domingo, 11 de julho de 2010

FUTEBOL - Copa: futebol, racismo e política.


Quando Lúcio, o aplicado capitão da seleção canarinho, leu mensagem condenando o racismo antes daquela fatídica partida contra a Holanda, talvez não pudesse medir o grande alcance de seu gesto, que nos obriga a recuperar um fase da história recente. Condenar ali mesmo o racismo era imperioso pois era respeitar aquele povo e também alertar para as novas expressões racistas que estão se projetando em outros países, inclusive países que estavam ali disputando o certame. O artigo é de Beto Almeida.

Vai chegando ao final a primeira Copa do Mundo de Futebol realizada na África. Talvez a frustração da torcida brasileira, combinada com uma destrambelhada cobertura midiática, - que exortou sentimentos racistas contra paraguaios e de hostilidade gratuita contra argentinos - não tenha permitido compreender que o simples fato da Copa ter sido na África do Sul é uma grande vitória contra o racismo internacional e contra as grandes potências capitalistas que tentaram boicotar ou desmoralizar os africanos. Mas, sobretudo, é a vitória de um país e de um povo que sequer participou da Copa. Cuba, que ao derrotar o exército racista sul-africano em Cuito Cuanavale, Angola, para onde enviou 400 mil soldados, deu o passo fundamental para a libertação da África do Sul. “A Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do apartheid. E isto devemos a Cuba”, disse Mandela, após ser liberado de 27 anos de prisão. A torcida mundial deveria ser amplamente informada destas verdades.

Quando Lúcio, o aplicado capitão da seleção canarinho, leu mensagem condenando o racismo antes daquela fatídica partida contra a Holanda, talvez não pudesse medir o grande alcance de seu gesto, que nos obriga a recuperar um fase da história recente. Condenar ali mesmo o racismo era imperioso pois era respeitar aquele povo e também alertar para as novas expressões racistas que estão se projetando em outros países, inclusive países que estavam ali disputando o certame.

Sob o apartheid não haveria Copa na África do Sul

O certo é que a Copa do Mundo só estava se realizando ali em território sul-africano porque milhares de seres humanos deram suas vidas contra o animalesco regime do apartheid, que com o apoio de países como Estados Unidos e Inglaterra, principalmente, massacrou de maneira cruel a pátria de Mandela. A África do Sul racista, imperialista, ditatorial, que foi recebendo sanções internacionais quanto mais crescia a resistência popular em seu interior e mundo a fora, levando-a a receber algumas sanções internacionais, jamais poderia ser a sede de uma Copa do Mundo se estivesse sob o apartheid.

Queremos, portanto, estender a oração do capitão Lúcio para fazer justiça a um povo que não estava disputando a Copa, mas que foi fundamental para que a Copa ali se realizasse para alegria e orgulho da nova África do Sul. A declaração de Lúcio tem raízes na história da solidariedade revolucionária que Cuba ofereceu á África, a começar pelo envio de médicos para a apoiar a Revolução na Argélia, onde esteve trabalhando o próprio Che Guevara.

Enquanto Mandela ainda estava preso, Cuba já estava apoiando os vários processos de libertação em território africano. Libertação que veio a receber um grande impulso a partir da Revolução dos Cravos, em Portugal, liderada por jovens capitães, muitos deles egressos das então colônias portuguesas em território africano, onde aprenderam muitas lições de dignidade por parte daqueles povos a quem deveriam esmagar. Houve capitães que mais tarde relataram que em território angolano se convenceram que a razão da história estava com os guerrilheiros angolanos. Por isso mesmo, chegavam a organizar certas incursões pelas selvas, onde deixavam deliberadamente suas armas para serem recolhidas pelos soldados do Movimento Popular para a Libertação de Angola, simulando que haviam sido desarmados, quando estavam a dizer, com aquele gesto, que apoiavam a causa da libertação africana.

Estes gestos dos militares portugueses floresceram em Cravos Vermelhos pelas ruas de Lisboa, após soarem os primeiros acordes da canção “Grândola, Vila Morena”. A razão histórica venceu! Não sei se o capitão Lúcio, na sua juventude de uma vida dedicada ao futebol, teve oportunidade de informar-se sobre isto antes de ler aquela importante declaração contra o racismo, num gesto de grandeza da nossa seleção.

Cuito Cuanavale: começo do fim do apartheid

Quando Cuba atendeu ao chamado do presidente angolano, o médico, poeta e guerrilheiro Agostinho Neto, para que enviasse ajuda militar para assegurar a libertação de Angola, conquistada em 11 de novembro de 1975, com pronto reconhecimento de Brasil e óbvia contrariedade dos EUA, abria-se uma nova página na história da África, mas também da solidariedade internacional.

A hipocrisia e a malignidade intrínseca da mídia comercial não deu a conhecer aos milhões de torcedores do mundo inteiro de olhos magnetizados no televisor uma linha sequer desta luta heróica para derrotar o apartheid e permitir, afinal, não apenas a libertação de Angola e da Namília, mas também de Nelson Mandela e a erradicação total do regime racista, derrotado no campo militar em Cuito Cuanavale e, mais tarde, novamente derrotado pelos votos que elegeram Mandela seu primeiro presidente da república, o primeiro com legitimidade!

Não tínhamos nenhuma dúvida da bravura e da grandeza do gesto do povo cubano ao fazer a travessia do Atlântico no sentido contrário àquela rota feita pelos navios negreiros que vieram para o Brasil e também para o Caribe, nos unindo para sempre na dor, no sangue, na música, na cultura e também no compromisso de saldar esta imensa dívida que toda a humanidade tem para com os povos africanos. Porém, Cuba decidiu pagar antes de todos e para lá enviou 400 mil homens e mulheres, negros e brancos, inclusive a brancura da filha de Che Guevara, que também já havia lutado em Cabinda, enclave angolano próximo ao Congo. O médico brasileiro Davi Lerer estava exilado em Angola naquele período, ensandecido de solidariedade e de compromisso com a libertação angolana. Foi quando começou a perceber que alguns dos feridos de guerra por ele tratados, falavam espanhol. Era fruto da Rota do Atlântico feita no sentido contrário, no sentido da libertação. Todos devemos à Mama África. Mas, só Cuba teve a audácia de pagar esta dívida com armas nas mãos!

Armas nucleares contra Cuba

A nobreza do gesto provocou o instinto assassino das chamadas democracias imperialistas. Acaba de ser divulgado que Israel ofereceu armas nucleares à África do Sul para serem lançadas sobre as tropas cubanas no sul de Angola. Com o apoio dos aviões Migs de fabricação soviética, as tropas do exército racista da África do Sul foram enxotadas de território angolano, postas para correr também do território da Namíbia, cujas forças revolucionárias também formavam aquele formidável exército de libertação. Chegou-se a discutir nas forças de libertação a ida até Pretória!. Por isto os imperialistas cogitaram o uso de armas nucleares contra o exército cubano, pois o seu exemplo de internacionalismo proletário era por demais poderoso à humanidade! Tudo isto resultou no agravamento da crise do regime de Botha, na libertação de Mandela, no fim do apartheid, nas eleições diretas, e, por fim, na conquista da realização da Copa do Mundo, pela primeira vez, em território africano!. Vitória da humanidade, após tantas vitórias que abrilhantam a linda história de justiça da humanidade, unindo a Revolução Cubana à Revolução dos Cravos de Portugal! As armas nucleares na foram utilizadas daquela vez. Não se atreveram! Não se sabe se as utilizarão agora contra o Irã.

Racismo nos países imperialistas

A condenação ao racismo lida pelo nosso capitão, é atualíssima. Tem endereço. Depois da desclassificação das seleções dos EUA e da França, vimos pipocar novamente manifestações de racismo contra negros, imigrantes, árabes, hispânicos, sobretudo nestes dois países. Há os que considerem a França uma democracia exemplar, mas não querem prestar atenção nas declarações de Zidane, o craque da seleção francesa de origem argelina. Contrariando a tese dos acadêmicos pouco atentos, ele questiona a democracia francesa: “Eu posso ser campeão do mundo com a camisa da França, orgulho nacional, mas não posso eleger o presidente?” Agora o deselegante técnico da seleção francesa atira a culpa pelo fracasso aos jogadores de origem africana, à cultura dos bairros de periferia das grandes cidades francesas. Nenhum questionamento ao sistema político francês que é tão duramente combatido pelos jovens das periferias pobres na França, sem perspectiva de estudo ou de emprego!

