sábado, 25 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - Lula vem aí.


Lula vem aí e tudo será feito para impedir sua eleição

Ricardo Stuckert
Em 2015 a campanha para criminalizar e desconstruir Lula tomou forma e ele anteviu as perseguições, injúrias e violências que sofreria. “Serão três anos de pancadaria, mas eu vou sobreviver”, garantiu ao discursar na reunião do Diretório Nacional do PT no dia 29 de outubro daquele ano. “Se tem uma coisa que aprendi foi enfrentar a adversidades. Podem ficar certos: eu vou sobreviver. E eles, terão lá adiante a credibilidade que hoje imaginam ter?”. Profético. Lula foi acusado de ocultar um sítio e um apartamento que não possui, de disfarçar propinas da OAS com o pagamento da armazenagem de seu acervo presidencial, tornou-se três vezes réu, foi impedido de tomar posse como ministro de Dilma e enfrenta uma implacável perseguição de Sérgio Moro, qualificada por sua defesa como "lawfare", técnica de perseguição jurídica ao inimigo político, com manipulação do sistema legal para obter sua desmoralização. Por fim, Lula perdeu Marisa, que sucumbiu a um aneurisma no auge da tensão com os processos que ameaçavam Lula, ela e os filhos. Agora ele ressurge liderando as pesquisas para 2018 e seus adversários serão contas no rosário de delações da Odebrecht. Sendo candidato, dificilmente Lula deixará de ser eleito. Desta vez, o que eles farão para impedir que ele volte a governar o país?
O que mais contribui para o crescimento de Lula é o fracasso do programa do golpe, que feriu a democracia, aniquilou a economia, ampliou o desemprego e ameaça os direitos sociais e trabalhistas. Neste sentido, quando mais tempo Temer governar, melhor para Lula, mas pior para o país. Parece haver também, no crescimento de Lula, um fator intangível, que habita a esfera dos sentimentos, dificilmente aferível por pesquisas e sondagens. Algo assim como a compreensão, por uma parte de seus antigos apoiadores, de que lhe negaram apoio em momentos que ele precisou. Por exemplo, quando ele sofreu a condução coercitiva, quando foi impedido de se tornar ministro ou quando Lula, o PT e os movimentos sociais tentaram  realizar grandes protestos contra o impeachment, bradando o “não vai ter golpe”. As manifestações foram grandes mas não suplantaram as da direita, houve o golpe por um Congresso que dizia atender ao clamor popular. Algum arrependimento existe, e guarda algum parentesco com o despertar raivoso da população ao saber que Getúlio se matara. Ele enfrentava uma longa perseguição dos adversários e da mídia conservadora mas não contara com um só grande ato de apoio. Ao saber de sua morte, a multidão tomou as ruas e empastelou os jornais que atacavam Getúlio.
Na morte de Marisa, sim, Lula recebeu muito carinho e apoio, tanto presencial como pelas redes sociais. A morte dela coincide com as evidências de que a Lava Jato não conseguiu provas contra Lula e de que existe óbvia perseguição. Além do mais, o golpe fez água, resultou em desastre econômico e numa enchente de corrupção. Deste reencontro de uma parcela da população com Lula, por razões racionais e também, vamos dizer, emocionais,  vieram os 30,5% de preferência que ele obteve na pesquisa MDA-CNT. Um índice muito aquém dos quase 90% de aprovação com que ele deixou o governo em 2010, mas que vai crescer, quando mais Temer governar. Possivelmente Bolsonaro também vai crescer,  e tenhamos uma disputa clássica entre esquerda e direita em 2018. Os candidatos alinhados com o governo é que dificilmente crescerão. Para isso, precisariam de um milagre na economia e de que a população batesse palmas para reformas que irão castigá-la, como a previdenciária e a trabalhista.
Mal Lula despontou na liderança da primeira pesquisa, vieram as críticas e as armações. Um delegado o acusa de obstrução à Justiça porque foi nomeado ministro embora tenha sido impedido de tomar posse. Lula é acusado de ser o que não foi, de fazer o que não poderia ter feito, obstruir a justiça valendo-se do cargo, e desfrutando do foro privilegiado que lhe foi tirado depois do golpe, na medida em que deixou de ser investigado ao lado de Dilma, que deixou de ser presidente. Muito inepta esta acusação que não resistirá a qualquer exame jurídico mais sério. Mas os três anos de pancadaria previstos por Lula ainda não acabaram e armas mais pesadas ainda serão usadas. O que farão desta vez para evitar Lula presidente?
A hipótese mais banal é a de torná-lo inelegível por uma condenação em segunda instância antes de junho/julho de 2018, quando as candidaturas deverão ser registradas. O tempo é curto para isso e as provas continuam em falta. Se Moro já o tivesse condenado na primeira instância, estaria tudo mais fácil. Mas agora, com Lula na liderança das pesquisas, a ideia de que Moro o condenou para evitar sua candidatura, a serviço dos concorrentes de outros partidos, vai se fortalecer. Não é uma ideia lisonjeira para a biografia de um juiz que já assegurou lugar na História com a Lava Jato e a prisão de figurões da elite que, de outro modo, jamais teriam dormido uma noite numa cela.
A outra hipótese é a de um golpe mais radical, que mergulhe de fato o país na ditadura e cancele as eleições diretas do ano que vem. Quem o perpetraria? Os militares, cujo comandante enxerga no Brasil de Temer um país à deriva? Não considero esta hipótese plausível, apesar dos apelos da extrema direita por uma intervenção militar. Mas se houver um golpe armado, é mais fácil que ele seja para entronizar os militares, como em 1964, do que para garantir a continuidade de Temer. Ou uma eleição indireta. Lacerda e Magalhães Pinto apoiaram o golpe e acabaram por ele cassados. Porque iriam os militares se desgastar com um golpe em favor de uma elite carcomida e afundada em corrupção?  
Mas, se Lula tornar-se de fato candidato, preservadas as regras democráticas, a campanha será uma guerra e todas as armas serão permitidas. Como em 1989, quando Lula perdeu no segundo turno após ataques baixos de Collor (que pagou sua ex-namorada Miriam Cordeiro para acusa-lo de tentar força-la a abortar a filha Luriam) e a manipulação do debate final pela TV Globo. A batalha será sangrenta. Se Lula for eleito, o país ainda estará dividido mas, se ele conseguir restaurar a democracia, o crescimento e o desenvolvimento, como fez em seu governo, acabará conseguindo a reunificação.
“Alguém terá que ser capaz de reunificar o país”, disse Temer pregando o impeachment no ano passado e defendendo a própria posse no lugar de Dilma. O que ele não sabia, com seu limitado currículo democrático, é que a reunificação em horas de crise e cisão só pode ser propiciada por um governante legítimo, e além do mais, exitoso. O dele não dispõe nem de um nem do outro atributo.

POLÍTICA - Moro vai ter que se explicar.

Além de Padilha e Temer, denúncia de Yunes compromete Moro


Jeferson Miola


O depoimento que José Yunes prestou ao MP assumindo-se como simples “mula” para transportar os R$ 4 milhões da propina da Odebrecht destinada a Eliseu Padilha é demolidor para o governo golpista.
A denúncia do amigo de mais de meio século do Michel Temer põe luz sobre acontecimentos relevantes da história do golpe, e pode indicar que os componentes do plano golpista foram estruturados em pleno curso da eleição presidencial de 2014:
1. a Odebrecht atendeu o pedido do Temer, dos R$ 10 milhões [os R$ 4 milhões ao Padilha são parte deste montante] operados através de Lucio Funaro, ainda durante o período eleitoral de 2014;
2. mesmo sendo o candidato a vice-presidente da Dilma, na campanha Temer trabalhava pelo esquema do Eduardo Cunha [que na eleição apoiou Aécio Neves, e não a chapa do seu partido, o PMDB], que tinha como meta eleger uma grande bancada de deputados oposicionistas ao governo Dilma;
2. a organização criminosa financiou com o esquema de corrupção a campanha de 140 deputados para garantir a eleição de Eduardo Cunha à Presidência da Câmara;
3. Lúcio Funaro, tido até então exclusivamente como o “operador do Eduardo Cunha”, na realidade também atuava a mando de Eliseu Padilha e, tudo indica, de Michel Temer. José Yunes diz que Temer sabia tudo sobre o serviço de “mula” que Padilha lhe encomendara;
4. em janeiro/fevereiro de 2015, na disputa para a presidência da Câmara, embora em público Temer dissimulasse uma posição de “neutralidade”, nos subterrâneos trabalhou pela eleição do Cunha;
5. mesmo sendo vice-presidente da Presidente Dilma, o conspirador conhecia o plano golpista desde sempre, e participou desde o início da conspiração para derrubá-la.
O primeiro passo, como se comprovou, seria dado com a vitória do Eduardo Cunha à presidência da Câmara para desestabilizar o ambiente político, implodir os projetos de interesse do governo no Congresso e incendiar o país.
A denúncia de Yunes reabre o questionamento sobre a decisão no mínimo estranha, para não dizer obscura e suspeita, do juiz Sergio Moro.
Em despacho de 28/11/2016, Moro anulou por considerar “impertinentes” as perguntas sobre José Yunes que o presidiário Cunha endereçou a Temer, arrolado como sua testemunha de defesa.
Moro tem agora a obrigação de prestar esclarecimentos mais convincentes e objetivos que o argumento subjetivo de “impertinência”, alegado no despacho.
Caso contrário, ficará a suspeita de ter prevaricado para proteger Temer e encobrir o esquema criminoso que derrubaria o governo golpista.
Afinal, sabendo do envolvimento direto de Michel Temer no esquema criminoso, Moro teria agido para ocultar o fato?
A cada dia fica mais claro que o Brasil está dominado pela cleptocracia que assaltou o poder de Estado com o golpe.

"Fora Temer", a onda do carnaval 2017

Onde estão os atores da Globo que eram contra a presidenta Dilma?

Doria não aguenta humilhação de ser hostilizado e fala "Viva Lula"

PHA: MT é só pau nos pobres!

POLÍTICA - "A mula vai entregar o pacote?

Temer, a 'mula', vai 'entregar o pacote'?

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Como se sabe, o papel para o qual a elite dominante escalou Michel Temer foi o de “mula”.

Pegar o poder com o golpe e entregar, depois, ao PSDB, já devidamente higienizado dos direitos dos pobres e com as medidas de depenamento do Estado brasileiro.

A mula, porém, está escandalosamente manca.

