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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

BLOGS - Assassinados em massa!


Blogueiros são assassinados em massa!

Vai encarar, Moro?
publicado 08/11/2018
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Reprodução: Conexão Planeta
Por Géssica Brandino, na Fel-lha: 

Cresce número de blogueiros assassinados no país, aponta relatório

Ítalo Diniz, 30, era blogueiro em Governador Nunes Freire, cidade de 25 mil habitantes no oeste do Maranhão. Sem filiação partidária, ele escrevia artigos denunciando políticos da região e recebia ameaças públicas, como a de um ex-prefeito que prometeu sua morte e a de um guarda municipal que o ameaçou durante sessão da Câmara de Vereadores, fatos que relatou à polícia.
Na véspera do crime, ele havia relatado a colegas de imprensa ameaças feitas por “prefeitos, vereadores, capachos e seguranças”, sem citar nomes. Uma semana antes a mãe dele também fora ameaçada.
Passados quase três anos, o inquérito sobre a morte de Ítalo não foi concluído e mandantes e executores não foram identificados. A investigação é acompanhada pelo Judiciário, uma vez que um dos suspeitos tem foro privilegiado.
O caso faz parte do relatório “O ciclo do silêncio: impunidade em homicídios de comunicadores”, lançado nesta quinta-feira (8) pela ONG Artigo 19. De acordo com o documento, metade dos profissionais de comunicação assassinados no país nos anos de 2015 a 2016 atuava como blogueiro.
O estudo apresenta o monitoramento dos 22 assassinatos de comunicadores no país no período de 2012 a 2016. Doze deles constavam na análise anterior, apresentada há dois anos, sobre mortes no período de 2012 a 2014 de 3 blogueiros, 3 radialistas, 4 jornalistas, 1 proprietário e 1 fotógrafo.
Dos dez novos casos, 5 eram blogueiros, 3 radialistas, 1 jornalista e um proprietário de veículo de comunicação, crimes praticados em cidades que tinham em média 50 mil habitantes.
“Faz sentido que os blogueiros sejam os mais atacados, porque em boa parte das cidades menores do Brasil não existem jornais impressos estruturados. Nesses locais, quem acaba fazendo a comunicação são os blogueiros e radialistas comunitários, só que esses perfis de profissionais acabam ficando mais vulneráveis à lógica da violência”, afirma o coordenador do relatório e assessor do programa de Proteção e Segurança da Artigo 19, Thiago Firbida.
Segundo ele, uma característica comum entre os crimes é o planejamento e a participação de intermediários na execução. Cerca de metade dos casos envolve ainda agentes do Estado, como políticos, policiais e funcionários públicos, o que dificulta a investigação. Além disso, muitas delegacias não têm estrutura para fazer as perícias necessárias.
“Essa falta de estrutura é um grande problema não só nos crimes contra comunicadores, mas em todo o processo de investigação de homicídios no Brasil. O que é diferente nesses casos é que, como os mandantes são pessoas poderosas, além da falta de estrutura das polícias, [a impunidade] também é influência dessas pessoas”, diz.
Firbida aponta que mais da metade das investigações (59%) teve andamento insatisfatório, ou seja, após anos o inquérito não foi aberto, foi arquivado ou não concluído. Em 41% o andamento foi satisfatório, com a abertura da ação penal e sentença. Em apenas um caso, porém, houve condenação do mandante, caso da morte do blogueiro Décio Sá, em São Luís (MA), em 2012.
Os casos também revelam a falta de ação diante das ameaças sofridas pelos comunicadores, relatadas por 77% deles. “Se as autoridades não respondem a ameaças consideradas mais leves, o que a gente percebe é um agravamento até um grau extremo, que é o homicídio”, afirma.
A organização também monitora ameaças a profissionais e aponta que elas podem gerar autocensura, mudança da área de cobertura e até abandono da profissão.
Para evitar o cenário de impunidade, o relatório aponta um conjunto de medidas, como a proteção efetiva dos comunicadores pelo governo federal, o acompanhamento dos casos pelo Ministério Público e o investimento prioritário pelos governos estaduais nas polícias para investigar os crimes.
“São casos que não têm só uma dimensão individual, mas social, porque quando um comunicador é assassinado você está atingindo o direito da sociedade de se informar. Essa é uma dimensão coletiva que os governos atuais precisam ter em mente”, diz Firbida.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

BLOGS - Mídia e governo tentam silenciar os blogs.

Mídia e governo tentam silenciar os blogs

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Os blogs políticos independentes, que não fazem parte de portais corporativos, são um mistério.

De que se alimentam, como vivem, onde moram?

Como fazem os brasileiros, os blogs se viram: prestam serviços de consultoria, ganham com publicidade, dão palestras, vendem assinaturas, pagam do próprio bolso.

Para a grande mídia, porém, os blogs precisam ser exterminados, para que a narrativa golpista possa reinar solitária na opinião pública.

O novo governo Temer, mesmo diante de problemas econômicos e sociais de terrível gravidade que o Brasil enfrenta, tem encontrado tempo, desde o primeiro dia, para adotar ações políticas contra os blogs.

Como convém a qualquer ditadura, é preciso silenciar a crítica!

E com o apoio cafajeste da grande mídia e de seus satélites na blogosfera conservadora, que vem publicando freneticamente editoriais e reportagens contra os famigerados blogs políticos de esquerda.

O foco deles, naturalmente, nem são todos os blogs, mas meia dúzia de blogs com mais audiência, que se especializaram em fazer a desconstrução da narrativa golpista da mídia.

É incrível a truculência reunida contra um punhado de blogueiros.

Gilmar Mendes, Ali Kamel, Lava Jato, governo Temer, Globo, Estadão, Veja, Folha, Antagonista: todos unidos contra meia dúzia de blogueiros.

Os valores apresentados como "denúncia exclusiva" do Antagonista atestam mais a sua pobreza do que qualquer outra coisa.

Para o Cafezinho, então, o valor (R$ 124 mil para todo 2016) chega a ser ridículo, se cotejado com a audiência do blog e com o que a mídia tradicional recebe (além de não terem sido pagos, o que dá essa história toda o aspecto de pastelão).

Quanto maior a audiência do blog, maior o seu custo, porque evidentemente é preciso fazer alguns investimentos para se manter altos índices de visitação: contratar um programador, ter um bom servidor, uma ou duas pessoas para gerir conteúdo, pagar um desenhista, um repórter freelance, etc.

Não se passou 24 horas para que o governo Temer, reagindo ao Antagonista, determinasse o "bloqueio" de valores que ainda não foram pagos aos blogs.

A informação do Estadão contradiz a denúncia do Antagonista: os tais valores mostrados com "exclusividade", se já eram pequenos, sequer serão pagos.




A grande mídia e Temer parecem não ter consciência de quanto esse tipo de abordagem é fascista e atrasada. Nos EUA, blogs e jornais tem - invariavelmente - um posicionamento político transparente e aberto ao público. Ninguém é discriminado por conta disso.

Durante os governos Lula e Dilma, a grande mídia, "simpática ao PSDB", continuou a receber normalmente suas verbas de publicidade, na ordem dos bilhões e bilhões.

Blogs políticos de oposição recebiam recursos normalmente. Não havia discriminação. Lembro de alguns episódios até divertidos, como esse da imagem abaixo:



Em 13 anos de governo, Globo, Veja, Folha, Estadão, e todos os seus respectivos blogueiros ultra-agressivos contra o PT, recebiam enormes somas de dinheiro.

Em três semanas de governo Temer, ele não apenas determina que não haverá mais contratos de publicidade entre o governo e blogs políticos, portais e revistas progressistas, como decide bloquear o pagamento de valores já contratados?

Coisa de ditadorzinho de republica bananeira!

Evidentemente, é uma postura ilegal.

Em primeiro lugar, os tais "R$ 8 milhões" da reportagem do Estadão é um número para fazer efeito, que junta sabe-se lá quantos sites e blogs.

Em segundo lugar, só por aí - pela exiguidade dos valores - se vê como a blogosfera jamais recebeu, mesmo nos governos Dilma ou Lula, tratamento especial do governo.

É evidente que eles vão conseguir, efetivamente, prejudicar os blogs.

Se o governo apenas se limitasse a cortar verbas de publicidade, tudo bem, mas os ataques políticos na mídia chapa-branca dificultam também que os blogs consigam recursos na publicidade privada, por causa da abordagem criminalizante que se faz do perfil político dos blogs.

Naturalmente, o anunciante privado ficará temeroso em anunciar em blogs e sofrer "retaliação" de uma mídia que, aparentemente, não tem compromisso nenhum com um aspecto vital da democracia: oferecer à população uma gama ideologicamente colorida de serviços de informação.

No caso do Cafezinho, esse esforço para nos sufocar talvez nos obrigue a reduzir custos, mas sobreviveremos.

Nós criticamos a mídia corporativa não por ser "simpática ao PSDB", como ela sempre foi, mas porque ela é historicamente golpista, defendeu a ditadura militar e hoje defende o golpe do impeachment. Criticamos porque é uma mídia ultraconservadora e acreditamos que, numa democracia, a existência de blogs que fazem o contraponto político e ideológico ao conservadorismo deveria ser saudada, porque é da diversidade que nasce a criatividade, e da criatividade nasce o empreendedorismo e a riqueza das nações!

