sábado, 2 de janeiro de 2016

ECONOMIA - A histeria contra o salário mínimo.



Quando os juros aumentam beneficiando os rentistas e especuladores, parasitas do capitalismo, não se observa essa histeria.

A histeria contra salário mínimo de R$ 880

Por Altamiro Borges

Entrou em vigor nesta sexta-feira (1) o novo valor do salário mínimo, que terá impacto direto na vida de mais de 48 milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas do Brasil. Ele passou de R$ 788 para R$ 880, um reajuste de 11,67%. Com essa decisão, adotada em tempos sombrios de ajuste fiscal, a presidenta Dilma preservou a política de valorização do salário mínimo, iniciada no governo Lula após um acordo histórico com as centrais sindicais. Apesar do aumento nominal ser de apenas R$ 92, a velha imprensa fez questão de bombardear o decreto presidencial. Essa histeria confirma, mais uma vez, que os barões da mídia só pensam nos seus lucros e nos interesses dos rentistas. Para eles, o ideal seria que o Brasil voltasse à época da escravidão, sem salários ou direitos trabalhistas.

Manual do perfeito midiota

Por Luciano Martins Costa, no site Brasileiros:

O ano está terminando e você certamente está odiando não poder jantar naquele restaurante em Nova York onde um lugar à mesa não sai por menos de 300 dólares.

Você leu na imprensa brasileira que esse é o melhor programa para comemorar a passagem do ano. Mas não vai dar, não é? E a culpa, claro, é daqueles que fizeram disparar o dólar e elevaram os juros, de modo que, por mais que tenha ralado para cumprir as metas, o custo desse sonho é muito alto.

Isso faz com que você odeie ainda mais esses comunistas que afundaram o Brasil, não é mesmo? Porque você está convencido, pela leitura dos jornais e da maioria das revistas de informação, de que o Brasil afundou.

E a democracia sobreviveu a 2015

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



Refletindo sobre o ano espantoso, assustador e doloroso que chega ao fim, há que concluir que, sob um aspecto muito importante, não só terminou bem como ainda abre passagem a um novo ciclo que promete marcar a virada desse jogo injusto e perigoso que foi jogado ao longo dos últimos 365 dias.

Desde 2002 o Brasil não tinha um ano tão ruim. Durante os 12 anos seguintes este país distribuiria renda, veria a pobreza cair e o nível de emprego aumentar. Mas o fascismo não se conformava…

Metrô, monotrilho e esqueletos de Alckmin

Por Francisco Luís, no blog Viomundo:

Nessa quinta-feira, 31 de dezembro, o Estadão publicou que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) suspendeu até 2017 o início da construção de dois trechos do monotrilho da Linha 17-Ouro (Jabaquara-Morumbi), na zona sul da capital. Em consequência, trava a conexão metrô-aeroporto de Congonhas, prometida para 2012.

Nenhuma surpresa para quem acompanha os dados da execução do Metrô paulista. Execução é o quanto foi gasto para fazer a obra.

O incrível reveillon de bobagens de O Globo

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

É a crise, é a crise, é preciso gritar a cada minuto.

Ontem à noite, a poucas horas da virada do ano, O Globo saiu-se com a “pérola”:
Crise econômica faz público trocar o branco pelo amarelo no réveillon.

Ridículo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Eu acuso Aécio Neves

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Eu acuso Aécio.

Um homem que:

- Constroi um aeroporto privado com dinheiro público;

- Coloca recursos do contribuinte mineiro, como governador, em rádios da própria família;

- Não se envergonha de, sendo político, ter rádios, num brutal conflito de interesses;

"Maior herança é a ascensão dos excluídos"

Por Miguel Martins, na revista CartaCapital:



Atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (
Ipea), o sociólogo Jessé de Souza é conhecido pelo pensamento agudo e a argumentação desassombrada. Seu novo livro, A Tolice da Inteligência Brasileira, confirma essas características. Ao analisar o desenvolvimento do pensamento no e sobre o País, Souza não poupa ninguém, nem mesmo Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda. Segundo ele, o pensamento culturalista brasileiro tornou-se um instrumento das elites para influenciar a classe média na demonização das instituições e da classe política, o que esconderia a verdadeira intenção da parcela mais rica do País: apropriar-se novamente do Estado brasileiro.

Globo encerra 2015 contra o Brasil

Do site Vermelho:

O sistema globo de comunicação encerra 2015 na incessante campanha contra a Petrobras e o Pré-sal e nesta quinta (31) os irmãos Marinho atacam, através de editorial, as razões que fizeram o governo federal aumentar o salário mínimo. A medida vai injetar 57 bilhões na economia do país em 2016 e melhorar a renda de 48 milhões de brasileiros.

De acordo com os Marinho, o argumento usado pelo governo federal para aumentar o salário mínimo é “tosco”. O que não surpreende no histórico do grupo de comunicação que, em 1962, também se posicionou contra a adoção do 13º salário.


POLÍTICA - E a democracia sobreviveu a 2015.

E a democracia sobreviveu a 2015

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



Refletindo sobre o ano espantoso, assustador e doloroso que chega ao fim, há que concluir que, sob um aspecto muito importante, não só terminou bem como ainda abre passagem a um novo ciclo que promete marcar a virada desse jogo injusto e perigoso que foi jogado ao longo dos últimos 365 dias.

Desde 2002 o Brasil não tinha um ano tão ruim. Durante os 12 anos seguintes este país distribuiria renda, veria a pobreza cair e o nível de emprego aumentar. Mas o fascismo não se conformava…
Chegamos ao fim de 2014 com algum desequilíbrio fiscal que poderia ter sido resolvido facilmente se tivéssemos feito o ajuste no primeiro semestre e se a operação Lava Jato não tivesse se transformado em um instrumento político para sabotar a economia, paralisando o setor da construção pesada e lançando incertezas sobre os agentes econômicos, paralisando o investimento.

