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terça-feira, 31 de julho de 2012

OLIMPÍADAS - O mistério da mulher de vermelho.

O mistério da mulher de vermelho na abertura das Olimpíadas


Paulo Nogueira

Uma jovem indiana, Madhura Honey, entrou para a história dos Jogos de Londres, mas não por causa de algum feito esportivo.
Ela simplesmente se juntou à delegação indiana no desfile da abertura das Olimpíadas. Com um enorme sorriso, ficou estrategicamente ao lado do porta-estandarte, sob a vista das 80 000 pessoas presentes ao Estádio Olímpico e de 1 bilhão de espectadores em todo o mundo.
Vestida de vermelho e azul, Madhura se destacou amplamente das demais mulheres indianas, as atletas, graciosamente embaladas em sáris amarelos.
O único problema é que não era para ela estar lá.

Madhura, de vermelho e azul, no desfile indiano
Ela permaneceu até o final da cerimônia. Acompanhou no campo, ao lado de atletas de todas as partes, a emocionante execução de Hey Jude por Paul McCartney – o fecho da grande festa.
E então voltou à obscuridade anônima da qual saíra sensacionalmente.
Os sites de notícia indianos logo começaram a perguntar: quem é aquela mulher? “O Mistério da Mulher do Desfile” – era esse o tom dos primeiros artigos dos jornalistas indianos. Os chefes da delegação olímpica da Índia se julgaram ultrajados – e reclamaram formalmente para a organização dos jogos.
O mistério enfim foi desfeito quando amigos da intrusa revelaram seu nome. Indiana, Madhura está vivendo em Londres, e se voluntariara para trabalhar nos jogos, como milhares de outras pessoas. Em sua conta no Facebook – desativada – ela vinha mostrando com orgulho o passe que conseguira.
Não estão claras ainda as consequências legais que ela enfrentará. Mas é certo que, entre as fotografias marcantes dos Jogos de Londres de 2012, Madsuma aparecerá per omnia secula seculorem – para todo o sempre.
Fica aqui entregue a Madhura Honey, até segunda ordem, o prêmio Pataquada Olímpica, a ser entregue pelo Diário no final de Londres 2012.
Caso alguém queira indicar candidatos, sugestões serão bem-vindas. Por enquanto, Madhuma é o nome a ser batido.
(Transcrito do site Diário do Centro do Mundo)

MÍDIA - O julgamento da imprensa.

O julgamento na imprensa

"Os trabalhos jornalísticos (sobre o mesalão) com esforço de equilíbrio estão em minoria quase comovente", constata Jânio de Freitas, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo,

Eis o artigo.

O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal é desnecessário. Entre a insinuação mal disfarçada e a condenação explícita, a massa de reportagens e comentários lançados agora, sobre o mensalão, contém uma evidência condenatória que equivale à dispensa dos magistrados e das leis a que devem servir os seus saberes.
Os trabalhos jornalísticos com esforço de equilíbrio estão em minoria quase comovente.

Na hipótese mais complacente com a imprensa, aí considerados também o rádio e a TV, o sentido e a massa de reportagens e comentários resulta em pressão forte, com duas direções.
Uma, sobre o Supremo. Sobre a liberdade dos magistrados de exercerem sua concepção de justiça, sem influências, inconscientes mesmo, de fatores externos ao julgamento, qualquer que seja.

Essa é a condição que os regimes autoritários negam aos magistrados e a democracia lhes oferece.

Dicotomia que permite pesar e medir o quanto há de apego à democracia em determinados modos de tratar o julgamento do mensalão, seus réus e até o papel da defesa.

O outro rumo da pressão é, claro, a opinião pública que se forma sob as influências do que lhe ofereçam os meios de comunicação.

Se há indução de animosidade contra os réus e os advogados, na hora de um julgamento, a resposta prevista só pode ser a expectativa de condenações a granel e, no resultado alternativo, decepção exaltada. Com a consequência de louvação ou de repulsa à instituição judicial.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, reforça o sentido das reportagens e dos comentários mais numerosos, ao achar que "o mensalão é o maior escândalo da história" - do Brasil, subentende-se.

O procurador-geral há de ter lido, ao menos isso, sobre o escândalo arquitetado pelo brilho agitador de Carlos Lacerda em 1954, que levou à República do Galeão, constituída por oficiais da FAB, e ao golpe iniciado contra Getúlio Vargas e interrompido à custa da vida do presidente.

Foi um escândalo de alegada corrupção que pôs multidões na rua contra Getúlio vivo e as fez retornar à rua, em lágrimas, por Getúlio morto.

Como desdobramento, uma série de tentativas de golpes militares e dois golpes consumados em 1955.

O procurador Roberto Gurgel não precisou ler sobre o escândalo de corrupção que levou multidões à rua contra Fernando Collor e, caso único na República, ao impeachment de um presidente. Nem esse episódio de corrupção foi escândalo maior?

E atenção, para não dizer, depois, que não recebemos a advertência de um certo e incerto historiador, em artigo publicado no Rio: "Vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana".

Dois inícios de guerra civil em 1930 e 1932, insurreição militar-comunista em 1935, golpe integralista abortado em 1937, levante gaúcho de defesa da legalidade em 1961, dezenas de tentativas e de golpes militares desde a década de 1920.

E agora, à espera do julgamento do mensalão, é que "vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana".

ECONOMIA - Relatório do FMI.

Relatório do FMI mostra que o Brasil está bem na foto

As conclusões desse relatório são fruto de uma política fiscal e monetária alinhada ao objetivo de manter a solidez da economia; promover o crescimento; a distribuição de renda; a melhoria da massa salarial; o ritmo de geração de emprego e o incentivo aos investimentos em infraestrutura e, principalmente, os sociais.
Por Marcello Antunes, PT Senado
 



Apesar de a torcida contrária se manifestar quase diariamente na mídia com prognósticos negativos às medidas adotadas pelo governo para reaquecer a economia e preservar a vitalidade do sistema financeiro nacional, um relatório elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e divulgado nesta terça-feira (31/07) confirma que o Brasil está bem na foto: o sistema financeiro do País é sólido, bem capitalizado e possui elevados níveis de liquidez e de provisões contra a inadimplência, diz o relatório.

Numa observação de onde se encontra o Brasil diante da crise financeira internacional, o FMI ressalta que o País utilizou corretamente os mecanismos de liquidez para atravessar ‘bem’ a crise financeira internacional. “As medidas macroprudenciais adotadas mostraram-se acertadas, úteis para gerenciar os fluxos de capital e melhorar sua composição”.

As conclusões desse relatório são fruto de uma política fiscal e monetária alinhada ao objetivo de manter a solidez da economia; promover o crescimento; a distribuição de renda; a melhoria da massa salarial; o ritmo de geração de emprego e o incentivo aos investimentos em infraestrutura e, principalmente, os sociais.

A situação fiscal brasileira, por exemplo, permanece dentro das perspectivas de atingir um superávit primário correspondente a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A dívida líquida do setor público em relação ao PIB está prestes a experimentar a casa dos 34%. Nesta terça-feira, ao divulgar o resultado fiscal, o Banco Central mostrou que no ano a dívida líquida em relação ao PIB reduziu-se 1,3 ponto percentual e ficou em 35,1% em junho.

Aliás, no mês de junho, quando o cenário internacional especificamente na Zona do Euro mostrava o recrudescimento da crise, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) que a projeção da dívida líquida/PIB para este ano seria de 35,7%. Houve uma queda motivada pelo crescimento da economia e também por causa da redução dos juros.

A relação dívida/PIB na casa dos 35% é um sólido indicador por mostrar que as contas do Brasil estão controladas e, além disso, dispõe de solvência, ou seja, tem mecanismos para enfrentar a crise financeira internacional como diz o relatório do FMI. Esse indicador de solvência correspondia a 60,4% no início de 2003 quando o ex-presidente Lula iniciou seu primeiro mandato. Nesses dez anos, sem fazer mágica e apostando na inclusão social, o Brasil conseguiu crescer, gerar empregos e reduzir a dívida líquida na proporção do PIB.

Em outras palavras, isso quer dizer que o Brasil está numa posição cômoda, porém vigilante ao cenário externo, até porque o próprio FMI tem feito previsões nada animadoras para os países da Zona do Euro, Estados Unidos e China, seja em relação ao crescimento da economia – que vai ser modesto neste ano e no próximo -, seja em relação às medidas para reduzir os elevados índices de desemprego. No Brasil o índice está em 5,8%, um nível histórico. Já a Espanha, por exemplo, já ultrapassou 20%. Não é à toa que os jornais começam a mostrar uma migração crescente de estrangeiros que querem vir para o Brasil por conta das oportunidades.

Mas é olhando os dados da solvência de outros países que é possível comprovar a situação brasileira. A dívida/PIB da Alemanha está em 81,5%; no Reino Unido está em 82,5%; a França tem uma dívida/PIB de 86,3%, na Itália está em 120,1%; Espanha e Portugal a dívida/PIB beira os 90% e nos Estados Unidos já está em 102,9%, enquanto que no Japão está em 229,8%. Outro detalhe que o FMI levou em conta é que o Brasil, no campo do sistema financeiro, dispõe um colchão de liquidez notável: os bancos mantém depósitos compulsórios (obrigatórios) depositados no Banco Central equivalentes a quase R$ 400 bilhões; as reservas internacionais estão em torno de US$ 370 bilhões; o Brasil tem um elevado grau de excesso de capital contra intempéries no sistema bancário, que está numa escala de 109 pontos, enquanto que o índice da Grécia, que enfrenta uma severa crise, está em 26 pontos; Portugal tem 64 pontos e os Estados Unidos tem 82 pontos. Pelo conjunto de indicadores, vale ressaltar que o Brasil tem conseguido manter o controle sobre a inflação.

POLÍTICA - Dilma prepara pacotes.

Dilma prepara pacotes longe do mensalão


Dilma Rousseff Dilma prepara pacotes longe do mensalão
Disposta a se manter o mais longe possível das discussões que envolvem o julgamento do mensalão, que começa nesta quinta-feira (2), a presidente Dilma Rouseff vai dedicar a maior parte do seu tempo nos próximos dias para definir com os ministros da área econômica as medidas que pretende anunciar, ainda em agosto, com o objetivo de apresentar uma agenda positiva ao País.
São dois pacotes com o mesmo objetivo: criar condições para que a iniciativa privada volte a investir e assim espantar o mau humor na economia com as constantes previsões de queda no PIB.
O primeiro pacote a ser anunciado deve contemplar a redução das tarifas de energia elétrica, um dos principais entraves apontados para o baixo crescimento do setor industrial registrado este ano.
Outro conjunto de medidas prevê novas concessões para promover investimentos em infraestrutura, com prioridade para portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.
As prioridades ferroviárias foram discutidas sexta-feira passada em Brasília, com a participação de representantes do governo de São Paulo, que planeja a implantação de novas linhas ligando a Baixada Santista, Sorocaba e Campinas à capital, no sistema de PPPs (parcerias público-privadas).
No Palácio do Planalto, o clima é de silenciosa expectativa sobre o início do julgamento do processo do mensalão, mas ali todo mundo finge que nada está acontecendo capaz de preocupar o governo.
Dois auxiliares de Dilma devem ficar encarregados de fazer o acompanhamento do caso para a presidente. Na área jurídica, o chefe da Advocacia Geral da União, Luiz Inácio Adams; na política, quem cuidará do meio de campo é o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso.
Para o Governo Federal, quanto menos se falar neste assunto no Palácio do Planalto, melhor. Até o final da tarde de hoje, ainda não havia sido divulgada a agenda da presidente Dilma para a quinta-feira.
Blog do Ricardo Kotscho. R7

segunda-feira, 30 de julho de 2012

POLÍTICA - Serra caçando os "blogueiros sujos".