Na matéria do Estadão, lemos o seguinte:



É uma comédia, né.

Não tenho nada contra o Observatório da Imprensa ou o Congresso em Foco, sites muito bons, e que espero que continuem recebendo publicidade institucional.

O problema é chamar - implicitamente - Globo, Veja, Estadão, Folha, de veículos "apartidários", e mencionar "debates de relevância pública". Quem define o tipo de debate que tem "relevância pública"? Bem, talvez um governo democraticamente eleito poderia, muito delicadamente, definir o que são debates de relevância pública, e mesmo assim haveria quem, com certa justiça, contestasse esse direito.

Agora, um governo como esse aí, nascido de um golpe, que legitimidade tem para definir algo assim?

Os debates no Cafezinho não tem relevância pública apenas porque tem um viés progressista? Que raios de democracia é essa?

Se o governo Temer não quer anunciar em blogs políticos, tudo bem, é a vida. Seria até hipocrisia minha pretender receber publicidade de uma administração golpista como essa.

O Cafezinho nunca viveu de banners oficiais, embora eu não veja problema nenhum se fosse este o caso, desde que oferecesse a audiência requerida pelo anunciante.

No entanto, a informação do Estadão - que sintomaticamente não ouviu o "outro lado" - de que a publicidade estatal é a principal fonte de renda dos blogs não é correta no meu caso. A principal fonte de renda do Cafezinho são assinaturas dos leitores e adsense do Google.

Aliás, por falar nisso, vou aproveitar a ocasião e retomar uma promoção que deu muito certo há alguns dias atrás. Desta vez, temos um pretexto ainda melhor: é aniversário do editor (eu) do Cafezinho

quarta-feira, 1 de junho de 2016

BLOGS - Os caras não admitem o contraponto.

Agressão a blogs é a nova tara golpista


Chico Furtado
Contra o monopólio da mídia, blogueiros devem ser perseguidos pelo governo golpista.Contra o monopólio da mídia, blogueiros devem ser perseguidos pelo governo golpista.

1) matéria na capa do site da Globo (fiz post sobre isso).

2) twitter ultra-agressivo, nojento, de Jorge Bastos Moreno (fiz
post sobre isso).


3) matéria na Folha.
Meus amigos estão muito mais preocupados comigo do que eu. Ontem, uma fonte bem informada disse que a Lava Jato agora irá perseguir advogados de defesa e... blogueiros.

Eu respondi rindo, levemente perplexo, que não consigo entender o que poderiam achar contra mim. Não tenho nada. Minha mulher não tem nada. Minha mãe não tem nada. Meu irmão não tem nada. Essa é a família que eu tenho. Todo mundo pobre, sem nenhuma propriedade, sem dinheiro no banco.

Não é algo de que meu orgulhe, mas é a vida. Eu escolhi ser um escritor, um blogueiro de esquerda, e pago o preço por isso. Minha mãe escolheu ser professora de escola pública. Paga o preço por isso. Meu irmão tem lá a sua luta, como tantos milhões de brasileiros. Paga o preço por suas escolhas. Minha mulher ainda está construindo a sua carreira; não é "do lar".

Meu blog tem bastante audiência, sou reconhecido pelo meu trabalho, e ganho o suficiente, com assinaturas e publicidade privada, para viver com razoável conforto.

Eles - meus amigos - dizem que isso não importa mais para o judiciário brasileiro, ainda mais num momento em que vivemos um Estado de Exceção.

No entanto, não deixo de me espantar que, diante de problemas políticos, econômicos e sociais tão profundos, o governo "interino" de Michel Temer e a imprensa estejam preocupados com... blogs!

É quase uma tara. Agora todo dia saem matérias terroristas contra os blogs, como se eles ganhassem rios de dinheiro. Estão vindo com sangue na boca, querendo se vingar de... de que mesmo? O governo federal não lhes deu bilhões e bilhões em verba pública? Que canalhas!

As migalhas que alguns blogs ganharam - merecidamente - foi para sustentar seus custos operacionais.

O Cafezinho, depois de 13 anos de completa indiferença, ganhou, de uns meses para cá, meia dúzia de banners da Secom. Estou quase arrependido de tê-los aceitado. Os valores são pequenos. A maior parte ainda nem foi pago.

Entretanto, os banners que conseguimos vieram de mérito, visto que temos hoje quase 5 milhões de pageviews por mês, atingindo um público muito especial, de pessoas interessadas em política, formadores de opinião.

É impressionante o ódio, a intolerância, propagados pela imprensa. O que eles querem? Nos pintar como mercenários que nos vendemos por um punhado de publicidade?

Ora, eles se comportam como velhos senhores da Casa Grande, patrimonialistas radicais, lidando com o dinheiro público como fosse sua propriedade, e tratando os blogs com um desprezo assustador.

Omitem acintosamente que representamos um setor social que venceu quatro eleições presidenciais consecutivas, inclusive a última. Um setor que encheu as ruas nos últimos meses, e continua enchendo hoje, todos os dias.

O "governo interino" Temer não teria que governar para todos os brasileiros, inclusive para os que não concordam com o impeachment?

Temer não é um governo "democrático", e como tal, não teria que defender a liberdade de expressão também dos blogs, sabendo que atendemos um público que paga impostos e sustenta os salários de Michel Temer e todos os ministros?

Com todo o respeito, Michel Temer, independente do fato de você ser um golpista, você é um servidor público pago com o meu, o seu e o nosso suor!

Ninguém é mais cidadão que ninguém numa democracia! Pretender que uma democracia não tenha escritores e jornalistas progressistas, que não façam dura oposição a um governo como o de Michel Temer, é uma concepção bizarra de democracia!

Essa postura de vendeta contra quem não concorda com o governo é coisa de ditadura de banana! Os governos Lula/Dilma jamais fizeram isso! Por isso, aliás, ganharam quatro eleições consecutivas!

Eles - os golpistas da grande imprensa brasileira - têm ódio dos blogs porque eles tem cada vez menos prestígio e nós, os blogs, temos cada vez mais. Agindo assim, porém, com truculência e egoísmo, pregando o extermínio dos blogs, os golpistas cavam sua própria cova.

Intelectuais, estudantes, professores, tem preferido ler os blogs no lugar da grande imprensa.

São os blogueiros que são chamados para palestras nas universidades, não os jornalistas da Globo. Os jornalistas da Globo não podem pisar numa universidade! Golpista será o adjetivo mais delicado de que serão chamados.

A grande imprensa vivia brandindo uma frase descontextualizada (e por isso tola) de Millor Fernandes: imprensa é oposição, o resto é secos e molhados, e agora a mesma imprensa está aí, praticando um chapa-branquismo de dar vergonha aos jornais da época da ditadura (que foram os mesmos jornais de hoje, aliás).

Tentavam desqualificar os blogs chamando-os de "governistas", "chapa branca", "sustentados por verba pública". Ora, se fossemos governistas, chapa-branca e viciados em verba pública teríamos nos vendido rapidamente ao novo governo, não é?

Não o fizemos, o que significa que nunca fomos nem uma coisa nem outra, apenas blogs políticos com personalidade e opinião própria.

E agora nos chamarão de quê? De governistas ou chapa-branca não podem mais. "Pró-PT"? Ora, isso é papo de fanático da ultra-direita. Vão imitar o Malafaia xingando o Bernardo Mello Franco de "petralha" e "esquerdopata"?

É impressionante o instinto autoritário e ditatorial da nossa imprensa, e isso mostra bem a carantonha do golpe do qual ela foi articuladora principal e do qual agora é o principal sustentáculo.

O tweet de Jorge Bastos Moreno é emblemático desse golpismo midiático. Eles nos criminalizavam ao nos chamar de "governistas", porque também criminalizavam o governo. Agora tentam nos criminalizar porque somos oposição? O que eles querem? O extermínio da diversidade de opinião no país?

E o que Bastos quer dizer? Que não haverá oposição ao governo Temer? Bastos não percebeu que as ruas estão efervescentes de revolta contra o governo golpista? As ruas também estão recebendo dinheiro do governo? Peraí, o governo agora é deles!

Sinceramente, o seu tweet é apenas uma mensagem ameaçadora, autoritária, bandida, vazia. Mensagem de puxa o saco do patrão golpista, e de quem não guarda o mínimo zelo pela democracia.

Eles se queimam com essas agressões, e acabam chamando ainda mais atenção para os blogs.

Afinal, é um ataque ridiculamente assimétrico. Por mais que a audiência dos blogs tenha crescido, ainda somos organizações imensamente frágeis, quase artesanais, tocadas muito mais por aventureirismo e diversão do que para "ganhar dinheiro".

A troco de que corporações seculares, que pertencem às famílias mais ricas do país, tem tanto medo dos blogs, a ponto de patrocinar ataques diários, sistemáticos, a eles, e a fazer campanha para nos asfixiar financeiramente?

Isso mostra, naturalmente, que eles têm medo do contraponto, da diversidade, da democracia.

Por isso são golpistas!

E por serem golpistas e adversários dos blogs, fazem dos blogs, por contraste, um bastião essencial dos mais importantes valores democráticos, como o respeito à liberdade de expressão e à diversidade de opiniões

Golpistas, fascistas, não passarão!


*Jornalista, blogueiro, editor do Cafezinho.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

BLOGS - Blog da Resistência foi invadido por hackers.



