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segunda-feira, 25 de junho de 2018

COPA 2018 - História emocionante de Lukaku, atacante da Bélgica.

“Minha mãe precisava pedir pão ’emprestado’ da padaria no fim da rua”: a história emocionante de Romelu Lukaku, escrita por ele mesmo

 
O site The Player’s Tribune publicou este artigo escrito por Romelu Lukaku, atacante do Manchester United e da Seleção Belga
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Lukaku dizendo ao juiz para não marcar um pênalti para a Bélgica, num ato de rara honestidade que ocorreu no último sábado pela Copa do Mundo
Me lembro do momento exato em que soube que estávamos quebrados. Eu ainda consigo visualizar minha mãe em frente à geladeira e o olhar no rosto dela.
Eu tinha seis anos de idade e costumava voltar para casa para almoçar durante o intervalo da escola. Minha mãe me dava a mesma coisa todos os dias: pão e leite. Quando você é uma criança, nem pensa sobre isso. Mas acho que era tudo que podíamos comprar.
Naquele dia eu cheguei em casa, entrei na cozinha e vi minha mãe na geladeira com uma caixa de leite, como sempre. Mas, naquela vez, ela estava misturando algo. Estava balançando a caixa toda, sabe? Ela me trouxe o almoço e estava sorrindo, como se tudo estivesse bem. Mas eu percebi na hora o que estava acontecendo.
Ela estava misturando água no leite. Não tínhamos dinheiro suficiente para o resto da semana. Estávamos quebrados. Não apenas pobres, mas quebrados.
Meu pai havia sido um jogador profissional de futebol, mas estava no fim da sua carreira e não havia mais dinheiro. A primeira coisa que perdemos foi a TV a cabo. Acabou o futebol. Acabou o Match of the Day (famoso programa esportivo britânico). Acabou o sinal.
Chegava em casa à noite e as luzes estavam apagadas. Sem eletricidade por duas, três semanas de uma vez.
Eu queria tomar banho, e não havia mais água quente. Minha mãe esquentava a chaleira no fogão, e eu ficava em pé no chuveiro jogando água quente na minha cabeça com um copo.
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Houve ocasiões em que minha mãe precisava pedir pão “emprestado” da padaria no fim da rua. Os padeiros nos conheciam, eu e meu irmãozinho, então deixavam que ela pegasse uma fatia de pão na segunda-feira e pagar apenas na sexta.
Eu sabia que tínhamos problemas. Mas, quando ela estava misturando água no leite, eu percebi que já era, sabe? Essa era nossa vida.
Eu não disse uma palavra. Não queria estressá-la. Eu apenas comi meu almoço. Mas eu juro por Deus, eu fiz uma promessa a mim mesmo naquele dia. Era como se alguém tivesse estalado os dedos e me acordado. Eu sabia exatamente o que precisava fazer e o que iria fazer.
Eu não podia ver minha mãe vivendo daquele jeito. Não, não, não. Eu não aceitaria aquilo.
As pessoas no futebol amam falar sobre força mental. Bom, eu sou o cara mais forte que você vai conhecer. Porque eu me lembro de me sentar no escuro com meu irmão e minha mãe, rezando, e pensando, acreditando, sabendo… que um dia aconteceria.
Não contei minha promessa para ninguém por um tempo. Mas, alguns dias, eu chegava em casa da escola e encontrava minha mãe chorando. Então, eu finalmente a disse um dia: “Mãe, tudo vai mudar. Você vai ver. Eu vou jogar futebol pelo Anderlecht e vai acontecer rápido. Vamos ficar bem. Você não precisará mais se preocupar”.
Eu tinha seis anos.
Eu perguntei para o meu pai: “Quando eu posso começar a jogar futebol profissional?”
Ele disse: “Dezesseis anos”
Eu disse: “Ok, dezesseis anos, então”.
Aconteceria. Ponto final.
Deixa eu dizer uma coisa – todo jogo que já disputei foi uma final. Quando eu jogava no parque, era uma final. Quando eu jogava no recreio do jardim de infância, era uma final. Estou falando sério para caralho. Eu tentava rasgar a bola todas as vezes que eu chutava. Força total. Não estava chutando com o R1, brother. Não era chute colocado. Eu não tinha o novo Fifa. Eu não tinha um Playstation. Eu não estava brincando. Eu estava tentando te matar.
Quando eu comecei a ficar mais alto, alguns dos professores e pais começaram a me estressar. Eu nunca vou esquecer a primeira vez que ouvi um dos adultos dizer: “Ei, quantos anos você tem? Em que ano você nasceu?”
E eu fiquei, tipo, o quê? Tá falando sério?
Quando eu tinha 11 anos, eu jogava pela base do Lièrse e um dos pais do outro time literalmente tentou me impedir de entrar no gramado. Ele disse: “Quantos anos tem essa criança? Onde está o documento dela? De onde ela veio?”
Eu pensei: “De onde eu vim? O quê? Eu nasci na Antuérpia. Eu vim da Bélgica”.
Meu pai não estava lá porque ele não tinha carro para me levar aos jogos fora de casa. Eu estava completamente sozinho e precisava me impor. Fui pegar meu documento na mala e mostrei para todos os pais, e eles o passaram de mão em mão, inspecionando, e eu lembro do sangue me subindo à cabeça… e pensei: “Oh, eu vou matar o seu filho mais ainda agora. Eu já ia matá-lo, mas, agora, eu vou destruí-lo. Você vai levar seu filho para casa chorando agora”.
