sexta-feira, 9 de julho de 2010

ECONOMIA - Os sonegadores estão apavorados.

Do blog Tijolaço.

Capital pego com a mão na botija apela por ordem legal

O título parece um paradoxo e é. O capital adora um sigilo para poder circular livremente pelo mundo, e, principalmente, escapar de taxações, mas se arrepia quando seus dados são descobertos e se tornam passíveis de fiscalização pelos Estados, a quem costumam ludibriar. E apela até para questões legais, como se o que fizesse não fosse burlar constamente as leis.

O Valor reproduz hoje uma história incrível, publicada originalmente pelo The Wall Street Journal, em que dois funcionários da área de private banking do HSBC forneciam uma extensa lista de clientes com contas na Suíça, oferecidas por e-mail anônimo com o sugestivo assunto “Evasão fiscal, lista de clientes disponível.”

Os e-mails foram enviados para as polícias alemã e francesas e para autoridades britânicas. Com base nos dados que acabou apreendendo na casa do funcionário do HSBC, no sul do país, o fisco francês recuperou 1 bilhão de euros em impostos sonegados e promete enviar os dados a outros países que queiram encontar sonegadores.

A Suíça entrou em pânico e quer barrar as investigações. Para uma país que vive do setor bancário, que movimenta US$ 2 trilhões, principalmente em contas secretas, ver reveladas as sonegações que acoberta é perigoso. Não que se envergonhe, apenas prejudica os negócios que cuidam com tanto zelo. Na Suíça, abrir dados bancários é crime. Assim, muito do dinheiro podre do mundo, proveniente do tráfico de drogas e armas e de ditadores e governantes corruptos, acaba nos bancos suíços.

“Se os governos estão no mercado de compra de dados ilegais, isso munda o mundo”, afirmou o presidente do UBS, Oswald Grubel. O que muda o mundo, senhor banqueiro, é o fim da impunidade das contas secretas, que o atual caso revela que tipo de dinheiro esconde.

A Suíça diz que não vai colaborar com nenhuma investigação com base no que considera um arquivo roubado, mas o promotor de Nice, Thierry de Montgolfier, não quer nem saber a origem dos dados. “O que importa para mim é se esses dados são genuínos e confiáveis. Até agora, não tenho dúvida de que são os dois.”

Itália, Espanha e Inglaterra estão investigando os dados e novos sonegadores tendem a aparecer. Os Estados nacionais travam uma luta de gato e rato contra sonegadores, que pouco se importam com as realidades de seus países e com a legalidade. Após uma longa batalha judicial, o UBS foi obrigado a entregar este ano a autoridadaes norte-americanas os nomes de 4.450 contribuintes dos EUA que evadiam impostos e escondiam o dinheiro na Suíça.

O episódio atual é apenas um pequeno golpe no negócio bancário das contas secretas, mas extremamente revelador do que elas protegem. O fim dos paraísos fiscais seria uma medida saneadora para o mundo, mas ela contradiz uma das máximas do capital, que é a de não ter pátria. Assim, ele ataca e rouba os Estados nacionais sem a menor culpa.

FUTEBOL - Por uma nova seleção brasileira do Brasil.

Do blog Balaio do Kotscho.

O dono do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira, eterno presidente da CBF, que agora só pensa em comandar a Fifa, como seu ex-sogro João Havelange, poderia aproveitar para levar às últimas consequências o seu plano de formar uma nova seleção brasileira e promover uma verdadeira revolução no nosso futebol, depois dos vexames de 2006 e 2010.

“Ou nós formamos uma seleção nova ou nós formamos uma seleção nova. Não há outra opção”, proclamou o dirigente ainda ontem na África do Sul. Ótimo, é um bom começo. Acho que todo mundo concorda, já que não há como mudar a direção da CBF.

Para começar, Teixeira poderia determinar ao novo técnico que só convoque jogadores brasileiros em atividade no Brasil. Com isso, evitaria que a nossa seleção continue sendo uma legião de “estrangeiros”, com todos os seus agentes, empresários e patrocinadores a tiracolo.

