segunda-feira, 29 de agosto de 2016

POLÍTICA - Discurso de Dilma.

Um discurso para a História

Por Breno Altman, em seu blog:

A presidente Dilma Rousseff não falou apenas como uma governante ameaçada por um golpe de Estado, mas como combatente pela democracia e pela justiça.

Seu discurso foi limpido e emocionante. Acusou seus acusadores. Desmascarou seus interesses. Expôs suas manobras e falsidades. Apontou o caráter de classe do golpismo.

Declarou sua inocência com altivez e dignidade. Portou-se, perante as ratazanas do Senado, com a mesma firmeza de mirada com a qual, há mais de quarenta anos, enfrentou seus algozes em um tribunal militar.
A presidente pode ter cometido erros em seu mandato, muitas vezes frustrando e desanimando as forças populares. Mas é inquestionável sua retidão de caráter, sua valentia e seu compromisso com o povo brasileiro.

Suas palavras de hoje entrarão para a história, qualquer que seja o resultado do processo de impeachment. Alentarão um novo governo, caso a democracia seja vitoriosa, ou impulsionarão a resistência das ruas.

Dilma Rousseff, de toda forma, fez o que tinha de ser feito: encarou os inimigos da pátria com a mesma determinação e coragem de quando teve que enfrenta-los sob tortura e prisão.

Fora Temer!

Viva Dilma Rousseff, presidente legitima do povo brasileiro!

domingo, 28 de agosto de 2016

Altamiro Borges: Caçada a Lula tenta fechar ciclo histórico

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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

‘Começou a semana da vergonha nacional’ diz Lula sobre o Senado - CorreiodoBrasil

‘Começou a semana da vergonha nacional’ diz Lula sobre o Senado - CorreiodoBrasil: Lula falou por meia hora e não poupou críticas aos senadores e integrantes da base aliada ao governo da presidenta que poderá perder o mandato, caso não reúna os 26 votos necessários para barrar o processo
 
Por Redação – do Rio de Janeiro
 
Em discurso aos trabalhadores e sindicalistas, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva afirma que começou, nesta quinta-feira, a “semana da vergonha nacional”, no início do julgamento do impeachment da presidenta Dilma Rousseff no Senado. O líder foi recepcionado, nesta manhã, em um hotel na Zona Oeste do Rio, pela candidata do PCdoB à prefeitura do Rio, deputada Jandira Feghali e depois seguiu para o ato “em defesa da Petrobras, da indústria naval e pela geração de empregos”. O ato reuniu, segundo os organizadores, cerca de 5 mil pessoas.

Lula e Jandira encontraram-se, pela manhã, pouco antes do ato público em Niterói

Lula falou por meia hora e não poupou críticas aos senadores e integrantes da base aliada ao governo da presidenta que poderá perder o mandato, caso não reúna os 26 votos necessários para barrar o processo.
— Hoje é o dia em que começam a rasgar a constituição do país. Estou envergonhado de perceber que o Senado, que deveria estar debatendo os interesses do povo brasileiro e os interesses dos trabalhadores, está discutindo a condenação de uma pessoa inocente — disse Lula, que questionou a legitimidade do julgamento.
Lula também fez duras críticas àqueles aliados que votaram favoravelmente ao impeachment de Dilma.
— Estou triste com o comportamento do prefeito do Rio (Eduardo Paes) e do filho do Sérgio Cabral (Marco Antônio Cabral) pelo impeachment — disse.
O líder petista citou, nominalmente, o senador Marcelo Crivella (PRB), ex-ministro no governo Dilma e adversário de Jandira na corrida pela prefeito do Rio.
— Crivella, que eu apoiei em 2014, que fala em nome de Deus, não pode cometer uma deslealdade dessa, assim como outros — afirmou.
Amigo pessoal de Dilma, Lula afirmou que o presidente de facto, Michel Temer, não sabe governar e por esse motivo quer promover privatizações.
— O que está em jogo é a tentativa de acabar com o direito desse país ser grande e da Petrobras ser a maior empresa de petróleo do mundo — afirmou.
A luta continua
Embora se declare favorável às investigações da operação Lava Jato, “se roubou tem que ir para a cadeia”, argumentou, Lula se coloca contrário às delações premiadas que servem aos delatores para mentir, enquanto seguem livres “fumando charuto cubano”.
Quanto à possível candidatura, em 2018, Lula disse apenas: “Vamos ver”.
Estiveram presentes ao ato o presidente nacional do PT, Rui Falcão, e o do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, ausentes na véspera, em manifestação liderada pela presidenta Dilma, na capital paulista.
— Vamos enfrentar um período difícil nos próximos dois anos e a luta contra os golpistas está apenas começando. Em algum momento vamos ter que fazer uma vigília e cercar o BNDES, a Petrobras e a Globo — afirmou Stédile.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) apoiaram o ato com bandeiras e faixas contra o governo golpista, o esquartejamento da Petrobras e a operação Lava Jato.
O post ‘Começou a semana da vergonha nacional’ diz Lula sobre o Senado apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