Eu queria ser o melhor jogador de futebol da história da Bélgica. Era esse meu objetivo. Não apenas bom. Não apenas ótimo. O melhor. Eu jogava com muita raiva por causa de muitas coisas… por causa dos ratos que viviam no nosso apartamento…. porque eu não podia assistir à Champions League… pela maneira como os outros pais olhavam para mim.
Eu estava em uma missão.
Quando eu tinha 12 anos, eu marquei 76 gols em 34 partidas.
Eu marquei todos eles usando as chuteiras do meu pai. Quando nossos pés ficaram do mesmo tamanho, nós as compartilhávamos.
Um dia, eu liguei para o meu avô – o pai da minha mãe. Ele era uma das pessoas mais importantes da minha vida. Ele era minha conexão com a República Democrática do Congo, da onde minha mãe e meu pai vieram. Então, eu estava no telefone com ele um dia, e eu disse: “Estou indo bem. Eu fiz 76 gols e ganhamos a liga. Os grandes times estão começando a me notar”.
E geralmente ele queria ouvir sobre os meus jogos. Mas, naquela vez, estava estranho. Ele disse: “Sim, Rom, isso é ótimo. Mas você pode me fazer um favor?”
Eu disse: “Sim, qual?”
Ele disse: “Você pode cuidar da minha filha, por favor?”
Eu me lembro de ter ficado confuso. Sobre o que o vovô estava falando?
Eu disse: “A mamãe? Sim, estamos bem. Estamos ok”.
Ele disse: “Não. Você tem que me prometer. Você pode me prometer? Cuide da minha filha. Apenas cuide dela para mim. Ok?”
Eu disse: “Sim, vovô. Entendi. Eu prometo”.
Cinco dias depois, ele morreu. E, então, eu entendi o que ele queria dizer.
Fico muito triste pensando nisso porque eu gostaria que ele tivesse ficado vivo mais quatro anos para me ver jogar pelo Anderlecht. Para ver que eu cumpri minha promessa, sabe? Para ver que tudo ficaria bem.
Eu disse para minha mãe que conseguiria chegar lá quando tivesse 16 anos.
Eu errei por 11 dias.
24 de maio de 2009.
A final do playoff. Anderlecht versus Standard Liège.
Aquele foi o dia mais doido da minha vida. Mas precisamos retroceder um pouco. Porque no começo da temporada, eu mal estava jogando pelo sub-19 do Anderlecht. O treinador me colocou na reserva. E eu pensava: “Como vou conseguir um contrato profissional no meu 16º aniversário se ainda estou no banco pelo sub-19?”.
Então, fiz uma aposta com o treinador.
Eu disse para ele: “Eu garanto algo a você. Se você me colocar para jogar, eu vou fazer 25 gols até dezembro”.
Ele riu. Ele literalmente riu da minha cara.
Eu disse: “Vamos fazer uma aposta”.
Ele disse: “Ok, mas se você não fizer 25 gols até dezembro, você vai para o banco de reservas”.
Eu disse: “Certo, mas, se eu vencer, você vai limpar todas as minivans que levam os jogadores para casa depois do treino”.
Ele disse: “Ok, fechado”.
Eu disse: “E mais uma coisa. Você tem que fazer panqueca para nós todos os dias”.
Ele disse: “Ok, certo”.
Foi a aposta mais estúpida que o homem já fez.
Eu tinha 25 gols em novembro. Estávamos comendo panqueca antes do Natal, bro.
Que sirva de lição. Você não mexe com um garoto que está com fome.
Assinei o contrato profissional com o Anderlecht no meu aniversário, 13 de maio. Fui direto comprar o novo Fifa e um pacote de TV a cabo. Já era o fim da temporada, então eu estava em casa descansando. Mas a liga belga estava doida naquele ano, porque Anderlecht e Standard Liège terminaram empatados em pontos. Então, haveria um playoff de duas partidas para decidir o título.
Durante o jogo de ida, eu estava em casa assistindo à TV como um torcedor.
Então, no dia anterior ao jogo de volta, eu recebi uma ligação do técnico dos reservas.
“Alô?”
“Alô, Rom. O que você está fazendo?”
“Saindo para jogar bola no parque”.
“Não, não, não, não, não. Faça suas malas. Agora mesmo”.
“Por quê? O que eu fiz?”
“Não, não, não. Você precisa sair para o estádio agora. O time principal pediu por você”.
“Yo….o quê? Eu?!”
“Sim. Você. Venha. Agora”.
Eu literalmente corri para o quarto do meu pai. “Levanta, porra. Precisamos correr, cara!”.
“Huh? O quê? Pra onde?”
“ANDERLECHT, CARA”.
Eu nunca vou esquecer. Eu cheguei ao estádio e praticamente corri para o vestiário. O roupeiro disse: “Ok, garoto, que número você quer?”.
E eu disse: “Me dá a 10”.
Sei lá, eu era muito jovem para ter medo, acho.
E ele: “Jogadores da base usam números acima do 30”.
Eu disse: “Ok, bem, três mais seis é igual a nove, e esse é um número legal, então me dá a 36”.
Naquela noite, no hotel, os jogadores adultos me fizeram cantar uma música para eles no jantar. Eu nem me lembro qual escolhi. Minha cabeça estava girando.
Na manhã seguinte, meu amigo literalmente bateu na porta da minha casa para ver se eu queria jogar futebol e minha mãe disse: “Ele saiu para jogar”.
Meu amigo: “Jogar onde?”
Ela disse: “Na final”.
Saímos do ônibus no estádio, e cada jogador estava usando um terno legal. Menos eu. Eu saí do ônibus usando um terrível agasalho e todas as câmeras de TV estavam na minha cara. A caminhada para o vestiário foi de talvez 300 metros. Talvez uma caminhada de três minutos. Assim que coloquei meu pé no vestiário, meu telefone começou a explodir. Todo mundo havia me visto na televisão. Eu recebi 25 mensagens em três minutos. Meus amigos estavam ficando loucos.