Contraponto 8832 - " Marcos Coimbra: Serra caçando os 'blogueiros sujos' "

por Marcos Coimbra, no Correio Braziliense

Uma das sabedorias antigas dos mineiros ensina que, na política, não existem gestos gratuitos. Todos têm consequência.
E não só para quem os pratica. Muitas vezes, os efeitos de um ato individual atingem correligionários e companheiros.
Podem, por exemplo, afetar de maneira ampla a imagem do partido a que pertencem. Mudam a percepção da sociedade a respeito de seus integrantes. Quando é para o bem, ótimo. Mas pode ser para o mal.
Nesses casos, o ônus é compartilhado. Todos pagam por ele. A decisão da Executiva Nacional do PSDB de recorrer à Justiça contra os “blogueiros sujos” que o criticam é um desses.
O verdadeiro inspirador da ação foi o candidato do partido a prefeito de São Paulo, mas suas consequências negativas não se circunscrevem a ele. O gesto de Serra alcança coletivamente os tucanos.
Em si, é apenas uma reação tola. Que expectativa de sucesso tem o ex-governador? Será que acredita que conduzir o PSDB a uma cruzada contra os responsáveis por blogs que antipatizam com ele redundará em alguma vantagem para sua candidatura?
Movido por sua insistência, o partido representou à Procuradoria-Geral Eleitoral para denunciar o “uso de recursos públicos” no financiamento de “blogs, sites e organizações” que funcionariam como “verdadeiras centrais de coação e difamação de instituições democráticas”.
Na prática, o que o PSDB pretende é que empresas e bancos estatais sejam proibidos de comprar espaço publicitário em blogs contrários ao partido e às suas lideranças. A argumentação de que é movido pelo zelo de proteger as instituições é fantasiosa. Aliás, sequer cabe aos partidos políticos esse papel.
O que Serra quer mesmo — e não é de hoje – é impedir a manifestação de seus adversários.
Talvez tenha se acostumado com a convivência que mantém com alguns veículos e comentaristas da nossa indústria de comunicação. De tanto vê-los defendendo seus pontos de vista e acolhendo suas opiniões, convenceu-se que os críticos não mereceriam lugar para se expressar.
O fascinante na argumentação é que não o incomoda (ou a seu partido) que existam “blogs, sites e organizações (?)” — bem como revistas, jornais e emissoras de televisão e rádio — que recebam investimentos em propaganda do setor público e façam oposição até agressiva ao governo.
Parece que acham isso natural e que tais aplicações se justificariam tecnicamente. Se determinado veículo tem leitores, não haveria porque excluí-lo do plano de mídia de uma campanha de interesse de um órgão ou empresa pública. Fazê-lo equivaleria a puni-lo por um crime de opinião.
Se vale para os órgãos de comunicação hostis ao governo e ao “lulopetismo”, por que não se aplicaria no caso inverso? Seria errado anunciar em blogs com visitação intensa, apenas porque seus responsáveis não simpatizam com os tucanos?
Ou Serra e seu partido aplaudiriam se o governo proibisse que seus órgãos comprassem espaço publicitário na imprensa oposicionista?
A decisão sobre a alocação dessas verbas pode ser questionada com base em critérios objetivos: tem determinada emissora suficiente audiência para cobrar seus preços? Aquele jornal tem a circulação que afirma? O blog ou site em questão tem volume relevante de acessos?
Fora disso, é apenas castigar — ou querer castigar — quem tem opinião diferente.
Engraçado lembrar o destaque que o PSDB e suas figuras de proa, como Fernando Henrique, veem dando à internet na discussão do futuro do partido. Tomara que não pensem como Serra: que na internet só podem ficar os “limpos” — que os que o aplaudem, pois os “sujos” — que o questionam – devem ser banidos.

PETROBRÁS - As Novas Refinarias no Brasil.

Nas últimas semanas notícias contraditórias foram divulgadas em relação à construção de novas refinarias no Brasil.
Quando da divulgação do Plano de Negócios 2012-2016 da Petrobrás a Presidente Graça declarou que a construção de novas refinarias, especialmente as chamadas Premium I e Premium II, não estava suspensa. Mas que seu planejamento estava sendo refeito para que essas refinarias se mostrassem economicamente viáveis.
A Presidente deixava claro que projetos sem viabilidade econômica (como a Refinaria do Nordeste que de um custo inicial previsto inferior a US$4 bilhões e que agora, com cerca de 60% construída, já está orçada em US$17 bilhões) não seriam mais iniciados pela Companhia. Para que se tenha ideia, o custo internacional atual de construção de uma refinaria é de US$35 mil por barril de capacidade de refino e a do Nordeste já está com um custo em torno de US$100 mil.
Imediatamente políticos do Ceará e Maranhão, estados que deveriam receber as refinarias, se pronunciaram violentamente contra a declaração da Presidente, havendo quem inclusive falasse em estelionato eleitoral por parte do ex-Presidente Lula que foi quem, no seu governo, definiu essa construção.
Como resposta falou-se em “autorização do governo” para que a Petrobrás procurasse empresas estrangeiras para investir nesses projetos e viabilizar sua execução. Na recente reunião da direção da AEPET com a Presidente Graça esta afirmou que a Petrobrás não havia pedido nenhuma autorização e que ela pessoalmente não tinha posição a respeito naquele momento.
Na cadeia do petróleo a atividade de refino é a que menor margem de lucro oferece. É difícil acreditar que algum capitalista invista seu dinheiro em uma atividade cujos produtos tenham seus preços controlados pelo governo, como é o caso dos derivados no Brasil. A própria Petrobrás sofre no momento com essa política de preços.
Prova dessa falta de economicidade foi a venda pela Repsol da sua parte na REFAP no Rio Grande do Sul, que havia sido comprada no governo FHC, e a venda da Refinaria Ypiranga também à Petrobrás. Apenas a Petrobrás como empresa estatal e trabalhando do “poço ao posto” tem capacidade de assumir tais prejuízos, e mesmo assim seu caixa e capacidade de investimento disso muito se ressentem.
Cabe discutir, mesmo superficialmente, porque e onde construir novas refinarias. A atual política do governo, no nosso entendimento equivocada, de incentivo à indústria automobilística em detrimento do transporte coletivo, e de gasolina barata levam ao aumento do consumo de derivados acima da capacidade de refino do País. Então a Petrobrás importa derivados a preços internacionais e os vende com prejuízo. Assim a construção de novas refinarias será para complementar o consumo nacional e não, como previsto no governo Lula, para exportação, o que na época foi argumentado como justificativa para a localização no Ceará e no Maranhão, que facilitaria a exportação por estar mais perto dos países importadores. Com a mudança de objetivo, a localização deveria ser reestudada para perto dos mercados consumidores internos, isto é, a localização de refinarias deve estar estritamente ligada a aspectos logísticos e de eficiência e não à conveniência política dos governantes de plantão.
Em que hipótese então tais capitalistas se disporiam a investimento fadado ao prejuízo? Obviamente capitalistas não jogam para perder, e já foi inclusive aventada a possibilidade de um farm out (venda de parte de bloco exploratório) pela Petrobrás, que assim transferiria parte de um bloco seu no Pré-Sal para que o investidor compensasse possíveis prejuízos com o refino.
Resumindo, a Petrobrás é quem bancaria todo o prejuízo do refino, como já faz hoje, e o tal investimento externo no refino seria apenas um “biombo” para esconder a doação do nosso petróleo através do farm out.
Essas manobras devem ser denunciadas e rejeitadas pela população brasileira. O governo deve rever seu incentivo à indústria automobilística e investir pesadamente no transporte público coletivo, racionalizando o uso dos combustíveis e melhorando o trânsito caótico que existe hoje em todas as grandes cidades brasileiras. Quanto ao atendimento ao crescimento do consumo de derivados, cabe ao governo proporcionar à Petrobrás o rendimento mínimo nos preços para que possa investir saudavelmente nas refinarias de que o País necessita, localizando-as, como já falamos, por critérios técnico-econômicos e não puramente políticos como muitas vezes ocorre.
Finalmente, deve ficar claro que por ser uma estatal e ter preocupação, e responsabilidade, com o desenvolvimento do País, a Petrobrás deve sim construir as refinarias necessárias, apesar dos sócios minoritários defenderem que se dedique apenas às atividades mais rentáveis como a exploração e produção.
Fonte: AEPET

POLITICA - Agosto vem aí.

Agosto vem aí e o mundo não vai acabar


folha Agosto vem aí e o mundo não vai acabar
Quarta-feira, como me informa a folhinha sobre a mesa, começa oficialmente o mês de agosto, também chamado de mês de desgosto, por não nos trazer boas recordações em nossa memória política.
Este ano, com o julgamento do mensalão e a volta da CPI do Cachoeira, mau humor na área econômica e sem grandes esperanças na campanha eleitoral, as previsões do tempo político para agosto levam alguns analistas da grande mídia a anunciar a proximidade do apocalipse.
Calma, pessoal. Nestas horas de ânimos exaltados, nada como ler um texto do meu bom amigo Mauro Santayana, jornalista autodidata de raro talento, caráter e paixão pelo ofício.
Lúcido e sereno como sempre, o velho Santayana escreveu nesta segunda-feira um artigo com o título "O julgamento de agosto", publicado no boletim "Carta Maior" e reproduzido no blog de Paulo Henrique Amorim, onde o encontrei.
"O mundo não acabará neste agosto, nem o Brasil entrará em crise, qualquer que venha a ser o resultado do julgamento a que se dedicará o STF no mês que se inicia quarta-feira. Tampouco se esperam grandes surpresas", escreveu meu antigo colega de redação dos bons tempos do "Jornal do Brasil" e da "Folha".
É exatamente o que penso sobre o momento que o país está vivendo, com a reabertura dos trabalhos nesta semana no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal.
Agora, que todo mundo já falou e escreveu tudo o que pensa sobre o processo qualificado pelo procurador-geral Roberto Gurgel e por boa parte da nossa imprensa como "o maior escândalo de corrupção da história do país" _ como se existisse um metro para fazer comparações deste tipo no tempo e no espaço, antes mesmo do julgamento que começa nesta quinta-feira, dia 2 _ que falem os autos.
Habituado a olhar para a floresta e não a se fixar nas árvores que nascem e morrem, com a sabedoria herdada de quem foi assessor de Tancredo Neves na campanha presidencial de 1984, Santayana constata que "a importância maior desse julgamento está nas reflexões políticas e jurídicas que ele provocará".
Por exemplo: "A inteligência política é convocada a encontrar sistema de financiamento público de campanha, de forma justa e democrática, a fim de que todos os candidatos tenham a mesma oportunidade de dizer o que pretendem e pedir o voto dos cidadãos. Não é fácil impedir a distorção do processo eleitoral, mas é preciso construir legislação que reduza, se não for possível elimina-la, a influência do poder econômico no processo político".
Por acaso ou não, o julgamento do mensalão se dá concomitantemente às revelações feitas pela CPI do Cachoeira sobre as ligações do notório contraventor com políticos de vários partidos e empresas interessadas em contratos públicos, tendo como pano de fundo o financiamento de campanhas eleitorais.
Esta promiscuidade está na origem das denúncias que levaram o ex-presidente Fernando Collor à renúncia. em 1992, e à descoberta do "valerioduto" que deu origem ao precursor mensalão tucano, também chamado de mensalão mineiro, em 1998.
De denúncia em denúncia, crise em crise, de processo em processo, o país vai adiando a reforma política tão necessária para evitar que o voto seja mera moeda de troca na nossa ainda jovem democracia.
O que não dá para adiar são as nossas contas, que precisamos continuar pagando todo final de mês, sem atrasar nenhum dia, quaisquer que sejam os resultados do julgamento do mensalão, da CPI do Cachoeira e das eleições municipais.
Blog do Ricardo Kotscho.