POLÍTICA - A OAS e a Operação Lava Jato.

Por quê calar a OAS?

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Entre tantas coisas insólitas que já aconteceram na Operação Lava Jato, nada mais esquisito e suspeito do que este cancelamento, pelo procurador-geral Rodrigo Janot, das negociações para a delação premiada da Construtora OAS. Ele já teria, inclusive, determinado a devolução de todos os “anexos” da negociação, ou seja, os esboços apresentados pela empresa sobre o que poderia dizer, bem como a trituração da papelada sobre o fracassado acordo. Como disse o ex-ministro Eugênio Aragão, “que cheira mal, cheira”. Nos últimos três meses, ficou clara a má vontade do Ministério Público Federal para com a delação da OAS, que aumentou depois de vazamentos sobre também supostas citações aos tucanos Aécio Neves e José Serra.

O que confere à decisão de Janot este cheiro de pizza queimada são estes antecedentes já conhecidos de uma negociação marcada por tropeços e quase recusas. Primeiro, elas empacaram no final de abril, quando as preliminares indicaram que o empresário Leo Pinheiro e os executivos da OAS não ofereceriam elementos que pudessem incriminar o ex-presidente Lula, seja no caso do tríplex do Guarujá, seja no do sítio de Atibaia. Há uma profusão de notícias sobre isso na Internet mas fiquemos apenas com a matéria da Folha de S. Paulo de 1 de junho passado: “Delação de sócio da OAS trava após ele inocentar Lula”.

A empreiteira continuou insistindo na negociação (um indicador claro de que não lhe interessava fazer um vazamento que pusesse tudo a perder) e vieram as declarações reiteradas dos procuradores, especialmente de Carlos Fernando do Santos Lima, no sentido de que não “havia espaço” para duas delações a mais na Lava Jato. Seria a da Odebrecht ou a da OAS. Sobre isso foram publicadas dezenas de matérias e eu registrei neste blog a falta de um critério objetivo para tal “medida de espaço”.

As declarações do procurador Carlos Fernando, embora estejam frescas na memória de todos, podem ser conferidas em muitas matérias, inclusive nesta, de O Estado de S. Paulo, em que ele diz também: “As coisas estão muito longe de serem resolvidas, quem vai (fazer delação). Acreditamos que só tenha espaço para mais uma”.

Agora se vê que as coisas não estavam mesmo resolvidas, dentro do MPF, sobre o futuro das delações das empreiteiras mais importantes no processo, seja pelo volume de recursos envolvidos, seja pelo número de políticos que poderiam ser delatados. Ou, mais importante, sobre quais seriam atingidos.

As negociações, entretanto, avançaram também com a OAS e foram vazadas informações de que o atual chanceler José Serra e o presidente do PSDB, Aécio Neves, seriam citados na delação que ainda estava sendo negociada. Para recordar, dois links sobre a suposta intenção de delatar os dois tucanos: aquiaqui.

Assim seguiam as coisas até que a revista Veja circulou no final de semana com a notícia de que a delação da OAS faria revelações sobre seu relacionamento com Dias Toffoli. Nada de concreto, apenas aspersões caluniosas mas, se o objetivo era melindrar o STF, foi conseguido. O ministro Gilmar Mendes estrilou virulentamente contra os procuradores e seus abusos, embora não o tenha feito em outras ocasiões. E, ato contínuo, ou simultâneo, Janot cancelou as negociações, sugerindo que a empresa foi autora do vazamento para forçar a aceitação de sua delação nos termos desejados. Não faz sentido, depois de ter se empenhado por ela, a OAS ter colocado tudo em risco ao violar a confidencialidade com uma revelação tão explosiva. A referência às relações de Leo Pinheiro com Toffoli aparece lateralmente, desprovida de acusação, num anexo sobre seu possível depoimento.

