quarta-feira, 28 de março de 2012

POLITICA - "Cachoeira e Demóstenes armaram o mensalão"

Blog 247
Quem diz é o ex-prefeito de Anápolis (GO) Ernani de Paula, que conviveu com os dois; ele foi amigo do contraventor e sua mulher Sandra elegeu-se suplente do senador do DEM em 2002; “Cachoeira filmou, Policarpo publicou e Demóstenes repercutiu”, disse ele ao 247


Marco Damiani _247 – O Mensalão, maior escândalo político dos últimos anos, que pode ser julgado ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal, acaba de receber novas luzes. Elas partem do empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, cidade natal do contraventor Carlinhos Cachoeira e base eleitoral do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

“Estou convicto que Cachoeira e Demóstenes fabricaram a primeira denúncia do mensalão”, disse o ex-prefeito em entrevista ao 247. Para quem não se lembra, trata-se da fita em que um funcionário dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 5 mil dentro da estatal. A fita foi gravada pelo araponga Jairo Martins e divulgada numa reportagem assinada pelo jornalista Policarpo Júnior. Hoje, sabe-se que Jairo, além de fonte habitual da revista Veja, era remunerado por Cachoeira – ambos estão presos pela Operação Monte Carlo. “O Policarpo vivia lá na Vitapan”, disse Ernani de Paula ao 247.

O ingrediente novo na história é a trama que unia três personagens: Cachoeira, Demóstenes e o próprio Ernani. No início do governo Lula, em 2003, o senador Demóstenes era cotado para se tornar Secretário Nacional de Segurança Pública. Teria apenas que mudar de partido, ingressando no PMDB. “Eu era o maior interessado, porque minha ex-mulher se tornaria senadora da República”, diz Ernani de Paula. Cachoeira também era um entusiasta da ideia, porque pretendia nacionalizar o jogo no País – atividade que já explorava livremente em Goiás.

Segundo o ex-prefeito, houve um veto à indicação de Demóstenes. “Acho que partiu do Zé Dirceu”, diz o ex-prefeito. A partir daí, segundo ele, o senador goiano e seu amigo Carlos Cachoeira começaram a articular o troco.

O primeiro disparo foi a fita que derrubou Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu, da Casa Civil. A fita também foi gravada por Cachoeira. O segundo, muito mais forte, foi a fita dos Correios, na reportagem de Policarpo Júnior, que desencadeou todo o enredo do Mensalão, em 2005.

Agora, sete anos depois, na operação Monte Carlo, o jornalista de Veja aparece gravado em 200 conversas com o bicheiro Cachoeira, nas quais, supostamente, anteciparia matérias publicadas na revista de maior circulação do País.

Até o presente momento, Veja não se pronunciou sobre as relações de seu redator-chefe com o bicheiro. E, agora, as informações prestadas ao 247 pelo ex-prefeito Ernani de Paula contribuem para completar o quadro a respeito da proximidade entre um bicheiro, um senador e a maior revista do País. Demonstram que o pano de fundo para essa relação frequente era o interesse de Cachoeira e Demóstenes em colocar um governo contra a parede. Veja foi usada ou fez parte da trama?

POLÍTICA - Veja, Demóstenes e o caso Francisco Escórcio.

No momento em que o senador Demóstenes Torres pede aos seus pares - e a Renan Calheiros - para não ser julgado politicamente, um dos capítulos de sua parceria com a Veja - o caso Francisco Escórcio - revela bem os métodos utilizados, posteriormente, no caso do grampo sem áudio. A encenação de Demóstenes na sessão do Senado, tratando como escândalo uma mentira, denota o mesmo modus operandi do caso do grampo sem áudio. Na ponta midiática, impreterivelmente, a Veja. O artigo é de Luis Nassif.

Luis Nassif - Blog do Nassif

(*) Publicado originalmente no Blog do Nassif.

No momento em que o senador Demóstenes Torres pede aos seus pares - e a Renan Calheiros - para não ser julgado politicamente, um dos capítulos de sua parceria com a revista Veja - o caso Francisco Escórcio - revela bem os métodos utilizados, posteriormente, no caso do grampo sem áudio.

Coube a Demóstenes, em combinação com a revista, deflagrar a manipulação, ao dizer que tinha sido informado - por telefonema de Pedrinho Abrão - sobre as intenções de Escórcio. Nas investigações posteriores, Abrão negou peremptoriamente e informou que a razão do telefonema foi outra.

Capítulo 1: cria-se a história de que assessor de Renan teria ido a Goiania espionar Demóstenes.

No auge das denúncias contra o então presidente do Senado Renan Calheiros, Veja (edição 2029, 10 de outubro de 2007) publica que Francisco Escórcio, assessor de Renan, foi a Goiânia montar um esquema de espionagem contra os senadores Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB).

A testemunha chave seria o empresário e ex-deputado Pedrinho Abrão, a quem Escórcio teria pedido para filmar embarques dos dois senadores no hangar da empresa de Abrão. O pedido teria sido feito na presença de dois advogados, Heli Dourado e Wilson Azevedo.

Só no último parágrafo da matéria se descobre que nem os advogados nem o empresário confirmam a denúncia: " Pedro Abrão, por sua vez, confirma que os senadores usam seu hangar, que conhece os personagens citados, mas que não participou de nenhuma reunião", diz a revista.

A matéria "O jogo sujo de Renan Calheiros" é assinada, no alto, pelo chefe da sucursal, Policarpo Junior, e no pé, pelo repórter Alexandre Oltramari, que viria a ser assessor de Perilo na eleição de 2010. O avalista principal é Demóstenes Torres.

Capítulo 2: Folha compra a história e repercute, apesar dos desmentidos das testemunhas

Naquele mesmo fim de semana, a Folha de S. Paulo compra a história da revista e ouve um dos advogados citados: Heli Dourado conta que recebeu Escórcio para tratar de processos políticos do Maranhão (foi ele quem redigiu a representação, acolhida um ano depois pelo TSE, que levou à cassação do governador Jackson Lago, adversário de José Sarney, que é o padrinho político de Escórcio).

Dourado diz também que foi Pedrinho Abrão, e não Escórcio, quem falou em filmar Perilo: "E aí o Pedrinho Abrão disse que o senador Marconi Perillo sempre saía do hangar dele e que, se [Escórcio] quisesse, podiam fotografar, filmar ele [Perillo] entrando e saindo", contou Dourado.

A matéria da Folha não informa se a sugestão teria sido aceita, mas afirma no título: "Assessor de Renan tratou de espionagem, diz advogado"

Capítulo 3: repórter cede gravação para Demóstenes transmitir no som do Senado

O trecho da gravação da entrevista da Folha, cedido a Demóstenes pelo repórter Leonardo Souza, é reproduzido no sistema de som do Senado, numa das sessões mais vergonhosas da história da casa (aqui o relato da Agência Senado) Uma semana depois, o então corregedor da Câmara, Romeu Tuma, decide ir a Goiânia para ouvir a testemunha-chave, PedrinhoAbrão:.

Capítulo 4: testemunha nega formalmente o episódio, mas desmentido não é publicado.

Ouvido formalmente, Abrão nega tudo. "Não tratamos de fotos e filmagens" disse Abrão ao corregedor, "mas o senhor pode ver que tenho 18 câmeras aqui, todas elas instaladas como medida de segurança". " Ele me disse também que não ligou para Demóstenes com o intuito de avisá-lo do plano de espionagem, mas para falar de obras no aeroporto de Goiânia, uma vez que Demóstenes é o relator da CPI do Apagão Aéreo" - disse Tuma.O registro está apenas na Agência Senado (replicado aqui no site Direito 2) Nem a Veja nem a Folha deram uma linha registrando a negativa de mais um escândalo em off)

A encenação de Demóstenes na sessão do Senado, tratando como escândalo uma mentira, denota o mesmo modus operandi do caso do grampo sem áudio. Na ponta midiática, impreterivelmente, a revista Veja.
Fonte: Agência Carta Maior.

POLÍTICA - Quem te viu, quem te vê..

Quem te viu, quem te vê? DEM já estuda possibilidade de expulsar Demóstenes.

Reportagem de Leandro Colon, Gabriela Guerreiro e Simone Iglesias, da Folha, revela que o futuro do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) depende da abertura de ação da Procuradoria-Geral da República em relação ao envolvimento dele com o empresário de jogos Carlos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, no mês passado.

Se o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedir abertura de inquérito para investigar o senador, a cúpula do DEM analisará o que fazer –entre as hipóteses está até a saída dele da sigla.

Segunda-feira, o partido cobrou definição de Roberto Gurgel. A Operação Monte Carlo desmontou uma quadrilha que explorava máquinas caça-níqueis. Demóstenes aparece em 300 conversas telefônicas com Cachoeira, cuja prisão foi mantida ontem pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

“Esta semana tem de ter definições. Impõem-se essa necessidade. A Procuradoria-Geral da República, neste momento, é a instituição chave para o esclarecimento dos fatos. É a figura mais importante. Ela tem as informações que precisam ser colocadas a público”, disse o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), admitindo que a abertura de inquérito complica a situação de Demóstenes, mas acha cedo para falar em expulsão.

Reservadamente, outros integrantes do partido já cogitam expulsar Demóstenes caso Gurgel decida pedir abertura de inquérito, o que também pode acelerar um eventual processo contra o senador no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar.

Ontem, os senadores Pedro Taques (PDT-MT), Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Jorge Viana (PT-AC), que antes defendiam Demóstenes, pediram que ele faça um novo pronunciamento sobre sua versão dos fatos. Os três mudaram o tom após o surgimento de novas denúncias contra o senador – incluindo a de que ele teria pedido dinheiro a Cachoeira.
Fonte: Tribuna da Internet.

terça-feira, 27 de março de 2012

MEIO AMBIENTE - "A maior batalha do governo Dilma"

A questão do Código Florestal se tornou, até o momento, a maior batalha do governo Dilma. Merece ter seu tom elevado e que se dê uma resposta à altura. Principalmente depois da chantagem do atraso na votação da Lei Geral da Copa, que associou ruralistas, a oposição, a bancada homofóbica e os fisiológicos em crise de abstinência.

Antonio Lassance

A derrota do governo, em 2011, na votação da proposta de novo Código Florestal, e o atraso com a Lei Geral da Copa , depois que deputados tiraram o time de campo e negaram quórum à decisão (no último dia 21), foram as duas maiores derrotas congressuais da presidência Dilma, até o momento.

Tanto a velha mídia quanto a oposição conferiram ao episódio um clima de salve-se quem puder. O senador Fernando Collor (PTB-AL) também deu uma ajuda ao catastrofismo ao dizer que, por experiência própria, não se pode brigar com o Congresso, pois os resultados são trágicos.

Em 2011, a presidência Dilma teve uma agenda comedida. Menos medidas provisórias e poucas matérias polêmicas, comparativamente às presidências anteriores. Do que era mais polêmico, aprovou tudo o que propôs: a Comissão da Verdade, o fim do sigilo eterno de documentos, a DRU, o regime diferenciado de contratação (para a Copa das Confederações e o mundial de 2014).

Pode não parecer, mas grande parte da agenda congressual caminha sem ser necessariamente orientada pela clivagem governo-oposição. Em 2011, mais de 70% do que foi aprovado na Câmara e quase 80% do aprovado no Senado sequer precisou ir a plenário. Tramitou em comissões, obteve consenso entre os partidos e foi aprovado em decisões terminativas, ou seja, sem a necessidade do voto de cada parlamentar.

O governo ainda se prontificou, em alguns casos, de abrir mão de suas propostas para aprovar iniciativas nascidas no próprio Congresso, algumas delas de parlamentares da oposição, negociando-se pontualmente a inclusão das prioridades do Executivo. Isso foi essencial para a aprovação da política nacional de resíduos sólidos e a de mobilidade urbana, que significam mudanças institucionais importantes para o País.