POLÍTICA - No que vai dar o mensalão?

stf agenciabrasil No que vai dar o mensalão? Ninguém sabe
Por onde tenho passado nas últimas semanas, todo mundo me pergunta o que vai dar o processo do mensalão, que começa a ser julgado às duas horas da tarde da próxima quinta (2) e não tem um prazo certo para terminar.
As pessoas ainda acham que os jornalistas sabem mais do que os outros, temos informações que os outros não têm. Às vezes, isso pode até acontecer, mas não é o caso deste processo.
Depois de ler todas as "reportagens especiais" publicadas pelos jornais e portais durante a semana, e as matérias de capa das revistas, rememorando nos mínimos detalhes o caso de sete anos atrás, informações a que todo mundo tem acesso, com centenas de entrevistas de réus, advogados, juristas e especialistas em geral, chego ao domingo sem ter a menor ideia do que pode acontecer.
Em quase todos os textos, notei que há mais torcida do que análise, discutindo se a decisão deve ser política ou técnica, como se o Direito fosse uma ciência exata e houvesse uma só receita para todos os diagnósticos apresentados nas mais de 50 mil páginas do processo.
A esta altura do campeonato, acredito que ninguém sabe o que se passa pela cabeça dos 11 juízes do Supremo Tribunal Federal que vão decidir o destino dos 38 réus do processo. Talvez nem eles próprios tenham definido ainda o seu voto _ ou não haveria necessidade de um julgamento em que todos ouvirão os argumentos da acusação e da defesa.
Só o procurador-geral Roberto Gurgel, os comentaristas e editorialistas da chamada grande imprensa já deram um veredicto: todos os réus devem ser condenados e mandados para a cadeia. Caso contrário, estará ameaçado o futuro da democracia, a credibilidade do Judiciário e a família brasileira, colocando em risco o bem estar dos nossos filhos e netos.
O cenário montado na mídia é o de um País que está entrando em guerra, na base do agora vamos para o tudo ou nada, e só a condenação geral nos salvará. Pelo menos é isto que transparece não só nas opiniões dos porta-vozes da grande imprensa, mas principalmente nas cartas dos leitores publicadas nos últimos dias, cada vez mais belicosas e ameaçadoras, refletindo um clima de pressão extrema sobre os ministros do STF.
Na verdade, ninguém é isento, nem eu, para analisar este Fla-Flu jurídico e político que poderá ter forte influência nesta e nas próximas eleições. Como está informado no meu perfil no alto deste blog, trabalhei no governo Lula como Secretário de Imprensa e não é segredo para ninguém que sou amigo pessoal do ex-presidente e de muitos dos denunciados neste processo.
Como não li os autos, não teria condições de responder ao título deste post, mas tenho a ligeira impressão que, honestamente, ninguém sabe dizer o que vai acontecer. Pode dar Fla e pode dar Flu, e como o campeonato não pode acabar em empate, só me arrisco a prever que o resultado será bastante apertado.
Com a palavra, os caros leitores do Balaio. Alguém sabe o que vai dar?
Blog R7 do ricardo kotscho.

domingo, 29 de julho de 2012

POLÍTICA - Tucanos outra vez correm para o "tapetão".

Do blog "O que será que me dá".

Os internautas piram quando podem usar de toda a sua criatividade sem censura. Foto-montagem de um(a) anônimo(a)
A ação movida pelo PSDB para que se investiguem os blogs de Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif e outros, mostra que o tapetão é o único ambiente onde os tucanos se sentem à vontade para fazer política. Sugerir que blogueiro de esquerda é “financiado”, seja por quem for, é coisa de analfabeto digital. Os blogueiros de esquerda PAGAM para blogar – seja em dinheiro, seja em tempo dedicado ao seu blog. Se há quem ganhe – e muito bem – para falar mal do governo e denegrir a imagem de inimigos do seu patrão, é justamente o blogueiro da Veja, Globo, Folha e Estadão!
O problema dos tucanos é que a cada eleição que perdem são empurrados mais para a direita, se tornam menores e perdem o equilíbrio mental e emocional. Prato cheio!
Qual é o personagem do PSDB mais esculachado nas redes sociais? O político profissional, mafioso, que não tem escrúpulos, que é arrogante, mal humorado e vive se fazendo de vítima de complôs, dossiês etc? Aquele, que segundo Ciro Gomes, “passa com um trator em cima da própria mãe se for preciso”? Por que ele é o saco de pancadas preferido dos internautas – blogueiros ou não – sempre antenados, cheios de senso de humor e criatividade?
Deixa eu ver… Será aquele semblante acinzentado, cadavérico que lhe rendeu o apelido de Nosferatu? Serão as imagens dele enfiando o dedo no nariz em público? Aquela escorregada em escada rolante talvez? Ou será que é porque não sabe andar de skate? Será aquela lição errada de aritmética filmada numa sala de aula cheia de adolescentes ou é porque vira evangélico num passe de mágica? Será que é porque é contra o aborto mas fez com a esposa ou porque beija a própria mão, fingindo beijar a mão do povo? Será que é porque manda as meninas bonitas pedirem aos pretendentes que votem nele ou é porque passa noites em claro na Internet, dorme até tarde e não trabalha de manhã? Será que é porque diz que é engenheiro e economista mas nunca se formou em nenhuma dessas carreiras ou porque contrata “povo” para aparecer em seus comícios? Será que é porque chama o seu país de “Estados Unidos do Brasil” ou porque em suas gestões sempre compra toneladas de lixo impresso da editora Abril, Folha e Estadão para que não falem mal dele e demitam quem ousar?
Mais para trás no tempo: Será que é porque abandonou a UNE e saiu correndo do Brasil no golpe militar ou porque passou muitos anos “exilado” nos EUA – justamente no ninho dos que conspiraram para instalar todas as ditaduras da América do Sul? Será que é porque vendeu empresas brasileiras a preço de banana no governo FHC ou porque tentou roubar créditos alheios (genéricos, AIDS, FAT)? Será que é porque prometeu que cumpriria mandato e descumpriu a promessa na cara dura? Ah! E a cereja do bolo: será que é por conta do episódio “bolinha de papel”, que virou jogo e foi feito em parceria com a emissora de TV que é especialista em idiotizar seres humanos?
Todos estes feitos quixotescos foram amplamente registrados em fotografias, vídeos e áudios espalhados na Internet, em centenas de blogs, sites e portais, além de estarem registrados na memória das pessoas. Por isso ele é uma piada ambulante. Quer o que? Elogios? Admiração? De tanto se expor em campanhas eleitorais (presidencial em 2002, prefeitura de São Paulo em 2004, governo de São Paulo em 2006, presidencial em 2010), tornou-se “manjado” demais, caricatura de si mesmo.
O “coiso” – como é chamado nas redes sociais – é uma das maiores falsificações produzidas pela mídia em sua “época de ouro”. É do tempo dos currais eleitorais, do tempo em que “só acontecia se desse no JN”, como dizia ACM. Embora se esforce para parecer “moderninho”, o “coiso” é um dinossauro. Ainda vê o eleitor como gado e aposta em sua cegueira para roubar-lhe o voto.
Nem vou entrar no mérito de sua incompetência administrativa (que a imprensa paulista vive escondendo ou maquiando) e do fato de estar atolado em processos até o pescoço. Sem falar da CPI do Cachoeira que o detectou e já lhe faz sombra e da futura CPI da Privataria Tucana, onde terminará seus dias.
Como vocês podem ver, tem muito o que blogar sobre ele. Independente dos resultados de outubro próximo.

POLÍTICA - "Quem te viu, quem te vê"

Um pouco de história: quase no final de 1963, eu e um grupo de estudantes entre êles o Zé Dirceu, fomos assistir o famoso "Comício da Central", promovido pelos movimentos sociais em defesa das Reformas de Base que o Jango queria implementar em seu governo. Uma delas, a "lei de remessa de lucros" das empresas multinacionais que espoliavam nosso país, foi um dos pretestos para a derrubada de um presidente eleito livremente.

Naquela ocasião, Serra então presidente da UNE, pronunciou um violentíssimo discurso em defesa de Jango e de sua política nacionalista e das "Ligas Camponesas" do Francisco Julião, também presente em tal ato. Fez tal pronunciamento ao lado do Jango, Brizola, Arraes, Julião e outros que não me lembro no momento. Nós aquí do Rio, que ainda não conhecíamos o Serra, ficamos impressionadíssimos com a virulência do seu discurso e, após, o evento, fomos com o Zé Dirceu para sermos apresentados ao Serra, que não conhecíamos pessoalmente. Aproveitamos para convidá-lo para ir conosco ao bar Jangadeiros, na praça General Osório, no começo de Ipanema, onde normalmente nos reuníamos para discutir política. Diga-se de passagem, que o Jabor, na época um tremendo esquerdista, participava das nossas "chopadas".

Quando da primeira campanha presidencial do Lula, encontrei acidentalmente o Jabor tomando um café, e lhe disse que não o reconhecia mais como um daqueles da chamada "esquerda festiva" que frequentava o "Jangadeiros". Êle me respondeu que o mundo mudou, que êle mudou, e que eu na certa tinha me transformado num "xiita". Argumentei então que muitas coisas que ele combatia quando o conheci, continuam bem atuais no Brasil nos tempos presentes e que eu mantinha minhas conviccões.
Nos despedimos cordialmente e disse que não consigo mais lêr o que êle escreve ou seus comentários histriônicos na TV Globo. Respondeu que eu deveria então mudar de canal e de TV.

Hoje, passados mais de 50 anos, com o Brasil passando pelos mesmos problemos daqueles tempos, como tremenda evasão de divisas que inclusive vem afetando nosso Balanço de Pagamentos, imoral concentração de renda e desigualdade social, etc, etc, que o Serra na época combatia, podemos dizer, "quem te viu, quem te vê".

