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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - "A grande mídia parecia sentir prazer em nos sufocar".

Miruna, filha de Genoino: “A grande mídia parecia sentir prazer em nos sufocar”



Entre 1981, o ano em que Miruna nasceu, e 2005, ano em que estourou o escândalo do mensalão, o cearense José Genoino Guimarães Neto foi um político de esquerda respeitado por todo mundo, até mesmo pelos adversários. A partir de 1982, quando foi eleito deputado federal pelo PT pela primeira vez, Genoino se tornaria um dos mais brilhantes e habilidosos parlamentares que o Congresso já conheceu. Para Miruna, era ainda o herói a quem escutava, embevecida, contar que, quando menino, percorria a pé 14 quilômetros por dia, sob o sol inclemente do sertão de Quixeramobim, para poder estudar.
Depois do mensalão, tudo mudou. Genoino, um político reconhecidamente honesto que jamais acumulara bens além da casa simples em que vive até hoje, em São Paulo, seria tratado como um pária, um ladrão, um corrupto. E sua família, assediada e perseguida por uma imprensa feroz e sádica em sua sanha antipetista. Antigos bajuladores de Genoino na imprensa viraram-lhe as costas e se calaram, cúmplices do linchamento. Nenhum dos repórteres que cobriam a Câmara no auge do petista como parlamentar foi capaz de se solidarizar, de defendê-lo da injustiça de uma condenação a seis anos e 11 meses de prisão apenas por ter assinado, como presidente do PT, um empréstimo quitado e declarado à Justiça eleitoral.
“Antes de magoar minha família como um todo, esta atitude da imprensa magoou demais meu pai, porque ele não esperava este tratamento unilateral, sem espaço para a verdade, com tanta manipulação”, diz Miruna. “Ele rememorava toda a luta na ditadura por uma imprensa livre, dedicou-se totalmente a atender esta imprensa, mas, quando precisou, foi achincalhado. Para nós, da família, a grande mídia foi responsável por grandes traumas em nosso dia a dia. Não respeitaram meus filhos, na época com 5 e 6 anos de idade, não respeitaram nossa privacidade, riam de nós, pareciam sentir prazer em nos sufocar. Muito triste ter vivido isso.”
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(Trecho do primeiro texto de Miruna, de 2012, após a condenação do pai)
A educadora, primogênita de Genoino, vai lançar, em março, o livro Felicidade Fechada, onde transmite a visão dos familiares do petista sobre uma das maiores injustiças da história recente do país. Além do depoimento dela, são reproduzidas as cartas que enviou ao pai durante os nove meses em que ele ficou encarcerado na prisão da Papuda, em Brasília. Rejeitado por várias editoras, o livro se tornou possível graças a uma “vaquinha” virtual que Miruna fez no ano passado, arrecadando quase 100 mil reais para a edição.
É uma obra delicada, onde o olhar carinhoso da filha aparece em primeiro plano, sem lugar para rancor, mágoa ou vingança. Os capítulos são ilustrados com pássaros bordados em um pano por dezenas de mãos amigas, uma ideia da mãe de Miruna, Rioco, para homenagear o amado, como uma Penélope da era moderna que espera a volta de seu Ulisses. Foi este tecido que Genoino amarrou no pescoço ao se entregar à Polícia Federal para ser preso, em novembro de 2013. A “capa” do herói de Miruna virou a capa do livro.
“Nessa história, não vou falar de dados e informações. Não vou ficar explicando que meu pai é inocente, porque os empréstimos que ele assinou foram registrados na Justiça Eleitoral e já foram pagos pelo PT e aceitos pelo Tribunal de Justiça Eleitoral. Isso foi relatado e é verdade. Não vou dizer que não existiam provas que o condenassem. E vou tentar não ficar aqui soando como uma magoada, repetindo que o acontecido foi um tribunal de exceção. Não pretendo falar de tudo, porque quero contar a verdade desde dentro, desde quem viveu cada momento, desde quem cresceu sendo criada por um pai exemplar, que se tornou um avô iluminado e que jamais roubou nada de ninguém, nem deixou de seguir os princípios de justiça e igualdade que sempre o guiaram”, adverte, na introdução.
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(Genoino com a filha Miruna aos 2 anos de idade. Foto: arquivo pessoal)
No livro aparecem poucos nomes. Relator do mensalão no Supremo e principal algoz de Genoino, o ex-ministro Joaquim Barbosa, por exemplo, surge como “o relator”. Miruna explica que preferiu assim porque seu pai sempre aconselhou os familiares a não “fulanizar” o processo. “Alguns nomes específicos ficaram fortes neste percurso? Sim. Mas não foram estes nomes que decidiram, foi um movimento grande. Foi a grande imprensa, foi a opinião pública, que acreditou, foi o STF como um todo, não um juiz. Por isso colocar nomes só fica alimentando a fulanização e nosso foco é no processo, como um todo, que foi injusto.”
Miruna também evitou escrever sobre as decepções que a família deve ter sofrido ao longo do processo. “Meu livro não trata de vingança, não trata de ‘toma lá dá cá’, algo que meu pai sempre nos ensinou a abominar. Meu livro trata de vida. Da vida de pessoas reais, com suas vidas, e que tiveram de se unir para enfrentar a injustiça. Meu livro quer deixar um registro para meus filhos, e a geração deles, e as posteriores, de que José Genoino é inocente. E isso é o mais importante, não as decepções.”
Um dos momentos mais tocantes é quando a família, reunida após um almoço descontraído com amigos, recebe, de repente, a notícia de que Genoino será preso.
