segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

MAIS LIXO TÓXICO ENVIADO PARA A ÁFRICA.

Computadores descartados pela Europa envenenam crianças na África

Os cidadãos do Ocidente jogam fora milhões de computadores velhos todos os anos. Centenas de milhares deles acabam na África, onde as crianças procuram ganhar a vida vendendo peças velhas das máquinas. Mas os elementos tóxicos presentes no lixo as estão envenenando lentamente.

Por Clemens Höges, na Der Spiegel

Segundo a Bíblia, Deus lançou uma chuva de fogo e enxofre para destruir as cidades de Sodoma e Gomorra. As autoridades governamentais de Acra, em Gana, também passaram a chamar de "Sodoma e Gomorra" uma parte da cidade afetada por produtos tóxicos de um tipo que os moradores das cidades bíblicas jamais poderiam imaginar. Ninguém vai a esse local, a menos que isso seja absolutamente necessário.

Uma fumaça ácida e negra passa sobre os barracos da favela. As águas do rio também são pretas e viscosas como óleo usado. Elas carregam gabinetes de computador vazios para o oceano. Nas margens do rio veem-se fogueiras alimentadas por isopor e pedaços de plástico. As chamas consomem o material plástico de cabos, conectores e placas-mãe, deixando intactos apenas o metal.

Hoje há um vento que faz com que a fumaça dessas fogueiras infernais passe lentamente por sobre a terra. Respirar muito profundamente é doloroso para os pulmões, e as pessoas que alimentam as fogueiras às vezes dão a impressão de serem apenas silhuetas vagas e nebulosas.

Uma figura pequena e curvada caminha entre as fogueiras. Com uma mão, o garoto arrasta um alto-falante velho pela terra e as cinzas, puxando-o por um fio. Com a outra mão ele segura firmemente uma bolsa.

O alto-falante e a bolsa são as únicas posses do garoto, além da camiseta e as calças que ele usa. Ele tem um nome incomum: Bismarck. O garoto tem 14 anos, mas é pequeno para a idade.

Bismarck vasculha a terra em busca de qualquer coisa que os garotos mais velhos possam ter deixado para trás após queimarem uma pilha de computadores. Podem ser pedaços de cabo de cobre, o motor de um disco rígido, ou peças velhas de alumínio. Os ímãs do seu alto-falante também capturam parafusos ou conectores de aço.

Bismarck joga tudo o que encontra dentro da bolsa. Quando a bolsa estiver cheia até a metade, ele poderá vender o metal e comprar um pouco de arroz, e talvez também um tomate, ou até mesmo uma coxa de galinha grelhada em uma fogueira acesa dentro do aro de um carro velho. Mas o garoto diz que hoje ainda não encontrou o suficiente. Ele desaparece novamente na fumaça.

O refugo da era da internet


Esta área próxima a Sodoma e Gomorra é o destino final dos computadores velhos e outros produtos eletrônicos descartados de todo o mundo. Há muitos lugares como este, não só em Gana, mas também em países como Nigéria, Vietnã, Índia, China e Filipinas. Bismarck é apenas um de talvez uma centena de crianças daqui, e de milhares do mundo inteiro.

Essas crianças vivem em meio ao refugo da era da internet, e muitas delas podem morrer por causa disso. Elas desmancham computadores, quebrando telas com pedras, e a seguir jogam as peças eletrônicas internas em fogueiras. Computadores contêm grandes quantidades de metais pesados e, à medida que o plástico é queimado, as crianças inalam também fumaça carcerígena . Os computadores dos ricos estão envenenando os filhos dos pobres.

A Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que até 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico são jogadas anualmente no lixo em todo o mundo. O custo para se reciclar apropriadamente um velho monitor CRT na Alemanha é de 3,50 euros (US$ 5,30 ou R$ 9,20). Mas o envio do mesmo monitor para Gana em um contêiner de navio custa apenas 1,50 euro (R$ 3,80).

Um tratado internacional, a Convenção de Basileia, entrou em vigor em 1989. O tratado baseia-se em um conceito justo, proibindo os países desenvolvidos de enviarem computadores que foram para o lixo aos países subdesenvolvidos. Até o momento 172 países assinaram a convenção, mas três deles ainda não a ratificaram: Haiti, Afeganistão e Estados Unidos. Segundo estimativas da Agência de Proteção Ambiental norte-americana, cerca de 40 milhões de computadores são descartados todos os anos somente nos Estados Unidos.

Diretrizes da União Europeia com nomes como Weee (sigla em inglês de Lixo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos) e RoHS (Restrição a Substâncias Perigosas) seguiram-se à Convenção de Basileia, e países individuais transformaram-nas em lei. As leis relativas à administração de lixo na Alemanha estão entre as mais estritas do mundo. Neste país o envio de computadores descartados a Gana pode dar cadeia. Em tese.

Um negócio milionário


Recentemente o governo alemão mobilizou-se para verificar como é a situação na prática. Especialistas da Agência Federal do Meio Ambiente alemã ainda estão redigindo um relatório que será divulgado nas próximas semanas, mas as conclusões já são conhecidas: há sérias brechas no sistema de reciclagem do país. Segundo o estudo, firmas de exportação da Alemanha enviam 100 mil toneladas de aparelhos elétricos descartados a cada ano para os países subdesenvolvidos, o que é bem mais do que os especialistas temiam.

"Este é um negócio milionário. Não se trata de algo que possa ser classificado como crime pequeno", afirma Knut Sander, do instituto ambiental Ökopol, com sede em Hamburgo. Ele foi o autor do estudo, que exigiu meses de pesquisas. Por causa das suas investigações ele recebeu avisos de que deveria tomar cuidado com a sua segurança.

Ele não teve que ir longe do seu escritório para observar a atividade dessa indústria de exportação. "O Porto de Hamburgo é importante", explica Sander. "Aquilo que não sai por Hamburgo é embarcado em Antuérpia ou Roterdã."

Sander descobriu pequenos negociantes que enviam contêineres esporádicos ou alguns carros velhos cheios de computadores. Às vezes há centenas desses carros no terminal de O'Swaldkai, em Hamburgo, de onde os navios saem para a África. Há também grandes empresas enviando cargas de lixo tóxico - as chamadas companhias de remarketing, que coletam centenas de milhares de eletrodomésticos velhos todos os anos. Essas firmas têm autorização para revender computadores que estejam funcionando, mas são obrigadas a reciclar as máquinas defeituosas. E algumas delas sabem muito bem quanto dinheiro podem economizar enviando esses computadores inúteis para Gana.

A tarefa de deter essa exportação de lixo deveria ficar a cargo de uns poucos funcionários da alfândega e da guarda portuária. Mas quando os agentes ocasionalmente abrem um contêiner, eles estão provavelmente pedindo para ter dores de cabeça nos tribunais. As leis não definem o que seja um computador descartado, e é legal exportar computadores usados; só não se pode exportar as máquinas descartadas. Um computador que está quebrado, mas talvez ainda pudesse ser consertado, pode ser considerado lixo? E quanto a um computador de 20 anos de idade, que não consegue mais rodar um único programa? Quando há dúvidas, os juízes dão ganho de causa aos exportadores.

Entrando no inferno

Bismarck só sabe que todos os computadores exalam mau-cheiro, tenham eles dez ou 20 anos de idade, e não importando se foram fabricados pela Dell, a Apple, a IBM ou a Siemens. Quando eles queimam, a fumaça faz com que a sua cabeça e garganta doam. As cinzas pegajosas grudam em cada poro e ruga, e provocam coceiras. Manchas aparecem na pele de Bismarck, mas ele sabe que não pode coçá-las porque a poeira tóxica entraria nas feridas abertas.

Desde o início Bismarck sabia que estava entrando no inferno. Mas quando tinha dez anos de idade, ele imaginava que o inferno pudesse, de alguma forma, ser uma aventura. De toda maneira, ele não tinha escolha, assim como as outras crianças daqui de Sodoma. A maioria delas vem das regiões mais pobres de Gana, no norte do país, para a capital, Acra.

Bismarck consegue ainda se lembrar da sua aldeia, que fica perto de Techiman, mais ou menos no meio do país. Lá não há eletricidade, e as paredes dos casebres são feitas de terra.

O pai dele desapareceu quando Bismarck era pequeno, de forma que ele jamais pôde perguntar por que o homem lhe deu um nome tão estranho, que ninguém na aldeia ouvira antes. A mãe de Bismarck criou-o sozinha, até ser atropelada por um carro. Ela perdeu as duas pernas no acidente, e morreu pouco depois.

Uma tia adotou Bismarck, mas havia pouca comida para todos. Finalmente um garoto mais velho da vila lhe falou sobre Acra, e de um lugar entre o mercado Agbogbloshie e a favela Sodoma, onde até um menino de dez anos de idade seria capaz de ganhar dinheiro suficiente para comprar comida. O adolescente de 16 anos também falou sobre os computadores e a fumaça, e que ele teria que ser forte.

Pouco tempo depois, os dois garotos foram embora da aldeia, viajando de ônibus e depois de trem. O mais velho tinha dinheiro para as passagens porque já havia trabalhado em Sodoma.

Um euro por dia

Bismarck aprendeu as regras rapidamente. Existe uma hierarquia, e todo garoto pode tentar galgar essa estrutura. Os homens jovens, de cerca de 25 anos de idade, controlam as grandes balanças de ferro velho que ficam com frequência em locais onde se pode ver marcas de pneus na cinza que cobre a terra. Quando a sacola de Bismarck fica cheia até a metade, após um dia perambulando em torno das fogueiras, ele pode vender o material recolhido para esses homens por cerca de dois cedis ganenses, o equivalente a cerca de um euro ou US$ 1,50 (R$ 2,60).

Aqueles que são um pouco mais novos, com cerca de 18 anos de idade, possuem carrinhos de mão feitos com tábuas e eixos de carros velhos. Eles seguem para a cidade no início da manhã para coletar computadores dos importadores de refugo e trazem o material de volta para a favela. Eles quebram os computadores e retiram os cabos, e depois jogam o que restou nas fogueiras ou vendem esse resíduos para garotos um pouco mais novos.

