Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

EUA - O passado racista do candidato democrata.

A enganação do identitarismo
Joe Biden, o candidato democrata nas eleições americanas de 2020, tem um longo histórico de racismo. No entanto quer se apresentar como o candidato do povo negro
<> on July 16, 2012 in Washington, DC.
Joe Biden | Foto: Mark Wilson/Getty Images
No último dia 11 de agosto o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que sua companheira de chapa na disputa contra Donald Trump seria a juíza negra Kamala Harris. Joe Biden escolheu uma mulher e especialmente uma negra para agradar setores da população americana, para identificá-lo como uma candidatura de caráter progressivo, especialmente neste momento onde as tensões raciais estão em seu auge, após o brutal e covarde assassinato de George Floyd, da execução a tiros de Ahmaud Arbery, os casos de Breona Taylor, Tony McDade e tantos outros exemplos que expuseram a perseguição policial ao povo negro.
No entanto esta tentativa de Joe Biden se tornar simpático a segmentos da população americana como as mulheres e aos negros cai completamente por terra quando se revela o passado do político.
Uma longa história de racismo
Em 1977, quando Joe Biden era senador pelo estado de Delaware ele foi veementemente contra a política conhecida como busing, ou seja, uma política de integração racial que fazia o estado disponibilizar ônibus para levar estudantes para escolas mais distantes. O estado de Delaware era um dos estados que essencialmente se recusaram a dessegregar as escolas através de uma combinação de leis e pais brancos mudando seus filhos para escolas privadas. Hoje em dia a quantidade de escolas privadas em Delaware é uma das maiores do país, composta majoritariamente de brancos. Ao mesmo tempo sempre faltam verbas para as escolas públicas de negros. Este foi o resultado da política pregada por Joe Biden.
No seu discurso no congresso em 1977 Biden enfatizou que a prática do busing iria “fazer com que seus filhos crescessem em uma selva, sendo essa selva uma selva racial com tensões tão exacerbadas que isso iria explodir em algum momento. Nós temos que fazer alguma coisa a respeito disso”.
Esta defesa de Biden contra a política do busing veio a público durante um debate entre os candidatos do Partido Democrata em 27 de junho de 2019 justamente quando a então candidata, a senadora Kamala Harris, o inquiriu sobre este assunto. Kamala expôs o racismo de Biden, ressaltando que ela própria foi beneficiada pela política do busing.
Naquela época Biden trabalhou intensamente contra o busing ao lado de dois outros senadores democratas que eram ardentemente a favor da segregação e racistas notórios, James Eastland (senador pelo Mississippi) e Herman Talmadge (pelo estado da Geórgia). Talmadge era um veemente opositor dos direitos civis e quando foi governador ordenou que escolas fossem fechadas ao invés de dessegregadas. Eastland frequentemente se referia aos negros como uma raça inferior.
