sexta-feira, 30 de setembro de 2016

PETROBRAS - Uma vergonha essa declaração do pupilo do FHC.


247 - O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse que houve um "endeusamento" da camada do pré-sal que acabou gerando uma expectativa exageradamente otimista em relação à exploração de petróleo em águas profundas. "Houve um certo endeusamento do pré-sal, quando temos em outras áreas da empresa campos excelentes, como na Bacia de Campos", afirmou.
Parente, que nesta sexta-feira 30 participou de um fórum promovido pela revista Exame, afirmou, ainda, que boa parte dos investimentos feitos pela estatal nos últimos anos acabou por elevar a dívida da petroleira. "É importante mencionar que esse endividamento não gera qualquer retorno para a empresa", disse. "Existe uma parte de investimentos no pré-sal que traz resultados, mas a maior parte não", completou.
Ele também disse que a Petrobras pretende reduzir drasticamente o nível de endividamento da companhia até 2018 por meio de cortes de custos e da venda de ativos. "Chegamos a pagar 3,1% de juros em 2013. Hoje está acima de 8,5%", citou. "Ter uma alavancagem desse tamanho no Brasil é muito complicado", observou.
Segundo o presidente da Petrobras, os resultados foram afetados pelo "aparelhamento" da estatal e pelo uso da companhia em "atividades que não tinham nada a ver". "O que aconteceu na Petrobras foi o aparelhamento de uma empresa. Mas ela também foi usada para outros fins", destacou.
"Como uma empresa decide fazer uma refinaria no Maranhão, outra em Pernambuco e outra no Ceará? Não é a racionalidade econômica. É uma empresa que foi submetida a um processo em que seus objetivos foram secundários no processo decisório", afirmou.
As declarações de Parente sobre o pré-sal acontecem a uma semana da votação do projeto de lei que tira a obrigatoriedade da Petrobras de participar de toda a exploração do pré-sal, abrindo o negócio a empresas estrangeiras. Em julho, o governo Michel Temer vendeu a participação de 66% da Petrobras no Campo de Carcará por US$ 2,5 bilhões, valor considerado irrisório por geólogos de todo o Brasil.

POLÍTICA - Ainda a participação da Jandira no debate.

ornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília

Coragem de Jandira mostrou o rei nu



Os brasileiros tiveram uma lição inesquecível sobre a vida num país onde não existe uma mídia livre, mas um conglomerado de emissoras que tratam a democracia como extensão da sala de visitas de suas empresas. 
Os brasileiros tiveram uma lição inesquecível sobre a vida num país onde não existe uma mídia livre, mas um conglomerado de emissoras que tratam a democracia como extensão da sala de visitas de suas empresas.
Estou falando da reação da apresentadora Ana Paula Araújo diante da observação de Jandira Feghalli sobre o papel da TV Globo no golpe que derrubou Dilma Rousseff. Na abertura do debate entre candidatos a prefeito do Rio de Janeiro, Jandira fez uma declaração sobre o papel da emissora no impeachment. Lembrou que a Globo “apoiou o golpe contra a democracia, contra uma mulher eleita, cassada sem cometer crime”.
Muito provavelmente orientada através do ponto eletrônico pela direção de jornalismo da casa, o que é natural numa situação como esta, Ana Paula afirmou que a realização do debate era uma demonstração de “apreço pela democracia”.  Falou que a Globo não era "obrigada" a fazer debates -- sugerindo que podia tratar-se de um favor. Em seguida, prosseguiu: “Não é a TV Globo que está sendo avaliada.
É apenas escandaloso. Podemos até admitir que -- em parte graças a inesquecíveis contribuições da própria TV Globo -- a política brasileira atingiu um nível de avacalhação com poucos paralelos em nossa história.
Mas nem por isso um debate entre candidatos a prefeito da segunda maior cidade brasileira, alvo de reverência internacional após as Olimpíadas e as Paralimpíadas,  pode ser tratado como uma réplica da Escolinha do Professor Raimundo. Candidatos a cargos públicos não podem ser tratados como atores dóceis, que recitam um texto em troca do acesso uma platéia imensa. Não são repórteres pautados e orientados. Tampouco são humoristas, ainda que muitos sejam acima de tudo risíveis. São protagonistas da vida real de um país, um Estado, uma cidade.   
Estão ali como expressão da soberania popular, base dos poderes da República, como se aprende no artigo 1 da Constituição. Não podem ser comandados, censurados, nem orientados. Muito menos, para proteger a imagem de uma empresa privada, sujeita às chuvas e trovoadas naturais a todo debate político.
Vamos falar francamente. Depois que o papel vexaminoso da Globo no golpe de 31 de agosto motivou centenas, talvez milhares, de cartazes exibidos nas passeatas de protesto, tentar esconder essa situação num debate sem censura é o máximo de arrogância.
Outro aspecto. Uma emissora de TV não tem o direito de tentar interferir diretamente num debate dessa natureza, como parte interessada, muito menos de forma acintosa. Pode manifestar seu desagrado como quiser e, pelo regime de monopólio que usufrui -- condenado pela Constituição -- escolher manifestar pela radio AM ou FM, pelo jornal Extra, pelo Globo, pelo Valor Econômico, pela revista Época...
Mesmo que tenha preferências políticas óbvias, sempre negadas pelos manuais da hipocrisia, não lhe cabe dizer qual o tema é pertinente num debate, qual não é.
Isso é responsabilidade dos candidatos, que não estão ali como amigos nem como convidados  – mas como homens públicos, com  convicções e responsabilidades, que disputam a atenção do eleitor para conseguir seu voto. Tanto é assim que não basta registro para entrar na discussão. É preciso legitimidade junto a uma parcela mínima de eleitores.
Se há alguma instituição capacitada para estabelecer limites ao que se diz no ar – eu acho que em eleição não há nem deveria haver – é a Justiça eleitoral, não a jurisprudência de um grupo econômico.
Frequentemente embriagada com sua audiência, com o preço milionário que consegue cobrar pelos anúncios publicitários, em especial de empresas públicas e, acima de tudo, pela reverência covarde que recebe da maioria de nossos homens públicos, a emissora costuma veicular – como fez pela boca de Ana Paula Araújo -- a noção de que está prestando um favor aos brasileiros quando promove um debate eleitoral. Errado.
Ainda que a maioria de nossos homens públicos tenha se habituado a prestar  reverência às emissoras de TV desde sempre, em particular desde 1988, quando aliados do monopólio privado dos meios de comunicação ocuparam a Constituinte para derrubar todos artigos favoráveis a democratização da mídia, elas são concessionárias do Poder Executivo. Isso quer dizer que podem ter suas licenças cassadas no prazo de dez anos – ou até enfrentar uma suspensão, em determinados casos. Ou perder receitas publicitárias de empresas públicas garantem o pão de cada dia – mesmo na campeã de audiência.
Não vamos nos iludir, amigos. A atitude de Jandira Feghali foi um ato de coragem que só ocorre de tempos em tempos. Mostrou que o rei está nu – e por isso a reação foi rápida e direta, ainda mais numa conjuntura em que a coalização golpista não consegue esconder sinais de fraqueza.
Nada a lamentar. Só a postura dos demais candidatos, que perderam uma ótima oportunidade para entrar no assunto e discutir uma questão de particular relevância para a vida dos cariocas, habitantes de uma cidade na qual a TV Globo tenta sobreviver como uma aristocracia em tempos democráticos.

POLÍTICA - Jandira detona a Globo.


Jandira detona a Globo, que estrebucha!

Por Altamiro Borges

No debate ao vivo da TV Globo entre os candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (29), a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) fez o que muita gente tem vontade de fazer, mas não tem espaço. Com coragem e altivez, ela detonou o império midiático da famiglia Marinho. "Boa noite. Nós estamos aqui na TV Globo e eu não poderia deixar de registrar que esta emissora apoiou o golpe contra a democracia e contra uma mulher eleita que foi cassada sem qualquer crime". Meio atordoada, a mediadora do debate, Ana Paula Araújo - não se sabe ainda se por servilismo ou ordens superiores -, produziu um imediato e patético direito de resposta: 

"A TV Globo não é obrigada a realizar debates. Se a emissora faz isso é justamente por seu apreço à democracia, inclusive se expondo a ter críticas ao vivo dos candidatos. Quero lembrar também que não é a Rede Globo que está sendo avaliada aqui, são os candidatos e é você de casa que vai poder ver as propostas, comparar as ideias e ver quem é que tem mais compostura e competência para ser prefeito do Rio de Janeiro". Na plateia, alguns puxa-sacos aplaudiram a apresentadora, mas nas redes sociais a resposta mentirosa virou alvo de galhofas. De fato, a TV Globo perdeu a "compostura".

Que a emissora da famiglia Marinho é golpista muita gente já sabe no país. Os mais velhos lembram-se do seu papel nefasto na preparação do clima para o golpe militar de 1964. Lembram também de que a TV Globo fez fortuna com os generais no poder, usufruindo de várias benesses e mamatas. Lembram, ainda, da sua omissão na luta pela redemocratização do país, quando mentiu sobre o ato pelas Diretas-Já em São Paulo. Já os mais novos presenciaram o papel do império global no "golpe dos corruptos" que resultou na farsa do impeachment de Dilma. Tanto que nas ruas os manifestantes sempre entoam duas palavras de ordem: "Fora Temer" e "O povo não é bobo, fora Rede Globo". Outra também é muito gritada; "A verdade é dura. A Rede Globo apoiou a ditadura... e ainda apoia".

Ao afirmar que a emissora promove debates por "seu apreço a democracia", a mediadora caiu no ridículo. Ela foi mais realista do que o rei, foi mais cínica do que os filhos de Roberto Marinho. Todo mundo já sabe que a TV não tem nenhum apreço pela democracia. A TV Globo só realiza os debates entre os candidatos - sempre em posição privilegiada, no último dia fixado por lei para a campanha eleitoral - porque isto lhe rende audiência e anúncios publicitários. Como registrou o site "Notícias da TV", por exemplo, "o debate entre candidatos a prefeito de São Paulo, promovido ontem (29) pela Globo, alavancou a audiência da emissora. Mediado por César Tralli, ele registrou 22,6 pontos, o que representa um aumento de 35% na audiência".

POLÍTICA - Voto útil.


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Telefonema: Em SP o Botox Tá Derretendo

Curitiba também vai te chantagear!

Fernandinho Beira-Mar entrou na fila!

POLÍTICA - Fala de Lula em dois comícios, um em Campinas e outro no Sumaré.


SP 247 – O ex-presidente Lula fez campanha na noite desta quarta-feira 28 pelas cidades de Campinas e Sumaré, no interior de São Paulo, onde Marcio Pochman e Tito disputam a Prefeitura pelo PT, respectivamente. Lula destacou que o próximo domingo, quando ocorrerá a eleição, "não é dia de depositar ódio na urna. É dia de depositar sonhos e esperança".
Em Sumaré, Lula pediu aos eleitores para que comparem os anos de governo do PT com os "500 anos de história" para ver o melhor resultado. "É verdade que o PT pode ter cometido erros. Agora, compare os 500 anos de história e vejam quantos erros a elite cometeu neste país", disse.
Lula voltou a fazer duras críticas ao governo de Michel Temer. "Essa gente vai esperar passar as eleições e vai aprovar a PEC 241 para congelar o gasto com saúde e educação durante 20 anos", alertou. "Significa que vai piorar a educação e a saúde. Eles querem aumentar a idade de aposentadoria, inclusive a da mulher", acrescentou.
Mais cedo, em Campinas, ele voltou a denunciar a perseguição judiciária contra ele com as denúncias da Lava Jato. "Quero que façam todas as investigações que tiverem que fazer. Só quero que me respeitem como eu respeito eles", declarou.
O ex-presidente provocou ainda os candidatos dos partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff. "Por mais defeitos que alguém achasse na Dilma, ela teve 54 milhões de votos. Eles caçaram esses votos... e agora vêm pedir voto pra vocês", disse. Para Lula, "esse país chegou a ser muito respeitado no mundo" e "não merece ter um governo surgido num golpe parlamentar".

