sábado, 3 de janeiro de 2015

POLÍTICA - Artigo do Mauro Santayana.

Mauro Santayana: O Brasil não é feito só de ladrões


povo brasileiro
FELIZ ANO NOVO ! O BRASIL NÃO É FEITO SÓ DE LADRÕES
por Mauro Santayana, em seu blog, sugestão via e-mail de Mendel Rabinovitch
(Jornal do Brasil) – Inaugura-se, nesta quinta-feira, novo ano do Calendário Gregoriano, o de número 2015 após o nascimento de Jesus Cristo, 515, depois do Descobrimento, 193, da Independência, e 125, da Proclamação da República.
Tais referências cronológicas ajudam a lembrar que nem o mundo, nem o Brasil, foram feitos em um dia, e que estamos aqui como parte de longo processo histórico que flui em velocidade e forma muitíssimo diferentes daquelas que podem ser apreendidas e entendidas, no plano individual, pela maioria dos cidadãos brasileiros.
Ao longo de todo esse tempo, e mesmo antes do nascimento de Cristo, já existíamos, lutávamos, travávamos batalhas, construíamos barcos e pirâmides, cidades e templos, nações e impérios, observávamos as estrelas, o cair da chuva, o movimento do Sol e da Lua sobre nossas cabeças, e o crescimento das plantas e dos animais.
Em que ponto estamos de nossa História ?
Nesta passagem de ano, somos 200 milhões de brasileiros, que, em sua imensa maioria, trabalham, estudam, plantam,  criam, empreendem, realizam, todos os dias.
Nos últimos anos, voltamos a construir navios, hidrelétricas, refinarias, aeroportos, ferrovias, portos, rodovias, hidrovias, e a fazer coisas que nunca fizemos antes, como submarinos – até mesmo atômicos – ou trens de levitação magnética.
Desde 2002, a safra agrícola duplicou – vai bater novo recorde  este ano –  e a produção de automóveis, triplicou.
Há 12 anos, com 500 bilhões de dólares de PIB, devíamos 40 bilhões de dólares ao FMI, tínhamos uma dívida líquida de mais de 50%, e éramos a décima-quarta economia do mundo.
Hoje, com 2 trilhões e 300 bilhões de dólares de PIB, e 370 bilhões de dólares em reservas monetárias,  somos a sétima maior economia do mundo. Com menos de 6% de desemprego, temos uma dívida líquida de 33%, e um salário mínimo, em dólares, mais de três vezes superior ao que tínhamos naquele momento.
De onde vieram essas conquistas?
Do suor, da persistência, do talento e da criatividade de milhões de brasileiros. E, sobretudo, da confiança que temos em nós mesmos, no nosso trabalho e determinação, e no nosso país.
Não podemos nos iludir.
Não estamos sozinhos neste mundo. Competimos com outras grandes nações, que conosco dividem as 10 primeiras posições da economia mundial, por recursos, mercados, influência política e econômica, em escala global.
Não são poucos os países e lideranças externas, que torcem para que nossa nação sucumba, esmoreça, perca o rumo e a confiança, e se entregue, totalmente, a países e regiões do mundo que sempre nos exploraram no passado – e ainda continuam a fazê-lo –  e que adorariam ver diminuída a projeção do Brasil sobre áreas em que temos forte influência geopolítica, como a África e a América Latina.
Nosso espaço neste planeta, nosso lugar na História, foi conquistado com suor e sangue, por antepassados conhecidos e anônimos, entre outras muitas batalhas, nas lutas coloniais contra portugueses, holandeses, espanhóis e franceses; na Inconfidência Mineira, e nas revoltas que a precederam como a dos Beckman e a de Filipe dos Santos; nas Conjurações Baiana e Carioca, na Revolução Pernambucana; na Revolta dos Malês e no Quilombo de Palmares; na Guerra de Independência até a expulsão das tropas lusitanas; nas Entradas e Bandeiras, com a Conquista do Oeste, da qual tomaram parte também Rondon, Getúlio e Juscelino Kubitscheck; na luta pela Liberdade e a Democracia nos campos de batalha da Europa, na Segunda Guerra Mundial.
As passagens de um ano para outro, deveriam servir para isso: refletir sobre o que somos, e reverenciar patriotas do passado e do presente.
Brasileiros como os que estão trabalhando, neste momento, na selva amazônica, construindo algumas das maiores hidrelétricas do mundo, como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio; como os que vão passar o réveillon em clareiras no meio da floresta, longe de suas famílias, instalando torres de linhas de alta tensão de transmissão de eletricidade de centenas de quilômetros de extensão; ou os que estão trabalhando, a dezenas de metros de altura, em nossas praias e montanhas, montando ou dando manutenção em geradores eólicos;
ou os que estão construindo gigantescas plataformas de  petróleo com capacidade de exploração de 120.000 barris por dia, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, como as 9 que foram instaladas este ano; ou os que estão construindo novas refinarias e complexos petroquímicos, como a RENEST e o COMPERJ, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; ou os que estão trabalhando na ampliação e reforma de portos, como os de Fortaleza, Natal, Salvador, Santos, Recife, ou no término da construção do Superporto do Açu, no Rio de Janeiro;
ou os técnicos, oficiais e engenheiros da iniciativa privada e da Marinha que trabalham em estaleiros, siderúrgicas e fundições, para construir nossos novos submarinos convencionais e atômicos, em Itaguaí; os técnicos da AEB – Agência Espacial Brasileira, e do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que acabam de lançar, com colegas chineses, o satélite CBERS-4, com 50% de conteúdo totalmente nacional; os que trabalham nas bases de lançamento espacial de Alcântara e Barreira do Inferno;
os oficiais e técnicos da Aeronáutica e da Embraer, que se empenham para que o primeiro teste de voo do cargueiro militar KC-390, o maior avião já construído no Brasil, se dê com sucesso e dentro dos prazos, até o início de 2015; os operários da linha de montagem dos novos blindados do Exército, da família  Guarani, em Sete Lagoas, Minas Gerais, e os engenheiros do exército que os desenvolveram; os que trabalham na linha de montagem dos novos helicópteros das Forças Armadas, na Helibras, e os oficiais, técnicos e operários da IMBEL, que estão montando nossos novos fuzis de assalto, da família IA-2, em Itajubá; os que produzem novos cultivares de cana, feijão, soja e outros alimentos, nos diferentes laboratórios da EMBRAPA; os que estão produzindo navios com o comprimento de mais de dois campos de futebol, e a altura da Torre de Pisa, como o João Candido, o Dragão do Mar, o Celso Furtado, o Henrique Dias, o Quilombo de Palmares, o José Alencar, em Pernambuco e no Rio de Janeiro;
os que estão construindo navios-patrulha para a Marinha do Brasil e para marinhas estrangeiras como a da Namíbia, no Ceará; os engenheiros que desenvolvem mísseis de cruzeiro e o Sistema Astros 2020 na AVIBRAS; os que estão na Suécia, trabalhando, junto à Força Aérea daquele país e da SAAB, no desenvolvimento do futuro caça supersônico da FAB, o Gripen NG BR, e na África do Sul, nas instalações da DENEL, e também no Brasil, na Avibras, na Mectron, e na Opto Eletrônica, no projeto do míssil ar-ar A-Darter, que irá equipá-los; os nossos soldados, marinheiros e aviadores, que estão na selva, na caatinga, no mar territorial, ou voando sobre nossas fronteiras, cumprindo o seu papel de defender o país, que precisam dessas novas armas;
os pesquisadores brasileiros das nossas universidades, institutos tecnológicos e empresas privadas, como os que trabalham ITA e no IME, no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, ou no projeto de construção e instalação do nosso novo Acelerador Nacional de Partículas, no Projeto Sirius, em São Paulo;   os técnicos e engenheiros da COPPE, que trabalham com a construção do ônibus brasileiro a hidrogênio, com tubinas projetadas para aproveitar as ondas do mar na geração de energia, com a construção da primeira linha nacional de trem a levitação magnética, com o MAGLEV COBRA; nossos estudantes e professores da área de robótica, do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, várias vezes campeões da Robogames, nos Estados Unidos.
Neste momento, é preciso homenagear esses milhões de compatriotas, afirmando,  mostrando e lembrando – e eles sabem e sentem profundamente isso – que o Brasil é muito, mas muito, muitíssimo maior que a corrupção.
É esse sentimento, que eles têm e dividem entre si e suas famílias, que  faz com que saíam para trabalhar, com garra e determinação, todos os dias, cheios de  orgulho pelo que fazem, e pelo nosso país.
E é por causa dessa certeza, que esses brasileiros estão se unindo e vão se mobilizar, ainda mais, em 2015, para proteger e defender as obras, os projetos e programas em que estão trabalhando, lutando, no Congresso, na Justiça, e junto à opinião pública, para que eles não sejam descontinuados, destruídos, interrompidos, colocando em risco seus empregos, sua carreira, e a  sobrevivência de suas famílias.
Eles não têm tempo para ficar teclando na internet, mas sabem que não são bandidos, que não cometeram nenhum crime e que não merecem ser punidos, direta ou indiretamente, por atos  dos quais não participaram, assim como a Nação não pode ser punida pelos mesmos motivos.
Eles têm a mais absoluta certeza de que a verdadeira face do Brasil pode ser vista nesses projetos e empresas – e no trabalho de cada um deles – e não na corrupção, que se perpetua há anos, praticada por uma ínfima e sedenta minoria. E intuem que, às vezes, na História, a Pátria consegue estabelecer seus próprios objetivos, e estes conseguem se sobrepor aos interesses de grupos e segmentos daquele momento, estejam estes na oposição ou no governo.