Em discurso de maio de 2019 Joe Biden fez um discurso onde se desculpou a uma plateia composta majoritariamente por negros por ter trabalhado ao lado de Eastland e Talmadge e dizendo não ser racista, mas de ter lutado para o avanço dos direitos civis.
Lei de Controle ao Crime Violento
Em sua atuação pelo Senado americano Joe Biden se envolveu na elaboração de inúmeras leis sobre a criminalidade. Em 1994 ele foi o líder da Lei de Controle ao Crime violento e Aplicação da Lei, também conhecida como Lei Criminal Biden. Essa lei levou a um aumento exponencial no número de policiais e de prisões, aumento das sentenças para os condenados e criação de incentivos financeiros para manter as pessoas na cadeia. Foram criados 60 novos crimes, além de uma nova regra, a infame “três infrações e você está fora”, que condenava o infrator a uma pena de prisão pelo resto da vida para quem cometesse três crimes, mesmo crimes considerados de menor gravidade.
Desde então pessoas tem morrido na prisão por coisas como roubar um dólar em trocados de um carro estacionado, por posse de menos de um grama de droga ou por furar a fila da sopa. Não é de se espantar que todas essas leis tivessem seu maior impacto sobre a população negra, além de criar uma verdadeira indústria do aprisionamento da população.
Joe Biden e os protestos
Os recentes episódios de protestos nos Estados Unidos tornaram-se assunto constante nos discursos de Trump e Biden. Biden condenou a “violência” dos protestos dizendo que “baderna não é protesto, vandalismo não é protesto, colocar fogo não é protesto, nada disso é protesto, é tudo falta de leis, pura e simplesmente.” E continuou: “por acaso eu pareço um socialista radical com uma queda por protestos? Eu quero uma América segura, segura do Covid, segura contra o crime e o vandalismo, segura contra a violência motivada pelos conflitos raciais, segura dos maus policiais”.
O discurso de Biden deixa claro que sua política é: não proteste, vote em mim. O ideal de Biden é a maior proliferação de leis, da restrição de direitos, do aprisionamento de pessoas, do uso da força policial para conter a revolta popular. Biden não tem nenhuma política para o povo, muito menos para o povo negro que ele quer representar.
Oportunismo eleitoral
Por tudo isso fica evidente a clara tentativa de limpar o passado sujo de Biden, de seu histórico de racismo e perseguição às classes mais humildes com a presença de Kamala Harris como vice em sua chapa.
Do lado de Kamala só se pode constatar que ela é uma oportunista e carreirista. Ela já convenientemente se esqueceu de que acusou o racismo de Biden no debate de 2019 e agora está contente com o prospecto de se tornar vice-presidente com o voto dos negros e pela perspectiva de em 2024 ser indicada como candidata do Partido Democrata para a Presidência dos Estados Unidos.
Que ninguém se engane com os candidatos majoritários das eleições americanas de 2020. Donald Trump é um reconhecido fascista, mas Joe Biden é um racista e inimigo do povo americano disfarçado pela roupagem democrática e identitária. Não há saída pela via eleitoral. Trump ou Biden, ambos são apenas diferentes facetas do imperialismo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

