quarta-feira, 22 de abril de 2015

MÍDIA - A expulsão do dono do El Mercurio.


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A expulsão do dono do El Mercurio e a verdadeira velhinha de Taubaté


  

Nesta terça-feira (21) o tribunal de ética e disciplina da Associação dos Jornalistas do Chile (Colegio de Periodistas de Chile, em espanhol) aprovou a expulsão de Agustín Edwards Eastman (foto acima ao lado de Roberto Marinho), 87 anos, dono do grupo El Mercurio S.A.P., que controla os jornais El Mercurio, La Segunda, entre outros. Este grupo é parceiro do sistema Globo no GDA (Grupo de Diários da América), que reúne os barões da mídia na América Latina.


A decisão, qualificada como “histórica” pela presidenta da associação, Doris Jiménez, foi baseada no papel que o empresário desempenhou nos anos 70, tendo comprovadamente recebido dinheiro da CIA para desestabilizar o governo de Salvador Allende. Segundo os jornalistas chilenos, “as ações de Agustín Eastman ajudaram a implementar o golpe de estado em 11 de setembro de 1973 (...) não estamos dispostos a ter integrantes que tenham cometido atos com os quais se tornaram cúmplices de momentos tão obscuros para o Chile. De tortura, detenção e morte”. Enquanto isso vemos, no Brasil, uma concessão pública, o canal de TV aberta explorado pelo Grupo Globo, falsificar a história de forma tão grotesca que um dos principais porta-vozes da ditadura militar, o Jornal Nacional, é apresentado como “vítima” do regime que apoiou e incentivava. Fica a sugestão desta Notas Vermelhas para que os jornalistas brasileiros, representados pela Federação Nacional dos Jornalistas, pensem em algo semelhante ao que fizeram os colegas chilenos. Se Roberto Marinho alguma fez foi filiado à Fenaj, fundada em 1946, que ele seja expulso “post-mortem”. Se nunca foi, o que é mais provável, que a entidade aproveite o dia 26, quando a TV Globo completa 50 anos de fundação, para uma declaração onde o Roberto Marinho seja citado como exemplo de tudo o que o código de ética da profissão condena. É necessário, e mais do que isto, é justo.

Ruy Castro é a verdadeira velhinha de Taubaté

A velhinha de Taubaté é uma famosa criação de Luis Fernando Veríssimo. Ruy Castro a resgata nesta quarta-feira (22), no jornal Folha de S. Paulo. Ela surgiu em pleno governo Figueiredo. A capa do livro que a lançou mostra a velhinha sorrindo em frente a uma TV, sua principal fonte de informação e alienação. Vejam este trecho da crônica de apresentação:

“Porque a velhinha de Taubaté pode dar seus cochilos mas está atenta ao noticiário e fiscalizando tudo. Ela ficou muito contente em saber que todos os culpados pelo escândalo da mandioca serão punidos exemplarmente, que ninguém ficou sabendo da máxi antes do tempo para comparar seus dólares, que todos esses escândalos de que andam falando não passam de invenção da imprensa e que o caso de Delfin com o BNH foi totalmente esclarecido. A velhinha de Taubaté não tem a menor dúvida de que a Coca-Cola é mesmo, como sustenta a sua publicidade, isso aí”.

Ou seja, claramente a velinha de Taubaté “acreditava” na TV, que sempre mitigava e justificava os escândalos. Naquela época, através da Globo, a TV defendia o Governo Militar dia e noite, da mesma forma que hoje, também dia e noite, ataca os governos petistas.

A Velhinha de Taubaté foi pro Leblon

Só que Ruy Castro diz que a velhinha de Taubaté é uma amiga sua que acredita que “nunca na história deste país um governo mandou investigar tanto a corrupção quanto o de Dilma”. Isto revela que o escritor e cronista não entendeu nada sobre a crédula personagem. Hoje a TV diz que quem inventou a corrupção foi o PT e antes, se ninguém ia preso, é porque a corrupção não existia ou era muito menor. E o Ruy acredita. A TV também afirma que o aparelho judiciário e policial é absolutamente imparcial e conduz as investigações de forma isenta. Ruy fica entusiasmado. Até descolou um convite para ver o Moro recebendo uma medalha do grupo que controla a emissora de TV. Dizem inclusive que chorou na cerimônia. O escritor é uma daquelas figuras que foram se apequenando com o tempo, se bem que dele pode-se dizer que passa pela decadência sem nunca ter conhecido um verdadeiro apogeu. Como muitos da direita envergonhada, que adoram lembrar que um dia militaram na esquerda, tempos atrás Ruy Castro escreveu uma coluna no jornal O Globo, onde recordava do tempo em que gritava “fora FMI” e concluía que era um equívoco, pois o FMI é “apenas um banco que empresta dinheiro a países”. Não tem dúvida, a velhinha de Taubaté é mesmo o Ruy Castro. E já tem tempo que mora no Leblon.
Laerte acerta na veia




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POLÍTICA - FHC e o golpe em andamento.

FHC afirma que divergência entre tucanos é sobre como dar o golpe

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quarta-feira (22) que o PSDB não está rachado por conta de divergências sobre a análise de um eventual impeachment da presidenta Dilma Rousseff e afirmou que a destituição de um presidente da República não pode ser estimulada apenas por um desejo.

Por Dayane Santos



Para FHC, tucanos devem focar na Lava Jato para judicializar a políticaPara FHC, tucanos devem focar na Lava Jato para judicializar a política
O racha entre os tucanos consiste na divergência sobre qual é a melhor estratégia para aplicar o golpe. Inconformados com a derrota nas urnas, lideranças do PSDB e seus aliados buscam a qualquer custo esses caminho. No entanto, os mais histéricos tentam criar factoides - prontamente insuflados pela grande mídia - para gerar um clima de instabilidade e emplacar o golpe. Outros, como FHC, defendem a judicialização da política, chegando a encomendar pareceres a juristas para tentar fundamentar o impeachment.

Diferentemente de outros momentos em que negava o debate sobre o tema, o candidato derrotado e presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves, resolveu discutir oficialmente o assunto tendo como ponto de partida supostas irregularidades fiscais cometidas pelo governo, com base no relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), sob a acusação de violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Não vamos criar o que não existe. Não há divergências internas, mas pode haver opiniões, que não sei quais são porque não estou no Congresso”, minimizou FHC em entrevista a jornalistas após participar de um evento sobre drogas no Rio de Janeiro.

