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sexta-feira, 19 de maio de 2017

POLÍTICA - Caso JBS.

Caso JBS mostra que investigar vem ao caso, sim. Por Mario Marona

somais
O que diferencia a delação da JBS de tudo o que aconteceu até hoje na Lava a Jato é o fato de que, pela primeira vez, ostensivamente, o país toma conhecimento de que a Polícia Federal pode agir como polícia de verdade – investigando sigilosamente, seguindo suspeitos, filmando crimes em flagrante.
Finalmente, vê-se uma PF buscando provas contra os suspeitos, em vez de refestelar-se preguiçosamente diante de delatores que acusariam a mãe para escapar da prisão em que são mantidos como reféns até que resolvam abrir o bico, pouco importando se estarão mentindo ou não.
Finalmente, o Ministério Público acusa sem precisar apoiar-se apenas em delações desesperadas, carentes de qualquer comprovação ou verossimilhança, além de documentos rasurados e sem assinatura, e-mails que nunca foram enviados ou projeções toscas de powerpoint.
Embora seja necessário provar, acima de qualquer dúvida razoável, que os acusados pela JBS cometeram os crimes de que são, ainda, apenas suspeitos, esta nova delação desmoraliza as acusações de ocasião da Odebrecht e da OAS. É possível que alguns dos acusados por essas duas empreiteiras sejam culpados, mas é inegável que, até agora, quase nada foi provado contra a maioria deles.
A nova delação rouba o protagonismo midiático e histriônico de Sérgio Moro, que, diante de uma inédita ação efetiva da polícia e do ministério público, fica identificado apenas pelo que ele mostrou ser até hoje: o juiz obcecado por um único réu. A delação da JBS retira de Moro o direito de usar para todos os investigados que não se chamem Lula o bordão “não vem ao caso”.
Vem ao caso, sim, e vem muito ao caso quando a polícia investiga e se esforça para reunir provas que amparem as acusações: subornos filmados, cédulas marcadas, chipes em malas e mochilas, agentes seguindo suspeitos. Tudo isto para apurar crimes que foram cometidos há menos de dois meses, quando a Lava a Jato fixava-se numa única direção e a pilantragem ainda corria solta longe dos olhos daquela região agrícola do Sul do país.
Que a nova prática encerre e era das acusações verbais cuja comprovação é impossível por falta de investigação e evidências materiais objetivas.
Basta de powerpoint. Basta de documento sem assinatura.Basta de emails secretos nunca enviados. Basta de vazamentos planejados apenas para alimentar obsessões do judiciário e da imprensa.
A imprensa sentiu o golpe, tanto quanto alguns dos acusados. Não passa de metáfora de uma corporação de editorialistas, colunistas e comentaristas de uma opinião só, mas pode-se dizer, em tom de brincadeira, que, diante de uma simples investigação de verdade, os mervais começam a abandonar o navio.
*Mário Marona é jornalista e publicou este texto em seu Facebook

quinta-feira, 18 de maio de 2017

POLÍTICA - Quem é o cara da lava jato que dá informação?

