quarta-feira, 2 de outubro de 2013

POLÍTICA - O partido da mídia continua sem candidato competitivo.

Destino de José Serra e Marina Silva: A quem interessa?


SOROCABA(SP) _ Enfurnado desde sábado aqui no Spa Médico São Pedro, em Sorocaba, a uns 80 quilômetros de São Paulo, depois de uma maratona de viagens, dei-me conta nesta quarta-feira que já ninguém briga mais para ler os dois jornais paulistas que ficam à disposição dos hóspedes na recepção.
Em outros tempos, acordava-se até mais cedo para ser o primeiro a ler o jornal. Sempre tinha alguém lendo e comentando as notícias na mesa do café da manhã, e gente esperando para pegar o jornal, mas agora os dois exemplares ficam lá o dia todo imaculados, exatamente no mesmo lugar, dobrados como chegaram.
Como sou do tempo antigo da imprensa de papel e do interesse pela política, encomendo dois exemplares só para mim e os levo para o quarto, evitando queixas dos outros hóspedes já que passo um tempão lendo tudo, da primeira à última página.
Descobri hoje que é desperdício de dinheiro. Nem as pessoas disputam mais os jornais, nem as manchetes que trazem entram nas conversas. Parece que Brasília é um outro país, no qual não estão muito interessados os brasileiros vindos para cá de diversas regiões, mais preocupados com suas dietas, suas famílias, seus negócios.
Entre os companheiros de temporada no São Pedro, encontrei mais uma vez o velho amigo Mário Prata, autor do best-seller "Diário de um Magro", jornalista e escritor dos bons, que vem aqui para ler e escrever, mas nem ele parece interessado em discutir as notícias comigo.
Está mais ligado nos resultados dos jogos dos times de Santa Catarina, onde mora há anos, e nos seus próximos projetos literários. Os outros estão mais preocupados em saber qual a previsão do tempo para os próximos dias, se vai ter hidroginástica ou não na piscina.
Também ninguém corre mais para a sala de TV na hora dos telejornais noturnos, preferindo esticar as conversas na varanda ou jogar um baralhinho sem compromisso.
Escrevo tudo isso para justificar o título desta coluna: a quem interessa, afinal, qual o destino político de José Serra e Marina Silva, os principais personagens do noticiário desta semana chuvosa, em que se define o cenário das eleições de 2014?
Depois de um longo suspense, ameaçando deixar o barco tucano para embarcar na canoa furada de Roberto Freire, Serra finalmente  informou ontem pelo Facebook que vai ficar no PSDB. E daí, que diferença faz?
Quem deve se preocupar com isso é Aécio Neves, que nem foi citado no  pronunciamento eletrônico do eterno candidato, anunciando solenemente que a sua "prioridade é derrotar o PT". No Palácio do Planalto, com tal ameaça, certamente ninguém deve ter dormido nesta noite.
Na troca de mensagens entre Aécio e Serra, quando tudo indicava que esta questão já estava resolvida a favor do mineiro, ficamos sabendo que a decisão sobre quem vai ser o candidato presidencial tucano foi adiada para março do ano que vem, algo que também não chega a ser uma novidade neste PSDB sempre dividido.
Da mesma forma, ninguém se comoveu com a decisão do Ministério Público  Eleitoral, que recomendou à Justiça rejeitar o registro do Rede Sustentabilidade, o partido de Marina Silva, por falta das assinaturas necessárias.
Desde que deixou o PT, em 2009, e foi para o PV, com o único objetivo de se candidatar a presidente, todo mundo sabe que a missionária mística em que Marina se transformou só pensa em criar um partido para chamar de seu. Com seus 20% dos votos em 2010 e sponsors de peso para bancar seus sonhos, ela deve ter achado que bastaria dar um grito na floresta para as pessoas virem correndo e formar filas de adesão ao novo partido.
Como isso não aconteceu, agora Marina colocou seu destino nas mãos de Deus e no tapetão do STF, para o qual pretende recorrer se, entre hoje e amanhã, como se anuncia, o TSE não der o registro para o seu partido.
Em seu parecer para justificar a negativa, o vice-procurador-geral Eleitoral, Eugenio Aragão, foi cruel ao ir direto ao ponto, no estilo papo reto de Aécio: "Criar o partido com vistas apenas a determinado escrutínio (as eleições presidenciais de 2014) é atitude que o amesquinha, o diminui aos olhos dos eleitores".
São eleitores como o leitor Pardalzinho, um dos comentaristas mais assíduos do Balaio, que enviou mensagem às 5h19 da madrugada de hoje perguntando o que pode ter acontecido para Marina não conseguir reunir perto de 500 mil assinaturas, logo ela que teve perto de 20 milhões de votos apenas três anos atrás.
"Ela acreditou em tudo o que se dizia dela e cochilou em cima do salto alto?", especula o leitor. E ele mesmo responde: "Trata-se de alguém muito incompetente ou muito prepotente".
Qualquer que seja a decisão do TSE sobre Marina e o rumo que Serra tomar daqui para frente ( a não ser que Aécio jogue a toalha e se lance novamente candidato a governador de Minas), os dois já saem menores do que entraram nesta tumultuada disputa pré-eleitoral.
E o Partido da Mídia continua sem candidato competitivo até o momento, a um ano das eleições.

PRÉ-SAL - Entrevista com ex-diretor da Petrobras.


Pré-sal e o embate geopolítico estratégico. A maior privatização da história política do Brasil. Entrevista especial com Ildo Sauer

