terça-feira, 14 de outubro de 2014

POLÍTICA - Teoria do domínio de fato só vale para condenar os petistas?

POR BOB FERNANDES

Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef são, segundo confessam, ladrões no escândalo da Petrobras.
Dezenas de parlamentares, PT, PMDB, PP, PSB – e outros partidos vem aí-, 13 empreiteiras e dois bancos já foram citados como cúmplices.
 
Se tudo ou parte for verdade, e se existirem provas, é crime em larguíssima escala.
 
Se não for verdade, ou não existirem provas, terá sido crime em larguíssima escala.
 
Note-se que depois do bombástico ato da quinta-feira – que se tornou peça fundamental no processo eleitoral- houve um refluxo nos dias seguintes.
 
Algo assim como uma onda de cautela por parte dos grandes reverberadores. Por quê?
 
Porque o escândalo bate também em 13 grandes empreiteiras e em dois poderosos bancos.
 
Como, e com que compromissos, são financiadas campanhas de tantos dos vereadores, deputados, prefeitos, governadores e senadores?
 
De todos os grandes partidos. Afinal, 40 de 108 deputados federais e senadores mais votados agora são investigados pela Justiça.
 
Se a delação premiada chegar às empreiteiras e bancos, quantos jovens diretores resistirão diante da ameaça de 50 anos na cadeia?
 
Por isso, e por ora, a obsequiosa cautela depois do barulho com o bis da dupla Roberto & Yuossef.
 
Digamos que passada a temporada eleitoral a investigação siga, se amplie e venham as perguntas.
 
Quem, em dois grandes bancos, autorizou remessas de R$ 26 milhões sem identificar quem enviava o dinheiro, se a lei exige identificação de quem deposite mais de R$ 10 mil?
 
Aonde se chegará se nos bancos forem seguidos todos os rastros das empreiteiras investigadas?
 
E se país, governos estaduais e municipais adentro, forem cruzadas doações de empreiteiras com o DNA de parlamentares, executivos e obras?
 
Por fim, uma dúvida não menos importante, que certamente ministros do Supremo estão habilitados a responder.
 
Se avançarem investigações e processos contra grandes empreiteiras e grandes bancos valerá a Teoria do Domínio do Fato?

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