Qualquer balanço do ano que passou desfiará um rosário de temas bastante complexos. As principais batalhas foram travadas em temas como a distribuição dos royalties do pré-sal, a regulamentação da Emenda 29, o Plano Nacional de Educação (ainda emperrado), a chamada “guerra dos portos” (uma nova modalidade de guerra fiscal entre os Estados), a divisão (frustrada) do Pará, as obras da Copa e, claro, o pomo da discórdia, o Código Florestal.

O que todas essas questões têm em comum? Todas são batalhas federativas. Mesmo a Copa. Ser sede dos jogos implica em obras de melhoria urbana, reforma de aeroportos, atração de investimentos imobiliários e turísticos. Nos outros assuntos, é muito mais que isso. União, Estados e Municípios têm interesses distintos, e as unidades da federação muitas vezes disputam posições no ranking final dessas decisões. Haverá ganhadores e perdedores.

O federalismo brasileiro está em pleno processo de redefinição de seu pacto. Os partidos e os governos, em cada Estado, representam coalizões com estratégias diferentes de desenvolvimento e apropriação de recursos naturais, públicos e privados, decorrentes de processos que se associam de modo desigual e combinado à lógica de acumulação de capital.

O novo Código Florestal é questão estratégica para o agronegócio que vê, na legislação ambiental atual, uma barreira à expansão da fronteira de exploração de recursos naturais.

Na visão míope do articulismo de plantão da velha mídia, algumas dessas batalhas são perdidas por “tropeços” do governo. Os problemas de fundo são vendidos como problemas de articulação política ou do estilo pessoal da presidenta. É uma boa maneira de simplificar interesses políticos, econômicos e ideológicos maiores e descontextualizá-los de sua dimensão política mais ampla.

Há sinais importantes, bem apontados por Maria Ines Nassif, em artigo na Carta Maior, de que o atual governo não pretende ser um simples condomínio de partidos aliados a ocupar suas vagas e a fazer da presidência o síndico do prédio.

Mas também há sinais de um risco preocupante: o do burocratismo. É a ideia de que governar é gerenciar. De que o objetivo principal para o qual foi eleito é alcançar a máxima eficiência (em quê? Pra quê? Pra quem?). De que a articulação política com o Congresso, assim como a negociação com governadores e prefeitos, é um problema exclusivo da Secretaria de Relações Institucionais. De que a relação com os movimentos sociais é um assunto específico da Secretaria Geral. De que a coordenação de governo é uma rotina da Casa Civil. De que a interlocução com o PMDB é um assunto do vice-presidente. De que a comunicação é um assunto da Secretaria de Comunicação Social. De que a boa gestão de políticas públicas se faz com as ferramentas do "Balanced Scorecard".

A origem grega da palavra governar, associada a navegar, deixa clara algumas obrigações dos que empunham o leme. Apontar o rumo, conduzir a um destino, desafiar águas turbulentas, saber tirar proveito de marés e ventos favoráveis, quando não, remar contra a maré, confrontando o “status quo”.

A questão do Código Florestal é uma dessas em que é preciso remar contra a maré. O governo esticou a negociação até onde pôde, abriu mão de pontos importantes, indispôs-se com os movimentos sociais. Derrotado, é hora de fazer o movimento de pêndulo, retornar à sua posição original e confrontar, na batalha perante a opinião pública nacional e internacional, aqueles que fazem de tudo para derrotá-lo novamente. A chantagem do atraso na votação da Lei Geral da Copa associou ruralistas que se negam até a recuperar a vegetação nativa às margens de rios, a oposição, a bancada homofóbica e os fisiológicos em crise de abstinência. O novo Código se tornou, até o momento, a maior batalha do governo Dilma. Merece ter seu tom elevado e que se dê uma resposta à altura, não confinada aos limites do Congresso.


Antonio Lassance é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Instituto.

Agência Carta Maior.

ANOS DE CHUMBO - "Aqui em frente mora um torturador"

O Levante Popular da Juventude realizou manifestações em várias capitais brasileiras na frente de residências e locais de trabalho de ex-militares e policiais acusados da prática de tortura durante a ditadura. Em São Paulo, protesto ocorreu em frente à empresa do delegado aposentado David dos Santos de Araújo, acusado pelo Ministério Público Federal de participar de torturas e assassinatos.

Fábio Nassif

São Paulo - Às vésperas da data que marca os 48 anos do golpe militar no Brasil, um grupo de jovens iniciou nesta segunda-feira (26) uma série de ações que buscam dar visibilidade à impunidade de torturadores e acusados de outros crimes durante a ditadura ainda vivos. O Levante Popular da Juventude realizou "escrachos" em algumas capitais do país, como forma de denunciar os acusados desses crimes na frente de suas casas ou empresas.

O pano de fundo das manifestações é o início dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, que ainda não foi instaurada pela presidenta Dilma Roussef (PT). Além de recentes pronunciamentos do Clube Militar contrários à comissão, os militares ensaiam realizar diversas “comemorações”, o que acirra mais o embate.

Na capital paulista, cerca de 150 jovens, que apoiam a Comissão e pedem julgamento dos torturadores, se concentraram na frente da empresa de segurança Dacala, na avenida Vereador José Diniz. O dono é o delegado aposentado David dos Santos de Araújo, acusado pelo Ministério Público Federal de participar de torturas e assassinatos.

O “Capitão Lisboa”, como era conhecido, é acusado de ser um dos torturadores do Doi-Codi. O panfleto distribuído no ato afirma que David também é conhecido pelos estupros de filhos de pessoas que assassinou durante a ditadura civil-militar. E estampa as logomarcas da Anhanguera Educacional, Banco Safra, Banco Itaú, Jac Motors e Ford, empresas que são clientes de sua empresa de segurança.

Os 70 jovens participantes do ato em Porto Alegre foram à frente da residência do coronel Carlos Alberto Ponzi, na rua Casemiro de Abreu, 619. O ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) em Porto Alegre é acusado pela justiça italiana pelo desaparecimento do militante Lorenzo Ismael Viñas, capturado ao tentar atravessar a ponte que liga Uruguaiana à Paso de Los Libres (Argentina), em 26 de junho de 1980, durante a Operação Condor. O crime foi cometido depois da assinatura da Lei de Anistia, feita em 1979.

Em Belo Horizonte o grupo denunciou Ariovaldo da Hora e Silva, em sua residência na rua Biagio Polizzi, 240. Ele é acusado de torturar Afonso Celso Lana Leite, Cecílio Emigdio Saturnino, Jaime de Almeida, Nilo Sérgio Menezes Macedo e outros, quando era investigador da Polícia Federal. Segundo o livro Brasil Nunca Mais, Ariovaldo também é responsável pela morte de João Lucas Alves.

Adriano Bessa, acusado de ser um delator e prestador de serviços durante o período militar, foi o alvo dos 80 manifestantes em Belém do Pará. O Levante Popular da Juventude também realizou escrachos na Bahia e no Ceará.

“Comemorações”

Os militares, aposentados ou não, realizarão uma série de atividades que remetem ao golpe de estado. O Círculo Militar de Campinas realizará um lançamento do livro “Médici – a verdadeira história”, com a presença do filho do ex-presidente ditador Emílio Garrastazu Médici. A atividade é organizada em parceria com o Grupo Inconfidentes, uma organização saudosista de militares.

Em São Paulo, o Círculo Militar organizará uma festa no dia 31, chamada “Viagem no túnel do tempo”. O Clube Militar do Rio de Janeiro organiza o evento “1964 – A Verdade”, no dia 29.

Organizações de esquerda pretendem organizar ações de contraponto a essas. Uma delas é o bem humorado Cordão da Mentira, que se concentrará no dia 1° de abril, às 11h30, no Cemitério da Consolação. “Povoemos os porões do imaginário, com tudo aquilo que a ditadura encarcerou na sua cultura! Levemos pra lá o samba dos cordões, as imagens censuradas, as bocas amordaçadas. Fantasiemos as ruas com seus símbolos de opressão! Enganemos a todos com as farsas de nossa história!”, diz o manifesto que convoca o batuque.


Fonte: Agência Carta Maior

POLÍTICA - Prévias do PSDB.

Churrasco e condução para conseguir os 3 mil votos de Serra nas prévias


Está feia a coisa para o lado de José Serra (PSDB/SP). A máquina do PSDB precisou recorrer às velhas práticas de oferecer churrasco e trazer filiados "trabalhados para votar em Serra" de casa para votar, fornecendo a condução.

Deu na Agência Estado:

No Jardim Helena, Edilberto Leite, conhecido como Robertão, coordenava as idas e vindas de seis carros para transportar 58 pessoas - todas "trabalhadas" para apoiar Serra. "São pessoas que eu filiei. Com essas eu conversei uma por uma." ...

Chamariz. Na Vila Jacuí, o militante tucano Ademir Cleto de Oliveira, simpatizante de Aníbal e fiscal da votação, lamentava o que via na calçada da frente. "As pessoas estão vindo para comer churrasco. Votar é secundário." O presidente do diretório zonal, conhecido como Wellington Negão, negou relação com o churrasco, apesar de o evento ocorrer no mesmo imóvel onde fica sua residência. "Aí é a sede do time da região", afirmou.
Em outro trecho:

... um Escort estacionava em frente ao local de votação, trazendo filiados orientados a votar em José Serra. A militante que se identificou como Gislaine disse ter recebido a lista de quem que deveria transportar.

... Perto dali, a dirigente de uma associação comunitária, que não quis se identificar, esperava pela chegada de 35 potenciais eleitores de Serra.

Sem essa "estrutura", José Serra correria o risco de perder as prévias, pois 48% dos tucanos votaram foram contra ele.
Fonte: Os Amigos do Presidente Lula.

segunda-feira, 26 de março de 2012

POLÍTICA - Serra corre o risco de perder para ele mesmo.

Ao vencer prévias, Serra sofre sua maior derrota.

Foi por muito pouco. No final da tarde deste domingo, ao ser anunciado o resultado oficial das prévias do PSDB para escolher seu candidato a prefeito de São Paulo, o ex-quase tudo José Serra ganhou a indicação do partido. Ganhou, mas, ao mesmo tempo, sofreu a maior derrota política da sua longa carreira de quase meio século.

Serra recebeu 52% dos votos dos militantes tucanos _ ou seja, quase metade do PSDB votou contra a sua candidatura a prefeito. A rejeição ao seu nome no próprio partido foi bem maior do que aquela apontada no eleitorado em geral: 30% de paulistanos não votariam em Serra segundo a última pesquisa divulgada pelo Datafolha.

Os surpreendentes 31% dos votos conquistados por José Anibal e outros 16% por Ricardo Tripoli mostraram que o PSDB entra rachado nesta disputa, apesar do apoio dado a Serra por todos os grandes caciques tucanos, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo governador Geraldo Alckmin.

Todos foram vencedores e saíram derrotados das prévias do partido pelos militantes anônimos que contestaram a liderança dos velhos donos da sigla.

Dos 20,5 mil filiados aptos a votar, apenas 6,2 mil compareceram, o que mostra o desânimo nos arraiais do maior partido da oposição no plano federal e o mal estar provocado pela demora de Serra em se inscrever nas prévias, depois do prazo estabelecido pelo diretório municipal.

O ex-ministro, ex-prefeito, ex-governador e duas vezes candidato derrotado à presidência da República só aceitou entrar na disputa depois que o seu principal aliado, o prefeito Gilberto Kassab, do PSD, ameaçou fechar aliança com o PT de Lula.

Sem candidatos viáveis, ao ver ameaçada a hegemonia do PSDB em São Paulo, e a sua reeleição para governador em 2014, o governador Geraldo Alckmin acabou fazendo um apelo a Serra, seu detestável aliado, para ser pela quarta vez candidato a prefeito.

Agora, quem deve estar rindo à toa é o maior adversário de Serra dentro do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves, que já teve seu nome lançado como candidato à presidência em 2014 por Fernando Henrique Cardoso.

Ao mesmo tempo, o susto que o ex-governador levou para ganhar as prévias por placar tão apertado (ele esperava conquistar pelo menos 80% dos votos) reanimou as candidatura dos seus principais adversários, a começar por Fernando Haddad, do PT, que também enfrenta rejeição dentro do seu próprio partido, à espera da entrada de Lula na campanha.

