sexta-feira, 30 de maio de 2014

POLÍTICA - A vitória de Lewandowski.

A vitória de Lewandowski na AP 470

Por Diogo Costa

LEWANDOWSKI DERROTOU A MÍDIA E BARBOSA - A força da ideologia naquilo que ela tem de pior, ou seja, na ocultação da realidade, é algo realmente impressionante.

O pool midiático montado em torno da farsa da AP 470 foi tão poderoso e intransponível que a grande maioria das pessoas, inclusive eu, pensava, erroneamente, que Joaquim Barbosa havia comandado e vencido 'olimpicamente' as ações da já referida ação penal.

Ledo engano!

No placar final o vencedor, por 90 à 82, foi o eminente Ministro Ricardo Lewandowski.

Não fosse pela corajosa atuação dele e os réus teriam sido ainda mais vilipendiados do que foram. Não fosse pela corajosa atuação dele e os réus teriam sido submetidos a situações ainda mais aberrantes e inquisitórias.

Lewandowski combateu como pôde o populismo penal e o odioso direito penal do inimigo. E combateu como pôde, tal e qual um Dom Quixote, a estapafúrdia tese do 'domínio do fato'.

Não concordo com algumas das condenações que ele proferiu, mas é inegável que dentro do quadro terrível que enfrentou, praticamente sozinho contra uma violenta torrente fascista, ele fez de tudo para se contrapor aos desmandos de carrascos togados, deslumbrados com os efêmeros holofotes da mídia manipuladora e ideológica. A raiva de Barbosa até que tinha razão de ser... E comprova-se, novamente, que a AP 470 nada mais era do que um espetáculo medieval de vingança contra algumas das mais destacadas lideranças históricas do Partido dos Trabalhadores.
Por fazer isto (contrapor-se ao linchamento), por cumprir este destemido papel é que Lewandowski é digno de todos os aplausos possíveis. O povo brasileiro e a história hão de reconhecer a honradez e os serviços prestados pelo grande Ministro Ricardo Lewandowski.