Se mantiver a decisão de excluir a OAS, sugerida com ênfase nas declarações anteriores do procurador Carlos Fernando, Janot estará reforçando a suspeita de que tomou a decisão para proteger alguém das revelações que poderiam ser feitas pela empreiteira. E a desconfiança de que detonou-a no nascedouro para que não acontecesse, deixando no ar o cheiro de pizza que não combina com o combate à corrupção. E como o pretexto foi o vazamento, persistem a perguntas: quem vazou e para quê? Isso sim, precisa ser investigado, como diz o ministro Marco Aurélio, do STF.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

POLÍTICA - Janot quer salvar seus amigos tucanos.

Por quê calar a OAS?

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Entre tantas coisas insólitas que já aconteceram na Operação Lava Jato, nada mais esquisito e suspeito do que este cancelamento, pelo procurador-geral Rodrigo Janot, das negociações para a delação premiada da Construtora OAS. Ele já teria, inclusive, determinado a devolução de todos os “anexos” da negociação, ou seja, os esboços apresentados pela empresa sobre o que poderia dizer, bem como a trituração da papelada sobre o fracassado acordo. Como disse o ex-ministro Eugênio Aragão, “que cheira mal, cheira”. Nos últimos três meses, ficou clara a má vontade do Ministério Público Federal para com a delação da OAS, que aumentou depois de vazamentos sobre também supostas citações aos tucanos Aécio Neves e José Serra.

O que confere à decisão de Janot este cheiro de pizza queimada são estes antecedentes já conhecidos de uma negociação marcada por tropeços e quase recusas. Primeiro, elas empacaram no final de abril, quando as preliminares indicaram que o empresário Leo Pinheiro e os executivos da OAS não ofereceriam elementos que pudessem incriminar o ex-presidente Lula, seja no caso do tríplex do Guarujá, seja no do sítio de Atibaia. Há uma profusão de notícias sobre isso na Internet mas fiquemos apenas com a matéria da Folha de S. Paulo de 1 de junho passado: “Delação de sócio da OAS trava após ele inocentar Lula”.

A empreiteira continuou insistindo na negociação (um indicador claro de que não lhe interessava fazer um vazamento que pusesse tudo a perder) e vieram as declarações reiteradas dos procuradores, especialmente de Carlos Fernando do Santos Lima, no sentido de que não “havia espaço” para duas delações a mais na Lava Jato. Seria a da Odebrecht ou a da OAS. Sobre isso foram publicadas dezenas de matérias e eu registrei neste blog a falta de um critério objetivo para tal “medida de espaço”.

As declarações do procurador Carlos Fernando, embora estejam frescas na memória de todos, podem ser conferidas em muitas matérias, inclusive nesta, de O Estado de S. Paulo, em que ele diz também: “As coisas estão muito longe de serem resolvidas, quem vai (fazer delação). Acreditamos que só tenha espaço para mais uma”.

Agora se vê que as coisas não estavam mesmo resolvidas, dentro do MPF, sobre o futuro das delações das empreiteiras mais importantes no processo, seja pelo volume de recursos envolvidos, seja pelo número de políticos que poderiam ser delatados. Ou, mais importante, sobre quais seriam atingidos.

As negociações, entretanto, avançaram também com a OAS e foram vazadas informações de que o atual chanceler José Serra e o presidente do PSDB, Aécio Neves, seriam citados na delação que ainda estava sendo negociada. Para recordar, dois links sobre a suposta intenção de delatar os dois tucanos: aquiaqui.

Assim seguiam as coisas até que a revista Veja circulou no final de semana com a notícia de que a delação da OAS faria revelações sobre seu relacionamento com Dias Toffoli. Nada de concreto, apenas aspersões caluniosas mas, se o objetivo era melindrar o STF, foi conseguido. O ministro Gilmar Mendes estrilou virulentamente contra os procuradores e seus abusos, embora não o tenha feito em outras ocasiões. E, ato contínuo, ou simultâneo, Janot cancelou as negociações, sugerindo que a empresa foi autora do vazamento para forçar a aceitação de sua delação nos termos desejados. Não faz sentido, depois de ter se empenhado por ela, a OAS ter colocado tudo em risco ao violar a confidencialidade com uma revelação tão explosiva. A referência às relações de Leo Pinheiro com Toffoli aparece lateralmente, desprovida de acusação, num anexo sobre seu possível depoimento.