“É um absurdo que um país, sem saber quanto tem de petróleo, coloque em leilão um campo com gigantesca dimensão”, declara o engenheiro.
Confira a entrevista.
Foto: http://bit.ly/1ex4o0C
“Nenhum país do mundo faz o que o Brasil está fazendo: leiloar aos poucos o acesso da produção de petróleo de campos cujo total é desconhecido”, adverte Ildo Sauer, em entrevista concedida à IHU On-Line, ao comentar o leilão do Campo de Libra, anunciado para 21 de outubro deste ano. Na avaliação dele, a iniciativa da Presidência da República é equivocada, porque “não faz sentido” colocar em leilão o Campo de Libra, que, “segundo a Agência Nacional do Petróleo – ANP, pode ter entre 8 e 12 bilhões de barris, apesar de haver estimativas de que possa chegar a 15 bilhões de barris. Se os dados forem esses, trata-se da maior descoberta do país”. De acordo com ele, o “Brasil não sabe se tem 50 bilhões, 100 bilhões ou 300 bilhões de barris. Se o país tiver 100 bilhões, estará no grupo de países de grandes reservas, se tiver 300 bilhões, será o dono da maior reserva do mundo, porque 264 bilhões é o volume de barris da Arábia Saudita”.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone, Sauer explica como ocorreu o processo de investigação da camada pré-sal e as razões que levam o Estado brasileiro a optar pelo leilão, ao invés de contratar a Petrobras para explorar as novas reservas petrolíferas. “A minha perplexidade e apreensão é de que o Conselho Nacional de Política Energética, comandado pela Presidência da República, deliberou colocar esse campo em leilão. Parece-me que essa decisão é baseada em problemas da macroeconomia, das contas externas e do déficit público, que tem sofrido uma deterioração considerável nas contas”, menciona. E dispara: “Até agora, a estratégia brasileira está completamente equivocada, e Libra é apenas a cabeça de ponte, é o início de um processo de deterioração e de um papel subalterno que o Brasil está cumprindo nesse embate global entre os países que detêm reservas e recursos e aqueles que querem se apropriar deles pagando o mínimo possível. Petróleo não é pizza, não é boi, não é um negócio qualquer”.
Ex-diretor executivo da Petrobras, responsável pela Área de Negócios de Gás e Energia, entre 2003 e 2007, Sauer assegura que, caso a Petrobras fosse contratada para explorar o Campo de Libra, seria possível pagar o investimento da exploração em no máximo três anos, garantindo uma produção de petróleo por 30 anos, com uma “produção um pouco superior a 1 milhão, 1,5 milhão de barris por dia, que daria um excedente proporcionalmente menor, mas mesmo assim chegaria a algo entre 35, 40 bilhões”.
Ildo Sauer alerta que, quando se trata de petróleo, “um lucro enorme está em disputa”, e o “governo americano quer dobrar a espinha dorsal da OPEP, fazer com que haja novamente uma superprodução de petróleo, que o preço caia e que os benefícios do uso do petróleo voltem a ser apropriados pelos países consumidores, ou seja, os países desenvolvidos”. E acentua: “A ação brasileira parece que é absolutamente ingênua ou destituída de conhecimento do embate geopolítico estratégico em que está se dando esse teatro de operações em torno do petróleo”.
Ildo Sauer é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, mestre em Engenharia Nuclear e Planejamento Energético pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ e doutor em Engenharia Nuclear pelo Massachusetts Institute of Technology. Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo – USP.
Confira a entrevista.
Foto: http://bit.ly/16UQMVE
IHU On-Line – Como ocorreu o processo de descoberta da camada pré-sal, e como ficou definida que ocorreria a exploração do petróleo no país?
Ildo Sauer – Há tempo a Petrobras vinha investigando a possibilidade de haver petróleo na camada pré-sal e, para tal, ela buscou parcerias nacionais e internacionais, centros de pesquisa, empresas, para trabalhar na área de elaboração e interpretação das imagens captadas da camada pré-sal.
A ideia se consolidou em 2005, quando se descobriu que abaixo do Campo de Parati, que tem uma camada de 300 metros de sal, havia petróleo leve, ou seja, um pequeno “bolsão” do pré-sal.
Foi isso que deu confiança à diretoria da Petrobras para, em 2006, autorizar a reentrada de investigação para averiguar se havia ou não mais poços de petróleo.
Na primeira tentativa de investigação, chegou-se ao sal sem encontrar petróleo. Por conta disso, houve uma longa discussão e avaliação técnica, e a diretoria da Petrobras autorizou a reentrada da plataforma da TransOcean no Campo — a um custo de 264 bilhões de dólares —, que perfurou os 3 km de sal e encontrou petróleo leve. Estava, então, nesse momento, confirmado o modelo geológico do pré-sal, assim como uma nova realidade muito alvissareira e auspiciosa para o país.
A notícia foi repassada ao presidente da República em 2006, mas mesmo assim o governo federal manteve o leilão de petróleo, o qual posteriormente foi anulado na Justiça.
Aí há um paradoxo que é importante sacar: de um lado a Petrobras avançou em suas pesquisas e comunicou ao presidente da República, à época Luiz Inácio Lula da Silva, e à presidente do Conselho Nacional de Políticas Energéticas, que naquele tempo era a Senhora Rousseff, que estávamos tendo um contexto petrolífero no país, mas o governo decidiu leiloar o petróleo.
Primeiros poços de petróleo
Em 2006, descobriu-se o primeiro poço de petróleo, em seguida, o segundo, que confirmou e permitiu delimitar a extensão do Campo de Tupi, algo em torno de cinco a oito bilhões de barris.
Trata-se de uma descoberta gigantesca para o tipo de campo que se vinha descobrindo no Brasil, na camada pós-sal. A partir daí começamos a entender que o pós-sal possivelmente também seria petróleo formado no pré-sal e que, ao se romper a camada de sal por causa dos movimentos próximos da costa, o petróleo migrasse para cima e sofresse transformações, se tornando mais pesado por conta desse processo, retendo-se em camadas impermeáveis superiores acima do sal, formando aqueles bolsões de petróleo de menor dimensão, que são do pós-sal, os quais tinham garantido a efêmera autossuficiência do Brasil em 2006. Entretanto, tal descoberta foi tão festejada quanto abandonada por causa da Política Energética Brasileira em relação ao etanol e às políticas da expansão da frota de veículos. Hoje o Brasil importa petróleo e derivados, ou seja, há um prejuízo para a Petrobras. De qualquer maneira, o pós-sal e o pré-sal têm essa relação.
Em 2007, foi construído o segundo poço, o qual permitiu dimensionar o Campo de Tupi. Em novembro de 2007, foi feita a retirada de 42 blocos do entorno de Tupi, mas mantido o leilão, apesar de ter sido desaconselhado pelo Clube de Engenharia, pelos dirigentes da Petrobras e pelos movimentos sociais. Todos diziam que o governo deveria esperar para dimensionar as reservas do pré-sal, concluir o processo exploratório e avaliar o que fazer com tais reservas.
Estratégia
Em qualquer lugar do mundo, quando se descobre uma nova província petrolífera ou mineral, se faz um esforço para dimensioná-la. Mas isso até hoje não foi feito no Brasil, e é um dos primeiros problemas que temos em relação ao Campo de Libra. Deveria ter sido feita a conclusão do processo exploratório, que significava simplesmente concluir as sísmicas. A Petrobras poderia ser contratada para fazer isso. Nenhum país do mundo faz o que o Brasil está fazendo: leiloar aos poucos o acesso da produção de petróleo de campos cujo nem o total do pré-sal é conhecido, nem dos campos individuais. O Campo de Libra está indo a leilão com apenas um poço, o que não permite delimitar com precisão qual é o volume de petróleo existente. Ninguém vende uma fazenda cheia de bois sem contar o número de bois. Quer dizer, não faz sentido colocarmos em leilão o Campo de Libra, que, segundo a Agência Nacional do Petróleo – ANP, pode ter entre 8 e 12 bilhões de barris, apesar de haver estimativas de que possa chegar a 15 bilhões de barris. Se os dados forem esses, trata-se da maior descoberta do país.
IHU On-Line – Por que a decisão de leiloar esses campos?
Ildo Sauer – A decisão é da Senhora Rousseff, que preside o Conselho Nacional de Políticas Energéticas. Deu na veneta dela reunir o Conselho, composto pelos ministros a ela subordinados, e presidentes de órgãos pela presidência nomeados, que estão lá para referendar as vontades do príncipe, ou nesse caso, da princesa. Então, é um absurdo que um país, sem saber quanto tem de petróleo, coloque em leilão um campo com essa gigantesca dimensão de petróleo. O governo nem sequer se deu ao trabalho de concluir a exploração de Libra, quando deveria ter concluído os dados do pré-sal como um todo para sabermos se temos os 50 bilhões de barris mais ou menos já confirmados com a sucessão de descobertas dos vários campos, desde Parati, Tupi, Libra, Franco e todos os outros que vieram depois e já foram anunciados.
