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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

MÍDIA - Querem assassinar o Assange.

A crucificação de Julian Assange

Preso, perseguido e à beira de um colapso mental, ele resiste. Os EUA praticam tortura e aliados ocidentais apoiam — para dar exemplo. Não é só sua vida que está em risco: também o futuro do jornalismo e do direito à dissidência
Andrew Fowler em entrevista a John Kendall Hawkins, no CounterPunch | Tradução: Simone Paz
Andrew Fowler é um jornalista investigativo australiano muito premiado, ex-repórter dos programas Foreign Correspondent e Four Corners, da ABC, e autor de “O homem mais perigoso do mundo: Julian Assange e a luta do WikiLeaks pela Liberdade” [The Most Dangerous Man in the World: Julian Assange and WikiLeaks’ Fight for Freedom — sem edição em português]. Esta é uma edição atualizada de seu relato de 2011 sobre a ascensão e a prisão política de Assange. Grande parte desse relato explicava como Assange moveu-se de forma aparentemente inevitável em direção a um posicionamento contra o imperialismo norte-americano. Ele foi um tônico para a indiferença expressa por tantos estadunidenses nas traumáticas consequências do 11 de setembro e da ascensão do estado de vigilância. O personagem Alan Shore (James Spader), do seriado Boston Legal, fez um bom resumo:
Esta versão atualizada discute a tortura que Assange vem sofrendo na prisão de Belmarsh, na Grã-Bretanha. Aqui, um filme urgente e necessário sobre o assunto.
Seu livro inclui, também, as últimas notícias sobre a espionagem abrangente que a UC Global mantinha de Assange e seus visitantes na embaixada do Equador em Londres, no último ano em que ele recebia “asilo” lá. A UC Global é uma empresa de segurança espanhola que foi contratada para proteger a embaixada. Desde então, descobriu-se que estava repassando dados para a inteligência americana, provavelmente a CIA. Fowler sugere tal conexão na versão atualizada de seu livro, citando duas violações de dados (hacking) de Assange a servidores do governo dos EUA; ele descreve que, para cada uma dessas violações, a CIA enlouqueceu, como se tivesse sido atingida por um inimigo estrangeiro. No último (novo) capítulo do livro, “The Casino”, Fowler descreve como a CIA ficou ultrajada quando Assange publicou suas ferramentas de hacking, conhecidas como Vault 7, no Wikileaks: “Sean Roche, o vice-diretor de inovação digital da CIA, lembra a reação dentro da CIA. Disse que recebeu uma ligação de outro diretor, que estava sem fôlego: ‘Era o equivalente a um Pearl Harbor digital’”.
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A seguir, minha última entrevista com o autor:
*Observação: após a publicação dos documentos do Pentágono, Daniel Ellsberg foi classificado “o homem mais perigoso do mundo”.
Qual é o estado de saúde de Julian, atualmente?
Parece bastante claro que há uma tentativa dos governos britânico e estadunidense de destruir Assange, seja levando-o ao suicídio ou a um colapso psicológico. Há muitos anos, ele tem uma doença pulmonar que não foi tratada da maneira adequada, e está claramente sofrendo de grande estresse. Na sua última aparição no tribunal, por meio de um link de vídeo, fazia longas pausas entre suas palavras, mesmo ao falar seu próprio nome.
Quando Chelsea Manning foi presa na [base militar de] Quantico, ela passava 23 horas por dia em confinamento solitário e, à noite, era despida. Como podemos comparar com o tratamento a Julian em Belmarsh? O tratamento de Manning foi entendido como uma tentativa de coagi-la a delatar outras pessoas, incluindo, provavelmente, Assange. O que você vê no propósito final do tratamento de Assange? E como isso se iguala à tortura?