MÍDIA - A posse segundo a turma do PIG.

Paulo Nogueira: A posse segundo Míriam Leitão e outros


Dilma e Lula po
Dilma e Lula - pose abraço
A posse segundo Míriam Leitão, Cora Ronay, Fernando Rodrigues, Josias de Souza e Cristiana Lobo
por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo, sugerido Júlio César Macedo Amorim
O médium Merval Pereira intuiu, há poucos dias, que Dilma chorou. Freud baixou em Merval e comunicou que se tratava de depressão.
Dilma, de fato, tinha todos os motivos para chorar. O maior deles é que ela acabou de se reeleger presidente da República, com 54 milhões de votos.
À depressão de Dilma opõe-se o entusiasmo frenético que tomou conta de Aécio Neves depois de perder o Brasil e Minas.
Não bastassem tais derrotas, a alegria de Aécio ganhou um novo patamar depois que a revista Veja o sagrou o pior senador da República, com nota zero. “Você só não pode mascarar, Aécio”, aconselhou-o o tutor FHC.
Nosso médium MP haverá de trazer novidades sobre as lágrimas de Dilma depois que duas consagradas estilistas internacionais, Míriam Leitão e Cora Ronay, criticaram a roupa e o andar de Dilma [estão ao final deste artigo].
Uma palavra de Míriam ou de Cora, como sabe o universo da moda, eleva ou arrasa qualquer mulher.
E ambas reprovaram a elegância, ou falta de elegância, de Dilma.
Correm rumores de que Dilma soube da reprovação em plena cerimônia de posse. Fontes próximas do DCM afirmam que no abraço que Dilma deu em Lula ela chegou a pedir que ele a substituísse até 2018.
Era o tempo, ponderou ela, mínimo para ela se recuperar mentalmente dos comentários das grandes damas da moda.
Lula, segundo essa mesma fonte, pediu alguns dias para refletir. Quer antes ouvir a opinião jurídica do mestre Gilmar Mendes.
Foi nesse quadro de tensão extrema que a especialista em fitness da Globonews, Cristiana Lobo, detectou um claro cansaço em Dilma, mesmo depois de férias dignas de Aécio numa praia baiana.
Não surpreende, diante de tal quadro, que dois críticos de cinema do UOL, Fernando Rodrigues e Josias de Souza, tenham achado “sem graça” o espetáculo da posse.
Caso fosse trocado o ator principal, como eles bem notaram, o filme seria outro e bem melhor. Aécio, como protagonista, salvaria o filme, a pátria, a Folha, o UOL – e o emprego de ambos.
É sabido o rigor dos dois críticos. Eles simplesmente destruíram, no passado, a peça Rancor, de Otávio Frias II, imperador da Barão de Limeira.
Fontes íntimas do Planalto dizem que a amargura de Dilma com as observações das deusas da moda se multiplicou quando ela soube que ambas louvaram o ar hipster de Aécio 2015, agora com barba por fazer.
A nação entre no Ano Novo incerta sobre quem a presidirá, uma vez que Lula pediu dias para refletir sobre o pedido de substituição feito por Dilma, mas com a certeza do imenso privilégio que é ter árbitros de moda como Míriam Leitão e Cora Ronay, para não falar em críticos de arte como Fernando Rodrigues e Josias de Souza, sem esquecer a especialista em fitness Cristiana Lobo e nem, claro, o médium Merval Pereira.
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Os tuítes lamentáveis de Cora Ronai e Míriam Leitão sobre a presidenta Dilma. Haja pobreza de espírito. Dica de NaMariaNews


Cora Ronai e Miriam Leitão - tuítes sobre a roupa

MÍDIA - A Dilma gosta de apanhar do PIG.


