quarta-feira, 15 de outubro de 2014

POLÍTICA - Como disse o Kotscho, Boechat para presidente.

eleicoes Dilma ou Aécio? Que tal Boechat para presidente?
Assim que acabam os debates, começam as intermináveis discussões sobre quem ganhou. Como ainda não existe nos estúdios de televisão placar eletrônico para apontar o resultado, a exemplo dos estádios de futebol, cada um dá a vitória para o candidato pelo qual torce e em quem pretende votar. E cada um sempre vai encontrar mil argumentos para justificar a sua escolha.
Não vou entrar nessa, apesar de ter feito anotações durante o debate inteiro, registrando na velha caneta os bons e maus momentos de Aécio Neves e Dilma Rousseff, que alternaram fortes ataques com pisadas de bola. Debate só decide eleição quando um dos candidatos vai a nocaute ou ganha por uma larga vantagem de pontos, o que não aconteceu na noite de terça-feira nos estúdios da Band.
Por isso, não vou aborrecer os leitores com um texto longo, mas apenas registrar alguns momentos que me chamaram a atenção. De todos eles, o principal foi o brilhante desempenho do moderador Ricardo Boechat, o mais premiado jornalista brasileiro da atualidade, entre outros motivos porque tem bom humor, é capaz de debochar dele mesmo e não se leva tão a sério como seus principais concorrentes.
Embora não faça pose de sabichão nem de interrogador policial, como se fosse também candidato, quem se saiu melhor neste debate foi Boechat, exatamente porque ficou no seu papel de apenas passar a palavra aos candidatos, deixando todo o protagonismo para eles. Ao todo, não deve ter ocupado mais de cinco minutos ao longo dos 90 de debate.
Não sei se o caro colega Boechat daria um bom presidente da República, mas me deu vontade de votar nele. Pelo menos, o Brasil iria se divertir mais do que com Dilma e Aécio, dois candidatos com um ponto em comum: são muito chatos. Quando falam, parece que ligam um gravador escondido no púlpito.
Algumas observações:
* Além de bater na mesma tecla da derrota de Aécio em Minas no primeiro turno, ao longo do debate, em todos os intervalos comerciais a propaganda de Dilma repetia o mote "Aécio _ Quem conhece não vota". Ficou redundante e cansativo igual aqueles anúncios de varejo que ficam martelando nos nossos ouvidos as mesmas mensagens.
* Aécio passou a maior parte do tempo defendendo seus dois governos em Minas, como se não estivesse em disputa o futuro do Brasil. Ficou mais uma vez amarrado aos refrões sobre desmandos na Petrobras e a corrupção no governo petista.
* Dilma, mais uma vez, se confundiu com tantos números e projetos que apresentava, desfiando milhares disso, milhões daquilo, bilhões disso outro, o que, convenhamos, não é muito conveniente para fazer a cabeça de quem passou o dia trabalhando e precisa acordar cedo no dia seguinte.
* Os dois falaram mais do "futuro ministro da Fazenda Armínio Fraga", como se a vitória de Aécio já fosse certa, e se esqueceram do atual, Guido Mantega, um ex-ministro em exercício que já foi limado do cargo por Dilma.
* O tucano falou muito mais de Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente sempre escondido nas campanhas presidenciais de José Serra, do que Dilma citou Lula, desta vez relegado a um pé de página no debate.
* Como não poderia deixar de ser, ambos também falaram de educação, saúde, segurança e mobilidade urbana, o de sempre, mas os pontos altos do debate acabaram acontecendo quando começou a troca de insultos entre eles, embora tivessem prometido um "debate de alto nível" antes de Boechat dar início ao combate.
* "A senhora está sendo leviana!", disparou Aécio, mirando nos olhos de Dilma, quando a presidente levantou a história do aeroporto público construído nas terras do titio, mas ela só foi retrucar na mesma moeda no bloco seguinte: "Leviano é o senhor!". Um acusou o outro várias vezes de leviano e de mentiroso, mas acabou ficando tudo por isso mesmo. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

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