“Bro?! Por que você está no jogo?!”
“Rom, o que está acontecendo? POR QUE VOCÊ ESTÁ NA TV?”
A única pessoa que respondi foi meu melhor amigo. Eu disse: “Brother, eu não sei se vou jogar. Eu não sei o que está acontecendo. Mas continua vendo TV”.
Aos 18 minutos do segundo tempo, o treinador me colocou em campo.
Eu corri no gramado pelo Anderlecht aos 16 anos e 11 dias.
Perdemos a final naquele dia, mas eu já estava no céu. Eu cumpri a promessa para a minha mãe e para meu avô. Aquele foi o momento em que eu soube que ficaríamos bem.
Na temporada seguinte, eu ainda terminava o meu último ano do colégio e jogava na Liga Europa ao mesmo tempo. Eu precisava levar uma grande mochila para o colégio para poder pegar um voo no fim da tarde. Vencemos a liga com folga. Foi…uma loucura!
Eu realmente esperava que tudo isso acontecesse, mas talvez não tão rápido. De repente, a imprensa estava crescendo em torno de mim, e colocando todas essas expectativas nas minhas costas. Especialmente com a seleção nacional. Por algum motivo, eu não estava jogando bem pela Bélgica. Não estava funcionando.
Mas, yo – pera lá. Eu tinha 17 anos! 18! 19!
Quando as coisas corriam bem, eu lia os artigos de jornal e eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga.
Quando as coisas não corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga descendente de congoleses.
Se você não gosta do jeito como jogo, tudo bem. Mas eu nasci aqui. Eu cresci na Antuérpia, em Liège e em Bruxelas. Eu sonhava em jogar pelo Anderlecht. Eu sonhava em ser Vincent Kompany. Eu começava uma frase em francês e terminava em holandês, e colocava um pouco de espanhol e português ou lingala, dependendo do bairro em que eu estivesse.
Eu sou belga.
Somos todos belgas. É isso que faz este país legal, certo?
Eu não sei por que algumas pessoas do meu próprio país querem que eu fracasse. Eu realmente não entendo. Quando fui para o Chelsea e não estava jogando, eu os ouvi dando risada de mim. Quando fui emprestado para o West Brom, eu os ouvi dando risada de mim.
Mas tudo bem. Essas pessoas não estavam comigo quando colocávamos água no nosso cereal. Se vocês não estavam comigo quando eu não tinha nada, vocês realmente não podem me entender.
Sabe o que é engraçado? Eu perdi dez anos de Champions League quando era criança. A gente não podia pagar. Eu chegava à escola e todas as crianças estavam falando sobre a final e eu não sabia o que havia acontecido. Eu me lembro de 2002, quando o Real Madrid jogou contra o Bayer Leverkusen, e todo mundo falava “aquele voleio! Meu Deus, aquele voleio!”.
E eu tinha que fingir que sabia do que estavam falando.
Duas semanas depois, estávamos sentados na aula de computação, e um dos meus amigos baixou o vídeo da internet, e eu finalmente vi Zidane mandar aquela bola no ângulo com a perna esquerda.
Naquele verão, eu fui para minha casa para assistir ao Ronaldo Fenômeno na final da Copa do Mundo. A história de todo o resto daquele torneio eu ouvi das crianças da escola.
Eu lembro que eu tinha buracos nos meus sapatos em 2002. Grandes buracos.
Doze anos depois, eu estava jogando a Copa do Mundo.
Agora, estou prestes a jogar outra Copa do Mundo e meu irmão está comigo desta vez (o texto foi provavelmente escrito antes da convocação final porque Jordan Lukaku, irmão de Romelu, estava na pré-convocação, mas não chegou à lista final). Duas crianças da mesma casa, da mesma situação, que deram certo. Sabe de uma coisa? Eu vou me lembrar de me divertir dessa vez. A vida é curta demais para estresse e drama. As pessoas podem dizer o que quiserem sobre nosso time, sobre mim.
Cara, escuta – quando éramos crianças, não podíamos pagar para ver Thierry Henry no Match of the Day! Agora, estamos aprendendo com ele todos os dias no time nacional (Henry é auxiliar de Roberto Martínez, técnico da Bélgica). Estou junto com a lenda, em carne e osso, e ele está me dizendo tudo sobre como atacar os espaços como ele costumava fazer. Thierry deve ser o único cara no mundo que vê mais jogos do que eu. Nós debatemos tudo. Estamos sentados e tendo debates sobre a segunda divisão da Alemanha.
“Thierry, você viu o esquema do Fortuna Düsseldorf?”
Ele: “Não seja tonto. Claro que vi”.
Isso é a coisa mais legal do mundo para mim.
Eu apenas realmente, realmente gostaria que meu avô estivesse vivo para ver isso.
Não estou falando da Premier League.
Nem do Manchester United.
Nem da Champions League.
Nem da Copa do Mundo.
Não é disso que estou falando. Eu apenas queria que ele estivesse vivo para ver a vida que temos agora. Eu gostaria de ter mais uma conversa com ele por telefone, para poder dizer para ele…
“Viu? Eu disse para você. Sua filha está bem. Não há mais ratos no nosso apartamento. Ninguém mais dorme no chão. Não há mais estresse. Estamos bem agora. Estamos bem…
…Eles não precisam mais checar nossos documentos. Eles conhecem nosso nome”.