Fachada republicana

Não se enganem. Esse ar republicano de FHC é apenas fachada. O ex-presidente tucano afirma que o “impeachment não pode ser objeto de um desejo, é um processo”. Um recado claro aos golpistas que convocaram atos sob a bandeira do impeachment e pressionam o PSDB a sair do armário.

FHC admitiu que o partido tem dialogado com esses “movimentos”, mas afirma: “O que o Aécio fez ao dialogar com líderes e o que está sendo feito é perguntar: do ponto de vista jurídico, há condições para (o pedido de impeachment)? Não creio que tenham tomado decisão; não pode tomar antes dos fatos".

Ele frustra os intentos dos afoitos pelo golpe e afirma que não há fatos que possam levar ao impeachment. “Existe quando há questões prescritas na lei na qual os responsáveis incidiram”, enfatizou.

Mas Fernando Henrique não esconde que o seu objetivo é utilizar as investigações da Operação Lava Jato como instrumento para o golpismo tucano. Segundo ele, se houver novas descobertas no decorrer das investigações que apontem relação entre as irregularidades descobertas pela Lava Jato e membros do Congresso e do Executivo, haverá espaço emplacar o impeachment.

“A questão central no Brasil para mim hoje, sempre tendo em vista o fortalecimento da democracia, é levar a diante a operação Lava Jato e suas consequências. Eu não sei quais são as consequências para ver se existe alguma punibilidade eventual de algum poderoso ou que detenha poder de Estado, no Congresso ou no Executivo", disse. "Vamos aprofundar e defender a necessidade de ir fundo nas questões", completou.

Foco na Lava Jato

FHC escancara o seu plano ao afirmar que, se algo for descoberto no transcorrer das investigações, o passo seguinte deve ser consultar juristas sobre se as descobertas sustentariam um processo de destituição. Além disso, argumentou, seria preciso ouvir também a sociedade brasileira se há clima político no país para levar o debate à frente.

Será que a Veja lhe repassou alguma gravação seletiva ainda não vazada da delação premiada? Sim, porque a estratégia de FHC segue o factoide criado pela Veja às vésperas dos segundo turno das eleições, em que dizia ter posse de uma gravação em que o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, teria dito a um ainda misterioso delegado que Lula e Dilma sabiam da corrupção dentro da Petrobras.

“Isso não é partidário, é nacional. Se houve crime de responsabilidade, isso não é uma questão do PSDB, é algo nacional e não é o PSDB que tem que levantar bandeira aqui ou acolá. Que a população levante, estou de acordo. Parece haver um clima político para levar adiante um processo dessa natureza? Não adianta colocar o carro na frente dos bois? Tem que pensar sempre no depois", disse o tucano num tom bem republicano.

FHC acredita que seguindo essa estratégica a história não o reconhecerá como golpista, mas como herói nacional. Ledo engano. FHC já ocupa o rol dos traidores e entreguistas por conta de seus oito anos de desgoverno com privatizações, quebradeira da indústria, arrocho salarial e corte de direitos.

Do Portal Vermelho

GEOPOLÍTICA - China e a liderança econômica da Ásia.


O deslocamento do poder para o Oriente

Por Umberto Martins, no site da CTB:

A China conquistou uma grande vitória diplomática na batalha não declarada contra os EUA pela liderança econômica da Ásia, e do mundo, ao reunir 57 países na fundação do novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e lograr incluir neste grupo países como Inglaterra, Alemanha, França e Itália, considerados fiéis aliados do império.
Sabe-se, e não era de se esperar outra coisa, que Washington fez ostensiva campanha contra o empreendimento chinês, alegando que vai esvaziar o Banco Mundial, o que pode realmente ocorrer e, por sinal, não será lamentável. Afinal, trata-se de uma instituição que se mostrou impotente e incompetente diante da crise, remanescente decadente dos acordos de Bretton Woods, como o FMI, e igualmente dominada pelos imperialistas americanos e europeus e a serviço desses, como demonstrou o economista Joseph Stiglitz.

Isolamento dos EUA

Apesar dos apelos e das pressões, os EUA acabaram isolados, na companhia do Japão e Canadá. Certamente os interesses financeiros falaram mais alto, o dinheiro é sempre mais atraente e convincente que as ideologias. Veja como o Financial Times descreveu e analisou o inusitado acontecimento, em matéria assinada pelos jornalistas Lionel Barber, David Piling e Jamil Anderlini:

“Até janeiro, nenhum país ocidental parecia disposto a participar de uma instituição que representa um desafio claro à ordem mundial estabelecida e dominada pelos EUA. Mas, desde então, a maioria dos aliados de Washington já declarou sua adesão ao banco”, fato que os jornalistas interpretam, corretamente, como um “exemplo notável de como o poder geopolítico está se deslocando para o Oriente”.

A surpresa maior ficou por conta da Inglaterra, até então tida como aliada número 1 do império. Logo ela, sempre tão fiel e subserviente, foi agora estimular outros governos ocidentais a provar o prazer da infidelidade. “A decisão britânica, no mês passado, de aderir ao AIIB (sigla em inglês do novo banco), apesar dos protestos de Washington, provocou uma corrida de outros aliados europeus e ocidentais que deixou os EUA parecendo imobilizados e isolados. Mesmo altos funcionários americanos descreveram o episódio como uma surpreendente vitória diplomática de Pequim” (
http://www.valor.com.br/internacional/4009498/china-nao-quer-subverter-ordem-financeira-global-diz-o-premie-li).

Luta pela hegemonia

Parece que estamos presenciando um episódio singular da luta pela hegemonia geopolítica do globo, o que é um desdobramento natural das extraordinárias transformações econômicas em curso no mundo ao longo das últimas décadas como resultado de duas leis que caracterizam o movimento da histórica em nossa época: o desenvolvimento desigual das nações e o parasitismo econômico das potências capitalistas, que hoje contamina principalmente os EUA.

A China conquistou em 2014 o posto de maior economia do mundo. Tem um PIB maior do que o dos EUA sob o critério de paridade de poder de compra. Porém, a força e crescente influência da potência asiática no globo não estão associadas diretamente ao PIB. Derivam de sua exuberante liderança no comércio exterior e são ainda mais disseminadas pela proeminência, a cada dia maior, na exportação de capitais tanto sob a forma de investimentos diretos quanto indiretos. O próspero país asiático, dirigido pelo Partido Comunista, já não é apenas o banqueiro dos EUA, o maior credor da Casa Branca. Transformou-se, ao mesmo tempo, no grande banqueiro da América Latina, da África, da Ásia, do mundo.