Ele e outros, como o Jabor, passaram para o outro lado e, principalmente o Jabor, passaram a defender o que há de mais reacionário no nosso país. Viraram representantes da direita radical, dos interesses anti-nacionais e dos que defendem a criminilização dos movimentos sociais. Enfim, renegaram tudo aquilo que combatiam no passado, que muitas vezes ainda continua presente na atual conjuntura econômico- social brasileira.

O Mauro Santayana, um dos decanos do jornalismo brasileiro, escreveu o artigo abaixo que me levou a escrever as linhas acima.

Carlos Dória


Serra e a democracia de duas orelhas



Mauro Santayana

A verdade, diz um provérbio berbere, é como o camelo: tem duas orelhas. Você pode agarrá-la como lhe for mais conveniente, pela direita ou pela esquerda. Essa parece ser a postura do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, que prefere a direita. Para quem conheceu o jovem Serra de há quase 50 anos, é um desconsolo descobrir o que o tempo faz aos homens. Não só, como no poema de Drummond, ao abater com sua mão pesada, cobra os anos com “rugas, dentes, calva”, mas também costuma sulcar erosões nas idéias.

José Serra quer calar os blogueiros sujos, e usou o seu partido para isso. Dois nomes são mencionados, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. Não preciso expressar a minha solidariedade aos atingidos. O que está em questão – e os dois estarão de acordo com o raciocínio – é muito maior do que eles mesmos e todos os outros franco-atiradores da internet. O problema real são os limites que querem impor à democracia.

Ao que parece, há uma liberdade de imprensa para uns, e outra, para os demais. Os grandes veículos de comunicação combatem o governo e recebem dele vultosas verbas de publicidade, como é do conhecimento geral. Alguns poucos blogs, por convicção, defendem o governo federal, mas, conforme o PSDB, estão impedidos de receber verbas publicitárias das empresas estatais.

Nenhum jornalista brasileiro pode se dar o luxo de não contar, em sua remuneração, qualquer que ela seja, com parcelas, ainda que pequenas, de dinheiro público. O poder público é a base de toda a economia nacional. Ele contrata as empreiteiras, compra das grandes empresas industriais, além de subsidiá-las com incentivos fiscais, financia as atividades agropecuárias, paga pelos serviços, participa do custeio das grandes organizações patronais, entre elas a Fiesp, para ficar apenas em São Paulo. Assim, indiretamente, participa de todos os gastos com publicidade.

E mais, ainda: quem paga tudo, afinal, é a sociedade e, nela, os que realmente produzem, ou, seja, os trabalhadores. E são os trabalhadores, com parcela de seu suor, que mantêm o enganoso Fundo de Amparo ao Trabalhador que, administrado pelo Estado, por intermédio do BNDES, financiou as privatizações e continua a financiar empresas estrangeiras, como é o caso notório das companhias telefônicas, a começar pela controlada pelos espanhóis. Em suma, o trabalhador paga pela corda que o sufoca.

Serra, e os que pensam como ele, tentam, como Josué em Jericó, segurar o sol com as mãos, ou, melhor, impedir que a Terra continue rodando em torno de seu eixo e em torno da nossa estrela. A internet é indomável. E, apesar de suas terríveis distorções, como veículo que serve à difamação, à calúnia, à contrainformação, a difusão de atos de insânia – ampliando o que a televisão vinha fazendo – não há, no horizonte das idéias plausíveis, como amordaçar os bytes, imobilizar os elétrons, apagar as telas. Tudo isso poderá ocorrer com uma tempestade solar, mas nunca pela ação dos estados – a menos que, como tantos sonham, um governo fascista mundial destrua o sistema.

O candidato José Serra e seus correligionários se encontram alheios ao mundo que os cerca. Estão como um francês distraído que, em 10 de agosto de 1792, em um dos muitos cafés do Jardim das Tuileries, tomava placidamente uma baravoise – para os curiosos, mistura de café, conhaque e uma gema de ovo, segundo a receita do libertino Casanova. Enquanto isso, a multidão invadiu o Palácio Real – de onde, por pouco, escaparam Luis XVI e Maria Antonieta – e o saqueou. O desconhecido continuou a beber. Todos os que o cercavam fugiram esbaforidos. Na defesa do palácio, morreram seiscentos guardas suíços. O francês distraído estava alheio a tudo, em sua manhã de agosto. Cinco meses depois, o rei e a rainha encontrariam a lâmina da guilhotina.

José Serra e os seus estão pensando em seu outubro, embora estejamos, no mundo inteiro, em tempos semelhantes aos do francês sans souci. Como sempre, o que está em jogo é a mesma reivindicação dos sans culotte: igualdade, liberdade, fraternidade – ou, seja, a democracia real.

ECONOMIA - Uma das razões da tremenda desigualdade social brasileira.

Dólares brasileiros no exterior explicam a desigualdade no país


Pedro do Coutto

James Henry, economista chefe da Consultoria Internacional McKinsey, divulgou levantamento sobre os depósitos, senão totalmente ilegais, pelo menos irregulares, de empresas brasileiras e de brasileiros no exterior, que atingem nada menos de 520 bilhões de dólares. A reportagem, da Sucursal de Brasília, não assinada pessoalmente, saiu na edição da Folha de São Paulo de segunda-feira 23. Incrível o montante, quase inacreditável o volume de dinheiro.

Calcula a McKinsey que a torrente de recursos corresponda a vinte por cento do Produto Interno Bruto do Brasil previsto para este ano. Talvez não chegue a vinte por cento, mas seguramente oscila em torno de algo fantástico. Podemos, inclusive, para fornecer uma nítida ideia de valor, que 1 trilhão de reais representam quase a metade do orçamento do país em 2-12. Dimensiona melhor a questão.
E vale acentuar que o programa de investimentos do governo federal até o final deste exercício foi projetado na escala de apenas 107 bilhões de reais, incluindo a atuação das empresas estatais. Fora do nosso território existe portanto, em nível financeiro, a metade da lei de meios nacional.
Tais depósitos, é evidente, são fruto de sonegação fiscal e evasão de divisas remetidas por doleiros através do tempo para paraísos fiscais. Impressiona. Porque o Banco Central possui o monopólio do câmbio, me informa o economista Gilberto Paim. Os operadores em moedas estrangeiras têm que se encontrar registradas no BC e por ele habilitados.
A impressão é que existe uma acomodação para supor o mínimo. O sistema bancário possui fortíssima blindagem. Vá alguém deixar de pagar uma dívida. Não tem cabimento que o rigor natural para com os devedores não seja estendido aos aproveitadores de situações. Não há desculpa. O quadro técnico do Banco Central é altamente competente.
Mas esta é outra questão. O mais revoltante é que a exportação ilegal de dinheiro significa o sangramento das contas nacionais, a exploração do trabalho humano, aqui dentro, a manutenção de milhões de pessoas na pobreza. Dinheiro não falta para projetos de desenvolvimento econômico e social. Falta é a sua correta localização. Dentro de nossas fronteiras. A evasão de divisas representa também o financiamento para o surgimento de empregos fora do país. No exterior. E uma coisa é evidente: a maioria das remessas é ilegal. Pois se legal fosse, não haveria motivo para que esse enriquecimento deixasse de ser brasileiro. São remessas de comissões em cima de comissões, de superfaturamentos, de escape da incidência do Imposto de Renda.
Imposto de Renda, eis aí. Todos os anos, o Banco Central publica uma circular no Diário Oficial da União dando prazo para que os brasileiros que possuem contas e bens no exterior forneçam os respectivos saldos e levantamentos. E determina também que, de doze em doze meses, os totais sejam atualizados. Tudo fica no papel. Ninguém dá bola.
Porque se os titulares dos depósitos e bens levassem a sério a determinação, teriam que aparecer os 520 bilhões de dólares a que se referiu a Consultoria McKinsey. James Henry, inclusive, disse ter chegado a essa conta após cruzamento de informações do FMI, do Banco Mundial e de governos de países onde se encontra a fabulosa fortuna, algo das mil noites. Inebria e entontece, como no verso da valsa famosa.
O dramático é que, enquanto 520 bilhões de dólares brasileiros escapam da economia nacional, bilionários cruzam os céus do mundo em aviões particulares. Falta saúde, saneamento básico, educação e segurança. Sobram recursos que voaram (e continuam voando) lá para fora.
Fonte: Tribuna na Internet.

POLÍTICA - "Quem te viu, quem te vê"

Serra e a democracia de duas orelhas

Mauro Santayana

A verdade, diz um provérbio berbere, é como o camelo: tem duas orelhas. Você pode agarrá-la como lhe for mais conveniente, pela direita ou pela esquerda. Essa parece ser a postura do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, que prefere a direita. Para quem conheceu o jovem Serra de há quase 50 anos, é um desconsolo descobrir o que o tempo faz aos homens. Não só, como no poema de Drummond, ao abater com sua mão pesada, cobra os anos com “rugas, dentes, calva”, mas também costuma sulcar erosões nas idéias.

José Serra quer calar os blogueiros sujos, e usou o seu partido para isso. Dois nomes são mencionados, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. Não preciso expressar a minha solidariedade aos atingidos. O que está em questão – e os dois estarão de acordo com o raciocínio – é muito maior do que eles mesmos e todos os outros franco-atiradores da internet. O problema real são os limites que querem impor à democracia.

Ao que parece, há uma liberdade de imprensa para uns, e outra, para os demais. Os grandes veículos de comunicação combatem o governo e recebem dele vultosas verbas de publicidade, como é do conhecimento geral. Alguns poucos blogs, por convicção, defendem o governo federal, mas, conforme o PSDB, estão impedidos de receber verbas publicitárias das empresas estatais.

Nenhum jornalista brasileiro pode se dar o luxo de não contar, em sua remuneração, qualquer que ela seja, com parcelas, ainda que pequenas, de dinheiro público. O poder público é a base de toda a economia nacional. Ele contrata as empreiteiras, compra das grandes empresas industriais, além de subsidiá-las com incentivos fiscais, financia as atividades agropecuárias, paga pelos serviços, participa do custeio das grandes organizações patronais, entre elas a Fiesp, para ficar apenas em São Paulo. Assim, indiretamente, participa de todos os gastos com publicidade.

E mais, ainda: quem paga tudo, afinal, é a sociedade e, nela, os que realmente produzem, ou, seja, os trabalhadores. E são os trabalhadores, com parcela de seu suor, que mantêm o enganoso Fundo de Amparo ao Trabalhador que, administrado pelo Estado, por intermédio do BNDES, financiou as privatizações e continua a financiar empresas estrangeiras, como é o caso notório das companhias telefônicas, a começar pela controlada pelos espanhóis. Em suma, o trabalhador paga pela corda que o sufoca.