O futuro da Secom no governo Dilma: Quem não faz, toma


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Dilma, Helena Chagas e Thomas Ttraumann
por Conceição Lemes
A presidenta Dilma Rousseff  acaba de anunciar o novo ministro das Comunicações: o deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), substituindo Paulo Bernardo (PT-PR), que ficou muito abaixo da crítica e do esperado.
Berzoini terá sob sua responsabilidade as políticas de radiodifusão, telefonia móvel e fixa, internet e inclusão digital. Também o encaminhamento do debate sobre a regulação econômica da mídia no Brasil.
Ultimamente, ventilou-se que o Ministério das Comunicações (MiniCom) passaria a cuidar da distribuição de verbas de publicidade do governo federal, hoje a cargo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR).
O Minicom turbinado vingará mesmo? Afinal, há conflito de interesses, já que incumbir o órgão fiscalizador de gerir os quase R$ 2 bilhões de verbas publicitárias seria como colocar a raposa para tomar conta do galinheiro. Aguardemos.
Mas a questão aqui é outra: quem cuidará da política de comunicação no segundo mandato de Dilma?
Refiro-me à comunicação de informações ao público em geral e à imprensa. Ficará com a Secom/PR? Ou será incorporada ao poderoso Minicom?
Em 25 de novembro, saiu no Painel da Folha de S. Paulo uma nota jeitosamente plantada a favor de Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma e ex-presidente do PT-SP. Atentem a ela:
Edinho na Secom
Sinal de que para o chamado mercado a Secom/PR não passa de um cofre que enche as burras da mídia de dinheiro para depois o governo federal apanhar feito cão sarnento. Nada mais.
Só que o buraco é bem mais embaixo.
No mundo atual, as armas mais letais são a bomba atômica e a comunicação.
Em relação à bomba atômica, não adianta espernear. Desde 18 de setembro de 1998, o Brasil é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Antes, a Constituição de 1988 já determinava que o País não teria artefatos atômicos de ataque.
A comunicação, porém, pode funcionar como uma “bomba atômica”, dependendo da competência e motivação de quem a utiliza.
Mas, a se manter a política atual de comunicação do governo Dilma e do próprio PT, o resultado será um traque, no máximo — daqueles de festas de São João. Pior que o nosso vexaminoso 7 a 1 para a Alemanha. Com a diferença de que o que está em jogo é o futuro de um projeto progressista de País.
Falta de entendimento do que é comunicação à sociedade e à imprensa? Covardia? Incompetência? Acomodação?
O PT existe há 30 anos. Apesar dessa longa trajetória, seus dirigentes (vários) ainda não entenderam a importância de informar clara e verdadeiramente à população para que esta forme uma opinião baseada em evidências e fatos concretos. Tanto que não tem estrutura nem estratégia de comunicação. Parece cego perdido em tiroteio quando atingido por um fato negativo. Sua reação é a de um paquiderme letárgico.
Falta-lhe até hoje um “jornal” para todo o país. Os sites e boletins eletrônicos são malfeitos e amadores em termos de conteúdo e forma. Carecem de padronização. As redes sociais e a internet só funcionam em época de eleição. O que é uma pena.
O próprio site do PT nacional é, ainda, lastimável. Quando, por exemplo, começou a discussão sobre os gastos de campanha e doações de empresas ligadas à Operação Lava Jato, ele se limitou a mostrar apenas as contas dos seus adversários. Só que deveria ter feito em primeiro lugar a divulgação de suas próprias contas e doadores. É falta de senso de realidade brigar com a verdade factual, além de dar bala para o inimigo, pois como se sabe as empresas do esquema da Lava Jato patrocinaram candidatos de todos os partidos, com exceção do PSOL.
Então por que o site do PT agiu assim? É o mesmo que ficar recitando loas diante do espelho. Se tivesse feito o inverso, a militância teria material para debater e defender com propriedade o assunto.
Não bastasse tudo isso, assistimos continuamente ao PT privilegiar a mídia tradicional, dando-lhes notícias em primeira mão, apesar de ela lhe baixar o sarrafo dia sim, outro também.
O sonho de consumo de muitos dirigentes petistas continua sendo as Páginas Amarelas da Veja, o Fantástico e o Jornal Nacional da TV Globo. Nós, blogosfera progressista, só somos lembrados quando a vaca já está atolada no brejo.
Será que o PT sofre da síndrome de vira-latas ou da de Estocolmo? É o desejo de ser aceito pela Casa Grande ou sabujice? Ou será que gosta mesmo é de apanhar pura e simplesmente?
Toda essa crítica vale para o governo Dilma. Com um adendo. A Secom/PR, como bem sacaram os executivos das emissoras de TV e das agências publicitárias, se tornou um cofre da mídia. É muita indigência.
À Secom/PR cabe o papel estratégico de formular a política de comunicação não apenas da Presidência, mas do governo federal como um todo, com integração dos serviços e das assessorias de comunicação (Ascoms) dos ministérios e estatais. É justamente o que este setor do governo Dilma não tem feito nem parece entender que necessita urgentemente dessas novas ações.
Por que o órgão, cuja missão é informar a população sobre as grandes ações do governo, neste último ano do primeiro mandato de Dilma diminuiu a produção de conteúdo?
Por que a Secom/PR prefere atuar no varejo, plantando uma notinha aqui e ali, em vez de agir no atacado, democratizando de forma concreta e transparente as informações para toda a mídia?
Por que a Secom/PR prefere privilegiar o veículo a ou b em vez de convocar coletivas para toda a imprensa, como faz Barack Obama, a cada manhã, antes de dar continuidade ao seu trabalho?
Quando Obama não está disponível, é o seu porta-voz que assume esse papel. Só que para isso é necessário que primeiro haja uma agenda da presidência para se trabalhar. Segundo, um porta-voz. Terceiro, ele tem de estar à altura da sua missão. Aliás, uma missão importantíssima do porta-voz é desmontar falsas informações plantadas pela mídia em geral e pela oposição e esclarecer dúvidas. Ao mesmo tempo, ser uma ponte direta com a população brasileira, não apenas com os eleitores de Dilma.
Por que a presidenta reiteradamente opta por jornalistas cinco estrelas da grande imprensa para tocar a Secom sem que eles tenham genuína afinidade com seu projeto progressista?
HELENA, O CONTROLE REMOTO E A CAPITULAÇÃO AOS INTERESSES DAS SEIS FAMÍLIAS 
De 1º de janeiro de 2011 a 31 de janeiro de 2014, a Secom/PR teve como ministra-chefe a jornalista Helena Chagas, que assessorou Dilma desde a campanha eleitoral em 2010.
Helena é uma colega gentil, de bom trato, mas que demonstrou ter visão equivocada sobre o papel estratégico da comunicação. Um dos lances mais emblemáticos dessa fase é o famoso “controle remoto”, de triste memória.
Dilma, sempre que questionada sobre a regulação dos meios de comunicação, repetia que o único controle que existe é o controle remoto, de forma que a pessoa possa mudar de canal de TV. Este virou seu mantra: “Não conheço outro tipo de controle da mídia. Sou rigorosamente contrária ao controle do conteúdo. É inadmissível censura à imprensa”.
Interpretação totalmente errada, que reproduz o pensamento da velha mídia. É como se as seis famílias que detêm o monopólio da comunicação no Brasil tivessem assento garantido e perene na Secom.
Infelizmente, nos três primeiros anos do mandato, Dilma, por falta de orientação ou ensejada por Helena Chagas, embarcou na mentira defendida pela velha mídia, que, até hoje, por má-fé  insiste em dizer que a regulação é “censura” e “atentado à liberdade de expressão”.
Resultado: na recente campanha eleitoral de 2014, o “controle remoto” virou “bumerangue atômico”, que, por pouco, não devastou a reeleição de Dilma.
Helena, aliás, não moveu uma palha para tornar mais equilibrada a relação do governo com os veículos da mídia tradicional. Ao contrário. Capitulou diante dos interesses das seis famílias monopolistas, tanto na relação quanto na distribuição de verbas de publicidade.
Valendo-se do critério da “mídia técnica”, baseado na audiência/tiragem, Helena favoreceu os maiores, contribuindo para a concentração na área (veja aqui e aqui).
Helena também não deu a devida importância à internet em geral, apesar de foi o único meio em franco crescimento. Em relação à blogosfera progressista, menos ainda. Éramos malvistos, devido às nossas críticas à sua atuação.
Os investimentos publicitários da Secom/PR em 2012 confirmam. De R$ 1,8 bilhão dos recursos, a internet ficou na rabeira, recebendo 5,32% dos investimentos, isto é, R$ 94 milhões. Os sites/blogs progressistas atingiram R$ 2,9 milhões. Ou seja, 3% do planejado para internet.
Na verdade, na gestão Helena Chagas, a Secom/PR financiou principalmente os grandes portais e os sites da velha mídia, todos de linha editorial conservadora, de direita. Reproduziu, assim, na internet o mesmo critério adotado em relação à mídia tradicional. Não à toa o chororô dos seus colunistas, quando Helena deixou a Secom no final de janeiro de 2014. Eles trataram a sua substituição pelo jornalista Thomas Traumann quase como um golpe. Traumann era até então porta-voz do governo Dilma, embora raras vezes tenha sido visto oficialmente exercendo esse papel.
TRAUMANN, MST, MATÉRIA CONTRA LULA E FLEXIBILIZAÇÃO DA VOZ DO BRASIL
Traumann é o atual ministro-chefe da Secom/PR. Ele trabalhou nas revistas Veja, Época e no jornal Folha de S. Paulo.
Em reportagem de 2001, na Folha, ele tratava as ocupações do MST como “invasões”, tal qual os ruralistas e arqui-inimigos do movimento, como Ronaldo Caiado e Kátia Abreu, a nova ministra da Agricultura:
Os importadores são considerados adversários porque o MST passará a ter como uma das suas principais bandeiras a “soberania alimentar”, a proposta para que o país produza internamente todos os alimentos que consome. Isso não significa, porém, que o MST vá parar com as suas mobilizações tradicionais. Mais de 1.500 famílias estão acampadas na beira de rodovias do Rio Grande do Sul em uma prévia de novas de invasões de terras.
O que multinacionais de biotecnologia, importadores de alimentos e invasões de terra têm em comum? A resposta foi dada em uma palestra recente pelo líder do MST João Pedro Stedile.
 Será que ele pensa assim até hoje?
Em maio de 2014, o Viomundo publicou: Autor de reportagem de Veja contra Gushiken é contratado da Secom.
A matéria se referia ao jornalista Ronaldo França, que na edição de 6 de julho de 2005 da revista Veja, publicou a reportagem que começou a assassinar a reputação de Luiz Gushiken e a derrubá-lo do cargo de ministro-chefe da Secom: Ação entre amigos.
Na época, dissemos:
Independentemente da duração do trabalho e da qualificação do jornalista, essa contratação é estranha.
É mais do que um deboche. É um desrespeito à memória de Gushiken. É tapa na cara da família. É bola nas costas da militância, que sua a camisa e amassa barro. ´É um emblema de como Dilma, a direção do PT e o governo lidam com a Comunicação e estão reféns da mídia tradicional.
Ronaldo trabalhava como assessor especial justamente na Secom, que Gushiken chefiou. Ele foi levado para lá no início da gestão Traumann, como ministro-chefe da Secom/PR.
Curiosamente, 39 dias após a reportagem de França contra Gushiken, Traumann publicou na Época denúncia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi matéria de capa da edição de 15 de agosto de 2005. E o título era: Lula sabia.
Secom - Traumann
Thomas Traumann e Gustavo Krieger entrevistaram o então presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, que detalhou como teria recebido malas de dinheiro de Marcos Valério, supostamente a mando do PT.
Traumann é um cavalheiro. Assumiu a chefia da Secom em fevereiro de 2014. Em 12 de março, participou de um almoço, em Brasília, oferecido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – Abert. Na ocasião, afirmou: “o Poder Executivo está disposto a apoiar a flexibilização do horário da Voz do Brasil“,  uma das mais antigas bandeiras da Abert.
Secom- Traumann
Traumann discursando no almoço oferecido pela Abert, em Brasília
Em junho de 2014, atendendo à Abert, a Secom/PR optou por flexibilizar o horário do programa de 60 milhões de ouvintes, editando a Medida Provisória 648. Ela permitiu que, durante a Copa do Mundo (12 junho a 13 de julho), a Voz do Brasil fosse exibida entre as 19h às 22h — sem qualquer tipo de fiscalização.
Paradoxalmente, isso aconteceu no momento em que o governo precisava levar mais informações à população para combater o discurso da grande mídia contra a Copa.
Em setembro, em pleno processo eleitoral, a Secom determinou ainda a retirada do ar da TV NBR, entre 0h e 08h. A NBR é a única emissora que transmite as informações oficiais do governo para todo o País. Por que tal medida?
Para completar, o atual ministro não mudou a lógica de distribuição de verbas publicitárias, privilegiando aqueles mesmos veículos que dia e noite fazem campanha contra Dilma, o partido e suas ações. Quem manda na publicidade do governo continua sendo o secretário-executivo da época de Helena Chagas, o “bacaníssimo” Roberto Messias (veja aqui e aqui).
Certamente alguns devem estar se perguntando: para que relembrar esses fatos nessa altura do campeonato?
Para reflexão nossa. O governo Dilma, em hipótese alguma, pode cometer no segundo mandato os primários e graves erros na área de comunicação dos seus primeiros quatro anos.
A perspectiva é de muita guerra. A grande mídia e a oposição não vão dar trégua. E se Dilma não tiver uma equipe competentíssima, afinada sinceramente com o seu projeto progressista, vai ser uma tragédia.
O governo Dilma gosta de dormir com o inimigo? É muita promiscuidade. Por exemplo, eu sei de um ex-ministro que durante o seu mandato tinha em São Paulo um assessor de imprensa, que, por acaso, era o mesmo de um secretário tucano do governo Alckmin.  Como assim?! Pesquisem e descubram.
É cada vez mais comum no governo federal a contratação de empresas de assessorias de imprensa para prestar serviços específicos, até briefings e planejamento de campanhas estratégicas para o governo federal.
Acontece que: 1) algumas delas têm como donos tucanos explícitos & cia; 2) em geral, elas servem a vários senhores, inclusive da direita e da ultradireita que querem destruir o PT e a possibilidade de um governo voltado para o social.
Portanto:
1) Para se implementar uma nova política, a gestão da comunicação não pode ser terceirizada a empresas ou a ex-funcionários proprietários de empresas.
2) Por ser um espaço estratégico, a Secom deve ser ocupada por quadros comprometidos com o projeto, que compartilhem valores que movem um governo progressista.
3) Na comunicação institucional, é preciso subverter a lógica tradicional que prioriza a relação do governo com a chamada grande imprensa. Essa relação reducionista impede a articulação de ações integradas e inovadoras que potencializam uma comunicação mais direta, transparente e ampla entre o governo e a sociedade como um todo.
4) A Secom precisa exercer o papel de coordenadora da comunicação do governo junto aos ministérios, para articular política e estrategicamente uma agenda e um discurso capazes de influir no debate político nacional. E não ficar refém do discurso da grande mídia como tem sido até agora.
5) A Secom tem de ser tudo ao mesmo tempo: coordenadora das grandes linhas de comunicação e disseminadora de informações, assessora de imprensa e analista política. Sobretudo ser rápida no gatilho. Sair na frente, agir, partir para ataque.
Essas são as luzes que Dilma deveria lançar na sua nova Secom/PR. Afinal, quem não faz, toma.
Leia também:
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Renato Rovai: A chamada mídia técnica versus a qualidade democrática
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