O objetivo final do tratamento dado a Assange é dar um aviso aos demais. Particularmente, outros jornalistas. É o equivalente moderno da crucificação, de colocar cabeças de inimigos em estacas ou dos enforcamentos públicos. A tortura de Assange envolve duas grandes questões: ser confinado a três quartos em um único prédio por 7 anos e, depois, torná-lo incapaz de sair de lá, por medo da prisão e extradição para a Suécia — que vinha cumprindo o papel secreto de permitir que Assange fosse extraditado para os EUA. Como o relator da ONU sobre tortura, Nils Meltzer, escreveu: ele nunca havia visto, nas duas décadas que passou investigando crimes de guerra, união de tantas nações poderosas contra um único indivíduo. É uma prova da força mental de Assange, ter resistido a tudo.
Não foi feito nenhum esforço pelos suecos para “interrogar” Assange depois que ele foi retirado da embaixada equatoriana, o que sugere que seu propósito nada mais era do que um pretexto para a transferência — como Assange e seus defensores declararam. Você crê que existia alguma forma de anular a acusação de suspensão da fiança, dada a probabilidade de conluio intergovernamental? Quais as suas reflexões sobre isso?
Não há nenhuma alegação pendente para Assange responder na Suécia. Sempre foram apenas alegações, não acusações. É importante compreender que, se os promotores suecos tivessem acusado Assange, eles teriam que revelar aos seus advogados as provas das “ofensas” em que essas acusações se baseavam. E as evidências não eram apenas escassas, mas apontavam para uma conspiração. Assim, foi possível manter Assange na embaixada, enquanto o Ministério Público do Reino Unido trabalhava para conseguir que ele fosse extraditado para a Suécia. Parecem não existir dúvidas de que o plano sempre foi usar a Suécia como uma prisão para Assange enquanto os EUA pediam sua extradição. É possível que ele leve seu caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, mas a decisão do Brexit torna esta área extremamente obscura.
Você poderia nos dar mais detalhes sobre a UC Global, a empresa espanhola trazida à Embaixada do Equador para espionar Assange? O que mais sabemos sobre os dados que eles coletaram? Houve alguma conexão mais definitiva com a CIA? Foi colocado em prática algum esforço adicional para anular o processo de extradição com base exclusivamente neste fato? (Ele nunca poderia esperar um julgamento justo nos Estados Unidos se tal vigilância e enquadramento fossem feitos.)
A UC Global não só gravou centenas de conversas dentro da embaixada do Equador, mas também fotografou e registrou os telefones [e] suas localizações identificando números IMEI, passaportes e outros documentos de todos aqueles que visitaram Assange na embaixada entre 2015 e 2018. No meu entendimento, o caso, atualmente em execução em Madrid, contra o ex-CEO da UC Global, David Morales, que é acusado de espionar ilegalmente Assange e seus advogados (um ato especificamente ilegal na Europa) será usado pela equipe jurídica de Assange para argumentar que a extradição para os EUA deve ser descartada. Eu entendo que se qualquer material recolhido espionando Assange e seus advogados for usado, ou mesmo conhecido, por aqueles envolvidos na acusação dos Estados Unidos, as acusações devem ser retiradas. Não houve nenhuma conexão definitiva com a CIA. O mais perto que cheguei de estabelecer um nexo, foi com os confidentes do Departamento de Estado e da Casa Branca.
O livro de Snowden, Eterna Vigilância, foi um dos melhores que li em muito tempo. Você pode argumentar que suas revelações são igualmente, se não mais significativas, do que as que Assange oferece por meio do Wikileaks. Qual sua posição sobre a diferença de valores, se houver, entre o Wikileaks e as revelações de Snowden?
