Índia relata 240.842 novas infecções nas últimas 24 horas enquanto médicos também combatem o ‘fungo negro’
23/05/2021
Nos últimos dias, o país de quase 1,4 bilhões de habitantes enfrenta uma crise sem precedentes, com altas taxas de infecção e mortes, em números que ultrapassam 4 mil óbitos diários
A Índia relatou, neste domingo (23), mais 240.842 novas infecções por coronavírus no último intervalo de 24 horas. O alto número tem sido constante. Na sexta foram 254.395 e no sábado mais 243.777 novos infectados. O país tem 1,39 bilhões de habitantes – segundo mais populoso do planeta atrás da China, que tem 1,44 bilhões. O total de infecções no país, desde o início da pandemia, é de 26,5 milhões, enquanto o número total de mortes, no mesmo período, é de 299.296, segundo os dados do ministério da Saúde indiano.
O país do Sul da Ásia lidera o o ranking do número médio diário de novas mortes relatadas, sendo responsável por uma em cada três mortes em todo o mundo. A pandemia de coronavírus já vitimou 3,47 milhões de pessoas e o total de infecções ultrapassa 167 milhões, de acordo com os dados em tempo real do site wordometers.
Atualmente, os médicos indianos lutam contra uma infecção fúngica fatal que afeta pacientes com covid-19 ou aqueles que se recuperaram. A doença, conhecida como mucormicose, ou ‘fungo negro’, é relativamente rara, mas há suspeitas de cientistas que o aumento repentino da infecção pode complicar ainda mais a pandemia.
A mucormicose é causada pela exposição a fungos mucosos, comumente encontrados no solo, no ar e até mesmo no nariz e no muco de humanos. Ele se espalha pelo trato respiratório e corrói as estruturas faciais. Ocasionalmente, pode se tornar necessária a remoção cirúrgica do olho como forma de impedir que a infecção chegue ao cérebro.
A infecção fúngica tem alta taxa de mortalidade e já estava presente na Índia antes da pandemia. Não é contagiosa, mas sua frequência no último mês deixou os médicos chocados.
“É um novo desafio e as coisas parecem sombrias”, disse Ambrish Mithal, presidente e chefe do departamento de endocrinologia e diabetes da Max Healthcare, uma rede de hospitais privados na Índia.
Mithal também afirmou que a infecção fúngica ataca pacientes com sistema imunológico enfraquecido e condições subjacentes, particularmente os diabéticos e pessoas que exageram no consumo de esteroides. O açúcar no sangue não controlado pode colocar pessoas imunocomprometidas em um risco maior de contrair a doença.
“Antes eu costumava encontrar apenas alguns casos por ano, mas a taxa de infecção atual é assustadora”, disse Mithal.
O último surto de infecções por coronavírus na Índia rural já cobrou seu preço. Agora, os especialistas em saúde estão preocupados com o fato de que medicamentos vendidos libremente, incluindo esteróides, podem aumentar a prevalência de mucormicose.
SK Pandey, um oficial médico do Hospital Ram Manohar Lohia, na cidade de Lucknow, no estado de Uttar Pradesh, disse que médicos não qualificados estavam dando esteróides a pacientes em muitas áreas rurais sem pensar se eles precisam ou não.
“Isso levou ao aumento de casos de fungo preto em cidades menores, onde o paciente nem mesmo foi hospitalizado”, disse ele.
O Ministério da Saúde da Índia pediu aos estados na quinta-feira que rastreiem a propagação da doença e a declarem uma epidemia, tornando obrigatório que todas as instalações médicas relatem os casos a uma rede de vigilância federal.
Na sexta-feira (21), o primeiro-ministro Narendra Modi disse que a mucormicose é um “novo desafio” a ser enfrentado pela Índia.
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