Parabéns e muito obrigado ao grande Magistrado Ricardo Lewandowski!
Do Conjur
30 de abril de 2014, 08:02h
Concluídas as votações do julgamento do mensalão, predominou a percepção generalizada de que o ministro Joaquim Barbosa foi quem determinou os seus resultados. Mais: falou-se que enquanto Joaquim Barbosa só pediu condenações, seu colega Ricardo Lewandowski perseguiu obstinadamente a absolvição. Não foi bem assim. Um levantamento feito com dados do Supremo Tribunal Federal mostra que foi o ministro Ricardo Lewandowski quem deu o tom na maioria das decisões. Ele foi acompanhado pelo plenário 90 vezes, enquanto Joaquim Barbosa teve a adesão do colegiado em 82 ocasiões. Barbosa, realmente foi inclemente e pediu absolvição em apenas 16% das vezes. Mas Lewandowski não foi tão "bonzinho" com os acusados: propôs a condenação em 37% dos casos.
O levantamento inédito leva em conta todas as 113 questões sobre as quais os ministros deliberaram ao longo da AP 470. Em muitos pontos ambos concordaram (nesse caso, os dois “pontuam” na contagem). Mas quando relator e revisor discordaram Lewandowski (foto) levou a melhor na maioria das vezes, como na absolvição de Marcos Valério pelo crime de quadrilha, ou de João Paulo Cunha pelo crime delavagem de dinheiro. É certo, contudo, que Joaquim Barbosa destacou-se por fazer prevalecer seu ponto de vista nas votações mais vistosas — e politicamente mais relevantes, como na crucificação de José Dirceu. Mas, por outro lado, Lewandowski conseguiu deixar sua marca, ficando o réu livre da pesada pena por formação de quadrilha
Analisados os números, constata-se que a corte condenou em 57% das deliberações — o que a posiciona mais próxima dos 37% de Lewandowski que dos 84% de Joaquim Barbosa. O levantamento inédito é a prova de como a opinião pública vê o Judiciário como ele não é, diz o criminalista Fábio Toffic Simantob. “Quem mais polemiza, é quem mais aparece, mas não necessariamente é quem mais contribui”, afirma.
O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defendeu Duda Mendonça e Zilmar Fernandes no caso do mensalão, explica que o ministro Joaquim Barbosa “ganhou o julgamento midiático, que era o que o interessava”. Segundo o advogado, o presidente do STF “continua ‘presidindo’ este julgamento com os olhos voltados para a mídia, ao manter, por exemplo, o ex-ministro José Dirceu em regime fechado, contra o entendimento do Plenário que o condenou ao regime semi aberto”.
Além da busca pela atenção da imprensa citada por Kakay, outro ponto que pode explicar a visibilidade de Joaquim Barbosa no caso é o fato de sua visão ter prevalecido em pontos polêmicos do julgamento, aponta o criminalistaPierpaolo Cruz Bottini, advogado do réu Professor Luizinho . Essa também é a visão de Alberto Zacharias Toron, que defendeu João Paulo Cunha no caso.
“É surpreendente a revelação dos números, pois a ideia que todos tínhamos é de que o ministro Lewandowiski havia ficado vencido. Talvez isso seja verdade para grandes questões, como desmembramento que não se deu, ou mesmo a condenação inicial pelo crime de quadrilha, revertida somente nos embargos infringentes. De qualquer modo, é alentador perceber que a corte se mostra, no mínimo, balanceada”, declarou Toron è revista eletrônicaConsultor Jurídico.
Fenômeno ideológico
A importância de analisar os dados para mostrar, fora do calor do momento, o comportamento do tribunal é ressaltada também por membros do Ministério Público. O promotor André Luís Melo, que atua em Araguari (MG), afirma que, ao comparar a impressão que se teve do processo e os números do julgamento, é possível notar que no processo brasileiro ainda prevalece o processo inquisitivo e que ele é visto como natural — apesar dea Constituição dizer que deve ser um processo de partes. “As pessoas acham que tem um juiz acusador e um juiz defensor.” Para ele, é preciso repensar inclusive a forma de atuação dos ministros do STF. “O resultado foi o menos importante, pois o problema é na estrutura do julgamento”, afirma.
O procurador de Justiça do Rio Grande do Sul, Lenio Luiz Streck, analisa que o julgamento do mensalão foi visto pela imprensa e pela população “não como um fenômeno jurídico, mas como um evento ideológico”. Isso fez com que o cerne do julgamento ficasse obscurecido por diversas camadas de sentidos.
Os números agora apresentados, diz Streck, “proporcionam a que se faça uma desleitura do fenômeno, descascando-o para que ele possa, digamos assim, aparecer ao público. Nem tudo que parece é: esse pode ser o enunciado que explica um olhar de torcedor de setores da imprensa e por parte de parcela da população”.
Seria interessante também, segundo o procurador de Justiça, mostrar como aquilo que por vezes estava assentado na dogmática jurídica acabou por tomar um outro sentido no julgamento da Ação Penal 470. “Minha dúvida sempre foi: depois dele, como se comportará a Suprema Corte? Os números poderão nos ajudar a fazer comparações no futuro”.
Veja o levantamento:
Convergêngia do Voto - Revisor com o Resultado Final do Julgamento da Ação Penal 470
ACUSADO MIN. JOAQUIM BARBOSA MIN. RICARDO LEWANDOWSKI RESULTADO FINAL STF VOTO RELATOR VOTO REVISOR
1. JOSÉ DIRCEU MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Ativa CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
2. JOSÉ GENOÍNO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Ativa CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
3. DELÚBIO SOARES MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Ativa CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
4. MARCOS VALÉRIO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Ativa CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Corrupção Ativa (Câmara) CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Corrupção Ativa (BB) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Peculato (Câmara) CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Peculato (BB) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Peculato (Visanet) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Evasão de Divisas CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
5. RAMON HOLLERBACH MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Ativa CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Corrupção Ativa (Câmara) CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Corrupção Ativa (BB) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Peculato (Câmara) CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Peculato (BB) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Peculato (Visanet) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Evasão de Divisas CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
6. CRISTIANO PAZ MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Ativa CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Corrupção Ativa (Câmara) CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Corrupção Ativa (BB) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Peculato (Câmara) CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Peculato (BB) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Peculato (Visanet) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Evasão de Divisas ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
7. ROGÉRIO TOLENTINO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Ativa CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
8. SIMONE VASCONCELOS MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Ativa CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Evasão de Divisas CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
9. GEIZA DIAS MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
Corrupção Ativa ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Evasão de Divisas ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
10. KÁTIA RABELLO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Gestão Fraudulenta  CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Evasão de Divisas CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
11. JOSÉ ROBERTO SALGADO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Gestão Fraudulenta  CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Evasão de Divisas CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
12. VINÍCIUS SAMARANE MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Gestão Fraudulenta  CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Evasão de Divisas ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
13. AYANNA TENÓRIO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
Gestão Fraudulenta  CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Lavagem de dinheiro ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
14. JOÃO PAULO CUNHA MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Corrupção Passiva (Câmara) CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Lavagem de dinheiro CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Peculato (Subcontratações) CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Peculato (Assessoria da IFT) CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
15. LUIZ GUSHIKEN MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Peculato (Visanet) ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
16. HENRIQUE PIZZOLATO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Corrupção Passiva (BB) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Peculato (BB) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Peculato (Visanet) CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
17. PEDRO CORRÊA MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Passiva CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
18. PEDRO HENRY MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Passiva CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
19. JOÃO CLÁUDIO GENÚ MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Passiva CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
20. ENIVALDO QUADRADO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
21. BRENO FISCHBERG MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
22. CARLOS ALBERTO QUAGLIA MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
Lavagem de Dinheiro (1 instância) - - - - -
23. VALDEMAR COSTA NETO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Passiva CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
24. JACINTO LAMAS MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Passiva CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
25. ANTÔNIO LAMAS MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Formação de Quadrilha ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
Lavagem de Dinheiro ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
26. BISPO RODRIGUES MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Corrupção Passiva CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
27. ROBERTO JEFFERSON MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Corrupção Passiva CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
28. EMERSON PALMIERI MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Corrupção Passiva CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
29. ROMEU QUEIROZ MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Corrupção Passiva CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE CONDENA 1 0
30. JOSÉ BORBA MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Corrupção Passiva CONDENA CONDENA CONDENA 1 1
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
31. PAULO ROCHA MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
32. ANITA LEOCÁDIA MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Lavagem de Dinheiro ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
33. PROFESSOR LUIZINHO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Lavagem de Dinheiro ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
34. JOÃO MAGNO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
35. ANDERSON ADAUTO MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Lavagem de Dinheiro CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Corrupção Ativa ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
36. JOSÉ LUIZ ALVES MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Lavagem de Dinheiro ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
37. DUDA MENDONÇA MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Evasão de Divisas CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Lavagem de Dinheiro (saques) ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
Lavagem de Dinheiro (remessas) CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
38. ZILMAR FERNANDES MJB MRL STF RELATOR REVISOR
Evasão de Divisas CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
Lavagem de Dinheiro (saques) ABSOLVE ABSOLVE ABSOLVE 1 1
Lavagem de Dinheiro (remessas) CONDENA ABSOLVE ABSOLVE 0 1
TOTAL DE VOTOS CONVERGENTES RELATOR    82 REVISOR    90
 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 30 de abril de 2014, 08:02h
http://www.conjur.com.br/2014-abr-30/lewandowski-foi-quem-liderou-julgamento-mensalao-mostra-levantamento