EUA - Eleições americanas.


Biden vai revelar participação dos EUA no golpe contra Dilma

07/09/2020 0  Por REDAÇÃO URBS MAGNA

Eleição do oponente de Trump pode reconfigurar todo o sistema político latino e mundial, do contrário será “terrível para o Brasil e o resto do mundo”, diz think thank

Em entrevista ao Carta Capital, o think thank co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington, Mark Weisbrot, abre seu conhecimento sobre a América Latina e, após discorrer sobre a disputa presidencial americana entre Donald Trump e Joe Biden e sobre o movimento Vidas Negras Importam, o pensador comenta que, se eleito, o democrata poderá revelar toda a participação dos EUA no golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff.
Mark diz que Trump “não tem nenhum objetivo político discernível ou crenças além de seu próprio autoengrandecimento“.
O pensador argumenta que as chances de reeleição de Trump está ameaçada por atos que vão na contramão dos interesses populares, como o veto, pelo partido do presidente americano, de um seguro-desemprego de 600 dólares por semana que era destinado a milhões de desempregados, enquanto a legenda de Joe Biden defendeu uma PL de alívio de 3 trilhões de dólares que inclui uma extensão do benefício, além de cerca de 900 bilhões para governos estaduais e locais. Mark diz que respostas positivas para a recuperação da economia dos EUA são exclusivamente visíveis no partido de Biden, enquanto Trump decepcionou com sua má administração da Covid-19, o que seria uma abertura às ideias de seu oponente.
Biden tem seis mandatos consecutivos como senador além de ter sido vice-presidente de Barack Obama durante os mandatos nos anos de 2009 e 2017. Por este motivo, “a imagem de Joe Biden é difícil de desconstruir“, diz o think thank. Algo como o legado deixado pelo ex-presidente Lula, que o manteve popular mesmo durante todos os processos oriundos de uma intensa incursão judicial.
Os ataques do atual presidente americano a desafetos, recheados de racismo e sexismo, desfavorecem Trump em sua tentativa de reeleição, diz Mark. Além disso, o chefe da Casa Branca tenta sabotar a capacidade dos Correios de realizar uma votação postal – uma das medidas definidas para a segurança da saúde dos americanos durante a pandemia. Com isso, a investida de Trump está sendo vista como um golpe. Mas Trump conta com um aliado na agência americana, General DeJoy, que pretende reduzir a capacidade postal para a entrega de dezenas de milhões de cédulas. “Este é um perigo real“, diz o think thank que também revela outro fato: “os militares em sua maioria não gostam dele ou não o respeitam.
Na entrevista ao Carta Capital, Mark Weisbrot também comenta sobre o Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) – movimento ativista internacional contra a violência direcionada aos afros que teve origem nos EUA em 2013 com o uso de hashtag correspondente nas mídias sociais, após a absolvição de George Zimmerman, um coordenador de vigilância de um condomínio-bairro que no ano anterior matou a tiros um indefeso adolescente negro de 17 anos que estava temporariamente hospedado lá.
O racismo de alguns americanos é incessante e difícil de ser controlado. Após o caso Zimmerman, o #Black Lives Matter evoluiu nacionalmente para manifestações de rua após outro caso semelhante em 2014, o que gerou distúrbios em Nova York. O movimento “pode ter sido o maior movimento de protesto na história dos EUA, com participação de até 25 milhões de ativistas“, diz Mark. Isso pode ter ou não impacto nas eleições, mas “é provável que seja significativo“, disse. Além disso, a escolha de uma vice negra, Kamala Harris, explora essa possibilidade pois, como diz o think thank, o Partido Republicano, de Trump, “sempre buscou usar apelos racistas mal disfarçados para conquistar os votos da classe trabalhadora branca” e suas recentes respostas hostis desde a morte de George Floyd destacou o racismo da legenda.
Finalmente, Mark comenta a influência das relações EUA-Brasil após as eleições americanas. Segundo o pensador, “Trump faz tudo o que pode para apoiar Bolsonaro” mas inclui o Brasil em políticas de colaboração antidemocráticas com governos da região, como no apoio ao golpe que obrigou Evo Morales a renunciar de seu mandato, acusado de fraude nas urnas, após ter vencido as últimas eleições da Bolívia.
Mark diz que toda essa cooperação deve “cessar imediatamente“.
“É importante ressaltar que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos desempenhou um papel importante nas investigações da Lavo Jato e na perseguição política e no golpe contra Dilma Rousseff, Lula e o Partido dos Trabalhadores”.
“Integrantes do Congresso dos EUA exigiram que o Departamento de Justiça “explique o escopo de seu envolvimento no caso poluído e politizado contra o ex-presidente do Brasil Lula da Silva, e a ampla investigação de corrupção da Lava Jato”.
“O governo Biden deve responder imediatamente a essas perguntas e divulgar todas as informações sobre o envolvimento do governo dos Estados Unidos na investigação, no golpe parlamentar e em quaisquer outras intervenções políticas contra o PT”.
“Claro que por todas essas razões uma reeleição de Trump seria terrível para o Brasil, como para os Estados Unidos e o mundo”.

Mark Weisbrot

domingo, 6 de setembro de 2020

EUA - Trump rascista.

Heloisa Villela escreve sobre a obra que mostra desprezo de Trump pelos negros e latinos
ouça este conteúdo
  