Cautela chinesa

É preciso notar que no mesmo dia em que foi anunciada a adesão de 57 países (o Brasil inclusive) ao novo banco o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, recebeu o jornal inglês Financial Times para uma longa entrevista na qual assegurou que a “China não quer subverter a ordem financeira global” e sugeriu que o banco asiático de desenvolvimento foi criado para atuar em sintonia com o Banco de Desenvolvimento Asiático (dominado por EUA e Japão). Não constituiria, portanto, um “claro desafio à ordem mundial” como insinua o diário britânico na mesma matéria em que reproduz as opiniões do premiê.

Não se deve cutucar a onça com vara curta, ensina o ditado. É bem característica e compreensível a cautela do dirigente chinês, que procurou suavizar a repercussão do fato e acalmar os ânimos do poderoso rival, que apesar da decadência econômica ainda preserva incontestável superioridade na esfera militar. “Durante toda a entrevista Li absteve-se de se vangloriar e insistiu repetidamente que a China não tem nenhuma intenção de criar uma nova ordem mundial”, comentaram os jornalistas.

Resignação ou guerra?

Os estrategistas estadunidenses consideram que o maior desafio do império, na atualidade, é precisamente conter a ascensão da China. Mas a cada dia que passa vai ficando mais evidente que isto não será possível pela via do desenvolvimento pacífico da economia. O comportamento das economias nacionais é determinado por leis objetivas, indiferentes a vontades individuais e mesmo às políticas governamentais (sujeitas a limites e restrições fiscais). Não fosse assim as crises do capitalismo seriam facilmente contornadas ou corrigidas.

O parasitismo que grassa nos EUA (e se traduz nas dívidas), contaminando toda sociedade e influenciando negativamente o ciclo de reprodução do capitalismo estadunidense, tornou o declínio econômico irreversível. Mesmo um conflito comercial de grande proporção (ameaça recorrente) pode ser mais prejudicial aos norte-americanos que aos chineses, dado a reciprocidade dos laços de dependência comercial e financeira que unem as duas potências.

Restam à burguesia estadunidense uma honrosa resignação e conciliação com a emergência de um novo mundo em que já não terá a hegemonia ou a opção de cair na tentação de uma solução militar. Os conflitos e tensões crescentes em todo o planeta, com destaque para a Ucrânia, o Oriente Médio e o Mar da China, sugerem que infelizmente a segunda hipótese não pode ser descartada. A luta pela paz mundial nunca foi tão necessária, mas tudo indica que humanidade não alcançará a Paz Perpétua imaginada por Kant ou afastará o risco de guerra entre as nações sem antes ajustar as contas com o sistema capitalista e imperialista.

Voltarei ao tema nos próximos artigos.

* Umberto Martins é jornalista e assessor da CTB

MÍDIA - O Tea Party nativo.


The Economist e o Tea Party nativo

Por Altamiro Borges

A mídia colonizada adora bajular os artigos da publicação britânica “The Economist” – principalmente quando eles bombardeiam as esquerdas e defendem as teses ortodoxas do neoliberalismo. Na última sexta-feira (17), porém, a famosa “bíblia do capital” fez um curioso diagnóstico sobre os protestos recentes contra o governo Dilma. Os colunistas de plantão, com seu complexo de vira-latas, evitaram repercutir a reportagem. Afinal, os jornalões, as revistonas e as emissoras de rádio e tevê têm feito um grande esforço para vender a imagem de que estas marchas pregam a democracia e são pacíficas. “The Economist” preferiu não ludibriar os seus leitores e deu o nome aos bois. “Tea Party tropical quer derrubar Dilma”, afirma já no título. Vale conferir alguns trechos:
*****
O movimento anti-Dilma se assemelha aos protestos ocorridos na Europa e Estados Unidos, mas com grandes diferenças. Ao contrário do Syriza, na Grécia, e do Podemos, na Espanha, os organizadores das manifestações brasileiras não são de esquerda e não pertencem a um partido político. Há quem os compare aos americanos do Tea Party, que, de dentro do Partido Republicano, luta por um governo mínimo. Essa última comparação é mais apropriada.

(...)

Os manifestantes brasileiros simpatizam com os partidos de oposição do País e esperam poder influenciá-los. Renan Hass, do Movimento Brasil Livre (MBL), um dos principais organizadores das manifestações, quer que o PSDB seja “mais macho”. Mas, diferentemente do Tea Party americano, o movimento ainda é muito recente e fragmentado para ter voz no Congresso.

Os protestos de rua foram convocados por dezenas de pequenas organizações. Aos olhos dos simpatizantes do governo Dilma, os manifestantes representam uma elite privilegiada, alguns dos quais se mostram inclusive dispostos a atingir seu objetivo por meio de um golpe militar. A primeira alegação é, em parte, verdadeira; a segunda só se aplica a uma minoria lunática.

Muitos dos que aderiram ao MBL se identificam claramente com o laissez-faire extremista do Tea Party e chamam o PT de “comunista”. E mesmo os grupos menos radicais, como o Vem Pra Rua, o maior dentre os organizadores das manifestações, argumentam que a carga tributária brasileira, que chega a 36% do PIB, é muito alta, e a burocracia do governo federal, com 39 ministérios, grande demais. Um congressista do PT acusa o movimento de ser financiado pela CIA.

O fato, porém, é que eles não precisam desse tipo de dinheiro. O serviço de mensagens WhatsApp serve de escritório para os 2,5 mil ativistas do Vem Pra Rua. Nas manifestações de março, o grupo diz ter gastado menos de R$ 20 mil com a impressão de cartazes e o aluguel de um caminhão de som. Alguns grupos juntam dinheiro vendendo itens com palavras de protesto. Uma camiseta ‘Fora PT!’ custa R$ 40 no site do MBL. Designers gráficos, publicitários e advogados contribuem com trabalho voluntário. Entre suas atividades, está a divulgação de mensagens no Facebook, atualmente usado por dois quintos da população brasileira.


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The Economist até alivia a imagem dos grupelhos fascistas. Evita apurar as denúncias sobre os seus vínculos com “fundações” estrangeiras – especialmente a ligação do MBL com institutos de extrema-direita dos EUA. Também difunde a ideia de que as contribuições são voluntárias, mas não explica os milionários gastos em logística das duas últimas marchas. Ao final, a publicação chega a aconselhar: "Sem perspectiva de atrair mais gente para as ruas, os grupos precisam encontrar outras maneiras de pressionar o governo”.