Nos EUA não foi muito diferente. Buscam-se justificativas para a desclassificação, mas, as vozes racistas voltam a falar alto, sobretudo contra hispânicos, asiáticos e afro-descendentes. A gigantesca contradição política vivida pelos Eua só tende a se agravar, certamente de forma dramática, já que o presidente Obama tem sido pressionado pelo complexo militar-industrial a reforçar sua presença armada mundo afora. Já mandou mais 30 mil soldados para o Afeganistão, continua a ordenar bombardeios de povoados matando crianças e destruindo alvos civis naquele país empobrecido. Esqueceu-se das torturas de Guantânamo? Manda uma frota nuclear para as proximidades da costa do Irã. Multiplica o orçamento do Pentágono. O prêmio Nobel da Paz vai se revelando o Prêmio Nobel da Guerra e continua colecionando cadáveres e mais cadáveres!

Na linha inversa, o Brasil aprova o seu Estatuto da Igualdade Racial e cria a Universidade Lusoafricana Brasileira (Unilab), na cidade cearense de Redenção, a primeira em extinguir o escravagismo no Brasil. Lá teremos professores e studantes africanos, estudando gratuitamente. É a forma brasileira de também começar a apagar a enorme dívida que temos para com os povos africanos, como assinalou Lula. É verdade que estes dois gestos concretos nos chegam com 112 anos de atraso. Há muito ainda para caminhar, mas a linha é a de continuar a abrir espaços para que os negros sigam aumentando sua presença qualificada nas universidades, para que os Territórios dos Quilombos sejam definitivamente escriturados em nome dos remanescentes dos escravos, que as políticas públicas de habitação contemplem as necessidades da população negra, ainda alvo de desumana discriminação no mercado de trabalho, recebendo ainda os piores salários, ocupando as piores funções, e, ainda por cima, confinada à invisibilidade nos meios de comunicação, salvo as honrosas exceções da comunicação das tvs públicas e comunitárias, que registram alguma justiça racial televisiva.

Rivalidades exageradas são contra a cooperação

O mau exemplo vem exatamente das tvs comerciais. Ofendem gratuitamente ao povo paraguaio ou insuflam uma exagerada hostilidade contra argentinos, certamente, fazendo um tipo de jornalismo de desintegração, exatamente quando nós latino-americanos estamos a organizar e por em prática, por meio de vários governos, políticas públicas de integração econômica, energética, comercial, cultural educacional. Seguindo as orientações dos que querem impedir que sejamos solidários e cooperativos entre nós - por acaso, as mesmas nações imperiais que antes apoiaram o apartheid e recentemente tentaram boicotar a realização da Copa na África - cria-se um clima para uma rivalidade exacerbada, agressiva, verdadeira hostilidade, por exemplo contra argentinos e paraguaios.

Basta recordar o comportamento do capitão da seleção uruguaia, Obdúlio Varela, que ,em 1950, fez o Brasil todo chorar quando derrotarem a equipe canarinha em pleno Maracanã. Varela sentiu tanta segurança e confiança no caráter amistoso do povo brasileiro que foi comemorar a vitória uruguaia com brasileiros na noite carioca, sendo tratado com fraternidade e nobreza olímpicas pelos nosso povo. Diante de comportamento tão elevado dos brasileiros, certos narradorestelevisivos de hoje, apesar de frequência em certames internacionais, revelam-se verdadeiramente torpes e ineptos para alcançarem um padrão de jornalismo desportivo minimamente olímpico, tal como a Grécia Antiga - não a atual induzida á falência pela oligarquia financeira - legou à humanidade. Querem animalizar, embrutecer, despertar baixos instintos, estando portanto, em choque frontal com os princípios e valores que a Constituição pauta para os meios de comunicação, exigindo que sejam educativos, respeitosos aos mais nobres valores humanos e destinados à elevação cultural da sociedade.

As nações imperiais sabem perfeitamente da utilidade destas rivalidades fomentadas, muitas vezes artificialmente. Sobretudo contra povos que possuem grande potencial de cooperação entre si, como é o caso de Brasil e Argentina, cuja integração das bases produtivas poderia acelerar e encurtar sobremaneira os prazos históricos para a integração da América Latina. Por isto fazem o jornalismo da desintegração. Pela mesma razão, são incapazes, como meios de comunicação, de informar sobre o papel que Cuba desempenhou na história recente de libertação da África.

Jornalismo de integração

As nossas tvs públicas precisam fazer o contraponto. A diversificação e a pluralidade informativas, neste episódio, seriam extremamente válidas. Sobretudo se permitisse ao povo brasileiro conhecer quanta história existe por detrás da declaração contra o racismo que o capitão Lúcio fez naquele estádio repleto de sul-africanos libertos do regime do apartheid. E também conhecer quanta manipulação se faz do esporte, em nome de causas mesquinhas e anti-civilizatórias, como as que pretendem reviver o racismo e o impedimento ideológico da cooperação e da solidariedade entre os povos que tem um destino comum. O da unidade, da cooperação e da solidariedade.

(*) Beto Almeida é diretor de Telesur

POLÍTICA - Indio se presta a ser o "Bozó" do Serra.

Do site Tijolaço.

Indio se presta a ser o “Bozó” do Serra

Na " charge da charge", usando como base o traço superlegal do Fernandes, Indio da Costa dando uma de "Bozó do Serra"

Eu reproduzi aqui algumas matérias de jornal sobre o “cursinho” de serrismo a que submeteram o Indio da Costa, o vice que lhe sobrou ter.
Uma coisa ele provou. É bom aluno, aprende depressa os piores defeitos do chefe.
É arrogante, grosseiro e acha que as pessoas se impressionam com gente que faz cara de sabido e usa meia dúzia de palavras difíceis.
Sua entrevista, hoje, no Estadão, é um primor de arrogância, grosseria e pretensão.

“Tenho experiência administrativa, política e eleitoral muito maior que a da Dilma.”, ele diz. Qual é a experiência dele? Administrador regional de Cesar Maia? Secretário de admnistração do “chefe”? Claro que são experiências de gestão, ninguém vai negar . Mas só uma pessoa totalmente dominada pela empáfia pode comparar isso com sete anos de gestão de ministérios complexos como o de Minas e Energia, a Casa Civil e a gestão e situações gigantescas como a regulação do pré-sal ou o Programa de Aceleração do Crescimento.

Experiência eleitoral, claro. Mas em que circunstâncias? Como “Cesar Boy”, beneficiado pelos cargos que ele distribuiu ao grupo de mauricinhos com que se cercou.

Mas ele não pára na pretensão. Precisa ser grosseiro.

“A Dilma é um boneco. É uma candidata que vai ficar calada até o final. Ela não está com coragem de participar de nenhum debate porque não tem consistência. Até hoje ela não apareceu em nenhum debate com Serra e, pelo que estão dizendo na campanha do PT, não aparecerá.”

A qual debate Dilma faltou? Em que televisão? Em que rádio? Ela não foi à sabatina da Folha porque viajou e pediu nova data, o que a Folha não deu.

O que este Indio tem de autoridade moral para falar assim? Foi parar a fórceps e por falta de candidato como vice do Serra e já anda querendo dar uma de “bacana”? Ou, como diz o Romário, entrou no ônibus neste instante e já quer sentar na janela?

Indio da Costa é o “famoso quem?” que está se achando. É como o personagem do Chico Anysio, o Bozó. Não é nada, mas puxa o crachá de vice e diz que, agora, “trabalha na Globo”.

Merece, com sobras, o adjetivo que Lula usou para definir o Sérgio Guerra. No diminutivo.

POLÍTICA - Serra, um press release perigoso.

Do site Agência Carta Maior.

José Serra, o acaciano retórico, produto híbrido do latifúndio com a banca, é um personagem de press release. Não deve ser levado a sério quando fala em modernidade. Seu projeto autoritário precisa da mídia com poder de Estado e do mercado como única instância de legitimação.

Sem fortuna nem virtù, a candidatura Serra deve ser encarada como de fato se apresenta: uma irresponsabilidade política que busca construir sua persona a partir de clichês oratórios de desqualificação da principal oponente, a ex-ministra Dilma Rousseff. O teatro político que pretende montar, tentando se valorizar no jogo da sucessão, pode vir a se revelar o fracasso da temporada, não só pela fragilidade pessoal do ator como pela biografia do elenco de apoio. Mais dia menos dia, terá que descer a cortina, encerrando a apresentação.

Quando diz não ser “ventríloquo de marqueteiro nem de partido, nem de comitês, nem de frações, nem de todas aquelas organizações antigas de natureza bolchevique, que do bolchevismo só ficaram com a curtição pelo poder, porque utopia não ficou nenhuma", importantes perguntas se impõem. Afinal, por quem fala José Serra? Ou, melhor: quem, dissimulando o timbre natural da própria voz, fala por ele? Quem é o boneco nesse jogo mal-ajambrado?