“Foi quando o telefone do meu pai tocou. Ele mudou sua expressão, foi falando e se levantando, e nós não conseguíamos falar. Ele desligou e disse: ‘Saiu o papel. Chegou a hora pessoal’. Voltar àquele momento é algo muito difícil, porque não existem palavras que possam mostrar para quem está aqui comigo agora, acompanhando essa espécie de memória, o que sentimos naquele momento. No começo, todos nos abraçamos ao meu pai, mas ele não nos abraçava por muito tempo, apenas segurava nos nossos braços e dizia, ‘Vamos, vamos’. Depois, cada um foi para um lado… Eu não sei bem dos meus irmãos, mas minha mãe foi a única que não deu espaço para si mesma e começou a organizar tudo o que meu pai precisava levar, suas roupas e seus pertences. Meu irmão, tão parecido que é com a minha mãe, prático quando é preciso, subiu correndo para o quarto e começou a colocar em um papel os horários dos remédios do meu pai, que recentemente tinha tido uma confusão na forma de tomar e estava sendo medicado com a ajuda do filho. Eu chorei e gritei. Muito. E forte. (…) Com a mala pronta, esperando o advogado, meu pai foi para a cozinha e disse: ‘Vamos lá pessoal, é uma injustiça, mas eu estou forte, vamos lá, vamos começar logo com isso’. Meu pai não aguentava mais a tortura de esperar e mostrava que já que era para viver a injustiça, que começasse logo de uma vez.”
Para visitar Genoino na Papuda, sua mulher e os três filhos (há ainda Mariana, de outra relação do petista) tinham que se submeter a uma humilhação extra: vestir-se completamente de branco, dos sapatos às roupas íntimas.
“Minha primeira visita ao presídio da Papuda, localizado em Brasília, começou bem cedo, quando saí de São Paulo para vir para cá, e continuou ontem cedo quando nos levantamos e vestimos todos, eu, minha mãe, meu irmão e meu cunhado, roupas brancas dos pés à cabeça. Cueca branca, calcinha branca, sutiã branco, sem bojo, calça branca, camiseta branca, chinelo branco. Tudo branco. Exatamente igual à roupa que os presos precisam usar: branco. Desde que soube que isso era assim, pensei e busquei todo tipo de explicação para essa obrigatoriedade imposta aos familiares e apesar de já ter ouvido todo tipo de ideias, só penso em uma coisa: marcar as famílias. Marcar e humilhar as famílias com a mesma vestimenta que qualquer preso do CIR-Papuda precisa usar para cumprir sua pena, mostrar, a quem quer que seja e saiba, que quem veste branco tem um familiar preso, com toda a carga emocional que isso significa. Mulheres, homens, velhos, crianças, bebês, todos de branco”, escreve.
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(Ronan, Miruna e Rioco esperam para visitar Genoino na Papuda em 2013. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Causa indignação ler o relato de Miruna sobre a extrema agressividade de repórteres e fotógrafos no contato com a família do então deputado federal, e a forma como a imprensa se portou diante do problema de coração que ele teve durante o processo.
“Todo este processo foi duro, mas a maior ferida de todas, a ferida que nunca cicatrizará, é aquela causada pela revolta e indignação por terem conseguido, mídia e pessoas covardes, colocar em dúvida a real condição de saúde do meu pai. Quem dera ele nunca tivesse tido a dissecção da aorta. Estaria sem a domiciliar, sem nós, mas estaria com o coração forte. Quem dera ele não necessitasse cuidados médicos por conta da coagulação de seu sangue; ele estaria comendo mal, mas não teria a ameaça de um AVC. Quem dera não tivéssemos que passar por juntas médicas, que olhavam meu pai como um enganador de sua própria condição de saúde.”
Pergunto a Miruna como é o estado de espírito de José Genoino hoje, fora da prisão, seu cotidiano…
– Ele também pretende escrever um livro?
– Meu pai é um homem com imensa capacidade de se reinventar e como filha me orgulho profundamente disso. Hoje ele se dedica a conversas sobre sua paixão, que é a política, e a sociedade democrática e justa, com grupos de amigos e pessoas que queiram ouvi-lo, refletir com ele. Está estudando, pois isso é algo que ele jamais deixou de lado e está se dedicando muito à família, em especial aos netos, fazendo com eles o que não pôde fazer por mim e por meus irmãos por conta da política. E sim, quando chegar o momento meu pai vai falar, vai contar a sua verdade e sua história.”
– Como vocês estão acompanhando a nova prisão de Zé Dirceu e a Lava-Jato?
– Nós sentimos muito esta prisão do Zé Dirceu e somos totalmente solidários a ele e sua família por toda a arbitrariedade a qual ele já foi e continua sendo submetido. A Lava-Jato nos preocupa pela quantidade de novas formas e processos jurídicos que mostram que precisamos repensar esta relação mídia e justiça, pois certamente quem é citado não consegue nunca mais se livrar desta marca, já tem seu nome jogado nas manchetes, sua casa invadida, e isso é uma injustiça por si só, ser condenado antes de ser julgado com imparcialidade.
– Você diz no livro que aguarda Justiça. Que tipo de Justiça ainda poderia ser feita?
– Um novo julgamento deste processo todo. Que sejam analisadas as provas, e não os “achismos”, as situações de “ele deveria saber”. Que um dia se prove que meu pai nunca cometeu crime algum. Sua história não é de dinheiro, mas sim de luta por seus ideais, de forma democrática e humana.
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Livro: Felicidade Fechada
Autora: Miruna Genoino
Editora: Cosmos
Quanto: 65 reais, 266 págs.
Lançamento: 16 de março, 20 h, no Espaço ViaTV – rua José Piragibe, 366, Butantã, São Paulo-SP.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - A rejeição a Temer.

