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sexta-feira, 31 de março de 2017

MÍDIA - Um erro que custou caro à Folha.

A Folha na era da pós-verdade

Ontem a Folha lançou sua nova versão do projeto editorial. Sob o título “Jornalismo profissional é antídoto para notícia falsa e intolerância” (https://goo.gl/6GeZEF). O manual lista 12 princípios editoriais, dentre os quais
  • Há uma demanda mal atendida por informações proveitosas e inspiradoras, sem prejuízo da prioridade dada a enfoques críticos e à busca da notícia exclusiva.
  • As reportagens deveriam ser mais conclusivas, indicando, quando viável, prós e contras das soluções para os problemas apontados.
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Com 11 anos de atraso, finalmente cai a ficha. Não faltaram alertas do suicídio editorial que significaria um jornal líder do mercado de opinião ir a reboque do pior jornalismo já praticado no Brasil, a pós-verdade da Veja, introduzido por Roberto Civita para enfrentar a entrada de novos concorrentes.
Quando o discurso de ódio tomou conta de toda a mídia, se a Folha ousasse repetir o contraponto dos anos 80 entraria na era digital com a credibilidade renovada.
Em vez disso, quando surgiu o tal “jornalismo de esgoto”,  a Folha foi atrás de Veja sem o menor senso crítico, sem a menor noção de auto-estima, com um complexo de inferioridade fatal.
Todas as maluquices de Veja foram emuladas pela Folha, desde a ficha falsa de Dilma no DOPS ao escândalo da tapioca, o assassinato de reputação de juíza que votou contra Daniel Dantas às denúncias de um “consultor”, Rubnei Quícoli, saído da prisão há menos de um mês por prática de estelionato e transformado em um consultor honesto, que recusou um financiamento de R$ 7 bilhões do BNDES por negar a pagar propina de R$ 5 milhões.
De jornal amado pelos jovens progressistas, admirado pela esquerda e respeitado pela centro-direita, tornou-se alvo de ódio generalizado das esquerdas, de desconfiança dos leitores mais críticos e um pastiche, veículo secundário para a ultradireita.
Antes, perdoava-se a Folha até pelo carbonarismo juvenil. Quando passou a propagar o ódio, perdeu seus melhores leitores. Jogou fora o enorme salto editorial representado pela campanha das diretas e pelo seu apogeu, nos anos 90.
Mais que isso: matou toda a proatividade dos seus jornalistas. De jornal que se orgulhava de ser a cara multifacetada de colunistas de diversas linhas, representando os ares de modernidade que nasceram com o fim do regime militar, tornou-se veículo de discurso único, com os colunistas de caráter mais sólido tendo de recuar, para não abrir mão da dignidade, e de caráter mais frágeis se transformando em pitbulls para seguir os ventos emanados do 6o andar.
Foi um erro que custou caro ao jornal. E mais caro ainda ao país. Nesses anos todos, a Folha poderia ter sido um farol no meio da tempestade. Agora, tenta buscar uma vela para se livrar da escuridão.
Que seja bem sucedida.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

MÍDIA - Altamiro Borges: Merval e Jabor estão deprimidos



Por Altamiro Borges, em seu blog
A sessão desta quarta-feira (18) do Supremo Tribunal Federal (STF), que pode garantir o direito aos embargos infringentes aos réus do chamado mensalão, deixou dois dos principais “calunistas” globais deprimidos. Em seu artigo de hoje no jornal O Globo, o “imortal” Merval Pereira já dá como certa a derrota da sua pregação quase diária pela prisão imediata dos “mensaleiros”. Já o teatral Arnaldo Jabor, em sua coluna no Estadão de ontem, também se mostrou frustrado e tristinho.
Merval Pereira ainda dá uma última carga sobre Celso de Mello, que desempatará a contenda no STF. “Não é mais possível ao ministro dar um voto apenas técnico, já que suas consequências podem ser graves para a imagem da instituição”. Mas logo assume sua derrota temporária. “Se não tiver evoluído de sua posição inicial após esses dias de reflexão, e estiver mesmo convencido, como tudo indica, de que os embargos estão em vigor, o ministro poderá usar seu voto para reafirmar suas convicções de mérito, embora ele não esteja em jogo neste momento”.
“Hoje, a sensação predominante será de frustração, e a percepção de que estão fazendo ‘o diabo’ para protelar a execução das penas dos mensaleiros. Caberá ao STF ajudar com ações na superação desse mal-estar cívico”, conclui o deprimido “imortal”. Na rádio CBN, que também pertence às Organizações Globo, Merval Pereira chegou a apostar um vinho com seu colega Carlos Alberto Sardenberg sobre a data da prisão dos réus. Agora, ele prevê que precisará adiar a festança etílica.
O trauma psicológico de Arnaldo Jabor é ainda maior. Ele não teme apenas a aprovação dos infringentes. Com sua mentalidade conspirativa, ele já aposta na absolvição dos réus. Em sua coluna no Estadão, ele teatraliza mais uma vez – talvez para agradar seus patrões. “Comecei a escrever este artigo e parei. Minhas mãos tremiam de medo diante da gravidade do assunto. Parei. Tomei um calmante e recomecei”. Para Jabor, “se ele [Celso de Mello] votar pelos embargos infringentes, estará acabando com o poder do STF… A democracia e a República serão palavras risíveis”.
“Afirmo (com arrogância de profeta) que amanhã o Celso de Mello, com sua impecável ‘consciência individual’, vai votar ‘sim’ pelos embargos. Será a vitória para os bolcheviques e corruptos lobistas. Ok, Dirceu, você venceu”. Durante o julgamento midiático do “mensalão”, Arnaldo Jabor escreveu vários artigos endeusando os ministros do STF, principalmente Joaquim Barbosa – o candidato dos seus sonhos para a Presidência da República. Agora, com a possibilidade do Supremo manter o direito aos embargos infringentes, ele ataca os ministros. “Ok, Jabor, você perdeu”.