A sabotagem da direita midiática roubou-nos empregos, aumentou a inflação, interrompeu a queda da pobreza e da desigualdade. E, mais do que tudo, ameaçou a democracia.

Os problemas econômicos artificiais, gerados por autêntica sabotagem assacada contra a nação, ludibriaram a maioria dos brasileiros, levando-os a colaborar com setores microscópicos da sociedade que a oprimem há cinco séculos e que, de forma trágica, recuperaram força que haviam perdido durante mais de uma década.

Hidrófoba, a ultradireita se assanhou como não fazia desde que, há cerca de meio século, sepultou a democracia e impôs aos brasileiros duas décadas inteiras de opressão, de violência, de concentração de renda, de saque ao patrimônio público sem que ninguém pudesse sequer sonhar em contestar.

Foi doloroso ver as minúsculas classes opressoras arrastarem para seu baile macabro aqueles que oprimem, lotarem as ruas em um festim diabólico contra a democracia.

Por muitas vezes, nesse ciclo terrível que chega ao fim, vimos a democracia quase naufragar e dar lugar a um novo regime autoritário que se estabeleceria sob disfarce de legalidade, porém jogando no lixo mais um mandato popular sob mentiras e distorções dos fatos, o que teria aberto um período de caça às bruxas da mesma natureza do que sucedeu ao golpe de 1964.

Porém, as instituições brasileiras resistiram. O Supremo Tribunal Federal, saneado da demência personalista de Joaquim Barbosa, não foi mais o mesmo. Barrou a delinquência de Eduardo Cunha e se converteu no grande bastião da democracia.

A esquerda, mesmo combalida e sem entender completamente o momento político, intuiu que precisava ir à rua e, assim, fez ver aos fascistas e golpistas que não seria tão fácil sepultar a democracia – sem violência física, dar um golpe de Estado é infinitamente mais difícil.

A democracia resistiu, também, por uma resistência de homens e mulheres que usaram a internet para denunciar os ímpetos antidemocráticos que espreitavam a nação. Blogueiros, ativistas digitais e uma parcela corajosa, heroica da opinião pública não sucumbiram à tentação de se abster. Agredidos, insultados, nós que atuamos pela democracia na internet não nos rendemos e, assim, ajudamos a barrar o golpe.

Por muitas vezes, todos nós pensamos que estava tudo perdido. O golpe seria desfechado e a democracia, que tanto custou a tantos para ser restabelecida, seria massacrada novamente. Mas não aconteceu.

Nossa luta tem dado frutos. Setores crescentes da sociedade apenas iniciam o despertar do ilusionismo nefando com que pretendem reimplantar um regime ditatorial no país. Conseguimos resistir, conseguimos barrar o golpe em 2015, o que, a certa altura, parecia impossível.

O ano que principia começará turbulento. Os golpistas apostarão tudo no primeiro trimestre porque sabem que, depois, a economia começará a se recuperar. E não haverá como impedirem. Só temos mais três meses de luta desigual pela frente, portanto. E para quem resistiu por 365 dias, resistir mais noventa será moleza.

A munição golpista-fascista está terminando ao mesmo tempo em que a nossa está para receber reforço da recuperação do segundo trimestre e de medidas do governo que diminuirão a resistência de setores da esquerda a se posicionarem contra o golpe. Por isso tudo, 2016 será o ano da virada. O fascismo não perde por esperar.

Que venha 2016. Feliz Ano Novo, companheiras e companheiros!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

ARGENTINA - Os segredos da sua chanceler.


Os segredos da chanceler argentina Susana Malcorra

Nomeada por Macri, Malcorra é investigada por ter ocultado um caso de abuso sexual a menores realizado por membros das Forças de Paz na África.



Walter Goobar, em Miradas al Sur
ABr
A influente revista estadunidense Foreign Policy, em sua última edição – do dia 17 de dezembro –, cita uma investigação interna das Nações Unidas para revelar a nefasta participação da atual chanceler argentina, Susana Malcorra, quando trabalhava como chefa de gabinete do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. O veredito de um painel de três juízes independentes nomeados por Ban Ki-moon – ao qual Miradas al Sur teve acesso –, responsabiliza Malcorra e outros funcionários de alta patente pelo ocultamento de um caso de abuso sexual a menores realizado por membros das Forças de Paz, os chamados “Capacetes Azuis”, e também pela perseguição sofrida pelo funcionário sueco Anders Kompass, que obteve a notícia junto às autoridades francesas, visando acabar com os abusos.

No dia 29 de abril de 2015, o mundo ficou sabendo sobre os sistemáticos casos de abusos sexuais contra menores por parte das Forças de Paz em Guiné, no Chade, em Guiné Equatorial e num acampamento de refugiados na República Centro-africana (RCA). Os testemunhos teriam sido recolhidos durante quase um ano pelo EACDH (Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos) e pela Unicef (Fundo da ONU para a Infância), e foram vazados para o diário britânico The Guardian. O artigo incluiu o testemunho de Anders Kompass, um especialista em Direitos Humanos sueco com mais de 40 anos de experiência, que foi suspenso e estava sendo investigado pela ONU após ter alertado o governo francês sobre os abusos.

Até agora, Anders Kompass tem guardado silêncio sobre o seu papel neste caso, mas na semana passada, um painel independente nomeado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, estabeleceu a inocência do funcionário sueco, que só tentava acabar com os abusos contra menores, e concluiu que vários funcionários de alta patente – entre os quais foi mencionada a atual chanceler argentina, Susana Malcorra, que nesse momento trabalhava como chefa de gabinete de Ban Ki-moon – estavam mais preocupados em silenciar e perseguir o denunciante do escândalo, Anders Kompass, do que em proteger as crianças do perigo que se encontravam, ou sancionar os abusadores.


