quinta-feira, 23 de março de 2017

Terceirização é aprovada. Entenda o que significa!

Terceirização irrestrita no Brasil aprovada - e os concursos, o que si...

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Terceirização: especialista explica mudanças nas leis trabalhistas

PL da Terceirização traz salários menores e retirada de benefícios

POLÍTICA - "Um justiceiro de terceira linha".

Moro quebrou sigilo telefônico de blogueiro

Por Rodrigo Vianna, em seu blog:

A nota divulgada há pouco pelo advogado do blogueiro Eduardo Guimarães revela fato gravíssimo: o juiz das camisas negras quebrou o sigilo telefônico de Eduardo. O magistrado de primeira instância obteve extrato da companhia telefônica, indicando quem teria ligado ao blogueiro para passar informações. Grave. Gravíssimo.

Com uma decisão pusilânime nesta quinta, Moro recuou em parte de suas arbitrariedades, depois de perceber que a prisão de Eduardo gerara descontentamento na Globo e entre jornalistas conservadores.

O advogado de Eduardo diz que o depoimento do blogueiro foi colhido de forma ilegal, sem a presença de advogado. E a defesa vai requerer a nulidade de tal depoimento obtido em condições de claro abuso de poder.

Trocando em miúdos: o juiz das camisas negras age, mais uma vez, à margem da lei.

Que nome podemos dar a um juiz que manda quebrar o sigilo de um desafeto?

Moro perdeu as condições de seguir adiante das investigações de Curitiba. Deveria largar a toga e fundar o PJM – Partido da Justiça Medieval. Daria um ótimo vice para Bolsonaro.

Fica a dica deste jornalista, que pretende seguir no exercício da profissão, mesmo sem o aval do juiz que se dispõe a delimitar quem é ou não “um verdadeiro jornalista”.

De minha parte, posso dizer: Moro não é um “verdadeiro juiz”. Mas um justiceiro de terceira linha.

*****

Nota de esclarecimento da defesa do jornalista Eduardo Guimarães

Informamos que o juiz Sérgio Moro acabou de publicar uma decisão por meio da qual reconhece que Eduardo Guimarães é jornalista e, em tom de arrependimento, afirma ser “o caso de rever o posicionamento anterior e melhor delimitar o objeto do processo”.

Como consequência, determinou a exclusão de “qualquer elemento probatório relativo à identificação da fonte de informação”.

Dessa forma, o magistrado voltou atrás e reconheceu a tese alegada pela Defesa desde o início dessa investigação, admitindo ter tomado medidas ilegais.

Após o levantamento do sigilo dos autos, cumpre-nos informar fato extremamente grave.

Antes de ser conduzido coercitivamente, o jornalista Eduardo Guimarães teve o sigilo de suas ligações telefônicas violado. O magistrado determinou que a operadora de celular informasse seu extrato telefônico, com o objetivo claro de identificar a fonte que teria passado a informação divulgada no blog.

É importante ressaltar que a fonte jornalística foi identificada mediante quebra de sigilo dos extratos telefônicos do Eduardo Guimarães.

Portanto, a decisão não corresponde à realidade ao afirmar que Eduardo “revelou, de pronto, ao ser indagado pela autoridade policial e sem qualquer espécie de coação, quem seria a sua fonte de informação”.

Basta perceber que o próprio juiz Sérgio Moro agora reconhece a ilegalidade das medidas tomadas visando à obtenção prévia da fonte de informação, para concluir que houve nítida coação ilegal no ato de seu depoimento.

Está devidamente comprovado que, na ocasião do depoimento, as autoridades já tinham conhecimento da sua fonte de informação, obtido mediante o emprego de meios que o próprio magistrado agora assume serem ilegais.

Não bastasse tamanha arbitrariedade, a autoridade policial sequer aguardou a chegada deste advogado para iniciar o depoimento.

Assim, é evidente a ilegalidade deste depoimento, cuja anulação será oportunamente requerida pela Defesa, bem como a restituição de todos os equipamentos eletrônicos ilegalmente apreendidos.

Caso se julgue necessário, estaremos à inteira disposição para prestar novos esclarecimentos, pois não há dúvida de que o jornalista Eduardo Guimarães agiu de acordo com a ética de sua profissão.

FERNANDO HIDEO I. LACERDA
OAB/SP 305.684

Reforma Trabalhosta - Coisas Que Você Precisa Saber #31

Seu Jornal - 23/03/2017

Seu Jornal - 23/03/2017

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Análise Política da Semana | 18/03/2017

A Carne Podre do Brasil

Terceirizando o Fascismo

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quarta-feira, 22 de março de 2017

POLÍTICA - Eduardo Guimarães está sendo perseguid

Perseguir Eduardo Guimarães é parte da estratégia de Moro para a prisão de Lula

Escrito por , Postado em Redação
Por Bajonas Teixeira de Brito Junior, colunista de política do Cafezinho.
Eduardo Guimarães está sendo perseguido. Em relação à sua condução coercitiva de ontem, só seria justificada se jornalistas ou editores da Globo, da Isto é, da Veja, e outros veículos que vazaram informação originadas da Lava Jato fossem igualmente processados e, dada a ameaça que representariam para a operação, também conduzidos coercitivamente. Isso não aconteceu nem acontecerá. Portanto, se Eduardo Guimarães foi, só ele, conduzido coercitivamente e vitimado por um processo, é perseguição.
Mas a perseguição não para por aqui. Há outro processo em que o blogueiro é acusado de algo ainda mais grave: “ameaçar” o juiz Sérgio Moro. É sobre esse segundo processo que quero me deter. Vou recordar suas origens porque são esclarecedoras sobre o teor persecutório contido na nuvem tóxica que hoje ameaça a blogosfera. Depois veremos como essa perseguição faz pensar em uma ação preparatória para a prisão de Lula.
Tudo começou com tuítes em que Eduardo Guimarães buscou divulgar seu artigo Direita prefere destruir o país a aceitar justiça social em junho de 2015. A ilustração escolhida foi a de um poço, já que quando a situação econômica se torna muito ruim, como ocorre nas crises econômicas, se diz que chegou “ao fundo do poço”.  O leitor deve ficar de olho nesse poço, porque daqui a pouco ele vai cometer um crime.


Após esse primeiro tuíter, outros cinco foram postados em sequência, todos relacionados com a exposição genérica do artigo para despertar o interesse do leitor.
Os dois primeiros, indicam que a crise econômica é artificialmente produzida por desejos políticos. Ou seja, diante da continuidade do PT na presidência, um grupo social teria preferido desestabilizar o país, com todos os riscos que isso representa para a economia, para chegar ao leme do poder.

Seria interessante se Guimarães, na posse de uma bola de cristal, pudesse naquele momento, em meados de 2015, prever o destino de alguns dos mais ativos promotores da crise política: Aécio Neves, José Serra, Eduardo Cunha, Geddel Vieira, e tantos outros que, investindo na criação artificial da crise, terminaram tragados e levados por ela.
Literalmente, eles jogaram todas as suas fichas na produção da crise, no impeachment, no processo contra a chapa de Dilma, na perseguição a Lula. Mas, no correr do tempo acelerado e trepidante de uma crise intensa, acabaram vítimas dos seus próprios ardis. Enfim, eles cometeram seus próprios suicídios ao forçarem artificialmente a construção da crise política. Ao invés de serem galgados ao topo do poder, foram despejados no fundo da sarjeta.
São fatos que estão ai, que nada têm de exóticos: assim como fizeram certas personagens da crise, um grupo social imenso está cavando sua própria sepultura. Não é esse o tormento da classe média que, de súbito, descobriu que vai perder a aposentadoria?
Isso é dito de forma a mais transparente numa frase isenta de qualquer ambiguidade no tuíte seguinte:



Há um esforço coletivo de desestabilizar o país. Não é um, não são dois indivíduos isolados, são grandes grupos sociais, aqueles que o autor chamou de “a direita”, que investem no caos agitando a crise política. Sequer havia crime, deslize ou erro por parte de Dilma. As “pedaladas” eram uma espécie de palavra mágica, de “abracadabra”, de celerados querendo fazer a mágica de chegar ao poder sem votos.
Para muitos, inclusive, aquele “abracadabra” veio a tornar-se muito em breve um “abra cadeia”. A esses, a busca de derrubar o PT saiu muito cara. Mas, o autor não se prendeu a esses casos específicos, não tinha bola de cristal. Na época da publicação do artigo, aliás, em junho de 2015, Cunha estava no auge do seu poder. Aécio era o homem mais limpo da república, impoluto e impetuoso nas denúncias contra a corrupção. Ainda não era conhecido pela alcunha da lista da Odebrecht, Mineirinho, nem tinha os seis pedidos de investigação que, hoje, com a lista da Janot, é a sua paga pelos serviços prestados no impeachment.