COPA DO MUNDO - Cronologia de um demagogo.

Crítico de cinema aponta quando Ronaldo mudou de opinião sobre a Copa

Jornal GGN – Há poucos dias, o ex-jogador Ronaldo deu uma declaração à agência de notícias Reuters de que estava se sentindo “envergonhado” com a organização e preparação do Brasil para a Copa do Mundo no país. De acordo com o ex-jogador e membro do Comitê Organizador Local (COL), as dificuldades aconteceram por causa da burocracia do país e por culpa do Governo Federal, que teria descumprido os prazos estabelecidos pela Fifa.
As falas do fenômeno foram amplamente repercutidas por todos os jornais do país e imediatamente passaram a ser usadas pelos críticos do Governo Federal e por partidários da oposição. Mas o crítico de cinema Pablo Villaça, que atua no site Cinema em Cena, mostrou em seu blog o que ele chamou de “cronologia de um demagogo”. Villaça resgatou as principais declarações de Ronaldo sobre a realização do evento e o momento exato em que o fenômeno parece mudar de opinião.
No dia 10 de outubro de 2012, por exemplo, quase um ano depois de estar no quadro de membros do COL, Ronaldo garantiu que o Brasil estaria pronto para receber a Copa de 2014. Já em novembro de 2013, meses após as jornadas de junho, o ex-jogador classificou os protestos como “inventados” e enalteceu o progresso dos preparativos, chegando a “minimizar” as desconfianças em dezembro daquele ano.
Em janeiro desse ano, Ronaldo disse que a Copa estava trazendo “grandes benefícios ao país” e, em março se disse “animado” para o evento esportivo. No dia primeiro de maio, o ex-jogador publicou uma fotografia ao lado do senador Aécio Neves (PSDB), candidato à Presidência, e apenas no último dia 23 – quase três anos após aceitar o convite para ser membro do COL – Ronaldo declarou que se sentia envergonhado com os preparativos.
Veja o post completo de Pablo Villaça:
Cronologia de um demagogo
01/12/2011: Ronaldo aceita cargo no Comitê Organizador Local da Copa.
20/10/2011: Ronaldo celebra Copa 2014 no Itaquerão.
20/03/2012: Ronaldo: “A Copa do Mundo da FIFA é de todo o Brasil”.
10/10/2012: Ronaldo garante Brasil pronto pra receber a Copa 2014.
30/01/2013: Ronaldo pede para imprensa abraçar a Copa do Mundo.
05/11/2013: Ronaldo defende Copa de “protestos inventados” e enaltece progresso.
19/12/2013: Ronaldo minimiza desconfianças e vê Brasil acreditar no projeto da Copa 2014.
07/01/2014: Ronaldo diz que Copa está trazendo muitos benefícios ao país.
21/02/2014: “Copa é um grande negócio para o país”, afirma Ronaldo.
30/03/2014: Ronaldo está animado para a Copa de 2014.
01/05/2014: Ronaldo posta foto de apoio à candidatura de Aécio Neves.
23/05/2014: Ronaldo se diz envergonhado com preparação da Copa.
A propósito: de acordo com a Ernst & Young e a Fundação Getúlio Vargas, entre 2010 e 2014, o Brasil deverá arrecadar 16 bilhões com impostos deixados pela FIFA no Brasil (entre valores dos ingressos e eventos relacionados) – um valor consideravelmente superior ao que o governo federal gastou na reforma dos estádios. Ou seja, a Copa dará lucro ao país. Que coisa.
Update: Estão tentando vender a ideia mentirosa de que o governo federal isentou a FIFA de impostos sobre os ingressos. Errado. A FIFA ganhou isenção ao IMPORTAR itens para a infra-estrutura dos jogos, como uniformes e ônibus. Mas não foi só ela. As televisões brasileiras também ganharam isenção para importar equipamentos necessários para televisionar o evento. Não caiam nas falácias dos reacionários; eles ganham espalhando inverdades.

POLÍTICA - O marketing anti-Dilma de consultoria.