A tropa que ela liderava perde um integrante por semana, e cada um que sai se torna um fardo a mais: é mais um para livrar das encrencas ma Justiça.

E, em matéria de livrar, nada é mais importante do que aliviar a “pressão Cunha”, conseguindo colocar o ex-deputado em liberdade, missão que está confiada a Gilmar “Alongadas Prisões” Mendes. Da decisão, se possível manter na Segunda Turma do STF, deve ser poupada uma constrangedora estréia de Alexandre de Moraes, que marcaria ainda mais as digitais de Temer.

Se fosse uma prática desde o início, a de permitir, tão logo executadas as apreensões de documentos, bloqueios de bens e de contas, limitações de deslocamentos e proibição de ida ao exterior, que os acusados respondessem, como manda a lei, em liberdade, seria mais uma.

Mas Moro, a Justiça e, especialmente, o STJ e o STF acostumaram o país, durante dois anos e pico, à ideia de que lugar de acusado é na cadeia. E quem mais acusado, quem mais bandido perante a opinião pública que Eduardo Cunha?

Talvez, sem repercussão política, o ex-goleiro Bruno.

Então, ferida e só, a “mula” aperta o passo para a entrega de sua principal encomenda: a reforma da previdência, na qual, como penduricalho, vem a reforma trabalhista.

Mas surgem problemas para isso, tanto no “baixo clero” peemedebista, que vê os tucanos nos melhores poleiros quanto na cúpula do parlamento, abalada pelas denúncias contra Rodrigo Maia (às da Odebrecht se somam agora as da Delta Engenharia, de Fernando Cavendish, antecipadas pela Veja) e o rebuliço que a prisão de Jorge e Bruno Luz causarão na bancada peemedebista no Senado.

Em O Globo, um dirigente tucano faz pouco da insatisfação peemedebista: ” A decorrência natural é que Temer, para fugir do isolamento, demande cada vez mais a presença de quadros do PSDB que possam apoiá-lo e com quem trabalhe com um grau de confiança maior. Lamentavelmente, ele perdeu esses interlocutores de confiança no PMDB, não sobrou ninguém e a bancada é um deserto. Ele tem chamado o Aécio cada vez com mais frequência ao Planalto, e o Imbassahy vai crescer muito. É discreto e confiável. Vai gerar ciúmes? Vai. Mas lamentavelmente eles não têm como reagir a isso.

Será? Boa parte do centrão flutua levada pela maré. E a maré é ruim, muito ruim.

O carnaval triunfal de Temer, previsto para desfilar aos gritos de “olha o crescimento aí, gente” viu, na quinta-feira, virar seu clima para quarta-feira de cinzas.

POLÍTICA - Yunes pode acabar com o governo Temer.

As relações sombrias entre Yunes e Temer

Por Renato Rovai, em seu blog:

No dia 31 de dezembro do ano passado, numa data pouco provável para este tipo de matéria, surgiu o blogue Tabapuã Papers, com um texto assinado por Joel Assis e Larissa Monteiro. A reportagem, até o momento a única do blogue, tinha como ponto central as “relações sombrias” entre José Yunes e Michel Temer. Ou seja, o blogue parece ter sido criado para divulgar este material.

Há aproximadamente um mês o blogueiro foi apresentado ao blogue por uma colega jornalista. Vasculhou-o, fez relatórios, checou dados, mas não conseguiu avançar muito nos emaranhados de suas ramificações. De qualquer forma, não encontrou incoerências ou formulações inverídicas.

Com a declaração dada por Yunes sobre ter sido “mula” de Eliseu Padilha com o conhecimento de Temer, há necessidade de que outros jornalistas também possam ter acesso a esses documentos.

Histórico dos negócios suspeitos de Yunes com Temer
Boa parte do relatado abaixo foi extraído do blogue citado. Alguns trechos literalmente. O blogueiro, porém, achou necessário fazer uma edição para que a leitura pudesse ser mais fluente.

A criação da Stargate

Em agosto de 2001, Glorybel Sousa assinava papéis na sala 400 de um prédio em forma de ‘S’ no estado de Delaware, famoso paraíso fiscal norte-americano, no escritório da Coporation Service Company (CCS), criando uma empresa da qual seria “diretora”. Poucos dias depois, Glorybel nomeava José Yunes como procurador da companhia no Brasil, autorizando o advogado a agir como melhor entendesse na gestão da recém-fundada Stargate Esthetics LLC.

A sede da Stargate Esthetics, no papel, é o próprio escritório da CCS, agente registrado de “milhares de entidades corporativas”. O principal trabalho de um agente registrado é, simplesmente, oferecer um endereço legal aos clientes.

A CCS aparece nos Papéis do Panamá como sede de mais de vinte offshores – empresas em paraísos fiscais. Os papéis reúnem dados de quase meio milhão de companhias desse tipo.

O anonimato garantido por offshores facilita lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, fraude e outros crimes.

Dois meses depois de receber a procuração de Glorybel para agir em nome da Stargate Esthetics, José Yunes abriu, em Santana de Paranaíba, na região metropolitana de São Paulo, cidade famosa por permitir tributação mais baixa, uma firma cujas atividades iam da venda de produtos de estética à “participação em empreendimentos de qualquer natureza”.

Era a Stargate do Brasil Estética, Produtos e Serviços, que nasceu quando a companhia de Delaware se associou ao “empresário” Arlito Caires Santos. A sociedade funcionava da seguinte forma: a firma americana entrava com R$ 2,499 milhões e Arlito com mil reais.

Em troca de um salário mensal “pró-labore”, Arlito seria o “diretor”, mas precisaria da aprovação da Stargate Esthetics para pegar empréstimos, por exemplo. Como José Yunes era o procurador da companhia americana, as mais importantes operações da Stargate do Brasil tinham de passar pelo crivo do advogado.

Em março de 2004, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, anunciava um pacote de estimulo à construção civil, com R$ 1,6 bilhão em crédito para a compra de casas próprias. Naquele mês, Arlito e Yunes alteravam o campo de atuação da Stargate do Brasil. A companhia também passaria a comprar, vender e alugar imóveis. Shirley Siqueira Gomes assinou como testemunha da mudança do objeto de atuação da empresa.

Após quase uma década, a Stargate do Brasil criava outras duas companhias de “consultoria empresarial”. Juntas, a Golden Star Serviços e Participações e a Lighted House Serviços e Participações tinham um capital de R$ 11,1 milhões. Desse total, dois mil reais saíram dos bolsos de Arlito e o restante da Stargate do Brasil, que José Yunes controla.

As duas empresas funcionam no mesmo endereço, uma casa de fachada amarela e grades pretas no Brooklin Paulista. O blogue Tabapuã Papers revela que tentou encontrar, sem sucesso, Arlito. Também teria enviado repórteres à sede das empresas no último dia 28 de dezembro. Lá, havia somente uma placa indicando que funcionava um escritório de contabilidade.

Yuni Incorporadora Ltda e os bancos do empréstimo da Schahin com a Petrobras

Há quinze minutos de caminhada dos prédios das duas empresas, no bairro Vila Olímpia, localiza-se a Yuny Incorporadora S.A. José Yunes e dois filhos, Marcos Mariz de Oliveira Yunes, o mais velho, e Marcelo, fundaram a companhia em 1996. Na época, a Yuny cuidava apenas de empreendimentos de “altíssimo padrão”, como informa a página da incorporadora na Internet. Uma grande mudança ocorreu no dia 31 de agosto de 2006, quando José Yunes a transformou em uma sociedade anônima fechada, com ações divididas apenas entre os sócios. O capital da Yuny em nome dos donos era de R$ 3,5 milhões. Mais uma vez, Shirley Siqueira Gomes era a testemunha nos contratos.

Nesses 20 anos a imobiliária dos Yunes cresceu e, atualmente, os sócios têm na empresa um capital superior a R$ 174 milhões. José Yunes deixou de assinar pela Yuny, mas os filhos Marcos e Marcelo permanecem nela.

No dia 3 de setembro de 2010, os irmãos Yunes autorizavam uma das empresas do grupo a pegar empréstimos de até R$ 5 milhões com o Banco Pine S.A. Dois meses depois, no dia 10 de novembro, enquanto Temer já celebrava a vitória nas eleições, Marcos e Marcelo voltavam ao prédio ondulado da Vila Olímpia para autorizar outro empréstimo, de R$ 4 milhões com o Banco Fibra S.A.

Até junho de 2013, os filhos de José Yunes autorizaram empréstimos de, pelo menos, outros R$ 10 milhões com o Pine e outros R$ 7 milhões com o Banco ABC Brasil S.A. No total, eram R$ 26 milhões com o Pine, o Fibra e o ABC Brasil juntos.

Não há nada de irregular nisso, mas há uma coincidência que une os três bancos: todos estiveram na mira de investigações sobre desvios em contratos do grupo Schahin com a Petrobras.

Uma reportagem de 2016 do jornal Estadão diz que a Receita Federal encontrou indícios de que essas e outras 10 instituições financeiras “criaram uma estrutura para emprestar e receber dinheiro em paraísos fiscais”. E que, na avaliação da Receita, esses empréstimos abriram “espaço para dar ‘aparência lícita’ a dinheiro que poderia ter sido obtido em operações ilegais no Brasil, como fraude a licitações e sonegação fiscal”.

O artigo ainda afirma que o Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), responsável pela Lava-Jato, avaliava se abriria um inquérito contra os bancos.

Maraú Administração de Bens e Participações, sociedade com Marinho e Tutinha

Em 25 de abril de 2016, uma semana depois de a Câmara dos Deputados aprovar o impeachment da então presidente Dilma Rousseff e enviar o caso ao Senado, Marcos Yunes ficava sócio da Maraú Administração de Bens e Participações. A Maraú existia desde 2007 e, supostamente, servia apenas para cuidar de bangalôs de luxo na paradisíaca cidade de Maraú, na Bahia.

Um dos sócios de Marcos Yunes na Maraú é Alba Maria Juaçaba Esteves Pinheiro, que foi esposa de Noberto Nogueira Pinheiro, do conselho de administração do Banco Pine. Também faz parte da sociedade Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, dono da rádio Jovem Pan. E, vejam só que coisa, José Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo de Comunicação.

Entre os sócios de toda essa gente na Maraú está a empresa Shadowscape Corporation, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, território que, assim como Delaware, muitos chamam de paraíso fiscal.