POLÍTICA - A perseguição ao Lula é uma coisa revoltante.


247 - Ao mesmo tempo em que abre uma nova frente contra o ex-presidente Lula, em que a força-tarefa da Lava Jato rastreia valores movimentados pela LILS, empresa de palestras do ex-presidente, o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da investigação em primeira instância, decretou sigilo do inquérito que investiga a planilha da Odebrecht.
As planilhas da Odebrecht apontam pagamentos de propina pela empreiteira em diversas obras do País, dos governos federal, estaduais e municipais, e a diferentes partidos, como PT, PMDB e PSDB. No caso do Metrô de São Paulo, do governo Geraldo Alckmin (PSDB), foram observados codinomes como Santo e Careca, que a força-tarefa diz não ter identificado quem são.
Para embasar a decisão do sigilo, Moro argumentou que novos mandados podem ser cumpridos contra terceiros e a divulgação dos autos poderia comprometer a investigação. "Como as investigações dos pagamentos nesse setor têm desdobramentos imprevisíveis, o que poderá levar à necessidade de novas diligências, inclusive novas quebras e buscas, decreto sigilo sobre estes autos em relação a terceiros e aos investigados", declarou.
"Observo, ademais, que nenhum dos investigados no processo 5046159- 54.2016.4.04.7000 sofre no momento qualquer restrição a sua liberdade ou a sua propriedade. Franqueado, por ora, o acesso apenas à autoridade policial e ao MPF, sem prejuízo do levantamento do sigilo quando não houver mais riscos às investigações", acrescentou o juiz.

[TEASER #20 DCM NA TVT] Eugênio Aragão: A justiça do Brasil parece tribu...

POLÍTICA - "Ministro fez uma delação verdadeira.

Janio de Freitas: ministro Alexandre de Moraes fez uma delação verdadeira


Postado em 29 de setembro de 2016 às 10:27 am


Da coluna de Janio de Freitas na Folha:

Nem a “investigação” do ministro da Justiça se justifica, antes devendo-se um agradecimento a esse precário Alexandre de Moraes; nem é verdadeiro que desembargadores paulistas tenham apenas anulado os cinco julgamentos e condenações precedentes dos 74 PMs do massacre de 111 presos no Carandiru.
A tal investigação, por Moraes ter informado jornalistas de nova operação da Lava Jato nesta semana (a prisão de Antonio Palocci), está a cargo da Comissão de Ética da Presidência. A Comissão, porém, não tem condições de investigar a ética de alguém, se não olha à sua volta e toma as providências consequentes.
Está na sua vizinhança, com banca de ministro na Presidência, um “anão do orçamento”, integrante do grupo de deputados que fraudava o Orçamento nacional em proveito próprio. Também com banca na Presidência, também o recordista de fraudes em concorrências, mancomunado com as grandes empreiteiras quando governador do Estado do Rio. E, para não perder mais tempo, um presidente homenageado por delações na Lava Jato e pendurado em processos na Justiça Eleitoral. Nenhum deles notado pela Comissão de Ética.
Acima de tudo, Alexandre de Moraes fez uma delação verdadeira. Quando delações de óbvia falsidade são feitas para receber prêmios, e aceitas como válidas, a delação que se comprovou, já de um dia para o outro, não deveria passar pela inversão ética de ser ela a perseguida.
Se esses argumentos forem insuficientes, ainda há o serviço prestado ao país por Alexandre de Moraes, como convém a um ministro da Justiça. No governo Dilma, os aécios não se cansaram de propalar que o governo interferia na Lava Jato, prejudicava-a, queria controlá-la. Até que o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, em nome da Lava Jato, disse que o governo jamais fez, ou tentou, qualquer interferência na operação.
Moraes e sua delação aos repórteres revelaram mudança essencial. Mostrar-se informado de próximas ações da Lava Jato significa que o governo atual extinguiu a distância que o separaria das operações, como se deu com a liberdade plena entregue, por Dilma e José Eduardo Cardozo, à ação da Polícia Federal.

POLÍTICA - Será que vai dar para o Haddad

A eleição para prefeito de SP está entre as mais eletrizantes da história da cidade. Por José Cássio





