domingo, 2 de novembro de 2008

MOVIMENTOS SOCIAIS - Declaração sobre a proposta de uma "Cúpula Global" para reformar o sistema financeiro internacional.

550 organizações sociais de 88 países tomam posição sobre a reunião do G-20, marcada para 15 de Novembro para debater a crise financeira mundial.
As organizações denunciam as políticas neoliberais impostas aos países em desenvolvimento, apoiam uma conferência internacional convocada pelas Nações Unidas, mas não o G20, reivindicam uma resposta verdadeiramente mundial a esta crise e apresentam princípios para isso acontecer.

Antecedentes

Ao longo dos últimos meses assistimos a uma das crises financeiras mais significativas da história da América do Norte e da Europa. A resposta a esta crise foi igualmente histórica. Para evitar a recessão nas economias regionais e global e restabelecer a estabilidade e a confiança no mercado, os governos do Norte estão a pôr em marcha um programa sem precedentes, marcado pela intervenção governamental, nacionalização de bancos, injecção generalizada de subsídios a instituições em crise e a re-regulação dos seus efeitos financeiros.

Essa resposta contrasta directamente com as austeras políticas neoliberais que têm sido impostas aos países em desenvolvimento por parte do Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e os países desenvolvidos durante os últimos trinta anos. Os governos foram forçados a liberalizar as barreiras comerciais, desregular os mercados financeiros e de trabalho, privatizar as indústrias nacionais, abolir os subsídios e reduzir o gasto social e económico. O Estado viu o seu papel ser drasticamente reduzido.

Este duplo padrão não somente é inaceitável, como também é um sinal da queda do fundamentalismo do livre mercado. O sistema financeiro internacional, a sua arquitectura e instituições foram totalmente esmagados pela magnitude da actual crise financeira e económica. O sistema financeiro, a sua arquitectura e instituições devem ser completamente reformulados.

Uma verdadeira resposta global a uma crise global

Nas últimas semanas, líderes mundiais reconheceram as deficiências do actual sistema financeiro e manifestaram a necessidade de se reunir para abordar um conjunto mais amplo de propostas para reformar o sistema financeira mundial e as suas instituições. É imprescindível chegar a um acordo mais amplo sobre medidas imediatas, capazes de fazer frente à crise e estamos convencidos de que se deve dar prioridade aos impactos sobre os trabalhadores comuns, às famílias de baixa rendimento, reformados e outros sectores mais vulneráveis. Porém, preocupa-nos profundamente que as reuniões propostas aconteçam de maneira apressada e não inclusiva, e que, portanto, não abordem a ampla gama de mudanças necessárias nem distribuam a carga das mesmas de forma justa.

Ainda que a crise tenha origem nos países do Norte, os impactos serão provavelmente maiores nos países em desenvolvimento. Assim, é fundamental que todos os países tenham voz no processo de mudança da arquitectura financeira internacional. As soluções não equitativas nem sustentáveis para transformar o actual sistema poderão ser o resultado de uma conferência preparada com urgência e que exclua vários países e a sociedade civil. Esses esforços podem comprometer ainda mais a confiança pública e limitar os países que já estão a optar por soluções regionais em vez de um sistema financeiro internacional mais forte, mais coerente e mais justo.

Os nossos pedidos - tempo para repensar a fundo

Nós, as organizações da sociedade civil que assinam essa carta, apoiamos uma transformação imprescindível e de longo alcance do sistema económico e financeiro internacional. Para servir a esta finalidade, apoiamos a convocação de uma conferência internacional pelas Nações Unidas com o objectivo de examinar a arquitectura financeira e monetária, as suas instituições e o seu governo, mas somente se a reunião se comprometer com um processo que:

1. Não seja excludente e preveja a participação de todos os governos do mundo;
2. Inclua representantes dos movimentos sociais, da sociedade civil, de grupos cidadãos e outras partes interessadas;
3. Tenha um calendário claro e um processo de consultas regionais, em particular com os principais afectados pela crise;
4. Seja amplo em seu alcance, encarando toda a amplitude de temas e instituições;
5. Seja transparente, com propostas e projectos de documentos colocados à disposição do público e discutidos antes da reunião;

Deverão ser accionados o novo grupo de trabalho das Nações Unidas sobre o sistema de financiamento mundial, a próxima reunião sobre Financiamento ao Desenvolvimento e outras instâncias da ONU para preparar essa reunião mundial.

Não existem soluções rápidas na transição do actual sistema - que já aprofundou a instabilidade e a desigualdade - rumo a outro que seja justo, sustentável e responsável; gerando benefícios para a maioria dos povos do mundo.
Fonte:Blog Esquerda.net

sábado, 1 de novembro de 2008

ESPIRITISMO - Entendendo a reencarnação.

por Bruno Gimenes - sintonia@luzdaserra.com.br

Se vivêssemos apenas uma vida, no tempo de uma existência apenas, como poderíamos evoluir? Será mesmo que em apenas uma passagem aqui pela Terra aprenderíamos a amar e perdoar? Podemos ir para o “paraíso” cheio de emoções mal resolvidas?
Se no Universo, semelhante atrai semelhante, como poderemos ir para o “Céu” ainda com mágoas, medos, tristezas e egoísmos? Seríamos compatíveis com o Divino?

Está na cara que a máxima do sublime Mestre que diz: “A cada um será dado conforme suas obras” refere-se também a essa lei universal, que na atualidade é amplamente estudada e mais conhecida como lei da atração. E diga-se de passagem, como essa lei é justa, correta e digna.

Conhecemos muitas pessoas que já estão conscientes de que somos hoje o resultado de tudo que já vivemos em experiências passadas, ou seja, a somatória das diversas experiências de vidas passadas. Pois bem, essas pessoas são conscientes dessa natureza do Universo, compreendem teoricamente a roda do karma, aceitam as tantas questões envolvidas, mas se confundem quando acreditam que essa experiência terrena atual seja sua última passagem no plano físico. Confiam nisso, porque acham que não precisarão “voltar” mais.

É bom que se entenda que a Terra é uma escola. Aqui aprendemos inúmeras coisas, sendo que as principais são as relacionadas às emoções inferiores. Vamos evoluindo à medida que aprendemos a dominar nossa personalidade inferior, tão cheia de medos, ansiedades, inseguranças e limitações em geral. E para que essa personalidade congênita* se revele, precisamos experimentar das situações terrenas, que tanto nos testam quanto à angelitude de nossas virtudes.

Perguntamos: Existe ódio, mágoa, raiva, insegurança, dúvida, mágoa, medo, pessimismo e tristeza no céu (paraíso, astral superior, ou o nome que se queira dar?). Acredita que sim?
Pois acreditamos que não...

Portanto, só transcendem a necessidade de voltar ao samsara as pessoas que eliminarem por completo esses aspectos inferiores citados. Você ainda tem mágoa, raiva e tristeza? Achamos normal que tenha.... Então, você pode até ir para “lá”, mas, provavelmente, deverá voltar para a escola (Terra), porque esse ambiente tem muito mais afinidade com as suas limitações que o “Paraíso”.

Por isso, novamente perguntamos: Uma só existência seria possível para evoluirmos a um nível no qual as inferioridades não existiriam mais?

Cremos que seja impossível, exceto no caso de alguns Avatares divinos, que já vieram teo realizados. Mas, por via das dúvidas, caso você que está lendo esse texto, considere que já alcançou esse nível, ou seja, já transcendeu essas limitações, pedimos a gentileza de entrar em contato, para podermos conversar.

Queremos muito mesmo conhecer a pessoa que vive na Terra, mas não padece das toxinas originárias do ego negativo. Se você é puro e completamente angelical, humildemente lhe pedimos, por favor, que entre em contato, queremos muito conhecê-lo(a)!

Infelizmente, em função do nível de evolução que atravessamos no presente momento da humanidade, acreditamos que nos encontraremos muito ainda, no presente e no futuro, dessa e das próximas vidas. Isso porque as futuras vidas virão para desempenhar em nós todos o papel da educação espiritual.

Essa constatação traz o entendimento que nossa alma é como um cristal bruto, que vai sendo lapidado e polido, vida após vida, até chegar o dia em que seu brilho e beleza serão reluzentes e naturalmente virão à tona.

Muitos seres despertos estão caminhando a passos largos nessa busca por iluminação. Já muitos outros (a maioria das pessoas) estão completamente alienados dessa necessidade.
O fato que preocupa é que muitos não estão somente estagnados nessa busca por “lapidação e polimento”, como estão também se sujando cada vez mais, permitindo que uma crosta densa se precipite mais e mais, piorando as coisas. Tudo isso pela alienação e pelos equívocos do ego inferior.

O termo e a natureza da reencarnação não pertencem a essa ou àquela religião, filosofia ou doutrina religiosa, faz parte da essência da natureza. O que houve, foi que algumas religiões compreenderam esses mecanismos naturais, com isso adotaram em suas doutrinas.
Mas por que as religiões surgiram?

Foram estruturas de crenças que tiveram origem graças à necessidades que a humanidade sempre teve de compreender Deus e as leis do universo. Só que as religiões foram criadas pelos homens comuns, que todos sabemos, nunca estiveram livres do ego, da vaidade e ignorância. Não alcançaram a iluminação, tampouco calibraram seus discernimentos acerca das verdades do Universo. Portanto, sempre foram passíveis de erros, assim como qualquer um de nós. Esses erros sempre geraram conseqüências capazes de influenciar e comprometer o entendimento dos fiéis, também despreparados na arte de se conectar com Deus através da religião interior, ou seja, pelo canal do coração.

Tanto é verdade que houveram modificações, que essa tese pode ser comprovada. Isso porque a própria bíblia, uma bússola para inúmeras religiões, principalmente ocidentais, foi alterada em 553 d.C, após as determinações do Concíio de Constantinopla. Desde então, a reencarnação e suas referências foram retiradas do livro sagrado. Por conseqüência desse ato, tudo que derivou dos ensinamentos bíblicos, como a medicina ocidental, a filosofia, a sociologia, a política, entre outras frentes de estudo, assumiu postura não reencarnacionista.

Acredita-se que é chegado o momento em que o próprio avanço do nosso nível de consciência e o aumento de nossa capacidade de observação aos próprios ciclos naturais, não nos permite mais deixarmos passar desapercebido que a personalidade não é construída na infância, como preconizam os descrentes da natureza reencarnacionista. Se assim fosse, os filhos de um mesmo pai e mãe não apresentariam personalidades tão definidas e muitas vezes tão diferentes, mesmo tendo sido criados sob as mesmas regras, semelhantes cuidados e educação. Ou seja, se a infância fosse a grande responsável pela formação da personalidade, todos os filhos que fossem criados de maneira parecida apresentariam comportamentos e personalidades também similares, e como sabemos isso não ocorre. Essa constatação mostra uma das grandes evidências para todos que constatam a reencarnação no dia-a-dia: a personalidade congênita. Nossa consciência é sempre a resultante do conjunto de experiências de vidas passadas, o que forma a personalidade da alma imortal ou personalidade congênita.

As almas buscadoras da consciência espiritual, não mais acreditam na existência de um Deus que castiga, que faz da vida de uns histórias de sucessos e alegrias, enquanto dá a outros experiências de dor e sofrimento. A compreensão dos ciclos reencarnatórios explica de forma simples que sempre colhemos o que plantamos, seja para o bem ou para o mal, inegavelmente.

“Se quiser conhecer o seu passado, olhe sua vida presente.
Se quiser conhecer o futuro, olhe o presente”.
Gautama Buda

“Genialidade é experiência. Alguns pensam que é uma dádiva ou um talento,
mas é o fruto da longa experiência de muitas vidas”.
Henry Ford

por Bruno Gimenes - sintonia@luzdaserra.com.br
Escritor autor de 3 livros, palestrante, mestre de Reiki, Karuna Reiki e Sechim(Cura Egípcia).É graduado em Química industrial. É co-fundador do Portal Luz da Serra. www.luzdaserra.com.br Apresentador do Programa Sintonia de Luz, canal 14 da Net Caxias do Sul-RS. e-mail: sintonia@luzdaserra.com.br

FIDEL AFIRMA QUE SE McCAIN VENCER, NÃO PODERÁ CONTAR COM O BRASIL.

O líder cubano Fidel Castro afirmou nesta sexta-feira (31) que se o republicano John McCain ganhar as eleições nos Estados Unidos não poderá contar com o apoio do governo brasileiro, após a "posição valente" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de apoiar o democrata Barack Obama.