Serra, e os que pensam como ele, tentam, como Josué em Jericó, segurar o sol com as mãos, ou, melhor, impedir que a Terra continue rodando em torno de seu eixo e em torno da nossa estrela. A internet é indomável. E, apesar de suas terríveis distorções, como veículo que serve à difamação, à calúnia, à contrainformação, a difusão de atos de insânia – ampliando o que a televisão vinha fazendo – não há, no horizonte das idéias plausíveis, como amordaçar os bytes, imobilizar os elétrons, apagar as telas. Tudo isso poderá ocorrer com uma tempestade solar, mas nunca pela ação dos estados – a menos que, como tantos sonham, um governo fascista mundial destrua o sistema.

O candidato José Serra e seus correligionários se encontram alheios ao mundo que os cerca. Estão como um francês distraído que, em 10 de agosto de 1792, em um dos muitos cafés do Jardim das Tuileries, tomava placidamente uma baravoise – para os curiosos, mistura de café, conhaque e uma gema de ovo, segundo a receita do libertino Casanova. Enquanto isso, a multidão invadiu o Palácio Real – de onde, por pouco, escaparam Luis XVI e Maria Antonieta – e o saqueou. O desconhecido continuou a beber. Todos os que o cercavam fugiram esbaforidos. Na defesa do palácio, morreram seiscentos guardas suíços. O francês distraído estava alheio a tudo, em sua manhã de agosto. Cinco meses depois, o rei e a rainha encontrariam a lâmina da guilhotina.

José Serra e os seus estão pensando em seu outubro, embora estejamos, no mundo inteiro, em tempos semelhantes aos do francês sans souci. Como sempre, o que está em jogo é a mesma reivindicação dos sans culotte: igualdade, liberdade, fraternidade – ou, seja, a democracia real.

 

sábado, 28 de julho de 2012

ECONOMIA - "Viemos para aprender da América Latina".

“Viemos para aprender da América Latina”, diz economista europeu. O economista Costas Lapavitsas, professor da Universidade de Londres e assessor do Syriza, partido grego de esquerda, estima que seu país declare moratória e deixe o euro. Disse que somente Alemanha e – um pouco – França se beneficiam com a crise. A reportagem é de Javier Lewkowicz, publicada no jornal Página/12. O PIB poderia cair de 7 a 9% neste ano, e em 2013, 10%. A dívida pública, que representa 160% do Produto, apesar de um violento ajuste fiscal, chegará a 170% no próximo ano. A Grécia, então, entrará em moratória num período que vai dos próximos seis meses a doze meses e, posteriormente, abandonará a zona do euro, após ter passado, em apenas cinco anos, de um país com rendimentos médios a um em vias de desenvolvimento. Sua saída fará com que a moeda regional corra perigo de desaparecer. Esse panorama trouxe o prestigioso economista grego Costas Lapavitsas, professor da Universidade de Londres e assessor do Syriza, partido grego de esquerda, ao seminário “Crise internacional: seu desdobramento na Europa e potenciais impactos na América Latina”, organizado ontem pelo Cefid-Ar [Centro de Economia e Finanças para o Desenvolvimento da Argentina]. Após sua exposição sobre a União Europeia, compreendeu-se melhor a frase que deu início à sua apresentação: “Ao contrário de como era antes, hoje os analistas da Europa, especialmente dos países do Sul, vêm para aprender da América Latina”. Lapavitsas ganhou destaque na economia heterodoxa, a partir do estouro da crise internacional, cuja atual segunda fase tem o epicentro na União Europeia. O economista publicou numerosos trabalhos sobre a falácia que supõe adjudicar a crise europeia a uma excessiva expansão fiscal. Ao contrário, propõe se enforcar nos desequilíbrios comerciais gerados pela união monetária, que são aproveitados pela Alemanha e – em menor medida – pela França, e padecidos pela Grécia, Espanha, Irlanda, Portugal e Itália. Em paralelo, há uma gigantesca expansão que permite sustentar os déficits através do crescimento da dívida pública e privada. O economista heleno alimenta que uma característica central do euro é que cumpre a forma de dinheiro de aceitação global, sustento do valor de enormes volumes de ativos, meio de troca de pagamentos internacionais e principal competidor do dólar nessa lógica. No entanto, além disso, a moeda europeia tem as funções de dinheiro doméstico, que é unidade de conta em contratos locais e meio de pagamento em transações internas. “Da forma como está concebida a União Europeia, esses dois papéis são incompatíveis, disso vem a instabilidade. E as mudanças necessárias para compatibilizá-los são impossíveis de se realizar, dadas as atuais condições”, explicou. Inflação, desequilíbrios em conta corrente e nos fluxos de capital, em países que fazem parte do euro, complicam as funções do dinheiro mundial. Para combater esses fenômenos, em nível regional, existe somente o Banco Central Europeu, que possui uma única política monetária para todos os países. “O fracasso foi total. Houve inflação alimentada pela periferia europeia em relação com a Alemanha, que obteve um persistente superávit em conta corrente contra estes países. Para financiar esse desequilíbrio em conta corrente, os bancos alemães aumentaram seus empréstimos até antes da crise e, posteriormente, os bancos centrais fizeram isso, gerando desequilíbrios de fluxos capitais”, apontou Lapavitsas. A União Europeia, na busca em manter o caráter de dinheiro mundial do euro, aplicou uma política homogênea para realidades diferentes, segundo cada país, uma contradição que faz cambalear o grupo regional. “Agora, a política do bloco é estabilizar as condições internacionais do euro, com maior austeridade, privatização e liberalização. O papel da moeda doméstica ficou subordinado e gerou o colapso da demanda, mais dívida e altos custos sociais”, destacou. “Para que coexistam as funções de dinheiro mundial e doméstico seria necessário um Plano Marshall para a periferia, que melhore sua competitividade, e que a Alemanha suba salários e possua maior demanda interna. Além de um repúdio total da dívida, em muitos países, reestruturação das finanças e uma melhor distribuição de rendimentos. Antes que isso aconteça, é mais provável que a união monetária se rompa, e acredito que a Grécia dará o primeiro passo nesse sentido”, vaticinou. Lapavitsas, assessor do Syriza, partido opositor grego de esquerda, sustenta que o país helênico “declarará moratória e deixará o euro nos próximos seis meses ou um ano”. “O gasto público continua caindo, da mesma maneira que o investimento, diante da falta de liquidez, e o consumo, afogado pelo crescente peso das dívidas num cenário de deflação. As exportações não crescem mais, há uma enorme onda de quebras e os bancos perdem depósitos”, descreveu. Ao mesmo tempo, analisou que, desde o início da crise, o PIB grego caiu 30%; e, desde o início de 2011, os salários reais caíram até 23% em alguns casos. “A resposta neoliberal são sucessivos resgates que não servem para nada, são como o “megacanje” [operação financeira no governo argentino de Fernando de la Rúa] do fim da convertibilidade”, comparou Lapavitsas.

PETROBRÁS - Saiu no Estadão.

Graça desconstrói gestão de Gabrielli. A gestão de sete anos do economista José Sergio Gabrielli na presidência da Petrobrás passa por completa reformulação na administração de sua sucessora, a engenheira química Maria das Graças Foster. A reportagem é de Sergio Torres e Sabrina Valle e foi publicada no jornal O Estado de S. Paulo. Além de afastar quatro diretores ligados ao ex-presidente logo após assumir, Graça, como prefere ser chamada, mandou rever todos os contratos relacionados a projetos fundamentais iniciados por Gabrielli, como a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Diferentemente do que ocorria na gestão Gabrielli, que presidiu a estatal de 2005 a fevereiro de 2012, Graça Foster não demonstra tolerância com atrasos na entrega de encomendas. O exemplo mais evidente desse novo comportamento é a punição imposta ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Ipojuca (PE). O petroleiro João Cândido deveria ter sido incorporado à frota da Petrobrás Transporte (Transpetro) em 2010. Isso só veio a ocorrer há pouco, com dois anos de atraso. Graça determinou à subsidiária a aplicação de uma multa e a suspensão temporária de 16 dos 22 contratos firmados com o estaleiro. Na administração anterior, os atrasos não eram punidos. Logo ao assumir o cargo, em 13 de fevereiro, Graça reuniu a diretoria e determinou a fixação de metas que definiu como "mais realistas". A administração Gabrielli, na interpretação de especialistas, foi marcada pelo estabelecimento de metas ao mesmo tempo ambiciosas e, diante da realidade da empresa, impossíveis de serem cumpridas. Graça e Gabrielli deixam as críticas escaparem, embora procurem manter a cordialidade, repetindo que a gestão é de continuidade. As divergências foram evidenciadas em 25 de junho, quando ela anunciou o esperado plano de negócios da companhia para o período de 2012-2016, após três meses de revisão do trabalho desenvolvido na gestão anterior. A presidente iniciou a apresentação com 11 slides consecutivos sobre metas de produção descumpridas na administração Gabrielli, prazos desrespeitados e custos superelevados. Para em seguida estabelecer metas de produção menores, segundo ela, realistas e factíveis. Abreu e Lima. A presidente da Petrobrás apontou ainda a Refinaria Abreu e Lima, que está em obras em Pernambuco, com previsão de custo quase dez vezes maior do que o planejado inicialmente, como um mau exemplo de procedimentos adotados, a ser estudado a fundo por toda a companhia, para não voltar a acontecer. "A Rnest (Refinaria do Nordeste, como foi chamada inicialmente a Abreu e Lima) é uma história a ser aprendida, escrita e lida pela companhia, de tal forma a que não seja repetida. Existe claramente um aumento significativo do investimento inicial, do seu marco zero, em setembro de 2005. O óleo a ser refinado conta hoje com atraso de três anos", disse Graça. "É claro, absolutamente claro, o não cumprimento integral da sistemática de aprovação de projetos neste caso específico. Uma história a ser aprendida e não repetida", acrescentou a presidente da Petrobrás. Além disso, Graça determinou a suspensão ou o adiamento de pelo menos 13 projetos nas áreas de refino e exploração e produção (E&P), incluindo refinarias de investimento bilionário. Corresponsável. Sempre que questionada sobre as modificações implementadas, a presidente da Petrobrás destaca que também fazia parte da diretoria anterior (comandava a diretoria de Gás e Energia) e, assim, era corresponsável pelas falhas que porventura tivessem acontecido. Mas a divergência de atitudes ficou bem clara no pronunciamento oficial quando da apresentação do Plano de Negócios da estatal. Três semanas depois, Graça procurou atenuar sua posição, ao dizer que a única diferença entre os dois gestores era de gênero. "A gente é amigo. (...) A diferença é que você é menino e eu sou menina", disse ela a Gabrielli em solenidade na Bahia, há nove dias, quando selaram uma espécie de trégua, posando juntos para fotografias. Na ocasião, o ex-presidente foi o convidado especial na solenidade de batismo de uma plataforma petrolífera, da qual participou a presidente Dilma Rousseff. Gabrielli é secretário estadual de Planejamento na administração do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), a quem planeja, embora não admita publicamente, suceder em 2014. Procurados, nem Graça nem Gabrielli quiseram se pronunciar para esta reportagem, Ao jornal Valor Econômico, na semana passada, porém, Gabrielli disse que Graça foi "inábil" ao apresentar o plano de negócios. Em seguida, buscou atenuar a declaração, ressaltando ter havido apenas uma "falta de cuidado" por parte dela. Gabrielli disse que a sucessora faz uma administração de continuidade. Ela tem falado a mesma coisa quando questionada sobre as diferenças entre as duas gestões. Decisões irritam governadores e políticos da base aliada Postura independente incomoda e obriga Graça Foster, a explicar medidas em reuniões com governadores. A decisão da presidente da Petrobrás, Graça Foster de adiar investimentos na construção das refinarias Premium 1 (Maranhão) e Premium 2 (Ceará), além de auditar o que já foi gasto e feito no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), irritou governadores e partidos políticos da base aliada do governo Dilma Rousseff. Uma das qualidades da nova presidente da estatal, sempre destacada pelos seus defensores, é priorizar as ações técnicas, em detrimento das políticas. Justamente, dizem eles, o reverso de José Sérgio Gabrielli, fundador do PT da Bahia, onde fracassou, em 1990, na disputa do governo estadual. Essa postura tida como independente incomoda o mundo político. Tanto que Graça precisou, nas duas últimas semanas, procurar os governadores dos Estados onde a Petrobrás tem planejado grandes empreendimentos. O primeiro deles foi Roseana Sarney (PMDB). No Maranhão, deputados reclamaram da decisão de adiar os investimentos na Premium 1. Graça foi recebida pela governadora no Palácio dos Leões, em São Luís, no dia 10. Após o encontro, em comunicado, a estatal informou que construir a refinaria "é essencial para que a Petrobrás possa atender à crescente demanda de combustível no País". No dia seguinte, Graça recebeu na sede da petroleira, no Rio, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). Mais uma vez, após a reunião, a estatal divulgou que a construção da Premium 2 "é fundamental para equilibrar oferta e demanda de combustíveis". Lula. Gomes não falou sobre o encontro ao Estado. Políticos ligados ao governador cearense divulgaram a versão de que, inconformado com a declaração de Graça sobre a refinaria, telefonou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cujo governo a refinaria foi anunciada. Lula, segundo a versão difundida por aliados do governador, o teria tranquilizado, avisando que Graça ligaria para se explicar. Nem o governo cearense nem a Petrobrás confirmam a versão. Mas o fato é que Graça telefonou para o governador na segunda-feira, 9 de julho. O último encontro ocorreu anteontem no Palácio Laranjeiras, uma das sedes do governo do Rio. A presidente da Petrobrás disse ao governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) que o projeto do Comperj está em curso e apresentou nova data para início de operação da refinaria: abril de 2015. "Todas as refinarias, em avaliação ou em construção, são igualmente importantes para a Petrobrás. E todas estão no Plano de Negócios 2012-2016", disse ela durante o encontro, segundo comunicado da Petrobrás. Em ano eleitoral, não é aconselhável para o governo brigar com governantes de partidos aliados, como PMDB e PSB. Talvez tenha sido esse o recado passado a Graça Foster por assessores diretos da presidente Dilma Rousseff. Ao assumir, ela já desagradara políticos e partidos ao demitir os diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Jorge Zelada (Internacional) e Renato Duque (Engenharia). Todos tinham amparo político e ocupavam os cargos desde a gestão de José Sérgio Gabrielli.