Ao longo de 60 anos de pós-sal, que se completam no dia 3 de outubro, a Petrobras descobriu cerca de 20 bilhões de barris de petróleo, produziu cinco bilhões, está produzindo cerca de 700 milhões de barris por ano nos últimos tempos – a produção está estagnada nesse patamar de dois milhões de barris por dia. Hoje a estatal também tem reservas convencionais de pós-sal da ordem de 15 milhões.
Obviamente, quando num leilão não há precisão nem certificação do volume de petróleo, isso é precificado contra quem leiloa. Ninguém vai oferecer algo ao governo se não tiver certeza do produto que pretende comprar. Então, nesse sentido, há uma série de movimentos sociais apoiados por pesquisadores e professores, que estão buscando o caminho das manifestações políticas e da Justiça para impedir esse leilão, o qual não convém ao interesse público e nacional.
A minha perplexidade e apreensão é de que o Conselho Nacional de Política Energética, comandado pela Presidência da República, deliberou colocar esse campo em leilão. Parece-me que essa decisão é baseada em problemas da macroeconomia, das contas externas e do déficit público, que tem sofrido uma deterioração considerável nas contas. De modo que essa proposta de pedir 15 milhões de reais de pagamento de bônus para assinatura é uma coisa que não tem sentido, pois só piora o resultado final do leilão, na medida em que alguém precisa, de antemão, pagar um valor tão grande.
IHU On-Line – Como avalia a modalidade de contrato de partilha de produção?
Ildo Sauer – A lei da partilha de produção foi sancionada pelo presidente Lula nos últimos dias de seu governo, se não no último. Ele, ao longo de oito anos, alegremente exercitou o modelo da concessão, o qual dizia, enquanto candidato à presidência, combater e alterar, apesar de o manter intacto e inalterado durante seu governo. De todo modo, acabou criando o modelo de contrato de partilha. Este modelo tem uma única válvula de escape que é interessante para a nação, ou seja, uma cláusula que permite a contratação direta da Petrobras sem licitação. Por que o governo não está exercitando essa opção? É preciso perguntar. Por que o governo também não cumpre aquelas cláusulas que são princípios básicos da administração pública, que exigem impessoalidade, publicidade, eficiência e moralidade?
O modelo de contrato de partilha de produção adotado no Brasil prevê o seguinte: o governo pode contratar diretamente a Petrobras e, de forma transparente, negociar com ela, ou seja, negociar como se daria a produção, em que ritmo, quais parceiros a Petrobras poderia ter em razão da dificuldade financeira pela qual está passando. Essa dificuldade financeira foi criada pelo próprio governo, ao impor à Petrobras uma espécie de assédio moral, onde a estatal não está cumprindo a lei, porque a lei manda praticar preços competitivos. Hoje parte da gasolina, do diesel, do gás natural está sendo importada a preços superiores aos de venda interna, causando prejuízo. A Petrobras está descapitalizada por esse longo processo que vem ocorrendo desde 2008 para cá, e nesse momento a empresa está comprometida com um plano de investimento estratégico de longo prazo bastante grande. É nesse contexto que o governo decide fazer o leilão de Libra.
Leilão do patrimônio público
O governo não está leiloando somente o Campo de Libra sem saber a sua dimensão, mas está leiloando outro patrimônio público, que é a capacitação de a própria Petrobras, que foi construída ao longo de seis décadas, operar. A empresa pode ter um eventual parceiro, que virá a ser um mero sócio financeiro, mas que poderá ter até 70% do volume de petróleo.
Qual é o procedimento que o governo está adotando? O leilão vai definir qual é a fração do óleo lucro, depois de deduzir todas as despesas de investimento. Eu estimo que esse Campo de Libra terá entre 15 e 22 plataformas, ao custo de três a quatro bilhões de dólares cada uma, e teremos algo entre 60 e 80 bilhões de dólares, mas poderá entrar no ritmo de produção algo em torno de um a dois milhões de barris por dia, se for tomada a decisão microeconômica de produzir o quanto antes mais petróleo, como querem todos aqueles que operam em razão do regime financeiro, a qual é inadequada para a exploração desse petróleo.
De qualquer maneira, exaurindo 15 bilhões de barris em 20 anos, será possível ter uma média de dois bilhões de barris por dia, que gerariam um excedente econômico típico, cujo custo está em torno de 15 dólares. Com o custo de capital, mais operação, mais os 15% de royalties, chegaremos a 30 dólares de custo. De maneira que o excedente de 70 dólares por barril, a um pouco mais de 700 milhões de barris por ano, dois milhões por dia, significa um excedente de 50 bilhões. Portanto, em um ano ou dois, é possível pagar o investimento com esse ritmo de produção.
Se o ritmo de produção for mais lento, no caso de estender a produção por 30 anos, teríamos uma produção um pouco superior a um milhão, 1,5 milhão de barris por dia, que daria um excedente proporcionalmente menor, mas mesmo assim chegaria a algo entre 35, 40 bilhões, o que novamente permitiria pagar em dois anos e meio, três anos, todo o investimento. A partir daí, sim, entra o óleo lucro.
Trata-se, portanto, da maior privatização da história política do Brasil. O governo do PT, que foi eleito se contrapondo às privatizações e à privatária anterior, está agora promovendo o maior leilão da história. Tendo um excedente econômico de 50 bilhões por ano, ao longo de 20 anos, isso dá um trilhão de dólares. Esse é um valor extraordinariamente elevado para ser tratado com a displicência com que o governo está tratando e com a desinformação junto ao Congresso Nacional, à mídia e à sociedade. Mas o mais grave é outro problema: a ausência de uma estratégia para o país se inserir no mercado internacional de petróleo.
IHU On-Line – Qual é a posição do Brasil no cenário geopolítico? O país está atento ao significado político e econômico da camada pré-sal?
Ildo Sauer – Nossa proposta é que, primeiro, se delimite o volume de petróleo, de forma que, sabendo quanto petróleo se tem, é possível fazer uma estratégia nacional de produção. É preciso lembrar que o conceito de royalties original é “uma retribuição ao soberano por ele abrir mão de um recurso natural que não estará mais disponível”. O soberano, de acordo com a Constituição Federal, é a nação brasileira. O artigo 20 da Constituição diz que os recursos do subsolo, incluindo aí o petróleo e outros recursos minerais, pertencem à nação. O artigo 5º da Constituição garante aos brasileiros direitos sociais, acesso a educação, saúde, moradia e outros. O governo diz que não consegue cumprir os direitos sociais porque não possui recursos, mas não considera os recursos que estão assegurados à Constituição pelo artigo 20. Então, o caminho mais razoável é delimitar as reservas de petróleo, fazer um plano nacional de desenvolvimento econômico e social, saber quanto o governo precisa investir todos os anos em educação pública, saúde pública, reforma urbana, mobilidade, informatização, proteção ambiental, ciência e tecnologia, infraestrutura produtiva e, acima de tudo, em um programa que assegure ao Brasil, à medida que o petróleo for se exaurindo, capacidade suprir as necessidades energéticas.
Tendo um plano nacional nessa dimensão, seria possível estimar qual a produção do petróleo necessário para financiar esse plano. Mas isso é o contrário do que o governo está fazendo. As denúncias de espionagem dos Estados Unidos junto à Petrobras e ao governo federal se vincula diretamente a esse problema geopolítico e estratégico. O governo parece que não se deu conta da dimensão que isso tem. Fazer o controle do ritmo de produção é fundamental para manter o preço do produto. E quem tem de reter essa capacidade de definir o ritmo de produção é o governo federal. Na medida em que se outorga o contrato de concessão ou de partilha, que tem cláusulas predefinidas sobre o ritmo de produção, o consórcio opera segundo a lógica microeconômica e busca retirar, o quanto antes, o maior volume de recursos financeiros possível daquele contrato de concessão ou de partilha, que neste caso pode se transformar num verdadeiro problema internacional.
Petróleo no cenário mundial
Volto ao ponto fundamental. Até 1960, grande parte dos recursos de petróleo do mundo estava na mão das companhias de petróleo multinacionais, comandadas pelas conhecidas sete irmãs: 84% do petróleo estavam na mão delas; 14%, da União Soviética; e 2%, das empresas nacionais. Em 1960 foi criada a Organização dos Países Exportadores de Petróleo - OPEP, que fez duas tentativas e transferiu o excedente econômico que ia para as empresas em direção aos países que detinham as reservas. Hoje, no mundo, mais de 90% das reservas de petróleo conhecidas estão em mãos de Estados nacionais, que têm ou empresas 100% estatais, ou empresas híbridas, como é o caso da Petrobras.