Processado pela SEC, sócio dos EUA inspirou marketing anti-Dilma de consultoria


Jornal GGN - A campanha "Se proteja se a Dilma ganhar" foi uma boa sacada da consultoria Empiricus. De fato, o mercado antecipa estratégias de investimento dependendo de cada situação prevista. E o noticiário dos jornais tem enfatizado – forçando a barra – a ideia de que a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) seria um risco para a estabilidade econômica. Embora seja uma análise terrorista, influencia investidores.
A visibilidade, no entanto, trouxe à tona métodos polêmicos encampados pela consultoria, que resultaram em gestores punidos por conselhos de ética do mercado e em associação com grupos norte-americanos igualmente polêmicos – e sob a mira da SEC dos EUA.
A Empiricus notabilizou-se por relatórios informais, repletos de chistes e questões pessoais, mais adequados a perfis de Facebook do que da sobriedade que se exige dos relatórios financeiros.
Responsáveis pelas análises da Empiricus em 2011, Marcos Eduardo Elias, Rodolfo Cirne Amstalden e Roberto Altenhofen Pires Pereira resolveram explorar o noticiário de jornais em uma campanha contra o frigorífico Marfrig Alimentos S/A.
Nos relatórios de análise, promoveram uma empreitada quase que pessoal ferindo a imagem da companhia e de seus controladores, Marcos Molina e Ricardo Florence. Acusaram-nos de fraude contábil e divulgaram análises e comentários negativos, enquanto negociavam com ações da companhia.
Em janeiro de 2012, a Superintendência de Analista de Valores Mobiliários da Apimec (Associação de Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais) determinou a instauração de processo administrativo.
Os ataques à Marfrig começaram, segundo a Empiricus, após a corretora ter sido supostamente ridicularizada em público, durante um evento com a presença de diversos analistas e de auditores da KPMG. "Por uma questão de sobrevivência de mercado", ou “para salvar a reputação”, a Empiricus teria dado início à campanha para demonstrar supostas inconsistências dos balanços da Marfrig.
O relatório do julgamento reproduz trechos que confirmam que o teor das declarações da Empiricus contra a Marfrig é pior do que o de "brigas de botecos". Marcos Eduardo Elias – autor de sentenças ácidas como “demitam Ricardo Florence, ele é um sujeito gago” – acabou sendo punido com a suspensão por 12 meses do credenciamento de analista. Ele deixou a empresa em novembro de 2012. Os dois outros foram condenados a pagar multas de R$ 2 mil e não recorreram da sentença.
Além disso, a Marfrig abriu um processo (nº 0106655-70.2012.8.26.0100) no Tribunal de Justiça de São Paulo, que corre em segredo de Justiça, onde cobra dos analistas uma indenização de R$ 1 milhão por danos morais.
Construção de riqueza
O episódio com a Marfrig não é a única polêmica envolvendo a Empiricus.
Nos últimos tempos seu estilo se radicalizou depois de uma associação com o grupo norte-americano Agora Inc. e com seu promotor Mark Ford. Ambos - Agora e Ford - já foram alvos de investigação pela SEC por manobras no mercado de capitais.
O modelo de atuação consiste em fabricar um guru de mercado, inundar o mercado com newsletters de estilo informal e, a partir delas, montar estratégias de investimento pouco ortodoxas, garantindo ganhos extraordinários e sem risco.
Em seu site (www.empiricus.com.br), a corretora promove o “Clube de Construção de Riqueza - WBC Brasil”. O grupo se apresenta como “a forma mais rápida de construir uma fortuna séria no Brasil atual”. E recomenda: “Esqueça esquemas de pirâmide, esqueça jogos de azar. Há um método consistente e legítimo para alcançar seu primeiro milhão, e até mais.”
O segredo consiste em aplicar as fórmulas inspiradas no americano Mark Ford, hoje um empresário que ultimamente se dedicou ao ramo imobiliário e que, segundo os releases, "fez amigos no Brasil graças ao jiu-jitsi".
O público visado é formado pelo pequeno investidor, “milhares de indivíduos que ainda não conseguiram juntar o patrimônio necessário para uma vida de independência financeira.” O método de Mark Ford é propagado pelos fãs associados à Empiricus como “11 segredos”. A apresentação do sistema é eivada de lugares-comuns, com cálculos básicos de juros compostos e promessas que só se materializam em caluladoras financeiras.
Na justiça internacional
Mark Ford, entretanto, é alvo de reportagens veiculadas em jornais gringos por ter sido parte, em mais de uma ocasião, de negócios que acabaram sendo investigados pelas autoridades norte-americanas.
Em 1991, por exemplo, o Serviço de Inspeção Postal dos Estados Unidos apreendeu 6,6 milhões de dólares em contas bancárias detidas por Ford e seu sócio, Joel Nadel. O órgão sustentou que ambos estavam metidos num esquema que envolvia fraude postal e lavagem de dinheiro.