A rejeição a Temer e a ficha que cai

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:
Não é preciso ter bola de cristal para concluir que a queda na aprovação ao governo Temer para meros 10,3%, segundo a pesquisa MDA-CNT, carrega uma tendência de continuidade que vai se acentuar na medida em que o governo avançar com sua agenda e os brasileiros conhecerem mais o presidente que os governa por obra de um golpe. Nesta 133ª. Pesquisa CNT-MDA, 26,5% consideraram o governo péssimo e 17,6% apenas ruim, o que soma 44,1% de desaprovação. Já atuação do próprio Temer foi reprovada por 62,4%.

A reprovação ao presidente e a seu governo é mais um indicador, embora não o único, de que o projeto do golpe está naufragando a olhos vistos, e de que a ficha está caindo para os que se iludiram com o impeachment de Dilma Rousseff. A contrapartida é o crescimento de Lula, na mesma pesquisa, entre os candidatos a presidente em 2018. Ele cresceu seis pontos após a penúltima rodada da série, em outubro, passando de 24,8 para 30,5% pontos percentuais. Já Aécio, Marina, Ciro Gomes e o próprio Temer encolheram. Além de Lula, só Bolsonaro cresceu, capitalizando a frustração da direita extremada com os outros que se dispuseram a representá-la. Subiu de 6,5% para 11,3%.
A agenda do governo, quanto mais conhecida e implementada, mais desgaste trará a Temer e aos partidos e candidatos que se uniram na coalizão golpista. O melhor resultado obtido por Temer nesta série de pesquisas foi logo depois de sua posse como interino, quando ainda era um enigma para a maioria da população. Naquele momento, substituindo a presidente afastada, que o Congresso e a oposição haviam impedido de governar no segundo mandato para gestar a crise e minar-lhe a popularidade, ele foi visto por com alguma esperança por uma parcela da população que se iludiu com as promessas de moralização e restauração das condições econômicas. Em junho, um mês depois da posse provisória, ele alcançou 33,8% de aprovação, índice que caiu em outubro para 31,7%, e agora para 24,4%. Já a rejeição, que era de 51,5% em outubro, agora subiu 62,4%. A mesma evolução pode ser observada na avaliação do governo.