Blog da Resistência é invadido por hackers



O Blog da Resistência, do editor do Portal Vermelho, José Reinaldo Carvalho, foi tirado do ar por hackers na manhã desta segunda-feira (4). O espaço que se dedica à luta anti-imperialista e à solidariedade com os povos atingidos do mundo teve sua voz calada por um grupo intitulado Darkness Crew (Tripulação da escuridão, do inglês).



Edição: Portal Vermelho
Atualmente, esta é a imagem que aparece no Blog da Resistência Atualmente, esta é a imagem que aparece no Blog da Resistência
Os invasores se identificam com quatro pseudônimos: KingBack, CrowD, SynX e Lac0st. Eles deixaram uma mensagem de agradecimento ao que parecem ser outros grupos de hackers e colocaram a música “The one who laughs last” para tocar constantemente no site.

O editor do blog publicou em seu perfil oficial no Facebook a seguinte declaração: “querem calar a voz dos antissionistas e anti-imperialistas. O Blog da Resistência foi hackeado. Estamos trabalhando para restaurar. Fazem monstruosidades contra os palestinos e terrorismo midiático pelo mundo”.

Desde que foi criado, o Blog da Resistência é uma verdadeira trincheira na luta pela libertação e a soberania dos povos. O conteúdo publicado no site propõe, com comprometimento, esclarecer seus leitores com a propagação de ideias patrióticas e a luta pelo Socialismo.

O blog exibia em seu topo a palavra "Resistência" em diversos idiomas

Nos últimos tempos o Blog da Resistência buscava noticiar constantemente o genocídio cometido por Israel contra o povo palestino e se converteu em um espaço de voz ativa no combate ao sionismo. Desde sua criação, o espaço sempre combateu com veemência todo tipo de terrorismo, ocupação e violação da soberania dos povos ao redor do mundo.

A página é referência na luta de ideias. Neste momento, por força da invasão, mostra uma máscara utilizada para a manipulação de produtos químicos e a mensagem Defacement Forever! (Desfiguração para sempre!, do inglês). Uma equipe está empenhada em reativar o conteúdo original.

 
Mariana Serafini, da redação do Vermelho

domingo, 18 de maio de 2014

BLOGS - A blogosfera é a luz no fim do tunel.


A blogosfera é a luz no fim do túnel

Miguel do Rosário, Tijolaço

"O título parece pretensioso, mas somente se você entender a blogosfera como você acha que ela é. Não é. É muito maior e mais plural do que você pode imaginar. Escrevo rápido para voltar ao evento (assista ao vivo aqui). Acabo de participar de uma conversa com blogueiros do Nordeste que me deixou assombrado. No Maranhão, há mais de mil e quinhentos blogs políticos. Em cada município do Maranhão, há pelo menos cinco blogs que falam de política.

A clã Sarney ainda controla fortemente os meios de comunicação, mas não está conseguindo conter essa blogosfera altamente capilarizada e se perder a eleição este ano para Flávio Dino (PCdoB), isso se deverá ao trabalho de formiga de milhares de blogs, alguns deles com milhares, centenas de milhares de visitas ao dia.

Em Pernambuco, conheci o diretor de uma associação de blogueiros, que nos explicou que o estado tem mais de 350 blogueiros que falam de política. A maioria é de esquerda, e o discurso que une a todos é a democratização da mídia.

As placas tectônicas estão se mexendo. O governo pode não ter feito nada para melhorar a comunicação social brasileira, mas somente ao melhorar a situação econômica produziu o desejo de milhões de brasileiros de interferir mais diretamente na vida política de suas comunidades, de seus estados, do país.

Voltamos a este assunto em breve."

sábado, 20 de abril de 2013

6 º BOOKCROSSING BLOGUEIRO.


"Livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores." (Charles W. Elliot)

Para mim, os livros representam isso mesmo: amigos presentes a qualquer hora. Eles estão sempre presentes em minha vida e me ajudam a fazê-la cada dia melhor. Com eles nunca me sinto só. Onde vou, sempre carrego um comigo, pois se vou esperar, já sei que não vou me irritar pois terei uma ótima companhia para me distrair.

Para quem enxerga os livros como esse amigo, o convite da Luma, do Luz de Luma, Yes Party, é irrecusável: participar do 6º Bookcrossing Blogueiro , um jeito diferente de estimular o "vício" da leitura.E, como sou daquelas que gosto de partilhar o que é bom, não vou ficar de fora. Ainda não escolhi aquele que vou " libertar". Olho para cada um, sinto amor, gratidão e amizade por tudo que representam para mim. Sempre penso: " Esse aqui ainda vou ler", como se ainda tivesse vida suficiente para isso. Aí penso que, apesar de ser super desapegada, não consigo estender esse sentimento aos meus livros. Meus amigos, meus companheiros. Mas um dia consigo. Só para ilustrar esse meu amor, vou contar uma historinha.

Estávamos voltando de uma viagem internacional, o vôo atrasou e a companhia aérea providenciou o pernoite em um hotel em Guarulhos. Apesar de todo o desconforto, cansaço, levava meu livro na minha bolsa para me "socorrer" em momentos assim. Antes de dormir, exausta, ainda li umas duas páginas até para me acalmar dos contratempos do dia. Na manhã seguinte, 4 horas da manhã já estávamos de pé, correndo para alcançar o primeiro voo para Brasília. Quando finalmente estávamos instalados em nossos assentos na aeronave, abro minha bolsa para tirar o livro, meu companheiro nas próximas horas, e qual não foi minha surpresa ao perceber que ele tinha sido esquecido no quarto de hotel. Que dor! Claro que poderia comprar outro, mas aquele estava todo sublinhado, marcado com aquilo que tinha me tocado.Minhas marcas e elas não poderiam ser resgatadas. Para encurtar a conversa, depois de muitos telefonemas, e-mails trocados com o hotel, meu livro retornou às minhas mãos. Que alegria! Vocês não imaginam o prazer que senti. E é esse prazer que quero partilhar hoje com vocês. O prazer de uma leitura prazerosa e enriquecedora.

Como falei, ainda não sei o livro que vou libertar, mas quero fazer igual a Gina, "esquece-lo" em algum lugar e ver que ele foi resgatado por alguém que terá a mesma emoção que tive ao lê-lo.

Parabéns, Luma, por tão rica iniciativa. 

Fonte: Blog Simples Assim

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

BLOGS - A audiência dos blogs no Brasil.


A AUDIÊNCIAS DOS BLOGS NO BRASIL

Do “Ad News”


INFOGRÁFICO REVELA ANÁLISE DE AUDIÊNCIA DOS BLOGS BRASILEIROS

“A ‘boo-box’, em parceria com a ‘Navegg’, anunciou os resultados de levantamento sobre a audiência de blogs no país. A análise define o perfil do público que acessa esses sites no Brasil, que corresponde a 80 milhões de pessoas, com base no seu comportamento de navegação.

Os dados do infográfico foram coletados entre janeiro e março de 2012, com estudo da audiência baseado em amostragem de cerca de 4,5 bilhões de visualizações e 7 milhões de cliques. Dentre os critérios, foram levantadas informações sobre a audiência como escolaridade, geolocalização, faixa etária, sexo, acesso por categoria, assuntos de interesse e uso de navegadores e dispositivos.

“Este levantamento é um verdadeiro raio-X da audiência brasileira de blogs. Entender o público e saber como e onde chegar até ele é crucial para direcionar os esforços da comunicação digital”, diz Marco Gomes, fundador e CMO da “boo-box”. “Cada impressão ou visita nos sites e blogs deixa registrada uma série de informações anônimas, que representam hábitos de navegação, gênero, sexo, idade entre outros. Esses dados, analisados com informações do mercado, geraram as estatísticas que nos permitiram chegar ao retrato fiel do público que acessa blogs”, complementa.

O estudo mostrou que 43% dos usuários possuem ensino superior, enquanto 36% contam com diploma do ensino médio e 21% do ensino básico. Considerando dados da educação no Brasil, no ensino fundamental apenas 17,2% dos alunos das escolas públicas usam a internet, ao passo que, nas escolas particulares, esse número sobe para 74,3%. No ensino médio, o percentual de estudantes das escolas públicas com acesso à internet ainda é muito baixo (37,3%), bem inferior ao constatado nas escolas privadas (83,6%).

Em relação à localização geográfica, as grandes capitais continuam líderes no ranking de acessos: São Paulo com 14%, Rio de Janeiro, com 9%, e Belo Horizonte, com 5%. Sobre o acesso à internet, os índices mostram que as regiões Sul (25,6%) e Sudeste (26,6%) correspondem ao dobro das Regiões Norte (12%) e Nordeste (11,9%). No Distrito Federal, 41% da população está conectada, enquanto em Alagoas, apenas 7,7% utilizam a internet.

Sobre a faixa etária da audiência, metade possui entre 18 e 24 anos e 20% está margem entre 25 a 34, o que indica que a blogosfera ainda é freqüentada, principalmente, por jovens. Os índices menores, de 4% e 7%, consistem nos maiores de 50 anos e aqueles entre zero e 17 anos, respectivamente.

Em relação ao sexo, a maioria corresponde ao público masculino, representando 69% da base. As categorias mais procuradas por eles, em ordem quantitativa decrescente, são entretenimento, esporte, tecnologia e automotivos que, somadas, equivalem a 90% de todos os acessos.