Apesar destas limitações, a reportagem é bem mais honesta do que a maioria já publicada pela mídia nativa – que também se comporta como os aparatos de comunicação do Tea Party dos EUA.

POLÍTICA - O primeiro cidadão ilustre do Mercosul.

Enquanto suas palavras puderem ser compartilhadas, ele viverá, e este mundo será melhor!
      

O primeiro cidadão ilustre do Mercosul.

Em 2008, Galeano recebeu, de forma inédita, a distinção do bloco regional, e fez um inesquecível discurso. Leia aqui.

Da Redação

Em 2008, Galeano recebeu, de forma inédita, a distinção do bloco regional, e fez um inesquecível discurso, no qual disse ser um “patriota de várias pátrias”. “Somente sendo juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos amaestrou para o medo, a resignação e a solidão, e que cada dia nos ensina a que nos desamemos”, expressou.
Por Eduardo Galeano
Nossa região é um reino de paradoxos.
Brasil, para ir caso a caso: paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais belas formações da arte da época colonial; paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e a poliomelite, nascido para a desgraça, foi o jogador que mais graça ofereceu em toda a história do futebol e, paradoxalmente, quando completou cem anos de idade, Oscar Niemeyer era mais novo e mais jovem arquiteto brasileiro.
Ou falemos do caso da Bolívia: em 1978, cinco mulheres deram fim a uma ditadura militar. Paradoxalmente, toda a Bolívia se burlou delas quando iniciaram sua greve de fome. Paradoxalmente, toda Bolívia terminou jejuando com elas, ate a ditadura cair.
Eu conheci uma dessas cinco teimosas, Domitila Barrios, na pequena vila mineira de Llallagua. Numa assembleia de operários de minas, todos homens, ela se levantou e fez todos se calarem.
Quero dizer com isso que nosso inimigo principal não é o imperialismo, nem a burguesia, nem a burocracia. Nosso principal inimigo é o medo, esse que levamos dentro de nós.
E anos depois, reencontrei a Domitila em Estocolmo. Foi expulsa da Bolívia, terminou no exílio, com seus sete filhos. Domitila estava muito agradecida pela solidariedade dos suecos, e admirava sua liberdade, mas eles lhe davam pena, tão solitários que eram, bebendo sozinhos, comendo sozinhos, falando sozinhos. E lhes dava conselhos:
– Não sejam bobos – dizia ela – juntem-se. Nós, lá na Bolívia, nos juntamos. Nem que seja para brigar, nos juntamos.
E quanta razão ela tinha. Por que, me pergunto eu, existem os dentes, se não se juntam na boca? Se existem os dedos, por que não se juntam as mãos?
Estar juntos: e não somente para defender o preço de nossos produtos, mas também, e sobretudo, para defender o valor de nossos direitos. Bem juntos estão, ainda que de vez em quando simulem rancores e disputas, os poucos países ricos que exercem a arrogância sobre todos os demais. Sua riqueza come pobreza e sua arrogância come medo. Há bem pouco tempo, para dar um caso exemplar, a Europa aprovou a lei que transforma os imigrantes em criminosos. Paradoxo dos paradoxos: Europa, que durante séculos invadiu o mundo, fecha a porta na cara dos necessitados, quando eles retribuem a visita. Essa lei foi promulgada com uma assombrosa impunidade, que poderia parecer inexplicável se não estivéssemos acostumados a sermos comidos e a viver com medo.
Medo de viver, medo de dizer, medo de ser. Esta nossa região forma parte de uma América Latina organizada para o divórcio de suas partes, para o ódio mútuo e a mútua ignorância. Mas só sendo juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos vem amaestrando para o medo e a resignação e a solidão, e que cada dia nos ensina a desamarmos a nós mesmos, a cuspir no espelho, a copiar em vez de criar.
Durante toda a primeira metade do Século XIX, um venezuelano chamado Simón Rodríguez (NOTA TRADUÇÃO: não será Bolívar? Simón Rodríguez morreu 115 anos antes da Guerra do Paraguay, e não 15, como o texto diz) andou pelos caminhos da nossa América, no lombo de uma mula, desafiando os donos do poder:
– Vocês – clamava dom Simón –, vocês que tanto imitam os europeus, por que não imitam o que eles têm de mais importante, que é a originalidade?
Paradoxalmente, ninguém escutava esse homem que merecia tanto ser escutado. Paradoxalmente, o chamaram louco, porque tinha a sanidade suficiente para crer que devemos pensar com nossas próprias cabeças, porque era são o suficiente para propor uma educação para todos e uma América de todos, e dizia que qualquer um engana aquele que não sabe, e qualquer um compra aquele que não tem nada. Cometia a sanidade de duvidar da independência de nossos países recém-nascidos:
– Não somos donos de nós mesmos – dizia – somos independentes, mas não somos livres.
Quinze anos depois da morte do louco Rodríguez, o Paraguai foi exterminado. O único país hispano-americano que de verdade era livre foi paradoxalmente assassinado em nome da liberdade. O Paraguai não estava preso na jaula de uma dívida externa, porque não devia um centavo a ninguém, e não praticava a mentirosa liberdade de comércio, que nos impunha e nos impõe uma economia de importação e uma cultura de “impostação”.
Paradoxalmente, ao cabo de cinco anos de guerra feroz, entre tanta morte, sobreviveu a origem. Segundo a mais antiga de suas tradições, os paraguaios haviam nascido da língua que lhes deu o nome, entre as ruínas fumegantes sobreviveu essa língua sagrada, a língua primeira, a língua guarani. E os paraguaios ainda falam em guarani na hora de dizer a verdade, na hora do amor e do humor.
Em guarani, ñeñé significa palavra, e também significa alma. Quem com a palavra mente trai também a alma.
Se te dou minha palavra, te dou a mim.
Um século depois da Guerra do Paraguai, um presidente do Chile deu sua palavra, e deu a si mesmo.
Os aviões cuspiam bombas sobre o palácio de governo, também metralhado pelas tropas em terra. Ele havia dito:
– Daqui eu não saio vivo.
Na história latino-americana, é uma frase frequente. Já foi pronunciada por vários presidentes que depois saíram vivos, para seguir pronunciando-a. Mas essa bala não mentiu. A bala de Salvador Allende não mentiu.
Paradoxalmente, uma das principais avenidas de Santiago do Chile se chama, ainda, 11 de Septiembre. E não se chama assim pelas vítimas das Torres Gêmeas de Nova York. Não. Se chama assim em homenagem aos carrascos da democracia no Chile. Com todo o respeito por esse país que amo, me atrevo a perguntar, por puro sentido comum: não seria a hora de mudar esse nome? Não seria a hora de chamá-la Avenida Salvador Allende, em homenagem à dignidade da democracia e à dignidade da palavra? (nota da tradução: evidentemente se chamava assim quando Galeano escreveu e pronunciou esse discurso, mas teve seu nome alterado em 2013, hoje se chama Nueva Providencia)
E saltando a cordilheira, me pergunto: por que será que Che Guevara, o argentino mais famoso de todos os tempos, o mais universal dos latino-americanos, tem esse costume de continuar nascendo? Paradoxalmente, quanto mais o manipulam, quanto mais traem o seu legado, mais ele renasce. O homem mais nascedor de todos.
E me pergunto: não será por que ele dizia o que pensava, e fazia o que dizia? Não será que por isso segue sendo tão extraordinário, neste mundo onde as palavras e os feitos muito raramente se encontram, e quando se encontram não se saúdam, porque não se reconhecem?
Os mapas da alma não têm fronteiras, e eu sou patriota de várias pátrias. Mas quero culminar esta viagenzinha pelas terras da região, evocando a um homem nascido, como eu, aqui pertinho, no Uruguai.
Paradoxalmente, ele morreu há um século e meio, mas continua sendo meu compatriota mais perigoso. Tão perigoso é que a ditadura militar uruguaia não pode encontrar nenhuma frase sua que não fosse subversiva, e teve que decorar o mausoléu erguido, para ofender a sua memória, com datas e nomes de batalhas.
A ele, que se negou a aceitar que nossa pátria se rompesse em pedaços, a ele, que se negou a aceitar que a independência da América fosse uma emboscada contra seus filhos mais pobres, a ele, que foi o verdadeiro primeiro cidadão ilustre da região, dedico esta distinção, que recebo em seu nome.
E termino com palavras que escrevi a ele faz algum tempo:
Era 1820, quando você cruzou a fronteira do Boquerón. Sem olhar para trás, se submergiu no exílio. Eu o vejo, o estou vendo: se desliza pelo Paraná com a paciência de um lagarto e se afasta flameando seu poncho rasgado, trotando o cavalo, e se perde mata adentro.
Você não diz adeus à sua terra. Ela não acreditaria. Ou talvez você não saiba, ainda, que está partindo para sempre.
A paisagem vai ficando cinza. Você vai, vencido, e sua terra fica sem fôlego.
Poderão lhe devolver a respiração os filhos que dela nasçam? Os amantes que nela cheguem? Quem dessa terra, quem nessa terra entre? Serão dignos de tristeza tão profunda?
Sua terra. Nossa terra do sul. Você aqui sempre será tão necessário, dom José. Cada vez que os gananciosos a machuquem e a humilhem, cada vez que os tontos pensam que ela é muda ou estéril, você fará falta. Porque você, dom José Artigas, general dos mais humildes, é a melhor palavra que ela já disse.