Ford e Nadel supostamente operavam sorteios por correspondência eletrônica, através de um grupo de mídia de propriedade deles, que rendia cerca de 8 milhões de dólares por mês. A disputa judicial entre o Serviço de Inspeção Postal e os acusados atrasaram o pagamento das vítimas do suposto golpe. De acordo com publicação do The News de 1993, Nadel e Ford nunca assumiram a culpa pela fraude.
Segundo o portal Friends in Business, a operação consistia em emitir e-mails para milhares de pessoas avisando que elas ganharam um “prêmio valioso” em um suposto sorteio. Tudo o que o vencedor precisava fazer para retirar o prêmio era pagar uma pequena taxa de manutenção para a empresa de sorteios. Porém, os itens ditos valiosos nunca chegaram às mãos dos vencedores ou, se chegaram, valiam bem menos do que a taxa que eles pagaram.
Lucrando com a Copa 2014
A Empiricus chegou a Mark Ford através de uma associação com a Agora Inc. que injetou R$ 2 milhões na consultoria para promoção de vendas.
No Brasil, um grupo que se diz fã dos ensinamentos de Mark Ford relata no portal Cartas da Iguatemi como consegue fazer dinheiro. Um dos seguidores que se auto denomina “privilegiado por ser o membro número zero do clube de construção de riqueza WBC Brasil” conta como conseguiu ganhar lucrar com a Copa do Mundo.
A ideia brilhante foi a de colocar o apartamento que um amigo possui no Rio de Janeiro, numa região bem localizada, à disposição dos estrangeiros. Quatro argentinos fecharam o aluguel do espaço pelo valor diário de R$ 760, durante 25 dias. O “número zero do clube" vai embolsar R$ 7 mil do total de R$ 19 mil angariados com o negócio.
O mesmo espírito em Agora e a subsidiária Stansberry & Associates

Mark Ford é um dos responsáveis pelo crescimento milionário da Agora Inc., uma editora de jornais, livros e boletins que tem como subsidiária a Stansberry & Associates Investment Research (S&A). Esta, por sua vez, é outra editora privada com assinaturas em mais de 100 países. No portal da S&A, Ford é apontado como editor convidado.
A S&A tem como um de seus fundadores Frank Porter Stansberry, um profissional do mercado financeiro conhecido por elaborar e publicar notícias e conteúdo associados “aos interesses dos conservadores dos EUA e da ala direitista da política”. Em 2010, ele publicou um viral de 77 minutos intitulado "End of America”.
No vídeo, Porter Stansberry afirma que há anos atrás avisou aos investidores americanos que era melhor evitar empresas como Lehman Brothers, General Motors, Fannie and Fredies e dezenas de outras companhias que entraram em colapso durante a crise de 2008 – situação que ele também afirma ter previsto.
Feita a promoção pessoal, Porter dá sequência ao vídeo alertando para um novo evento drástico para a economia mundial. Isso dois anos antes da reeleição de Barack Obama.
Stansberry afirma, no material, que aguarda um fenômeno ainda relacionado à crise financeira de 2008, mas “infinitamente ainda mais perigoso”, porque vai afetar diretamente a conta-corrente, poupança, aposentadoria, modo de trabalho e o estilo de vida de cada cidadão americano.
O fenônemo estaria para atingir o “tesouro americano” e, diante da situação, Stansberry se propõe a ensinar onde os americanos podem aplicar seu dinheiro sem sofrer represálias do poder público. O empresário promete enviar um relatório gratuito explicando passo a passo.
Os relatórios falsos de mil dólares
Assim como Mark Ford, Porter Stansberry, um dos editores do Agora, também se meteu em imbróglios judiciários em mais de uma ocasião.
Em 2003, a SEC (Securities and Exchange Commission) trouxe à tona um esquema da S&A de comercialização de “falsas informações privilegiadas sobre a USEC Inc., uma empresa de Maryland que abastece usinas nucleares com urânio enriquecido”.
Stansberry assinava – sob o pseudônimo Jay McDaniel – um relatório com as informações que nortearam os investimentos de 1.217 pessoas, em 2002. Cada relatório foi vendido por mil dólares. A USEC afirmou a SEC que nunca repassou a Stansberry informações privilegiadas.
Em 2007, a S&A foi condenada pelo Tribunal Distrital dos EUA a pagar 1,5 milhão de dólares em restituição e penalidades civis por ter fraudado as informações aos assinantes nesse esquema. Ágora Inc. também era réu no julgamento, mas a corte entendeu que apenas a subsidiária deveria sofrer sanções.  Pouco mais de 200 compradores pediram o reembolso pela compra do relatório.
Segundo o juiz a Marvin Garbis, “a gravidade do dano, neste caso, não se limita à quantidade de dinheiro que cada comprador gastou com o Relatório Especial”. Todos eles, acreditando que as informações no documento eram verdadeiras, perderam de 20 a 25 por cento do dinheiro aplicado em compra de ações recomendada pela Stansberry. Alguns acumularam prejuízos de 28 mil dólares. Já a Stansberry lucrou pelo menos 1 milhão de dólares com o negócio.
A Agora invocou a Primeira Emenda (liberdade de expressão) para se defender. O episódio suscitou um rico debate sobre os limites da liberdade de expressão (clique aqui) e (clique aqui).
A criatividade da Empiricus
Voltando aos segredos de Mark Ford – que usa o pseudônimo de Michael Masterson em seus best Sellers – aplicados pela Empiricus, o terceiro princípio, que tornou a corretora muito conhecida no mercado, é a descontração com que todos devem escrever. Aí, a criatividade em terras tupiniquins é sem limite. Até paixões adolescentes pela mesma menina e rixas de escola vêm à tona.
Um dos analistas, Felipe Miranda, narrou as disputas com um certo Daniel Torelli, na época do colegial.  “Brigávamos rigorosamente todos os dias, usando o futebol como catálise... honestamente, nosso time era melhor”, lembra, sem deixar de alfinetar o rival.
O outro motivo era a disputa pelo coração de uma garota de quem ele sequer lembra o nome. Isso porque Renato Torelli, irmão de seu antigo desafeto, foi contratado pela Empiricus – e coube a Miranda apresentá-lo aos clientes. “Hoje, depois de ter gastado uma caixa de lenço, posso lhes assegurar: você merecem ler/ouvir o que este homem tem a dizer”, afirma Miranda.
Dizer que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, começou certa semana “relaxadão”. Afirmar o óbvio: que muitos financistas “comem mortadela para arrotar peru”. Reconhecer que o próprio autor do relatório é bipolar. “Tentamos escrever da forma mais direta possível, usando o humor, porque ele auxilia na absorção da informação”, afirma Mesquita. “Desde que o homem é homem, ele conta histórias, e isso ajuda a entender nossa mensagem”.
A reportagem da IstoÉ Dinheiro publicada em 5 de maio contem os depoimentos e aponta que "a famosa casa de análises independente do País – e reconhecida por seus relatórios descontraídos e mordazes" deve gerar receita de 10 milhões de reais em 2014. "Cerca de 10 mil pessoas já compraram, pelo menos, um relatório da empresa, e há 5 mil assinantes de periódicos da casa.”
As críticas a Dilma Rousseff
A criatividade da Empiricus gerou um episódio retratado pelo site Conversa Afiada na notícia “Vendo proteção contra Dilma. Com Globo e Jabor”, que pode ser lida aqui. Nesta segunda (26), a Empiricus tratou de rebater o que foi veiculado no site encabeçado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim. Em nota à imprensa, a empresa se diz acusada pelo site de “ser financiada para fazer campanha contra Dilma”. E explica que a situação não é essa.
“O anúncio da Empiricus [em O Globo] em questão era uma chamada para um relatório que aborda os desdobramentos da corrida eleitoral sobre os mercados, sob as duas óticas: tanto da situação quanto da oposição.” De acordo com a Empiricus, “tal anúncio é criado automaticamente pelo Google AdWords, ferramenta de geração de Leads do Google, também utilizado pelo Conversa Afiada."
A peça, portanto, teria sido foi fornecida “gratuitamente e tratava da volatilidade causada no mercado pelas últimas pesquisas eleitorais – seus e seus desdobramentos”.
O relatório está disponível aqui.
O que o mercado pensa, segundo a Empiricus
Na mesma nota enviada à imprensa, a Empiricus afirma que tem sido alvo de militantes partidários, por supostamente fazer campanha. "Como se tivéssemos trazido uma grande novidade ao falar que o mercado financeiro prefere o Aécio Neves ou Eduardo Campos à Dilma... Vou revelar uma coisa muito importante, só entre a gente. Simba, este é o nosso segredinho: a Bolsa sobe quando a oposição ganha espaço nas pesquisas.”
A Empiricus avalia que “o mercado espera cada vez mais inflação e um crescimento ínfimo da economia brasileira nos próximos anos. Relatório Focus dessa semana mostrou que os agentes de mercado voltaram a aumentar a projeção para a inflação em 2014, de 6,43% (na semana passada) para 6,47% nesta semana, o que é bem distante do centro da meta de inflação, de 4,5%. A mediana das estimativas aponta crescimento de 1,62% este ano e 1,96% para o ano que vem. Não, crescimento pífio com inflação elevada em um cenário de maior juro real do mundo e recente perda de rating não é um quadro exemplar. Independentemente de quem levar a eleição, precisamos de um ajuste de política monetária e fiscal para já.”

