso do Luiz Carlos com o que este Blog vem dizendo há mais de três anos. Não apenas Mendonça de Barros, mas Luiz Carlos Bresser Pereira e outros que ajudaram a moldar o pensamento inicial do velho e extinto PSDB.
Só que, até algum tempo atrás, muitos recusavam-se a admitir esse quadro por medo do patrulhamento e dos ataques que sofreriam.
O grupo que cerca Serra, composto por bons quadros – como José Roberto Affonso e Luiz Carlos Vellozo Lucas – hoje em dia é desperdiçado com o radicalismo inútil e estéril do chefe.
POLÍTICA - Perón, Getúlio, Lula
Emir Sader
Quando acusou Lula de uma espécie de neoperonista, FHC vestia, em cheio, o traje da direita oligárquica latinoamericana. Que não perdoou e segue sem perdoar os líderes populares latinoamericanos que lhes arrebataram o Estado de suas mãos e impuseram lideranças nacionais com amplo apoio popular.
Os três – Perón, Getúlio e Lula – têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.
Foi o suficiente para que se tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais – brancas, ligadas aos grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores, discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas, contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos grandes proprietários rurais – nos governos dos três líderes mencionados – foram contemplados de maneira significativa.
Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.
A colocação em prática das chamadas políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso processo de conquisas de direitos por parte da massa da população, particularmente os trabalhadores urbanos.
Se tornaram os objetos privilegiados do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais dos EUA. Dos jornais oligárquicos – La Nación, La Prensa, La Razón, na Argentina, ao que se somou depois o Clarin; o Estadao, O Globo, no Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de Getúlio.
Não por acaso bastou terminar aquele longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros – particularmente norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955.
Mas os fantasmas continuaram a asombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus – tinham desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder – lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o Brasil.
O golpe militar argentino de 1955 inaugurou a expressão “gorila” para designar o que mais tarde o ditador brasileiro Costa e Silva chamaria, de “vacas fardadas”. A direita apelava aos quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio, até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo, legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em conivência com os governos dos EUA.
O peronismo esteve proscrito políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo – Hector Campora -, ele triunfou amplamente e – ao contrário de Sarney no Brasil – convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas.
No Brasil, o governo João Goulart foi vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos da “sociedade civil” financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada, convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em 1964.
Perón, Getúlio e, agora, Lula, tem em comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso popular. E o ódio da direita. Que usou todos os “palavrões”: populista, carismático, autoritário, líder dos ”cabecitas negras”, dos “descamisados” (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas, especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias donas de jornais, rádios e televisões.
É o ódio de classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro do que há de mais retrógado na direita latinoamericana – da UDN de Lacerda, passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um fim político coerente com seu governo e com seus amigos aliados.
Fonte:Blog de Emir
Quando acusou Lula de uma espécie de neoperonista, FHC vestia, em cheio, o traje da direita oligárquica latinoamericana. Que não perdoou e segue sem perdoar os líderes populares latinoamericanos que lhes arrebataram o Estado de suas mãos e impuseram lideranças nacionais com amplo apoio popular.
Os três – Perón, Getúlio e Lula – têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional.
Foi o suficiente para que se tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais – brancas, ligadas aos grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores, discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas, contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos grandes proprietários rurais – nos governos dos três líderes mencionados – foram contemplados de maneira significativa.
Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia.
A colocação em prática das chamadas políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso processo de conquisas de direitos por parte da massa da população, particularmente os trabalhadores urbanos.
Se tornaram os objetos privilegiados do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais dos EUA. Dos jornais oligárquicos – La Nación, La Prensa, La Razón, na Argentina, ao que se somou depois o Clarin; o Estadao, O Globo, no Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de Getúlio.
Não por acaso bastou terminar aquele longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros – particularmente norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955.
Mas os fantasmas continuaram a asombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus – tinham desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder – lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o Brasil.
O golpe militar argentino de 1955 inaugurou a expressão “gorila” para designar o que mais tarde o ditador brasileiro Costa e Silva chamaria, de “vacas fardadas”. A direita apelava aos quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio, até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo, legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em conivência com os governos dos EUA.
O peronismo esteve proscrito políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo – Hector Campora -, ele triunfou amplamente e – ao contrário de Sarney no Brasil – convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas.
No Brasil, o governo João Goulart foi vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos da “sociedade civil” financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada, convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em 1964.
