Com sua candidatura cada vez mais consolidada, o ex-presidente Lula começou a marcar posição em temas sensíveis para a construção de uma Frente Ampla contra Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, o petista defendeu a revogação da reforma trabalhista. Ao compartilhar notícia de que a Espanha estaria revendo as mudanças na legislação trabalhista feitas em 2012, o ex-presidente celebrou a medida. “É importante que os brasileiros acompanhem de perto o que está acontecendo na Reforma Trabalhista da Espanha, onde o presidente Pedro Sanchez está trabalhando para recuperar direitos dos trabalhadores”, escreveu. Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidente nacional do PT, também comemorou e sugeriu que o mesmo caminho seja adotado no Brasil. “Notícias alvissareiras deste período: Argentina revoga privatização de empresas de energia e Espanha reforma trabalhista que retirou direitos. A reforma espanhola serviu de modelo para a brasileira e ambas não criaram empregos, só precarizaram os direitos. Já temos o caminho”, destacou. A deputada, ao longo da semana, foi além e rebateu editorial do jornal O Globo, que criticou o que chama de “terraplanismo fiscal” do PT e de Lula. “Cinco anos de terra-arrasada, do golpe a Paulo Guedes, que a Globo segue defendendo, resultaram em atraso, desemprego, desigualdade, miséria e fome. E querem dar lição de política econômica…”, escreveu a deputada. A dirigente petista ainda afirmou que terraplanismo fiscal “é manter um teto de gastos suicida, que só funcionou para cortar investimento em obras, saúde e educação, enquanto dívida, juros e inflação crescem no País em recessão”. As declarações vieram após o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, cobrar publicamente que Lula revogue as reformas econômicas aprovadas após o impeachment de Dilma Rousseff. “A esquerda precisa começar a fazer compromissos claros com o enfrentamento ao establishment financeiro”, afirmou em entrevista a CartaCapital. Se por um lado o PT agrada a sua base, por outro pode afastar o eleitor que, apesar de não ser simpático ao partido, poderia votar em Lula por conta da rejeição a Bolsonaro. "Será uma eleição complicada para as candidaturas de esquerda, pois elas têm um papel de pautar uma discussão de mudança de status quo, que muitas vezes vai contra os interesses eleitorais", disse o estrategista político Paulo Loiola em conversa com CartaCapital. "A esquerda vai ter que equilibrar a preocupação econômica com os avanços necessários em questões que são ponto de tensionamento", acrescenta. A menos de um ano para a eleição, eis o maior desafio de Lula: ter propostas que agradem o centro sem abandonar a sua base. |
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