No dia 19 de maio de 2014, um garoto de 11 anos declarou que um soldado francês lhe prometeu comida em troca de sexo oral, foi estuprado e recebeu bolachas e algumas notas. A criança deu uma descrição detalhada do soldado e afirmou que poderia identificá-lo, e mesmo assim nenhuma medida foi tomada, sequer uma advertência aos soldados, não se realizou nenhum esforço para evitar os abusos, nenhum alerta foi expedido às dezenas de milhares de adultos que vivem no acampamento. O pessoal da Unicef reportou os casos de sexo oral forçado e de estupro anal de garotos entre 8 e 15 anos, e não se tomou nenhuma medida. No total, as entrevistas documentam o abuso sexual de 13 crianças por parte de 16 soldados da Força de Paz: 11 eram franceses, três do Chade, e dois de Guiné Equatorial. Em outros sete, os Capacetes Azuis atuaram como cúmplices. O informe acusa a 23 soldados no total.

Em meados de julho de 2014, a ONU ainda não havia tomado nenhuma medida contra os abusos. Nesse contexto, Anders Kompass informou as autoridades diplomáticas francesas, que solicitaram uma cópia do informe, com o fim de iniciar uma investigação. No dia 30 de julho, o funcionário sueco recebeu uma resposta do governo francês, informando que uma investigação estava em curso.

Três meses mais tarde, quando o secretário-geral apresentou seu informe anual sobre a resposta da ONU à exploração e os abusos sexuais em 2014, este não continha nenhuma menção sobre as denúncias de abuso sexual infantil na República Centro-africana.

Em vez de se preocupar pelos casos de abuso infantil, a chefa de gabinete de Ban Ki-moon queria silenciar o escândalo, e para isso preparou uma estratégia para obrigar Kompass a renunciar, junto com outros funcionários de alta patente da ONU.

A chefa de gabinete era Susana Malcorra, que organizou uma reunião na cidade de Turim entre o Alto Comissariado para os Refugiados, Zeid Ra’ad Al Hussein, a Alta Comissariada adjunta, Flavia Pansieri, o subsecretário-geral (USG), Carman Lapointe, e o diretor de Ética da ONU, Joan Dubinsky, para discutir o caso Kompass: se a negligência para combater os abusos sexuais por parte dos Capacetes Azuis se tornasse pública, a ONU enfrentaria perguntas para as quais não teria respostas razoáveis.

Após aquela reunião de Turim, o grupo integrado por Malcorra continuou tramando uma forma de silenciar Kompass. Duas semanas depois, no dia 9 de abril de 2015, Zeid solicitou formalmente uma investigação sobre Kompass, por seus “vazamentos” sobre a denúncia de abuso sexual na República Centro-africana.

As vítimas não foram mencionadas durante toda a investigação, nem nas declarações, e tampouco existem expressões de inquietude ou curiosidade sobre o bem-estar das mesmas. Ninguém falou nada sobre o apoio entregue às crianças vítimas. Essas omissões não foram observadas nem explicadas. O único foco de atenção foi a suposta notícia vazada por Anders Kompass.

Durante a semana de 13 de abril de 2015, um mês depois de se negar a renunciar, Kompass foi suspenso, mas sem perder seu salário, e escoltado para fora do seu escritório. Susana Malcorra, que ocupava um dos cargos mais poderosos no sistema da ONU, como chefa de gabinete do secretário-geral, declarou à imprensa que Kompass estava sendo investigado porque era culpado, devido à sua conduta incorreta. Sua declaração foi um caso flagrante de prejulgamento.

Kompass foi perseguido e hostilizado por altos funcionários da ONU até que um tribunal de apelação ordenou que a Organização das Nações Unidas tinha de suspender imediatamente a suspensão do funcionário humanitário sueco. O juiz Thomas Laker disse que a suspensão decretada pela ONU contra Kompass, que trabalhava como diretor de Operações em Terreno do EACDH, foi “prima facie ilegal” (ilegal à primeira vista).

Diante da dimensão que o escândalo tomou, no dia 3 de junho de 2015, o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon anunciou a formação de um painel independente, composto por três juízes, para realizar uma revisão externa para examinar os acontecimentos após o abuso sexual dos meninos na República Centro-africana.

O que ocorreu na República Centro-africana foi uma atrocidade, mas o fato de a ONU ficar em silêncio durante quase um ano depois do seu próprio descobrimento foi uma atrocidade muito maior, que significava o encobrimento do caso e a impunidade para os criminosos.

Quando se lê o lapidário veredito dos juízes, publicado na semana passada, chama a atenção o triste papel que Susana Malcorra teve nas tentativas de silenciar o escândalo da ONU, e é possível compreender perfeitamente que o oferecimento de um cargo por Mauricio Macri chegou a ela na hora exata. Caso contrário, é provável que, a esta altura, ela tivesse que apresentar sua renúncia do organismo, mas não precisamente para encabeçar a diplomacia argentina.


Publicado em Miradas al Sur, 27 de dezembro de 2015.

Tradução: Victor Farinelli

Outfoxed • Rupert Murdoch's War on Journalism • FULL DOCUMENTARY FILM ex...


Michael Löwy: Walter Benjamin e a religião capitalista (Curso / Aula 3)


POLÍTICA - Falta um 11º mandamento na lista bíblica de Dallagnol.