Se mantiver a decisão de excluir a OAS, sugerida com ênfase nas declarações anteriores do procurador Carlos Fernando, Janot estará reforçando a suspeita de que tomou a decisão para proteger alguém das revelações que poderiam ser feitas pela empreiteira. E a desconfiança de que detonou-a no nascedouro para que não acontecesse, deixando no ar o cheiro de pizza que não combina com o combate à corrupção. E como o pretexto foi o vazamento, persistem a perguntas: quem vazou e para quê? Isso sim, precisa ser investigado, como diz o ministro Marco Aurélio, do STF.
 

Mino e o surto de Gilmar contra Moro e Janot

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O Rio olímpico está aprovado pelos estrangeiros Vídeo mostra impressões...

Altamiro Borges: Quem investiga e julga os "justiceiros"?

Altamiro Borges: Quem investiga e julga os "justiceiros"?: Por Jeferson Miola Na análise O xadrez de Toffoli e o fruto da árvore envenenada , Luis Nassif explora a hipótese de que o vazamento da...

POLÍTICA - Vale a pena conhecer o mundo dos "coxinhas".


Por Ayrton Centeno, no site Sul-21:

Agora que o Coxismo pretende moldar o país a sua imagem e semelhança, é crucial entendê-lo. Adentrá-lo, penetrá-lo em profundidade. Visitar, percorrer e desbravar o território do fenômeno. Mas quem viajar ao Universo Coxa deve-se preparar para um impacto: é um mundo habitado exclusivamente por certezas absolutas. Seus nativos acreditam integralmente em tudo que lhes convém acreditar. Para eles, a ferramenta do conhecimento não é a experiência e a reflexão mas o desejo. É ele que constrói a convicção. Acreditam, então existe.

Sim, o Nove Dedos é o homem mais rico do Brasil. E aquela capa da Forbes que assim o apresenta não é fake, não! Disseram pra você que era uma enjambração de internet? Oh, como você é crédulo! E o filho do Nove Dedos é o segundo homem mais rico, dono que é da Friboi, da Band e da Microsoft. E a Dilmanta então? Torturou o Ustra, não sabia? Coitado, quando morreu ainda estava abalado… Não lhe contaram isso, não? Ora, você precisa ler a Veja. Está tudo lá. Como você sobrevive sem ler? Vai dizer que também não lê a Folha, o Estadão e o Globo? Não vê o Jornal Nacional? Golpe? Em que mundo você vive, seu cabecinha vazia?

O Universo Coxa reproduz uma imensa caverna de Platão. Lá fora impera o Nada. O mundo real são as sombras projetadas pelos telejornais no fundo da cova. Nada se transforma, tudo permanece o mesmo. Bem, para dizer a verdade, algo muda aqui ou ali. Por exemplo, agora não se vê mais aquelas faixas “Somos todos Cunha”. Ou seja, algo muda para tudo ficar igual.

Viajar ao Universo Coxa é fácil, hoje em dia. Basta, geralmente, olhar em torno. Ou aguçar o ouvido. Se você estiver em alguma região onde os Coxas vivem, acasalam e se reproduzem será moleza ainda maior: Moinhos de Vento, em Porto Alegre, Jardins e arredores na Pauliceia Comportada, circuito Ipanema-Leblon no Rio por aí… Se o Coxismo for seu objeto de estudo, considere-se em pleno campo de observação do fenômeno. Pode começar, por exemplo, examinando o que faz o Coxa ser Coxa. Que afinidade mantém o grupo entre seus membros? Quais elementos forjam sua identidade? O que há de consenso interno para lhes servir de amálgama?

Esclarecidos tais pontos, passa-se ao oposto: como se distinguem os diferentes espécimes que habitam o Mundo Coxa? Porque – sabe-se bem – nenhum Coxa é exatamente igual a outro Coxa. O que não impede que, a grosso modo, todos se alinhem à direita. Fosse um time de futebol, haveria um deserto à esquerda do gramado e um tumulto no lado oposto. Toda bola lançada à esquerda seria desperdiçada ou do adversário. À direita, confusão total, com todos os atletas querendo chutar a mesma bola com o pé direito e no canto direito da meta.