A decepção tende a ser continuada por razões elementares. Por mais que a mídia e setores do empresariado e do mercado financeiro se esforcem para enxergar sinais positivos na economia, para o povo a situação só piorou sob Temer. Até o final do ano, o país terá cerca de 3,8 milhões de novos pobres, filhos da recessão. Os pobres já não andam de avião e já cortam até o celular, informam as companhias do setor. Cerca de 200 mil pessoas saíram dos planos de saúde só em janeiro, diz a ANS. Ou perderam o plano corporativo ao perderem o emprego, ou não puderam mais pagar o plano individual. A pressão sobre a rede pública de saúde aumenta, assim como o êxodo das escolas privadas pressiona o sistema público de ensino. Os programas sociais sofreram cortes. Nos estados, calamidade financeira, crise de segurança e penitenciária. Neste quadro, como enxergar dias melhores? Como celebrar o recuo da inflação, obra da recessão? Os juros caíram duas vezes recentemente mas a taxa real (Selic menos inflação) continua mais alta que no último mês do governo Dilma, e isso impacta negativamente o crédito. O governo anuncia, como um feito, que o FGTS financiará imóveis de até R$ 1,5 milhão. O que isso significa é a drenagem de recursos para as classes de maior renda, em detrimento dos que precisam é da faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida. Temer libera resíduos de contas inativas do FGTS, que nem farão cócegas na recessão, mas o povo agora está descobrindo é que ele garfou o abono do PIS/Pasep, que não será pago este ano.

Temer não foi eleito, não há como falar em estelionato eleitoral. Mas o que vem sendo percebido pela população é o estelionato político do impeachment: não houve moralização nem o país entrou nos trilhos, como prometido. Pelo contrário, a Lava Jato agora esbarra nos esquema de corrupção do PMDB e PSDB e Temer não dissimula os esforços para proteger sua turma. O país segue descarrilhando e a vida ficou pior.

O presente é péssimo mas a percepção de que o futuro será trágico virá quando a população começar a entender o completo sentido das reformas previdenciária e trabalhista que o governo quer aprovar a galope. O pior da reforma previdenciária nem é a elevação da idade mínima de aposentadoria para 65 anos, para homens e mulheres. A maior maldade está na elevação do tempo mínimo de contribuição, de 15 para 25 anos. Num país onde milhões só conseguiram um emprego de carteira assinada bem mais tarde, até mesmo na meia idade, e onde os autônomos e os trabalhadores informais só começaram a ingressar no sistema a partir da implantação, por Lula, do regime simplificado com contribuição de 11%, milhares de pessoas jamais se aposentarão se tiverem que provar pelo menos 25 anos de recolhimento ao INSS. Na medida em que estas e outras maldades forem conhecidas, a percepção do estelionato vai se consolidar e a rejeição a Temer e a seus associados vai aumentar.

Lula será o beneficiário natural do cair da ficha. Secundariamente, Bolsonaro.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

POLÍTICA - FHC, sem grandeza, sem moral.





"FHC não tem grandeza nem moral pra falar de ética. Sua ficha corrida, escondida pela imprensa, fala por si só", diz jornalista








