Gaza -Trincas no Muro: As consequências não planejadas do genocídio
8−10/8/2014, [*] Robert Fantina − Weekend Edition,
CounterPunch/RedeCastorPhoto
Traduzido por mberublue
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| Campo de concentração de Israel |
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Ao mesmo tempo que Israel declara um cessar fogo de 72 horas, também
afirma: “missão cumprida” em Gaza. Talvez se torne interessante ver o
que aquele regime de apartheid realmente cumpriu.
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Destruiu túneis, os quais na maioria das vezes são usados para o
contrabando de artigos para o lar, que Israel, em descumprimento e
violação das leis internacionais, impede que sejam importados pelos
palestinos.
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Massacrou cerca de 2.000 (duas mil) pessoas, entre as quais se incluem
crianças, mesmo as recém nascidas, ferindo ainda milhares delas.
● Destruiu centenas de casas, deixando na rua, ao léu, milhares de homens, mulheres e crianças.
● Arrasou usinas de energia, fazendo com que centenas de milhares de pessoas ficassem sem eletricidade ou água corrente.
● Provocou a destruição de fábricas que produzem coisas extremamente perigosas para Israel, como pretzels, queijo e biscoitos.
● Alvejou e assassinou jornalistas.
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| Israel, genocida e covarde, bombardeia Gaza |
Os oficiais israelenses afirmaram que, em Gaza, precisam regularmente “Aparar a Grama”,
o que significa destruir a infraestrutura e bombardear a área sitiada
até empurrá-la o mais próximo possível da idade das trevas. Podemos
acrescentar isso às realizações da “missão cumprida” de Israel.
Porém,
talvez a maior falha de Israel, meta desesperadamente procurada, e que
não conseguiu cumprir, foi o seu objetivo mais ambicioso: o
desmantelamento do governo de coalizão entre Fatah e Hamás. Este
governo, trêmulo talvez, definitivamente corrupto, permanece intacto.
Ocorre
que na realidade, existem alguns resultados não esperados e que
efetivamente se dão em consequência desse bombardeio genocida contra os
palestinos.
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| Palestina- Governo de coalizão Hamás-Fatah |
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Crítica internacional inesperada contra Israel. Mesmo que não seja de
forma universal, desta vez Israel viu embaixadores sendo convocados de
volta a seus países, e até mesmo os Estados Unidos que normalmente dão
um cheque em branco a Israel para que faça o que quiser no cenário
internacional,desta vez arriscou algumas críticas tímidas contra seu
fantoche mor. Mas é lamentável que para que os EUA arriscassem algumas
críticas anêmicas, foi necessário que
Israel bombardeasse repetidas vezes as escolas das Nações Unidas, nas
ocasiões usadas como abrigo para milhares de palestinos expulsos de suas
casas, mas pelo menos alguma crítica foi expressa. A inesperada
renúncia de Sayeeda Warsi, Ministra Sênior no Gabinete de Relações
Exteriores da Grã Bretanha, que saiu acusando o governo do Primeiro
Ministro David Cameron de tomar uma abordagem “moralmente indefensável”
em relação ao conflito entre Israel e Gaza, foi por sua vez uma
consequência surpreendente contra Israel.
●
Demonstrações internacionais de apoio aos palestinos. Israel mesmo teve
centenas de pessoas de seu povo protestando contra o bombardeio maciço
na faixa de Gaza. Em Londres, dezenas de milhares de pessoas protestaram
contra o bombardeio, exigindo que o governo britânico pare de apoiar
Israel.
●
Israel enfrentou uma tempestade na mídia social, que bateu sem dó no
país. Na última vez que Israel resolveu “cortar a grama” em Gaza foi há
dois anos. Naquele tempo, o Twitter tinha aproximadamente 20
milhões de usuários. Hoje, este número já se encontra na casa dos 120
milhões de usuários que espalharam através do globo fotografias e filmes
e informações que a imprensa empresa não se atreveu ou não quis
mostrar. Pelo menos em parte, isso resultou em enormes manifestações de
protesto em frente à sede da BBC em Londres, tendo como consequência o
anúncio, por parte da organização de mídia que deverá rever suas
políticas no intento de ver se, de fato, suas reportagens eram
tendenciosas, favorecendo sempre Israel.
● Maior motivação para a implementação do movimento BDS (Boycott, Divest and Sanction – Boicote,
Desinvestimento e Sanções –NT). Levando em consideração que as pessoas
ao redor do mundo percebem que crianças brincando em uma praia são alvos
do terrorista IDF (Israeli Defense Forces – Forças Defensivas de
Israel – NT), que atiram em crianças espalhando seus pedaços sangrentos
pela praia, mesmo os politicamente apáticos tornam-se motivados.
