
Roberto Moraes
Engenheiro e professor titular "sênior" do IFF (ex-CEFET-Campos, RJ)
Big Techs: teia de aranha digital-financeira entra em novo patamar de acumulação e controle
“O uso das técnicas digitais faz parte do desenvolvimento da ciência e tecnologia, mas a sua direção e seu controle não são naturais. Os algoritmos têm dono. Os donos dos dinheiros. É dessa relação que se tem o imbricamento entre o digital e o real, o valor fictício e o valor da produção e o enlace entre o global e o nacional”, destaca o jornalista Roberto Moraes

Não é necessário nem ser um observador assim tão atento, para perceber que as Big Techs estão entrando num novo patamar de atuação, muito para além do que supõe o uso de um notebook ou celular conectados à internet.
Não é só o “clube dos trilhões de dólares” em termos de valor de mercado que demonstra o porte destes maiores oligopólios da história da humanidade, em termos de escala e capacidade de acumulação. Vale registrar que juntas, as Big Techs americanas já passaram, e bem, dos US$ 10 trilhões.
Porém, faço questão de me referir aos avanços da prática anticoncorrencial monopolista dentro dos setores específicos de tecnologia em que atuam. Há até alguma concorrência entre elas em algumas áreas de atuação comum, mas são quase um despiste para negar a prática monopolista, mas no geral os ganhos em escala, são em setores muito específicos de cada uma das Big Techs.
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O fato é que existe uma incapacidade regulatória nacional para um setor que usa atua globalmente. Isto é o maior dos entraves. As Big Techs sabem disso e operam nesse veio. O mesmo acontece na questão tributária, em que as gigantes de tecnologia possuem sedes regionais localizadas em “esconderijos fiscais”, também chamados de paraísos fiscais. Estes permitem sonegações bilionárias que juntas já passam da casa do trilhão de dólares e alimentam a farra das chamadas “empresas offshores”.
A economia de plataformas realiza um mix de dataficação, financeirização e neoliberalismo. Não há como analisar as Big Techs e a dominação tecnológica-digital que elas exercem na condição de “empresa-plataformas-raiz” fora do contexto da hegemonia financeira do capitalismo contemporâneo. Tanto na atração de capitais (fundo hedge e venture capital) nos processos de capitalização, quanto na extração de valor da economia real e da produção.
Fluxos de capitais, derivativos, inovações financeiras APPficadas de todo o tipo, gestoras de fundos, criptomoedas + outras moedas digitais, são partes desta utopia tecnocrática do dinheiro apolítico e do descolamento da gestão dos Estados-nacionais.
As Big Techs já divulgam abertamente que são bases fundamentais para todo esse movimento. Backbones (espinhas dorsais) que criam as condições para essas inovações financeiras e para estes fluxos colossais - e quase incontroláveis - de capitais mundo afora.
Diariamente, a Microsoft, que está próximo de passar a Apple na liderança de valor de mercado entre as Big Techs, rumo aos US$ 3 trilhões, divulga que a maioria das grandes empresas do ocidente, de vários setores da economia, dependem do seu “Workspace”, para continuar operando, existindo e capturando valor da economia real.
É aí que as Big Techs encontram ponto de tangência para se imbricar à economia real no e-commerce, indústria 4.0, indústria das informações e mídia e também nos bancos digitais-fintechs, moedas digitais, tokenização (divisão de propriedades com uso de metadados e registros no blockchain), etc.
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