A coligação oposicionista é uma gigantesca operação de engodo promovida pela mesma dupla (PSDB/DEM) que, entre 1994 e 2002, se superava, dia após dia, em matéria de socialização de prejuízos privados e entrega do patrimônio público. Em oito anos o país quebrou duas vezes, as dívidas, interna e externa, cresceram descontroladamente. O grau de dependência se precipitou e a desigualdade alastrou-se.

O descaso com a questão social – vista até hoje pelos tucanos como um estorvo para as contas do governo – fez com que a miséria e o aviltamento dos salários se expandissem. Dados do Banco Mundial, em 1997, apontavam 36 milhões de brasileiros com renda inferior a US$30, o que explica o número assustador de crianças que trocavam a infância e a escola pelo trabalho precoce. Enquanto isso, o governo FHC excluía o imposto sobre as grandes fortunas do seu pacote fiscal. Quebra-se o país, jamais um banco, ensinava o príncipe dos sociólogos.

Em 2001, a mudança no fluxo de capitais agravaria o desequilíbrio externo brasileiro, com a entrada de recursos estrangeiros caindo US$ 10 bilhões em relação ao ano anterior. Para piorar a situação, cresceria a remessa de lucros e dividendos, devido à crescente internacionalização da economia ocorrida na segunda metade da década de 1990. Tudo isso levava a uma valorização excessiva do dólar.

E o que fazia FHC e seu séquito diante da crise do modelo? Segundo o Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo (Simpi), enquanto 80% das microempresas estavam inadimplentes, o governo arquitetava, via BNDES, o socorro das grandes corporações endividadas em dólar. De fato, uma garantia ao mercado que “aquelas velhas organizações bolcheviques" jamais ousariam dar.

É o retorno de catástrofes dessa natureza que a candidatura Serra promete. O neoliberalismo, expressão recente da direita, não hesitará em fazer uso de conhecidas "reengenharias" para destruir o Estado, deixando sobreviver somente os órgãos que garantam os interesses mercantis. Serra é o ventríloquo de um grupo que está convencido de que é necessário reciclar o manual de terra arrasada. O pequeno remanejamento da aliança partidária que deu apoio ao governo de FHC não traz novidades substantivas. O que é o PPS senão o adorno de conhecidos arrivistas?

O DEM (antigo PFL) tem um histórico de hipocrisia, cinismo e empulhação. A mudança de nome, apontada por suas lideranças como primeiro passo de ajustamento necessário, não resistiu a duas primaveras. A operação “Caixa de Pandora", apontando o governador de Brasília, José Roberto Arruda, como principal articulador de um esquema de corrupção envolvendo integrantes do seu governo, empresa com contratos públicos e deputados distritais, revelou o DNA da “novidade”.

Das minúcias, futricas, esperneios, conselhos e advertências desse espectro político, a grande imprensa recolhe a matéria-prima para fazer seus boletins de campanha. José Serra, o acaciano retórico, produto híbrido do latifúndio com a banca, é um personagem de press release. Não deve ser levado a sério quando fala em modernidade. Seu projeto autoritário precisa da mídia com poder de Estado e do mercado como única instância de legitimação.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

sábado, 10 de julho de 2010

ECONOMIA - Neoliberalismo obrigatório.

Do site Esquerda.net.

Neoliberalismo obrigatório

“Inclina a cerviz, altivo sicambro; adora o que queimaste e queima o que adoraste”, ordenou o bispo Remígio ao bárbaro Clóvis quando este teve de se converter ao cristianismo para ser rei de França. E isso mesmo parecem ter exigido ao social-democrata José Luis Rodríguez Zapatero os chefes de Governo do Eurogrupo, em Bruxelas, a 7 de Maio passado, quando se juntaram ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e aos mercados financeiros para o obrigar a renegar toda a veleidade social, e a converter-se imediatamente ao credo neoliberal. Artigo de Ignacio Ramonet

Somente cinco dias depois, com o fanatismo dos conversos (mas com pretenso «pungimento interno»), o Presidente do Governo – que afirmava, em 2004, «governarei para os mais fracos», e reiterava, em 2008, «governarei a pensar nos que não têm tudo» – anunciava um plano de ajuste terrivelmente impopular. Cinco milhões de pensionistas, três milhões de funcionários, centenas de milhares de idosos necessitados de assistência e meio milhão de futuros pais de 2011 sofrerão as consequências do corte brutal.

Ao mesmo tempo, outros chefes de governo social-democratas, na Grécia e em Portugal, viam-se também forçados a ir a Canossa, retractar-se e humilhar-se, e a acatar as teses ultraliberais que até então, em princípio, tinham combatido.

Insólita mudança. Porque há menos de dois anos, após a quebra do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos, os partidários do neoliberalismo estavam derrubados e à defensiva. Eram eles quem renegava então. A “crise do século” parecia demonstrar o fracasso da sua ideologia da desregulação e a necessidade de recorrer de novo ao Estado para salvar a economia e preservar a coesão da sociedade.

Os Governos, inclusive os de direita, retomavam a sua função de actores primordiais da área económica; nacionalizavam entidades financeiras e empresas estratégicas, injectavam massivamente liquidez no sistema bancário, multiplicavam os planos de estímulo… Tanto dirigentes como economistas felicitavam-se por essas decisões que correspondiam às lições tiradas da crise de 1929, quando se demonstrou que as políticas de deflação, de austeridade e de restrição do crédito conduziram à Grande Depressão.

Por isso, no Outono de 2008, todo o mundo anunciou o “regresso a Keynes”. Os Estados Unidos lançaram um plano de resgate dos bancos de 700.000 milhões de dólares, seguido de outro de 800.000 milhões de dólares. Os vinte e sete da União Europeia (UE) puseram-se de acordo num pacote de estímulo de 400.000 milhões de euros. E o governo de José Luis Rodríguez Zapatero, constatando, em Novembro de 2008, que «os três anos consecutivos de superávit orçamental permitem-nos agora incorrer em déficit sem pôr em risco a credibilidade das finanças públicas», anunciou um ambicioso Plano de Estímulo à Economia e ao Emprego de 93.000 milhões de euros.

Além disso, em várias Cimeiras do G-20, os dirigentes dos Estados mais poderosos decidiam acabar com os paraísos fiscais, controlar os fundos de alto risco (hedge funds) e sancionar os abusos dos especuladores causadores da crise. José Manuel Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, declarava: "As autoridades políticas não tolerarão mais que os especuladores voltem a levantar cabeça e nos arrastem para a situação anterior".

E, no entanto, voltámos à situação anterior. De novo os mercados e os especuladores têm a faca e o queijo na mão. E as autoridades políticas ajoelham-se. Que aconteceu? O peso da dívida soberana consentida pelos Estados para salvar os bancos [1] serviu de pretexto para uma espectacular mudança de situação. Sem o mínimo reparo, os mercados e a especulação financeira, apoiados pelas agências de qualificação (totalmente desacreditadas há apenas uns meses), atacam directamente, no seio da UE, os Estados endividados, acusados agora de viver acima das suas possibilidades. O objectivo principal é o euro. O Wall Street Journal [2] revelou que um grupo de importantes responsáveis estadunidenses de hedge funds, reunido a 8 de Fevereiro num hotel de Manhattan, teria decidido aliar-se para fazer baixar a moeda única europeia para 1 euro face a 1 dólar. Naquele momento, o euro valia 1,37 dólares; hoje já só vale 1,22 e continua ameaçado…

Os mercados querem a sua desforra. E reclamam, com mais vigor que nunca, em nome da “indispensável austeridade”, o desmantelamento da protecção social e a drástica redução dos serviços públicos. Os Governos mais neoliberais aproveitam para exigir maior “integração europeia” em cujo nome tratam de forçar a adopção de dois instrumentos que não existem: um governo económico da União e uma política fiscal comum.

Com o apoio do FMI, a Alemanha impôs planos de ajuste a todos os membros da UE (Grécia, Portugal, Espanha, Itália, França, Reino Unido, Roménia, Hungria, etc.) cujos Governos, de repente obcecados pela redução do gasto público, acataram sem chiar. Ainda que isso ameace a Europa de cair numa profunda Depressão.

Na mesma linha, Bruxelas deseja sancionar os países que não respeitem o Pacto de Estabilidade [3]. Berlim pretende ir mais longe e acrescentar uma sanção altamente política: a suspensão do direito de voto no Conselho Europeu. Com um objectivo claro: nenhum Governo deve sair do carril neoliberal.
No fundo, esse é o saldo político da actual crise da dívida soberana: não parece ficar espaço, no seio da UE, para nenhuma opção de progresso. Admitirão os cidadãos semelhante regressão? Pode aceitar-se que fique descartada qualquer solução democrática de esquerda de impulsionar o avanço social?

[1] Um relatório da Comissão Europeia assinala que o total de fundos comprometidos para os bancos ascende a 3,3 biliões de euros, ou seja, a 28% do PIB da UE!, El País, Madrid, 20 de Junho de 2010.