O Brasil não sabe se tem 50 bilhões, 100 bilhões ou 300 bilhões de barris. Se o país tiver 100 bilhões, estará no grupo de países de grandes reservas, se tiver 300 bilhões, será o dono da maior reserva do mundo, porque 264 bilhões é o volume de barris da Arábia Saudita. A Venezuela passa disso, se formos considerar o petróleo ultrapesado. De petróleo convencional normal, a Venezuela se encontra no patamar de 80 a 120 bilhões de barris, onde se encontra a Líbia, o Iraque, o Irã, os Emirados Árabes, que são os países do segundo bloco.
Experiência russa
A Rússia passou por um processo semelhante ao que o Brasil está passando agora. O governo Boris Iéltsin fez um modelo de entrega do petróleo aos grandes grupos econômicos, como Lula e Dilma tentaram com Eike Batista, mas não deu muito certo, porque ele encontrou petróleo, mas não soube produzir. De toda forma, o controle das reservas mundiais e do ritmo de produção é feito em coordenação da OPEP com a Rússia. A OPEP produz cerca de 25 milhões de barris e coloca isso no mercado, junto com a Rússia. Ambas produzem o volume de petróleo necessário para suprir grande parte da demanda, além da produção autônoma interna de vários países.
Então, a OPEP conseguiu, no choque de 1963-1969, aumentar o preço do petróleo, mas fracassou, porque a União Soviética vendia petróleo fora do controle para obter moeda forte e conseguir superar o bloqueio da Guerra Fria. Além disso, o México também vendia para outros países, e algumas nações não cumpriam as cotas determinadas pela OPEP.
Apesar disso, de 2005 para cá, a OPEP, junto com a Rússia, está mantendo o nível de produção num patamar que tem permitido manter o preço do petróleo acima de 80 dólares, 100 dólares, que seria o preço pelo qual é possível obter um substituto, que seria, nesse caso, a liquefação do carvão, que custa muito e polui. Esse preço regulador é mais ou menos compreendido como um patamar sustentável desde que a OPEP mantenha a coordenação. Se o Brasil entrar rendendo dois milhões de barris por dia, mais o excedente que a própria Petrobras está prevendo no plano dela, e o que o senhor Batista, antes de fracassar, previa, o país estará cumprindo um papel de desestruturar a coordenação e a redução de preço que, em última instância, é contra o interesse dos exportadores de petróleo. Aliás, é isso que está na base do acordo feito pela senhora Rousseff com o senhor Obama, em março de 2011, e anunciado pela Casa Branca, dentro de um documento de estratégia para garantir a segurança energética do Premium Secure Energy Supply.
Entre os pontos acordados pelos presidentes, nos interessa o ponto em que eles concordaram em compartilhar o desenvolvimento dos vastos recursos do pré-sal. O mesmo documento diz que o governo americano também está negociando com o México a abertura do Golfo do México, na parte mexicana. O governo americano vai colocar em produção a sua plataforma continental, de forma que o programa de biocombustíveis, o programa de ciência energética e mudança do paradigma tecnológico da mobilidade, fazem parte de uma iniciativa do governo americano com o objetivo final de quebrar a OPEP e fazer com que a antiga ordem volte a imperar, onde o petróleo tem o preço bem mais baixo do que tem hoje.
Produção de petróleo
Hoje, o custo da produção do petróleo no Brasil está em torno de 15 dólares. Na Arábia Saudita, o custo é menos de um dólar. De maneira que isso está gerando um excedente econômico da ordem de quase 100 dólares o barril. O mundo que produz hoje consome cerca de 30 bilhões de barris por ano, ao ritmo de quase 85 milhões de barris por dia. Isso gera um excedente econômico entre 2 e 3 trilhões de dólares em um PIB mundial de 65 trilhões. Portanto, um lucro enorme está em disputa. Hoje esse dinheiro sai dos países que consomem e vai para os países produtores de petróleo. O governo americano quer dobrar a espinha dorsal da OPEP, fazer com que haja novamente uma superprodução de petróleo, que o preço caia e que os benefícios do uso do petróleo voltem a ser apropriados pelos países consumidores, ou seja, os países desenvolvidos.
Esse é o quadro geopolítico que nós nos encontramos, e a ação brasileira parece que é absolutamente ingênua ou destituída de conhecimento do embate geopolítico estratégico em que está se dando esse teatro de operações em torno do petróleo.
Brasil na geopolítica mundial
Vejo com muita preocupação a forma com que o governo vem conduzindo o problema do Campo de Libra, e a estratégia global do pré-sal brasileiro. Provavelmente, o cenário que expus sobre o petróleo, o seu papel, a sua apropriação social no processo produtivo da sociedade urbana e industrial que nós construímos no último século, prevê que o petróleo deve ter mais valor daqui para frente, dada a dificuldade de substituí-lo em comissões de produtividade adequadas por outros recursos, como o carvão e as renováveis, que têm um preço de produção bastante elevado, em torno de 80 a 100 dólares por barril. Não havendo outras possibilidades no momento, é possível que o petróleo mantenha um preço elevado no futuro, desde que se tenham duas coisas: reservas certificadas, que nós poderemos ter, e tecnologia e capacidade produtiva no entorno do complexo da Petrobras. Tendo essas duas coisas, é melhor produzir apenas para fazer os investimentos naquelas prioridades que citei antes: educação pública, saúde pública, reforma urbana, reforma agrária, ciência de tecnologia, proteção ambiental e transição energética, e fazer parceria com países que dependem de petróleo e que podem nos ajudar, como a China, a Índia e outros que poderão nos ajudar no processo de modernização da estrutura produtiva brasileira. Ou seja, é melhor deixar o petróleo nas reservas de maneira certificada.
Até agora, a estratégia brasileira está completamente equivocada, e Libra é apenas a cabeça de ponte, é o início de um processo de deterioração e de um papel subalterno que o Brasil está cumprindo nesse embate global entre os países que detêm reservas e recursos e aqueles que querem se apropriar deles pagando o mínimo possível. Petróleo não é pizza, não é boi, não é um negócio qualquer. O petróleo cumpriu o seu papel estratégico no sistema de acumulação em torno da hegemonia do sistema capitalista ao longo do último século, permitiu avanços extraordinários, um mundo de 7 bilhões de habitantes com uma estrutura extraordinária de produção e circulação.
O governo brasileiro parece não entender a dimensão do problema, ou, por ingenuidade, por incompetência, está cometendo algo que chamo de crime de responsabilidade contra o interesse nacional ao iniciar o processo de leilão; ou seja, a maior privatização da história do país, muito superior a todas as privatárias dos governos anteriores, em um lance só.
IHU On-Line - A presidente da Petrobras alegou que não teria condições financeiras para explorar sozinha o Campo de Libra. A empresa precisa de uma parceria?
Ildo Sauer – Vamos falar a verdade. Isso é tudo jogo de cena para criar confusão! Não falta dinheiro para quem tem reserva de petróleo e tem capacidade tecnológica. Nenhuma empresa tem dinheiro diretamente. Quem tem dinheiro são os bancos, o sistema financeiro e a China, que hoje detém reservas da maior monta do mundo em função do seu processo de produção, exportação e acumulação, que financia grande parte da dívida americana, por exemplo. Então, não falta dinheiro no mundo.
O possível sócio da Petrobras é um mero sócio financeiro, que irá aportar um montante que for definido no leilão, o qual pode chegar até 70%. É possível investir em outro modelo. Por isso, propomos definir uma estratégia brasileira em primeiro lugar, e, posteriormente, quando se decidir produzir petróleo, chamar a Petrobras, contratá-la, definir seus eventuais parceiros de maneira aberta e transparente, negociar as condições, por exemplo, com um parceiro chinês. As empresas chinesas seriam o parceiro ideal para esse processo, assim como empresas indianas ou outras mais.
Como disse, Libra, na minha estimativa, vai custar entre 60 e 80 bilhões de dólares. Além disso, o governo precisa construir a cadeia produtiva brasileira. Infelizmente o governo não se planeja, não expande a formação de recursos humanos, a expansão da capacidade industrial brasileira, das áreas de serviços. Não adianta criar essa situação que temos hoje: as empresas prometem conteúdo nacional, não cumprem, a ANP as multa e acabou! Falta planejamento no país em todos os níveis: educação, saúde, infraestrutura, nas cadeias produtivas da área de energias, etc. O Brasil é um país que opera no dia a dia no improviso. E isso ficou claro com a decisão de tentar queimar o Campo de Libra para resolver um pequeno problema econômico das contas externas e das dívidas públicas. De maneira que o problema financeiro é um mito que inventaram; não falta dinheiro para quem tem reserva de petróleo certificada. O nível de endividamento da Petrobras é facilmente resolvível mediante um modelo diferente de negócio, porque a lei permite. A lei não é boa, ela poderia ser melhor, mas tem suficiente espaço para fazer uma política que garanta o interesse nacional e o interesse público.
(Por Patricia Fachin)