PETROLEO - China compra petroleira canadense.

China compra petrolífera e dá mais um passo para suprir "fome" por energia Faltam à China recursos próprios para atender à sua demanda por energia, que dobrou desde o ano 2000. A aquisição da petrolífera canadense Nexen significaria o acesso a grandes reservas e a obtenção de know-how. A reportagem é de Christina Ruta e publicada pela Deutsche Welle. A empresa de petróleo estatal chinesa CNOOC anunciou nesta segunda-feira (23/07) a compra da petrolífera canadense Nexen por 15,1 bilhões de dólares. Se concretizado, será o maior negócio internacional fechado pela China desde 1995 e significaria o acesso a grandes reservas de petróleo e gás no oeste do Canadá, na costa da Nigéria, no Golfo do México e no Mar do Norte britânico. Os recursos energéticos da CNOOC seriam triplicados, e a empresa sairia da última posição do ranking mundial de empresas de energia. A aquisição tem como objetivo assegurar o abastecimento de energia futuro na China, diz o economista Leon Leschus, do Instituto de Economia Internacional de Hamburgo. Hoje o país recorre à importação para atender à demanda por petróleo. "A demanda dobrou na China desde a virada do milênio – de 4,5 milhões de barris por dia para cerca de 9 milhões de barris, o que indica que a fome da China por energia continuará crescendo", afirma. A República Popular é o país com a segunda maior demanda por petróleo, atrás apenas dos Estados Unidos, que consomem cerca de 19 milhões de barris de petróleo por dia. A British Petroleum (BP) estima que a demanda energética chinesa dobre novamente até 2030. Escassez no Ocidente Outro motivo para o interesse dos chineses pela Nexen são as novas técnicas de extração que chegariam ao país com a compra, diz Leschus. "A empresa canadense atua em áreas arenosas e também na perfuração em águas profundas. A China precisa desse know-how para explorar suas próprias reservas." Além disso, a Nexen dispõe de conhecimento e tecnologia para a extração de gás natural, mesmo não sendo a líder de mercado. O xisto e as areias betuminosas são fontes não convencionais e de difícil acesso para a obtenção de petróleo. Sua extração provoca, em parte, grande impacto ambiental. Em 2005, a CNOOC já havia comprado 16,7% da produção da especialista canadense em areias betuminosas MEG Energy. Em novembro de 2010, a estatal chinesa investiu junto com a Nexen cerca de 2 bilhões de dólares na empresa Opti Canadá, que atua no mesmo segmento. A investida chinesa faz parte de uma batalha global por fontes de energia. "A corrida já começou, pois muitos países no mundo têm uma enorme demanda por recursos e uma fome de energia que precisa ser saciada", considera a especialista em energia Klaudia Kemfert, do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica. Os Estados Unidos e a Europa temem que a China amplie sua influência sobre o mercado energético global com a compra de empresas de energia estrangeiras, complementa Lechus. Mas, por enquanto, o economista não prevê efeitos negativos para economias desenvolvidas como a Alemanha. "Ainda há petróleo suficiente disponível no mundo, e a Alemanha adquire seu petróleo de diversos países", diz Leschus. Caso perca um parceiro comercial, o país pode recorrer a outros fornecedores. Aprovação canadense Além dos acionistas da Nexen e da CNOOC, das autoridades reguladoras e do governo do Canadá, os Estados Unidos e o Reino Unido também precisam aprovar a aquisição por parte da estatal chinesa. O governo canadense já se mostrou favorável. "Investimentos estrangeiros impulsionam nosso crescimento econômico e asseguram nossa prosperidade a longo prazo", declarou o ministro do Comércio, Ed Fast. Em 2005, o governo dos EUA bloqueou planos semelhantes da China temendo por postos de trabalho. No Canadá, o governo chinês levou tais preocupações em consideração, garantindo, por exemplo, que a Nexen manteria sua sede na cidade canadense de Calgary. Além disso, as ações – que, desde o anúncio da intenção de compra chinesa, aumentaram de valor em 10 dólares em comparação à semana anterior – continuariam a ser negociadas em Toronto.

PETROBRAS - A Petrobras e o gás natural.

No ano de 2012, a Petrobrás superou mais uma vez os seus recordes na entrega de gás natural nacional ao mercado, atingindo no mês de junho uma vazão de 44,1 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás ofertado. Além disso, no dia 30 desse mesmo mês, a Companhia alcançou novo recorde histórico com a vazão de 46,2 milhões m³/d. A entrega média de gás no primeiro semestre de 2012 foi de 40,9 milhões m³/d, mais de 10% superior à entrega média de 2011, de 37 milhões m³/d. O expressivo crescimento da oferta de gás nacional observado nos últimos anos é fruto de uma série de investimentos realizados no desenvolvimento de projetos de produção de gás natural, consubstanciados no Plangás - Plano de Antecipação da Produção de Gás. No âmbito desse programa, vários novos campos começaram a produzir desde 2008, com destaque para os campos de gás não associado de Canapu e Camarupim, no Espírito Santo, e de Mexilhão, Uruguá e Tambaú, na Bacia de Santos. Também vale destacar o início das operações da Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba e do Gasoduto Caraguatatuba-Taubaté, no Estado de São Paulo. Além do Plangás, três outros fatores foram de fundamental importância para os recordes observados: o incremento da entrega de gás para geração termoelétrica na Região Norte; a elevação da produção do campo de Lula, produzindo gás associado de reservatórios do pré-sal na Bacia de Santos; o êxito do Programa de Otimização do Aproveitamento de Gás Natural (POAG 2015), que tem permitido melhorar o desempenho das unidades operacionais das regiões Sul e Sudeste. O POAG 2015, criado em 2009 e implantado a partir de 2010 com o objetivo de elevar o aproveitamento de gás da área de Exploração e Produção, permitiu que a Companhia atingisse um aproveitamento de gás associado de 91,7% no primeiro semestre de 2012, valor superior ao recorde anual de aproveitamento de gás, de 89,2% em 2011.(Agência Petroleira de Notícias/Redação)

ECONOMIA - Quando é o mais cedo ou mais tarde?