Falando não sobre o destino de A ou B, mas de todos aqueles que achavam que iam ter grande vantagem com a derrubada do governo legitimamente eleito, o blogueiro sentenciava:

Aqueles que pensavam poder brincar com fogo sem se queimar, enganavam-se. Uma vez instalada a crise, todos seriam vítimas dela. Feitas essas considerações prévias, o autor posta então uma frase relativamente infeliz, que até se compreende pelo grau de polarização em junho de 2015,  mas que, nem de longe, traz algum vestígio do que dele quiseram extrair: ameaça à vida de Sérgio Moro. Diz ele:



É evidente, pelo que veio antes, que as palavras  “vão custar seu emprego, sua vida” não se referem a Sérgio Moro. Elas se referem ao sujeito anteriormente mencionado: “cada brasileiro”, isto é, cada brasileiro que torceu pela derrocada petista se arrisca a pagar com seu emprego, sua vida.
Não há dúvida de que o “vai custar seu emprego, sua vida” não se dirige a Sérgio Moro. Juízes no Brasil não perdem o emprego. Mesmo os acusados de crimes graves, são, no máximo, aposentados. Então, seria descabido ver aqui uma ameaça ao juiz. Está claro que a menção se refere ao sujeito referido na frase anterior.
Mas então, o processo todo se baseia numa mentira? Sim e não. Sim, quanto ao fato, não há dúvida, nunca o blogueiro disse ou pensou em ameaçar Sérgio Moro nem ninguém. Isso está fora de qualquer dúvida razoável.
Mas também é verdade que no Brasil hoje a “verdade” e a “realidade” passam por uma conexão mídia-poder. É a conexão de mídia e poder executivo que torna, por exemplo, “real” a necessidade de uma “reforma da previdência”.
Foi a conexão mídia-poder-empresariado que tornou “real” o crime de responsabilidade de Dilma e, portanto,  a “legitimidade” do impeachment.
Foi a conexão mídia e PF que acabou de destruir as exportações brasileiras de carnes, reduzindo as vendas de US$ 60 milhões diários, que vinha sendo a média em março, para pouco mais de 1% desse valor, ontem, terça-feira – apenas  US$ 74 mil.
Tudo isso devemos à inteligente e produtiva aliança de mídia e poder. Muito se agradecerá a ela no futuro.
É a mesma a conexão por trás do caso da “ameaça” de Eduardo Guimarães a Sérgio Moro. Basta ver a sua certidão de nascimento. Observem.
Logo após a publicação do artigo em 2015, um blogueiro da Veja, exatamente como ocorre em todo período em que uma inquisição é posta à serviço do poder, teve uma visão inspirada:



Esta foi a primeira peça da conexão. Em seguida, uma associação de juízes de Curitiba representou contra Guimarães sintonizados nesta inspiração.
Enfim, feita a conjunção Mídia-Poder, instaurou-se uma “verdade”. Não importa que ela não tenha nenhuma veracidade e facilmente se deixe desmentir pela leitura das “provas”. O importante é que “verdade”, numa conjuntura de golpe, passa a ser o que a conexão de mídia e poder dita. Vivemos uma ditadura da comunicação. E, em toda ditadura, se busca perseguir e intimidar os comunicadores através da censura e do medo.
É exatamente essa conexão de Mídia e Poder Judiciário, que torna hoje “verdade” as seis denúncias que os ministérios públicos (Curitiba, Brasília e São Paulo) levantaram contra Lula. Dizer, como disse no dia 12, o procurador Dallagnol que Lula irá a julgamento em breve e poderá ser “condenado ou absolvido” é pura comédia. Nessa conexão Mídia-Poder Judiciário o “julgamento” começa quando o “crime” é vazado e, o primeiro ato desse julgamento, é a condenação. A condenação de Lula já está escrita há muito tempo. Desfazer essa escrita, é o que se espera da mobilização de uma mídia democrática.
Esse é o motivo por que Moro antecipou o depoimento de Eduardo Guimarães no processo do “vazamento”. Se trata de intimidar e calar a mídia que pode desfazer a “verdade” da conexão Mídia-Justiça. Ou seja, esse movimento de ataque à mídia alternativa é uma preparação para a prisão de Lula. Lembremos que, segundo Dallagnol, a sentença sairá até meados desse ano. Portanto, em muito pouco tempo.
É por isso que é tão importante a existência do contra-discurso da mídia alternativa. Não se trata apenas de “outras narrativas”, mas sobretudo de um outro princípio de verdade, fundado na sociedade e no valor da comunicação isenta de violência para a democracia. Baseada, portanto, numa esfera pública que repudia a repressão e a imposição de uma lógica exterior à verdade.
Esse é o princípio de democracia. E é por ser uma figura de destaque nesse ambiente, em que a verdade não se baseia nem na língua de trapo dos caluniadores  nem no vil metal do poder, que Eduardo Guimarães está sendo perseguido.

POLÍTICA - Friboi, BRF e a ética do livre-mercado.