As prévias do PSDB, que poderiam representar a grande alavanca para a campanha de José Serra, unindo o partido, acabaram tendo o efeito oposto, deixando em aberto qualquer previsão sobre a disputa paulistana.

Mais uma vez, embora entre na campanha como favorito, Serra corre o risco de perder para ele mesmo.
Fonte: Blog do Ricardo Kotscho.

POLÍTICA - Serra e a esfinge das prévias tucanas.

O ex-governador José Serra obteve uma vitória raquítica nas prévias deste domingo do PSDB que definiu o candidato a prefeito do partido em São Paulo. Ele sai um candidato mais fraco desse processo. E o PSDB também, ao contrário do que seus líderes têm anunciado.
Dos 20 mil filiados aptos a votar numa cidade de 11 milhões de habitantes, apenas 6.229 saíram de suas casas para cumprir o ritual partidário, mesmo com o prometido churrasco para quem fizesse a lição de casa. Desses, pouco mais de 3 mil votaram em Serra, que fez 52,1% dos votos, contra 47,9% de José Aníbal (31,2%) e Ricardo Trípoli (16,7%).

Alckmin apóia Serra?

Serra e seus aliados devem ter perdido a noite analisando o mapa das prévias do partido. O ex-governador certamente vai querer saber o quanto Geraldo Alckmin o apoiou. E isso é fácil de identificar. Basta verificar em que áreas da cidade ele obteve mais ou menos votos, quais eram as lideranças desses lugares e com quem elas são comprometidas no espectro partidário.
O recado das prévias pode ser um indicativo do quanto o atual governador vai fazer força para eleger seu principal adversário interno no estado.
Alckmin vai apoiar Serra de verdade ou vai fazer de tudo para que seu ex-pupilo, Gabriel Chalita, agora no PMDB, dê o troco pelo que passou em 2008, quando foi derrotado por Kassab e nem foi ao segundo turno?

Essa pergunta ainda não foi respondida. Ao lançar Serra, Alckmin preferiu entregar os anéis aos dedos. Mas não fechou questão na candidatura do governador. Como tem as cartas do baralho. Ele é quem vai mandar no jogo a partir de agora.

Kassab ficou menor

Quando Kassab trucou e ameaçou apoiar Haddad (PT), o governador percebeu que teria pouca margem de manobra e pouco tempo para construir uma candidatura alternativa. Temeu pela vitória do petista no primeiro turno, o que colocaria sua reeleição na marca do pênalti e viu que Serra era a única opção para não tomar um novo olé do atual prefeito.
Deu um passo atrás, olhou para frente e vislumbrou que um “suposto recuo” poderia levá-lo a encurralar Kassab. A tática até o momento parece ter dado certo.
Kassab não tem como pular do barco de Serra, mas ao mesmo tempo não está com a popularidade alta o suficiente para empinar sua candidatura.
Serra também tem uma rejeição pesada e vai ter que ficar explicando se terminará o mandato em todos os debates e entrevistas coletivas.
A história do papelzinho de Dimenstein vai ser uma enorme dor de cabeça para o tucano que já foi inclusive internado por conta de outro papelzinho.
O grande eleitor do campo de Serra neste momento é Alckmin. Essa é a esfinge da candidatura Serra. Que pode devorá-la.

Alianças, o primeiro teste

Quem conhece o jogo político sabe que as primeiras pedras de uma eleição se movimentam na construção das alianças partidárias. Em cidades com programa eleitoral nos meios eletrônicos, significam tempo maior para apresentar o candidato e seus programas.
E significam principalmente mais vinhetas durante a programação normal. O que atualmente rende mais dividendos aos candidatos do que o programa eleitoral em si.
Em cidades sem TV e Rádio, mais partidos significam mais candidatos a vereador. E mais gente na rua para a campanha.
Caso Alckmin esteja de fato de corpo e alma na candidatura Serra, vai jogar pesado para compor com o maior número de partidos para desidratar outras candidaturas. Em especial a de Gabriel Chalita (PMDB), que poderia ser um risco ao governador.
A partir de agora é que será possível saber se isso vai acontecer.
Mas de qualquer forma, com a votação raquítica que teve nas prévias de ontem, o apoio a Serra ficou mais caro. Líderes de outros partidos vão tentar entender o porquê desse resultado pífio. Principalmente se isso significa um recado de Alckmin.

A força de Lula e Dilma

Esses mesmos partidos sabem que Lula apostará seu prestígio eleitoral em São Paulo para eleger Haddad. Também sabem que Dilma também vai trabalhar para eleger seu ex-ministro da Educação. Arriscando-se menos, ela também vai fazer o que estiver ao seu alcance
Claro que os problemas com a base aliada terão importância na construção do arco de alianças petistas tanto em São Paulo como em outras cidades, mas não é só isso que conta.
As seccionais locais olham para a realidade local sempre em primeiro lugar.
Até ontem havia uma sensação de que a candidatura de Serra seria forte porque teria o apoio de Kassab e de Alckmin. Hoje muita gente já não tem tanta certeza disso em relação ao segundo.
Agregue-se a isso o fato de Eduardo Campos ter anunciado que o PSB não apoiará Serra, o que também pode influenciar outras legendas.

Por que Chalita é melhor para Alckmin

A eleição de Serra para prefeito de São Paulo ficou muito mais difícil para Serra depois das prévias, como já se disse aqui, mas será que Alckmin já não sabia disso?
Se quisesse não poderia passar o trator e acabar com as prévias num partido que nunca as teve? Por que Alckmin fez Serra passar por este constrangimento?
Essas perguntas serão respondidas durante o processo eleitoral. Este blogue, porém, com os elementos de hoje arrisca dizer que Serra é o candidato de Alckmin até a terceira página.
Se sua candidatura decolar e encantar São Paulo, o que parece difícil, Alckmin estará junto. Se tropeçar e Chalita vier a crescer, o governador não terá problema algum em botar mais remadores na canoa do peemedebista.
Com Chalita prefeito, Alckmin poderia se aproximar do PMDB e garantir sua reeleição. Além disso, teria um amigo na prefeitura de São Paulo. Um amigo da família. Não teria alguém disposto a deixar o cargo para disputar outros. E neste caso concorrer com ele.
Com Serra eleito, teria um adversário à frente da capital. Um aliado do seu principal inimigo, Kassad. Teria alguém que o fez ser humilhado em 2008. E que não teria problema algum em fortalecer Kassab para enfrentá-lo se achar que isso é conveniente para o seu projeto político.
Alckmin conhece Serra. E sabe que fortalecê-lo é um risco. Isso não pode ser desprezado.
O simbólico dos minguados 3 mil votos que Serra teve ontem podem ter sido o começo do fim de sua liderança em São Paulo. Se perder a eleição, dificilmente, inclusive por conta da idade, terá condições de dar a volta por cima.
Será o fim da sua trajetória política o que levará Alckmin a reinar sozinho no PSDB de São Paulo.
Será que o governador não sabe disso?
Fonte:Blog do Rovai

POLÍTICA - Dilma deve pedir ao povo nas ruas que pressione o Congresso.

Pedro do Coutto

A presidente Dilma Roussef pediu aos empresários peso-pesados, com quem se encontrou quinta-feira no Planalto, para que pressionem o Congresso Nacional no sentido de que o Legislativo cumpra sua obrigação de votar matérias do interesse nacional e não transformar esse dever em matéria de troco por nomeações importantes na administração.

Reportagem de Gerson Camarotti focalizou o tema, acompanhado por foto de Gustavo Miranda, edição de sexta-feira 23. Nesse mesmo dia, Merval Pereira comentou o assunto com o brilho de sempre. O apelo foi marcante, realçou o drama que ela vive no Palácio do Planalto. Mas foi feito na direção errada. Apelar aos empresários, por ação tácita, é reforçar ainda mais o poder econômico que já está presente, de forma direta e indireta, nas decisões e iniciativas de muitos deputados e senadores.

Ela deveria dirigir-se ao povo nas ruas para que se mobilizasse e, assim, enfrentar a imobilidade parlamentar que está ocorrendo, não por discordância quanto aos projetos em pauta, mas sim em função de interesses contrariados ou então não atendidos.

A recondução de Bernardo Figueiredo à direção geral do Departamento Nacional de Transportes Terrestres foi rejeitada sem mais nem menos. Por causa de controvérsias em torno do Código Florestal, fomentadas pela bancada ruralista, a Lei da Copa de 2014 também não foi votada. Houve obstrução, um tipo de conspiração pelo silêncio.

Paralisados permanecem os projetos da nova lei dos Royalties, que aliás prejudica frontalmente o estado do Rio de Janeiro, e o Fundo Complementar de Aposentadoria dos Servidores Públicos. Assunto este extremamente complexo sobre o qual voam interesses potenciais da rede bancária. Pois os bancos administrariam o Fundo, ou os Fundos, depende do texto final.

Mas as dúvidas agora não importam. Importam, isso sim, as decisões. E estas somente podem ser tomadas se a Câmara e o Senado resolverem trabalhar e não adiar tudo, como de costume. Costume, diga-se de passagem, intoxicante. Como é altamente intoxicante a lentidão da Justiça brasileira.

Às vezes, como ocorreu comigo, um simples despacho de um desembargador federal aguarda 27 meses. Duas linhas de texto, no máximo, 27 meses. Não tem cabimento.Mas este é outro assunto, embora emblemático do entorpecimento que envolve as soluções neste país. Para não esquecer um exemplo definitivo: a construção da Perimetral sobre a Avenida Rodrigues Alves, estendeu-se de 1962 a 1979. Começou no governo Lacerda, foi concluída por Chagas Freitas.

Mas me referia à falta de votação proposital de senadores e deputados. Matérias controvertidas na pauta. Em função disso, recordo um discurso feito na Câmara Federal, em 63, pelo deputado Guerreiro Ramos, também sociólogo de renome, um intelectual na política. Era suplente do PTB carioca e assumiu quando Leonel Brizola decidiu licenciar-se. O tema em foco era a reforma agrária. O maior debate da época, problema aliás que continua sem solução. De um lado os defensores da reforma, de outro os contrários.

A questão chave era a desapropriação de latifúndios improdutivos com indenizações em títulos públicos. O debate incendiava o país. Carlos Lacerda, como governador da Guanabara, Herbert Levy, deputado por São Paulo, na época grande acionista do Banco Itaú, contra a reforma. O governo João Goulart a favor. Alberto Guerreiro Ramos, autor da Redução Sociológica, grande obra no gênero, sustentou apenas o seguinte: há várias tendências em choque. Mas todos concordam que o meio agrário é medieval. Então apresentem suas propostas, todos, pois só dessa forma chegaremos à síntese.

A síntese de Dilma Roussef é a opinião pública, o povo nas ruas, não o empresariado.
Fonte: Tribuna da Internet.

domingo, 25 de março de 2012

POLÍTICA - O PDT e a família Brizola.

Por wilson yoshio.blogspot

De O Globo

Herdeiros de Brizola se unem para retomar PDT

Netos do ex-governador travam queda de braço com Lupi e pregam mudanças na direção nacional do partido

Marcelo Remígio
Juliana Castro


RIO - Herdeiros do legado político de Leonel Brizola, os irmãos Juliana, Leonel e Carlos Brizola, netos do ex-governador, querem reconquistar para a família o controle do PDT no ano em que o avô completaria 90 anos. Na busca pelo comando do partido, os irmãos travam uma queda de braço com o presidente nacional da legenda, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, que mantém a sigla com mãos de ferro e forte influência política. A disputa pelas rédeas do PDT se intensificou nos últimos meses e respingou na indicação do novo ministro do Trabalho. Partidários de Lupi minaram o nome do deputado federal Carlos Brizola Neto (RJ), o Carlito, para o cargo.