Os 11 crimes da era FHC, por Altamiro Borges
FHC não tem grandeza nem moral para se colocar como arauto da ética e mensageiro do impeachment. Sua ficha corrida, ocultada pela mídia, fala por si só.
- Folha: Renúncia de Dilma seria um ‘gesto de grandeza’, diz FHC
- O Globo: FH surpreende, sugere renúncia e revolta o PT
- Estadão: FHC diz que renúncia seria um ‘gesto de grandeza’ de Dilma
FHC foi novamente manchete nos jornalões da última quarta-feira (18). Apesar de ser o presidente mais rejeitado da história recente do país e da sua total incoerência e oportunismo - cada dia fala uma coisa -, o grão-tucano segue com forte prestígio entre os barões da mídia. Desta vez, FHC bravateou que "a renúncia de Dilma seria um gesto de grandeza" e que seu governo é "ilegítimo". De conciliador, que elogiou a presidenta em recente entrevista para um jornal alemão - bem longe do Brasil -, ele voltou a vestir o figurino de político hidrófobo e golpista. Talvez tenha ficado com medo dos fascistas mirins, que ultimamente o batizaram de vários adjetivos: "traidor", "gagá", "senil" e outros impublicáveis.
A nova bravata do rancoroso FHC foi postada na sua página no Facebook e ganhou os holofotes da mídia. "Se a própria presidente não for capaz do gesto de grandeza ( renúncia ou a voz franca de que errou e sabe apontar os caminhos da recuperação nacional ), assistiremos à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de Lava Jato", afirmou. Segundo relato da Folha tucana, "pouco depois de divulgar sua mensagem nas redes sociais, FHC reuniu em seu apartamento, em São Paulo, os dois líderes que despontam como opções do PSDB para a próxima eleição presidencial: o senador mineiro Aécio Neves e o governador paulista, Geraldo Alckmin".
O objetivo da conversa seria o de unificar o discurso dos tucanos. "De acordo com os relatos feitos à Folha, Fernando Henrique fez uma análise do cenário político e disse que o partido deveria falar a mesma língua ao discutir as alternativas para o país sair da crise... Há duas semanas, aliados de Aécio defenderam a renúncia de Dilma e do vice Michel Temer e a realização de nova eleição. Alckmin tem sido cauteloso sobre a possibilidade de impeachment agora, quando ele não teria condições de deixar o governo para disputar com Aécio a indicação do PSDB e se candidatar à Presidência".
Ainda segundo o jornalão, "logo após o encontro de FHC com Aécio e Alckmin, o senador Aloysio Nunes (SP), que foi vice na chapa do PSDB na eleição de 2014, subiu à tribuna do Senado e disse que, se um pedido de impeachment fosse submetido hoje ao plenário da Câmara, os tucanos votariam pelo afastamento de Dilma". Ou seja, aparentemente os tucanos - embalados pelas marchas fascistas do domingo (16) - voltam a pisar no acelerador do golpe sob o comando do velhaco FHC. O mote é a denúncia da corrupção. Tanto que o ex-presidente, um santo, postou no seu Facebook que o governo Dilma é "ilegítimo" e perdeu a "base moral", que foi "corroída pelas falcatruas do lulopetismo".
Haja cinismo e oportunismo. Para quem saiu quase escorraçado do Palácio de Planalto, odiado pelo povo, e colecionou várias denúncias de "falcatruas" - sempre engavetadas pelos poderes públicos e blindadas pela mídia chapa-branca -, FHC confirma que não tem qualquer grandeza, caráter e moral. Neste aspecto, os fascistas mirins que o rotularam de "senil", "gagá" e "traidor" estão certos. Para os que ainda acreditam nas bravatas de FHC, reproduzo abaixo uma pequena lista dos seus crimes:
***
A lista dos crimes tucanos
1) Denúncias abafadas: Já no início do seu primeiro mandato, em 19 de janeiro de 1995, FHC fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. Ele extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, criada por Itamar Franco e formada por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, ele criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão se notabilizou exatamente por abafar denúncias
2) Caso Sivam: Também no início do seu primeiro mandato, surgiram denúncias de tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). O escândalo derrubou o brigadeiro Mauro Gandra e serviu para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Ele foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma, “um exílio dourado”. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia da estadunidense Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.
3) Pasta Rosa: Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente os processos da pasta rosa. Era uma alusão à pasta com documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais de políticos da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o procurador-geral, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido pela alcunha de “engavetador-geral da República”.
4) Compra de votos: A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denúncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Eles foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o e impedido a constituição de uma CPI.
5) Vale do Rio Doce: Apesar da mobilização da sociedade em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas estimavam seu preço em ao menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses nacionais. Ela detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, com navios, portos e ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa equivale hoje ao lucro trimestral da CVRD.
6) Privatização da Telebrás: O jogo de cartas marcadas da privatização do sistema de telecomunicações envolveu diretamente o nome de FHC, citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades tucanas. As fitas mostraram que informações privilegiadas foram repassadas aos “queridinhos” de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à “venda”, o governo investiu na infra-estrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Uma verdadeira rapinagem contra o Brasil e que o governo FHC impediu que fosse investigada.
7) Ex-caixa de FHC: A privatização do sistema Telebrás foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa das campanhas de FHC e do senador José Serra e ex-diretor do Banco do Brasil, foi acusado de cobrar R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Grampos do BNDES também flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão. Além de “vender” o patrimônio público, o BNDES destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais privatizadas. Em uma das diversas operações, ele injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.
8) Juiz Lalau: A escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo levou para o ralo R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso. Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo surgiram no emaranhado das denúncias. O pior é que FHC, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”.
9) Farra do Proer: O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para ele, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.
10) Desvalorização do real: De forma eleitoreira, FHC segurou a paridade entre o real e o dólar apenas para assegurar a sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou uma lista com o nome de 24 bancos que lucraram com a mudança e de outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. Há indícios da existência de um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à turma de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado.
11) Sudam e Sudene: De 1994 a 1999, houve uma orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Ao invés de desbaratar a corrupção e pôr os culpados na cadeia, FHC extinguiu o órgão. Já na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC extinguiu a Sudene, em vez de colocar os culpados na cadeia.
*Altamiro Borges é jornalista e editor do Blog do Miro.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