Colapso financeiro à vista: Quando é o mais cedo ou mais tarde? Fonte:Economia BR Resistir - [Paul Craig Roberts] Desde o princípio da crise financeira e do Alívio quantitativo (Quantitative Easing), a questão tem estado diante nós: Como pode o Federal Reserve manter taxas de juro zero para bancos e taxas de juro reais negativas para poupadores e possuidores de títulos quando o governo dos EUA está a acrescentar US$1,5 milhão de milhões (trillion) à dívida nacional a cada ano através dos seus défices orçamentais? Não muito tempo atrás o Fed anunciou que ia continuar esta política por mais dois ou três anos. Na verdade, o Fed está trancado nesta política. Sem as taxas de juro artificialmente baixas, o serviço da dívida sobre a dívida nacional seria tão grande que levantaria questões acerca da classificação de crédito do Tesouro dos EUA e da viabilidade do dólar – e assim os milhões de milhões de dólares em taxas de juro swaps e outros derivativos ficariam decompostos. Por outras palavras: a desregulamentação financeira que levou aos jogos da Wall Street, a decisão do governo estado-unidense de salvar os bancos e mantê-los a flutuar e a política de taxa de juro zero do Federal Reserve colocaram o futuro económico dos EUA e da sua divisa numa posição indefensável e perigosa. Não será possível continuar a inundar os mercados de títulos com US$1,5 milhão de milhões (trillion) em novas emissões a cada ano quando a taxa de juros sobre os títulos é menor do que a taxa de inflação. Todos os que compram um título do Tesouro estão a comprar um activo depreciado. Além disso, o risco capital de investir em títulos do Tesouro é muito alto. A taxa de juro baixa significa que o preço pago pelo título é muito elevado. Um aumento das taxas de juro, o qual deve ocorrer mais cedo ou mais tarde, provocará o colapso do preço dos títulos e infligirá perdas capitais aos seus possuidores, tanto internos como estrangeiros. A questão é: quando é este mais cedo ou mais tarde? O objectivo deste artigo é examinar essa questão. Vamos começar por responder à pergunta: como foi possível uma tal politica indefensável perdurar tanto tempo? Um certo número de factores está a contribuir para a estabilidade do dólar e do mercado de títulos. Um factor muito importante é a situação na Europa. Ali também há problemas reais e a imprensa financeira continua a centrar-se na Grécia, na Europa e no euro. Será que a Grécia sairá da União Europeia ou será chutada para fora? Será que o problema da dívida soberana propagar-se-á à Espanha, Itália e basicamente por toda a parte excepto a Alemanha e a Holanda? Será o fim da UE e do euro? Trata-se de perguntas muito dramáticas que mantém o foco fora da situação americana, a qual provavelmente ainda é pior. O mercado de títulos do Tesouro também é ajudado pelo medo que investidores individuais têm do mercado de acções, o qual foi transformado num casino de jogo através do trading de alta-frequência. O trading de alta-frequência é uma comercialização electrónica baseada em modelos matemáticos que tomam as decisões. As firmas de investimento competem na base da velocidade, na captura de ganhos numa fracção de um cêntimo e talvez na manutenção de posição por apenas uns poucos segundos. Estes não são investidores a longo prazo. Contentes com as suas receitas diárias, eles fecham todas as posições no fim de cada dia. Os negócios de alta-frequência actualmente representam 70% a 80% de todas as transacções de acções. O resultado é uma grande azia para os investidores tradicionais, os quais estão a abandonar o mercado de acções. Eles acabam nos títulos do Tesouro porque estão inseguros quanto à solvência de bancos que pagam quase nada por depósitos, ao passo que títulos do Tesouro a 10 anos pagarão cerca de 2% nominais, o que significa, utilizando o Índice oficial de Preços no Consumidor, que estão a perder 1% do seu capital a cada ano. Utilizando a medição correcta da inflação de John Williams ( www.shadowstats.com ), eles estão a perder muito mais. Ainda assim, a perda é cerca de 2 pontos percentuais a menos do que estar num banco e, ao contrário dos bancos, o Tesouro pode ter o Federal Reserve a imprimir dinheiro para liquidar seus títulos. Portanto, o investimento em títulos pelo menos retorna a quantia nominal do investimento, mesmo que o seu valor real seja muito mais baixo. (Para uma descrição do trading de alta frequência, ver: http://en.wikipedia.org/wiki/High_frequency_trading ) Os media financeiros presstitutos contam-nos que a fuga da dívida soberana europeia, do euro condenado, e do contínuo desastre imobiliário para os títulos do Tesouro dos EUA proporciona financiamento para os défices anuais de US$1,5 milhão de milhões de Washington. Investidores influenciados pela imprensa financeira podem estar a responder desta forma. Outra explicação para a estabilidade da indefensável política do Fed é a conivência entre Washington, o Fed e a Wall Street. Examinaremos isso quando avançarmos. Ao contrário do Japão, cuja dívida nacional é a maior de todas, os americanos não possuem a sua própria dívida pública. Grande parte da dívida dos EUA é possuída no estrangeiro, especialmente pela China, Japão e OPEP, os países exportadores de petróleo. Isto coloca a economia estado-unidense em mãos estrangeiras. Se a China, por exemplo, fosse indevidamente provocada por Washington, ela podia despejar US$2 milhões de milhões em activos denominados em US dólar nos mercados mundiais. Todas as espécies de preços entrariam em colapso e o Fed teria rapidamente de criar o dinheiro para comprar a descarga chinesa de instrumentos financeiros denominados em dólar. Os dólares impressos para comprar os rejeitados haveres chineses de activos em US dólares expandiriam a oferta de dólares nos mercados de divisas e atirariam para baixo a taxa de câmbio do dólar. O Fed, falto de divisas estrangeiras para comprar os dólares, teria de recorrer à troca de moedas (currency swaps) por dívida soberana da Europa em perturbação para [obter] euros, à Rússia, cercada pelo sistema de mísseis estado-unidense, para obter rublos, ao Japão, um país pior que os EUA em matéria de compromissos, para obter yens, a fim de comprar os dólares com euros, rublos e yens. Estas trocas de moedas estariam nas contabilidades, irresgatáveis e tornando problemática a utilização ulterior de tais swaps. Por outras palavras, mesmo que o governo dos EUA possa pressionar seus aliados e fantoches a trocar suas divisas mais sólidas por uma divisa estado-unidense em depreciação, isto não seria um processo repetível. Os componentes do Império Americano não querem ficar com dólares nem tão pouco os BRICs. Contudo, para a China, por exemplo, despejar subitamente seus haveres em dólares seria custoso pois o valor dos activos denominados em dólar declinaria quando os despejassem. A menos que a China seja confrontada com um ataque militar dos EUA e precise enfraquecer o agressor, a China como um actor económico racional preferiria sair do US dólar vagarosamente. Nem tão pouco o Japão, a Europa ou os OPEP pretendem destruir sua própria riqueza acumulada com os défices comerciais dos EUA despejando dólares, mas as indicações são de que todos eles pretendem sair dos seus haveres em dólar. Ao contrário da imprensa financeira dos EUA, os estrangeiros que possuem activos em dólar vêem o orçamento anual e os défices comerciais estado-unidenses, vêem o afundamento da economia dos EUA, vêem as apostos não cobertas dos jogos da Wall Street, vêem os planos de guerra da hegemonia ilusória e concluem: "Tenho de sair fora disto com todo o cuidado". Os bancos dos EUA também têm um forte interesse em preservar o status quo. Eles possuem Títulos do Tesouro dos EUA e potencialmente detentores ainda maiores. Eles podem tomar emprestado do Federal Reserve a taxas de juro zero e comprar Títulos do Tesouro a 2%, ganhando portanto um lucro nominal de 2% para compensar perdas derivadas. Os bancos podem tomar dólares emprestados do Fed gratuitamente e alavancá-los em transacções derivativas. Como coloca Numi Prins, os bancos estado-unidenses não querem comerciar contra si próprios e a sua fonte gratuita de financiamento com venda dos seus haveres em títulos. Além disso, no caso de fuga estrangeira dos dólares, o Fed poderia promover a procura externa de dólares com a exigência aos bancos estrangeiros que queiram operar nos EUA de aumentar as quantias das suas reservas, as quais estão baseadas no dólar. Eu poderia prosseguir, mas acredito que isto é suficiente para mostrar que mesmo actores no processo que poderiam terminá-lo têm eles próprios um grande empenho em não balouçar o barco e preferem silenciosamente e vagarosamente escapar dos dólares antes de serem atingidos pela crise. Isto não é possível indefinidamente pois o processo de retirada gradual do dólar resultaria em pequenos declínios contínuos nos valores do dólar que acabariam numa corrida para a saída, mas os americanos não são o único povo iludido. O próprio processo de sair vagarosamente pode deitar abaixo a casa americana. Os BRICs – Brasil, a maior economia da América do Sul, a Rússia, a economia com armamento nuclear e energeticamente independente da qual a Europa Ocidental (os fantoches da NATO de Washington) estão dependentes para obter energia, a Índia, com armamento nuclear e um dos dois gigantes em ascensão da Ásia, a China, com armamento nuclear, o maior credor de Washington (com excepção do Fed), que fornece à América manufacturados e produtos de tecnologia avançada e o novo bicho papão para a próxima lucrativa guerra fria do complexo militar e de segurança, e a África do Sul, a maior economia da África – estão em vias de formar um novo banco. O novo banco permitirá que as cinco maiores economias efectuem o seu comércio sem a utilização do US dólar. Acresce que, o Japão, um fantoche americano desde a Segunda Guerra Mundial, está quase a entrar num acordo com a China no qual o yen japonês e o yuan chinês serão cambiados directamente. O comércio entre os dois países asiáticos seria efectuados nas suas próprias divisas sem a utilização do dólar estado-unidense. Isto reduz o custo do comércio externo entre os dois países, porque elimina pagamentos de comissões cambiais ao estrangeiro para converter o yen e o yuan em dólares e outra vez em yen e yuan. Além disso, esta explicação oficial para o novo relacionamento directo evitando o US dólar é simplesmente a conversa diplomática. Os japoneses estão esperançosos, tal como os chineses, no abandono da prática de acumular cada vez mais dólares tendo de parquear seus excedentes comerciais em Títulos do Tesouro dos EUA. O governo fantoche japonês espera que a hegemonia de Washington não exija o veto a este acordo com a China. Agora chegámos ao cerne da questão. A pequena percentagem de americanos que está consciente e informada está confundida porque os banksters, com os seus crimes financeiros, escaparam sem processo. A resposta pode ser que os bancos "demasiado grandes para caírem" são auxiliares de Washington e do Federal Reserve na manutenção da estabilidade do dólar e dos mercados de títulos do Tesouro a despeito da política indefensável do Fed. Vamos ver primeiro como os grandes bancos podem manter baixas as taxas de juro dos títulos do Tesouro, abaixo da taxa de inflação, apesar do aumento constante da dívida dos EUA em percentagem do PIB – preservando portanto a capacidade do Tesouro para atender ao serviço da dívida. Os bancos demasiado grandes para cair que estão ameaçados têm um enorme desejo de taxas de juro baixas e do êxito da política do Fed. Os grandes bancos estão posicionados para tornar um êxito da política do Fed. O JPMorganChase e outros bancos de dimensão gigante podem conduzir para baixo as taxas de juro do Tesouro e, dessa forma, fazer subir os preços de títulos, produzindo uma corrida, com a venda de Interest Rate Swaps (IRSwaps). Uma companhia financeira que venda IRSwaps está a vender um acordo para pagar taxas de juros flutuantes por taxas de juro fixas. O comprador está a comprar um acordo que lhe exige pagar uma taxa de juro fixa em troca da recepção de uma taxa flutuante. A razão para um vendedor tomar o lado short das IRSwap, isto é, pagar uma taxa flutuante por uma taxa fixa, é a sua crença de que as taxas estão em vias de cair. O short-selling pode fazer as taxas caírem e portanto fazer subir os preços dos títulos do Tesouro. Quando isto acontece, como os gráficos