As principais diferenças são: Assange é um receptor de informações que, como jornalista, publica-as. Snowden é uma fonte. Quando se trata de quantificar os diferentes valores de seu trabalho, Assange principalmente forneceu informações e análises, enquanto Snowden expôs sistemas de coleta de inteligência. Na relação fonte-jornalista, ambos precisam um do outro. Ambos expuseram as atividades de uma máquina de fazer guerra. Sem Assange, é improvável que tivéssemos Snowden. Foi o WikiLeaks que trouxe a público, em uma escala verdadeiramente massiva, um mundo secreto de horror e decepção que até então estava em grande parte escondido. Snowden nos trouxe o argumento de que não eram apenas os governos estrangeiros que estavam sendo espionados, mas os próprios americanos. Ambos cumpriram um papel importante e às vezes sobreposto, ao revelar a verdade sobre o mundo em que vivemos.
Assange e Snowden parecem ter tido suas diferenças ao longo dos anos. Snowden descreve em seu livro como escolheu seu apelido: “O nome final que escolhi para minha correspondência foi ‘Verax’, latim para ‘falante da verdade’, na esperança de propor uma alternativa ao modelo de um hacker chamado ‘Mendax’ (‘falador de mentiras’) — o pseudônimo do jovem que cresceu para se tornar o Julian Assange do WikiLeaks.” (p.193) Havia tensões entre eles, e Snowden não confiava plenamente em Assange (temendo que um furo desses, em vez de um sistema de revelações processado de forma jornalística, fecharia espaço para argumentos de whistleblowers no futuro). Sua primeira escolha foi o The New York Times, mas a supressão que fizeram do artigo pré-eleitoral de James Risen de 2004 no Stellar Wind [programa de vigilância eletrônica da Agência de Segurança Nacional dos EUA] o enfureceu, e ele acabou indo com Greenwald e outros. Snowden sugere diferenças de caráter entre os dois, mas, por outro lado, Assange realmente irritou o governo dos Estados Unidos quando enviou uma mulher para resgatar Snowden de Hong Kong. Alguns até pensamos que Obama iria derrubar o Bolivia One com o presidente Evo Morales a bordo, por achar que Snowden estava junto.
Em Eterna Vigilância, Snowden diz que decidiu não usar o WikiLeaks por causa de uma mudança na política de publicação do material não editado, ou “puro”, como ele prefere chamá-lo. Não sei por que ele diz isso, já que a política da WikiLeaks é redigir [Aqui está a explicação de Snowden]. O WikiLeaks colocou todos os documentos do Iraque/Afeganistão/Cablegate online, sem editar, mas somente depois que David Leigh, do Guardian, já havia publicado a senha — e o material já estava na internet. Eu nunca falei sobre isso com Assange, mas há outro Mendax. Na década de 1920, o escritor australiano de ficção científica Erle Cox’a Mendax foi um inventor excêntrico. Mendax fazia experimentos com “transmissão de matéria” “invisibilidade” e “extração de ouro da água do mar”. Há um atrito entre os dois, sem dúvida. Snowden ainda peca pelo sigilo e Assange pelo lado da publicação, que é, provavelmente, a diferença entre um ex-agente de inteligência e um jornalista.
A covid-19 surge como o coringa do baralho, cara a cara com a extradição de Assange para os EUA. Se ele não contrair a doença na prisão, sua extradição no próximo ano pode ser problemática — tribunais, protestos, circo. Como você acha que o vírus afetará os procedimentos legais? Você acha que ele ficará em melhor posição sob um Departamento de Justiça americano de Joe Biden? Ou pior, dada a percepção de ameaça aos democratas que ele representa? Você vê alguma maneira de sua defesa explorar a desonestidade da invasão e espionagem realizadas pelo Partido Democrata e pela Rússia?
Não tenho certeza de como a covid possa impactar, para além de desacelerar o processo — o que, por si só, já é extremamente problemático para Assange. Ele já está preso, ou em prisão domiciliar (incluindo a embaixada), há nove anos. Não sei do que mais precisa para o governo do Reino Unido tomar vergonha e recusar o pedido de extradição, mas a nova acusação certamente transforma o processo político em uma farsa. Agora, os EUA querem prender novamente Assange envolvendo-o em uma nova acusação, porque a primeira, provavelmente, fracassaria. Nos últimos anos, o governo do Reino Unido possivelmente teve a chance de rejeitar esse comportamento enganoso ou incompetente dos EUA, mas, atualmente, a Grã-Bretanha é uma força gasta no cenário mundial, e os EUA podem fazer o que bem quiserem.