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Do Outras Palavras
Friboi, BRF e a “ética” do livre-mercado
No século XIX, velho barbudo já dizia: quem não se opõe à acumulação desenfreada do capitalismo não tem qualquer autoridade para criticar o escândalo das carnes
No capítulo de O Capital sobre a jornada de trabalho, Marx trata da adulteração do pão revelada pelo relatório do comitê da Câmara dos Comuns elaborado nos anos de 1855 e 1856 em Londres. Muito embora tenha reconhecido a irregularidade na produção de pães, o comitê, tratando com a “mais terna delicadeza o free trader que compra e vende mercadorias adulteradas to turn an honest penny (para ganhar um centavo honesto)”, concluiu que o livre-comércio abrangeria também o direito de comercializar produtos falsificados, levando o pensador alemão a tecer críticas mais do que pertinentes à incrível condescendência das instituições inglesas: “o inglês, tão apegado à Bíblia, sabia que o homem, quando não se torna capitalista, proprietário rural ou sinecurista pela Graça Divina, é vocacionado a comer seu pão com o suor de seu rosto, mas ele não sabia que esse homem, em seu pão diário, tinha de comer certa quantidade de suor humano, misturada com supurações de abscessos, teias de aranha, baratas mortas e fermento podre alemão, além de alune, arenito e outros agradáveis ingredientes minerais”1.
Ainda no mesmo capítulo, Marx simula um ultimato de um trabalhador que exige um pagamento justo pela sua força de trabalho além de uma jornada de trabalho correspondente com a dignidade humana, queixa que faz ao burguês “sem nenhum apelo a teu coração, pois em assuntos de dinheiro cessa a benevolência”. Denunciando a separação da narrativa do capital com as idiossincrasias de quem o maneja, prossegue: “podes muito bem ser um cidadão exemplar, até mesmo membro da Sociedade para a Abolição dos Maus-Tratos dos Animais, e viver em odor de santidade, mas o que representas diante de mim é algo em cujo peito não bate um coração”2.
A lição possível de extrair destes trechos é de que o capital, em suas mais diversas expressões, é uma força impessoal, vulcânica e alheia à moral particular de quem detém os meios de produção — pessoas que, em sua condição de capitalistas, correspondem apenas ao capital personificado. Sua alma, assim, é a alma do capital, que tem um único impulso vital: o impulso de se autovalorizar, de criar mais-valor e, como um vampiro, viver apenas da sucção do trabalho vivo, vivendo conforme mais trabalho vivo é capaz de sugar3.
Para sobreviver em um ambiente de concorrência, o capitalista é obrigado a se despir de seus valores morais particulares e abraçar a ética do livre-mercado, atuando impulsivamente no sentido de adotar o maior número possível de subterfúgios para diminuir os custos da produção e aumentar seu excedente de lucro sob o risco de ser engolido por seus concorrentes. O fato de tais subterfúgios serem lícitos ou ilícitos é apenas um detalhe.
Assim, não são novidades as notícias recentes envolvendo as duas gigantes nacionais no ramo do comércio de carnes, JBS e BRF, acusadas de adulterar seus produtos e colocá-los no mercado em condições completamente impróprias para o consumo, incluindo a disposição de carne apodrecida com injeções de ácido ascórbico e recheada de papelão.
O escândalo serviu para desmistificar de vez dois pontos defendidos de forma entusiástica pela apologética do livre-mercado: o primeiro, relacionado à livre-iniciativa, consolida-se enquanto quimera diante do fato de que as condutas são atribuídas a duas marcas que formam um oligopólio responsável pela brutal maioria dos produtos dispostos nas prateleiras dos supermercados (a BRF, por exemplo, detém a Sadia e a Perdigão, enquanto a JBS é dona da Friboi, Seara e a da Big Frango, além de uma série de incontáveis mercadorias de diferentes estampas produzidas por estes conglomerados); o segundo ponto, por sua vez, diz respeito à própria liberdade de consumo e da consciência do risco que se corre ao consumir determinados produtos. Por força do Código de Defesa do Consumidor, em boa parte dos casos temos acesso a informações suficientes de que a ingestão de determinados alimentos pode nos causar problemas de saúde, a exemplo dos refrigerantes, transgênicos e demais mercadorias em cujo rótulo constam seus ingredientes, químicos e estabilizantes. No caso em análise, os conglomerados em questão não só sonegaram o risco à saúde que suas mercadorias adulteradas podem causar aos consumidores como elevaram ilícita e exponencialmente este risco, em uma clara relação de causa e efeito em prol unicamente do pináculo do modo de produção capitalista que é a acumulação predatória a qualquer custo.
Assim, para que vendam mais e engordem suas margens de lucro, acabam por demolir de vez os pilares do liberalismo neoclássico que são a livre concorrência e a liberdade de escolha, em mais um exemplo da clássica contradição entre as forças produtivas – também apontada por Marx – por meio da qual se evidencia que o modo de produção capitalista é incapaz de concretizar os próprios princípios nos quais se funda.
Abundam contradições nesse sentido. O fato de produzirmos alimentos suficientes para alimentar a população do planeta ao passo que quase um bilhão de pessoas ainda padecem de fome4 é uma das mais categóricas provas de que, estando a produção alimentícia encarcerada pela dinâmica da acumulação e da propriedade privada, gêneros alimentícios jamais serão produzidos com a principal finalidade de saciar a fome das pessoas, mas sim para contemplar os interesses da meia dúzia de entidades que dominam o mercado mundial de produção de alimentos. O fato de não serem encontrados recursos para resolver problemas como o da fome enquanto trilhões de dólares em recursos públicos foram disponibilizados da noite para o dia para salvar especuladores e agentes do sistema financeiro internacional responsáveis pela crise de 2008 dá a dimensão de que o problema jamais foi a insuficiência de recursos, mas sim as formas de sua canalização e a ausência de maneiras de organização social que permita aos cidadãos e cidadãs a apropriação democrática dos recursos e resultados econômicos.
Nessa perspectiva, quem não está disposto a se posicionar de forma contrária à ética predatória de acumulação desenfreada do capitalismo e sua tendência natural à formação de monopólios e oligopólios não possui qualquer autoridade para criticar o escândalo das carnes. Da mesma maneira, também não possui quaisquer condições de sair em defesa da liberdade promovida pela apologia vulgar do livre-mercado — mesmo a liberdade de consumir nos próprios termos e premissas dos códigos mercantis que costumam condicionar e confundir o exercício da liberdade ao ato de comprar, gerando um exército de consumidores falhos que, segundo Bauman, pagam o preço amargo da confusão entre cidadania e consumo promovida pelo capitalismo pós-moderno.
Enquanto permanecer existindo a contradição das forças produtivas referente à produção e à distribuição de alimentos, gigantes do agronegócio como a BRF e a JBS – conhecidas violadoras de direitos ambientais, trabalhistas e responsáveis por conflitos no campo envolvendo comunidades indígenas e ribeirinhas – continuarão existindo e, sobretudo, produzindo veneno em forma de comida, coroando um sistema plenamente disfuncional e hostil a qualquer prospecção emancipatória da humanidade.
1 O Capital, Livro I. Boitempo Editorial, 2014, páginas 322 e 323.
2 Idem, página 308.
3 Idem, página 307.
Gustavo Henrique Freire Barbosa é advogado e professor substituto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

POLÍTICA - O rei do Brasil.


Moro, o rei do Brasil. Por Juremir Machado da Silva

reizinho1
Do jornalista e escritor Juremir Machado da Silva, hoje, no Correio do Povo, de Porto Alegre:
O juiz Sérgio Moro saiu do nada para a glória em tempo recorde.
Desenvolto, ele não se constrange em ampliar todos os dias o seu alcance.
Ao que tudo indica, vaza ou faz vazar informações quando acha necessário.
A Lava Jato é uma associação entre ele, a Polícia Federal e o Ministério Público.
Não deveria haver distanciamento entre quem investiga e quem julga?
Moro parece fechado numa parceria com a Rede Globo.
Manda conduzir coercitivamente sem antes intimar ou convocar para depoimento.
Ao que consta vazou o famoso áudio da conversa entre Lula e Dilma que derrubou a presidente.
Incansável e original, Moro acaba de se arrogar uma nova atribuição: definir quem é jornalista.
Mandou prender o blogueiro Eduardo Guimarães, que antecipou há um ano a condução coercitiva de Lula, totalmente arbitrária, para extrair-lhe a fonte dessa informação. Criticado por atentar contra o direito de preservação da fonte, expediu nota dizendo que Guimarães é blogueiro, mas não jornalista.
Moro vai mandar conduzir coercitivamente William Bonner, o leitor de notícias do Jornal Nacional, por difundir informações vazadas todos os dias diretamente das instâncias de investigação?
Vai mandar conduzir coercitivamente o Procurador-Geral da República, o  contraditório Rodrigo Janot, que, segundo a ombudsman da Folha de S. Paulo, organizou um monstrengo chamado “coletiva em off” para vazar seletivamente sua lista de nomes a investigar com autorização do Supremo Tribunal Federal?
No popular, Moro tá se achando.
Tudo nele anda com cara de exceção.
Moro não precisa ser presidente da República.
Já é o rei do Brasil.

terça-feira, 21 de março de 2017

EUA ameaçam Coreia Popular e elevam a tensão na Península Coreana - Portal Vermelho

EUA ameaçam Coreia Popular e elevam a tensão na Península Coreana - Portal Vermelho: Nesta sexta-feira (17) o secretário de estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, ameaçou diretamente a República Popular Democrática da Coreia. Segundo Tillerson, um ataque militar contra o país é uma opção “que está na mesa”.