Com 4% e equivalente à porcentagem de automotivos, uma categoria que tem crescido é a de “moda e beleza”, o que confirma o aumento do setor no “e-commerce” e internet brasileiros - segundo a “e-bit”, o segmento já é a 6ª categoria de produtos mais vendida no comércio eletrônico do país. Sobre o acesso geral por categorias, a mais procurada é entretenimento, composta por 69%, com temas como música, cinema e teatro. Em seguida, constam esporte (10%), tecnologia (7%), automotivo (7%), moda e beleza (4%), sexo e pornô (2%) e cultura e educação (1%).

O estudo também comparou os meios de acesso aos blogs. A pesquisa revela que, entre os navegadores, o “Chrome” ultrapassou o “Internet Explorer” e já é o líder em acessos com 45%. Atrás do “Internet Explorer” (29%), estão o “Firefox” (20%), “Safari” (2%) e “Opera” (1%). Além disso, a partir da comparação entre o computador e “mobile” para acesso a blogs, o primeiro ainda segue à frente, com 98%. Os dispositivos móveis correspondem a 2%, o que equivale a 90 milhões de visualizações de blogs.

sábado, 29 de outubro de 2011

BLOGS - Blogosfera enfrenta desafio de não repetir vícios da grande mídia.

Para Ignácio Ramonet, do Diplô, "dispersão e a ausência de sentido mais amplo" dos conteúdos padecem como desafios a serem vencidos pelos comunicadores. Segundo o jornalista Luis Nassif, "a questão mais importante não é a tecnologia em si, que está em constante transfomação, mas os valores por trás dela".

Marcel Gomes

Foz do Iguaçu - Apesar de os novos meios de comunicação terem democratizado o acesso à informação no mundo, problemas como a "dispersão e a ausência de sentido mais amplo" dos conteúdos padecem como desafios a serem vencidos pelos comunicadores. A opinião é do jornalista e sociólogo espanhol Ignácio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique, que participa nesta sexta-feira (28) do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, em Foz do Iguaçu (PR). O evento acontece até sábado (29).

"Hoje a informação é superabundante e, por isso, não tem mais valor em si, é gratuita", disse ele. "Por isso, há qualidades do jornalismo tradicional, no tratamento da informação, que não podem ser eliminadas e contribuem para qualificar o uso das novas tecnologias".

Esse seria um papel que os jornalistas poderiam cumprir, já que atualmente "não sabem mais qual a sua função". "Há uma crise de identidade nos meios tradicionais, que perderam o monopólio, e nos próprios jornalistas", analisou o espanhol.

Ramonet destacou o papel das novas tecnologias ao dificultar que governos controlem a informação, "como na Tunísia e no Egito", e colaborar para a democracia. No entanto, ressaltou que todos devem se preparar para o futuro, pois "tudo é transitório e, daqui a cinco anos, twiter, facebook e ipad talvez sejam substituídos por outras tecnologias".

"Os antigos meios de comunicação viveram uma estabilidade por décadas. Isso não ocorre hoje. Se este evento dos blogueiros tivesse acontecido há cinco anos, estaríamos falando aqui do My Space", disse.

Experiência brasileira
Em sua exposição, o jornalista brasileiro Luis Nassif afirmou que a blogosfera já é utilizada pelas mais diversas camadas da sociedade, da esquerda à direita. "Eu vivo uma guerra com a revista Veja, que diariamente me caluniava através de um de seus colunistas na intenet", afirmou.

Em linha com Ignácio Ramonet, ele disse que "a questão mais importante não é a tecnologia em si, que está em constante transfomação, mas os valores por trás dela". Nassif ainda rememorou o papel da mídia tradicional na legitimação da política econômica em diversos períodos da história brasileira.

"Na era do café, a imprensa defendia a política que beneficiava esse setor. Quem propusesse algo em outra linha, era criticado", afirmou. Ele lembrou que o nascimento do rádio e da indústria fonográfica nas primeiras décadas do século 20 abalou o poder dominante, pois "ajudava a criar a autoestima nacional, quando a elite ainda falava francês".

Na década de noventa, Nassif disse que novamente a política econômica foi determinada pela mídia, que se aproveita de que "a política é conduzida pelas pressões imediatas". "É com a mídia que se consegue chegar à opinião pública", analisou.

Segundo o jornalista, apesar do poderio ainda exercido pelos meios tradicionais, já há casos em que a blogosfera fez diferença, como quando ajudou a desmontar a operação midiática para desqualificar a operação Satiagraha da Polícia Federal, que atingiu em 2004 o banqueiro Daniel Dantas.
Fonte: Agência Carta Maior.

domingo, 26 de junho de 2011

BLOGS - O novo ciclo da blogosfera.

Nassif e o novo ciclo da blogosfera

Por Luis Nassif, em seu blog:

O Segundo Encontro dos Blogueiros, em Brasília, marca o fim de uma era histórica e o início de outra era promissora.

Não compareci ao encontro de Brasília por questões familiares – o fim de semana é sagrado para as menininhas. Mas já tinha solicitado o afastamento do movimento por julgar que a grande missão – na qual me sentia incluído – já tinha sido completada.

A era histórica foi a grande frente que ajudou a afastar a maior ameaça que a democracia brasileira enfrentou desde a eleição de Tancredo: a perspectiva de um país da dimensão do Brasil presidido por um político vingativo e desequilibrado como José Serra.

No encontro que consolidou esse pacto conheci a senhora que montou o blog para denunciar os crimes de maio em São Paulo; a blogueira do Complexo do Alemão; colegas dos mais diversos rincões do país, empenhados em trazer à tona os fatos locais. Ou seja, uma diversidade muito maior do que o fato pontual das eleições. E havia os militantes, alguns históricos, outros jovens que descobriam a militância através da Internet.

No evento de lançamento do movimento procurei explicitar minha posição. A frente era composta por pessoas de várias tendências e cimentada por alguns princípios comuns a todos: a defesa da democracia, da inclusão social, contra toda forma de intolerância e preconceito e dando voz a todos os excluídos pela velha mídia.

O grande desafio seria posterior, quando terminasse a guerra e aparecessem as divergências. Aí mostraríamos o avanço democrático, de poder divergir de forma civilizada.

Agora entra-se na segunda etapa.

A blogosfera é composta por vários grupos de blogueiros, entre os quais dois se destacam: os militantes e os jornalistas. Pertenço ao segundo grupo.

Há características diversas em ambos os grupos, alguns pontos em comum e uma divergência básica: o militante tende a buscar uniformidade do pensamento. No meu caso, sempre entendi a política e a economia com menos dogmatismo. Em meus escritos tenho enfatizado que a construção do Brasil passou por cabeças das mais variadas, de Roberto Campos a Celso Furtado, de Octávio Gouvêa de Bulhões a Rômulo de Almeida.

Sempre entendi que a construção do país deveria ser fundamentalmente pragmática. Com o Partidão, desenvolvemos o modelo federativo do SUS; com os liberais, o mercado de capitais; com a Igreja, o PT e os movimentos sociais, a tecnologia para extirpar a pobreza; com os administradores, as ferramentas de gestão; com os cientistas, as políticas de inovação; com os funcionários públicos, o papel proativo do Estado.

O grande papel da Internet será dar voz a todos. É a partir do aumento dos protagonistas que rompe-se a muralha da informação e permite-se ao país avançar rumo ao estágio mais avançado da democracia, aquele em que deixam-se de lado as decisões autárquicas e amplia-se a negociação e as decisões compartilhadas.

Na Internet, esse novo estágio exigirá o aparecimento de novos personagens, os mediadores, aqueles locais que preferencialmente deem a voz aos sem mídia, mas sem filtros ideológicos e sem temas tabus. Considero que fazem parte dos sem mídia não apenas os movimentos sociais, criminalizados, mas setores da economia, como indústria, agronegócios, os órfãos do câmbio.

Nos próximos anos haverá dois grandes desafios na Internet. O primeiro, esse contraponto à velha mídia; o segundo, o de impedir que essa guerra leve à vitória final da intolerância sobre a razão.

Na grande guerra mundial do ano passado, o esquema Serra trouxe para a Internet a mais sórdida campanha de mídia que esse país já conheceu, com esquemas profissionais barras-pesadas praticando à exaustão assassinatos de reputação, intolerância, efeitos-manada. O que deu legitimidade aos chamados "blogueiros sujos" foi não ter embarcado nesse jogo pesado.

O grande desafio, daqui para diante, será ampliar a frente evitando as armas dos adversários, impedindo as baixarias, assassinatos de reputação, intolerância.

Continuaremos todos por aí. Mas na minha memória afetiva jamais sairão os momentos da grande guerra do ano passado. Cada vez que desanimava com os ataques, as baixarias, olhava para o lado e encontrava companheiros blogueiros indo em frente. E o mesmo devia ocorrer quando qualquer um deles desanimava com o que parecia ser o avanço irresistível do pensamento mais atrasado.

Construímos um momento histórico na vida política do país, impedindo o desmoronamento da democracia.

Agora será a grande luta por sua consolidação, cada qual militando na sua trincheira.
Postado por Miro

sábado, 25 de junho de 2011

BLOGS - Os debates do II BlogProg.