PETRÓLEO - Cardenas, o primeiro nacionalista do petróleo.



Cardenas, o primeiro nacionalista do petróleo, por Motta Araújo

LAZARO CARDENAS, O PRIMEIRO NACIONALISTA DO PETROLEO - Lazaro Cardenas del Rio, Presidente do México de 1934 a 1938, foi o primeiro estadista mundial a nacionalizar as empresas estrangeiras de petróleo em seu país, quando isso era algo impensável. O México em 1938 era um dos principais produtores mundiais, o Oriente Médio ainda não tinha ampliado seu potencial de produção, a Rússia era fechada e o grande produtor e exportador eram os EUA.
É claro que excluímos desse pioneirismo a União Soviética que expropriou todas as empresas de todos os setores, um processo revolucionário violento e no meio de uma Guerra Mundial. Cardenas nacionalizou pacificamente.
As empresas estrangeiras eram duas, a Standard Oil e a Mexican Eagle, que era controlada pela Royal Dutch Sell.
A Mexican Eagle era uma das maiores produtoras mundiais, era maior que a Anglo Persian, a produtora da Pérsia e maior que a própria Shell em valor de mercado. Era controlada por Weetman Pearson, Visconde Cowdray, membro da Câmara dos Lords, cuja família é até hoje dona da grande editora Pearson, que publica o Financial Times e a revista The Economist. Em 1919 Lord Pearson vendeu a Mexican Eagle para a Royal Dutch Shell por 75 milhões de dólares, uma fábula naquela época, o corretor foi Calouste Gulbenkian, o homem que descobriu o petróleo do Iraque.
Lazaro Cardenas era de uma família pobre do Estado de Michoacan, o mais velho de 8 irmãos, o pai morreu quando ele tinha 16 anos e foi ele que desde então sustentou a família. Saiu da escola com 11 anos mas a vida inteira se interessou por cultura, lia muito, especialmente livros de História. Com a Revolução Mexicana se juntou ao político Plutarco Calles, que chegou à Presidente e fez de Cardenas Governador de Michoacan em 1928, desse posto Cardenas chegou a Presidente em 1934. Tinha especial interesse em educação, melhorou muito o sistema de escolas, também criou o PRI, Partido Revolucionário institucional a partir do PNR. Na Guerra Civil Espanhola ficou fortemente do lado da República e recebeu milhares de refugiados, grandes intelectuais, médicos, professores, engenheiros, que enriqueceram todas as profissões mexicanas. Por sua influência o México jamais reconheceu o regime franquista e continuou a ter relações diplomáticas formais com o Governo da República Espanhola no exílio, cuja sede era na Cidade do México, até a morte de Franco em 1974. Também deu asilo a Trotsky, que acabou assassinado no México.
Cardenas saiu da Presidência em 1938 mas até sua morte em 1970 foi o condestável do PRI e da política mexicana.
A nacionalização do petróleo não foi pacífica, a Inglaterra rompeu relações com o México, a saída de grande número de técnicos estrangeiros fez baixar a produção até 1941, esta foi retomada pela entrada dos EUA na Guerra, os americanos mesmo protestando contra a nacionalização da Esso passaram a ajudar o México a produzir mais mandando equipamentos e técnicos porque precisavam de petróleo para o esforço bélico.
A Lei de Nacionalização estipulou que o Estado indenizaria as companhias mas essas não queriam isso e sim manter o controle do petróleo mexicano. No mesmo ano da nacionalização Cardenas criou a PEMEX, a primeira estatal de petróleo do mundo.
Cardenas teve uma qualidade única entre os Presidentes mexicanos, saiu pobre da Presidência, todos os demais saíram bilionários e foram morar no exterior depois de deixar o cargo. Cardenas quando assumiu em 1934 cortou seu salário pela metade e não andava com segurança, dizia que o povo o protegia, isso em um País de política violenta.
Cardenas teve no México a importância que Vargas teve no Brasil, um nome até hoje reverenciado, deixou seu filho como herdeiro político, candidato a Presidência duas vezes contra o PRI, partido que seu pai criou.
O modelo da PEMEX foi depois seguido no mundo inteiro, Cardenas foi o pioneiro numa época em que as potências imperais não toleravam tais atos. Uma curiosidade, a Mexican Eagle nos anos 30, antes da nacionalização, era a principal fornecedora de gasolina e lubrificantes ao Brasil, aqui distribuídos nos postos Shell.

ECONOMIA - O que se espera do Joaquim Levy.



O que se espera de Levy é menos ideologia e mais prudência, por J. Carlos de Assis