POLÍTICA - "Tá tudo dominado".


Esqueça a Justiça, Lula; está tudo dominado

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Estava na pauta da terça-feira, dia 26, o julgamento na Segunda Turma do STF do recurso que pede a libertação do ex-presidente Lula.

Na sexta-feira, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, resolveu tirar o assunto da pauta, cancelar o julgamento e arquivar o caso, depois de receber a decisão do TRF-4 que negou provimento ao recurso.

Levou apenas 45 minutos para tomar a decisão.

Deve ter sido um recorde na corte conhecida por levar séculos para julgar políticos que não sejam do PT.

Era tudo jogo combinado, as cartas já estavam marcadas.

Nomeado por Dilma Rousseff depois de intensa campanha para ser aprovado pelo Senado, o ministro Fachin é muito próximo de juízes do TRF-4, onde fez carreira no direito, como informou o Painel da Folha.

Na mesma tarde, um ministro do STF apostou que “havia maioria já firmada na Segunda Turma para transferir Lula da carceragem da PF para prisão domiciliar”, relatou o Painel.

Na véspera, a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann tinha sido inocentada de acusações que recebeu quatro anos atrás.

Animado pela decisão, o partido estava mobilizando militantes para uma manifestação em frente ao tribunal na terça-feira.

Diante da fulminante decisão de Fachin, advogados de Lula se desentenderam sobre os próximos passos, e o destino de Lula estava selado.

Como estava decidido desde o início da Lava Jato, no ano eleitoral de 2014 em que Dilma foi reeleita, Lula ficava definitivamente fora da disputa de 2018.

Era este o objetivo e foi cumprido à risca pela 13 Vara Federal de Sergio Moro em Curitiba, com a anuência do TRF-4 e dos tribunais superiores que lhe negaram todos os recursos.

Nem a ONU nem o Vaticano poderão reverter esse quadro, embora Lula continue liderando com folga todas as pesquisas presidenciais.

Desde a prisão de Lula, há dois meses e meio, a famosa militância do PT se recolheu, ficando confinada em frente ao presídio da PF, cada vez com menos gente.

Sem nenhuma reação nas ruas, o ex-presidente continuava acreditando que a Justiça era mesmo igual para todos e que, em algum momento, poderia ser libertado.