POLÍTICA - JB protelou o mensalão tucano e julgou com rigor exagerado o mensalão do PT.

JB afundou ao cavalgar no tigre da mídia e cresceu ao desmontar do Tribunal




Por Fábio de Oliveira Ribeiro


Joaquim Barbosa foi o primeiro negro a assumir uma cadeira no STF. Não foi o primeiro a protagonizar um bate-boca no Tribunal, mas certamente foi o primeiro a ser filmado fazendo isto. Foi o primeiro negro a presidir a Corte e também o que mais irritou a comunidade jurídica em razão de seu autoritarismo e incontinência verbal.

Sua ascensão meteórica, alavancada pelo apoio que granjeou na mídia ao aceitar a protelação do mensalão tucano (mais antigo) e julgar com rigor exagerado o mensalão petista, o transformou em candidato presidencial em potencial. Durante algum tempo ele pareceu alimentar a idéia. Mas quando a rejeitou de maneira inequívoca, Joaquim Barbosa desagradou bastante a mídia brasileira (que parece estar sempre a procura de um salvador da pátria que possa ser manipulado).

JB não se notabilizou pelas posições confortáveis. Mas as polêmicas jurídicas que criou não acrescentaram brilho à administração da justiça no Brasil. Digo isto pensando especialmente no mau uso que ele fez da teoria do domínio do fato para condenar petistas sem provas e apesar da presunção constitucional de inocência que eles deveriam gozar. Sob seu comando o STF passou a ser pautado pela imprensa, que adora exercer um poder político absoluto e extra-constitucional que não lhe foi atribuído pela CF/88.