Deve-se pensar bem antes de xingar um Coxa de fascista. A começar pelo fato de que muitos Coxas não sabem bem o que o termo significa. Ainda não estudaram este ponto. É como você ofender alguém em Islandês ou Aramaico. Ou chamar alguém de filho da puta quando a criatura não sabe o significado de “filho” ou “puta”. Seria um simples rosnado que poderia deixar o destinatário aborrecido mais pelo tom do que pela percepção. Pior ainda se o “Fascista!” for interpretado ao contrário, algo como “Faixinha!”, quer dizer, robertocarleanamente, “Meu amigo de fé, meu irmão, camarada”. Então, aquela criatura responde “Meu bródi !” e acaba se apegando a você. E, como somos eternamente responsáveis por aquele a quem cativamos – assim nos ensina O Pequeno Príncipe — você pode acabar indo ao cinema com aquele armário afetuoso com tatuagem do Bolsonaro no bíceps. Ineficaz e insalubre, portanto.

No cartesiano esforço para segmentar os Coxas, identificamos a categoria dos Coxas Brancas. São os torcedores do Coritiba e os naturais de Curitiba. Como o Universo Coxa foi turbinado e expandido a partir da República das Araucárias, deve-se dizer que compõem, com os paulistas, o núcleo duro do Coxismo nacional, de onde partem as diretrizes, ornamentos e modinhas das marchas coxas.

Com o prestimoso auxílio do açougueiro da esquina, foi possível identificar os dois grupos e tendências ideológicas predominantes no Universo Coxa, um moderado e outro radical. O primeiro é o Coxão Mole, assim desairosamente apelidado pelos adversários. São os Coxas de butique. Eleitores do Aécio, já votaram na Marina e até – credo! — no PT. Vão às passeatas coxas mais para exibir os tênis e óculos de grife, levar os totós para fazer cocô e tirar selfies. Que postam no Facebook sempre mostrando as canjicas.

Já o pessoal do Coxão Duro diz no nome ao que veio. Quando ouve falar a palavra “diálogo” puxa o revólver. Não tem conversa, é na porrada, meu! Falam entre dentes, com porrete na mão e baba no queixo, até para perguntar as horas. Acreditam que o New York Times, o Le Monde, o The Guardian e outros jornais estrangeiros são subsidiados pelo comunismo internacional para chamar o golpe de golpe. Vêem os Coxas Moles com suspeição e acalentam o secreto anseio de decorar a cidade pendurando-os nos postes.

Outra segmentação é de ordem vertical. Há Coxas e, claro, Sobrecoxas. Situam-se no topo da pirâmide. Ou da Coxa. Seria aquela ponta afunilada da coxinha de padaria. Frequentam este nicho os Arautos do Coxismo: os ideólogos do movimento, suas lideranças, seus financiadores, donos de jornais e seus pet-colunistas, dirigentes político-partidários. São os que dão os rumos, entram com a propaganda e a grana grossa.

Desferindo certeiras tuitadas no cérebro de seu rebanho, o astrólogo Olavo de Carvalho é da primeira galera, sempre tangendo os bolsões sinceros porém radicais do Coxismo. É Bolsonaro desde criancinha, quando escapou de ser comido, via oral, pelos comunistas. Seu bolsonarismo rendeu-lhe – e continua rendendo – uma guerra de bugios com Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, rivais na refrega pela condição de Guia Genial dos Coxas. Joga pesado, do pescoço para cima tudo é canela. Aprecia apelidos e escrachos. Chama Constantino de “Cocô Instantâneo” e Reinaldo de “Arruinaldo”. Seu pensamento vivo: 1) a abertura das Olímpiadas mostrou que os comunistas controlam o Brasil; 2) as universidades são agências do comunismo internacional; 3) o aquecimento global é uma farsa completa; 4) o PSDB é de esquerda; 4) Obama é um agente russo.

Azevedo criticou Olavo que retrucou no seu padrão: “Cada vez que o Reinaldo Azevedo fala de mim ou do deputado Bolsonaro ele se emboneca todo e fica tocando punh… na frente do espelho…”, escreveu no Twitter. Constantino caiu um tanto no ibope da Coxilândia depois que viajou à Disney e postou no FB uma foto com o Pateta. Embora muitos Coxas tenham achado fofo, outros não amaram tanto. No meio da barafunda, Olavo acertou-lhe um uppercut: “Só não digo que seita fechada é o seu cu porque não averiguei o estado das pregas”.

É a face mais circense da coisa toda. O poderio mesmo vem dos financiadores – Fiesp e similares — e da pregação tóxica e diuturna dos grandes conglomerados da mídia empresarial.