Por Adriana Delorenzo, na Revista Fórum:

Com a presença do ex-presidente Lula, o jurista Fábio Konder Comparato, o ministro Paulo Bernardo, a deputada Luiza Erundina e outros nomes importantes na defesa da democratização das comunicações no Brasil, encerrou-se o 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas neste domingo, 19.

O evento reuniu 349 ativistas virtuais de 21 estados do país na Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), em Brasília. A transmissão on-line, pela TVT, contou com mais de 30 mil acessos. Foram três dias de encontro para discutir temas como a regulação da comunicação, o marco civil da internet, a neutralidade na rede, o Plano Nacional de Banda Larga e a censura contra a blogosfera.

Na abertura, sexta-feira, 17, Lula marcou presença. “Não poderia deixar de vir aqui”, disse o ex-presidente, o primeiro a conceder uma entrevista a blogueiros, ou “brogueiros”, como ele brincou. “Não vou esquecer nunca o papel que vocês tiveram na defesa da liberdade de expressão.”

Ainda no primeiro dia de encontro, o ministro Paulo Bernardo falou sobre os planos do governo Dilma e respondeu a uma série de questionamentos dos blogueiros, especialmente sobre a banda larga. Esta é, segundo o ministro, uma prioridade. Ele defendeu a massificação do acesso, com uma velocidade de 1Mbps a R$ 35. No entanto, Bernardo alegou dificuldades para a banda larga pública. “O que vamos fazer com os 5 mil provedores que existem hoje?”, questionou.

O ministro ainda ressaltou questões orçamentárias, que, em sua opinião, deveriam priorizar áreas como saneamento e habitação. A blogueira Maria Fro e outros blogueiros defenderam o direito à banda larga pública, que é um instrumento para a população denunciar e cobrar outros direitos.

O ministro disse ser a favor da regulação da mídia e afirmou que será uma batalha para aprovar o marco no Congresso Nacional. Paulo Henrique Amorin, do blog Conversa Afiada, destacou que o governo anterior não avançou nas comunicações e disse que a posição do ministro e do governo Dilma “não nos encoraja”. “Não podemos perder a perspectiva, nosso objetivo é a liberdade de expressão.”

Aplaudida de pé, a deputada Luíza Erundina (PSB-SP) deu uma injeção de ânimo, chamado as pessoas a se mobilizarem para terem conquistas. Ela destacou que apesar de o Brasil estar há 8 anos com um governo popular, “a correlação de força não mudou”. E criticou o que chamou de “desordem institucional que se expressa na deficiência do processo político”. Isso porque, segundo a deputada, o Legislativo não legisla, enquanto o Executivo utiliza medidas provisórias para aprovar suas propostas e o Judiciário tem decidido vários temas importantes para o país.

Uma presença que atraiu grande interesse dos participantes foi a de José Dirceu. “Só estou aqui por causa do blog”, disse no início de sua fala. “Estamos vivendo um grande momento, como mostra esse encontro. Faço parte desse movimento. E estou disposto a travar essa luta junto.”

O 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas contou com debates sobre a reforma agrária, mulheres na blogosfera, sindicalismo na era da internet e as redes sociais na eleição de Ollanta Humala, com a presença de peruanos que participaram do processo no país vizinho. O blogueiro Enio, do PTrem das Treze, foi o homenageado deste ano.

Próximo Encontro será na Bahia

Na plenária final, os participantes definiram que o próximo Encontro de Blogueiros Progressistas será em Salvador (BA) em maio de 2012. “Ficamos preocupados com o que está acontecendo com o PNBL, com o marco regulatório, por isso já será no ano que vem”, afirmou Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos Barão de Itararé. O objetivo é que haja encontros estaduais, regionais e municipais. Desde o I Encontro, no ano passado, foram realizados 14 estaduais e dois regionais, reunindo quase 2 mil pessoas.

Os Blogueiros também aprovaram uma carta cobrando o marco regulatório dos meios de comunicação, um PNBL que ofereça internet de alta velocidade e universalize o acesso num regime público, a total neutralidade da rede, aprovação do marco civil da internet e uma campanha nacional de solidariedade aos blogueiros perseguidos e censurados, estabelecendo como meta a criação de um “Fundo de Apoio Jurídico e Político”.

Em relação à organização do evento, serão criadas comissões regionais no país. A Comissão Organizadora Nacional terá um membro de cada região do país, mais um membro da Bahia, um de Brasília e mais uma representante do movimento feminista.
Postado por Miro

sexta-feira, 3 de junho de 2011

BLOGS - Carta dos Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro.

Carta dos Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro

Somos jovens, somos não tão jovens. Somos homens e mulheres, meninas e meninos. Temos todas as cores, todas as religiões, diferentes crenças ideológicas, mas apenas um compromisso: liberdade com justiça social. Somos centenas e não baixamos a cabeça para ninguém. Somos os blogueiros progressistas do estado do Rio de Janeiro.

No atual estágio da luta de classes, a blogosfera é uma trincheira fundamental na defesa dos trabalhadores contra a selvageria e crueldade do capitalismo. Nossos blogs tornaram-se ferramentas de grande utilidade nas batalhas cotidianas contra as mentiras contadas e recontadas diariamente pela velha mídia golpista. Milhares de blogs nascem a cada dia, como flores anunciando a primavera. A cada embuste desferido pelos tradicionais meios de comunicação, ganha força o ativismo nas redes sociais, temperado no fogo da luta!

Como na bela canção de Chico Science, percebemos que “nos organizando podemos desorganizar”. Seguiremos nessa toada enquanto a ditadura da mídia prosseguir obstruindo um debate político mais livre. Depois disso, outras frentes de batalha virão, porque a luta pela justiça social é eterna.

Nos dias 6 a 8 de maio deste ano, realizamos o I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro. Com a presença de mais de 200 blogueiros de todo o estado (e vários de outras regiões do país) trocamos experiências, acumulamos debate, confraternizamo-nos alegremente, manifestamo-nos corajosamente em frente à sede da Rádio CBN - a rádio que troca a notícia –, e aprovamos a criação da Associação de Blogueiros do Estado do Rio de Janeiro (ABERJ).

Se você é blogueiro ou simpatizante da blogosfera e se indigna com a opressão midiática, então você é nosso companheiro.

Blogueiros Progressistas de todo o mundo, uni-vos!

Entre as propostas aprovadas na assembleia final do I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro estão:

- Apoio a PEC da Banda Larga;

- Defesa da neutralidade da rede;

- Luta pela aprovação do Conselho Estadual de Comunicação;

- Criação do Marco regulatório da comunicação;

- Pela simplificação da regularização das rádios comunitárias;

- Criação da "Associação dos Blogueiros do estado do Rio de Janeiro - ABERJ";

- Criação de uma linha de publicidade pública para blogs;

- Defender a simplificação dos processos de legalização de rádios comunitários;

- Moção de solidariedade ao blogueiro Esmael Morais, do Paraná, perseguido pelo governo daquele estado;

- Moção de solidariedade ao blogueiro carioca Ricardo Gama, que sofreu um hediondo atentado, no Rio de Janeiro, provavelmente em virtude de suas denúncias políticas.
Blog ÓLEO do DIABO

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

BLOGS - Entrevista com Luis Nassif.

Oposição levará anos para se refazer no país.

A conclusão é do jornalista de economia e blogueiro progressista Luis Nassif
Oposição levará anos para se refazer no país

A conclusão é do jornalista especializado em economia Luis Nassif, em sua análise sobre a disputa presidencial deste ano e, sobretudo, da campanha suja explorada pela oposição e seu candidato derrotado José Serra (PSDB-DEM-PPS) em 2010.

Em uma avaliação suscinta, nesta entrevista, Nassif aponta o que deve ser mudado no panorama econômico do país, em especial nas áreas de câmbio e juros. Traça, também, um perfil da mídia brasileira no decorrer dos últimos anos e do papel lamentável a que se prestam alguns jornalistas.

Para Nassif, a imprensa hoje é linha auxiliar de partidos políticos, uma realidade que pode e deve ser combatida com concorrência e, sobretudo, um marco regulatório para que direitos elementares, como o de resposta, sejam garantidos à sociedade.

Um dos blogueiros mais respeitados do país (acesse o blog do Nassif), ganhador de vários prêmios, como o de "Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita" dado pelo site Comunique-se em 2003 e 2005, Nassif também fala da força da Internet hoje em termos da liberdade de imprensa e de garantia de maior democracia.


[ Dirceu ] Nassif, gostaria que você fizesse um balanço da campanha eleitoral deste ano, em especial, do papel assumido pela oposição ao governo Lula e pelo candidato derrotado nas urnas, José Serra.

[ Nassif ] Do ponto de vista estratégico, a partir do momento em que ficou claro o projeto político e econômico do governo Lula, de somar todas as forças, solucionar os conflitos entre as classes e priorizar o desenvolvimentismo, a oposição ficou absolutamente sem discurso. E a crise de 2008 foi fundamental para isso.