Um a um os recursos da defesa foram sendo negados, a presidente do STF, Carmén Lúcia, cumpriu seu papel de não colocar em pauta a revisão da prisão após condenação em segunda instância, e o tempo foi passando, como se tudo isso fosse a coisa mais natural do mundo numa democracia.

O cenário eleitoral de 2018, como várias vezes previ aqui, foi definido pelo Judiciário. Nele não havia lugar para Lula.

E a 105 dias da eleição, o amplo esquema político-jurídico-midiático que derrubou Dilma num golpe parlamentar e afastou Lula por conta da reforma de um triplex no Guarujá continua sem candidato viável, mas isto não estava previsto no roteiro. Algo deu errado.

Vamos votar no escuro, com a maioria dos eleitores até hoje sem ter em quem votar. O candidato “Ninguém” continua liderando as pesquisas sem Lula.

Bom domingo.


Vida que segue.

Altamiro Borges: Há algo de podre na República de Curitiba

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quarta-feira, 20 de junho de 2018

POLÍTICA - Até que enfim o STF deixou de lado o medinho da Globo e agiu para brecar as arbitrariedades da lava-jato.


STF impõe nova derrota à Lava-Jato de Moro

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

A República de Curitiba comandada por Sergio Moro, que reinava absoluta sem dar satisfações a ninguém, fazendo as suas próprias leis, foi novamente derrotada pelo Supremo Tribunal Federal, como já havia acontecido na semana passada com a proibição das conduções coercitivas.

Quatro anos após o início da Lava Jato, que não deixou pedra sobre pedra no sistema político e na economia nacional, o STF impôs novo revés aos métodos nada republicanos adotados pela força-tarefa do juiz de primeira instância de Curitiba.

Na terça-feira, por 5 votos a 0, a Segunda Turma do STF derrubou a denúncia da Procuradoria da República e inocentou a senadora Gleisi Hoffmann das acusações de corrupção baseadas unicamente em delações premiadas, assim como aconteceu na condenação do ex-presidente Lula. O marido de Gleisi, ex-ministro Paulo Bernardo, também foi inocentado.

A mesma Segunda Turma julgará na próxima terça-feira, dia 26 o novo pedido de .libertação de Lula até que o STF julgue o mérito do processo, o que até hoje não aconteceu. A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, vem demonstrando que não tem pressa para colocar o assunto em pauta, muito ao contrário.

A posição dos ministros foi assim resumida por Ricardo Lewandowski, presidente da turma, um verdadeiro libelo contra a Lava Jato:

“São tantas as incongruências e inconsistências nas delações que elas se tornam imprestáveis para sustentar qualquer condenação”.
São os mesmos argumentos apresentados pela defesa de Lula para pedir a sua imediata libertação até o trânsito em julgado do processo no STF.

Até o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, que sempre tem votado contra o PT, admitiu que a PGR não conseguiu comprovar que a petista recebeu dinheiro em troca de contrapartida e, portanto, não poderia ser condenada por corrupção passiva e consequente lavagem de dinheiro, a mesma acusação feita a Lula no processo do triplex em que foi condenado a 12 anos e um mês de prisão.

Parecia que Sergio Moro já estava sentindo o cheiro de queimado ao correr para blindar, em sigilo, os delatores das empreiteiras e as empresas, proibindo o uso de provas da Lava Jato por outros órgãos de controle do Estado.

Na quinta-feira da semana passada, dia 14, Moro já havia sofrido outra derrota com a decisão do STF, por 6 votos a 5, de proibir a condução coercitiva de réus e investigados para depoimento.

Talvez a força-tarefa da Lava Jato agora possa se dar conta de que seu poder absoluto sobre os processos, que até aqui vinha sendo referendado pelo STF, esteja chegando ao fim.

Até onde se sabe, a Constituição de 1988 e o Código Penal continuam em vigor. Foi isso que os ministros do STF quiseram dizer com suas decisões.

Vida que segue.

Absolvição de Gleisi escancara estratégia do consórcio mídia-Lava Jato - Portal Vermelho

Absolvição de Gleisi escancara estratégia do consórcio mídia-Lava Jato - Portal Vermelho: Por 5 votos a zero, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu nesta terça-feira (19) a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e rejeitou a acusação dos procuradores da Operação Lava Jato.

Por Dayane Santos

Absolvição de Gleisi escancara estratégia do consórcio mídia-Lava Jato - Portal Vermelho

Absolvição de Gleisi escancara estratégia do consórcio mídia-Lava Jato - Portal Vermelho: Por 5 votos a zero, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu nesta terça-feira (19) a presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e rejeitou a acusação dos procuradores da Operação Lava Jato.

