segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PETROBRÁS - Graça Foster, de catadora de papel à presidente da Petrobrás.

Por Gustavo Belic Cherubine

Da Carta Maior

'PINHEIRINHO' E A NOVA PRESIDENTA DA PETROBRÁS

A nova presidenta da Petrobrás, Graça Foster, cresceu num favela. Sua infância foi vivida no Morro do Adeus, no Rio de Janeiro, que hoje integra o Complexo do Alemão. Até os 12 anos, ela catou papel e lata na rua para custear os estudos, como narrou recentemente em entrevista ao jornal Valor. Há mais de três década na Petrobrás, Graça sucederá a José Sérgio Gabrielli, que dirigiu a estatal no ciclo mais importante desde sua criação, nos anos 50. O saldo mais reluzente desse período foi a descoberta das reservas pré-sal, mas, sobretudo, a regulação soberana dessa riqueza pelo Presidente Lula.

Em 2009, a contrapelo da coalizão demotucana e do candidato da derrota conservadora, José Serra, o governo brasileiro transformou a principal descoberta mundial de petróleo dos últimos 30 anos numa poupança do povo brasileiro. Recusou-se a reduzí-la a uma commodity para o repasto dos mercados. Serra, na campanha de 2010, prometeu: vitorioso, decretaria a 'reintegração de posse do pré-sal' às petroleiras internacionais. A mulher que assume esse patrimônio histórico sabe onde o Brasil grita e precisa ser ouvido.
p>O Brasil pobre hoje grita em 'Pinheirinho', por exemplo, a ocupação de 1660 famílias, violentamente despejadas neste domingo em São José dos Campos (SP). No momento em que a truculência do dinheiro grosso e o menosprezo conservador pelos excluídos produz uma tríplice aliança entre o poder judicial paulista, o governo do Estado e a administração tucana de São José dos Campos, é valioso saber que na esfera federal existem olhos e ouvidos que sabem onde o Brasil grita. Reverter o arrasa-terra em 'Pinheirinho' seria a melhor forma de o governo Dilma transformar a nomeação de Graça Foster mais do que numa boa notícia: um símbolo de seu mandato, em defesa das meninas pobres que ainda catam papel e lata nas ruas do país.

(Carta Maior).

Do Valor Econômico

Foster: Ela cultiva o rigor e a ternura

"A Dilma do Petróleo". A frase é quase inevitável quando se conversa com alguém que convive ou conviveu profissionalmente com Maria das Graças Silva Foster, 58 anos, ou simplesmente Graça Foster, indicada pela presidente Dilma Rousseff para substituir José Sérgio Gabrielli na presidência da Petrobras, a estatal que é a maior empresa do país e uma das maiores do mundo no setor.

Depois que a notícia foi confirmada em um comunicado da estatal informando que o nome de Graça Foster será indicado na próxima reunião do conselho da empresa, marcada para o dia 9 de fevereiro, as ações da Petrobras subiram no pregão da BM&FBovespa: as ordinárias, 3,6%, e as preferenciais, 3,94%.

Graça Foster é uma mineira que cresceu em favela do Rio de Janeiro nos anos 50, o Morro do Adeus (zona norte), que hoje faz parte do Complexo do Alemão, ocupado pela polícia em 2010. Foi lá que viveu até os 12 anos de idade, quando a família mudou-se para a Ilha do Governador (zona norte). No morro, começou a trabalhar, aos 8 anos, como catadora de papel, garrafas e latas que vendia para comprar material escolar.

Mineira, Graça cresceu em favela do Rio, foi catadora de papéis e depois se formou em engenharia

Ao contar sem pieguice a infância dificílima em entrevista no ano passado, Graça protestou quando ouviu a repórter concluir que era estudiosa para chegar onde chegou. Afinal, é uma tarefa e tanto formar-se em engenharia química, ter mestrado em engenharia de fluidos, pós-graduação em engenharia nuclear e MBA em economia saindo de uma infância com tão poucos recursos. Ela discordou.

"Eu sempre estudei porque precisava estudar, precisava sobreviver e cuidar da minha mãe", corrige. Essa trajetória, sem dúvida, ajudou a moldar sua personalidade adulta. "A necessidade que eu tive de superar a mim mesma tantas vezes desde a minha infância me trouxe muita força, muita coragem e muita confiança. Tive que comprar minha borracha, minha caneta e acho que começou aí a necessidade de cuidar de mim e o entendimento que eu tinha também que cuidar dos meus pais", contou.

Ainda na faculdade, Graça teve a filha Flávia, que lhe deu a neta Priscila. As três são virginianas. Do terceiro casamento, nasceu o filho Colin Foster, que tem o mesmo nome do pai.

A comparação da engenheira com a presidente da República, avalista da ascensão profissional recente, é feita pelos observadores sob dois pontos de vista que se relacionam: a fama de eficiência técnica e de dureza no trato profissional que ambas ostentam e que, no caso da futura presidente da Petrobras, lhe rendeu um impressionante histórico de admiração mesclada com temor.

A indicação de Graça era esperada há mais de um ano e por isso não causou surpresa no mercado. Fontes ligadas à indústria não acreditam que a mudança na Petrobras ficará apenas na presidência. A primeira grande pergunta é quem vai substituir Graça na diretoria de gás e energia. O nome mais lembrado pelo mercado é o de José Lima de Andrade Neto, funcionário de carreira da estatal, ex-secretário de petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia e atual presidente da BR Distribuidora, cargo que assumiu substituindo Graça. Mas a executiva também pode ter negociado sua substituição por um de seus gerentes-executivos.

Os nomes mais cotados são o de Richard Olms (responsável por logística e participações em Gás Natural) e o de Antonio de Castro (marketing e comercialização de gás e energia). Também são grandes as expectativas de mudança em outras diretorias, como a de exploração e produção (com Guilherme Estrella) e da área internacional, que hoje é dirigida por Jorge Zelada por indicação do PMDB do Rio de Janeiro.

Graça Foster conheceu a presidente Dilma Rousseff em 1998, quando trabalhava na TBG, empresa controlada pela Petrobras responsável pela construção e operação do trecho brasileiro do Gasoduto Bolívia-Brasil. "Ela era secretária de energia do Rio Grande do Sul. Começamos a trabalhar juntas e estamos juntas trabalhando, assim como os outros diretores estão juntos trabalhando com a presidenta. O governo é o controlador e ela representa o controlador", explicou Graça em entrevista no ano passado.

Uma das mudanças que a executiva deve fazer no comando da Petrobras é a adoção de um sistema de gerenciamento em todas as área da empresa com os projetos catalogados e com sua base orçamentária anexada. A executiva é extremamente organizada e toda a carteira de projetos da área de gás e energia segue esse padrão. Trabalhadora compulsiva, Graça é uma chefe exigente com prazos e metas. Atrás de sua mesa ela tem um calendário de "marcos" que detalha datas das diferentes fases de todas obras da sua área. Em um dia de novembro do ano passado estava marcado o vencimento do prazo de autorização para construção e montagem da estação de compressão de Pilar. O quadro com os marcos de 2011 foi arquivado em novembro e substituído pelo de 2012, onde já estão previstos todos os projetos da área de gás e energia que fazem parte do Plano Estratégico da Petrobras até 2016.

"É a forma mais primitiva de gestão, a mais simples, você saber o que tem que fazer. Todos os gerentes sabem o que precisam fazer, e os coordenadores dos projetos sabem todos os marcos", explicou Graça em uma entrevista ao Valor no final do ano passado.

É possível perceber por aí que não deve ser fácil ter como chefe um "trator" como esses. Nos corredores da Petrobras, muitas histórias, com os exageros da transmissão oral, ilustram essa fama. Uma delas conta que, já como diretora de Gás e Energia da empresa, Graça pediu a uma pessoa da sua equipe um determinado trabalho. Conhecedora do estilo explosivo da chefe quando alguma coisa não saía como ela desejava, essa pessoa decidiu gravar o pedido para não cometer erros.

Dito e feito: na hora que recebeu o trabalho solicitado, na frente de várias pessoas, a diretora disse que estava tudo errado e que não fora aquilo que ela pedira. Como o célebre cacique Juruna, a pessoa recorreu ao gravadorzinho com o objetivo de mostrar que agira de acordo com a ordem recebida. Em um acesso de fúria, Graça então arremessou o equipamento que se espatifou contra a parede.

Dias depois, a pessoa ofendida recebeu um pequeno presente: ao abrir, verificou que era um gravador igual ao que perdera. Junto, havia um pedido de desculpas. Essa segunda parte evidencia outra face do temperamento da nova indicada para presidir a Petrobras: um misto de dureza extrema com ternura, ao melhor estilo de Ernesto Che Guevara, que, passado o rompante, a faz admitir seus excessos e se desculpar.

Por essas e outras é que um profundo conhecedor da Petrobras e do setor como um todo deu seu diagnóstico acompanhado de um pedido de discrição quanto ao seu nome: "Na média geral, a troca (de Gabrielli por Graça) é positiva para a empresa, só não sei se também para o subordinados".

Para esse observador, a futura presidente da estatal tem pulso firme e conhecimento do setor suficientes para corrigir problemas que a empresa vem enfrentando nos últimos anos. Um deles, a insistente desconfiança do mercado quanto à sua capacidade de gerar receita suficiente para remunerar consistentemente seus acionistas.

Graça chega cedo ao escritório, trabalha muito -há cinco anos não tira férias- e cobra mais ainda. Às vezes, prefere ouvir os técnicos de campo a seus pares de diretoria, deixando esses últimos um tanto constrangidos.

Mas a seu crédito consta o esforço recente para aumentar a disponibilidade de gás natural no mercado, seja com geração o própria ou com importação, minimizando a insegurança quanto ao abastecimento, especialmente para fins de geração elétrica. No comando da BR Distribuidora teria, entre outros, o mérito de combater incansavelmente os fraudadores de combustíveis que colocaram em cheque os mercados de distribuição e de revenda.

O físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), afirmou que discutiu muito com Graça no tempo do apagão elétrico brasileiro (em 2001), a criação de um programa específico para destinação do gás para a geração elétrica.

Para ele, ficou uma imagem de eficiência e trabalho. Quanto à fama de durona, o também polêmico diretor da Coppe tem um ponto de vista simples: "A gente não precisa de moleza".

O analista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), conhecido como um ferrenho adversário de Pinguelli, concorda com o diretor da Coppe quanto a Graça Foster. Pires vê na futura presidente da estatal a imagem de profunda conhecedora da empresa, onde está desde 1978, e o nome mais acertado para substituir Gabrielli.

Permanentemente preocupado com a rentabilidade da estatal para os acionistas privados, o técnico vê na relação estreita da presidente da República com a futura presidente da Petrobras a chance de a empresa ter uma gestão mais técnica e menos política que corrija as distorções há muito apontadas pelo mercado como causa da baixa rentabilidade da empresa.

A fama de durona e de íntegra não evitou que fossem levantadas suspeitas de favorecimento pela Petrobras da empresa C. Foster, pertencente a Colin Foster, atual marido de Graça. As suspeitas referem-se a 42 contratos, sendo 20 sem licitação, que a estatal teria assinado com a C. Foster para a compra de componentes eletrônicos desde que a futura presidente assumiu a diretoria de Gás e Energia da empresa. Segundo a Petrobras, nenhum contrato foi assinado com a área dirigida por Graça.
Fonte: Luis Nassif online

MÍDIA - Fernando Morais versus Yoani Sánches.

Por Altamiro Borges do Blog do Miro.

Conhecido defensor de Cuba e um dos jornalistas mais renomados do Brasil, autor do clássico “A Ilha” e do recém-lançado “Os últimos soldados da guerra fria”, Fernando Morais não se curva diante do endeusamento midiático da dissidente Yoani Sánchez. De Porto Alegre, onde participou do Fórum Social Temático, ele foi taxativo: “Não mexerei um palito pela blogueira cubana”.

O motivo é simples. Para ele, toda a campanha midiática em defesa de Yoani Sánchez e as críticas à revolução cubana “só ajudam o inimigo” – os Estados Unidos, que mantêm um criminoso bloqueio à ilha. “Sou defensor da liberdade de expressão. Mas, em primeiro lugar, defendo o direito de 11 milhões de cubanos que estão sendo espezinhados pelos americanos”.

Sem inocência diante dos EUA

Fernando Morais participou de um debate na sexta-feira (27) sobre o seu novo livro, “Os últimos soldados da guerra fria”, que trata da prisão e condenação nos EUA dos cinco cubanos que investigavam as ações terroristas da máfia de Miami. Ele conhece a fundo as provocações patrocinadas e financiadas pelo império contra a revolução cubana e não se ilude com o alarde midiático.

“Já perdi a inocência com os Estados Unidos. Na política externa, não faz a menor diferença se é democrata ou republicano. Quem meteu os americanos nas piores aventuras externas foram os democratas”, argumentou. Para ele, o governo Obama “não mudou absolutamente nada” nas relações com Cuba e mantém o bloqueio, as provocações e os subsídios à conspiração na ilha.

Em defesa da soberania cubana

“Em nome das minhas convicções, não posso apoiar uma moça que vem dedicando sua vida a combater a revolução. Eu não vou mexer um palito para que essa moça venha ao Brasil”, concluiu. Fernando Morais reconhece que há erros e limitações em Cuba, mas afirma que isto não justifica as tentativas do império para derrubar o regime cubano, ferindo sua soberania e independência.

POLÍTICA - A presidenta Dilma e Paulinho da viola.

Urariano Mota no Direto da Redação.


Recife (PE) - Um dia desses notei que a história política do Brasil poderia ser contada pela história da sua música popular. E como sempre acontece em qualquer descoberta, essa conclusão geral me chegou pela persistência de alguns casos individuais, que traziam em si um dom universal. Assim foi, por exemplo, em páginas de “Soledad no Recife”, quando a ressurreição dos malditos anos da ditadura se fez sob a canção dos tropicalistas. Assim foi quando escrevi sobre Geraldo Vandré, sobre Chico Buarque, sobre Roberto Carlos... assim tem sido em textos mais ambiciosos, escritos sob a música íntima que me acompanha ao narrar o mundo submerso da infância. Que nos acompanha a todos quando recuperamos vidas, melhor dizendo.

Escrevo isso agora a partir de uma revelação do livro “A vida quer é coragem”, de Ricardo Batista, conforme artigo de Alberto Villas:

“...a uruguaia Maria Cristina Uslendi conta que em outubro de 1971, toda vez que voltava das sessões de tortura encontrava Dilma de braços abertos ‘me amparando, me ajudando a usar a latrina quando não tinha forças, me dando sopinhas de colher na boca, me cedendo a parte de baixo do beliche e pondo na vitrolinha de pilhas as melhores músicas da MPB’. Cristina conta que Dilma sempre pedia a ela que prestasse muita atenção à letra de "Para um amor no Recife", uma canção de Paulinho”.

O quanto isso é verdadeiro. O quanto a música popular foi remédio, cura e perdição da maioria dos brasileiros que estiveram contra a ditadura. O quanto devemos a esses artistas da canção, numa dívida que eles próprios não alcançam o tamanho, mas que é, ao mesmo tempo, motivo de sufoco e prisão para eles, em razão do papel que ganharam à sua revelia. No entanto, importa mais aqui, para não me distanciar do objeto destas linhas, falar alguma coisa sobre o Paulinho da Viola daqueles anos.

Quando “Foi um rio que passou em minha vida” apareceu no Brasil, éramos estudantes numa sexta-feira à noite, numa serenata em Maria Farinha. Achávamos então que a revolução socialista seria a coisa mais natural do mundo. E por ser assim tão natural, nada demais também que ouvíssemos, não se espantem, 41 vezes, seguidas, contínua e incansavelmente foi um rio, foi um rio, foi um rio em uma vitrolinha de pilha. Naquele ano, e por que não ainda? , todos nós éramos Paulinho, nessa estranha empatia, mistura de identidades que a verdadeira arte produz. Todos nós repetíamos, e repetimos, e repetimos... que “meu coração tem mania de amor, e amor não é fácil de achar”. À maneira de cantar, gritávamos esses versos então.

Depois, morando na Pensão Princesa Isabel, no centro do Recife, Paulinho era "Simplesmente Maria". “Na cidade, é a vida cheia de surpresa, é a ida e a vinda, simplesmente, Maria, Maria, teu filho está sorrindo, faz dele a tua ida, teu consolo e teu destino, Maria...”. Nesse tempo, sempre compreendíamos o “faz dele a tua ida” como um “faz dele a tua ira”. Enquanto subíamos a escada para um quartinho isolado no alto, da televisão da sala vinha a música, tema de uma novela. Ela nos lembrava sempre que estávamos sozinhos e sem mãe, cujo nome também era Maria. À hora dessa música sempre esperávamos algum golpe traiçoeiro da polícia que queria nos matar. Sem Maria que nos velasse.

Então houve Para um amor no Recife. Diziam então que Paulinho fizera essa música para a secretária de Dom Hélder Câmara. As boas, e as más línguas principalmente, acrescentavam que a dedicada senhora vinha a ser a namorada secreta do arcebispo. Entre o sussurro e a maledicência, entre a repressão da ditadura Médici e a resistência serena erguia-se um poema belo, quase autônomo da melodia: “A razão por que mando um sorriso e não corro, é que andei levando a vida quase morto. Quero fechar a ferida, quero estancar o sangue, e sepultar bem longe o que restou da camisa colorida que cobria minha dor. Meu amor, eu não esqueço, não se esqueça, por favor, que voltarei depressa, tão logo acabe a noite, tão logo este tempo passe, para beijar você ”. Esta é uma canção que só fez melhorar ao longo de todos esses anos. A ditadura não existe mais, o seu motivo imediato não mais existe, mas a composição só vem crescendo, apesar da degradação do Recife, que entra quase incidentalmente no título.

domingo, 29 de janeiro de 2012

MÍDIA - Ferramentas digitais potencializam os movimentos sociais.

A rua que atravessa o edifício da Casa de Cultura Mario Quintana, a Travessa dos Cataventos, no Centro Histórico de Porto Alegre, foi tomada na tarde desta quinta-feira por ativistas digitais. A conferência que abriu o segundo dia do Conexões Globais 2.0, evento paralelo ao Fórum Social Temático, reuniu representantes e defensores dos movimentos que se organizaram nas redes sociais na internet em 2011 e tomaram forma em espaços públicos, em diferentes países e contextos, para reivindicar a participação da sociedade na construção política.

A reportagem é de Bibiana Borba e publicada pelo Jornal do Comércio, 27-01-2012.

O debate Ferramentas Sociais para Ativismo e Militância Política teve a participação do sociólogo Sérgio Amadeu, do gestor do Circuito Fora do Eixo Pablo Capilé, e dos espanhois Javier Toret, organizador do movimento 15M, Vicente Jurado, desenvolvedor de ferramentas de colaboração, e Bernardo Gutiérrez, jornalista e consultor de mídias radicado em São Paulo. Marcelo Branco, representante da Associação SoftwareLivre.org, organizadora do evento, mediou a discussão que, segundo ele, foi um dos exemplos do "hackeamento" proposto pelas novas formas de ativismo. "Hackear é entrar nos espaços, é penetrar dentro das estruturas para construir as nossas propostas", esclareceu.

O novo ativismo que ganhou repercussão com as revoluções da chamada Primavera Árabe e chegou até o berço do capitalismo com o movimento Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, para Sérgio Amadeu, é algo que já vinha sendo organizado pontualmente e ganhou força com o poder de disseminação da internet. O sociólogo chamou a atenção para as manifestações que ocorreram nos dias 18 e 19 deste mês, quando hackers se uniram a ativistas para paralisar websites de grandes corporações, em protesto contra propostas de leis de restrição à informação na rede. Para Amadeu, são exemplos do que é possível quando a inteligência coletiva atua junto aos movimentos sociais já organizados. "Precisamos trazer os movimentos sociais tradicionais para esse novo ativismo, digitalizar o mundo sindical", sugeriu.

