Carlos Augusto de Araujo Dória, 86 anos, economista, nacionalista, socialista, lulista, budista, gaitista, blogueiro, espírita, membro da Igreja Messiânica, tricolor, anistiado político, ex-empregado da Petrobras.
Um defensor da justiça social, da preservação do meio ambiente, da Petrobras e das causas nacionalistas.
Bolsonaro teve apenas 26% de intenções de voto desse público, Moro caiu para 7%, Doria aparece com 3% e Ciro com 2%
A corretora de valores XP Investimentos ouviu, nesta segunda-feira (31/1), um grupo de vários investidores e revelou nesta terça-feira (1/2) que 60% deles já veem o ex-presidente Luiz Inácio LULA da Silva como favorito sobre todos os outros pré-candidatos à eleição presidencial de outubro.
O presidente Jair Bolsonaro obteve a apreciação de tão somente 26% deste público. O ex-juiz Sergio Moro obteve queda de 9% para 7%, em relação à pesquisa anterior, o governador de São Paulo, João Doria, marcou só 3%, e Ciro Gomes menos ainda, com 2%.
Os investidores foram ouvidos pela assessoria financeira ontem e hoje, apontando que as chances de LULA voltar a ser Presidente do Brasil aumentaram de 48% para 60%, em relação ao último levantamento.
As informações são do jornalista Guilherme Amado, no Metrópoles.
O Plano Estratégico da Petrobrás é míope, irrealista e negligente
01 Fevereiro
O Plano Estratégico da Petrobrás é míope, irrealista e negligente, compromete o futuro da empresa e a segurança energética nacional, não garante o abastecimento de combustíveis, petroquímicos e da energia elétrica aos menores custos possíveis para promover o crescimento econômico e o progresso social.Proposta de dirigentes e CA atuais atende apenas aos apetites parasitários de poderosos
O Plano Estratégico da Petrobrás é baseado no pressuposto de que petróleo é uma mercadoria como outra qualquer, que o petróleo é um recurso fóssil que será substituído no médio prazo e sofrerá forte redução de demanda nos próximos 28 anos. Baseado numa visão equivocada e de curto prazo, propõe a exploração acelerada das reservas nacionais, a exportação de petróleo cru, e uma visão parasitária e financista de maximizar a distribuição dos dividendos não recorrentes de forma imediata para seus acionistas.
O Plano da Petrobrás reduz investimentos na procura (exploração) de petróleo porque considera que reserva é um estoque, e estoque deve ser minimizados porque imobiliza capital. Considera que investimentos em refino e petroquímica não geram retorno financeiro e dividendos no curto prazo.
O plano estratégico da Petrobrás reduz investimentos em pesquisa e desenvolvimento, dissimulando as suas obrigações de desenvolvimento em transformação digital.
O professor Julian Allwood (*), da Universidade de Cambridge, ressalta que escalar as soluções reais é a única coisa que importa quando discutimos planos para mitigar as mudanças climáticas. Segundo ele, o Acordo de Paris concluiu, em seu relatório, que a substituição do sistema de combustível fóssil existente (petróleo, gás e carvão), usando tecnologias renováveis e eletrificação da sociedade, não serão viáveis para toda a humanidade. Simplesmente, não há recursos para fazer a substituição total. Em um cenário ambiental de deterioração que precisa de ações imediatas, num momento de um sistema financeiro frágil e saturado de dívidas, com energia muito cara, com minerais insuficientes, com países em diferentes condições econômica e sociais e com uma população gigantesca inserida na pobreza, a COP26, em Glasgow, foi um fracasso total, destaca professor Allwood, porque durante toda a reunião baseou-se na ficção de que a tecnologia resolverá o problema das mudanças climáticas, e que o desenvolvimento tecnológico necessário poderia ser alcançado até 2050. Este pressuposto impediu qualquer discussão sobre as soluções reais que requerem políticas globais, restrições específicas a uma série de atividades nos países ricos e discussões técnicas realista de como podemos escalar rapidamente as soluções tecnológicas.
Desta forma, o plano estratégico da Petrobrás deveria focar nos desenvolvimentos tecnológicos alcançáveis e escaláveis como oportunidades de novos negócios e perenidade, com o objetivo de abastecer o Brasil com energia, petroquímicos e fertilizantes aos menores custos possíveis.
O plano estratégico não considera a oportunidade de adicionar a produção da energia elétrica para, com os combustíveis de origem fóssil, abastecer a frota de veículos elétricos, híbridos e convencionais. É necessária capacidade extra de geração de eletricidade para carregar as baterias da frota brasileira dos 75 milhões de veículos, aproximadamente. Como a geração nacional de eletricidade em 2018 foi de 588 TWh, estima-se que para viabilizar a adoção do carro elétrico no Brasil, é necessária uma capacidade extra de 67% de toda a capacidade existente de geração elétrica.