Por Wevergton Brito Lima*

EUA ameaçam Coreia Popular e elevam a tensão na Península Coreana - Portal Vermelho

EUA ameaçam Coreia Popular e elevam a tensão na Península Coreana - Portal Vermelho: Nesta sexta-feira (17) o secretário de estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, ameaçou diretamente a República Popular Democrática da Coreia. Segundo Tillerson, um ataque militar contra o país é uma opção “que está na mesa”.

Por Wevergton Brito Lima*

POLÍTICA - Olha quem está usando o bordão da ditadura.

Paraná 247 – O juiz Sergio Moro, que conduz a Operação Lava Jato, não quis se explicar sobre o porquê de ter quebrado o sigilo da fonte do jornalista Eduardo Guimarães, que edita o Blog da Cidadania, um dos principais sites de esquerda do País.
Questionado pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, sobre a violação de uma garantia constitucional, que garante a todos os profissionais da imprensa o sigilo da fonte, Moro se limitou a reproduzir o bordão de Armando Falcão durante a ditadura militar: "sem comentários" (saiba mais aqui).
Moro não apenas determinou a condução coercitiva de Guimarães, como apreendeu seus instrumentos de trabalho: um celular e um computador. Com isso, na prática, o sigilo da fonte já foi quebrado.
O ato do juiz paranaense foi considerado arbitrário pela Federação Nacional dos Jornalistas (leia aqui) e pela presidente eleita – e deposta pelo golpe – Dilma Rousseff (leia aqui), assim como pelo Conjur, maior portal jurídico do País (leia aqui).
Moro alega que Eduardo Guimarães não é jornalista, mas essa questão já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, que garantiu o exercício da profissão a qualquer cidadão. Vale lembrar que assim como Eduardo Guimarães, Roberto Marinho, da Globo, e Otávio Frias, da Folha, foram donos de meios de comunicação sem terem diplomas de jornalista.
A atitude desta terça-feira de Moro foi criticada por jornalistas de diversas tendências ideológicas, como Luis Nassif, Ricardo Noblat, Kennedy Alencar, Paulo Nogueira, Renato Rovai e Glenn Greenwald, entre outros.
Noblat disse que Moro deve explicações. Kennedy lembrou que a força-tarefa da Lava Jato é especialista em vazamentos. Greenwald lembrou que a democracia não mais existe quando jornalistas são presos.
Nassif foi quem fez a crítica mais acentuada. "Sua atitude, agora, mostra um sujeito desequilibrado, utilizando o pesadíssimo poder conferido pelo apoio da mídia e de Ministros descompromissados com direitos civis, para exercer o arbítrio em causa própria", afirmou (leia aqui).

POLÍTICA - Não sabem lidar com o monstro que criaram.

A pusilanimidade da mídia no caso Eduardo Guimarães




Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

O sequestro, ordenado por Sérgio Moro, do blogueiro de esquerda Eduardo Guimarães, para prestar depoimento forçado, hoje pela manhã, seria a oportunidade perfeita para mais uma leva de manchetes garrafais na imprensa corporativa detonando a blogosfera progressista. Algo como “Blogueiro ligado ao PT é conduzido coercitivamente pela PF” já completaria a cota diária de sangue exigida pelos sedentos zumbis midiáticos.
Pois monitorei os sites do Globo, da Folha e do Estadão durante o dia e, até agora, nada de manchetes. Os blogs progressistas e as redes sociais ferviam desde cedo, e nada aparecia nos sites da velha mídia. Muitas horas depois do fato, a Folha foi a primeira a dar a notícia, com uma manchete pequena na parte de baixo do site. Agora o Estadão também apresenta uma matéria sobre o assunto. O Globo continua fingindo que nada aconteceu.
Por que esta postura? A resposta é simples: pusilanimidade.
Eduardo está sendo investigado porque divulgou um vazamento sobre a condução coercitiva de Lula, em março do ano passado. Como a mídia vai tripudiar em cima do blogueiro, se seu noticiário é quase totalmente pautado por vazamentos oriundos da PF e do MP? Ficaria escancarado demais o partidarismo explícito e absurdo de Moro e seus comparsas.
Vazamentos seletivos para a grande mídia ocorrem desde 2014, pautando a política nacional, e quando um modesto blogueiro de esquerda vaza alguma coisa a máquina judicial volta todo o seu autoritarismo fora da lei contra ele. Não há o mínimo pudor em disfarçar a perseguição ideológica, típica de ditaduras.
A postura de veículos de imprensa verdadeiramente democráticos seria, obviamente, condenar veementemente o desrespeito à Constituição, que protege o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional, não só o da profissão de jornalista (Moro alegou que Eduardo não é jornalista, mas o STF decidiu há anos que não é necessário diploma para exercer a profissão).
Claro que o monopólio midiático também não pode fazer isso. Alimentou o ego de um juiz que usa o autoritarismo como método, além de uma horda de zumbis que aplaudem qualquer porcaria vinda de Curitiba. Criticar a condução coercitiva de um blogueiro de esquerda certamente irritaria profundamente o público fascistoide cultivado pelos aprendizes de feiticeiro.
Ficamos assim, portanto.
A grande mídia não pode usar o sequestro de Eduardo Guimarães para detonar a esquerda porque ele é investigado por algo que a própria grande mídia pratica diuturnamente desde 2014 sem provocar rigorosamente nenhuma reação dos paladinos da moral da Lava Jato.
Também não pode defender a liberdade de imprensa porque será impiedosamente atacada pela horda de adoradores de Sérgio Moro que ela mesma criou.
Resta dar a notícia (ou nem dar) sem aprofundar muito, de forma envergonhada. Não sabem como lidar com o monstro que criaram.
A velha imprensa é pusilânime.

Moro decide quem é e quem não é jornalista

Altamiro Borges: A 'carne fraca' da Polícia Federal

Altamiro Borges: A 'carne fraca' da Polícia Federal

POLÍTICA - Quem tem medo de artista?

Wagner Moura: não é aos artistas que Temer deve temer

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O artigo de Wagner Moura, na Folha, sobre o ataque que sofreu do Palácio do Planalto.

Quem tem medo de artista?