Quanto ao Departamento de Justiça sob Biden… ele já chamou Assange de “terrorista de alta-tecnologia” e disse recentemente que, embora seja favorável à liberdade de imprensa, ela não deve comprometer a segurança nacional dos EUA. Então, não há muita esperança.
Uma esperança que Assange tem é o possível perdão de Snowden. Isso corrobora com o argumento de Trump sobre a existência de um “estado profundo”, onde as agências de inteligência estariam fora de controle, e envolvidas na fabricação do conluio russo. [Aqui temos Snowden referenciando seu trabalho para o “Estado Profundo“]. O trabalho de Assange expôs atrocidades da CIA (o que apoia a posição de Trump), mas o WikiLeaks também revelou evidências de crimes de guerra cometidos pelos militares dos EUA, instituição muito admirada pelos seus principais apoiadores. Temo que um perdão de Snowden, que eu pessoalmente acredito que seria muito bem-vindo, só isolaria ainda mais Assange.
Se Assange cair, você vê um futuro para o jornalismo no mundo — considerando a autodenominada liderança dos EUA nesta área, por meio da sagrada primeira emenda, mas com jornais globais cada vez menores? The Guardian, Washington Post e o The New York Times continuam sendo os únicos documentos de registro disponíveis em todos os terminais internacionais do mundo — com as vendas caindo, e uma briga sobre o que é notícia real e o que não é (uma guerra para determinar quem vai controlar a narrativa), como você vê a luta pelo jornalismo que virá?
Se Assange cair, sofreremos um terceiro efeito dominó. Primeiro, o poder crescente do governo executivo; segundo, a destruição do [frequente] poder de compensação da grande mídia, incluindo as emissoras públicas que extraem seu poder político de suas audiências (e, portanto, até certo ponto são independentes). A internet acabou com os orçamentos da mídia, o que enfraqueceu seu ambiente de modo geral e deu poderes aos governos para atacar e cortar as emissoras públicas. Assange, que usou a internet como uma arma para o jornalismo, forneceu uma maneira de revigorar as velhas estruturas da mídia — envolver os leitores e desafiar a autoridade do governo executivo. Disponibilizou uma maneira de democratizar o jornalismo. É a razão pela qual ele é uma ameaça à hegemonia das nações dominadas pelos 5 olhos dos EUA — que, até recentemente, em um mundo unipolar, política e estrategicamente, governavam supremos.
Às vezes fico maravilhado com o efeito que os australianos tiveram sobre o jornalismo e até mesmo sobre questões constitucionais dos EUA. No início, Assange parecia ter declarado guerra ao Departamento de Justiça e, depois, ao Departamento de Estado dos Estados Unidos; John Pilger, em sua entrevista com o “trapaceiro” da CIA, Duane Clarridge, expôs toda a arrogância da política externa americana; e a Fox News reduziu tanto o nível da conversa política nos Estados Unidos que pode estar rumo a um destino como aquele retratado em Idiocracia. Quais seus pensamentos sobre isso?
Há uma estranha contradição na Austrália. Os australianos são muito conservadores e cautelosos, mas parte da identidade nacional está ligada à noção de antiautoritarismo, que remonta ao passado da nação de condenados. A degradação de uma maioria pobre, transportada do Reino Unido e da Irlanda para a Austrália há dois séculos, devido a crimes muitas vezes menores, criou uma base de antagonismo contra as “elites” dominantes. Essa longa história de dissidência na Austrália produziu jornalistas notáveis como Pilger e Assange, Wilfred Burchett e Philip Knightly. Não consigo pensar em nenhuma maneira melhor de explicar como Assange e Murdoch se tornaram duas das figuras mais influentes da mídia global no século passado. Murdoch subiu ao poder como uma figura anti-establishment no Reino Unido e Assange fez o mesmo em uma base global.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

