domingo, 18 de outubro de 2020

POLÍTICA - General Heleno, um crápula.

 

O governo federal deveria ter pedido desculpas após ser revelado que espionou brasileiros na Cúpula do Clima das Nações Unidas, em Madri, em dezembro do ano passado. Ao invés disso, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general aposentado Augusto Heleno, confirmou o absurdo revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo, mostrando-se stalker de ambientalista. E ainda culpou as vítimas, chamando-as de "maus brasileiros".
Poderíamos dizer que esse tipo de coisa desmoraliza o Brasil internacionalmente. Mas depois que o vice-líder do governo Jair Bolsonaro no Senado foi flagrado com dinheiro escondido entre as nádegas para fugir de uma operação da Polícia Federal que apurava desvios de recursos para a covid, as antigas definições de "desmoralização" foram para o buraco.
"Temas estratégicos devem ser acompanhados por servidores qualificados, sobretudo quando envolvem campanhas internacionais sórdidas e mentirosas, apoiadas por maus brasileiros, com objetivo de prejudicar o Brasil", tuitou Heleno nesta sexta (16).
Traduzindo: o governo deixa passar a boiada do desmatamento e das queimadas na Amazônia, no Pantanal, e em outros biomas, contribuindo para a mudança climática e a destruição da vida, afugentando investimentos e criando barreiras para o nosso comércio. Brasileiros preocupados com a situação tentam ajudar a resolver os problemas criados por governos como o nosso. Um general, membro de uma gestão saudosa dos métodos autoritários da ditadura, bota esse pessoal sob o aparato de vigilância estatal. E, depois, ainda diz que esses brasileiros é que representam o mal.
Não é a primeira vez, nem será a última que Heleno trata como inimigo quem discorda da anacrônica visão ambiental do governo do qual faz parte. Por exemplo, no ano passado escalou agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para monitorar reuniões preparatórias para o Sínodo dos Bispos para a Amazônia. Realizado no Vaticano com a presença do papa Francisco, discutiu a ação da igreja na região e a situação de povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, do desmatamento e das mudanças climáticas.
"Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí", disse ele, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo de fevereiro de 2019.
Augusto Heleno, aquele que o naco otimista da sociedade achava que seria o contraponto racional a Jair Bolsonaro, conclamou o governo a não ficar "acuado" pelo Congresso Nacional e pediu para o presidente "convocar o povo às ruas" em fevereiro deste ano.
Não só isso. Também disse: "Não podemos aceitar esses caras chantageando a gente. Foda-se", afirmou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos. A declaração estava em um áudio captado em uma live, em que ele dizia não ser aceitável o Poder Legislativo avançar sobre os recursos do Executivo.
Não foi um lapso, nem a primeira vez que ele dava uma banana para a democracia. Por exemplo, após o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sugerir um novo AI-5 caso a esquerda se radicalizasse, em outubro do ano passado, Heleno não demonstrou repúdio, mas disse: "se [Eduardo] falou, tem de estudar como vai fazer, como vai conduzir". O ato institucional, baixado pela ditadura em dezembro de 1968, deu poderes ao Palácio do Planalto para fechar o Congresso, cassar direitos, censurar a população e descer o cacete geral.
E, em maio deste ano, Augusto Heleno publicou uma nota autoritária e truculenta que foi considerada uma ameaça às instituições democráticas pela oposição no Congresso Nacional. Diante de um pedido de apreensão de celulares do presidente da República, Jair Bolsonaro, e de seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro, feito pelo PDT, PSB e PV, como parte de uma notícia-crime protocolada no Supremo Tribunal Federal, disse:
O governo, que se empenhou tanto para transformar o Brasil de líder internacional nessa área em pária ambiental, deveria sentir mais orgulho de sua obra. Ou, ao menos, ter a coragem de assumi-la e arcar com as consequências. Contudo, de forma covarde, tenta impor uma realidade paralela.
(Leia a íntegra do texto no post do blog)

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