PETRÓLEO - Serra quer entregar o pré-sal.

Não é só o Requião que tem que combater esse projeto com unhas e dentes! Somos todos nós, para defender o futuro dos brasileiros e brasileiras. E ele não é só entreguista. É criminoso!
            

 
Requião: Projeto de Serra significa entrega total do pré-sal

Em entrevista publicada nesta quinta-feira (2) no Brasil 247, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) classificou o projeto do também senador José Serra (PSDB-SP), de abertura da exploração do pré-sal ao capital privado como entreguista.

Agência Senado
Requião disse que irá combater, com unhas e dentes, o projeto de Serra no Senado
“O plano dele é o fim do mundo”, disse Requião. “Significa a entrega total do pré-sal”, completa o senador, afirmando que irá combater, com unhas e dentes.

Na última segunda-feira, Requião reuniu diversos colegas para um jantar suprapartidário em sua casa, em Curitiba. Do encontro, participaram nomes como Gleisi Hoffmann (PT-PR), Luiz Henrique (PMDB-SC), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e José Serra (PSDB-SP). O
convidado principal era o economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, que falou sobre uma nova agenda de desenvolvimento para o País.

De acordo com o 247, no encontro, Serra antecipou seu plano para a Petrobras dizendo se tratar de uma proposta para fortalecer a estatal que deve se restringir às atividades de prospecção e exploração. Serra saiu de Curitiba sem aliados.
Na entrevista, Requião afirma que vai usar como instrumento a publicação, pela gráfica do Senado, de todas as informações sobre o Brasil já divulgadas pelo Wikileaks, o site de vazamentos de informações confidenciais criado pelo australiano Julian Assange. “Estão ali todas as conversas do Serra com a Chevron, em que ele promete abrir o pré-sal”, advertiu Requião.
Para o senador, a proposta de Serra, além de inoportuna, não tem chances de prosperar no Senado. “Ainda mais agora que a China iniciou seu Plano Marshall para a Petrobras”, disse Requião, referindo-se ao empréstimo de US$ 3,5 bilhões concedido pelo Banco de Desenvolvimento da China para a Petrobras. “Quem vai ousar dizer que a Petrobras não tem crédito no mercado internacional?”, questionou.
Do Portal Vermelho, com informações do Brasil 247

POLÍTICA - O pensamento coxinha.

O pensamento coxinha

Guilherme Boulos*

 

O orgulho coxinha entrou na moda. Muitos andam por aí, nas ruas e nas redes, autoproclamando-se "coxinhas" sem nenhum pudor. Virou identidade positiva. O coxinha se considera trabalhador, estudioso, um cidadão de bem que cumpre seus deveres. É contra a corrupção e privilégios que firam a meritocracia.

Mas, já nos ensinou Freud, sempre é bom desconfiar do juízo que as pessoas fazem sobre si próprias. Os coxinhas que têm infestado o debate político atual não são exatamente modelos de retidão e coerência.

São adeptos do "dois pesos, duas medidas". Sua visão tacanha do mundo, que dificilmente resiste à crítica, com frequência descamba para o ódio e a intolerância. Substituem os argumentos por xingamentos.