Artistas são seres políticos. Pergunte aos gregos, a Shakespeare, a Brecht, a Ibsen, a Shaw e companhia -todos lhe dirão para não estranhar a participação de artistas na política.
A natureza da arte é política pura. Numa democracia saudável, artistas são parte fundamental de qualquer debate. No Brasil de Michel Temer, são considerados vagabundos, vendidos, hipócritas, desprezíveis ladrões da Lei Rouanet.
Diante de tamanha estupidez, fico pensando: por que esses caras têm tanto medo de artistas, a ponto de ainda precisarem desqualificá-los dessa maneira?
Faz um tempo, dei muita risada ao ver uma dessas pessoas, que se referia com agressividade a um texto meu, dizer que todo bom ator é sempre burro, pois sendo muito consciente de si próprio ele não conseguiria “entrar no personagem”.
Talvez essa extraordinária tese se aplicasse bem a Ronald Reagan, rematado canastrão e deus maior da direita “let’s make it great again”. De minha parte, digo que algumas das pessoas mais brilhantes que conheci são artistas.
Esse medo manifestado pelo status quo já fez com que, ao longo da história, artistas fossem censurados, torturados e assassinados. Os gulags de Stálin estavam cheios de artistas; o macarthismo em Hollywood também destruiu a vida de muitos outros. A galera incomoda.
Uma apresentadora de TV fez recentemente sua própria lista de atores a serem proscritos. Usou uma frase atribuída a Kevin Spacey, possivelmente dita no contexto de seu papel de presidente dos EUA na série “House of Cards”.
A frase era a seguinte: “a opinião de um artista não vale merda nenhuma”. Certo. Vale a opinião de quem mesmo? Invariavelmente essas pessoas utilizam o chamado argumento “ad hominem” para desqualificar os que discordam de suas opiniões.
É a clássica falácia sofista: eu não consigo destruir o que você pensa, portanto tento destruir você pessoalmente. Um estratagema ignóbil, mas muito eficaz, de fácil impacto retórico. Mais triste ainda tem sido ver a criminalização da cultura e de seus mecanismos de fomento, cruciais para o desenvolvimento do país.
Aliás, todos os projetos sérios de Brasil partiram de uma perspectiva histórico-cultural, como os de Darcy Ribeiro, Caio Prado Jr., Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.
Ver o ministro da Cultura dando um ataque diante do discurso de Raduan Nassar só faz pensar que há algo mesmo de podre no castelo do conde Drácula. Mesmo acostumado a esse tipo de hostilidade, causou-me espanto saber que o ataque, na semana passada, partiu de uma peça publicitária oficial da Republica Federativa do Brasil.
Sempre estive em sintonia com a causa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto); fiz com eles um vídeo que tentava explicitar o absurdo dessa proposta de reforma da Previdência.
O governo ficou incomodado e lançou outro vídeo, feito com dinheiro público, no qual me chama de mentiroso e diz que eu fui “contratado” -ou seja, que recebi dinheiro dos sem-teto brasileiros para dar minha opinião.
O vídeo é tão sem noção que acabou suspenso, assim como toda a campanha publicitária do governo em defesa da reforma da Previdência, pela Justiça do Rio Grande do Sul.
Um governo atacar com mentiras um artista, em propaganda oficial, é, até onde sei, inédito na história, considerando inclusive o período da ditadura militar.
Mas o melhor é o seguinte: o vídeo do presidente não conseguiu desmontar nenhum dos pontos levantados pelo MTST.
O ex-senador José Aníbal (PSDB) escreveu artigo em que me chama de fanfarrão e diz que a reforma só quer “combater privilégios”. Devo entender, então, que o senhor e demais políticos serão também atingidos pela reforma e abrirão mão de seus muitos privilégios em prol desse combate? E o fanfarrão ainda sou eu?
Se o governo enfrentasse a sonegação das empresas, as isenções tributárias descabidas e não fosse vassalo dos credores da dívida pública, poderíamos discutir melhor o que alardeiam como rombo da Previdência.
Mas eles não querem discutir nada, nem mesmo as mudanças demográficas, um debate válido. O governo quer é votar logo a reforma, acalmar os credores, passar a conta para o trabalhador e partir para a reforma trabalhista antes que o povo se dê conta.
Tenho uma má notícia: no último dia 15, havia mais de um milhão de pessoas nas ruas do país. Parece que não é só dos artistas que eles deverão ter medo.

POLÍTICA - Gilmar disse o óbvio. Por que não disse antes.


Gilmar reclama de vazamento da lista. Tem camburão pra jornalista revelar fonte?

jaula
Tomara que o Ministro Gilmar Mendes não use os mesmos métodos que o juiz Sérgio Moro usou com Eduardo Guimarães, senão vai precisar de uma megaoperação da Polícia Federal para carregar os coleguinhas todos para serem “obrigados a revelar a fonte” de onde partiram as informações sob a lista de inquéritos pedidos pelo Procurador Geral Rodrigo Janot a partir dos depoimentos de executivos da Odebrecht.
Diz o Valor que o “big boss” do STF exigiu que a PGR preste “explicações ao Supremo sobre os fatos, que considerou criminosos”. Gilmar valeu-se da coluna da ombudsman da Folha, Paula Cesarino Costa onde se relata que representantes do Ministério Público Federal se reuniram com jornalistas para repassar informações sigilosas numa espécie de “entrevista coletiva em off”, “com a garantia de que as fontes das informações não seriam identificadas nas reportagens”.
“Parece ser regra, e não exceção, vazar coisas em sigilo. É uma caça de escândalo, uma vocação para a espetacularização. A imprensa dá pouca relevância ao fato de que, quando praticado por funcionário público, vazamento é conhecido como crime. Mais grave ainda é esta prática ocorrer dentro da estrutura da PGR ­ isso é constrangedor”, afirmou o ministro. Gilmar disse, ainda, que os servidores que promoveram o encontro “em off” com repórteres cometeram “abuso de poder” e “não são dignos de ocupar cargos públicos, porque foram irresponsáveis”. O vazamento, para o ministro, “desmoraliza” o Supremo.
Quando a subprocuradora Ela Wiecko, presente à reunião da 2a. Turma do STF onde o comentário foi feito,  tentou argumentar que “a mídia faz investigação, sim, e tem acesso, não sei como, a muitas informações, estabelecendo o momento em que colocam essas notícias a público”, Gilmar ironizou:
“Não vou acreditar que a mídia teve acesso a partir de sessões espíritas”.
Uma Justiça que depende de Gilmar Mendes para dizer o óbvio e pedir o respeito à lei está mesmo mal, muito mal.

POLÍTICA - A hipocrisia por trás da condução coercitiva do Edu Guimarães.

Procuradores da Lava Jato fizeram uma coletiva de imprensa "em off" para "passar alguns nomes" de políticos que estão na chamada Lista de Janot 2.0. Alguém saiu correndo para investigar a "violação de sigilo funcional" nesse caso?

Jornal GGN - É no mínimo curiosa a leitura que Sergio Moro fez acerca da profissão de Eduardo Guimarães, que há 10 anos comanda o Blog da Cidadania, para justificar a condução coercitiva e apreensão de seus materiais de trabalho, nesta terça (21).
Moro, que entregou à Rede Globo o grampo irregular em que Lula e Dilma aparecem conversando sobre cargo na Casa Civil, agora quer saber quem foi que vazou para Eduardo Guimarães a informação sigilosa de que o Instituto Lula seria alvo de busca e apreensão e o próprio ex-presidente, de condução coercitiva, tudo no âmbito da Lava Jato.
Para arrancar detalhes de Guimarães, Moro alegou que ele não tem direito ao sigilo da fonte porque não é jornalista de formação, contrariando entendimentos estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal em sentido contrário - a Corte praticamente descartou a necessidade de diploma de Jornalismo no Brasil.
Mais curiosa - ou hipócrita, a critério do leitor - que a visão de Moro sobre jornalismo, liberdade de imprensa e sigilo da fonte, só o trecho de seu despacho que explica o contexto da investigação em que Guimarães foi inserido.
O blogueiro prestou esclarecimentos em inquérito que apura “violação de sigilo funcional”, ou seja, um crime praticado por quem exerce função com obrigação de sigilo, caso de policiais federais, procuradores da República e juízes. Não se aplica a profissionais de imprensa.
É curioso porque, de todos os vazamentos promovidos seletivamente ao longo dos três anos de Lava Jato, esta deve ser a primeira vez que se tem notícia de que encontraram o responsável por um vazamento. Arrancado de seu apartamento em São Paulo às seis da manhã, Guimarães, liberado da Superintendência da Polícia Federal por volta das 11h30, revelou que a Lava Jato já descobriu a identidade de sua fonte. 
Cabe a pergunta: por que não houve o mesmo empenho em detectar o responsável, por exemplo, pelo vazamento de supostos trechos da delação da OAS? Após o nome de Dias Toffoli ser arrastado para o olho do furacão, o procurador-geral da República Rodrigo Janot suspendeu as negociações e pôs a culpa do vazamento em Léo Pinheiro. Sem nenhuma apuração que apontasse outra hipótese, como a de que o vazamento pudesse ter as digitais de membros da força-tarefa.
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Ainda hoje percorre portais de notícia a informação de que procuradores da Lava Jato fizeram uma coletiva de imprensa "em off" para "passar alguns nomes" de políticos que estão na chamada Lista de Janot 2.0 aos jornalistas amigos. Alguém saiu correndo para investigar a "violação de sigilo funcional" nesse caso?
Além do grampo presidencial, Sergio Moro protagoniza outro episódio de vazamento, este denunciado pela defesa de Lula ao Conselho Nacional de Justiça. O juiz teria vazado ou deixado vazar documentos relacionados a um processo em que o ex-presidente é parte em Brasília, envolvendo delegado da Lava Jato. Não teria a 13ª Vara Federal de Curitiba a obrigação de evitar esse tipo de ocorrência?
Por sua conduta acima de tudo e de todos, Moro foi alvo de uma série de críticas veiculadas no Blog da Cidadania. Guimarães é alvo de investigação por supostamente ter ameaçado o juiz e, este, no mínimo, deveria se declarar suspeito para arbitrar qualquer ação envolvendo o blogueiro, apontou a defesa.
Deputados trataram a condução de Guimarães como uma tentativa de intimidar jornalistas e blogueiros que denunciam erros e abusos da Lava Jato. A ex-presidente Dilma Rousseff emitiu nota em solidariedade denunciando o atentado à liberdade de imprensa. Mais um passo rumo à censura, ao Estado de Exceção.