"Pelo que vi esta tarde, Lula adotou uma posição valente em relação às eleições dos Estados Unidos. Se McCain vencer, não poderá contar com o maior país sul-americano, o Brasil", disse Castro em um artigo publicado no site Cubadebate.

Lula disse ontem, em Cuba, que "será uma coisa extraordinária" a possível eleição de "um negro" (em referência a Obama) como presidente dos Estados Unidos.

"Da mesma maneira que o Brasil elegeu um metalúrgico, a Bolívia elegeu um indígena, a Venezuela elegeu (Hugo) Chávez e o Paraguai, um bispo, acho que será uma coisa extraordinária que (...) um negro seja eleito presidente dos Estados Unidos", afirmou Lula, depois de assinar um acordo sobre a exploração de petróleo junto com o colega cubano Raúl Castro.

"Acho que em todo o mundo existe um pouquinho de alegria, na mente silenciosa de cada um de nós... como seria bom que um negro fosse eleito presidente dos Estados Unidos", estimou o líder brasileiro.

Fidel Castro, de 82 anos, que se recupera de uma longa enfermidade, conversou com Lula nesta sexta durante quase duas horas, no que foi qualificado pelo líder cubano de um encontro "amável e respeitoso, como sempre".

"Agradeci a Lula pelo apoio político e econômico do Brasil a Cuba em sua luta e destaquei o papel decisivo desempenhado pela Venezuela (...) nos dias mais críticos do período especial e hoje, quando o bloqueio imperialista recrudesce e nosso país sofre o açoite destruidor dos furacões".

"O atual presidente dos Estados Unidos (George W Bush) não tem qualquer problema: não os resolve; os cria. A solução para ele é trabalho para nós", disse Fidel Castro com ironia.
Fonte:AFP/Site do O Vermelho.

ANOS DE CHUMBO - Assessor de McCain acusado de participar da morte de Jango.

João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, denunciou à ANSA que um ex-assessor do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, participou da suposta conspiração para matar seu pai.

"Um assessor e companheiro de armas do senador John McCain participou da conspiração para matar o ex-presidente João Goulart durante o seu exílio" na Argentina, revelou em entrevista exclusiva o filho de Jango.

Frederick Latrash era "chefe do escritório da CIA no Uruguai em 1976, onde se resolveu eliminar o meu pai" e, anos mais tarde, "foi membro do gabinete do senador John McCain", detalhou o filho do ex-presidente que foi deposto pelo golpe militar de 1964.

Em 6 de dezembro de 1976, um mês depois da reunião secreta entre o chefe da CIA e agentes brasileiros no Uruguai, João Goulart morreu após sofrer um infarto em uma fazenda na província de Corrientes, nordeste argentino, próximo à fronteira do Brasil.

A família de Jango e uma subcomissão da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul suspeitam que o ex-presidente não morreu de causas naturais, mas sim envenenado, como uma parte do Plano Condor, a aliança político-militar entre os regimes ditatoriais sul-americanos nos anos 70.

É "suspeito" que o corpo de um ex-chefe de Estado brasileiro não tenha sido submetido a uma autópsia na Argentina ou no Brasil, considerou João Vicente.

O seu pai teria supostamente consumido uma substância mortal à base de "cloreto de potássio ou de sódio, o que fez subir a sua pressão arterial até produzir um derrame", e após 48 horas, é impossível achar traços da substância no cadáver.

O colaborador de McCain teria levado a Montevidéu o comprimido que os agentes secretos colocaram em meio aos remédios de Goulart. Foi o que revelou o agente uruguaio, Mario Neira Barreto, preso atualmente no Brasil, e que foi o responsável por espionar o ex-presidente exilado.

Documentos dos serviços de informação brasileiros corroboram as declarações de Neira Barreiro, e ainda revelam que Goulart também foi vigiado na Argentina.

O plano para eliminar Goulart "em um primeiro momento, denominou-se Operação Escorpião e contou com a participação do Uruguai, Brasil e dos Estados Unidos", assegurou João Vicente.

Contudo, ele destacou que os elementos que relacionam Latrash com o suposto envenenamento não são os únicos indícios que o ligam ao Plano Condor e à desestabilização de governos latino-americanos.

"Latrash pertence aos quadros da CIA" desde os anos 50 e "em 54, participou do golpe de Estado na Guatemala, e em 1971, esteve em Santiago de Chile, onde ajudou a derrubar o presidente Salvador Allende. Depois, foi para a Bolívia, onde esteve entre 73 e 75, e posteriormente para Montevidéu", explicou o filho de Jango.

"As pessoas que foram torturadas e desapareceram no Brasil, na Argentina, no Uruguai, na Bolívia, no Chile, não merecem que o candidato presidencial norte-americano John McCain tenha um assessor desse calibre", indicou João Vicente.

O filho de Goulart afirmou que teve acesso a documentos e testemunhos que o levam a assegurar que há vários pontos de afinidade entre o senador e Latrash.

João Vicente mencionou que McCain nasceu no Panamá, mas foi três vezes eleito pelo estado do Arizona, local onde Latrash nasceu.

"McCain e Latrash são companheiros de armas, ambos são pilotos da força naval. Temos certeza de que Latrash fez parte da equipe do senador McCain até pelo menos 2004. Temos documentos do Senado que mostram Latrash como membro da equipe de McCain", disse.

"Segundo entendemos, Latrash foi assessor de McCain na área de Defesa. Latrash tem algumas teses escritas sobre a Guerra Fria e a segurança naval norte-americana", continuou.

Também há registro de "uma convenção da Força Aérea em 2004 em Washington, em que na representação do Arizona estavam o senador McCain, e o seu assistente era o coronel Latrash", informou João Vicente.
Fonte: ANSA/Site do O Vermelho.

ARTIGO - Um Banco Central peculiar.

Ricardo Carneiro.

A todos, exceto os beneficiários de sempre, deve estar ocorrendo perguntar o que nos torna tão particulares a ponto de irmos na contra-mão das decisões dos principais bancos centrais do mundo, cuja atitude, diante da ameaça de uma crise de grande intensidade, tem sido a de reduzir suas taxas de juros básicas. A análise é de Ricardo Carneiro.

Os brasileiros, que por ofício ou necessidade, acompanham a evolução das economias internacional e brasileira devem estar dando tratos a bolas para entender a recente decisão do Banco Central do Brasil em manter a taxa de juros, no extravagante patamar de 13,75% ao ano. A todos, exceto os beneficiários de sempre, deve estar ocorrendo perguntar o que nos torna tão particulares a ponto de irmos na contra-mão das decisões dos principais bancos centrais do mundo, cuja atitude, diante da ameaça de uma crise de grande intensidade, tem sido a de reduzir suas taxas de juros básicas, algumas das quais já em níveis negativos, como no caso americano.

O caso é grave não só porque o Brasil trilha um caminho oposto ao das principais economias globais, mas, também, porque ao manter a taxa de juros realiza uma política contraditória com o conjunto das medidas postas em prática pelo Governo, após o agravamento da crise. Não custa aqui relembrar a oportunidade e intensidade dessas iniciativas – várias delas emanadas do próprio Banco Central - mormente na área monetária e creditícia: redução dos compulsórios; venda de divisas no mercado à vista e de proteção contra a variação cambial; alimentação das linhas de crédito ao comércio exterior com reservas internacionais; garantia de volume de crédito para várias atividades por meio dos bancos públicos.

O sentido da política é inequívoco: diante de uma manifestação aguda de aversão ao risco detonada pelo aprofundamento da crise, evitar que esta exacerbação da preferência pela liquidez dos agentes e, principalmente, dos bancos, se transforme numa severa contração do crédito. Ora, mas se é isto que se quer evitar, qual o sentido de manter a taxa de juros em patamar tão elevado? Não seria mais lógico e coerente reduzir a taxa de juros e desestimular a corrida dos agentes em direção aos títulos públicos – no caso do Brasil generosamente remunerados e sem riscos?

Custa a crer que o Banco Central a esta altura do campeonato esteja preocupado com o crescimento muito rápido da demanda agregada. Como todos os indicadores estão demonstrando, diante da trajetória do crédito a sua forte desaceleração será praticamente inevitável. O crédito tem ficado escasso e mais caro por conta da instabilidade macroeconômica e a postura dos bancos. No caso do crédito corporativo observa-se ademais uma clara contração acompanhada de desaceleração dos novos empréstimos às famílias.

Certamente também não deve ser objetivo do BC evitar ataques especulativos contra a nossa moeda. Dado o estado de aversão ao risco dos investidores internacionais a tentativa de segurá-los aqui por meio de maiores taxas de juros, será inócua. No caso brasileiro é preciso lembrar que uma parcela desses investidores tem perfil especulativo e foi atraída para cá exatamente por diferenciais elevados de taxas de juros, que agora não os satisfazem mais. Nesse caso, as medidas deveriam se restringir à regulação da volatilidade excessiva e a prevenção da formação de posições especulativas por parte dos investidores nacionais e estrangeiros com perfil de aplicadores de longo prazo.

Diante das evidências discutidas acima a preservação da taxa de juros pelo BC revela-se enigmática. Não é possível acreditar que num momento de crise tão grave, e de riscos de uma forte recessão global, o BC tenha apostado em uma redução ainda maior do crescimento para assegurar que no futuro longínquo a taxa de inflação se mantenha exatamente dentro da meta. Isto sem contar que outro efeito perverso da manutenção das taxas será a preservação dos juros pagos pelo setor público reduzindo a potência de uma eventual ação anticíclica. É necessário reafirmar que se a crise se agravar, a ampliação do gasto público será o nosso principal instrumento para minimizá-la. Logo, a quem interessa a postura do BC?

* Ricardo Carneiro é Professor Titular do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da UNICAMP.
Fonte:Agência Carta Maior.

ARTIGO - Assaltantes do povo.

Por Mauro Santayana

Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas os benefícios trazidos nestas atividades não são tão grandes a ponto de compensar os males que produzem

O presidente Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional há 50 anos. Muitos o acusaram de irresponsabilidade, alegando que o país quebraria. O Brasil não quebrou, e deu o grande salto, com a Petrobras, a construção de Brasília, as rodovias e as hidrelétricas. O reatamento com o Fundo, depois, deu-se em outro nível: mesmo os imperialistas sabem respeitar os que se fazem respeitar.

Ao contrário de Juscelino, o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso foi o mais submisso de todos os republicanos. Muitos observadores – este jornalista entre eles – mostraram que o Consenso de Washington consolidaria o assalto do Estado pelos banqueiros. O Brasil era o país perfeito para resistir ao projeto de Wall Street: suas leis não permitiam a pirataria financeira nem empréstimos privilegiados a empresas estrangeiras e defendiam a empresa brasileira, o sistema bancário, o subsolo, a água, a floresta e a navegação de cabotagem. O país tinha condições de dizer “não”. Mas o governo preferiu abrir todas as cancelas para os predadores. Fernando Henrique fez o Brasil agachar – e foi preciso eleger Lula para que voltasse a se levantar.

Estava claro, para quem se dispusesse a pensar um pouco, que a liberdade para o mercado financeiro, sedento por lucros cada vez maiores, levaria à recessão – mas grande parte dos meios de comunicação, azeitados pelos donos do dinheiro, disseram o contrário: que iríamos nos equiparar ao Primeiro Mundo em poucos meses. Ficamos expostos e enfrentamos várias crises financeiras naquele governo. Banqueiros de Wall Street, agindo em tempo real, organizaram o sistema criminoso mais sofisticado do mundo. Asfixiaram países inteiros, criando crises periódicas a fim de ganhar bilhões. Como a cobiça é sem limites, passaram a fazer o mesmo em seu próprio país.

“Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas não vemos que os benefícios trazidos nestas atividades sejam tão grandes a ponto de compensar os males que produzem na artificiosa fundação da desigualdade da riqueza e, a partir disso, da igualmente manipulada desigualdade do poder. Se o presente sistema expandir-se e perpetuar-se, a grande massa do povo trabalhador pode perder toda esperança de adquirir qualquer propriedade.” Essa foi a conclusão da comissão de cidadãos de Filadélfia que, em 1829, examinou o comportamento dos banqueiros da Pensilvânia. Dela faziam parte empresários, advogados e dois dirigentes sindicais, William English e James Ronaldson.