[2] Susan Pulliam, Hedge Funds Try ‘Career Trade’ Against Euro, The Wall Steet Journal, Nova York, 26 de Fevereiro de 2010.

[3] Adoptado em 1997 e que limita a 3% do PIB o déficit público.

Fonte: Le Monde diplomatique en español
http://infoalternativa.org/spip.php?article1789

DENÚNCIA CONTRA EMPRESA ÁGUAS DE NITERÓI

Águas de Niterói comete crime hediondo

Por Marcelo Salles, 10.07.2010

Eu acuso a empresa Águas de Niterói, que opera no Rio de Janeiro, de cometer um crime hediondo. Um crime contra a vida. E me sinto muito à vontade para fazer essa denúncia, mesmo que a vítima seja a minha mãe. Por um motivo muito simples: eu faria a mesma coisa por qualquer outra pessoa que estivesse nessa situação, aliás, como tenho feito desde que fiz o seguinte juramento em troca do diploma de Jornalista profissional: “A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade”.

O fato é que a empresa privada ÁGUAS DE NITERÓI cortou a água na casa de minha mãe. Motivo: ela se recusou a pagar uma conta superfaturada emitida pela empresa, no valor de 800 reais. Quando essa conta absurda chegou, ela não pegou o telefone. Ela foi até a empresa. Aliás, ela foi duas vezes. Lá chegando, explicou que essa conta estava errada, porque o valor médio gasto por mês é 100 reais. A empresa reconheceu o erro e refez a conta: 500 reais, o que continuou muito acima do valor médio. Minha mãe se recusou a pagar novamente, sobretudo porque o motivo do aumento da conta foi um vazamento numa obra realizada pela própria empresa. A ÁGUAS DE NITERÓI disse que entraria em contato, por telefone. Não entrou. Em vez disso, mandou um aviso por escrito, com a ameaça de corte.

Minha mãe se manteve firme e acionou a Justiça. Apesar do câncer que a consome há um ano e meio, ela não se vergou diante das ameças dessa empresa covarde. (pra quem não sabe, minha mãe tem câncer no pulmão com metástase no cérebro. Ela fez duas cirurgias no ano passado, mas infelizmente o câncer voltou este ano: cinco nódulos nos pulmões).

Nesta sexta-feira, dia 9 de julho de 2010, a empresa ÁGUAS DE NITERÓI enviou os algozes, que cortaram o fornecimento de água. Importante: minha mãe avisou à empresa que estava em meio a um tratamento de câncer. E enquanto os funcionários da empresa estavam em sua casa, cortando o fornecimento do bem mais elementar para a vida, a água, minha mãe estava fazendo mais uma sessão de quimioterapia. Ela lutando pela vida, a empresa cortando o acesso à água. Está tudo documentado, temos o registro médico e o laudo do oncologista. Imaginem vocês. Para uma pessoa com a saúde em perfeito estado já é um tanto complicado imaginar a vida sem água. E uma pessoa com câncer, que tem uma série de restrições e necessidades especiais! A legislação brasileira garante a isenção de diversos impostos para pacientes com essa doença, como Imposto de Renda, IPVA, IPTU, entre outros. Está mais do que evidente que o fornecimento de água jamais poderia ser interrompido.

Hoje, sábado, por volta das 16h30, telefonei na ÁGUAS DE NITERÓI. Falei com uma funcionária que se identificou como Simone Diniz e a ligação durou entre 15 ou 20 minutos. Expliquei a ela toda a história, inclusive que a empresa havia desligado a água da casa de uma pessoa que faz tratamento para câncer. Que o desligamento ocorreu no mesmo dia da sessão de quimioterapia. Disse e repeti que minha mãe quer pagar a conta, no valor justo, mas que isso tem de ser feito com a água ligada. Pedi três vezes para a empresa religar a água, o que foi negado. O número do protocolo informado foi 303964. Ela disse que não pode fazer nada até que a conta seja paga.

Eu gostaria muito de saber se a ÁGUAS DE NITERÓI vai pagar pelos tranquilizantes que estão sendo adicionados às inúmeras drogas para combater o câncer que minha mãe está sendo obrigada a tomar. E também se essa empresa poderá ser responsabilizada judicialmente caso o estado de saúde de minha mãe venha a piorar por conta de todo o estresse que ela vem passando com as ameaças e o corte de fornecimento de água.

Caros amigos, queridas amigas, esse é um dos momentos em que venho pedir a ajuda de vocês. Repassem essa mensagem, espalhem pelo twitter, telefonem para a empresa, digam aos funcionários o tamanho do crime que está sendo cometido. Para nós o mais importante é que o fornecimento de água seja restabelecido imediatamente. Se vocês pressionarem, talvez eles se deem conta do erro e religuem a água, principal elemento da vida. Vida, algo que parece não estar entre as prioridades das empresas privadas.

O telefone da ÁGUAS DE NITERÓI é 0800 723 1222.

O telefone da AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (empresa que regula as fornecedoras no país): 61.2109-5400.

Muito obrigado,
Marcelo Salles

FUTEBOL - Reinado de Ricardo Teixeira na CBF corre riscos.

Do site Terra Magazine.


Lula balança reinado do cartola-mor Ricardo Teixeira na CBF

Reinaldo Marques/Terra
Lula discursa em visita à África do Sul
Lula discursa em visita à África do Sul

Vitor Hugo Soares
De Salvador (BA)

Com os "canarinhos" mandados de volta para casa nas quartas de final e sem mais nenhuma seleção do Mercosul para torcer na decisão de domingo - o bravo Uruguai é o único que tenta um terceiro lugar neste sábado em jogo com a bombardeada Alemanha no Mundial 2010 -, o presidente do Brasil tenta provar que não é de perder viagem.

Nesta sua passagem de despedida do poder pelo continente africano, sem algo mais relevante na agenda de chefe de Estado, Lula - tensão e cansaço confesso e estampado na face -, se desdobra. Parece decidido a não perder o jogo da visibilidade no disputado espaço político em tempo de Copa do Mundo, na África, e de crimes hediondos como o de que é acusado o goleiro Bruno, do Flamengo, no Brasil.

Ainda no Quênia, no meio da semana, o presidente sacou o rifle de mira telescópica e fez disparos na direção de um dos alvos mais bem protegidos até aqui no debate público sobre as razões do fracasso verde e amarelo em campos da África do Sul: o cartola-mor Ricardo Teixeira, todo poderoso e aparentemente intocável presidente da Federação Brasileira de Futebol.

Ao pedir eleições para a CBF, mesmo que de oito em oito anos, o ocupante do Palácio do Planalto mexeu em vespeiro dos brabos. Podem apostar. Misturar política e futebol não é novidade para Lula, ao contrário, mas em tempo de parelha e indefinida campanha nacional para a sua sucessão, e no meio do tiroteio implacável e inexorável da caça de culpados depois do novo adiamento do hexa, isso tende a virar nitroglicerina pura. Evidentemente, com os inevitáveis riscos de fogo, peles e pêlos chamuscados. No futebol e na política.

"Vamos recordar", como dizia o saudoso radialista baiano: Ricardo Teixeira comanda a CBF há 21 anos. Com mão dura, cara fechada e praticamente sem contestação interna de peso - como é próprio dos regimes ditatoriais e de força. Em situações como esta, é fácil imaginar os constrangimentos e mágoas que ficam com palavras e atitudes como as do presidente em Nairobi esta semana.

No terreno minado pelas trocas de acusações nos debates sobre o fiasco no Mundial 2010, Lula puxou a brasa para o seu polvo. Lembrou até das regras do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. "Acho que, se a CBF adotasse o que adotei quando era presidente do sindicato... A cada oito anos a gente trocava a direção. Mas não posso falar da CBF porque é uma entidade particular. Não posso votar e dar palpite".

Não pode, mas o palpite já está dado. E o voto é desnecessário, pois eleição na CBF é como falar em corda na casa de enforcado. Soa como carga de dinamite na implosão de uma mina de diamantes. Ainda mais quando, dois dias depois, já em Pretória, capital administrativa da África do Sul, Lula reforça suas desconfianças e temores aparentes: "Temos que evitar de todas as formas o fiasco de 1950. Pelo amor de Deus".

Felpuda raposa do futebol e da política, Ricardo Teixeira tenta absorver o golpe, enquanto ganha tempo para tirar o jogo do campo internacional, conduzindo-o para o terreno interno, mais seguro e propício à aplicação de sua tática e estratégia, que sinalizam para a aposta no tempo, senhor de todos esquecimentos e cumplicidades no Brasil: "Eu respeito o que o Lula acha sobre as eleições, apesar de discordar", desconversa Teixeira.