POLÍTICA - Moro atravessa o Rubicão.


Com o caso Eduardo Guimarães, Moro atravessa o Rubicão


Com o caso Eduardo Guimarães, Moro atravessa o Rubicão
Vamos entender porque, para efeito da Lava Jato, o caso Eduardo Guimarães torna-se um divisor de águas – da mesma maneira que o episódio da condução coercitiva de Lula.
O episódio Lula, mais a vazamento dos grampos de Lula e Dilma, afastou de vez a presunção de isenção da Lava Jato e mostrou seu alinhamento com o golpe de Estado em curso.
A condução coercitiva de Eduardo Guimarães expõe de forma inédita o uso do poder pessoal arbitrário de Moro para retaliar adversários. Não se trata mais de luta política, ideológica, de invocar as supinas virtudes da luta contra a corrupção para se blindar: da parte de Sérgio Moro, a operação atende a um desejo pessoal de vingança.

Peça 1 – as pinimbas de Guimarães com Moro

Com seu Blog Cidadania, Eduardo é um crítico implacável da Lava Jato. E autor de uma representação contra Sérgio Moro junto ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Em represália, Moro entrou com uma ação contra Edu, baseada em uma frase mal construída. Na frase, Edu diz (para o leitor) que as ações da Lava Jato irão ameaçar “seu emprego e sua vida”, referindo-se ao emprego e vida do leitor.
Um Blog de ultradireita da Veja interpretou que “seu emprego e sua vida” referia-se a Moro. Cada vez mais ligado às milícias da  ultradireita, Moro aproveitou a deixa para processar Edu.
O Tweet remetia para um artigo onde Edu praticava seu esporte predileto: brigar com outros grupos de esquerda (https://goo.gl/UvpKWo), e mostrar a situação de caos na economia, na qual seriam destruídas o emprego e a vida das pessoas.
Moro tropelou completamente a lei, que diz que um juiz não pode julgar um adversário.

Peça 2 – PF x MPF

A gestão vacilante do delegado geral da PF, Leandro Daiello, deflagrou uma guerra de facções dentro da PF, consolidada em diversos inquéritos abertos, de lado a lado, visando identificar irregularidades.
Um dos inquéritos investiga membros da Lava Jato, pela colocação de escuta ilegal na cela do doleiro  Alberto Yousseff.
Outra, procura identificar os autores de um suposto dossiê contra a Lava Jato, cuja existência teria sido denunciada pela Veja, nos tempos do jornalismo escabroso do diretor Eurípides Alcântara – em uma capa em que mostrava Lula como uma jararaca.
Fui intimado pela PF a prestar depoimento nesse inquérito através de carta precatória – já que o inquérito corria em Brasília Ressalto que fui tratado com toda a fidalguia. Antes de receber a intimação, telefonaram de Brasília dizendo que não era nada contra mim.
Compareci no dia marcado e fui informado do teor do dossiê, sobre o reino da família Arns em Curitiba. Mostrava a influência do ex-senador Flávio Arns na APAE (Associação de Pais e Amigos de Excepcionais) do Paraná. Depois, a maneira como seu sobrinho Marlus Arns, metido em várias jogadas políticas no Estado,  tornou-se titular de praticamente todas as ações das APAEs do estado na vara de Curitiba. A diretora jurídica era a esposa de Sérgio Moro. E Marlus tem um irmão dono de um curso de direito à distância, tendo como professores procuradores e delegados da Lava Jato. Finalmente, com a saída de Beatriz Catta Preta, Marlus assumiu diversos clientes do milionário mercado de delação premiada.
Poderia ter lançado dúvidas sobre a contabilidade desse curso à distância, mas me ative às informações que consegui coletar na Internet, no Tribunal de Justiça de Curitiba e no site da Secretaria de Educação do Estado.
Informei os delegados que conhecia o conteúdo do material, mas que não recebera de ninguém pela relevante razão de ter sido o autor da matéria original. O tal dossiê era meramente uma cópia de um post antigo do Blog.
A ação contra Edu também se insere nesse quadro de disputas internas da PF.

Peça 3 – MPF x PF

Há uma pesada disputa entre a PF e o Ministério Público Federal pelo protagonismo da Lava Jato.
Ontem, durante congresso da categoria em Florianópolis, o presidente da Associação Nacional dos Delegados da PF, Carlos Eduardo Sobral, foi objetivo em conversa com jornalistas (https://goo.gl/BtV4TA). Disse que o MPF assumiu o protagonismo da Lava Jato devido à estratégia de publicidade e o apoio institucional para as investigações, incluindo recursos fartos. Sobral admitiu que o país enfrenta um “cabo de guerra institucional”. E se queixou de que a sociedade vê a PF como mera cumpridora de mandatos.
Completou dizendo que “não queremos nos transformar em quarto ou quinto poder. Não buscamos a falta de controle. Não buscamos o arbítrio ou abuso. Buscamos simplesmente a capacidade de continuar realizando combate ao crime organizado e à corrupção”.

Peça 4 – o caso Eduardo Guimarães

É por aí que se insere o caso Eduardo Guimarães.
Ele foi convocado para depor no inquérito que apura o vazamento da condução coercitiva de Lula. Tinha data marcada para depor.
Hoje de manhã, a PF invadiu sua casa, intimidou ele e sua esposa, levou celulares e computadores, sem nenhuma necessidade. Aparentemente já sabiam quem havia vazado a informação.
Reforça a suspeita de que a autorização dada por Moro, além de arbitrária, serviu aos propósitos de revanche contra um cidadão que o denunciou ao CNJ e está sendo processado pelo próprio Moro.
Mais, a Constituição assegura sigilo de fonte. Quando questionado pelo dpeutado Paulo Teixeira no Congresso, a alegação de Moro foi a de que Eduardo não é jornalista.
Recentemente, o decano do STF, Celso de Mello, considerou o sigilo de fonte como direito da sociedade, não de jornalistas. Além disso, ao não reconhecer mais o diploma de jornalista como pré-condição para a prática da profissão, o STF acabou com a classificação restrita de jornalista.