Deputada estadual no Rio Grande do Sul, Juliana tem visitado diretórios municipais gaúchos e costura um projeto de reconstrução do PDT. Paralelamente ao trabalho político, escreve um livro sobre o avô. O grupo de Juliana quer estender a reorganização da legenda para os demais estados do Sul e já mira no Sudeste. Os irmãos Brizola têm defendido eleições diretas para as executivas municipais, estaduais e nacional.

Das 27 representações estaduais do PDT, somente oito foram escolhidas por voto direto. O restante é controlado por comissões provisórias formadas por aliados de Lupi.

— O partido passa por uma crise e, para que ela seja superada, é necessário que o Brizolismo e o Trabalhismo sejam resgatados no partido — diz Leonel Brizola Neto, vice-presidente da Câmara Municipal do Rio.

A queda de braço entre os dois grupos é travada nos bastidores do partido, que enfrenta uma crise de identidade, afirmam adversários de Lupi. Juliana, Leonel e Brizola Neto evitam embates públicos com os aliados do ex-ministro, que têm isolado politicamente os irmãos. Nas reuniões internas, ambos os lados não poupam críticas mútuas. O grupo que acompanha os Brizola reclama que Lupi usaria sua influência política conquistada à frente do Ministério do Trabalho e cargos na pasta para conquistar aliados. Já seguidores de Lupi acusam os irmãos de não terem traquejo político e poder de articulação, mesmo usando o nome do avô.

A disputa pelo comando da legenda foi lançada pelos irmãos Brizola durante o congresso nacional do partido, promovido em setembro do ano passado. À época, eles foram vaiados por militantes ligados a Lupi, após Brizola Neto — que despertou para a política aos 16 anos, quando começou a trabalhar como secretário de seu avô — ter o nome sugerido para presidência do partido. Mas a busca pelo controle só foi intensificada após a crise que culminou com a saída de Lupi do Ministério e a indicação de um novo nome.

— Sou casado com minha mulher há 30 anos, todo dia a gente tem uma divergência. Se a gente que não tem divergência na vida a dois, não está vivendo. E na vida política é a mesma coisa. Num partido que tem mais de 1,2 milhão de filiados, um diretório nacional que tem 360 membros, como não vai ter divergência? — indaga Lupi.

POLÍTICA - Será que o procurador Gurgel não é um tucano enrustido?

Senadores ameaçam representar contra PGR por omissão.


Da Agência Estado


PT quer investigação de citado na Operação Monte Carlo

Investida para pressionar procuradoria é o primeiro passo de uma articulação para a abertura de processo no Senado


O PT e partidos aliados ameaçam representar contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, caso não encaminhe ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido para investigar o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e outros parlamentares citados na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, por suposto envolvimento com a máfia dos caça-níqueis.


A investida para pressionar Gurgel foi acertada hoje e é o primeiro passo de uma articulação para a abertura de processo no Senado contra o senador, que poderia resultar na cassação de seu mandato. A partir de uma denúncia formal ao STF, o PT e partidos aliados teriam fundamento para pedir ao Conselho de Ética da Casa que avalie a situação de Demóstenes.

Senador está envolvido em denúncias de cobrança de propina e favorecimento pela máfia dos caça-níqueis em Goiás

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (PT), anunciou que enviará representação a Gurgel pedindo que denuncie os parlamentares. "Se não houver resposta, vamos representar contra o procurador. Ele precisa cumprir a parte dele", avisou ontem, acrescentando que só aguarda uma conversa com senadores do PSB e do PDT para preparar o documento. "De posse disso (as informações enviadas ao Supremo), a gente vai julgar se há quebra de decoro no caso de Demóstenes", adiantou.

O petista diz que, na última segunda-feira, o Ministério Público Federal (MPF) em Goiás já denunciou, com base na Operação Monte Carlo, 80 suspeitos de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis no Estado. "Se isso já foi feito, não há mais nenhuma ação da Polícia Federal em relação à Monte Carlo. Não há mais motivo para não tocar isso adiante", cobrou.

Demóstenes é citado nas investigações por manter relações estreitas e receber presentes do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, apontado pela PF como o chefe da organização criminosa de jogos de azar. Ele teria trocado mais de 300 telefonemas com o contraventor e admitiu ter recebido dele um celular especial para as conversas. Também estariam envolvidos com o empresário, preso em 29 de fevereiro, durante a Operação Monte Carlo, os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB), Jovair Arantes (PTB), Rubens Otoni (PT) e Sandes Júnior (PP).

Grampos de uma operação mais antiga da PF revelaram que Demóstenes pediu ao contraventor que lhe custeasse despesas de táxi-aéreo e vazou informações oficiais a ele. Apesar de ter recebido as gravações em 2009, a PGR não tomou providências a respeito, argumentando que aguardava a conclusão de investigações paralelas. Pinheiro disse ontem que o encaminhamento de uma denúncia ao STF também possibilitaria esclarecer se a demora de Gurgel foi "coisa normal do processo ou prevaricação".

Na última terça-feira, PT, PSB e PDT já haviam enviado a Gurgel pedido de abertura de investigação com o senador.
Luis Nassif online

ECONOMIA - Os caminhos da gestão no Governo Dilma.

Do blog Luis Nassif on line.

Os caminhos da gestão no governo Dilma


Coluna Econômica - 25/03/2012

O grande general Jorge Gerdau animado com os rumos do país. Julga que a gestão Dilma Rousseff, se mantiver esse pique por oito anos, mudará definitivamente a cara do Brasil, completando o trabalho de Lula - a quem reputa de "intuitivo genial".

Há dez anos foi criado o Movimento Brasil Competitivo (MBC). Nasceu do Prêmio de Qualidade do Governo Federal - do qual Gerdau, outras lideranças do movimento e eu próprio.

A intenção do MBC foi a de, no formato de OSCIP, juntar doações do setor privadoi e público para projetos de gestão na área pública.

O primeiro estado a aderir foi o Ceará, na área de educação. Depois, Minas Gerais. Antes disso, alguns estados conduziram programas bem sucedidos de qualidade, mobilizando micro, pequenas e grandes empresas e área pública em geral. Foi assim com os Movimentos Gaúcho, Mineiro e Fluminense pela Qualidade.

Há três anos, o MBC realizou sua primeira parceria com a área federal, ajudando o Ministério do Desenvolvimento Social a incorporar modernas ferramentas de gestão.

Nesse período, Gerdau conviveu com a então Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Conselho de Administração da Petrobras.

Dessa convivência surgiu o convite de Dilma para que Gerdau ajudasse o governo na área de gestão pública.

Houve uma reunião no Palácio do Planalto onde Gerdau expôs as experiências acumuladas com os movimentos estaduais. Dado o peso da União no federalismo brasileiro, abria-se espaço para um trabalho com muito maior impacto.

A missão conferida foi a de prestar assessoria, estabelecer diretrizes estratégicas e planos de ação, propor e avaliar iniciativas da área pública, supervisionar e acompanhar. Criava-se a Câmara de Gestão e Competitividade.

Do lado do governo, foram indicados os Ministros do Planejamento, da Casa Civil, do Desenvolvimento e de Ciência e Tecnologia. Do lado do setor privado, optou-se por quem pudesse agregar experiência e conhecimento, não necessariamente por presidentes de entidades.

O ponto crítico na área de governos - especialmente do federal, pelo tamanho - é a governança. Ou seja, a capacidade de ter visão estratégica, para que a gestão se torne cada vez mais objetiva e eficiente. E a capacidade da máquina de entregar o que lhe é solicitado: os planos de ação dos governantes.

Nos últimos 15 anos, empresas privadas nacionais que se internacionalizaram foram obrigadas a desenvolver aprendizado com o instituto da governança. Isto é, de entregar ao acionista o que foi prometido no plano de ação.

Setor muito mais complexo, a área pública não tem estudiosos do tema de governança.

As ações da Câmara, foram, então, divididas em três áreas distintas. No campo das execuções, melhoroias de processos em áreas críticas, como no aeroporto de Guarulhos, Ministérios da Saúde, Justiça, Transportes, Comunicações, Meio Ambiente, Corrreios, Anvisa.

No campo da governança, montagem de sistemas de monitoramento de 11 projetos temáticos, nos temas mais caros à Dilma - como exclusão da miséria.

Contratou-se a McKinsey, com experiências internacionais. E informatizou-se.

Gerdau surpreendeu-se com a maneira como a máquina respondeu ao desafio.

POLÍTICA - Protógenes cobra explicações do Procurador Geral Gurgel.

Protógenes cobra informações de Gurgel sobre caso Demóstenes


Da Época

Deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) pede detalhes sobre processo encaminhado à Procuradoria-Geral da República em 2009 que contém relações de Carlinhos Cachoeira com políticos

MURILO RAMOS

Na quarta-feira (21), o deputado federal delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) encaminhouofício ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em que solicita informações sobre a existência de “deputados, senadores, ministros e autoridades” na quebra de sigilo telefônico de um processo originado na Vara Federal de Anápolis (GO) em 2008. Queiroz também questiona Gurgel se o processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), casos em que senadores, deputados e ministros são investigados em função da prerrogativa de foro privilegiado.

De acordo com reportagem do jornal O Globode sexta-feira (23), a Polícia Federal interceptou ligações telefônicas entre o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira- preso durante a Operação Monte Carlo da PF há quase um mês - e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Nas conversas, Demóstenes pede R$ 3 mil a Cachoeira para pagar uma empresa de táxi-aéreo e repassa informações sobre reuniões mantidas no Executivo, Legislativo e Judiciário. As conversas captadas pela PF reforçam as ligações de Cachoeira com o senador. ÉPOCA já havia revelado que Demóstenes ganhara um aparelho de rádio, habilitado nos Estados Unidos, exclusivo para conversar com Cachoeira, além de uma geladeira e um fogão.

O relatório da Polícia Federal, em que também são citados os deputados goianos Carlos Alberto Leréia (PSDB) e Sandes Júnior (PP), foi encaminhado à PGR em setembro de 2009. Desde então, Roberto Gurgel não tomou nenhuma providência. É responsabilidade de Gurgel decidir se pede ao STF a abertura de inquérito contra Demóstenes Torres e os outros parlamentares citados no processo.

Por meio da assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República, o procurador Roberto Gurgel afirmou que o processo “ficou sobrestado, pois havia uma relação com outra investigação ainda em curso”. Ainda de acordo com a PGR, o material que chegou em 2009 foi juntado ao material relativo à Operação Monte Carlo. Quanto aos pedidos de informações provenientes de parlamentares, a PGR não deverá atendê-los. “São informações cobertas pelo sigilo e, portanto, não temos como informar o conteúdo desse material”, afirmou a assessoria de imprensa da PGR.

INTERNET - Internautas racistas.

Do blog Luis Nassif online

Os indícios da rede criminosa dos autores do site racista

Por Vânia

Da CartaCapital

Internautas racistas faziam parte de rede criminosa?

Por Gianni Carta

Podemos imaginar as barbaridades que disseram na sexta 23 aos agentes da Superintendência da Polícia Federal (PF) os dois homens detidos por publicar mensagens racistas, homofóbicas e a incitar violência em um site.

Sem direito à fiança, os suspeitos alimentavam o site silviokoerich.org, hospedado na Malásia e ironicamente ainda no ar. Faziam ameaças de morte ao deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), ofensas à presidenta Dilma Rousseff, a negros, homossexuais e judeus. Teciam apologias à violência contra as mulheres, e, ao mesmo tempo, incitavam o abuso sexual de menores. A dupla planejava “atirar a esmo” nos alunos da Universidade de Brasília (UnB).

“As investigações continuam para verificar se há outros envolvidos nesta rede criminosa”, disse o agente federal Marcos Korem, que acompanhou o depoimento em Curitiba.
p>Tudo leva a crer que Emerson Eduardo Rodrigues, de 32 anos, e Marcelo Mello, de 29 anos, residentes respectivamente em Curitiba e Brasília, têm seguidores. A dupla, segundo policiais, teria aconselhado Wellington Oliveira, o assassino de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio, em 2011.