Perón, Getúlio e, agora, Lula, tem em comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso popular. E o ódio da direita. Que usou todos os “palavrões”: populista, carismático, autoritário, líder dos ”cabecitas negras”, dos “descamisados” (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas, especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias donas de jornais, rádios e televisões.
É o ódio de classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro do que há de mais retrógado na direita latinoamericana – da UDN de Lacerda, passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um fim político coerente com seu governo e com seus amigos aliados.
Fonte:Blog de Emir
ECONOMIA - Só é cego quem não quer ver.
Copiado do "Blog Tijolaço", do Brizola Neto.
Os dólares entram e o BC tem que comprar cada vez mais para que a moeda não fique mais supervalorizada do que já está. E o pior é que não adianta. O lucro no Brasil ainda é bom demais.
Os dólares entram e o BC tem que comprar cada vez mais para que a moeda não fique mais supervalorizada do que já está. E o pior é que não adianta. O lucro no Brasil ainda é bom demais.
Os economistas e os jornalistas econômicos brasileiros são muito bem preparados e conhecem muito mais do que eu de ciência econômica. Por isso, quando eles não virem o óbvio, pode ter certeza de que algo há. Ontem, registrei aqui que os sites faziam “terrorismo econômico” com o resultado da entrada de dólares em outubro. Disse que o G1, por exemplo, chegava “a ser “talibã”: “País deixa de receber 3 em cada 4 dólares após novo imposto”.
Ora, uma simples operação aritmética bastava para ver que, com imposto e tudo, a entrada de dólares continuava a ser fortíssima. Imagine o que é um saldo cambial de 300 milhões de dólares por dia!
Mas não se podia perder a oportunidade de semear mais um momento de “o mundo vai acabar” na mídia. No mercado, eles se lixam para este tipo de informação. Aí não é política, é dinheiro.
Já estava claro, ontem, o que era previsto. A medida criada pelo Governo não ia resolver o problema de afluxo excessivo de dólares. O balanço cambial de outubro só tornou isso evidente, embora parte da mídia brasileira não quisesse ver.
Hoje, a Folha de S. Paulo publica que o Governo, por isso, estuda um conjunto de medidas para que investidores estrangeiros não precisem trazer dólares para aplicações no país. Isso abrangeria desde a emissão de títulos da dívida pública em reais no exterior à abertura de contas-garantia fora do brasil para aplicação em bolsa, aqui.
O problema do Governo Lula em matéria de política econômica é que, mesmo já tendo se mostrado charlatães, os santos do altar neoliberal ainda continuam a receber certas reverências. E as boas e velhas políticas de proteção da moeda nacional, como a taxação na saída do capital, ficam como “tabus”, que não podem ser adotadas, “porque os investidores vão fugir”.
Vão, nada. Enquanto estiverem lucrando muito aqui - e é por isso que entram - os capitais entram, porque sabem que podem sair no minuto em que aqui já não estiver dando tanto lucro e aparecer um lugar melhor aplicações que não os imobilizam. Colocar 10 milhões de dólares na bolsa é uma decisão mais fácil que aplicar um milhão em uma fábrica.
A “cegueira” de boa parte da nossa mídia vem de um fato.As nossas elites, que vivem lambendo os respingos da roda da fortuna que virou o mercado financeiro, é que cultuam aqueles santos do pau-ôco, que como os do século 17, servem para drenar as riquezas nacionais. O capital estrangeiro é, para elas, o “sinhô”, e o “sinhô” não tem que pedir licença para entrar, fazer o que quiser e sair da senzala. Por isso, ridicularizavam quando Brizola falava em “perdas internacionais” de nossa economia.
Bom, criaram um tímido pedido de “me dá licença?” para o capital entrar. Não resolveu e não resolverá. Conta, se paga é na saída.
Os dólares entram e o BC tem que comprar cada vez mais para que a moeda não fique mais supervalorizada do que já está. E o pior é que não adianta. O lucro no Brasil ainda é bom demais.
Os dólares entram e o BC tem que comprar cada vez mais para que a moeda não fique mais supervalorizada do que já está. E o pior é que não adianta. O lucro no Brasil ainda é bom demais.
Os economistas e os jornalistas econômicos brasileiros são muito bem preparados e conhecem muito mais do que eu de ciência econômica. Por isso, quando eles não virem o óbvio, pode ter certeza de que algo há. Ontem, registrei aqui que os sites faziam “terrorismo econômico” com o resultado da entrada de dólares em outubro. Disse que o G1, por exemplo, chegava “a ser “talibã”: “País deixa de receber 3 em cada 4 dólares após novo imposto”.