Peça 5 – as consequências

Agora se chega no busílis da questão.
Eduardo foi efetivamente feito prisioneiro, ainda que por algumas horas. Chegando à PF, foi interrogado por delegados sem a presença de um advogado.
Sua casa, seu lar, foi conspurcado com a invasão da PF. Tanto a ação movida por Moro, quanto a operação atual, são juridicamente insustentáveis. Mas Moro conseguiu se valer de seu poder de juiz para cometer uma arbitrariedade, com o agravante de agir de forma triplamente ilegal: decretar a condução coercitiva de quem não se negou a depor; obrigar uma pessoa a abrir mão de seu sigilo de fonte e agir contra uma pessoa com quem mantem uma disputa jurídica.
Depois de sofrer ataques da direita, o Ministro Luís Roberto Barroso resolveu se blindar: tornou-se o principal avalista do Estado de exceção de Curitiba, alegando que a Lava Jato enfrenta um quadro de exceção. Caminha para se tornar o Ministro símbolo do MBL e congêneres, assim como Moro e os procuradores da Lava Jato.
Irá se pronunciar agora? A prisão e humilhação de um cidadão brasileiro, a invasão injustificada de seu lar, não obedeceu sequer à real politik da Lava Jato. Foi um ato de vingança pessoal, que atropela normas fundamentais de direitos civis.
Moro se comportou como um imperador, acima das leis, porque, no episódio do vazamento dos grampos, foi tratado acima das leis.
Sua atitude, agora, mostra um sujeito desequilibrado, utilizando o pesadíssimo poder conferido pelo apoio da mídia e de Ministros descompromissados com direitos civis, para exercer o arbítrio em causa própria.
Se fosse contra um jornalista da Rede Globo, o Ministro Barroso permaneceria calado? Certamente, não. Se fica calado agora, endossa a tese do direito penal do inimigo.
No final, fica-se sabendo que a sombra projetada por Barroso é infinitamente maior do que seu verdadeiro tamanho. Se não for contido agora, se a imprensa se calar – porque a vítima é um adversário – estará em marcha definitivamente a escalada do arbítrio.
O episódio mostra definitivamente que Sergio Moro está em estado de desequilíbrio emocional. Até onde irá, não se sabe.

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Lava jato antecipa um culpado e perdeu a credibilidade.

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segunda-feira, 20 de março de 2017

POLÍTICA - Monteiro uma nova São Borja?

Lula em Monteiro: prende ele, Moro!

Um fulgurante raio de esperança!

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O sol e a água (Crédito: Ricardo Stuckert)
O Conversa Afiada republica texto do professor Dr Durval Muniz de Albuquerque Jr. (PPGH/UFRN e UFPE), por sugestão da Hildegard Angel e do deputado Sílvio Costa:

Em Monteiro, a esperança tomou posse


Num momento de tanto desânimo, em que o país mergulhado no caos econômico e numa enorme crise política motivados por um golpe contra a democracia desfechado pelas forças do atraso e da defesa do status quo, o que se viu hoje na cidade de Monteiro e em todos os lugares por onde Lula e Dilma passaram significa um fulgurante raio de esperança.

Hoje ficou patente que as elites brasileiras jamais conseguiram produzir uma liderança popular como Luís Inácio Lula da Silva, jamais alguém, mesmo Getulio Vargas, conseguiu morar nos corações e na alma do povo como esse homem que veio desse mesmo povo, que é um sobrevivente da seca, da fome, da miséria, das injustiças sociais, do trabalho mal remunerado, da doença, dos efeitos de séculos de domínio do latifúndio, da monocultura, do coronelismo, de uma sociedade de profundas desigualdades sociais. O povo ama Lula, porque ele é a sua própria encarnação, a sua melhor face, é aquele que dentre eles deu certo e não virou as costas para ele, não o esqueceu.
Hoje ficou patente que se Lula já é um mito vivo, se as elites do país tiverem a coragem e o descaramento de o encarcerarem sem ele ter cometido qualquer delito, ele se tornará lenda e as perseguirá enquanto viver e mesmo depois de morto. O que se viu hoje desde a chegada no aeroporto em Campina Grande, ao longo de todo o percurso até Monteiro pela BR-432, completamente colapsada, nas cidades de Serra Branca, Sumé foi o encontro do maior líder popular da história do Brasil, do maior presidente que este país já teve com o seu povo, sem precisar de seguranças, cercas, tapumes, como aquelas que cercaram e protegeram o homúnculo que ocupa ilegitimamente neste momento o Palácio do Planalto, um espécime do tipo que só nossas piores elites é capaz de criar.
Não era apenas a militância petista que estava em Monteiro, ela estava sim, novamente revigorada, ela que andava de cabeça baixa depois da derrota, se encheu novamente de brio e orgulho por tudo o que o PT fez por esse país, só a transposição do São Francisco já coloca o partido, que tentam caluniar e destruir, na história do país, ele que fez bem mais. Não eram apenas os militantes da esquerda que estavam lá.
Sim, eles estavam, de muitos partidos, de muitos estados brasileiros, pois parecem começar a perceber que enquanto a esquerda se dividir a direita imporá ao país sua agenda antipopular e antinacional. Mas quem estava lá, em sua maioria, eram homens e mulheres do povo nordestino, de muitos estados nordestinos e brasileiros, porque apesar de todo o bombardeio da mídia dos patrões, da mídia golpista e oligopolista, o povo sabe a verdade, o povo sentiu em sua vida as mudanças trazidas por 14 anos de governos populares. Não são as acusações levianas, sem provas, não são a ridicularia de um pedalinho e de um apartamento que não é de quem dizem que é que fará o povo esquecer o que aconteceu em suas vidas nesses últimos anos.
Se as pessoas de outras regiões não compreendem o amor dos nordestinos por Lula, visitem a transposição e possa ser que entendam. Quem, como eu, andou léguas atras de agua para beber, quem correu atras de vacas e jumentos durante quilômetros para encontrar uma fonte de agua para que matassem a sede, não pode evitar as lágrimas ao ver aquela água chegando pelos canais ao sertão. Como não amar e ser agradecido ao homem que teve coragem de enfrentar todos os obstáculos, e foram muitos, para que esse quase milagre acontecesse?
Podem dizer o que for, o sertanejo desconfiado ficará calado ouvindo o doutor reacionário, o boizinho de classe media falar mal de Lula, mas lá no intimo Lula e Dilma ficarão para sempre na alma desse povo.
Em Monteiro, uma cidade de 10 mil habitantes, mais de 50 mil pessoas vieram celebrar o retorno da esperança e não foi mais porque a estrada colapsada não permitiu a aproximação. Como em 2003 e 2007, nas posses de Lula, o povo acorreu de todos os lugares, alegres, para uma enorme confraternização, a esperança estava novamente no ar, novamente ela vencia todos os medos. Não havia mais lugar para hospedar ninguém, Lula e Dilma mal conseguiram se aproximar das águas com tanta gente a querer toca-los, abraça-los. O carro que os levava ficou preso sob a multidão. Hoje, em Monteiro a esperança voltou a tomar posse de todos nós que queremos um Brasil mais justo, mais igualitário, mais humano, menos desigual, um Brasil para seu povo, um país que tenham governos que não se vanglorie de serem impopulares e de tomarem medidas impopulares. Podem chamar Lula de populista, quem assim o faz é porque lhes falta o verdadeiro amor e gratidão do povo. Hoje em Monteiro jorrou as águas da esperança e eu me banhei de lágrimas de alegria e de emoção.
Prof. Dr. Durval Muniz de Albuquerque Jr. (PPGH-História/UFRN e UFPE)

Martin Khor: A nova onda de automação e suas consequências - Portal Vermelho

Martin Khor: A nova onda de automação e suas consequências - Portal Vermelho: Como as máquinas poderão substituir seres humanos também no setor de serviços. Os enormes riscos de desigualdade e desumanização. As saídas — entre elas, a renda universal independente de trabalho.

Por Martin Khor, no Outras Palavras

Paulo Moreira Leite : Mélenchon diminui sufoco na eleição francesa - Portal Vermelho

Paulo Moreira Leite : Mélenchon diminui sufoco na eleição francesa - Portal Vermelho: Numa França onde a indiferença do eleitorado diante da eleição para presidente da República atingiu um patamar recorde, o comício de Jean-Luc Mélenchon, na tarde deste sábado (18), em Paris, foi um benvindo apelo à razão.

Por Paulo Moreira Leite *

Lula e Dilma destacam importância da transposição do rio São Francisco - Portal Vermelho

Lula e Dilma destacam importância da transposição do rio São Francisco - Portal Vermelho: Em discurso marcado pelas lembranças da seca na infância e do enfrentamento por meio das políticas de seu governo, o ex-presidente Lula criticou o governo Temer e o chamou para briga pelo voto nas ruas.

domingo, 19 de março de 2017

POLÍTICA -Vão tentar barrar o Lula no tapetão.


