segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

POLÍTICA - Quanta ignorância!

 

Via Fernanda Bueno
Perfeito o texto do prof. Wilson Gomes:
"Ouvindo um colega de tênis discursar longamente (sim, eles agora fazem longas profissões de fé, aleatoriamente, sem solicitação ou plateia, como se estivessem em um solilóquio perene se resolvendo com a própria consciência) sobre todos os malefícios da vacina, para pessoas que nem lhe davam atenção, eu só conseguia me perguntar: nós sempre fomos tão burros assim ou o cérebro brasileiro está encolhendo, fruto de algum morbo ainda desconhecido? Acho que muitos se fazem esta pergunta hoje, perplexos ante tanta imbecilidade. Definitivamente, a estupidez perdeu o recato.
Mas aí fiquei lembrando. Aquele cara que passou a mão na bunda da colega em 1992 e depois a demitiu? Virou bolsonarista. E aquele médico que bateu no porteiro do prédio apenas para mostrar que podia? Bolsonarista. E aquela metida a rica que pagava 1/2 salário mínimo à empregada em 1982 e achava um favor? Bolsonarista! Aquele colega do segundo grau que batia em todo mundo? Eu o vi, um dia desses, com a camisa do Bolsomito. Sim, eles se juntaram.
Então, é isso. O bolsonarismo é praticamente um campo magnético que atrai tudo quanto é maluco, psicopata, perverso, gente com complexo de inferioridade contra educação, cultura, civilidade. Estiveram sempre por aí, desgarrados, desagregados, reprimidos, até que veio o chamado e se adensaram como uma nuvem carregada de uma tempestade feia e prestes a desabar. Nesse conjunto, estão os burros motivados, como este do tênis, que descobriu que agora "estão por cima" e, portanto, nada mais lhes constrange ou reprime.
Em 2018 eu até concordava com a ideia de quem nem todo bolsonarista era canalha, mas todo canalha era bolsonarista. Afinal, para muitos tudo o que se dizia de Bolsonaro era especulativo, remoto, do território do discurso, onde cabe qualquer coisa. Mas no final de 2020, a coisa muda de figura. Eu acho que só sobraram no bolsonarismo os perversos, os fanáticos, os cegos ou os imbecis mesmo. Escolher o bolsonarismo depois de tudo o que sabemos é hoje uma questão de (falta de) caráter, já não há desculpa aceitável."
Wilson Gomes

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