MÍDIA - Julgamento do Assange.


É possível falar em 'imprensa livre', quando a provável extradição de Assange é silenciada ou escondida em páginas interiores?



A pergunta recebe uma resposta do ex-diplomata britânico, humanista e ativista político Craig Murray em sua página, de onde retirei o trecho a seguir.

Com certeza já é tempo de pararmos de falar em “imprensa livre”, como se fosse Thomas Paine ou William Cobbett distribuindo panfletos. A mídia impressa é agora objeto de fenomenal concentração de propriedade. Ele transmite a propaganda de alguns bilionários desagradáveis ​​para uma audiência cada vez menor, composta principalmente de idosos. É claro que as mesmas propriedades foram transferidas para a TV e o rádio e cada vez mais para as novas mídias, e têm um domínio político sobre aqueles que controlam a mídia estatal. Ao mesmo tempo, os guardiões corporativos do Facebook e do Twitter estrangulam propositalmente o fluxo de leitores para a mídia online independente. A ideia de uma “imprensa livre” como um mercado aberto de ideias democráticas não tem nenhum significado real na sociedade moderna, até que uma ação antimonopólio seja tomada. Qual é a última coisa que os que estão no poder farão.

Muito pelo contrário, eles buscam ativamente eliminar a dissidência até mesmo na Internet.

(...) Julian Assange foi uma luz nesta escuridão. O Wikileaks abriu uma janela para o mundo secreto do crime de guerra, assassinato e corrupção que está por trás de grande parte do governo sob o qual vivemos em todo o mundo “livre”. Vindo na esteira da percepção pública de que havíamos mentido descaradamente sobre a destruição do Iraque, houve um tempo em que parecia que Assange nos levaria a uma nova era em que denunciantes, jornalistas cidadãos e uma internet democrática revolucionariam a informação pública, quebrando o estrangulamento bilionário.

Isso parece menos promissor hoje, à medida que o próprio mundo da Internet se corporatizou. Julian está na prisão e hoje começa uma audiência de extradição que tem sido um longo processo de abuso. As terríveis condições de confinamento solitário em que foi mantido na prisão de alta segurança de Belmarsh, sem acesso à sua equipe jurídica ou a um computador de trabalho, aos seus papéis ou à sua correspondência, afetaram enormemente sua saúde física e mental . O Representante Especial da ONU declarou que ele está sujeito a tortura. A reação da mídia diante da vítima de tortura do Estado Assange é desprezo.

Constantemente apoiadores de Julian questionam por que a mídia não vê o ataque a um editor e jornalista como Assange como uma ameaça a si mesmos. A resposta é que o estado e a mídia corporativa estão confiantes em sua aliança firme com os poderes constituídos. Eles não têm intenção de desafiar o status quo; sua proteção contra aqueles que chutam Assange está em se juntar ao chute. [Leia a íntegra do texto aqui]

domingo, 6 de setembro de 2020

MÍDIA - Jânio de Freitas cita censura ao Luis Nassif.

