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domingo, 5 de janeiro de 2020

IRÃ - Declaração de guerra ao Irã.

Os EUA dão o pontapé inicial nos loucos anos 20 declarando guerra ao Irã

Jornalista Pepe Escobar afirma que "não importa de onde veio o sinal verde" para o ataque que partiu dos EUA e assassinou dois líderes do Irã e do Iraque. "Trata-se de um ato de guerra. Unilateral, não-provocado e ilegal" e que a resposta do Irã "será uma retaliação de milhares de pequenos talhos"
(Foto: Reuters)
 
Por Pepe Escobar, em Palermo, Sicília - Especial para o Consortium News  
Tradução de Patricia Zimbres, para o 247
Não importa de onde veio o sinal verde para o assassinato que teve como alvo o comandante da Força Quds, o Major- General Qassem Soleimani, e o segundo no comando do Hashd al-Shaabi, Abu Madhi al-Muhandis, em Bagdá.
Trata-se de um ato de guerra. Unilateral, não-provocado e ilegal. 
O presidente Donald Trump talvez tenha dado a ordem. O Deep State dos EUA pode ter ordenado que ele desse a ordem. Ou os suspeitos de sempre podem ter dado a ordem a todos eles. 
Segundo minhas melhores fontes de informação no Sudoeste Asiático, "Israel deu aos Estados Unidos as coordenadas para o assassinato de Qassem Soleimani, já que eles queriam evitar as repercussões de assumirem eles mesmos o assassinato".
Não importa que Trump e o Deep State estejam em guerra entre si.
Uma das poucas obsessões geopolíticas que os une é o confronto ininterrupto com o Irã – qualificado pelo Pentágono como uma das cinco maiores ameaças aos EUA, quase que no mesmo nível que a Rússia e a China. 
E não pode haver uma provocação mais estarrecedora contra o Irã - em uma longa lista de sanções e provocações - do que isso que acaba de acontecer em Bagdá. O Iraque é agora o campo de batalha escolhido para uma guerra por procuração contra o Irã, que agora pode se metastizar em guerra quente, com consequências devastadoras.  
Nós sabíamos que  isso estava por vir. Havia rumores suficientes na mídia israelense partindo de ex-militares ou de agentes da Mossad. Houve ameaças explícitas do Pentágono. Discuti esse assunto em grande detalhe na semana passada  na Úmbria com o excepcional analista Alastair Crooke – que se mostrou extremamente preocupado. Recebi também mensagens preocupadas do Irã. 
A inevitável escalada por parte de Washington estava sendo discutida tarde da noite, na quinta-feira, aqui em Palermo, por sinal poucas horas antes do ataque. (A Sicília, aliás, na terminologia dos generais estadunidenses é AMGOT: American Government Occupied Territory - Território Ocupado pelo Governo dos Estados Unidos).
Mais uma vez, as mãos excepcionalistas mostram o quanto são previsíveis. Trump está encurralado por um impeachment. O Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu foi indiciado. Nada como uma "ameaça" externa para reagrupar as tropas internas. 
O Líder Supremo Ayatollah Khamenei conhece essas variáveis complexas tão bem quanto conhece sua responsabilidade como o poder que definiu as linhas vermelhas do próprio Irã.  Não é de surpreender que ele já tenha anunciado oficialmente que haverá retaliação: "uma vingança enérgica espera pelos criminosos que têm nas mãos o sangue dele e o sangue dos outros mártires que pereceram ontem à noite". Esperem que seja muito doloroso.  
Qasem Soleimani (esquerda) com Abu Mahdi al-Muhandis (direita) em uma cerimônia de 2017 em homenagem ao pai de Soleimani, em Mossala, Teerã. (Fars News Agency, CC BY 4.0, Wikimedia Commons)
Retaliação por Mil Talhos 
Encontrei-me com al-Muhandis em Bagdá há dois anos — e também com muitos membros do Hashd al-Shaabi. Aqui segue a  matéria completa. O Deep State tem verdadeiro pavor de que o Hashd al-Shaabi (Forças Populares de Mobilização), uma organização de base, esteja a caminho de se transformar em um novo Hezbollah, e tão poderoso quanto o Hezbollah. O Grande Ayatollah Sistani, a autoridade religiosa suprema do Iraque, e universalmente respeitado, dá pleno apoio a eles.
De modo que o ataque norte-americano também atinge Sistani — para não mencionar o fato de que o Hash al-Shaabi opera segundo as diretrizes traçadas pelo primeiro-ministro iraquiano Abdel Mahdi. Esse é um erro estratégico colossal, que só poderia ser obra de amadores. 
O major-general Soleimani, é claro, humilhou repetidamente a totalidade do Deep State - e, como estrategista militar, poderia comê-los todos no café da manhã, no almoço e no jantar. Foi Soleimani quem derrotou o ISIS/Daesh no Iraque - e não os Estados Unidos bombardeando Raqqa até reduzi-la a pó. Soleimani é um super-herói de estatura quase mítica para legiões de jovens apoiadores do Hezbollah, para os Houthis do Yêmen, para todas as cepas de combatentes de resistência tanto no Iraque quanto na Síria e os do Jihad Islâmico da Palestina, e por todas as latitudes do Sul Global, da África, da Ásia e da América Latina. 
Não há a menor possibilidade de os Estados Unidos virem a manter tropas do Iraque, a não ser que o país seja reocupado em massa com um banho de sangue. E esqueçam-se da "segurança": nenhuma autoridade do império nem força militar imperial estão agora seguros, seja onde for, do Levante à Mesopotâmia e ao Golfo Pérsico.  
A única  qualidade redentora dessa mistura de colossal erro estratégico e declaração de guerra talvez seja que ela represente o prego final no caixão do capítulo das bases do Império Norte-Americano no Sudoeste Asiático. O primeiro-ministro iraniano Javad Zarif veio com uma metáfora apropriada: a "árvore da resistência" continuará a crescer. É bem possível que o Império tenha que dar adeus ao Sudoeste Asiático.  
No curto prazo, Teerã será extremamente cuidadosa em suas reações. Uma pista das coisas - excruciantes - que estão por vir: será uma retaliação de milhares de pequenos talhos. Como atingir a estrutura - e a mentalidade - excepcionalista onde realmente dói. É assim que os Loucos e Crepitantes Anos 20 começam: não com um estrondo, mas com a soltura dos lamurientos cães de guerra.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

IRÃ - Resistência do povo na defesa de sua soberania.


A revolução iraniana e as mensagens enviadas ao mundo

Já que estamos todos falando, diuturnamente, de petróleo e Petrobras, falemos hoje de um país petroleiro, o Irã, que neste dia 11 de fevereiro festeja os 36 anos de sua Revolução, comemorada com gosto de resistência daquele povo na defesa de sua soberania.

* Por Beto Almeida


Tasnim
Iranianos marcham para comemorar a Revolução Islâmica, com fotos do líder supremo aiatolá Ali Khamenei e o falecido líder da revolução, aitolá Ruhollah Khomeini. Iranianos marcham para comemorar a Revolução Islâmica, com fotos do líder supremo aiatolá Ali Khamenei e o falecido líder da revolução, aitolá Ruhollah Khomeini.
Pelo que envia mensagens importantes a todos os países, mas muito especialmente ao Brasil, também ameaçado, em razão, entre outras, da grandeza dos mananciais petrolíferas que possui e da importante, eficiente e potente empresa estatal petroleira que construiu.

Tal como o Irã , em 1953, alvo de um golpe de estado patrocinado pelo imperialismo inglês que veio a derrubar o presidente Mossadeg, um nacionalista que corajosamente havia nacionalizado o petróleo iraniano, também o Brasil veio a sofrer, em 1954, um ano após a criação da Petrobrás, um processo de desestabilização golpista que levou à morte o igualmente nacionalista e popular presidente Getúlio Vargas. Tal como ocorreu no Irã, o imperialismo também não aceitou, nem respeitou a soberana decisão do povo brasileiro que, por meio de uma campanha de popular “O petróleo é nosso!”, que uniu militares, trabalhadores, estudantes e donas de casa, e, nas ruas, conquistou a criação da Petrobrás, sancionada por Vargas em outubro de 1953. Essa mesma mídia que hoje afirma que a Petrobrás precisa ser privatizada, que não tem sentido a presença da estatal na exploração e produção do petróleo pré-sal, é a mesma mídia que dizia, em 1953, que Vargas era louco por “criar uma empresa de petróleo num país que não o possui”.

É esta mesma mídia, teleguiada pelas grandes corporações internacionais, que busca desconstituir a imagem da grande Nação Persa que ora, sob vento e tempestade , envia ao mundo a suprema mensagem de ter sido capaz de resistir por 36 anos às mais sórdidas agressões, sabotagens, sanções e boicotes praticados pelos países imperiais derrotados com a nacionalização do petróleo iraniano, uma das primeiras decisões da Revolução de 11 de fevereiro de 1979.

Mesquitas e revolução
Aquela revolução surpreendeu o mundo por seu enraizamento popular, convocando homens, mulheres, transformando criativamente e inteligentemente as mesquitas, além de local sagrado para as preces, também em sagrado local para cultuar a libertação, para projetar a transformação, para sonhar e organizar a independência. Tal como Chávez e seu movimento bolivariano e os Capitães da Revolução dos Cravos em Portugal transformaram os quartéis em espaços libertários, também o povo persa enriqueceu as mesquitas como local de conquistar o futuro.

Hoje o futuro chegou para a Nação Persa. A indústria petroleira iraniana é totalmente nacionalizada. Aqui começam as mensagens que a Revolução Iraniana, nos seus 36 anos de edificação e resistência, envia ao mundo, particularmente ao Brasil, que viu uma tenebrosa transação desnacionalizar boa parte das ações da Petrobrás, a preços indecentemente desvalorizados, na Bolsa de Nova York, em 1997. O Irã prova que é possível resistir e que mesmo agredido, cercado, sabotado, sancionado, pode-se avançar, progredir e ter uma indústria de petróleo sem um único técnico que não seja iraniano (antes de 1979, os técnicos eram ingleses em sua maioria), além de possuir uma importantíssima capacidade de refino.

Como esta mídia que está tentando demolir a Petrobrás e também o governo que ampliou sua presença na economia petroleira não informa, vale dizer que a refinaria de Shazand, próxima à cidade de Arak, será a primeira no Irã com capacidade de processar 4 mil barris diários, convertendo mais de 90% do óleo cru que recebe em gasolina, gás liquefeito, propano, querosene, diesel , óleo e alcatrão. A maior do mundo! É impossível não notar o contraste desta informação com declaração da ex-presidente da Petrobrás, Graça Foster, de que a estatal brasileira não teria condições de construir sozinha, ou seja, sem capital externo, novas refinarias, propagando com isto uma nuvem de dúvidas e interrogações. Se o Brasil é a quinta ou sexta economia do mundo e não tem capacidade para construir novas refinarias, como é que o Irã que nacionalizou praticamente toda sua economia petroleira tem? Esta seria apenas uma delas, claro...

Quem é a ameaça?
Nestes 36 anos, o Irã realizou regularmente 8 eleições presidenciais pelo voto direto. Os EUA, nenhuma! O Iran não atacou, não agrediu, não invadiu nenhum país em todo este período. Já os EUA intervieram militarmente em Granada, Panamá, Somália, Iraque, Afeganistão, Líbia, apoiam oficialmente a agressão contra a Síria, apoiam a ação imperialista da França contra o Mali, apoiam as sanguinárias intervenções militares de Israel contra a Palestina, contra o Líbano (onde foi derrotado), instalaram prisões e centros de tortura em 54 países do mundo e mantiveram o bloqueio ilegal contra Cuba. Mas, graças ao controle do fluxo midiático internacional, uma avalanche diária de mentiras apregoa que o Irã é supostamente uma ditadura, um perigo para a humanidade, inclusive por pretender ter acesso pleno ao desenvolvimento da tecnologia nuclear. Afinal, os EUA não têm tecnologia nuclear e não foi o único país a usar a bomba atômica contra o povo japonês, no maior atentado terrorista registrado na era moderna?

As mensagens iranianas ao mundo, e ao Brasil, não param por aí. A primeira reação dos EUA ante a Revolução Iraniana foi bloquear os depósitos bancários do Irã, de 100 bilhões de dólares, nos bancos internacionais. Obviamente, uma ilegalidade, mas esses países são apresentados como “democráticos”, enquanto o Irã é que estaria fora da legalidade por nacionalizar seu petróleo, escolher seu próprio caminho, realizar eleições diretas em todos os níveis, o que era proibido na ditadura do Xá Reza Pahlevi, apoiado pelo imperialismo anglo-saxônico.

Comparemos: desde os anos 50, na Era Vargas, o Brasil possui um programa nuclear, pelo qual teve sequestradas, por comandos militares dos EUA , em pleno porto de Hamburgo, as centrífugas que importara da Alemanha. O Irã, na época do Xá, recebia apoio para desenvolver seu programa nuclear, com apoio da Inglaterra e dos EUA. Após a Revolução Iraniana, estes países imperiais comandaram a imposição de sanções contra o Irã por pretender ter pleno acesso a esta tecnologia nuclear. Hipocrisia sem limites, com apoio da mídia que rotula a nação persa como ameaça, quando na realidade, quem sempre esteve e continua envolvido em guerras e em intervenções militares ilegais sobre outros povos são os EUA e a Inglaterra.

Sabotagens

Desde os anos 60 o Brasil possui um Programa Espacial, mas ele andou muito devagar nestas 5 décadas, apesar das enormes vantagens comparativas para desenvolvermos, na base de Alcântara, intensa atividade espacial. Para esta lentidão concorre, conforme já denunciou o Wikelikis, sabotagens especialmente organizadas pelos EUA contra o nosso programa espacial. Assim, enquanto até hoje estamos sem um esclarecimento cabal acerca da estranhíssima explosão em Alcântara que, no primeiro ano do governo Lula, matou os mais experimentados técnicos do Programa Espacial Brasileiro, o Irã já lançou sua primeira nave tripulada ao espaço sideral, toda a tecnologia é nacional, apesar do boicote imposto, das agressões militares constantes, das sanções econômicas, que proíbem aos persas, por exemplo, acesso a peças de reposição para sua indústria aeronáutica, ferroviária etc.

Qualquer discussão em torno da experiência iraniana é sempre motivo para um dilúvio de preconceitos e desinformações, além de acusações completamente estapafúrdias. As mulheres iranianas são apresentadas pela mídia ocidental como se fossem culturalmente atrasadas, reprimidas, sem protagonismo social, quando as estatísticas indicam que elas ocupam posição majoritária nas profissões mais especializadas, tais como medicina, engenharia espacial, indústria de medicamentos. Mas isso nunca é revelado, tampouco que a decisão de manter o uso do chador (véu), foi adotada em plebiscito nacional por mais de 90% dos votos. Trata-se de uma cultura, um costume milenar.

Intolerância

Tenta-se apresentar o regime iraniano como o mais brutal, o mais cruel, o mais intolerante, sobretudo com relação às mulheres e aos homossexuais. Mas, aqui mesmo no Brasil há estatísticas estarrecedores indicando o assassinato de pelo menos um homossexual por dia, mulheres idem, e de mais de 50 mil jovens negros e pobres por ano, uma estatística de guerra. Reflitamos, também, sobre o assassinato e violação aos direitos dos negros e hispânicos nos EUA, país possuidor da maior população carcerária do mundo. Reflitamos sobre a brutalidade, a crueldade, a intolerância dos EUA contra o povo vietnamita, iraquiano, panamenho. Reflitamos sobre a brutalidade e a intolerância da “democrática” França contra o povo da Argélia, onde deixou pelo menos 1 milhão de mortos! Reflitamos sobre crueldade e intolerância à luz das estatísticas que apontam que quase metade da população carcerária na França é de emigrantes, dos quais, metade é de muçulmanos!

Crescer sob ataque, sob sanções
O que não se informa é sobre o reduzido índice de analfabetos no Irã, sobre indicadores muito baixos de mortalidade infantil, além de ser possuidor de um cinema de altíssima qualidade, premiado no mundo inteiro, cinema estatal que reflete sobre os principais problemas da sociedade persa, dotado de tocante grau de humanismo na abordagem dos temas, sem concessões apelativas ao sensacionalismo rebaixado que se nota em outras partes. Assim como tem intensa atividade cinematográfica nacional, possui também indústria bélica moderníssima, com tecnologia totalmente nacional, única opção que lhe restou quando o país sofreu o boicote imperial e, depois, teve que defender-se da guerra lançada pelo Iraque, por 8 anos, quando Saddam Hussein era manipulado por Donald Rumsfeld., ex-secretário de defesa de Bush, aquele que depois disse que era preciso invadir o Iraque porque lá havia armas de destruição em massa, jamais comprovado.O Irã venceu a guerra.O Iraque foi invadido pelo seu antigo apoiador....

Imagine se um país como o Irã, com a tremenda riqueza petroleira que possui, não tivesse sido capaz - graças ao impulso de sua revolução, que mobilizou o melhor da energia de sua juventude- de desenvolver uma extraordinária capacidade de defesa que, além de defender o povo persa, defende como política de estado a Causa Palestina, tendo se transformado em um dos principais aliados da Síria? A reflexão é desconcertante para o Brasil que viu sua indústria bélica ser desmantelada sem resistência, juntamente com a internacionalização de sua telefonia, mineração, indústria de seguros e resseguros, medicamentos, fertilizantes, além da indústria naval e aeronáutica. Só agora, graças à mudança de rumo dos últimos 12 anos, com Lula, a indústria naval retoma novamente o caminho do desenvolvimento para voltar a ocupar, em breve, a posição de ser uma das maiores do mundo.

Aposentando o dólar
Finalmente, a mensagem da política econômica e financeira do Irã. O país tem desenvolvido intensos e expansivos acordos econômicos e militares com a Rússia e a China, com a qual já comercializa petróleo e gás sem a presença de dólar, o que fortalece a soberania financeira da nação persa. O Irã é um verdadeiro eixo na região e tanto o Iraque como a Síria mantêm com os persas relações econômicas, políticas e militares de alto nível.

Certamente, o processo sofre tensões internas, sofre sabotagens externas, registra avanços e detenções, linhas políticas por vezes injustificavelmente esperançosas, como a tentativa de um acordo nuclear com os países que são potências nucleares e , simplesmente, não querem admitir que o seleto e fechado clube abra suas portas para uma nação com tamanha independência frente aos ditames imperiais de qualquer tipo.

Unidade anti-imperialista
Nesses 36 anos, o desfile de comemoração, que normalmente registra presença de mais de 6 milhões de pessoas em Teerã, foi precedido de uma inesperada tentativa do prefeito da capital persa de vetar a sua realização.. O que teria levado o ex-presidente Mahmud Ahmadinejad, amigo de Chávez, de Lula e de Evo Morales, a publicar um contundente artigo intitulado “Por que fizemos a revolução?” Não sem tensões, a manifestação foi convocada e liberada, apesar de intenções e vontades contrárias à sua realização. Uma tensão que pode estar sinalizando que mudanças políticas podem estar em curso. Não sendo cogitada nenhuma medida que não seja para consolidar o ideal revolucionário vitorioso há 36 anos, sob a liderança do Aiatolá Khomeini, que continua a lançar mensagens instigantes e encorajadoras ao mundo, especialmente às nações que percebem a urgente necessidade de formar uma ampla aliança de povos e países que comungam do ideal anti-imperialista, já que são visíveis as ações imperiais montadas como ameaças à humanidade e seu futuro!

* Beto Almeida é jornalista, membro do Diretório da Telesur

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

IRÃ - Não invadam o Irã.

do BLOG DO BOURDOUKAN


A mídia repercute que a campanha de Obama arrecadou 29 milhões de dólares.

Bobagem.

Só dos Emirados e Arábia Saudita já foram canalizados mais de 300 milhões de dólares para a campanha do invasor da Líbia e Premio Nobel da Paz.

E se a campanha de Hussein deslanchar, não haverá espaço no cofre para as novas contribuições.

Isso a mídia ignora, assim como também ignora que toda cidade líbia, depois da “libertação”, passou a ter uma masmorra com as últimas tecnologias em torturas.

É o preço que os Estados Unidos e seus mini-poodles cobram para levar a "democracia" para o país de Aníbal.

Outra informação que a mídia não cansa de repercutir ( ao que tudo indica, hoje o setor que mais trabalha na mídia é o de marqueting) é o “conselho” dos Estados Unidos e vassalos a Israel.

Não invadam o Iran, agora não é o momento.

Ha dois significados nessa solicitação, que também a mídia não consegue analisar.

A primeira é que, se Israel invadir o Iran e não tiver o apoio dos Estados Unidos e OTAN corre o risco de ser varrido do mapa.

A segunda significa que EUA e OTAN não estão em condições de enfrentar a China no momento. Primeiro eles precisam invadir e ocupar a Síria. E mais tarde o Iran para deixar o caminho livre.

Resta saber se os malucos que governam Israel vão obedecer ou não.

O tempo dirá.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

IRÃ - Guerra psicológica: a forma habitual de começar uma guerra.

Do blog "Democracia&Política"

Netanyahu (Bibi), de Israel, "orienta" Obama para atacar o Irã (o governo e o congresso dos EUA são controlados pelo lobby judeu)

“Os tambores da guerra contra o Irã troam fortemente depois do extenso artigo publicado no domingo passado (29) no ‘New York Times’ pelo jornalista israelense Ronen Bergman. É um dos jornalistas de seu país com maior acesso aos serviços de inteligência e às altas esferas do governo.

Por Iñigo Sáenz de Ugarte no blog “Guerra Eterna”

Em nenhum momento no texto aparece uma fonte, mesmo que anônima, afirmando que a decisão de bombardear o Irã para deter seu programa nuclear já está tomada. É o próprio Bergman que diz, ao final, que ele crê que haverá o ataque este ano. Em sua opinião, a maioria dos dirigentes israelenses estão convencidos de que se dão os três fatores que justificam esse passo (tal e como são apresentados pelo ministro da Defesa, Ehud Barak): capacidade militar para assestar um golpe decisivo, apoio dos Estados Unidos e necessidade imperiosa por fracassarem as demais tentativas de frear Teerã.

Contudo, o artigo também inclui a opinião contrária de Meir Dagan, diretor do Mossad entre 2002 e 2011. Dagan defende que a campanha de sabotagens promovida pelo serviço secreto teve o êxito esperado e que uma campanha de bombardeios pode não eliminar o programa nuclear.

Por que foram publicados esse e outros artigos similares nas últimas semanas? Há um intento de preparar a opinião pública israelense para uma das decisões mais dramáticas que seu governo pode tomar. Bergman admite que a sociedade israelense vive momento de alarme diante do temor de que as represálias iranianas alcancem o território do país. Não falamos de atentados terroristas contra embaixadas israelenses em lugares distantes, mas do perigo de uma chuva de mísseis a partir do próprio Irã ou do Líbano. O governo tem que fazer ver a seus compatriotas que o ataque é a única alternativa que pode impedir que Teerã termine [imitando Israel e] fabricando a bomba nuclear.

Ao mesmo tempo, os anúncios velados ou diretos que surgem de Israel servem para aumentar a pressão sobre os EUA e a Europa na intensificação das sanções contra o Irã. As possibilidades de ir mais longe na ONU ficaram reduzidas a nada por causa da atitude da China, o que não impediu que norte-americanos e europeus aprovem um embargo petrolífero, medida que mais prejuízos pode causar ao Irã. São necessários uns seis meses para que sua economia comece a sofrer as consequências, pelo que agora se abre uma janela de espera para ver que efeitos tem. Até então, Israel continuará metendo medo.

Que atitude adotarão os Estados Unidos? Não parece aventura assinalar que ataque contra o Irã pode acabar com as aspirações de reeleição de Obama, inclusive sem contar com o efeito que terá na base democrata. Não ter fechado Guantánamo pode ser algo decepcionante para eles, mas isto é muito pior. Desfazer-se de Bush e dos neoconservadores não teria sido suficiente para impedir outra guerra no Oriente Médio.

O principal risco é econômico. Aumento espetacular do preço do petróleo, quase certo se o conflito afetar o tráfego de óleo cru no Estreito de Ormuz, devolveria a economia norte-americana à recessão. E a economia será o grande campo de batalha do duelo de Obama contra o candidato republicano.

Mas isso vale somente até a data das eleições nos Estados Unidos. O que ocorrerá a partir de princípios de novembro? Podem os Estados Unidos manter-se afastados dos planos militares israelenses? É pouco provável que Obama, se for reeleito, se atreva a condenar de forma taxativa um ataque ordenado por Netanyahu. A aposta israelense é convencer Washington de que a decisão está tomada e que só terá êxito se os Estados Unidos se unirem à ofensiva. Poucos creem que Israel tenha a capacidade militar para desenvolver ofensiva de bombardeios durante várias semanas, sem a qual não há garantias de que os danos sofridos pelo programa nuclear sejam tão profundos a ponto de atrasá-lo durante ao menos três anos.

Arriscar-se a conflagração geral no Oriente Médio em troca de congelar durante menos de um ano o programa seria passo indefensável. E, na prática, quase obrigaria o Irã a abandonar qualquer contenção futura e decidir-se a fabricar a bomba. Basta comparar o destino diferente do Iraque e da Coreia do Norte para apreciar a importância de contar ou não com armas nucleares, mesmo que não se tenha a intenção de usá-las.

Segundo disse o diretor de Inteligência dos Estados Unidos, os iranianos mantêm aberta,s atualmente, suas opções. Washington não sabe se algum dia darão esse passo.

Falando de guerra psicológica, é interessante destacar o papel que está jogando o “New York Times”. Há alguns dias, colocou em sua capa um artigo que consistia em uma sucessão de fontes israelenses que afirmavam que Teerã vai de vento em popa em suas ameaças de represálias em caso de ataque a seu programa nuclear (os espiões norte-americanos não parecem pensar o mesmo). Rebaixar o custo da guerra é uma forma nada sutil de convencer sócio reticente. Também se fez isso antes da invasão do Iraque.

[Pela mesma razão, nunca é demais recuperar velhas histórias sobre "a relação entre o Irã e a Al Qaeda". Outra conexão de argumentos com o que ocorreu com o Iraque.]



Talvez por isso o ex-diretor do jornal, Bill Keller, se decidiu a publicar um artigo para esfriar um pouco esses ares belicistas. Por exemplo, com a última frase: “Over at the Pentagon, you sometimes hear it put this way: Bombing Iran is the best way to guarantee exactly what we are trying to prevent” (“No Pentágono, às vezes se ouve falar desta maneira: bombardear o Irã é a melhor maneira de garantir exatamente o que estamos tratando de evitar“). A parte interessante da frase é a palavra Pentágono.”

FONTE: escrito por Iñigo Sáenz de Ugarte no blog “Guerra Eterna”. Transcrito no site “Cubadebate” e no portal “Vermelho” (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=174614&id_secao=9) [Imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

IRÃ - Corta petróleo à UE.

O servilismo da UE aos diktats do governo estado-unidense manifestou-se, mais uma vez, na decisão de 23 de Janeiro de sancionar o Irão. Verifica-se que as pressões do governo Obama encontraram plena aquiescência nas instâncias comunitárias. Mas este tiro poderá sair pela culatra. A mais penalizada por tal decisão será a própria Europa e não o Irão. Não faltam compradores para o petróleo iraniano — mas os países europeus que importavam petróleo do Irão terão agora de ir buscá-lo mais longe e mais caro.
Quanto ao congelamento dos activos do Banco Central do Irão, foi uma mera palhaçada psicológica da UE pois o BCI não tinha nem um cêntimo depositado em bancos europeus. Além disso, tal medida contribuiu para descredibilizar – ainda mais – o já debilitado sistema bancário europeu. Bem fez o Presidente Chávez quando mandou retirar todos os activos venezuelanos depositados na banca europeia.
resistir.info
TEERÃO (FNA) – Membros do Parlamento iraniano concluíram um projecto de lei sobre o corte das exportações de petróleo do país para estados europeus, como retaliação pelo embargo de petróleo da UE contra Teerão, declarou sábado, 28, um deputado iraniano.

"O diploma tem quatro artigos, incluindo um que declara que a República Islâmica do Irão cortará todas as exportações de petróleo para os estados europeus até que estes cessem suas sanções petrolíferas contra o país", disse o vice-presidente da Comissão de Energia do Parlamento, Nasser Soudani.

Por outro lado, acrescentou, outro artigo exige que o governo cesse de importar mercadorias dos países envolvidos nestas sanções contra o Irão.

Após meses de debates, os estados membros da UE, na sua reunião de 23 de Janeiro, alcançaram finalmente um acordo para sancionar importações de petróleo do Irão e congelar os activos do Banco Central do Irão dentro da UE.

A seguir à decisão, a responsável pela política externa da UE, Catherine Ashton, afirmou as sanções destinam-se a pressionar o Irão a retornar às conversações sobre o seu programa nuclear.

Contudo, apesar das afirmações de Ashton, o Irão sempre sublinhou estar preparado para retomar conversações com o Ocidente mas tem enfatizado que nunca aceitará quaisquer pré-condições para as mesmas.

O ministro iraniano do Petróleo, numa declaração segunda-feira passada, minimizou os efeitos das sanções petrolíferas unilaterais dos EUA e da UE contra Teerão, considerando que tais embargos simplesmente prejudicarão as economias europeias.

"A apressada decisão de estados da UE de utilizarem o petróleo como ferramenta política terá um impacto negativo sobre a economia mundial e especialmente sobre a recuperação de economias europeias que estão a combater para ultrapassar a crise financeira global", declarou o ministro. E acrescentou que apenas 18 por cento do petróleo produzido pelo Irão é exportado para países europeus.

O original encontra-se em http://english.farsnews.com/newstext.php?nn=9010172771

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .

IRÃ - Carta secreta de Obama.

A Carta Secreta de Obama para Teerão: A Guerra contra o Irão está Suspensa?

– "A Estrada para Teerão passa por Damasco"

por Mahdi Darius Nazemroaya [*]

O New York Times anunciou que a administração Obama tinha enviado uma carta importante aos dirigentes do Irão a 12 de Janeiro de 2012. [1] A 15 de Janeiro de 2012 o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reconheceu que a carta tinha sido entregue a Teerão através de três canais diplomáticos:

1) uma cópia foi entregue ao embaixador iraniano nas Nações Unidas, Mohamed Khazaee, pela sua equivalente norte-americana, Susan Rice, em Nova Iorque;
2) uma segunda cópia da carta foi entregue em Teerão pela embaixadora da Suíça, Livia Leu Agosti; e
3) uma terceira cópia partiu para o Irão através de Jalal Talabani, do Iraque. [2]

Na carta, a Casa Branca expunha a posição dos EUA, ao passo que responsáveis iranianos afirmaram que ela constitui um sinal do real estado das coisas: os EUA não podem dar-se ao luxo duma guerra contra o Irão.

Da carta, escrita pelo presidente Barak Hussein Obama, constava um pedido norte-americano para o início de negociações entre Washington e Teerão visando colocar um termo às respectivas hostilidades.

"Na carta, Obama anunciava a disponibilidade para negociações e a resolução de desacordos mútuos", declarou Ali Motahari, um negociador iraniano, à agência noticiosa Mehr. [3] De acordo com outro negociador iraniano, desta feita o vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior do Parlamento do Irão, Hussein Ebrahimi (Ibrahimi), a carta prosseguia solicitando a cooperação e negociações do Irão com os EUA baseadas nos respectivos interesses mútuos. [4]

A carta de Obama procurava igualmente assegurar Teerão de que os EUA não se envolveriam em quaisquer acções hostis ao Irão. [5] De facto, em simultâneo o Pentágono cancelou ou adiou grandes exercícios conjuntos com Israel. [6] Para os iranianos, porém, estes gestos são desprovidos de significado, dado que os actos da administração Obama têm sido sempre contrários às respectivas palavras. Mais amplamente, o Irão está persuadido de que os EUA não atacaram apenas porque sabem que os custos de uma guerra com semelhante oponente são demasiado elevados e as respectivas consequências demasiado arriscadas.

Todavia, isto não significa que um conflito aberto Irão-EUA tenha sido evitado ou que não possa acontecer. As correntes podem levar em qualquer direcção, por assim dizer. Nem tão-pouco impede que a administração Obama esteja já a conduzir uma guerra contra o Irão e os respectivos aliados. De facto, os blocos de Teerão e de Washington têm prosseguido uma guerra fantasma que se prolonga da arena digital e das ondas televisivas até aos vales do Afeganistão e às agitadas ruas de Bagdad.

A guerra contra o Irão começou há vários anos

A guerra contra o Irão não começou em 2012 ou sequer em 2011. A revista Newsweek chegou ao ponto de afirmar num título de página em 2010: "Assassínios, ataques cibernéticos, sabotagem ¯ será que a guerra contra o Irão já começou?" A guerra real pode bem ter começado em 2006. Em vez de atacarem o Irão directamente, os EUA iniciaram uma guerra encoberta e através de proxies. As dimensões secretas da guerra têm sido travadas através de agentes infiltrados, ataques cibernéticos, vírus informáticos, unidades militares secretas, espiões, assassinos, agentes provocadores e sabotadores. O rapto e o assassínio de cientistas iranianos que teve início há vários anos é uma parte constituinte desta guerra encoberta. Nesta "guerra sombra" vários diplomatas iranianos em Bagdad têm sido vítimas de sequestros e cidadãos iranianos em visita à Geórgia, à Arábia Saudita e à Turquia foram detidos ou raptados. Vários responsáveis sírios e importantes figuras palestinianas, bem como Imad Fayez Mughniyeh [dirigente do Hezbollah libanês], foram também assassinados.

A guerra por proxies começou em 2006, quando Israel atacou o Líbano com a intenção de expandir a guerra em direcção à Síria. O caminho para Damasco passa por Beirute, do mesmo modo que Damasco está na rota para Teerão. Depois do falhanço de 2006, e compreendendo que a Síria era o ponto fulcral do Bloco de Resistência, dominado pelo Irão, os EUA e os seus aliados passaram os cinco ou seis anos subsequentes a tentarem separar a Síria do Irão.

Os EUA combatem igualmente o Irão e respectivos aliados na frente diplomática e na económica, através da manipulação de organismos internacionais e de estados satélites. No contexto de 2011-12, a crise na Síria constitui ao nível geopolítico uma frente da guerra conta o Irão. Até mesmo os exercícios conjuntos norte-americanos e israelenses "Austere Challenge 2012" e a correspondente deslocação de tropas visaram primordialmente a Síria enquanto forma de combater o Irão.

A Síria no centro da tempestade

O que Washington está a levar a cabo consiste em exercer pressão psicológica sobre o Irão como maneira de o distanciar da Síria, de forma que os EUA e as suas legiões possam desferir o golpe mortal. Até ao começo de Janeiro de 2012 os israelenses têm estado em permanente preparação para o lançamento da invasão da Síria, numa repetição da iniciativa de 2006, enquanto os EUA e a UE têm continuadamente tentado chegar a um arranjo com Damasco, de forma a separá-la do Irão e do Bloco de Resistência. Todavia, os sírios têm persistentemente recusado esses avanços.

Foreign Policy, a revista do Conselho de Relações Externas (Council on Foreign Relations) norte-americano, publicou um artigo em Agosto de 2011 expondo o que era a visão do rei Saudita acerca da Síria no contexto do ataque ao Irão: "O rei sabe que à parte o colapso da própria República Islâmica, nada enfraquecerá mais o Irão do que a perda da Síria". [7]

Tenha esta afirmação sido genuinamente proferida ou não por Abdul Aziz Al-Saud, a respectiva concepção estratégica é representativa das razões para visar a Síria. O próprio conselheiro de segurança de Obama disse a mesma coisa, poucos meses depois de a notícia da Foreign Policy ter sido publicada, em Novembro de 2011. O conselheiro de segurança nacional [Thomas E.] Donilon garantiu num discurso que o "fim do regime de Assad constituiria o maior inconveniente regional para o Irão ¯ um golpe estratégico que alterará o equilíbrio de poder na região contra o Irão." [8]

O Kremlin também produziu afirmações que corroboram a ideia de que Washington pretende separar a Síria do aliado iraniano. Um alto responsável russo para assuntos de segurança anunciou que a Síria está a ser punida pela sua aliança com o Irão. O secretário do Conselho Nacional de Segurança da Federação Russa, Nikolai Platonovich Patrushev, declarou publicamente que a Síria está submetida à pressão de Washington devido aos interesses geoestratégicos apostados na quebra dos seus laços com o Irão, e não em virtude de quaisquer preocupações humanitárias. [9]

O Irão também deu sinais de que, no caso de os sírios serem atacados, não hesitaria em intervir militarmente em seu apoio. Washington não pretende esse curso de eventos. O Pentágono preferiria engolir a Síria primeiro, antes de dirigir a sua atenção plena e indivisa para o Irão. O seu objectivo consiste em superar cada obstáculo à vez. Não obstante a doutrina militar norte-americana acerca da prossecução de guerras simultaneamente em vários teatros de operação, e de toda a correspondente literatura do Pentágono, a verdade é que os EUA não estão preparados para suportarem uma guerra regional convencional simultaneamente contra o Irão e contra a Síria, menos ainda para o risco duma guerra estendida aos aliados russo e chinês do Irão.

O caminho para a guerra, porém, está longe de ter chegado ao fim. Por enquanto, o governo norte-americano terá de continuar com a "guerra sombra" contra o Irão, enquanto intensifica as guerras mediática, diplomática e económica.


20/Janeiro/2012

NOTAS
[1] Elisabeth Bumiller et al., "US sends top Iran leader warning on Hormuz threat," The New York Times, 12/Janeiro/2012.
[2] Mehr News Agency, "Details of Obama's letter to Iran released," 18/Janeiro/2012.
[3] Ibid.
[4] Ibid.
[5] Ibid.
[6] Yakkov Katz, "Israel, US cancel missile defence drill" Jerusalem Post, 15/Janeiro/2012.
[7] John Hannah, "Responding to Syria: The King's Statement, the President's hesitation," Foreign Policy, 9/Agosto/2011.
[8] Natasha Mozgovaya, "Obama Aide: End of Assad regime will serve severe blow to Iran," Haaretz, 22/Novembro/2011.
[9] Ilya Arkhipov e Henry Meyer, "Russia Says NATO, Persian Gulf Nations Plan to Seek No-Fly Zone for Syria," Bloomberg, 12/Janeiro/2012.

Ver também:
Solidariedade com os povos iraniano e sírio!
Petição ao governo português: Parar os preparativos de guerra! Acabar com o embargo!

[*] Sociólogo, autor premiado e investigador associado do Centre for Research on Globalization (CRG), Montreal. Está especializado em questões do Médio Oriente e da Ásia Central. Tem contribuído para discussões relativas ao Grande Médio Oriente em numerosos programas internacionais e em estações televisivas tais como a Al Jazeera, a Press TV e a Russia Today. Escritos seus foram publicados em mais de dez idiomas. Escreve para a Strategic Culture Foundation, SCF, Moscovo.

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=28736 . Tradução de JCG.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

IRÃ - E se a ONU não achar armas nucleares no Irã?

Paulo Moreira Leite


O desembarque de inspetores da ONU em Teerã, onde irão investigar as pesquisas nucleares do país, coloca uma pergunta política: o que vai acontecer com a diplomacia dos Estados Unidos, União Europeia e Israel se não surgirem provas de que o Irã prepara sua bomba atômica?

Este é um problema sério.

A maioria dos serviços de inteligência do Ocidente, inclusive dos EUA, considera que apesar de seus avanços recentes, as pesquisas nucleares do Irã ainda tem alguns anos pela frente antes de deixar o país em condições de produzir armas atômicas. O único país que enxerga avanços maiores é seu rival regional, Israel. Não surpreende. A diplomacia israelense tem interesse em manter o Irã numa permanente defensiva.

Atribuidos com um grau cada vez maior de certeza ao serivço secreto israelense, atentados contra cientistas iranianos são uma forma óbvia de elevar a tensão. Claro que, diante de uma avaliação desfavorável, é sempre possível lançar uma campanha de denúncias e insinuações contra a ONU, como George W. Bush ao tentar justificar a guerra contra o Iraque. Ainda assim, uma avaliação da Agência Internacional de Energia Atômica não é coisa que se derrube na gritaria. Até porque o mundo não vive, hoje, o ambiente de assombro e perplexidade gerado pelos ataques de 11 de setembro, que contribuiram para diminuir o espírito critico de muitas consciências, favorecendo a mentira e a manipulação.

Se essa visão do programa iraniano for confirmada, ficará mais difícil justificar tecnicamente as sanções duríssimas de Washington e Bruxelas. Não é preciso chegar às questões humanitárias. Vários especialistas alertam que o embargo às vendas de petróleo do Irã talvez seja mais prejudicial aos países importadores do que aos próprios iranianos. O risco é uma provável alta no preço do petróleo, num processo capaz de acabar com a recuperação econômica americana — bastante frágil — e afundar a Europa ainda mais. Enquanto isso, o Irã pode compensar a perda de clientes na Europa com um aumento nas vendas para a China e a Índia.

E aí vem a pergunta: em nome de que?

Numa campanha presidencial onde tenta compensar a decepção do eleitorado democrata com a conquista de eleitores republicanos pouco empolgados com os candidatos lamentáveis que o partido apresentou até o momento, Barack Obama tem interesse de manter o Irã sob pressão. Mas sabe que não irá ganhar votos caso o preço da gasolina comece a pesar no bolso dos eleitores. O mesmo vale para governos franceses e alemães, que em breve terão de passar pelo teste das urnas. Sempre atenta para definir aonde estão os verdadeiros interesses de seus leitores, que formam a elite financeira dos países desenvolvidos, a revista The Economist alerta, em seu último número, que, em vez de tratar o Irã com porrete, também é hora do Ocidente oferecer cenouras.

É uma opinião sensata. A menos, claro, que se queira ir para a guerra de qualquer maneira. O que você acha?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

IRÃ - Estados Unidos e Israel estão doidos para atacar o Irã.

Os EUA e Israel estão doidos para invadir o Irã atrás do petróleo e gás desse país. Os americanos que inventaram aquela mentira para invadir e ocupar o Iraque, estão agora espalhando outra para justificar nova guerra colonial.

Cabe lembrar que membros da Anistia internacional acabaram de pedir a prisão de George Bush por crimes de guerra quando ele desembarcar em visita ao Canadá.

Cadê o Tribunal Internacional de Haia tão solícito quando se trata de punir adversários dos EUA?

Agora o Obama, prêmio Nobel da Paz, não bastasse o que os americanos e aliados estão fazendo na Líbia, quer colocar os EUA em outra ação militar.

Especialistas questionam suposto complô iraniano
Enviado por luisnassif, sex, 14/10/2011 - 08:12

Por implacavel

De O Globo

As perguntas sem respostas do suposto complô iraniano para matar o embaixador saudita nos EUA.

WASHINGTON - Contrariando as denúncias dos EUA contra o Irã, renomados especialistas em segurança afirmaram que o suposto complô para matar o embaixador saudita em Washington destoa claramente da maneira como a inteligência iraniana atua no exterior. Confira a seguir algumas das perguntas sem resposta sobre o assunto, segundo analistas:

Meir Javedanfar, analista iraniano especialista em Oriente Médio

Por que o Irã mandaria o dinheiro do assassinato por um banco, processo que deixa muitos rastros?

Bob Baer, ex-agente da CIA no Oriente Médio e analista de inteligência

Por que uma unidade de elite profissional como a Força Quds agiria de forma tão amadora e assumiria riscos tão grandes de repente?



Que importância tem um embaixador saudita nos EUA, uma vez que ele não é da família real e há outros alvos que serviriam melhor aos interesses iranianos?

Gary Sick, professor da Universidade de Columbia e ex-membro do Conselho Nacional de Segurança dos EUA

Por que o Irã lançaria mão de uma gangue mexicana não islâmica, sabidamente infiltrada por policiais mexicanos e americanos, para levar a cabo essa operação?

Alireza Nader, iraniano radicado nos EUA e autor de um estudo sobre a Guarda Revolucionária

Por que o Irã ordenaria um ataque que pode aumentar a pressão internacional sobre o país - que o regime procura diminuir, no interesse de sua própria sobrevivência - e pôr em risco suas estratégias e objetivos?

Kenneth Katzman, membro do Serviço de Pesquisa do Congresso

Por que o serviço de inteligência do Irã usaria um ex-vendedor de carros para fazer o atentado, quando seu modus operandi é utilizar gente própria ou agentes de grupos confiáveis, como o Hezbollah e o Hamas?

Muhammad Sahimi, analista do site Tehran Bureau

Por que o regime iraniano, que mesmo no auge de sua campanha de assassinatos no exterior nunca mandou matar um não iraniano, tomaria tal decisão agora? Que benefício isso traria?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

IRÃ/EUA - Mullen revive MacArthur.

Mullen revive MacArthur e invade área de Obama

Pedro do Coutto

Absolutamente incríveis as declarações inoportunas do general Mike Mullen, chefe do Estado Maior das Forças Armadas, de que os Estados Unidos possuem um plano de ataque ao Irã como recurso para impedir que Mahmoud Amedinejad fabrique a bomba atômica. O general, assim agindo, concretamente invadiu a área de exclusiva atribuição do presidente Barack Obama. Repetiu a atitude tomada pelo general Douglas MacArthur, em 1951, governo Harry Truman, em plena guerra da Coréia, quando afirmou que a alternativa para terminar o conflito seria lançar uma bomba atômica contra a China que oferecia apoio militar à Coréia do Norte. Mas este era um assunto de política externa, atribuição exclusiva da Casa Branca. Truman demitiu sumariamente o general, embora MacArthur fosse um herói da Segunda Guerra Mundial e de 45 a 49 exercera o posto de governador geral do Japão ocupado. A luta entre Coréia do Norte e Coréia do Sul começou em 1950 e MacArthur era o comandante-em- chefe das forças americanas no conflito. O presidente não tolerou a interferência do general em tema políticos.

A historia se repete agora com Obama na presidência. Mullen detonou seu conceito e, com isso, ultrapassou a zona política da guerra. Passou o limite. Obama talvez tenha respondido indiretamente a Mike Mullen, anunciando no dia seguinte a retirada das tropas americanas (80 mil homens) do Iraque. Mas foi cauteloso, pois disse que uma parte seria enviada para reforçar as posições norte-americanas no Afeganistão. Há menos de um mês Barack Obama demitiu o general Parker de um comando no Iraque por ter assumido posição crítica em relação a ele, acentuando que não era preparado. Demitiu, mas não puniu. Com esta decisão, abriu uma brecha no sistema de poder. Mullen passou por ela para lançar a ameaça militar. Não lhe competia entrar nesta questão. O Globo e a Folha de São Paulo deram grande destaque ao episódio, mas sem relembrar o precedente de 51.

Mullen extrapolou. Disse, de acordo com o publicado pelos dois jornais que, por sua vez, traduziram os textos do New York Times e das agências internacionais de noticias. Vejam só: os Estados Unidos – declarou Mullen – têm a opção da ação militar. Ela tem estado sobre a mesa e segue sobre a mesa. É uma das alternativas que o presidente Obama possui. Espero, entretanto, que não cheguemos a esse ponto. Mas é uma opção importante, muito bem compreendida pelo Irã. Mike Mullen não se conteve e foi além, alargando sua visão para a esfera internacional. O eventual ataque ao Irã – sustentou – teria consequências imprevisíveis para a estabilidade de todo o Oriente Médio.

O general incendiou a questão. Já que o embaixador iraniano na ONU, Mohamed Khazai, entrou no debate público para dizer que se o país for atacado por Washington, deixará Tel Aviv em chamas. Ameaçou, por seu turno, o Estado de Israel. Fácil perceber em que pé se encontra o governo de Jerusalém, por seu turno relembrando a ameaça de que foi foco, em 67, pelo presidente do Egito, Abdel Nasser. Nasser foi à televisão no Cairo e anunciou que, no dia seguinte, suas forças estariam em Tel Aviv para cortar a cabeça dos israelenses. Nasser chegou a se dirigir especialmente aos jornalistas: saiam de Tel Aviv, pois amanhã estaremos aí e será muito difícil saber quem é jornalista e quem não é. Minutos depois, governo Golda Meir, a aviação israelense levantava vôo e arrasava a egípcia no solo.

Mike Mullen deixou o mundo sob tensão. Não se conteve no seu limite e criou grave problema para a autoridade de Barack Obama. O presidente ficou em xeque no episódio. Vai certamente minimizá-lo. Mas isso será suficiente

domingo, 4 de julho de 2010

IRÃ E BRASIL: retaliações e soberania.

Do site Portal Vermelho.

Beto Almeida*

Enquanto uma frota de 11 navios dos EUA e 3 submarinos nucleares de Israel dirige-se ao Golfo Pérsico, com a colaboração da camarilha de vassalos da Arábia Saudita e do Egito, para uma ameaça real e uma não descartada agressão militar ao Irã, anunciam-se retaliações contra interesses econômicos do Brasil por não concordar com as sanções impostas à nação persa. Diante do risco da incineração de um povo que não invadiu nenhum outro país ou sequer explora outras nações, vamos registrando aqui no Brasil a elevação de tom de algumas vozes que muito longe de clamar por uma solução pacífica, aproveita a situação de perigo, hoje encoberta pela fumaça futebolística da Copa, para condenar não as retaliações que o Brasil pode receber dos EUA, mas a política externa do Brasil por defender nossa soberania, bem como uma solução pacífica para impasses desta natureza.

Nas novas sanções adicionais que o presidente Obama anuncia contra o Irã, ficam claras as intenções de atingir vários outros países. Ou seja, que por detrás das medidas punitivas ao Irã há também o objetivo de promover guerra comercial para ampliar o controle econômico do mundo em mãos das grandes corporações transnacionais, controladoras do mando político nos EUA. Pelas sanções, os EUA não aceitarão, assim mesmo, de modo imperial, que o Brasil venda etanol para o Irã, já que o objetivo é realizar um estrangulamento econômico e energético daquela nação. Hoje o Brasil não vende etanol para o Irã, mas se pretendesse vender, aqueles que se arrogam campeões do livre comércio, não permitirão, está proibido!

Nota-se satisfação em alguns articulistas da imprensa sempre sintonizada com os poderes internacionais na maneira de tratar estas absurdas retaliações. Agora transformam-se soberania e defesa de princípios e de fundamentos pacifistas para a solução de impasses em irrealismo diplomático. Ou seja, culpa-se o Itamaraty por não se curvar à prepotência inadmissível da Casa Branca, ora ocupada pelo primeiro presidente descendente de africanos, mas, apesar da diferença da cor da pela, igualmente teleguiado pelos desígnios do Pentágono, pelo complexo militar-industrial, provavelmente a verdadeira presidência dos EUA.

Irrealismo diplomático versus realismo vassalo

Para criticar o Itamaraty e a política externa de Lula, estes porta-vozes informam, com satisfação, que empresários brasileiros ligados ao setor de defesa foram comunicados por fornecedores ou parceiros em uma grande feira internacional que seus governos “estavam reavaliando as licenças de exportação de componentes sensíveis para o Brasil”. De acordo com estas fontes, os motivos são “a posição do Brasil em apoio ao Programa Nuclear Iraniano e também dúvidas sobre a própria ação das políticas nucleares do Brasil”

Na realidade, o problema não é novo. Há um veto imperial histórico das grandes nações capitalistas que querem impedir que outras nações desenvolvam-se tecnologicamente, sobretudo quando são possuidoras de grandes riquezas minerais e energéticas, como o Irã e também como o Brasil. Não por acaso houve tantos golpes de estado na Bolívia até que um índio aymara, - ensandecido de realista dignidade e de soberania, como teria sido nosso Tiradentes - desse um basta à uma sangria secular. Para os vassalos que analisam os fenômenos políticos sob a ótica tacanha do irrealismo diplomático, mesmo depois de ter expulsado o embaixador dos EUA, a Bolívia de Evo Morales segue altiva, já sendo território livre do analfabetismo, tendo reduzido em 75 por cento o preço de gás de consumo para o consumo doméstico e tendo implantado uma renda de cidadania , tudo a partir da nacionalização corajosa e soberana de seus recursos energéticos.

Sempre houve retaliações

O Brasil também já foi alvo de várias pressões e sabotagens, muito antes de praticar este propalado “irrealismo diplomático”. Turbinas nucleares importadas por Vargas da Alemanha foram seqüestradas por militares dos EUA no porto de Hamburgo, em 1952, quando seriam embarcadas para o Brasil. Posteriormente, quando Geisel firmou convênio nuclear com a Alemanha, em 1975, estas mesmas vozes posicionaram-se, como sempre, ao lado dos EUA buscando impedir que o Brasil se nuclearizasse. A lógica deste setor de plantão é impedir que um país emergente atinja plenitude sócio-econômica. Querem que o Brasil não tenha capacidade militar, de preferência reduzindo drasticamente suas forças armadas, e, também, relegando-as à função de mera polícia de bairro. Não querem que o Brasil tenha indústria naval, nem produção de fertilizantes, o que o impedirá de ter , de fato, soberania alimentar. Este setor, que comemorou o suicídio de Vargas e depois tentou frivolamente demolir a Era Vargas desnacionalizando o que pudesse, continua de plantão.

Desarmamento unilateral

Outra prova disso é a entrevista do físico José Goldemberg, ex-ministro do governo Collor, concedida à Revista Época, cujo título intrigante, sobretudo pelo momento em que o Brasil é alvo de retaliações imperiais é “O Brasil quer a bomba atômica”. Tanto o professor como a revista são por demais conhecidos. Mas, cabe salientar a torcida que ele faz para que o Brasil assine o Aditivo ao Tratado de Não Proliferação , mesmo sabendo que isto não apenas permitira inspeções sem qualquer reserva em todas as nossas instalações de pesquisa, algo que, evidentemente, os EUA, por exemplo , jamais admitiriam. Mas, o professor quer que o Brasil se submeta inspeções sem limites. Inclusive sob o risco de perder controle sobre desenvolvimentos tecnológicos avançados e não alcançados, ainda, por outros países.

Além disso, a posição do professor expressa a consciência de que a assinatura do Aditivo do TNP implicaria na renúncia, pelo Brasil, do desenvolvimento do projeto do submarino nuclear. E o professor, como todos nós, sabe que há uma imensa riqueza petroleira submarina e que as grandes potências têm uma práxis histórica de ignorar soberanias e territorialidades. Mesmo assim ele não se constrange em revelar seus pensamentos. Por que as potências imperiais não tiveram coragem suficiente para , apesar de toda sabotagem, pressão e agressividade, impedir que a China se transformasse numa das grandes potências econômicas, sendo também uma potência espacial? Porque diferentemente do Brasil, as forças armadas da China são......armadas, O que ainda não se pode afirmar em relação à capacidade de defesa do Brasil, apesar de uma positiva inversão de rota nas políticas para o setor de defesa que ainda possui jipes e tanques utilizados na guerra da Coréia e nem pode sequer garantir o rancho para todos os recrutas.

O caso dos aviões tucanos

As retaliações contra o Brasil não surgem agora pela política atual do Itamaraty. Eles obedecem a lógica da dominação do mundo, que nunca foi um mundo para meigos. A diferença é que os que alardeiam ”irrealismo diplomático” praticaram, quando no governo, o mais vexatório realismo vassalo. Exemplo claríssimo desta disposição infinita para obedecer ordens externas: com a privatização-desnacionalização da Embraer permitiu-se que há alguns anos, antes da crise do Irã, o Brasil fosse proibido de vender 150 aviões Tucanos para a Venezuela, disposta a comprá-los. Diante do veto imperial, sob o argumento de que há nos computadores das aeronaves componentes de fabricação norte-americana, a Venezuela fez a compra na China. Com a queda nas encomendas, a Embraer colocou no olho da rua 4800 metalúrgicos. Mesmo havendo no Brasil um imenso potencial para o desenvolvimento da aviação regional. Eis o preço social de tal realismo vassalo. Retaliações não são de hoje. Indaguem-se quantas houve contra o Programa Espacial Brasileiro, para o país não consiga entrar no seleto clube das potências espaciais.

A função das TVs Públicas

O período eleitoral no Brasil coincide com o agravamento da crise mundial do capitalismo e de uma clara intenção das grandes potências de sair da crise pela vida da dinamização da indústria bélica. Isto merece todo o bom debate do mundo por parte dos meios de comunicação, mas o que se verifica, salvo honrosas exceções para uma informação mais eivada de espírito público, é uma campanha de demolição da política externa brasileira. E mesmo na TV Brasil a pluralidade de opiniões sobre este tema realmente explosivo é bastante precária, havendo na editoria internacional um mesmismo de já linha editorial que condena o Irã por não abrir mão de sua soberania. É um quase recado disfarçado para que o Brasil também devesse optar pelo realismo subalterno.

É urgente que este debate se aprofunde e se qualifique, até porque a agressão contra o Irã pode se materializar, dolorosamente. Já fizeram Hiroshima e Nagasaki! E, as retaliações contra o Brasil e outros emergentes, podem se agravar sim. Só há duas alternativas: uma, quase impublicável, da qual é partidário o professor, a de querer ver o Brasil curvar-se ante os ditames do império. A outra, irrecusável, fortalecer nossa capacidade de realizar políticas soberanas e independentes, a capacidade de estabelecer novas parcerias internacionais, baseadas na cooperação e na solidariedade. Mas, com base no realismo histórico, isto implica em ter capacidade de defesa, independência tecnológica e aprimoramento de nossa democracia, superando as enormes dívidas sociais e vulnerabilidades externas e ideológicas que ainda nos machucam como nação. Em razão disso, obviamente, a turma do mantra do “irrealismo histórico” e do desarmamento unilateral, vocalizada pelo citado professor, certamente não estará com a candidata Dilma Roussef. Ela já disse que prega a continuidade das políticas em curso e seu aprofundamento, além de referir-se a Lula como um continuador de Vargas.

(*) Beto Almeida é diretor da Telesur

IRÃ - suas reservas de gás natural e o interesse americano.

As riquezas do Irão em gás natural:
EUA miram a principal energia do mundo futuro

por Finian Cunningham [*]

Gasoduto Irão-Índia-China. O arranque programado para este mês dos furos da China National Petroleum Company (CNPC) do campo de gás de South Pars, no Irão, poderia ser tanto um arauto como uma explicação de desenvolvimentos geopolíticos muito mais vastos.

Antes de mais nada, o projecto de US$5 mil milhões – assinado no ano passado após anos de arrastamento da parte dos gigantes da energia ocidental Total e Shell sob a sombra das sanções dos EUA – revela o principal sistema arterial da futura oferta e procura mundial de energia.

Muitos críticos há muito suspeitavam que a razão real para o envolvimento militar dos EUA e de outros países ocidentais no Iraque e no Afeganistão é controlar o corredor energético da Ásia Central. Até agora, o foco parecia ser principalmente o petróleo. Há por exemplo afirmações que um planeado pipeline do Mar Cáspio para o Mar Arábico através do Afeganistão e do Paquistão é o prémio principal por trás campanha militar aparentemente fútil dos EUA naqueles países.

Mas o que mostra o partenariado CNPC-Irão é que o gás natural é prémio principal que será essencial para a economia do mundo, e especificamente o fluxo de duas vias deste combustível para o Leste e Oeste da Ásia Central rumo à Europa e à China.

Michael Economides, editor do Energy Tribune de Huston é um dos numerosos observadores da indústria que está convencido de que o gás natural ultrapassará o petróleo como a principal fonte primária de energia, não apenas nas próximas décadas como ao longo dos próximos vários séculos.

Ele destaca a recente previsão da International Energy Agency (IEA), com sede em Paris, que reviu dramaticamente em 100 por cento as suas estimativas das reservas globais de gás natural. Economides atribui este enorme aumento a rápidas melhorias tecnológicas em extrair de campos de gás até agora inacessíveis. Afirma que a IEA estima quantidades de gás natural para 300 anos de abastecimento da actual procura mundial. "Se alguém simplesmente fantasiar quaisquer contribuições futuras de ordens de grandeza dos maiores recursos na forma de hidratos de gás, é fácil ver como é quase certo que o gás natural evolua até ser o primeiro combustível da economia mundial", acrescenta.

A importância crescente do gás natural como fonte de energia tem sido firme e inexorável desde há muitos anos. Entre 1973 e 2007, a contribuição do petróleo para a oferta mundial de energia caiu de 46,1 por cento par 34,0 por cento, com o aumento da utilização de gás natural a colmatar aquele declínio, segundo a IEA. Outras fontes, tais como a Energy Information Administration (IEA), com sede nos EUA, prevêem que o consumo de gás natural triplicará entre 1980 e 2030, data em que mais provavelmente tornar-se-á a fonte de energia primária preferencial para as necessidades industriais e públicas.

Há razões sólidas para o gás natural (metano) estar a tornar-se o rei dos combustíveis fósseis. Em primeiro lugar, tem um poder calorífico muito maior do que o petróleo ou o carvão. Ou seja, mais calor produzido por unidade de combustível. Em segundo lugar, é o combustível mais limpo, pois emite 30 por cento menos dióxido de carbono [NT] em comparação com o petróleo em comparação com o petróleo e 45 por cento menos em comparação com o carvão. Em terceiro lugar, o gás é mais eficiente para o transporte, tanto como matéria primária forma comprimida ao longo de pipelines enterrados como combustível para veículos.

Todas as agências de energia reconhecem que as primeiras fontes do gás natural do futuro estão no Médio Oriente e na Eurásia, incluindo a Rússia. A EIA com sede nos EUA coloca as reservas de gás natural nestas regiões como nove a sete maiores do que aquelas no total da América do Norte – as quais são uma das principais fontes deste combustível.

Dentro do Médio Oriente, o Irão é sem dúvida o principal possuidor de reservas de gás. O seu campo de South Pars é o maior do mundo. Se convertido em barris de petróleo equivalentes, o South Pars do Irão tornaria diminutas as reservas do campo petrolífero de Ghawar, na Arábia Saudita. Este é o maior campo de petróleo do mundo e, desde que entrou em operação em 1948, Ghawar tem sido efectivamente o coração pulsante do mundo para o abastecimento de energia primária. Na era que se aproxima de domínio do gás natural sobre o petróleo, o Irão retirará à Arábia Saudita da condição de principal fornecedor de energia do mundo.

Tanto a Europa como a China posicionam-se para serem rotas tronco para o gás iraniano e da generalidade da Ásia Central. A infraestrutura já está a moldar-se para reflectir isto. O pipeline Nabucco está planeado para fornecer gás do Irão (e do Azerbaijão) via Turquia e Bulgária transportando-o para a Europa Ocidental (assinalando um fim ao domínio russo). O Irão também exporta gás via pipelines separados para a Turquia e a Arménia e também está a procurar negócios de exportação com outros países do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos e Oman. Outra rota principal é o chamado pipeline da paz, do Irão para o Paquistão e a Índia, através do qual o Irão exportará este combustível para dois dos mais populosos países da região. Mas talvez a perspectiva mais irresistível para o Irão seja o pipeline de 1.865 quilómetros que fornece gás natural do Turquemenistão através do Uzbequistão e do Cazaquistão para a China e que deve operar a plena capacidade em 2012. O Sul do Turquemenistão tem uma fronteira de 300 km com o Irão e já tem um acordo de exportação de gás com Teerão. Se o desenvolvimento do campo gasista iraniano-chinês de South Pars puder ser incorporado nos pipelines transnacionais acima mencionados, isso confirmaria o Irão como o coração pulsante da economia mundial na qual o gás é a fonte de energia primária. Isto é potenciado ainda mais pela procura de gás da China, em crescimento rápido, a qual a EIA prevê que podia estar dependente de importações em mais de um terço do seu consumo de gás natural em 2030.

Neste contexto de um grande realinhamento da economia energética mundial – no qual haverá uma diminuição contínua do papel dos EUA – a retórica tronitroante de Washington acerca de democracia e paz e guerra ao terror ou alegadas armas nucleares iranianas pode ser vista como uma tentativa desesperada para esconder o seu medo de que esteja destinado a ser um grande perdedor. Cercar o Irão com guerras e ameaçar o fornecimento de gás para o provável maior futuro consumidor de gás – a China – é o assunto real. As acções estado-unidenses são vistas mais exactamente como o encostar de uma faca nas artérias energéticas de uma economia mundial que os EUA não são mais capazes de dominar.

Um novo aspecto desta história é a posição da Rússia. Com as suas próprias vastas reservas de gás natural, ela pode ser vista como um competidor do Irão. Comprovadamente menos bem posicionada do que o Irão para o fornecimento tanto à Europa como à China, a Rússia é no entanto um grande acto e tem estado insistentemente a cortejar a China com um acordo de exportação desde 2006. Contudo, como observa Economides, "as negociações entre os dois países tem sido intermitentes e, especialmente, a construção do pipeline tem sido penosamente lenta".

Mas as ambições da Rússia em expandir as suas exportações de gás natural podem explicar porque ela tem mostrado ser um aliado caprichoso do Irão. A posição ambivalente de Moscovo em relação a sanções estado-unidenses contra o Irão sugere que a Rússia tem a sua própria agenda destinada a embaraçar a república islâmica como um rival regional na energia.

18/Março/2010

[*] Finian.cunningham@gmail.com

[NT] O dióxido de carbono não é um poluente. Assim, não é por causa do CO2 que o gás natural é mais limpo.


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sexta-feira, 28 de maio de 2010

IRÃ - Quem atira a primeira pedra?

Irã: quem atira a primeira pedra?
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Frei Betto *

Adital -
O presidente Lula empreendeu uma delicada operação diplomática para evitar que o Irã utilize a energia nuclear para fins bélicos. As nações mais poderosas do mundo, capitaneadas pelos EUA, logo expressaram sua indignação e discordância: como um "paiseco" como o Brasil ousa querer ditar regras na política internacional?

Marx, Reich e Erich Fromm já nos haviam prevenido que preconceito de classe costuma ser um tabu arraigado. Como alguém que nasceu na cozinha tem o direito de ocupar a sala de jantar?

Pelo critério de George Bush, lamentavelmente preservado por Obama, o Irã faz parte das nações que integram o "eixo do mal". Não morro de amores pela terra dos aiatolás, considero o governo iraniano uma autocracia fundamentalista e discordo do modo patriarcal que o Irã trata as suas mulheres, como seres de segunda classe. Diga-se de passagem, assim também faz o Vaticano, razão pela qual as mulheres são impedidas de acesso ao sacerdócio.

Mas não custa questionar o cinismo dos senhores do mundo com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU: por que Israel tem o direito de possuir arsenal nuclear e o Irã não? Ele jogaria uma bomba nuclear sobre outras nações? Ora, isso os EUA já fez, em 1945, sacrificando milhares de vidas inocentes em Hiroshima e Nagasaki.

O Irã desencadearia uma guerra mundial? Ora, o Ocidente civilizado já promoveu duas, a segunda vitimando 50 milhões de pessoas. O nazismo e o fascismo surgiram no Oriente? Todos sabemos: foram criações diabólicas de dois países considerados altamente civilizados, Alemanha e Itália.

Os árabes, ao longo de 800 anos, ocuparam a Península Ibérica. Deixaram um lastro de cultura e arte. A Europa ocupou e saqueou a África e a Ásia, e o lastro é de miséria, mortandade e extorsão. O Irã é uma ditadura? Quantas não foram implantadas na América Latina pela Casa Branca? Inclusive a do Brasil, que durou 21 anos (1964-1985). Há pouco, a Casa Branca apoiou o golpe militar que derrubou o governo democrático de Honduras.

Fortalecido belicamente o Irã poderia ocupar países vizinhos? E o que dizer da ocupação usamericana de Porto Rico, desde 1898, e agora do Iraque e do Afeganistão? E com que direito os EUA mantêm uma base naval, transformada em cárcere clandestino de supostos terroristas, em Guantánamo, território cubano?

Respaldado em que lei internacional os EUA implantaram 700 bases militares em países estrangeiros? Só na Itália existem 14. Na Colômbia, 5. E quantas bases militares estrangeiras há nos EUA?

Há que admitir: o Irã não está preparado para se integrar no seio das nações civilizadas... Nações que financiam, pelo consumo, os cartéis das drogas, tratam imigrantes estrangeiros como escória da humanidade; fazem do consumismo o ideal de vida.

E convém lembrar: fundamentalismo não é apenas uma síndrome religiosa. É, sobretudo, uma enfermidade ideológica, que nos induz a acreditar que o capitalismo é eterno, fora do mercado não há salvação e a desigualdade social é tão natural quanto o inverno e o verão.

Lula candidato era discriminado pelo elitismo brasileiro por não dominar idiomas estrangeiros. Surpreendeu a todos por falar a linguagem dos pobres e revelar-se exímio negociador em questões internacionais.

Sem o apoio do Brasil não avançaria essa primavera democrática que, hoje, semeia esperança de tempos melhores em toda a América Latina. Os eleitores dão as costas às velhas oligarquias políticas e escolhem governantes progressistas.

Essa nova geopolítica latino-americana, que oficializará em 2011 a União das Nações Latino-Americanas e Caribenhas, certamente preocupa Washington. A crise financeira bate as portas das nações mais poderosas do mundo e a Europa entra num período de recessão. O livre mercado, o Estado mínimo, a moeda única (euro), a ciranda especulativa, mergulham numa crise sem precedentes.

Tudo indica que, daqui pra frente, o mundo será diferente. Se melhor ou pior, depende do resultado do embate entre duas forças contrárias: os que pensam a partir do próprio umbigo, interessados apenas em obter fortunas, e os que buscam um projeto alternativo de sociedade, menos desigual e mais humano. É a antiética em confronto com a ética.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

IRÃ - " O acordo com o Irã e o desafio à tutela de Washington.

GRAHAM E. FULLER, GLOBAL VIEWPOINT - O Estado de S.Paulo

Se Washington acredita que agora enfrenta complicações para obter a aprovação de sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das ONU, essa não é nem a metade do problema. Muito mais importante do que isso é a sutil mudança nas relações internacionais introduzida pelos gestos de Brasil e Turquia.

Essas duas potências de médias proporções acabam de desafiar a tutela de Washington na definição da estratégia nuclear em relação ao Irã e seguiram uma iniciativa própria para persuadir o país a aceitar um acordo. Além de inteiramente independente, a iniciativa avançou mesmo diante dos alertas consideravelmente grosseiros feitos pelos americanos, que pediam aos países o abandono das tentativas de negociação - apesar de seus termos serem muito semelhantes aos da proposta feita ao Irã pelos EUA no ano passado. Para piorar, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, ousaram obter sucesso em suas negociações com o Irã, enquanto Washington previa publicamente seu fracasso certo (e tão esperado).

Será que os iranianos estão simplesmente envolvendo-se em outra trapaça, com o objetivo de ganhar tempo (manobra na qual são especialistas)? Ou será que ocorreu algo mais profundo? Em primeiro lugar, são importantes não apenas os termos do acordo, mas também seus mensageiros e o clima político no qual ele é celebrado.

Durante décadas, Washington relacionou-se com o Irã - quase sempre de maneira indireta - com truculência e beligerância consideráveis como trilha sonora das "negociações". Isso era considerado normal - nada mais do que a única superpotência mundial exigindo dos demais países que atendam aos seus interesses estratégicos.

Quando Lula e Erdogan foram a Teerã, o jogo foi completamente diferente. A mudança não estava no conteúdo, mas principalmente nos negociadores, no local da reunião e no clima. Desta vez, Teerã não sentiu como se estivesse fazendo concessões à pressão exercida por uma superpotência, e sim aceitando um pedido razoável feito por dois Estados considerados seus pares sem nenhum histórico de imperialismo no Irã.

Num certo sentido, o acordo estava quase destinado a dar certo. O que o Irã mais deseja é frustrar o domínio americano sobre a ordem internacional, e principalmente sua capacidade de ditar seus termos ao Oriente Médio. Se o Irã aceitasse fazer alguma concessão nas questões nucleares, não haveria melhor forma de fazê-lo do que aceitar a proposta de dois Estados bem sucedidos e respeitados. Caso Teerã recusasse a oferta, poderia devastar o próprio conceito de iniciativas independentes, alternativas e desvinculadas dos EUA na estratégia internacional. Para o Irã, uma resposta positiva a esta abordagem conjunta fazia todo o sentido.

O mesmo vale para China e Rússia. Após o sucesso obtido por Lula e Erdogan, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, proclamou imediatamente seu sucesso na consolidação do apoio de Pequim e Moscou a sanções mais rigorosas contra o Irã - uma resposta surpreendentemente insultante aos notáveis resultados das negociações promovidas por brasileiros e turcos. Afinal, estes países são extremamente importantes para os interesses regionais e globais dos EUA. Esnobá-los desta forma foi um imenso erro.

Mas será que realmente acreditamos que Hillary tenha conquistado o apoio de Rússia e China? Assim como a Teerã não faltaram incentivos para aceitar uma proposta feita por "iguais", Rússia e China também encontram motivos de sobra para aprovar esta iniciativa de Brasil e Turquia. É verdade que os termos do acordo não são sem importância, mas, para esses países, é muito mais relevante a lenta e inexorável decadência da capacidade americana de ditar os termos da política internacional e de satisfazer seus próprios objetivos. É exatamente essa a meta principal da estratégia russa e chinesa na política externa. No fim, esses países não permitirão que a abordagem de linha dura dos EUA prevaleça sobre a iniciativa brasileira e turca no Conselho de Segurança da ONU, mesmo que sejam necessários alguns ajustes do acordo obtido por Brasil e Turquia.

Polaridade. É claro que China e Rússia representam a polaridade alternativa na luta emergente para pôr fim à hegemonia americana. Mas é mais importante o fato de agora esses países testemunharem o afastamento do centro da política internacional em relação aos EUA.

Os dois países que desafiaram os desejos americanos não são meros agitadores do terceiro mundo tentando ganhar fama à custa dos EUA. Trata-se de dois grandes países considerados amigos próximos dos EUA. Isso torna sua afronta ainda mais cruel. Esses acontecimentos são profundos sinais dos tempos. O problema do poder unilateral está no fato de ele se tornar invariavelmente sujeito a tolices ocasionais na ausência de freios e contrapesos.

Os americanos acreditam em freios e contrapesos quando se trata de sua Constituição. Quando Washington entrou em sua quarta década de paralisia e incompetência no relacionamento com o Irã, ainda incapaz de nem sequer conversar com o país, essa abordagem exacerbou o problema, fortaleceu o Irã e as forças do radicalismo no Oriente Médio, polarizou as emoções e, pior, fracassou em todos os sentidos. Será que o mundo não deveria dar as boas-vindas aos gestos de dois países importantes, responsáveis, democráticos e racionais que decidiram intervir e estabelecer um contrapeso para décadas de tolice na política externa americana? É por isso que freios e contrapesos são importantes, e é por isso que o centro está se deslocando.

Talvez os "Estados renegados" - termo na moda em Washington para designar países recalcitrantes que não se submetem à linha ditada pelos EUA - possam responder melhor a novas abordagens livres das antigas técnicas imperialistas do intervencionismo e dos ultimatos. Enquanto isso, os EUA correm o risco de tornar-se seu próprio "Estado fracassado" em termos de ser capazes de exercer uma liderança internacional competente e eficaz após a queda da União Soviética. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

É EX-VICE-PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE INTELIGÊNCIA DA CIA

IRÃ - Até ex-diretor da CIA vê sucesso de Lula no Irã.

Do blog TIJOLAÇO.

Enquanto os nossos “sabichões” não cansam de destilar seu despeito e rogar praga para o acordo obtido pelo Brasil no Irã, a parte do mundo que pensa acha exatemento o contrário. Hoje, o sr. Graham Fuller, ex-vice-presidente do Conselho de inteligência da CIA publica um artigo no Estadão dizendo que muito mais importantes que a eventual aprovação de sanções ao Irã na ONU “mais importante do que isso é a sutil mudança nas relações internacionais introduzida pelos gestos de Brasil e Turquia”.

Fuller afirma que “duas potências de médias proporções acabam de desafiar a tutela de Washington na definição da estratégia nuclear em relação ao Irã e seguiram uma iniciativa própria para persuadir o país a aceitar um acordo. Além de inteiramente independente, a iniciativa avançou mesmo diante dos alertas consideravelmente grosseiros feitos pelos americanos, que pediam aos países o abandono das tentativas de negociação – apesar de seus termos serem muito semelhantes aos da proposta feita ao Irã pelos EUA no ano passado. Para piorar, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, ousaram obter sucesso em suas negociações com o Irã, enquanto Washington previa publicamente seu fracasso certo (e tão esperado).”

Ele não faz fé alguma na adesão de China e Rússia ao projeto americano de aprovar as sanções: s”erá que realmente acreditamos que Hillary tenha conquistado o apoio de Rússia e China? Assim como a Teerã não faltaram incentivos para aceitar uma proposta feita por “iguais”, Rússia e China também encontram motivos de sobra para aprovar esta iniciativa de Brasil e Turquia. É verdade que os termos do acordo não são sem importância, mas, para esses países, é muito mais relevante a lenta e inexorável decadência da capacidade americana de ditar os termos da política internacional e de satisfazer seus próprios objetivos. É exatamente essa a meta principal da estratégia russa e chinesa na política externa. No fim, esses países não permitirão que a abordagem de linha dura dos EUA prevaleça sobre a iniciativa brasileira e turca no Conselho de Segurança da ONU, mesmo que sejam necessários alguns ajustes do acordo obtido por Brasil e Turquia.”

Vale a pena ler o artigo, na íntegra.

Este sujeito não foi, repito, vice do Conselho de inteligência da CIA por ser obtuso ou fanático. Foi porque é um analista extremamente considerado sobre o mundo islâmico. Aliás, se a CIA fosse composta por cérebros como os dos nossos “grandes comentaristas”, não representaria perigo algum.