São principalmente esses garotos que carregam os montes de cabos plásticos para serem queimados nas fogueiras. Um deles é Kwami Ama, que tem 16 anos e é um dos dois amigos de Bismarck aqui. Kwami tem um corpo forte e uma face redonda e honesta. Somente os olhos dele, muito vermelhos devido à fumaça quando a noite cai, lhe dão uma aparência meio selvagem. As cicatrizes espalhadas pelas mãos foram provocadas pelas bordas afiadas de computadores quebrados e geladeiras velhas. Kwami arranca a camada de isolamento das geladeiras e as usa para acender as fogueiras,antes de jogar as peças de computadores no fogo. O isopor queima emitindo chamas violetas e verdes, com um calor suficiente para derreter até mesmo cabos dotados de produtos químicos retardadores de fogo no seu isolamento plástico.

Ao contrário de Bismarck, Kwami não consegue mais falar sobre a sua vida. "Fico triste com frequência", diz ele, embora esteja se saindo bem pelos padrões de Sodoma. Alimentar as fogueiras é a tarefa mais tóxica de todas, mas ele ganha dinheiro suficiente para alugar um local para dormir em um barraco de madeira em Sodoma. O barraco tem cerca de dois metros de largura por três de comprimento. Três garotos dormem dentro dele, dividindo o assoalho de madeira. Não há janelas no barraco, mas a porta tem um cadeado, o que lhes permite dormir em segurança – um luxo em Sodoma.

Pobres contra pobres

Ao contrário do seu amigo, Bismarck tem medo da noite. Ele enrola-se no escuro como um cão e dorme encostado em uma parede de madeira em Sodoma, ou sobre as cinzas, ao lado de uma geladeira quebrada na área aberta onde ficam os eletrodomésticos quebrados. Às vezes dorme sobre as balanças. Muda o local de dormir com frequência. Bismarck tem apenas dois amigos aqui. No inferno, os pobres lutam contra os pobres.

Há alguns dias, Bismarck teve um golpe de sorte ao encontrar uma grande quantidade de cobre, e o homem da balança pagou a ele sete cedis. Bismarck só gastou dois cedis, mas na manhã seguinte os outros cinco haviam desaparecido. Alguém usou uma lâmina para abrir o bolso de Bismarck quando ele dormia. Ele simplesmente ganha muito pouco. Bismarck consegue pagar pela comida ou por um local para dormir, mas não pelas duas coisas.

Bismarck também não pode passar a noite com os seus outros amigos. Danjuma tem 11 anos de idade e acredita que já está trabalhando aqui há vários anos. Os seus pais ainda são vivos, mas quatro outros irmãos dividem um barraco com ele em Sodoma, e não há espaço lá para Bismarck.

A mãe de Danjuma detesta ver o filho trabalhando nas fogueiras e desejaria que ele estivesse na escola. Mas a família precisa de dinheiro. Danjuma é o filho mais velho, e não se sabe quanto tempo mais ele será capaz de trabalhar efetivamente. Ele padece de dores frequentes no peito e nas costas.

Danjuma e Bismarck pertencem ao grupo mais jovem, de crianças entre 8 e 14 anos. Nem eles nem as meninas têm permissão para alimentar o fogo. Os garotos novos trabalham com ímãs, e as meninas trazem água em sacos plásticos, e às vezes comida, para os garotos mais velhos. "A gente tem que beber muita água", explica Kwami. O sol é escaldante, fazendo com que a temperatura seja de 30 graus à sombra. Mas não existe sombra em Agbogbloshie. Perto dali o plástico está queimando a uma temperatura de mais de 300ºC.

Encolhendo o cérebro


Kwami diz que se esqueceu de muita coisa, mas que ainda se lembra muito claramente de um certo dia do ano passado. Um grupo de indivíduos brancos veio até à área de ferro velho, o que é raro. Eles eram do Greenpeace. Um homem usava luvas e carregava pequenos tubos de ensaio. Ele coletou amostras da lama de um dos lagos formados pelo rio, e depois cinza e solo de vários locais diferentes na área.

O químico analisou as amostras quando voltou para casa, na Inglaterra, e os valores que obteve não foram bons. Ele descobriu concentrações elevadas de chumbo, cádmio e arsênico, bem como de dioxinas, furanos e bifenis policlorados.

O chumbo, para tomar como exemplo apenas um dos produtos químicos perigosos, provoca dores de cabeça e estomacais após uma breve exposição. No longo prazo, ele danifica o sistema nervoso, os rins, o sangue e especialmente o cérebro. Quando uma criança ingere chumbo através da água ou por inalação, o seu cérebro encolhe ligeiramente e a sua inteligência diminui.

Cientistas da Alemanha ficam preocupados quando descobrem concentrações acima de um limite de 0,5 miligramas de pó de chumbo por metro cúbico de ar. O tubo de raios catódicos de um único monitor de computador contém cerca de 1,5 quilograma de chumbo. Muitas das outras substâncias encontradas pelos químicos no local também provocam câncer, entre outras doenças.

Contra-atacando

Mike Anane, um ativista ambiental e coordenador local da organização internacional de direitos humanos Fian, trouxe os membros do Greenpeace para cá. Anane nasceu aqui há 46 anos, bem ao lado de onde hoje fica Agbogbloshie. Naquela época, as margens dos rio eram repletas de prados verdes e de flamingos, e os pescadores tiravam o seu sustento do rio. Agora não existe vida nessas águas.

Oito anos atrás, Anane começou a perceber a chegada de uma quantidade cada vez maior de caminhões em Agbogbloshie, com as carrocerias repletas de computadores. Ele observou a situação de perto e passou a contra-atacar aquilo que viu. Anane coleta adesivos de procedência de vários computadores descartados para descobrir de quem são os venenos queimados aqui. Ele possui adesivos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, de autoridades britânicas e de companhias como o Banco Barclays e a British Telecom. "Algumas crianças daqui não chegarão aos 25 anos de idade", acredita Anane.

Ele sabe, porém, que as companhias e organizações cujos selos chegam aqui juntamente com os equipamentos descartados não são os agentes que de fato trazem esse lixo para o seu país. As pessoas diretamente envolvidas são comerciantes como Michael Ninicyi, diretor da Kofi Enterprise.

A Kofi Enterprise é uma pequena loja repleta de computadores. Os melhores produtos são velhas máquinas Pentium vendidas por US$ 90 (R$ 156), incluindo um leitor de DVD. Impressoras e copiadoras são exibidas sob uma cobertura amarela na frente da loja - todas as máquinas são provenientes da Alemanha, segundo Ninicyi. Um exemplar do jornal "Berliner Morgenpost", usado para proteção contra arranhões, encontra-se dobrado entre dois computadores. Algumas das máquinas ainda trazem os adesivos de companhias cujas sedes ficam, por exemplo, na pequena cidade alemã de Kleve, no Estado de Brandenburgo ou no de Rhineland. Todos esses produtos funcionam e são legais.

"Este negócio é bom para Gana"

Ninicyi usa calças com vincos, um colar de ouro e sapatos caros. Eis um homem de sucesso. O seu inglês é excelente, ele fala bem e é capaz de se defender - embora não sinta necessidade disso. Na verdade, o que ele sente é o contrário.

Ninicyi compra os seus produtos exclusivamente de navios de contêineres provenientes de Hamburgo. "Os alemães simplesmente tomam mais cuidado com os seus equipamentos do que qualquer outro povo", explica. Ele não quer dizer exatamente quem são os vendedores. Ninicyi compra os produtos sem examiná-los, algo que é comum nesta atividade. Como parte dos seus cálculos de custos, os vendedores alemães fazem com que em cada contêiner haja alguns equipamentos que funcionam, bem como alguns que ainda podem ser consertados. O restante, cerca de 30%, é lixo, que Ninicyi repassa imediatamente aos garotos que vêm de Agbogbloshie com os seus carrinhos da mão. Contêineres vindos do Reino Unido trazem uma proporção muito maior de lixo.

"Este negócio é bom para Gana e para os outros países", assegura Ninicyi. Ele diz que sente pelas crianças, mas afirma que paga impostos, e os seus fregueses também e que o povo de Gana tem acesso a computadores por um preço acessível.

Ninicyi conhece até uma teoria maior que faria com ele fosse visto como algo semelhante a um funcionário de ajuda de desenvolvimento. A teoria da "lacuna digital", originalmente desenvolvida na Universidade de Minnesota, afirma simplesmente que, como os pobres não têm acesso aos meios modernos de comunicação, e como é o conhecimento que cria prosperidade, as pessoas mais pobres continuarão ficando para trás e a lacuna se expandirá ainda mais. O fornecimento de computadores ajuda a reduzir essa lacuna.

Essa teoria tem alguns pontos fracos. Por exemplo, ela foi desenvolvida em 1970, três anos antes de um jovem estudante chamado Bill Gates sequer começar a estudar na Universidade Harvard. Há também uma segunda teoria da era da computação, a Lei de Moore, cujo nome é uma alusão a um dos cofundadores da Intel, que afirma que a capacidade de processamento dos computadores dobra a cada dois anos. Os criadores de softwares seguem a tendência, fazendo com que os computadores mais novos de hoje já estejam ultrapassados amanhã e prontos para serem mandados para Sodoma um dia depois.

"Por que vocês não param de nos mandar lixo?"

"Esse processo está cada vez mais rápido, e nós estamos sendo esmagados", queixa-se John Pwamang, diretor do Centro de Gerenciamento e Controle de Produtos Químicos da Agência de Proteção Ambiental de Gana. A agência está localizada em um prédio de concreto em péssimas condições. A caminho do escritório de Pwamang, os visitantes precisam subir primeiro uma escada que no passado deve ter sido verde, e a seguir passar por um banheiro com defeito e uma sala de conferência de cortinas marrons esfarrapadas. Na sala há três depósitos de lixo - um marrom, para papel, um cinza, para plástico, e um outro marrom para tudo mais. Entretanto, o país não conta com um sistema de reciclagem de lixo em funcionamento. Ao que parece a agência de Pwamang ainda tem alguns problemas pela frente.

Os olhos de Pwamang são pouco visíveis por trás das grossas lentes bifocais. Ele fala suavemente, o que o ajuda a parecer mais tranquilo do que realmente é. "Vocês europeus não mudam", reclama ele. "O que deveríamos fazer com os produtos tóxicos que vocês nos mandam? Não temos como reciclá-los. Vocês possuem as instalações para isso. Computadores que funcionam não são nenhum problema, mas muitas das máquinas velhas demais não duram nem um ano aqui. Por que vocês nãoparam de nos mandar lixo?".