Para substituir gradualmente os combustíveis fósseis, tanto a energia consumida na indústria quanto no transporte, teremos que projetar, reformular e reconstruir o sistema elétrico do Brasil. Temos que desenvolver um sistema elétrico híbrido, integrado vertical e nacionalmente, com usinas fósseis e não fósseis.
Isso exigirá mais energia do que nunca, a indústria de petróleo deve se transformar na indústria integrada de combustíveis, biocombustíveis, da energia, petroquímicos e de fertilizantes para ter papel protagonista para as necessárias mudanças da matriz energética, com capacidade para elevados investimentos e desenvolvimento tecnológico.
Segundo o relatório do Professor Simon Michaux do Geological Survey of Finland GTK, considerando que a energia elétrica gerada a partir de fontes solares e eólicas são intermitentes, tanto em um ciclo de 24 horas quanto em um contexto sazonal, cálculos primários mostram que para substituir uma única usina movida a carvão de tamanho médio (860 MW de capacidade instalada), seriam necessárias 213 usinas solar fotovoltaica de tamanho médio (33 MW de capacidade instalada). Da mesma forma, pode-se calcular que seriam necessárias 87 usinas eólicas de turbinas de tamanho médio (capacidade instalada de 37,2 MW).
Interpolando os números do Professor Michaux para o Brasil, a capacidade anual total adicional de energia elétrica não fóssil a ser adicionada à rede no Brasil precisará ser em torno de 80,2 TWh, então isso se traduz em 472 novas usinas extras para substituir a capacidade instalada atualmente.
Considerando o número de usinas individuais de painéis solares, usinas de turbinas eólicas, usinas nucleares, usinas hidrelétricas e usinas de energia de biomassa para fornecer a exigência adicional de energia para eletrificação da frota nacional de veículos de transporte, o sistema de geração de energia elétrica não fóssil existente (508 TWh) teria que se expandir 2 vezes a capacidade existente. Porém, cada um dos sistemas de combustíveis não fósseis tem limitações práticas para a expansão, por exemplo, as usinas eólicas e hidroelétricas necessitam de condições geográficas e logística de transmissão muito específicas para que sejam viáveis economicamente.
Segundo o relatório finlandês, a produção de biocombustíveis e biomassa é competitiva com a indústria de alimentação humana. Os sistemas que produzem o suprimento mundial de alimentos são muito dependentes de combustíveis fósseis. Alimentar a população global de 2021 de 7,9 bilhões de pessoas, sem fertilizantes derivados de combustíveis fósseis, exigiria metade de toda a terra livre de gelo do planeta, em vez dos 15% da terra arável usada atualmente. Aproximadamente 9% da demanda global de gás é usada para produzir amônia para a fabricação de fertilizantes.
Em resumo, o plano de estratégico da Petrobrás ignora que fertilizantes petroquímicos e defensores agrícolas são necessários para garantir um nível constantemente alto da produção de alimentos. Esses produtos de origem fóssil serão cada vez mais necessários não só para atender à demanda alimentar mundial, mas também para a produção de biomassa para geração de energia elétrica e biocombustíveis para veículos de transporte. Atualmente, para cada caloria dos alimentos consumidos, há 10 calorias de energia fóssil consumidas para produzir e entregar esse mantimento. Grandes quantidades de produtos petrolíferos são utilizados como matérias-primas e energia na fabricação de fertilizantes e defensivos, é fundamental dispor de energia barata e prontamente disponível em todas as etapas da produção de alimentos, biomassa e biocombustíveis: desde plantio, irrigação, alimentação e colheita, até processamento, distribuição e embalagem.
O plano estratégico da Petrobrás não prevê investimentos no desenvolvimento de novos produtos, biocombustíveis e ignora oportunidades de negócios na petroquímica.
Definitivamente, o plano da Petrobrás proposto pelos dirigentes e conselho de administração atuais não atende aos anseios do povo brasileiro, e atende apenas aos apetites parasitários de poderosos, apesar de poucos e temporários acionistas minoritários.
É necessária uma reformulação do plano estratégico da Petrobrás, com discussões técnicas realistas de como podemos desenvolver e escalar opções tecnológicas e apontar soluções reais.
A AEPET defende um plano com fortes investimentos na procura (exploração) de petróleo para recomposição e crescimento das nossas reservas, redução significativa da exportação de petróleo cru, investimentos na geração de energia elétrica em consórcio com as fontes primárias não fósseis e desenvolvimentos de novos produtos para aproveitamento de carbono, desenvolvimentos de biocombustíveis, petroquímicos e fertilizantes. O plano estratégico deve buscar a integração vertical e nacional da Petrobrás, com a garantia da perenidade da empresa. A Petrobrás deve objetivar o abastecimento nacional de combustíveis, biocombustíveis, energia elétrica, petroquímicos e fertilizantes, aos menores custos possíveis, e assim promover o desenvolvimento econômico e social brasileiro.