Gravação de Joesley Batista arromba Justiça e MP

temjoes
Divulgado precariamente pela Globonews,  – por isso não faço ainda a transcrição – o áudio da gravação da conversa de cúmplices entre Joesley Batista e Michel Temer tem coisas mais graves do que a mesada para Eduardo Cunha.
Joesley Batista diz, claramente, que “deu conta de  um juiz” e conseguiu “um procurador dentro da força tarefa, que tá, também tá me dando informação”.
Diante de um Temer condescendente.
Não escapa ninguém: Executivo, Judiciário e Ministério Público.
E Temer, que é apresentado a crimes e quando não silencia, , incentiva: “tem de continuar com isso”.
Isso, somado a indicação do deputado Rocha Loures para “resolver os problemas” da JBS r, logo em seguida, o indigitado cidadão ser filmado carregando malas de dinheiro é, no dito popular, “batom na cueca”.
É um caso, como chama a atenção hoje o Marcelo Auler, em seu blog, em tudo semelhante ao de Delcídio do Amaral, que foi preso em flagrante.
Reproduzo a transcrição – entrecortada – divulgada pela Folha:
BATISTA: Eu vou falar assim… Dentro do possível eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de uma pendência daqui pra ali, zerou, tal, tal. E ele [Cunha] foi firme em cima, ele já tava lá [na cadeia], veio, cobrou, tá, tá, tal, eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que tá aqui, né… O Geddel sempre tava…
TEMER: [inaudível]
BATISTA: Isso, isso. O Geddel é que andava sempre ali, também, com esse negócio, eu perdi o contato, ele virou investigado e agora eu não posso também encontrar ele.
TEMER: É, cuidado, tá complicado. [Inaudível] não parecer obstrução à Justiça. [inaudível]
BATISTA: Isso. Isso. Esse negócio dos vazamentos, o telefone lá do [inaudível] com Geddel, volta e meia citava uma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. Como é que eu… O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok?
TEMER: Tem que manter isso, viu? [inaudível]
BATISTA: [falando mais baixo] Todo mês…
TEMER: [inaudível]
BATISTA: Também. Eu tô segurando as pontas, tô indo. Meus processos, eu tô meio enrolado aqui, né [Brasília]. No processo, assim…
TEMER: [inaudível]
BATISTA: Isso, isso, é, é investigado. Não tenho ainda a denúncia [contra ele]. Aqui eu dei conta de um lado, o juiz, dar uma segurada, do outro lado, o juiz substituto, que é um cara que fica…. [inaudível] Tô segurando os dois. Consegui um procurador dentro da força tarefa, que tá, também tá me dando informação. E lá que eu tô para dar conta de trocar o procurador que tá atrás de mim. Ô, se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que se vem um cara com raiva, com não sei o quê…
TEMER: [inaudível] ajudando.
BATISTA: Tá me ajudando tá bom, beleza. Agora, o principal… O que tá me investigando. Eu consegui colar um [procurador] no grupo. Agora eu tô tentando trocar…
TEMER: O que tá… [inaudível].
BATISTA: Isso! Tamo nessa aí. Então tá meio assim, ele saiu de férias, até essa semana eu fiquei preocupado porque até saiu um burburinho de que iam trocar ele, não sei o quê, fico com medo. Eu tô só contando essa história para dizer que estou me defendendo aí, to me segurando. Os dois lá estão mantendo, tudo bem.

terça-feira, 12 de maio de 2015

POLÍTICA - Ela está quase virando petista.

Fonte: Blog Pragmatismo Político.

Por causa do ódio, Barbara Gancia está querendo “virar petista só de birra”


Barbara Gancia reagiu ao clima de ódio que se instaurou no Brasil. A jornalista da Folha e da Rádio BandNews, crítica confessa em diversos momentos das gestões petistas nos últimos doze anos, considera que o ódio e a demagogia ultrapassaram todos os limites no atual cenário político nacional.
“Esse ódio crescente e tão palpável ao PT quanto um transatlântico que jorra do coração dos “conservadoressauros” na direção daqueles que, juntos são milhões, mas não conseguem nunca acumular mais riqueza do que o famoso 1% dos ricos já deu”, escreveu.
A jornalista também ironizou a indignação seletiva dos propagadores do ódio. “E o problema lá de Furnas e do Aécio? Há uma montanha de coisas em estados de todas as mais variadas importâncias, está faltando dizer isso a quem, ao Papai Noel?”.


Leia a íntegra do texto de Barbara Gancia:


