Olá,
Antes de começar, quero te fazer uma promessa: este não é mais um texto com balanço de fim de ano ou outros clichês que abundam em dezembro. Quando propus aos meus colegas escrever a newsletter de hoje, deixei bem claro que não entraria nessa.
Você não percebeu, mas em 2021 eu passei de estagiário a repórter do Intercept. Fiquei muito feliz não apenas porque gosto de trabalhar nesta redação, mas principalmente porque aqui tenho a possibilidade de fazer coisas que dificilmente faria em outro local.
Quando cheguei ao TIB, encontrei “minha turma” rapidamente. Trabalhando com a editora Tatiana Dias, percebi que poderia me debruçar sobre um tema super quente e urgente: os podres das gigantes de tecnologia e os prejuízos que elas causam.
Antes de prosseguir, uma breve digressão. Esta não é uma cobertura trivial, na verdade é bem corajosa. Digo isso não apenas porque são gigantes globais muito poderosas, mas por seu modus operandi. Basta uma pesquisa rápida para que você descubra como os veículos de mídia em todo o mundo tornaram-se "parceiros" dessas empresas. Elas destinam parte de sua verba de publicidade para “ajudar a financiar o jornalismo” enquanto lucram milhões de dólares todo dia com desinformação e ódio. Não é apenas uma contradição: é estratégia!
Bom, no Intercept encontrei uma proposta diferente. Nós nunca nos candidatamos a nenhum apoio financeiro de empresas como Facebook ou Google. Vai ser difícil você encontrar outra redação assim. Como é muito difícil você encontrar em outros locais matérias que investigam os temas que nós investigamos.
Sou um jovem repórter e por isso te pergunto: como você acha que consigo produzir reportagens longas, demoradas e corajosas sobre Facebook, YouTube e TikTok? Por que o Intercept pode decidir não receber financiamento desses caras? É simples: todos os meses, milhares de pessoas, preocupadas com o poder dessas empresas e os estragos que elas causam nas nossas vidas, nos apoiam com um pouquinho.
Eu sei o que você está pensando agora: o Paulo vai pedir doação para o TIB. Mas espera um pouco. Por favor. Eu vou mesmo pedir, mas não é só isso. Quero te lembrar que há algo de concreto que podemos fazer agora para reagir aos estragos causados à democracia, ao discurso do ódio e à desinformação.
Atenção: não digo isso da boca pra fora. Nossas reportagens realmente causam impacto. Talvez você se lembre da matéria que fiz há alguns meses e resultou na derrubada de canais de extrema direita no YouTube. Não há, ao menos no Brasil, nenhum outro veículo que se dedique a expor os podres do TikTok como nós fazemos.
E, tenha certeza, esse trabalho será crucial em 2022. Acredito que, em termos de campanha de desinformação, o próximo ano será muito pior do que 2018. Por isso, precisamos pressionar para que as big techs sejam responsabilizadas e atacar as redes da extrema direita nesses espaços com eficiência.
Você pode ajudar a fazer isso. Com muito pouco você já me permite produzir mais reportagens e garante que sigamos em frente com liberdade. |
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