Javier Toret explicou como foi organizado o movimento 15M, que culminou no dia 15 de maio do ano passado com passeatas de milhares de pessoas em mais de 50 cidades da Espanha, insatisfeitas com a corrupção na política e o desemprego juvenil de mais de 50%. Além das redes sociais mais populares na internet, como Twitter, Facebook e YouTube, o grupo utilizou ferramentas de software livre, como o OurProject.org, criado por Vicente Jurado. O objetivo dessas plataformas é o desprendimento da utilização de intermediários privados para a comunicação, por comprometerem a privacidade dos usuários ao visarem o lucro.

Na lógica desse ativismo do século XXI, que busca a independência dos cidadãos perante as instituições, Pablo Capilé atua junto a outros produtores culturais espalhados pelo Brasil para promover a cultura livre. O Circuito Fora do Eixo é uma espécie de economia colaborativa que visa sustentar iniciativas culturais independentes. O estabelecimento de conexões entre esses produtores através da internet possibilita, na definição de Capilé, que as iniciativas sejam "downloadeadas" para fora da rede.

Bernardo Gutiérrez vê a atual implicação do mundo virtual no território como uma reapropriação do conceito grego de "pólis", a cidade formada pelos cidadãos políticos. O jornalista sugere que o termo P2P, originalmente "peer to peer", esteja adquirindo o significado de "peer to polis", no retorno do cidadão às praças para reivindicar seus direitos. "Nós precisamos abrir o código fonte do poder", propôs Sérgio Amadeu.

O Conexões Globais 2.0 continuou a debater os movimentos sociais potencializados pela internet no final da tarde desta quinta-feira, com um debate dedicado apenas ao movimento Occupy Wall Street. O evento segue até sábado (28) na Casa de Cultura Mario Quintana, com outras conferências, oficinas e paineis sobre a cultura livre. A programação completa pode ser conferida no site www.conexoesglobais.com.br.
Fonte: IHU

MÍDIA - A deterioração editorial da Época e o caso Irma Passoni.

Luis Nassif online

Outro dia o Miguel do Rosário fez um xiste sobre o padrão de ilação do jornalismo atual: a mídia descobriu que o sobrinho do fulano de tal andou na garupa da moto do primo do sujeito que foi amigo de beltrano que foi apanhado pelo TCU. Época ainda chega lá.

Confira a denúncia desta semana.

Tempos atrás houve uma discussão interna na Globo sobre o posicionamento editorial da revista. Durante certo período, Época praticou um belo jornalismo.Conversei uma vez com um correspondente da revista no nordeste: ele mandava a reportagem, era editada; depois recebi a versão final em PDF para conferir se não houve nenhuma alteração no conteúdo. Fontes da revista eram consultadas depois da entrevista, para conferir se as declarações aproveitadas refletiam o conteúdo. Se persistisse, poderia se tornar uma alternativa à falta de conteúdo da Veja.

Internamente, jornalistas defenderam a tese de que a Época deveria se posicionar mercadologicamente em uma centro-esquerda civilizada, sem criminalizar movimentos sociais, sem se submeter ao papel sórdido de assassinar reputações de adversários e, principalmente, praticando jornalismo.

Venceu a tese de Helio Gurowitz de que, para combater a Veja, a Época deveria ficar mais à direita ainda e potencializar mais ainda o estilo esgoto do concorrnete.

De fato, está se tornando uma Veja sem os leitores da Veja, conforme se pode conferir na matéria do repórter Murilo Ramos, sobre Irma Passoni e Gilberto Carvalho.

O motivo da matéria é simples. Na semana passada Carvalho investiu contra o governo de São Paulo, no caso Pinheirinho, e externou críticas à ideologia da mídia. Pronto: precisava ser abatido a tiros.

Aí encontram uma cobrança de contas do MCT para uma ONG dirigida pela deputada Irma Passoni. Ex-freira, só pode ser apadrinhada de um ex-seminarista: Gilberto Carvalho. Aliás, dia desses saiu um documento mostrando que a Fundação Roberto Marinho não cumpriu metas acordadas com o governo em projetos que usavam recursos públicos.

Confira a lógica de como utilizar Irma Passoni para atingir Carvalho:
1.Sem especificar qual o “crime” cometido, começa a esmiuçar as relações entre Carvalho e Joe Valle (que, no MCT, autorizou verbas para a ONG de Irma), como se habitassem o mundo dos delitos. Descobre que Carvalho prestigiou a posse de Joe na presidência da Emater de Brasilia. E, na posse, estavam presentes o governador do DF Arruda e o empresário Paulo Otávio, abatidos pela Operação Caixa de Pandora. Ou seja, prato cheio para o Miguel do Rosário.
2.Depois descobre outros pontos de contato entre eles: ambos compartilham o mesmo interesse comum por agricultura orgânica. Aí diz que tem um documento de posse dela que afirma que Valle é pau mandado de Carvalho.
3.Depois descobre com seu faro fino que Carvalho é ex-seminarista, Irma ex-freira e ambos são fundadores do PT. Pronto, todos os elos mapeados permitindo montar o mapa final rumo ao tesouro escondido na caverna do ridículo. (No final entra no jogo até dom Mauro Morelli).

O crime

A ex-deputada Irma Passoni tem um histórico na área de tecnologia e movimentos sociais. Nos anos 90 dirigiu um instituto similar ao ITS, ligado à Unicamp e bastante respeitado. Desde aquele período, em pleno governo FHC, seu trabalho seja na Câmara ou na ONG – sempre ligado aos temas de telecomunicações e inserção social – era respeitado por todos, de empresas a governo.

Na matéria da Época, desconsiderou-se totalmente os antecedentes. Transformou Irma em uma picareta de ONG para poder atingir Carvalho.

Todo o texto da matéria visa escandalizar os aspectos mais comezinhos da ONG.

Trata os objetivos da ONG – “promover a geração, o desenvolvimento e o aproveitamento de tecnologias voltadas para o interesse social e reunir as condições de mobilização do conhecimento, a fim de que se atendam às demandas da população” – como “vaga missão”.

Sustenta que o sucesso da ONG se deve a um padrinho forte, Gilberto Carvalho. Dona Ruth Cardoso tinha uma ONG que recebeu verbas milionárias, porque tinha padrinhos fortes e porque era uma pessoa tão respeitável quanto Irma.

E aí?

Aí se entra no “crime” propriamente dito. Um dos convênios, “patrocinado pela dupla Carvalho-Valle” (faltou dizer que reunidas sigilosamente embaixo de um pé de amoreira orgânica) recebeu uma cobrança do ordenador de despesas do Ministério de Ciência e Tecnologia. Cobram-se os comprovantes de uma despesa em um convênio de R$ 1,5 milhão. Toda a matéria gira em torno desse episódio. Parece o edifício que caiu na Cinelândia: vários andares em cima de um estrutura pífia.

O repórter destaca na relação de eventos uma discussão sobre a “Carta do Achamento do Brasil”, de Pero Vaz de Caminha; e outra sobre a “arqueologia dos movimentos sociais”. Da maneira como coloca, fica parecendo que foram as duas únicas atividades do convênio. E fica parecendo que discutir um dos documentos fundadores e as origens dos movimentos sociais é algo tão estranho quanto a existência de outras galáxias no universo. Se esse pessoal se deparar com um livro do Sérgio Buarque de Hollanda é capaz de sair correndo achando que é uma cascavel perigosa.

No fim do parágrafo, bem perdida, a informação de que “em nota, o ITS disse ter enviado todos os documentos previstos na prestação de contas e que está à disposição para esclarecimentos”. E não colocam os esclarecimentos, para não estragar a matéria.

A matéria termina com outra “denúncia”: Carvalho teria apresentado a Valle outra ONGs perigosíssima, a Harpia Harpyia, dirigida por Dom Mauro Morelli. E encerra com aquela lição de moral digna dos melhores momentos de Veja: “O melhor seria se as ONGs dos amigos de Carvalho conseguissem dinheiro apenas por sua competência e eficiência, sem a necessidade dos pistolões do Planalto”.

O mesmo poderia ser aplicado à ONG de Mônica Serra (que não cumpriu as metas acordadas com a Lei Rouanet e teve o prazo prorrogado), de dona Ruth, à Fundação Roberto Marinho entre o universo geral de ONGs

POLÍTICA - disputa pela prefeitura de São Paulo.

Pesquisa Datafolha coloca o pré-candidato do PRB, Celso Russomanno, na liderança pela Prefeitura de São Paulo, se Serra não for candidato.

A pesquisa Datafolha mostra que, em quatro dos cinco cenários consultados, Celso Russomanno só não venceria a eleição, se ela ocorresse hoje, em caso de disputa contra o ex-governador José Serra (PSDB), que tem dito ao seu partido que não concorrerá à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

O maior porcentual de intenção de voto conseguido por Russomanno ocorre quando o deputado federal Ricardo Tripoli é colocado como o candidato tucano na corrida eleitoral (21%), e o menor (17%) é quando Serra aparece como o nome do PSDB. Nesse cenário, o ex-governador recebeu 21% das intenções de voto. Exceto Serra, os demais nomes do PSDB variam entre 2% e 6%.

Nos cinco cenários pesquisados – cada um com um nome diferente do PSDB – o pré-candidato do PT, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, vai de 4% a 5%. Gabriel Chalita (PMDB) recebeu entre 6% e 9% das intenções de voto e Netinho de Paula, do PCdoB, aparece com porcentual que vai de 11% a 13%, sendo que em todos os cenários ele apresentou queda em relação à sondagem anterior (ainda que dentro da margem de erro).