Por Dayane Santos

terça-feira, 19 de junho de 2018

Altamiro Borges: Vão privatizar o Brasil?

Altamiro Borges: Vão privatizar o Brasil?: Por Maurício Dias, na revista CartaCapital : A sanha privatizante no Brasil, a de ontem, a de hoje ou a de amanhã, tem sido tão somen...

POLÍTICA - Condução coercitiva.


Jânio de Freitas disseca a decisão do Supremo sobre “condução coercitiva”.


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Justiça fora da lei
Foram quatro anos e três meses de ações judiciais e de críticas públicas de numerosos advogados. Enfim reconhecidas, há três dias, com a sentença que proíbe levar alguém à força, tal como um preso, para prestar depoimento.
Nesses 51 meses, ao que verificou o ministro Gilmar Mendes, a Lava Jato executou 227 desses atos de coerção, ou de força, por isso mesmo chamados de “condução coercitiva”. Em média, mais de quatro por semana, desde o início da Lava Jato.
Mas a proibição à prática irrestrita desses atos, só admissíveis em caso de recusa a prévia intimação, já existia como velho e comum artigo do Código de Processo Penal. Por que repetir a proibição, até com mais abrangência?
Porque o Tribunal Regional Federal do Sul, o TRF-4, aceitou a arbitrariedade de Sergio Moro; o Conselho Nacional de Justiça concedeu impunidade à violação do Código por Sergio Moro; o Superior Tribunal de Justiça e o nSupremo Tribunal Federal substituíram o direito pela demagogia, a lei pelo agrado à opinião ignara, e o dever pela sujeição.
Da segunda à última instância da Justiça, tornaram-se todas confrontadas pelo direito paralelo criado por Moro, Deltan Dalagnol, alguns outros procuradores, e absorvido por parte do TRF-4.
Como a lei é arma de combate à corrupção, violá-la é uma forma de corromper o combate à corrupção. A decisão do Supremo repõe e impõe uma das várias medidas de prevenção a deturpações, mas permanecem algumas não menos antidemocráticas.
A limitação do tema votado não impediu, no entanto, que fosse um bonito julgamento: as ideias de liberdade pessoal e de respeito aos direitos da cidadania tiveram forte presença. O ministro Celso de Mello, entre outros, trouxe ao debate um princípio cujo desconhecimento, pelo direito paralelo da Lava Jato, tem produzido situações deploráveis.
“O ônus da prova é do Estado”, disse o decano do Supremo, e como o inquirido “não deve contribuir para sua própria incriminação”, ele “não tem obrigação jurídica de cooperar com os agentes da persecução penal”.
Pelos quatro anos e três meses, a Lava Jato eximiu-se do ônus da prova. Transferiu-o ao próprio inquirido, exigindo-lhe a autoincriminação, forçada de duas maneiras.
Uma, a prisão protelada até o desespero, método recomendado pelos americanos para uso em terras alheias, não na sua, onde não ousariam adotá-lo. Como complemento, a compra da autoincriminação e da delação, pagas com a liberdade como moeda. Não mais nem menos do que suborno. Feito em nome da moralidade e da justiça.
O ministro Dias Toffoli, por sua vez, formulou o despertar de um sentimento há muito já disseminado no país: “É chegado o momento em que o Supremo (…) impeça interpretações criativas que atentem contra o direito fundamental” de cada ser humano.
O momento não devia ser necessário jamais, já chegou há muito tempo e percebe-se que ainda sensibiliza só seis ministros – é o que indica a vantagem de um só voto, na derrota por 6 a 5 da combinação ilegal de arbitrariedade e coerção em nome da Justiça.
Janio de Freitas
(Colunista e membro do Conselho Editorial da Folha)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

POLÍTICA - O direito do Dr. Moro.

Jânio de Freitas disseca a decisão do Supremo sobre “condução coercitiva”.