Creio que pouca gente que acompanha economia no Brasil tem uma perspectiva muito otimista para este ano. Por um lado, teremos um ajuste macroeconômico que provavelmente custará uma retração de 2 ou mais pontos no PIB. Por outro lado, nada indica que um custo social dessa magnitude representará uma efetiva alavancagem para uma real melhoria da economia em 2016. Em suma, podemos estar entrando num ciclo longo de estagnação e contração como ocorre em vários países europeus submetidos a ajustes do tipo que se vai impor aqui.
Deixo claro que isso não se deve exclusivamente às escolhas ministeriais. Com a situação que temos na balança em conta corrente (US$ 86 bilhões de déficit) não temos graus de liberdade para adotar uma política keynesiana de estímulo à demanda agregada através de políticas monetária, fiscal e cambial. Se tentarmos baixar muito os juros, o que seria desejável para retomar o crescimento, correríamos o risco de uma crise no balanço de pagamentos com a brusca redução de entrada e, ainda pior, com um grande fluxo de saída de capitais.
Se tentássemos jogar para os ares o superávit primário e ampliar o gasto público de forma a sustentar um rápido crescimento da demanda agregada e do investimento, correríamos dois riscos, um objetivo, outro de fundo ideológico. Objetivamente, na vigência de taxas de juros básicas muito altas, como é o nosso caso, os estímulos fiscais não funcionam, ou funcionam ao contrário: o gasto público adicional ou é esterilizado pela taxa de juros ou se converte em demanda externa, agravando a crise na balança em conta corrente.
O segundo risco é de natureza ideológica, mas sendo capaz de converter-se rapidamente em um problema objetivo, ou seja, a desclassificação pelas agências de risco. Sabemos muito bem que, em recessão, o aumento do déficit público não gera inflação necessariamente. Entretanto, usando o pretexto da inflação, as agências de risco agem como vigilantes da confiabilidade do déficit e da dívida pública. Enquanto isso fosse apenas um problema ideológico, poderíamos simplesmente levar as mãos e ir adiante. Mas não é o caso.
Uma desclassificação implica o aumento do custo da tomada de novos empréstimos externos e de renovação das dívidas antigas para governo, empresas e instituições financeiras. Seria traumático para o setor privado e tremendamente desconfortável para o setor público. Podemos não gostar disso, mas isso é da natureza de uma ordem global denominada “arquitetura financeira internacional”, da qual nós só escaparemos – e aqui estou adiantando tema para outro artigo, este mais otimista – no contexto de um aprofundamento das relações com os BRICS.
Temos uma estreita margem de manobra no câmbio. Se desvalorizarmos mais, abriremos um pouco o espaço para as exportações de manufaturados: isso seria fácil, pois bastaria que o Banco Central manobrasse o pião na compra e venda de dólares. Entretanto, não é uma receita fácil porque, se usada para além de um nível que acomode mudanças de preços relativos, pode gerar inflação: os preços externos se tornarão mais caros internamente, e grande parte dos preços internos se alinharão aos internacionais que seriam mais elevados.
Tudo isso é para dizer que, no campo macroeconômico, não temos mesmo muita margem de manobra para superar a crise de estagnação em que estamos. Contudo, o fato de respeitarmos as margens não significa que automaticamente vamos fazer as coisas certas. Concordo com muita coisa que o ministro Joaquim Levy disse em duas grandes entrevistas, uma em Valor e outra no Estadão. Refletem o mesmo realismo exposto acima. Entretanto, algumas declarações parecem sair do obituário revigorado do Consenso de Washington.
Vou me ater apenas a um ponto: o que ele chama de “dualidade” do mercado de crédito. Ele propõe acabar com essa “dualidade” a partir de uma analogia: teríamos acabado com a dualidade no mercado de trabalho e a dualidade no mercado de câmbio, o que resultara bom para todo mundo. Ora, é falso que tenhamos acabado com a dualidade no mercado de trabalho. O mercado de trabalho informal reduziu-se, mas não acabou. E reduziu-se não em função de qualquer mudança institucional relevante – exceto da Lei das Domésticas -, mas por força do aumento do emprego e da renda média que turbinaram os serviços, por onde se ampliou a formalização. Mesmo a dualidade no câmbio não acabou; temos câmbio para turismo e câmbio para comércio. E isso não dói em ninguém.
O que significa exatamente acabar com a “dualidade” no mercado de crédito? Acaso significa eliminar o crédito público como instrumento de política, inclusive de política anticíclica, como aconteceu notoriamente com imensas vantagens para o Brasil em 2009 e 2010? E o que faríamos, eliminando a “dualidade”, com os fundos públicos de longo prazo administrados pelo BNDES e Caixa? Suponho que serão repartidos com os bancos privados para que eles apliquem à taxa que quiserem, a exemplo das pornográficas taxas atuais, apropriando-se de uma margem razoável. Isso democratizaria o crédito? Acho que democratizaria o alto custo do crédito!
O fato de essa ser uma posição essencialmente ideológica – não quero levantar suspeitas de favorecimento aos bancos privados - me deixa um pouco tranquilizado, pois acredito que as forças reais presentes na sociedade brasileira, a despeito dos banqueiros que a inspiram, não a deixarão acontecer por razões de sobrevivência. O outro ponto ideológico da entrevista de Levy é a clara defesa de acordos de livre comércio com os Estados Unidos e a União Europeia. Tudo isso se originou no falido Consenso de Washington, e tudo isso está sendo revivido tendo em vista a profundidade da crise em que estamos e certo desespero diante dela por parte de pessoas com a responsabilidade de enfrentá-la. A tendência, nesse caso, é se encostar em alguma autoridade externa para se legitimar num ambiente indefinido. Da mesma forma que a “dualidade” do crédito, os tratados de livre comércio provavelmente não acontecerão, não porque sejam “tecnicamente” equivodados, mas por razão de sobrevivência da indústria brasileira.
Em qualquer hipótese, o melhor caminho que o Ministro deve tomar é o da prudência. Lembro a ele um incidente que me foi relatado por Luís Pinguelli Rosa, então presidente da Eletrobrás nos idos de 2003 e 2004. Pinguelli estava determinado, por razões essencialmente técnicas, a construir a segunda etapa de Tucuruí. Tinha os estudos e todo o dinheiro necessário. Joaquim Levy, então secretário do Tesouro, o procurou e tentou convencê-lo muito cortesmente, por todos os meios, a abandonar o projeto. Certamente queria o dinheiro para fazer superávit primário dentro da política de Palocci. Pinguelli resistiu, a obra começou e afinal o potencial de Tucuruí foi duplicado. Se isso não tivesse acontecido, estaríamos hoje em risco de racionamento. E a situação fiscal não seria diferente de hoje. Portanto, ministro Levy, aja com prudência, veja o que vai cortar!
J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.

GEOPOLÍTICA - Terceira Guerra é contra a Rússia.



          
Do Outras Palavras
Bombardeiro B-52 equipado com armas atômicas. Para Boaventura, "várias agências de segurança [norte-americanas] fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear"
Washington provoca Moscou em três frentes, atiça possível conflito nuclear e ignora opinião da sociedade norte-americana. Em nome da “democracia”?
Por Boaventura de Sousa Santos
Tudo leva a crer que está em preparação a terceira guerra mundial. É uma guerra provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade ativa da UE. O seu alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia. Num raro momento de consenso entre os dois partidos, o Congresso dos EUA aprovou no passado dia 4 a Resolução 758, que autoriza o Presidente a adotar medidas mais agressivas de sanções e de isolamento da Rússia, a fornecer armas e outras ajudas ao governo da Ucrânia e a fortalecer a presença militar dos EUA nos países vizinhos da Rússia. A escalada da provocação da Rússia tem vários componentes que, no conjunto, constituem a segunda guerra fria. Nesta, ao contrário da primeira, assume-se agora a possibilidade de guerra total e, portanto, de guerra nuclear. Várias agências de segurança fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear.
Os componentes da provocação ocidental são três: sanções para debilitar a Rússia; instalação de um governo satélite em Kiev; guerra de propaganda. As sanções são conhecidas, sendo a mais insidiosa a redução do preço do petróleo, que afeta de modo decisivo as exportações de petróleo da Rússia, uma das mais importantes fontes de financiamento do país. Esta redução trará o benefício adicional de criar sérias dificuldades a outros países considerados hostis (Venezuela e Irã). A redução é possível graças ao pacto celebrado entre os EUA e a Arábia Saudita, nos termos do qual os EUA protegem a família real (odiada na região) em troca da manutenção da economia dos petrodólares (transações mundiais de petróleo denominadas em dólares), sem os quais o dólar colapsa enquanto reserva internacional e, com ele, a economia dos EUA, o país com a maior e mais obviamente impagável dívida do mundo.
O segundo componente é controle total do governo da Ucrânia de modo a transformar este país num estado satélite. O respeitado jornalista Robert Parry (que denunciou o escândalo do Irã-contra) informa que a nova ministra das finanças da Ucrânia, Natalie Jaresko, é uma ex-funcionária do Departamento de Estado, cidadã dos EUA, que obteve cidadania ucraniana dias antes de assumir o cargo. Foi até agora presidente de várias empresas financiadas pelo governo norte-americano e criadas para atuar na Ucrânia. Agora compreende-se melhor a explosão, em Fevereiro passado, da secretária de estado norte-americana para os assuntos europeus, Victoria Nulland, “Fuck the EU”. O que ela quis dizer foi: “Raios! A Ucrânia é nossa. Pagámos para isso”. O terceiro componente é a guerra de propaganda. Os grandes media e seus jornalistas estão a ser pressionados para difundirem tudo o que legitima a provocação ocidental e ocultarem tudo o que a questione. Os mesmos jornalistas que, depois dos briefings nas embaixadas dos EUA e em Washington, encheram as páginas dos seus jornais com a mentira das armas de destruição massiva de Saddam Hussein, estão agora a enchê-las com a mentira da agressão da Rússia contra a Ucrânia. Peço aos leitores que imaginem o escândalo midiático que ocorreria se se soubesse que o Presidente da Síria acabara de nomear um ministro iraniano a quem dias antes concedera a nacionalidade síria. Ou que comparem o modo como foram noticiados e analisados os protestos em Kiev em Fevereiro passado e os protestos em Hong Kong das últimas semanas. Ou ainda que avaliem o relevo dado à declaração de Henri Kissinger de que é uma temeridade estar a provocar a Rússia. Outro grande jornalista, John Pilger, dizia recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram até ao fim da semana passada 1.455.590 iraquianos e 4801 soldados norte-americanos. Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?
Estamos em democracia quando 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia e 98% dos seus representantes votam a favor? Estamos em democracia na Europa quando uma discrepância semelhante ou maior separa os cidadãos dos seus governos e da Comissão da UE, ou quando o parlamento europeu segue nas suas rotinas enquanto a Europa está a ser preparada para ser o próximo teatro de guerra, e a Ucrânia, a próxima Líbia?

POLÍTICA - Um resumo da posse.