Falta um 11º mandamento na lista bíblica de Dallagnol


Há duas maneiras de ler a Lava Jato: pelas manchetes e pelas entrelinhas.
Já que as manchetes são óbvias, vamos a uma releitura através das entrelinhas do que saiu publicado nos últimos dias.
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O repórter policial da Folha, Frederico Vasconcellos, divulgou trechos de um trabalho de Ségio Moro de 2004, sobre a Operação Mãos Limpas, da Itália. Já havia sido divulgado e analisado no Blog há tempos. Como é repórter policial, restringiu-se aos abusos para-legais analisados por Moro na Mãos Limpas, e vistas por ele como imprescindíveis para a Lava Jato. Tipo, em linguagem policial: tem que manter o suspeito na prisão o máximo de tempo possível afim de que ele abra o bico.
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Mais sofisticado, o colunista Mário Sérgio Conti aborda outros ângulos do trabalho, exaustivamente discutidos no Blog. Um deles, o uso desabusado da imprensa, através do vazamento de notícias visando comandar a pauta.
Aborda também os aspectos geopolíticos da cooperação internacional - a rede internacional de autoridades de vários países, montada inicialmente para o combate à narcotráfico e ao terrorismo e, depois, estendida para outras atividades ilícitas, sob controle estrito das autoridades norte-americanas.
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Aqui, mostramos claramente que a cooperação internacional tornou-se uma peça da geopolítica norte-americana, visando impedir concorrência desleal de empresas de outros países contra as americanas.
Conti faz uma baita ginástica para a conclusão óbvia: na cooperação internacional, os Estados Unidos entram com motivação econômica. O óbulo: "Para os toscos,  é um garrote vil do imperialismo norte-americano". Para ele, que é sofisticado, "a corrupção beneficia as burguesias locais, mormente (sic) de países periféricos, em detrimento da classe dominante do Império". E justifica como um gesto de auto-defesa dos EUA – aquele país cujas ferramentas de espionagem não pouparam sequer presidentes de nações amigas.
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Pelo conteúdo, o artigo foi montado em cima de entrevistas com membros da Lava Jato, que admitem o jogo. Segundo eles, "admite-se que a motivação americana (e não apenas ela) tem boa dose de mercantilismo". Mas, no frigir dos ovos, acreditam que seja benigna, pois "ajuda o Brasil a resolver seus problemas".
A maneira como as corporações norte-americanas instrumentalizam suas instituições torna o Brasil um peixe fácil. É para ajudar o Brasil a resolver seus problemas que a Lava Jato tratou de criminalizar financiamentos à exportação de serviços, que o MPF tenta a todo custo envolver o BNDES e espalhar suspeitas sobre ações diplomáticas na África.
Nem se culpe apenas juiz, procuradores e delegados. Eles apenas se valem de forma oportunista da fragilidade institucional brasileira, da visão rala de interesse nacional, de uma presidente politicamente inerte e de um Ministro da Justiça abúlico para ocupar espaços. Houvesse Ministro da Justiça e PGR, há tempos teriam sido coibidos os vazamentos ilegais, que quase custaram a eleição da presidente.
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A manipulação da mídia ficou clara em um episódio ocorrido ontem. Nos depoimentos, qualquer menção a Lula é vazado no mesmo dia.
Ontem, o repórter Rubens Valente, da Folha - que não pertence ao circuito mídia-Lava Jato - levantou o depoimento de um delator apontando propinas a Aécio Neves. É de junho passado. Passou seis meses inédito.
No período da tarde, a Lava Jato tratava de vazar correndo outro depoimento, indicando pagamento de propinas ao presidente do Senado Renan Calheiros, a um senador da Rede, Randolfo Rodrigues.
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Todo dia o procurador Deltan Dallagnol aparece em sua campanha pelos 10 pontos a serem alterados na lei para combate à corrupção.
Se fosse uma campanha efetivamente isenta, o 11º ponto seria a obrigação do Procurador Geral da República e do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir os dados em relação a todo pedido de vista ou todo inquérito engavetado. E de se criar formas que impeçam o uso político do vazamento seletivo de inquéritos.
No STF, o ex-Ministro Ayres Britto engravetou por dez anos, sem nenhuma explicação, o inquérito sobre o mensalão mineiro. Tinha que apresentar em uma sessão, foi tomar um café no intervalo, e na volta simplesmente deixou de falar sobre o inquérito.
Do mesmo modo, desde 2010 dorme na gaveta do PGR um inquérito contra Aécio Neves, acusado de ter conta no paraíso fiscal de Liechtenstein em nome de uma offshore. Como o próprio Procurador Geral observou, na denúncia contra Eduardo Cunha, o uso de offshores visa esconder a verdadeira identidade dos titulares da conta. E se visa esconder, é porque o dinheiro é de procedência duvidosa.
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De fato, o país precisa ser passado a limpo. E a Lava Jato tem feito um trabalho completo de desvendar as maracutaias de um lado. Mas esconde e blinda os malfeitos do outro lado.
Se ataca só um lado - a ponto de deixar por um fio o mandato de uma presidente inerte - e poupa o outro, é evidente que instrumentaliza o combate à corrupção em favor de interesses corporativos e políticos.
Essa hipocrisia não pode perdurar muito, ainda mais em um ambiente de redes sociais.

Michael Löwy: Hobsbawm e a sociologia do milenarismo camponês


Michael Löwy: E.P.Thompson: a religião dos operários


Michael Löwy: Gramsci, marxismo e religião (Curso / Aula 4)


Michael Löwy: Engels como sociólogo da religião (Curso / Aula 2)


Michael Löwy: A sociologia marxista da religião (Curso / Aula 1)

CURSO DE SOCIOLOGIA MARXISTA DA RELIGIÃO.

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Do Blog da Boitempo
Em tempos acirramento de fundamentalismos pra todos os lados, a Boitempo lança O absoluto frágil, ou, porque vale a pena lutar pelo legado cristão, de Slavoj Žižek, um ensaio explosivo que defende uma aproximação entre o cristianismo e o marxismo num projeto político emancipatório renovado. Nas palavras do esloveno: “O primeiro paradoxo da crítica materialista da religião é este: às vezes é muito mais subversivo destruir a religião a partir de dentro, aceitando sua premissa básica para depois revelar suas consequências inesperadas, do que negar por completo a existência de Deus.“
absoluto frágil zizek
Neste contexto, que tal conferir os vídeos do curso “Sociologia marxista da religião“, ministrado por Michael Löwy, que publicamos na TV Boitempo? São 7 aulas completas apresentando a contribuição de alguns dos maiores nomes da tradição marxista (com ênfase aos “marxistas heterodoxos”) na compreensão do fenômeno religioso: Marx, Engels, Benjamin, Bloch,Gramsci, E.P.Thompson eHobsbawm. Para além da fórmula da religião como “ópio do povo”, o sociólogo franco-brasileiro fornece elementos para compreendermos a dialética entre os elementos emancipatórios e os opressivos das religiões. O curso foi realizado no final de 2014 no curso de pós-graduação em sociologia da USP e foi viabilizado pelo Programa Escola de Altos Estudos da CAPES.