Não sou PT, nunca fui. Mas, só de birra, está começando a me dar vontade de deixar crescer uma barba e/ou a sibilar. O que vier com mais facilidade, eu mando ver.
Explico. Esse ódio crescente e tão palpável quanto um transatlântico que jorra do coração dos “conservadoressauros” na direção daqueles que, juntos são milhões, mas não conseguem nunca acumular mais riqueza do que o famoso 1% dos ricos já deu.
Pessoal alega que foi o Lula que começou a “luta de classes”, mas, sejamos sinceros, já se vendia carro blindado e já existia cadeia superlotada, rebelião na Febem, tiro na cara pra roubar Rolex na Oscar Freire bem antes de o Lula ir trabalhar na Villares.
Mas voltemos a essa gentalha pobre que incomoda.
Hoje, eles não só ocupam espaço e saem gritando no shopping em rituais primitivos chamados de rolezinhos, como passaram a ser identificados por “massa de manobra” ou “vagabundos que votam no PT pra ganhar Bolsa Família”.
Pois então, esse ódio que antes ficava lá contido, ele começa a mostrar a fuça. Seja lá pelo motivo que for. Não, eu não acho o Zé Dirceu santo e, sim, eu creio que, deixado livre para dispor do poder que tinha, ele teria realizado uma pequena revolução bolchevique a seu modo, por meio de uma reforma fiscal na surdina.
Se isso seria bem-vindo? Não creio, se fosse feito sem consultar a população e se não fosse à luz do dia.
Mas, voltemos à crua realidade do que temos em mãos, e não daquilo que poderia ter sido.
Agora que o PT e o Lula não metem mais medo no empresariado, o pessoal que costumava se restringir a frases econômicas como “eu voto na Arena” ou “eu votei no PSDB” começa finalmente a explicar melhor as razões pelas quais sempre teve como princípio nunca jamais nemfu votar num partido de esquerda.
Isso acontece porque a feroz desigualdade que impera no país impõe, digamos, “estilos de vida” deveras conflitantes.
Você se encontra de um lado ou do outro.
Se mora na periferia, não tira selfie com policial e não participa e panelaço contra nenhum político. Seja ele de que partido for, já que ninguém que está acima de você ou que você seja obrigado a chamar de “doutor” inspira confiança.
E se você não mora na periferia e tem a sorte de possuir um jogo de panelas para brincar de imitar o Cartel de Medellin na hora do jantar -ueba!- ou se se ufana de vestir a camisa do 7×1 pra cantar aquela musiquinha insossa, ” …com muito orgulho, com muito amor… Eu, sou…” … se você tira foto com polícia, se nenhum PM nunca olhou feio pra você, nunca arrastou seu irmão no meio da noite da cama em que ele dormia e o levou embora de camburão porque ele se parece muito com um traficante do bairro; se você acha que vence na vida quem estuda e trabalha e que todos nós podemos fazer isso -sem discriminar entre ricos e pobres-, sem essa de vitimização, já que basta olhar para os Estados Unidos ou, quem sabe, pra Índia onde há inúmeros exemplos de gente humilde que venceu sem recorrer ao crime, vai dizer que não há?
Parece então que o que nós temos é um problema imenso de comunicação entre duas populações distintas obrigadas a coexistir.
Trata-se de uma diferença de pontos de vista e de experiências de vida tão vultuosa, que acaba produzindo um mar de preconceito, indiferença, desconfiança, ignorância e desdém.
Seria lindo se fosse só isso. E olha que isso já seria uma catástrofe depois de 515 anos empreendendo esta nossa aventura civilizatória.
Mas provavelmente não é à toa que Pero Vaz de Caminha já tenha conseguido enfiar um pedido de emprego para um parente na sua famosa missiva, no primeiro episódio de nepotismo da história do nosso país, aos 10 minutos do primeiro tempo, naquele que depois viria a ser o paraíso da vantagem em benefício próprio e do desprezo pela coletividade, o bem maior e o interesse público.
Na minhas páginas nas redes sociais, todo dia tomo porrada (forte) de indivíduos que se auto intitulam “reaça” disto e “reaça” daquilo. Ontem um quadrúpede desses tentou me explicar que “reaça” e “esquerdista” são cosas equivalentes.
E é esse o pior dano que se está perpetrando ao eliminar sem dó nem piedade o PT da face da terra -como já se fez antes com Collor, Jânio, Vargas etc
Sem um lado de cá e uma oposição para contra balacear não existe possibilidade de haver uma fagulha que dê (re) início ao processo democrático.
Golbery do Couto e Silva, ministro chefe da Casa Civil de Geisel e Antônio Delfim Neto deram força para o surgimento de Lula como liderança sindical antevendo um futuro democrático de raiz bipartidária.
A despeito dos problema com a propaganda e o financiamento das campanhas políticas, sem o equilíbrio Labour/Tory, Democratas/Republicanos, Democrazia Cristiana/Partito Socialista não pode haver nem sequer esboço de arremedo de fiofó de burro de democracia pra inglês ver.
Já não são bem tolerados no país fenômenos que nós não captamos, temos trauma ou consideramos (vá entender) démodé.
“Conservador” por exemplo, é algo que desce mal para o brasileiro. Em outras sociedades, o termo tem vários significados. Estritamente na política, sinaliza que o camarada é a favor de menos interferência do Estado na economia, da valorização dos direitos do indivíduo e da não interferência de instituições como a igreja ou quaisquer outras na vida privada. Soa como uma descrição da filosofia do Bolsnaro ou do Tuminha pra você? Pois é, pra mim também não. E Serra, exilado do regime militar e Dilma, presa política da mesma turma, trocarem gentilezas com antigos algozes e fazerem alianças que ultrapassam qualquer limite de vergonha na cara com o inimigo de ontem, faz sentido?
Não será talvez por esse tipo de “licença poética” que o sonho de um Estado democrático está naufragando e, mais uma vez, grileiros, corruptores manjadíssimos, patrocinadores de candidatos marionetes, falsos profetas, contrabandistas, pilhadores e gente que usa o governo como mero entreposto para seus fantásticos negócios está vencendo a parada novamente e pela undécima vez?
Faz sentido ainda não ter sido julgado o mensalão mineiro? Faz sentido os senhores Renan e Cunha ainda estarem lá firmes e fortes? Reafirmo: não sou petista, nunca fui, e nem me julgo particularmente de esquerda.
Mas esse desequilíbrio é indicação grave de golpe branco em andamento, treta por baixo do pano, arranjo de que tipo não se sabe, mas coisa boa dali não sai.
Ou por bem julgam tantos deste lado e também do outro e medimos forças e o país sai lambendo suas feridas, ou anistiamos a todos e vai todo mundo fritar pastel.
Esta caça às bruxas, em que o camarada está se transformando em milícia odiosa que sai à caça do “inimigo” na internet e no boteco da esquina do escritório, e acusa quem quer que lhe dê na telha de bandido e ladrão e filho e um égua só porque o outro (que até ontem era seu amigão) não compartilha de sua ideologia começa a se parecer demais com a Alemanha de Hitler circa 1934.
Cadê o Renan, gente, lembra do processo cabeludo que caiu naquela cabeça cheia de fio implantado por conta de um caso extraconjugal?
E o envolvimento dele no Petrolão, não há nada ainda? Claro que há, em abundância. Só não vê e não mostra quem não quer!
E o problema lá de Furnas e do Aécio? Há uma montanha de coisas em estados de todas as mais variadas importâncias, está faltando dizer isso a quem, ao Papai Noel? Sim, porque ao papa, pode crer, sendo argentino e odiando a Kirchner como odeia, a esta altura, ele já está ao par de tudo.
E o Sarney, onde andará, por sinal? Lembra quando o Lula dizia que ele até não era de todo mau e que nós devíamos respeitar a experiência que o bigode tinha acumulado nestes anos todos?
Pois não é que, depois que ele desapareceu, eles deram um jeito de cobrir com uma lona.
Agora virou circo de verdade, completinho.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