Iniciava-se o governo do general Andrew Jackson, o primeiro presidente norte-americano que optaria pelos pobres contra os ricos e pelos agricultores e pequenos industriais contra os banqueiros. Jackson era de família pobre de imigrantes da Irlanda e não chegou a conhecer o pai. Adolescente, participou da guerra pela independência, e foi no exército que ascendeu socialmente. Chegara à Presidência contra quase todos. Os ricos não gostavam dele, os intelectuais o desprezavam, os políticos o viam como um brega. Autodidata, seu grande inimigo, John Quincy Adams, dizia que Jackson tinha dificuldades de soletrar o próprio nome. “Mas o povo gostava dele”, diria Roosevelt, no século seguinte.

E com razão: Jackson enfrentou banqueiros em favor do povo e se reelegeu. Houve uma grande crise bancária, mas os Estados Unidos saíram dela fortalecidos. Jackson deixou que os banqueiros quebrassem – e de sua quebra surgiu um sistema mais sadio. Esse sistema se abastardou com a criação do Banco Central dos Estados Unidos, em 1913. “Com a criação do FED (Sistema de Reserva Federal, o Banco Central deles), o sistema democrático norte-americano encontrou seus limites”, escreveu o analista William Greider, no grande livro sobre o banco (The Secrets of the Temple). Os banqueiros substituíram o povo para constituir os governos.

O desprezo dos arrogantes ao presidente Lula – que foi o primeiro a receber o importante Prêmio Quixote, na Espanha – faz lembrar a história do velho Jackson.
Fonte: Revista do Brasil.

ELEIÇÕES AMERICANAS - O impacto dos eleitores jovens e idosos nos resultados finais.

Economist

Em 2004, os norte-americanos com 55 anos ou mais eram 31% do eleitorado, mas chegaram a 35% dos que realmente votaram; cerca de um em cada cinco eleitores tinha mais de 65 anos de idade. Neste ano os jovens também estão entusiasmados para ir às urnas.

Em outubro, os candidatos à Casa Branca, Barack Obama e John McCain, anunciaram planos para ajudar os idosos em meio à atual crise financeira. Apesar de ser uma nação relativamente jovem, os EUA estão começando a sentir os impactos de uma população envelhecida. Os idosos vão desempenhar um papel importante na escolha do próximo, e dos futuros presidentes.

A Economist diz que os eleitores idosos estão mais propensos a apoiar Obama. Isto pode significar um golpe para McCain, que poderia ter utilizado o apoio da população mais velha para compensar a preferência dos jovens por Obama. O interessante é que nos EUA o voto não é obrigatório, mas, apesar disto, muitos idosos fazem questão de ir às urnas.
Fonte:Blog Opinião e Notícia.

SAÚDE - A polêmica em torno do placebo.

Economist

Há séculos os médicos prescrevem pílulas de açúcar baseando-se na crença de que o placebo possa trazer algum benefício às pessoas e que provavelmente não fará mal. O problema é que geralmente isto é feito sem que o paciente saiba que está tomando pílulas deste tipo.

Enquanto alguns consideram que se trata de uma mentira justificável, outros argumentam que é uma atitude anti-ética. Em 2006, a Associação Médica Americana alertou que os "médicos poderiam utilizar placebo para diagnósticos ou tratamentos apenas se o paciente fosse informado e concordasse com seu uso".

Uma equipe da Mayo Clinic, em Minnesota, fez uma pesquisa com médicos norte-americanos para observar como os profissionais de saúde estão lidando com esta advertência. Foram abordados 1.200 clínicos gerais e reumatologistas -- dois tipos de especialistas que lidam mais freqüentemente com doenças que respondem bem aos placebos, como dores crônicas.

Dos 679 médicos que responderam à pesquisa, mais da metade disse que de vez enquando utilizavam tratamentos com placebo e que acreditam que a prática é ética. Cerca de 40% disseram que já utilizaram analgésicos ou vitaminas como placebos, e 13% afirmaram que já usaram antibióticos e sedativos com esta finalidade.

Apenas 3% disseram que utilizam pílulas de açúcar. Mais de dois terços dos médicos afirmaram que não relataram aos pacientes que se tratava de placebo, mas avisaram que seria um remédio ou tratamento que não é o padrão.
Fonte: Blog Opinião e Notícia.

ARTIGO - Marx, o consultor que não foi ouvido.

O terremoto financeiro deixou muitos jornalistas e editorias de economia sem discurso. Tivessem diversificado a leitura e a perplexidade com a crise seria menor. Bastava uma leitura atenta do livro três, do quinto volume de "O Capital".

por Gilson Caroni Filho*

Uma das características do jornalismo econômico brasileiro, como bem destacou o analista César Fonseca, em artigo para o Observatório da Imprensa (“Símbolo da desinformação ideológica”, edição de 6/6/2005) é a perspectiva mecanicista adotada. Funciona como uma espécie de manual de proteção contra o pensamento crítico. Simplificadora ao máximo, dá livre curso aos sofismas do observador isento. Positivistas e neoclássicos não escondem a familiaridade que sempre tiveram uns com os outros nas páginas dos grandes jornais.

O movimento da realidade capitalista é concebido tendo como eixo um consumidor abstrato. Assim, não há como não resvalar para uma visão reducionista e cindida do que se pretende explicar. Perdido o ponto de vista das forças produtivas e das relações sociais de produção em seu caráter dual, dialético e interativo, o que sobra é uma economia sem processo histórico, uma petição que se evapora em equações matemáticas duvidosas.

Se uma coisa está bastante clara na crise financeira que se abateu sobre o capitalismo é que o terremoto deixou as editorias de economia sem discurso. E disso, elas ainda não se deram conta plenamente. Continuam a ver como derrapagem operacional o que é constitutivo do próprio modo de produção: as origens dessa crise, como de tantas outras, é uma crise de origem. Não há ponto de equilíbrio na lógica financeira. Nunca houve. Nunca haverá.

A jornalista Miriam Leitão, como tantos outros, é uma repetidora contumaz do que lhe sopram consultores de banco e economistas de formação neoclássica. Apesar de tudo, continua pontificando na grande imprensa, mas não consegue esconder o desconforto com a repentina nudez imposta pelo desmoronamento das falsas crenças que, junto, levaram o suposto conhecimento de causa. Resta o consolo de não estar sozinha, mas a desenvoltura de outrora deu lugar a uma postura reativa.

Prova disso é o aumento da indigência discursiva. Em seu programa de 31/10, na Rádio CBN, dedicou-se a especular sobre quais seriam os prováveis "ganhadores" da crise. E o saldo inicial apontou para o FMI que estava caindo em desuso e sem importância política; os executivos de grandes bancos que ainda embolsarão gordos dividendos, e agências de risco que, apesar dos erros colossais continuam funcionando e influenciando o mercado.

Mas a jornalista se esqueceu de um detalhe e, como sabemos, é nele que mora o diabo. Quem foram os perdedores? Quem apostou todas as fichas na cartilha neoliberal?

Os conselhos de Hayek e Friedman não davam margem a qualquer dúvida. Bastava reduzir o tamanho do Estado e diminuir os gastos públicos. Deixar tudo por conta da iniciativa privada para que o mercado de capitais funcionasse como motor infalível. Era seguro que viveríamos momentos de abundância de capital barato no mundo. E, se por algum motivo, a disponibilidade de recursos fosse afetada, a economia teria atributos insondáveis que nos recolocariam em situação favorável.

As crises precedentes foram “assimiladas” e as agências internacionais de análise de risco eram confiáveis termômetros a atestar a realidade saudável de uma economia repleta de estatísticas otimistas. Os governos deveriam delegar ao capital todos os investimentos que tivessem condições de oferecer taxas de retorno atraentes e cuidar apenas de construir arcabouços regulatórios que impedissem qualquer restrição ao livre movimento do capital, ao empreendorismo vitorioso.

Só a política podia atrapalhar a economia. E isso devia ser evitado a qualquer custo. Se a “ineficiência" do Estado afugentava o investidor, o ideal era abater o Leviatã a tiros, pois, como informava a cartilha, quem gera renda e emprego não é o setor público, mas a iniciativa privada e era para ela, e seus investimentos, que deveria ser criado um ambiente receptivo, com precarização das relações trabalhistas e supressão de direitos sociais.

Outro axioma era quanto à inserção internacional escolhida. A "boa razão" mandava abandonar a política ”terceiro-mundista” do governo Lula e eleger a Alca como objetivo maior. Afinal ganharíamos em escala com uma associação efetiva aos interesses dos Estados Unidos. Mais sensato do que tentar unir o que assimetrias regionais tornavam demasiadamente custoso. A América Latina- e nisso os plantonistas do neoliberalismo ainda insistem - sempre foi uma impossibilidade histórica.


Tudo era tão cristalino que só a má-fé ideológica poderia contestar. Esse não era o discurso único de consultores e jornalistas? Gente acostumada com números, índices e crenças inabaláveis? Pessoas que não costumavam errar, ”profissionais do mercado”, figuras centrais de um mundo pós-keynesiano em que os agentes alocavam, com perfeição, almas e recursos. Quebrado o encanto, vislumbraram o horror econômico, um pânico nunca imaginado no paraíso de Hayek.

Tivessem diversificado a leitura e a perplexidade com a crise financeira seria menor. Bastava uma leitura atenta ao livro três, do quinto volume de O Capital. Lá, o velho Marx demonstra por que seu pensamento ainda é o de maior relevância explanatória quando se quer entender o capitalismo. Os trechos escolhidos são a evidência da vitalidade teórica. Mostram a atualidade de uma análise vigorosa que, por decreto ideológico, foi relegada ao plano das idéias ultrapassadas.

“Num sistema de produção em que o mecanismo do processo de reprodução repousa sobre o crédito, se este cessa bruscamente admitindo-se apenas pagamento de contado, deve evidentemente sobrevir crise, corrida violenta aos meios de pagamento. Por isso, à primeira vista, toda crise se configura como simples crise de crédito e crise de dinheiro. E na realidade trata-se apenas da conversibilidade das letras em dinheiro. Mas, essas letras representam, na maioria dos casos, compras e vendas reais cuja expansão ultrapassa de longe as exigências da sociedade, o que constitui, em última análise, a razão de toda a crise.”
"Ademais, massa enorme dessas letras representa especulações puras que desmoronam à luz do dia; ou especulações conduzidas com capital alheio, porém, mal sucedidas: finalmente, capitais-mercadorias que se depreciaram ou ficaram mesmo invendáveis, ou retornos irrealizáveis de capital".

"Tudo aqui está às avessas, pois, nesse mundo de papel, não aparecem o preço real e seus elementos efetivos, vendo-se apenas barras, dinheiro, sonantes, bilhetes, letras, valores mobiliários”.

“Representa para o possuidor e para o credor deste (e como garantia de letras e empréstimos), menos capital-dinheiro que ao tempo em que foi adquirido e em que, por ele garantidos, se efetuaram descontos e empréstimos."

Como se vê com pequenas adaptações aos mecanismos criados ao longo do tempo, o “trabalho de consultoria" de Marx supera o de qualquer discípulo de Hayek e Friedman. Se Miriam quer descobrir quem foram os derrotados, deve estar atenta a um dado crucial: o vencedor transpõe dialeticamente o problema. O derrotado dá voltas em torno dele. E esse tem sido o movimento da imprensa nativa e seus economistas mais graduados. Dar voltas em torno de uma cauda que não para de abanar.

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.
Fonte: carta Maior

HISTÓRIA - II Guerra Mundial: os desaparecidos de Gdynia.

No dia 12 de outubro de 1939, o "Brigadeführer" da SS nazista Christoph Diehl ordenou que o distrito de Orlowo, na cidade polonesa de Gdynia, deveria ser totalmente evacuado até as nove horas da manhã daquela quinta-feira. Os apartamentos deveriam ser deixados abertos, com as chaves no chão em frente às portas de entrada. Permanecer em casa depois das 9h seria considerado um ato de sabotagem.

Cada pessoa estava autorizada a levar apenas uma bagagem de mão, com roupas e pequenos objetos pessoais. O resto deveria ficar para trás. Qualquer depredação do mobiliário ou da estrutura das moradias seria, igualmente, um ato de sabotagem. Todos tiveram 20 minutos para cumprir todas as ordens. Os "sabotadores", os desobedientes e os que fossem pegos armados seriam punidos com execução.