Eles entraram na campanha com certa unidade em torno de questões como o aparelhamento e a redução do Estado. Um discurso do ideário neoliberal, vazio, mas tido como aglutinador das “bandeiras” da oposição. Este poderia ter sido o contraponto ao projeto do governo. Mas, a partir do momento em que José Serra assumiu a candidatura oposicionista, não se tem mais oposição, apenas impulsos. Serra tornou-se uma biruta de aeroporto. A impressão que dá é que ele hibernou no começo dos anos 90 e somente agora acordou. Ele não tem nenhuma proposta inovadora e nenhum tema. A única questão apresentada - e que não é dele, é coletiva – foi a da política do câmbio. Mas nem esta o Serra soube desenvolver.

Assassinato de reputações

Sem discurso e incapaz de se posicionar no Centro-Direita - que lhe seria o mais adequado – o tucano partiu para a única coisa eficiente feita por eles nesta disputa: a campanha pela internet. Apesar de, com ela, ter estigmatizado toda a oposição. Um grupo de franco atiradores começou a ser montado há quatro anos para isso. Na realidade, um partido de milicianos de Santa Catarina, que já tinha uma estrutura a oferecer, foi o responsável por uma das páginas mais sujas da história política brasileira, de ataques difamatórios e tentativas explícitas de assassinato de reputações.

Não é à toa que quando terminou a eleição, a grande preocupação não foi com a oposição, mas como reconstruí-la. Oposição é fundamental em qualquer governo, desde que seja legítima. O mal que o Serra fez à oposição brasileira é imensurável. Ela levará anos para se refazer.



Reforma para dar eficiência ao Estado


[ Dirceu ] A vitória da presidente eleita Dilma Rousseff ocorreu com o compromisso de que ela dará continuidade ao modelo de desenvolvimento implantado pelo governo Lula. Na sua visão, o que deve continuar e o que deve mudar já?

[ Nassif ] Nos últimos anos, tivemos mudanças importantes na ação federativa. Havia alguns insights no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, de como montar políticas ouvindo todas as partes. Com o PAC, o programa "Minha Casa, Minha Vida" e o trabalho no saneamento etc, conseguiu-se montar um modelo federativo com projetos que se aplicam independentes de questões partidárias.

Agora, precisamos de uma reforma para dar eficiência administrativa ao Estado. Se pegarmos a estrutura pública, ao longo dos últimos oito anos, vemos que houve uma reconstrução de estruturas técnicas. Por ser tudo gambiarra, elas se concentravam na Casa Civil, até para ter efetividade nas ações. Precisamos, portanto, de uma reforma moderna do Estado, à semelhança do que [Nelson] Rockefeller fez nos Estados Unidos nos anos 50. Este é o primeiro ponto.

O segundo ponto, sem dúvidas, é o Banco Central. Mudar essa ideia de termos quatro anos para reduzir a relação dívida/PIB. Até porque a equipe [econômica] para reduzir os juros vai ser atropelada pelos fatos. A minha esperança é que o discurso de que tudo será gradativo seja simplesmente tático, porque você não pode anunciar previamente o que será feito, já que a área é nervosa. Mas, reduzir mais rapidamente essa relação dívida/PIB é fundamental. A herança maldita do governo FHC para o governo Lula foi o desastre da desindustrialização; já a do Lula para o governo Dilma é a manutenção desta política cambial. Todos os avanços que tivemos foram fantásticos, mas esta questão atrasou o Brasil em quinze anos, no mínimo.

[ Dirceu ] Como você avalia a atuação do BC na era Meirelles? O que esperar do novo presidente Alexandre Tombini?

[ Nassif ] O [Henrique] Meirelles é um fanfarrão. Antes de assumir o Banco Central, em algumas palestras nos Estados Unidos, ele comentava sobre a importância do câmbio para garantir o crescimento. Depois, assumiu a presidência e uma posição de dificultar a redução dos juros. O Tombini é tecnicamente muito mais sólido. Como é seguro tecnicamente, ele se dá ao direito de ser mais flexível no sentido de não tratar dogmaticamente a política monetária. Temos que mudá-la em muitas coisas. Se deixar como está, hoje, a existência de metas de inflação e só juros para segurar eventuais descontroles, em qualquer hipótese, não tem contas públicas que resistam. Há outras ferramentas que podem ser utilizadas sem concentrar renda.

Querem manter os juros elevados com a justificativa de alta da inflação provocada, principalmente, pelos alimentos. Alimento não tem nada a ver com demanda ou excesso de demanda, que é onde a política monetária atua. Mas, há todo um coro neste sentido, para que eles possam aumentar os juros. Temos que mudar o sistema de metas de inflação e, principalmente, tem que aumentar o escopo, o número das pessoas que definem a política monetária. Não podemos concentrar isso só em dois diretores do Banco Central, como é hoje, porque isso é uma loucura.



Em dezembro de 2008, eles falavam de economia sólida. Quando se tem grandes inflexões na vida econômica do Brasil, os indicadores só aparecem dois, três, quatro meses depois. Então, o negócio estava desmanchando aqui e eles diziam “não, o mercado ainda tem confiança”. Mas os dados (que posicionavam o mercado) eram de dois meses antes.

Na realidade, essa sensibilidade para entender a economia depende de uma mudança na composição do Comitê de Política Monetária, o COPOM. É preciso ter como nos Estados Unidos, análises regionais. E incorporar industriais, sindicatos, supermercados e economistas de outras linhas também. Não para ter um embate teórico, mas visões diferentes sobre uma mesma realidade econômica. Fora isso, o Banco Central tem que recuperar instrumentos tradicionais de política monetária. Hoje é tudo jogado nas costas dos juros.

Se tem excesso de demanda, como eu posso reduzí-la? Aumentar o compulsório é uma maneira. Reduzir prazos de financiamento, outra. Usar o IOF uma terceira. Então, você não carrega nos juros. Mas como estes criaram toda uma legião de beneficiados, nós temos todo o carnaval de analistas, que conhecemos bem, fazendo o mesmo discurso: para que joguem tudo nos juros.

Banco Central: só é penalizado se errar por baixo

[ Dirceu ] Daí que o nosso Banco Central, ao contrário do que acontece nos EUA, não tem metas para emprego, para que nossa política econômica gere determinado número de empregos/ano, por exemplo.

[ Nassif ] Não tem. Com isso, acontece um negócio maluco. Se você estabelece uma meta inflacionária e erra os juros por cima, não é penalizado. Só é penalizado se errar por baixo. É o mesmo que pegar, digamos, o exemplo de um médico. Uma criança tem uma infecção e se esta não ceder, o médico é culpado. Mas, se ela ceder o médico é inocente mesmo que tenha aplicado excesso de antibióticos que irá afetar outros órgãos da criança. É isso o que acontece. Você não tem penalização para erros por cima dos juros. Com isso, neste ano, o BC saiu do controle do Meirelles. O Tombini passou a atuar mais depois que reconheceu esses erros. Inclusive, no começo do ano, quando tinha uma inflação de (preços dos) alimentos. A inflação era nitidamente decorrente da alta dos alimentos, mas todo mundo pressionava o BC querendo aumentar juros. Isso para chegar em março e ter deflação.

Então, não adianta pegar um presidente do Banco Central com maior preparo, tem que mudar o sistema de apuração de dados. Mas, a internet fará essa mudança. Qual o modelo hoje de mapeamento de juros altos? Você tem lá alguns economistas de mercado que repetem os mesmos modelos. Pega o (ex-ministro da Fazenda) Mailson da Nóbrega que, em termos teóricos, repete o mesmo bordão. O Estadão, que tem a melhor cobertura dos jornalões na parte de economia, mostra dados dogmáticos. Por que ele mostra todo um processo de desindustrialização? Porque no final, ele tem que pagar o lobby para o mercado. Colocam o Eduardo Gianetti da Fonseca que não é macroeconomista, e o Mailson para dizer que o responsável são os gastos públicos. É uma maluquice. Ouçam o Roberto Gianetti da Fonseca que conhece lei industrial.


Há economistas que repetem esses bordões, fazem um carnaval e são eles que vão para os jornalões. O mercado, mesmo não acreditando, endossa o que é dito, porque o negócio do mercado não é acertar a inflação, mas o que o BC está pensando sobre ela. Então, caímos num modelo viciado. Não adianta aprimorar este modelo. Ele, em si, é furado.

[ Dirceu ] No Brasil nunca se aplaude a redução de juros.

[ Nassif ] Nunca. É uma coisa maluca. Em 1995, os juros foram para 45% ao ano porque o Brasil estava com as contas desequilibradas. Entra o Gustavo Loyola falando o seguinte: “nós precisamos descer gradativamente, porque se precisar subir, fica parecendo recuo”. Mas que gradativamente? Não existe isso! Você tem uma crise, joga os juros lá pra cima; acaba a crise, precisa baixar.

Ele falava de um jeito que parecia que tinha ciência atrás desta informação. E, pior, ele passava à opinião pública aquela ideia. Como nós fizemos magia com vários planos econômicos que não deram certo, ele passava para a opinião pública que uma “redução gradativa” significava caminhar lenta e firmemente em direção ao futuro. O que era uma bobagem. Na verdade, significou caminhar “lenta e firmemente” em direção à maior dívida pública da história - a maior. Vejam, os [governos] militares tinham uma dívida pública, mas tinham também ativos, das indústrias que foram criadas, das ferrovias. Então, [depois deles] se pegarmos em termos líquidos, criou-se esta dívida, mas sem contrapartida de ativos. Pelo contrário, reduziam os ativos, vendiam estatais e tudo, para pagar esses juros.