Postado em 29 Sep 2016


O debate no SBT com os candidatos à prefeitura de SP
Faltando dois dias para o primeiro turno, São Paulo experimenta uma das eleições mais eletrizantes da sua história.
Com um pouco mais de um mês de campanha, muita coisa mudou e o inesperado deu o tom. Não será diferente agora na reta final e, exceção de que vamos ter segundo turno, ninguém arrisca dizer quem serão os candidatos qualificados para a etapa final da disputa.
João Doria subiu nas pesquisas e lidera, de acordo com Datafolha e Ibope. O publicitário, cuja candidatura provocou um racha no PSDB, e até a saída de Andrea Matarazzo do partido, não se cansa de afirmar que não é político. Não que isso seja um mérito.
A alavancada do tucano se explica, em parte, pelo seu tempo de televisão, o maior de todos.
Só isso justifica sua ascensão nas pesquisas, já que suas propostas, meio vazias, como a parceria com hospitais da rede privada, o aumento da velocidade nas marginais e a venda do patrimômio dos paulistanos (Interlagos e Anhembi, entre outros) não encontram respaldo nem mesmo dentro do seu partido.
Muito antes do fatídico artigo de Alberto Goldman, que o classifica de farsante na cara dura, Doria já havia se enrolado numa entrevista na Globo, quando foi encurralado por Cesar Tralli – o jornalista quis saber da área pública que anexou urregularmente à sua mansão em Campos do Jordão.
Foi o suficiente para aplacar o furor moralista de Doria, que a partir de então acabaria apanhando que nem criança de Luiza Erundina.
O segundo colocado nas pesquisas (será mesmo?), Celso Russomanno, entrou atrasado na disputa por causa de uma acusação de peculato.
Seu processo tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) e, se fosse condenado, sua candidatura seria barrada pela Lei Ficha Limpa.
Russomanno, que liderou a maior parte do tempo, desmilinguiu à medida em que sua capacidade mental ia sendo colocada à prova nos debates e agora vê a ascensão dos adversários à sua sombra. Algo que não chega a surpreender, já que foi assim também em 2012.
No caso de Marta, que começou a campanha se desculpando pelos erros da sua gestão na prefeitura e foi chamada de “golpista” pelo próprio filho, vale lembrar que ela não está errada ao dizer que o motivo da sua desgraça é a herança maldita de Temer.
Nas quebradas, junto do povo sofrido defende uma coisa mas, na imprensa, todos os dias, as manchetes são outras, vinculando seu nome a um governo que não mede esforços para cortar direitos trabalhistas e recursos da saúde e da educação. Dá para ser feliz assim?
Fernando Haddad, que a todo momento tenta explicar a crise do PT, imaginou que a população da cidade por si só entenderia os avanços da sua gestão, mas não foi bem o que aconteceu.
Nas eleições de 2012, teve de desconstruir Russomanno para chegar ao segundo turno. Agora, seu trabalho está sendo dobrado: está tendo de desbancar Russomanno e Marta.
Luiza Erundina (PSOL) está sendo um exemplo de dignidade nesta campanha. Entre todos os candidatos, foi a única que não se aproveitou dos problemas do PT para cair matando. Aliás, se mostrou uma combatente contra o golpe, mais até do que muitos petistas. Contudo, com apenas dez segundos de televisão, pouco esta podendo fazer.
Major Olímpio (SD) é, sim, um hipócrita, mas sua figura não deve ser ignorada. Ele reforça uma tendência não só em São Paulo, mas também no país, que é o crescimento de lideranças autoritárias e policialescas.
O mesmo se vê no Rio de Janeiro, com o sucesso de Bolsonaro e seus dois filhos, sem contar o fortalecimento da bancada da bala nos parlamentos país afora. Quando se fala de Brasil, o que está ruim pode, afinal, sempre piorar.
Ricardo Young foi a surpresa negativa desta campanha. Mesmo com o apoio de Marina Silva, não disse a que veio – se manteve com menos de 1% das intenções de voto junto com a lamentável figura de Levy Fidelix. Seu discurso de sustentabilidade não caminhou meio centímetro até aqui.
Viradas são comuns na reta final em eleições no Brasil.
Foi o que vimos com a vitória de Erundina sobre Paulo Maluf em 1988, com Gilberto Kassab, em 2008, com o próprio Haddad, em 2012, e, mais recentemente, com a chegada de Aécio ao segundo turno com Dilma em 2014 quando nem a minha sogra acreditava no mineiro.
O jogo pode não estar perdido para Haddad, Rossumanno e Marta, já que o tucano Doria parece consolidado como um entre os dois postulantes do segundo turno.
A única certeza que temos é de que as próximas horas serão eletrizantes, dignas de desfecho de filme de suspense. Haja coração.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

POLÍTICA - Bahamas Leaks expõe brasileiros.