POLÍTICA - A música do dia vai para o Serra.

Copiado do blog "Náufrago da Utopia".

A MÚSICA DO DIA VAI PARA O JOSÉ SERRA...


Já passou da hora do Serra pendurar as chuteiras

...que passou meses alimentando especulações sobre um voo para outro ninho,  mas, por absoluta falta de quem lhe oferecesse perspectivas melhores, acaba de anunciar que continuará com os tucanos. Eles o tolerarão desde que não atrapalhe quem realmente conta: o Aécio Neves e o Geraldo Alckmin.

Passou vexame idêntico ao do decadente goleiro Júlio Cesar, que o técnico Felipão, teimoso como uma mula, insiste em continuar chamando para a Seleção. Depois de cair com seu time para a 2ª divisão do futebol inglês, ele tentou de todas as formas cavar uma transferência que o mantivesse na elite, mas ninguém o quis. Acabou resignando-se a cumprir seu contrato, mas agora é o Queens Park Ranger que não o quer mais, conforme o técnico declarou, aconselhando-o a dar logo o fora.

Assim como os caciques do PSDB devem estar chorando lágrimas de sangue por, nem desta vez, terem conseguido se livrar do Serra...

Ninguém melhor do que o  tucano da triste figura, portanto, para ser  homenageado  com esta velha marchinha carnavalesca que o Francisco Alves cantava:

"Eu assisti de camarote
O teu fracasso
Palhaço, palhaço!
(...) No livro de registro desta vida
Numa página perdida
O teu nome há de ficar
Registram-se os fracassos
Esquecem-se os palhaços
E o mundo continua a gargalhar"

Do blogue Náufrago da Utopia

JUSTIÇA - O cara parece que não tem nada a haver com ela.

Joaquim Barbosa critica a justiça como se não tivesse responsabilidade nenhuma por ela ser o que é

by Paulo Nogueira
O que ele fez para melhorar a justiça?
O que ele fez para melhorar a justiça?

Uma das coisas que mais me irritam é alguém se queixar de alguma coisa que esteja sob seu comando, como se tivesse a impotência do porteiro.
Vi isso muitas vezes na minha carreira. O cara comanda uma empresa ou um departamento e faz críticas como se não tivesse nada a ver com nada.
Seria como se eu, aqui, reclamasse do espírito e dos textos do DCM.
É bizarro o que estou narrando, mas é comum, e imagino que você já tenha visto muita coisa parecida em sua vida.
Veja Joaquim Barbosa, presidente do Supremo. Numa reunião promovida pela revista Exame, ele insultou a justiça brasileiro como se fosse contínuo do Supremo, e não presidente.
Que ele fez, numa carreira já longa, para mudar alguma coisa entre tantos problemas que apontou – a maior parte, aliás, acertadamente?
JB disse que a justiça brasileira é a mais confusa do mundo. Ele comandou, recentemente, um julgamento, o do Mensalão, que foi o triunfo do caos e da falta de nexo.
Um dia a posteridade há de usar as devidas palavras pejorativas para falar, por exemplo, da “dosimetria”. Com ares científicos, os juízes estipularam penas que simplesmente não fazem sentido.
Comentei aqui, já. Marcos Valério recebeu uma pena duas vezes maior – 40 anos – do que a aplicada na Noruega a Anders Breivik, assassino confesso de dezenas de jovens.
Ainda hoje, li na mídia estrangeira que um tribunal internacional condenou um antigo ditador africano a 50 anos de prisão por genocídio. Mais um pouco e Valério teria a pena de um genocida.
Um amigo meu, grande jornalista, me contou que um dia acompanhava uma votação do Mensalão numa padaria, ao lado de algumas pessoas. Um juiz proferiu sua longa sentença, e ao fim dela um cliente da padaria fez a pergunta fatal: “Condenou ou absolveu?”
Barbosa criticou a pompa cafona com a qual os juízes se expressam. Ele já ouviu a si próprio? Ou a Marco Aurélio de Mello, ou a Gilmar Mendes? Solenes, prolixos, vazios, rebarbativos, patéticos.
JB poderia ter dado o exemplo, e falado em português claro. Na Inglaterra, o juiz Brian Leveson comandou um inquérito sobre os crimes da mídia num inglês compreensível para qualquer pessoa alfabetizada. Acompanhei o caso.
Nada funciona mais que o exemplo pessoal quando você é, como JB, um líder.
Ele tocou em outro ponto: a questão das indicações políticas. Condenou as articulações que os magistrados fazem para obter altas posições.
Ora, todos sabemos o que ele fez nesse campo. Incomodou um alto funcionário do governo Lula no aeroporto de Brasília porque sabia que Lula procurava um juiz negro para o Supremo. Agiu como um tremendo cara de pau para praticar politicagem.
É difícil discordar das críticas de JB à justiça. Nenhuma delas é um erro. Faltou apenas listar outras. Por exemplo, a relação promíscua que juízes de altas cortes têm com a mídia. Para lembrar o grande editor Joseph Pulitzer, jornalista não tem amigo. E nem juiz deveria ter. Pior ainda quando são amigos entre si, a ponto de um dar exemplo para o filho do outro.
Não vou ficar surpreso se um dia JB falar uma coisa dessas, à Pulitzer, como se mantivesse distância olímpica dos jornalistas.
Numa frase que entrou para a história, Gandhi disse que cada um de nós devíamos ser a mudança que gostaríamos de ver no mundo. É uma frase que cai melhor em JB do que seus ternos comprados no exterior.

PETROBRAS - Lições de uma sessentona rebelde.

Mais que uma empresa de petróleo, a Petrobrás é um marcador incômodo do desenvolvimento brasileiro.

Seus sessenta anos comemorados nesta 5ª feira, 3 de outubro, arguem o país do século 21 com um exemplo de audácia bem sucedida trazida do ciclo anterior.

A implícita capacidade de cobrar o presente com o desassombro de um passado que o pré-sal atualiza e magnifica, talvez seja a principal explicação para a profunda antipatia que a simples menção do seu nome inspira no sistema auditivo conservador.

Mais que antipatia, há um esforço para tornar inaudíveis as perguntas que a sua trajetória enseja.

Por exemplo: como é que uma Nação que teve audácia de se credenciar na corrida do petróleo, num tempo em que isso equivalia a uma maratona de ricos, sofre hoje a duras penas para fazer rodovias?

Ou ampliar portos? Ou ainda, estender dormentes de trens? Rasgar e concretar um simples canal para levar um pouco do São Francisco ao sertão nordestino, que concentra a maior demografia mundial em um regime semi-árido?

Como é que o país que fez a 8ª maior petroleira do planeta, detentora de conhecimento de ponta na exploração em águas profundas, não consegue mais prover a infraestrutura básica?

O PAC e os planos de investimento em logística estão aí a atestar o empenho do governo em fazê-lo.

Mas por que a coisa então se arrasta em ritmo enervante, sem avançar no volume e prazo requeridos pela economia e a sociedade?

A Petrobrás é a dissonância à resposta do cuco conservador

Aquele que troca de plumagem, mas não troca o canto fúnebre de seu veredito sobre o Brasil.

‘O país não faz e não tem condições de fazer e o Estado está fadado a fracassar se o fizer’.

Dito assim, de hora em hora, e reafirmado nos intervalos pela emissão conservadora, acaba inoculando uma prostração que subtrai ao país o direito de dizer: ‘eppur si muove’.