Mais do que isso: com esta medida simples, poderia evitar que qualquer jovem que se destaque antes de completar 20 anos já pense logo em ser vendido para times da Europa, como tem acontecido, mantendo o círculo vicioso que está levando os clubes à ruína.

Nossos campeonatos são deficitários porque as grandes estrelas jogam no exterior ou elas vão para o exterior justamente porque os clubes brasileiros não têm recursos para segurá-los aqui?

Ricardo Teixeira poderia se mirar no exemplo da seleção alemã: todos os seus jogadores disputam o campeonato alemão. Não tem nenhum “estrangeiro” no time, embora ele seja formado por jovens de diferentes origens étnicas. Na seleção de Dunga, havia apenas três profissionais que jogam no Brasil: Robinho, que está aqui por empréstimo, Gilberto, do Cruzeiro, e Kleberson, do Flamengo, os dois últimos já em final de carreira.

Não basta falar em nova seleção brasileira, como sempre acontece depois de sermos eliminados de uma Copa. Antes de tudo, é preciso implantar uma nova mentalidade no nosso futebol, criar condições para que os clubes formadores de craques possam mantê-los aqui por mais tempo.

Basta pegar o exemplo do jovem elenco do Santos que encantou as platéias brasileiras em 2010. Quantos dos seus craques ainda estarão aqui no final do ano? Ganso, Neymar, André, todos eles sonham apenas com uma proposta e ir embora logo para qualquer clube de fora.

Se a CBF tomar a decisão de só convocar daqui para a frente atletas que jogam no Brasil, certamente esta molecada vai pensar duas vezes antes de correr atrás do primeiro empresário gringo que apareça à sua frente. Se não for pelo amor à camisa, sabem que serão ainda mais valorizados se vestirem o uniforme verde-amarelo.

Já que falei em Santos, gostaria de saber por que até agora não foi nem cogitado o nome de Dorival Júnior, o jovem técnico do melhor time brasileiro do momento. Quem é capaz de, confiando nas suas revelações, pegar o mambembe Santos de Wanderley Luxemburgo do ano passado e, em poucos meses, transformá-lo numa máquina de fazer gols, certamente poderá fazer o mesmo na seleção brasileira.

Tem o perfil do técnico que Teixeira procura: é disciplinador também, sem deixar de ser ousado e criativo, tem liderança sobre o elenco e se relaciona bem com todo mundo, inclusive com a imprensa.

Em resumo: este modesto Balaio propõe que se forme uma seleção brasileira do Brasil e se chame para montá-lo Dorival Júnior. A base ele já tem pronta. Isto sim seria um fato novo, e não trazer de volta Luis Felipe Scolari, o sargentão reacionário que já deu o que tinha que dar e está com o prazo de validade vencido.

Deixo a sugestão para o comando da CBF e para os leitores. Que tal?

POLÍTICA - Para que servem os programas,

Por Mauro Santayna

A senhora Dilma Rousseff se defende: rubricou, sem saber bem do que se tratava, as páginas de seu programa de governo. Como é candidata de uma coligação, pressupõe-se que governará em nome dos partidos que a constituem, e não somente em nome do próprio partido. Descobriu-se que o programa era ousado demais para uma aliança que conta com o PMDB atual. Irão, naturalmente, refazer o programa, para manter a coalizão.

O seu competidor, José Serra, também está sendo acusado de transformar dois discursos em programa de governo, mas, em seu caso, é provável que não haja problema. Os sociais-democratas, há quase cem anos, são considerados fiéis gerentes da burguesia e contam com sua confiança: o sistema não contestará o programa de Serra. Na realidade, o sistema não contestará programa algum, porque nenhum programa partidário, ou de coligação, é feito para valer. São, no fundo, todos idênticos. O de Dilma Rousseff, se fosse verdadeiro, sim, poderia provocar certa comoção entre os ricos. Ideias como as de taxação das grandes fortunas, por mais lúcidas sejam, são consideradas crime contra o “sagrado direito da propriedade” em nosso país. Os autores do programa cometeram o erro de retornar aos ideais do PT, quando ele era um partido apenas de trabalhadores, intelectuais de esquerda e partidários da Teologia da Libertação, que tentavam construir-lhe corpo doutrinário próprio e independente. Com o pragmatismo que alguns contestam e outros louvam, seu líder, levado mais pela astúcia do instinto do que pelas teorias circulantes, foi obtendo os êxitos conhecidos, tornando seu governo impetuoso e alheio às especulações acadêmicas.