A Shadowscape nasceu no dia 4 de janeiro de 2011, tendo como agente registrado o célebre Mossack Fonseca, escritório de advocacia panamenho pivô dos Papéis do Panamá e responsável por abrir offshores ao redor do mundo. Os papéis panamenhos, aliás, também citam a Shadowscape. O registro do banco de dados mostra que o escritório de administração da firma fica em Douglas, capital da Ilha de Man. Por coincidência, muitos também classificam a ilha entre a Inglaterra e a Irlanda como um paraíso fiscal.

O representante da Shadowscape no Brasil seria José Arnaldo da Silva, morador no bairro Vila Dona Meta, em São Paulo. A reportagem do Tabapuã Papers teria ido até o local mas não encontrou o endereço do representante da Shadowscape que constava nos registros da empresa. Vizinhos afirmaram que um homem chamado José morava por ali, numa casa de aparência humilde, mas que havia se mudado em setembro do ano passado.

Quem também é sócia da Maraú é Andrea Capelo Pinheiro, que também é sócia da Agropecuária Vila dos Pinheiros, especialista na criação e no comércio de gado. A administração do haras é de Francisco Jaime Nogueira Pinheiro Filho, da família de Andrea e também de Noberto Nogueira Pinheiro, do Banco Pine.

Andrea também é diretora do BR Partners, um banco de investimentos que ocupa o 25º e o 26º andares do edifício Spazio Faria Lima, no Itaim Bibi.

As duas salas do 25º andar ocupadas pelo BR Partners pertencem a uma empresa chamada Tabapuã Investimentos e Participações. O dono da Tabapuã seria, justamente, o grande amigo de José Yunes, seu “irmão”, Michel Temer.

A Tabapuã, empresa de Temer

No dia 19 de novembro de 2010, Temer abriu com uma das filhas, Luciana, a Tabapuã, que cuidaria do aluguel das duas salas do 25º Andar do edifício Spazio Faria Lima, no Itaim Bibi. Curiosamente na reunião daquele 19 de novembro estavam presentes duas pessoas próximas a José Yunes. Uma delas era o advogado Marcelo Beserra. A outra, a mesma Shirley Siqueira Gomes, testemunha de alguns dos contratos que o amigo de Temer assinou

Essa não é a única das coincidências que liga a família Yunes ao atual presidente da República. As declarações de bens do presidente mostram que Temer participou de uma sociedade com José Yunes e sua família por, no mínimo, quatro anos. Em 2006, quando concorria ao cargo de deputado federal, Temer declarou possuir uma sociedade para um empreendimento imobiliário no valor de R$ 639.378,50. Quatro anos depois, a declaração de bens de Temer mostra uma sociedade com a Yuny – que no papel não tinha mais José Yunes entre os donos – no valor de R$ 639.378,49.

Reportagem da revista Veja afirma que essa sociedade do presidente com a incorporadora dos Yunes começou em 2003, quando Temer adquiriu – ainda na planta – o imóvel ocupado pelo BR Partners.

Pode não haver nada de errado com os negócios acima citados. Mas alguns são de fato suspeitos, já que envolvem criação de offshores e empréstimos heterodoxos. De qualquer forma, uma coisa está mais do que clara, Yunes parece ser muito mais do que um amigo, muito mais do um irmão de Temer. E pode acabar com o seu governo.

POLÍTICA - E agora Temer?

Fim de Temer está mais próximo

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

A providencial cirurgia na próstata anunciada por Eliseu Padilha, 24 horas depois de ter sido denunciado pelo amigo presidencial José Yunes como destinatário de uma mala de dinheiro, confirma que o fim de Michel Temer está próximo.

Por mais que seja possível insistir na coreografia - e Brasília já viu muitos espetáculos semelhantes - o governo acabou esta manhã.

A versão de que Padilha afasta-se do governo por razões médicas não merece credibilidade. A história inteira é outra.

Antes do depoimento de José Yunes vir a público, o chefe da Casa Civil seguia em sua vida normal de ministro e grande manda-chuva do Palácio. Por exemplo. Até agora, o ministro possuía uma agenda normal às suas atividades. Tinha compromissos marcados até para a quarta-feira de cinzas, cinco dias depois da entrevista do amigo do Temer que o acusou. Um deles envolvia uma audiência com empresários e sindicalistas envolvidos no debate sobre conteúdo local nos investimentos do pré-sal. Agora, está cuidando da próstata.

Sem Padilha, a solidão política de Temer chega ao nível da calamidade.

No final de novembro, no escândalo envolvendo uma cobertura milionária em Salvador, o outro amigo, Geddel Vieira Lima, já havia deixado a Secretaria de Governo.

Juntos há muitos anos, até há pouco eles formavam um trio azeitado, os verdadeiros chefes do grupo político que assumiu o Planalto após o golpe que derrubou Dilma.

Eram os protagonistas no centro das grandes decisões, aqueles com a palavra final nos assuntos graves e fundamentais - inclusive nomear e demitir.

Funcionavam assim desde o governo Fernando Henrique Cardoso, que deixou o Planalto em janeiro 2003, isto é, quatorze anos atrás. Em suas memórias FHC emprega a expressão "cheirando mal" para se referir a movimentos de Padilha - sempre em companhia de Temer e Geddel - para emplacar um ministério, que, afinal, acabou conseguindo.

Olhando para o futuro próximo, basta recordar que as delações da Odebrecht ainda não saíram do forno. Ainda podemos aguardar pela Camargo Correa, OAS, para imaginar o que aguarda a última ponta do triângulo.

Por enquanto, basta lembrar que o próprio Yunes acertou o peito de Temer ao revelar - empregando uma estranha linguagem de traficantes de drogas - que tinha informado ao presidente que havia atuado como "mula" a serviço do chefe da Casa Civil.

Neste ambiente, a saída de Temer caminha para se tornar uma necessidade prática antes de se tornar um clamor nacional. Pode ser fruto de um ato de renúncia, voluntário e unilateral, possível a qualquer momento.

Outra hipótese é o julgamento pelo TSE. No inferno em que se transformou o governo, a cassação do mandato de Michel Temer será um favor.

Neste momento, o debate sobre a sucessão antecipada de Temer ganha corpo e velocidade.

Há uma operação vergonhosa em andamento. Depois de desrespeitar a Constituição quando isso era conveniente a seus interesses, as forças que articularam a derrubada de Dilma tentarão esconder-se atrás da Carta de 1988 para operar um pleito indireto, num Congresso que o suíço Eduardo Cunha montou. Com isso, manterão o povo, mais uma vez, longe do direito de opinar sobre os destinos do país. Também será possível tentar algum lance de mágica para mudar o cenário atual para 2018, assim descrito na Folha de S. Paulo, edição de hoje, pelo insuspeito Reinaldo Azevedo: "as nuvens que se armam ameaçam jogar o país, mais uma vez, no colo das esquerdas. Tudo o mais constante (...), é ao encontro delas que marchamos."

Não é uma boa ideia. Só ajuda a criar tumultos desnecessários e incertezas. A solução - urgente - consiste em retomar o debate sobre a emenda que o obriga a realização de diretas-já, unica forma para o país recuperar a democracia.

POLÍTICA - " A gente somos inúteis"

Reinaldo Azevedo está certíssimo!

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



José Reinaldo Azevedo e Silva, vulgo Reinaldo Azevedo, foi inventado pela revista Veja no início dos anos 2000. Era um jornalista sem expressão, famoso por seu carreirismo e pelas puxadas de tapete nas redações durante os anos 1990.

Azevedo formou-se em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, após frequentar o curso de letras na Universidade de São Paulo (USP). Foi trotskista na adolescência, durante a ditadura militar. Adulto, tornou-se crítico do comunismo e das ideias socialistas.

Foi redator-chefe das revistas Primeira Leitura e Bravo!, editor-adjunto de política da Folha de São Paulo, coordenador de política da sucursal de Brasília do mesmo jornal e redator-chefe do jornal Diário do Grande ABC, de Santo André, entre 1991 e 1993.

Também foi articulista da revista Veja até 7 de outubro de 2009, quando escreveu seu último artigo para a revista. Ainda mantém um blog hospedado no site da Veja.

Após sair das páginas impressas da revista, Azevedo tornou-se colunista da Folha e radialista da rádio Jovem Pan, onde faz intervenções no Jornal da Manhã e comanda o programa Os Pingos nos Is. Por fim, atua como comentarista especial do telejornal RedeTV! News.

Azevedo se deu bem. Até por volta de 2006, não existia. Chafurdava na Primeira Leitura, publicação sem leitores e importância, pertencente ao ex-ministro das Comunicações de FHC Luiz Carlos Mendonça de Barros. Quando a revista afundou – logo após se envolver no que ficou conhecido como “escândalo da Nossa Caixa”, que explodira um ano antes –, foi “acomodado” na Veja, talvez para não falar demais.

Só para constar, o escândalo envolvendo a Primeira Leitura, que Azevedo havia “comprado” do Mendonção, eclodiu em 2005. O Ministério Público de São Paulo recebeu denúncia anônima sobre irregularidades nas verbas de publicidade da Nossa Caixa.

A denúncia ganhou força após a Folha de S. Paulo divulgar indícios de que o governo Alckmin havia interferido no Banco Nossa Caixa em favor de deputados aliados ao governo na Assembleia Legislativa paulista. As verbas eram direcionadas principalmente para financiar anúncios em revistas e jornais dos aliados, como a rede de televisão Rede Vida e a revista Primeira Leitura, pilotada por Azevedo.

Como sempre, o MP e o Judiciário tucanos de São Paulo acobertaram tudo e tudo ficou por isso mesmo.

A longa apresentação desse indivíduo serve ao propósito de mostrar que não se trata de nada mais do que de um carreirista que enriqueceu e ganhou fama à sombra do poder e de métodos obscuros. Mas não se pode negar um mérito a Azevedo: é inteligente e usa muito bem a lógica.

Alguns consideram Azevedo um idiota por se levar a sério, mesmo não passando de um animador de auditório que considera a obra máxima da Criação ter inventado um insulto contra pessoas que acalentam ideologia – note bem, não um partido, mas uma ideologia – que ele tem como função profissional atacar.

O autoproclamado “Tio Rei” já foi uma espécie de Jair Bolsonaro do jornalismo, famoso pela truculência, pelos insultos racistas, misóginos, machistas e homofóbicos disfarçados por sua realmente notável inteligência e capacidade de enxergar a floresta em vez de somente algumas árvores.