O que havia de tão vantajoso assim no Brasil de 1953, em relação à esférica impossibilidade dos dias que correm?

A Petrobras nasceu da rua.

Começa por aí.

Nasceu de um amplo debate que politizava as escolhas do desenvolvimento.

Fez delas uma causa pública.

Tornou-se o ponto de convergência dos anseios de prosperidade com a consciência do seu requisito, a soberania.

Era um sonho.

Mas um sonho politizado.

Que deixa de ser um devaneio, porque submete seus flancos às mediações das circunstancias e ao escrutínio dos projetos.

Há 60 anos, uma geração de homens e mulheres apostou que o petróleo era necessário ao país.

Porque sem ele o Brasil ficaria mais distante dos anseios de dignidade, justiça, independência .

A luta do ‘Petróleo é Nosso’ foi isso.

Como hoje, havia derrisão na mídia conservadora diante do projeto que associava o petróleo a uma industrialização ainda frágil e difusa.

Um especialista, Walter Link, geólogo norte-americano, contratado pelo Conselho Nacional do Petróleo, emitiria, ademais, um veredito fatal.

O famoso Relatório Link descartava (com alguma razão, vê-se hoje) a ocorrência de reservas de alta acumulação em quase todo o território brasileiro.

Exceção feita a uma hipótese intangível.

As reservas mais promissoras concentravam-se na plataforma marítima.

Em profundezas tecnologicamente inacessíveis, a custos economicamente inviáveis, ao abrigo de desafios logísticos inalcançáveis até pelas economias mais ricas.

Era desse calibre a pá de cal do famoso relatório, que as oligarquias estendiam à emergente industrialização.

Se dependesse das restrições da época e do imediatismo das elites saqueadoras, Getúlio Vargas não teria criado a Petrobrás, naquele 3 de outubro de 1953.

Tampouco insistido na industrialização. Ou Juscelino feito Brasília. Nem Celso Furtado teimado em erradicar o apartheid que dava ao Nordeste um quê de bantustão avant la lettre.

A determinação de viabilizar cada um dessas bandeiras, extraiu do planejamento público a credibilidade que lhe sonegavam as elites e seu aparato emissor.

Há mais exemplos que o alto-falante conservador cuida de abafar.

A atual e festejada eficiência agropecuária, por exemplo (de custos ambientais e sociais nunca ponderados).

Só atingiu a grandeza de escala e produtividade, graças à semeadura incansável do crédito público.

E da pesquisa realizada por uma estatal fundada em 1973, que se transformou em referência mundial na agricultura tropical: a Embrapa.

O etanol brasileiro é outro.

Que não sairia do sonho de visionários sem um programa estatal iniciado em 1975, o Pró-álcool.

Bilhões de dólares foram destinados à consolidação do que é hoje uma opção efetiva de combustível renovável.

Sem esquecer a Embraer, estatal criada no final dos anos 60, privatizada em 1994.

Uma das maiores fabricantes de aeronaves de autonomia regional do mundo.

O que havia de singular no pós-guerra, até meados dos anos 80, era esse entrelaçamento da indução pública de recursos com o poder operacional de estatais.

Criadas ou já existentes, elas ordenavam o mercado e o setor privado à consecução de objetivos estratégicos.

O que se seguiu à crise da dívida dos anos 80 é conhecido: rapinagem, corrosão fiscal, sucateamento e privatizações escalpelaram a capacidade do setor público de orientar o desenvolvimento do país.

A década de 90 juntou a fome com a vontade de fazer regime de soberania.

Entregou-se o destino da economia e o da sociedade aos impulsos reptilíneos dos mercados autorreguláveis.

Não por acaso, a industrialização brasileira embicou a partir daí.

Padece hoje do longo e corrosivo esgarçamento dentro do qual terá que se reinventar nas novas –e difíceis-- condições de integração às cadeias globais.

Não é apenas um desafio tecnológico.

Os sacerdotes do sacrifício exibem a sangria como prova dos pecados da oferenda.

E cobram a penitência do autoflagelo definitivo, com a abertura irrestrita do país à purga redentora da concorrência internacional.

O diabo é a Petrobrás.

A sessentona rebelde, com todas as suas cicatrizes e cabelos brancos, avança na contramão do trânsito.

A disparar saltos de eficiência e avanços tecnológicos ali onde a disputa é mais renhida e travada entre gigantes da geopolítica mundial.

Seu êxito ofusca o discurso da rendição redentora aos ‘livres’ fluxos de capitais e mercadorias.

Pior que isso.

Longe de se resumirem a uma efeméride, seus 60 anos embalam um trunfo que avaliza a possibilidade da reindustrialização brasileira.

A sangria de décadas sofrida no parque fabril do país tem sido mitigada com desonerações, protecionismo e ajuste de câmbio.

Mas reverter os buracos consolidados é mais difícil.

O dinamismo que se perdeu teria que ser substituído por um gigantesco esforço de inovação e redesenho fabril, a um custo que um país em desenvolvimento dificilmente poderia arcar.

Exceto se tivesse em seu horizonte a exploração soberana, e o refino, das maiores jazidas de petróleo descobertas no século 21.

É isso o que representa o pré-sal.

Dele o país já obtém 300 mil barris/dia. Este ano nove plataformas entram em operação e podem elevar em 50% a produção da empresa.Em 2020, o pré-sal fornecerá 2,1 milhões de barris/dia, dobrando a produção nacional.

Até 2017, US$ 237 bilhões serão investidos nessa maratona.

Não existe automatismo entre esses valores e o desenvolvimento do país.

Os efeitos virtuosos desse no conjunto da sociedade só ocorrerão por conta de um lacre de segurança que não pode ser removido: o marco regulador do pré-sal.

Aprovado com a oposição de quem agora agita a bandeira contra o intervencionismo petista –- ele institui o regime de partilha e transfere o comando de todo o processo tecnológico, logístico, industrial, comercial e financeiro da exploração à Petrobras.

Todos os contratados assinados nesse âmbito –inclusive os do polemico leilão de Libra-- incluem, por exemplo, cláusula obrigatória de conteúdo nacional nas compras de equipamentos, de 65% , pelo menos.

Esse é o ponto de mutação da riqueza do fundo do mar em prosperidade na terra.

O novo marco regulador transfere à Petrobras a responsabilidade soberana de harmonizar duas variáveis básicas: o ritmo da extração e do refino; e a capacidade brasileira de atender a demanda por plataformas, máquinas, barcos, sondas etc.

Se a exploração correr livre, como gostariam a república dos acionistas e as multinacionais, o fôlego da indústria local será atropelado.

Não são apenas negócios o que está em jogo.

Cerca de 300 mil jovens brasileiros serão treinados nos próximos anos pelo Promimp, o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural.

Sem o novo marco regulador, que sofreu e sofre o cerco beligerante do conservadorismo, eles seriam desnecessários.

O conjunto requer ainda forte expansão da rede brasileira de refinarias, estagnada desde 1980.

Tudo isso causa erupções cutâneas na pátria dos dividendos, que prefere embolsar lucros rápidos, com o embarque predatório de óleo bruto.

O que a sexagenária Petrobras propicia hoje ao país, portanto, é uma espécie de berçário da reindustrialização de que o seu desenvolvimento tanto necessita.

É desse arcabouço de medidas e salvaguardas que poderão jorrar os recursos do fundo soberano para superar os grandes interditos que ainda afligem a população brasileira.

Sobretudo, o acesso à saúde e à educação públicas de qualidade.

Desqualificar a estatal criada por Getúlio é um requisito para reverter a blindagem em torno de uma riqueza, da qual as petroleiras internacionais e o privatismo de bico longo ainda não desistiram.

Mais que isso.

É uma salvaguarda contra um perigo maior.