0
Justiça fora da lei
Foram quatro anos e três meses de ações judiciais e de críticas públicas de numerosos advogados. Enfim reconhecidas, há três dias, com a sentença que proíbe levar alguém à força, tal como um preso, para prestar depoimento.
Nesses 51 meses, ao que verificou o ministro Gilmar Mendes, a Lava Jato executou 227 desses atos de coerção, ou de força, por isso mesmo chamados de “condução coercitiva”. Em média, mais de quatro por semana, desde o início da Lava Jato.
Mas a proibição à prática irrestrita desses atos, só admissíveis em caso de recusa a prévia intimação, já existia como velho e comum artigo do Código de Processo Penal. Por que repetir a proibição, até com mais abrangência?
Porque o Tribunal Regional Federal do Sul, o TRF-4, aceitou a arbitrariedade de Sergio Moro; o Conselho Nacional de Justiça concedeu impunidade à violação do Código por Sergio Moro; o Superior Tribunal de Justiça e o nSupremo Tribunal Federal substituíram o direito pela demagogia, a lei pelo agrado à opinião ignara, e o dever pela sujeição.
Da segunda à última instância da Justiça, tornaram-se todas confrontadas pelo direito paralelo criado por Moro, Deltan Dalagnol, alguns outros procuradores, e absorvido por parte do TRF-4.
Como a lei é arma de combate à corrupção, violá-la é uma forma de corromper o combate à corrupção. A decisão do Supremo repõe e impõe uma das várias medidas de prevenção a deturpações, mas permanecem algumas não menos antidemocráticas.
A limitação do tema votado não impediu, no entanto, que fosse um bonito julgamento: as ideias de liberdade pessoal e de respeito aos direitos da cidadania tiveram forte presença. O ministro Celso de Mello, entre outros, trouxe ao debate um princípio cujo desconhecimento, pelo direito paralelo da Lava Jato, tem produzido situações deploráveis.
“O ônus da prova é do Estado”, disse o decano do Supremo, e como o inquirido “não deve contribuir para sua própria incriminação”, ele “não tem obrigação jurídica de cooperar com os agentes da persecução penal”.
Pelos quatro anos e três meses, a Lava Jato eximiu-se do ônus da prova. Transferiu-o ao próprio inquirido, exigindo-lhe a autoincriminação, forçada de duas maneiras.
Uma, a prisão protelada até o desespero, método recomendado pelos americanos para uso em terras alheias, não na sua, onde não ousariam adotá-lo. Como complemento, a compra da autoincriminação e da delação, pagas com a liberdade como moeda. Não mais nem menos do que suborno. Feito em nome da moralidade e da justiça.
O ministro Dias Toffoli, por sua vez, formulou o despertar de um sentimento há muito já disseminado no país: “É chegado o momento em que o Supremo (…) impeça interpretações criativas que atentem contra o direito fundamental” de cada ser humano.
O momento não devia ser necessário jamais, já chegou há muito tempo e percebe-se que ainda sensibiliza só seis ministros – é o que indica a vantagem de um só voto, na derrota por 6 a 5 da combinação ilegal de arbitrariedade e coerção em nome da Justiça.
Janio de Freitas
(Colunista e membro do Conselho Editorial da Folha)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Requião faz emocionante defesa de Gleisi, ao saber que a mesma será julg...

"A Shell quer ganhar dinheiro no Brasil. A Petrobrás não, quer servir o ...

Bob Fernandes/Vai começar a Copa e no Brasil em Transe segue a dúvida cr...

ECONOMIA - Pensamento neoliberal.

Um dos grandes problemas do chamado pensamento neoliberal brasileiro é a absoluta incapacidade de elaborar um projeto de país. Desde os anos 80, essa linha de pensamento abandonou qualquer veleidade de pensar a economia real brasileira, com suas especificidades, características, buscando soluções objetivas para problemas reais ou desenhando um projeto mínimo de futuro.
O conflito economia real x financeira existe desde o Império. Mas, em outros tempos, havia os demiurgos, os pensadores liberais que juntavam conhecimento econômico, busca de soluções para os problemas institucionais, e vocação de homens públicos, como Octávio Gouvêa de Bulhões, Casemiro Ribeiro, Ernâne Galveas.
Hoje em dia, as bandeiras liberais foram apropriadas por uma mediocridade ampla, subordinada ao ideologismo mais superficial. Tudo isso com o apoio fundamental da cartelização da mídia e do jornalismo econômico, reduzindo a discussão econômica a um conjunto de bordões sem pé nem cabeça, mas influenciando fundamentalmente os poderes.
Repete-se agora o mesmo jogo.
Desde o final do governo Dilma, há uma queda generalizada da demanda. No governo Temer, a equipe econômica atropelou normas mínimas de bom senso, inviabilizando qualquer possibilidade de recuperação da demanda.
Em cima de uma economia exangue, o que (não) se fez?
  1. Gastos das famílias. Com o desemprego maciço e um endividamento gigantesco, não se adotou uma medida sequer visando desmanchar esses nódulos de endividamento, menos ainda para recuperar o emprego.
  2. Investimento privado. Criou-se o mantra de que bastaria previsibilidade fiscal para retomar o investimento privado, deixando de lado o óbvio ululante, de que investimento depende de demanda.
  3. Gastos público. Criou-se o Teto de Gastos, abandonando-se o PSI (Programa de Sustentação do Investimento), que blindava os investimentos públicos. Mataram a última possibilidade de recuperação.
  4. Crédito de longo prazo. Obrigou-se o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a devolver ao Tesouro R$ 100 bilhões em 2016, R$ 50 bilhões em 2017 e mais R$ 100 bilhões até o fim de 2018. No mesmo período as taxas futuras de juros de longo prazo aumentaram.
  5. Crédito privado. Os bancos avançaram como harpias em cima das famílias e das empresas endividadas, esfolando com taxas de até 15% ao mês os inadimplentes. Registraram lucros monumentais e não houve um movimento corretivo sequer da parte do Banco Central.
Com a inadimplência explodindo, o desemprego aumentando, o desalento avançando, a inacreditável Mirian Leitão diz que a economia está patinando porque o governo não economizou o quanto precisava. Aonde se pretende chegar com essas leviandades?
O que esses gênios da economia conseguiram, nem se diga para o país, mas para seu campo? Jogaram fora a enorme facilidade da recuperação cíclica da economia, depois de numa queda de 8% no PIB. Seria a consagração de sua escola e a viabilização política de seus candidatos.
Conseguiram confirmar a regra, da absoluta incapacidade de implementar uma alternativa de desenvolvimento, da mesma maneira que jogaram fora a oportunidade aberta pelo Real.