José Serra tem, de acordo com o Datafolha, rejeição de 33% dos eleitores consultados, atrás apenas de Netinho de Paula, com 35%. O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT), tem rejeição de 20% dos pesquisados, enquanto Russomanno aparece com 12% e Chalita com 11%, o mesmo porcentual verificado para Haddad (11%).

A pesquisa DataFolha foi realizada nos dias 26 e 27 de janeiro com 1.090 eleitores da capital paulista. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

Traduzindo tudo isso: o ex-presidente Lula vai ter muito trabalho pela frente para conseguir plantar o poste Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.

POLÍTICA - Tolerância social zero.

Kennedy Alencar – na Folha

A vocação do PSDB para se distanciar do povo parece não ter limite. No seu partido, os tucanos paulistas são os campeões de insensibilidade social.

FHC chegou aonde chegou porque resolveu um problema concreto do povo: a alta inflação. Os mais pobres eram os que mais sofriam. O reconhecimento aconteceu em duas eleições presidenciais vencidas no primeiro turno.

No governo, porém, FHC deu espaço tímido aos que lhe pediam programas sociais mais amplos, como Vilmar Faria e Ruth Cardoso. Com muito esforço, nasceram programas de assistência social que se tornaram o embrião do projeto que seria massificado na gestão Luiz Inácio Lula da Silva.

Faz pouco tempo que o PSDB e seus aliados tradicionais abandonaram o discurso contra o Bolsa Família. Os tucanos entenderam que valia muito mais a pena brigar pela paternidade de programas sociais hoje elogiados no mundo inteiro.

O governo de São Paulo tem entendido bons resultados na segurança pública como uma aval para praticar a tolerância social zero. Na administração do cordial Geraldo Alckmin, houve violência policial exagerada contra estudantes, ação desastrada da PM na cracolândia paulistana, dirigente da CDHU culpando moradores pelos defeitos de habitações populares e um atentado contra os direitos humanos no Pinheirinho.

Não são casos isolados. Refletem uma visão conservadora, de direita, que enxerga a questão social como caso de polícia. O Brasil até precisa de uma partido de direita, desde que não seja uma direita obscurantista, golpista e autoritária como tivemos antes e durante a ditadura militar de 1964. Para ser uma alternativa de poder competitiva, o PSDB precisa de um banho de povo.

Para quem tem praticado a tolerância social zero, a visita do governador Alckmin ao ex-presidente Lula veio bem a calhar. *

O maior problema do Brasil

A desocupação do Pinheirinho é um desses casos que fazem a gente ficar desanimado com o Brasil. Desde a redemocratização, em 1985, o país vem avançando em muitas áreas. Mas ainda persistem muitos problemas.

O episódio Pinheirinho nos lembra que a desigualdade social continua a ser o nosso maior problema. De longe, supera a má qualidade da educação, a carência de bons serviços de saúde e a violência nos grandes centros urbanos.

É hipócrita tratar a desocupação de Pinheirinho como um questão de obediência e respeito à lei. Houve ali uma clara violação dos direitos humanos pela Justiça e pelo governo paulista.
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sábado, 28 de janeiro de 2012

POLÍTICA - Dilma enfrenta o surrealismo crítico.

Paulo Moreira Leite


O sucesso de Dilma nas pesquisas começa a produzir comentários surrealistas por parte de seus críticos. Como se sabe, entre todos os presidentes eleitos por voto direto, Dilma conseguiu os maiores índices de popularidade para os primeiros doze meses de mandato. Eu acho isso normal. Ela herdou uma economia em boa situação, soube dar respostas necessárias para solavancos do meio do caminho e evitou medidas excessivamente recessivas sugeridas pela oposição. Teve grande firmeza para reduzir os juros enquanto adversários caiam no ridículo ao denunciar um suposto aparelhamento do Banco Central.

Basicamente, Dilma manteve a opção que herdou de Lula, de manter o país no ritmo de crescimento possível. Lula não para de elogiar seu governo e isso também pesa. Em seu devido tempo, Lula não tinha outro Lula com igual popularidade para apoiá-lo, certo?

Jânio de Freitas faz uma observação lúcida:

A aprovação de Dilma Rousseff é a negação do marquetismo como fator básico e decisivo para o êxito na opinião pública. A conduta de Dilma Rousseff ficou aquém, em tudo, do mínimo recomendável pelo marketing político. Nada de artifícios para criar eventos e situações que levem a demoradas e comentadas aparições nos telejornais, com bis nas primeiras páginas do dia seguinte.”

Mas há reações estranhas. Leia uma crítica em tom de lamento: “a presidente não anunciou medidas de impacto, não patrocinou reformas, não apresentou um plano de governo.”

É engraçado ler, em tom próximo ao desânimo, o que deveria ter sido uma observação em tom elogioso: ”Medidas de estímulo à economia evitaram reflexos mais graves no consumo e na taxa de desemprego.” Lamenta-se ainda que, depois da posse, Dilma “precisou apenas corrigir rumos. Beneficiou-se do crescimento econômico acumulado nos anos anteriores e da ligação estreita com o padrinho eleitoral.”

Por fim, uma observação final: a boa avaliação era “previsível”. Como é?

Não sou advogado de Dilma e tenho críticas ao primeiro ano de governo. A principal é que o Planalto perdeu uma grande oportunidade para encontrar uma solução definitiva para o financiamento da saúde pública, o que teria sido possível com a maioria que possui no Congresso e aquele sopro de tolerância que acompanha todo mandato O km.

Considero que, como regra geral, o espírito crítico e a independência são recursos indispensáveis para toda avaliação política séria.
Mas eu acho que os analistas deveriam ter aprendido uma boa lição dos cursos básicos de Ciência Política — a disposição para não perder contato com a realidade, única forma de evitar que ela seja confundida com nossos desejos. A critica exagerada, muitas vezes, transforma-se em pedantismo.

O espírito crítico inclui a capacidade de autocrítica, também. E independência deve valer para todo tipo de pressão que pode desviar um trabalho honesto de avaliação e julgamento.

Se uma presidente consegue ter a maior aprovação da história “sem medidas de impacto,” sem patrocinar “reformas,” sem apresentar “um plano de governo” é porque, talvez, quem sabe, não houvesse necessidade tão urgente assim de “medidas de impacto”, nem de “reformas” nem de um “plano de governo”.

Quem fala que a presidente apenas “corrigiu rumos” e assim mesmo chegou aos 59% de aprovação parece admitir, sem perceber, que talvez não houvesse necessidade de inventar muita coisa no primeiro ano de governo.

Minha impressão é que Dilma fez um governo do tamanho certo para ela, para o país e para a herança que recebeu. Num capítulo em que muitos anunciavam uma postura desastrosa, deu as respostas necessárias ao afastar ministros que não podiam permanecer no governo.

A julgar pelo que se disse e se pensou sobre Dilma, há um ano, talvez fosse o caso de constatar que, para seus críticos, seu governo é uma decepção positiva. Concorda?

MÍDIA - A fúria da população contra a Globo.

Do Blog do Mello.
Globo mente, manipula, distorce e joga seus jornalistas na rua expostos à fúria da população

Não é de hoje que O Globo tem um lado: aquele diametralmente oposto aos anseios do povo. Desde a época de Getúlio, quando jornal e rádio Globo fizeram intensa campanha contra o presidente que criou o salário mínimo, a jornada semanal e a carteira de trabalho.

Quando o povo tomou conhecimento do suicídio de Getúlio, soube muito bem quem levou o presidente àquele desfecho:

"Nas horas seguintes os jornais confirmaram o que o rádio anunciara [o suicídio de Getúlio] através de edições, também extraordinárias, provocando uma comoção popular, sem precedentes, desde a morte de João Pessoa, em 1930. Populares atacaram O Globo e a rádio Globo, (...). O povo voltava-se contra a mídia que julgava culpada pela dimensão que os fatos tomaram. [Fonte]"

Nos dias de hoje, nada mudou. O Globo esteve à frente do golpe de 1964, que apoiou (e do qual se aproveitou) desde o início. Ocultou as gigantescas manifestações a favor das Diretas-Já. Manipulou a eleição presidencial de 1989, que elegeu Collor.

Recentemente, combate furiosa e incessantemente os governos populares dos presidentes Lula e Dilma (contra quem fez oposição sistemática no período eleitoral e nos governos).

Por isso, repórteres da emissora têm enfrentado nas ruas ataques da população. "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo" é o que mais se ouve em qualquer manifestação popular.

Agora, na violenta ação da PM do tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, contra os seis mil moradores do bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, uma viatura da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo na região, foi incendiada.

Enquanto donos, diretores e seus prepostos continuam a manipular as notícias, protegidos em seus escritórios e carros blindados, motoristas, iluminadores, câmeras, repórteres das Organizações Globo têm que enfrentar a fúria de uma população, que admira novelas e programas da Rede Globo, mas abomina sua cobertura jornalística antipopular.

ECONOMIA - Os bilhões de dólares de brasileiros no exterior.

O Banco Central e os bilhões de dólares brasileiros no exterior.

Pedro do Coutto

O Diário Oficial de 26 de Janeiro publica, página 13, a circular 3574 do Banco Central que dá prazo até 5 de abril para os brasileiros e os estrangeiros residentes no país apresentem as relações de bens e valores que possuem no exterior. É para efeito do Imposto de Renda. Os valores e bens, incluindo depósitos em moeda, são os existentes nas contas do dia 31 de dezembro de 2011. O formulário a ser preenchido encontra-se – acentua a circular – disponível no site www.bcb.gov.br.

Assinam o comunicado os diretores Carlos Hamilton Vasconcelos e Altamir Lopes. Vamos ver o que acontece. É fundamental saber a quanto montam tais depósitos, aplicações e recebimentos. Inclusive porque, em alguns casos, como confessou o publicitário Duda Mendonça, é para escapar do peso do leão.

Não se trata de quebrar o sigilo bancário dos titulares das contas, se bem que em alguns casos o segredo foi quebrado pelos próprios bancos, como nos de Paulo Maluf e Rodrigo Silveirinha. Trata-se de saber, o que é de interesse do país, qual o montante da economia nacional transferido para o exterior. E também – aí o problema – de que forma se desenrola e desenvolve tal processo.