A PF não informou se Oliveira esteve em Curitiba, ou se os dois internautas presos na quinta se comunicaram por outros meios com o assassino do Rio. Certo é que Mello viajou de Brasília para Curitiba, onde foi detido, para receber “instruções”. Outro detalhe importante a sustentar a tese da existência de uma rede terrorista é o fato de que os dois dispunham de 500 mil reais em uma conta bancária.

Rodrigues parece ser o mentor de Mello, este alvo de investigação pelo Conselho Disciplinar Permanente da UnB, onde cursava Letras, devido ao seu envolvimento em conflitos raciais. O processo ainda está em andamento e tramita de forma sigilosa. Por não ter frequentado mais a universidade durante dois semestres consecutivos, Mello perdeu sua vaga em 2006.

Por sua vez, Rodrigues teria, segundo a PF, participado de assassinatos na capital paranaense. A motivação de todos os supostos homicídios, até agora sem autoria, seria a intolerância. Se for comprovada a cumplicidade de Rodrigues nos crimes, ganhará ímpeto a veracidade do plano da dupla de matar alunos a cursar faculdades de Direito, Comunicação e Ciências Sociais da UnB. Os ataques se dariam em uma casa de eventos.

Os alunos de Ciências Sociais pareciam ser o foco principal de Mello e Rodrigues. O motivo? Aqueles “esquerdistas” tinham ideais liberais sobre sexualidade e direitos de minorias. Enquanto isso, Rodrigues e Mello postavam fotografias de cenas pornográficas a envolver crianças e adolescentes. Como se dá com psicopatas, as ideias dos dois extremistas são permeadas de contradições.

De qualquer forma, como explicar essas tentativas de perpetrar ataques contra as vidas de estudantes e um deputado federal no Brasil? Em grande parte, esse fenômeno decorre da radicalização de uma narrativa ultraconservadora na “fascistofera” e na mídia canarinho.

Neste mundo globalizante onde a tecnologia (leia internet) aproxima cada vez mais os povos, o ultraconservadorismo a reinar nos tabloides e redes de tevê nos Estados Unidos e na Europa logo contagia outros países. E, por tabela, esse discurso tem um enorme impacto nos extremistas capazes de cometer atos de loucura. Esse fenômeno ocorre na Europa, onde a islamofobia e a judeofobia são uma grande preocupação.

Mas, ao contrário do Brasil, onde a vasta maioria da mídia é neoconservadora, na Europa e EUA há periódicos liberais que não aderem a essa narrativa, entre eles o Le Monde, La Repubblica,The Nation, etc. E mesmo diários conservadores como o Corriere della Sera ou Le Figaro fazem o mesmo.

Os dois presos vão responder por crimes de incitação e indução à discriminação ou preconceito de raça, por meio de recursos de comunicação social; de incitação à prática de crime e de publicação de fotografia com cena pornográfica envolvendo criança ou adolescente.

Resta saber se tentativas de atentados como os da dupla Rodrigues e Mello engatilharão ataques terroristas como aqueles de Mohamed Merah, autor de sete assassinatos e morto por policiais em Toulouse.
Internet

sábado, 24 de março de 2012

MÍDIA - Como funcionava a parceria Veja-Cachoeira.

Do blog Luis Nassif Online

"O araponga e o repórter", da série "O caso de Veja", de 2008


A matéria foi bombástica e ajudou a deflagrar a crise do “mensalão”. Uma reportagem de 18 de maio de 2005, de Policarpo Jr., da sucursal da Veja em Brasília, mostrava o flagrante de um funcionário dos Correios – Mauricio Marinho – recebendo R$ 3 mil de propina (clique aqui)

A abertura seguia o estilo didático-indagativo da revista:

(…) Por quê? Por que os políticos fazem tanta questão de ter cargos no governo? Para uns, o cargo é uma forma de ganhar visibilidade diante do eleitor e, assim, facilitar o caminho para as urnas. Para outros, é um instrumento eficaz para tirar do papel uma idéia, um projeto, uma determinada política pública. Esses são os políticos bem-intencionados. Há, porém, uma terceira categoria formada por políticos desonestos que querem cargos apenas para fazer negócios escusos – cobrar comissões, beneficiar amigos, embolsar propinas, fazer caixa dois, enriquecer ilicitamente.

A revista informava que tinha conseguido dar um flagrante em um desses casos na semana anterior:


Raro, mesmo, é flagrar um deles em pleno vôo. Foi o que VEJA conseguiu na semana passada.

Anotem a data que a revista menciona que recebeu a gravação: semana passada. Será importante para entender os lances que serão mostrados no decorrer deste capítulo.

A matéria, como um todo, não se limitava a descrever uma cena de pequena corrupção explícita, embora só esta pudesse ser comprovada pelo grampo. Tinha um alvo claro, que eram as pessoas indicadas pelo esquema PTB, especialmente na Eletronorte e na BR Distribuidora. O alvo era o esquema; Marinho, apenas o álibi.


O que a matéria não mostrava eram as intenções efetivas por trás do dossiê e do grampo. Os R$ 3 mil eram um álibi para desmontar o esquema do PTB no governo, decisão louvável, se em nome do interesse público; jogo de lobby, se para beneficiar outros grupos.

Antes de voltar à capa, uma pequena digressão sobre as alianças espúrias do jornalismo.

Os dossiês e os chantagistas

A partir da campanha do “impeachment” de Fernando Collor, jornalistas, grampeadores e chantagistas passaram a conviver intimamente em Brasília. Até então, havia uma espécie de barreira, que fazia com que chantagistas recorressem a publicações menores, a colunistas da periferia, para montar seus lobbies ou chantagens. Não à grande mídia.

Com o tempo, a necessidade de fabricar escândalo a qualquer preço provocou a aproximação, mais que isso, a cumplicidade entre alguns jornalistas, grampeadores e chantagistas. Paralelamente, houve o desmonte dos filtros de qualidade das redações, especialmente nas revistas semanais e em alguns diários.

Foi uma associação para o crime. Com um jornalista à sua disposição, o grampeador tem seu passe valorizado no mercado. A chantagem torna-se muito mais valiosa, eficiente, proporcional ao impacto que a notícia teria, se publicada. Isso na hipótese benigna.


É uma aliança espúria, porque o leitor toma contato com os grampos e dossiês divulgados. Mas, na outra ponta, a publicação fortalece o achacador em suas investidas futuras. Não se trata de melhorar o país, mas de desalojar esquemas barra-pesadas em benefício de outros esquemas, igualmente barra-pesadas, mas aliados ao repórter. E fica-se sem saber sobre as chantagens bem sucedidas, as que não precisaram chegar às páginas de jornais.

Por ser um terreno minado, publicações sérias precisam definir regras claras de convivência com esse mundo do crime. A principal é o jornalista assegurar que material recebido será publicado – e não utilizado como elemento de chantagem.

Nos anos 90 esses preceitos foram abandonados pelo chamado jornalismo de opinião. No caso da Veja a deterioração foi maior que nos demais veículos. O uso de matérias em benefício pessoal (caso dos livros de Mario Sabino), o envolvimento claro em disputas comerciais (a “guerra das cervejas” de Eurípedes Alcântara), o lobby escancarado (Diogo Mainardi com Daniel Dantas), a falta de escrúpulos em relação à reputação alheia, tudo contribuiu para que se perdessem os mecanismos de controle.

Submetida a um processo de deterioração corporativa poucas vezes visto, a Abril deixou de exercer seus controles internos. E a direção da revista abriu mão dos controles externos, ao abolir um dos pilares do moderno jornalismo – o direito de resposta – e ao intimidar jornalistas de outros veículos com seus ataques desqualificadores.

É nesse cenário de deterioração editorial que ocorre o episódio Maurício Marinho.

A parceria com o araponga

Nas alianças políticas do governo Lula, os Correios foram entregues ao esquema do deputado Roberto Jefferson. Marinho era figura menor, homem de propina de R$ 3 mil.

Em determinado momento, o esquema Jefferson passou a incomodar lobistas que atuavam em várias empresas. Dentre eles, o lobista Arthur Wascheck.

Este recorreu a dois laranjas – Joel dos Santos Filhos e João Carlos Mancuso Villela – para armar uma operação que permitisse desestabilizar o esquema Jefferson não apenas nos Correios. como na Eletrobrás e na BR Distribuidora. É importante saber desses objetivos para entender a razão da reportagem da propina dos R$ 3 mil ter derivado - sem nenhuma informação adicional - para os esquemas ultra-pesados em outras empresas. Fazia parte da estratégia da reportagem e de quem contratou o araponga.


A idéia seria Joel se apresentar a Marinho como representante de uma multinacional, negociar uma propina e filmar o flagrante. Como não tinham experiência com gravações mais sofisticadas, teriam decidido contratar o araponga Jairo Martins.

E, aí, tem-se um dos episódios mais polêmicos da história do jornalismo contemporâneo, um escândalo amplo, do qual Veja acabou se safando graças à entrevista de Roberto Jefferson à repórter Renata Lo Prete, da Folha, que acabou desviando o foco da atenção para o “mensalão”.

Havia um antecedente nesse episódio, que foi o caso Valdomiro Diniz, a primeira trinca grave na imagem do governo Lula. Naquele episódio consolidaram-se relações e alianças entre um conjunto de personagens suspeitos: o bicheiro Carlinhos Cachoeira (que bancou a operação de grampo de Valdomiro), o araponga Jairo Martins (autor do grampo) e o jornalista Policarpo Jr (autor da reportagem).

No caso Valdomiro, era um contraventor – Carlinhos Cachoeira – sendo achacado por um dos operadores do PT, enviado pelo partido ao Rio de Janeiro, assim como Rogério Buratti, despachado para assessorar Antonio Palocci quando prefeito de Ribeirão.

Jairo era um ex-funcionário da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), contratado pelo bicheiro para filmar o pagamento de propina a Valdomiro Diniz.

Tempos depois, Jairo foi convidado para um almoço pelo genro de Carlinhos Cachoeira, Casser Bittar.

Lá, foi apresentado a Wascheck, que o contratou para duas tarefas, segundo o próprio Jairo admitiu à CPI: providenciar material e treinamento para que dois laranjas grampeassem Marinho; e a possibilidade do material ser publicado em órgão de circulação nacional.

Imediatamente Jairo entrou em contato com Policarpo e acertou a operação. O jornalista não só aceitou a parceria, antes mesmo de conhecer a gravação, como avançou muito além de suas funções de repórter.


O grampo em Marinho foi gravado em um DVD. Jairo marcou, então, um encontro com Policarpo. Foi um encontro reservado - eles jamais se falavam por telefone, segundo o araponga -, no próprio carro de Policarpo, no Parque da Cidade. Policarpo levou um mini-DVD, analisou o material e atuou como conselheiro: considerou que a gravação ainda não estava no ponto, que havia a necessidade de mais. Recebeu a segunda, constatou que estava no ponto. E guardou o material na gaveta, aguardando a autorização do araponga, mesmo sabendo que estava se colocando como peça passiva de um ato de chantagem e achaque.

Wascheck tinha, agora, dois trunfos nas mãos: a gravação da propina de R$ 3 mil e um repórter, da maior revista do país, apenas aguardando a liberação para publicar a reportagem.


Quando saiu a reportagem, a versão do repórter de que havia recebido o material na semana anterior era falsa e foi desmentida pelos depoimentos dados por ele e por Jairo à Policia Federal e à CPI do Mensalão.

Pressionado pelo eficiente relator Osmar Serraglio, na CPI do Mensalão, Jairo negou ter recebido qualquer pagamento de Wascheck. Disse ter se contentado em ficar com o equipamento, provocando reações de zombaria em vários membros da CPI.


Depois, revelou outros trabalhos feitos em parceria com a Veja. Mencionou série de trabalhos que teria feito e garantiu que sua função não era de araponga, mas de jornalista. O único órgão onde seus trabalhos eram publicados era a Veja. Indagado pelos parlamentares se recebia alguma coisa da revista disse que não, que seu objetivo era apenas o de "melhorar o pais".

