SOBRE ÀQUILO QUE COMENTAMOS ANTES
Por Zuggi Almeida
O que no início aparentava ser um comportamento tímido, até certo ponto inofensivo transformou-se em atos agressivos revelando sentimentos indignos ao ser humano. Semelhante ao comportamento de ratos que abandonam os esgotos prevendo à chegada das tempestades, eles apareceram por todos os lados e dispostos a impor uma verdade absoluta. Pode ser o colega de trabalho, antes pouco notado; o parceiro do time do futebol do fim de semana, a amiga acompanhante nas baladas ou aquele tio aposentado que sempre comparece aos eventos da família.
Justo, é sobre àquilo que comentamos antes: Os inimigos discretos.
Os cidadãos que abriram as portas da ignorância que produz o racismo, a misoginia, o desrespeito à diversidade religiosa e sexual, também, a xenofobia e todas as outras formas de preconceitos que podem se manifestar contra a pessoa. As conseqüências negativas, agora estão reveladas nos números crescentes no extermínio de jovens negros, nos casos de feminicídios e de crimes sexuais.
Pois é, estimado leitor, esses a quem chamo de inimigos discretos são os reais responsáveis pela implantação de um sistema político reacionário, conservador e maniqueísta que assumiu o poder disposto a abolir as conquistas sociais, o desenvolvimento científico, dilapidar a Natureza e vidas. O vizinho que brada “que bandido bom é bandido morto” é o mesmo cidadão negacionista que age contra a campanha da vacinação alegando que o imunizante ao vírus da Covid-19 tem a origem comunista. A adolescente que ocupa as redes sociais postando insultos raciais é apenas parte de um tecido social patogênico alimentado por uma célula-mãe detentora das piores informações sintetizadas por um organismo.
O ódio é alimentado pela proteína da maldade. A sua origem está no representante posto no poder central em Brasília que está determinado a estabelecer as regras de um regime autocrático amparado em conceitos totalitários e tem o extermínio de vidas como forma de controle social. Talvez, uma dessas pessoas inimigas discretas não perceba o objetivo maior do presidente da República minimizando os efeitos da pandemia, boicotando as pesquisas, não assinando protocolos de cooperações internacionais e criando barreiras para os laboratórios dar início às campanhas de vacinação da população brasileira.
Pois então, uma das formas de controle populacional utilizada pelo regime nazista foi a instalação dos campos de extermínios e a execução de prisioneiros em câmaras de gás. O genocídio contra a humanidade praticado pelos nazi fascistas atingiu em sua maioria o povo judeu, além de ciganos, poloneses, comunistas, homossexuais, prisioneiros de guerra soviéticos e deficientes físicos e mentais.
Aqui, no Brasil, a irresponsabilidade do presidente ao boicotar o combate à pandemia e negar o direito universal à vida decreta a pena de morte de milhões de brasileiros atingindo em sua maioria a população negra e periférica, idosos desamparados, indígenas e portadores de comorbidades. Um genocídio planejado com toda a astúcia de um ditador maniqueísta, vil e asqueroso. Uma faxina étnica na contemporaneidade.
Com um detalhe: a morte por corona vírus é semelhante à morte na câmara de gás. A falta de ar nos pulmões.
Mais Hitler, impossível !
Portanto, meu caro inimigo(a) discreto(a) ao apoiar essas atrocidades você é responsável pelas milhares de mortes que atingem à juventude negra, as centenas de mulheres assassinadas pelos maridos apenas no ano de 2020, os milhares de indígenas exterminados, os pacientes que vieram óbito nas filas de espera das cirurgias no SUS, os milhares de operadores da saúde que faleceram no exercício da profissão e de muitas outras que irão ocorrer por pura omissão.
Você também é um genocida !
Justo é sobre isso que estou falando.
- Zuggi Almeida é baiano, escritor e roteirista
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