O Citibank da Suiça, anos atrás, revelou internacionalmente que Maluf é detentor de uma conta de 442 milhões de dólares. Primeiro estava naquele país. Por uma insatisfação qualquer, o ex-prefeito de São Paulo a transferiu para Cayman. Talvez, por coincidência, no momento em que tal fato aconteceu, a Suiça divulgou a movimentação. Publicou até o nome das empresas depositantes: Mendes Junior, OAS, Andrade Gutierrez, entre outras.

Provavelmente – penso eu – o sistema de Genebra resolveu suspender o pagamento de juros, na escala de 2% ao ano, já que a inflação lá não chega à taxa anual de um ponto. Além do mais, a origem dos depósitos é sombria.De um lado, a UBS (União de Bancos Suiços) informou espontaneamente o valor da conta que o Subsecretário da Fazenda, governo Anthony Garotinho e Rosinha Mateus, possuia nos Alpes. Muito pequena em relação à de Paulo Maluf. Mas de 34 milhões de dólares.

O juiz Lafredo Lisboa, que condenou Rodrigo Silveirinha e os outros integrantes do bando, foi a Genebra certificar-se concretamente. Certificou-se. Propôs ao governo do RJ que promovesse a repatriação do dinheiro. Tomou a iniciativa há dez anos. O governador Sérgio Cabral tomou alguma providência? Não.

O Ministério das Relações Exteriores não conseguiu traduzir para a língua portuguesa a revelação escrita originalmente em francês. Na Suiça fala-se tanto francês quanto alemão. Um estudo da ONU, relativamente recente, admitiu existirem no exterior depósitos particulares (não os oficiais que são de 352 bilhões de dólares) em montante aproximado de 100 bilhões (de dólares). As procedências são as mais diversas. Muitas ilegais, a maioria, outra, digamos, extralegais, uma figura aliás do Direito.

Quando me refiro a ilegais, não estou falando só de corrupção, embora suas usinas estejam permanentemente ligadas, como as das siderúrgicas.Não. Estou me referindo à violação da lei de remessa de lucros, lei 4131, de 1962, João Goulart, projeto de Sergio Magalhães alterada pela lei 4390, Castelo Branco, projeto de Roberto Campos.

A primeira, que teve origem num estudo do economista Gilberto Paim, limitou as remessas a 10% anuais. A de Roberto Campos elevou esse limite para 12%. Mas ambas determinam que o capital nacional tem de receber o mesmo tratamento aplicado ao capital estrangeiro. Isso não acontece mais. O governo FHC concedeu isenção de Imposto de Renda às aplicações estrangeiras na compra de títulos do Tesouro que lastreiam a dívida interna que se encontra no Everest de 2,2 trilhões (de reais). Este favorecimento, portanto, é ilegal. Decisões do BC não podem se sobrepor à lei. O privilégio é tão ilegal quanto a corrupção.
Fonte: Tribuna da Internet

POLÍTICA - Adesão do PSD ao PT em São Paulo.

Adesão do PSD de Kassab à candidatura de Haddad deve levar o PT de volta à prefeitura de São Paulo.

Carlos Newton

O PSD do prefeito Gilberto Kassab se tornou a “boneca cobiçada” da eleição de São Paulo. A legenda é cortejada simultaneamente pelo PT e pelo PSB, os dois partidos com maiores chances de faturar a mais importante prefeitura do país.

Não é por mera coincidência que o ex-ministro José Dirceu defenda “diálogo” e “paciência” em torno de uma eventual aliança entre PT e PSD à sucessão da Prefeitura de São Paulo. Em seu blog, o admite que a adesão do novo partido ao candidato do PT, Fernando Haddad, já oferecida pelo prefeito Kassab ao ex-presidente Lula, encontra oposição entre setores petistas e movimentos sociais, mas ressaltou que, para vencer uma eleição, é necessário compor uma grande aliança.

“O fato é que a proposta de apoio à candidatura de Fernando Haddad, apresentada pelo atual prefeito, provocou um terremoto no partido na cidade”, avaliou. “Primeiro, porque vem com o aval e o apoio entusiasta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo, porque apoio não se recusa”, acrescentou Dirceu.

Um eventual acordo entre PT e PSD é hoje a pauta central da reunião do Conselho Político da pré-campanha de Fernando Haddad à sucessão municipal. O encontro, que será o primeiro compromisso do pré-candidato do PT na condição de ex-ministro da Educação, definirá o futuro das negociações entre os dois partidos.

A se confirmar a coalizão, as chances de Hadda vencer aumentam muito, especialmente porque o PSDB ainda nem tem candidato, já que José Serra é assim mesmo e só se decide na chamada undécima hora. E como todos sabem, Serra é uma espécie de Zezé Macedo da política nacional: “Só pensa naquilo!”
Fonte: Tribuna da Internet

PINHEIRINHO - O que vi em Pinheirinho.

Wernner Lucas do Blog do Wernner Lucas


Desde domingo cedo, acompanhando as notícias sobre a reintegração de posse que estava ocorrendo em São José dos Campos (SJC), sinto-me profundamente abalado. Não suporto violência, discriminação e perversas demonstrações de violação aos direitos daqueles moradores, direito à cidade, à moradia, regularização fundiária, dignidade, e no mínimo, o direito que cada um tem de ser respeitado. Mas eu precisava ver de perto o que estava acontecendo, precisava ajudar no que fosse possível. Porque eu não consigo ficar parado enquanto algo tão grave acontece. E cedo peguei um ônibus rumo ao Vale do Paraíba, informando – via celular - meus amigos que também estão comovidos com a situação cruel e desumana que aquelas pessoas estão sendo expostas.


Logo que cheguei a SJC, descobri que poucos ônibus estavam indo até as proximidades do bairro Pinheirinho, a situação era de risco. Aproveitei para averiguar a informação de que as pessoas estavam ganhando passagens para partirem da cidade. Vi perto da área de embarque um mulher com duas malas e seus filhos. Sentei perto e puxei conversa, falei que estava ali como voluntário na área do Pinheirinho e perguntei se ela tinha informações de lá. Ela respondeu que era um dos moradores que haviam sido expulsos dali. Perguntei para onde ela ia, se havia familiares esperando em outras cidades; ela disse que seu marido, como tantos outros maridos de Pinheirinho estava trabalhando em SP (que constatei posteriormente); e que ela estava indo encontrá-lo, porque estava com muito medo de ficar em algum alojamento da prefeitura, e o conselho tutelar retirar seus filhos, como viu acontecer. Tenho certeza que o marido dela não tem uma casa em SP, e que não ganha o suficiente para bancar toda a família na capital, mas ela não teve escolha, o medo não permitiu isso a ela. Assim, ela aceitou a proposta da prefeitura, ganhou a passagem para São Paulo e partiria em poucas horas. A prefeitura está se livrando daqueles moradores, enviando para longe a massa pobre e excluída.


Quando desci do ônibus que me deixou há 1km da igreja onde algumas pessoas estavam abrigadas, vi muitos estabelecimentos comerciais fechados, e na cara das pessoas o mesmo medo que vi no rosto daquela mulher. Inclusive, na caminhada rumo à igreja, descobri que ali perto tem uma área que também foi invadida há aproximadamente 20 anos; só que diferente de agora, houve regularização da posse e propriedade. Até hoje pessoas pagam um pequeno valor, como parcelas pelo pedaço de terra que invadiram há muito tempo. Uma solução inteligente, não é!?


Cheguei à igreja que servia de alojamento em um momento tenso. Os moradores que ali estavam refugiados iam ser transferidos para um novo alojamento que a prefeitura arrumou. A arquidiocese pediu a retirada, pois não havia infra-estrutura para que elas continuassem ali. E participei de um grande absurdo, aquelas pessoas cansadas e humilhadas teriam que caminhar sob o sol forte de meio dia, cerca de 3km até um poliesportivo que serviria de abrigo. Entre essas pessoas, vi crianças, idosos, doentes, deficientes e estranhamente agregavam-se à caminhada, usuários de drogas, que ninguém do Pinheirinho conhecia como morador, mas como moradores do bairro dos Alemães. Durante a caminhada as pessoas deveriam estar sempre juntas, não podendo nem atravessar a rua e andar pela sombra, pois eram agredidas e conduzidas para junto da massa. A prefeitura não se prontificou nem em arrumar um ônibus que os conduzisse. Somente na chegada foi servido um almoço extremamente precário a elas.


Aproveitei a longa caminhada para conversar com alguns moradores. Descobri que eles estavam todos muito tranqüilos no sábado que antecedeu a invasão; inclusive houve um churrasco com a presença do senador Eduardo Suplicy, em comemoração a um acordo que o mesmo foi notificá-los de que a prefeitura resolveria aquela situação de maneira pacifica. Esse foi o primeiro passo da grande tática de guerra arquitetada para essa reintegração. Ou seja, deixou a população tranqüila, para evitar uma resistência maior e no domingo de madrugada, todo o posicionamento da força policial foi efetuado, uma invasão à surdina com direito a todos os requintes da maldade e da violência contra aqueles moradores pegos de surpresa.


Verifiquei que violência policial não teve limites nessa operação. Não houve diálogo em momento nenhum. Houve apenas tiros e agressões contra todas as pessoas, bastasse que fossem moradores do Pinheirinho, ou alguém em defesa deles. O relato mais absurdo que escutei foi sobre o ocorrido na madrugada de domingo para segunda (22/23) na igreja, a policia atirou com armas de fogo, contra os moradores que estavam ali refugiados. A polícia usando de suas armas de fogo também executou um morador do bairro dos Alemães que estava apoiando a causa de Pinheirinho. Mas o que eu simplesmente não consegui entender foi o fato de um desses ataques da policia militar ter acontecido enquanto a policia federal estava no local escoltando o secretário dos direitos humanos. (?).