De algum tempo para cá, porém, Reinaldo, assim como a Veja, vem sofrendo uma “transmutação” ideológica. Até por hoje estar escrevendo na Folha, que usa um verniz progressista como maquiagem de seu viés conservador, passou a repudiar o que batizou de “direita chucra”, ou seja, o público que o fez ganhar notoriedade.

Convenhamos: Reinaldo (agora o trataremos pelo primeiro nome) é o pai e a mãe dos bolsomínions, os filhotes de Bolsonaro que perderam o pudor de ser lixo. Imbecis semiletrados, machistas, homofóbicos, misóginos, reacionários e violentos que representam grande parte do que chamam de “macho latino”, que não se permite empatia, humanismo e outras “coisas de viado”.

Não dá pra entender por que Reinaldo está surpreso com a burrice de seus liderados.

Recentemente, ele foi à loucura ao ver esse bando de cretinos comemorando a agonia de Marisa Letícia Lula da Silva, em seu leito de morte.



Reinaldo não é bobo. Sabe muito bem que, por mais que existam (muitos) energúmenos por aí capazes de praticar atos de crueldade como ironizar a situação da falecida mandando-a pro SUS ou desejar logo a sua morte, a maioria fica enojada diante de atitudes como essa.

Analistas das pesquisas de intenção de voto para 2018 consideraram que os ataques a Marisa ajudaram Lula a assumir a liderança isolada da preferência do eleitorado na eleição presidencial do ano que vem.

Claro que não foi só esse fator que fez Lula crescer, mas foi um deles.

Reinaldo, desde há alguns meses, acompanhou a mudança de postura da Veja, agora muito menos reacionária e antipetista, ainda que continue reacionária e antiesquerda em geral, e passou a usar, reiteradamente, a expressão “direita chucra”.

Ele criou a organização desses imbecis, mas Bolsonaro se apropriou deles e, agora, constrói um projeto político para 2018 que pode acabar com os anseios dos patrões de Azevedo, os tucanos, aos quais serve com devoção desde o tempo em que o colocaram para avaliar cartas de leitores na Primeira Leitura – eu vivia trocando e-mails com ele, à época, para debater política.

Bolsonaro atrapalha os planos tucanos porque eles são considerados pouco reacionários, pouco truculentos, pouco atrasados política, cultural e socialmente. Reinaldo, então, abriu guerra contra os bolsominions, que, agora órfãos do “tio Rei”, foram buscar conforto no colo da “titia Joyce”, outra carreirista e alpinista social que fazia par com ele em um programa de web TV da Veja.

Recentemente, surgiu um episódio engraçadíssimo em que Joyce Hasselman, demitida da Veja por puxada de tapete de Azevedo – que argumentou com a revista que ela é bolsonarista e, assim, ameaçava a tucanada –, começaram a produzir vídeos um contra o outro, insultando-se mutuamente.

Ambos têm razão no que dizem, mas não vou gastar o tempo do leitor com as pirações da direita. O fato é que Reinaldo tem razão de sobra para se preocupar com os excessos dos bolsominions. Bolsonazi é o adversário ideal para Lula ou para quem ele indicar para disputar a Presidência em 2018. Abjeto, verdadeiramente nojento, contrapor-se a ele é como bater em cego.

Reinaldo teve um artigo publicado pela Folha nesta véspera de Carnaval que faz um prognóstico que não só endosso, mas complemento porque, apesar de boa inteligência, o “tio Rei” não é capaz de entender totalmente por que a esquerda irá voltar ao poder, apesar de sentir que isso irá acontecer.

Leia o artigo, continuamos em seguida.

*****

A esquerda agradece à direita xucra que escoiceia

Por Reinaldo Azevedo

Os grupos responsáveis que constituíram a base popular do movimento de impeachment deveriam agora é estar empenhados em construir alternativas, já pensando em 2018, que assegurassem a continuidade das mudanças a que o presidente Michel Temer deu início.

Para tanto, não é preciso paralisar a Lava Jato. Ela que prossiga nos limites da lei. Mais: o inventário do desastre petista, a sua herança, ainda não foi feito. Em vez disso, infelizmente, nós flagramos esses a que me refiro a insuflar, queiram ou não, a razia das forças políticas organizadas, cedendo ao alarido da direita xucra e dos messiânicos.

É pena! A economia exibe sinais modestos, mas consistentes, de recuperação. A simples perspectiva de ajuste no setor público começa a dar algum resultado. Mas ainda vai demorar até que a população comece a perceber os efeitos da melhora. Por enquanto, esses indicadores compõem os arcanos da macroeconomia, cartas que não costumam ser lidas pelos mais pobres, especialmente punidos pela recessão fabricada pelo petismo.

Com habilidade, o presidente Michel Temer tem logrado vitórias importantes no Congresso. E olhem que os dias não andam nada fáceis. Os que dependem de voto sabem haver uma diferença importante entre apoiar a PEC do teto de gastos e defender a reforma da Previdência; entre mudar as regras do pré-sal e emplacar mudanças importantes na legislação trabalhista. Ou por outra: está chegando a hora de o povo de carne, osso, opinião e urna participar do jogo.

Aposto que Temer irá até o limite das mudanças que o Congresso puder lhe oferecer. Mas as nuvens que se armam ameaçam jogar o país, mais uma vez, no colo das esquerdas. Tudo o mais constante, e não vai depender de acertos ou erros do presidente, é ao encontro delas que marchamos.

As maiores manifestações de protesto da história do país deram o suporte popular necessário ao impeachment de Dilma, o que obedeceu a todos os rigores da lei. Mas sabemos, e eu apontei isto muitas vezes nesta Folha, no meu blog e em todo lugar, que dois elementos bastante distintos se combinaram para resultar na deposição.

Os que coalharam as ruas de verde-amarelo lá estavam contra a corrupção; mal sabiam que diabo era “pedalada fiscal” –o crime de responsabilidade sem o qual a então presidente não teria caído.

Mantenho-me relativamente longe do bueiro do inferno em que se transformaram as redes sociais e páginas da internet que, embora se apresentem como jornalísticas, ou são miasmas do esgoto ou são expressões bisonhas do lobby de especuladores e bucaneiros.

Igualam-se na violência retórica, na irresponsabilidade, na ligeireza com que sentenciam pessoas à morte. Embora longe, é claro que acabo alcançado pelo fedor. Sempre há aquele que diz: “Viu o que falaram de você?”.

A extrema direita, a extrema burrice e o extremo oportunismo se uniram para me declarar, acreditem!, inimigo da Lava Jato. Acusam-me também de sabotar a manifestação de protesto –ou algo assim– do dia 26 de março, marcada por alguns dos grupos que apoiaram o impeachment.

A inconsistência da pauta é a melhor evidência de por que não deveria acontecer. Chamam de sabotagem uma crítica política legítima. Antes, no dia 15, haverá a marcha das esquerdas. Notas: eu seria adversário da Lava-Jato porque critico algumas decisões de membros do MPF e do juiz Sérgio Moro. Pois é. Não nasci para fazer hagiografias.

A esquerda agradece embevecida.

O conservadorismo responsável pode ainda se tornar a principal vítima da criminalização da política, promovida por irresponsáveis que se querem conservadores. Ademais, se não serve a política, que venha a porrada!


*****

Reinaldo é PSDB, e PSDB é Temer – não PMDB, Temer.

Mas Reinaldo não entende tudo, o que não espanta. Ninguém excepcionalmente inteligente se julgaria tão importante por ter criado um insulto burro como “petralha”, que atribui desonestidade e burrice a todo esquerdista que pense diferente do autor do xingamento. Reinaldo é inteligente, mas está longe de ser excepcionalmente inteligente.

Para explicar o que Reinaldo não entende vale assistir a um vídeo [aqui] que mostra por que os planos dos golpistas farão os brasileiros sentirem saudade do PT e, sobretudo, de Lula, o que, aliás, já começa a acontecer.

Como se vê, a fascistada que agora se abriga sob as asas da “tia Joyce”, do Bolsonazi, do MBL, do Vem Pra Rua e de outras manifestações mussolino-hiltleristas, gente que Temer comprou para tentar fazer a maioria dos brasileiros aceitar perda de direitos em geral, além dos trabalhistas, está mesmo achando que vai ter sucesso.

Na última quinta-feira, a coluna da jornalista Monica Bergamo, na Folha de São Paulo, mostrou que os bolsomínions estão se suicidando com esses ataques aos direitos da maioria para beneficiar meia dúzia de capitães da indústria.




Não tem jeito de esse liberalismo genocida dar certo. Ouça o especialista entrevistado pela Globo News. Na entrevista dele, você entenderá por que o povo vai ficar extremamente irritado com os golpistas e, nesse momento, exigirá a volta da esquerda ao poder.

E a esquerda voltará através de Lula ou de quem ele indicar, se a ditadura conseguir impedir os brasileiros de votarem nele.

Altamiro Borges: Justiça exige resposta do farsante Gentili

Altamiro Borges: Justiça exige resposta do farsante Gentili: Por Altamiro Borges Em 30 de julho de 2015, a sede do Instituto Lula, localizada no bairro do Ipiranga (SP), foi alvo de um atentado t...

Altamiro Borges: "Fora Temer" empolga o carnaval da Bahia

Altamiro Borges: "Fora Temer" empolga o carnaval da Bahia

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - Nervos à flor da pele.

Nervos à flor da pele no Planalto

sururu
Alguém pode explicar por que, se tudo vai tão bem, se a economia está crescendo – como assegura Henrique Meirelles – e se o governo tem maioria para aprovar o que quiser, mesmo a absurda indicação de Alexandre de Moraes para o STF, porque é que os integrantes do núcleo do Governo estão agindo da maneira apavorada que estão?
O líder de Temer no Senado, Romero  Jucá, solta aquela delicadeza “é todo mundo na suruba” sobre o foro privilegiado e Moreira Franco, o “Angorá” de Temer, cujo ingresso na “suruba” foi garantido com sua nomeação ao Ministério, diz que o líder do Governo não fala em nome do Governo.
E ainda acena com a historinha de que não haverá “enquadramento” das bancadas na reforma da Previdência, dizendo que o PMDB “não tem tradição leninista”. Jura, Moreira? Coitado do Lênin, tira ele dessa…
Eliseu Padilha some por uns dias com uma crise de pressão alta. José Serra, o primeiro tucano a aderir ao governo, pede exoneração do Itamarati, em lugar de licenciar-se para tratamento de sua coluna (a cervical, não a quinta-coluna, devidamente tratada com a venda do petróleo e a redução brutal do conteúdo nacional exigido em sua exploração).
E o ex-futuro Ministro da Justiça, Carlos Velloso,  que deu entrevistas, posou para fotos e, no dia seguinte, mandou uma cartinha na base do “não tô a fim mais, não”?
Tudo isso na semana, em tese, meio morta do pré-carnaval, onde o Bloco do Sujo costuma ter uma versão mais divertida e inocente do que a política.
Não fosse o decantado sucesso político e econômico do governo, bem que se poderia lembrar do dito popular: “casa onde falta o pão, todo mundo briga e ninguém tem razão.
No Planalto, não falta pão, mas sobra delação.