O coxinha se indigna com os R$ 25 bilhões que o Estado paga anualmente ao Bolsa Família, mas acha normal os R$ 978 bilhões pagos por este mesmo Estado ao bolsa banqueiro.

Ele sai às ruas de branco pedindo redução da maioridade penal quando um cidadão de classe média é assassinado, mas mantém seu silêncio sorridente ao saber que, a cada dia, dois jovens pobres são mortos pela polícia de São Paulo.

Acha que a corrupção no Brasil começou com o PT e faz vistas grossas ao trensalão, ao escândalo do HSBC ou ao aeroporto do titio.

O coxinha, ao saber que as riquezas do 1% mais ricos ultrapassarão a dos 99% restantes no mundo em 2016, atribui isso ao trabalho e esforço desse 1%, mesmo estando sem dúvida alguma entre os 99%.

É contra privilégios desde que não sejam os dele. Queixa-se de que o aeroporto virou rodoviária e de que a classe média já não pode ter empregada doméstica.

O coxinha se mobiliza contra a corrupção, mas não lhe passa pela cabeça defender o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais, fundamento de 11 entre 10 escândalos de corrupção no Brasil.

Para ele, o mundo se divide entre esforçados e vagabundos. Por isso é contra as cotas e programas sociais. Se os negros ganham 42% em média a menos que os brancos, deve ser porque trabalham menos. Se ainda há pobres é porque se escoram no Bolsa Família e não querem aprender a pescar.

O pensamento coxinha é primário. Não passa por elaboração crítica e não resiste a cinco minutos de questionamento. Numa típica formação reativa, transforma a insuficiência em insulto. Mostra que entre a inconsistência e a agressão há apenas um passo.

Alguns dizem que a onda coxinha revela o nascimento de uma nova direita no Brasil. Direita sim, nova nem tanto. São apenas os velhos ranços, preconceitos e indignações seletivas da porção mais conservadora da classe média que encontraram ocasião para sair de algum canto do armário.

Recomenda-se que guarde os fascismos para si. Quando se é racista, misógino e antipopular abertamente, tendo ainda auditórios para aplaudir, é mau sinal. O orgulho coxinha simboliza o emburrecimento do debate público no Brasil.


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* . Guilherme Boulos é filósofo formado pela USP e professor de psicanálise.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

MÍDIA - Quem mandou aceitar o convite!

Comentário da jornalista sueca Lotten Collin para a rádio sueca onde ela fala um pouco dos protestos contra o governo que ela cobriu e sua experiência em ter participado de um programa jornalístico da Rede Globo, como se diz no linguajar popular, ela foi curta e grossa.
Ela diz o seguinte “Rio de Janeiro segunda feira, como sempre todas as manhãs vejo as notícias, jornais, rádio e TV para ter uma visão geral de tudo que está acontecendo e me deparo com os comentários das mesmas pessoas, Merval Pereira fala sobre política, Miriam Leitão sobre economia e Carlos Sandenberg um pouco de tudo, como é possível um país de muitos milhões de habitantes haver tão poucas pessoas para dar as notícias, a resposta é Globo, no Brasil há liberdade de expressão, mas pode esquecer isso, pois a Globo tem total monopólio e é dona do público através das novelas, esporte e desfiles de escolas de samba etc. sempre o mesmo, isso fica muito evidente nos noticiários da emissora, por exemplo, nos últimos meses houve vários protestos contra o governo de Dilma Rousseff e a Globo falou em 2 milhões de pessoas nas ruas, conversei com policiais e outros jornalistas que discordavam desses números e disseram que havia metade disso, é certo que há diferentes formas de dizer a verdade, mas as pessoas só tem uma escolha, a Globo.
Um dia fiquei muito honrada quando a Globo me ligou convidando para participar de um programa jornalístico da GloboNews, para discutir o que os jornalistas estrangeiros pensam sobre os protestos contra o governo, me sentei entre um jornalista da CNN e outro da Bloomberg News, e o apresentador do programa me perguntou o que eu achava dos protestos contra o governo, eu respondi a verdade, que eu fiquei chocada como os brasileiros pensam sobre querer a volta da ditadura, mas ficou bem claro para mim que eram pessoas da classe média branca que estavam nas ruas, então o apresentador me interrompeu e chamou os comerciais, bem no meio da minha resposta, depois dos comerciais uma mulher que nunca vi antes disse para mim, “Lotten pelo jeito você é de esquerda” e ela perguntou para o jornalista da Bloomberg sobre economia.
Quando terminou o programa o produtor deu uns tapinhas nas minhas costas e disse, “ Aaha, então você é uma comunistazinha” depois do programa, quando voltei para casa meu facebook e meu twitter estava cheio de mensagens, metade eram mensagens amorosas pela minha coragem de ter dito aquilo na Globo, e outra metade eram cheia de ódio, algumas diziam “volte para o lugar de onde você veio e nunca mais volte nesse programa” essa mensagem é verdade, nunca mais voltarei na Globo num programa de debate”

POLÍTICA - E eu que não sabia que o pessoal da Av. Paulista era tão politizado.

Em quem confiam mais: na Veja;
Melhores comentaristas políticos:Raquel Sherazade e Reinaldo Azevedo;64% concordam que o PT quer implantar um regime comunista no Brasil;
71% acham que o filho do Lula é sócio da Friboi;
85% acreditam que o Fórum de São Paulo quer criar uma ditadura bolivariana no Brasil;
A maioria acredita que o PT "importou" 50 mil haitianos para votar na Dilma;
Da mesma forma, acham que o PCC é um braço armado do PT;
Para essa turma, os políticos mais confiáveis são o Aécio, o Alckmin e o Bolsonaro;
Como liderança política, na frente o Aécio, o FHC e o PSDB;
Para terminar, acreditam  que as cotas nas Universidades geraram mais racismo.

Lamento que os pesquisadores tenham se esquecido de perguntar a respeito do papel dos médicos cubanos, na conscientização de pobres brasileiros, da necessidade de uma revolução no Brasil, nos moldes da cubana.

O pessoal da passeata, com suas avaliações tão sensatas e equilibradas, mostrou que estão
corretos ao pedir o impeachment da Dilma e substituí-la pelo Aécio Neves, a verdadeira liderança nacional, que tem por trás, o PSDB, partido melhor avaliado.