[ Dirceu ] Dobraram a dívida interna ao invés de reduzi-la em US$ 100 bi. Venderam US$ 100 bi (em estatais) e essa venda pagou juros. O Gustavo Franco [na presidência do Banco Central do 1º governo FHC] pagou 27,5% de juros reais durante três anos sobre a dívida pública.

[ Nassif ] Um absurdo.

Em 2002, no ano da eleição do Lula, eu publiquei um artigo descendo o pau nos juros. O Mailson [da Nóbrega], em um artigo, na realidade baseado em trabalho da Secretaria do Tesouro, dizia que a maior razão do aumento da dívida interna foi a incorporação das dívidas dos Estados. No artigo, ele desafiava: agora quero ver criticarem a Secretaria do Tesouro! Vocês sabem o que a Secretaria do Tesouro fez naquela época? Pegou a dívida dos Estados, mas antes de incorporá-las não considerou o aumento que esse endividamento havia sofrido em decorrência dos juros do Banco Central.

O caso de São Paulo era muito interessante. São Paulo devia R$ 50 bi para a União. Começou a negociar, mas um tempo depois de começar, na data de corte (fechamento da negociação) a dívida estava em R$ 100 bi – R$ 50 bi eram juros do BC. Como demorou mais, não sei quanto tempo para fechar a negociação, fechou-a em R$ 150 bi. Aí, eles consideraram e foram incluídos R$ 100 bi como dívida estadual, e não como resultado dos juros, quando eram decorrentes de juros. E, mais, pegaram R$ 150 bi e todos os juros que incidiram sobre essa dívida para dizer que se tratava de dívida de Estado e não [decorrente de] uma política do Banco Central.

Quando li aquilo, liguei para a Secretaria de Tesouro para ver quem fez o trabalho. Demorei três dias tentando encontrar o cara (responsável) pelo trabalho. Quando encontrei ele reconheceu: “é, nós discutimos aqui, achamos que poderia dar margem para dúvidas...” Eu respondi: “que margem para dúvidas? Vocês manipularam, está errado!” As dívidas dos Estados eram sempre a dívida dos títulos da União, mas com juros muito altos. E todos os Estados estavam com dívidas. Com isso, a União chegou a cobrar 45% em certo período - nos Estados chegou a 60% ao ano. Uma loucura. Esse foi o maior crime de política econômica já cometido. Tanto que amarrou o Brasil por quantos anos? E está aí ainda.


[ Dirceu ] Estamos pagando 10,75%. É uma pancada. Somados dão mais do que o orçamento da Educação.



[ Nassif ] Agora, foram deduzindo os juros, mas a base estava lá em cima. Ainda hoje dizem: "se não fossem os juros, não teríamos segurado a inflação”. Mentira! Eu fiz um trabalho por baixo em março/abril de 1995 em que dizia que aquela inflação já era fato passado e nós precisávamos cuidar do desenvolvimento. A manutenção de juros até 1999 foi exclusivamente para consolidar um modelo político que o Fernando Henrique implantou com o Gustavo Franco. Um modelo que criou e fez uma brutal transferência de renda para que novos grupos conduzissem a reformulação da economia. Quando você pega Ignácio Rangel [economista, considerado um dos maiores analistas do processo econômico brasileiro] vê que todos esses períodos de inflação, essa jogada de mercado, permitem enriquecimento de um pessoal mais ativo que leva a um salto na economia. A ideia desses mandraques, na realidade, era política: criar grandes grupos para consolidar o poder independente do Estado. Com isso, eles jogaram o projeto deles fora – não foram mais eleitos - mas atrasaram o país durante anos.







[ Dirceu ] A respeito da crise européia, quais lições podermos tirar das medidas de socorro? O que o Brasil deve evitar neste caminho da Europa?



[ Nassif ] Um ponto em que o BC atuou quase bem – mas não foi bem de tudo – foi na regulação bancária para impedir grandes loucuras. Apesar dele próprio ter praticado uma loucura, que quase leva essas medidas abaixo, que foi permitir aquele swap reverso, aquelas operações especulativas bancadas por ele. Quando você começa a jogar o câmbio para baixo. Quem ganha? Quem tem voz política. As grandes empresas exportadoras. Para abafar essa voz política, eles criaram o swap reverso. Quando o câmbio caia ps exportadores perdiam na operação principal e ganhavam na operação financeira. Isso é loucura. Os jornais enchem o saco quando falam do subsídio, mas quando reverte o câmbio você tem toda essa quebradeira.

Fora esse pecado, o BC atuou muito em termos de regulação para impedir grandes loucuras. Agora, quando se pega o próprio FMI e aquele apoio dado em 1998 ao Brasil, você tem um jogo especulativo de grandes ganhos por parte dos grandes investidores. Esses ganhos embutem uma parte de risco e quanto maior o ganho, maior o risco. A questão é que estas operações quando entram para valer reduzem o risco e a perda dos grandes investidores, além de jogar a conta no ajuste fiscal - este pega a população de calça curta. Isso é complicado.

Quando você pega o mercado, eles dizem que a política é o que amarra o país. É o contrário, a política é um instrumento mobilizador. E ela que irá estabelecer, daqui para frente, os limites à ação deletéria dos mercados. No fundo, o próprio Fernando Henrique acabou perdendo o poder ao achar que ia montar uma estrutura em que o mercado ganhava e a população perdia.

Na Europa, o que estamos vendo é uma gambiarra. Terão que fazer a penalização dos credores, como fez a Argentina.



[ Dirceu ] Não está havendo nenhuma penalização, pelo contrário. Para salvar os bancos europeus, a Alemanha, como tinha condições, resolveu os problemas. Já tinha pactuado o modelo de baixar a participação do trabalho na renda nacional, aumentar a produtividade e não o salário, e diminuir o custo de programas sociais. Agora, eles farão o corte e, nestes países, será dos benefícios sociais. Depois o imposto aumenta para todo mundo e não só para os mais ricos. Todo mundo paga.

[ Nassif ] Vamos pegar os EUA. Não o da crise, agora, mas o modelo norte-americano das últimas décadas. Houve a entrada de uma nova indústria, uma nova economia - de serviços, informática etc.

O que aconteceu é que eles pegaram todos os setores atrasados, terceirizaram a mão-de-obra de obra, abrindo espaço para que as empresas pudessem ir para outros países. O modelo é interessante porque ficaram só com os grandes empregos. Mas quando chegaram no final do processo, aquele modelo não garantiu a empregabilidade. Sem garanti-la não existe mais mercado interno. Então, os países que ficaram com as indústrias de “menor qualidade” foram aqueles onde se formou o mercado interno. São eles os grandes vencedores da crise.

O modelo americano que levou os EUA a se tornarem o que foram, no final das contas, foi um modelo que privilegiou o mercado interno, a incorporação de novas marcas e que permitiu a criação de uma sociedade de consumo lá no século XIX e transformou o país na maior potência no mundo.

Outro ponto: a Organização para o Comércio e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) está querendo mudar os critérios da contabilidade de dívidas no Brasil. Diz que é para ser mais transparente. Mas eles não têm transparência nenhuma. Europeu querer ensinar a gente a ser transparente em termos fiscais, como quer a OCDE, é piada... O José Roberto Afonso, o pai da lei de reforma fiscal, foi para a Alemanha, há dez anos, para ver como era a contabilidade de estados e municípios lá. Voltou espantado. Nós damos de 10 a 0 em termos de transparência. No Brasil, a questão da responsabilidade fiscal sempre foi um calcanhar de Aquiles, obrigou-nos a um esforço de transparência fiscal que hoje é mais rigorosa do que em muitos outros países.

O PROER [programa de socorro a bancos do governo FHC] foi importante em si, mas aquela crise bancária que ele ajudou a passar, foi fruto da política monetária do 2º semestre de 1994. De qualquer modo, todas as crises bancárias obrigaram o Brasil a ter um sistema bancário rígido, no qual, quando estoura a crise, tem conseqüências.


[ Dirceu ] Mudando de assunto, o que aconteceu com a grande imprensa brasileira? O que a levou a tomar esse rumo e a tornar-se um verdadeiro partido político?

[ Nassif ] Quando você pensa em termos globais, a internet cria uma extraordinária zona de segurança para a mídia. Quem são os grupos que terão audiência? Os grandes grupos midiáticos, obviamente, e também toda uma constelação de blogs, de sites que produzirão conteúdo. Quando a velha mídia percebeu que ia entrar grandes players neste mercado, grupos de telefonia, entretenimento, tudo...

No Brasil, a imprensa é auxiliar de partido político. Na realidade, na América Latina, com a redemocratização, a imprensa se transformou no ator político mais relevante dos últimos 20 anos. Derrubava presidentes, senadores, demonizava pessoas – você é o exemplo vivo disso; o Sérgio Motta [ministro de Comunicação de FHC], o exemplo morto.

Ao longo da história do Brasil, a imprensa se comportou da mesma maneira que setores políticos. Nosso país já está em uma nova conjuntura, mas ainda preserva o poder político da etapa anterior. Então, eles (os jornalões) tentam transformar o poder político em um diferencial para impedir a competição.