         
Por Maíra Streit, na revista Fórum:

O primeiro dia do ano foi marcado pela posse da presidenta reeleita Dilma Rousseff. De acordo com informações da Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 40 mil pessoas compareceram ao evento na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O número representa 10 mil participantes a mais do que na primeira posse da petista, em 2011.
A agricultora Terezinha Alves da Silva foi uma das pessoas que vieram de longe para assistir à cerimônia. A moradora do município de Afogados da Ingazeira, no sertão pernambucano, é eleitora de Dilma e espera uma atenção especial aos trabalhadores do campo nos próximos quatro anos. O agente de pesquisa Guilherme Brandão, também de Pernambuco, veio à capital federal apenas para prestigiar a posse. “Vou embora hoje mesmo. É um momento único para a história do país”, enfatizou.

O guardador de carros Amarildo Miguel é de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Vestido com uma camiseta estampada com o rosto da presidenta, ele contou que mora em Brasília há poucos meses e aproveitou a oportunidade para conferir o evento. “Estou confiante de que ela irá honrar os compromissos com educação, emprego, transporte e moradia”, opinou.

Por volta das 15h, Dilma embarcou no Rolls Royce presidencial para desfilar pelo Eixo Monumental, acompanhada pela filha, Paula. O trajeto realizado até o Congresso Nacional foi seguido pelos Dragões da Independência, a guarda do Palácio do Planalto. Ela foi recebida com aplausos ao chegar ao plenário da Câmara dos Deputados e, às 15h30, leu o Compromisso Constitucional ao lado do vice-presidente Michel Temer. Os dois foram empossados pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros.

Brasil, Pátria Educadora

Após assinar o termo de posse, Dilma deu início ao seu discurso, que durou aproximadamente 40 minutos. Na fala, exaltou as mulheres e as conquistas sociais de seu primeiro mandato, lembrando as demandas da população por mais mudanças e avanços.

A superação da extrema pobreza no país, a situação econômica, a reforma política e a
prioridade à Educação foram alguns dos temas abordados. “Gostaria de anunciar o novo lema do meu governo. Ele é simples, direto e mobilizador. E reflete com clareza qual será nossa grande prioridade e sinaliza para qual setor deve convergir o esforço de todas as áreas. O novo lema é: ‘Brasil, Pátria Educadora’”, afirmou.

O suposto esquema de corrupção envolvendo a Petrobras também foi lembrado pela presidenta, que ressaltou a importância de uma investigação aprofundada para pôr fim à impunidade. “Temos muitos motivos para proteger a Petrobras de predadores internos e de seus inimigos externos. Por isso, vamos apurar com rigor tudo de errado que foi feito e fortalecer cada vez mais mecanismos que impeçam que fatos como esse voltem a acontecer”, destacou.

Sobrevivente da ditadura

Ao final, Dilma relembrou a época do regime militar no Brasil, quando foi presa e torturada. No entanto, afirmou não ter qualquer sentimento de “revanche”, pois, segundo ela, a repressão não a impediu de acreditar na luta por um país democrático. “Sempre me emociono ao dizer que sou uma sobrevivente. Pertenço a uma geração que viu a possibilidade de democracia no horizonte e viu ela se realizar”, discursou.

Às 17h, a presidenta deixou o Congresso Nacional em direção ao Palácio do Planalto, onde foi recebida com um abraço pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de passar em revista às tropas e à guarda presidencial, subiu a rampa do Planalto para falar no parlatório ao povo brasileiro.

Durante o segundo discurso do dia, agora na sede do Executivo, Dilma reforçou alguns dos temas citados anteriormente. “Nós temos hoje a primeira geração de brasileiros que não vivenciou a tragédia da fome. Nós resgatamos 36 milhões de pessoas da extrema pobreza, 22 milhões apenas no meu governo”, afirmou ao público.

Autoridades internacionais e posse dos ministros

A fala, de cerca de 10 minutos, foi seguida dos cumprimentos de chefes e vice-chefes de Estado. Entre as autoridades presentes, estavam os presidentes do Uruguai, José Mujica, do Chile, Michele Bachelet, e da Bolívia, Evo Morales.

Cumprida essa etapa, foi a vez de dar posse aos 39 ministros de seu próximo governo. São 20 novos nomes, 15 foram mantidos e quatro remanejados entre as pastas (para conferir a lista completa,
clique aqui). Logo depois, todos se dirigiram ao Salão Oeste do Palácio do Planalto, para a foto oficial ao lado da presidenta.

Já no
Palácio Itamaraty, no início da noite, Dilma participou de uma reunião bilateral fechada com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e outra com a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova. A presidente Dilma Rousseff deixou a recepção no Itamaraty por volta das 21h20, dando por encerrada a cerimônia de posse.

POLÌTICA - A cobertura reciclada da posse.

A posse e a cobertura reciclada



Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:
Os principais jornais do país capricham na cobertura da cerimônia de posse da presidente da República, Dilma Rousseff, em seu segundo mandato. A reinauguração do governo petista mereceu nas edições de sexta-feira (2/1) um pouco mais de volume e densidade noticiosa do que a primeira posse de Dilma, em janeiro de 2011.
A própria imprensa faz algumas comparações com o evento de quatro anos atrás, mas aproveita a chance para explorar o escândalo da Petrobras e as dificuldades contábeis do governo.

Em 2011, Dilma assumiu com a fama de boa gestora, de uma “gerentona” rigorosa, mas, em termos políticos, a imprensa havia tentado colar nela a depreciativa nominação de um “poste” plantado pelo seu antecessor, o ex-presidente Lula da Silva. Duvidava-se de que seria capaz de dominar o complicado jogo das alianças que condiciona o exercício do poder em Brasília.

Na nova versão, a imprensa reconhece que a presidente implantou sua marca pessoal, distanciando-se da matriz onde nasceu sua candidatura, e procura explorar supostas divergências entre ela e seu mentor. Assim, o noticiário passa ao leitor a ideia de que Dilma sofre pressões do grupo político liderado por Lula da Silva, por admitir uma receita próxima do ideário tido como neoliberal para superar o déficit circunstancial no Tesouro e indicadores negativos em alguns aspectos da economia.

De passagem, aqui e ali alguns artigos e editoriais afirmam que as primeiras medidas anunciadas pelo Planalto contradizem promessas de campanha, embora algumas delas venham a atender recomendações da iniciativa privada vocalizadas pela própria mídia. Mas o que chama mais atenção na cobertura da posse é a diminuição do protagonismo da oposição nos cenários desenhados pelos jornalistas.

Basicamente, os jornais dedicam aos representantes oposicionistas apenas frases esparsas, negando-lhes a oportunidade de expor com clareza o que pensam dessa passagem do poder em um governo vergastado pelo escândalo da Petrobras e acossado por dificuldades nas contas públicas.

“Oposição selvagem”

A leitura cuidadosa dos três principais diários de circulação nacional mostra uma diminuição do espaço concedido rotineiramente aos representantes mais destacados da oposição. Seria um sintoma de que a imprensa hegemônica estaria recolhida para tratar as cicatrizes de mais uma derrota nas urnas? Ou a ausência de declarações retumbantes seria resultado simplesmente da falta do que dizer?

Para analisar o discurso predominante na mídia, é preciso observar as expressões que ancoram a mensagem central, e em geral esse processo de indução a certa interpretação dos fatos pode ser observado a partir de alguns pontos fixos: a manchete, um editorial e um ou dois artigos; também se pode acrescentar, eventualmente, a leitura de notas implantadas nas colunas de política para complementar essa constatação.

Assim, pode-se observar que os jornais procuram relacionar o discurso da posse presidencial ao reempacotamento de um velho produto, ou seja, tentam grudar no governo que se inaugura uma etiqueta de validade vencida. Além disso, os textos insistem em demonstrar um distanciamento entre a presidente que assume o segundo mandato e o ex-presidente que a lançou na carreira política.

O fato de o ex-presidente Lula da Silva ter participado discretamente da cerimônia de posse é apresentado como sinal de que alguma coisa não vai bem nas relações entre eles. Para complementar essa versão, usa-se o artifício das notas curtas que relatam descontentamentos nas bases do partido com algumas nomeações para o ministério.

Também é interessante observar como os jornais reduziram as citações do senador Aécio Neves, que até a semana passada era apresentado como líder da oposição. Até o carioca O Globo, que nunca negou respaldo ao senador mineiro, o coloca em segundo plano. O personagem principal da oposição, na nova versão da imprensa, é o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin.

O Estado de S. Paulo dedica um longo texto à disputa entre os dois, mas afirma que Aécio personifica uma “oposição selvagem”, lembra que sua passagem pelo Senado foi pouco expressiva, enquanto apresenta Alckmin como o nome natural para disputar a presidência em 2018. Já a Folha de S. Paulo praticamente ignorou o senador mineiro.

Terá mudado a imprensa ou a política?

Nem uma coisa nem outra: o que parece novo é apenas material reciclado.

POLÍTICA - Aécio Never "jogou a toalha?"

A pá de cal na carreira de Aécio



Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

A carreira política de Aécio Neves - ou ao menos suas pretensões de voltar a se candidatar à presidência da República - terminará nos próximos dias.