Mas o presidente da CBF não se descuida na defesa. Empurra a bola de volta para o campo do Planalto, ao apontar o que para ele são os três grandes problemas do Mundial 2014 no Brasil: "aeroporto em primeiro, aeroporto em segundo e aeroporto em terceiro". Jogo duro já vê. Tanto que o presidente Lula dá sinais de que nem ficará mais para a final da Copa em Joanesburgo. Retorna antes do planejado, para descansar e ganhar fôlego antes de próximos combates, no futebol e na política.

A conferir.

ELEIÇÕES - Ainda sobre o almoço na casa de D. Lily Marinho.

Do blog Vi o Mundo.


No Cosme Velho, entre flamingos rosas, a hora das mulheres


por Mônica Bergamo (Colaborou Marlene Bergamo)

“Se recebi Fidel, por que não o PT?”, indaga Lily Marinho sobre Dilma

Dilma Rousseff (PT) chegou antes de boa parte das convidadas ao almoço oferecido para ela ontem, no Rio, por Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, das Organizações Globo. Eram 13h quando a petista foi recebida pela anfitriã na porta da célebre mansão cor-de-rosa do Cosme Velho, aos pés do Cristo Redentor, onde o casal recebeu por décadas governantes do mundo todo para jantares memoráveis.

“Se o Roberto recebeu Fidel Castro aqui, por que eu não posso receber o PT?”, disse Lily à Folha, num cenário emoldurado por flamingos rosas que nadam nos lagos da mansão — as aves foram presente do cubano, que esteve no Rio em 1992.

Um músico dedilhava ao piano e garçons de luvas brancas serviam champanhe Dom Perignon. “Ô, Jandira, toma um golinho pra mim porque senão vou ficar gorda igual a um boi”, disse Dilma à ex-deputada Jandira Feghali (PC do B), passando discretamente a ela a “flûte”.

Dilma se sentou perto de Lily, em cadeira de rodas por causa de uma queda. “Que tipo de música você gosta?”, perguntou a anfitriã. “Clássica. Gosto de Bach”, respondeu a candidata. “Ela toca piano e fala francês”, revelou uma amiga de ambas a Lily. “Eu tinha curiosidade de conhecê-la”, explicava Lily.

Não, repetia, ela não vai oferecer almoço a José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), adversários de Dilma na campanha presidencial. “Eu não sou política. Se ficarem com ciúmes, o que posso fazer? Nada.”

Aos poucos, o quorum aumentou. “A Lily estava um pouco ansiosa porque muitas têm até medo de chegar perto do PT e da Dilma. Mas todo mundo está chegando, graças a Deus”, dizia uma amiga da anfitriã.

Na hora do almoço, Dilma e Lily dividiram a mesa com a economista Maria da Conceição Tavares, a escritora Nélida Piñon, a produtora Lucy Barreto e a colunista Hildegard Angel, entre outras.

A conversa girou em torno de amenidades. “Todos os candidatos homens já fizeram plástica. To-dos”, dizia Dilma. E as pesquisas eleitorais?

“Deixa eu ficar no empate [com Serra] que tá bom”, respondeu a petista. No cardápio, tartare de salmão com maçã e funcho e filé de cherne com banana caramelada, passas e urucum do chef Claude Troisgros.

Antes da sobremesa, Lily leu um rápido discurso. Disse que ofereceu o almoço para homenagear “a senhora D, a senhora democracia”. E que seria um privilégio ouvir “a outra senhora D, Dilma Rousseff, que se propõe a ser a primeira mulher presidente do Brasil”.

Dilma fez um discurso sob medida. Falou de educação, família e cultura — e das “lutas de milhares de brasileiras anônimas”. “Eu acho que chegou a nossa hora!” Cantarolou com Alcione ao microfone — e se despediu de Lily: “Te espero na minha posse”.

A candidata se foi e as amigas formaram roda para comentar. “Ela está segura, senhora de si”, dizia Andrea Agnelli, mulher do presidente da Vale, Roger Agnelli. “Achei importante ela falar de educação”, disse Beth Floris, dona da editora Ediouro. Dona Lily gostou. “Vou fazer 90 anos. Sou velha para votar. Mas acho que, se votasse, seria na Dilma.”

*****

10/07/2010
iG
Flávia Salme

Almoço de Lily Marinho à Dilma reúne de Carmem Mayrink à Alcione

No encontro, viúva de Roberto Marinho elogia a petista e diz que não vai convidar mais nenhum candidato

“Sou analfabeta política. Infelizmente, desse assunto, não entendo. Mas ela é tudo o que eu gosto, está sempre impecável”. Foi assim que uma das mulheres mais elegantes do Brasil descreveu a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, estrela do almoço oferecido nesta sexta-feira (9) pela matriarca da família Marinho, dona Lily, na famosa mansão que Roberto Marinho construiu no Cosme Velho, zona sul do Rio. “Com a vida que leva, ela anda muito bem vestida, bem penteada. Com essas qualidades, ela é ótima para tudo”, avaliou Carmem.

Divulgado como um encontro que reuniria o mais feminino do jet set carioca, o evento de dona Lily Marinho chamou mesmo a atenção pela lista eclética de 50 convidadas. No salão principal acomodavam-se, lado a lado, a socialite Carmem Mayrink Veiga, a economista Maria da Conceição Tavares e a cantora Alcione, grifada na lista de nomes confirmados como “a Marron”.

Enquanto dezenas de flamingos impecavelmente cor-de-rosa — como a parte externa da mansão — desfilavam imponentes no jardim projetado por Burle Marx, a estilista e empresária de moda Lenny Niemeyer se aquecia sob o sol refletido em parte do terreno de três mil metros quadrados. A conversa que costurava com a produtora cultural Liége Monteiro foi prontamente interrompida para atender ao pedido de jornalistas interessados em saber se sua presença significava apoio a Dilma.

“O momento é de escutar, minha presença não é uma adesão”, ressaltou. “Lula foi bem, principalmente, na educação. A Dilma seria uma continuidade. Gosto do Serra, talvez ele não tenha esse carisma todo, mas simpatizo com ele. Da Marina, eu não sei. Acho ela uma pessoa super bem intencionada. Mas meu voto vai ficar entre Dilma e Serra”, despistou a estilista.

Liége também disse que ainda não formou opinião sobre o número que vai digitar nas urnas no dia 3 de outubro. “Mas vou formar”, avisou. “Eu gostei do Serra ter convidado o Índio da Costa para vice. O Índio é muito talentoso, já trabalhei para ele e sei. Já disse que ele seria presidente do Brasil”, contou.

Próximo às duas, a economista mais célebre do PT, Maria da Conceição Tavares, amiga de Dilma e de Serra — a quem chamou de “vampirozinho” –, ria da escolha do vice na chapa tucana. “Essa eu acho que realmente foi a única patetada que ele (Serra) fez. É pândego… Índio no Brasil, o vice (risos)! Ele (Serra) não vai poder nem se ausentar (mais risos)”, divertia-se.

No salão principal, as convidadas acomodavam-se enquanto o pianista Vicente Quintella dedilhava Tom Jobim, Vinícius de Moraes e a imortal “Carinhoso”, de Pixinguinha. Aguardavam atentas à apresentação que a anfitriã faria sobre a convidada principal. “Quero saber que proposta ela tem para a cultura. A indústria cultural é a terceira cifra de negócios do mundo, o Brasil não atinou para isso ainda”, cobrou a cineasta e produtora Lucy Barreto, voto declarado em Dilma.

Tartar de salmão, cherne com banana e crepe de maracujá

O salão principal da mansão dos Marinho é famoso pelos célebres eventos que já abrigou. Foi ponto de encontros com artistas, presidentes, príncipes – como o Philip, da Inglaterra -, reis e rainhas. Lustres de prata, peças barrocas e tapeçaria francesa garantem imponência à decoração do lugar, cujas paredes ostentam pinturas famosas, assinadas por nomes como Cândido Portinari.

Ao sinal da anfitriã, todos se posicionaram à mesa: o almoço seria servido. O chef francês Claude Troisgros contou desconhecer a identidade da convidada. “Só soube que era a Dilma depois que ela veio na cozinha me cumprimentar”. Braço-direito de dona Lily há mais de 20 anos, o mordomo Edgard Peixoto correu para retificar a informação. “Aquela senhora que veio aqui não era a Dilma, apaguem tudo”, pediu aos jornalistas.

Para abrir os trabalhos gastronômicos, o chef serviu tartar de salmão com maçã e funcho. O prato principal – receita criada por sua avó, Marie Toigros, em 1930 – ostentava filé de cherne com banana caramelizada, purê de batata, e molho de passas e urucum. De sobremesa, crepe suflê de maracujá.