Em 2005, especificamente, eles acharam que poderiam voltar aos tempos de glória do impeachment [Fernando Collor de Melo] difamando o presidente Lula. Montaram um pacto em torno do Fernando Henrique e do Serra. E achavam que poderiam eleger o Serra ou um outro presidente que através de medidas de regulamentação [da mídia] os ajudassem a fazer a travessia para o novo modelo.

Também tentaram repetir o próprio impeachment que deu certo em 1992. Qual era o modelo? Criar um escândalo por dia. Como não têm capacidade de criar um escândalo consistente, transformam algo banal em um escândalo ou inventam um. Com o tempo, esperavam uma eclosão dos caras-pintadas - estes iriam para a rua derrubar o governo. A ideia foi essa. Mas, não tiveram pique para derrubar o Lula em 2005, e em 2006 o Lula já começou a recuperar a popularidade. Com isso, perderam o rumo.

Nós tivemos uma grande sorte porque o pessoal que conduziu essa operação, talvez, seja a mais medíocre geração de diretores de redação desde que eu entrei no jornalismo. A sorte é que era um bando de amadores deslumbrados, que começaram a mostrar sua vulnerabilidade quando ficaram no poder nas redações. Começaram a querer virar intelectuais, montaram esquemas com editoras para vender livros. O Ali Kamel escreveu um livro que consideraram “um dos dez livros mais importantes da década”. Total perda do senso de ridículo.

O Diogo Mainardi e o Reinaldo Azevedo foram colocados para atuar como franco atiradores. Você os coloca ali, levanta a bola deles... E o que vimos foram coisas fantásticas. Houve até um que foi considerado o novo Carlos Lacerda. Outro escreveu que o livro do Reinaldo deveria ser adotado pelas cadeiras de ética de todas as faculdades. Na realidade, não entenderam que o Brasil é maior. Acharam que depois dos ataques desqualificadores iam intimidar a todos. Mas meia dúzia de malucos resolveram enfrentar a fera e a internet serviu para isso também.

[ Dirceu ] Concorrência neles!


[ Nassif ] É isso mesmo, porque o medo deles não é da CONFECOM (1ª Conferência Nacional de Comunicação), mas das empresas de telefonia. Se você tirar três pernas distorcidas e ilegais que sustentam esse modelo, ele desaba: a estrutura de veiculação publicitária; a manipulação de tiragem e de audiência; e a publicidade legal, os balanços de empresas.



A primeira perna: a estrutura de veiculação publicitária. Da forma como é feita, de contratos com agências de publicidade, é crime de direito econômico. Hoje, quem faz essa distribuição de verbas por agências de publicidade, os diretores de marketing, fazem parte de uma estrutura de poder. Isso é uma excrescência.

Segundo ponto: manipulação de tiragem e de audiência. O Instituto Verificador de Circulação (IVC) tem um jeito de apurar a circulação dos jornais que permite manipulação. A VEJA diz que tem 1 milhão e cem mil exemplares. Não tem. Ela tem 870 mil exemplares...

[ Dirceu ] A margem de erro de audiência de televisão é altíssimo também.


[ Nassif ] Você pega o Estadão. Dois ou três anos atrás, o Estadão teve uma queda de tiragem de 25%. No mesmo período, a Folha teve de 6% e O Globo de 5%. Qual a diferença entre os três? O Estadão estava precisando limpar o cadastro, limpou e ficou 25% a menos.

Uma vez, eu fui numa associação empresarial. Eles tinham uma revista que, segundo o IVC, vendia 50 mil exemplares por edição. Entra a nova direção, foram apurar e a revista vendia dois mil. O que eles faziam? O IVC tem como método de contagem contabilizar o que sai da gráfica e o que volta. Distribuiam 2 mil, alugavam galpões e jogavam 48 mil lá. A VEJA é impossível você esconder. O que eles fazem? Dão, doam. Distribuem. Isso traz a tiragem da VEJA para o real.

E o terceiro ponto das três pernas de que falei acima é a publicidade legal. Os balanços de empresa. Não tem a mínima lógica. Se sou uma empresa de capital aberto, eu mando ao acionista o balanço por e-mail ou ele pega o PDF no site. A troco do quê tem que publicar páginas e páginas de publicidade (como balanço oficial) na Folha, no Estadão, no Valor?

São três distorções. Fora as secretarias de Educação sobre as quais eles estão avançado de forma voraz. Já oferecem produtos da Abril para as secretarias de Educação.



[ Dirceu ] Em relação à regulação da imprensa? Qual sua avaliação a respeito do que o governo está construindo? Temos condições no país para fazermos a regulação?


[ Nassif ] Não se trata de regulação de conteúdo, mas do direito de resposta. É um absurdo, nós não temos direito de resposta. Estou há três anos tentando o meu, a minha resposta. Entrei com ação de Direito de Resposta na VEJA. A juíza disse que estava errado porque falava de internet e não de Lei de Imprensa. Não estava errada. Vai para a 2ª instância - mais um ano e meio. Na 2ª, disseram que estava certo. Volta para a mesma juíza da 1ª. Aí ela decidiu não julgar porque acabou a Lei de Imprensa.

Quando se fala em competição, temos que remover essas barreiras que citei. Já na questão do conteúdo, precisa ter o que há em outros países: conteúdo nacional; permitir o avanço da produção; restrições normais em relação à propaganda infantil e à violência. Temos que remover fatores anacrônicos.

Quem compõe o quadro de colunistas é o leitor

[ Dirceu ] Qual o papel das novas mídias, da internet, em relação à democratização? Como você enxerga o futuro nesse sentido? Quais os pontos positivos que devemos avançar em termos da rede?

[ Nassif ] Todo mundo está na mesma plataforma tecnológica. Isso já traz uma mudança monumental ao jogo político. Você tem um determinado número de colunistas no jornal. A Folha, por exemplo, tinha um grupo de jornalistas que compunham um poder político. Então, quando vinha uma manchete, era como se ela tivesse o endosso de toda uma estrutura de colunistas, dando credibilidade àquela matéria. Mesmo se alguns discordassem. Ao ir para a internet, o jogo é outro. Quem compõe o quadro de colunistas é cada leitor. Eu tenho os meus favoritos, eu quero o colunista X da Folha, o W do Estado, o blogueiro tal, o político Y. Então, ao compor o que vai ler, o próprio internauta elimina a manipulação. Essa é uma situação real.


Ninguém quer que os jornais acabem. Eles vão para a internet e sobrevivem. Mas aquele poder de manipulação e de gerar instabilidade política vai para o vinagre. Cada vez que sai uma manchete e uma denúncia pela internet, todo mundo sai correndo atrás de outras opiniões que vão se cruzando nos diversos grupos de discussão. Então, cria-se uma nova realidade. Isso tem o poder fantástico de desconstruir denúncias. Vimos isso durante a campanha, por exemplo, no caso da bolinha de papel [a auto-acusação infundada de José Serra de que fora agredido com uma pancada no Rio]. Eu fui o primeiro a colocar o vídeo do SBT no meu blog.


[ Dirceu ] Foi mortal.

[ Nassif ] Com isso, agora, mesmo que os jornalões tenham audiência, quando você (na internet) rebate um grande jornal, e faz com um argumento técnico, isso se espalha para todos os lados. Esse é um aspecto. Acabou o poder dos jornalões de desestabilizar a política.

Outro aspecto é que todo agente econômico hoje - sindicatos, corporações, uma tribo amazônica - terá que se preparar para a blogosfera. Com isso você quebra o circuito viciado da velha mídia que acaba pressionando o Congresso e a política econômica.

[ Dirceu ] O Congresso do Brasil é tremendamente desprestigiado pela imprensa, se comparado com o parlamento de outros países. Claro que temos um que vota no lugar do outro; o senador Efraim Moraes (DEM-PB), por exemplo, que manipulou todas as licitações e tem dezenas de empregados pagos pelo Senado; gente que emprega família inteira lá etc... Agora, do jeito que o Congresso é apresentado para a sociedade no Brasil, nunca teremos político no país com prestígio.


[ Nassif ] Pega-se a grande disputa política dos anos 90. Tinha-se o Congresso e a mídia dizendo-se representantes da opinião pública. Daí a mídia entender que tinha que manter o outro [Congresso] completamente de joelhos para poder impor suas condições.

Você está na competição imprensa x Congresso. Tem, também, o fato de que com as ONGs, o Congresso foi perdendo cada vez mais a legitimidade. Você chega numa ONG X, o cara tem muito mais autoridade do que o deputado. E com a internet é a mídia quem perde a legitimidade. Essa é a grande mudança.

Agora, o risco que se tem [na internet] é termos uma radicalização política e começarmos a ser bairristas. Quando teve a reunião dos blogueiros (agosto pp.) eu sugeri: “nós temos uma frente aqui em torno de alguns valores, os dois principais, o combate ao monopólio e a defesa da inclusão social e dos valores da civilização que foram atropelados. Agora, nós temos também todo um universo de divergências. O que temos pela frente, quando passar essa guerra aí, é mostrar que podemos divergir civilizadamente".

O universo da blogosfera é o universo das ideias. Então, tentar criar esse ambiente civilizatório em contraposição ao da selvageria é muito interessante. Um momento mágico. Isso está acontecendo no mundo inteiro, mas no Brasil, vem no bojo de mudanças muito mais radicais, com a inclusão de novas classes sociais, regionalização do desenvolvimento, a banda larga...

Fonte: Blog do Zé Dirceu.