POLÍTICA - Lula aciona a IstoÉ pela capa com o "doidão da delação".


Lula aciona Istoé em R$ 1 milhão pela capa com o “doidão da delação”

doidaoc
Os advogados de Lula abriram uma ação de reparação moral contra a Istoé pelo cúmulo da picaretagem a que se prestou a revista dando capa para um certo Davincci Lourenço de Almeida, o cidadão que é químico amador, gênio da nanotecnologia, verificador ideológico do mosquito da dengue, entre outras proezas.
Lula pede um milhão à revista, o que deve ser menos do que ela gastou para o convescote destinado a dar a Michel Temer o título de “Homem do Ano”, com direito a risadinhas de Sérgio Moro e Aécio Neves para servirem de “fundo” ao chefe.
Sobre Davincci, o cidadão que a revista escalou para dizer que entregou uma mala de dinheiro a Lula, se você não o viu, pessoalmente, em suas transtornadas performances, que este Tijolaço publicou após dez minutos de pesquisa no Google, leia estes trechos da representação de Lula:
doidaoa
E isso não é tudo:
doidaob
Parece que, finalmente, Lula vai ganhar algum dinheiro com esta história toda.
Não de propina, obvio. De indenização.

POLÍTICA - O novo diversionismo da lava jato.

O novo diversionismo da Lava-Jato

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Através de seu órgão oficial, o blog do Fausto Macedo, vinculado ao Estadão, a Lava Jato não esconde sua obsessão em controlar a narrativa.



Com os operadores da Lava Jato defendendo Alexandre de Moraes, ministro da Justiça de Temer, no STF, e o próprio Sergio Moro atuando como bombeiro no incêndio que Eduardo Cunha ameaça lançar sobre o Planalto, a operação perdeu o seu charme “subversivo” e tornou-se uma iniciativa governista.

A nova etapa lançada hoje é uma tática diversionista.

“Lava Jato avança contra partido do governo”…

Vá enganar outro.

O partido do governo não é o PMDB, muito menos Renan Calheiros. Esses caciques do PMDB há tempos perceberam que, aos olhos de quem manda, ou seja, aos olhos das castas judiciais e da mídia, eles não passam de cordeiros gordos de sacrifício.

O “partido do governo” hoje é o PSDB.

Além disso, as investigações lançadas hoje como novidade não tem nada de novidade. São coisas velhas, requentadas.

Joga-se um monte de informações ao leitor, sobre contratos, licitações, contas no exterior. Ninguém consegue entender direito o que é crime e o que não é, e pronto, eis mais um show no circo romano, desviando a atenção de um público, que poderia, perigosamente, prestar mais atenção ao desmonte nacional.

A Lava Jato está sempre de olho no “timing”. Como a nomeação de Moraes para o STF causou muito constrangimento, então o consórcio golpista tratou de lançar vários factoides para neutralizar: vazou uma doação para André Sanches, ex-presidente do Corinthians e neopetista e agora lança uma etapa, para ocupar as manchetes com denúncias vagas contra Renan Calheiros.

Calheiros está relativamente tranquilo. O STF já tirou a máscara há tempos. Agora trabalha inteiramente para a consolidação do golpe. Claro que tudo pode acontecer no Brasil, e Renan não é peça estratégica, mas a entrada de Alexandre de Moraes na alta corte foi feita justamente para dar conta dos processos contra o PMDB.

Parodiando um sábio governista, temos tudo “delimitado onde está”, com Supremo, com Globo, com tudo.

POLÍTICA - Como soltar o Cunha?

O problema da República: como soltar Cunha

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



A lógica da política já é complicada. A da política bandida, quase indecifrável. E quando o banditismo político infiltra-se em meio às togas, aí se passa a ter de raciocinar com o pressuposto do crime e da conspiração nas próprias instituições, já não apenas nos homens.

Há muita gente achando que a súbita sinceridade de José Yunes, dispondo-se a fazer o papel de velho “bobo”, é parte de uma estratégia que aceita degolar o entorno de Temer – Geddel já foi, Moreira Franco é um morto-vivo político (mesmo antes, prestava-se mais a negócios, para o que hoje está interditado) e Eliseu Padilha agora só vai ficar a salvo enquanto permanecer no hospital.

O PSDB vai se assenhoreando do governo de fato e o PMDB vai sendo “escanteado”.

Mas há um problema na “transição tucana” do Governo Temer.

Está em Curitiba e chama-se Eduardo Cunha.

Como dito no post anterior, Cunha provou ter nas mangas todos os trunfos de intimidade com esquemas financeiros de Michel Temer e mostra a ponta das cartas quase que como a gritar por ser libertado, com o ressentimento de um vitorioso no golpe que foi descartado logo ao início do pós-golpe.

Talvez os episódios de ontem – a confissão de Yunes e a nomeação de Osmar Serraglio, ex-homem de confiança de Cunha, para o Ministério da Justiça – sejam parte da solução do “problema”.

Solução que parece ter começado a evidenciar-se com a fala de Gilmar dizendo que o STF tem um encontro “com as alongadas prisões de Curitiba”.

A dificuldade é “combinar com os russos” da opinião pública.

Soltar Cunha será um escândalo que razão jurídica alguma conseguirá abafar, pois “venderam” ao país que prisão preventiva, dependendo de quem, pode ser eterna. De forma mais simples: que a prisão precisa mais de razões morais do que legais.

Soltar Cunha é também dizer adeus a uma estratégia que está, hoje, meio em banho-maria: a de prender Lula.

Depois de terem “perdido o timing“, como disse aquele delegado falastrão, para prendê-lo, o que vem se desenhando é acelerar os processos e levar o caso logo à condenação – ou alguém duvida que o veredito de Moro já está pronto, devidamente retocado com honras de estilo e falsa erudição, para ficar como documento histórico do “anjo vingador” e confirmar a sentença em 2ª instância, no Tribunal Regional Federal, onde “tá tudo dominado” e pronto a correr em altíssima velocidade.

Ainda assim. complicado, porque a condenação em segunda instância, pelo novo e feroz entendimento do Supremo, leva à prisão do já então candidato Lula. Implicará numa cassação e na cassação do favorito na disputa eleitoral.

Estamos nos movendo no terreno pantanoso da traição, dos acordos secretos, da mancebia entre política e Justiça.

Tudo é imensamente imprevisível e, ao mesmo tempo, evidente.

Somos governados por uma associação de quadrilhas e falta pouco, muito pouco, para que a própria Justiça seja uma delas.

POLÍTICA - "Fui mula do padilha".

"Mula" Yunes reforça delação contra Temer

Da revista CartaCapital:
"Fui mula involuntário do Padilha", disse o advogado à Veja, que confirmou sua versão à publicação e também ao jornal Folha de S.Paulo. "Não teria problema nenhum ele [Padilha] reconhecer que ligou para mim para entregar um documento, o que é verdade. Vamos ver o que ele vai falar. Estou louco para saber o que ele vai falar. Ele é uma boa figura. Mas, nesse caso, fiquei meio frustrado. Não sei. É tão simplório. É estranho, não é?", disse Yunes à revista.

Em seu depoimento, Yunes trouxe um elemento novo ao caso contra Temer e Padilha. Segundo o advogado, o mensageiro da Obebrecht era o doleiro Lucio Bolonha Funaro, que teria mencionado, em rápida conversa, financiamento a 140 deputados para "fazer o Eduardo presidente da Casa".

Eduardo era Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado federal cassado que de fato foi eleito presidente da Câmara, cargo por meio do qual liderou o impeachment contra Dilma Rousseff (PT). Lucio Funaro é apontado pelo Ministério Público Federal como operador de Cunha e, assim como o ex-deputado, está preso no âmbito da Operação Lava Jato.
O pacote, afirmou Yunes, foi retirado mais tarde por uma pessoa que ele não teria identificado. De acordo com o blog do jornalista Gerson Camarotti, no portal G1, que também trata do depoimento de Yunes, a encomenda teria sido levada ao ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Encontro com Temer
Na carta de demissão enviada a Temer em dezembro, Yunes afirmara que tomou a decisão "em respeito à família", para "preservar a dignidade". Nesta quinta-feira 23, Yunes esteve em Brasília e conversou com Temer. O encontro não aparece na agenda de Temer, mas foi confirmado pelo Palácio do Planalto ao Blog do Camarotti.

O nome de Yunes chegou às manchetes em 9 de dezembro, após o vazamento da delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht. No depoimento aos procuradores responsáveis pela Lava Jato, Melo Filho narrou ter enviado um emissário para entregar dinheiro vivo no escritório Yunes em São Paulo em 2014.

O dinheiro seria parte, ainda segundo o delator, de um total de 10 milhões de reais acertados entre Temer e Marcelo Odebrecht, o dono da construtura, em um jantar realizado em maio daquele ano no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-presidência.

Esse montante de 10 milhões, afirma o delator, deveria ser dividido em duas partes: 6 milhões de reais para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, então candidato a governador de São Paulo, e 4 milhões para Eliseu Padilha, que distribuiria o valor para outros candidatos do PMDB.

Cunha, Moro e Temer
À revista Veja, o ministro-chefe da Casa Civil disse que não conhece Lucio Funaro e que não pediu nenhuma entrega a ele. Quando o caso veio à tona, o Palácio do Planalto confirmou o acordo com a Odebrecht para o repasse de 10 milhões de reais, mas disse que se tratava de verbas para financiar a campanha. O delator Cláudio Melo Filho sustenta que tratava-se de propina.

Réu na 13ª Vara Federal de Curitiba, na qual tramita a Lava Jato em primeira instância, Eduardo Cunha arrolou Temer como testemunha e apresentou uma lista de 41 perguntas a serem feitas a ele. O juiz Sergio Moro barrou, entretanto, 21 dessas questões, incluindo as três que citavam Yunes.