Pwamang não tem como provar que o chumbo e as dioxinas estão matando as crianças. Quase ninguém com mais de 25 anos trabalha nas fogueiras às margens do rio de águas pretas. E não existe estudo algum sobre o problema. O Greenpeace identificou e quantificou as toxinas, mas não examinou os efeitos diretos delas. "As crianças estão doentes", afirma Pwamang. "Temos aqui metais pesados e venenos. Um estudo seria bom, mas mesmo sem nenhum estudo eu sei que a situação é desastrosa."

Sonhando em escapar

Apesar de tudo, as crianças de Sodoma às vezes parecem se divertir. Os garotos mais velhos jogam futebol à noite em um espaço aberto entre as fogueiras, com dois vergalhões servindo de gol e monitores de computador vazios marcando as bordas do campo. Os jogadores correm e mergulham entre a fumaça das fogueiras. Eles não estão jogando apenas para se divertir, mas também pelo seu futuro, já que muitos ganenses deixaram o país para jogar em times profissionais no Ocidente. É um sonho meio louco, mas para muitos dos jovens daqui, um sonho é a única coisa que lhes permite escapar.

O amigo de Bismarck, Danjuma, tem o mesmo sonho, é claro. Ele adoraria treinar futebol, apesar das dores no peito. Não tem dinheiro para comprar uma bola. Mas talvez seja melhor assim já que, se corresse, ele teria que respirar profundamente a fumaça.
Site: O Vermelho.

CHILE - grande chance da direita voltar ao poder.

Quando a esquerda se iguala à direita, perde.

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Enríquez-Ominami pode ir ao 2° turno contra o direitista Piñera

A nossa imprensa glorifica a presidente do Chile, Michele Bachelet. O motivo? Sendo do Partido Socialista, fez um governo liberal, sem confrontos, aceitando a lógica do sistema. O contrário dos “demônios” Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e, nos últimos tempos, Lula.

Semana que vem haverá eleições no Chile. E o favorito é um empresário de direita, apoiado pelos “pinochetistas”, Sebastián Piñera. Ele é um bilionário (segundo a Forbes, sua fortuna ultrapassa 1,3 bilhão de dólares), dono da Chilevision e de 23% da LAN Chile. Em 1989, chefiou a campanha de Hernán Büchi, um ex-ministro das Finanças do governo de Pinochet.

O Partido Socialista Chileno, seguindo a fórmula de “composição” com a Democracia-Cristã, lançou a candidatura do ex-presidente Eduardo Frei, da DC. Empacou.

Tanto empacou que o dissidente Marco Enríquez-Ominami chegou a 20% das intenções de voto, pouco abaixo dele. Marco é filho do fundador do MIR, Movimiento de Izquierda Revolucionario, que combateu a ditadura de Pinochet.

Mas a direita tem 36% . E ganha, nas simulações de 2° turno, com um pouco mais de folga se quem passar ao 2° turno for Frei e não Ominiami. A última pesquisa dá 23% a Frei, caindo, e 20% a Marco, subindo.

O candidato do Partido Comunista, Jorge Arrate, que alcançou inesperados 5% nas pesquisas, lançou ontem um apelo para um pacto de unidade contra Piñera. Arrate foi considerado o vencedor do debate entre os candidatos, o que impulsionou sua candidatura.

A estrutura do PS do Chile está rachada. A população está confusa.

Quando a esquerda governa e age como a direita, como esperar que seja diferente?

Que diferença da Bolívia!

Fonte: Blog "Tijolaço", do Brizola Neto.

BOLÍVIA - Cresceu a aprovação ao Evo Morales.

Vitória total faz Morales acelerar mudanças

respaldo

Quando concorreu pela primeira vez, naseleições gerais de 2002, Evo Morales conquistou 20,94% dos votos e três pontos percentuais de vantagem sobre Manfred Reyes Villa, seu adversário de ontem e então candidato a Presidente da Nova Força Republicana.

Venceu a eleição Gonzalo Sánchez de Lozada, do Movimiento Nacionalista Revolucionario (MNR), mas um ano mais tarde teve de fugir do país depois de um escândalo. Assumiu ovice-presidente, Carlos Mesa, que renunciou em 2005 , pressionado por manifestações populares e subiu ao poder o então presidente da Corte Suprema, Eduardo Rodríguez.

resultbolNa eleição geral de dezembro de 2005 , Morales foi eleito para a presidência com uma votação de 53,7%, bem acima dos 28,59% qdo segundo colocado, o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga.

Ontem, Morales e Reyes mediram forças políticas novamente em uma eleição nacional e Morales teve 41 pontos a mais que na primeira oportunidade, enquanto Reyes Villa cresceu sete pontos, fmas gora como representante de uma fente de oposição ao governo socialista .

Pouco depois de Morales assumir a presidência, em janeiro de 2006, o Congresso convocou a eleição da Assembléia Constituinte, onde o MAS teve 50,7% dos votos , o partido de Reyes, 15,33%. e o restante se dividiu entre os representantes dos 14 partidos e agrupamentos.

Dois anos depois, em agosto de 2008, foi convocado, a pedido da oposição, um plebiscito para confirmar ou rejeitar a continuidade de Evo na Presiência.Ele foi confirmado no cargo com 67,41% de apoio.

Em janeiro deste ano houve outra eleição, um referendo à Constituição aprovada pela Assembléia Constituinte. Nesse processo, a opção de “Sim”, defendida por Moreales e pelo MAS, teve 61,43% de apoio nas urnas.

Agora, Morales obteve uma vitória histórica. Como você vê no gráfico acima, do jornal La Razón, seu partido tem maioria de dois terços no Legislativo e será difícil para a oposição impedi-lo de fazer o que já anunciou logo após a eleição: “acelerar o processo de mudança”
Fonte: Blog "Tijolaço", do Brizola Neto.

ELEIÇÕES - Ainda indefinida eleição no PT do Rio de Janeiro.

Copiado do blog do Brizola Neto.

Eleição no PT ainda indefinida. Diferença de 9 votos

Lindberg ao lado de seu candidato, Lourival Casula

Lindberg ao lado de seu candidato, Lourival Casula

Suspensa a contagem dos votos no final da noite, com 90% das urnas apuradas, a escolha do presidente regional do PT está num virtual empate. O candidato apoiado pela direção nacional - e adepto de uma aliança comSérgio Cabral -, Luís Sérgio, tinha 9.037 votos, contra 9.028 de Lourival Casula, candidato favorável à candidatura de Lindberg Farias ao Governo do Estado. Em termos percentuais, a diferença é de 0,04%

Lindberg disse que a visita ao Rio do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini (SP), que na sexta-feira deu entrevista na sede estadual ao lado de Luiz Sérgio, foi uma interferência exagerada em favor do grupo pró-Cabral. “Eles vieram aqui para nos esmagar. Telefonaram para militantes, para todos os deputados. Havia gente importante do partido atuando de forma quase desesperada. Vieram de um jeito que consolidou a ideia da candidatura própria. Aqui é a resistência heroica”, disse Lindberg.

Fonte: Blog Tijolaço

domingo, 6 de dezembro de 2009

ELEIÇÕES - Até a direita acha que o Serra será "esmagado?"

Copiado do blog do Brizola Neto.
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Reinaldo Azevedo, com José Serra:até ele já jogou a toalha?

Reinaldo Azevedo, o símbolo mais escancarado da parcialidade da revista Veja, faz um apelo desesperado aos dois candidatos tucanos à sucessão presidencial, no seu blog.

O título diz tudo: “Alô, Serra e Aécio: ou é união ou é esmagamento”.
Azevedo tem o direito de dizer o que quiser. Afinal, ao contrário do que costuma afirmar, o Brasil é uma democracia. Aliás, este blog aqui, também, tanto que sSe você tiver paciência de ler o que ele escreve, pode clicar aqui.

Mas há uma coisa interessante a observar. Como é que o candidato favorito - um favorito que ninguém quer a seu lado - a quem não faz muito se atribuía até 40% das intenções de voto, vai ser “esmagado”?

Ou será que nem mesmo a direita acredita mais nas pesquisas?

Fonte: Blog Tijolaço, do Brizola Neto.

LULA : sobre paz e imperialismo.

Lula: sobre paz e imperialismo

Carta Maior
- 06/12/2009

Segundo o Instituto Internacional para as Pesquisas sobre a Paz, o armamento das cinco potências é suficiente para destruir o mundo várias vezes. Uma ordem mundial estável pode ser construída sobre padrões destinados a perpetuar o poderio de poucos e a impotência de muitos?

Gilson Caroni Filho*

As idéias de Lula sobre política externa, ao contrário do que tentam propagar notórios embaixadores e articulistas da grande imprensa, não apontam para a “partidarização petista" da cúpula do Itamaraty. Pelo contrário, partindo da complexidade do cenário internacional, o governo formula uma agenda que reafirma a soberania da diplomacia brasileira, sem contemporizar com hegemonismos de qualquer ordem.

É nesse contexto que devem ser entendidas as palavras do presidente em sua recente viagem à Alemanha. Salientando que é preciso " muita paciência com o Irã ", Lula lembrou que, para pedir a um país que não desenvolva arma atômica, Estados Unidos e Rússia deveriam desativar as suas. Quem interpretar tal observação como petição bizantina, destinada apenas a agradar aos setores de esquerda de sua base de governo, estará gastando munição barata para analisar o que não consegue entender.

Se a questão fundamental da atualidade é a da guerra e da paz, devemos fazer algumas indagações sobre o discurso hegemônico que paira sobre ela. Pode haver garantia efetiva contra o uso ou ameaça de emprego de armas nucleares se as cinco potências que comandam o Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Inglaterra) continuam presas à noção de que tais armas devem ser sua exclusiva e perpétua propriedade, em detrimento da segurança de outros países?

Como destacou o ex-embaixador Celso de Souza e Silva, em artigo escrito para o Jornal do Brasil, em outubro de 1983, "nenhuma declaração unilateral, especialmente quando colocada em termos gerais e imprecisos, pode contrabalançar a real ameaça à segurança dos países não possuidores de armas nucleares, representada pela existência desses artefatos nas mãos de um seleto clube mortífero."

Com efeito, é importante lembrar que o direito de autodeterminação, certamente, não é monopólio das potências nucleares existentes. Se elas não reconhecem limites ao direito de garantir a própria segurança, ao custo da posse de 26 mil ogivas nucleares, não podem esperar que outros países se abstenham durante muito tempo do exercício dessa mesma opção. Segundo o Instituto Internacional para as Pesquisas sobre a Paz de Estocolmo (SIPRI), o armamento concentrado pelas cinco potências seria o suficiente para destruir o mundo várias vezes. Diante disso, indaga-se se uma estável ordem mundial pode ser construída sobre duplos padrões destinados a perpetuar o poderio de poucos e a impotência de muitos?