Aquele que pode levar o discernimento nacional a enxergar no épico contrapelo do petróleo nacional – ordenado pelo guarda-chuva de uma estatal espelho poderosa-- uma inspiração para destravar o arranque de um ciclo acelerado de expansão da infraestrutura brasileira.
Postado por Saul Leblon

MÍDIA - Não há nada que o Huffington possa fazer.

Diário do Centro do Mundo

O que significa a parceria entre a Abril e o Huffington Post?

by Paulo Nogueira
download
Há um certo alarido, no mundo da mídia, em torno da associação entre a Abril e o Huffington Post no Brasil.
Duas sílabas resumem o que essa parceria quer dizer: uma é ‘na’ e a outra é ‘da’. Nada. Rigorosamente nada, ao menos para a Abril. O problema dramático da Abril, no mundo digital, é a rejeição que a Veja provoca por causa de seu conteúdo extraordinariamente reacionário. A Veja é o Serra da mídia.  Cada vez menos gente gosta e cada vez mais gente detesta.
O repúdio é ainda maior entre os internautas, o que aumenta o drama da Veja, dado o ritmo com que aumenta o número de pessoas que consomem notícias pela internet. O universo de rejeição à Veja tenderá a ser, portanto, amplo, total e irrestrito.
Outro dia a revista sofreu um esculacho exemplar na frente da sede da Abril, mas parece não ter aprendido nada com isso. A Veja caminha rapidamente para disputar com a Globo o título de mídia mais detestada dos brasileiros.
Jornalistas da Globo não podem se identificar em protestos, ou estão arriscados a levar uns cascudos, como aconteceu com Caco Barcellos. Suspeito que repórteres que se identifiquem como da Veja passarão pela mesma situação. A única diferença é que, como não têm que segurar um microfone com o logotipo da empresa, e nem são conhecidos fisicamente como se dá com a turma da Globo, é mais fácil passarem incógnitos.
O que o Huffington Post pode fazer em relação a tudo isso? Zero. Suponhamos que a Veja passe a publicar em seu site matérias – internacionais -- do HP. Qual o poder delas diante daquilo que a revista vem dando cotidianamente em seu cobertura absurdamente enviesada do Brasil?
Significativamente, o anúncio da parceria coincidiu com a aquisição de Lobão como colunista do site da Veja. Pouco antes, fora contratado Rodrigo Constantino. Os dois reforçam tudo de ruim que a Veja tem em sua imagem.
É como se Serra tentasse renovar sua imagem se unindo a Sérgio Cabral e Silas Malafaia.
Constantino, um destes dias, conseguiu louvar um estudante que se recusou a fazer um trabalho sobre Marx. Publicou a carta que o aluno enviou ao professor com as razões para um gesto de obtusidade inigualável. “Acho que agora posso dizer que a Veja morreu”, escreveu alguém no Twitter ao comentar o fato.
Keynes era um erudito em Marx. Milton Friedman teve que percorrer todo Marx respeitosamente para produzir seu pensamento antimarxista. Mas o estudante aplaudido por Constantino acha que não deve se instruir sobre Marx. Provavelmente esteja encharcado das besteiras de pseudofilósofos como Olavo de Carvalho e Pondé.
Em sua carta, o estudante ainda juntou um decálogo anticapitalista atribuído falsamente a Lênin que é motivo de chacota para quem conhece o mínimo de Lênin. Graças a Rodrigo Constantino, o papel ridículo do aluno ignaro ganhou dimensão nacional.
Conteúdo, conteúdo e conteúdo: este é o real drama da Veja e, por extensão, da Abril, dada a importância da revista no grupo.
Não há nada, aí, que o Huffington Post possa fazer

terça-feira, 1 de outubro de 2013

MÍDIA - Será que aprende?

Blog da Helena

Manchete de "O Globo" admite que o jornal errou sobre a Petrobras


refinaria-de-petroleo-2a7dd.jpg
Outra campanha negativa da mídia começa a cair: Petrobras vai bem, obrigado
Hoje (30), o jornal O Globo estampou em sua manchete principal "Petrobras ampliará capacidade em 50%". A matéria trata como novidade que nove navios-plataforma e sondas de apoio estão sendo instaladas este ano pela estatal brasileira, e que tais instalações incrementam a capacidade de produção em mais um milhão de barris de petróleo por dia.
O desavisado leitor de manchetes – e até mesmo o assinante do jornal – deve ficar atônito com esta notícia, depois de ter lido no mesmo jornal, durante meses, que a Petrobras estaria à beira do precipício, inclusive fazendo coro com a irresponsabilidade de alguns líderes da oposição. O senador tucano Aécio Neves, por exemplo, publicou artigos afirmando que a empresa estava praticamente "quebrada".
Imaginemos o leitor de O Globo concluindo que nove gigantescas plataformas de petróleo teriam sido compradas da noite para o dia, como se a presidente da empresa Graça Foster tivesse ouvido as críticas publicadas no jornal e resolvido agora pegar um carrinho de supermercado e apanhar navios-plataforma na prateleira, como se fossem sacos de arroz.
A verdade é que equipamentos deste porte para a indústria de petróleo precisam ser encomendados com alguns anos de antecedência, e obedecem a criterioso planejamento. Estas plataformas foram licitadas e encomendadas já há algum tempo, fazem parte não só do plano de investimentos da empresa, como do Plano de Aceleração do Crescimento, do governo federal, e da política de desenvolvimento da indústria naval brasileira. Por ser empresa pública e de capital aberto, a Petrobras divulga abertamente todos os fatos relevantes.
Mas o leitor do jornal dos Marinho não ficou sabendo de nada disso. Para tentar reduzir danos à imagem de seu jornalismo, a manchete foi alterada no portal online: "Petrobras eleva produção para neutralizar efeitos da interferência política". O jornalão se refere ao preço controlado da gasolina e do diesel.
Mas a matéria de novo mostra falta de compromisso com a verdade. Isto porque a decisão de elevar a produção nos volumes que estamos vendo se deu há muito tempo, nada tendo a ver com a situação conjuntural da subida da cotação do dólar neste ano, coisa que afeta o preço dos combustíveis refinados no exterior.
A "interferência política" a que o jornal se refere, é a decisão de aumentar a produção da estatal, o que se deu após a descoberta do pré-sal, ainda no governo Lula, com a determinação de manter a Petrobras no controle hegemônico da produção deste petróleo, inclusive com a capitalização da estatal com 5 bilhões de barris do pré-sal no campo de Tupi. Óbvio que para explorar esse campo foi necessário fazer as encomendas de plataformas que estão sendo entregues atualmente.
No primeiro semestre deste ano, analistas da Merrill Lynch enviaram relatório a seus clientes enumerando cinco boas razões para a compra de ações da Petrobras, entre elas a previsão de que seria uma das líderes globais em crescimento da produção de petróleo na comparação com outras companhias do setor. Naquela mesma época, o leitor de O Globo recebia informações contrárias à esta realidade.
Assim, o jornalão acrescenta mais uma pérola do o jargão jornalístico chama de barrigadas – matérias que se mostram desprovidas de sua matéria-prima principal:  a verdade. Somente em 2013, o jornal já publicou o falso alarme de um racionamento elétrico no início deste ano. Depois, o falso alarme sobre a inflação, com o tomate no papel de grande vilão. Agora, fica comprovado que voltou a faltar com a verdade, ao publicar sistematicamente reportagens, análises e artigos negativos sobre a realidade da Petrobras.
Será que aprende?

POLÍTICA - Vão dizer que é demagogia.

3
Haddad estuda ir ao trabalho de ônibus 
 
O prefeito Fernando Haddad (PT) encomendou um estudo sobre a possibilidade de ir e voltar de ônibus de casa, no Paraíso, zona sul, para a Prefeitura, no Viaduto do Chá, no centro. A Prefeitura avalia, porém, riscos caso o prefeito resolva adotar o meio de transporte que tem sido priorizado em sua gestão, em detrimento dos carros.
A reportagem é de Artur Rodrigues e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 01-10-2013.