Bahamas Leaks expõe brasileiros com offshore em paraíso fiscal no Caribe

Fernando Rodrigues

Filho de Joseph Safra é ligado a 4 empresas no paraíso fiscal
Executivos de várias empresas mantêm offshores nas Bahamas
Estão lá dirigentes do Banco Original, Santander, BTG Pactual e Gávea
Também na lista: Grendene, Icatu, Globo, Grupo Ultra e JHSF
Presidente do Partido Novo, João Dionísio, criou empresa em 2015
Bahamas-Foto-PauloBasso-UOL
Mais de 175 mil offshores registradas no paraíso fiscal foram reveladas pelos Bahamas Leaks
Grandes empresários, um dos fundadores do Partido Novo e um ex-presidente do BNDES estão entre os brasileiros donos de empresas offshore nas Bahamas, pequena ilha no Caribe conhecida por ser um paraíso fiscal.
As informações têm como base uma nova investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, em inglês). A organização tornou público um banco de dados com 175 mil registros de empresas nas Bahamas.
Entre as centenas de pessoas físicas ou jurídicas do Brasil que aparecem com offshores registradas no país caribenho, o Blog fez uma varredura para checar nomes sobre os quais há interesse público ou relevância jornalística –pela exposição que têm ou tiveram na sociedade. Estão nessa categoria políticos e agentes públicos, grandes empresários, executivos de grandes empresas e dirigentes de estatais e partidos políticos. Leia ao final deste post as listas de nomes que foram checadas pelo Blog.
Nesse processo de cruzar nomes com o banco de dados de offshores nas Bahamas, já foram descobertos e divulgados pelo Blog pelo menos 7 investigados na Lava Jato.
Ter uma offshore não é ilegal. O ICIJ inclusive faz essa ressalva a todos que pesquisam nomes de pessoas e de empresas: “Há uso legítimo de companhias offshores e trusts”. A organização não tem “intenção de sugerir ou inferir que pessoas, empresas ou qualquer entidade infringiram a lei”.
A afirmação vale para o Brasil. Um brasileiro pode ter uma offshore legalmente desde que a declare em seu Imposto de Renda. Caso tenha havido remessa de dinheiro ao exterior, quantias acima de US$ 100 mil devem ser informadas ao Banco Central.
Se é legal ter uma offshore, por que deve ser divulgada essa informação? A interpretação do ICIJ e do Blog é a de que no século 21 qualquer pessoa que abra uma empresa em seu país fica exposta. No Brasil, é fácil ter acesso à lista de pessoas jurídicas registradas em Juntas Comerciais. Há interesse jornalístico nessas informações. Os cidadãos têm o direito de saber quais são as empresas em funcionamento numa determinada sociedade. Por essa lógica, não faz sentido que apenas uma elite possa manter seus negócios longe do escrutínio do público apenas porque tem acesso a bons advogados e pode ir ao Caribe montar uma offshore que fica quase secreta.
Os dados tornados públicos pelo ICIJ na investigação chamada Bahamas Leaks dão acesso a um vasto acervo de informações de empresas registradas nas Bahamas. Podem ser consultados o nome da offshore, sua data de criação, o endereço físico do empreendimento e, em alguns casos, os nomes dos diretores da empresa.
A consulta a essas informações já era possível de maneira presencial em Nassau, capital das Bahamas. Há também um registro online, que poderia ser usado para esse fim. Mas, em geral, trata-se de um arquivo quase sempre incompleto. Além disso, há um custo: US$ 10 para cada empresa consultada.
Agora, o acesso a todos os dados é gratuito e sem necessidade de registro, por meio do banco de dados Offshore Leaks, do ICIJ, que reúne dados de várias investigações jornalísticas do consórcio.
Conheça alguns casos de brasileiros identificados pelo Blog com offshores registradas nas Bahamas (em ordem alfabética):
Accenture: Guilherme Horn
O nome do executivo financeiro da empresa de consultoria de gestão Accenture aparece relacionado à offshore GH Holdings Limited. Blog entrou em contato com sua assessoria por meio de e-mail na 5ª feira (22.set), certificou-se de que a mensagem foi recebida, mas não obteve resposta.
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Arcom: Dilson Pereira da Silva e Eliane Pereira da Silva Santana
Sócios da empresa do ramo atacadista sediada em Uberlândia (MG), Dilson Pereira da Silva e Eliane Pereira da Silva Santana estão ligados a duas offshoresDM Invest Ltd. e Indianapolis Enterprises Ltd., respectivamente. O Blog entrou em contato com a empresa por telefone na 5ª feira (22.set) e uma secretária pediu que um e-mail fosse encaminhado. A mensagem foi enviada na própria 5ª, mas não houve resposta.
dilson-pereira-DM-invest
eliane-pereira-indianapolis

Banco Original: Emerson Loureiro
Superintendente de tesouraria e ex-presidente do Banco Original, Emerson Fernandes Loureiro é diretor da offshore Saturn Ventures Limited. A empresa nas Bahamas está declarada à Receita Federal, segundo comprova documento enviado ao Blog.
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Banco Safra: Jacob Joseph Safra
Filho do banqueiro Joseph Safra, o atual diretor do grupo é citado também como diretor das offshores Strategic Investments Fund I, Strategic Investments Fund II, Strategic Investments Fund III e Strategic Investments Fund IV. Ao Blog, a assessoria informou apenas que as empresas estavam declaradas, mas não que a pessoa citada seria filho de Joseph Safra. Nesta 4ª feira (28.set.2016), a assessoria ligou para dar essa informação adicional.
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Banco Santander: Roberto de Oliveira Campos Neto
O executivo do banco é diretor da offshore Peacock Asset Ltd, aberta em fevereiro de 2010. De acordo com Campos, a empresa foi criada para realizar investimentos, sem vínculo com o Santander, e está declarada ao Fisco.
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BTG Pactual: Guilherme da Costa Paes e Sérgio Cutolo Santos
Ex-ministro da Previdência e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Sérgio Cutolo dos Santos é sócio do BTG Pactual e diretor da offshore SCS Securities Limited. Outro sócio do banco, Guilherme da Costa Paes, também figura como diretor de offshore nas Bahamas, a GCP Securities Limited. A assessoria do banco diz que as empresas são declaradas à Receita Federal. Em 22 de setembro, o Blog já havia revelado que André Esteves, também do BTG Pactual e investigado na Lava Jato, aparece nos Bahamas Leaks relacionado às offshores Latin Holdings Investment CorporationASE Securities Limited. As duas empresas são declaradas à Receita Federal, segundo sua assessoria.
cutolo-scs-securities
guilherme-costa-paes-GCP


Gávea Investimentos: Luiz Henrique Fraga
O economista Luiz Henrique Fraga aparece como diretor da offshore Cypress Point Asset Management Inc. Fraga é sócio-fundador da Gávea Investimentos ao lado do primo Armínio Fraga. A gestora carioca administra aproximadamente R$ 15,5 bilhões. O Blog falou com Luiz Henrique Fraga por telefone e enviou um e-mail na 5ª feira (22.set.2016). Nesta 4ª feira (28.set.2016), Fraga respondeu que a offshore está declarada à Receita Federal.
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Grendene: Pedro e Alexandre Grendene Bartelle
Os irmãos, fundadores da empresa de calçados Grendene, estão relacionados à Emerald Ridge Investments Limited. Pedro Grendene afirma (leia a nota) que a offshore “é uma subsidiária [de] integral propriedade de EPC Investment”. A EPC está declarada ao Imposto de Renda, conforme documento apresentado ao Blog.