Nos questionamentos, Cunha perguntava sobre qual era a relação de Temer com Yunes e se o presidente "recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB". Na terceira pergunta, Cunha levantava a possibilidade de caixa dois ou propina ao indagar se as contribuições "foram realizadas de forma oficial ou não declarada".

Na ocasião, Moro considerou as 21 perguntas excluídas como inapropriadas ou sem pertinência com o objeto da ação penal. Para o mundo político, a simples apresentação das perguntas por parte da defesa de Cunha foi uma sinalização do deputado cassado a respeito do potencial explosivo que uma delação premiada por parte dele poderia ter.

Após o Carnaval, três delatores da Odebrecht, incluindo Cláudio Melo Filho, serão ouvidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na ação contra a chapa Dilma-Temer, que pode ser cassada. Caso esse seja o desfecho do julgamento, Temer pode ser destituído e uma eleição direta definiria um presidente tampão até as eleições de 2018.

POLÍTICA - Demissão de Serra.

Quatro fatores na demissão de Serra

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

José Serra é um político à deriva. É detestado no PSDB, suportado no governo Temer e se tornou eleitoralmente irrelevante. Tão irrelevante que a última sondagem CNT sequer o incluiu nas fichas de presidenciáveis.

Seu pedido de demissão deve-se aos seguintes fatores:

Fator 1 – a irrelevância de sua atuação à frente do MRE

O insuspeito O Globo relacionou todos os fatos relevantes da gestão Serra no MRE. Sob o impactante título “As principais passagens de Serra no MRE”, relacionou os seguintes feitos:

· Defesa do apoio ao governo

· Polêmica com países bolivarianos

· Proximidade com a Argentina

· Passaportes diplomáticos

· E seu grande momento: Homenagem à Chapecoense.

E nada mais havia para se dizer. O cargo, aliás, comprovou a profunda ignorância de Serra em relação a qualquer tema contemporâneo. Em uma das áreas mais sensíveis, para a reaproximação com os Estados Unidos, não logrou nenhum protagonismo. Sua insegurança era tal que chegou a levar Fernando Henrique Cardoso em um dos primeiros encontros de confronto do Mercosul, pela incapacidade de desenvolver um discurso minimamente eficaz.

Na vitrine o MRE, além disso, ficou escancarada sua baixíssima propensão ao trabalho. Serra é de acordar tarde, dormir tarde e não tem pique gerencial. Por isso, em cargos executivos acaba restringindo sua agenda diária a encontros insossos com um ou outro secretário.

Fator 2 – sua irrelevância política

Serra é detestado no PSDB, aturado no PMDB e descartado no governo Temer. No Palácio, era alvo de piadas e gozações da troupe de Temer, por impropriedades cometidas, a julgar pelos relatos do mais assíduo dos comensais, Jorge Bastos Moreno.

Havendo eleições em 2018, o PSDB teria Geraldo Alckmin ou Aécio Neves e Temer—PMDB apostará em Henrique Meirelles.

A volta para o Senado devolve Serra ao seu habitat natural. Seu maior mérito foi o de sempre ter-se cercado de bons assessores para as atividades parlamentares.
Fator 3 – a Lava Jato

Ao longo de sua carreira, Serra sempre amarelou em momentos graves. Apesar de se dizer defensor de câmbio competitivo, enquanto Ministro do Planejamento de FHC desapareceu das discussões públicas. Anos depois, Gustavo Franco confessaria seu espanto com o baixo nível de informação econômica de Serra.

No governo de São Paulo, as principais crises foram enfrentadas assim:

· Na greve da USP, mandou a Polícia Militar retirar estudantes a cacetada.

· Na greve da Polícia Civil, que cercou o Palácio Bandeirantes, recuou rapidamente de sua decisão de não receber grevistas e acabou premiando-os com mais do que as próprias propostas da categoria.

· Nas enchentes que assolaram o Estado, sumiu. Não presidiu uma reunião sequer da defesa civil, não veio uma vez sequer a público comandar os trabalhos do governo. Quando saiu candidato a presidente, demonstrou não conhecer sequer o conceito de Defesa Civil.

Com as investigações da Lava Jato batendo na sua porte, o pânico é evidente. Até algum tempo atrás, Serra mantinha em casa uma coleção de obras de arte capaz de provocar inveja até em ricos de verdade, como Roberto Civita, dono da Abril. A quebra do sigilo do fundo de investimento de sua filha Verônica certamente teria um efeito devastador sobre seu futuro.

No Senado, Serra voltará a ser mais um dentre muitos – e não um Ministro exposto. E terá tempo para tentar recompor seus laços com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, que lhe permitiram, em outros tempos, montar dossiês mortais e ações policiais contra adversários políticos.

Fator 4 – a doença

Em praticamente todas as fotos em que aparece, como chanceler, há a expressão do olhar vazio, da falta de energia, indicando claramente problemas físicos. Serra alega ter dores na coluna que o impediriam de efetuar viagens longas. É provável.

Mas padece de outros problemas. Colegas tucanos apontam para uma depressão continuada. Cenas recentes – dele não sabendo declinar nomes de países que compõem os BRICs – podem indicar problemas graves de memória, mas pode ser efeito de medicamentos pesados.

Altamiro Borges: A quadrilha no governo e a dos cúmplices

Altamiro Borges: A quadrilha no governo e a dos cúmplices

PETROBRAS - Alteração do conteúdo local deverá agravar o desemprego.



Desemprego: Temer altera conteúdo local e deve agravar cenário




   
Os dados são de uma pesquisa de 2016 e mostram uma realidade ainda pior do que o rascunho que era conhecido. No final do ano passado, faltava trabalho para 24,3 milhões de brasileiros. É o indicador mais extenso do desemprego em nosso país. A taxa de subutilização da força de trabalho foi a 22,2% no quarto trimestre, bem acima dos 14,9% do mesmo período de 2014.

O indicador leva em conta, além dos desempregados, as pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana e buscam outras ocupações. Aqueles que não procuram emprego, mas gostariam de trabalhar. Em um ano, mais 5,8 milhões de pessoas entraram nesse cálculo da força de trabalho subutilizada, alta de 31,4%. Números que provavelmente o núcleo do governo já conhecia, mas que não foram levados em conta quando da decisão de estimular as petroleiras internacionais instaladas no Brasil, e, liderada pelo presidente da Petrobrás, Pedro Parente, levar para o exterior as obras que poderiam ajudar a reaquecer a economia brasileira. O número de desempregados no país é muito alto, e não é a única notícia ruim do mercado de trabalho. No quarto trimestre, o número de pessoas que buscavam uma ocupação sem encontrar ficou em 12,3 milhões. Ou seja, a medida tradicional do desemprego era apenas metade do problema.

Diante deste quadro, conforme o Petronotícias postou durante toda quinta-feira (23), é compreensível a irritação, a desesperança das grandes indústrias, dos trabalhadores e das federações de empresas, que ficaram frustradas com a insensibilidade das operadoras de petróleo que atuam no Brasil e ainda mais com os ministros responsáveis do governo Temer, que capitularam diante da pressão dessas petroleiras internacionais, lideradas pela Petrobrás. Elas fizeram pressão para que os empregos que poderiam ser criados no Brasil fossem levados para o exterior com autorização oficial, sem que fossem penalizadas. As consequências dessa atitude, provavelmente, só serão conhecidas num futuro, talvez, próximo, quando a desesperança do desemprego impulsionar atos de desespero da população que busca o trabalho para sobreviver, mas não encontra. Será a hora de se conhecer quem será o dono do filho feio.

No ano passado, um quinto dos desempregados já procuravam emprego pelo menos há dois anos. Entre 2012 e 2016, esse grupo de trabalhadores cresceu 53%. Era de 1,5 milhão em 2012 e passou para 2,3 milhões em 2016. Também explodiu o grupo de brasileiros que ficou de um ano a menos de dois anos buscando trabalho nesse mesmo período. Passou de 978 mil pessoas em 2012 para 2,16 milhões em 2016, alta de 121%. O grupo que buscou trabalho por um mês a menos de um ano cresceu 64,7%, e o que procurou por menos de um mês teve alta de 30%. Em 2016, faltou trabalho para 22,6 milhões de brasileiros, considerados pelo IBGE como subutilizados. Esse grupo é formado por todas as pessoas de 14 anos ou mais que estavam sem emprego na força de trabalho potencial. Não trabalhavam nem procuravam emprego, mas estavam disponíveis para trabalhar ou procuravam, mas não estavam disponíveis. Esse grupo cresceu 24,3% em relação a 2015. A taxa média de desemprego no país atingiu 11,5% em 2016 e o número de desempregados ficou em 11,8 milhões de pessoas: os dois indicadores são recordes da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em 2015, a taxa média do ano já havia disparado e ficado em 8,5%, com 8,6 milhões de pessoas desempregadas, contra os 6,8% do ano anterior.


Fonte: Petronotícias

Paul Craig Roberts: Os riscos para Trump e todos nós - Portal Vermelho

Paul Craig Roberts: Os riscos para Trump e todos nós - Portal Vermelho: A rede do 'Estado Profundo'. Precisamos entender, e também o presidente Trump, que a farsa da 'guerra ao terror' foi utilizada para transformar agências de inteligência, tais como a NSA e CIA, e agências de investigação criminal, tal como o FBI, em agência de polícia secreta tipo Gestapo. Trump é agora ameaçado por estas agências, porque ele rejeita a agenda neoconservadora da hegemonia mundial estadunidense que suporta o gigantesco orçamento anual militar/de segurança.

Por Paul Craig Roberts*

Pentágono admite ter usado urânio empobrecido na Síria - Portal Vermelho

Pentágono admite ter usado urânio empobrecido na Síria - Portal Vermelho: Em pelo menos dois bombardeios na Síria, a aviação norte-americana usou munições com urânio empobrecido. E vai voltar a fazê-lo, garante o Pentágono.

Altamiro Borges: Moro e os tucanos no carnaval

Altamiro Borges: Moro e os tucanos no carnaval

Altamiro Borges: A marchinha de carnaval do 'Fora Temer'

Altamiro Borges: A marchinha de carnaval do 'Fora Temer'

Altamiro Borges: Malafaia é indiciado por lavagem de grana

Altamiro Borges: Malafaia é indiciado por lavagem de grana: Por Altamiro Borges Silas Malafaia, o falso pastor metido a vestal da ética, bem que poderia passar alguns dias na cadeia para se penite...

