PARIS, PASÁRGADA E O IMPEACHMENT
Vocês, claro, já intuíram o motivo de o impeachment do tenente estar travado, mesmo sabendo que existem 57 requerimentos no Congresso com este monotema.
Mas para entendermos melhor o busílis da coisa, vou apelar para uma alegoria, inspirada em Ciro Gomes, aquele que se tem em conta como o guia genial dos povos do terceiro milênio inteiro. Ao se escafeder para Paris, em hora gravíssima da nacionalidade, o grande Ciro gerou a referida alegoria, qual seja, pessoas e instituições se exoneram, se omitem, de participar e tomar decisões que não correspondem exatamente aos seus interesses mediatos e imediatos. A ideia é "está ruim aqui? vou pra Paris". Paris é o outro nome da alienação, da covardia e às vezes da preguiça.
Voltemos ao abatumado impeachment: não sai por que o ente fantasmagórico chamado Mercado calcula - por ora - inoportuno.
O reloginho do Mercado, no Brasil, é o filho do Cesar Maia, também conhecido como a Grande Graxa. E quem são os componentes do Mercado? Ora, os bancos, TV Globo (e satélites), Folha/Estadão (e satélites), os 500 mil parasitas/especuladores, o agro-é-pop e o vasto setor de exportação (frigoríficos, alimentos processados, mineradoras, etc), construção civil (que trabalha com dinheiro a ser higienizado), setor elétrico, e as cadeias que orbitam nestes ecossistemas da mercadoria. E não podemos esquecer a superestrutura (Judiciário e operadores do Direito), que também habitam Paris.
Todo esse arco de aliança oportunista ainda espera o messias das reformas, prometidas pelo posto-ipiranga Paulo Guedes.
À medida que o tenente mais se fragiliza, esse bloco no poder (ao invés de apoiar o impeachment) mais se agarra à esperança de lograr êxito nas reformas/privatarias neoliberais, por que sabe que as chances de termos um governo tão frágil no futuro é bastante remota. Notem que a anemia galopante do tenente constitui ao mesmo tempo um escudo protetor contra o impedimento formal.
Por isso todos os golpistas de 2016 e facilitadores do advento bolsonarista, qual o Grande Ciro, se escafederam para Paris. Na hora gravíssima da nacionalidade, se omitem, se exoneram, se alienam das suas responsabilidades cívicas e republicanas.
Como se vê Paris é a Pasárgada dos pusilânimes - onde todos são amigos do tenente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário