segunda-feira, 2 de junho de 2014

MÍDIA - Faustão está tão revoltado.

Faustão ataca a Copa e esquece a Globo

Por Altamiro Borges

O apresentador Fausto Silva anda muito revoltado. Não deve ser por causa do salário, já que ele recebe uma fortuna da TV Globo e ainda tira uns “trocados” dos bilionários anunciantes. Nos últimos tempos, ele transformou o seu programa Domingão do Faustão num verdadeiro palanque, com duros ataques ao governo Dilma. Neste domingo (1), segundo o site UOL, ele aproveitou para “criticar a incompetência e a corrupção no Brasil”, reforçando o complexo de vira-latas das elites tão em moda nas vésperas da abertura da Copa do Mundo. Vale conferir alguns trechos da reportagem:

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“País da Copa do Mundo, mas que não conserta enchente, que dá serviço péssimo de saúde, escola de quinta categoria, que não oferece segurança. Esse é o país que quer fazer Copa do Mundo com 17 [12] cidades, mas que não faz nem com cinco”, entrou no assunto Fausto Silva, durante o ‘Domingão’, deste domingo (1). O apresentador prosseguiu com as críticas, mas pediu uma trégua à população brasileira em relação às manifestações. "O Brasil convidou mais de 600 mil estrangeiros para virem aqui. Os nossos problemas temos de resolver entre nós. Passa a Copa do Mundo e depois o pau come de novo para a gente resolver", desabafou. 

"Já que vai começar dentro dessa bagunça toda, desses estádios caros, vamos tentar fazer o melhor possível, até porque a minha avó já dizia 'roupa suja se lava em casa'. Não dá para mostrar para o mundo inteiro que somos o país da corrupção e da incompetência. Muita gente já sabe", completou Fausto Silva... Minutos depois, o apresentador voltou a tocar no assunto. "O Brasil dentro de campo é uma coisa. O Brasil fora é outro. O povo já percebeu. O Brasil precisa ganhar a Copa da educação, da saúde, contra o preconceito", avaliou. "A nossa Copa do Mundo é em outubro, época das eleições", decretou.

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Já que anda tão revoltado, tão rebelde, Faustão podia aproveitar para criticar o império midiático em que trabalha. A TV Globo é uma das maiores culpadas pelas mazelas históricas do Brasil. Ela sempre apoiou as forças conservadoras que emperram o desenvolvimento do país. Para erguer sua rede nacional de televisão, através das afiliadas, ela firmou parceria com as velhas oligarquias, montando um sistema de coronelismo eletrônico. Em todos os momentos decisivos da história, a famiglia Marinho se colocou contra o progresso social, a soberania nacional e a democracia. Foi contra as leis trabalhistas de Getúlio Vargas, fez campanha contra a Petrobras e sabotou os governos progressistas.

Recentemente, acuada pelos protestos de rua e os gritos de “A realidade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”, o poderoso império global inclusive reconheceu oficialmente que apoiou o golpe de 1964 e a sanguinária ditadura militar, numa autocrítica meia-sola. Faustão, tão rebelde e corajoso, poderia aproveitar esta confissão para criticar seus patrões, que fizeram fortunas exatamente neste período. Como forma de resolver os graves problemas sociais, o milionário apresentador poderia até defender a urgência de uma reforma tributária no Brasil, que retire um pouco de grana dos muito ricos para investir em programas de superação das injustiças crônicas do país.

No mês passado, a revista Forbes publicou a lista das 15 famílias mais ricas do Brasil, que juntas possuem uma fortuna de US$ 122 bilhões – o equivalente a 5% de todas as riquezas produzidas no país (PIB). No topo do ranking aparece a famiglia Marinho, dona das Organizações Globo, com uma fortuna estimada de US$ 28,9 bilhões. No próximo “Domingão do Faustão”, o indignado apresentador bem que poderia citar os nomes dos bilionários nativos, maiores responsáveis pelas mazelas nacionais. Como forma de ajuda a Fausto Silva, publico abaixo a lista da Forbes:

As 15 famílias mais ricas do Brasil
1- Marinho (Mídia):

Os três irmãos que controlam as Organizações Globo são bilionários: Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho. Juntos, eles têm uma fortuna estimada em US$ 28,9 bilhões

2- Safra (Banco)

São três parentes, todos bilionários graças ao império do banco Safra: Joseph Safra, Moise Safra e Lily Safra. Eles têm a fortuna estimada em US$ 20,1 bilhões quando somada

3- Ermírio de Moraes (Conglomerado Votorantim)

São seis parentes, todos bilionários –Antonio Ermírio de Moraes, Ermírio Pereira de Moraes, Maria Helena Moraes Scripilliti, José Roberto Ermírio de Moraes, José Ermírio de Moraes Neto e Neide Helena de Moraes–, com fortuna estimada em US$ 15,4 bilhões. A riqueza veio do grupo Votorantim, fundado por José Ermírio de Moraes Juntos em 1918, e que hoje inclui de banco a siderúrgica

4- Moreira Salles (Banco)

Reúne quarto irmãos, todos bilionários: Fernando Roberto Moreira Salles, João Moreira Salles, Pedro Moreira Salles e Walter Moreira Salles Junior. A fortuna deles vem da herança do Unibanco, incorporado ao Itaú, e de uma empresa de mineração de nióbio. Somando tudo, dá US$ 12,4 bilhões

5- Camargo (Conglomerado Camargo Corrêa)

São três irmãs, todas bilionárias: Rossana Camargo de Arruda Botelho, Renata de Camargo Nascimento e Regina de Camargo Pires Oliveira Dias. Juntas, elas têm um fortuna avaliada em US$ 8 bilhões, vinda do império Camargo Corrêa, que têm negócios de engenharia, construção, energia e transportes, entre outros

6- Villela (Itaúsa)

São cinco parentes, dois deles bilionários graças à herança do banco Itaú: Alfredo Egydio de Arruda Villela Filho e Ana Lucia de Mattos Barretto Villela. Juntos, eles têm US$ 5 bilhões

7- Maggi (Soja)

São cinco parentes, quatro deles bilionários graças a uma das maiores produções de soja do mundo: Lucia Borges Maggi, Blairo Borges Maggi, Marli Maggi Pissollo, Itamar Locks e Hugo de Carvalho Ribeiro. A fortuna em conjunto é estimada em US$ 4,9 bilhões

8- Aguiar (Banco)

São três irmãs, todas bilionárias graças à herança do banco Bradesco: Lina Maria Aguiar, Lia Maria Aguiar e Maria Angela Aguiar Bellizia. As três juntas têm uma fortuna estimada em US$ 4,5 bilhões

9- Batista (Carnes)

São dez parentes herdeiros da fortuna de José Batista Sobrinho, fundador da produtora de carne JBS –hoje uma das maiores empresas de alimentos do mundo. Nenhum deles é bilionário, mas juntos somam US$ 4,3 bilhões

10- Odebrecht (Vários setores)

São 15 parentes herdeiros da empresa fundada pelo engenheiro pernambucano Norberto Odebrecht. O grupo atua em diversos setores, entre eles engenharia, construção, produtos petroquímicos e químicos. Sozinho, nenhum dos parentes é bilionários, mas juntos eles reúnem US$ 3,9 bilhões

11- Civita (Mídia)

São três irmãos (Giancarlo Francesco Civita, Anamaria Roberta Civita e Victor Civita Neto) herdeiros da editora Abril. Juntos, têm fortuna avaliada em US$ 3,3 bilhões

12- Setubal (Banco)

São 25 parentes de uma das famílias fundadoras do banco Itaú (foram os Villela junto com os Setubal). Nenhum dos Setubal é bilionário, mas juntos eles têm uma fortuna estimada em US$ 3,3 bilhões

13- Igel (Petróleo e petroquímicos)

São sete parentes herdeiros do grupo Ultra, dono de marcas como Ipiranga e Ultragás, com fortuna avaliada em US$ 3,2 bilhões. Dos sete, um deles é bilionário: Daisy Igel

14- Marcondes Penido (Rodovias pedagiadas)

São duas irmãs herdeiras da CCR, maior operadora brasileira de rodovias pedagiadas por valor de mercado, com fortuna estimada em US$ 2,8 bilhões. Uma delas é bilionária: Ana Maria Marcondes Penido Sant’Anna

15- Feffer (Celulose e papel)

São cinco irmãos, herdeiros da Suzano. Nenhum deles é bilionário, mas, juntos, eles têm uma fortuna estimada em US$ 2,3 bilhões

ECONOMIA - Quem conduz a política econômica é Dilma.

Edinho Silva: Quem conduz a política econômica é Dilma

Tesoureiro da campanha à reeleição de Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente do PT de São Paulo Edinho Silva afirmou, em entrevista exclusiva ao Broadcast, que quem conduz a política econômica brasileira, é própria presidente. Com essa avaliação, ele minimizou as divergências internas sobre a condução da política econômica e sobre o controle da inflação, explicitadas em opiniões recentes dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Guido Mantega (Fazenda). "Não tem duas cabeças no governo. Só tem uma cabeça, que é a da presidente Dilma", disse, sobre economia.
Deputado estadual, Edinho abriu mão de uma eleição à Câmara dos Deputados em 2014 para integrar a equipe de campanha de Dilma e garante que, se pudesse escolher, a tesouraria seria a última função a assumir. Em meio a um cenário de recursos cada vez mais escassos, ele avaliou que a rejeição à presidente pelo empresariado é fruto de "um clima de pessimismo que não tem lastro na realidade". No entanto, admite que o PT e o governo tiveram dificuldade de fazer um "contra-argumento" ao pessimismo. Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
Como encarou a missão de ser tesoureiro da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff?
Se fosse para eu escolher qualquer tarefa na coordenação de campanha, eu garanto que essa seria a última. Eu penso que é uma tarefa muito difícil pelo modelo eleitoral brasileiro. Você tem de tomar todos os cuidados possíveis, porque para toda doação você tem de efetivamente enxergar quem é o doador, até a origem da empresa. Por isso, sou a favor do financiamento público de campanha. Ser tesoureiro é uma coisa muito espinhosa. Mas é evidente que é uma atribuição onde o risco de armadilhas é imenso.
Você foi presidente estadual do PT e duas vezes prefeito de Araraquara e sabe, portanto, sabe como é lidar com orçamento restrito. Como será na campanha? O que deve ser priorizado?
Tenho defendido - e o presidente Rui Falcão e os demais membros do grupo que começa a discutir a campanha, concordam - que temos que fazer dessa eleição um processo de iniciar a mudança na cultura eleitoral. Tenho defendido que a gente inicie uma campanha de doação de pessoa física. Claro que não vamos conseguir resultados exitosos. Pelo menos a gente inicia um debate que inverte a lógica e a doação de pessoa física começa a ter importância, porque é uma opção política e exige que faça o debate político.
Como buscar doações de empresas em um cenário no qual vários setores da economia e da indústria fazem críticas abertas à presidente Dilma?
Eu penso que tem um clima de pessimismo do empresariado que não tem lastro na realidade. Não nego, é evidente que alguns setores são afetados por questões econômicas conjunturais, não um problema estruturante. O Brasil está entre os países que o PIB (Produto Interno Bruto) mais cresceu diante da crise econômica internacional. A Alemanha vibra com um crescimento de 0,5%. Os Estados Unidos começam a sair do negativo e a economia americana entra em euforia. O Brasil jamais deixou de crescer, mesmo na crise. Eu penso que a gente tem de fazer um debate com o empresariado. Eu não vejo problemas de relacionamento efetivo quando apresentamos o debate com o empresariado do nosso projeto e não acredito que esse mau humor vá perdurar.
Mas esse mau humor já dura alguns anos.
Tem setores, repito, que sofrem com questões conjunturais da economia. Agora, os números já mostram a estabilidade efetiva e o crescimento da economia brasileira e isso desmonta esse discurso específico.
Por que quando a presidente Dilma recuou nas pesquisas, as bolsas, puxadas principalmente pelas estatais, subiram, e o dólar caiu, num claro reflexo do descontentamento do mercado com a presidente?
Eu não acredito nisso. A questão da bolsa você tem de olhar lá fora, não tem nada a ver com a pesquisa. Absolutamente nada. É um ledo engano.
O senador Aécio Neves (PSDB), por exemplo, não seria um candidato mais alinhado ao mercado do que a presidente?
É só nós debatermos que projeto o Aécio representa. Onde é que o empresariado ganhou mais dinheiro? Onde é que a indústria cresceu mais? Onde é que o mercado ficou mais aquecido?
Mas há a argumentação que o crescimento ocorreu em uma época de euforia mundial, a partir do começo do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Não é verdade. O Brasil enfrentou a crise econômica internacional e quando o mundo teve PIB negativo o Brasil não deixou de crescer. Nunca deixamos de gerar emprego, de fomentar o crédito.
Mas vocês vão conseguir convencer os empresários?
Existiu uma indução de pessimismo e nós tivemos dificuldade de fazer o contra-argumento. Isso eu reconheço. Quando fomos para o debate isso se diluiu e vai se diluir cada vez mais, porque não tem lastro na vida real das pessoas.
O presidente do PT nacional, Rui Falcão, que também será um dos coordenadores de campanha, pregou, recentemente, um maior controle do mercado financeiro e do capital. Você compartilha dessa opinião?
Eu estava com o Rui no dia dessa polêmica e acho que ele foi mal interpretado. Ele quis fazer uma comparação com o que ocorreu na crise econômica internacional, quando o governo americano criou regras para o capital volátil. Ele quis dar um exemplo de que quando há um capital volátil, num momento especulativo, até a economia americana colocou regra.
Mas você concorda com controle de capital?
Mas que controle de capital? O Brasil hoje respeita contratos, as regras. Agora, quando houve instabilidade no Leste Europeu o Brasil drenou capitais, porque aqui tem democracia e regras consolidadas.
Mas o que veio para cá foi capital especulativo.
Veio porque confiam nas regras e na economia brasileira. Fizeram operações, pagaram tributos e contribuíram para economia brasileira. Essas são as regras e sabem que o Brasil é uma economia forte.
Recentemente houve uma polêmica entre os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e o ministro Guido Mantega (Fazenda). Mercadante defendeu que o governo usasse os preços controlados para mitigar o impacto desses reajustes na inflação e Mantega negou essas ações. Quem está certo?
O governo tem uma cabeça só, que é a presidente Dilma. E é uma economista brilhante. O Guido faz o que a presidente Dilma determina, o Mercadante faz o que a presidente Dilma determina. Ela não é uma leiga em economia, conhece profundamente.
Ela é a ministra da economia?
O ministro da Economia é o Guido Mantega, que é um excepcional ministro e nos conduziu na pior crise econômica, que foi maior que a de 1929. E o Mercadante, além de economista, é um quadro político. Agora, quem conduz a política econômica brasileira, quem diz qual é o projeto, que vem desde o governo do presidente Lula, é a presidente Dilma. Então não tem duas cabeças no governo. Só tem uma cabeça que é a da presidente Dilma.
Mas com qual dos dois você concorda?
O Mercadante quis expressar o seguinte: se você tem margem nos preços públicos para retardar reajustes, é natural...
Mas existe margem em gasolina, por exemplo?
Não é só gasolina. Todas as tarifas públicas, por serem públicas, você tem um instrumental. Se eu sou um empresário e tenho condições de reter, na minha planilha, todo aumento de custo que tive para poder ser mais competitivo, por que não faria? Por que vou reajustar preço, se no global eu consigo ser competitivo?
Mas é ser competitivo neste ano, um ano político...
Não é isso. O ano que vem vai ser um ano que não vai ser político e vamos ver que toda essa celeuma que está criada em torno dos preços públicos não vai se configurar.
Esse represamento de preços não vai estourar em 2015?
Mas que represamento? A energia elétrica subiu porque não tem margem e graças aos governos Lula e Dilma nós diversificamos a matriz energética.
Qual adversário que dará mais trabalho: os eternos inimigos Aécio Neves e PSDB, ou os ex-aliados e ex-ministros Eduardo Campos e Marina Silva?
Não temos que escolher adversários. Eu até escrevi um texto no qual digo que Eduardo Campos e Marina não eram uma aliança, mas uma junção, porque eram projetos distintos com muitas contradições. Ali a junção foi pragmática. Marina não conseguiu o registro do partido e recebeu o convite para ser abrigada em um outro projeto.
Mas alianças como as feitas com o (ex-vice-presidente) José Alencar, em 2002 e com o PMDB, em 2010, não foram pragmáticas?
É claro que é uma coalizão que tem o pragmatismo. Mas as concepções de Brasil do Alencar e do Lula eram muito próximas. O PMDB vem de uma tradição democrática e desenvolvimentista e foi um processo o apoio. O PMDB fez parte de uma coalizão e não foi um cavalo-de-pau. As contradições entre a Marina e o Eduardo são gritantes.
E quem dos dois deu o cavalo-de-pau nessa história?
É evidente que a Marina fez uma inflexão. Eu tenho muita simpatia pelo Eduardo Campos e ele sabe disso. Com todo respeito do mundo, acho que ele cometeu um erro político grandioso. Ele ajudou a construir essa coalizão que muda a vida do povo brasileiro e é fruto desse projeto. No momento que ele rompe com essa coalizão, cometeu um grande erro político. Ele teria mais condições de crescer e fortalecer como uma grande liderança nacional se continuasse conosco.
Você disse não acreditar nas previsões de que 2015 será um ano difícil em relação à economia. Como será 2015 então?
Se a economia internacional continuar respondendo, como você pode projetar o caos econômico no Brasil? Só nos preços públicos?
Se você aumentar a gasolina com o porcentual que está represado, pode gerar inflação de dois dígitos que será indexada aos outros reajustes.
Onde isso gera inflação de dois dígitos? Se a economia cresce, você aumenta a produtividade, o consumo de escala cresce, os preços caem. Temos muita margem de aumento de produção. Temos alguns setores da economia que precisam de intervenção pontual, intensificar a política de substituição de importados. Mas existe uma tentativa de caos em relação aos preços públicos. Não existe o mercado perfeito. Ele é imperfeito.
Mas pode trazer consequências boas e ruins esse mercado imperfeito.
Por isso existe Estado. Onde se acreditou que o mercado era perfeito, houve o caos e a crise internacional. Todos os indicadores para o ano que vem são favoráveis para economia e não pode você dizer que os preços públicos vão criar instabilidade na economia brasileira. Só aqueles que querem fomentar o medo e o caos podem falar isso. As perspectivas para o ano que vem são bem mais favoráveis que 2014, que já são boas.

É ESSE PADRÃO FIFA QUE QUEREMOS?


Padrão FIFA? Privataria, lavagem de dinheiro e propinodutos



Padrão FIFA = Máfia
Se tivesse ‘padrão Fifa’, o Brasil seria muito pior
Mário Magalhães 27/05/2014 06:50, em seu blog
A palavra de ordem se disseminou com intenção generosa: o Brasil padrão Fifa seria melhor.
No Google, aparecem 460 mil registros quando se digita “padrão Fifa” entre aspas.
Os serviços públicos, a começar por educação e saúde, teriam mais qualidade, se mimetizassem o alto nível da dona do futebol  – é a ladainha que ouvimos desde junho de 2013.
Com o perdão dos que adotaram a divisa, eu acho que o padrão Fifa é uma balela ou significa o avesso do lugar-comum que se fixou no imaginário nacional.
O país seria muitíssimo pior caso se espelhasse nos valores, métodos e obra de Sepp Blatter e seus bons companheiros.
Na saúde, o padrão Fifa seria o contrário de cuidar da vida dos brasileiros, o que se faz (ou deveria ser feito) com bons hospitais e pronto-socorros, profissionais qualificados e bem remunerados, prevenção acurada, saneamento para todos, alimentação decente e outras providências.
Seria o contrário porque a Fifa secundariza a saúde dos jogadores de futebol e prioriza o caixa.
Na Copa de 94, a entidade, ainda conduzida por João Havelange, impôs jogos ao meio-dia no escaldante verão californiano.
Já na gestão de Joseph Blatter, entregou de modo suspeito o Mundial de 2022 ao Catar, onde o calor torturante ataca na época do ano que a tradição reserva ao torneio.
Isso é se preocupar com a saúde?
A educação inspirada no padrão Fifa não seria dos sonhos, e sim o oposto.
Ao abordar o racismo, em vez de ensinar a repulsa, os professores pregariam tolerância com a segregação.
Por todo o planeta, acumulam-se episódios de preconceito. Em vez de punir as agremiações que acolhem torcedores racistas, a Fifa somente obriga seleções a entrarem em campo com faixas cujos dizeres, embora justos, estão longe de proporcionar o efeito de castigos exemplares.
E as lições de democracia?
O que há de se aprender com a política elitista de preços escorchantes dos ingressos?
Mesmo dentro das ditas arenas, camarotes chiquérrimos documentam e celebram a desigualdade obscena.
Uma federação que interdita a alternância de governo e eterniza seus capi sugere democracia? Por mais de 20 anos, Havelange não largou o osso. Seu sucessor mantém idêntico apetite.
De acordo com o padrão Fifa, ditaduras não são ruins e ditadores são todos boa gente, desde que se prestem aos propósitos dos poderosos chefões encastelados na Suíça. Já havia sido assim na Copa de 78, na Argentina do genocida Videla, e continua hoje, quando os tiranos mais sinistros são bem-vindos na entidade.
O que a Fifa diria sobre controle rigoroso de negócios em geral e operações financeiras em particular?
Dificilmente apresentaria como case o esquema que resultou na escolha do Catar.
Muito menos o que permite que amigos da cartolagem lucrem com ingressos da Copa, fazendo decolar a preços ainda mais exorbitantes pacotes que já são para poucos.
É essa a gestão que queremos como padrão?
O padrão Fifa subverte o ensinamento franciscano do “é dando que se recebe”, a considerar tantas denúncias de propinas.
O que o padrão Fifa propõe para quem é flagrado em impedimento, senão a impunidade? Que punição houve para Havelange e Ricardo Teixeira?
É essa a Justiça ideal, o padrão Fifa de combate à corrupção?
Em que o Brasil prosperaria se imitasse o comportamento do secretário-geral Jérôme Valcke?
Ele é o mesmo executivo que embolsou, na condição de lobista, dinheiro da candidatura brasileira ao Mundial e mais tarde, na pele de cartola, sugeriu um pontapé no nosso traseiro.
Do seu papel no lobby só se soube graças a furo do repórter Sérgio Rangel.
Almejamos a transparência padrão Fifa, que escondia o frila do francês?
Em matéria de inovação e evolução, será que o caminho é o da Fifa, que resiste até ao controle eletrônico para saber se a bola entrou no gol?
De todas as expressões do farisaísmo do padrão Fifa, duas se destacam.
A primeira, quando a entidade fala em legado disso e daquilo para o Brasil. Ela está interessada em multiplicar sua fortuna. E só.
E quando alardeia sua devoção pelo futebol. A Fifa mercantilizou a níveis jamais vistos a mais genuína paixão dos brasileiros. Apropriou-se até de nomes consagrados, como “Copa do Mundo”.
Por sorte, pelo menos isso não conseguiram nos roubar, a paixão que constitui a essência do futebol.
A despeito de todas as mazelas que vigoram no país que figura entre os campeões da desigualdade, o Brasil no padrão Fifa seria ainda mais egoísta, hipócrita, inescrupuloso, obscuro e desigual.
Padrão Fifa é exigir do outro o que não se faz — faça o que eu digo, e não o que eu faço.
A Fifa já nos fez muito mal. Fará mais ainda se o seu famigerado padrão se tornar o nosso modelo.

MÍDIA - Entrevista de Lula a Carta Capital.


Lula: A mídia lambia as botas da ditadura, deu apoio a FHC e contra o meu governo e o de Dilma

publicado em 31 de maio de 2014 às 22:14

LULA EM CAMPANHA
Entrevista de Lula a Luiz Gonzaga Belluzzo e Mino Carta, em CartaCapital, via e-mail de  Julio Cesar Macedo Amorim

Antes de mais nada, impressiona a paixão. Aos 68 anos, Luiz Inácio Lula da Silva não perdeu o vigor com que arengava à multidão reunida no gramado da Vila Euclides no fim dos anos 70. E nos momentos em que sustenta algo capaz de empolgá-lo, ocorrência frequente, aperta com força metalúrgica o pulso do entrevistador mais próximo, como se pretendesse transmitir-lhe fisicamente sua emoção. Assim se deu nesta longa entrevista que o ex-presidente Lula deu a CartaCapital. No caso de Mino, esta foi mais uma das inúmeras, a começar pela primeira, em janeiro de 1978.
CC: O senhor enxerga alguma relação entra a Copa do Mundo e a eleição? Se enxerga, por que e de que maneira?
Lula: Eu acho difícil imaginar que a Copa do Mundo possa ter qualquer efeito sobre a preferência por este ou aquele candidato. Por outro lado, se o Brasil perder, acho que teremos um desastre similar àquele de 1950. Temo uma frustração tremenda, e a gente não sabe com que resultado psicológico para o povo. Em 50 jogaram o fracasso nas costas do goleiro Barbosa.
CC: Em primeiro lugar o Barbosa.
Lula: O Barbosa carregou por 50 anos a responsabilidade, e morreu muito pobre, com a fama de ter sido quem derrotou o Brasil. É uma vergonha jogar a culpa num jogador. Se o Brasil ganha, a campanha passa a debater o futuro do País e o futebol vai ficar para especialistas como eu.
CC: E as chamadas manifestações?

Lula: Ainda há pouco tempo a gente não esperava que pudessem acontecer manifestações. E elas aconteceram sem qualquer radicalização inicial, porque as pessoas reivindicavam saúde padrão Fifa, educação padrão Fifa; poderiam ter reivindicado saúde padrão Interlagos, quando há corrida, ou padrão de tênis, Wimbledon, na hora do tênis. Eu acho que isso é até saudável, o povo elevou seu padrão reivindicatório. E é plenamente aceitável dentro do processo de consolidação democrático que vive o Brasil. Eu acho que, ao realizar a Copa, o governo assumiu o compromisso de garantir o bem-estar e a segurança dos brasileiros e dos torcedores estrangeiros. Quem quiser fazer passeata que faça, quem quiser levantar faixa, que levante, mas é importante saber que, assim como alguém tem o direito de protestar, o cidadão que comprou o ingresso e quer ir ver a Copa tenha a garantia de assistir aos jogos em perfeita paz.
CC: O povo brasileiro amadureceu e nós entendemos que o resultado da Copa será bem menos importante do que foi em 1950. Mesmo que a seleção perca, não haverá tragédia. Deste ponto de vista. Efeitos sobre as eleições podem ocorrer em função das chamadas manifestações.

Lula: Eu tenho certeza de que a presidenta Dilma e os governos estaduais estão tomando toda a responsabilidade para garantir a ordem. Com isso podemos ficar tranquilos, é questão de honra para o governo brasileiro. O que está em jogo é também a imagem do Brasil no exterior. De qualquer maneira, acho que não vai ter violência, e, se houver será tão marginal a ponto de ser punida pela própria sociedade. Agora se um sindicato quer fazer uma faixa “abaixo não sei o quê, 10% de aumento”, é seu direito.
Eu me lembro que disse ao ministro José Eduardo Cardozo, quando começou a se aventar a possibilidade de uma lei contra os mascarados: “Olha, gente, nem brincar com lei contra mascarados porque a primeira coisa que iremos prejudicar vai ser o Carnaval, não os mascarados”.
A Constituição e o Código Penal definem claramente o que é ordem e o que é desordem e, portanto, o governo tem mecanismos para evitar qualquer abuso. Recomenda-se senso comum. Nesses dias tentaram até confundir uma frase minha sobre uma linha de metrô até os estádios. Em 1950, no Maracanã cabiam 200 mil pessoas, mais de duas vezes as assistências atuais. É verdade, havia menos carros nas ruas, infinitamente menos carros, mas também não havia metrô.
CC: De todo modo, vale a pena realizar uma Copa?

Lula: Discordo daqueles que defendem a Copa no Brasil dizendo que vão entrar 30 bilhões, ou que geraremos novos empregos. O problema não é econômico. A Copa do Mundo vai nos permitir, no maior evento de futebol do mundo, mostrar a cara do Brasil do jeito que ele é. O encontro de civilizações, o resultado dessa miscigenação extraordinária entre europeus, negros e índios que criou o povo brasileiro. Qual é o maior patrimônio que temos para mostrar? A nossa gente.
CC: Em que medida essas manifestações nascem do fato de que houve uma ascensão econômica? Aqueles que melhoraram de vida reivindicam mais saúde, mais educação.

Lula: Eu acho que não há apenas uma explicação para o que está acontecendo. Precisamos aprender a falar com o povo, para que entenda o momento histórico.
O jovem hoje com 18 anos tinha 6 anos quando ganhei a primeira eleição, 14 anos quando deixei de ser presidente da República. Se ele tentar se informar pela televisão, ele é analfabeto político. Se tentar se informar pela imprensa escrita, com raríssimas exceções, ele também será um analfabeto político. A tentativa midiática é mostrar tudo pelo negativo.
Agora, se nós tivermos a capacidade de dizer que certamente o pai dele viveu num mundo pior do que o dele, e se começarmos a mostrar como a mudança se deu, tenho certeza de que ele vai compreender que ainda falta muito, mas que em 12 anos, passos adiante foram dados.
CC: O governo não soube se comunicar?
Lula: Eu acho. Eu de vez em quando gosto de falar de problema histórico, para a gente entender o que de fato aconteceu neste país. Já disse e repito: Cristóvão Colombo chegou em Santo Domingo, em 1492, e em 1507 ali surgia a primeira faculdade. No Peru, em 1550, na Bolívia, em 1624. O Brasil ganhou a primeira faculdade com dom João VI, mas a primeira universidade somente em 1930. Então você compreende o nosso atraso.
Qual é o nosso orgulho? Primeiro, em 100 anos, o Brasil conseguiu chegar a 3 milhões de estudantes em universidades. Nós, em 12 anos, vamos chegar a 7,5 milhões de estudantes, ou seja, em 12 anos, nós colocamos mais jovens na universidade do que foi conseguido em um século. Escolas técnicas. De 1909 até 2002, foram inauguradas 140. Em 12 anos, nós inauguramos 365. Ou seja, duas vezes e meia o número alcançado em um século.
E daí você consegue imaginar o que significa o Reuni ao elevar o número de alunos por sala de aula, de 12 para 18. Ou o que significa o Ciências Sem fronteiras, o Fies: 18 universidades federais novas. Pergunta o que o Fernando Henrique Cardoso fez? Se você pensar em 146 campi novos, chegará à conclusão de que foi preciso um sem diploma na Presidência da República para colocar a educação como prioridade neste País.
Nós triplicamos o Orçamento da União para a educação. É pouco? É tão pouco que a presidenta Dilma já aprovou a lei permitindo 75% dos royalties para a educação. É tão pouco que a Dilma criou o Ciência Sem Fronteiras para levar 65 mil jovens a estudar no exterior. É tão pouco que ela criou o Pronatec, que já tem 6 milhões de jovens se preparando para exercer uma profissão. Isso tudo estimula essa juventude a querer mais.
Tem de querer mais. Quanto mais ela reivindicar, mais a gente se sente na obrigação de fazer. Quem comia acém passou a comer contrafilé e agora quer filé. E é bom que seja assim, é bom que as pessoas não se nivelem por baixo. Eu sempre fui contra a teoria de que é melhor pingar do que secar. Quanto mais o povo for exigente e reivindicar, forçará o governo a fazer mais. O que é ruim? A hipocrisia.
Nós temos um setor médio da sociedade, que ficou esmagado entre as conquistas sociais da parte mais pobre da população e os ricos, que ganharam dinheiro também. A classe média, em vários setores, proporcionalmente ganhou menos. Toda vez que um pobre ascende um degrau, quem está dez degraus acima acha que perdeu algumas coisas. A Marilena Chauí tem uma tese que eu acho correta: um setor da classe média brasileira que às vezes também é progressista, do ponto de vista social, mas não aprendeu a socializar os espaços públicos e então fica incomodado.
CC: Nós entendemos que o problema é representado pela elite brasileira. Quem se empenha contra a igualdade?

Lula: Eu sou o mais crítico do comportamento da elite brasileira ao longo da história. Este país foi o último a acabar com a escravidão, foi o último a ser independente. Só foi ter voto da mulher na Constituição de 34. Tudo por aqui resulta de um acordo, inclusive um acordo contra a ascensão social. Na Guerra dos Guararapes, quando pretos e índios quiseram participar, a elite disse “não, não vai entrar, porque depois que terminar essa guerra vão querer se voltar contra nós”.
Esta é a história política do Brasil. Ocorre, porém, que a ascensão dos pobres levou empresas brasileiras a ganhar como nunca. Não sou eu quem lembra – em 1912, Ford dizia: “Quero pagar um bom salário para meus trabalhadores para que eles possam consumir”. Por exemplo, pobre em shopping dá lucro. Muitas vezes os donos não aceitam num primeiro momento, mas depois percebem que é bom. Tínhamos 36 milhões de brasileiros viajando de avião, agora temos 112 milhões.
CC: Notáveis avanços são inegáveis. Mas como vai ser daqui para a frente?
Lula: Eu fazia debates mundo afora, com o Mantega, o Meirelles, às vezes a Dilma. E eu dizia: esses ministros meus, eles falam de macroeconomia, mas o que eles não dizem é que essa macroeconomia só deu certo por causa da minha microeconomia. O que foi a microeconomia? Foi o aumento de salário, foi a compra de alimentos, a agricultura familiar, foi o financiamento, foi o crédito consignado, foi o Bolsa Família. Foi essa microeconomia que deu sustentabilidade à macroeconomia.
Na Constituição de 46, quando o trabalho era o assunto, concluía-se: “Não pode dar 30 dias de férias para o trabalhador, porque o ócio o prejudica”. Chamavam férias de ócio. Agora, as pessoas dizem que o Bolsa Família cria um exército de vagabundos. E o futuro? Numa escada de dez degraus, os pobres só subiram dois, um e meio, ainda falta muito para subir. Por isso eu tenho orgulho da presidenta Dilma, ela sabe que muita gente vai se bater contra ela a sustentar que, para controlar a inflação e fazer o País crescer, é preciso ter um pouco de desemprego, arrocho no salário mínimo, ou seja, que é preciso fazer o que sempre foi feito neste País e que não deu certo.
Então, o que o governo tem de garantir é o aumento da poupança interna, mais investimento do Estado, mais junção entre empresa privada e pública, mais capital externo para investir no setor produtivo. Para tanto, é indispensável dar continuidade à ascensão dos mais pobres. Porque é isso que também vai garantir a ascensão do Brasil no mundo desenvolvido, com alto padrão de qualidade de vida, renda per capita de 20 mil, 30 mil dólares, e até mais. O Brasil não pode parar agora. Está tudo mais difícil, mas temos agora o que a gente não tinha há cinco anos, vamos contar com o pré-sal daqui a pouco.
CC: Temos um agronegócio muito exuberante, muito produtivo e competitivo: é possível mobilizar essa capacidade para estimular a indústria de equipamentos agrícolas?
Lula: Nós já temos uma indústria de equipamentos agrícolas muito boa. Quando na Presidência, cansei de discutir com empresários que feiras de agronegócio nós precisamos é fazer na Argentina, no México, Nigéria, Angola, Índia. Temos de mostrar nossa capacidade nos outros mercados. Esta é uma área na qual o Brasil está pronto, não só porque tem conhecimento tecnológico, mas também porque tem capacidade de área agricultável, terra, sol e água. Sem a vergonha de dizer que exportamos commodities. Hoje, a commodity tem preço. O que nós precisamos é produzir não só o alimento, mas a indústria de alimentos, não só a soja, mas o óleo de soja.
CC: Permita-nos insistir: como vencer as resistências da elite, atiçada pela mídia?
Lula: No movimento sindical, em 1969, comecei a negociar com a Fiesp, certamente a elite era muito mais retrógrada do que hoje. Eu lembro quando nós constituímos a primeira grande comissão de fábrica na Volkswagen nos anos 80, nós fomos pedir a Antônio Ermírio de Moraes a criação de uma comissão de fábricas na sua indústria química de São Miguel Paulista, e significava trabalhador querendo mandar na empresa dele.
Hoje tem uma classe empresarial, mais jovem, que já compreende a importância da negociação coletiva. Mesmo assim, permanecem setores retrógrados. Ainda temos coronel que mata gente por este Brasil afora por briga de terra. Nesses dias a Nissan americana não queria deixar seu pessoal sindicalizar-se por lá mesmo e eu tive de mandar uma carta para o presidente da empresa. Mas voltemos à mídia.
CC: A mídia nutre essa elite.
Lula: Eu certamente não sou especialista nesta questão da mídia e nunca tive muita simpatia dos seus donos. Toda vez que tentei conversar com eles, cuidei de explicar que ao governo não interessa uma mídia chapa-branca, como foram no governo Fernando Henrique Cardoso. Eu não quero isso, não quero que tratem o PT como trataram a turma do Collor nos dois primeiros anos do seu mandato.
Agora, também é inaceitável a falta de respeito com Dilma. Se querem falar mal, façam-no no editorial do jornal. Na hora da cobertura do fato, publiquem o fato como ele é. Nunca liguei para o dono de mídia pedindo para fazer essa ou aquela matéria, mas o respeito há de ter, tanto mais por parte da comunicação, que é concessão do Estado. Respeito à instituição, e acho que eles saíram de um momento em que lambiam as botas da ditadura e evoluíram para o pensamento único a favor de FHC, e contra o meu governo e contra o da Dilma, e contra a presidenta com agressividade ainda maior.
CC: E em termos de informação?
Lula: Quando eu cito os números da educação, por exemplo, é porque nunca foram divulgados por esta mídia. É como se houvesse a obrigação de omitir, sem perceber que com isso se desrespeita o próprio público, que lê, ouve ou assiste. Nem o recente Ibope eles divulgaram. Nem comentaram a inauguração da Rodovia Norte-Sul, que passaram três anos criticando. Há uma predisposição ao negativismo, e isso contribui para uma desinformação da sociedade brasileira. E uma questão é ideológica, se fosse econômica, eles deveriam ir todo dia à igreja acender uma vela para mim, porque muitos estão quebrados e se salvaram no meu governo. Eu estou com a alma tão leve, eu até acho normal o que eles fazem. Vem esse metalúrgico, que a gente supunha destinado a um fracasso total, e é um sucesso. Vem essa mulher aí, que a gente achava um poste, e ela não é um poste. E essa mulher vai se eleger outra vez.
CC: Na verdade, o que está esmaecendo no Brasil e no mundo é o espírito crítico.
Lula: Porque interessa a uma parte da elite brasileira a negação da política. O que vem depois é sempre pior, quando você nega a política. A ditadura brasileira foi a negação da política. O que é muito grave, porque, se você atravessa um momento sem nenhuma referência, sem ninguém em condições de controlar a situação, o próprio Estado vai à deriva.
CC: Insistimos novamente: o governo não se comunica?
Lula: Vocês estão certos, não se comunica, eu tenho falado para o Guido Mantega, para a Dilma: vendo como está o mundo hoje, a cada dois meses o governo tem de fazer igual uma empresa com seus acionistas, que têm fundos de pensão. Ou seja, você tem de fazer viagens e convencer o fundo de que a sua empresa é rentável e vale a pena investir. Então, a cada dois meses o governo brasileiro tem de ir a Nova York, não para falar com aposentados brasileiros, mas com o investidor.
Já falei co m o Itamaraty, com Bradesco, Santander, todos se dispõem a articular os maiores debates brasileiros para mostrar ao mundo realizações e potencialidades. A Petrobras tem de viajar a cada 30 dias para onde tem investidor. Não podemos ficar por conta de um jornalista inglês que copiou matéria de um jornalista que vive no Rio de Janeiro e fica procurando matéria em jornal para se inspirar.
O Brasil precisa reconhecer enquanto vira a sétima economia mundial com viés de ser a quinta, que lá fora já não se fala bem da gente. José Luis Fiori escreveu um artigo comparando Brasil e México para acabar com o complexo de vira-lata de quem fala que o Brasil está pior que o México. O que o México tem melhor que o Brasil? Eu quero que o México fique cada dia mais rico, mas a comparação com o Brasil é inadequada, porque o Brasil é maior que o México em tudo.
Dias atrás, estava aqui com meu amigo Gerdau e perguntei: como está o setor siderúrgico? E ele: não está muito bem. Perguntei: quanto é que você está ganhando no Brasil? Somente aqui, respondeu. Perguntem para o Josué Gomes da Silva, da Coteminas, onde ganha dinheiro? No Brasil. O mercado interno brasileiro é uma bênção de Deus que a elite não sabia existir, eles nunca imaginaram que podíamos ultrapassar os 35 milhões de consumidores.
CC: Que chances há de mudar essa falha do governo?
Lula: Não é fácil, eu sei o que foram meu primeiro e segundo mandatos. Tenho dito com a Dilma que não tem de dar ouvidos a quem fala que gastamos muito com publicidade. Eu acho que, se foi anunciado um programa hoje, e no segundo dia não houve repercussão, vai em rede nacional. O governo tem de dizer o que a mídia não divulgou, porque se não disser, o silêncio se fecha sobre o fato. Dois dias de tolerância, e coloca um ministro em rede nacional, não precisa ir a presidenta todo dia. Mas não fiquemos nisso.
O Marco Regulatório tem de ser compreendido. Não é censura, queremos é fazer valer a Constituição de 88, tanto mais quando entram em cena Facebook e companhia, eu nem sei o nome de tudo. Existe Marco Regulatório de 1962. O Franklin Martins foi feliz ao observar: “Em 62, a gente tinha mais televizinhos do que televisores”.
Eu lembro que menino ia à casa do vizinho ver televisão, a gente só podia sentar no chão, o sofá era do dono da casa e ele ainda pisava no dedo da gente. Para assistir luta livre, tinha de gastar dinheiro no bar, o dono cobrava. Hoje acontece essa revolução tecnológica e você não quer discutir sua regulamentação? Então, o Marco Regulatório e a reforma política são dois temas de ponta que o PT tem de assumir. Temos de convocar uma Constituinte própria para fazer uma reforma política.
CC: O que seria esta Constituinte própria?
Lula: Não se destinaria a elaborar uma nova Constituição, e sim discutir a reforma política, exclusivamente. O Congresso tem de aprovar a ideia do plebiscito, e na convocação você diz o que é. E aí, não faltam recursos jurídicos para adotar a nomenclatura adequada. É insuportável governar com o Congresso tomado por tantos partidos. É preciso ter critério para organizar um partido, tem de haver cláusula de barreira.
CC: Este problema não resulta do fato de que os partidos brasileiros nunca foram o intermediário necessário entre a nação e o governo?
Lula: o Brasil não tem tradição de partido nacional, a tradição são tribos locais, com caciques regionais. Depois do PCB, o PT tornou-se o único partido nacional, cuja atuação partidária a direção decidia. Mas o PT erra quando começa a entrar na mesmice dos outros partidos. Erra quando usa a mesma prática dos outros partidos. Eu não quero voltar às origens, briguei a vida inteira para ser classe média e agora vou voltar a brigar. O PT, tem que saber, criar esse partido não foi fácil. Lembro de alguém que vendeu uma cabrita, que dava leite para amamentar o filho, para legalizar o PT. E até hoje há gente que anda três, quatro dais de canoa para participar de uma convenção. A gente não pode permitir que meia dúzia de pessoas deformem esse partido, ele é muito grande. É um partido que o próprio povo dirige. Não é uma coisa simples, nós temos de valorizar isso. Já disse na convenção do PT: quero ajudar o PT a voltar ao seu leito natural. Se tem uma coisa que o PT tem de se notabilizar é voltar à sua tradição política. É isso que dá autoridade moral e força para a gente.
CC: Não é fácil manter a coerência na hora da coalisão…
Lula: Não é vergonha você repartir administração com outros partidos, sempre que pastas sejam definidas na base da afinidade. A reforma política é a briga que nós temos de ter hoje. Não acho que tenha de ser da Dilma. Ela é candidata, acho que a briga tem de ser de todo o partido. O Rui Falcão tem sido de grande valia nessa luta. Agora vou fazer campanha pelo Nordeste, essa é a contribuição que me cabe no momento. E, se eu fosse o governo, ficaria ouvindo todo programa de rádio, de televisão, e o que não for verdade, pedir direito de resposta. Utilizar a internet e não ficar chorando “a Globo não me dá espaço”. A gente tem outros instrumentos para dizer o que quer. Estou muito disposto, física e psicologicamente, para rodar o Brasil.
CC: A campanha, assumir os palanques…
Lula: Assumir os palanques. Estarei com Dilma onde ela achar conveniente estar. Preciso tomar muito cuidado, porque haverá na base aliada interesses de que eu não vá, porque a Dilma não pode ir, ela é candidata e da base aliada, mas eu tenho compromisso com o meu partido. Eu sei que isso vai ser um problema, a gente vai ter de conversar e negociar muito.
Estou feliz, sabe por quê? Eu sempre achei que quem deixa a presidência fica pensando: como eu estarei daqui a algum tempo? Porque as pessoas vão esquecendo, você vai perdendo importância. Eu lembro que em 2002, 2006, ninguém queria o FHC no palanque. Nem Serra colocou. Em 2010, Serra me apresentou como amigo dele e não colocou o FHC. Então, eu me sinto feliz, eu estou bem, eu ainda tenho consciência de que sou uma pessoa importante na política brasileira, e como tal direi que Dilma é a pessoa mais talhada para cuidar do Brasil.
CC: E essa história que a imprensa criou do “Volta Lula”?
Lula: O “Volta Lula” começou já na época que eu era presidente, quando pediam o terceiro mandato. Eu, graças a Deus, aprendi a ter responsabilidade muito cedo. E aprendi que, ao aceitar o terceiro mandato, por me achar insubstituível, poderia permitir que outros também achassem, com a possibilidade de alguém, algum dia, tentar o quarto. Não é prudente brincar com a democracia. Cumpri meus dois mandatos, saí cercado pelo carinho do povo. Se, em algum momento, tiver de voltar, posso daqui a 4 anos. Mas não é a minha prioridade. Estarei então com 72 e acho que tem de ser gente mais jovem, com mais vigor físico e capacidade de administração. Mas em política a gente não pode dizer que não, nem sim. Nunca me passou pela cabeça voltar.
Em todo caso, minha relação com a Dilma é muito forte, e de muito respeito e admiração pelo caráter dela. Bem formada ideologicamente e muito leal. Nunca iria disputar sua candidatura. Não faltou quem quisesse minha volta, mas quando o Rui Falcão botou em votação, deixei claro: “Quero que saibam, sou candidato a cabo eleitoral da companheira Dilma Rousseff para o segundo mandato à Presidência da República”.
CC: E quanto aos adversários?
Lula: Conheço o Eduardo Campos, é meu amigo, gosto dele profundamente. Conheço o Aécio, ele não tem a mesma firmeza ideológica do Eduardo, tem outro compromisso, é um representante mais afinado com a elite. Mas a Dilma é a mais preparada. Fico triste que não conseguimos construir algo capaz de manter o Eduardo Campos junto da gente. Mas era destino.
CC: E a Marina?
Lula: Eu gosto muito da Marina, como figura humana. Foi minha companheira no PT por 30 anos, tenho por ela um carinho muito grande, mas acho que, de vez em quando, comete equívocos na análise política dela, meio messiânica. Imaginei-a candidata e agora entra de vice. Nisso não consigo entender a Marina. Mas não confundo relação de amizade com a minha decisão política. Tenho amizade com o Aécio mais formal do que com o Eduardo e sua família.
CC: Dilma ganha no primeiro turno?
Lula: A ganhar no primeiro turno por 51% a 49% prefiro ganhar no segundo turno, com 65% a 35%. Reeleição é sempre muito difícil, mas no segundo turno você pode consolidar um processo de alianças com a coalisão e você é eleito com mais desenvoltura, e também permite fazer um debate mais profundo. No primeiro turno todo mundo fala a mesma coisa, promete tudo para o povo. Eu acho que a Dilma está tranquila. Se em 2002 a esperança venceu o medo, acho que agora a esperança e a certeza do que pode ser feito pode vencer o ódio.
CC: A campanha será sangrenta?
Lula: Pelas características dos candidatos, acho que não. De resto, o resultado de uma campanha não define apenas vencedor e derrotados, é o grau de politização da sociedade, é o gosto pela política, é perceber que durante a campanha os candidatos aprenderam alguma coisa e deram um salto de qualidade. Quando disputei com o Serra, nós tivemos uma campanha mais civilizada do que com o Alckmin. Ele se apresenta como cidadão refinado, mas foi de extrema agressividade.
CC: Qual seria o adversário mais provável para o segundo turno?
Lula: Eu acho que, em um segundo turno, será tucano. O PSDB tem base partidária mais organizada, governam São Paulo, Paraná, alguns estados importantes no Nordeste, e tem mais tradição de palanque. Já o PSB tem pouco palanque estadual, a campanha do Eduardo vai ser mais difícil do que em 1989.
CC: E o Padilha, candidato petista em São Paulo?
Lula: O Padilha é um daqueles fenômenos. Eu disse outro dia em Sorocaba ao Padilha: “Depois de quem o precedeu, Arruda Sampaio, Suplicy, Dirceu, Marta, Genoino, Mercadante, você é o melhor candidato de todos nós, o mais alegre, o mais simpático, sua capacidade de comunicação com o povo é fantástica, unificou o partido”.
Mas é uma campanha difícil. Primeiro, porque os tucanos têm uma base sólida em São Paulo, e há conservadorismo no estado e isso dá quase uma garantia. Não sei se Paulo Skaff vai ser candidato, há dois anos que faz campanha não como candidato, mas como presidente da Fiesp. Agora o desafio para o PT é ter os votos que o partido tem habitualmente na cidade, todas as eleições.
CC: Fale da central de boatos a respeito do seu filho Fábio.
Lula: Ao mesmo tempo que sou defensor intransigente da liberdade que temos na internet, acho que somos vítimas dessa liberdade, porque o cidadão entra no seu quarto, seu escritório, e fala a besteira que quiser. Há muito tempo vêm denúncias, outro dia mostraram a sede da Esalq e disseram que era a casa do meu filho, outro dia ele era dono da Friboi, um dia desses ele estava fazendo negócios, inventaram que ele tem um jato.
Conseguimos detectar o paradeiro de dez pessoas, uma era do Instituto Fernando Henrique Cardoso, filho do ex-ministro Graziano. Os envolvidos foram acionados, um veio prestar depoimento, disse: “Mas eu sou eleitor do Lula, eu só citei, não sabia se era verdade, mas coloquei”. Muitos pedem desculpas. O Graziano veio aqui também.
Quando, muito tempo atrás, eu fui contra a invasão do Afeganistão pela então URSS, diziam que eu era da CIA, depois eu era visto pela direita como o cara do Partidão. Isso me permitiu continuar percorrendo o caminho do meio. Mas vale acentuar que nós chegamos à excrescência da excrescência do comportamento humano. Um dia desses eu vejo O Que Sei de Lula, um livro. O autor não conviveu comigo um único segundo para escrever a orelha do livro. Fico pensando: o que faço com um cidadão desse? Acabo percebendo que o melhor é a desmoralização pela mentira. O Romeu Tuma Jr. não merece o comportamento do pai dele. O pai dele foi um cidadão digno. Quando a minha mãe estava para morrer, ele, meu carcereiro, me deixava sair da cadeia às 2 da manhã para visitá-la. Então, quando um cidadão conta uma mentira dessa, o que fazer? Processar? Acho que falta um pouco de senso de responsabilidade no comportamento das pessoas. De verdade, falta reconstruir a estrutura social da família. Quando eu era pequeno, tinha vontade de comer uma maçã embrulhada em papel azul, e ficava diante da barraca olhando e olhando, e sabe por que eu não pegava e não saía correndo? Para não envergonhar a minha mãe. Ela era a minha referência de comportamento.
CC: Mas uma política social que conseguisse alcançar certo grau de igualdade, isso não recriaria automaticamente valores perdidos?
Lula: Há todo um conjunto de fatores viáveis, não concordo com diminuir a idade penal e colocar mais polícia na rua para coibir a violência. Isso não vai funcionar. Eu acho que, se houver mais gente na escola e mais gente trabalhando, vamos caminhar no rumo certo.
CC: Seria correto dizer que há uma concepção errada da polícia num Estado democrático. Trata-se de instituição absolutamente necessária, mas muito maltratada, porque ela não é para reprimir, é para prevenir. Será que não vivemos uma crise institucional dos poderes que haveriam de constituir um Estado moderno?
Lula: Quando a gente fala em reforma, precisamos reformar também o Poder Judiciário. É tudo muito lento. Mas a Justiça pede por uma reforma, porque é justo exigir mais competência, é preciso ter mais estrutura para chegar a um cargo na Justiça. Quanto à polícia, tenho uma observação.
A nossa polícia sabe que em muitos casos o crime organizado está mais preparado do que ela. Todo ser humano tem medo. Há casos em que o policial tira a farda para ninguém saber que ele é policial. Ele vai trabalhar com um pouco de medo, e o medo faz você mais violento. Se você aborda o suspeito, já de revólver em punho, caso este reaja, você puxa o gatilho.
Como é que você resolve isso? Nós cometemos um erro na Constituição, que foi dar muita autonomia aos estados para que sua polícia se desvincule com muita autonomia da PM. Dá a impressão de que os estados saberiam lidar com a criminalidade, mas na prática muitos estados ficam reféns da própria polícia. Primeiro, seria preciso que os policiais se formassem por cursos de inteligência, assim como se formam em tiro ao alvo e arte marcial. Segundo, é preciso pagar melhor. Acho que, no caso da organização da polícia, o problema está na Constituição de 1988. Nas Forças Armadas, nós liberamos 7 mil, 8 mil fardados por ano, que poderiam ser chamados diretamente para a polícia. Mas não, têm de prestar concurso. É preciso rediscutir a respeito. Sem deixar de partir do pressuposto de que nenhum governador quer abrir mão do controle da polícia. Decisivo seria definir o papel de cada um. Porque, quando um governador prende um bandido, ele gosta de aparecer na televisão, mas, quanod ele não prende, o governo federal é o culpado. Essa ponderação explica-se a outros campos. A educação. Quem é que cuida? O governo federal, estadual ou prefeitura? E no ensino técnico? Saúde? Nós precisamos definir tudo isso.
Temos de repactuar os entes federados. Construir um pacto federativo, não só a partir da discussão financeira, mas também de acordo com a responsabilidade de cada um. Penso que no segundo mandato a Dilma terá de fazer coisas novas, é importante promover debates que ainda não foram feitos. Só se fala em política tributária. Eu tentei implementar duas vezes, ninguém quis. Dilma tem de fazer um esforço muito grande para destravar este país.
CC: Até que ponto o senhor pode influenciar Dilma na escolha dos futuros ministros?
Lula: Eu não quero influenciar a Dilma. Faço política por uma transferência de confiança. Eu confio na Dilma. Se for eleita, vai fazer suas escolhas, vou torcer para dar certo. Se achar que ela está errada, vou dar uns palpites. Se em algum momento ela resolver discutir comigo alguns nomes, eu também não terei dúvidas em ajudá-la.
CC: Digamos que a presidente não queira ouvir ninguém, quem quer que seja.
Lula: Não existe isso.
CC: Admitamos uma sugestão não solicitada: “Este cara é muito bom”.
Lula: Vamos supor que a Dilma seja eleita e eu resolva indicar o Belluzzo. E ela falasse “não”. O que iria acontecer? Ia ficar um arranhãozinho na nossa relação de amizade. Daí eu preferir não indicar. É mais saudável, nem eu nem ela teremos decepções. Agora, se o partido vier discutir comigo quais nomes vai indicar, eu direi o que acho a respeito. Com ela, não. A não ser que a escolha me pareça absurda e então não hesitarei: “Este é problema”.
CC: Como analisar o avanço na relação dos BRICS?
Lula: Neste mundo globalizado a gente tem de procurar parceiros. Acabou o tempo em que o mundo pobre esperava tudo da Europa e dos Estados Unidos. Então, eu penso que o Brasil tem de fortalecer as suas relações. Eu sou da tese de que a gente tem de criar um colchão de proteção do Brasil em suas relações externas, do ponto de vista estratégico, do ponto de vista da segurança, econômico, do ponto de vista estratégico do desenvolvimento científico-tecnológico. Porque quem já tem não quer repartir com a gente.
Por isso o Brasil há de fortalecer cada vez mais sua participação, sobretudo na América do Sul. E ter aqui, na América do Sul, algo muito forte na área do comércio e da interação das nossas empresas. Ter empresas fortes e bancos de desenvolvimento fortes. O BNDES tem de arcar com um papel mais importante e a gente tem de construir o Banco Sul. Acho que temos de fazer o mesmo com a África, porque agora, no século XXI, a África dará um salto de qualidade. E com os BRICS, precisamos tomar decisões políticas.
Nós somos uma espécie de pêndulo do planeta, então não podemos ficar dependendo do dólar para fazer negócio. Temos de construir, e não esperar que o mundo construído no século XIX, no começo do século XX, venha nos salvar. Nós podemos fazer a diferença. Eu acho que esse acordo da Rússia com a China, esse negócio do gás, foi um tapa de pelica na cara da Aliança do Atlântico.
Acho que os BRICS devem funcionar como uma espécie de segurrança na relação de cinco economias importantes. Por que eu falo isso? O Mercosul, quando cheguei à Presidência, não valia nada. A Alca é que estava na moda. Nós não implantamos a Alca e o Mercosul passou de 10 bilhões para 49 bilhões de fluxo de comércio exterior. A América do Sul não valia nada, o Brasil não conversava com ninguém, ninguém conversava com o Brasil.
CC: Não é de interesse da elite que esses dados apareçam.
Lula: O Brasil é o primeiro produtor, e primeiro exportador, de carne processada, suco de laranja, tabaco, o segundo de soja. Tudo que você imaginar, o Brasil está entre os cinco do mundo. Vamos gostar deste País!

domingo, 1 de junho de 2014

POLÍTICA - Lula entrou em campo.

Sempre disse que quando o Lula entrar em campo, não tem para ninguém.


Em BH, Lula assume missão de atacar oposição para preservar Dilma


do Portal Terra


Em MG, Lula diz que chance de reeleger Dilma é de '99,9%'  


O ex-presidente cantou vitória e aproveitou para lançar a campanha "Dilminha Paz e Amor"
Ney Rubens
Mesmo antes do início oficial da campanha eleitoral, e a mais de quatro meses do pleito, o ex-presidente Lula já cantou vitória ao discursar nesta sexta-feira, em Belo Horizonte, e aproveitou para lançar a campanha Dilminha Paz e Amor, chamando para si a responsabilidade de atacar a oposição e assim preservar a presidente Dilma Rousseff. Lula e Dilma participaram do encontro estadual do PT que confirmou o ex-ministro Fernando Pimentel como candidato do partido ao governo de MG. Pimentel terá como principal adversário o também ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB). 
"Eles estão raivosos e agressivos, embora apareçam na televisão com rosto angelical. Eu nunca vi tanta agressão e tanto desrespeito a alguém como eles estão fazendo à nossa presidenta da República e nós não podemos perder a tranquilidade. Nós não podemos ficar raivosos. Nós vamos ter que instituir agora a campanha chamada Dilminha Paz e Amor porque eles passaram quatro anos dizendo que a Dilma era muito brava, que a Dilma não atendia ninguém, que a Dilma não gostava disso, não gostava daquilo e nós ficamos aguentando isso 4 anos. E nós agora estamos na disputa com a certeza de 99,9% de possibilidade de reeleger a nossa companheira Dilma presidenta," afirmou. Lula chegou a dizer que a presidente Dilma não pode, por estar no cargo, revidar os ataques dos rivais e da imprensa, mas ele, como não tem cargo público, pode.
Lula disse que a oposição age com preconceito quando trata do crescimento da renda da população brasileira nos últimos 12 anos: "vai ficando tudo insuportável. Nós saímos de 35 milhões de passageiros que voavam nesse País para 111 milhões de passageiros. Por isso eles chegam nos aeroportos e fazem o seguinte - isso aqui está parecendo uma rodoviária. Se eles não gostam de rodoviária, nós não temos nada contra rodoviária. Acontece que nós temos o direito de andar de avião nesse País. O que eles não suportam, na verdade, é que nós, humildemente, ensinamos eles a governar esse País", atacou.Para o ex-presidente Lula, a oposição, simbolizada na figura do senador Aécio Neves, principal e mais ferrenho adversário de Dilma, tem medo das comparações entre os governos: "o que mais incomoda eles é a possibilidade de comparações que nós fazemos entre os nossos 12 anos de governo, que ainda não estão completos, porque só vai ser completo em 31 dezembro de 2014, e o século que eles governaram esse País", disse. "Mesmo aonde nós erramos e mesmo aonde nós não fizemos tudo que imaginávamos que podíamos fazer, ainda assim nós fizemos muito mais do que eles," concluiu.
"Pobre nesse País sempre foi tratado como se fosse cidadão de segunda classe ou categoria. A nós estava reservado apenas o direito de tirar o diploma de primário, quando muito fazer o segundo grau e ir para o mercado de trabalho e ser pedreiro ou empregada doméstico, e nós pensamos - queremos ser médicos, engenheiros", disse. "Incomoda para eles ver muitos carros nas ruas de Belo Horizonte. O que na verdade eles gostavam é de ver poucos andando de carro e muitos pendurados no ônibus. Porque pobre era tratado como estatísticas para ser utilizado em época de campanha. Se a gente pudesse transformar pobre em ações da bolsa de valores, pobre seria a coisa mais rica todo ano de eleição", avaliou Lula.
Confiante, Lula elegeu a imprensa como maior rival na disputa eleitoral: porque o maior partido político de oposição nesse País é a imprensa, dona Dilma, é a imprensa," avaliou, dizendo que vai aproveitar a campanha eleitoral para se vingar das supostas surras que ele e Dilma levaram: "você (Dilma) pelo cargo que exerce não pode falar metade das coisas que eu estou falando para eles, mas como eu não recebo dinheiro público, não exerço cargo público, eu vou falar mesmo e quando eu ataco eles, eles falam que eu ataco, quando eles me atacam, falam que me criticam. Eu vou devolver em pílulas para eles, todo dia, o que eles fizeram comigo em quatro, oito anos.
O que mais incomoda eles é que quando eles passaram oito anos nos batendo, oito anos nos massacrando, quando vem a pesquisa no final de ano, o governo que eles pensaram que tinham matado tinha 87% de bom ou ótimo. O que mais incomoda eles é que a Dilma nunca tinha sido vereadora, nunca tinha disputado um cargo público. Na cabeça deles a Dilma era um poste, e como tínhamos criado o programa Luz para Todos, nós elegemos este poste para iluminar esse País," reiterou, aproveitando para ironizar o governo de Minas Gerais, que o PT acusa de se apropriar mudar o nome do programa do governo federal na área de energia.
O ex-presidente terminou o discurso atacando diretamente o senador Aécio Neves (PSDB), que além de ser o principal adversário de Dilma Rousseff, foi quem resgatou o ex-ministro Pimenta da Veiga para concorrer ao governo de Minas Gerais: "se fala muito em liberdade, mas se exerce pouca liberdade pelos governantes que estão governando esse estado. O Pimentel é um gentleman, educado, não vai fazer crítica, pode ser Pimentelzinho paz e amor, mas não é porque a gente quer paz e amor que a gente vai levar desaforo pra casa. Eu acho que está na hora dos mineiros começarem a discutir algumas coisas. Por exemplo, o nosso adversário, adversário da Dilma, agora está numa combatividade, querendo CPI no congresso nacional, mas desde 2003 que os nossos partidos tentam um CPI em MG porque é praticamente impossível fazer e os tucanos não permitem que se faça CPI nem aqui, nem em SP, nem em outros Estados". Sem deixar cair o tom, o ex-presidente continuou: "o que é mais importante é que eu fico perguntando qual a grande obra de infra-estrutura que o nosso adversário fez no Estado. Eu fico imaginando qual a grande obra. A grande obra dele foi a cidade administrativa, quase que uma coisa feita para ele próprio," ironizou, elegendo em seguida Minas, berço político de Aécio e natal de Dilma, como Estado mais importante para a disputa presidencial. "MG será o Estado prioritário na campanha. E os tucanos vão ter que ir pro beleléu, porque Minas Gerais vai votar no Pimentel," provocou.
Dilma engrossa o coro
A presidente Dilma Rousseff seguiu o antecessor dizendo que não vai aceitar ataques "furibundos". Dilma disse que "eles querem ganhar a qualquer custo, na marra, vão descobrir pela quarta vez que nós e o povo brasileiro não se deixam enganar. Eu posso ser a Dilminha Paz e Amor, mas também posso dizer que não vou levar desaforo pra casa," ameaçou. Dilma começou o discurso tal como Lula terminou, dizendo que vão mandar os tucanos para o beleléu. A brincadeira gritada por um militante serviu para orientar o discurso da presidente, que enfatizou estar voltando a Minas Gerais, depois de ter saído há 45 anos perseguida pelo regime militar, mas que volta "não com as mãos vazias."

A presidente afirmou que o mineiro não aceita o voto de cabresto, e disse que o eleitor precisa comparar, como disse Lula, o governo do PSDB com o do PT para se decidir nas eleições de outubro: "eles (adversários) querem trazer de volta um modelo que já fracassou a partir daqui de MG, com a recessão, desemprego, arrocho salarial, aumento da desigualdade e toda submissão que o Brasil tinha no passado no fundo monetário, por exemplo." disse. "Fomos nós, do governo do PT, quem mais investimos aqui em Minas nas últimas décadas," completou.
Voltou a afirmar, como fez mais cedo em Poços de Caldas, no Sul do Estado, que a Copa do Mundo no Brasil "será um sucesso que o brasileiro vai juntar todo mundo na frente da televisão, tomar uma cervejinha e torcer pela Seleção," previu, dizendo ainda que não podemos ter o complexo de vira-latas, citado pelo escritor Nelson Rodrigues na década de 50: "no Brasil temos muita gente pessimista e com complexo de vira latas, com aquela mania de bem antes da primeira copa que nós ganhamos achavam que a gente iria perder. Que na segunda copa que ganhamos, muito antes achavam que a gente iria perder." 
Para a presidente, o legado que a Copa do Mundo deixará no País é "o padrão Queijo Minas, muito melhor que o queijo suíço," quando se referiu aos atrasos das obras de infraestrutura para o mundial: "Vocês acreditam que alguém que volta para o seu país leva na mala estádios, aeroportos, BRT, metrô, que leva alguma das obras feitas aqui, mas leva uma coisa, e essa coisa é muito valorosa. Aquilo que quando nós fomos em outros países eles deram para nós: respeito, carinho e uma boa recepção," explicou.

ECONOMIA - Os oráculos da Pilantragem.

Os oráculos da Pilantragem




Por Mauro Santayana


 
A Comissão Européia acusou, formalmente, na semana passada, os bancos HSBC, Crédit Agricole e JP Morgan, de promover acordos, por debaixo do pano, para manipular a taxa interbancária EURIBOR - que afeta diretamente o custo dos empréstimos para os tomadores.
Do golpe, participavam também o Barclays, o Societé Generále, o Royal Bank of Scotland, e o Deutsche Bank, já condenados, pelo mesmo crime, em dezembro, a pagar multa de mais de um bilhão de euros.  
O Deutsche, maior banco da Alemanha, teve de ser capitalizado em 8 bilhões de euros, esta semana, para não quebrar. O Banco Espírito Santo, de Portugal, também a ponto de quebra, foi acusado, pela KPMG, de graves irregularidades em suas contas. E o Crédit Suisse foi condenado a pagar 2.6 bilhões de dólares à justiça dos EUA, por favorecimento ao desvio de divisas e à sonegação de impostos. 
Para Bertold Brecht, era melhor fundar um banco que assaltá-lo. E Bernard Shaw lembrava que não há diferença entre o pecado de um ladrão e as virtudes de um banqueiro.
O mundo muda. Hoje, uma diferença de menos de 2% separa o peso das seis maiores economias emergentes das seis maiores economias “desenvolvidas” e as reservas em mãos do primeiro grupo quase triplicam as do segundo.
Mas, no Brasil, continuamos ouvindo, como se fossem oráculos, a opinião dos banqueiros estrangeiros, que só estão em nosso país para organizar a espoliação sistemática de nossas riquezas e do nosso mercado.
Lá fora, a opinião pública chama essa gente de banksters (foto) unindo em uma só palavra o termo bankers (banqueiro) e gangsters (bandidos).  Aqui, o que diz um representante deles - que estão quebrando ou são acusados de crimes em seus países de origem - é sagrado.

 
Independente de quem estiver no poder no governo, o Brasil, se quiser continuar atraindo dinheiro externo, precisa estabelecer instrumentos próprios de defesa da imagem do país lá fora, criando, como se está projetando fazer com os BRICS, agências próprias de qualificação, bancos de fomento, fundos de reserva, etc.
Até mesmo porque a credibilidade das principais agências de qualificação que existem hoje está tão baixa, no exterior, quanto a dos bancos, aos quais tantas vezes se aliam e protegem, para enganar e pilhar países e correntistas.   
É preciso que aprendamos a não dar ouvidos aos enganosos oráculos da pilantragem. Assim como no Brasil, na China os maiores bancos são estatais, e a dependência de capital externo no mercado financeiro é – até por uma questão estratégica - marginal e quase irrelevante. A diferença que existe entre nós e eles – prestes a se transformar na maior economia do planeta – é que, no Brasil, a opinião de instituições externas, acusadas de envolvimento em duvidosos episódios e nas últimas crises internacionais, orienta e pauta as ações do governo, e vai para a primeira página dos jornais.
Em lugares como Pequim e Xangai, o país, os empreendedores e os consumidores, estão se lixando, redondamente, para a opinião dos bancos ocidentais.

MÍDIA - "IstoÉ e a corrupção midiática."


IstoÉ e a corrupção midiática

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:


A IstoÉ presta um serviço sujo aos interesses políticos do PSDB e tenta manchar, com uma matéria ridícula em todos os sentidos, a reputação da revista Fórum, e de seu editor, Renato Rovai, e do blogueiro Eduardo Guimarães.

É uma matéria covarde porque se insere na estratégia maquiavélica de tentar asfixiar financeiramente uma blogosfera que nunca viveu de verbas públicas (ao contrário da grande mídia), e sempre conviveu com enormes dificuldades financeiras.
E é ridícula porque tenta fazer seus leitores de trouxas. Ora, o “crime” da Fórum, segundo a IstoÉ, teria sido receber, honestamente, comercialmente, transparentemente, R$ 5 mil para veicular anúncio da prefeitura de Guarulhos.

Por causa de 5 mil reais! É muita cara de pau!

A matéria, contudo, tem um lado bom, que é revelar o pavor da mídia tradicional de perder espaço para veículos alternativos que, hoje, estão ficando muito fortes na internet. Em alguns casos, mais fortes até mesmo que ela, a mídia tradicional. O blog de Paulo Coelho na Globo costuma ter zero comentários. E olha que as chamadas do blog aparecem na primeira página do site! Paulo Coelho, um dos escritores que mais vende livros no mundo! De vez em quando eu entro no blog do Merval, só para ver quantas moscas andam zumbindo por lá. Geralmente, tem uns 2 ou 3 comentários, na maior parte das vezes fazendo troça do jornalista, com argumentos da nossa blogosfera! O blog da Miriam Leitão, a mesma coisa; tem meia dúzia de comentários, em geral associando seu pessimismo doentio ao interesse político da Globo.

A decadência da velha mídia é irreversível.

Por que o desespero? Porque a própria internet, ao forçar a transparência das contas públicas, revela a promiscuidade entre os órgãos do Estado responsáveis pela publicidade institucional e as velhas mídias.

Se você digitar o CNPJ da IstoÉ (43.525.419/0001-70) no Google, vai descobrir inúmeros contratos de publicidade da revista com órgãos do Estado, de todas as instâncias.
Muitos são de Furnas, por exemplo. Há também diversos contratos com o governo de São Paulo, do PSDB.