Sua declaração recente, apresentando o governador de São Paulo Geraldo Alckmin como o próximo candidato do PSDB, foi mais que um gesto de elegância: respondeu a uma avaliação realista do que o espera pela frente.
Não se sabe bem o que virá da Lava Jato.

Autoridade com acesso integral ao inquérito informa o seguinte:

1- Não há como conter vazamentos, que partem dos advogados, delegados e procuradores e do próprio juiz, que está dando publicidade a todos os depoimentos. Especificamente no caso da capa da Veja, o vazamento foi do advogado do doleiro Alberto Yousseff.

2- Até agora, os vazamentos foram seletivos, aliás "completamente seletivos", diz ele. Quando o inquérito total vier à tona, haverá "bombas de hidrogênio", supõe que envolvendo próceres da oposição. Não avançou sobre quem estaria envolvido, portanto não se sabe se a bomba atingirá Aécio ou não.

Mesmo que não atinja, o fantasma que persegue Aécio atende pelo nome de "ação penal 209.51.01.813801-0".

Em 8 de fevereiro de 2007 foi deflagrada a Operação Norbert, visando apurar denúncias de lavagem de dinheiro na praça do Rio de Janeiro. Conduzida por três jovens brilhantes procuradores - Marcelo Miller, Fabio Magrinelli e José Schetino - foi realizada uma operação de busca e apreensão nos escritórios de um casal de doleiros do Rio de Janeiro.

No meio da operação, os procuradores se depararam com duas bombas.

A primeira, envolvia o corregedor do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Carpena do Amorim.

Carpena foi peça central no assassinato de reputação da juíza Márcia Cunha, trabalhando em parceria com a Folha de S. Paulo no período em que o jornal se aliou a Daniel Dantas.
Coube a Carpena endossar um dossiê falso preparado por um lobista ligado a Dantas, penalizando uma juíza séria.

Ao puxar o fio da meada de uma holding, os procuradores toparam com Carpena. O caso foi desmembrado do inquérito dos doleiros, tocado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e resultou na condenação do ex-juiz a três anos e meio de prisão.

O segundo fio foi puxado quando os procuradores encontraram na mesa dos doleiros uma procuração em alemão aguardando a assinatura de Inês Maria, uma das sócias da holding Fundação Bogart & Taylor - que abriu uma offshore no Ducado de Linchestein.

Os procuradores avançaram as investigações e constataram que a holding estava em nome de parentes de Aécio Neves: a mãe Inês Maria, a irmã Andréa, a esposa e a filha.

Como o caso envolvia um senador da República, os três procuradores desmembraram do inquérito principal e encaminharam o caso ao então Procurador Geral da República Roberto Gurgel. Foi no mesmo período em que Gurgel engavetou uma representação contra o então senador Demóstenes Torres.

O caso parou na gaveta de Gurgel.

No próximo mês deverá ser apreciado pelo atual PGR Rodrigo Janot. Há uma tendência para que seja arquivado. Alega-se que Aécio não seria titular da conta - que está em nome de familiares - mas apenas beneficiário. Certamente não se levantará a versão jabuticaba da "teoria do domínio do fato", desenvolvida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Arquivado ou não, certamente será a pá de cal nas pretensões políticas de Aécio.

POLÍTICA - Dilma mandou recados.


Dilma mandou recados nas entrelinhas

Por Hylda Cavalcanti, na Rede Brasil Atual:
Durante os 43 minutos do seu pronunciamento na cerimônia de posse, no Congresso Nacional, Dilma Rousseff proferiu um discurso tido como genérico, mas que, para muitos políticos presentes, mandou vários recados nas entrelinhas. Mesmo sem mencionar nomes, a presidenta fez referências implícitas à militância do PT, aos aliados do ex-governador pernambucano Eduardo Campos (filiados ao PSB), aos que apoiaram a ex-ministra Marina Silva e à oposição que hoje bate forte no governo. Além disso, citou o Congresso e os manifestantes que foram às ruas pedir mudanças no país.

O pronunciamento foi marcado por temas como políticas econômica, ambiental e externa, redução da pobreza, inovação tecnológica, intensificação de projetos no Nordeste e na Amazônia, além da reforma política. Mas não faltaram itens cuja expectativa de opinião dela a respeito era esperada há semanas, como o combate à corrupção, a defesa da Petrobras, o fortalecimento das instituições e a reafirmação do seu compromisso de não mexer em direitos trabalhistas.

Nesse último caso, o tom usado deu a entender que se tratava de uma resposta – ou explicação – às críticas dos últimos dias sobre duas medidas provisórias que alteraram regras de acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários. Numa forma de abordar o tema, Dilma afirmou que para a garantia desses direitos, quer atuar “por meio da ação firme”. E, para isso, “é preciso ter equidade e correção permanente de distorções, para evitar excessos”.

Chamando os brasileiros de “queridos”, tanto no Congresso como durante sua fala no parlatório, após ter subido a rampa do Palácio do Planalto e colocar a faixa presidencial, Dilma disse que inicia o segundo mandato “cheia de respeito e esperanças”. Destacou que o seu desafio é o da mulher brasileira, “que encarnada na minha figura volta ao posto máximo da nação”.

Ela acentuou que esse projeto de nação – iniciado em 2003, no primeiro mandato de Lula – “tem o mais duradouro apoio popular de nossa vida democrática”. “O povo entendeu que é um projeto coletivo e de longo prazo. A partir do trabalho, iniciado pelo governo do presidente Lula e continuado por mim, conseguimos fazer com que um número importante de brasileiros deixasse de vivenciar a tragédia da fome”, exemplificou.

A presidenta abordou o aumento do número de empregos formais, os programas que possibilitaram acesso ao ensino técnico, avanços na educação e programas de transferência de renda e habitação popular. Aproveitou para pedir mais ética e respeito. “Cumprimos o compromisso fundamental de garantir os direitos básicos que devem ser oferecidos a qualquer cidadão para uma população enorme. Este é um governo que respeita, se respeita e trabalha para protegê-los”, frisou.

Sobre as manifestações das ruas e o segundo turno disputado nas últimas eleições, a presidenta repetiu considerações já feitas após a vitória eleitoral, de que entendeu o recado repassado. “O recado que o povo brasileiro nos mandou foi de que é preciso continuidade dessas grandes mudanças, para fazermos melhor.”
Apoio e diplomacia

Dilma Rousseff solicitou o auxílio dos parlamentares neste processo e disse estar ciente de que conta com o Judiciário, os militantes do PT e partidos da base aliada na empreitada.

Em relação a um tema delicado desde que anunciou a substituição do ministro da Fazenda no seu primeiro governo, Guido Mantega, pelo técnico Joaquim Levy (cuja indicação não agradou a correligionários e integrantes do PT), a presidenta foi diplomática. Acentuou que vai provar que se pode fazer ajustes na economia e que as mudanças esperadas para os próximos quatro anos “dependem da estabilidade”.

“Sempre orientei minhas ações pela convicção sobre o valor da estabilidade econômica, a centralidade do controle da inflação, o imperativo da disciplina fiscal e a necessidade de conquistar e merecer a confiança dos trabalhadores e dos empresários. Mesmo em meio a um ambiente internacional de extrema instabilidade e incerteza econômica, o respeito a esses fundamentos nos permitiu colher resultados positivos. Na economia, temos com o que nos preocupar, mas também temos o que comemorar.”

Dilma ficou de enviar ao Congresso projeto de lei para criação de um mecanismo de transição entre as categorias do Simples e os demais regimes tributários, prometeu a universalização do acesso à internet de banda larga no país e projetos estruturantes para os estados do Nordeste e da região amazônica. Com isso, atendeu a setores que costumam cobrar solicitações do Executivo em relação a tais temas.
'Pátria educadora'

O lema do segundo governo, segundo deixou claro, reflete a grande prioridade do seu programa até 2018: “Brasil, Pátria Educadora”. Enfatizou que a frase tem um duplo significado, uma vez que objetiva fazer da educação não apenas “a prioridade das prioridades”, mas a busca em todas as áreas do governo de um sentido educacional, “baseado na ética e no fortalecimento das instituições”.

Já quanto à legislação ambiental, a presidenta ressaltou a aprovação, no seu primeiro governo, do novo Código Florestal e a implementação do cadastro ambiental rural. Citou taxas de desmatamento e frisou que será aprofundada a modernização da legislação ambiental já a partir de 2015 – ao tocar em itens abordados por uma das suas principais adversárias no primeiro turno das eleições, Marina Silva, cujo discurso é voltado para maior atenção ao meio ambiente.

“Nos engajaremos fortemente nas negociações climáticas internacionais para que nossos interesses sejam contemplados no processo de estabelecimento dos parâmetros globais de redução de emissões”, afirmou.