Pesquisa com os participantes da manifestação do dia 12 de abril de 2015 sobre confiança no sistema político e fontes de informação

Foram realizadas 571 entrevistas com manifestantes maiores de 16 anos. As entrevistas foram conduzidas entre as 13:30 e as 17:30 do dia 12 de abril e distribuídas por toda a extensão da Avenida Paulista.
Margens de erro de até 2.1 %










Tabelas de dados

Sexo


Sexo
Não respondeu 0.40
Feminino 46.90
Masculino 52.70

Idade


Idade
16-25 15.40
26-35 20.20
36-45 19.10
46-55 21.10
56-65 15.40
66-75 6.80
76-85 1.90

Renda Familiar


Renda
Não respondeu 3.30
até R$ 1.576 4.70
de R$ 1.576 a R$ 2.364 4.70
de R$ 2.364 a R$ 3.940 14.40
de R$ 3.940 a R$ 7.880 24.80
de R$ 7.880 a R$ 15.760 28.50
acima de R$ 15.760 19.50

Escolaridade


Escolaridade
Não respondeu 0.00
fundamental incompleto 0.90
fundamental completo 1.90
médio incompleto 3.70
médio completo 13.50
superior incompleto 11.60
superior completo 68.50

Cor


Cor
Não respondeu 0.00
branca 77.40
parda 13.30
preta 4.90
amarela 3.00
indígena 0.40
outra 1.10

Confiança na imprensa


Imprensa Folha de São Paulo Estado de São Paulo Veja Carta Capital Jornal Nacional Jornal da Record Globo News El País BBC
Não respondeu 0.20 0.00 0.00 0.00 0.40 0.40 0.40 0.20 0.20 0.40
confia muito 21.00 26.00 40.20 51.80 16.80 16.30 14.90 34.50 9.50 31.70
confia pouco 57.80 42.30 41.90 31.90 19.50 45.70 42.00 38.90 17.20 23.60
não confia 20.80 29.80 14.70 14.70 32.60 37.10 31.30 22.60 14.70 9.10
não conhece 0.20 1.90 3.20 1.60 30.70 0.50 11.40 3.90 58.50 35.20

Confiança em partidos


Partidos PT PSDB PMDB Rede PSOL
Não respondeu 0.50 0.20 0.20 0.20 0.70 0.20
confia muito 1.10 0.20 11.00 1.40 2.60 1.90
confia pouco 25.20 3.70 41.20 16.30 14.00 16.10
não confia 73.20 96.00 47.60 81.80 61.10 77.10
não conhece 0.00 0.00 0.00 0.40 21.50 4.70

Confiança em ONGs e Movimentos Sociais


ONGs Movimentos sociais Vem pra rua Brasil Livre MPL MST Revoltados Online MTST
Não respondeu 0.70 0.20 0.20 0.20 0.20 0.20 0.20 0.20
confia muito 20.00 30.50 70.80 52.70 25.20 3.90 19.30 4.20
confia pouco 46.20 48.00 20.80 21.90 28.20 9.10 26.30 11.40
não confia 29.80 20.30 6.00 9.30 37.80 84.40 30.60 79.20
não conhece 3.30 1.10 2.30 15.90 8.60 2.50 23.60 5.10

Confiança em políticos


Políticos Aécio Neves Dilma Rousseff Eduardo Cunha Fernando Haddad Geraldo Alckmin Jair Bolsonaro Jean Wyllys José Serra Luciana Genro Lula Marina Silva Pastor Feliciano
Não respondeu 0.90 0.40 0.40 0.40 0.50 0.50 0.50 0.50 0.50 0.50 0.50 0.70 0.70
confia muito 0.40 22.60 0.40 3.20 2.10 29.10 19.40 3.90 23.80 4.00 1.40 14.70 3.90
confia pouco 28.90 48.30 2.50 17.00 8.40 41.50 18.60 9.80 42.70 12.30 2.50 44.70 13.10
não confia 69.90 28.40 96.70 73.40 87.60 28.00 51.30 70.20 32.70 74.30 95.30 39.80 75.10
não conhece 0.00 0.40 0.20 6.10 1.40 0.90 10.20 15.60 0.20 8.90 0.40 0.20 7.20

Fontes de informação sobre política


Twitter Whatsapp Facebook Sites de jornais, tvs, etc Blogs
Não respondeu 13.00 13.80 13.80 12.40 12.80
muito 6.70 26.60 47.30 56.20 7.50
pouco 12.40 26.10 24.00 23.60 14.20
nada 68.00 33.50 14.90 7.70 65.40

Confiança em comentaristas políticos


Demétrio Magnoli Guilherme Boulos Gregório Duvivier Jânio de Freitas José Luiz Datena Luis Nassif Olavo de Carvalho Paulo H. Amorim Raquel Sherazade Reinaldo Azevedo William Bonner Vladimir Safatle
Não respondeu 1.10 0.90 1.10 0.90 0.90 0.90 0.70 0.90 0.90 1.10 0.90 0.90
confia muito 9.50 2.50 4.00 7.20 18.20 12.10 17.20 28.00 49.40 39.60 25.20 4.20
confia pouco 11.70 10.90 14.90 17.50 33.10 23.10 17.90 38.50 21.70 19.80 45.00 17.30
não confia 6.70 18.90 17.50 11.70 43.80 25.40 10.70 25.00 11.40 9.80 27.70 16.50
não conhece 71.10 66.80 62.50 62.70 4.00 38.50 53.60 7.50 16.60 29.80 1.20 61.10

Concordância com as frases


O PT quer implantar um regime comunista no Brasil Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, é sócio da Friboi Os desvios da Petrobrás são o maior caso de corrupção da história do Brasil O Foro de São Paulo quer criar uma ditadura bolivariana no Brasil Cotas nas universidades geram mais racismo O PCC é um braço armado do PT O bolsa-família só financia preguiçoso O PT trouxe 50 mil haitianos para votar na Dilma nas últimas eleições
Não respondeu 1.40 0.70 0.70 1.10 1.20 1.20 1.10 1.20
concorda 64.10 71.30 85.30 55.90 70.90 53.20 60.40 42.60
não sei 4.60 17.30 2.30 21.90 6.30 17.90 5.30 29.20
não concorda 29.90 10.70 11.70 21.20 21.50 27.70 33.30 27.00
Coordenação da pesquisa: Pablo Ortellado (USP), Esther Solano (Unifesp)
Entrevistadores: Alencar Mattje, Beatriz Candiotto, Bruno Lourenço, Caique Duarte, Carol Tomás, Carolina Martins, Felipe Cesar, Giovana Beltrame, Guilherme Gomes, Guilherme Tacini, Hércules Laino, Julia Castilho, Julia Jubileu, Késia Pereira, Klaus Hermann, Leonardo Simioni, Lucas Marques, Maria Cláudia Barbesco, Marina Moreira, Marina Rongo, Mateus Ferreira, Matheus Fava, Paula Cappelletti, Paulo Lugoboni, Pedro Grote, Pedro Henrique Costa, Petrus Valeriani, Raquel Tiemi, Rayane Lima, Vitos Torsani
Digitadores: Andressa Almeida, Beatriz Candiotto, Caique Duarte, Felipe Cesar, Heidy Motta, Helena Curan, Késia Pereira, Larissa Gattei, Maria Cláudia Barbesco
Tratamento estatístico: André Chalom
Apoio: Fundação Ford e Lucia Nader
Agradecimento: Matilha Cultural
Agradecemos ao laboratório LAGE/USP pela hospedagem desta página. A LAGE/USP não participou da realização desta pesquisa