Convidados impecavelmente servidos, dona Lily discursou. Microfone em punho, disse às amigas que elas estavam ali para homenagear a srª D. “Sim, esta grande dama, a srª Democracia, pois graças a ela nos é permitido esse convívio de diferença de opiniões”, anunciou. “Vivemos um momento de grande importância, estamos prestes a enfrentar o desafio cívico de fazer, nas urnas, a escolha certa daquele ou daquela que irá conduzir nosso país nos próximos quatro anos”.

Ao mencionar Dilma, Lily falou: “Poucos têm a oportunidade de ouvir diretamente os candidatos, sem intermediários nem interferências de pré-julgamento. Hoje, este privilégio nos foi dado por outra srª D, a senhora Dilma Rousseff, candidata da situação que se propõe a ser a primeira mulher presidente da República do Brasil, que gentilmente comparece a este almoço”.

Com discurso às mulheres, Dilma foi aplaudida duas vezes

Vestida com um discreto tailleur em tom creme, Dilma falou pausadamente e ressaltou a questão da mulher. Lembrou que quando criança pensava em ser “bailarina, trapezista ou bombeira, porque o sonho de ser presidente era dos meninos”. E destacou que programas como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida são entregue às mulheres “porque elas não deixam de botar comida na mesa para seus filhos”.

Ao mencionar o encontro que teve com uma menina chamada Vitória, em um aeroporto, que a questionou se “mulher poderia ser presidente do Brasil”, Dilma avaliou que, se for eleita, trará para o país uma consequência e uma responsabilidade. “A partir daí, as mulheres podem. Acho que vivemos um momento em que mulher pode”, falou, recebendo a primeira salva de palmas.

Em seguida, a presidenciável petista defendeu alguns feitos do governo Lula. “Hoje o mundo nos trata de forma diferente. Enquanto a gente devia ao FMI, não nos respeitavam muito. Agora, quando você paga a dívida e acumula US$ 253 milhões de reserva, e ainda empresta ao FMI, o respeito aumenta”.

Foi aplaudida mais uma vez quando destacou a diversidade cultural brasileira, que prometeu incentivar.

“Ela é muito mais bonita pessoalmente”

De Carmem Mayrink Veiga, passando por Flávia Sampaio, namorada do empresário Eike Batista, à anfitriã Lily Marinho, Dilma foi elogiada pela aparência. “Não a conhecia, ela é muito agradável e bonita, muito melhor pessoalmente do que em fotografia”, disse dona Lily. “Ela é uma política e tanto, tudo que ela falou está certo. Ela está preparada para governar o Brasil”, acrescentou.

Indagada se o almoço foi promovido a fim de conquistar votos para Dilma, a senhora Marinho saiu-se com um savoir-fair que lhe é peculiar. “Eu não gosto nem entendo de política, só queria conhecê-la”, respondeu, para dizer, em seguida, que não pretende organizar almoços para nenhum outro candidato, nem se eles pedirem. “Se eles quiserem… Bom…”, desconversou.

A pedido dos jornalistas para que emitisse sua opinião a respeito do presidente Lula, dona Lily não economizou: “Ele é muito inteligente. Ele conseguiu nesses anos se fazer apreciar na Europa, nos Estados Unidos, é um encanto. Não o conheço pessoalmente, mas acho ele fantástico”.

Flávia Sampaio foi outra convidada que destacou a imagem de Dilma. “Me surpreendeu positivamente. Acho que posso convidá-la para minha clínica de estética, que não vai fazer feio”, observou, acrescentando que não entende de política e que ainda não definiu seu voto. “Preciso ouvir os outros candidatos”.

Ainda sentada à mesa, Alcione recebeu a atenção de Dilma e de dona Lily. Em troca, cantou, à capela, duas canções de Cartola – “As rosas não falam”, a pedido da presidenciável. “Sempre gostei da Dilma, é uma mulher fantástica, um exemplo para todas nós. Vai ser a nossa presidente da República”, falou a Marrom.

Quem também declarou voto na petista foi Ruth Niskier, mulher do ex-presidente da Academia Brasileira de Letras Arnaldo Niskier. “Já conhecia a Dilma. E gostei muito do programa dela para a cultura e a educação. Já defini meu voto, é na Dilma”, anunciou, antes de, ao lado das amigas, deixar o local.

ELEIÇÕES - Militância petista, agora, vamos às ruas!

Militância, agora, vamos às ruas!
Lily Marinho: "Só faço almoço para a Dilma. Para os outros, não"

Hildegard Angel, Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Ao fim de seu almoço para Dilma Rousseff, cercada pela imprensa por todos os lados, Lily Marinho respondeu ao repórter que lhe perguntou se também fará almoços para os demais candidatos: "Não, só para ela!". Naquele momento, tive a certeza de que Dilma havia conquistado mais um voto. Afinal, em seu pequeno discurso, lido antes da sobremesa, Lily falara da necessidade de "ouvir diretamente os candidatos, sem intermediários para formar opinião sobre a melhor escolha daquele ou daquela que irá conduzir nosso país nos próximos quatro anos". Lily também lembrara o marido, Roberto Marinho, "que jamais se absteve de conviver com as diferenças de opinião". Mas não havia, naquela resposta de Lily ao repórter — "Não, só pra ela!" — qualquer resquício de dúvida, qualquer indecisão diante da escolha certa.

Dilma, em seu discurso de improviso, após a fala de Lily, foi uma grata revelação, para comentário geral. Falou com domínio dos assuntos, segura de si e das palavras, com simpatia e sorrisos, porém sem perder a firmeza que a caracteriza. Discorreu sobre a situação da mulher, lembrando que "nenhuma brasileira discute se o Brasil está preparado para ter uma mulher na Presidência — o Brasil sabe que está preparado". Enalteceu as mulheres anônimas, as "heroínas" do cotidiano. Lembrou o salto dado pelo Brasil nos últimos anos: "Pensem em 2010 e olhem para 2002 e percebam como este país é diferente hoje". E continuou: "É diferente porque 24 milhões saíram da pobreza e 31 milhões foram elevados à classe média". Enfatizou a importância da educação — "faremos um imenso esforço por ela" — lembrando a importância de se valorizar o professor: "Não é prédio, não é banda larga, é também. Mas é sobretudo o professor". E mais: "A educação é a conquista do futuro deste país".

"Ela fez um progresso extraordinário", comentou uma de nossa mesa. Fiquei na dúvida se Dilma realmente fez progressos ou se éramos nós que, até então, desconhecíamos seus talentos de sedução e de oratória. Éramos 12 àquela mesa. A homenageada à direita da anfitriã. A economista Maria da Conceição Tavares, a escritora Nélida Piñon, a cineasta Lucy Barreto, a museóloga Magali Cabral, mãe do Sérgio governador, Consuelo, a mãe do prefeito Eduardo Paes, Maria Lúcia Jardim, mulher do vice Pezão, Marcela Temer, mulher do deputado vice na chapa de Dilma, Andréa Agnelli, mulher do Roger, presidente da Vale, Maria do Carmo, a sra. Marcos Vilaça, presidente da ABL, e esta jornalista. As demais quatro mesas não tinham lugares marcados. Lily inspirou-se num jantar de Nelson Rockefeller e sorteou entre as presentes seus lugares nas mesas presididas pela mineira Angela Gutierrez, a curitibana Margarita Greca, a embaixatriz Maria Thereza Castelo Branco, uma habituée do Cosme Velho, e Vera Lúcia, a sra. Oscar Niemeyer.

Todas tinham algo simpático a dizer à candidata. A embaixatriz Glorinha Paranaguá, ao ser apresentada, contou-lhe que foi seu filho jornalista, que vive em Paris, quem escreveu a grande matéria a seu respeito publicada no jornal Le Monde. Algumas até lhe levaram presentes, como costuma acontecer em almoços femininos. Dilma sentiu-se definitivamente em casa, no Cosme Velho.

POLÍTICA - Parece que Lily Marinho já sabe em quem votará.

Do blog do Luis Nassif.

Dilma no almoço de Lily Marinho

Uma boa informação:

Lily Marinho: "Só faço almoço para a Dilma. Para os outros, não"

Hildegard Angel, Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Ao fim de seu almoço para Dilma Rousseff, cercada pela imprensa por todos os lados, Lily Marinho respondeu ao repórter que lhe perguntou se também fará almoços para os demais candidatos: "Não, só para ela!". Naquele momento, tive a certeza de que Dilma havia conquistado mais um voto. Afinal, em seu pequeno discurso, lido antes da sobremesa, Lily falara da necessidade de "ouvir diretamente os candidatos, sem intermediários para formar opinião sobre a melhor escolha daquele ou daquela que irá conduzir nosso país nos próximos quatro anos". Lily também lembrara o marido, Roberto Marinho, "que jamais se absteve de conviver com as diferenças de opinião". Mas não havia, naquela resposta de Lily ao repórter — "Não, só pra ela!" — qualquer resquício de dúvida, qualquer indecisão diante da escolha certa.

