domingo, 14 de fevereiro de 2021

POLÍTICA - Artigo do Noblat.

 


“Somos um país em que faltam vacinas e sobram armas para as narcomilícias”, diz Noblat

14/02/2021  Por REDAÇÃO URBS MAGNA

O jornalista referiu-se ao decreto publicado em que “Bolsonaro permite que atiradores adquiram até 60 armas e caçadores comprem 30”. Após críticas da especialista em segurança Ilona Szabó, o presidente a bloqueou no Twitter

Em seu perfil no Twitter, o jornalista e colunista da revista Veja mencionou o decreto publicado na sexta-feira (12) em que “Bolsonaro permite que atiradores adquiram até 60 armas e caçadores comprem 30

Somos um país em que faltam vacinas e sobram armas para as narcomilícias“, destacou Noblat:

O presidente assinou, na sexta-feira (12), quatro textos, publicados em edição extra do “Diário Oficial da União” no fim da noite, que mudam decretos assinados por ele e flexibilizam regras para compra e uso de armas no país. Uma das modificações aumenta de quatro para seis o limite de armas que o cidadão comum pode adquirir, conforme divulgou o G1.

Bolsonaro afirma que está regulamentando o Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003. Como decretos são atos do presidente da República regulamentando leis, eles não passam pela aprovação do Congresso. As novas regras passam a valer em 60 dias.

Um dos decretos aumenta de quatro para seis o número de armas de fogo que o cidadão comum pode adquirir, desde que preencha os requisitos necessários para obtenção do Certificado de Registro de Arma de Fogo. Esse limite sobe para oito no caso de policiais, agentes prisionais, membros do Ministério Público e de tribunais.

O governo agora passa a permitir expressamente o porte simultâneo de duas armas. O direito ao porte significa poder circular com a arma. Antes, a regra dizia que o porte deveria ser válido apenas para a arma nele especificada, mas não mencionava a quantidade.

Decreto anterior de Bolsonaro dizia que, para terem armas, colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) deveriam comprovar aptidão psicológica por meio de laudo fornecido por psicólogo cadastrado na Polícia Federal. Agora, a nova regra estabelece que basta o laudo ser assinado por psicólogo com registro no Conselho Regional de Psicologia.

Antes, caçadores, atiradores e colecionadores poderiam comprar, por ano, até mil munições para cada arma de uso restrito (submetidas a maior controle do Estado) e cinco mil munições para cada arma de uso permitido. Agora, poderão comprar também, por ano, insumos para recarga de até dois mil cartuchos nas armas de uso restrito e insumos para recarga de até cinco mil cartuchos nas de uso permitido.

Com permissão do comando do Exército, caçadores podem extrapolar em duas vezes esse limite. Atiradores, em cinco vezes. Além disso, CACs agora só precisarão da autorização do Exército para comprar armas acima do limite estabelecido em decreto anterior: cinco unidades de cada modelo para colecionadores; 15 unidades para caçadores; 30 para atiradores. Essas quantidades valem tanto para as armas de uso restrito quanto para as de uso permitido.

Um dos decretos determina que não serão produtos controlados pelo comando do Exército itens como projéteis de munição para armas de porte ou portáteis, até o calibre máximo de 12,7 mm. Não vale para projéteis químicos, perfurantes, traçantes e incendiários, miras como as holográficas, reflexivas e telescópicas, armas de fogo obsoletas que tenha projeto anterior a 1900 e utilizem pólvora negra.

Quando se trata de um produto controlado, o comando do Exército é responsável por fiscalizar, regulamentar e autorizar o uso, a comercialização e a fabricação.

O governo ampliou a lista de categorias profissionais que têm direito a adquirir armas e munições controladas pelo Exército. Foram incluídos os integrantes da Receita Federal, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), dos tribunais que formam o Poder Judiciário e do Ministério Público.

A legislação em vigor já dá esse direito a integrantes da Forças Armadas, polícias e bombeiros. Também já estavam contemplados policiais legislativos da Câmara de do Senado, membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e membro do Gabinete Institucional de Segurança da Presidência da República (GSI).

O decreto diz ainda que profissionais de todas essas categorias poderão adquirir, por ano, insumos para recarga de até cinco mil cartuchos nos calibres das armas de fogo registradas em seu nome.

Decreto anterior já permitia ao adolescente entre 14 e 18 anos praticar tiro nas instituições permitidas pelo comando do Exército e com a autorização dos pais. A novidade agora é que o jovem poderá praticar o tiro com a arma emprestada de algum colega também atirador desportista. Antes, só podia ser com arma dos pais ou do clube de tiro.

Após críticas de Ilona Szabó de Carvalho – diretora-executiva do Instituto Igarapé, cientista política e especialista em segurança pública e política de drogas, afirmando que os decretos põem em risco a segurança, ameaçam a democracia e podem favorecer criminosos, Bolsonaro a bloqueou no Twitter:

Rápido no gatilho: menos de um minuto após eu publicar nossa nota técnica sobre os novos decretos de descontrole de armas e munições nos comentários do post do presidente, fui bloqueada. Liberdade de expressão e abertura de diálogo como na Venezuela“, disse Szabó compartilhando ‘print’ da tela da mensagem em que o Twitter diz: “Jair Bolsonaro bloqueou você. Você está impedida de seguir Jair Bolsonaro e ver tuítes de jair Bolsonaro

“Impressionante ver como a máquina do ódio é eficiente e está aparelhada para bloquear qualquer contestação à narrativa oficial. Isso só acontece em ditaduras. Já vivemos tempos de exceção”, pontuou a especialista.

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