1. A sociologia marxista da religião
A concepção da religião como “ópio do povo” é neo-hegeliana; anterior ao marxismo. O estudo materialista histórico da religião como uma das formas da ideologia, em conexão com as relações sociais, só começa com A ideologia alemã(1848).



2. Friedrich Engels como sociólogo da religião
Engels se interessa sobretudo pelas formas revolucionarias da religião, como por exemplo em seu livro “clássico” A guerra dos camponeses (1850), que estuda as bases sociais do movimento anabaptista do século 16 e o papel do teólogo Thomas Münzer.



3. Walter Benjamin e a religião capitalista
Em um fragmento descoberto recentemente, “
O capitalismo como religião“, datado de 1921, Walter Benjamin utiliza uma expressão de Ernst Bloch para analisar, partindo de Max Weber, o capitalismo como religião.


4. Antonio Gramsci: marxismo e religião
Em seus escritos de juventude Gramsci se interessa pelo potencial utópico da religião, mas no Escritos do Carcere seu tema é o papel conservador da Igreja, e em particular dos Jesuítas, na Itália.



5. Ernst Bloch e a religião como utopia
“Ateu religioso”, Ernst Bloch aborda em seus escritos a dimensão utópica da religião; seu estudo sobre Thomas Münzer, teólogo revolucionário (1921) se inspira em Engels, mas da um especial destaque ao milenarismo cristão.



6. E.P.Thompson: a religião dos operários.
Partido dos escritos de Max Weber, o historiador marxista inglês E.P.Thompson estuda o papel do metodismo na submissão dos operários ao trabalho industrial – mas também a efervescência sócio-religiosa contestaria suscitada pelos metodistas dissidentes.



7. Eric Hobsbawm: sociologia do milenarismo camponês
Em seus trabalhos sobre os “rebeldes primitivos”, Eric Hobsbawm descobre o papel subversivo do milenarismo camponês, na Itália e na Andalusia, em fins do século 19.

PETROBRAS - O PIG quer acabar com ela.


Jornal altera 400% custo do petróleo do pré-sal


Enviado por Webster Franklin
8dolares
Do Tijolaço
O Globo errou “só” em 400% o custo do petróleo do “patrimônio inútil” do pré-sal
Por 
O que este blog vem afirmando aqui, há duas semanas, desde que O Globo fez um estúpido editorial dizendo que os preços do petróleo tornavam o pré-sal um “patrimônio inútil” foi confirmado oficialmente pela Petrobras que o jornal usar argumentos que contém um erro de “apenas” 400% no custo de extração de óleo em nossas principais jazidas pretrolíficas.
O Globo diz, para justificar o fato de que, com o petróleo sendo cotado a US$ 37 o barril não seria econômico produzir no pré-sal a custos estimados entre US$ 40 e US$ 57. Aqui, com base nos dados então disponíveis, mostrou-se que o custo de extração no pré-sal era, na verdade de US$ 9 dólares o barril.
E ontem, fica-se sabendo que nem isso mais é, por conta de novas tecnologias, redução dos preços em dólar de alguns insumos da indústria petroleira – que têm preço mundial e, portanto, acabam incorporando as perdas do preço do petróleo – e sobretudo, como havia sido apontado aqui, pelo conhecimento geológico que acelera o caro processo de perfuração de centenas de poços (de extração e de injeção).
Do site da Petrobras:
(…)chegamos a um patamar em torno de US$ 8 por barril, quando a média das grandes petrolíferas mundiais é de US$ 15 por barril. Nos custos de desenvolvimento do pré-sal também tivemos avanços. Um dos fatores decisivos para a redução de custo é o tempo de perfuração de um poço no pré-sal, que no campo de Lula já atingiu tempo inferior a 30 dias. Em 2010, eram necessários mais de 120 dias para realizar o mesmo trabalho.(Nota do Tijolaço: só o custo de uma sonda de perfuração de águas ultraprofundas custa perto de US$ 50o mil por dia)
Ou seja, o “errinho” de O Globo sobre a relação preço/custo do pré-sal é de “apenas” 400% – ou de 712%, se considerado o maior custo estimado pelos “especialistas” do jornal.
Mesmo não sendo este o custo total da exploração – há royalties e impostos que, afinal, são renda pública -, se você considerar que são mais de um milhão de barris retirados a cada dia do pré-sal, é possível ver o tamanho do golpe que querem dar com esta história de desdenhar o “patrimônio inútil”.
Posto, abaixo, um vídeo da Petrobras, quando a produção ainda era um pouco menor, que ajuda a entender como e porque os custos de produção do pré-sal estão caindo com a competência técnica da Petrobras.

POLÍTICA - Se a Lava Jato fosse para valler.......

Se a Lava Jato fosse para valer…

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:


A imagem que encima este texto vale por um tratado sobre política, mas, para os que têm dificuldade em enxergar realidade como ela é e não como a mídia mafiosa pinta, vamos desenhar a situação.

Todos deveríamos estar exultantes com a Operação Lava Jato e com as condenações de políticos importantes pelo Supremo Tribunal Federal, Corte que, até que o PT chegasse ao poder, jamais condenara político algum à prisão.
Afinal de contas, quem não sabe, desde que começou a se entender por gente, que empreiteiras fazem negociatas, corrompem políticos, crescem e enriquecem às custas de obras públicas?

E quem não fica satisfeito por ver banqueiros e políticos importantes indo para a prisão – e, ainda mais havendo provas, como no caso de Delcídio do Amaral e André Esteves, do banco Pactual?

Deveríamos, pois, estar soltando rojões. Finalmente no Brasil, em tese, não seriam mais, apenas, pretos, pobres e prostitutas que vão em cana. Em tese, as prisões de empreiteiros, políticos e banqueiros significaria que, agora, não são mais apenas os três Pês que podem ver o sol nascer quadrado.