Não podemos esquecer da facção Coxabamba. Não, nada a ver com o altiplano, flautas e El Condor Pasa, que eles tem horror desses troços de índio. São os Coxas que já botaram camiseta da CBF, bateram panelas e foram pra rua com nariz de palhaço. Hoje, com a ascensão do interino, após as gravações nauseabundas de Sérgio Machado com Jucá e outros, estão meio confusos, vacilantes, enfim bambeiam hamletianamente: ser ou não Coxa? Onde eu errei, perguntam-se usando, agora, apenas o nariz de palhaço.

Finalmente, a ala Coxa da real politik. Não são Coxas orgânicos. Estão Coxas. São de conveniência. Manejam os punhais, a peçonha e as lições dos Bórgias. Sem o charuto de Capone, exalam o aroma dos Corleones. É a turma que grudou — com cola bonder — o nariz de bolota vermelha nos Coxas modelito avenida Paulista — aqueles que patrioticamente até a bunda botaram de fora para varrer a corrupção. É a patota que faz política de resultados – seja para empalmar, sem voto, o mando e o comando da nação, seja para livrar-se da cadeia. A união do útil ao agradável. São os Temer, os Padilha, os Serra, os Geddel, os Jucá, os Mendoncinha, os Cunha. Será justo defini-los como Coxa Nostra.

Altamiro Borges: Viagem ao universo dos "coxinhas"

Altamiro Borges: Viagem ao universo dos "coxinhas": Por Ayrton Centeno, no site Sul-21 : Agora que o Coxismo pretende moldar o país a sua imagem e semelhança, é crucial entendê-lo. Aden...

Juiz pune jornalista - CorreiodoBrasil

Juiz pune jornalista - CorreiodoBrasil: Sentença absurda atenta contra direitos humanos e a liberdade de imprensa.
Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro:

O jornalista ficou cego, mas o juiz vê às avessas

Esta é demais. O juiz Olavo Zampol Júnior, da 10ª vara do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou um justo pedido de indenização feito pelo fotógrafo Sérgio Andrade da Silva, que ficou cego do olho esquerdo ao ser atingido por uma bala de borracha disparada pela Polícia Militar de São Paulo quando cobria uma manifestação, em junho de 2013 do Movimento Passe Livre.
O juiz ainda por cima culpou o próprio profissional de imprensa pelo que aconteceu. A sentença deixou muita gente perplexa e já provocou inúmeros protestos.
Mas a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que deveria estar na linha de frente dos protestos, simplesmente não se manifestou. O lamentável silêncio da entidade histórica é de fato uma agressão, mas neste momento não chega a surpreender,É retrato da atual diretoria da ABI, sob a presidência de Domingos Meireles, um jornalista que desonra a profissão por seu alinhamento automático com as entidades patronais como a Associação  Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABERT),
A ABI não merece tal posicionamento vergonhoso, que não só desonra a história da entidade, sobretudo de presidentes  como Barbosa Lima Sobrinho e Maurício Azêdo, que tanto se empenharam em colocar a ABI como protagonista da história contemporânea brasileira.
O fato lamentável em São Paulo é na verdade um atentado da justiça ao exercício profissional do jornalismo. A partir daí, qualquer jornalista que cobrir uma manifestação com a PM paulista reprimindo estará sujeito a uma dupla violência seja pela tropa ou pela justiça depois do veredicto do juiz Olavo Zampol Júnior.
Além disso, ao absolver a PM, o juiz está dando o sinal verde para a continuidade da repressão, que em São Paulo sob a gestão do governador Geraldo Alckmin, o comandante em chefe da corporação estadual, virou rotina.
O absurdo da sentença merece que foros internacionais sejam chamados a se posicionar. Instancias de defesa dos direitos humanos da ONU e OEA devem ser acionados imediatamente.
E o juiz Olavo Zampol Júnior deve receber o repúdio de todos os defensores dos direitos humanos e da liberdade de imprensa. Ou será que alguém duvida que culpar o fotógrafo que perdeu a vista esquerda devido a violência policial não é um atentado a  todos os  jornalistas?


Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV transmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançados no Rio de Janeiro.
Direto da Redação é um fórum democrático de debates editado pelo jornalista Rui Martins.


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ROMERO JUCÁ CONFIRMA: IMPEACHMENT É GOLPE !

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Altamiro Borges: A merecida ausência de Temer na Rio 2016

Altamiro Borges: A merecida ausência de Temer na Rio 2016: Por Paulo Moreira Leite, em seu blog : A ausência de Michel Temer da cerimônia de encerramento da Rio 2016 é uma demonstração de fraque...

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