FUTEBOL - O preconceito como estilo.

Do blog do Luis Nassif.

O preconceito como estilo

O Brasil já tem presença internacional. Isso exige comportamento responsável por parte do lado mais visível dessa internacionalização: governos, grandes corporações e grandes órgãos de mídia. O que fazem, repercute internacionalmente, ainda mais nesses tempos de integração geral da informação.

O sistema Globo é o maior grupo jornalístico do país, o de maior visibilidade. Anos atrás, pesquisas sobre a cara do brasileiro apresentaram as novelas da Globo como uma das pontas visíveis do Brasil no mundo.

Mas o provincianismo é mais forte. E o jornalismo da Globo perdeu a noção da responsabilidade perante a opinião pública de outros países. Tornou-se um jornalismo provinciano, ecoando, em nível do continente, o grosso preconceito que serviu de arma para as disputas políticas internas no Brasil.

Do Blog Somosandando

Mau jornalismo da Globo já é destaque internacional

Cospe pra cima, cai na testa, dizia minha mãe. Foi o que aconteceu com a Globo hoje.

O jornal paraguaio La Nación diz que a Laranja Mecânica foi responsável por "acallar a la soberbia brasileña".E por "brasileira" ele se refere à Rede Globo, não ao país como um todo, como fica claro logo nas frases seguintes. A crítica se dirige especialmente à SporTV, canal fechado que pertence à emissora e que divulgou um vídeo desrespeitoso à Seleção Paraguaia e ao Paraguai, a seu povo.

O desrespeito vai além do futebol, segundo o jornal: "ironizan sobre nuestras comidas y nuestras costumbres", em linguagem debochada. O único valor paraguaio apresentado pelo vídeo é Larissa Riquelme, a "novia del Mundial". Além de agressivo com os paraguaios, o curta é machista. Desvaloriza todo um povo e todo um gênero. As mulheres são vistas como objetos.

A matéria se coloca ao lado de Dunga pela resistência aos abusos da Globo. E completa: "La Naranja Mecánica se encargó así de hacer justicia y dar una gran lección a quienes tienen en el corazón una rabia innecesaria hacia una nación pobre pero digna".

Mesmo que o grau de deboche fosse exagerado pelos paraguaios, chamaria a atenção que a Globo já vem recebendo críticas internacionais por conta da sua irresponsabilidade na forma de fazer jornalismo. Mas não é o caso, a ironia é de fato extremamente ofensiva. O vídeo trata o nosso vizinho como um país desprovido de quaisquer qualidades, feio, triste, pobre. É asqueroso.

Debochar de outros países extrapola os limites do esporte, do futebol, e avança no terreno político. São as relações internacionais brasileiras, são povos, são culturas. Pode haver diferenças, mas não há como definir melhores e piores. É aí que entra o respeito. Ou deveria entrar.

A Globo transferiu a ironia que dedica à política externa do governo Lula ao futebol. Fez mal, muito mal. E ficou bem feio.

POLÍTICA - O significado do almoço de Lily Marinho.

Do blog do Luis Nassif.

O significado do almoço de Lily Marinho

Para entender direito o significado desse almoço oferecido por Lily Marinho a Dilma Rousseff.

Dona Lily é personagem de um mundo fantástico do Rio de Janeiro, da fase áurea dos anos 40 quando, ao lado do marido Horácio de Carvalho, do casal Walter Moreira Salles-Helene, Aloisio Salles-Peggy, dominavam os salões da cidade, nos tempos em que Roberto Marinho ainda não tinha chegado ao primeiro time.

O primeiro marido Horácio Carvalho foi pessoa influente no governo Dutra e no governo JK. Dono do Diário Carioca - ao lado de José Eduardo Macedo Soares -, e da Erika - editora de revistas -, acabou repassando a empresa para Samuel Wainer, em um episódio que deu muito pano para manga para Carlos Lacerda.

Mesmo com todo esse histórico, dona Lily nunca teve atuação política. Viúva, casou-se com Roberto Marinho, foi companheira dos últimos anos do patriarca, mas jamais teve ingerência em qualquer negócio das Organizações Globo. Nem é mãe de seus filhos.

Assim, o simbolismo desse jantar reside em derrubar preconceitos da velha elite carioca contra a candidata do PT.

Não é pouco.

Sob Kamel e Merval, as Organizações Globo martelam há anos a tecla do preconceito. É algo que se espraia sobre toda a programação, dos jornais de TV aberta à CBN, de programas de entrevista na Globonews até programas voltados para adolescentes.

É massacrante.

Como mulher que freqüentou os mais importantes salões do mundo, que acompanhou os jogos de poder desde que chegou da França para deslumbrar a sociedade carioca, que foi a companheira dedicada do mais influente homem de mídia do país, depois de Assis Chateaubriand, dona Lily mostra que a tática de preconceitos pega apenas súditos desinformados. Mais que isso, manifesta apoio à candidata amaldiçoada pela Globo, a admiração de quem conhece os meandros do poder, sabe do poder da Globo, e reconhece a solidez do alvo.

A partir de agora, na sociedade carioca, a candidatura de Dilma passa a ser "in".

sexta-feira, 9 de julho de 2010

MEIO AMBIENTE - Transição do velho para o novo paradígma.



Como operar a transição do velho para o novo paradigma
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Leonardo Boff *

Adital -
Damos por já realizada a demolição crítica do sistema de consumo e de produção capitalista com a cultura materialista que o acompanha. Ou o superamos historicamente ou porá em grande risco a espécie humana.

A solução para a crise não pode vir do próprio sistema que a provocou. Como dizia Einstein:"o pensamento que criou o problema não pode ser o mesmo que o solucionará". Somos obrigados a pensar diferente se quisermos ter futuro para nós e para a biosfera. Por mais que se agravem as crises, como na zona do Euro, a voracidade especulativa não arrefece.

O dramático de nossa situação reside no fato de que não possuímos nenhuma alternativa suficientemente vigorosa e elaborada que venha substituir o atual sistema. Nem por isso, devemos desistir do sonho de um outro mundo possível e necessário. A sensação que vivenciamos foi bem expressa pelo pensador italiano Antônio Gramsci: "o velho resiste em morrer e o novo não consegue nascer".

Mas por todas as partes no mundo há uma vasta semeadura de alternativas, de estilos novos de convivência, de formas diferentes de produção e de consumo. Projetam-se sonhos de outro tipo de geosociedade, mobilizando muitos grupos e movimentos, com a esperança de que algo de novo poderá eclodir no bojo do velho sistema em erosão. Esse movimento mundial ganha visibilidade nos Fóruns Sociais Mundiais e recentemente na Cúpula dos Povos pelos direitos da Mãe Terra, realizada em abril de 2010 em Cochabamba na Bolívia.

A história não é linear. Ela se faz por rupturas provocadas pela acumulação de energias, de idéias e de projetos que num dado momento introduzem uma ruptura e então o novo irrompe com vigor a ponto de ganhar a hegemonia sobre todas as outras forças. Instaura-se então outro tempo e começa nova história.

Enquanto isso não ocorrer, temos que ser realistas. Por um lado, devemos buscar alternativas para não ficarmos reféns do velho sistema e, por outro, somos obrigados a estar dentro dele, continuar a produzir, não obstante as contradições, para atender as demandas humanas. Caso contrário, não evitaríamos um colapso coletivo com efeitos dramáticos.

Devemos, portanto, andar sobre as duas pernas: uma no chão do velho sistema e a outra no novo chão, dando ênfase a este último. O grande desafio é como processar a transição entre um sistema consumista que estressa a natureza e sacrifica as pessoas e um sistema de sustentação de toda vida em harmonia com a Mãe Terra, com respeito aos limites de cada ecossistema e com uma distribuição equitativa dos bens naturais e industriais que tivermos produzido. Trocando idéias em Cochabamba com o conhecido sociólogo belga François Houtart, um dos bons observadores das atuais transformações, convergimos nestes pontos para a transição do velho para o novo.

Nossos países do Sul devem em primeiro lugar, lutar, ainda dentro do sistema vigente, por normas ecológicas e regulações que preservem o mais possível os bens e os serviços naturais ou trate sua utilização de forma socialmente responsável.

Em segundo lugar, que os países do grande Sul, especialmente o Brasil, não sejam reduzidos a meros exportadores de matérias primas, mas que incorporem tecnologias que dêem valor agregado a seus produtos, criem inovações tecnologias e orientem a economia para o mercado interno.

Em terceiro lugar, que exijam dos países importadores que poluam o menos possível e que contribuam financeiramente para a preservação e regeneração ecológica dos bens naturais que importam.