POLÍTICA - Denegrir e propagar o pessimismo.

Marilza De Melo Foucher
MARILZA DE MELO FOUCHER
Diante do cenário externo da situação global da economia, o desenvolvimento brasileiro não é dos piores. Por esta razão, é difícil entender o comportamento dos analistas econômicos brasileiros em geral
A situação econômica no Brasil logicamente não é da mais brilhante neste ano eleitoral, todavia, analisar somente a utilização de um único dado econômico, por exemplo, a baixa da taxa de crescimento do PIB, não reflete a realidade global de um país. O PIB é um indicador econômico controverso, ele mede a renda, mas não a sua distribuição, o crescimento, mas não a sua destruição, e não leva em conta fatores como a coesão social e o meio ambiente. Um país pode crescer economicamente e manter o nível de desigualdade na distribuição de riquezas e de acesso ao bem comum. O desenvolvimento de um país deve conciliar a inclusão social com a estabilidade econômica e a proteção ambiental. Devemos ver a economia como uma visão macroeconômica para o desenvolvimento inclusivo. Uma economia deve estar em harmonia com a sociedade e o mundo em que vivemos. Uma política econômica deve impulsionar o crescimento de forma sustentável, mais ecológica, capaz de criar postos de trabalho, capaz de reduzir a pobreza, e repartir melhor suas riquezas. Nesse sentido, o Brasil prosperou com relação a muitos países, pois, apesar de um contexto mundial difícil, o Brasil continuou criando empregos e tendo uma melhor inclusão social. Em todo o período Lula-Dilma, até maio de 2014, o Brasil gerou 20,4 milhões de novos empregos. Um dado ilustrativo é que de 2003 até hoje, a renda do trabalhador cresceu 70% acima da inflação.
O Bolsa Família, tão criticado pelos articulistas econômicos e pela oposição, é um programa citado como exemplo de política pública que tem combatido a pobreza com efetividade. "Constitui um piso de proteção social", como afirmou Jorge Chedieki, chefe do escritório do PNUD em Brasília.