247 – O golpe de 2016, que prometia "resgatar a confiança" no Brasil, é um fiasco absoluto. A economia caiu 3,6% no ano passado, continua em recessão em 2017 e Michel Temer, como disse recentemente o ex-presidente Lula, não consegue ser bem recebido nem na Bolívia.
Se isso não bastasse, seu governo tem seis ministros investigados por corrupção, a começar pelo chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, acusado de usar quatro senhas para receber propinas da Odebrecht. Além disso, o PSDB, um dos pilares do golpe, viu seu presidente, senador Aécio Neves (PSDB-MG), ser acusado neste domingo de receber uma propina de R$ 50 milhões – isso mesmo, CINQUENTA MILHÕES DE REAIS – da Odebrecht (leia mais aqui).
Sem voto e sem projeto de País, a não ser leiloar o Brasil na bacia das almas, a direita brasileira se dedica agora a um segundo golpe, que consiste, como disse a presidente eleita Dilma Rousseff, na inabilitação da candidatura presidencial de Lula no tapetão judicial. "Esse segundo golpe é impedir que os candidatos populares sejam colocados à disposição do povo. O Lula é um desses. Vamos nos encontrar com a democracia. É o único jeito da gente lavar a alma do povo", afirmou Dilma (leia aqui).
Para que esse segundo golpe ocorra ocorra, Lula precisa ser condenado em primeira e segunda instância antes da próxima disputa presidencial.
No entanto, esse projeto esbarra num elemento novo: a resistência do povo brasileiro, que viveu, neste domingo, 19 de abril de 2017, um dia histórico, com a inauguração popular da transposição do São Francisco.
A imagem acima, captada pelo fotógrafo Ricardo Stuckert na cidade de Monteiro (PB), revela o que Lula ainda representa para o povo sofrido do Brasil: a esperança de dias melhores, depois de toda a destruição provocada pelo golpe liderado por políticos corruptos contra uma presidente honesta.

POLÍTICA - "Tá tudo dominado!



Quis custodiet ipsos custodes?
Quem vigia os vigilantes?
Como diria o Lenio Streck, isso é incrível, ou melhor, crível.
Pindorama se tornou uma espécie de faroeste sem lei, onde tudo é possível.
A lei de delação premiada já é, por si mesma, uma farsa. Importaram uma lei dos Estados Unidos, esquecendo que, lá, procurador é nomeado e demitido pelo governo.
Entretanto, para cúmulo do absurdo, o Ministério Público e o Judiciário não respeitam a própria Lei da delação premiada, que é torcida e retorcida a seu bel prazer.
E agora mais essa: o procurador geral da república, que deveria ser o modelo de todo o Ministério Público, deu entrevista “em off” para a imprensa golpista e tucana, vazando a sua Listinha.
Foi tudo uma armação entre delinquentes, para controlar a narrativa. E deu certo. A ombusdman da Folha observa que, no dia seguinte ao vazamento, os jornalões vieram todos com a mesma manchete.
Ela esqueceu de dizer que isso não é novidade. É o modus operandi da mídia desde que se iniciaram as conspirações midiático-judiciais, lá no mensalão.
A imprensa brasileira é a verdadeira organização criminosa que corrói a democracia brasileira.
Reproduzo abaixo um post do Tijolaço que resume bem o assunto.
***
Ombudsman reconhece que PGR faz coletiva “em off” para quebrar sigilo
Por Fernando Brito, no Tijolaço
Antes tarde do que nunca.
A ombudswoman da Folha, Paula Cesarino Costa, informa aos leitores que a Procuradoria Geral da Repíblica organizou uma espécie de “coletiva off the records” para fornecer alguns dos nomes brindados com pedidos de investigação feitos ao Supremo Tribunal Federal após as delações da Odebrecht.
Como a lei e a decisão que homologou as delações determinam que elas corram em sigilo até que virem um processo, está-se diante de um “crime oficial” de violação de sigilo profissional, previsto no artigo 154 do Código Penal.
Art. 154 – Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem:
Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Parágrafo único – Somente se procede mediante representação.
Portanto, espera-se que os senhores que reclamam de terem seus nomes divulgados sem motivos usem a confissão da Folha e representem, de imediato, ao Dr. Rodrigo Janot, para que este proceda criminalmente contra seus colegas.
Ou, quem sabe, contra si mesmo.
Veja parte do que Paula diz em sua coluna dominical:
Na terça (14), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal 83 pedidos de abertura de inquérito.
Oficialmente, por meio de nota, a Procuradoria-Geral informou: “Não é possível divulgar detalhes sobre os termos de depoimentos, inquéritos e demais peças enviadas ao STF por estarem em segredo de Justiça”. Rodrigo Janot pediu ao relator do caso no STF, ministro Edson Fachin, a retirada do sigilo de parte desse material, considerando a necessidade “de promover transparência e garantir o interesse público”. Fachin ainda decidirá sobre tal pedido.
A surpresa foi a constatação de que a cobertura dos principais órgãos de comunicação _ impressos, televisivos e eletrônicos_ trazia versões inacreditavelmente harmoniosas umas com as outras. Um jato de água fria em quem acredita na independência da imprensa.
Das dezenas de envolvidos na investigação, vazaram para os jornalistas os mesmos 16 nomes de políticos _ cinco ministros do atual governo, os presidentes da Câmara e do Senado, cinco senadores, dois ex-presidentes e dois ex-ministros. Eles estavam nas manchetes dos telejornais, das rádios, dos portais de internet e nas páginas da Folha e dos seus concorrentes _”O Estado de S. Paulo”, “O Globo” e “Valor”.
Por que tanta coincidência? A ombudsman apurou que a divulgação da chamada segunda lista de Janot se deu por meio do que, no mundo jornalístico, se convencionou chamar de “entrevista coletiva em off”.
Em geral, a informação em “off”, aquela que determinada fonte passa ao jornalista com o gravador desligado e com proteção de anonimato, não se coaduna com a formalidade de uma entrevista coletiva _para a qual os jornalistas são convocados protocolarmente a ouvir determinada autoridade.
Após receberem a garantia de que não seriam identificados, representantes do Ministério Público Federal se reuniram com jornalistas, em conjunto, para passar informações sobre os pedidos de inquérito, sob segredo, baseados nas delações de executivos da Odebrecht.
A lei que regula a delação premiada prevê sigilo do seu conteúdo até a apresentação da denúncia.
No dia seguinte, a corrida jornalística por notícia voltou ao normal, com vários veículos obtendo informações exclusivas de partes não divulgadas dos inquéritos sob sigilo.
Foi publicado que mais um ministro, quatro senadores e cinco deputados estão entre os que tiveram pedidos de inquérito apresentados pelo procurador e não haviam sido antes mencionados. Depois se soube que pelo menos dez governadores, cinco deles identificados, são mencionados no processo.
Qual o sentido de se deixar conhecer só alguns dos envolvidos? Qual a estratégia dos procuradores, parte interessada do processo, ao divulgar uns e omitir outros? Por que não liberar, por exemplo, os que estão nos pedidos de arquivamento?
Para o leitor, resulta em história contada pela metade. Informação passada a conta-gotas tira o entendimento do todo e levanta a desconfiança de manipulação.
O resultado desse tipo de acordo subterrâneo é que o jornalista se submete a critérios não claros da fonte, que fornecerá as informações que tiver, quiser ou puder. O repórter concorda em parar de fazer perguntas em determinado momento.
Não foi a primeira vez, porém, que tal procedimento ocorreu. A prática já se repetiu no Palácio do Planalto, no Congresso e até no STF.
Tudo isso resulta numa desconfortável uniformidade de narrativa jornalística, que exala tom oficial.