O estudo foi pedido há dois meses, para a assessoria militar do prefeito. Até agora, só foram apresentados dados preliminares. Foram pesquisadas cinco linhas em que Haddad poderia fazer o trajeto. Em média, cada uma delas levaria aproximadamente 15 minutos, sem contar o trajeto a pé até o ponto de ônibus. Para ir até a Prefeitura de carro, o prefeito leva em média dez minutos.

O projeto também leva em consideração questões de segurança e possíveis transtornos à vizinhança do prefeito. "O uso do transporte coletivo por parte do prefeito em horário e local regular e conhecido pode, por exemplo, pautar abordagens por parte de pessoas, organizações ou instituições que aguardam agenda oficial ou que desejam exercer atividades de protesto", informa nota oficial da Prefeitura.

Além disso, afirma o comunicado, poderia causar transtornos à vizinhança do prédio de Haddad e do bairro. Atualmente, o prédio de Haddad já é cenário de protestos frequentes.

No início de agosto, quando a faixa foi implementada, Haddad desconversou ao ser questionado pelo Estado se adotaria este meio de transporte. No fim de semana, ele disse à 'CBN' que a questão de segurança em seus deslocamentos vai além da sua individualidade por se tratar de uma questão institucional da Prefeitura.

Opções

De acordo o Google Maps, o transporte público mais prático para o prefeito seria o metrô. Seriam nove minutos da Estação Paraíso até a São Bento, da Linha 1-Azul. Com os trechos de caminhada até as estações, um total de 1,6 quilômetro, seriam 32 minutos.

Uma das opções para que Haddad fosse de ônibus, de acordo com o site, seria andar 10 minutos até a Avenida 23 de Maio. Lá, pegaria o coletivo 5318-10 rumo à Praça da Sé. Depois de 13 minutos no coletivo, passando por oito pontos, ainda teria de andar por seis minutos até o Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo.

PETRÓLEO - Mobilização contra o leilão de Libra.

Organizações realizam ato em São Paulo contra os leilões do pré-sal

Na próxima quinta-feira (3), as centrais sindicais, associações, integrantes dos movimentos sociais do Brasil, reunidos no Comitê Estadual de Defesa do Petróleo, se mobilizam contra o leilão do campo de Libra em frente à Petrobras, na avenida Paulista, em São Paulo.
A reportagem é publicada pelo MST, 30-09-2013.
As organizações pedem que o governo federal suspenda o leilão das reservas do pré-sal, marcado para o próximo dia 21 de outubro, ao considerarem o leilão um crime de lesa-pátria. Para elas, o governo coloca em risco não só a soberania, mas também o desenvolvimento do Brasil.
A lei 12351/10 permite que a Petrobrás seja contratada como única operadora das áreas do pré-sal. Trata-se do maior campo de petróleo do mundo, que, sozinho, pode fazer jorrar até 12 bilhões de barris de petróleo, e que será leiloado por R$ 15 bilhões. Entretanto, as organizações apontam que seu rendimento pode chegar a US$ 1,5 trilhões, o equivalente ao Produto Interno do Bruto (PIB) do Brasil.
Na campanha eleitoral de 2010, a presidenta Dilma Roussef, inclusive, afirmou que o pré-sal era o passaporte para o futuro do Brasil e que não iria entregar suas áreas à exploração estrangeira. “Entregar a exploração do pré-sal para as empresas estrangeiras é tirar dinheiro do Brasil”, declarou a presidente na campanha.
As organizações também denunciam que as empresas multinacionais que querem explorar o pré-sal não investem no país. Precarizam o trabalho com mão de obra terceirizada e não geram empregos no Brasil. E citam como exemplo os 62 navios feitos pela indústria de petróleo, em que 59 são da Petrobras e três da PDVSA (estatal venezuelana). Nenhuma petrolífera privada encomendou navios no Brasil.
Além da suspensão dos leilões de petróleo, as organizações também defendem uma Petrobras 100% pública e estatal, que os recursos do pré-sal sejam aplicados em saúde, educação, saneamento e desenvolvimento social.
A concentração será em frente à Petrobras, na Avenida Paulista, 901, às 17h da próxima quinta-feira (3).

POLÍTICA - Para desespero da oposição, o ex-presidente Lula está mais ativo do que nunca

Para desespero da oposição, o ex-presidente Lula está mais ativo do que nunca


Uma semana depois de ter avisado, em diversas entrevistas, que estava de volta às articulações políticas (na verdade, nunca as deixou), no momento com ênfase nas eleições nacionais de 2014, o ex-presidente Lula está aí – hoje numa série de atividades políticas em Brasília, inclusive um muito provável encontro com a presidenta candidata à reeleição Dilma Rousseff.
Para desespero da oposição Lula está aí, bem de saúde, com mais de 55% de votos que lhe são atribuídos pelas pesquisas e sem ser candidato. Como ele gostaria de dizer, temos de volta um Lula “como nunca se viu antes nesse país”, dada a disposição com que se atira à atividade política.
Assim, o temos no front político de novo com toda força e competência, articulando, falando com o povo. Vai a Brasília, hoje, prestigiar a filiação de Josué Gomes da Silva – filho do ex-vice-presidente José Alencar, que faleceu em 2011 -, um aliado e tanto no PMDB de Minas. O ex-presidente vai, também, à OAB-nacional para a comemoração dos 25 anos da Constituição em vigor, na qual escrevemos os direitos democráticos e sociais do povo brasileiro com Lula na liderança de nossa bancada e partido.
O empresário Josué Gomes da Silva, dono da Coteminas, ainda não adiantou que cargo vai disputar nas eleições de 2014, mas pode e tem todas as condições de aspirar um posto eletivo. E é muito bem vindo à atividade político-partidária, um quadro e tanto que entra no PMDB aliado do governo.
(foto: Ricardo Stuckert/IL)

POLÍTICA - A República dos Ruralistas.

É uma bancada suprapartidária que entra governo, sai governo, usa maneiras não convencionais para pressionar os governos, sempre com sucesso. 

Quando trabalhava no mercado cafeeiro, pude acompanhar de perto o "modus operandi" desse pessoal.

Conheça a República dos Ruralistas


Fruto de uma parceria entre o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o Greenpeace e o Instituto Socioambiental (ISA), o website “República dos Ruralistas”, lançado nessa segunda-feira, apresenta dados sobre a atuação parlamentar, o patrimônio fundiário e financeiro, os financiadores de campanha e as ocorrências judiciais de 13 das principais lideranças ruralistas – e anti-indígenas – na Câmara dos Deputados. Lançada, a página chega ao público como uma contribuição das organizações para a semana de Mobilização Nacional Indígena.
A reportagem é de Nathália Clark e publicada pelo sítio Greenpeace, 30-09-2013.
De fontes públicas, tais como o Tribunal Superior Eleitoral e os sites da ONG Transparência Brasil, os dados sistematizados reforçam a ligação desses parlamentares com empresas multinacionais do agronegócio, crimes ambientais e contra populações tradicionais e pequenos agricultores. Tornam claros também os interesses particulares e corporativos das propostas que defendem.
O usuário poderá conhecer, em um primeiro momento, os perfis de deputados, autores ou apoiadores de projetos legislativos que visam, principalmente, alterar a forma como são demarcadas as terras indígenas no país – como a PEC 215/2000, que quer retirar do Executivo e passar às mãos de deputados e senadores a competência de demarcar Terras Indígenas. No futuro o site deve alcançar toda a bancada e aprofundar a análise dessas informações. O usuário encontra ainda infográficos e mapas interativos, em uma aba destinada a análises complementares.
Utilizando uma planilha do Google Docs como fonte de dados, “República dos Ruralistas” foi desenvolvido utilizando tecnologias livres e é acessível via computadores e dispositivos móveis, como tablets e smartphones.
Fonte: IHU