Em abril, o presidente Barack Obama, perante milhares de pessoas, em Praga, disse acreditar em "um mundo sem armas". Como as raízes do militarismo estão na natureza econômica e de classe do imperialismo, que jamais desistirá da força militar como instrumento de sua política, resta saber até onde vai a disposição do líder estadunidense. Como afrontará os invernos planejados pelo Pentágono? A intensiva preparação para novas guerras é parte constitutiva do processo de acumulação capitalista. Se pairar alguma dúvida sobre esse ponto, basta observar o quanto o orçamento norte-americano destina ao complexo industrial-militar. Sem contar, é obvio, a generosa concessão de fundos e verbas ao Ministério da Defesa.

O que propõe Obama em médio prazo? Uma reconversão da economia norte-americana? Talvez, em Berlim, Lula o tenha alertado para o perigo de platitudes que arrebatam platéias, mas não movem a história

P.S: sobre César Benjamim, não há muito que acrescentar. Endosso os textos de Washington Araújo, Gilberto Maringoni e José Arbex Jr. O ex-militante de esquerda, munido de ressentimento e dor narcísica, se mudou de mala e cuia para o que há de mais reacionário na direita. Quem leu seu último artigo (“Por que agora?” - Folha de S. Paulo, 2/12), pôde constatar que as críticas contra o governo praticamente reproduzem as do editorial do jornal paulista ("Lula, o filme"), publicado em 28 de setembro. Para melhor exercer o papel de lugar-tenente da família Frias, César matou Cesinha.

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.
Fonte: ContrapontoPIG

EUA - Obama não está conseguindo enfrentar os "lobbies".

O fantoche Obama
por Paul Craig Roberts [*]

Cartoon de Latuff. Não levou muito tempo para o lobby de Israel submeter o presidente Obama quanto à sua proibição de novos colonatos israelenses na terra palestina ocupada. Obama descobriu que um mero presidente americano está sem poderes quando confrontado com o lobby de Israel e que aos Estados Unidos simplesmente não é permitido uma política para o Médio Oriente separada da de Israel.

Obama também descobriu que não pode mudar seja o que for, se é que pretendia fazê-lo.

O lobby militar/segurança tem na sua agenda a guerra e um estado policial interno, e um mero presidente americano nada pode fazer acerca disso.

O presidente Obama pode ordenar que a câmara de tortura de Guantanamo seja fechada e que os sequestros, "rendições" e tortura sejam travados, mas ninguém executa a ordem.

No essencial, Obama é irrelevante.

O presidente Obama pode prometer que vai trazer as tropas para casa e o lobby militar diz: "Não, você vai enviá-las para o Afeganistão e nesse meio tempo começar uma guerra no Paquistão e manobrar o Irão para uma posição que proporcionará uma desculpa para uma guerra ali, também. As guerras são demasiado lucrativas para nós deixarmos você cessá-las".

E o mero presidente tem de dizer: "Yes, Sir!"

Obama pode prometer cuidados de saúde para 50 milhões de americanos sem seguro, mas não pode ultrapassar o veto do lobby da guerra e do lobby dos seguros. O lobby da guerra diz que os seus lucros de guerra são mais importantes do que cuidados de saúde e que o país não pode permitir-se simultaneamente a "guerra ao terror" e a "medicina socializada".

O lobby dos seguros diz que os cuidados de saúde têm de ser providenciados por companhias de seguro privadas; de outra forma, não podemos permiti-los.

Os lobbies da guerra e dos seguros agitaram as suas agendas de contribuições de campanha e rapidamente convenceram o Congresso e a Casa Branca de que a finalidade real da lei de cuidados de saúde é poupar dinheiro através de cortes nos benefícios do Medicare e Medicaid, e com isso "pondo os direitos a benefícios sob controle".

Direitos a benefícios (entitlements) é uma palavra usada pela extrema-direita para difamar as poucas coisas que, no passado distante, o governo fez pelos cidadãos. A Segurança Social e o Medicare, por exemplo, são denegridos como "entitlements". A extrema-direita avança infindavelmente contra a Segurança Social e o Medicare como se eles fossem dádivas de bem-estar para pessoas preguiçosas que se recusam a cuidar de si próprias, apesar do facto real de que os cidadãos são amplamente sobrecarregados pelos seus magros benefícios com uma contribuição de 15% sobre os seus salários.

Na verdade, durante décadas o governo federal tem estado a financiar as suas guerras e orçamentos militares com os excedentes de receitas arrecadadas pelas contribuições da Segurança Social sobre o trabalho.

Afirmar, como faz a extrema-direita, que não nos podemos permitir a única coisa em todo o orçamento que tem regularmente produzido um excedente de receita indica que a agenda real é lançar o simples cidadãos no chão.

Os entitlements reais nunca são mencionados. O orçamento da "defesa" é um entitlement para o complexo militar/segurança acerca do qual o presidente Eisenhower nos advertiu 50 anos atrás. Uma pessoa tem de ser louca para acreditar que os Estados Unidos, "a única super-potência do mundo", protegido pelos oceanos a Leste e a Oeste e por estados fantoches a Norte e a Sul, precisa de um orçamento de "defesa" maior do que as despesas militares somadas de todo o resto do mundo.

O orçamento militar não é nada excepto um entitlement para o complexo militar/segurança. Para esconder este facto, o entitlement é disfarçado como protecção contra "inimigos" e repassado através do Pentágono.

Sugiro que suprimam o intermediário e simplesmente concedam uma percentagem do orçamento federal para o complexo militar/segurança. Deste modo não teremos de cozinhar razões para invadir outros países e ir à guerra a fim de que o complexo militar/segurança obtenha o seu entitlement. Seria um bocado mais barato simplesmente dar-lhe o dinheiro directamente, e salvaríamos um bocado de vidas e sofrimentos interna e externamente.

A invasão estado-unidense do Iraque nada tinha a ver com os interesses nacionais americanos. Tinha a ver com lucros de armamentos e com a eliminação de um obstáculo para a expansão territorial israelense. O custo da guerra, além dos US$3 milhões de milhões, foi de mais de 4000 americanos mortos, mais de 30 mil americanos feridos e aleijados, dezenas de milhares de casamentos americanos rompidos e carreiras perdidas, um milhão de iraquianos mortos, quatro milhões de iraquianos deslocados e um país destruído.

Tudo isto foi feito para os lucros do complexo militar/segurança e para fazer que o paranóico Israel, armado com 200 ogivas nucleares, se sinta "seguro".

A minha proposta faria o complexo militar/segurança ainda mais rico pois as companhias obteriam o dinheiro sem terem de produzir as armas. Ao invés disso, todo o dinheiro podia ir para os muitos milhões de dólares em bónus e dividendos pagos aos accionistas. Ninguém, internamente ou no exterior, teria de ser morto e o contribuinte ficaria numa melhor situação.

Nenhum interesse nacional americano é servido pela guerra no Afeganistão. Como revelou antigo embaixador britânico Craig Murray, a finalidade da guerra é proteger o interesse da Unocal no pipeline Trans-Afeganistão. O custo da guerra é muitas vezes maior do que o investimento da Unocal no pipeline. A solução óbvia é comprar os direitos da Unocal e dar o pipeline aos afegãos como compensação parcial pela destruição que temos infligido àquele país e à sua população, trazendo as tropas de volta para casa.

A razão porque as minhas soluções sensatas não podem ser efectivadas é que os lobbies pensam que os seus entitlements não sobreviviriam se fossem tornados óbvios. Eles pensam que se o povo americano soubesse que as guerras estavam a ser combatidas para enriquecer as indústrias de armamento e petróleo, o povo travaria as guerras.

Nos factos reais, o povo americano não tem influência quanto ao que o "seu" governo faz. Inquéritos de opinião mostram que metade ou mais do povo americano não apoia as guerras no Iraque ou Afeganistão e não apoia a escalada do presidente Obama na guerra do Afeganistão. Mas as ocupações e as guerras continuam. Segundo o general Stanley McChrystal, os 40 mil soldados adicionais são suficientes para empatar a guerra, isto é, para mantê-la em andamento para sempre, a situação ideal para o lobby dos armamentos.

O povo quer cuidados de saúde, mas o governo não ou ouve.

O povo quer empregos, mas a Wall Street quer acções a cotações mais elevadas e força firmas americanas a deslocalizarem os empregos em países onde o trabalho é mais barato.

O povo americano fica inactivo sobre tudo. Ele nada pode influenciar. Ele tornou-se irrelevante tal como Obama. E ele permanecerá irrelevante enquanto grupos de interesse organizados possam comprar o governo dos EUA.

A incapacidade da democracia americana para produzir quaisquer resultados que os eleitores pretendam é um facto demonstrado. A indiferença total do governo para com o povo é a contribuição do conservadorismo à democracia americana. Alguns anos atrás havia um esforço para colocar o governo de volta nas mãos do povo pelo constrangimento da capacidade de grupos de interesses organizados despejarem enormes quantias de dinheiro em campanhas políticas e, portanto, obrigar os responsáveis eleitos junto àqueles cujo dinheiro os havia elegido. Os conservadores dizem que quaisquer restrições seriam uma violação da garantia de liberdade de expressão da Primeira Emenda [da Constituição].

Os mesmos "protectores" da "liberdade de expressão" não têm objecção à aprovação da lei do "discurso do ódio" feita pelo lobby de Israel, o qual criminaliza a crítica do tratamento genocida dos palestinos por Israel e o roubo contínuo das suas terras.

Em menos de um ano, o presidente Obama traiu todos os seus apoiantes e rompeu todas as suas promessas. Ele é totalmente prisioneiro da oligarquia dos grupos de interesses dominantes.

Obama parece estar destinado a ser presidente de um só mandato. Na verdade, a economia em colapso irá condená-lo.

Os republicanos estão a enfeitar a Palin. A nossa primeira presidente mulher, a seguir ao nosso primeiro presidente negro, completará a transição para um estado policial americano através da prisão de críticos e protestatários das políticas externa e internas imorais de Washington, e ela completará a destruição da reputação da América no exterior.