Segundo o depoimento de Jairo:

‘Aí fiquei esperando o OK do Artur Washeck pra divulgação do material na imprensa. Encontrei com ele pela última vez no restaurante, em Brasília, no setor hoteleiro sul, quando ele disse: ‘Eu vou divulgar o fato. Quero divulgar’. E decorreu um período que essa divulgação não saía. Aí foi quando eu fiz um contato com o jornalista e falei: ‘Pode divulgar a matéria’’.

Clique aqui para ler os principais trechos do depoimento do araponga Jairo à CPI.

E aqui para acessar o relatório final da CPMI.

Reações na mídia

A revelação do episódio provocou reações acerbas de analistas de mídia.

No Observatório da Imprensa, Alberto Dines publicou o artigo “A Chance da Grande Catarse do Jornalismo”

O atual ciclo de denúncias não chega a ser uma antologia de jornalismo mas é uma preocupante coleção de mazelas jornalísticas. Busca-se a credibilidade mas poucos oferecem transparência, pretende-se a moralização da vida pública mas os bastidores da imprensa continuam imersos na sombra:
Tudo começou com uma matéria de capa da Veja sobre as propinas nos Correios, clássico do jornalismo fiteiro.

(...) Carece de (...) transparência a ouverture desta triste e ruidosa temporada através da Veja. Dois meses depois, a divulgação do vídeo da propina nos Correios continua envolta em sombras, rodeada de dúvidas e desconfianças. E, como não poderia deixar de acontecer com fatos mantidos no lusco-fusco da dubiedade, cada vez que a matéria é examinada ou discutida sob o ponto de vista estritamente profissional, mais interrogações levanta.

Caso da entrevista ao Jornal Nacional (Rede Globo, quinta-feira, 30/6) do ex-agente da ABIN, Jairo Martins de Souza, autor da gravação. O araponga — que, aliás, se diz jornalista [veja abaixo comentários de Ricardo Noblat] e faz negócios com jornalistas — revelou que ofereceu o vídeo ao repórter Policarpo Júnior, da sucursal da Veja em Brasília, e que este aceitou-o antes mesmo de examinar o seu teor [abaixo, a transcrição da matéria do JN].

Na hora da entrega, o jornalista teria usado um reprodutor portátil de DVD para avaliar a qualidade das imagens. De que maneira chegou ao jornalista e por que este aceitou o vídeo são questões que até hoje não foram esclarecidas.

Tanto o repórter como a revista recusam-se terminantemente a oferecer qualquer tipo satisfação ou esclarecimento aos leitores. Não se trata de proteger as fontes: elas seriam inevitavelmente nomeadas quando o funcionário flagrado, Maurício Marinho, começasse a depor. Foi exatamente o que aconteceu e hoje Veja carrega o ônus de ter se beneficiado de uma operação escusa – chantagem de um corrupto preterido ou ação formal da Abin para desmoralizar um aliado incômodo (o PTB, de Roberto Jefferson).

(...) Araponga não é jornalista, vídeo secreto ainda não é reconhecido como gênero de jornalismo. Talvez o seja num futuro próximo.


O episódio mereceu comentários do blogueiro Ricardo Noblat:

Ao ser contratado para filmar Marinho e grampear André Luiz, a primeira coisa que ele disse que fez foi procurar a Veja e oferecer o material. ‘Foi um trabalho puramente jornalístico’, garantiu.

A amigos, nas duas últimas semanas, Jairo confessou mais de uma vez que espera ganhar o próximo Prêmio Esso de Jornalismo. Ele se considera um sério candidato ao prêmio.

Não é brincadeira não, é serio! Porque ele está convencido de que filmou e grampeou como free-lancer da Veja – embora jamais tenha recebido um tostão dela por isso. Recebeu dos que encomendaram as gravações.

Jairo ganhava como araponga e pensava em brilhar como jornalista.

É, de certa forma faz sentido."

Tempos depois, a aliança com o araponga renderia a Policarpo a promoção para chefe de sucursal da Veja em Brasília. A revista já caíra de cabeça, sem nenhum escrúpulo, no mundo nebuloso dos dossiês e dos pactos com lobistas. E o grande pacto do silêncio que se seguiu na mídia, permitiu varrer para baixo do tapete as aventuras de Veja com o araponga repórter.

O final da história

Parte da história terminou em agosto de 2007. Sob o titulo “PF desmonta nova máfia nos Correios”, o Correio Braziliense noticiava o desbaratamento de uma nova quadrilha que tinha assumido o controle dos Correios (clique aqui).

No comando, Arthur Wascheck, que assumiu o comando da operação de corrupção dos Correios graças ao serviço encomendado a Jairo - grampo mais publicação do resultado na Veja.

Durante a Operação Selo, foram presas cinco pessoas, em dois estados mais o Distrito Federal.

Segundo o jornal:

Entre os presos estão Sérgio Dias e Luiz Carlos de Oliveira Garritano, funcionários dos Correios, além dos empresários Antônio Félix Teixeira, Marco Antônio Bulhões e Arthur Wascheck, considerado pela PF como líder do grupo e acusado de ter sido o responsável pela gravação feita no dia em que Marinho recebia a propina. Os investigadores não quantificaram o volume de recursos envolvidos nas fraudes, mas calculam que seja de dezenas de milhões de reais.

De acordo com os investigadores, “o grupo agia como traficantes nos morros".

“Havia uma quadrilha na ECT (Empresa de Correios e Telégrafos), que foi desbaratada e afastada. A outra organização tomou o lugar dela. Assim como os traficantes fazem, quando saem, morrem ou são presos, acontece a mesma coisa no serviço público. Quando uma quadrilha sai do local, entra outra e começa a praticar atos ilícitos no lugar da que saiu”, explica o delegado Daniel França, um dos integrantes do grupo de investigação.

A corrupção tinha apenas trocado de mãos:

Para o Ministério Público Federal, o entendimento era o mesmo.

“Não se pode dizer que a corrupção terminou ou se atenuou. O que houve foi uma substituição de pessoas, alijadas do esquema”, afirma o procurador da República Bruno Acioli.

Segundo ele, há pelo menos 20 empresas, muitas delas ligadas a Wascheck, estão envolvidas nas fraudes que podem atingir outros órgãos públicos, conforme investigações da PF.

A ficha de Wascheck era ampla e anterior ao episódio do qual Veja aceitou participar:

O empresário, conforme os investigadores, atuava na área de licitações desde 1994, sendo que um ano depois ele fora condenado por irregularidades em licitação para aquisição de bicicletas pelo Ministério da Saúde.

O valor das fraudes chegava a milhões de reais:

Segundo a polícia, o grupo de Wascheck vendia todo tipo de material para os Correios. De sapato a cofres, sendo que muitos integrantes do esquema eram também procuradores de outras empresas envolvidas nas concorrências. Com a análise dos documentos, que começou a ser feita ontem, os investigadores devem chegar aos valores das fraudes. “O que posso dizer é que esse prejuízo é de milhões de reais. Dezenas de milhões de reais”, diz o procurador da República, ressaltando que seu cálculo se baseia em alguns casos específicos. “Existem licitações na casa de bilhões de reais”, afirma o procurador.

No sistema de buscas da revista, as pesquisas indicam o seguinte:

Operação Selo Wascheck: 0 ocorrências

Operação Selo (frase exata) Período 2007: 0 ocorrências

Revista de 8 de agosto de 2007: nenhuma menção

Na edição de 15 de agosto, nenhuma menção. Mas uma das materias especiais atende pelo sugestivo título de “Porque os corruptos não vão presos”

"Frágil como papel

A Justiça brasileira é incapaz de manter presos assassinos
confessos e corruptos pegos em flagrante. Na origem da
impunidade está a própria lei".

A reportagem fala do mensalão, insinua que os implicados até melhoraram de vida, menciona símbolos midiáticos de corrupção (Quércia, Maluf, Collor etc). Nenhuma palavra sobre a Operação Selo e sobre o papel desempenhado pelas reportagens de escândalo da própria revista no jogo das quadrilhas dos Correios.

Seus aliados foram protegidos.

sab, 24/03/2012 - 10:40
José Carlos Lima


Nassif, fizestes um bom levantamento sobre este casamento Veja = Crime organizado, um jogo que já vem sendo jogado há anos e que, se não for desfeito, terá bodas de diamante. Um jogo no qual o senador Demóstenes Torres(DEM-GO) tem atuado como gandula, senão vejamos:

De um lado um senador, do outro um cidadão do mundo do crime que se movia com mestria na formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, quebra do sigilo profissional, exploração de jogo de azar, dentre outros crimes. Os dois combinaram criar uma CPI para dar "um tiro direto" no PT.

No ano de 2008, a Veja deu na capa que uma conversa entre Gilmar Mendes, à época presidente do STF, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) teria sido grampeada por agentes da ABIN. O tal grampo (sem áudio) provocou séria crise no governo, levando o presidente da Suprema Corte a chamar Lula "às falas", o que resultou na demissão de Paulo Lacerda, diretor da ABIN e à anulação, pelo STJ, da Operação Sarthiagraha contra Daniel Dantas.

Por Rodrigo Rangel, na insuspeita Veja, hoje: "Em 11 de agosto de 2011, Cachoeira e Demóstenes conversam sobre o que seria, na avaliação do senador, “um tiro direto” no PT. Demóstenes fala em em abrir uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o partido do governo:

Cachoeira – Eu vi, eu vi as cenas lá, hein?

Demóstenes – É... Isso é bom, hein. Isso é bom que dá um tiro direto neles aí né, a gente faz a CPI do PT.

Cachoeira – Exatamente. Beleza.

Demóstenes – Falou mestre, um abraço.

Cachoeira – Outro, doutor. Tchau.

Em outra conversa, Cachoeira fala com a mulher de Demóstenes, Flávia, que comemora a obtenção de sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil e trata com o contraventor da possibilidade de o senador se transferir para o PMDB. Cachoeira se mostra favorável à mudança de partido – e também confiante de que um dia seu amigo Demóstenes possa se tornar ministro da Suprema Corte.

Flávia – Tô com a vermelha no bolso, 32.650, pode arrumar cliente aí pra mim (...) Tô com a vermelhaça no bolso (...)

Cachoeira - Ah, sua carteira, né? Parabéns, viu? Você vai usar ela muito e só em causa grande.

Flávia – Eu fui num jantar no Sarney com o Demóstenes, o Demóstenes hoje é um dos influentes que existem no quadro nacional todo, tem trânsito com todo mundo.

Cachoeira – É, sei disso. Ele já foi pro PMDB não?

Flávia – Não, mas o Renan [refere-se a Renan Calheiros, um dos caciques do PMDB] tá todo amor por ele que tá é assustando.

Cachoeira – Ele me falou, você acha que ele vai?

Flávia – Carlinhos, é uma decisão tão difícil, né? Acho que uma das decisões mais difíceis que ele tem que tomar é essa, viu? Muito complicado, eu acho muito complicado.

Cachoeira – É, mas ele não tem saída, não. Ele tem que ir para o PMDB. Vai fundir o PSDB com o DEM, aí ele tem que ir pro PMDB, até virar STF, né? Aí você não pode advogar e pronto.

Carlinhos Cachoeira, então, volta a parabenizar a mulher do senador por ter obtido a carteira da OAB e ela arremata, agradecendo: “Obrigado. Essa conquista aí é nossa. Depois vamos tomar um champagne”.

Há três semanas, VEJA revelou que Demóstenes recebeu de presente de casamento de Cachoeira uma geladeira e um fogão importados, de uma marca americana de luxo que usa como chamariz em suas propagandas o fato de estar presente nas casas de astros de Hollywood e também na cozinha da Casabranca. Os dois presentes valem mais de 30 mil reais. Durante a investigação, a Polícia Federal descobriu que Cachoeira e Demóstenes se falavam por meio de um rádio Nextel habilitado em Miami, nos Estados Unidos. Era uma estratégia do contraventor, segundo os investigadores, para dificultar grampos.