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Grupo IcatuOs nomes de diretores e conselheiros do Grupo Icatu, do ramo de seguros, estão associados à offshore Nalbra Fund Inc. São eles: Antonio Carlos Dantas MattosLuis Patricio Miranda de AvillezPedro Luiz Bodin de MoraesAlarico Silveira NetoLuciano Soares e Ricardo Coelho Taboaco. A assessoria do Grupo Icatu respondeu que a offshore está declarada à Receita Federal e se ''enquadrada nas normas legais, com balanços auditados''.
Nalba-Fund-Grupo-Icatu

Grupo Globo: José Roberto Marinho e Paulo Daudt Marinho
Vice-presidente do Grupo Globo e presidente da Fundação Roberto Marinho, o empresário José Roberto Marinho está relacionado à offshore New World Real Estate Services Limited.
O executivo do Grupo Globo Paulo Daudt Marinho consta como diretor da offshore Canary Global Ltd. Paulo Marinho é filho de José Roberto Marinho.
Nos 2 casos, a assessoria da família Marinho disse que as empresas foram declaradas à Receita Federal.
offshore - jose roberto marinho

Grupo Ultra-Ultrapar: Pedro Igel de Barros Salles
O empresário Pedro Igel de Barros Salles é neto de Ernesto Igel, fundador da 1ª distribuidora de gás de cozinha no Brasil. Nas Bahamas, tem uma offshore chamada Lincoln Hill Holdings Limited. Ao Blog, Pedro Salles disse ter declarado a empresa à Receita Federal.
Linconln-Hill-Pedro-Igel

JHSF Participações: André Luis Rodrigues, Wilmar Rodrigues e Eduardo Camara
Os executivos André Luis RodriguesWilmar Rodrigues e Eduardo Camara aparecem relacionados à offshore JHSF International Limited. A empresa afirma que a offshore foi comprada como parte de uma negociação informada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2016 e noticiada pela imprensa. De acordo com a assessoria da JHSF, os 3 citados não são mais administradores da offshore. Eis a íntegra da nota e documentos (conclusão da vendacomunicado ao mercado,aprovação da vendaproposta de venda e assinatura do contrato).
Offshore-JHSF

Lojas Leader: família Rodrigues Gouvêa
Os filhos do fundador das lojas Leader mantêm, pelo menos, 7 offshores nas Bahamas. As empresas estão em nome de 4 membros da família Rodrigues Gouvêa: Rodrigo, Robson, Emerson e Denize. Os irmãos Rodrigo e Robson afirmaram ao Blog, por telefone, que todas as offshores são legais e que foram abertas logo depois da venda da participação da família ao BTG Pactual em 2012.

rodrigues-gouvea-Brugee

Opus: Vitor Hugo Roquete
O sócio da corretora Opus aparece relacionado à offshore VH Holdings Ltd. Vitor Hugo confirma ser dono da offshore. Procurado pelo Blog, por tefelone, disse que o patrimônio consta declarado em seu Imposto de Renda.
Roquete-VH-holdings

Partido Novo: João Dionísio de Amoêdo
O presidente e fundador do Partido NovoJoão Dionísio de Amoêdo, tem uma offshore em Nassau, capital das Bahamas. A Miramare Project Investment Ltd. foi aberta em 23 de novembro de 2015. Ao Blog, Amoêdo confirmou que a offshore é dele e disse ter declarado a empresa no Imposto de Renda.
amoedo - miramare

RJX Capital: José Pio Borges de Castro Filho (ex-BNDES)
O empresário e ex-presidente do BNDES está listado como sócio, junto a Luiz Fernando Bodstein, da offshore RJX Capital Ltd. Os 2 mantêm uma consultoria com o mesmo nome no Brasil. Ao Blog, o ex-presidente do BNDES disse por telefone na 5ª feira (22.set) que não tem offshore e pediu para ligar mais tarde. Depois, não atendeu mais às ligações.
jose-pio-borges-RJX

Vinci Partners: Gilberto Sayão (ex-Pactual)
O sócio do Vinci Partners e ex-acionista do banco Pactual Gilberto Sayão aparece na lista vinculado a duas empresas offshore: a Latin Holdings Investment Corporation e a EP Holding Ltd. Sayão foi sócio do Pactual até 2006. Por meio da assessoria, afirma que suas declarações de bens e renda sempre estiveram em conformidade com a legislação.
gilberto sayao-latin

HOMÔNIMO
Andres Sanchez: um nome idêntico nas BahamasNa base de dados do ICIJ, são comuns os casos de homonímia em que os documentos não permitem comprovar a identidade por trás da offshore. Um dos exemplos nos Bahamas Leaks é o de Andres Sanchez, presidente da Private Wealth Partners Ltd. O Blog contatou o deputado federal do PT de São Paulo, que foi presidente do Corinthians. Ele afirmou não ter nenhuma relação com a empresa. O ''Andres Sanchez'' dos Bahamas Leaks seria, portanto, um homônimo.
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OS NOMES JÁ CHECADOS PELO BLOG
Até agora, o Blog fez algumas varreduras no banco de dados do ICIJ sobre os Bahamas Leaks. Foram checadas as informações sobre os seguintes grupos de brasileiros:
  • todos os condenados na Lava Jato;
  • todos os ministros de Estado;
  • presidente e ex-presidentes da República;
  • 11 ministros do STF e os que se aposentaram nos últimos 15 anos;
  • todos os ministros do TCU e os que se aposentaram nos últimos 15 anos;
  • 513 deputados federais;
  • 81 senadores e seus suplentes;
  • diretores da Petrobras desde a fundação da estatal.
Participaram da apuração dos Bahamas Leaks os repórteres do UOL Douglas Pereira, Gabriela Caesar, Gabriel Hirabahasi, Guilherme Moraes, Luiz Felipe Barbiéri, Mateus Netzel, Pablo Marques, Rodrigo ZuquimTales FariaVictor Gomes Victor Fernandes.

POLÍTICA - Quem é Santo, quem é careca?