●
Isolamento cada vez maior de Israel frente a comunidade internacional.
Não se pode ver isso como consequência isolada, pois o isolamento
decorre de todos os motivos acima listados. As manifestações de
protesto, o cancelamento de eventos patrocinados por Israel, o
crescimento exponencial do movimento BDS e o aumento nas pessoas da
consciência do que acontece deve ser creditado em grande parte à mídia
social pela divulgação dos horríveis crimes cometidos por Israel não
podem ser ignorados para sempre pelos governos, quando as pessoas que
elegeram estes governos demonstram claramente sua oposição.
A
única nação que demonstra ser extremamente lenta em mudar sua retórica
em relação a Israel, para condenar as terríveis violações dos direitos
humanos cometidos por aquele país é, sem surpresa nenhuma, os Estados
Unidos.
Como
este escritor já mencionou anteriormente, os Estados Unidos gostam dos
direitos humanos, desde que não interfiram em suas estratégias ou
interesses financeiros. É necessário recordar que apenas entre o início
de 2012 e o final de 2013, lobbies pró Israel doaram US$
8,000,000 aos candidatos ao Congresso e à presidência. Tais candidatos
receberam dezenas de milhões de dólares no transcorrer das duas últimas
décadas.
Há
outras instâncias do poder em redor do mundo além da Casa Branca, da
Câmara de Deputados e o Senado dos EUA... Assim, o que acontece se
alguns bebês dormindo em seus berços são selvagemente destroçados por
armas proibidas, em clara violação à lei internacional? Criticar isso
fará com que diminuam os cheques oferecidos pelos lobbies pró Israel? Não, não acho que haja algum risco de que essa crítica seja feita.
Dessa
forma, embora murmurando uma crítica quase inaudível, um sussurro
medroso em oposição ao genocídio praticado por Israel, ainda assim, os
EUA o financia. Enquanto mostra algum “desconforto” com a decisão de
Israel de bombardear as escolas das Nações Unidas que abrigavam centenas
de palestinos refugiados, os Estados Unidos ainda assim continuam
enviando mais e mais armas para Israel, para que o Estado Terrorista
continue “aparando a grama” em Gaza.
Sempre foi muito difícil para o eleitor americano escolher entre Tweedle-Dee eTweedle-Dum (personagens
do livro de Lewis Carroll “Alice no País dos Espelhos”. São gêmeos que
se complementam a tal ponto que um completa as frases do outro.No fundo,
parecem ser o mesmo personagem, tendo como diferença apenas seus nomes
bordados nos casacos – NT), candidatos normalmente oferecidos pelos partidos Democrata e Republicano.
Nas
próximas eleições de meio de mandato, os eleitores americanos
certamente deverão escolher entre candidatos dos dois partidos, que se
atropelam uns aos outros na tentativa sôfrega de mostrar quem apoia mais
a Israel. Não é por outro motivo que este escritor, que viveu durante
anos no Canadá, escreverá alguns nomes em sua cédula de ausente. Serão
os nomes dos jornalistas palestinos e homens e mulheres conhecidos deste
escritor, que vivem em Gaza e foram vítimas dos ataques genocidas do
exército de Israel.
Mesmo
com a oposição ferrenha dos Estados Unidos a cada passo a ser dado, a
ONU parece estar pronta para investigar possíveis crimes de guerra
cometidos por Israel. Não é de se estranhar as suas conclusões, pois a
ONU tem emitido mais resoluções críticas contra Israel que todas as
outras nações combinadas. Mas até que os cidadãos acordem de seu sono
induzido pelos serviços de relações públicas e fiquem conscientes de que
os EUA estão financiando um genocídio, nada mudará. Nas últimas
semanas, temos visto evidências cada vez mais fortes de rachaduras no
muro dos Estados Unidos e das relações públicas de Israel. Todos aqueles
que estão chocados com os crimes cometidos por Israel devem alargar
ainda mais esta rachadura.
[*] Robert Fantina–Ativista
e jornalista que trabalha em prol da paz e da justiça social, enquanto
viveu nos EUA apoiou decisivamente o controle de armas e se opôs à
guerra contra o Iraque antes da invasão norte americana e depois que ela
aconteceu. Depois das eleições de 2004, mudou-se para o Canadá.
Escreveu livros, entre os quais “A deserção e o soldado americano –
1776- 2006” além de novelas e mais recentemente o livro “Império:
racismo e genocídio – uma história das relações exteriores dos Estados
Unidos”, seu último livro.







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