A mesma imprensa que elevou JB derrubou D. Pedro I, exilou D. Pedro II, matou Getúlio Vargas e depôs João Goulart. O que teria ocorrido ao “menino pobre que salvou o Brasil” se ele tivesse escolhido aplicar serenamente a Lei no caso do mensalão petista? JB não caiu porque não tinha o apoio da imprensa. A julgar por algumas manchetes de jornal ele ainda o tem ao abandonar o STF. A imprensa poderia dizer que lhe faltou a fibra e o destemor de Ricardo Lewandowiski, Ministro que foi intensa e cruelmente hostilizado pelos jornalistas durante o julgamento do mensalão. Preferiu transformá-lo em vítima. Há um racismo sutil e estilizado na conduta da mídia.

No momento de sua queda, JB é tratado não como o “menino pobre que mudou o Brasil” e sim como o “menino negro” cujo pirulito foi roubado depois de algumas lambidas. A indignação hipócrita neste caso mal esconde o ódio que a imprensa devota a todos que não se prestam a fazer o que os jornalistas desejam (José Dirceu e José Genoino que o digam). JB andou pelo tapete vermelho e recusou a coroação. Antes de concluir a tarefa que lhe foi atribuída pela imprensa (perseguir implacavelmente os petistas enquanto os mensaleiros tucanos não seriam incomodados), o negro aposentou-se mais cedo. Cedeu às “forças ocultas”, dizem alguns jornalistas? Duvido muito, pois se tivesse cedido teria ficado no cargo até o fim e quem sabe até disputado a presidência como um teleguiado das 7 famílias midiáticas. A renúncia de JB pode ser interpretada como um ato de traição à mídia?

Sim e não. Sim porque ao deixar o palco ele terá que ser esquecido. JB não virará estrela, apenas paradigma. Doravante, toda e qualquer decisão que não seja truculenta e beneficie os réus do mensalão arrancará suspiros e recordações dos tempos gloriosos em que o “juiz negro” tratava os bandidos com rigor carcerário. Não porque após três derrotas evidentes em eleições presidenciais a imprensa brasileira talvez já tenha percebido que não pode mais controlar sozinha a democracia brasileira. Isto explica os arroubos autoritários e saudosismos da ditadura que fazem eco cá e lá. O contexto não é muito favorável à soluções ditatoriais. Se apostar num golpe a própria imprensa será mortalmente golpeada.

Talvez JB, que é suficientemente inteligente, tenha percebido o risco de se render totalmente ao canto da sereia midiática. Nesse sentido, sua renúncia pode ser interpretada como um ato digno. Ele não sai do STF para entrar na História. Ele entra na História porque saiu do Tribunal possibilitando que a Corte Constitucional  recupere sua moderação, sua independência da mídia e, sobretudo, sua vocação para cumprir e fazer cumprir uma boa constituição.

ECONOMIA - Elite discute renovação do capitalismo em Londres.

Elite de US$ 30 trilhões discute renovação do capitalismo em Londres


Dólar | Crédito: BBC
Participantes administram fundos equivalentes a 14 vezes o PIB do Brasil
Um grupo de pessoas que juntas controlam US$ 30 trilhões (R$ 67 trilhões) em ativos globais – ou cerca de 14 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil – estão reunidas em Londres nesta terça-feira para debater os rumos do sistema capitalista.
Segundo a organização do seminário Conference on Inclusive Capitalism: Building Value, Renewing Trust (A Conferência sobre o Capitalismo Inclusivo: Construindo Valores, Renovando a Confiança, em tradução livre), o objetivo é discutir ideias que ajudem a promover uma sociedade baseada no livre mercado, porém mais igualitária.
O evento inclui entre os palestrantes de peso como o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. O príncipe Charles, do Reino Unido, abriu os trabalhos.
A conferência ocorre em meio à polêmica recente lançada pelo economista francês Thomas Piketty de que o capitalismo vem concentrando renda, em vez de distribui-la.
A BBC ouviu três participantes do evento sobre quais rumos o capitalismo deve tomar. Leia os relatos.

Lynn Forester*

O capitalismo tem de provar à sociedade como um todo que é um mundo de oportunidades para a prosperidade geral e para o crescimento dinâmico. Por causa dos escândalos que tivemos nos últimos cinco anos, e por causa do crescimento da desigualdade, penso que os patrões têm a obrigação moral de provar o que é bom para a sociedade e é bom somente para os seus negócios.
O capitalismo inclusivo não é nada diferente do capitalismo consciente ou do capitalismo progressivo. Trata-se de um sistema que permite um desenvolvimento maior de toda a sociedade e não se sustenta por si mesmo. O capitalismo inclusivo é bom capitalismo.
"Se os investidores colocarem dinheiro em companhias que têm uma visão de longo prazo sobre a sociedade, então, as corporações vão fazer o mesmo"
Lynn Forester
Já o mau capitalismo é amarrar as taxas Libor (taxa preferencial de juros que remunera grandes empréstimos entre os bancos internacionais operantes no mercado londrino), é vender instrumentos financeiros que são prejudiciais ao seu investir, é tirar vantagem dos trabalhadores e não se importar com a sustentabilidade da sua cadeia de fornecedores. Há muitos coisas que formam o que entendo por ser mau capitalismo.
É por causa disso que temos tão pouca confiança do público em geral sobre o capitalismo, porque, por muito tempo, nos permitimos um mau comportamento dentro dos nossos negócios. Temos de reconhecer de uma vez por todas que fizemos coisas erradas.
Um dos meus principais objetivos como fundadora e co-apresentadora da Conferência sobre o Capitalismo Inclusivo era fazer com que investidores do mundo inteiro não se preocupassem apenas com o lucro.
Eu quero que eles perguntem às suas equipes coisas do tipo: O que você está fazendo para garantir a perenidade da sua cadeia de fornecedores? Como é o seu contato com a comunidade à sua volta? Você é admirado? O que estou fazendo para melhorar?
Se os investidores colocarem dinheiro em companhias que têm uma visão de longo prazo sobre a sociedade, então, as corporações vão fazer o mesmo. O nosso horizonte tem de ser de 20 anos, não de 12 semanas. Esse é meu objetivo imediato.
*Lynn Forester é CEO do conglomerado EL Rothschild, pertencente à família Rothschild, e fundadora da Conference on Inclusive Capitalism: Building Value, Renewing Trust