SITES - A lambança da Lupa.


Lambança da Lupa levanta a discussão: a que (ou quem) servem as agências de checagem? Por Joaquim de Carvalho

Grabois e o papa Francisco
O episódio em que a agência de checagem Lupa tenta corrigir notícia divulgada sobre uma tentativa de entrega de um rosário a Lula levanta duas discussões:
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  1. Quem checa o checador? 
  2. A que (ou a quem) servem essas agências?
Como se recorda, na segunda-feira o advogado Juan Grabois, professor universitário na Argentina e ativista social, foi à Superintendência da PF em Curitiba para tentar visitar Lula.
Na bagagem, levava um rosário abençoado pelo papa Francisco. Na saída, ele deu entrevista para dizer que foi impedido de entrar.
Segundo disse, os agentes lhe explicaram que havia ordens de cima. Disse também que, segundo entendeu, a visita de segunda-feira é privativa de sacerdotes consagrados.
Não concordou, já que, pela doutrina cristã, todos os batizados são missionários. Mas, sem ter o que fazer, Grabois deixou o rosário para ser entregue a Lula e deu entrevista para protestar.
A notícia era a proibição de que visitasse Lula, mesmo sendo reconhecidamente um ativista social ligado diretamente ao papa Francisco.
Mas, por conta de uma confusa checagem da Lupa, o foco mudou: ao corrigir a informação, divulgada pelo PT de que o rosário era um presente do papa Francisco, a agência deu fluxo para uma informação equivocada, divulgada pela agência do Vaticano: a de que Grabois já não era mais consultor do papa.
A notícia de Grabois poderia ser um tipo espertalhão, se passando pelo que não era, logo se espalhou e publicações da velha imprensa, como O Globo, tentaram desmoralizar Lula e a mídia independente, com uma informação que, agora se sabe, é mentirosa.
Grabois é consultor do papa e mantém interlocução permanente com o líder da Igreja Católica.
O que mudou é o nome do departamento a que estava vinculado. Era Pontifício Conselho da Justiça e Paz, agora faz parte do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
A checagem mal feita da Lupa serviu para que o Facebook também ameaçasse sites independentes, como o Diário do Centro do Mundo, de restringir o alcance das postagens.
Três lições ficam desse imbróglio:
  1. há uma ofensiva sobre sites independentes que, desde 2013, têm feito o contraponto à narrativa da imprensa hegemônica, empenhada na campanha para tirar o PT do poder;
  2. A agência de checagem, tão diligente na hora de apontar o dedo para os sites independentes, se calou sobre o erro da velha imprensa quanto ao papel de Juan Gabrois no Vaticano.
  3. há uma disputa no seio da Igreja Católica sobre o papel da instituição diante da ofensiva dos grupos de poder do Brasil sobre lideranças populares e, em última análise, sobre a própria democracia.
É fora de questão que o papa abençoou o rosário e que Grabois é de seu círculo mais próximo. O consultor não disse que o rosário era um presente do papa.
Com essa confusão, o que se vê é um movimento que cercear a posição do papa Francisco em relação à prisão de Lula.
O papa Francisco ainda não mencionou o nome do ex-presidente, mas já deixou claro o que pensa sobre o que está acontecendo no Brasil.
Em uma manifestação no dia 17 de maio, Francisco alertou para o risco de um movimento de manipulação midiática que condena o povo à massa de manobra. Disse o pontífice sobre o papel da imprensa nos dias de hoje:
“Criam-se condições obscuras para condenar uma pessoa (…) na vida civil, na vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado. (…) A mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas. (…) Depois chega a justiça, as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”.
Só falou dizer os nomes: Globo e os demais da velha imprensa, Sergio Moro, TRF-4, STJ e STF.
O episódio da entrega do rosário é só um detalhe. Ou um pretexto.