Putin da Rússia já comparou os EUA à Alemanha nazi e o primeiro-ministro chinês comparou os EUA a um irresponsável, um devedor perdulário.

O resto do mundo, cada vez mais, vê os EUA como a fonte única de todos os seus problemas. A Alemanha perdeu o chefe das suas forças armadas e o seu ministro da Defesa, porque os EUA convenceram ou pressionaram, por bem ou por mal, o governo alemão a violar a sua Constituição e a enviar tropas para combater pelos interesses da Unocal no Afeganistão. Os alemães pretenderam que as suas tropas não estavam realmente a combater, mas sim empenhados numa "operação de manutenção da paz". Isto funcionou mais ou menos até que os alemães requisitaram um ataque aéreo que assassinou 100 mulheres e crianças em fila para uma distribuição de combustível.

Os britânicos estão a investigar o seu principal criminoso, o antigo primeiro-ministro Tony Blair, e a sua fraude ao seu próprio gabinete a fim de cumprir a ordem de Bush e proporcionar alguma cobertura à sua invasão ilegal do Iraque. Aos investigadores britânicos tem sido negada a capacidade para formular acusações criminais, mas a questão da guerra baseada inteiramente sobre fraudes e mentiras orquestradas é exposta publicamente. Isto repercutirá através do mundo e o mundo notará que não há investigação correspondente nos EUA, o país que originou a Guerra Enganosa.

Enquanto isso, os bancos de investimento dos EUA, os quais arruinaram a estabilidade financeira de muitos governos, incluindo o dos EUA, continuam a controlar, como têm feito desde a administração Clinton, a política económica e financeira do país. O mundo sofreu terrivelmente com os gangster da Wall Street e agora encara a América com um olho crítico.

Os Estados Unidos não mais merecem o respeito que desfrutou sob o presidente Ronald Reagan ou o presidente George Herbert Walker Bush. Inquéritos mundiais mostram que os EUA e o seu fantoche mestre são encarados como as duas maiores ameaças à paz. Washington e Israel ultrapassam o mais perigoso na lista, o regime louco da Coreia do Norte. [1]

O mundo começa a encarar a América como um país que precisa ser afastado. Quando o dólar está super-inflacionado por uma Washington incapaz de pagar as suas contas, será que o mundo estará motivado pela cobiça e tentará salvar-nos a fim de salvar os seus investimentos, ou dirá, graças da Deus, problema resolvido.

[1] Resistir.info não é obrigado a concordar com tudo ao publicar um artigo.

[*] Ex-secretário assistente do Tesouro na administração Reagan, co-autor de The Tyranny of Good Intentions . O seu novo livro, War of the Worlds: How the Economy Was Lost , sairá em Janeiro. PaulCraigRoberts@yahoo.com

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/roberts12022009.html

EUA - Republicanos vencem eleições locais.

Estados Unidos

Republicanos vencem democratas em eleições locais nos EUA

Bob McDonnell

O republicano Bob McDonnell pôs fim a oito anos de governo democrata na Virgínia

O Partido Republicano foi vencedor em duas eleições-chave para governador nos Estados Unidos, um anos após a eleição do democrata Barack Obama para a Presidência do país.

Os candidatos republicanos Bob McDonnell e Chris Christie ganharam as eleições respectivamente nos Estados de Virgínia e Nova Jérsei - este um tradicional reduto democrata.

Em Nova York, o prefeito independente Michael Bloomberg obteve apertada vitória sobre o candidato democrata Bill Thompson, conquistando um terceiro mandato.

No Estado de Maine, os eleitores rejeitaram em referendo a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovada pelos legisladores do Estado no início do ano.

A lei foi suspensa depois que conservadores lançaram uma petição para rejeitá-la em referendo.

Apesar de as disputas para governador terem sido dominadas por questões locais, analistas afirmam que a vitória poderá levantar a moral do partido antes das eleições de 2010, as chamadas eleições de metade de mandato.

No ano que vem, toda a Câmara dos Representantes, cerca de um terço do Senado e dois terços dos cargos de governador serão eleitos.

Golpe para os democratas

Em Nova Jérsei, o governador do Partido Democrata Jon Corzine travou uma dura batalha contra o rival republicano Chris Christie, não apenas atacando suas ligações com o ex-presidente George W. Bush e sua opinião sobre aborto e saúde pública, mas também zombando de seu peso.

Mas com a maior parte dos votos apurados, Christie estava na frente com cerca de 50% dos votos, quando Corzine admitiu a derrota. Ele prometeu trabalhar com Christie para garantir uma transição tranquila.

Para analistas, a derrota em Nova Jérsei é um golpe para os democratas, especialmente depois que o presidente Obama se empenhou pessoalmente na campanha, viajando a Nova Jérsei.

Na Virgínia, o candidato do Partido Democrata Creigh Deeds telefonou para McDonnell, ex-procurador geral, para lhe dar os parabéns. Com cerca de 80% dos votos apurados, o candidato republicano estava na frente com cerca de 60%.

No ano passado, Obama foi o primeiro candidato presidencial a vencer no Estado desde 1964, mas os últimos dois governadores de Virgínia eram do Partido Democrata.

Mas eleitores independentes, que no ano passado votaram em Obama, apoiaram o candidato republicano nesta disputa.

Fonte:BBC

O EFEITO TEQUILA TUCANO.

Emir Sader

O efeito tequila tucano

Em primeiro lugar, em continuidade com a política do governo FHC, o Brasil teria aprovado a ALCA – a Área de Livre Comércio para as Américas. O Brasil estaria submetido ao livre comércio, ao contrário dos processos de integração regional. O Mercosul teria terminado, não existiriam o Banco do Sul, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa.

As conseqüências atuais podem ser constatadas na forma como um país que assinou um Tratado de Livre Comércio com os EUA e o Canadá, como o México, e outro, de tamanho proporcional, como o Brasil, que teve papel destacado na inviabilização da ALCA e optou pelos processos de integração regional. O presidente do México, Felipe Calderón, tinha convidado a Lula para que os dois países fossem juntos ao FMI. Lula respondeu que nosso país não precisa mais disso e, ao contrário, terminou fazendo empréstimos ao FMI.

Ao assinar um TLC com os EUA, o México passou a ter mais de 90% do seu comércio exterior com esse país – nem sequer tem importância o comércio com o Canadá. O país não teve efeitos positivos, ao contrário, retrocedeu, sob os efeitos da livre circulação dos capitais norteamericanos no país. Pioraram os índices sociais, aumentou a imigração para os EUA.

Mas o pior viria depois, com a crise: pode-se imaginar o tamanho da recessão em que se envolveu o México – menos 7% do PIB, menos 16% da produção industrial neste ano – e os seus efeitos prolongados sobre uma economia que se tornou absolutamente dependente do vizinho do norte – onde se originou a crise e onde ela se revela de forma mais acentuada e prolongada.

Enquanto isso, o Brasil, assim como os países que privilegiaram a integração regional, saiu rapidamente da crise e voltou a crescer, além de, pela primeira vez, impedir que os pobres pagassem o preço da crise, ao manter as políticas sociais, seguir elevando o poder aquisitivo dos salários e os empregos formais.

Além disso, se diversificou o comércio internacional do Brasil – a China é o nosso primeiro parceiro comercial, não mais os EUA -, fazendo com que, pela primeira vez, se supere uma crise internacional sem depender da recuperação da economia norteamericana, da européia ou da japonesa, que seguem em recessão. Se intensificou também muito o comércio interrregional, entre o Brasil, a Argentina, a Venezuela, a Bolívia e os outros países dos processos de integração regional.

O terceiro eixo que favoreceu a recuperação da crise é a expansão do mercado interno de consumo popular, que não deixou se crescer durante a crise.

Nenhum desses três fatores – diversificação do comércio internacional, intensificação do comercio regional e expansão do mercado interno – estaria presente se os tucanos – FHC, Serra, Alckmin – continuassem governando. O quadro mexicano é a cara triste e angustiante que teria o Brasil, se os tucanos estivessem governando o país.

Esse é o tema que estará em jogo nas eleições do ano próximo. Por isso Aecio Neves diz que “será um candidato pós-Lula e não anti-Lula”, que “não nos convêm (aos tucanos) comparar números e Serra pretende ter um perfil próprio, querendo desvincular-se do governo de que foi ministro durante oito anos. Mas o caráter plebiscitário das eleições é inevitável, um plebiscito entre dois Brasis, o de FHC e Serra contra o de Lula e de Dilma.

sábado, 5 de dezembro de 2009

ECONOMIA - Capitalismo sem risco e sem capital.

Copiado do Blog do Brizola Neto.

Bancos brasileiros gostam de capitalismo sem capital

credito2

Ontem, no encontro que manteve com empresários brasileiros e alemães, na sua visita àquele país, o presidente Lula disse ao presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro, dizendo que descobriu, ao chegar ao Governo, que que o Brasil “era um país capitalista sem capital”, referindo-se à falta de crédito na economia. Lula lembrou que, quando chegou ao poder, o volume total de crédito na economia era igual ao que só o Banco do Brasil tem hoje em carteira.

O gráfico ao lado ajuda a compreender o que disse Lula. Todo mundo sabe que o negócio dos bancos, no Brasil, jamais foi emprestar dinheiro para ajudar pessoas ou empresas a produzirem ou consumirem, mas ganhar dinheiro às custas das altas taxas de juros pagas pelo Tesouro Nacional. Aliás, você pode ver aí que, nos primeiros anos do governo Lula, com a continuidade da política de juros altos, a percentagem do crédito sobre o volume total do Produto Interno Bruto pouco variou.

Mas e a “bolha” de crédito, com que costumam avisar - sobretudo os banqueiros - de que há muito dinheiro sendo emprestado e, por isso, é preciso subir - como são “desinteressados”… - os juros.

Conversa fiada. Mesmo o volume recorde previsto para 2010 ainda ficará muito abaixo do nível de países desenvolvidos . Nos Estados Unidos, o volume era de 187% do PIB no ano passado. No Japão, mais de 130%. O mesmo acontece entre os ditos “emergentes”: na China, a percentagem 123% e na Índia, 78%. No crédito imobiliário, que detonou o processo de crise mundial, o cenário é ainda mais gritante: no Brasil, é só 3% do PIB, nos EUA, mais de 50%.

O Brasil precisa ter crédito para crescer. Se os bancos privados não gostam de emprestar, que o Estado o faça. Até porque, mesmo cobrando juros menores, o lucro é enorme, como provam os resultados recentes do Banco do Brasil e da Caixa.