Ora, uma simples operação aritmética bastava para ver que, com imposto e tudo, a entrada de dólares continuava a ser fortíssima. Imagine o que é um saldo cambial de 300 milhões de dólares por dia!
Mas não se podia perder a oportunidade de semear mais um momento de “o mundo vai acabar” na mídia. No mercado, eles se lixam para este tipo de informação. Aí não é política, é dinheiro.
Já estava claro, ontem, o que era previsto. A medida criada pelo Governo não ia resolver o problema de afluxo excessivo de dólares. O balanço cambial de outubro só tornou isso evidente, embora parte da mídia brasileira não quisesse ver.
Hoje, a Folha de S. Paulo publica que o Governo, por isso, estuda um conjunto de medidas para que investidores estrangeiros não precisem trazer dólares para aplicações no país. Isso abrangeria desde a emissão de títulos da dívida pública em reais no exterior à abertura de contas-garantia fora do brasil para aplicação em bolsa, aqui.
O problema do Governo Lula em matéria de política econômica é que, mesmo já tendo se mostrado charlatães, os santos do altar neoliberal ainda continuam a receber certas reverências. E as boas e velhas políticas de proteção da moeda nacional, como a taxação na saída do capital, ficam como “tabus”, que não podem ser adotadas, “porque os investidores vão fugir”.
Vão, nada. Enquanto estiverem lucrando muito aqui - e é por isso que entram - os capitais entram, porque sabem que podem sair no minuto em que aqui já não estiver dando tanto lucro e aparecer um lugar melhor aplicações que não os imobilizam. Colocar 10 milhões de dólares na bolsa é uma decisão mais fácil que aplicar um milhão em uma fábrica.
A “cegueira” de boa parte da nossa mídia vem de um fato.As nossas elites, que vivem lambendo os respingos da roda da fortuna que virou o mercado financeiro, é que cultuam aqueles santos do pau-ôco, que como os do século 17, servem para drenar as riquezas nacionais. O capital estrangeiro é, para elas, o “sinhô”, e o “sinhô” não tem que pedir licença para entrar, fazer o que quiser e sair da senzala. Por isso, ridicularizavam quando Brizola falava em “perdas internacionais” de nossa economia.
Bom, criaram um tímido pedido de “me dá licença?” para o capital entrar. Não resolveu e não resolverá. Conta, se paga é na saída.
MEIO AMBIENTE - Frases para entender o Brasil.
Leonardo Sakamoto
Mais uma para as “Frases para entender o Brasil”: curtas, grossas, maravilhosamente elucidativas do que faz o brasil Brasil.
Tema: Castidade
“Queremos desmatamento zero… mas a partir de agora.”
Luiz Carlos Heinze, deputado federal (PP-RS), defendendo que se passe uma borracha no passado, através de uma anistia ampla, geral e irrestrita para os crimes ambientais cometidos até agora. Ele considera os alertas sobre o aquecimento global uma paranóia. Provavelmente, tal qual aquela paranóia da qual falava seu partido, a Arena, durante a ditadura: de que o governo matava opositores do regime… E, da mesma forma que os reacionários interpretam a Anistia de 1979, ele quer absolver e ignorar o passado para construir o futuro – como se isso fosse possível.
Santo Agostinho, quando entendeu que devia se converter mas não tinha coragem para tanto, disse: “Senhor, dai-me a castidade… mas não ainda.” Sem ser santo ou filósofo, o deputado também defende um mundo melhor. Mas não ainda.
Fonte:Blog do Sakamoto.
Mais uma para as “Frases para entender o Brasil”: curtas, grossas, maravilhosamente elucidativas do que faz o brasil Brasil.
Tema: Castidade
“Queremos desmatamento zero… mas a partir de agora.”
Luiz Carlos Heinze, deputado federal (PP-RS), defendendo que se passe uma borracha no passado, através de uma anistia ampla, geral e irrestrita para os crimes ambientais cometidos até agora. Ele considera os alertas sobre o aquecimento global uma paranóia. Provavelmente, tal qual aquela paranóia da qual falava seu partido, a Arena, durante a ditadura: de que o governo matava opositores do regime… E, da mesma forma que os reacionários interpretam a Anistia de 1979, ele quer absolver e ignorar o passado para construir o futuro – como se isso fosse possível.
Santo Agostinho, quando entendeu que devia se converter mas não tinha coragem para tanto, disse: “Senhor, dai-me a castidade… mas não ainda.” Sem ser santo ou filósofo, o deputado também defende um mundo melhor. Mas não ainda.