Este foi apenas o primeiro desalojamento em massa promovido pelos alemães nesta pequena cidade portuária localizada na costa norte da Polônia, às margens do mar Báltico.

No entanto, desde o primeiro dia da ocupação de Gdynia -- 14 de setembro de 1939 --, todos aqueles que poderiam oferecer ou organizar resistência aos nazistas foram presos, e em seguida enviados a campos de concentração ou assassinados nas florestas próximas. Muitos outros, alistados no exército polonês, morreram em combate ou foram feitos prisioneiros de guerra. O fato é que, antes da II Guerra Mundial, 120 mil pessoas viviam na cidade; depois, restavam 30 mil. Vivos ou mortos, onde foram parar?

Para tentar achar respostas, no último dia 1º de setembro -- aniversário da invasão da Polônia, em 1939 -- a prefeitura lançou um site chamado "Gdynia durante a II Guerra Mundial". O objetivo é aproveitar as possibilidades oferecidas pelo meio online para descobrir o paradeiro de quase 90 mil pessoas, que podem ter sido mortas, deportadas ou simplesmente emigraram e não deram mais notícias.

À primeira vista, a inciativa esbarra na dificuldade prática de que os sobreviventes provavelmente não são pessoas habituadas a navegar pela internet. Mas os organizadores acreditam que eles poderão ser avisados sobre a campanha por terceiros. Na primeira semana em que o site esteve no ar, dez pessoas apareceram -- em nome próprio ou referidas por conhecidos.

Além de ser um esforço para reconstituir a História, o projeto tem ainda um caráter mais pragmático: fazer justiça quanto às propriedades perdidas nos tempos de guerra.

Entre todos os países envolvidos na II Guerra Mundial, a Polônia foi aquele que teve a maior perda relativa de vidas humanas. Dezesseis por cento dos seus habitantes morreram em razão do conflito -- estima-se que a população polonesa na época era de 35,1 milhões de pessoas. Quanto às perdas materiais, as estimativas oficiais dão conta de que elas somaram o equivalente a dez vezes o valor do orçamento do Estado polonês para o biênio 1939/1940.

Na Polônia, entretanto, a percepção é de que os números que pretendem traduzir os sofrimentos e prejuízos causados à população do país são marcados pela pouca transparência e pela falta de esmero em um levantamento fiel ao que realmente aconteceu. A ocupação dos soviéticos, subseqüente à guerra, teria contribuído para a falta de dados confiáveis sobre o tamanho da catástrofe que se abateu sobre o país até meados dos anos 1940. As autoridades comunistas, dizem os poloneses, não quiseram ou não puderam mostrar o que realmente aconteceu.

Ainda hoje, 63 anos depois da II Guerra Mundial, o balanço daqueles anos nos territórios poloneses invadidos pelo III Reich permanece em relativa obscuridade. E o pior: à medida que o tempo passa, fica cada vez mais difícil jogar luz sobre os fatos do passado. As testemunhas vão envelhecendo e morrendo, e os documentos se deterioram ou mesmo desaparecem. No caso de Gdynia, as fontes escritas sobre a repressão aos cidadãos da cidade são incompletas, dispersas, ou sequer chegaram a ser elaboradas.

Lendo um pequeno trecho do livro "História de Gdynia", do professor R. Wapiński -- uma das mais importantes publicações sobre a cidade --, pode-se ter uma idéia do que representa o drama da falta de informações:

"O número exato de cidadãos de Gdynia assassinados ou desaparecidos é difícil de ser estimado. As fontes de dados não abrangem todas as pessoas e estão cheias de imprecisões, o que dificulta identificar a real a extensão das perdas. Portanto, podemos citar como vítimas do terror nazista apenas 15 conselheiros da Câmara de Indústria e Comércio, 12 professores, 14 padres, 65 funcionários poloneses da Western Union, 24 oficiais de polícia, 10 colaboradores da Câmara Marítima, 10 meninos e 31 comerciantes".

Ou seja, os documentos existentes dão conta de apenas 181 mortos. Agora, além da vontade política de trazer a verdade à tona, Gdynia recorre à alta tecnologia, conta com recursos públicos e aposta na cooperação e na solidariedade para preencher a sua lacuna particular, entre as tantas deixadas mundo afora pelos horrores daquela e de outras guerras.
Fonte:Blog Opinião&Notícia.

VENEZUELA - Bolívar cavalga em satélite espacial.

Foi lançado da China o Satélite Simón Bolívar. É um acontecimento histórico para os povos latino-americanos.

ANNCOL

Nosso Libertador Simón Bolívar continua cavalgando pela América. O renomado “bunda de ferro”, que dizem que podia dormir montado em seu cavalo, agora cavalga no satélite que a revolução bolivariana –encabeçada por Hugo Chávez Frías- tomou a decisão de batizá-la com seu nome.

No cyber-espaço se deslocará em mil e uma direções os planejamentos certeiros da verdade da história latino-americana. Todo extra-terrestre que houver no Cosmos perceberá que há um povo decidido a romper definitivamente as cadeias da exploração do homem pelo homem. Esse povo, que habita desde o Rio Grande até a Patagônia, é um povo que desenvolveu sua resistência perante os colonizadores espanhóis e agora contra os impérios de todo tipo, especialmente o império estadunidense.

No cyber-espaço veremos emergir a verdadeira história de Cuacaipuro Cuauthémoc, dos Incas, dos indígenas da Patagônia, dos aztecas e maias, dos povos da Sierra Nevada de Santa Marta, do Valle del Cauca, dos indígenas equatorianos; e também se ouvirá e verá a história da escravidão dos negros africanos que foram traídos contra sua vontade mas que fincaram raízes ao unir-se com os indígenas, criando a primeira fusão, os mestiços, que tiveram orgulhosos filhos e, posteriormente uniram-se com os brancos para formar a tri-etnicidade que hoje é exemplo de um povo que luta de todas as formas contra a exploração.

Séculos de silenciamento estão sendo destruídos pelo construção dos que caminham na América Latina. Com a verdade de seu povo e de mil maneiras diferentes. Com música, com arte, com poesia, com trabalho, com construções, com justiça, com energia universal.

Tudo isso culminou na base espacial chinesa de Xichang, a uns dois mil quilômetros a sudoeste da capital, para o lançamento ao espaço, depois da meia-noite, do satélite venezuelano Simón Bolívar, conforme nos conta a Prensa Latina.

Quando o satélite subia aos céus podia-se ver a auréola do Libertador Simón Bolívar cavalgando em seu cavalo de aço, erguendo sua espada para alcançar a justiça social, a paz, a liberdade, a soberania nacional e a independência.

Hoje as crianças de toda a América Latina terão uma razão a mais para olhar ao horizonte em busca de seus sonhos. Ali, nesse horizonte, verão resplandecer o Satélite Simón Bolívar esclarecendo à Terra, especialmente nos países americanos, a verdadeira história e sentimento de milhões de seres que foram tiranizados pelos impérios. E Simón Bolívar dirá ao Cosmos que estamos orgulhosos de nossa herança, de nossos costumes, de nossa cultura, de nossas línguas, que somos latino-americanos. E essa mensagem estará para sempre carregada com uma incomensurável dose de amor.

É necessário um brinde a tão histórico acontecimento:
Viva, Comandante Chávez!
Viva, povo venezuelano!
Vivam os povos da América Latina!

O artigo (em espanhol) encontra-se em Anncol.eu.
Fonte:ANNCOL.

MÍDIA - Um dia na vida da Folha de S. Paulo.

Quando a mídia corporativa é criticada por sua parcialidade, vêm os defensores da "liberdade de imprensa" dizer que não é nada disso, que é um exagero, etc.
Carlos Dória

De como um dos maiores diários do país vem se especializando em inverter o sentido dos fatos. O jornal torce os fatos porque está torcendo pelos mesmos, em vez de tentar retratá-los com a maior precisão e contextualização possível.

Bernardo Kucinski

O dia é quinta, 30 de Outubro de 2008. Mas podia ser qualquer outro. Nessa quinta, o desprezo da Folha pelos seus leitores superou-se com a reportagem “Luz para Todos não cumpre a meta de dois milhões". Minha mulher, que já vinha se aborrecendo com a Folha, fechou as páginas, irritada: “Esse jornal pensa que somos idiotas”.

Começa pela foto que encima a história, uma cena de escuridão no Congresso Nacional, que não tem nada nadinha a ver com o programa Luz para Todos. Depois vem o título, enorme, em quatro colunas, numa página nobre do jornal, chamando de fracassado um programa que os números da reportagem revelam estar sendo um dos maiores sucessos do governo Lula.

O Luz para Todos atingiu até a semana anterior à publicação da matéria, nada menos que 1, 744 milhão de famílias. São famílias, por definição, localizadas em regiões remotas, pequenos vilarejos que as concessionárias não serviam por não ser econômico.

Mesmo se ficasse só nisso, já seria um feito excepcional. Não só pelo número absoluto de famílias e comunidades beneficiadas, mas também pelo fato de quase 90% da meta ter sido alcançada - meta essa que já era bastante ambiciosa.

Foi tão forte o desejo de narrar um fracasso que o repórter excluiu do seu argumento sobre o não cumprimento da meta deste ano o fato relevante de que o ano ainda não terminou. Só lá em baixo, no pé da reportagem, separadas propositalmente do argumento principal da narrativa, está a informação de que já há mais R$ 13 bilhões em contratos fechados, sendo R$ 9,4 bilhões do governo federal, R$ 1,6 bilhão dos governos estaduais e R$ 1,9 bilhão das concessionárias. O sucesso é tanto que o Ministério de Minas e Energia já pensa em ampliar a meta em mais 1,1 milhão de famílias entre 2009 e 2010. (1)

Na mesma edição, a Folha relata outro retumbante “fracasso” do governo Lula. “Gastos do governo com o PAC caem 70%”. O título é de quatro colunas ocupando também o topo de página. Um gráfico de pagamentos do PAC revela investimentos crescentes ao longo do ano, exceto pequena redução em junho, e as quedas que deveriam justificar o título, em setembro e outubro.

De pronto está a desonestidade do título. Gastos só caíram nos últimos dois meses. E mais: caíram de forma brusca. A explicação está lá, escondida, no meio da própria reportagem: as chuvas de setembro e a greve dos servidores do Departamento Nacional de Infra-estrutura (DNIT) que “bloqueou pagamentos e todas as demais fases da gastos durante três semanas...” (2). Um título mais preciso seria na linha de ”greve paralisa obras do PAC”. Mas esse título não serviria ao propósito aparente de retratar um governo inoperante e incompetente.

Manipulação de números repetiu-se no título de página inteira ”Diminuem as vendas em supermercados”. O segundo parágrafo, aliás atropelado, diz que “a queda nas vendas em setembro, além de ser sazonal, ocorreu porque, em agosto, houve queda nos preços de alguns alimentos, o que resultou em alta no consumo daquele mês...”

Afinal, se em agosto os preços caíram, significa que o povo estocou, com isso comprando menos em setembro? Além dessa confusão, o jornal admite que comparou dois meses incomparáveis. Agosto teve 31 dias e cinco finais de semana. Setembro teve apenas 30 dias e quatro fins de semana. Os fins de semana concentram as idas aos supermercados para as compras maiores do mês.

Só o ajuste sazonal do número de dias de cada mês daria uma “diminuição” de 2,2% no faturamento de setembro em relação a agosto. E mais: lá adiante, em outro parágrafo, está escrito que o preço médio de uma cesta com 35 produtos caiu 1,25% em setembro, em relação a agosto. E nem consideramos ainda que setembro teve um fim de semana a menos. Portanto a queda de 5,6% no faturamento foi inferior ao que se deveria esperar pelo menor número de dias, menor número de fins de semana, e preços menores dos alimentos. O oposto do que o titulo dá a entender.

É isso que se chama inversão dos sentidos, truque que vem se tornando especialidade desse jornal. Na história do Luz para Todos o objetivo aparente é passar a idéia de um governo que não cumpre promessas e na reportagem da redução do ritmo do PAC, o objetivo é caracterizar um governo incompetente.