Jânio de Freitas cita GGN e aborda avanço do autoritarismo no Brasil

Para jornalista, atos de censura exprimem ambiente institucional, e autoritarismo no país já avançou mais do que é possível perceber
Foto: Reprodução
Jornal GGN – O jornalista Jânio de Freitas cita o ato de censura sofrido pelo Jornal GGN como exemplo para abordar o avanço do autoritarismo no Brasil.
“Como a Justiça tarda mas não chega, os Bolsonaro ganharam no Rio uma censura judicial à TV Globo. E o bem informado portal GGN, do jornalista Luis Nassif, foi posto sob outra forma de censura também judicial: a retirada de notícias sobre negócios, no mínimo polêmicos, do banco BTG Pactual. A censura nunca é casual nem isolada. Exprime um ambiente institucional”, afirma Freitas em sua coluna no jornal Folha de São Paulo.
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Na visão de Freitas, o autoritarismo já avançou muito mais do que é possível perceber. Para o articulista, “os atos vistos como abusivos ou extravagantes, e logo deslocados em nosso espanto por outros semelhantes, já configuram uma situação de anormalidade em que nenhuma instituição é o que deveria ser”.
Além do ato de censura sofrido pelo Jornal GGN, Freitas cita outros fatos que caracterizam regimes de prepotência, como a proibição do ministro da Economia, Paulo Guedes, aos seus assessores de conversar com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia; o atraso nos debates sobre a tecnologia 5G para favorecer os Estados Unidos em detrimento da China; e os chamados “Guardiões de Crivella” – funcionários do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que intimidavam jornalistas e cidadãos que queriam criticar o serviço de saúde da cidade.

sábado, 5 de setembro de 2020

MÍDIA - #FreeAssange


Sob silêncio da mídia comercial brasileira, o jornalista Julian Assange, do WikiLeaks, vai a julgamento nesta segunda por fazer jornalismo
Nesta próxima segunda, dia 7, o jornalista e editor do WikiLeaks, Julian Assange, vai a julgamento e deve ser extraditado para os Estados Unidos pelo crime de... fazer jornalismo.
Assange recebeu da militar dos EUA Chelsea Manning imensa quantidade de material a que o governo dos Estados Unidos não queria que o mundo tivesse acesso.
A partir da divulgação de parte do material pelo WikiLeaks, jornais pelo mundo, inclusive brasileiros, reproduziram as revelações. Nenhum foi punido ou está ameaçado pelo governo dos EUA. Apenas Assange, que, caso seja extraditado, deverá ser condenado a 175 anos de prisão em isolamento.
Entre as revelações de Assange, estão a prova do assassinato de civis pelas tropas estadunidenses na guerra do Iraque, como a famosa execução via helicóptero Apache, que já publiquei aqui (confira aqui em "EUA querem que Assange pague por denunciar seu jogo sujo no Iraque e com aliados, inclusive o Brasil"). [LINK NO BLOG]
Nessa execução, foi morto o fotógrafo da agência Reuters Namir Noor-Eldeen, que tirou esta foto em Bagdá de um menino saindo da escola, desviando da poça de sangue sobre folhas de cadernos, após ataque das tropas dos EUA que mataram quatro estudantes. [FOTO NO BLOG]
O Julgamento desta segunda poderia ter um desfecho diferente, caso a mídia comercial fosse mais solidária com o colega jornalista que submissa aos interesses dos Estados Unidos.
Porque é um jogo de cartas marcadas. A juíza do caso tem familiares que fazem parte do serviço secreto do Reino Unido, principal aliado dos EUA.
Ela deveria se dizer impedida de julgar o caso. Mas não o fez, nem é cobrada por isso.
Os Estados Unidos querem a cabeça de Assange para que cada um fique sabendo que, caso publique alguma coisa que vá contra os interesses dos EUA, poderá ter o mesmo destino dele, ser perseguido, condenado e confinado numa cela para o resto da vida.
Por isso a liberdade de Assange deveria ser uma luta do jornalismo global e de todos os jornalistas.

MÍDIA - Globo provando do próprio veneno.

Globo vive censurando o Lula e o PT.

Nota da ABI
Parece estar se tornando praxe no país a censura à imprensa, tal como existia no tempo da ditadura militar e do AI-5.
Decisão da juíza da 33ª Vara Cível do Tribuna da Justiça do Rio proibiu, nesta sexta-feira, a divulgação de qualquer documento relacionado com o esquema das “rachadinhas”, a pedido dos advogados do senador Flávio Bolsonaro.
É mais um atropelo à liberdade de expressão. É urgente que o STF restabeleça o império de lei.
A propósito, sabe-se que os recursos da chamada “rachadinha” alimentaram vultosos depósitos na conta da primeira-dama.
Por isso, cabe mais uma vez a pergunta, ainda não respondida pelo presidente da República: “Afinal, por que Fabrício Queiroz depositou R$ 89mil na conta bancária de Michele Bolsonaro?"
Paulo Jeronimo – Presidente da Associação Brasileira de Imprensa

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

MÍDIA - Censura ao Luis Nassif.