País tem direito de saber quem é Santo, quem é Careca


           Embora já tenha chegado a sua 35a. fase, a operação Lava Jato não conseguiu livrar-se da acusação de trabalhar de modo seletivo, reproduzindo  um traço historicamente nefasto da Justiça brasileira, onde o Estado "é usado como propriedade do grupo social que o controla", nas palavras da professora Maria Sylvia de Carvalho Franco, no estudo Homens Livres na Ordem Escravocrata.
           Neste universo, que descreve o Brasil anterior a abolição da escravatura, onde o grilhão, a chibata e o pelourinho eram instrumentos banais de manutenção da ordem para os habitantes da senzala, o "aparelho governamental nada mais é do que parte do sistema de poder desse grupo, um elemento para o qual se volta e utiliza sempre que as circunstâncias o indiquem como o meio mais adequado."
            Dias antes de Guido Mantega ter sido forçado a deixar o centro cirúrgico do Alberto Einstein, onde sua mulher era operada de um câncer, para cumprir um mandato de prisão, descobriu-se um fato ao mesmo tempo chocante e instrutivo.
            A Justiça Federal foi incapaz de descobrir o endereço residencial de Pimenta da Veiga, ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso,  para lhe entregar uma notificação relativa a AP 470, o Mensalão (Rubens Valente, Folha de S. Paulo, 15/9/2016). Não se trata de um caso com muitas dúvidas. Em 2005 a Polícia Federal encontrou quatro cheques do esquema de Marcos Valério, no valor de R$ 75.000 cada um, na conta do ex-ministro. Pimenta alegou que eram pagamentos por honorários que exerceu num serviço como advogado. Não mostrou documentos nem apresentou casos concretos em que atuou. O próprio Valério alegou, na CPI dos Correios, que havia ajudado Pimenta a pagar a conta do tratamento de saúde de um filho. Não convenceu. Mesmo assim, o caso já dura dez anos, o que configura outra ironia de longo curso.       
          Quando resolveu procurar Henrique Pizzolato, o dirigente do PT condenado a 12 anos e sete meses no STF, o Ministério Público fez investigações no Paraguai, Argentina e Espanha, até que chegou ao interior da Itália para localizá-lo na casa de um sobrinho. Enfrentou uma disputa na Justiça daquele país para garantir que Pizzolato fosse trazido para cumprir pena no Brasil, embora tivesse passaporte italiano. A principal denúncia contra o antigo diretor do Banco do Brasil envolve um pagamento de R$ 326.000, quantia 10% superior aos R$ 300.000 de Pimenta. O detalhe é que Pizzolato sempre alegou que o dinheiro não era para si, mas para o PT no Rio de Janeiro. Verdade ou não, os R$ 326.000 nunca surgiram em sua conta nem foram confirmados pela quebra de seu sigilo bancário ou fiscal.  
         Ao contrário do que ocorreu com o dinheiro entregue a Pizzolato, os recursos destinados a Pimenta foram pagos em quatro prestações e descobertos pelo delegado Luiz Fernando Zampronha, da Polícia Federal, e mais tarde arquivados no inquérito 2474 -- aquele que o Supremo não examinou quando julgava a AP 470.    
        Mesmo considerando antecedentes tão notáveis sobre o caráter seletivo das investigações que envolvem políticos brasileiros, a representação da Polícia Federal que pediu a prisão de Antonio Pallocci, Branislav Kontic e Juscelino Dourado causa um choque inegável. Isso porque a leitura das primeiras 30 páginas sobre o esquema de pagamentos clandestinos do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, um departamento destinado a sustentar esquemas políticos, nada informa sobre o ministro ou o Partido dos Trabalhadores mas é muito revelador sobre o conhecimento da PF sobre o esquema de corrupção do PSDB paulista.
     Na página 13, por exemplo, descreve-se a partilha de uma propina de 0.9% sobre um investimento de US$ 20,6 bilhões. Na página 17, uma troca de email entre executivos da Odebrecht deixa claro que estamos falando da linha 2 do Metrô, um investimento que seria particularmente rico em denúncias de superfaturamento e gastos suspeitos. Na página 18, surgem pseudônimos de quem irá receber o dinheiro. Em outra passagem, aparecem  iniciais que poderiam  identificar empresas envolvidas. Nas páginas seguintes, surgem várias planilhas, com detalhamento de datas, prazos e acordos. Na página 36, informa-se que o DGI, sigla usada para designar propina, pode subir de 5% para 8% em determinada obra. Também se descobre que, além da linha 2, a linha 4 do metrô entrou na dança. Foi ali, na estação Pinheiros, que em 2007 ocorreu um acidente trágico, que provocou a morte de sete pessoas, engolidas por uma cratera. Quando se refere ao consórcio encarregado da obra da linha 4, um executivo da Odebrecht usa a palavra "vencedor" assim mesmo, entre aspas, o que chama a atenção durante a leitura, pelo reforço da ironia. Também se registra na mesma passagem o pagamento de duas parcelas de R$ 250.000 destinadas  a uma autoridade identificada como "Santo".
    A verdade é que, além de dois vereadores do PSDB paulistano citados nominalmente, ao lado de quantias relativamente modestas num  contexto de pagamentos milionários -- R$ 6.000 e R$ 3.000 -- não há menção explícita a nenhuma autoridade de escalão mais alto. São elas que recebem pagamentos de R$ 200.000 ou R$ 250.000 por mês -- por vários meses. Embora José Serra e Geraldo Alckmin sejam mencionados como suspeitos óbvios por pessoas que conhecem os bastidores do caso, a verdadeira pergunta consiste em saber por que não se buscou apurar sua identidade real -- fosse qual fosse. Boatos não resolve. Suspeita que não é apurada também não. Não há motivo para segredinhos. Os fatos estão descritos em documentos públicos.
O tempo passa e quem se beneficia é o acusado, seja quem for. Como acontece com tantos colegas de Pimenta da Veiga no mensalão PSDB-MG, as acusações acabam prescrevendo.
   Durante um bom período, um personagem conhecido como "Italiano, visto como o protagonista das investigações que envolvem Antonio Palocci, foi identificado com outro ministro, Guido Mantega. Após um trabalho de checagem, procurando compatibilizar nome de assessores e eventos descritos em diversas trocas de mensagem, a Polícia Federal concluiu que Palocci era o "Italiano." Foi com base nessa visão que fez a representação e, numa cena indispensável para alimentar o já previsível de carnaval televisivo, conduziu o ministro para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba.
  O problema é que entre as palavras civismo, virtude que tem sido frequentemente associada a Lava Jato, e cinismo, palavra comum no vocabulário de seus críticos, a única diferença consiste numa letra.
  Se não há motivo para suspeitas prematuras nem acusações irresponsáveis, não há razão jurídica aceitável para se manter na penumbra a identidade de personagens conhecidos como "Santo" e "Careca" nos emails da Odebrecht. Elas devem ser conhecidas e investigadas, com o mesmo rigor dispensado a Antonio Palocci -- a menos que, aceitando a troca do "v" pelo "n", aceite-se que há uma seleção política para alvos do Judiciário. Neste caso, é preciso admitir que não estamos investigando nem a corrupção nem a troca de favores. Mas um partido e seus dirigentes, o que só é aceitável sob ditaduras.  Não se quer justiça, mas política, colocando o estado "a serviço do grupo social que o controla," como escreve Maria Sylvia de Carvalho Franco, referindo-se às instituições que mantinham a escravidão.
     A tragédia da linha 4, na qual sete pessoas perderam a vida,  só reforça a necessidade de um esclarecimento completo a respeito da identidade e do papel de "Santo" e "Careca."
     A assumida intimidade de Fernando Henrique com Emílio Odebrecht, principal acionista do grupo, muito mais influente naquele período, que é descrita com tanta intimidade no Diário da Presidência, é mais uma razão para isso. Como se aprende pela leitura, FHC chegou a imaginar que o pai de Marcelo Odebrecht poderia ajudá-lo num programa de investimentos públicos destinado a redesenhar o capitalismo brasileiro. Está lá, no volume 1. A mudança do coração da economia sob orientação da Odebrecht. Entendeu?   
        A seletividade, sabemos todos, produz anedotas como uma Justiça que não consegue descobrir o endereço de um antigo ministro, Pimenta da Veiga. Mas não só.
        Roberto Brant, que foi ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, também foi apanhado na rede de Marcos Valério. Recebeu um cheque de R$ 100.000. Disse que era contribuição para sua campanha. Acredito sinceramente que, como tantos, estava falando a verdade. Não importa. O fato é que seu destino foi outro. Renunciou ao mandato e ficou livre, enquanto parlamentares do PT, na mesma situação, marchavam no cadafalso da AP 470.
        Na nova vida, fora de Brasília, Brant não teve de escapar de oficiais da Justiça. Pelo contrário. Um belo dia, lhe chegou o convite para uma missão nobre. Preparar a versão final de um projeto político de mudanças para o país. Foi assim que, uma década depois de ser apanhado com um cheque de Marcos Valério, tornou-se o autor do texto final de um documento chamado Ponte para o Futuro, projeto que deu o esqueleto ideológico para o golpe de 31 de agosto.
       Deu para entender como tudo se liga com tudo?  