Há uma outra dimensão ainda mais interessante nessas manipulações: as duas reportagens saíram na véspera do evento em que o governo prestaria contas dos programas, quando o correto seria usar as informações para questionar a prestação de contas, não deixar o governo falando sozinho. Isso seria bom jornalismo. Por que o jornal se antecipou?Sua intenção aparente e nada modesta foi a de esvaziar a prestação de contas do governo. Ou seja: o jornal quis pautar a agenda nacional e/ou negar ao governo seu potencial de pautar essa agenda.

O jornal torce os fatos porque está torcendo pelos fatos, em vez de tentar retratá-los com a maior precisão e contextualização possível. A matéria do PAC é mais uma de toda uma torcida do jornal contra o programa, desde o seu início.

Já a reportagem sugerindo falsamente que o povo está comprando menos comida, além de usar como referência um dado (faturamento) que interessas apenas aos proprietários dos supermercados, faz parte de uma nova e preocupante torcida da Folha: a torcida para que a crise dos bancos chegue logo ao Brasil. Esse catastrofismo vem marcando a cobertura de toda a mídia. Mas também nisso a Folha vem se superando.

(1) No dia seguinte, a Folha voltou ao assunto em pequena nota na qual a ministra Dilma Rousseff, diz que faltarão apenas 100 mil famílias para a meta deste ano. Ou seja o programa terá cumprido 95% de sua meta. Mesmo assim, o jornal manteve a narrativa do fracasso.

(2) Também nesse caso a Folha voltou ao assunto no dia seguinte com o titulo: “Planalto culpa greves por ritmo menor de obras.” O jornal não contesta o argumento. Ao contrário, reforça-o dizendo que “conforme o jornal informou ontem, a greve de três semanas no DNIT paralisou todas as etapas dos gastos em obras de conservação, manutenção e construção de rodovias, responsáveis pela maior parcela dos investimentos do PAC.”

Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é colaborador da Carta Maior e autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).
Fonte:Agência Carta Maior.

GRATIDÃO - Sentir-se grato é uma maneira de reforçar a felicidade.

Em tempos de Thanksgiving (Dia de Ação de Graças), li uma matéria bem interessante no jornal, sobre a relação entre o sentimento de gratidão e a felicidade.

Autora do livro How of happiness: a scientific approach to getting the life you want, Sonja Lyubomirsky é pesquisadora da Universidade da Califórnia e a maior parte de seu trabalho é focado no estudo da felicidade humana.

Em uma de suas pesquisas, ela pediu que um grupo de alunos mantivesse por dez semanas um livro de gratidão, anotando regularmente as coisas pelas quais se sentiam gratas, como relações satisfatórias, uma refeição saborosa, uma viagem, um dia de trabalho bacana. A outro grupo, pediu que registrasse seus aborrecimentos e chateações durante o mesmo período de tempo.

O resultado mostrou que as pessoas do grupo do agradecimeto eram mais felizes e otimistas que as outras. E, mais, elas não só praticavam mais exercícios como também se sentiam mais saudáveis, com menos dores de cabeça, tosse e náusea.

Sentir-se grato é uma maneira de sintonizar com as coisas boas que nos acontece e tem grande poder transformador. Agradecendo você não só reconhece os aspectos positivos de sua vida como os reforça este sentimento dentro de si. E, segundo Sonja, contabilizar as bençãos que recebemos é questão de prática, assim como os exercícios físicos: é preciso treinar para ter bons resultados.

Abaixo, as dicas dela de como exercitar o reconhecimento:

Diário de gratidão: anote, o tanto quanto quiser, as coisas, pessoas e situações pelas quais vc é grato. Mas só use esta estratégia se você gosta de escrever.
Contemplação: tire uns minutos do dia ou da semana simplesmente para refletir sobre as coisas pelas quais você é grato.
Renovando-se: tente diferentes métodos para expressar sua gratidão. Escreva no diário uma vez por semana, visite um amigo no outro dia, estude algo que lhe agrade e por aí vai.
Expressando a gratidão diretamente: telefone, escreva um mail, uma carta ou um fax para alguém por quem você se sinta grato por algo que esta pessoa lhe fez no passado. Detalhe: o que você escreveu não precisa, necessariamente, ser anviado.
Postado por Carolina Arêas.
Fonte:Blog Terapia Floral/Carolina Arêas.

MEIO AMBIENTE - Aquecimento global nos pólos é fruto de atividades humanas.

Pela primeira vez, provou-se que os efeitos do aquecimento global no pólos são fruto de atividades humanas. Segundo um estudo publicado na revista Nature Geoscience, o derretimento das calotas polares estão mais ligados às emissões de gases estufa do que a transformações naturais. Participaram do estudo cientistas americanos, britânicos e japoneses.

Nos últimos 40 anos, a temperatura do Ártico aumentou cerca de 2ºC e a placa de gelo submarina alcançou seu nível mais baixo em 2007. Já na Antártida o processo é ainda mais rápido devido à escuridão das águas e à umidade do solo.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), no ano passado, a atividade humana foi detectada em todos os continentes, com exceção da Antártida.
Fonte:SRZD

PETRÓLEO - Parlamentar defende mudança do marco regulatório.

Parlamentar defende mudanças na legislação sobre petróleo no país

Por Redação - de Brasília

Na avaliação do presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, Pedro Eugênio (PT-PE), a sociedade brasileira não poderá ficar de fora das discussões sobre o novo marco regulatório da atividade de exploração e produção de petróleo e gás natural no país. Eugênio participou, nesta sexta-feira, do encerramento da 4ª Jornada de Estudos de Regulação, que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)..

O parlamentar participou do painel O Potencial de Novas Reservas e a Lei do Petróleo, quando defendeu alterações no atual marco regulatório do setor de petróleo em vigor no país.

Para ele, é necessário o rever o marco regulatório do petróleo porque está não é uma questão que deve estar subordinada à mudanças conjunturais, como a que está sendo provocada pela atual crise financeira internacional:

– Uma crise, mesmo gravíssima como esta - mas que é conjuntural e que deverá gerar seqüelas por um ou dois anos – não pode mudar o foco da discussão sobre algo que tem o potencial de gerar recursos capazes de influenciar 50 anos ou mais de políticas públicas no Brasil.

De acordo com Pedro Eugênio, o país não pode medir essa discussão [do marco regulatório] com a régua do curto prazo:

– A gente tem que medir com uma régua que responda a principal indagação: a lei atual é adequada para os próximos 50 anos ou ela deve ser mudada?.

O presidente da Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados disse que a Casa ainda não tem uma opinião formada a respeito das alterações a serem feitas na atual Lei do Petróleo, “até porque não há uma proposta formal - oficial - por parte do governo. A gente sabe que existe um grupo interministerial estudando o assunto e essa proposta ainda assim não será definitiva e oficial, uma vez que a sociedade e o Congresso terão que, cedo ou tarde, entrarem nessa discussão”.

Em sua avaliação, embora em geral tenda a votar com o governo, a própria base aliada é muito sensível à opinião pública.

– Então esse é um debate que não pode ficar segregado dentro do Congresso. Ele tem que ir para a sociedade, porque vai mexer com a vida das pessoas, afeta das pessoas – disse.
Fonte:Jornal Correio do Brasil.

ENTREVISTA - José Dirceu.

ALEANDRO FORTES, MINO CARTA E SERGIO URIO

José Dirceu deixou a chefia da Casa Civil há 40 meses. Desde então, segundo ele, toca sua vida sem se meter em assuntos do governo. O ex-ministro recusa-se a dizer que tipo de consultoria presta nemquem são seus clientes, mas garante que nenhum deles o procura em busca de facilidades em Brasília. "Não faço lobbY:'

O ex-homem forte do Planalto, o dirigente que tornou possível a eleição de Lula em 2002, parece mais atuante do que nunca quando se analisam as recentes operações da Polícia Federal. De forma direta ou indireta, Dirceu aparece associado a diversas investigações, das negociatas da MSI-Corinthians à Satiagraha, contra o banqueiro Daniel Dantas. "Há mais de oito meses minha vida vem sendo devassada. E não há nada contra mim. Nada", afirma durante-a entrevista à CartaCapital em seu escritório, um sobrado de dois andares em São Paulo.

No caso da Satiagraha, paira sobre o ex-ministro a suspeita de participar da tentativa de impedir que Dantas fosse preso. Há dois episódios específicos. Um deles, citado no relatório do delegado Protógenes Queiroz, é o encontro com o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh em um hangar da TAM em Brasília. Greenhalgh, codinome "Gomes" nesta operação salva-banqueiro, foi contratado pelo Opportunity e na época em que se encontrou com Dirceu movia-se desesperadamente em busca de informações sobre a investigação da PF. "Não tratamos do Dantas. O encontro foi para falar da situação do Cesare Battisti", garante o ex-ministro.

Em tempo: Battisti é um assassino italiano preso no Brasil que se apresenta como militante de grupos de esquerda. O governo da Itália pede sua extradição. Integrantes do PT tentam impedir que ele seja extraditado.
O outro episódio, relatado na edição 513 de CartaCapital, é a convicção de investigadores federais de que Dirceu soube da operação contra Dantas por intermédio do atual diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa. Ambos estiveram no Marrocos no mesmo período e teriam se encontrado lá. Corrêa então informou ao exministro da Satiagraha. "Isso é infame, é mentira'; rebate.

Não é de hoje que o nome de Dirceu aparece associado ao de Dantas. As citações remontam ao tempo do chamado mensalão.

Á época, Carta Capital colheu relatos de dirigentes e parlamentares do PT, juízes e empresários sobre as intervenções do ministro, depois deputado federal cassado, a favor do banqueiro. Um desses relatos foi revelado recentemente por Mino Càrta em sua página na internet (blogdomino.com.br).

O então diretor-geral da PF Paulo Lacerda, atualmente afastado do comando da Abin, contou ter recebido pressões de autoridades durante a Operação Chacal, que também alvejou o Opportunity. Mino perguntou se Dirceu era uma dessas autoridades. Lacerda disse que sim.

O ex-ministro nega qualquer relação com Dantas. Ou com Marcos Valério. Ou com qualquer assunto que diga respeito ao Opportunity. Assim caminhou a entrevista, realizada na tarde da terça-feira 28. Carta Capital fez as perguntas que queria. Dirceu respondeu-as como achou melhor.

CartaCapital: O senhor tem se alinhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, nas críticas à Operação Satiagraha. Também acredita na existência de um "Estado policial"?

José Dirceu: Ao contrário. O País vive em uma democracia. Apesar das deformações ainda existentes, talvez tenhamos cMgado ao momento mais democrático do Brasil. Acabamos de ter eleições. Sempre apoiei e continuo apoiando as operações da Polícia Federal, inclusive a Satiagraha. Mas sempre vou me insurgir contra a violação dos direitos individuais, contra a negação da presunção de inocência do devido processo legal. Não podem invadir meu escritório em urna operação paralela de autoridade policial. Um juiz não pode dar autorização ao pedido de um delegado e de um promotor para quebrar meu sigilo bancário e telefônico durante três meses e eu ficar sabendo pela imprensa. Meu nome não aparece uma vez no inquérito, não participo de nenhum telefonema captado pelas escutas. Não satisfeitos em quebrar o meu sigilo telefônico, quebraram o do meu escritório de advocacia, de um assessor meu, da rninh~ namorada. E tudo isso vaza para a imprensa, o que é mais grave.

CC: O senhor se refere à Satiagraha?

JD: Venho sendo investigado sistematicamente. No caso da investigação do BNDES (Operação Santa Tereza, que investigou supostos desvios de financiamentos do banco estatal), bastou o assessor do prefeito de Praia Grande, governada pelo PSDB, partido adversário ao meu, dizer em uma conversa interceptada que "essa turma do BNDES é ligada ao Zé Dirceu e vão querer levar participação" para eu ser tratado durante semanas, na imprensa, como partícipe de um esquema de corrupção. Aí vem a história do Bejani (Carlos Alberto, prefeito de Juiz de Fora acusado de desviar recursos do Fundo de Participação dos Municípios). Durante todo o período a notícia é de que vou ser preso. O Bejani foi minuciosamente investigado. Tinha escuta na casa dele, na prefeitura. Os volumes do inquérito enchem esta sala. Não sou citado uma única vez. Mas aí em uma conversa interceptada, o Bejani diz que estava indo a Belo Horizonte assinar um convênio de 70 milhões de reais e me encontrar, e eu viro alvo novamente. O diálogo vaza para a revista Época à tarde e é desmentido logo em seguida porque os estudantes que me pegaram no aeroporto para uma palestra ficaram o tempo todo comigo e podem testemunhar que não me encontrei com o Bejani. O advogado do prefeito desmente, mas, mesmo assim, à noite, a notícia sai no Jornal Nacional como se eu estivesse envolvido na liberação desse convênio de 70 milhões. Para completar esses oito meses, vem a Satiagraha e meu nome volta à baila.