Na edição desta sexta-feira, o jornal O Globo mostrou que em outra investigação, feita em 2009, Demóstenes Torres aparece aceitando favores de Cachoeira em suas viagens de avião: o senador pedia que o contraventor pagasse uma despesa sua com táxi-aéreo, no valor de 3 mil reais.

Procurado por VEJA, Demóstenes não atendeu as ligações. Sua assessoria informou que ele não está dando entrevistas sobre a investigação. E repassou a tarefa ao advogado do senador, Antônio Carlos Almeida Castro, criminalista estrelado de Brasília, também conhecido como Kakay. O advogado diz que não falará pontualmente sobre os diálogos sem antes ter acesso à integra das conversas envolvendo Demóstenes. Ele afirma que há doze dias esteve pessoalmente com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para pedir acesso às escutas, mas até hoje não foi atendido. “Ou essas conversas são triviais e não têm indício de crime ou os encarregados da investigação teriam que ter passado isso imediatamente para o Supremo Tribunal Federal, por envolver um senador. Se isso não foi feito, a investigação é ilegal”, diz o advogado.

Cachoeira – Outro, doutor. Tchau."

POLÍTICA - Os 30% de Demóstenes.

Por Leandro Fortes*

A Polícia Federal tem conhecimento, desde 2006, das ligações no bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

Três relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, então chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (DRCOR), da Superintendência da PF em Goiânia, revelam que Demóstenes tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino, calculada em, aproximadamente, 170 milhões de reais nos últimos seis anos.


Segundo relatório da Polícia Federal, 30% é o percentual que o senador do DEM recebia do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Foto:Renato Araújo/ABr

Na época, o império do bicheiro incluía 8 mil máquinas ilegais de caça-níqueis e 1,5 mil pontos de bingos. Como somente no mês passado a jogatina foi desbaratada, na Operação Monte Carlo, as contas apresentadas pela PF demonstram que a parte do parlamentar deve ter ficado em torno de 50 milhões de reais. O dinheiro, segundo a PF, estava sendo direcionado para a futura candidatura de Demóstenes ao governo de Goiás, via caixa dois.

A informação, obtida por CartaCapital, consta de um Relatório Sigiloso de Análise da Operação Monte Carlo, sob os cuidados do Núcleo de Inteligência Policial da Superintendência da PF em Brasília. Dessa forma, sabe-se agora que Demóstenes Torres, ex-procurador, ex-delegado, ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, mantinha uma relação direta com o bando de Cachoeira, ao mesmo tempo em que ocupava a tribuna do Senado Federal para vociferar contra a corrupção e o crime organizado no País.

O senador conseguiu manter a investigação tanto tempo em segredo por conta de um expediente tipicamente mafioso: ao invés de se defender, comprou o delegado da PF.

Deuselino Valadares foi um dos 35 presos pela Operação Monte Carlo, em 29 de fevereiro. Nas intercepções telefônicas feitas pela PF, com autorização da Justiça, ele é chamado de “Neguinho” pelo bicheiro. Por estar lotado na DRCOR, era responsável pelas operações policiais da Superintendência da PF em todo o estado de Goiás. Ao que tudo indica, foi cooptado para a quadrilha logo depois de descobrir os esquemas de Cachoeira, Demóstenes e mais três políticos goianos também citados por ele, na investigação: os deputados federais Carlos Alberto Leréia (PSDB), Jovair Arantes (PTB) e Rubens Otoni (PT).

Ao longo da investigação, a PF descobriu que, nos últimos cinco anos, o delegado passava informações sigilosas para o bando e enriquecia a olhos vistos. Tornou-se dono de uma empresa, a Ideal Segurança Ltda, registrada em nome da mulher, Luanna Bastos Pires Valadares. A firma foi montada em sociedade com Carlinhos Cachoeira para lavar dinheiro. Também comprou fazendas em Tocantins, o que acabou por levantar suspeitas e resultar no afastamento dele da PF, em 2011.

O primeiro relatório do delegado Deuselino Valadares data de 7 de abril de 2006, encaminhado à Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (Delepat) da PF em Goiânia. Valadares investigava o escândalo da Avestruz Master, uma empresa que fraudou milhares de investidores em Goiás, quando conheceu o advogado Ruy Cruvinel. Cruvinel chamou Valadares para formar uma parceria a fim de criar “uma organização paralela” à de Carlinhos Cachoeira. O suborno, segundo o delegado, seria uma quantia inicial de 200 mil reais. Ele, ao que parece, não aceitou e decidiu denunciar o crime.

Em 26 de abril de 2006, o relatório circunstanciado parcial 001/06, assinado por Deuselino Valadares, revelou uma ação da PF para estourar o cassino de Ruy Cruvinel, no Setor Oeste de Goiânia. Preso, Cruvinel confessou que, dos 200 mil reais semanais auferidos pelo esquema (Goiás e entorno de Brasília), 50%, ou seja, 100 mil reais, iam diretamente para os cofres de Carlinhos Cachoeira.

Outros 30% eram destinados ao senador Demóstenes Torres, cuja responsabilidade era a de remunerar também o então superintende de Loterias da Agência Goiânia de Administração (Aganp), Marcelo Siqueira. Ex-procurador, Siqueira foi indicação de Demóstenes e do deputado Leréia para o cargo. Curiosamente, ao assumir a função, um ano antes, ele havia anunciado que iria “jogar duro” contra o jogo ilegal em Goiás.

Em 31 de maio de 2006, de acordo com os documentos da Operação Monte Carlo, Deuselino Valadares fez o relatório derradeiro sobre o esquema, de forma bem detalhada, aí incluído um infográfico do “propinoduto” onde o bicheiro é colocado ao centro de uma série de ramificações criminosas, ao lado do senador do DEM e do ex-procurador Marcelo Siqueira. Em seguida, misteriosamente, o delegado parou de investigar o caso.

“Verificado todo o arquivo físico do NIP/SR/DPF/GO não foi localizado nenhum relatório, informação ou documentos de lavra do DPF DEUSELINO dando conta de eventual continuidade de seus contatos com pessoas ligadas à exploração de jogos de azar no Estado de Goiás”, registrou o delegado Raul Alexandre Marques de Souza, em 13 de outubro de 2011, quando as investigações da Monte Carlo estavam em andamento.

A participação do senador Demóstenes Torres só foi novamente levantada pela PF em 2008, quando uma operação também voltada à repressão de jogo ilegal, batizada de “Las Vegas”, o flagrou em grampos telefônicos em tratativas com Carlinhos Cachoeira. Novamente, o parlamentar conseguiu se safar graças a uma estranha posição da Procuradoria Geral da República, que recebeu o inquérito da PF, em 2009, mas jamais deu andamento ao caso.

POLÍTICA - Ratos abandonam o navio.

Ratos abandonam navio Demóstenes.


Há anos que Demóstenes “30%” Torres vem sendo cultuado pela mídia, apesar de as suas relações perigosas com o crime organizado de Goiás serem do conhecimento até da Procuradoria-Geral da República e de toda a grande imprensa desde 2009.

Sempre foi enorme o prestígio de Demóstenes entre os mais bravios pit-bulls da imprensa golpista, que, depois de a porta ter sido arrombada, assumem ares de isenção ao divulgarem o que já não haveria mais como esconder.

O simbolismo que as relações escandalosas do senador do DEM de Goiás com o crime organizado encerram, é arrasador. Não houve dia, na última década, em que ele não aparecesse em destaque na Globo, na Veja, na Folha ou no Estadão acusando adversários ou sendo incensado.

Figurinha fácil nos blogs de Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes ou Ricardo Noblat, entre outros, era sempre usado para atacar “a corrupção do PT” ou as cotas étnicas nas universidades, das quais, ao lado do sociólogo Demétrio Magnoli, é considerado o maior carrasco.

Agora, todo mundo acordou. Sabendo que a bomba estava para estourar, Globos, Folhas, Vejas, Estadões e seus blogueiros amestrados tiveram que expor o seu ex-darling em seus noticiários.

Até o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sempre pronto a abrir investigações contra membros do governo do PT, só agora anuncia que pedirá abertura de inquérito ao STF. Por que não fez isso em 2009? Diz que aguardava o “resultado de outra investigação”…

Desde 2009?!! Não é muito tempo, senhor procurador-geral da República?

Por que só agora Veja, Folha, Estadão, Globo e seus blogueiros amestrados decidiram noticiar as “aventuras” de Demóstenes? Porque só agora a bomba estourou, ora.

Aliás, a postura laudatória a Demóstenes adotada até por seus adversários no Senado, inicialmente, mostra que o homem deve ser um arquivo vivo. Apesar de ter sido abandonado pela mídia, portanto, o mais provável é que seu caso seja abafado.
Fonte: Blog Beatrice

DITADURA NUNCA MAIS.

Comandante Militar do Sudeste assegura: ditadura militar, nunca mais.

José Carlos Ruy

Uma notícia de grande importância quase não foi notada no ultimo final de semana: o comandante militar do Sudeste, general Adhemar da Costa Machado Filho, assegurou em palestra perante a cúpula da TFP e de uma parte significativa da extrema direita brasileira que ditadura militar, “nunca mais”.

A palestra foi relatada em artigo do repórter Roldão Arruda em O Estado de S. Paulo (“Caserna longe da crise com o governo”, 17 de março), e a afirmação do general confirma o profissionalismo e o espírito cívico e constitucionalista que prevalece entre os oficiais das Forças Armadas, desautorizando as vozes saudosas da ditadura militar que se manifestam (em documentos assinados inclusive por oficiais acusados de tortura) contra a apuração dos crimes cometidos pela repressão durante os governos militares de 1964 a 1985.

A palestra foi promovida em São Paulo pelo Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, que reúne uma parcela considerável da organização ultradireitista Tradição Família e Propriedade. Entre as 200 pessoas que ouviram o general estavam altos dirigentes daquela entidade reacionária, como o príncipe d. Bertrand de Orleans e Bragança (que se apresenta como herdeiro da monarquia brasileira), e o empresário Adolpho Lindenberg, presidente do instituto.

A descontração do general contrastou com a tensão na plateia, diz a reportagem. É compreensível: enquanto aquele comandante enfatizou questões como o profissionalismo dos militares e a modernização das Forças Armadas, o objetivo de seus ouvintes conservadores era outro, claramente político. Como no passado, a extrema direita mantém a esperança de uma intervenção dos militares num quadro político em que a influência conservadora é declinante.

A plateia direitista ouviu o que não quis. A frase do general foi provocada por um bilhete vindo da plateia, que dizia: “O que mais tenho ouvido é elogio ao período militar, em comparação com a situação atual. Urge uma intervenção. Caso contrário seguiremos nessa senda nefasta em direção à ditadura da qual nos livramos em 1964.”

A resposta jogou água fria nas esperanças golpistas insinuadas no bilhete, registrou a reportagem: O general juntou as mãos e, após breve silêncio, respondeu: “Dias atrás me perguntaram: ‘General, quando os senhores voltam?’ Respondi: ‘Nunca mais. O Brasil mudou’.”

E enfatizou, para não deixar dúvida: as Forças Armadas são “um instrumento do Estado brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente”. E foi além. Sem citar explicitamente a Comissão da Verdade, disse: “Nós olhamos para o futuro. Não olhamos pelo espelho retrovisor”.

As palavras do general Adhemar da Costa Machado Filho precisam ser registradas. Elas revelam uma inflexão política fundamental ocorrida nas últimas décadas, com o crescimento entre os militares da consciência democrática, legalista e profissionalista, e também da compreensão de que as Forças Armadas são instrumentos constitucionais para a afirmação da soberania nacional. “Somos o quinto país em extensão territorial e a sexta economia do mundo. Um país como esse precisa de Forças Armadas à altura da posição que ocupa”, disse ele, com razão.

A experiência brasileira desde final da Segunda Guerra Mundial foi marcada pela intensa intervenção militar na política e pelo embate entre duas correntes militares. Uma, nacionalista e democrática, lutou pela soberania do país, pelo desenvolvimento econômico e pelo bem estar dos brasileiros. A outra, que unia fascistas, conservadores, autoritários e chefes militares alinhados com os EUA, acabou prevalecendo com o golpe militar de 1964. Sob seu comando a democracia foi eliminada, o desenvolvimento nacional autônomo foi abandonado e o alinhamento automático com os EUA comprometeu gravemente a soberania nacional.