Altamiro Borges: A quadrilha no governo e a dos cúmplices

Altamiro Borges: A quadrilha no governo e a dos cúmplices

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

POLÍTICA - A proteção descarada do Janot ao seu conterrâneo Aécio Never.

Janot e os inquéritos contra Aécio

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Não se pode acusar o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot de imprevisível. Sua atuação tem ajudado a confirmar todos os cenários traçados pelo Xadrez sobre a maneira como trabalha os inquéritos contra seu conterrâneo, o senador Aécio Neves: empurrar com a barriga o máximo de tempo possível.

A delação do ex-senador Delcídio do Amaral criou uma dor de cabeça para Janot. Delcídio avançou uma série de acusações contra Lula, Dilma e o PT. Mas incluiu na delação denúncias contra Aécio. Como não poderia ignorar algumas denúncias e acatar outras, Janot foi obrigado a abrir dois inquéritos contra Aécio: um, sobre o sistema de propinas de Furnas; outro, sobre a falsificação de documentos para a CPMI dos Correios, visando ocultar o mensalão mineiro.

Um ano antes, em março de 2015, já havia uma série forte de indícios contra Aécio – a Operação Norbert (que permaneceu na gaveta da PGR desde 2010), identificando contas em Liechtenstein, as informações de Alberto Yousseff sobre as propinas de Furnas, o nome do diretor que recolhia a caixinha, Dimas Toledo, da empresa que lavava o dinheiro, a Bauruense, a titular da conta onde o dinheiro era depositado, Andréa Neves.

Mesmo assim, Janot não pediu o indiciamento de Aécio, denunciando outros senadores – como Lindbergh Faria e Antônio Anastasia – com base em indícios muitíssimos mais frágeis, surpreendendo o relator Teori Zavascki.

Com a delação de Delcídio, foi obrigado a voltar ao tema.

De lá para cá, tem havido um jogo de empurra e de adiamento das investigações, quase escandaloso.

Em maio de 2016, Janot decidiu pedir autorização para abrir dois inquéritos contra Aécio.

Batendo no STF (Supremo Tribunal Federal), o suspeito algoritmo do tribunal jogou os dois pedidos de abertura de inquérito nos braços de Gilmar Mendes. Que, obviamente, não autorizou a abertura dos inquéritos, obrigando Janot a insistir (https://goo.gl/e8U4DD). Não autorizou sequer a tomada de depoimento de Aécio e a colheita de provas adicionais na Lava Jato (https://goo.gl/uZt4SK). Deixou-se de lado a conta em Liechtenstein sob a alegação de que a cooperação internacional não chegava até lá.

Ante a falta de sutileza de Gilmar, Janot foi obrigado a insistir no pedido, que acabou autorizado (https://goo.gl/jf5HDN).

No entanto, até 23 de novembro, ou seja, com oito meses de investigações, nem a PGR nem a Polícia Federal haviam sequer colhido depoimentos autorizados, entre eles o de Dimas Toledo (https://goo.gl/YA4G3t), obrigando Gilmar a prorrogar o prazo:

"Os autos foram remetidos à Corregedoria-Geral da Polícia Federal para inquirição de três testemunhas, interrogatórios do investigado, além de requisição e juntada de documentação constante dos autos de outras investigações. A remessa dos autos à Corregedoria-Geral da Polícia Federal foi feita em 10.6.2016. (...) As inquirições não foram realizadas ou agendadas. (...) Ficam a Autoridade Policial e o Ministério Público Federal instados a observar os prazos de tramitação, nesta e em todas as investigações supervisionadas por este Relator", diz a decisão.

Vencido o prazo, a conclusão da investigação sobre a suposta atuação de Aécio Neves maquiando dados para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) – escondendo sua relação com o Banco Rural – foi mais uma vez adiada a pedido de Janot (https://goo.gl/9jItJe).

Pediu prazo de mais 120 dias para o ingente trabalho do liquidante do Banco Rural fornecer informações solicitadas. “No decorrer desse lapso de tempo, a Procuradoria-Geral da República providenciará a análise, ainda que preliminar, dos documentos da CPMI dos Correios”. 120 dias para uma análise preliminar dos documentos da CPMI dos Correios.

Até hoje ainda não foi identificado o gestor do Banco Rural que enviou os documentos falsos. Nada ocorreu com Dimas Toledo, o notório diretor de Furnas que se vangloriava de passar propinas para mais de uma centena de parlamentares. Para se ter uma ideia da sua importância, o papel de Dimas em Furnas equivaleria a de Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa somados na Petrobras.

Há limites para a hipocrisia. E Janot corre o risco de desmoralizar-se a si e ao MPF com essa solidariedade mineira.

POLÍTICA - "Só chamando a polícia".

Janio de Freitas: só chamando a polícia para lidar com as façanhas de Temer


Desde a exclusão de Geddel Vieira Lima, não parou mais. O aperitivo da Odebrecht com 34 citações a Moreira Franco, e dezenas de outras, ainda sem contagem precisa, a Michel Temer. A aberração da escolha de Temer para suceder Teori Zavascki. A criação de um ministério para dar foro privilegiado a Moreira. O hacker de Marcela.
A censura de Temer à Folha e ao Globo. A derrota judicial do censor ameaçado de ver-se “jogado na lama”. A identificação do indicado para o Supremo, Alexandre de Moraes, como plagiário. Os vetos e recusas de convidados por Temer para ministro da Justiça.
Mais de um mês de predomínio do noticiário pelas façanhas de Temer. Só mesmo chamando a polícia.
É o que foi feito. À falta de mais imaginação, a Polícia Federal sacou um “relatório parcial”, logo “vazado” para imprensa e TV. Pronto, Lula voltou à proeminência do noticiário. Acompanhado, como convém, por Dilma Rousseff. E, de quebra, Aloizio Mercadante.
Ainda aquela história de que quiseram obstruir a Lava Jato, os dois primeiros com a nomeação de Lula para ministro da Casa Civil. Mercadante, por aconselhar calma a Delcídio Amaral, ainda tido, na ocasião, como pessoa séria.
Mas, de fato, não é “aquela história”. É aquela fraude. No episódio, ilegal foi a conduta de Sergio Moro. Três vezes: ao desprezar o excedente de mais de duas horas entre o prazo de escuta telefônica, por ele mesmo fixado, e o telefonema gravado pela PF; ao divulgar, ele próprio, a gravação ilegal; e fazer o mesmo, sem razão para isso, com uma conversa entre Marisa Lula da Silva e um filho.
O decano pouco liberal do Supremo, Celso de Mello, mencionou na semana passada que foro privilegiado, por transferência de um processo para o Supremo, não interfere e muito menos interrompe o processo. Muda o nível de tramitação, não mais. Deveria ser verdade. Mas é só meia verdade. Porque no Supremo vale para alguns, como Temer e Moreira Franco. Para outros, não, como negado para Lula e, por extensão, para Dilma. Feito de Gilmar Mendes, ministro à direita de Celso de Mello.
Os cursos de Direito precisam acabar com o ensino de leis e de como as empregar. O que vale hoje, está visto, são os truques, capazes até de tirar um presidente da República que as leis não puniram.
Mais um truque está em gestação, agora entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro Luiz Fux, do Supremo.
A lei exige que seja verificada a autenticidade das assinaturas do “projeto popular” proposto pela Lava Jato – aquele que propõe até a aceitação de provas ilícitas. A Câmara não tem como verificar dois milhões de autenticidades. Os dois poderosos combinam a solução: apenas serão lidos por funcionários, sem exame algum, os nomes, endereços e números declarados de títulos eleitorais.
Até que comece a leitura, a proposta da Lava Jato é um AI-5 envergonhado. Da leitura em diante, seguirá como fraude. A lei será burlada e ao resultado da burla será dada falsa validade legal.
Está feita a primeira reforma dos novos tempos: direito é truque.
(…)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

PETROBRAS - BR Distribuidora já nasceu estratégica.