ok
Donald Trump é racista, mentiroso, trapaceiro… Quem diz isso é o advogado e ex-faz tudo do presidente, Michael Cohen. E diz para a eternidade porque imortalizou as acusações e denúncias em um livro que chega às livrarias dos Estados Unidos na terça-feira (8). “Desloyal: a memoir” (em tradução livre poderia ser “Desleal: memórias”) é uma coletânea de denúncias feitas em primeira pessoa que narram conversas, projetos e manobras secretas das quais Cohen participou com afinco e foi parar na cadeia por conta de uma delas. Ele está cumprindo o restante da pena de três anos em casa, por causa da pandemia.
Um grupo de democratas chamado American Bridge (Ponte Americana) produziu e lançou uma propaganda eleitoral com Michael Cohen. De olho na câmera ele diz: “Não se pode confiar em Trump nem acreditar em uma palavra do que ele diz. Você não precisa gostar de mim mas por favor me ouça”. Essa é a parte difícil da história toda. Cohen foi condenado por mentir para o Congresso quando foi depor a respeito dos projetos imobiliários de Trump na Rússia, mas acabou admitindo toda a história da atriz pornô Stormy Daniels. Ela contou ter tido um caso extra conjugal com Donald Trump quando ele já estava casado com a primeira-dama.
Para evitar que o escândalo viesse à tona nas vésperas da eleição de 2016, Trump aprovou um pagamento de US$ 130 mil para calar a boca da atriz. E teria topado a compra do silêncio argumentando que se o segredo fosse revelado, ele teria que pagar muito mais à esposa. Michael Cohen cuidou do depósito e recebeu o dinheiro de volta em prestações, como se fossem honorários pelo trabalho de advogado. Agora, conta toda essa manobra, e muitas outras, no livro que é o assunto do momento na mídia americana. Se livro virasse resultado de eleição Trump estaria perdido. Mas nesta manhã de domingo, enquanto o assunto é destaque em quase todas as mídias liberais, não encontrei nem menção às memórias de Cohen na Fox News, a líder de audiência dos Estados Unidos, canal preferido dos conservadores.
Assim que Trump anunciou a decisão de concorrer a presidente, os três filhos mais velhos do clã teriam corrido ao escritório de Cohen para pedir que ele afastasse a ideia da cabeça do pai. Trump se lançou com um discurso racista, acusando imigrantes mexicanos de serem todos criminosos e estupradores. Por isso prometia construir um muro na fronteira com o México, para proteger o país. Os filhos temiam o estrago que as declarações do pai imporiam aos negócios da família. “Você precisa fazer meu pai suspender a campanha. Está matando a empresa”, teria dito Ivanka, a filha mais velha que hoje, junto com o marido Jarred Kushner, é conselheira do pai para todos os assuntos.
As 432 páginas de acusações e denúncias de Cohen dificilmente vão influenciar o resultado das urnas, mas darão muito assunto à oposição. Neste ano de protestos gigantescos contra o racismo estrutural da sociedade americana, que se expressa com força no comportamento da polícia, o livro garante que Trump é racista convicto. E tem um profundo desprezo pelo ex-presidente Barack Obama. “Ele só entrou na Universidade de Columbia e na Faculdade de Direito de Harvard por causa da porra da ação afirmativa”, teria dito Trump.
Segundo Cohen, o desprezo não é só por Obama mas pelos negros em geral. Em um trecho do livro, ele transcreve o que Trump teria dito: “me diga um país administrado por uma pessoa negra que não seja um buraco de merda. Mandela fudeu o país todo. Agora ele é um buraco de merda. Foda-se o Mandela. Ele não era um líder”. Cohen divulgou um vídeo pra o qual Trump contratou um ator negro para fazer o papel de Obama só para poder humilhar o personagem e demiti-lo na cena. E pelo que conta Cohen, o presidente não está nem um pouco preocupado com o eleitorado negro do país. Nem com os votos latinos. “Eles não são a minha gente. Nunca vou conquistar o voto latino. Assim como os negros, eles são muito burros para votar em Trump”.
O tratamento que o presidente costuma dar às mulheres já é conhecido do público. Em uma gravação divulgada antes da eleição de 2016 o mundo inteiro ouviu ele dizer que botava a mão nas partes íntimas de qualquer mulher quando bem entendesse. Na intimidade, não era diferente. Fazia comentários sobre o corpo da própria filha e não teria se furtado a falar sobre a filha de Cohen, na época com quinze anos: “olha só esse rabo! Adoraria ter um pouco dele”.
Trump foi alçado à presidência com o apoio decisivo dos evangélicos. É claro que o livro não poderia deixar de fora alguma cena que provocasse a ira desse grupo. Pois Cohen descreve uma reunião no Trump Tower, o prédio de luxo do presidente, na ilha de Manhattan, em Nova York. Líderes evangélicos rezaram com as mãos sobre a cabeça do então candidato. Depois que eles foram embora, Trump teria comentado com Cohen: “Você pode acreditar nessa besteirada? Você pode acreditar que as pessoas acreditam nessa baboseira”?
O livro não esconde a que veio. Termina dizendo: “você agora tem toda a informação de que precisa para decidir, por sua própria conta, em novembro”. Resta saber quem vai acreditar em quem até lá.