Biden vai revelar participação dos EUA no golpe contra Dilma
07/09/2020
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Eleição do oponente de Trump pode reconfigurar todo o sistema político latino e mundial, do contrário será “terrível para o Brasil e o resto do mundo”, diz think thank

Em entrevista ao Carta Capital, o think thank co-diretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington, Mark Weisbrot, abre seu conhecimento sobre a América Latina e, após discorrer sobre a disputa presidencial americana entre Donald Trump e Joe Biden e sobre o movimento Vidas Negras Importam, o pensador comenta que, se eleito, o democrata poderá revelar toda a participação dos EUA no golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff.

Mark diz que Trump “não tem nenhum objetivo político discernível ou crenças além de seu próprio autoengrandecimento“.
O pensador argumenta que as chances de reeleição de Trump está ameaçada por atos que vão na contramão dos interesses populares, como o veto, pelo partido do presidente americano, de um seguro-desemprego de 600 dólares por semana que era destinado a milhões de desempregados, enquanto a legenda de Joe Biden defendeu uma PL de alívio de 3 trilhões de dólares que inclui uma extensão do benefício, além de cerca de 900 bilhões para governos estaduais e locais. Mark diz que respostas positivas para a recuperação da economia dos EUA são exclusivamente visíveis no partido de Biden, enquanto Trump decepcionou com sua má administração da Covid-19, o que seria uma abertura às ideias de seu oponente.
Biden tem seis mandatos consecutivos como senador além de ter sido vice-presidente de Barack Obama durante os mandatos nos anos de 2009 e 2017. Por este motivo, “a imagem de Joe Biden é difícil de desconstruir“, diz o think thank. Algo como o legado deixado pelo ex-presidente Lula, que o manteve popular mesmo durante todos os processos oriundos de uma intensa incursão judicial.
Os ataques do atual presidente americano a desafetos, recheados de racismo e sexismo, desfavorecem Trump em sua tentativa de reeleição, diz Mark. Além disso, o chefe da Casa Branca tenta sabotar a capacidade dos Correios de realizar uma votação postal – uma das medidas definidas para a segurança da saúde dos americanos durante a pandemia. Com isso, a investida de Trump está sendo vista como um golpe. Mas Trump conta com um aliado na agência americana, General DeJoy, que pretende reduzir a capacidade postal para a entrega de dezenas de milhões de cédulas. “Este é um perigo real“, diz o think thank que também revela outro fato: “os militares em sua maioria não gostam dele ou não o respeitam.
Na entrevista ao Carta Capital, Mark Weisbrot também comenta sobre o Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) – movimento ativista internacional contra a violência direcionada aos afros que teve origem nos EUA em 2013 com o uso de hashtag correspondente nas mídias sociais, após a absolvição de George Zimmerman, um coordenador de vigilância de um condomínio-bairro que no ano anterior matou a tiros um indefeso adolescente negro de 17 anos que estava temporariamente hospedado lá.
O racismo de alguns americanos é incessante e difícil de ser controlado. Após o caso Zimmerman, o #Black Lives Matter evoluiu nacionalmente para manifestações de rua após outro caso semelhante em 2014, o que gerou distúrbios em Nova York. O movimento “pode ter sido o maior movimento de protesto na história dos EUA, com participação de até 25 milhões de ativistas“, diz Mark. Isso pode ter ou não impacto nas eleições, mas “é provável que seja significativo“, disse. Além disso, a escolha de uma vice negra, Kamala Harris, explora essa possibilidade pois, como diz o think thank, o Partido Republicano, de Trump, “sempre buscou usar apelos racistas mal disfarçados para conquistar os votos da classe trabalhadora branca” e suas recentes respostas hostis desde a morte de George Floyd destacou o racismo da legenda.
Finalmente, Mark comenta a influência das relações EUA-Brasil após as eleições americanas. Segundo o pensador, “Trump faz tudo o que pode para apoiar Bolsonaro” mas inclui o Brasil em políticas de colaboração antidemocráticas com governos da região, como no apoio ao golpe que obrigou Evo Morales a renunciar de seu mandato, acusado de fraude nas urnas, após ter vencido as últimas eleições da Bolívia.
Mark diz que toda essa cooperação deve “cessar imediatamente“.
“É importante ressaltar que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos desempenhou um papel importante nas investigações da Lavo Jato e na perseguição política e no golpe contra Dilma Rousseff, Lula e o Partido dos Trabalhadores”.“Integrantes do Congresso dos EUA exigiram que o Departamento de Justiça “explique o escopo de seu envolvimento no caso poluído e politizado contra o ex-presidente do Brasil Lula da Silva, e a ampla investigação de corrupção da Lava Jato”.“O governo Biden deve responder imediatamente a essas perguntas e divulgar todas as informações sobre o envolvimento do governo dos Estados Unidos na investigação, no golpe parlamentar e em quaisquer outras intervenções políticas contra o PT”.“Claro que por todas essas razões uma reeleição de Trump seria terrível para o Brasil, como para os Estados Unidos e o mundo”.
Mark Weisbrot

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