Em quarto lugar, que cobrem uma legislação ambiental internacional mais rigorosa para aqueles que menos respeitam os preceitos de uma produção ecologicamente sustentável, socialmente justa, aqueles que relaxam na adaptação e na mitigação dos efeitos do aquecimento global e que introduzem medidas protecionistas em suas economias.

O mais importante de tudo, no entanto, é formar uma coalizão de forças a partir de governos, instituições, igrejas, centros de pesquisa e pensamento, movimentos sociais, ONGs e todo tipo de pessoas ao redor de valores e princípios coletivamente partilhados, bem expressos na Carta da Terra, na Declaração dos Direitos da Mãe Terra ou na Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade (texto básico do incipiente projeto da reinvenção da ONU) e no Bem Viver das culturas originárias das Américas.

Destes valores e princípios se espera a criação de instituições globais e, quem sabe, se organize a governança planetária que tenha como propósito preservar a integridade e vitalidade da Mãe Terra, garantir as condições do sistema-vida, erradicar a fome, as doenças letais e forjar as condições para uma paz duradoura entre os povos e com a Mãe Terra.


* Teólogo, filósofo e escritor

MÍDIA - Entrevista de Emir Sader à DW em Berlim.

Do blog Brasil, mostra a tua cara!

"Brasil pode estar decidindo este ano o seu futuro na primeira metade do século", comenta sociólogo Emir Sader

Teórico de orientação marxista, o sociólogo Emir Sader não esconde sua predileção pela candidata Dilma Rousseff. Em entrevista à DW em Berlim, onde participou de debate, ele analisa a campanha eleitoral e o governo Lula.

Como diretor do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e secretário-executivo da ONG Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais), sediado em Buenos Aires, o sociólogo Emir Sader esteve em Berlim a convite da Fundação Friedrich Ebert, participando de uma mesa-redonda sobre as eleições presidenciais no Brasil. Em entrevista à Deutsche Welle, Sader fez uma análise da campanha eleitoral e do governo Lula.

Deutsche Welle: Quais as mudanças mais marcantes do governo Lula em relação ao seu antecessor?

Emir Sader: Uma das duas mais importantes mudanças em relação ao governo anterior é o lugar do Brasil no mundo. Em vez de ser um aliado subordinado aos EUA, o Brasil é um aliado dos países do sul e da América Latina em particular. Em segundo lugar, está a mudança social do Brasil. Pela primeira vez na história do país, diminuiu a desigualdade, como consequência das políticas sociais do governo, que são prioritárias. O modelo econômico é estreitamente ligado à distribuição de renda.

Quais são, na sua opinião, os defeitos e as qualidades do governo Lula?

As boas coisas são justamente as mudanças em relação ao governo Cardoso, enquanto as coisas que manteve são ruins, tais como a hegemonia do capital financeiro, a autonomia de fato do Banco Central, taxas de juros muito altas. Também o modelo de agronegócios ligado à soja, exportação, transgênicos, falta de democracia nos meios de comunicação. Monopólio da terra, monopólio do dinheiro, monopólio da palavra – são esses os três temas que são ainda pendentes.

Não se pode dizer que é um "luxo" ter três candidatos identificados com a esquerda disputando a eleição?

O fato de o Brasil ter um consenso a favor da prioridade das políticas sociais, por exemplo, torna difícil o retorno de um governo que volte a ser economicista, neoliberal, mercantil, a favor do mercado, com Estado mínimo. Isto também é uma consequência indireta do sucesso do governo Lula.

Quais são, na sua opinião, os temas mais importantes a serem abordados na campanha eleitoral, que começou oficialmente nesta semana, e que os problemas o Brasil ainda tem que vencer?

O tema da importância do papel do Estado. A direita acha que o Estado foi importante durante a crise. Passada a crise, ela acha que deve haver mais mercado e menos Estado. Também o tema do fortalecimento ou não das políticas de desenvolvimento, o peso das políticas sociais. E também temas que são difíceis de resolver, como o narcotráfico, segurança pública, que são temas para os quais não foram encontradas alternativas de superação, além de outros, como a violência e o consumo de drogas entre a juventude.

Em que ponto Dilma será igual e em que ponto será diferente de Lula, caso ganhe as eleições?

Ela mesma disse que duas coisas seriam prioridade. Primeiro, a infraestrutura brasileira. O governo Lula melhorou a atividade econômica e a política social, mas tudo que é investimento estrutural no país ainda está faltando. Em segundo lugar, além da política de distribuição de renda, há a política habitacional, de saneamento, transporte e educação. Quer dizer, coisas qualitativas, não apenas de distribuição de renda.

Como o senhor vê a atual relação da Alemanha com o Brasil?

Infelizmente, houve um grande distanciamento do Brasil em relação à Europa e vice-versa. O que foi positivo, porque aumentou a importância da China, da Índia. Isso acabou sendo bom pra nós, porque pagamos um preço menos duro pela crise, já que a demanda de quem mais está em crise, a Europa e os EUA, diminuiu.

Deveríamos retomar uma relação de intercâmbio maior. Mas é preciso que a Europa mude também. A América Latina e o Brasil estão mudando, e a Europa está com uma política ainda antiga. Um pacote recessivo como esse que o governo alemão coloca – também o grego, o espanhol e o francês – é para nós passado. Não deu certo. Não se supera crise com recessão, mas sim com distribuição de renda e criação de empregos. Se é possível aprender alguma coisa com a experiência brasileira e latino-americana, é isso.

O senhor vê com otimismo a era pós-Lula?

Ganhando a Dilma, o que é provável que aconteça, acho que sim. A derrota que vai se impor à direita vai abrir espaço para um crescimento muito forte do movimento popular. Ou seja, o Brasil pode estar decidindo este ano o seu futuro na primeira metade do século. Porque pode estar projetando uma sociedade solidária, justa, o que não teve até agora.

Como o senhor vê as críticas da oposição à candidatura Dilma devido ao suposto uso da máquina pública?

É uma bobagem. A propaganda do governo FHC se fazia em plena campanha eleitoral. Ele foi candidato, depois teve seu candidato. Isso antes já acontecia abertamente. Trata-se de um pequeno contraponto em relação ao brutal monopólio da mídia no Brasil. Todos os grupos econômicos da mídia no Brasil apoiam o Serra. Ele detém o monopólio privado.

O Lula não faz discurso para o povo brasileiro, pois o povo brasileiro não ouve diretamente o Lula. A imprensa é que escolhe o que ela quer e transmite então ao povo. O presidente mais popular do Brasil não consegue falar para o povo. A intermediação é feita pela imprensa privada. Esse é que é o grande problema, a falta de democracia, não o uso do aparelho público.

Entrevista: Márcio Damasceno - Revisão: Carlos Albuquerque

FUTEBOL - Logotipo da Copa de 2014.

Do blog Tijolaço.

JB tropeça na desonestidade jornalística

A notícia correta do Terra (em detalhe), foi desonestamente tratada no título do JB

Raramente tenho feito alguma crítica ao tratamento que o Jornal do Brasil dá às suas matérias políticas. O diário carioca tem tido uma linha interessante, com algumas colunas de leitura obrigatória, como a de Mauro Santayana, que já citei mais de uma vez aqui no Tijolaco.com.

Mas hoje alguém no JB deu uma escorregada feia e maldosa numa matéria que nem era sua. Ao publicar notícia do Terra em sua edição online sobre o lançamento do logotipo da Copa de 2014, que aconteceu hoje na África do Sul, o jornal alterou o título do portal (Brasil apresenta oficialmente logotipo da Copa 2014) para “Logotipo da Copa de 2014 tem letras pintadas em vermelho, cor do PT”.

Será que o Jornal do Brasil acha que o logotipo da Copa foi feito por algum marqueteiro do PT? No mínimo estaria mal informado, já que toda a mídia, e até nós aqui no Tijolaço, publicou que o desenho foi feito num escritório de design europeu. Pior ainda, quem fez o título nem leu a matéria direito, já que lá está escrito que foi escolhido por uma comissão de notáveis, formada pelo presidente da CBF, pelo secretário-executivo da Fifa, o arquiteto Oscar Niemeyer, o escritor Paulo Coelho, a cantora Ivete Sangalo, a modelo Gisele Bundchen e o desiger Hans Donner. Será que o autor do título ou quem o mandou fazê-lo acha que todo mundo aí é petista?

O título do JB, que não encontra nenhuma menção na matéria, é oportunista ao usar um evento qualquer e tentar lhe dar um caráter político que não tem. O novo JB, que todos torcemos para que não deixe morrer a força do tradicional título de nossa imprensa, quer se firmar e tem de deixar claro que este tipo de oportunismo, ali, não tem lugar nas páginas