Contudo, não é nada disso.

O que a imagem acima revela é, apenas, que apenas acrescentamos um Pê aos três Pês que simbolizavam os únicos tipos de cidadãos passíveis de prisão no Brasil; agora, apenas Pretos, Pobres, Prostituas e Petistas (e quem se meta com eles) são os que podem ser presos neste país.

Vamos, pois, explicar a imagem no alto da página para aqueles que não conseguem pensar sozinhos. A imagem contém 5 edições do jornal Folha de São Paulo. Vamos analisá-las uma a uma.

Da esquerda para a direita, a primeira edição do jornal noticia, em letras garrafais, a prisão de Delcídio do Amaral. Contudo, em vez da foto de quem foi preso a capa da Folha trás a foto de Lula, que nem a processo responde.

A segunda capa da Folha da esquerda para a direita relata, com o maior destaque possível, que “amigo de Lula” foi preso, apesar de que o arrestado tem muitas amizades e relações com expoentes da oposição.

A terceira capa do jornal, da esquerda para a direita, também com todo o destaque possível e imaginável relata acusação de um delator da Lava Jato a um familiar de Lula.

Na segunda fileira de capas da Folha, tudo muda. São capas que relatam problemas com a Justiça que têm altos membros do principal partido de oposição do país.

A primeira capa da segunda fileira de capas, a partir da esquerda, relata que o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo foi condenado a vinte anos de prisão. A notícia ganhou uma notinha discreta no canto inferior esquerdo da primeira página do jornal. E sem foto do condenado.

A segunda capa relata que o líder da oposição, senador Aécio Neves, segundo candidato mais votado na eleição presidencial de 2014 – e que vive condenando petistas sem julgamento por serem delatados – foi delatado por um envolvido na operação Lava Jato.

Essa justaposição da capaz da Folha simboliza, também, o que acontece na Justiça brasileira a depender de quem seja o acusado. E, mais do que isso, revela o que acontecerá com investigações como a Lava Jato depois que o PT deixar o poder – seja via golpe, seja por via eleitoral.

Tudo isso que está acontecendo e que, em tese, deveria dar esperança ao Brasil de que o país está mudando, vai simplesmente acabar. A Lava Jato, pois, é uma farsa política engendrada, única e exclusivamente, para derrubar um governo. E mais nada.

Se o PSDB volta ao poder (toc-toc-toc), acabam as Lava Jatos ou qualquer outro tipo de investigação. As empreteiras, os banqueiros, os políticos voltarão a roubar desbragadamente sem que ninguém seja sequer denunciado – como acontecia antes de o PT chegar ao poder.

Sempre digo que eu estaria exultante se a Lava Jato fosse para valer. Se corruptos de todas as correntes políticas estivessem sendo presos, seria maravilhoso. Este país se tornaria ético e começaria a civilizar-se rapidamente.

Mas não é nada disso o que está acontecendo. Com ou sem provas, apenas corruptos e supostos corruptos de um único grupo político estão sendo penalizados, enquanto que seus equivalentes à direita são vergonhosamente acobertados pela imprensa e pela Justiça.

Além de não estar havendo combate real algum à corrupção, o país está ficando pior porque, mais do que nunca, o que está valendo aqui é a máxima que permeia a história brasileira desde o descobrimento: “Aos
amigos, tudo; aos inimigos, a lei”.

POLÍTICA - Janot e o Aécio Never.

Janot abrirá inquérito contra Aécio? Duvido!

Por Altamiro Borges

Sem muito alarde, a mídia privada noticiou na sexta-feira (31) que a Procuradoria-Geral da República analisará, após o recesso do Judiciário, se vai pedir a abertura de inquérito contra os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Em sua delação premiada, Carlos Alexandre de Souza Rocha, o "entregador de dinheiro" do doleiro Alberto Youssef, garantiu que repassou diretamente R$ 300 mil ao grão-tucano e R$ 1 milhão ao presidente do Senado. Quanto ao senador do Amapá, que trocou o PSOL pela Rede de Marina, ele disse "ter ouvido" do seu chefe mafioso que o parlamentar recebeu R$ 200 mil, mas que não efetuou a entrega do dinheiro.

Os três denunciados negam o recebimento da propina. A assessoria do cambaleante Aécio Neves classificou a citação do seu nome na delação premiada de "absurda e irresponsável". Já o senador Randolfe Rodrigues partiu para o ataque, afirmando que "alguns porcos querem levar todos para o chiqueiro deles". E o presidente do Senado, Renan Calheiros - que já é alvo de inquérito sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras investigado pela Operação Lava-Jato -, disse que as declarações de Souza Rocha "são de uma inconsistência absoluta".

Se depender da mídia tucana, o grão-tucano logo estará novamente livre e solto - sem inquérito, sem investigação e, muito menos, sem condenação ou prisão. A delação do "entregador de dinheiro" de Alberto Youssef contra o cambaleante foi abafada nos jornais, revistas e emissoras de rádio e tevê. A Folha tucana optou por colocar uma nota de rodapé na sua capa e chegou a deletar a denúncia do seu site de notícias - que só voltou após a chiadeira na internet. Já as desculpas do presidente nacional do PSDB têm recebido generosos espaços na imprensa oposicionista. Quanto a Renan Calheiros - que virou o inimigo número um dos "calunistas", como Merval Pereira, por se contrapor ao impeachment de Dilma - e a Randolfe Rodrigues, eles que se cuidem para evitar a satanização midiática.  

Já se depender do procurador-geral Rodrigo Janot, a situação do senador mineiro-carioca também não é tão preocupante. Aécio Neves já havia sido citado pelo próprio Alberto Youssef em sua delação premiada, mas o PGR não abriu inquérito por considerar que os indícios "eram fracos". Parece que nada pega contra o tucano golpista - aeroporto construído com dinheiro público na fazenda do seu tio-avo em Cláudio (MG); uso de aeronaves oficiais para conduzir seus parentes e amigos (inclusive barões da mídia e celebridades globais); publicidade governamental em rádios da família; ou a Lista de Furnas. Rodrigo Janot, tão chegado aos holofotes midiáticos, evita tocar no cambaleante! Será que agora ele mudará de atitude. A conferir após o fim do recesso do Judiciário, em fevereiro!