Quanto aos integrantes do PSB, partido que rompeu com o PT para lançar a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República e depois apoiou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno, Dilma deixou um sinal que soou compreensivo para todos os integrantes da legenda. Atualmente, o PSB apresenta divisões entre os que querem voltar a apoiar o governo e os que pretendem manter uma oposição de caráter independente no Congresso, embora a situação seja negada pelos seus principais líderes.

A presidenta destacou o interesse em incrementar programas de inovação tecnológica e ampliar as ações na Ciência e Tecnologia, setor que foi objeto de muitos projetos de Campos, quando deputado federal, que chegou a ocupar o ministério da área, no governo Lula. Para alguns socialistas, esse ponto do discurso foi visto como um aceno de que o Palácio do Planalto está de portas abertas para algumas das ideias defendidas pelo partido – e para que a legenda volte a fazer parte da base aliada.
Mudanças e personalidade

Ao encerrar a fala no parlatório, embora de forma mais informal, Dilma Rousseff citou uma frase usada pelo escritor baiano João Ubaldo Ribeiro num dos seus principais romances e gritou “Viva o povo brasileiro”. Também fez questão de destacar que “há 12 anos, neste Palácio, não se discrimina os pobres”, numa referência clara aos demais governos e à oposição.

Ao longo da tarde, Dilma Rousseff teve momentos em que apresentou um semblante mais tranquilo e momentos em que fechou a cara na descida do Congresso Nacional, diante da demora na cerimônia dos tiros de canhão. Mas sorriu e acenou para a militância do PT e pessoas que gritaram o seu nome. Ao chegar no Palácio do Planalto, coroou o evento com um grande abraço no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A presidenta fugiu algumas vezes do seu estilo pessoal ao mencionar, de forma branda, o passado (marcado por um período de prisão e tortura na ditadura) – algo sobre o qual quase sempre evita falar – e a batalha vencida contra o câncer. Fugiu do estilo até mesmo por trocar o figurino mais formal que utilizou na primeira posse por um vestido de renda em tom pastel. Ao mesmo tempo, deu várias vezes sinais da sua personalidade.

MÍDIA - Ainda sobre a posse.


A posse segundo os colunistas da mídia

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:
O médium Merval Pereira intuiu, há poucos dias, que Dilma chorou. Freud baixou em Merval e comunicou que se tratava de depressão.

Dilma, de fato, tinha todos os motivos para chorar. O maior deles é que ela acabou de se reeleger presidente da República, com 54 milhões de votos.

À depressão de Dilma opõe-se o entusiasmo frenético que tomou conta de Aécio Neves depois de perder o Brasil e Minas.
Não bastassem tais derrotas, a alegria de Aécio ganhou um novo patamar depois que a revista Veja o sagrou o pior senador da República, com nota zero. “Você só não pode mascarar, Aécio”, aconselhou-o o tutor FHC.

Nosso médium MP haverá de trazer novidades sobre as lágrimas de Dilma depois que duas consagradas estilistas internacionais, Míriam Leitão e Cora Ronay, criticaram a roupa e o andar de Dilma.

Uma palavra de Míriam ou de Cora, como sabe o universo da moda, eleva ou arrasa qualquer mulher.

E ambas reprovaram a elegância, ou falta de elegância, de Dilma.

Correm rumores de que Dilma soube da reprovação em plena cerimônia de posse. Fontes próximas do DCM afirmam que no abraço que Dilma deu em Lula ela chegou a pedir que ele a substituísse até 2018.

Era o tempo, ponderou ela, mínimo para ela se recuperar mentalmente dos comentários das grandes damas da moda.

Lula, segundo essa mesma fonte, pediu alguns dias para refletir. Quer antes ouvir a opinião jurídica do mestre Gilmar Mendes.

Foi nesse quadro de tensão extrema que a especialista em fitness da Globonews, Cristiana Lobo, detectou um claro cansaço em Dilma, mesmo depois de férias dignas de Aécio numa praia baiana.

Não surpreende, diante de tal quadro, que dois críticos de cinema do UOL, Fernando Rodrigues e Josias de Souza, tenham achado “sem graça” o espetáculo da posse.

Caso fosse trocado o ator principal, como eles bem notaram, o filme seria outro e bem melhor. Aécio, como protagonista, salvaria o filme, a pátria, a Folha, o UOL – e o emprego de ambos.

É sabido o rigor dos dois críticos. Eles simplesmente destruíram, no passado, a peça Rancor, de Otávio Frias II, imperador da Barão de Limeira.

Fontes íntimas do Planalto dizem que a amargura de Dilma com as observações das deusas da moda se multiplicou quando ela soube que ambas louvaram o ar hipster de Aécio 2015, agora com barba por fazer.

A nação entre no Ano Novo incerta sobre quem a presidirá, uma vez que Lula pediu dias para refletir sobre o pedido de substituição feito por Dilma, mas com a certeza do imenso privilégio que é ter árbitros de moda como Míriam Leitão e Cora Ronay, para não falar em críticos de arte como Fernando Rodrigues e Josias de Souza, sem esquecer a especialista em fitness Cristiana Lobo e nem, claro, o médium Merval Pereira.

MÍDIA - O jornalismo na posse de Dilma.


Jornalismo futriqueiro na posse de Dilma

Por Claudio Luís de Souza, no blog Viomundo:

1 e 2 de janeiro ficarão marcados em nosso calendário como os Dias Nacionais de Velório e Enterro do Jornalismo Político na TV e no Papel.

A cobertura da posse de Dilma na Globo News, em tese a CNN brasileira (sorry, mas deveria ser, né), chegou a me provocar náuseas literais.
As palavras “levy”, “ajuste”, “petrobras” e “lavajato”, como bem observou a Mariana Amaral Queiroz, devem ter rendido algum bônus por citação aos jornalistas da emissora.

Durante os cumprimentos das autoridades internacionais, o quarteto de ineptos que participava da cobertura preferiu ficar rosnando imbecilidades sobre a “robustez da oposição”.

Eu só soube que o tiozinho grisalho que ficou 10 minutos falando com a Dilma era da Rússia porque mudei pra NBR.

A ganhadora do prêmio do posto de gasolina (pela atuação como taquígrafa no depoimento de um certo alcaguete), o panaca com voz de choro e nome de área VIP, a gordinha simpática e um ser oposicionista não-identificado — todos deram um show de má vontade, ausência de fontes (Álvaro Dias não vale, hein) e preguiça mental.

Na Folha de hoje, aquele jornal que deveria ser o nosso The New York Times (oh gaaaawd, mas é isso, neh), não se fala em reforma política (de longe o tema mais forte do dia, com o sintomático apoio de Renan Calheiros em discurso logo após o de Dilma), não se tenta entender o que é o “Brasil, pátria educadora” (“ah, ela não explicou” — mas porra, a obrigação do jornal é apurar, neh) e não se nota que a presidente politizou o caso Petrobrás à esquerda.

Nem mesmo a inflexão guerrilheira-trabalhista da retórica, com um “nenhum direito a menos, nenhum passo atrás, só mais direitos etc.” foi notada pelos gênios da raça folhentos.

Artigos de opinião não passam do senso comum antiestatista, antidilmista, antitrabalhista. Bate-paus que escrevem o que o patrão quer ler publicaram seus tradicionais mimimis — que, a rigor, poderiam ter sido escritos um mês atrás. É sempre a mesma coisa que eles dizem, chega a beirar o autoplágio.

Enquanto isso, vários dos chamados “blogueiros sujos” foram convidados pra recepção no Itamaraty, na noite de ontem, e devem publicar coisas muito mais interessantes — porque próximas do poder — de hoje em diante.

“Ah, mas eles são militantes pró-governo”.

Claro que são — e por isso mesmo têm acesso às fontes que interessam hoje em dia!

Já a turma da GN e da Folha, para ficar nos exemplos citados aqui, por fazer o jogo da “oposição robusta” (moralmente cada vez mais truculento), certamente não tem a confiança de ninguém do lado de cá.

Chafurdam exclusivamente nos interesses antigoverno, e por isso só têm fontes do lado de lá.

E isso não basta para entender o que realmente está acontecendo. Nem pra fazer JORNALISMO.

PS do Viomundo: Agradecemos ao Palácio do Planalto pelo convite mas compromissos assumidos anteriormente nos impediram de comparecer à posse de Dilma. No entanto, acompanhando à distância o noticiário, estranhamos o viés negativo de certos comentaristas, acompanhado da obsessão pelo vestido de Dilma. É o jornalismo da futrica, que veio acompanhado de mentiras como a da Folha de S. Paulo. Segundo o diário conservador, tentou-se regulação de conteúdo da mídia no governo Lula. Mentira deslavada, na maior cara de pau. Em nome da militância, a turma da Barão de Limeira já nem se preocupa mais com a verdade factual. O jornalismo vagabundo omite, obviamente, que há regulação de conteúdo em concessões públicas de rádio e TV em várias democracias do mundo. No Reino Unido, por exemplo. Nunca como censura prévia. Mas a Folha, que em tese deveria informar, confunde tudo em nome de defender que apenas uma dúzia de famílias controlem o setor no Brasil.