Fonte:Blog do Sakamoto.
EUA - Oh Bama e outros Ohs!!!
Lucas Mendes
De Nova York para a BBC Brasil
Obama era bolha e furou nas duas eleições mais importantes para governador, em Nova Jérsei na Virgínia. Esta é a interpretação da direita nas rádios e editoriais.
Nenhuma das duas eleições foram sobre Obama e sim sobre questões regionais. O presidente mantém o prestígio confirmado pelos índices de aprovação. Esta é a versão obamista.
A verdade está no meio. Obama perdeu brilho, mas não furou. Sera que é uma bolha?
Se a economia melhorar, gerar empregos e Obama conseguir passar a reforma no seguro de saúde, os democratas podem se dar bem nas eleições de 2010, apesar de o partido no poder quase sempre perder cadeiras no Congresso nas eleições intermediárias.
Se a economia caranguejar sem gerar empregos e a reforma do sistema do seguro de saúde fracassar, bye bye, democratas em Washington ano que vem. Obama fura e pode ficar sem emprego em 2013.
Na Virgínia, o republicano estava disparado na frente, incontível. Em Nova Jérsei, o presidente arriscou o prestígio dele e fez campanha para o governador Corzine que corria atrás e tinha poucas chances. Coragem ou idiotice política? Há argumentos para as duas respostas, mas democratas em Estados conservadores estão com medo da campanha republicana que vão enfrentar ano que vem. Os quatro da Virgínia tremem.
Tão surpreendente, porém de menores consequências do que as derrotas democratas nos dois Estados, foi a pequena margem da vitória do prefeito de Nova York, Oh! Bloomberg!, que foi recordista de gastos com uma campanha para prefeito. Gastou quase US$ 100 milhões do próprio bolso, enquanto o democrata gastou menos de 10. No dia da eleição, as pesquisas davam o prefeito com 18 pontos de vantagem sobre Bill Thompson. Ganhou por míseros 5 pontos.
O eleitorado novaiorquino está feliz com as escolas, a coleta do lixo, a segurança da cidade e aprecia o trabalho do prefeito, mas foi contra a manobra dele de usar a Câmara Municipal para quebrar a lei que ele próprio tinha defendido - pelo limite de dois mandatos - e permitir este terceiro.
Setenta e cinco por cento dos eleitores não foram votar numa cidade politicamente ligada, mas há um outro fator intrigante, um chinês.
John Liu, com 76% dos votos, foi primeiro oriental eleito para um cargo executivo em Nova York, comptroller, uma espécie de contador e fiscal das finanças da cidade. Ele é democrata e levou uma multidão oriental às urnas que votaram não só nele como em toda a chapa democrata, entre eles, o candidato a prefeito, Bill Thompson.
A mais fascinante, talvez a mais relevante e com a certeza a mais Oh! foi na 23ª zona eleitoral do Estado de Nova York, uma eleição especial para preencher uma vaga de deputado estadual. A liderança republicana da região, na fronteira com o Canadá, escolheu a candidata Dede Scozzafava, uma moderada pró-aborto, pró- casamento gay, que aprovou o estímulo econômico do presidente como falou bem de Obama.
Numa zona eleitoral onde um democrata não ganhava desde a Guerra Civil, a escolha de Dede enfureceu e mobilizou a ala radical republicana. Os figurões do partido, de Sarah Palin a Rush Limbaugh, despejaram verba e verbo a favor de outro candidato, Douglas Hoffman, um republicano “puro”, pró-armas, anti-aborto, anti- estímulo, anti-gay e anti-Obama.
Scozzafa, sem apoio e sem dinheiro para campanha, anunciou no domingo que estava fora do páreo e chocou ambos os partidos. Recomendou que os eleitores dela votassem no democrata Bill Owen. A vitória dele quebrou uma escrita de quase 150 anos e mostrou um partido republicano rachado entre moderados e radicais.
Um resumo brevíssimo: 1 - os republicanos ganharam eleições importantes, porque quando a economia vai mal o partido no poder sempre paga a conta. 2 - há mais eleitores independentes do que democratas e republicanos e eles votam no centro. Obama para eles esta muito à esquerda.
Política costuma ser uma chatice, mas quando radicaliza, fica interessante.
Ontem, pela primeira vez , votei num candidato socialista, Salim Ejaz, para comptroller. Parece furioso, tem os olhos arregalados, mas, como eu, não consegue ler o telepromter. Teve 1% dos votos. Oh! Salim.