MÍDIA - As "pedaladas" do governo.



As 'pedaladas' e o 'mico' na comunicação

Por Mauro Santayana, em seu blog:

O pagamento das famosas “pedaladas”, pelo governo, no penúltimo dia do ano, gerou desconfiança e ironia por parte da fascistada nos comentários das redes sociais e dos portais de sempre.

Em vez de entender que o governo retirou dinheiro de reservas do tesouro economizadas depois do governo FHC, a turma que ladra de ouvido ficou com a impressão - e está disseminando isso - que o governo teria emitido dívida nova para pagar a si mesmo, ou melhor, ao patrimônio público - considerando-se que é o maior acionista do Banco do Brasil, do BNDES e da Caixa Econômica Federal.
Enquanto essa confusão tende a persistir – e a continuar sendo usada como mote pelos seus adversários – o governo insiste em seguir mostrando que é absolutamente incapaz de contar o 2 + 2 = 4 da história econômica nacional nos últimos 13 anos - principalmente aquela parte que se refere ao pagamento dos 40 bilhões de dólares que se herdou da dívida de FHC com o FMI, e a outra, que mostra que depois se economizaram – e continuam guardados - mais 370 bilhões de dólares – aproximadamente um trilhão e quatrocentos bilhões de reais – em reservas internacionais.

Considerando-se esses números o dinheiro economizado desde 2002 – e isso o governo também não diz - daria para pagar uma dúzia de vezes o tão alardeado déficit de 120 bilhões de reais do ano que vem, sem emitir um centavo de dívida.

Não adianta, institucionalmente, parar de “pedalar”, para tentar acalmar a direita, quando, na comunicação, se continua caindo da bicicleta - e quebrando a cara - a todo instante.

MÍDIA - Macri presenteia a Globo da Argentina.

Macri presenteia a Globo da Argentina

Por Altamiro Borges

O presidente argentino Mauricio Macri, que governa por decretos como um velho ditador, retribuiu o enorme apoio dado à sua eleição pelo Grupo Clarín – um império midiático similar ao da Globo no Brasil. Na véspera da virada do ano, ele extinguiu os dois órgãos responsáveis pela democratização da mídia no país vizinho: a Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (AFSCA) e a Autoridade Federal de Tecnologias de Informação e Comunicação (AFTIC). Em êxtase, O Globo desta quinta-feira (31) festejou: “Dando sequência à revisão e extinção de uma série de políticas e condutas adotadas durante os 12 anos de kirchnerismo na Argentina, o presidente Mauricio Macri eliminou, por decreto, os dois órgãos que regulavam os monopólios nos meios de comunicação”.
As duas entidades reguladoras foram criadas em decorrência da “Ley de Medios”, aprovada pela Assembleia Nacional e sacramentada pela Corte Suprema após longos anos de debates no país e de confrontos com os conglomerados, em especial com o Grupo Clarín. Em seu lugar, o presidente mafioso criou a “Entidade Nacional de Comunicação” (Enacom), que eliminará a participação da sociedade civil e será hegemonizada pelos barões da mídia. Marcos Peña, chefe do gabinete presidencial, também já anunciou que “o governo impulsionará uma nova lei conjunta dos meios de comunicação para pôr fim à Lei de Meios, que limita as licenças no país” – aplaude, novamente, o jornal da famiglia Marinho, que goza de tantas concessões ilegais de rádio e tevê no Brasil.

No maior cinismo, o aspone do ditador justificou as medidas truculentas que servem ao Grupo Clarín. “Há mais ou menos sete anos, iniciou-se uma guerra contra o jornalismo, sempre motivada por uma visão fechada e autoritária da democracia. Aquele que não se submetesse às vontades do Estado deveria ser combatido, marginalizado e perseguido de várias maneiras. Começa agora uma política do século XXI. Hoje, por decisão de Macri, termina a guerra contra o jornalismo na Argentina. Acreditamos que o jornalismo deve ser crítico. Não haverá, agora, veículos amigos e inimigos. Não acreditamos nos monopólios da economia”, esbravejou Marcos Peña, chefe de gabinete de um governo controlado pelos rentistas e monopólios argentinos. Pausa para as gargalhadas!

Na semana passada, Mauricio Macri já havia determinado, também por decreto, a remoção dos diretores das duas agências. Como eles se recusaram a deixar seus postos, forças policiais executaram a ordem de despejo. Mas o novo presidente argentino – também batizado de “presidente do Clarín” – deve enfrentar resistências na sua ação em favor dos monopólios midiáticos. Na semana retrasada, mais de 15 mil pessoas realizaram um primeiro ato em defesa da “Ley de Medios” em Buenos Aires. Como denunciou Martín Sabbatella, da extinta AFSCA, “Macri odeia a democracia e as instituições. Por isso ignora o Congresso e governa com DNU (decreto de necessidade e urgência), decisões judiciais cúmplices e blindagem midiática... A Casa Rosada é o bunker das corporações”.

Os argentinos, mesmo os que votaram iludidos no presidente mafioso, não aceitarão passivamente as suas investidas contra a democracia. A temperatura da luta de classes no país deverá esquentar nos próximos meses. Nem a blindagem do Clarín garantirá paz e tranquilidade a Mauricio Macri. O jornal O Globo e o restante da mídia nativa, que vibraram com o revés do kirchnerismo – como se ele fosse, inclusive, uma prévia da derrota do chamado lulopetismo –, também terão muitas dificuldades para defender o novo ditador da Argentina. A conferir!

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POLÍTICA - O que virá depois do ano da autoflagelação?


O que virá depois do ano da autoflagelação?