Assessment of the Extra Capacity Required of Alternative Energy Electrical Power Systems to Completely Replace Fossil Fuels - Simon P. Michaux - GEOLOGICAL SURVEY OF FINLAND -https://tupa.gtk.fi/raportti/arkisto/42_2021.pdf
Desenvolver “sinergias” com o Judiciário e outros braços do Estado, como aponta Piero Leirner? Cooptar aliados civis distribuindo medalhas a mão cheia, como alerta Ana Penido? Melar a disputa eleitoral com tuitadas, versões contemporâneas de sempiternas ameaças à ordem democrática, como frisa Eliézer Rizzo? Pintar meio fio, como sugeriu, num desabafo, Cristina Serra? Atuar como empreiteira obras de engenharia, como mencionou Lula? Manter operante a “família militar”, a maior e mais tresloucada organização política reacionária do país?
Inventar versões da história do Brasil arrogando-se a condição de pais da pátria e estigmatizando os que lutaram por mudanças sociais? Arapongar os que sonham com terra, trabalho e moradia? Exercitar-se para operações de garantia da lei que beneficia os de cima e da ordem que massacra os de baixo?
Esbagaçar dinheiro público comprando armas e equipamentos que não defendem o Brasil, mas reforçam o poderio de potências imperiais, como tenho insistido?
Quem pretende um país soberano e uma sociedade que supere a cruel herança colonial precisa saber o que fazer com as fileiras.
Até agora, generais disseram o que julgam ser bom e ruim para o país. Passa da hora de os brasileiros definirmos como devem ser e o que devem fazer as fileiras que custeamos. A Defesa do Brasil é assunto eminentemente político.
Não cabe pensar que os militares sejam incompetentes para governar. São tão competentes que impuseram regimes e governaram ou condicionaram governantes desde o final da monarquia!
Sua competência está demonstrada de forma eloquente: o Brasil preservou estruturas arcaicas e manteve a dependência do estrangeiro poderoso. Dizer que são incompetentes, como fizeram José Luís Fiori e William Nozaki, é mascarar a evidência: os propósitos das fileiras contradizem os anseios sociais.
Se levarmos a sério a soberania popular, respondamos a questão: o que fazer com as fileiras? Sem respondê-la, demonstraremos medo de sermos felizes.
É improducente e desarrazoado falar em “projeto de nação”, “projeto de país” ou “projeto de sociedade” sem saber o que fazer das fileiras. É vão pensar em política externa altiva e ativa sem instrumentos de força. O mesmo, quanto ao desenvolvimento econômico e a mudança social benfazeja. As fileiras de que dispomos foram estruturadas para um país atrasado sob todos os aspectos. Digo, todos, inclusive o atraso científico e tecnológico.
Olhando de perto, a legenda nacionalista e desenvolvimentista de outrora decorreu de situações forçadas, entre as quais o reclamo social impulsionado pelos comunistas. Voltemos a ler João Quartim de Moraes.
Sem a pressão dos comunas, as fileiras poderiam ter apoiado Hitler. Os comunas teceram loas aos generais que contribuíram para a autonomia energética, a ciência e a modernização da infraestrutura. Enfim, contribuíram para firmar boa imagem das fileiras.
Os fardados devem muito aos comunistas. Só a expedita ordem de quem lhes vende armas e equipamento explica a fúria com que bateram e sangraram patriotas e reformistas sociais. No mundo inteiro, comunistas mostraram que sabem morrer pela pátria. Quem mata comunista trai a pátria.
Precisamos mudar o quartel estruturado para manter leis injustas e ordens iníquas. Para tal, cabe estudá-los. De todos os instrumentos de Estado, as fileiras são as mais complexas e perigosas. Apegam-se à tradição como a lagarta ao milharal do lavrador indefeso.
Falando em tradição, adorei quando o presidente eleito do Chile lembrou Gustav Mahler, um judeu da Boêmia que, sendo romântico, abriu caminho para a sinfonia moderna. Suas composições eram longas e complexas, sugeridas pelas ruas. Mahler disse que a tradição não consistia no culto às cinzas, mas na preservação do fogo. Morreu em 1911, sentindo os fragores da hecatombe.
Ao pensar na volta das fileiras ao quartel, apuremos os ouvidos. A guerra está vindo, se é que não começou. Que as fileiras se prepararem. Para isso as custeamos, não para disputar boquinhas em cargos governamentais ou para a caça desvairada aos que consideram desalmados.