É certeza que uma menina de 2 anos faleceu devido ao sufocamento com as bombas usadas pela policia, ela tinha asma e muitas as pessoas confirmam essa história, mas a mãe dela, misteriosamente desapareceu. Por falar em sumiços, vários moradores estão desaparecidos e há um esforço das pessoas que ajudam para fazer uma lista com esses nomes para cobrar das autoridades uma explicação. Moradores presenciam agressões gravíssimas, e os feridos simplesmente somem. O problema é que não há acesso aos abrigos, tão pouco aos hospitais, ou ao IML. Há uma verdadeira cortina nebulosa armada pelo governo para esconder informações. Está muito difícil conseguir qualquer tipo de informação. Felizmente por causa do processo de mudança, eu e outros voluntários conseguimos ter acesso ao novo abrigo, assim, ajudamos na distribuição de doações, conversamos com as pessoas para saber do que elas realmente precisavam naquele momento. Lógico que elas precisavam de tudo, mas os voluntários conseguiam amenizar, ainda que pouco aquela situação.


Sobre o alojamento posso defini-lo facilmente, usando o termo “Campo de concentração”. O lugar é absurdamente quente, sem ventilação, a água é quente também, os banheiros sem estrutura para receber tantas pessoas, assim, exalando forte odor em menos de duas horas que eles estavam lá. Todas as pessoas em condições precárias. Cabe aqui dizer, a situação que mais me revoltou, havia uma mulher deitada sobre dois colchões, ela tem câncer, e está em estágio terminal. O câncer está no corpo todo e ela estava jogada, abandonada com dor, acompanhada por sua cunhada que tentava ajudá-la. Os agentes da prefeitura nada faziam em relação a isso. Cheguei até a discutir com um deles, questionei sobre remédios, leitos em hospitais, algo que pudesse aliviar a dor daquela senhora. Todas as desculpas esfarrapadas daquela agente, só me deixaram mais revoltado. A ponto de eu gritar para ela dizendo: Não basta matar essas pessoas? Tem que elevá-las a um sofrimento desumano? Então, ela virou as costas, indiferente, e saiu.


Os agentes da prefeitura são pessoas que trabalham simplesmente por trabalhar,(salvo raras exceções) cumprem ordens mecanicamente e tratam todos aqueles moradores com frieza, como se fossem animais, um rebanho onde se identifica cada um por uma pulseira colorida. Há uma grave denúncia que as doações entregues a eles estejam sumindo. Disso o que eu sei, é que muita coisa que saiu da igreja não havia chegado ao novo abrigo (até o momento em que eu ali estava). Deve-se dizer que as doações são muito importantes, principalmente de roupas e remédios. As pessoas não conseguiram tirar quase nada de dentro das casas. Houve uma armação, um cadastro inútil de pessoas aptas para retirar seus pertences das casas: só deixaram um membro da família entrar e apenas uma vez com a seguinte instrução: “Pegue o que você conseguir carregar e volte.” Alguns pouquíssimos moradores conseguiram retirar mais coisas, pois arrumaram caminhão de mudança, charretes. Os moradores perderam tudo, as casas foram demolidas e os móveis e eletrodomésticos que cada um tinha, foi demolido junto, não sobrou nada.


Tudo friamente calculado, uma tática de guerra planejada para destruir e excluir aqueles moradores, uma ação minuciosamente armada com levantamento do serviço de Inteligência, que deveria proteger, mas só faz ferir. Podemos citar a forma com eles invadiram; a velocidade de desocupação da área; a destruição imediata das casas; o terror psicológico, o medo implantado de maneira violenta; a separação de grupo de pessoas cada vez uma mais distante do outro; o cansaço físico e mental conseqüente às condições sub-humanas a que os moradores são submetido desde aquele domingo; a cortina nebulosa bloqueando as informações; a limitação da atuação da mídia; a limitação da atuação de voluntários. Foi tudo arquitetado maquiavelicamente pelo governo, pela prefeitura, pelo criminoso Nahas, pela força policial, com a colaboração do judiciário e pela omissão das demais autoridades (uma ação entre “amigos”).


Disso tudo, tenho a triste constatação, quando pessoas poderosas querem alguma coisa, eles conseguem e não importa os métodos cruéis utilizados. A democracia transforma-se em um conto de fadas. Pessoas humildes, pobres e trabalhadoras são facilmente confundidas com bandidos, tratados como tal, desde que haja interesse dos poderosos para que isso aconteça. O pior de todo esse massacre é não ver a mobilização. Ver pessoas privilegiadas na sociedade repetindo o discurso desses ladrões. O que me levou ao seguinte questionamento: o que leva pessoas bem educadas, com oportunidades e batalhadoras a se voltarem contra a classe mais pobre em defesa de poderosos parasitas do sistema?


Já coloquei a culpa disso na manipulação da mídia, na forma como foram criados e até na religião. Mas hoje eu descobri o que faz isso acontecer, é a covardia. Essas pessoas têm medo de assumir a responsabilidade pela desigualdade social, tem medo de perder o status quo, são mesquinhos e hipócritas. Então o discurso elaborado pelos parasitas “cai como uma luva” para justificar a covardia deles. Por causa dessa covardia eles repetem discursos estúpidos sem nem pensar no que estão falando. Eles usam discursos reacionários mesquinhos prontos porque são covardes. Hoje eu tenho dó dessas pessoas, porque foi tirado deles a coisa mais valiosa do ser humano. Que é a capacidade de se revoltar, de lutar pelo que se acredita e principalmente de amar o próximo.

LÍBIA - EUA já começaram a ocupação da Líbia

Estados Unidos já começaram a ocupação da Líbia, com o envio de 12 mil mariners.

Os Estados Unidos enviaram 12 mil soldados para a Líbia na primeira fase de mobilizações para ocupação da nação norte – africana. De acordo com o diário árabe Asharq Alawsat, as tropas chegarão a Brega, sob a suposta premissa de gerar “estabilidade” e “segurança”.

Sem embargo, se espera que as tropas tomem o controle dos principais poços de petróleo e demais portos estratégicos, como resenhou a agência PressTV.

Brega, cidade portuária, está localizada no oriente da Líbia, e conta com um dos cinco terminais de petróleo da região, além de ser uma importante refinaria.

A chegada da marinha estadunidense coincide com a explosão de uma bomba de “fabricação caseira” na sede do autoproclamado Conselho Nacional de Transição (CNT), localizado na cidade de Benghazi, ao noroeste, depois que pelo menos 200 pessoas protestaram diante de seus escritórios denunciando a falta de transparência.

Responsáveis do CNT asseguraram que “reforçaram as medidas de segurança” e que investigam quem foram os responsáveis pelo ataque.

Recapitulando: mo dia 20 de outubro, o então presidente líbio Muammar Gaddafi foi capturado pelas forças da Organização do Atlântico Norte (OTAN) e entregue a mercenários rebeldes que o executaram. Dois dias antes, a Secretária de Estado dos EUA havia feito uma visita a Trípoli para reunir-se com o CNT.

A OTAN vinha realizando um forte bombardeio ao país norte-africano, logo após a aprovação da Resolução 1973 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que só se referiam a criar uma zona de segurança aérea, o que ocasionou uma forte crítica ao redor do mundo, incluídas as potências Rússia e China, porque os mísseis ocasionaram a morte de mais de 50 mil pessoas, na maior parte deles, civis.

Além disso, organizações de direitos humanos denunciaram os crimes de guerra e violações contra civis líbios por parte das tropas da OTAN e seus mercenários.

Dez dias depois da morte de Gaddafi, o CNT designou Abdel-Rahim al-Kib como primeiro-ministro líbio. Al-Kib lecionou em universidades estadunidenses e dirigiu o Instituto do Petróleo dos Emirados Árabes Unidos antes de unir-se ao CNT, em meados de 2011. Algumas de suas pesquisas em engenharia elétrica foram financiadas pelo Departamento de Energia dos EUA.

Agora, começa a esperada ocupação pelo marines.
Fonte: Tribuna da Internet

IRÃ - Agência do Irã desmente matéria da Folha.

Agência do Irã desmente matéria da Folha que publicou críticas ao governo Dilma Rousseff.


O jornalista Valter Xeu, do site Pátria Latina, nos envia um despacho da IRNA News, agência oficial do governo iraniano, com esclarecimentos sobre uma matéria publicada pela Folha de S. Paulo, na qual o assessor de imprensa do presidente do Irã teria criticado duramente a diplomacia do governo Dilma Rousseff. O esclarecimento é o seguinte, na íntegra:

Teerã, 25 de Janeiro, IRNA – O assessor de imprensa do Presidente Mahmud Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, desmentiu o conteúdo da sua recente entrevista publicada no jornal brasileiro Folha de São Paulo , apontando que suas declarações foram “distorcidas”.

A agência de notícias iraniana citou que Javanfekr tinha se queixado das relações entre os dois países na gestão da presidente Dilma Rousseff que seriam inferiores a ‘ anos de boas relações “de Brasilia com Teerã.

Javanfekr salientou, no entanto, que a entrevista dele havia sido distorcida e, por meio desta comunicação, enfatizou nas palavras ditas ao jornal Folha de S. Paulo que “presidenta Dilma precisava do tempo para consolidar as relações entre Teerã e Brasília”.

Javanfekr notou ainda, que tinha elogiado o governo do Brasil e o seu povo pelo seus apoios à República Islâmica do Irã. Brasília insistiu no passado em manter um diálogo diplomático com Teerã sobre o programa nuclear da República Islâmica, uma política que havia começado com o antigo presidente Luiz Ignácio Lula da Silva em que rejeitava qualquer uso da força fora do âmbito das Nações Unidas.

Nos EUA, o jornal New York Times, citou na terça-feira que Javanfekr teria afirmado na sua entrevista com o jornal brasileiro Folha de São Paulo que a presidente Russeff Dilma tinha destruído anos de boas relações entre as duas nações.