POLÍTICA - "Pedalada" de Alckmin não dá mídia.


"Pedalada" de Alckmin não dá mídia

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Curioso o escândalo seletivo praticado por nossa mídia.

Pouco destaque teve o fato de o governador Geraldo Alckmin
ter “pedalado” a devolução de créditos do programa Nota Fiscal Paulista.

No início do mês, baixou normas para que que a devolução dos valores do programa, que serviam para pagar impostos estaduais seja adiada em seis meses, caindo apenas no exercício de 2016.
Assim mesmo, apenas dois terços do que receberiam antes: o terço restante será objeto de um “sorteio”, para o qual os portadores de créditos terão de se inscrever.

Tudo, claro, para garantir o “superavit fiscal” que mostra a inexcedível capacidade tucana de bem gerir as finanças públicas.

Só que, neste caso, não há manobra contábil, simplesmente, há efeitos e dos dolorosos.

Hospitais de câncer e entidades sem fins lucrativos arrecadam recursos há anos por meio de doação de notas pelos contribuintes e em 2014 entidades receberam R$ 10,8 milhões, ficarão a ver navios este ano,
publica hoje o IG.

Mas Alckmin sabe que isso, como a falta de água crônica a que condenou os paulistanos, não será cobrado dele.

Nossa mídia inquisitorial é assim: a um lado, vende indulgências, a outro manda à fogueira.

Em matéria de pedaladas, em São Paulo, só há culpa nas ciclovias do Haddad.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

POLÍTICA - Lula chama para o debate.



Lula chama para o debate político

 Autor: Fernando Brito
lulacong
Vencida a votação da reforma orçamentária e aprovadas suas contas de campanha, espera-se que Dilma Rousseff, finalmente, assuma uma postura mais ofensiva na política.
O que consiste, agora, em começar a designar as peças com quem fará este jogo.
Os ministros da política.
Os da conciliação e os do enfrentamento.
Os que façam  debate político que Lula pediu ontem, no Congresso do PT.
E tirem o governo da defensiva, sobretudo na questão das denúncias de corrupção, como fez ontem o ex-Presidente:
“A delação premiada é um instrumento criado por nós. O portal da transparência fomos nós que criamos. A Lei do Acesso à Informação fomos nós que criamos. A Controladoria Geral da República fomos nós que criamos e demos autonomia. O Ministério Público nunca teve tanta autonomia. A Polícia Federal nunca teve tanto pessoal contratado para investigar”
E Lula foi além, porque percebeu que se forma, outra vez, aqui e no mundo inteiro, “uma doutrina contra a ascensão dos que nunca tiveram vez nem voz”. E disse, com todas as letras, que agora compreende o que fizeram contra Getúlio Vargas e João Goulart e que “agora a bola da vez somos nós”.
E que o único remédio para isso é a luta política.
Sem provocação, sem radicalismo e sobretudo sem transformar o que é correto, mas acessório, do que é central e decisivo.
Mas com firmeza na polêmica.