MINHA OPINIÃO SOBRE O EXÉRCITO BRAZILEIRO... por
Carlos Eduardo Pestana Magalhães
O exército brasileiro foi criado para ser capitão-do-mato, jamais para defender a soberania, o povo, nada disso. Depois da guerra contra o Paraguai (1864/1870), conflito este que marca a formação do que seria o exército modernizado, também é uma triste lembrança do massacre que os soldados do império fizeram no Paraguai. Velhos, mulheres e crianças foram degolados pelos soldados a mando do Conde d'Eu. Um massacre totalmente desnecessário visto que o país guarani estava derrotado e sem condições de lutar. Essa forma de "guerrear" matando a todos, indiscriminadamente, acabou sendo uma forte característica dos milicos brazileiros, como a História demonstrou inúmeras vezes. Um exército feito pra caçar escravos, prendendo, torturando e matando dificilmente deixaria de lado essa forma de ser e atuar.
É um exército que foi criado para defender os interesses do governo, das oligarquias, dos bancos desde o início, além de ter uma outra forte característica: dar golpes de estado para se tornar governo e assim impor suas vontades. Foi assim na proclamação da República (15 de novembro de 1889). Foi o primeiro golpe dos muitos que aconteceram ao longo da História. Daí em diante, o exército passou a ser treinado e equipado não para defender a soberania, as fronteiras, o povo, o estado de direito. A partir do instante em que a sua oficialidade entendesse que era preciso intervir no governo, defendendo este ou aquele interesse das oligarquias que viviam se digladiando no poder, o exército procurava entrar em cena.
Para isso foi treinado primeiramente por um grupo militar francês, que entre outras coisas ajudou a desenvolver a tortura ao estado da arte, assim como as invasões e ocupações militares nas senzalas que foram criadas depois da abolição, vale dizer, as favelas. Mesmo depois do fim oficial da escravidão, o exército jamais deixou de ser capitão-do-mato, de combater escravos, trabalhadores, quem os governos oligarcas definiam como inimigos. O movimento tenentista que desde 1920 mostrava suas insatisfações com os governos da primeira república, tentou inúmeras vezes golpear o Estado. Em 1930, participando de uma frente ampla de oligarcas, participou do golpe contra o presidente Júlio Prestes, que acabou se transformando no Estado Novo num golpe em 1937, dando início a verdadeira ditadura de Getúlio Vargas que durou até outubro de 1945, quando foi derrubado do poder por políticos e militares para instalar a segunda república.
Nesse período, quando se viu envolvido na segunda guerra, o exército teve que refazer todo seu treinamento com os americanos, pois o que fazia não servia para uma guerra, só para controlar social e politicamente os opositores do Estado Novo. Novos armas, novos uniformes, novas doutrinas e adestramento para poder guerrear. Justiça deve ser feita. Foi o único momento na história do exército brazileiro onde realmente seus soldados, os da FEB, foram heroicos. Fazer o que fizeram com pouco treinamento e pouco conhecimento da guerra moderna, só mesmo sendo muito bravo. E corajosos!
Depois disso, quando a guerra acabou (1939/1945) e Vargas foi derrubado, as forças armadas (exército, marinha e força aérea) se alinharam totalmente às forças armadas americanas na Guerra Fria. O seu protocolo voltou a ser o controle social e político interno, desta vez para defender os interesses do Capital, especialmente dos americanos. O exército foi treinado e sustentado para dar golpes militares como em 1954 (não deu certo porque Getúlio Vargas, então presidente, se matou e isso dificultou o golpe) e depois em 1964 instalando uma sangrenta ditadura civil-militar até 1985. Neste 21 anos, se revezando no governo como ditadores, os generais do exército Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo transformaram o que era já considerado uma forma de arte, a tortura, numa política de Estado.
Depois disso tudo, finda a ditadura e sem nunca terem sido julgados por todos os crimes que cometeram, as torturas e desaparecimento dos corpos, os milicos "juraram" defender a nova constituição de 1988. Mais uma vez enganaram a todos. Na surdina nunca deixaram de planejar golpes, só que desta vez sem aparecer. Para isso, o exército garantiu a existência de uma outra entidade militar que passou a atuar na repressão como se fosse polícia. Na verdade, polícia só no nome.
As Gestapos PM (Prontos pra Matar), extensão do exército e jamais polícia de fato, passaram a executar toda repressão armada, cruel, violenta, torturando os opositores do governo, os chamados inimigos internos. Deixou espaço para que os milicos passassem a atuar na surdina, numa aparente atitude democrática, mas na verdade se preparando para golpear de novo a jovem democracia do país.
Isso foi feito no golpe de 2016 contra a presidenta Dilma e com a eleição do fascistopata bozo. Hoje, os milicos voltaram ao governo (são mais de seis mil milicos na administração federal em todos os níveis). Também atuam junto às Gestapos PM, à PF e junto das milícias criminosas para garantir o funcionamento do governo fascista. Na realidade, são bandidos e mercenários atuando para defender os interesses dos bancos/rentistas nacionais e internacionais com apoio do legislativo, judiciário e da maçonaria. Qualquer outra coisa é conversa pra dormir...
Nenhum comentário:
Postar um comentário