Lula da Silva, que deixou seu cargo, visitou Teerã em 2010 e introduziu no Médio Oriente a diplomacia brasileira através de uma tentativa de amenizar a crise sobre o programa nuclear do Irã. E junto com o governo da Turquia, ele esboçou um acordo de troca de urânio enriquecido com combustível nucleares com o Irã.

Este acordo falhou após a rejeição da administração da Obama, e o Irã afirmou que iria continuar com o enriquecimento de urânio.

Mesmo assim, as exportações do Brasil para o Irã aumentaram durante os meses seguintes. E o Irã superou a Rússia em 2011, como o maior mercado de exportação de carne brasileira.

Agência de Notícias da República Islâmica/IRNA News

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

PINHEIRINHO - E os tucanos tiveram que engulir.

Do blog Tudo em cima.

Pinheirinho: artistas protestam em prêmio do governo de SP.

PINHEIRINHO - O modo tucano de governar.

PINHEIRINHO - Naji Nahas: amigo nos Três Poderes.

Do blog do Luis Nassif


Com armas de combate e carros blindados, a Polícia Militar de São Paulo realizou uma operação de guerra em São José dos Campos. Colocou helicópteros, cães, armamento, escudos, ROTA, tropa de choque, quase dois mil homens a serviço da “reintegração” da ocupação Pinheirinho.

Em 2004, com mais de 1 milhão de metros quadrados, Pinheirinho era um terreno abandonado. Começou a ser ocupado por famílias pobres da região do Vale do Paraíba – entre São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2012, quando as tropas chegaram, seis mil pessoas viviam no Pinheirinho. Tornou-se um bairro pobre como qualquer outro, com lojas, igrejas, esgoto a céu aberto, ruas de terra, biroscas, miséria, casas em situação precária.

O terreno pertence a Selecta S/A, uma empresa falida controlada por Naji Nahas. Essa é a informação mais importante até aqui. Logo veremos porque o Tribunal de Justiça de São Paulo e o comandante da Polícia Militar, o governador Geraldo Alckmin, não tinham outra saída além de atender Nahas.

Ação entre amigos

Existia uma negociação avançada para resolver o problema sem o uso da força. Por conta disso, por duas vezes, o Tribunal Regional Federal (TRF) cassou a liminar que determinava a reintegração de posse: na sexta feira e no próprio dia da invasão, domingo.

Nada disso foi levado em conta. Mesmo no domingo, quando a ordem do TRF foi enviada diretamente ao comando das operações no Pinheirinho. Quem recebeu o oficial de justiça foi ninguém menos do que o desembargador Rodrigo Capez, que respondia pela presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

Capaz não estava ali para cumprir seu dever cívico ou suas obrigações como desembargador. Estava ali para dar uma carteirada no oficial de justiça do TRF. “A ação da Polícia Militar continua”, anunciou o desembargador. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil, ao fazer isso Capez rompeu o “pacto federativo”.

Mas quem se importa? O que acontecia ali era algo mais importante: uma ação entre amigos.

Entenda por quê:

O desembargador Rodrigo Capez é irmão do deputado estadual Fernando Capez, do PSDB, o mesmo partido do governador Geraldo Alckmin, o mesmo partido do prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury.

Essas pessoas são amigas entre si. Frequentam os mesmos jantares, tem os mesmos financiadores de campanha, são amigos de gente que é muito, mas muito amiga de Naji Nahas. E todos tem grandes amigos no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Por isso, o prefeito Eduardo Cury não fez o que deveria ter feito para proteger o seu povo: desapropriar o terreno e inscrever os moradores em um programa habitacional.

De fato, o terreno só pertence a Naji Nahas porque o prefeito Eduardo Cury operou o tempo todo a favor do megainvestidor. Pois da massa falida da Selecta, o único credor que ainda falta ser pago é…

…adivinhe?

Sim, o município de São José dos Campos.

A Selecta deve 10 milhões só em IPTU atrasado. O terreno deveria ter sido desapropriado e inscrito no programa habitacional do governo federal, o Cidade Legal. Esse assunto, inclusive, seria tema de uma reunião entre o prefeito e o secretário geral da presidência da república, Gilberto Carvalho, na quinta feira 19.

Inesperadamente, o prefeito cancelou a reunião com Carvalho, sem dar motivos. Ele já sabia da invasão e nesse momento atuava como homem forte a favor de Naji Nahas. Para defender os interesses do megapicareta, empastelou a negociação com o governo federal.

Fora isso, a reintegração de posse nunca deveria ter sido emitida. Está baseada em um documento caduco. A história é mais ou menos assim:

A primeira liminar de reintegração foi emitida pela 18ª Vara de Falências de São Paulo. Essa liminar foi cassada, pois a Vara da capital não pode discutir posse de área em outra cidade.

A massa falida então pediu reintegração à 6ª Vara Civil de São José dos Campos, que negou a ação de reintegração.

A massa falida então recorreu ao TJSP, que agora autoriza, mas não avisa o juizado de São José, o que caracterizou erro processual.

Por conta do erro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou todo o recurso da massa falida.

Agora pasme: baseado no recurso que começou na Vara de Falência de São Paulo e foi anulado pelo STJ, a juíza Márcia Loureiro, de São José dos Campos, reabriu o processo que culminou com a invasão da PM. Márcia Loureiro é uma conhecida e ferrenha militante a favor da reintegração de posse, ou seja, a favor de Naji Nahas.

Essas coisas não acontecem por acaso. A começar pelo desembargador irmão do deputado, que faz parte da base de Alckmin, que é do mesmo partido do prefeito, que opera a favor de Naji Nahas, que é amigo de Daniel Dantas.

Daniel Dantas???

Mas o que uma coisa tem a ver com outra?

Dantas e Nahas foram sócios em operações criminosas descobertas pela operação Satiagraha, posteriormente anulada pelo STJ. A dupla, diziam as investigações, subornava políticos e juízes como quem troca de camisas. Mas tudo foi extinto, anulado.

Durante as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, Dantas e Nahas, ganharam rios de dinheiro em esquemas envolvendo estatais. Você sabe, Fernando Henrique, que é do PSDB, o partido do prefeito, que é o partido do governador, que é o partido do deputado, que é irmão do desembargador.

E que são amigos de Nahas e Dantas, que são amigos de muita, mas muita, mas muita gente que deve favores a eles, inclusive juízes, desembargadores, políticos…

O Tribunal de Justiça de São Paulo e o comandante da Polícia Militar, o governador Geraldo Alckmin, não tinham outra saída além de atender Nahas.

POLÍTICA - Kassab agora corre risco de ficar isolado.

Do blog do Ricardo Kotscho.

Que fase! Rejeitado pelos dois principais partidos a quem ofereceu aliança, batendo recordes negativos de popularidade, o prefeito Gilberto Kassab se viu acuado dentro do carro oficial ao sair quarta-feira da missa de aniversário da cidade na Catedral da Sé.

Xingado e alvejado por ovos e pedras jogados por cerca de 800 manifestantes, Kassab, na verdade, estava pagando pelo que não fez. O protesto era contra as ações policiais na Cracolândia e no Pinheirinho, em São José dos Campos, responsabilidade do governador Geraldo Alckmin, que achou melhor não ir à missa.

No mesmo dia, o prefeito ficou sabendo que Rui Falcão, presidente nacional do PT, descartou liminarmente qualquer possibilidade de aliança com o PSD de Kassab, que ofereceu a Lula um vice para o candidato petista Fernando Haddad.

Falcão foi peremptório e fechou a porta para qualquer negociação: "Em nenhum momento cogitamos isso. Nem o prefeito Kassab está cogitando. Temos feito oposição ao prefeito Kassab".

O PSDB, por sua vez, também fechou questão: vai ter candidatura própria e já marcou suas prévias para março. Alckmin não quer conversa com Kassab, aliado de José Serra, seu principal adversário no poleiro tucano. Nas últimas eleições municipais, em 2008, Serra e Kassab se uniram contra Alckmin e deixaram o atual governador fora do segundo turno.

Kassab, porém, não perde as esperanças de fazer aliança com um dos dois grandes partidos, qualquer um. Depois de trocar agrados com a presidente Dilma Rousseff, na cerimonia de entrega das medalhas de 25 de janeiro, durante a celebração dos 458 anos de São Paulo, o prefeito voltou a repetir aos jornalistas:

"É evidente que o partido irá analisar as alianças possíveis, e não se exclui o PT nem o PSDB".

O mais provável no momento é que Kassab fique isolado na disputa pela sua sucessão e só lhe restará a alternativa da candidatura própria do PSD. Mesmo que não tenha chances de vitória, pelo menos terá alguém para defender sua administração dos ataques que certamente virão de todos os lados.

O problema é que o único nome viável de que dispõe é o do vice-governador Guilherme Afif, que não me parece muito animado a ir para o sacrifício. Basta lembrar que, sem alianças, o PSD terá apenas um minuto de tempo na televisão, dez vezes menos do que PT e PSDB.

No começo da campanha, parecia que Kassab tinha o jogo nas mãos, procurando simultâneamente lideranças do PT e PSDB, que há anos disputam a hegemonia em São Paulo. Jogou alto, mas agora corre o risco de perder tudo e ficar pendurado na brocha.

Agora, no máximo, poderá ser o fiel da balança, dependendo de quem irá apoiar no segundo turno. Por mais que Dilma e Lula gostassem de ter o PSD de Kassab como aliado agora, pensando nas campanhas em todo o país e na sucessão de 2014, as pretenções do prefeito esbarram nas lideranças partidárias locais.

PINHEIRINHO - O Pinheirinho e o naufrágio da Justiça.

Do blog do Vlad


São José dos Campos é conhecida por sua fábrica de aviões, não por seus navios. A cidade nem tem mar. Mas foi lá que se viu esta semana (22/jan) um dos piores naufrágios da história judiciária do Brasil. Foi lá que a “justiça” afundou e pôs a pique mais um tanto de sua já pouca credibilidade. Numa condução pior do que a do comandante Schettino, o Judiciário e o Executivo pisotearam direitos de milhares de cidadãos.