BR Distribuidora já nasceu estratégica

Data: 21/02/2017 
Autor: Rogério Less
Economista pós-graduado pelo Conselho Nacional de Economia em 1963 e formado pela Scuola di Hidrocarburi Enrico Mattei (Milão – Itália, 1966), Sylvio Massa de Campos foi designado por Ernesto Geisel, então presidente da Petrobrás, Diretor Comercial da Petrobras Distribuidora já em 1971, ano da fundação daquela estratégica subsidiária, que agora está sob ataque e consta da lista de ativos que a atual gestão pretende entregar, a pretexto de equacionar o endividamento da Companhia. 
“Com a criação da BR Distribuidora, a Petrobrás estaria atuando em todas as etapas da indústria do petróleo, em estrutura empresarial análoga a das multinacionais, apropriando-se também de parte das margens de lucro desse segmento para financiar os vultosos investimentos nas áreas de exploração, produção e refino”, lembra o primeiro Diretor Comercial da BR Distribuidora.
Como cidadão, Sylvio Massa distingue três fases da evolução da História do Brasil como Nação, consciente de que as duas primeiras se entrelaçaram e geraram desdobramentos na configuração da escala da nossa economia e na inserção de expressivos novos grupos sociais na renda nacional, dando ao País relevância entre as nações, dignidade para sua gente e respeito à sua bandeira.  
Na primeira fase, ele destaca os grandes vultos que vislumbraram o que será um dia a Nação brasileira, soberana e independente.
Em um segundo plano estariam os grandes construtores e empreendedores públicos e privados, que estruturaram nosso desenvolvimento, inserindo a economia brasileira entre as dez mais expressivas sob o aspecto do valor da produção industrial, agrícola e de serviços.
Por fim, na direção oposta, uma terceira fase, iniciada em meados do Século XX, na qual se projetaram executivos especializados em vender bens públicos sob as mais diversas justificativas, e, assim, não se vinculando as fases anteriores da nossa História.
“Nenhum país se desfaz de seus símbolos sem luta, apagando a memória de sua História, pois eles representam a quintessência de um povo que, com o saber técnico acumulado e a tipicidade de sua cultura, cria valores basilares, para o orgulho de seus cidadãos, no presente e para o futuro”. 
Entre esses símbolos, Sylvio Massa vê um significado especial tanto na Petrobrás, criada nos anos 1950 por clamor popular, quanto na BR Distribuidora dos anos 1970, planejada por técnicos da própria empresa.
Nesta entrevista, o economista traça um histórico da empresa que ajudou a desenvolver e apresenta, didaticamente, fatos e razões para mantê-la sob o controle integral da Petrobrás e dos brasileiros.
Qual o objetivo da BR na época de sua criação?
Naquele momento, a distribuição de derivados era praticamente controlada pelas multinacionais do petróleo, inclusive abastecendo as Forças Armadas brasileiras.
Apenas duas empresas brasileiras atuavam nesse mercado, dominado pelas multinacionais: a Ypiranga, muito bem estruturada, porém com alcance apenas regional, no Sul; e a Petrominas, em processo falimentar.
A direção da Petrobrás, sob a orientação do presidente Geisel, criou a SUDIST (Superintendência de Distribuição) com o objetivo de gerar um plano para que a Petrobrás atuasse naquele mercado aberto e concorrencial, que tinha a sólida presença das sete irmãs do petróleo.
Desse modo, a Petrobrás estaria presente em todas as etapas da indústria do petróleo, em estrutura empresarial análoga a das multinacionais, apropriando-se também de parte das margens de lucro desse segmento para complementar o financiamento dos vultosos investimentos nas áreas de exploração, produção e refino.
Em 19 de janeiro de 1970, pouco antes da criação da BR, o senhor foi designado Superintendente de Distribuição, ou seja, o gestor da SUDIST. Quais foram as principais iniciativas daquele período?
Junto com a equipe de profissionais da Petrobrás, apresentamos um ousado planejamento que afetaria profundamente a empresa, com destaque para sua imagem:
- mudança da logomarca, até então identificada por um losango azul e branco e o nome Petrobrás ali inserido; 
- nova concepção de arquitetura para os postos de serviços valorizando as áreas urbanas onde se instalassem;
- lançamento de novos produtos com a marca Petrobrás: lubrificantes, querosene, fluidos, solventes etc;
- foi organizada uma frota de Kombis que inspecionariam as bombas e a qualidade dos produtos expostos, bem como a limpeza e apresentação dos frentistas, cujo uniforme seria branco.
Também fizeram parte da estratégia comercial as conquistas de postos da concorrência para a mudança de bandeira e de grandes consumidores industriais (produtores de cimento, vidro, siderúrgicos e têxteis, entre outros), além da contratação dos profissionais do mercado mais representativos para cada área.
Essa formulação foi aprovada pela diretoria e os seguintes profissionais, expoentes do mercado, foram contratados:
- Aloisio Magalhães - principal nome do design nacional, criador do símbolo BR, representativo de nosso país, em verde e amarelo, nossas cores, para ser a bandeira dos postos de serviço da Petrobrás; 
- Ziraldo - o famoso cartunista, ilustrador de livros e criador do primeiro calendário, para motoristas de caminhão;
- Henfil – também cartunista e autor de textos para seus personagens, elaboraria a primeira cartilha para frentistas dos postos de serviço sob o ponto de vista de limpeza, delicadeza e presteza;
- Dilson Gestal Pereira - profissional que revolucionou o conceito de arquitetura para postos de serviços com desenvolvimento de outras atividades mercantis. Seu projeto para os postos da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, foi premiado na Alemanha;
- O poeta Decio Pignatari para a criação da logomarca LuBRax, onde o BR grifado indicaria produto Petrobrás;
Além desses expoentes, pessoas físicas, foram feitos acordos e parcerias estratégicas com instituições?
Sim. Fizemos negociações principalmente, com as grandes redes de distribuição para mudanças de bandeira, em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com destaque para o acordo com TOURING Clube do Brasil.
E quanto ao setor público?
As prefeituras nos cederam áreas estratégicas sob o ponto de vista de consumo e de exposição da imagem em troca de asfalto. Assim ocorreu no Rio, São Paulo, Santos e nos estados de Alagoas e Paraíba, entre outras unidades da Federação, com destaque para os postos da Transamazônica. Nesse contexto, merece ressaltar a instalação dos postos na praia de Copacabana e a conquista, por concorrência pública, dos postos do Aterro do Flamengo, até então sob a bandeira da Shell, áreas nobres onde a Petrobrás se apresentava com os melhores índices de atendimento ao público.
Assim, a Petrobrás se afirmava no mercado de distribuição, em acirrado processo de concorrência e sob os clamores e falsas denúncias das multinacionais junto ao Conselho Nacional do Petróleo e ao Sindicato das Distribuidoras, que exigiam a criação de uma empresa fora da contabilidade da Petrobrás. 
Nasceu então, em 12 de novembro de 1971, já adulta, a BR Distribuidora, com mais de 800 postos de serviços, 40% do mercado de óleo combustível e novos produtos com a marca BR-Petrobrás, em especial o lubrificante LUBRAX, não obtendo a Chevron, cedente da tecnologia, como proposto, destaque nas embalagens, após ferrenha luta dentro da Petrobrás.
Por que as multinacionais exigiam a criação de uma empresa fora da contabilidade da Petrobrás? 
O objetivo era apenas usar a mídia para denunciar e fazer barulho contra a entrada da Petrobrás num mercado controlado por elas há muitos anos e com péssimos serviços prestados à população.
O objetivo da criação da BR Distribuidora se mantém inalterado ou modificou-se ao longo do tempo?
A Petrobrás e suas subsidiárias foram pensadas por brasileiros, criadas com apoio das Forças Armadas e desenvolvidas por seu corpo técnico, tendo a avaliação do mérito profissional a principal característica para a formação de seus quadros, sem trocas de favores, com rígido controle do Manual de Contratação, permanente auditagem interna dos negócios e ampla liberdade para contradizer ou denunciar qualquer fato estranho às normas.
Causa vergonha e revolta assistir aos fatos recentes de corrupção dentro da empresa que, ao final, e talvez como causa planejada, servem para alimentar a desmoralização de sua respeitada história e o esquartejamento de sua estrutura empresarial.
Qual era o cenário político na época; muito diferente do atual?
A geopolítica era diversa da atual, o mundo era polarizado e prevalecia ainda o conceito da existência de fronteiras não somente as geográficas, a serem defendidas. 
Não queríamos ser o quintal de nenhuma nação e muito menos inquilinos dentro de nosso próprio País.
Com relação às pressões externas; algum dia deixaram de existir?
Em particular, e com maior amplitude no sistema capitalista, as pressões externas e internas por vantagens de qualquer natureza vão existir sempre e são naturais. Devemos olhar é a nossa capacidade de resistir e não deixar de buscar o significado das novas criações ideológicas que envolvem a procura de novos mercados. 
Que governos resistiram mais?
O governo de Getúlio Vargas, em sua segunda fase, e o governo Ernesto Geisel, sob o ponto de vista da nossa nacionalidade, sem dúvida, foram os mais aguerridos na tentativa de estruturar o desenvolvimento técnico e econômico do País de forma autônoma em suas decisões.
Durante sua existência, quais os principais benefícios trazidos pela BR para a Petrobrás e para o País?
Para a Petrobrás, na consolidação de resultados, o reforço na liquidez do seu fluxo de caixa, na apropriação da margem de distribuição em seus resultados financeiros.
Para o País, a presença do símbolo BR em todos os rincões do território nacional garantindo o abastecimento de combustíveis, mesmo, às vezes, com resultados financeiros desfavoráveis.
Como avalia o papel desempenhado pelos últimos dirigentes da Companhia, que optaram pela venda de ativos estratégicos sob pretexto de equacionar o endividamento, em momento de desvalorização e com prejuízo ao fluxo de caixa no futuro?
O enfraquecimento político do corpo técnico da empresa, a perda de representatividade das instituições nacionais, como o Clube de Engenharia, ABI, OAB, entre outras, além da ausência de líderes cívicos, como Barbosa Lima Sobrinho. Todas essas perdas permitem que dirigentes, adeptos exclusivamente da regulação do mercado "livre", sem vinculo com o fazer, com o construir, tratem importantes ativos, com alto valor simbólico, como um parafuso qualquer posto à venda, com o frágil  argumento de reduzir a dívida que foi contraída para a realização de investimentos ainda não finalizados e ainda sem oferecer o retorno financeiro esperado. 
Vender ativos que são geradores expressivos de receita para a empresa, descaracterizar a bandeira BR com a ameaça de cessão de parte do capital da Petrobrás Distribuidora, depenar pelas beiradas a estrutura verticalizada da Petrobrás constituem crimes contra a pátria. Espero que um dia essa venda seja anulada.
Qual o peso da BR entre as subsidiárias estratégicas do sistema?
O peso da BR é materialmente muito importante no fluxo de caixa da Petrobrás.
Por outro lado, os brasileiros vêem pouco as refinarias, as bases, os petroleiros ou os terminais, por exemplo, mas a bandeira BR em sua cidade, em seu município, em seu estado, expressando um símbolo nacional, promove orgulho de ver uma empresa tecnicamente vitoriosa, pensada com a coragem cívica e construída com o trabalho de honrados brasileiros.
Entre as ações desta diretoria, existe alguma que, a seu ver, é passível de contestação judicial?
Sim, e a mais eficaz é a ação pública do corpo técnico da empresa, principalmente dos empregados ativos, exigindo participação nas decisões e não apenas a aceitação do veredicto dos prepostos temporários do poder. 
A Petrobrás vem sendo processada em instâncias internacionais, sobretudo porque boa parte de suas ações foi negociada para investidores da bolsa americana. A Companhia estaria mais preservada se tivesse um maior controle por acionistas brasileiros?
Sem dúvida a Petrobrás estaria muito mais protegida caso estivesse regida exclusivamente pela legislação brasileira, pela nossa CVM.
Seguindo o exemplo das grandes corporações, com sólida experiência de atuação mercantil em vários mercados, que evitam, quando possível, submeter-se às legislações de mercado aberto, onde  os ativos mobiliários ou títulos de divida são negociados, pois a especificidade é maior proteção ao investidor individual, em grupo ou fundos de pensão.
Um governo comprometido com a Nação não deveria promover a recompra desses papéis?
Qualquer governo, mesmo em regime de ditadura, age de acordo com a pressão da sociedade, representada por suas instituições e organizações, que, em suas manifestações, passam a exigir, cobrar, alertar para a necessidade de alterar o rumo da política em vigor. Considero que AEPET tem as credenciais morais, éticas e técnicas para inaugurar uma campanha pela recompra dos papéis da Petrobrás no exterior.  
É possível reverter o quadro político atual?
O surgimento de novas lideranças, afastadas das atuais organizações oficiais, deve ser buscado; a livre denúncia nas redes sociais dos atos e fatos que prejudiquem o futuro da empresa; a formação de um corpo de defesa dos nossos símbolos junto à sociedade civil para ,assim, defender os interesses da Nação, do Estado e não apenas do Governo.