O general Castelo Branco, que inaugurou depois do golpe de 1º de abril de 1964 a série de generais presidentes foi explícito nessa afronta à soberania nacional em um discurso pronunciado no Itamarati, em 31 de julho de 1964, quando estava no comando da presidência da República: “No presente contexto de uma confrontação de poder bipolar, com radical divórcio político ideológico entre os dois respectivos centros, a preservação da independência pressupõe a aceitação de certo grau de interdependência, quer no campo militar, quer no econômico, quer no político”. Isto é, pregava abertamente o abandono da soberania nacional, afrontando abertamente a missão constitucional e histórica das Forças Armadas, que é justamente a defesa intransigente da soberania e da independência do país.

A influência dos generais sobre o governo manteve-se até o final do mandato do presidente José Sarney que, particularmente durante o período da elaboração da Constituição de 1988, ficou sob a tutela do então ministro do Exército, o general Leônidas Pires Gonçalves. Um oficial conservador que, entre 1974 e 1977, foi chefe do Estado Mario do então I Exército (no Rio de Janeiro), ao qual o DOI-Codi carioca estava subordinado. Ele estava nessa função quando ocorreu, em São Paulo, em dezembro de 1976, o Massacre da Lapa, articulado por militares da repressão sediados no Rio de Janeiro.

Com Fernando Collor de Mello, que sucedeu a Sarney na presidência da República, teve início o desmonte das Forças Armadas, dentro do projeto de desmonte do Estado Nacional e submissão do Brasil aos ditames das potências imperialistas. Esse projeto foi aprofundado durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso, sucateando as Forças Armadas brasileiras, chegando ao vexame de muitos quartéis e instalações militares não terem sequer como alimentar os recrutas, que passaram a ser liberados para fazer suas refeições em casa.

Este foi o resultado nefasto da vitória da corrente antidemocrática que levou à ditadura militar, aos crimes cometidos pela repressão e, no limite – durante os governos civis neoliberais dirigidos pelas mesmas forças da direita que prevaleceram durante a ditadura militar – à ameaça de desmantelamento das Forças Armadas, abrindo mão deste instrumento fundamental para a defesa e afirmação da soberania do país.

O profissionalismo e o sentimento democrático dos oficiais contemporâneos decorrem dessa dupla experiência: primeiro, do aprofundamento das conquistas democráticas no país (“o Brasil mudou”, disse o general) e do alinhamento dos novos oficiais a seus deveres legais e constitucionais. A outra experiência, de caráter corporativo, decorre da ameaça de desmonte enfrentada nos governos neoliberais.

No passado, os políticos conservadores e golpistas que rodeavam os quartéis em busca da intervenção militar eram designados como “cassandras” ou “vivandeiras” – intrigueiros que buscavam o uso da força armada para objetivos particulares, invariavelmente ilegais ou inconstitucionais. Na última quinta-feira, as cassandras contemporâneas, ao fazerem apelo semelhante a um alto comandante do Exército, ouviram um sonoro não. Mais um sinal do declínio da direita fascista e golpista (que combina com o declínio eleitoral dos partidos conservadores, como o DEM, por exemplo), que aponta para a consolidação e fortalecimento institucionais no Brasil. Quem ganha com isso é a democracia.
Fonte: Tribuna da Internet

POLÍTICA - "Lula faz falta"

Do blog Coluna da Esplanada.
Esplanada

‘Lula faz falta’, desabafa líder do governo

Em crítica indireta ao atual governo, senador Eduardo Braga confidenciou que sente falta do ex-presidente em 'todos os momentos'. Por Leandro Mazzini

24/03/2012 | Enviar | Imprimir | Comentários: nenhum | A A A



Leandro Mazzini é jornalista e escritor

Siga o colunista no Twitter: @leandromazzini

Saudade
Com uma mistura de nostalgia e crítica, sem contudo citar nomes do atual governo do qual é líder no Congresso, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) desabafou na quinta-feira à noite, para uma rodinha: “Lula faz falta em todos os momentos”, disse, em Manaus, após provocado sobre sua visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, com quem foi se orientar sobre a atual situação do governo, confessou.

Amigos & política
Na tentativa de driblar interpretações negativas do Palácio, o senador lembrou: “Sou amigo do Lula há 14 anos, antes de ele ser presidente, sempre me orientei com ele”.

Hein!?
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que houve “risco” de apagão em seu governo. Foi em palestra, em Manaus, no Fórum Mundial de Sustentabilidade.

Mal da cerveja
Há quem diga que a mobilização da bancada evangélica contra a cerveja Budwiser nos estádios da Copa de 2014 está a serviço de algum concorrente da Ambev. Pelo fato de só agora, na votação da Lei Geral da Copa, eles gritarem contra, apesar de marcas conhecidas serem liberadas nas arenas em shows e eventos diversos.

POLÍTICA - Será que o "paladino da moralidade" não vai ser cassado?

Do Blog do Mello.

Descoberto por que Demóstenes Torres tem paranoia com grampos: Ele tem muito a esconder


O homem que se julgava no direito de dar lição de moral ao país, de chamar às falas o presidente Lula, junto com outro falastrão, Gilmar Bacamarte Mendes, os homens mais puros da História do Brasil; esse homem, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), foi flagrado pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal em relação pra lá de promíscua com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

"PF: Demóstenes Torres pediu dinheiro a Carlinhos Cachoeira", mancheteia O Globo.


Gravações da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (GO), líder do DEM no Senado, pediu dinheiro e vazou informações de reuniões oficiais a Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar a exploração ilegal de jogos em Goiás. Relatório com as gravações e outros graves indícios foi enviado à Procuradoria Geral da República em 2009, mas o chefe da instituição, Roberto Gurgel, não tomou qualquer providência para esclarecer o caso. O documento aponta ainda ligações comprometedoras entre os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e João Sandes Júnior (PP-GO) com Cachoeira. [Fonte]


Se fosse outro o senador, Demóstenes estaria pedindo sua renúncia ou abrindo movimento para cassá-lo. E agora?

Que venha o Catão ao proscênio, seja coerente com sua biografia, ao menos nisso, e renuncie. Idem para o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, sentado sobre o processo desde 2009, sem tomar atitude alguma.

O próximo é Gilmar Mendes, que já teve dois pedidos de impeachment por relações também, digamos, pouco republicanas com escritório de advocacia.

POLÍTICA - O caçador está sendo caçado.

Gravações da Polícia Federal mostram que Demóstenes Torres, antigo caçador de corruptos, agora é a bola da vez.

Carlos Newton

Desde que assumiu o mandato de senador pelo então PFL, em 2003, Demóstenes Torres despontou como uma das grandes revelações do Congresso Nacional, notabilizado por sua sólida formação jurídica e pela intransigente defesa da moralidade na vida pública.

Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Demostenes é integrante concursado do Ministério Público de Goiás desde 1983. Foi Procurador-Geral antes de ocupar o cargo de Secretário de Segurança Pública, entre 1999 a 2002, no governo de Marconi Perillo, quando entrou na política.

Desde fevereiro de 2009 é presidente da Comissão de Constituição e Justiça, o mais importante órgão do SenadoComissão da Casa e foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. E desde março de 2011 é líder da bancada do DEMs no Senado, substituindo José Agripino Maia.

Seu prestígio vinha num crescendo e o senador realmente tornou-se um nome respeitado. E justamente quando passou a ser cogitado para candidato do DEM à eleição presidencial de 2014, surgiu o escândalo de seu envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, e a carreira política de Demostenes Torres começou a desmoronar.

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TUDO POR DINHEIRO

Reportagem de Jailton de Carvalho, em O Globo, mostra que gravações da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres pediu dinheiro e vazou informações de reuniões oficiais a Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar a exploração ilegal de jogos em Goiás.

Relatório com as gravações e outros graves indícios foi enviado à Procuradoria Geral da República em 2009, mas o chefe da instituição, Roberto Gurgel, não tomou qualquer providência para esclarecer o caso. O documento aponta ainda ligações comprometedoras entre os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e João Sandes Júnior (PP-GO) com Cachoeira.

O relatório, produzido três anos antes da deflagração da Operação Monte Carlo, escancara os vínculos entre Demóstenes e Cachoeira. Numa das gravações, feitas com autorização judicial, Demóstenes pede para Cachoeira “pagar uma despesa dele com táxi-aéreo no valor de R$ 3 mil”.

Em outro trecho do relatório, elaborado com base nas gravações, os investigadores informam que o senador fez “confidências” a Cachoeira sobre reuniões reservadas que teve no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Parlamentar influente, Demóstenes costuma participar de importantes discussões, sobretudo aquelas relacionadas a assuntos de segurança pública.

O relatório revela ainda que desde 2009 Demóstenes usava um rádio Nextel (tipo de telefone) “habilitado nos Estados Unidos” para manter conversas secretas com Cachoeira. Segundo a polícia, os contatos entre os dois eram “frequentes”. A informação reapareceu nas investigações da Monte Carlo.

Para autoridades que acompanham o caso de perto, esse é mais um indicativo de que as relações do senador com Cachoeira foram mantidas, mesmo depois da primeira investigação criminal sobre o assunto. O documento expõe também a proximidade entre Cachoeira e os deputados Leréia e Sandes Júnior.

Leréia também usava um Nextel para conversas secretas com Cachoeira. A polícia produziu o relatório com base em inquérito aberto em Anápolis para investigar a exploração de bingos e caça-níqueis na cidade e arredores.

Como não pode investigar parlamentares sem autorização prévia do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF enviou o material à Procuradoria Geral em 15 de setembro de 2009. O relatório foi recebido pela subprocuradora-geral Cláudia Sampaio Marques. Caberia ao procurador-geral, Roberto Gurgel, decidir se pediria ou não ao STF abertura de inquérito contra os parlamentares. Mas, desde então, nenhuma providência foi tomada, vejam que não se pode confiar nem na Procuradoria-Geral da República.
Fonte: Tribuna da Internet.

sexta-feira, 23 de março de 2012

POLÍTICA - Haddad visita Lula.

Terra Magazine

Haddad visita Lula para conversa sobre alianças do PT em SP

Agência Brasil

Haddad e Lula devem conversar, principalmente, sobre a possível aliança do PSB com o PT em São Paulo


Marina Dias


O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, visita na manhã desta sexta-feira (23) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Hospital Sírio-Libanês, região central da capital paulista. O encontro servirá para que os dois conversem sobre possibilidades de alianças do PT nas eleições municipais - um processo que ainda engatinha, também em razão de partidos da base, como PR e PDT, estarem em crise com o governo Dilma.

A chegada de Haddad ao Hospital Sírio-Libanês, onde Lula faz sessão de fonoaudiologia, estava prevista para às 11h e, depois disso, o petista daria uma entrevista coletiva à imprensa.

Lula e Haddad poderão acertar os detalhes antes que o ex-presidente receba o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, no início da próxima semana. A reunião entre Lula e Campos está agendada há dias, como noticiou Terra Magazine.

De acordo com dirigentes do PT em São Paulo, o ex-presidente pedirá, mais uma vez, que o PSB esteja ao lado de Haddad nas eleições deste ano e a expectativa é a de que Campos sinalize o apoio, por mais que não o oficialize imediatamente.

Nas últimas semanas, o PSB em São Paulo chegou a articular uma aproximação à candidatura do tucano José Serra. O presidente do PSB-SP, Marcio França, também secretário de Turismo do governador Geraldo Alckmin, é um dos entusiastas da aliança com o PSDB. No entanto, petistas têm dito que Campos possui um "compromisso pessoal" com Lula e Dilma para estar com Haddad. Versão desmentida por França, que afirma ter acertado com o governador para que as negociações municipais sejam definidas e, somente depois de votadas na capital e no Estado, passem pela Executiva Nacional do partido.
Fonte:Terra Magazine