em http://www.marketoracle.co.uk/Article34819.html ilustram, há uma corrida no mercado de títulos do Tesouro que os media financeiros presstitutos atribuem à "fuga para o abrigo seguro do US dólar e dos títulos do Tesouro". De facto, a evidência circunstancial (ver os gráficos no link acima) é de que os swaps são vendidos pela Wall Street sempre o Federal Reserve precise para impedir uma elevação nas taxas de juro a fim de proteger a sua política que de outra forma não seria sustentável. As vendas swap criam a impressão de uma fuga para o dólar, mas não ocorre nenhuma fuga real. Como os IRSwaps não exigem a troca de qualquer activos principal ou real e são apenas uma aposta em movimentos da taxa de juro, não há limite para o volume de IRSwasps. Esta conivência aparente sugere a alguns observadores que a razão porque os banksters da Wall Street não foram processados pelos seus crimes é que eles são uma parte essencial da política do Federal Reserve para preservar o US dólar como divisa mundial. Possivelmente a conivência entre o Federal Reserve e os bancos é organizada, mas não tem necessariamente de ser. É do interesse dos bancos apoiá-la. A conivência organizada não é indispensável. Vamos agora examinar as barras de ouro e de prata. Com base em análises sólidas, Gerald Celente e outros profetas talentosos previram que o preço do ouro seria de US$200 por onça-troy no fim do ano passado. O ouro e a prata em 2011 continuaram sua ascensão de dez anos, mas em 2012 o preço desses metais foi abatido, com o ouro descendo para US$350 por onça-troy da sua altura de US$1900. Em vista da análise que aqui apresentei, qual é a explicação para a inversão nos preços do ouro e da prata? A resposta é mais uma vez o shorting. Algumas pessoas bem informadas dentro do sector financeiro acreditam que o Federal Reserve (e talvez também o Banco Central Europeu) coloca vendas à descoberto (short sales) de ouro e prata através de bancos de investimento, garantindo quaisquer perdas simplesmente teclando no computador, pois bancos centrais podem criar dinheiro a partir do ar. Gente que sabe informa-me que como uma minúscula percentagem daqueles do lado short da compra realmente querem que o ouro ou a prata sejam entregues e ficam contentes com o acerto financeiro em dinheiro, não há limite para o short selling de ouro e prata. As vendas a descoberto podem realmente exceder a quantidade conhecida de ouro e prata. Alguns que têm estado a observar o processo durante anos acreditam que a venda a descoberto dirigida pelo governo tem-se efectuado desde há muito tempo. Mesmo sem a participação do governo, bancos podem controlar o volume de comércio de papel em ouro e lucrar nas viragens criadas por eles próprios. Ultimamente o short selling é tão agressivo que não só amortece a ascensão do preço do ouro como também o conduz para baixo. Será esta agressividade um sinal de que o sistema manipulado está à beira de se desfazer? Por outras palavras, o "nosso governo", que alegadamente nos representa, ao invés dos poderosos interesses privados que elegem o "nosso governo" com as suas contribuições de campanha de muitos milhões de dólares, agora legitimadas pela Supremo Tribunal Republicano, está a fazer tudo o que pode para privar-nos, a nós mero cidadãos, escravos, servidores vassalos e "extremistas internos" de nos protegermos a nós próprios e a nossa riqueza remanescente da política de depravação da divisa do Federal Reserve. A venda nua a descoberto impede o aumento da procura do ouro físico de elevar o seu preço. Jeff Nielson explica um outro meio pelo qual os bancos podem vender ouro a descoberto quando não possuem qualquer ouro.http://www.gold-eagle.com/editorials_08/nielson102411.htm l Nielson diz que o JP Morgan é o guardião (custodian) do maior fundo de prata e ao mesmo tempo é o maior short-seller de prata. Todas as vezes que fundo da prata aumenta os seu haveres, o JP Morgan faz shorts de uma quantia igual. O short selling compensa a ascensão no preço que resultaria do aumento da procura por prata física. Nielson também informa que os preços do ouro podem ser contidos pela elevação das exigências de margem àqueles que compram ouro com alavancagem. A conclusão é que os mercados de ouro podem ser manipulados tal como o mercado de títulos do Tesouro e as taxas de juro. Por quanto tempo a manipulação pode continuar? Quando será o desastre? Se soubéssemos a data com precisão, seríamos os próximos mega-bilionários. Eis alguns dos catalisadores à espera de incendiarem a conflagração que irá incinerar o mercado de títulos do Tesouro e o US dólar: Uma guerra, exigida pelo governo israelense, com o Irão, começando com a Síria, que interromperá o fluxo de petróleo e com isso a estabilidade das economias ocidentais ou levará os EUA e seus fracos fantoches da NATO a um conflito armado com a Rússia e a China. As altas súbitas do petróleo degradariam ainda mais as economias dos EUA e da UE, mas a Wall Street ganharia dinheiro com o comércio. Uma estatística económica desfavorável que acordasse os investidores para o verdadeiro estado da economia estado-unidense, uma estatística que os media presstitutos não pudessem disfarçar. Uma afronta à China, cujo governo toma a decisão de que golpear os EUA para fazê-lo descer a um estatuto de terceiro mundo vale um milhão de milhões de dólares. Mais erros em derivativos, tais como o recente do JPMorganChase, que pôs o sistema financeiro estado-unidense outra vez a cambalear e recordou-nos que nada mudou. A lista é longa. Há um limite para o número de erros estúpidos e políticas financeiras corruptas que o resto do mundo está disposto a aceitar dos EUA. Quando esse limite for alcançado, está tudo acabado para "a única super-potência mundial" para os possuidores de instrumentos denominados em dólar. A desregulamentação financeira converteu o sistema financeiro, o qual antigamente servir os negócios e os consumidores, num casino de jogo onde as apostas não são cobertas. Estas apostas descobertas, juntamente com a política de taxa de juro zero do Fed, expuseram o padrão de vida e a riqueza dos americanos a grandes declínios. Pessoas aposentadas a viverem das suas poupanças e investimentos, IRAs e 401(k)s não podem ganhar nada com o seu dinheiro e são forçadas a consumir seu capital, privando assim os seus herdeiros de herança. A riqueza acumulada é consumida. Em consequência da deslocalização de empregos, os EUA tornaram-se um país dependente de importações, dependente de bens manufacturados fabricados no estrangeiro, vestuário e calçados. Quando a taxa de câmbio do dólar cair, os preços internos nos EUA elevar-se-ão e o consumo real estado-unidense receberá um grande golpe. Os americanos consumirão menos e o seu padrão de vida cairá dramaticamente. As graves consequências dos enormes erros cometidos em Washington, na Wall Street e em gabinetes corporativos estão a ser mantidos à distância por uma política indefensável de baixas taxas de juro e uma imprensa financeira corrupta, enquanto a dívida acumula-se rapidamente. O Fed passou por esta experiência outrora. Durante a II Guerra Mundial o Federal Reserve manteve as taxas de juro baixas a fim de ajudar o Tesouro a financiar a guerra com a minimização do fardo de juros da dívida de guerra. O Fed manteve as taxas de juro baixas pela compra de emissões de dívida. A inflação do pós guerra que resultou levou ao Acordo Federal Reserve-Tesouro de 1951, pelo qual foi decidido que o Federal Reserve deixaria de monetizar a divida e permitiria que as taxas de juro subissem. O presidente do Fed, Bernake, tem falado de uma "estratégia de saída" e disse que quando a inflação ameaçar ele pode impedi-la pela retirada de dinheiro do sistema bancário. Contudo, ele só pode fazer isso pela venda de títulos do Tesouro, o que significa que as taxas de juro elevar-se-iam. Uma elevação nas taxas de juros ameaçaria a estrutura derivativa, causaria perdas em títulos e elevaria o custo tanto do serviço da dívida pública como da privada. Por outras palavras, impedir a inflação da monetização da dívida provocaria problemas mais imediatos do que a inflação. Ao invés de provocar o colapso do sistema, não seria mais provável que o Fed inflacionasse mais as dívidas maciças? Finalmente, a inflação corroeria o poder de compra do dólar e a sua utilização como divisa de reserva, e a capacidade de pagar do governo dos EUA dissipar-se-ia. Contudo, os Fed, os políticos e os gangster financeiros prefeririam uma crise mais tarde do que uma crise mais cedo. Transferir o navio que afunda para o seguinte é preferível a afundar com o próprio navio. Enquanto os swaps de taxas de juros puderem ser utilizados para promover preços dos títulos do Tesouro e enquanto vendas a descoberto de ouro puderem ser utilizadas para impedir os metais preciosos de aumentarem de preço, a falsa imagem dos EUA como um abrigo seguro para investidores pode ser perpetuada. Contudo, os US$230.000.000.000.000 em apostas derivativas dos bancos estado-unidenses podem trazer as suas próprias surpresas. O JPMorganChase teve de admitir que a sua perda de US$2 mil milhões em derivativos, recentemente anunciada, é maior do que isso. Quão maior está para ser visto. De acordo com Controlador da Divisa ( Comptroller of the Currency ) os cinco maiores bancos possuem 95,7% de todos os derivativos . Os cinco bancos que possuem US$226 milhões de milhões em apostas derivativas são jogadores altamente alavancados. Exemplo: o JPMorganChase tem activos totais de US$1,8 milhão de milhões mas possui US$70 milhões de milhões em apostas derivativas, um rácio de US$39 em apostas derivativas para cada dólar de activos. Um banco assim não tem de perder muito mais apostas antes de estar quebrado. Activos, naturalmente, não são capitais com base no risco. De acordo com o relatório do Controlador da Divisa, em 31/Dezembro/2011 o JPMorganChase possuía US$70,2 milhões de milhões em derivativos e somente US$136 mil milhões em capital com base no risco. Por outras palavras, as apostas derivativas do banco são 516 vezes maiores do que o capital que cobre as apostas. É difícil imaginar uma posição mais temerária e instável para um banco do que aquela em que se colocou, mas o Goldman Sachs ganha o prémio. Que os US$44 milhões de milhões do banco em apostas derivativas sejam cobertos por apenas US$19 mil milhões em capital com base no risco, resultando em apostas 2.295 vezes maiores do que o capital que as cobre. Apostas em taxas de juro abrangem 81% de todos os derivativos. Estes são os derivativos que suportam os altos preços dos títulos do Tesouro dos EUA apesar dos aumentos maciços na dívida do país e da sua monetização. As apostas derivativas de US$230 milhões de milhões dos bancos estado-unidenses, concentradas em cinco bancos, são 15,3 vezes maiores do que o PIB dos EUA. Um sistema político fracassado que permitiu bancos desregulamentados colocarem apostas descobertas 15 vezes maiores do que a economia dos EUA é um sistema que está destinado ao fracasso catastrófico. Quando se divulgar a fantástica falta de juízo dos sistemas político e financeiro americanos, a catástrofe estará pronta a tornar-se realidade. Toda a gente quer uma solução, de modo que apresento uma. O governo dos EUA deveria simplesmente cancelar os US$230 mil milhões em apostas derivativas, declarando-as nulas e revogadas. Como não há activos reais envolvidos, meramente jogos sobre valores nocionais, o único grande efeito de fechar ou reter todos os swaps (principalmente contratos de balcão entre contrapartes) seria retirar US$230 milhões de milhões de risco alavancado para fora do sistema financeiro. Os gangsters financeiros que querem continuar a desfrutar ganhos em apostas enquanto o público subscreve as suas perdas chorariam baba e ranho acerca da santidade dos contratos. Contudo, um governo que pode assassinar os seus próprios cidadãos ou lançá-los em masmorras sem o devido processo pode abolir todos os contratos, se quiser, em nome da segurança nacional. E certamente, ao contrário da guerra ao terror, purgar o sistema financeiro do jogo de derivativos melhoraria amplamente a segurança nacional. [*] Foi secretário assistente do Tesouro dos EUA, editor associado do Wall Street Journal, colunista da Business Week e professor de teoria económica. É autor de numerosos livros . Seu sítio web é http://www.paulcraigroberts.org/ O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&;aid=31272