CENSURA: Quando a gente para de gritar de horror, a gente aceita tudo. Por Laura Capriglione

 
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Publicado originalmente no Jornalistas Livres
Por Laura Capriglione
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Acensura ao JornalGGN e ao jornalista Luis Nassif está naquele rol de obscenidades a que o Brasil se acostumou. Se nem Deus mais se respeita (olha o padre e a evangélica que gabaritam em todos os pecados), se nem médico mais se respeita (veja as invasões de hospitais insufladas por Bolsonaro), se advogado agora leva socos na boca quando vai a presídios (e quem os dá são os policiais), se uma criança estuprada de 10 anos é xingada de “puta” e querem obrigá-la a levar a gestação a termo, mesmo que ela morra… Se num dia é uma patroa praticamente jogando um menino das alturas de um prédio e, no outro, é o surgimento instantâneo da Máfia dos Respiradores (enquanto o País sufoca com cento e picos mil mortos). Se morrem cento e picos mil e o presidente que perguntou “E daí?” está praticamente reeleito… Se tudo isso é verdade, por que não censurar o JornalGGN e o jornalista Luis Nassif? O que é, diante de tanto horror, um juiz mandar apagar as matérias que mencionem o BTG Pactual, não por acaso o hiper-banco de investimento de onde emergiu o atual ministro Paulo Guedes, antes de se consagrar como o maior criminoso do País? Só para dar uma idéia do tamanho, em julho de 2014, o BTG Pactual alcançou a marca de US$ 200 bilhões em ativos totais. Mais de R$ 1 trilhão.
É que, se eles conseguirem censurar o JornalGGN e o jornalista Luis Nassif, se eles conseguirem censurar a imprensa, eles também serão capazes de suprimir todas as notícias que foram mencionadas acima. Bastará um juiz decidir que quer que seja assim. Cancelam-se as matérias. Cancela-se o jornalismo. Cancela-se o que é inconveniente para os amigos do Presidente.
E por que o BTG Pactual quer censurar o mais importante jornalista de economia do País, Luis Nassif?
Essa é fácil: para que ele não possa contar a todos que o Brasil está sendo esquartejado e vendido como lavagem para porcos, para ser comprado em seguida por bancos como o BTG Pactual, o hiper-banco de investimento de onde emergiu o atual ministro Paulo Guedes — antes de se consagrar como o maior escroque do País (é sempre bom lembrar).
Follow the money (“Siga o dinheiro”) é um bordão que foi popularizado pelo filme “Todos os Homens do Presidente” (EUA, 1976). É assim: se você está investigando um escândalo de corrupção, o primeiro aspecto a considerar é quem vai ganhar com isso. Quem vai ganhar na loto.
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Luis Nassif, porque é o mais importante jornalista de economia do País, estava fazendo exatamente isso. Mostrando os grandes fluxos de dinheiro que permitem provar os esquemas de corrupção graúdos. Censurar Nassif e o JornalGGN é calar o jornalismo, impedir as reportagens. É cassar da população o direito de se informar. É tornar os entes financeiros absolutamente fora de qualquer controle social, sob o argumento de que, estando nas bolsas de valores, não podem sofrer qualquer vibração na opinião pública. Absolutamente fora de qualquer controle social.
Pense nisso. Bancos livres para fazer o que quiserem…
Por tudo isso, os Jornalistas Livres solidarizam-se com o mais importante jornalista de economia do País, Luis Nassif. E colocam-se à disposição para republicar em nossas páginas os conteúdos censurados.
Pela liberdade de imprensa!
Pela liberdade de expressão!
Abaixo a censura