O País não aprendeu com os bons exemplos de Lula e FHC, diz a Folha
21/12/2020Nestes últimos dias que restam para o fim de mais uma “década perdida” – a década do golpe – vemos um “Brasil mais pobre”, que “cresceu pouco mais de 2% enquanto a população aumentou quase 9%” – o jornal destaca que, contudo, vivemos uma “democracia” que conta com uma “economia mais organizada, graças aos dois ex-governantes

A Folha de São Paulo, no texto a seguir, parece blindar Lula, mas penaliza injustamente Dilma Rousseff. Algumas notas são acrescentadas, para conhecimento e lembrança.
“O Brasil está a pouco dias de terminar esta década mais pobre do que começou. De 2011 a 2020, a economia do país; a renda disponível para todos os seus habitantes; cresceu pouco mais de 2%, enquanto a população aumentou quase 9% no mesmo período”, destaca o editorial do Agora SP – a versão povão da Folha de São Paulo, que pertence ao grupo.
Os editores escrevem que “esse recuo ocorreu também nos anos 1980, que ficaram conhecidos na história como a década perdida. Uma nação com tantos atrasos, carências e desigualdades não pode se dar ao luxo de andar para trás por tanto tempo”.
“É verdade que as coisas foram piores na primeira vez, quando, além do empobrecimento, havia uma inflação fora de controle que prejudicava principalmente o pessoal de renda mais baixa. O lado bom foi que a crise ajudou a apressar o término da ditadura militar”, afirma o editorial”.
A GRANDEZA DE LULA
“Hoje o Brasil é uma democracia e conta com uma economia mais organizada, graças, principalmente, aos avanços dos governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 1995 e 2010. A história mostrou, porém, que o país não aprendeu como devia com os bons exemplos”, dizem os editores do Agora SP.
MAS O EDITORIAL SE PERDE DA REALIDADE AO AFIRMAR QUE “o desastre desta década começou com os erros da petista Dilma Rousseff, que abandonou a prudência na gestão das contas do Tesouro Nacional e no controle da inflação. A bagunça econômica foi se transformando em turbulência política, até o impeachment”, diz a equipe do Agora SP. Não foi exatamente assim.
“A ex-presidente Dilma Rousseff foi submetida a uma “sabotagem” que influenciou mais a crise do que os equívocos da política econômica petista. As pautas-bomba [aprovadas pelo Congresso] e a sabotagem que ela [Dilma] sofreu tiveram mais influência na crise do que os eventuais erros cometidos antes de 2014”, exatamente como afirmou Fernando Haddad em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, em setembro de 2019, que a própria Folha publicou:
“Adversários da ex-presidente articularam a aprovação de projetos no Legislativo que criaram mais despesas públicas e, dessa forma, impediram que o governo fizesse um ajuste fiscal para recuperar a economia — em 2014, o país entrou em uma grave recessão econômica”, disse Haddad na ocasião.
“Nós tínhamos a menor taxa de desemprego em 2014. Aí começa Eduardo Cunha (MDB-RJ) e Aécio Neves (PSDB-MG) a aprovar despesas lá no Congresso Nacional, despesa em cima de despesa, para sabotar um governo que precisava fazer um ajuste, não para jogar a economia na recessão, mas para recuperar a economia”, afirmou Haddad.
“Naquele ano o eleitor foi induzido ao erro diante de um cenário atípico, em que a rejeição ao PT, logo após o impeachment de Dilma, estava altíssima. Aos olhos da população, o PT havia se tornado o demônio do país. O eleitor foi induzido a erro. Ele votou com as informações que ele tinha, de que o PSDB era de santos, o PMDB era de santos, o PP era de santos, e o demônio do país virou o PT”, declarou.
Mais adiante, seguindo a cronologia da publicação do Agora SP, “veio a onda de protestos de rua de 2013 e a Lava Jato, a partir de 2014, que minaram a credibilidade dos governantes”, diz o editorial acrescentando que “isso contribuiu para a eleição de um aventureiro despreparado, Jair Bolsonaro, em 2018”.
Na publicação, a Folha não poderia dizer que contribuiu para esta ‘convocação. Veja o que diz o sociólogo Jessé Souza, no vídeo abaixo, em entrevista ao RFI, na França, em setembro de 2019:
“Com o choque da pandemia neste ano, foram embora as esperanças de salvar o que restava da década. Foi azar, mas antes houve várias escolhas erradas”, conclui o Agora SP.
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