Com a costumeira firmeza que a Justiça brasileira (não) age contra os seus próprios abusos – os desvios de conduta apontados pelo CNJ só são a ponta desse iceberg –, vimos uma ordem judicial ser cumprida com rigor. Normalmente, quando um colarinho branco se vê nas barras dos tribunais, logo aparece alguma teoria extraterrestre para limpar “sua barra”, permitindo que siga em águas calmas. Em geral, valem os salamaleques para a cobertura e os chicotes na favela.

O naufrágio do Pinheirinho horrorizou o País. As pessoas desalojadas pelo Judiciário paulista, mediante uso de força policial militar, ficaram a deriva em meio aos petardos, sem saber o que ocorria. Depois viram-se como náufragos em terra “firme”, privados de suas moradas, da proteção de seus tetos humildes e do pouco conforto que aquelas cabines-choupanas lhes propiciavam para navegar nos mares bravios de suas vidas atribuladas.

Todos sabiam da disputa judicial sobre o terreno. Mas ninguém ali esperava um maremoto. Os dois poderes não “entraram de gaiatos no navio”; comandaram o naufrágio e escreveram uma página tenebrosa da “justiça” brasileira. Neste caso não teve “katchanga” nem jeitinho. Não houve desculpologia nem cafuné processual, teorias tão comuns no dia-a-dia forense. Valeu o “Cumpra-se”, com armas e tratores, que cruzaram as ruas do Pinheirinhos como torpedos e destroyers.

Num domingo de aparente calmaria, a maré da injustiça virou, cuspiu na cara desses dois mil brasileiros e os lançou no sentimento abissal da perda do teto, da expulsão de seus lares. Roubaram-lhes a dignidade em poucas horas, conquanto a União, o Estado e o Município tenham tido anos, anos, anos, anos, anos, para resolver o grave problema social que se anunciava, diante da inevitável (?) desocupação para reintegração de posse.

Não sou desses que demonizam o “especulador” Naji Nahas, por estar do outro lado dessa convulsão. Se a área realmente lhe pertencia, seria justo privá-lo dela e ponto final? Não creio. O problema não está, portanto, em saber se o terreno era de Nahas ou da massa falida de sua empresa. A propriedade deve mesmo ser protegida, mediante reintegração (quando possível) ou por justa indenização, para fins sociais. A questão é: por que a área não foi desapropriada pelo governo a tempo para o assentamento daquelas famílias? Por que a Justiça paulista não providenciou junto ao Executivo, antes da desocupação, locais condignos para a relocação dos moradores? Por que o Estado e a Prefeitura não forneceram meios materiais (aluguel social ou a construção de casas populares) para aquela população antes da retirada? Por quê? A resposta é simples. Porque aquelas pessoas não importam. São pobres e marginais. Não entram na cartografia do poder. Não frequentam rivieras nem marinas. Suas canoas e jangadas singram esgotos a céu aberto, poças insalubres e fossas infectas.

Tudo foi um festival de desacertos. Entraram todos “numa barca furada”. E não se mediu o tamanho da tempestade. Publicamente, dizem que estavam seguros de suas decisões. Em suas casas, não sei o que dizem..

O Judiciário estadual determinou o cumprimento imediato da ordem de reintegração para preservar o “prestígio e a autoridade” do Tribunal. Mas se lixou para a decisão liminar do TRF da 3ª Região em sentido contrário e mandou para o lixo a dignidade daqueles jurisdicionados. Muitos abordaram o tema nas redes sociais como se tudo fosse uma disputa de poder entre a Justiça estadual e a Justiça federal. Outros apegaram-se a tecnicalidades de competência ou falta dela. No meio dessa briga titânica do mar com o rochedo, ficaram os cidadãos desassistidos e espremidos, também sem voz nem expressão. A vaidade rugiu no horizonte e direitos ruíram aos seus pés.

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo é o homem da lei que autorizou a Polícia Militar a tolher qualquer oposição à reintegração de posse, ainda que vinda de força policial federal. Sua decisão é alarmante: “Autorizo, para tanto, requisição ao Comando da Polícia Militar do Estado, para o imediato cumprimento da ordem da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, repelindo-se qualquer óbice que venha a surgir no curso da execução, inclusive a oposição de corporação policial federal, somente passível de utilização quando de intervenção federal decretada nos termos do art. 36 da Constituição Federal e mediante requisição do Supremo Tribunal Federal, o que inexiste”. Quase o prenúncio de um duelo.

Algo semelhante a isto aconteceu há 100 anos em Salvador. Por desobediência a uma ordem sua, o então juiz federal da Bahia, Paulo Fontes, mandou o Exército atacar a Polícia Militar baiana, que sitiava o prédio do Legislativo estadual, numa crise de governabilidade. O general Sotero de Menezes ordenou que o Forte do Mar abrisse fogo contra a capital baiana e pôs em chamas o Palácio do Governo, a Biblioteca Pública e o Teatro São João. Pelo menos, em janeiro de 1912, o comando militar avisou a população civil para que desocupasse o centro da cidade horas antes do lançamento dos obuses. Foi o “Bombardeio a Salvador”, grave evento que opôs o senador Ruy Barbosa ao ministro J. J. Seabra. “Comemorei” a data, o 10 de janeiro de 1912, com um post neste blog (“O Verão de 1912”).

O episódio de São Paulo mostra que as ações dos nossos governantes continuam iguais depois de um século. Um desembargador encorajar uma força armada contra outra, desta vez a Polícia Militar contra a Federal, é algo de um risco tremendo! Jogar de uma só vez milhares de pessoas na sarjeta na maior cidade brasileira não dá para compreender nem tolerar.

Felizmente, em São Paulo, os palácios permaneceram intactos (ufa…) e não houve combate entre corporações “legalistas”, mas chegou-se perto de um massacre. Na verdade, houve um massacre aos direitos fundamentais daquela gente do Pinheirinho. Moradia, dignidade da pessoa humana, direito à propriedade, direito à integridade física, tudo foi rasgado a bala por policiais e riscado com canetas judiciais. A PM, com seu poder reforçado pela presidência do TJ/SP, atirou balas de borracha a esmo e lançou bombas de efeito (i)moral contra jovens, crianças, bebês, velhos, doentes, deficientes, toda a gente.

O prestígio da Justiça, que se quis preservar, agora está em águas mais profundas do que as que engoliram o centenário Titanic. O estrago no costado do Judiciário é mais extenso do que o rombo do Costa Concordia. A vergonha de todos nós, do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia, deveria ser maior que a do incauto Schettino. Não espanta que a resistência ao CNJ e às ações de “faxina ética” promovidas pela ministra Eliana Calmon tenham vindo justamente da maior Corte estadual do País, a de São Paulo, e que também lá tenha ocorrido esse rigor excessivo e essa insensibilidade contra tantas pessoas humildes.

A visão das cenas do que realmente se passou no Pinheirinho não produzem outros sentimentos senão os de horror e da mais profunda indignação. O que fizeram com essas crianças, com esses idosos, com esses doentes, com esses homens e mulheres de bem?! Inacreditável!

Essa grave e vergonhosa violação de direitos fundamentais precisa ser reparada. Se não o for mediante uma intervenção federal (art. 34, inciso VI ou VII, alínea `b`, da CF) ou num incidente de deslocamento de competência (art. 109, V-A, da CF), que o seja perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos, numa ação de responsabilização internacional do País. Por menos do que isso, o Brasil já foi condenado pela Corte da Organização dos Estados Americanos, em São José, na Costa Rica. Veja aqui (“Mais uma batalha do Araguaia“).

Pode ser que nada disso ocorra. O Brasil é um paraíso de impunidades. Porém, o mínimo que se espera é que sejam imediatamente implantados programas sociais para atendimento daqueles milhares de brasileiros. Um trabalho que deve ser acompanhado pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública e pelas comissões de direitos humanos da OAB e da Assembleia Legislativa. Esses órgãos tardaram a agir e, quando o fizeram, a tropa de choque já atropelara direitos dos artigos 5º e 6º da Constituição. O MPF, que acompanhava o problema por meio de um inquérito civil, propôs uma ação civil pública (aqui), mas a competência federal foi rechaçada.

Por ora, o rescaldo para todo o sistema judicial é lamentável. Primeiro, no plano geral, a Justiça perdeu o rumo. Depois, tantos que são os escândalos e tamanha que é a morosidade, essa nau começou a fazer água. Veio o inevitável afogamento da crença dos cidadãos de que algo de bom pode vir de nós, profissionais do Direito. No fim, afundamos até essa região pelágica em que se acha agora toda a Justiça do País. Não há farol, tampouco bússola. Sequer há como voltar a bordo. Também não há embarcações seguras. Tampouco há terra a vista. Nem temos bons comandantes. Hora de recolher o periscópio e emergir. Assim talvez enxerguemos alguma coisa. A Justiça não devia ser cega. Mas ainda é.

POLÍTICA - Frei Beto: "PT sabe dialogar, PSDB manda polícia para conversar"

E eu diria, para dar porrada.

Frei Betto começou a sua fala no Fórum Social Temático, na Mesa Rumo à Rio+20 dos povos, demostrando solidariedade à comunidade de Pinheirinho que foi desocupada no último domingo (22) em São José dos Campos. “A diferença do PT e do PSDB é que o PT sabe dialogar e o PSDB manda a polícia pra conversar”, comparou. O auditório lotado da Faculdade de Direito da UFRGS aplaudiu fortemente a atitude de Frei Beto.

Ele também alertou para a necessidade de acompanhar com intensidade o processo político de 2012. “A falácia de que devemos torcer o nariz para os políticos e a política é um risco. Infelizmente isso está ganhando campo na juventude. Quem tem nojo de política é governado por que não tem. Tudo que eles querem é que a gente tenha bastante nojo para que eles fiquem com a rapadura na mão”, falou Frei Betto.