    POLÍTICA - Aceleraram o andamento do golpe.


    Objetivo é o impeachment e o fim do PT





    Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:


    Após uma brevíssima trégua, as oposições voltaram com tudo esta semana, unindo partidos e "movimentos de rua" em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

    Só derrubar o governo, no entanto, já não basta. O objetivo agora é simplesmente defender a extinção do PT, como anunciou o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, durante o depoimento na CPI da Petrobras feito semana passada pelo tesoureiro do partido, João Vaccari, que foi preso pela Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira.
    Logo após a prisão, o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado, divulgou nota em que pede abertamente, sem meias palavras, o impeachment da presidente e o fim do partido que governa o país há mais de 12 anos:

    "Diante desse cenário, tudo caminha para que o PT perca o registro de partido político. E, comprovado que a presidente Dilma fosse beneficiada por esse esquema em suas campanhas, será mais do que suficiente para ela perder o mandato por corrupção".

    Na mesma linha, o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno, correu à imprensa para afirmar que as condições estão sendo criadas para o impeachment contra a presidente Dilma: "O povo na rua, a PF, o Ministério Público e o Judiciário agindo. Cada vez o cerco apertando mais. Será inevitável, no final, o processo de impeachment".

    Com medo de perder o bonde, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, já havia saído dos seus confortos, na véspera, ao encontrar motivos "extremamente fortes" para defender o impeachment da presidente Dilma, tese que o partido, aconselhado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, havia deixado em stand by, à espera dos pareceres de seus juristas.

    Aécio resolveu aderir ao neotucanato xiita liderado por Carlos Sampaio, que foi advogado da sua campanha presidencial, depois de receber representantes do "Vem para a Rua", um dos movimentos que levantaram a bandeira do "Fora Dilma" nas manifestações do último domingo.

    "Impeachment não é uma palavra proibida. Impeachment não é golpe, é constitucional", justificou o candidato a presidente do PSDB derrotado nas eleições de outubro.

    Os tucanos e suas linhas auxiliares não só não desistiram do terceiro turno como agora partiram para eliminar o adversário no parlamento, na mídia e nos tribunais.

    Aceleraram o andamento do golpe, sim, pois é este o nome que se dá à tentativa de revogar os resultados das urnas por outros meios.

    Vida que segue.

    terça-feira, 14 de abril de 2015

    POLÍTICA - O que é terceirização?

    O que é terceirização? Trabalhar mais e ganhar menos

       
     O que é terceirização? Trabalhar mais e ganhar menos
    A palavra é feia, mas ainda não inventaram outra melhor para expressar o que ela significa: sistema de aluguel de mão de obra para reduzir os custos das empresas, aumentando a carga de trabalho e diminuindo os salários dos empregados.
    Em resumo, é isso. Enquanto todo mundo se distrai com as ações de Levy na economia e Temer na política, a Lava-Jato e os novos rumos dos movimentos pelo impeachment da presidente Dilma, nossos deputados, discretamente, sob o comando do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, estão armando aquilo que o sociólogo Ruy Braga chamou de "maior derrota dos trabalhadores desde o golpe de 1964".
    Eu iria um pouco mais longe. Se terminar de ser votada nesta terça-feira, a Lei 4330, que regulamenta a mão de obra terceirizada, significará o enterro da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a grande conquista da Era Vargas, ao garantir os primeiros direitos sociais aos assalariados brasileiros.
    Para se ter uma ideia do que está em jogo neste momento, é preciso citar alguns números. Estudos apresentados pelas centrais sindicais, que combatem a nova lei, mostram que os  terceirizados trabalham três horas a mais por dia do que os empregados formais para ganhar, em média, um salário 24% menor.  A diferença vai, é claro, para os bolsos dos empresários, tanto os que alugam como os que contratam mão de obra terceirizada.
    Temos hoje no país 35 milhões de empregados formais e 13 milhões de terceirizados. Caso esta lei seja aprovada na Câmara, e depois no Senado, em pouco tempo a relação será certamente invertida porque nenhuma empresa vai querer pagar mais se pode gastar menos com seus funcionários.
    Quando trabalhei no governo, no começo dos anos 2.000, tive um bom exemplo de como isto funciona: os motoristas terceirizados do Palácio do Planalto ganhavam até cinco vezes menos do que seus colegas contratados pela Câmara, do outro lado da praça dos Três Poderes, para executar o mesmo serviço.
    Aluguel de mão de obra é mais ou menos a mesma intermediação que os antigos "gatos" faziam ao fornecer "boias-frias" para as lavouras de cana dos fazendeiros paulistas, que combateram Getúlio Vargas desde 1932 e nunca se conformaram com a derrota.
    Se Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, estão do mesmo lado, em defesa da Lei 4.330, os trabalhadores brasileiros que vivem de salário podem ter certeza de que coisa boa para eles não é. Terceirização pode ser traduzida por precarização do trabalho.
    Na marcha batida para o retrocesso em que caminha o país, a terceirização ora regulamentada é apenas mais um passo, ao lado da redução da maioridade penal, do estatuto da família, do fim do estatuto do desarmamento e da reforma política congressual, que pretende constitucionalizar o financiamento empresarial das campanhas políticas.
    Estão agora ameaçadas as conquistas sociais das últimas décadas, destinadas a diminuir a desigualdade e os preconceitos, para tornar o país mais contemporâneo do mundo civilizado. E parece que quase ninguém está se dando conta dos perigos deste processo, de volta à Idade Média.
    Vida que segue.