CC: Mas, no caso da Satiagraha, há o fato de sua namorada, que trabalha no Palácio do Planalto, ter marcado um encontro com Luiz Eduardo Greenhalgh (ex-deputado do PT contratado pelo banqueiro Daniel Dantas) em um hangar da TAM no aeroporto de Brasília?

JD: E tem algo de anormal eu me encontrar com o Greenhalgh?

CC: Quando saiu aquela famosa matéria da Folha de S.Paulo, em abril, anunciando a existência da Satiagraha, o Greenhalgh começou a se movimentar atrás de informações a respeito. Falou com muita gente. E se encontrou com o senhor. O que exatamente vocês conversaram?

JD: Vou mostrar sobre o que fui falar com ele (ameaça sair da sala e recua). Falamos do caso do Cesare Battisti (italiano preso no Brasil acusado de assassinatos em seu país e que tenta evitar sua extradição por supostamente ter cometido os crimes em nome da luta política). Quando estive em Paris, fui procurado por um deputado socialista, advogado do Battisti. Ele me entregou uma carta de seu cliente. E aí me encontrei com o Greenhalgh. Mas, mesmo que não fosse isso, não há nada na Satiagraha que envolva o meu nome. Nada. A não ser uma coisa gravíssima. Como é grave o juiz ter autorizado a quebra do meu sigilo telefônico. Foi abuso de autoridade. O Humberto Braz liga para um tal Giba e fala sobre Andréa, a secretária dele. O Giba é o assessor do Braz. Falam sobre um tal “ele”, sobre algo no meio ambiente, sobre uma consultoria paga 50% e 50% sobre uma conta-curral. Quem vira Giba? O Gilberto Carvalho. E o Gilberto Carvalho é ligado a quem? Ao José Dirceu. É ridículo dizer isso. Qualquer pessoa no Brasil diria que o Gilberto Carvalho é ligado ao Luiz Inácio Lula da Silva. É uma questão de hierarquia. Depois, a Andréa vira a Andréa Michael, jornalista da Folha de S.Paulo e “ele” sou eu. Um absurdo.

CC: Do que tratou mesmo na conversa no hangar da TAM?

JD: Da questão do Cesare Battisti e da invasão ao meu escritório. Nem sabia que o Greenhalgh advogava para o Dantas. Eu vi o Luiz Eduardo uma vez neste ano, naquela ocasião. No ano passado, eu o encontrei três vezes. E aí fizeram toda essa relação.

CC: Ela não chega a ser absurda. Se o Greenhalgh trabalha desesperadamente para obter informações sobre o caso Dantas, mobiliza várias pessoas, e também o procura na mesma época, não é cabível relacionar os fatos?

JD: Não. Para tirar conclusões, é preciso estar nos autos, no inquérito. Na Satiagraha, no caso do BNDES, no do ~ Bejani, não há nada contra mim. Meu nome não é citado entre os investigados. A Satiagraha não é a investigação mais completa sobre o Daniel Dantas? Então, qualquer conexão minha com ele deveria ter aparecido. Há oito meses sou investigado neste País. Sofri uma devassa da Receita Federal durante 17 meses. Foram cinco anos da minha vida. Não acharam nada. Na CPI dos Correios, não sou só eu que não está citado. Nem o PT e nem o Silvio Pereira, acusados de organizar um esquema de corrupção lá.

Caso Valdomiro Diniz? São duas investigações, dois inquéritos, duas CPIs. Existe processo e não sou citado. Santo André? Nunca paguei um mico igual na vida. Aquela história de que tinha recebido 1 milhão e 200 mil reais. O que aconteceu? O irmão do Celso Daniel, que havia me acusado, se retratou em juízo. Sabe o que aconteceu com o processo, porque a CartaCapital principalmente, que tem feito uma série de acusações contra mim, tem de saber dos fatos. Eu processei o irmão do Celso Daniel por calúnia. Levei um ano e meio para levá-Io à primeira audiência. Sabe o que o juiz decidiu? Que eu tinha de depor. Isso é o Brasil. Essa é a Justiça do Brasil. E eu tive de ir aos tribunais superiores. Ele foi depor e se retratou.

CC: Voltando ao encontro do Greenhalgh. Ele procurou o Sigmaringa Seixas para falar do Dantas. Procurou o senador Herádito Fortes para falar do Dantas. Entra em contato com o Gilberto Carvalho para falar do Dantas. E entra em contato para fazer um encontro ...

JD: Não é fazer um encontro. 'Eu estava chegando de viagem. Tenho direito de viajar como eu quero. Sei o que conversei com o Luiz Eduardo. E não foi, porque não tenho motivo para conversar com ninguém, sobre o Daniel Dantas.

CC: O senhor nunca teve nenhuma ligação com o Dantas?

JD: Nenhuma.

CC: O que o senhor pensa a respeito do Daniel Dantas?

JD: Minha opinião está no meu blog. Sempre foi pública. Sou contra as privatizações do governo FHC. Quando chegamos ao governo, fui eu que falei da herança maldita. O governo Lula tomou a decisão de não fazer investigação. A orientação que recebi do presidente foi: denúncia política, sim, mas não investigações. O Dantas tem de responder pelos atos que praticou na Justiça, como está respondendo. Eu nunca o defendi. Fui investigado ilegalmente pela Kroll. Meu nome está naquele dossiê falso de contas no exterior a que Veja teve acesso e disse ter sido entregue por ele. Se fui alvo, vítima, nestes casos, como poderia ser aliado do Daniel Dantas?

CC: Um grande amigo seu, o advogado Kakay (Antonio Carlos de Almeida Castro), foi advogado do Dantas.

JD: Não tem coisa mais infame. Por causa da relação de parentesco ou de amizade, relacionar os fatos. Eu não respondo pela advocacia do Kakay. Ele não me consultou para ser advogado do Dantas.

CC: Mas um dos talentos do Dantas é tentar se aproximar do poder de todas as maneiras possíveis.

JD: Mas aproximação se o processo é penal? O Kakay nem sabe desse assunto.

CC: Mas a questão não é essa. É de aproximação com ogovemo.

JD: Mas o que ele iria querer? O que o Dantas esperava do governo do presidente Lula? É notório que havia outra opinião sobre as privatizações e sobre a política de telecomunicações do Brasil.

CC: Ele também tentou usar o Marcos Valério para se aproximar.

JD: É outro problema. Nunca conversei com o Marcos Valério. Ele dizia que eu era inimigo dele. Não há nada que me ligue a ele. .

CC: Quantas vezes o senhor falou, esteve ou recebeu Daniel Dantas?

JD: Duas vezes. É público. Ele disse na CPI o que falei para ele. Primeiro, disse para ele procurar os fundos de pensão. Depois, que era um problema da Justiça americana, da brasileira, da Anatel. Recebi o Dantas como recebi todos os presidentes das empresas de telecomunicações. Disse a mesma coisa a todos.

CC: Acaba de sair na Itália o livro do Giuliano Tavaroli, executivo da Telecom Italia ... JD: Executivo? Você está sendo ... Ele cuidava de operações ilegais, condenado, personagem da direita. Ele diz que eu andava nos aviões do Opportunity sendo ministro de Estado, é uma aberração maior do que dizer, como fez a CartaCapital, que encontrei o Luiz Fernando Corrêa no Marrocos. Eu era ministro de Estado. Tinha escolta, avião da F AB. Por que andaria em aviões do Opportunity? Estive com o Tavaroli juntamente com outros dirigentes da Telecom Italia. Por que eu não os receberia se recebi todos? E ele vem e diz que eu estava me aproximando do Dantas ... O Gushiken (Luiz, ex-ministro), o Sergio Rosa (presidente da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) podem confirmar que nunca interferi na disputa a favor do Dantas, dentro ou fora do governo. E outra: o presidente Lula nunca chamou os ministros para discutir nada em relação ao Opportunity ou a Daniel Dantas.

CC: No caso do suposto encontro no Marrocos, CartaCapital relatou informações recebidas de fontes válidas, e, de todo modo, não deixou de procurá-Ia. E seu desmentido, dado por um assessor, foi registrado. Mas não é de hoje que, em determinados círculos, alguns no PT, narram-se episódios de tentativas de interferência do senhor a favor do banqueiro. Na Justiça, na polícia, durante a CPI...

JD: Estava sendo cassado, respondendo a inquérito da Polícia Federal, fora do governo. Do dia para a noite fui transformado no "chefe de uma quadrilha". Em 40 anos de vida pólítica nunca havia sido investigado. Minha vida pessoal estava uma bagunça. Jamais procurei qualquer delegado da PF, muito menos o Paulo Lacerda, para falar nada relacionado à investigação do Daniel Dantas. Se os que se comportaram indevidamente estão se escudando agora ... Porque o Zé Dirceu serve para muita coisa no Brasil. Por qual razão eu estaria preocupado com as declarações do Dantas se não tive nenhuma participação? Vocês sabem que não houve mensalão. Aquilo foi caixa 2 de eleição. Cada um vai ter de re;~ponder pelas suas responsabilidades. Eu respondo JD: Não é fazer um encontro. 'Eu estava chegando de viagem. Tenho direito de viajar como eu quero. Sei o que conversei com o Luiz Eduardo. E não foi, porque não tenho motivo para conversar com ninguém, sobre o Daniel Dantas.
cc: O senhor nunca teve nenhuma ligação com o Dantas?

JD: Nenhuma.

CC: O que o senhor pensa a respeito do Daniel Dantas?

JD: Minha opinião está no meu blog. Sempre foi pública. Sou contra as privatizações do governo FHC. Quando chegamos ao governo, fui eu que falei da herança maldita. O governo Lula tomou a decisão de não fazer investigação. A orientação que recebi do presidente foi: denúncia política, sim, mas não investigações. O Dantas tem de responder pelos atos que praticou na Justiça, como está respondendo. Eu nunca o defendi. Fui investigado ilegalmente pela Kroll. Meu nome está naquele dossiê falso de contas no exterior a que Veja teve acesso e disse ter sido entregue por ele. Se fui alvo, vítima, nestes casos, como poderia ser aliado do Daniel Dantas?

CC: Um grande amigo seu, o advogado Kakay (Antonio Carlos de Almeida Castro), foi advogado do Dantas.

JD: Não tem coisa mais infame. Por causa da relação de parentesco ou de amizade, relacionar os fatos. Eu não respondo pela advocacia do Kakay. Ele não me consultou para ser advogado do Dantas.

CC: Mas um dos talentos do Dantas é tentar se aproximar do poder de todas as maneiras possíveis.

JD: Mas aproximação se o processo é penal? O Kakay nem sabe desse assunto.

CC: Mas a questão não é essa. É de aproximação com ogovemo.

JD: Mas o que ele iria querer? O que o Dantas esperava do governo do presidente Lula? É notório que havia outra opinião sobre as privatizações e sobre a política de telecomunicações do Brasil.

CC: Ele também tentou usar o Marcos Valério para se aproximar.

JD: É outro problema. Nunca conversei com o Marcos Valério. Ele dizia que eu era inimigo dele. Não há nada que me ligue a ele. .

CC: Quantas vezes o senhor falou, esteve ou recebeu Daniel Dantas?

JD: Duas vezes. É público. Ele disse na CPI o que falei para ele. Primeiro, disse para ele procurar os fundos de pensão. Depois, que era um problema da Justiça americana, da brasileira, da Anatel. Recebi o Dantas como recebi todos os presidentes das empresas de telecomunicações. Disse a mesma coisa a todos.

CC: Acaba de sair na Itália o livro do Giuliano Tavaroli, executivo da Telecom Italia ...