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Tenho lido definições diversas para este ano atípico que se acaba daqui a pouco, inclusive a de que ele não é (foi) um ano em si mas, na política e no poder, a continuação de 2014. Sendo ou não sendo, todos querem que ele acabe, na vida pública e na vida pessoal também. Na primeira, foi tormentoso. Na vida de cada um, foi um ano de vacas magras depois do tempo das espigas gordas. E gordas não só para os pobres mas também para os ricos.
No que toca à vida política, econômica e social, a representação do país em sua superestrutura, foi meu amigo argentino Guido Nejamskis, responsável pelo 247 em espanhol,. que me lançou a faísca. “Aqui, vendo de longe, parece-me que o Brasil é um pais em momento de autoflagelação”.

Fiquei com isso na cabeça e aderi a esta percepção. Nunca todos se esforçaram tanto para chicotear o próprio país. O governo cometendo erros políticos e econômicos seguidos, às voltas com uma espada de Dâmocles sobre a cabeça da presidente, um impeachment com DNA golpista, pela ausência do crime justificado. A oposição tomando os mais nefastos caminhos em busca de sua oportunidade de poder, rasgando (alguns) compromissos democráticos históricos. E quando a crise passar, ficará a nódoa. O mercado apostando alto na piora de tudo, os empresários céticos, os trabalhadores apáticos e, para completar, esta corrente de intolerância que vai tomando ares cada vez mais fascistas. 

O que houve com Chico Buarque foi o emblema disso. Não há limites para a agressividade destes que saíram do armário do conservantismo dispostos a revelar as posições obscuras que antes ocultavam. E a partir para cima dos que pensam diferente. Não gostam do PT, tudo bem. Mas não gostam dos pobres, não gostam da América Latina, não gostam das cotas raciais, detestam os programas sociais e não gostam do Brasil. Pudessem, não voltavam das viagens ao exterior.

A autoflagelação é o resultado desta mistura de elementos.

É como se tivéssemos combinado. Vamos todos trocar socos e pontapés este ano. Vamos também rasgar a lona do circo e quebrar o picadeiro. Vamos ver quem consegue dilapidar mais as grandes possibilidades que até bem pouco tempo faziam do Brasil um país admirado lá fora por sua capacidade de mudar, realizar e se reinventar. Estamos quase voltando a ser um “bananão”, como dizia Paulo Francis, em sua desilusão com a Pátria Amada de braços dados com a ditadura.

Se todos pensarmos em sair disso em 2016, quem sabe? Todos ganharemos. Já é certo que a ruptura institucional perdeu força. É incerto que a economia saia do atoleiro, e este é agora o maior desafio do Governo.

O que devíamos fazer, todos, era um compromisso pelo fim da autoflagelação. Que o governo continue governando, e governe melhor. Que a oposição continue "opositando", como brincada Ulysses, mas o faça com responsabilidade. E que nós, cidadãos, cada qual em sua trincheiro, façamos a nossa parte, guardemos nossos chicotinhos e tratemos de colaborar, cada um como pode. Certo é que 2016 não pode ser a continuação de 2015.

E para não terminar com política e pseudo-sociologia, encerremos com poesia. Um poema sobre a passagem do tempo, de Sophia Mello Breyner.
Krónos

Não creias, Lídia que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.

Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.

Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não vivido deixa.

Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Antologia

POLÍTICA - "As musas da direita".


Sheherazade, Joice e as “musas da direita”

Por Altamiro Borges

Foi mais um baita fiasco o protesto do “Fora Dilma” convocado pelo grupelho “Musas da Direita” durante a corrida de São Silvestre nesta quinta-feira (31) na Avenida Paulista (SP). As tais musas sequer apareceram e a atividade contou apenas com meia dúzia de marmanjos fascistoides. O outro objetivo almejado, o de aparecer na mídia, também deu xabu. A patética manifestação foi menosprezada até pelas emissoras de tevê e pelos sites de notícias. As apresentadoras Rachel Sheherazade (SBT), e Joice Hasselmann (demitida da TV Veja), inspiradoras da confraria golpista, devem ter ficado frustradas com a baixa adesão.
Se não fosse uma reportagem de Paula Reverbel, na Folha de terça-feira (29), pouca gente ficaria sabendo da existência deste risível grupelho, que é liderado por um homem, o sinistro André Zopelar. Ele havia acertado distribuir na Corrida de São Silvestre balões com os dizeres “Fora Dilma” e “Fora PT” e apitos para os maratonistas e os participantes do evento. “Vamos levar uma quantidade de pessoas para poder distribuir os balões... Quando o corredor passar, a gente vai balançar o balãozinho, as emissoras vão filmar e quem estiver assistindo vai ver os balões", explicou o golpista.

Ele é um dos administradores da página do grupo, que tem como logo um sapato verde e amarelo de salto agulha. “O protesto é organizado em parceria com outros dois grupos: Garota Reaça e Gigantes Brasileiros. Os membros do Musas são favoráveis à queda da presidente Dilma, seja por renúncia, impeachment ou cassação. Zopelar diz não haver vínculo com grupos que têm a mesma pauta, como o MBL (Movimento Brasil Livre), o Revoltados Online e o Vem Pra Rua, mas que, por terem posicionamentos semelhantes, há troca de apoio pelo Facebook”. A reportagem dá mais detalhes sobre o patético grupelho:

“Uma das inspirações do ‘Musas da Direita’, segundo Zopelar, é a jornalista Joice Hasselmann, que ‘discute política’ e é uma ‘pessoa bonita’ e ‘arrumada’. A jornalista e apresentadora Rachel Sheherazade também é citada como exemplo de musa. Zopelar, único líder homem do grupo, afirma que não é preciso ser bonita ou se arrumar para fazer parte do movimento”. Pelo jeito, nem a empresária Juliana Isen, a mais famosa “musa da direita” – que posou nua em várias marchas golpistas e recentemente foi hostilizada e detida pela polícia na Avenida Paulista – compareceu ao protesto risível desta São Silvestre.

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