Fonte: Blog " O Tijolaço"

CADÊ A IMPRENSA CORPORATIVA GOLPISTA?

Copiado do blog do Guilherme Scalzilli

Capivara gigante


Os veículos de comunicação ganharam uma ótima oportunidade para provar aos céticos que as acusações de golpismo eram exageradas. Basta dedicar à oposição a mesma virulência investigativa (e amiúde caluniosa) que reservou aos petistas nos idos de 2005.

O noticiário oferece três “mensalões” muito promissores, cheios de novidades inexploradas, que compartilham entre si, no mínimo, as tendências políticas de seus protagonistas: o de Eduardo Azeredo (PSDB), o da Camargo Corrêa e o do governador José Roberto Arruda.

Somando todos os esqueletos, constrói-se um enorme ossário com as cúpulas do PSDB e do DEM (PFL), uns pedaços de peemedebistas e tutano dos governos FHC para salgar o caldo. Se os escandólatras da imprensa democrática usarem seu espírito investigativo para expor os Freuds Godoys do momento, operam a grande revolução moralizante que tanto defenderam em seus editoriais inflamados.

MÍDIA - NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG DO SARAIVA.

Valeu Saraiva. Muito pertinente sua colocação sobre a atitude da Folha, pressionando o blogueiro Antônio Arles.
Carlos Dória

From:
carlos alberto saraiva da silva
Sent: Saturday, December 05, 2009 11:39 AM
Subject: NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG DO SARAIVA - A FOLHA TREMEU

A FOLHA TREMEU


Copiado do e-mail enviado pelo Grupo Beatrice, que está em Minhas Notícias.

Visitem este Blog.
Obrigado.
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG DO SARAIVA:
O pacífico entendimento, na doutrina e na jurisprudência, do princípio jurídico de que não se pode corromper quem já é corrompido, também pode e deve ser aplicado para afirmar que não se pode denegrir uma imagem ou marca já denegrida, como é o caso da FSP.
A FSP, assim como outros jornais de "Grande Circulação", incluindo O Globo e cia., que sempre deram suporte à Ditadura Militar e até hoje o principal objetivo é a MANIPULAÇÃO, por meio de Ocultação, Fragmentação, Inversão e Indução, quando não chegam até mesmo, como vem ocorrendo ultimamente com frequência, com deturpações como Adulteração e Falsificação, MENTIRAS comprovadas, sem que haja reconhecimento, preferindo-se deixar como está a notícia no "ar" para criar dúvidas nas cabeças dos leitores.
Criam manchetes e lançam notícias, misturando objetivo com subjetivo, o que para os mestres em ciência jornalística é um verdadeiro SOFISMA SURREALISTA, praticado por este 4º ( quarto ) PODER, e, digo mais, Um 4º Poder Político - Partidário ou Supra Partidário, sustentando e sendo sustentado pelo DEM/PSDB, seus filiados políticos que sabemos muito bem quem são, além de seus admiradores e simpatizantes. Mas o pior é que a maioria dos leitores e assinantes destes jornais não percebem estas manobras, ou, se percebem, por comodismo continuam assinantes ou compradores de bancas.
O comportamento da FSP em episódios ao longo dos últimos anos levou a sua queda de tiragem/vendagem, por FALTA DE CREDIBILIDADE , fato amplamente divulgado pela Internet e até mesmo por uma canal aberto de TV , não sendo novidade para ninguém.
Saraiva

A FOLHA TREMEU

ANTES ERA A ARROGÂNCIA.
AGORA É O MEDO.

>>>

BLOGUEIRO NOTIFICADO PELA FOLHA: "INTIMIDAÇÃO"
Atualizado em 05 de dezembro de 2009 às 01:07
Publicado em 04 de dezembro de 2009 às 23:48
por Conceição Lemes
Antonio Arles é estudante de História da USP, militante de movimentos sociais, ciberativista e blogueiro. Hoje ele recebeu uma notificação dos advogados da Folha e do Uol. Determinava que retirasse do seu blog, o
Arlesophia, as imagens da campanha para cancelamento das assinaturas do jornal e do portal.
Viomundo – A que horas isso aconteceu?
Antonio Arles – Aproximadamente às 14 horas, quando saía de casa para a USP. Minha mulher [Flávia] manobrava o carro na garagem e eu esperava na calçada. Aí, fui abordado por um motorista de táxi, que perguntou se eu era Antonio. À confirmação, apontando na direção de um táxi parado no lado oposto à minha casa, disse: “Ela quer falar com você”.
Viomundo – Ela era quem?
Antonio Arles – Uma mensageira do escritório de advocacia que representa o jornal e o portal. Ela limitou-se a dizer que havia uma correspondência para mim e pediu-me que assinasse o protocolo de recebimento. Como estava atrasado para a aula, abri o envelope no caminho. Aí, eu vi que se tratava de uma notificação extrajudicial dos advogados da empresa pelo uso indevido da imagem na campanha pelo cancelamento das assinaturas da Folha e do Uol.
Viomundo – A campanha começou quando?
Antonio Arles – Domingo passado.Na sexta-feira passada [27 de novembro], em função da publicação do artigo “Lula, o filho do Brasil”, do César Benjamin, começou no twitter um movimento para cancelamento das assinaturas. No domingo, como já havia muitas adesões, resolvemos lançar a campanha.
Viomundo – É uma campanha do seu blog?
Antonio Arles – Não. É de várias pessoas da blogosfera. Para facilitar o acesso, eu coloquei os links das imagens no meu blog. A partir daí o pessoal foi disseminando.
Viomundo – O que contêm essas imagens?
Antonio Arles – As marcas da Folha e do Uol.
Viomundo – Qual a alegação dos advogados?
Antonio Arles – Uso indevido da imagem. No final da tarde, fiz o que notificação determinou: retirei as imagens do ar. Consequentemente a própria campanha do meu blog.
Viomundo – O que você pretende fazer agora?
Antonio Arles – Meu advogado está estudando medidas legais cabíveis contra essa postura da Folha. Considero intimidação. É cerceamento à liberdade de expressão.
Nota do Viomundo: Os advogados alegam que "A marca da Folha e do Uol foram indevidamente utilizadas, de vez que não autorizadas, agravando-se tal ato pelo seu denegrimento." Denigrir é um termo racista. Significa tornar negro, em sentido pejorativo. Há outras palavras para expressar o que desejam, mas recorrem a uma com conotação preconceituosa, que associa o tornar-se negro a algo negativo. Denigrir, segundo o Dicionário do Houaiss, quer dizer também diminuir a pureza, o valor de; conspurcar(-se), manchar(-se).

REQUIÃO AMEAÇA COLOCAR RURALISTAS NA CADEIA.


Requião ameaça colocar ruralistas na cadeia
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), ameaçou prender os ruralistas que vierem a protestar durante a inauguração, no próximo sábado, na antiga multinacional Syngenta, do Centro de Ensino e Pesquisa em Agroecologia Valmir Mota de Oliveira, em SantaTereza do Oeste. A manifestação está sendo organizada pela Sociedade Rural do Oeste (SRO), que não aceita a homenagem ao sem-terra Keno. O presidente da entidade Alessandro Meneghel garante que o ato público vai acontecer.

A reportagem é do jornal O Paraná, 03-12-2009.

O aviso do governador ocorreu ontem à tarde durante cerimônia de entrega de um caminhão ao Corpo de Bombeiros, em Cascavel. Perguntado sobre o protesto dos ruralistas, Requião foi incisivo. “Eu vou pô-los na cadeia se eles (ruralistas) atravessarem o meu caminho”, reagiu o governador, que tem se declarado um aliado do movimento sem-terra. A ameaça de Requião, porém, não intimidou o presidente da SRO, que tem se notabilizado pela luta pacífica ou não em favor dos produtores rurais da região Oeste. “Ele (Requião) vai ter que prender todo mundo porque nós vamos manter a manifestação pacífica. É bom lembrar que a ditadura acabou e o governador não é o dono do Estado”, disparou Alessandro Meneghel.

Ele lembrou ainda que a Constituição Federal prevê o direito do cidadão de se manifestar pacificamente. “Aqui não tem filho de pai assustado. Vamos manter o ato porque não concordamos com a política agrária do Estado e o apoio que ele dá ao MST.

Quem produz nesse País são os produtores rurais e não os sem-terra”, frisou. De acordo com Meneghel, o governo tem se equivocado em relação ao apoio ao MST, que ele classifica como um movimento criminoso, citando como exemplos o desmatamento no Assentamento Celso Furtado, em Quedas do Iguaçu. Meneghel espera reunir cerca de mil produtores no ato público.

O Centro de Ensino e Pesquisa em Agroecologia que opõe o governo e os ruralista fica na antiga Syngenta, em Santa Tereza do Oeste. O local foi palco em outubro de 2007 de um confronto entre sem-terra e seguranças da multinacional. O ataque resultou nas mortes do líder do MST, Valmir Mota de Oliveira, que dá o nome a unidade, e do segurança Fábio Ferreira. A área de 123 hectares foi doada pela empresa para o Estado, que, além do centro de pesquisa, instalará um Centro de Agricultura Orgânica.

LULA DIZ TER SIDO COBRADO POR NÃO FALAR LÍNGUAS.


Durante visita à Alemanha, Lula diz ter sido cobrado por não falar línguas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente falou sobre cobranças por não ter diploma universitário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, em visita à Alemanha, que foi muito mais cobrado no cargo do que seus antecessores e até do que outros líderes mundiais por não ter diploma universitário e não falar línguas.

“Ninguém nunca perguntou para o (presidente dos Estados Unidos, Barack) Obama se ele fala português ou fala alemão. Ninguém nunca perguntou para o (ex-chanceler alemão) Helmut Kohl se ele fala inglês ou não. Mas de mim, a cobrança era uma loucura”, disse Lula em um encontro com empresários alemães em Hamburgo, sob aplausos da plateia.

“Qualquer presidente no Brasil, se ele fracassar, não tem problema, ele vem pra Europa passar dois anos fazendo palestra, vai para Harvard fazer um curso de pós-graduação”, disse o presidente.

“Mas eu tinha clareza de que eu não podia errar”, acrescentou, referindo-se ao período em que era candidato a presidente.