JD: Executivo? Você está sendo ... Ele cuidava de operações ilegais, condenado, personagem da direita. Ele diz que eu andava nos aviões do Opportunity sendo ministro de Estado, é uma aberração maior do que dizer, como fez a CartaCapital, que encontrei o Luiz Fernando Corrêa no Marrocos. Eu era ministro de Estado. Tinha escolta, avião da FAB. Por que andaria em aviões do Opportunity? Estive com o Tavaroli juntamente com outros dirigentes da Telecom Italia. Por que eu não os receberia se recebi todos? E ele vem e diz que eu estava me aproximando do Dantas ... O Gushiken (Luiz, ex-ministro), o Sergio Rosa (presidente da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) podem confirmar que nunca interferi na disputa a favor do Dantas, dentro ou fora do governo. E outra: o presidente Lula nunca chamou os ministros para discutir nada em relação ao Opportunity ou a Daniel Dantas.

CC: No caso do suposto encontro no Marrocos, CartaCapital relatou informações recebidas de fontes válidas, e, de todo modo, não deixou de procurá-Ia. E seu desmentido, dado por um assessor, foi registrado. Mas não é de hoje que, em determinados círculos, alguns no PT, narram-se episódios de tentativas de interferência do senhor a favor do banqueiro. Na Justiça, na polícia, durante a CPI...

JD: Estava sendo cassado, respondendo a inquérito da Polícia Federal, fora do governo. Do dia para a noite fui transformado no "chefe de uma quadrilha". Em 40 anos de vida pólítica nunca havia sido investigado. Minha vida pessoal estava uma bagunça. Jamais procurei qualquer delegado da PF, muito menos o Paulo Lacerda, para falar nada relacionado à investigação do Daniel Dantas. Se os que se comportaram indevidamente estão se escudando agora ... Porque o Zé Dirceu serve para muita coisa no Brasil. Por qual razão eu estaria preocupado com as declarações do Dantas se não tive nenhuma participação? Vocês sabem que não houve mensalão. Aquilo foi caixa 2 de eleição. Cada um vai ter de responder pelas suas responsabilidades. Eu respondo
pelas minhas. Não estava no PT, era ministro-chefe da Casa Civil. Eu respondo pela Casa Civil. Não há nada contra mim.

CC: Deixe-nos ser mais precisàs sobre o Kakay. Executivos do Citibank dizem ter ouvido de Dantas que ele havia pago 10 milhões ao Kakay para que seus problemas no governo fossem resolvidos.

JD: O que tenho com isso?

CC: O grande amigo do Kakay no governo era o senhor.

JD: Segundo o Kakay, ele recebeu 8 milhões e não 10. E por serviços advocatícios. Li em entrevistas que ele deu. Por que eu iria defender o Dantas? O pessoal do Citibank também esteve comigo. Não há um só empresário no Brasil que possa dizer que eu tratei de qualquer outro assunto, enquanto estive no governo, que não fosse de interesse público. Por isso sou respeitado até hoje. Virei consultor, não sou um lobista. Tenho uma vida, uma história para preservar.

CC: Alguma das empresas que o senhor recebeu na Casa Civil é sua cliente agora?

JD: Não, nenhuma.

CC: O senhor nunca esclareceu bem que tipo de consultoria presta e para quem.

JD: Você sabe por que tenho de fazer isso. Uma vez fui fazer uma palestra fechada no Credit Suisse. A história vazou. A Veja deu duas páginas dizendo o quadrilheiro e a quadrilha, porque o Credit estava sendo investigado. Considero um milagre que eu tenha conseguido manter a minha advocacia e a minha consultoria da maneira que sou criticado neste país.

CC: Que tipo de consultoria o senhor faz? Quantos clientes tem?

JD: Não, não vou dizer nem quantos clientes tenho e nem quem eles são. Faço consultoria como todo mundo faz. Hoje faço mais !.10 exterior do que no Brasil. Levo investimentos e empresas brasileiras ao exter.or. Acabei de ir a Portugal, fiz uma palestra em um hotel. Vou a Barcelona e a Madri. Trabalho no Peru, no México. E as coisas saem, os investimentos, as obras, as importações e as exportações.

CC: Repetindo: o senhor faz consultoria para alguma das empresas que tinha de2; manda na Casa Civil quando o senhor era ministro?

JD: Poderia fazer, nada me impede. Há 40 meses eu esr tou fora do governo. Não há nenhum impedimento legal ou moral para dar consultoria a qualquer empresa privada. Eu não faço consultoria para empresa que diga respeito ao governo.

CC: O senhor faria consultoria para o Dantas ou para o Opportunity?

JD: Não.

CC: o que o senhor acha dos petistas José Eduardo Cardozo, Sigmaringa Seixas, Greenhalgh, que de alguma forma atuaram ou atuam a favor do Dantas?

JD: Desconheço isso. Não coloco nenhuma objeção a nenhum advogado que advogue para qualquer empresa. Eu tenho o direito de advogar para quem eu advogo. Quem advogou para o Daniel Dantas legalmente foi o Greenhalgh.

CC: O senhor não está a par do jantar na casa do senador Heráclito Fortes onde estiveram o Dantas, o ministro Márcio Thomaz Bastos e os deputados Sigmaringa Seixas e José Eduardo Cardozo?

JD: Desconheço.

CC: Logo depois da divulgação do dossiê com as supostas contas no exterior.

JD: Estava completamente apartado. Em que mês foi isso?

CC: Maio de 2006, aproximadamente.

JD: Estava reconstruindo a minha vida.

CC: Qual a relação que o senhor tem com o diretor-geral da PF, Luiz Femando Corrêa?

JD: Não tenho relação com ele.

CC: Os senhores não ficaram amigos na época em que ele era da segurança do Lula? Ao menos é o que ele diz por aí.

JD: Conversei pouquíssimas vezes com ele. Nunca mais falei com ele depois que eu saí do governo. Não tenho relação de amizade com ele. Nem com nenhum delegado da PE Nunca o encontrei no Marrocos, como vocês disseram. Tomei uma decisão quando cheguei ao governo, de não participar em nada que dizia respeito à Abin e à PE

CC: O delegado Corrêa costuma dizer que é bastante afinado com o senhor na opinião básica de que a gestão do Paulo Lacerda exagerava no espetáculo das prisões. Vocês dois tinham uma opinião sintonizada sobre os abusos dessas operações?

JD: Onde há uma opinião minha a respeito? Nunca disse isso. Nunca tratei da gestão do Paulo Lacerda. Mas uma coisa é eu ser contra a espetacularização até porque costuma valer para uns e não para outros. Certos veículos de imprensa são avisados das operações e outros não. A PF não precisa disso para cumprir as operações com sucesso. Isso não significa que a sociedade não tem de ser informada, mas, quando se trata de calúnia, como no meu caso, como é que fica?

CC: Uma dúvida ainda sobre a conversa com o Greenhalgh. Por que o senhor foi falar com ele a respeito do Cesare Battisti?

JD: Vou mostrar (levantase, sai da sala e volta com um carta redigida à mão). Limitei-me a transmitir ao Luiz Eduardo os pedidos da família do Battisti. (Entrega a carta a um dos entrevistadores. )

CC: A carta não tem data.

JD: Vocês têm de confiar na minha palavra.

CC: O senhor poderia nos dar uma cópia?

JD: Não! (Retira a carta das mãos do entrevistador.)

CC: E o que ele pede nesta carta?

JD: Fala da situação dele, agradece os apoios no Brasil.

CC: Por que ele mandaria esta carta ao senhor?

JD: Porque as pessoas me procuram.

CC: Pedindo o quê?

JD: No caso dele, que não fosse extraditado.

CC: Pedindo a sua intervenção para que ele não seja extraditado.

JD: Exatamente. Meu apoio e intervenção. Falei que não podia fazer nada.

CC: Mas, se o senhor não podia fazer nada, por que foi conversar a respeito com o Greenhalgh?

JD: Sou contra a extradição do Battisti. Para fazer qualquer relação com o caso Satiagraha é preciso ter fatos.

CC: a delegado Protógenes Queiroz disse ao juiz que poderia produzir um relatório somente sobre o senhor.

JD: Não há nada a meu respeito. O que há de citação no relatório foi o episódio do Giba, em que o tal "ele" seria eu. Isso desmoraliza toda a operação. Não é possível que um delegado, com a responsabilidade que ele tinha, me ligue a uma história tão frágil e elenque três crimes na seqüência. Imagine se o juiz decretasse a minha prisão? Não há indícios que me envolvam em nada disso. Não sei dizer qual é a razão. Em parte deve ser por causa da notoriedade de se prender o Zé Dirceu, ou por decisão política. Fui grampeado por três meses.

CC: É uma disputa de poder na PF?

JD: Fora o que há sempre nessas instituições, não sei de nada em especial. O que não consigo entender é por que a Abin participou, de forma ilegal, da Satiagraha. Se a Abin continuar a fazer dessa forma, estamos perdidos. Se for o caso, criamos uma CIA no Brasil. Mas tem de ser de forma legal, às claras.

CC: a apoio da Abin não foi definido oficialmente ilegal.

JD: É grave e ilegal, sim.

CC: a senhor achou o afastamento do Paulo Lacerda correto?

JD: Ele é que deveria ter pedido o afastamento. Ele não tem por que temer nada.

CC: Ele não foi afastado por causa da participação de agentes da Abin na Satiagraha. Foi por causa daquela história do grampo até agora não comprovado do telefone do Gilmar Mendes.

JD: Sobre isso não sei.

CC: Em 2003, o jornalista Rubens Glasberg, da Teletime, entregou ao senhor um relatório do TCU sobre a CVM, com um bilhete pessoal dele anexado. a relatório questionava a atuação do Cantidiano (Luiz Leonardo, foi presidente da CVM), que antes de assumir o posto na autarquia havia advogado para o Dantas. a Glasberg fez várias reportagens a respeito da conivência dele na hora de julgar casos do apportunity. a Cantidiano o processou. Entre as peças de defesa do expresidente da CVM aparecia o bilhete que o Glasberg havia enviado ao senhor.

JD: Eu dei encaminhamento formal à denúncia. Se não o fizesse, poderia ser acusado de prevaricação. Se alguém me procurava e fazia uma denúncia grave sobre alguém que ocupava um cargo público, minha obrigação como chefe da Casa Civil era enviar para os órgãos responsáveis por investigar esses casos. Foi em um desses lugares que os advogados do Cantidiano provavelmente tiveram acesso ao documento.

CC: a que o senhor acha da fusão entre a ai e a Brasil Telecom, apoiada pelo governo?

JD: Se for para se manter a concorrência, para criar uma empresa competitiva internacionalmente, sou a favor.

CC: a senhor mantém relações com o Carlos Slim (empresário mexicano dono da Embratel). Ele teve interesse de comprar a Telemig Celular e a Amazônia Celular. a senhor nunca se meteu ou deu conselho a ele nesse setor?

JD: Não, até porque eu conheci o Slim em um seminário em Campos do Jordão que não tinha nenhuma relação com o setor de telecomunicações. Não trabalho nem sou amigo dele.

CC: Mas o senhor o levou ao Lula, não?

JD: O Lula o recebeu mais de uma vez e em uma dessas ocasiões eu estava presente. O Slim não precisa de mim para solicitar uma audiência com o Lula. Outra coisa, ele comprou a Embratel em Nova York por causa da falência da dona anterior, a norte-americana MCL

CC: Muitos petistas não gostam do senhor e dizem o oposto do que o senhor diz aqui agora. a senhor sabe, não?

JD: Infelizmente de maneira trágica, durante o caso que ficou conhecido como mensalão, usou-se a crise como instrumento de luta interna no PT. Num momento daquele, quando era preciso defender o partido, tentou-se dentro da legenda destruir algumas lideranças. Respondo pelo que fiz. Mas daí a quase se aliar aos algozes que nos acusavam para tentar alcançar a direção do partido foi muita hipocrisia.

CC: Nos seus tempos de governo, evidenciou-se uma disputa entre o senhor e o ministro Gushiken, enquanto o ministro Palocci parecia manter-se em cima do muro. A questão dizia respeito à presença dos fundos de pensão na Brasil Telecom. Gushiken apoiava os fundos, o senhor não.

JD: Disputa nunca houve. Estávamos do mesmo lado então, como estamos hoje. Perguntem ao Gushiken.

CC: a senhor ainda é hostilizado na rua?

JD: Isso depende do período. Se a mídia fica 60 dias me apresentando como chefe de quadrilha, há quem acabe me hostilizando verbalmente. Muitos veículos de imprensa estimularam as pessoas a fazer isso comigo.
Fonte:Revista Carta Capital.

DÍVIDA EXTERNA - Um exemplo a ser seguido.

Mário Augusto Jakobskind.