Madsen Pirie*

Quando as pessoas renunciam aos prazeres do cotidiano e só pensam em investir, acreditando com isso que vão ganhar dinheiro ao proporcionar mercadorias e serviços que outras pessoas talvez queiram no futuro. Essa é a minha definição de capitalismo.
O capitalismo gerou a riqueza necessária para tirar grande parcela da humanidade da substência e da fome e nos permitiu financiar a ciência, a educação e as artes, assim como obter conforto material e oportunidades.
Tal como a democracia pode ser corrompida pelo populismo repressivo, o capitalismo também pode ser desvirtuado pela busca de renda, quando as pessoas tentam obter ganhos maiores do que os produtos e serviços que produzem para os outros.
"O capitalismo deve condenar fortemente o uso de práticas anti-competitivas e dar a pessoas o poder da livre escolha entre bens e serviços concorrentes"
Madsen Pirie
Algumas vezes, essas mesmas pessoas tentam influenciar o cenário político de modo a pressionar pela manutenção de monópolios e evitar a entrada de novos atores no mercado que trazem consigo o potencial criativo. Algumas vezes, eles usam governos para lhes fornecer subsídios por meio dos contribuintes, ou proíbem produtos importados mais baratos.
Outras vezes, elas fazem acordos com governos que recorrem a fundos dos contribuintes para sustentar perdas decorrentes de decisões incompententes ou imprudentes. Essas formas de capitalismo de compadrio exclui os benefícios e as conquistas reais do capitalismo.
O capitalismo deve se libertar-se da urgência do lucro e beneficiar um número maior de pessoas.
Para isso, o capitalismo deve condenar fortemente o uso de práticas anti-competitivas e dar a pessoas o poder da livre escolha entre bens e serviços concorrentes. Mais pessoas também devem ter o direito sobre a propriedade do capital e de investimento ora por meio de contas poupança individuais ora pensões, por exemplo.
O capitalismo também deve reduzir as barreiras à entrada de novos competidores no mercado, de forma que todos possam aspirar a montar um negócio. E, por fim, deve adotar um sistema tributário que premie o sucesso, em vez de puni-lo.
Basicamente, estamos falando de inclusão, de tal modo que o maior número de pessoas possa deixar de consumir irrefreadamente para investir seus recursos e seu tempo no fornecimento de bens e serviços a outras pessoas. Esse é o verdadeiro capitalismo.
*Madsen Pirie é fundador e presidente do Instituto Adam Smith, que defende o livre mercado

Clive Menzies*

Um estudo de 2011 da revista New Scientist revelou que 147 "super entidades" controlam 40% das 43.060 empresas transnacionais e 60% de suas receitas. A pesquisa foi baseada em acionistas e diretores, mas não revela a propriedade nem o controle por trás de empresas "laranja", fundos ou fundações. Dados sugerem que o poder estaria muito mais concentrado do que realmente o levantamento sugere.
Esse poder, que não é controlado pelo Estado, domina a política, a mídia e a educação. O capitalismo financeiro procura monetizar e controlar tudo, influenciar a legislação e a regulamentação a seu favor.
"Os meios para a vida não podem ser condicionados ao emprego remunerado, mas é um direito de todos"
Clive Menzies
Tal sistema é, no meu ver, elaborado a partir de três falhas fundamentais no sistema econômico e evoluiu para beneficiar a classe dominante ao longo dos séculos. Essas falhas, entretanto, foram expurgadas do discurso econômico.
Falha 1. A propriedade privada sobre terra, recursos e outros bens comuns (como a água, o espectro de rádio, genes, natureza e conhecimento), recursos naturais (ou Deus), cujo valor é comunitariamente criado. Esse valor deveria ser compartilhado para o bem de todos.
Falha 2. A cobrança de juros não gera riqueza, mas sistemicamente impulsiona a desigualdade, a destruição do meio ambiente, conflito e um crescimento exponencial e insustentável da dívida. A dívida deveria ser inaplicável pela lei e a usura (empréstimo de dinheiro a juros) ilegal. A dívida deveria ser destinada mais à construção da teia social do que facilitar a extração de riqueza, a exploração e a opressão.
Falha 3. O aumento da mecanização e da tecnologia tornou o pleno emprego inatingível, desnecessário e indesejável. Os meios para a vida não podem ser condicionado ao emprego remunerado, mas é um direito de todos e deve ser prestado sob a forma de um dividendo suficiente para uma vida digna aos cidadãos incondicionalmente.
*Clive Menzies é economista político e fundador do projeto de pesquisa Critical Thinking na Free University.