No Relatório de Desenvolvimento Humano de 2014 (PNUD), que traz os dados do IDH de 2013, o Brasil figura de novo no grupo dos países com desenvolvimento humano 'alto', a segunda entre quatro categorias definidas pelo PNUD. Logicamente, ainda faltam serviços públicos de melhor qualidade e as desigualdades regionais e sociais ainda persistem. Só não se pode negar é que esforços não tenham sido feito nesse sentido. Para isto basta analisar a evolução dos programas sociais implantados nessa ultima década. O orçamento destinado à educação em 2002 era R$ 18 bilhões e hoje chega a R$ 112 bilhões.
Se levarmos em conta também a crise financeira sem precedente desde 2008, o Brasil tem resistido melhor, por exemplo, que muitos países europeus, que optaram pela receita da austeridade. Os governos de Lula e Dilma optaram por outro caminho. Enquanto a crise econômica internacional fez a política social em diversos países regredir, como se constata na União Europeia, o Brasil preservou sua capacidade de investimento, e manteve salvo os empregos de milhões de brasileiros. O governo brasileiro conseguiu manter as melhorias para as camadas mais pobres da população e, ao mesmo tempo, preservou a estabilidade macroeconômica. O aumento do nível do investimento e do gasto público e a ampliação do crédito em plena crise foram determinantes no enfrentamento da crise mundial.
A política adotada na Europa pelos governos atualmente mais conservadores foi de adotar medidas drásticas para diminuir as despesas publicas reduzindo os custos sociais, desregulando o mundo do trabalho, limitando os direitos dos trabalhadores. Além de medidas fiscais regressivas que só beneficiam o grande capital. Essas medidas levaram as nações europeias a bater recorde de números do desemprego jovem. Hoje a Europa tem uma juventude candidata a uma pobreza de longo prazo. O poder aquisitivo dos europeus não para de diminuir. No mais, a política de austeridade não teve resultado almejado e provocou um débil crescimento econômico. Hoje esta política coloca em perigo o modelo social europeu que muitos países do mundo invejavam. Anteriormente os governos europeus conseguiam conciliar o desenvolvimento econômico com a questão social. Hoje na União Europeia, a morosidade e pessimismo é a regra, muitos países estão em recessão, como a Holanda, Portugal, Estônia, Portugal, Chipre, Finlândia, Grécia. A França provavelmente com crescimento negativo entrara também no rol dos países em recessão. A taxa de desemprego na zona euro é de 12% em 2014 e 11,7% em 2015. A zona do Euro atravessa uma fase de baixo crescimento da produtividade, o impacto do desemprego de longa duração e um futuro não assegurado para os jovens, hoje mercado de trabalho é inadequado para absorver a massa de desempregados (...).
As cicatrizes sociais da crise estão longe de serem apagadas. Mesmo que a Alemanha seja apresentada com certo dinamismo econômico, a taxa de desemprego é de quase 7%. O emérito Professor Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia e ex-economista-chefe do Banco Mundial, disse que gostaria que a chanceler Angela Merkel pudesse entender que a austeridade enfraquece a economia. Ele aumenta o desemprego, reduz salários e aprofunda as desigualdades. "Não há nenhum exemplo de uma grande economia em que a austeridade permitiu a retomada do crescimento." Outro economista, o francês Guillaume Duval, da Revista Alternativa econômica, chama atenção sobre a o aumento da precariedade do trabalho na Alemanha especialmente com relação ao emprego dos jovens, e ele diz que as necessidades da indústria alemã são perenes e ela aproveita da crise econômica nos países do sul da Europa para empregar uma mão de obra barata dos jovens migrantes. Os funcionários do Sul demitidos e os jovens sem trabalho são bem-vindos na Alemanha de Ângela Merkel. Como um todo, a zona do Euro tem visto o seu produto interno bruto (PIB) se estagnar no segundo trimestre, depois de ter subido apenas 0,2% no trimestre anterior, de acordo com o Eurostat estatísticas escritório da UE.