Embora a mídia hegemônica tenha praticamente ignorado ou se utilizado de um ou outro colunista amestrado para criticar, um importante fato ocorreu no Equador e deve ser divulgado ao máximo. Estamos falando do relatório final da Comissão para a Auditoria Integral do Crédito Público (Caic) no Equador. Uma das principais conclusões dessa comissão foi a de que os empréstimos de dinheiro realizados entre 1976 e 2006 não trouxeram qualquer benefício ao Equador, tão somente ao sistema financeiro internacional. Ou seja, só a turma do cassino, a tal que levou o mundo a uma crise como há muito não se via, foi beneficiada.

O trabalho de auditoria da dívida pública interna e externa ordenada por decreto do Presidente Rafael Correa teve início em julho de 2007. Correa cumpriu promessa de campanha. Pois é, não decepcionou seus eleitores, como tem acontecido com muitos outros dirigentes latino-americanos.

Esta informação é da mais alta importância e, como não poderia deixar de ser, sofre críticas dos setores que imaginavam que a história acabou e que o mundo seria eternamente um vasto cassino onde os jogadores podem só lucrar nas 24 horas do dia. A crise financeira atual está a demonstrar que o jogo não pode continuar assim. Mas, de qualquer forma, os jogadores ainda querem que os croupies, no caso os governos, paguem os prejuízos.

Exemplo a ser seguido
O exemplo de Correa não pode deixar de ser informado pelos meios de comunicação. Serve de reflexão para uma série de questões, a principal delas é a de que não há nenhum perigo em querer se saber o que foi feito em matéria de dividas. Os neoliberais, e mesmo alguns setores de seduzidos pelo neoliberalismo, sempre advertem que o que está feito está feito, só resta pagar o contraído. Correa demonstrou que não é bem assim, muito pelo contrário. Dívidas devem ser pagas só depois de devidamente analisadas. O que for irregular engaveta-se.

No Brasil nada foi feito nesse sentido, mesmo que a auditoria da dívida externa esteja prevista na Constituição Federal. Seja Sarney, Collor, FHC ou Lula, nenhum governo ainda tomou a iniciativa de fazê-la. Toda vez que a questão de uma auditoria é colocada, os governos se negam até a comentar a questão. Preferem simplesmente pagar, mesmo se eventualmente se desconfie que parte ponderável seja irregular.

A título de curiosidade, segundo números oficiais divulgados pela Rede Jubileu Sul, entre 1978 (governo Geisel) e 2007 (Lula), a dívida externa brasileira aumentou cinco vezes, ainda que se tenha pago 262 bilhões de dólares a mais do que foi recebido de empréstimos. Em 1978, a dívida brasileira era de 2,8 bilhões de dólares. Em 2007, 243 bilhões de dólares.

Números brasileiros
Em termos de divida interna, ainda segundo a Rede Jubileu Sul, era inexpressiva na década de 90, tendo crescido a partir do Plano Real, atingindo 62 bilhões de reais em 1995. Entre 1995 e 2007, foram pagos 651 bilhões de dólares só de juros; mesmo assim, a dívida multiplicou por 20, e em 2007 estava em 1,390 trilhão de dólares.

De acordo com o orçamento geral da União de 2007, 53% foram destinados ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Com previdência, gastou-se 18,5%; com educação, 1,74%; 2% com assistência social; e 3,5% com Saúde. Mas, para a mídia hegemônica e seus amestrados, o maior vilão é sempre a previdência, mas os gastos dos pagamentos de dívidas externas ou internas, sabe-se lá contraídas de que forma, tudo bem.

Ou seja, não há país ou povo que agüente tais números. Então, por que o governo brasileiro se nega a fazer uma auditoria das dívidas?

Daqui a menos de dois anos, ou seja, em outubro de 2010, está marcada uma nova eleição presidencial para a escolha do sucessor de Lula. Temas como da auditoria das nossas dívidas não entrarão em pauta, até porque a mídia hegemônica fará tudo para evitar que esta pauta não venha à tona.

Jornalões e canais de televisão vão ficar no varejo, como já acontece, apostando em José Serra, porque entendem ser o político paulista o maior garantidor de que tudo continuará como está, mesmo sem sol de brigadeiro.

Falando em varejo, nem precisou de muito tempo para confirmar que o Rio de Janeiro seguirá o esquema do enfraquecimento do Estado e mesmo da privatização de setores básicos. O grande capital e adjacências se sentirão todos em Paes. Não é à toa que já estavam tranqüilos, principalmente quando o segundo turno carioca indicou a disputa entre Eduardo Paes e Fernando Gabeira.

Querem repetir a dose em âmbito federal, em 2010, para que a disputa final se dê entre seis e meia dúzia. Pouco importa para estes setores se quem vai gerir a administração será o seis ou o meia dúzia, podendo ocorrer no máximo disputas irrelevantes no sentido de ver quem vai cuidar da gestão dos bens dos grandes.
Fonte:Blog Fazendo Média

GRAVIDEZ - Consumo leve de álcool pode ajudar bebê.

Caroline Parkinson
para a BBC

Uma pesquisa britânica afirma que meninos nascidos de mães que consumiram quantidades "leves" de bebidas alcoólicas durante a gravidez têm menos problemas de comportamento do que filhos de mães que se abstiveram totalmente do álcool.

Os pesquisadores do University College de Londres classificaram como consumo "leve" no máximo duas unidades de bebida por semana durante toda a gravidez. Consumo "moderado" foi classificado como três e seis unidades por semana, e "pesado", como sete ou mais.

Na Grã-Bretanha, uma unidade de álcool corresponde a um copo pequeno de vinho (125 mil) ou um copo grande de cerveja.

Entre as pesquisadas, 63% das mães não consumiram nenhum álcool durante a gravidez, 29% eram consumidoras leves, 6% eram moderadas e 2% foram classificadas no consumo pesado.

O estudo analisou 12,5 mil crianças de três anos de idade e descobriu que filhos de mães com consumo leve de bebida alcoólica tinham menos risco de desenvolver alguns problemas de comportamento.

Comportamento e compreensão

Os pesquisadores analisaram o comportamento e compreensão dos filhos destas mulheres quando estes atingiram os três anos de idade.

O estudo, publicado pela revista International Journal of Epidemiology, descobriu que meninos filhos de mulheres que tiveram consumo leve de bebidas tinham 40% menos chances de apresentarem problemas de comportamento e 30% tinham menos chances de serem hiperativos do que aqueles cujas mães não tinham consumido álcool nenhum.

Eles também pontuaram mais em testes de vocabulário e de identificação de cores, formas, letras e números.

Meninas filhas de mulheres que tiveram consumo leve de bebidas apresentaram chances 30% menores de desenvolver problemas emocionais do que as filhas das abstêmias, apesar de os pesquisadores afirmarem que isto pode ser devido à própria família da criança e à sua posição social.

"As razões por trás destas descobertas podem ser, em parte, devido ao fato de mulheres com consumo leve de bebidas tenderem a ter uma posição social melhor que as abstêmias e não ao fato de que álcool em quantidades pequenas possa trazer benefícios - como à saúde do coração, por exemplo", afirmou Yvonne Kelly, epidemiologista que liderou a pesquisa.

"Mas, também pode ser devido ao fato de mulheres com consumo leve de bebida terem uma tendência a serem mais relaxadas com elas mesmas e isto contribui a um melhor resultado em termos comportamental e cognitivo nos filhos."

"As descobertas de nosso estudo levantam questões quanto à política de recomendar abstinência completa durante a gravidez e sugere que mais pesquisas são necessárias", acrescentou.

Governo

O governo britânico recomenda que mulheres grávidas ou as que estão tentando engravidar devem evitar bebidas alcoólicas.

Mas, se estas mulheres quiserem beber, não devem consumir mais do que uma ou duas unidades de álcool uma ou duas vezes por semana.

A relação entre consumo pesado e regular de bebidas alcoólicas durante a gravidez e problemas de saúde para os filhos já foi estabelecida. Nos casos mais graves, pode causar o aborto ou dano permanente ao desenvolvimento do feto.

"Tememos que as descobertas deste estudo possam levar mulheres a uma falsa sensação de segurança e dar a elas o sinal verde, afirmar que não há problemas em beber durante a gravidez", disse Vivienne Nathanson, chefe de ciência e ética da Associação Médica Britânica.

"O chamado consumo 'pesado' e 'moderado' de bebida pode prejudicar o bebê. Consumo muito leve pode ou não prejudicar. A associação acredita que o conselho mais simples e seguro é não consumir álcool durante a gravidez", acrescentou.

SAÚDE - Utensílios domésticos hospedam virus da gripe.

Uma pesquisa realizada por especialistas americanos afirma que utensílios domésticos, como controles remotos, torneiras e maçanetas, são hospedeiros comuns do vírus da gripe.

A equipe de pesquisadores da Universidade de Virgínia examinou 30 casas e identificou a presença do rinovírus, como o vírus da gripe é conhecido, em 42% dos objetos analisados. Segundo os cientistas, o vírus pode sobreviver em superfícies por até dois dias.

O estudo aponta que, apesar de tosses e espirros serem um dos maiores meios de transmissão da gripe, objetos que manuseamos em casa no dia-a-dia são outra grande forma de contágio da doença.

Na pesquisa, divulgada em uma conferência sobre doenças infecciosas nos Estados Unidos, os pesquisadores dizem ter identificado o vírus nas pontas dos dedos de um quarto dos 30 voluntários analisados até meia hora após terem tocado superfícies contaminadas.

Os pesquisadores concluíram ainda que o material genético do vírus foi transmitido para metade dos participantes do estudo até 48 horas depois de os utensílios serem contaminados.

O coordenador da pesquisa, Birgit Winther, diz que as pessoas devem estar atentas às formas de contágio da gripe.

"Algums pessoas usam spray desinfetante, mas o rinovírus não fica voando pelo ar", afirma Winther. "A mensagem que este estudo quer passar é que precisamos manter limpas as superfícies que mais tocamos em casa."
Fonte:BBC Brasil.

ARTIGO - O coro da mídia pelo "corte de gastos"

Altamiro Borges


Os empresários seguem a risca o ditado de “quem não chora não mama”. Diante da grave crise que se abate sobre a economia capitalista, eles procuram empurrar o seu ônus para as costas da sociedade, em especial dos trabalhadores. No ciclo da bonança, privatizaram os lucros; agora querem socializar os prejuízos. A caradura dos capitalistas, maiores responsáveis pela atual crise – com seus dogmas neoliberais do “estado mínimo” e da total desregulamentação financeira – é impressionante. Eles afundaram a economia e querem que os trabalhadores paguem o pato.

Nas últimas semanas, a mídia hegemônica alardeia a proposta do “corte dos gastos públicos”. Os empresários são beneficiados com novas linhas de crédito e redução do compulsório aos bancos, que já injetaram bilhões nas empresas. Mas eles exigem mais: eles querem arrochar os servidores públicos, abortar a valorização do salário do mínimo, penalizar a Previdência e reduzir os “gastos sociais” do orçamento. Segundo Jorge Gerdau, o barão da siderurgia, este gastos “são inúteis” e o governo deveria cortá-los para “garantir mais crédito aos investimentos e às empresas”.

Ganância destrutiva do capitalismo

A proposta do “corte dos gastos” evidencia a ganância destrutiva dos capitalistas. Os adoradores do “deus-mercado”, partidários da “mão invisível (e assassina) do mercado”, não enxergam que a redução dos investimentos públicos – seja na Previdência, no salário mínimo ou no programa Bolsa Família – restringirá ainda mais o consumo da sociedade, o que terá impacto negativo na produção e, de quebra, no emprego e renda. Um círculo vicioso, satânico, que dificultaria ainda mais a saída da atual crise econômica. Serviria apenas aos especuladores, os culpados pela crise.

A cegueira dos empresários, difundida pela mídia burguesa, é tanta que eles não ouvem sequer os conselhos de renomados economistas e nem observam os movimentos inversos realizados por outras nações capitalistas. Até nos EUA, pátria da desregulamentação, o governo apresentou pacote estimulando o consumo da sociedade e elevando os gastos públicos. Para Paul Krugman, ganhador do Premio Nobel de Economia, “no momento, aumentar os gastos públicos é a decisão acertada a ser tomada pelo governo dos EUA. Do contrário, a recessão será mais cruel e longa”.
Fonte:Blog do Miro.