Fonte:BBC BRASIL
De Nova York para a BBC Brasil
Obama era bolha e furou nas duas eleições mais importantes para governador, em Nova Jérsei na Virgínia. Esta é a interpretação da direita nas rádios e editoriais.
Nenhuma das duas eleições foram sobre Obama e sim sobre questões regionais. O presidente mantém o prestígio confirmado pelos índices de aprovação. Esta é a versão obamista.
A verdade está no meio. Obama perdeu brilho, mas não furou. Sera que é uma bolha?
Se a economia melhorar, gerar empregos e Obama conseguir passar a reforma no seguro de saúde, os democratas podem se dar bem nas eleições de 2010, apesar de o partido no poder quase sempre perder cadeiras no Congresso nas eleições intermediárias.
Se a economia caranguejar sem gerar empregos e a reforma do sistema do seguro de saúde fracassar, bye bye, democratas em Washington ano que vem. Obama fura e pode ficar sem emprego em 2013.
Na Virgínia, o republicano estava disparado na frente, incontível. Em Nova Jérsei, o presidente arriscou o prestígio dele e fez campanha para o governador Corzine que corria atrás e tinha poucas chances. Coragem ou idiotice política? Há argumentos para as duas respostas, mas democratas em Estados conservadores estão com medo da campanha republicana que vão enfrentar ano que vem. Os quatro da Virgínia tremem.
Tão surpreendente, porém de menores consequências do que as derrotas democratas nos dois Estados, foi a pequena margem da vitória do prefeito de Nova York, Oh! Bloomberg!, que foi recordista de gastos com uma campanha para prefeito. Gastou quase US$ 100 milhões do próprio bolso, enquanto o democrata gastou menos de 10. No dia da eleição, as pesquisas davam o prefeito com 18 pontos de vantagem sobre Bill Thompson. Ganhou por míseros 5 pontos.
O eleitorado novaiorquino está feliz com as escolas, a coleta do lixo, a segurança da cidade e aprecia o trabalho do prefeito, mas foi contra a manobra dele de usar a Câmara Municipal para quebrar a lei que ele próprio tinha defendido - pelo limite de dois mandatos - e permitir este terceiro.
Setenta e cinco por cento dos eleitores não foram votar numa cidade politicamente ligada, mas há um outro fator intrigante, um chinês.
John Liu, com 76% dos votos, foi primeiro oriental eleito para um cargo executivo em Nova York, comptroller, uma espécie de contador e fiscal das finanças da cidade. Ele é democrata e levou uma multidão oriental às urnas que votaram não só nele como em toda a chapa democrata, entre eles, o candidato a prefeito, Bill Thompson.
A mais fascinante, talvez a mais relevante e com a certeza a mais Oh! foi na 23ª zona eleitoral do Estado de Nova York, uma eleição especial para preencher uma vaga de deputado estadual. A liderança republicana da região, na fronteira com o Canadá, escolheu a candidata Dede Scozzafava, uma moderada pró-aborto, pró- casamento gay, que aprovou o estímulo econômico do presidente como falou bem de Obama.
Numa zona eleitoral onde um democrata não ganhava desde a Guerra Civil, a escolha de Dede enfureceu e mobilizou a ala radical republicana. Os figurões do partido, de Sarah Palin a Rush Limbaugh, despejaram verba e verbo a favor de outro candidato, Douglas Hoffman, um republicano “puro”, pró-armas, anti-aborto, anti- estímulo, anti-gay e anti-Obama.
Scozzafa, sem apoio e sem dinheiro para campanha, anunciou no domingo que estava fora do páreo e chocou ambos os partidos. Recomendou que os eleitores dela votassem no democrata Bill Owen. A vitória dele quebrou uma escrita de quase 150 anos e mostrou um partido republicano rachado entre moderados e radicais.
Um resumo brevíssimo: 1 - os republicanos ganharam eleições importantes, porque quando a economia vai mal o partido no poder sempre paga a conta. 2 - há mais eleitores independentes do que democratas e republicanos e eles votam no centro. Obama para eles esta muito à esquerda.
Política costuma ser uma chatice, mas quando radicaliza, fica interessante.
Ontem, pela primeira vez , votei num candidato socialista, Salim Ejaz, para comptroller. Parece furioso, tem os olhos arregalados, mas, como eu, não consegue ler o telepromter. Teve 1% dos votos. Oh! Salim.
Fonte:BBC BRASIL
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