Diante do cenário externo da situação global da economia, o desenvolvimento brasileiro não é dos piores. Por esta razão, é difícil entender o comportamento dos analistas econômicos brasileiros em geral, ligados aos grupos econômicos e aos políticos da direita conservadora. Eles buscam traçar um quadro funesto para a economia do Brasil sem analisar a repercussão que teve a crise do capitalismo financeiro que abalou os países ditos desenvolvidos.
Por que as políticas implementadas pela União Europeia não deram resultados? Por que não comparar os dados em função da realidade enfrentada pelo governo brasileiro?
Durante sete anos (2008-2014) esses analistas econômicos, articulistas neoliberais, buscam criar um clima de pânico para prejudicar o ambiente econômico no Brasil. Assim, há um certo tempo eles decidiram criar uma estratégia de comunicação para alimentar uma campanha internacional visando deteriorar a imagem positiva do Brasil ao mesmo tempo em que tentam provocar no plano interno um pessimismo geral na nação. A pergunta é: quem sai perdendo, se não o próprio Brasil? Fica claro que eles querem mesmo deprimir a economia para afastar os investidores e com isto, embaraçar a política do governo, e no final derrubá-lo. Agem de modo irresponsável para prejudicar o interesse nacional, tudo isto devido ao ódio que eles têm pelo Partido dos Trabalhadores. Não há duvidas que a alta classe média e rica do qual eles pertencem foram as que mais usufruíram do êxito das políticas econômicas dos governos de Lula e Dilma.
Eles sabem e têm consciência que o pessimismo e a desconfiança são os melhores promotores de um clima coletivo de impotência e desânimo. Quando o pessimismo se instala, os efeitos da crise econômica são reforçados e, indiretamente, influenciam nos fatores de crescimento. Esta tem sido a arma que eles vêm utilizando: disseminam o pessimismo como arma para ganhar o poder executivo nas próximas eleições. Vale ressaltar que eles já detêm o monopólio do quarto poder no Brasil.
O Presidente Lula entendeu perfeitamente que a população brasileira estava com uma visão pessimista do futuro, ele soube injetar otimismo e enfrentar a crise econômica. Lula falava muito de auto-estima e conseguiu levantar a moral dos pessimistas e ganhar confiança para o enfretamento da crise mundial. Luis Lula da Silva é um otimista por natureza, assim como a Presidente Dilma, logicamente, com uma diferença: é que a Presidente Dilma é menos expansiva. De fato, o otimismo é uma qualidade que permite perceber o mundo de uma forma positiva, este fator psicológico não deve ser negligenciado no contexto empresarial e econômico. O grande economista Keynes quando defendia o papel do Estado na economia, ele falava dos mecanismos psicológicos necessários para evitar o medo do futuro e de tomada de riscos. Daí a importância da presença do Estado para garantir um clima de confiança na relação de investimentos publico e privado.
Foi assim que os governos do diabólico PT tão odiado pela elite brasileira e seus aliados conseguiram evitar que a catástrofe causada pela crise financeira devastasse o Brasil. Desde 2008 o mundo global vive um clima de tensão econômica e social. O Governo Lula e Dilma, conseguiram uma boa administração da crise econômica e agiram sem precipitação. Mudaram o funcionamento da diplomacia brasileira e conseguiram forjar uma estratégia internacional de participação e não de submissão às regras multilaterais da governança mundial. Eles criaram uma correlação de forças favoráveis ao Brasil, com muita tática e esforços sanearam grande parte da divida publica e privada deixada por Fernando Henrique. Eles criaram credibilidade internacional, aumentaram as reservas monetárias, possibilitando uma governabilidade capaz de promover a inclusão social. O pior já passou e hoje o Brasil pode reunir condições para garantir uma política interna mais condizente com os anseios de seu povo. A presidente Dilma é a melhor preparada para dar continuidade a esse processo de construir um Brasil mais justo.
A arma dos brasileiros é de continuar o otimismo, confiar no futuro do Brasil, e não se deixar contagiar pelo vírus do pessimismo. Ao propagar o vírus do pessimismo os adversários de um Brasil para todos, estão visando apenas conquistar o poder em beneficio de uma corrente ideológica responsável pela atual crise mundial.