O que me chamou a atenção é que, em pleno 2013, a
tabela de publicidade de Furnas vai na contramão de qualquer lógica de audiência e destina apenas 0,44% do total para internet. Já revistas impressas, que atualmente tem uma circulação infinitamente menor que a internet, abocanham 7% das verbas publicitárias da estatal.



Um dos contratos de publicidade de Furnas para 2013

Essa lógica sem pé nem cabeça, de gastar muito mais com uma mídia com muito menos repercussão, se repete em todos os aparelhos de Estado.

Estima-se que o Estado brasileiro, nas suas diversas instâncias, gaste mais de R$ 5 bilhões em publicidade institucional.

Os velhos esquemas entre poder público, agências de publicidade e a velha mídia estão ficando em evidência, e a sociedade não tardará a entender que eles refletem uma mentalidade atrasada e possíveis esquemas de corrupção.

O mundo da propaganda tem um esquema de propina para agências de publicidade, legalizado e a céu aberto, que são os bônus de volume. A mídia recebe dinheiro público para veicular publicidade institucional e repassa gordas comissões às agências. Por isso elas não investem na internet, porque isso as obrigaria a distribuir a verba para um número muito grande de pequenos e médios agentes de mídia, os quais não teriam interesse, nem capital de giro, para lhes retribuir da mesma maneira.

Temendo um futuro que já morde seus pés, a mídia tradicional se desespera. Sua única esperança é uma vitória do PSDB, porque esse é um aliado orgânico dos barões da velha imprensa. Ainda não sei se a velha imprensa é uma grande assessoria do PSDB, ou se o PSDB é apenas um braço partidário da mídia.

O ataque à Fórum então cumpre dois objetivos:

1) sufocar e desqualificar os únicos meios pelos quais a sociedade pode criticar os tucanos, que são as revistas de orientação progressista, como a Fórum, e os blogs;

2) manter intactos os velhos esquemas da publicidade oficial. É preciso intimidar qualquer tentativa de romper a lógica mafiosa que hoje impera, segundo a qual governos ou estatais não podem anunciar na internet. Anunciar na IstoÉ pode, é bom, é legal. Anunciar no site da Fórum, no blog do Eduardo Guimarães, é crime. Esperemos que os governos não se deixem manipular por essas chantagens e decidam, cada vez mais, investir na internet ao invés de jogar dinheiro público fora anunciando em revistas que ninguém mais lê.

Outro ponto ridículo e incoerente da matéria da IstoÉ é que ela acusa a existência de um “bunker da calúnia”, mas ela mesma, na própria matéria, faz o papel que atribui à prefeitura de Guarulhos. Ela, a revista IstoÉ, revela-se um bunker de calúnias. A serviço do PSDB.

E não é por R$ 5 mil. É por milhões de reais. As revistas brasileiras ganham milhões do poder público, em anúncios, em compras em massa de assinaturas (sempre sem licitação), em “apostilas” de educação. A mídia brasileira recebe todo tipo imaginável de “mensalões” do poder público.

Um relatório do
Instituto de Acompanhamento de Publicidade ( IAP), que compila o valor gasto por dezenas de estatais federais e estaduais, informa que a empresa que controla a IstoÉ recebeu, apenas em 2011, R$ 15 milhões.

Relacionei abaixo os veículos que traziam o mesmo CPF da Editora Três, proprietária da Istoé, e quanto receberam das instituições públicas (a maioria federais) listadas pelo IAP, em 2011:



Somando os valores acima, chega-se a um total de R$ 15 milhões.

Isso em apenas em um ano, se multiplicarmos esses R$ 15 milhões por todos os anos em que a revista tem recebido verbas públicas federais, e se acrescentarmos os recursos que ela recebe de governos estaduais, prefeituras, enfim, de todo o aparelho de Estado, quanto daria? Centenas de milhões de reais?

E isso num momento em que as pessoas têm lido cada vez menos revistas impressas e muito mais internet…

Eu tentei ainda pesquisar a publicidade institucional do governo de Minas Gerais, mas não consegui passar do filtro anti-spam.
Tente você entrar lá, se tiver um tempo.

É esta empresa que pretende criminalizar a Fórum, que tem audiência muito superior à IstoÉ, por ter recebido míseros R$ 5 mil da prefeitura Guarulhos?

Abaixo, a resposta de Rovai às calúnias da IstoÉ.

*****
IstoÉ: calúnia tem acento
Por Renato Rovai, na
Revista Forum

A revista IstoÉ desta semana traz uma suposta reportagem associando a revista Fórum a um bunker petista financiado pela prefeitura de Guarulhos para caluniar e difamar o senador Aécio Neves. A matéria pode ser lida aqui. Começa com um erro crasso de português no título. O jornalismo da revista escreveu “calunia”. Assim mesmo, sem acento. Talvez num ato falho, já que a matéria assinada por Josie Jeronimo e Raul Montenegro é de ponta a ponta caluniosa e difamatória. Uma peça feita sob medida e com dois objetivos claros.

O primeiro, intimidar os anunciantes da Fórum porque a enxerga como uma ameaça. IstoÉ não é hoje nem uma sombra do que foi no passado. Trata-se de uma revista em decadência que, segundo o Alexa, um dos sites que mensura audiência na internet, está simplesmente 12 mil posições atrás da Fórum no ranking global. Ou seja, já faz tempo que IstoÉ não tem prestígio, mas agora também não tem leitores. E por isso mesmo não deveria ter anúncios, mas eles ainda pululam em suas páginas, como o do Banco do Brasil, que joga dinheiro fora ao ter um banner patrocinando, por exemplo, a matéria que atacou a Fórum. Ou seja, com essa matéria, a IstoÉ se associa a O Globo que ligou para todos os nossos anunciantes fazendo perguntas intimidatórias
há pouco mais de um mês. O segundo objetivo é criar uma peça jornalística que leve o Ministério Público a investigar as relações da Fórum com a prefeitura de Guarulhos.

Em relação ao primeiro objetivo, como editor e responsável pela publicação, não poderei ajudar o time do Alzugaray. Eles vão ter de se virar sozinhos. Continuaremos fazendo jornalismo relevante e respeitado e por este motivo nossa audiência tende a continuar crescendo. E isso provavelmente nos levará a cada dia a ter mais leitores do que IstoÉ, que certo dia já foi a segunda maior revista do Brasil. Aliás, a única informação correta da matéria da IstoÉ é a de que a Fórum tem aproximadamente 300 mil page views ao dia. É isso mesmo, são de 5 a 6 milhões de page views e mais de 2 milhões de leitores por mês. Algo que Isto É vai ter que comer muita arroz e feijão para ter.

Em relação ao segundo objetivo da família Alzugaray, serei generoso. Na segunda-feira, o departamento jurídico da Fórum vai ser acionado para ir ao Ministério Público, localizar se de fato há algum promotor nos investigando e, se houver, vamos entregar a ele o contrato de inserção publicitária com a Prefeitura de Guarulhos. O promotor não terá o trabalho de nos intimar. Mas vamos fazer mais. Fórum desafia publicamente IstoÉ a mostrar todos os contratos que a revista tem e teve nos últimos 11 anos com o governo de Minas Gerais (tempos de gestão tucana) e nós apresentaremos todos os contratos que Fórum teve nos últimos 14 anos (tempo de gestão petista) na prefeitura de Guarulhos. Simples assim.

IstoÉ não procurou ninguém da Fórum
Na matéria assinada por Josie Jeronimo e Raul Montenegro há o seguinte trecho: “ISTOÉ entrou em contato com o blogueiro (Eduardo Guimarães), com a revista “Fórum” e com a prefeitura questionando o montante pago em publicidade, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição”. Não posso responder pela Prefeitura nem por Eduardo Guimarães, mas Fórum não foi procurada pelos repórteres. Seria interessante que em nome da credibilidade que imagino eles devem querer resguardar, que apresentem provas de que me ligaram, enviaram e-mail ou que tentaram me acessar, por exemplo, pelo Facebook.

A revista também diz que Fórum “replicou a opinião de um blogueiro que insinua envolvimento do senador do PSDB com entorpecentes”. O artigo que IstoÉ faz menção é este de Kiko Nogueira, do Diário do Centro do Mundo (DCM). Não há nele nenhuma insinuação ao uso de drogas por Aécio Neves. Quem insinuou isso foi boa parte do Mineirão no jogo Brasil e Argentina, em 2008. E talvez também por isso a jornalista Letícia Duarte, do Zero Hora, tenha tratado do tema numa entrevista coletiva. O artigo de Kiko só faz uma reflexão sobre a oportunidade de se tratar deste tipo de assunto. E diz que perguntas como essa já foram feitas a Obama que as teria respondido de forma civilizada.

Não tem essa de quanto é…
Aécio já resolveu todos os problemas que tinha com a mídia tradicional e sabe que nada mais que lhe atinja será publicado nos jornalões. Mas ele também sabe que não terá espaço para fazer acordo de qualquer espécie com publicações como a revista Fórum. E por isso vai tentar nos calar inflando reportagens caluniosas e difamatórias como a da Isto É e ao mesmo tempo judicializando tudo que estiver ao seu alcance. Aviso ao senador, vai ter trabalho.

Fórum nasceu em 2001, antes de Lula se eleger presidente da República. E viveu duríssimos momentos em sua existência. Mas nem por isso deixou de fazer o jornalismo que acredita e julga necessário. E não será a prática coronelista de quem gosta de uma imprensa sabuja e aos seus pés, como é quase que totalidade da mídia mineira, que vai nos intimidar. Fórum e nem o seu editor tem medo de Aécio Neves. Ao mesmo tempo ele não será atacado (como nunca foi) de forma leviana em nosso veículo. Será criticado pelas suas posições políticas. E pelas ideias e práticas políticas que consideramos um atraso para o país. Entre estas práticas, e esta reportagem da IstoÉ já deixa claro, é a da intimidação a veículos de imprensa que não lhe batem continência. Senador, não nos conhecemos pessoalmente, mas provavelmente na cobertura desta eleição venhamos a nos trombar. Serei respeitoso como sou com todos aqueles que entrevisto. Mas é bom que o senhor saiba que a Fórum não faz jornalismo na base das negociatas. Até por isso ninguém trata a nossa revista no mercado pelo sugestivo apelido de Quanto é. Com a Fórum, senador, o buraco é mais em cima.

EXCLUSIVO: Lula fala sobre a Copa do Mundo e os protestos


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#InvejaFHC - ARROCHO NEVES, QUERO UMA ESTÁTUA PRO FHC