“E que a cobrança em cima de mim seria muito maior do que sobre qualquer outro presidente. Se eu fracassasse, ia durar mais 200 anos para um metalúrgico sem diploma universitário querer ser presidente da oitava economia do mundo.”

Mudanças climáticas

Em um discurso de quase uma hora para uma plateia de mais de 600 pessoas, no encerramento de um seminário para empresários alemães interessados em investir no Brasil, Lula falou da importância de levar posições concretas à Conferência da ONU sobre o Mudanças Climáticas, em Copenhague, e fez elogios ao etanol brasileiro.

“Acredito que os alemães têm clareza de que não é possível continuar produzindo etanol do milho, nem etanol da beterraba”, afirmou.

“A cana-de-açúcar, produzida no Brasil ou em qualquer pais africano que precisa de investimentos para se desenvolver, pode ser a nova matriz energética que nós estamos precisando criar para as próximas décadas”, disse Lula.

O presidente elogiou a posição da Alemanha em relação às propostas climáticas a serem levadas para a cúpula na Dinamarca e acrescentou que Brasil e Alemanha devem se unir para criar soluções ambientais.

“Podemos construir juntos, porque, dentre os países desenvolvidos, a Alemanha é o que mais tem tomado iniciativas para que a gente possa apresentar ao mundo uma proposta objetiva”, disse.

Lula citou Estados Unidos e China como países que não têm a mesma visão e apelou a Pequim e Washington para que sigam “o exemplo brasileiro”, levando propostas concretas à capital dinamarquesa.

“Quando o Brasil tomou atitude é porque nós queremos chegar a Copenhague desafiando os outros países a cumprirem pelo menos aquilo que o Brasil esta se propondo a cumprir”, disse.

Nas últimas semanas, os dois países apresentaram metas que prometem levar à conferência.

Crise

Lula atribuiu ao mercado interno e à distribuição da renda promovida no seu governo a superação da crise financeira pelo Brasil.

“Precisamos conhecer as razões pelas quais o Brasil está numa situação confortável. Muita gente acha que é pura sorte do governo. Outros acham que Deus está de férias no Brasil e, portanto, as coisas estão dando certo no nosso país”, disse, provocando risos na plateia.

“Outros acham que o Brasil está bem porque a economia mundial estava bem. Mas agora o Brasil está bem e a economia mundial está mal.”

“Ao logo das últimas duas décadas, possivelmente pela predominância da teoria do Estado mínimo e da teoria de que o mercado resolveria todos os problemas do país, o sistema financeiro mundial se deslocou do sistema produtivo e resolveu ganhar dinheiro com especulação”, afirmou.

"Nós tínhamos a vantagem que o mundo rico não tinha - tínhamos um mercado interno virgem, cheio de pessoas com muita vontade de comprar alguma coisa, mas que não tinham dinheiro para comprar. Nós tínhamos que fazer com que essas pessoas tivessem acesso ao mercado", disse Lula.

INTERNET - A blogueira Yoani e suas contradições.




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Frei Betto *

Adital

O mundo soube que, a 7 de novembro último, a blogueira cubana Yoani Sánchez teria sido golpeada nas ruas de Havana. Segundo relato dela, "jogaram-me dentro de um carro... arranquei um papel que um deles levava e o levei à boca. Fui golpeada para devolver o documento. Dentro do carro estava Orlando (marido dela), imobilizado por uma chave de karatê... Golpearam-me nos rins e na cabeça para que eu devolvesse o papel... Nos largaram na rua... Uma mulher se aproximou: "O que aconteceu?" "Um sequestro", respondi. (www.desdecuba.com/generaciony)

Três dias depois do ocorrido nas ruas da Havana, Yoani Sánchez recebeu em sua casa a imprensa estrangeira. Fernando Ravsberg, da BBC, notou que, apesar de todas as torturas descritas por ela, "não havia hematomas, marcas ou cicatrizes" (BBC Mundo, 9/11/2009). O que foi confirmado pelas imagens da CNN. A France Press divulgou que ela "não foi ferida."

Na entrevista à BBC, Yoani Sánchez declarou que as marcas e hematomas haviam desaparecido (em apenas 48 horas), exceto as das nádegas, "que lamentavelmente não posso mostrar". Ora, por que, no mesmo dia do suposto sequestro, não mostrou por seu blog, repleto de fotos, as que afirmou ter em outras partes do corpo?

Havia divulgado que a agressão ocorreu à luz do dia, diante de um ponto de ônibus "cheio de gente." Os correspondentes estrangeiros em Cuba não encontraram até hoje uma única testemunha. E o marido dela se recusou a falar à imprensa.

O suposto ataque à blogueira cubana mereceu mais destaque na mídia que uma centena de assassinatos, desaparecimentos e atos de violência da ditadura hondurenha de Roberto Micheletti, desde 27 de junho.

Yoani Sánchez nasceu em 1975, formou-se em filologia em 2000 e, dois anos depois, "diante do desencanto e a asfixia econômica em Cuba", como registra no blog, mudou-se para a Suíça em companhia do filho Téo. Ali trabalhou em editoras e deu aulas de espanhol.

Em 2004, abandonou o paraíso suíço para retornar a Cuba, que qualifica de "imensa prisão com muros ideológicos". Afirma que o fez por motivos familiares. Quem lê o blog fica estarrecido com o inferno cubano descrito por ela. Apesar disso, voltou.

Não poderia ter assegurado um futuro melhor ao filho na Suíça? Por que regressou contra a vontade da mãe? "Minha mãe se recusou a admitir que sua filha já não vivia na Suíça de leite e chocolate" (blog dela, 14/08/2007).

Na verdade, o caso de Yoani Sánchez não é isolado. Inúmeros cubanos exilados retornam ao país após se defrontarem com as dificuldades de adaptação ao estrangeiro, os preconceitos contra mulatos e negros, a barreira do idioma, a falta de empregos. Sabem que, apesar das dificuldades pelas quais o país atravessa, em Cuba haverão de ter casa, comida, educação e atenção médica gratuitas, e segurança, pois os índices de criminalidade ali são ínfimos comparados ao resto da América Latina.

O que Yoani Sánchez não revela em seu blog é que, na Suíça, implorou aos diplomatas cubanos o direito de retornar, pois não encontrara trabalho estável. E sabe que em Cuba ela pode dedicar tempo integral ao blog, pois é dos raros países do mundo em que desempregado não passa fome nem mora ao relento...

O curioso é que ela jamais exibiu em seu blog as crianças de rua que perambulam por Havana, os mendigos jogados nas calçadas, as famílias miseráveis debaixo dos viadutos... Nem ela nem os correspondentes estrangeiros, e nem mesmo os turistas que visitam a Ilha. Porque lá não existem.

Se há tanta falta de liberdade em Cuba, como Yoani Sánchez consegue, lá de dentro, emitir tamanhas críticas? Não se diz que em Cuba tudo é controlado, inclusive o acesso à internet?

Detalhe: o nicho Generación Y de Sánchez é altamente sofisticado, com entradas para Facebook e Twitter. Recebe 14 milhões de visitas por mês e está disponível em 18 idiomas! Nem o Departamento de Estado do EUA dispõe de tanta variedade linguística. Quem paga os tradutores no exterior? Quem financia o alto custo do fluxo de 14 milhões de acessos?

Yoani Sánchez tem todo o direito de criticar Cuba e o governo do seu país. Mas só os ingênuos acreditam que se trata de uma simples blogueira. Nem sequer é vítima da segurança ou da Justiça cubanas. Por isso, inventou a história das agressões. Insiste para que suas mentiras se tornem realidades.

A resistência de Cuba ao bloqueio usamericano, à queda da União Soviética, ao boicote de parte da mídia ocidental, incomoda, e muito. Sobretudo quando se sabe que voluntários cubanos estão em mais de 70 países atuando, sobretudo, como médicos e professores.

O capitalismo, que exclui 4 bilhões de seres humanos de seus benefícios básicos, não é mesmo capaz de suportar o fato de 11 milhões de habitantes de um país pobre viverem com dignidade e se sentirem espelhados no saudável e alegre Buena Vista Social Club.

EUA - Deu na CNN.

O cara não completou nem um ano no poder e já caiu dessa forma. Ele tem que entender que não adianta apenas fazer discursos bonitinhos. Também com essa de ser um prêmio Nobel da Paz e mandar 30.000 soldados para o Afeganistão, o novo Vietnam americano.

Popularidade de Obama cai abaixo de 50%, diz CNN

pesquisaobamaPouco mais de um ano após sua eleição, a popularidade de Barack Obama caiu, pela primeira vez, abaixo dos 50%, anunciou ontem à noite a rede de TV CNN. Obama tem 48% de aprovação e 50% de desaprovação, uma queda de sete por cento em relação ao levantamento da emissora feito há 20 dias. A perda de poularidade foi mais expressiva entre os eleitores brancos, sem formação universitária, provavelmente reflexo da lenta recuperação da economia americana que, embora mais lentamente, continue experimentando um aumento no desemprego.

A mesma pesquisa diz que 62% aprovam o envio de mais tropas ao Afeganistão, anunciado pelo presidente americano esta semana, e 36% por cento desaprovam tal atitude.

Eu leio este dado de forma diferente do que o faz a mídia. Os 36% que se opõem ao envio de mais tropas fazem parte do que foi a base de apoio eleitoral de Barack Obama. Numa palavra, foram seus eleitores. Nos outros 62%, estão os adversários de Obama e aqueles que apóiam a medida porque apóiam Obama. Ou os eleitores republicanos, que deram apoio a Bush e à guerra, não apoiariam o envio de tropas.

A vitória de Barack Obama, embora folgada pelas regras do colégio eleitoral dos EUA, foi com 52% dos votos populares. Isso dá uma base para que você avalie o efeito devastador que tem, entre os que o apoiaram, o comportamento do Governo Obama de, até agora, repetir o que fez Bush em matéria de política externa.

Que ele o perceba, também, e mude.

Fonte: Blog Tijolaço, do Brizola Neto.

MÍDIA - O GLOBO é a favor do monopólio. Do privado, é claro.

Copiado do blog do Brizola Neto.