TVE Entrevista Especial - Dilma Rousseff (Bloco 3)

TVE Entrevista Especial - Dilma Rousseff (Bloco 1)

TVE Entrevista Especial - Dilma Rousseff (Bloco 1)

Altamiro Borges: Marta fez o que fez para perder a eleição

Altamiro Borges: Marta fez o que fez para perder a eleição: Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo : A história de Marta Suplicy é o que o que se chama em inglês de cautionary tale - s...

POLÍTICA - "Não acredito que eles cometam esse absurdo"

Na primeira entrevista para a televisão após o impeachment, a ex-presidente Dilma Rousseff diz não acreditar na prisão de Lula; "Não acredito que eles cometam este absurdo, não porque sejam bons, mas acredito que também não são burros. Acho que transformará a prisão de uma pessoa visivelmente injustiçada em um herói. Acho que eles não irão querer", afirma; para ela, a estratégia dos adversários é inviabilizar o ex-presidente para que ele não possa disputar a eleição de 2018; segundo Dilma, se isto se efetivar, estará concluído o golpe parlamentar iniciado no ano passado; "Acho que a estratégia é inviabiliza-lo. O golpe só se completa com isto. As forças que deram o golpe têm muito interesse que ele seja julgado e condenado. Eles tiram o Lula do jogo e se livram da Lava Jato", ressalta; confira os vídeos dos principais trechos da entrevista
27 de Setembro de 2016 às 20:48 // Receba o 247 no Telegram Telegram

PETROBRAS - A entrega do pré-sal.


247 – Michel Temer escolheu como primeiro item de sua agenda no Congresso, após as eleições municipais deste domingo, as alterações do pré-sal, que encolhem a participação da Petrobras e aumentam a da iniciativa privada na exploração.  
Segundo a colunista Natuza Nery, do Painel, a base do governo se comprometeu a aprovar na Câmara, na semana que vem e sem alterações, o projeto que acaba com a obrigatoriedade da Petrobras ser a única operadora nos campos. Qualquer modificação obrigaria a devolução da matéria ao Senado.
Assim, o texto já segue para a sanção de Temer. 
Coincidência ou não, ontem Temer recebeu em Brasília o presidente mundial da Shell, Ben van Beurden, que veio agradecer pela abertura do pré-sal (saiba mais aqui).
Antes do impeachment, a presidente Dilma Rousseff dizia que uma das primeiras "vítimas do golpe" seria a legislação do pré-sal, que garantia à Petrobras o controle de todos os blocos de operação. Entre os sindicalistas da Federação Única dos petroleiros, o presidente ganhou o apelido de Mishell Temer.