O Globo é a favor do monopólio. Do privado, é claro

O folclorista Câmara Cascudo, felizmente, não escreveu sobre a lenda de que "o consumidor não será prejudicado", narrada todos os dias nos nossos jornais

O folclorista Câmara Cascudo, felizmente, não escreveu sobre a lenda de que "o consumidor não será prejudicado", narrada todos os dias nos nossos jornais

É impressionante a dedicação da nossa mídia em criar teorias para justificar o injustificável. Hoje, O Globo publica uma matéria que, sinceramente, merecia ganhar um troféu em matéria de desligamento da realidade. Só o título já dá para ter uma idéia: Analistas acreditam que internet sera aliada do consumidor contra alta de precos após compra das Casas Bahia.

Ora, que a internet é uma ferramenta de pesquisa de preços e decisão de compra, é óbvio. Já era ontem, é hoje e será mais amanhã. Como diziam antigamente, “até aí morreu Neves”. A questão é que a internet ainda é restrita, sobretudo nas camadas mais populares, que justamente formavam a clientela das Casas Bahia. E a compra por internet depende de cartão de crédito e a força - embora decrescente - daquela empresa eram os carnês, justamente para as pessoas que não tinham cartão e, muitas vezes, nem conta bancária. Isto é, os pobres.

Mas a matéria se esmera em provar o improvável. Diz que os “pobrezinhos” do Grupo Pão de Açucar só vão controlar 20% do mercado. Ora, já seria muito, se fosse só isso. Mas não é. Eu gostaria de saber como oo jornal reproduz essa afirmação de Abílio Diniz sem maiores questionamentos. E mais, ainda publica o que diz um dos “analistas”, que “o Walmart concentra 50% das vendas do varejo, fatia muito maior de participação do que se espera para a nova empresa de varejo no país, formada a partir da união de Casas Bahia, Ponto Frio e Extra Eletro”.

Onde, nos Estados Unidos? Delírio ou má-fé?

Bom, vocês já sentiram que vai por aí o lobby para que o CADE que deveria - deveria, notem bem - aprove esta monopolização do mercado varejista. O Valor e o UOL vão ne mesma linha, ouvindo os mesmos personagens.

O poder de barganha desta nova empresa, mesmo operando com marcas separadas, vai ser devastador sobre os fornecedores e, portanto, a médio prazo, vai provocar mais concentração.

Aí está a livre concorrência que defendem.

Nem uma palavra sobre a escandalosa alta dos papéis das empresas do grupo na véspera do anúncio da compra. Não foi inside information, não, foi telepatia.

Antigamente isso era lenda, agora é economês.

Fonte:Blog Tijolaço.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

ONDE ESTÃO OS ÉTICOS QUE APEDREJAVAM O PT?

Copiado do blog "Bodega Cultural", do Carlinhos Medeiros.


Onde estão os éticos que apedrejavam o PT?

Feed


"Onde estão os que te acusavam?"

O jornalista extremista de direita, Reinaldo Azevedo, escreveu uma cartilha macarthista com o título de “O País dos PeTralhas”, em referência aos personagens bandidos das histórias em quadrinhos, os irmãos metralhas, destacando o p e o t da sigla do Partido dos Trabalhadores. [...]

Ao longo desses três anos de blogagem recebi inúmeros comentários ofensivos com adjetivos dessa natureza: “Mensaleiros”, “PeTralhas”, “Cuequeiros” e outros não menos depreciativos, mostrando o ranço e a perseguição dos apedeutas leitores de Veja, Folha, Estadão e telespectadores dos jornais da Globo, que defendem e militam para o PSDB, DEM e PPS, partidos corruptos e privatistas.

Nunca defendi o caixa 2 do PT, mas sempre enfatizei que isso não era "práxis" petista, e que existiam centenas de mensalões e mensalinhos espalhados pelo Brasil. Mas eles se escondiam por trás da máscara do discurso moralista da oposição, e a máscara caiu e caiu feio, tanto é que se esfacelou no chão.

Descobriu-se, depois de anos de investigação, que o esquema do “mensalão” – que nada mais é do que a prática do caixa 2 – começou em Minas Gerais no governo FHC, tendo como protagonistas dois velhos conhecidos nossos: Marcos Valério, o mesmo do valeriododuto, e o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), na época candidato à Governador.

Muitos candidatos foram beneficiados com esquema do mensalão tucano, mas a mídia venal não deu os devidos holofotes ao caso, na tentativa de esfriar o assunto, afinal, bandido nos olhos dos outros é refresco.

Se fosse à época de Geraldo "Engavetador" Brindeiro, o homem que engavetou todas as denúncias contra o governo de FHC, Azeredo e seu mensalão teriam passado incólume.

Por 5 votos a 3, o STF (Supremo Tribunal Federal) transformou hoje o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em réu em ação penal pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

O tucano foi denunciado pelo Ministério Público Federal por envolvimento com o mensalão mineiro -- esquema de arrecadação ilegal de recursos durante a campanha a governador de 1998. Ou seja, a partir de agora os tucanos não mais poderão assenhorear-se do discurso moralista.

Após estourar o mensalão dos democratas, semana passada, a última máscara a cair, e que levou com ele outros éticos como o PPS de Roberto Freire, os que acusavam o PT se calaram.

Estão engasngados com Panetone...

Reinaldo "Bafoazedo", Diogo "Javaitarde", e mais alguns penas amestradas, terão que repensar outros adjetivos para se referir ao PT. Tiraram suas pedras...

AGÊNCIAS REGULADORAS - Uma das heranças malditas da era FHC.

Agências reguladoras: inutilidades da era FHC

Deveriam criar uma única agência, a Anada, a Agencia Nacional que Não faz Nada, que supriria o papel que todas as agências têm tido na prática

Deveriam criar uma única agência, a Anada, a Agencia Nacional que Não faz Nada, que supriria o papel que todas as agências têm tido na prática

Com toda a sinceridade, você já viu as tais agências reguladoras terem alguma serventia para qualquer coisa? Quando há uma crise, elas aparecem, dizem que vão multar, as multas levam anos para serem cobradas e tudo continua na mesma.

Um ano depois da nova lei de atendimento ao consumidor, segundo o site Convergência Digital, houve 13.076 reclamações de desrespeito à regra. Dessas, 3.870 são relacionadas à telefonia móvel (29,6%) e 3.166 à telefonia fixa (24,2%). O terceiro setor mais reclamado é o de cartões de crédito, com 2.621 queixas (20%).

E a Anatel, nada. Quem está tentando fazer algo é Departamento de Proteção de Defesa do Consumidor do e a Secretaria de Defesa Econômica do Ministério da Justiça. Foram ajuizadas duas ações, contra a Oi e a Claro, cada uma pedindo indenização de R$ 300 milhões por danos morais, por péssimo atendimento ao consumidor. As ações, claro, se arrastam no Judiciário.

O diretor do DPDC, Ricardo Morishita, diz que ” é estarrecedor que um ano depois do Decreto, após inúmeras aplicações de sanções e multas e de ações de R$ 300 milhões, o padrão de comportamento das empresas seja o mesmo” Ao apresentar o balanço de um ano do decreto que definiu regras para o atendimento aos consumidores, ele mostrou gravações de tentativas infrutíferas de atendimento em call centers.

A secretária de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Mariana Tavares, diz que estuda a responsabilização criminal dos diretores das teles. “Já que as multas e processos não foram suficientes, vamos discutir se seria cabível a responsabilidade criminal dos executivos das empresas e de que maneira isso deve ser levado em consideração nos processos de concessão”, diz ela.

Não creio que isso adiante. O que teria de acontecer é perderem as concessões. Mas não vão. São tão poderosas que vendem o que não podem entregar. Você sabia que, por exemplo, quando é vendida umaconexão de 1 megabyte por segundo, a empresa só está obrigada a prestar um serviço com um décimo dessa velocidade?

Ontem, a Anatel diz que proibiu a venda de conexões de banda larga em quatro estados. Onde? Quais operadoras? tente descobrir algo no site da Anatel, não há nada.

Eles se entendem com os executivos e diretores das teles, não prestam contas à população. São “independentes”, esta ilusão de profissionalismo que criam para justificar a promiscuidade em que vivem metidos.

Quem tem que controlar serviço público é governo. O resto é conversa fiada e encobrimento de responsabilidades. Não quer dizer que não haja nas agências um corpo técnico. Quer dizer que é o modelo político errado, porque quem responde politicamente pelo funcionamento dos serviços públicos é o Governo, não as agências “independentes”.

Agora, vem aí o plano de inclusão digital, a banda larga para todos. E lá estão as teles, incompetentes, incapazes, ineficientes e exploradoras, querendo abocanhar o serviço popular de acesso à internet. Se nem do particular - e caríssimo - elas dão conta, podemos entregar uma revolução na comunicação a elas?

Fonte: Blog "Tijolaço", do Brizola Neto.

COPA 2010 - Sorteio dos nossos adversários.

Sócrates também está preocupado com os adversários do Brasil.

"Vamos ter que comprar calmante", diz Sócrates sobre Copa

Marcela Rocha

Nesta sexta-feira, 4, a Cidade do Cabo, na África do Sul, recebeu o evento em que foram sorteados os grupos da Copa do Mundo de 2010. O Brasil enfrentará Coreia do Norte, Portugal e Costa do Marfim. Ex-jogador, o médico Sócrates, receita: "Precisamos comprar calmante. Não vai ser fácil, não".

- Portugal e Costa do Marfim são forças para disputar título. Não está fácil. O melhor grupo é o da Espanha, que pega Honduras. O Brasil vai ter que brigar muito.

Dos adversários da primeira fase, a seleção já enfrentou em Copas do Mundo apenas Portugal em 1966. O Brasil foi eliminado na primeira fase após perder por 3 a 1 para os portugueses.

O Brasil caiu no Grupo G e fará sua estreia contra a Coreia do Norte, no Estádio Ellis Park, na cidade de Johannesburgo, no dia 15 de junho do próximo ano. O segundo adversário será a forte seleção da Costa do Marfim, do artilheiro Drogba, no dia 20 de junho, na mesma cidade. A Seleção finaliza a primeira fase contra Portugal, no dia 25 de junho, em Durban.

Se conquista o primeiro lugar no Grupo G, o grupo comandado por Dunga enfrenta Espanha, Itália, Argentina e Alemanha apenas na final. Isto é, se essas seleções também ficarem na liderança nesta primeira etapa.

Em tempo: Pela Seleção Brasileira, Sócrates foi um dos pilares da equipe de Telê Santana na Copa do Mundo da Espanha, em 1982. Mesmo sem ter sido campeã (eliminada pela Itália na segunda fase), a equipe é considerada a mais talentosa do Brasil desde 1970.

Fonte: Terra Magazine