Se o PMDB não contestasse o programa, da autoria de alguns inquietos saudosistas, Lula, ao conhecê-lo, o faria, por contrariar sua visão estratégica para a preservação do Estado. Entre a taxação das grandes fortunas e o desempenho de Guilherme Meirelles no Banco Central, o presidente ficaria com o ex-presidente do Banco de Boston. Não é por acaso que Dilma falou em autonomia do Banco Central.

Os programas partidários são semelhantes, embora destaquem alguns aspectos sobre outros. Todos se declaram defensores da democracia, da participação direta do povo, da igualdade, da saúde, da educação, da segurança pública, enfim, da justiça social. Mas, da mesma forma, defendem a iniciativa privada e o “sagrado” direito à propriedade. Sendo assim, tão semelhantes, os programas partidários são mera formalidade – nunca se cumprem.

Ao defender, ontem, a liberdade de imprensa, Dilma Rousseff esvaziou as críticas que estavam sendo feitas a seu desmentido programa de governo, que fala em “controle social da mídia”.Só há uma forma precisa de exercer-se o controle social dos meios de comunicação: o juízo crítico dos leitores, ouvintes e telespectadores, que constituem a sociedade nacional. Esse juízo será possível mediante educação de qualidade, que permita aos cidadãos formar sua inteligência do mundo com autonomia. Quando isso ocorre, eles podem avaliar as informações recebidas e delas retirar suas próprias conclusões. Sempre que se fala em “controle”, social, ou não, da imprensa, a democracia corre perigo. Como disse São Paulo, é preciso examinar tudo, e abraçar o que for bom.

Fora disso, por melhores sejam as intenções, qualquer ato que limite a comunicação entre as pessoas violará a liberdade de expressão – que é a própria liberdade de ser de cada um de nós, enquanto vivermos.

POLÍTICA - Os marqueteiros no processo eleitoral.

Os marqueteiros e seus limites

Por Mauro Santayana

Em 1953, ao disputar a prefeitura de São Paulo, Jânio Quadros estava cercado de alguns poucos jornalistas e radialistas, dispostos a ajudá-lo na campanha eleitoral. Naquele tempo não havia ainda os chamados marqueteiros. Jornalistas e políticos, que tinham as mesmas ideias dos candidatos, eram convocados para orientar a campanha. As agências, quando contratadas, se limitavam a produzir as peças de campanha, de acordo com o candidato e seus assessores políticos. Jânio era deputado estadual e havia sido o mais operoso vereador da Câmara Municipal de São Paulo. Quando alguém lhe falou dos volumosos recursos de seu adversário, Francisco Antonio Cardoso, apoiado pelo governador Lucas Nogueira Garcez, por Adhemar de Barros e por todos os grandes empresários de São Paulo, Jânio exclamou, com a teatralidade conhecida: “É o tostão contra o milhão!”.

Não houve, na história eleitoral brasileira, lema tão eficaz. Jânio, candidato do pequeno Partido Democrata Cristão, enfrentava poderosa coligação política, que ia da UDN ao PSD, passando pelo PTB e pelo popularíssimo Partido Social Progressista, de Adhemar. Ganhou de lavada. A partir de então, a sua ascensão, até a Presidência da República, foi irresistível. Jânio é o exemplo de que o melhor marqueteiro é sempre o próprio candidato.

Quando se iniciava a campanha popular de apoio a Tancredo Neves, ainda em Belo Horizonte, o governador se reuniu com seus amigos e com o publicitário Almir Salles, que anos depois faria a campanha de Fernando Collor. Alguém propôs que a marca da campanha fosse uma palheta de pintor, com as cores brasileiras (verde, amarelo e azul) em manchas misturadas ao acaso. Tancredo vetou a ideia: a marca seria vista como fezes de papagaio. Um jornalista presente propôs que as cores nacionais fossem expostas em pinceladas paralelas – marca que ficou popularíssima, sobretudo nas “caras pintadas”.

Os marqueteiros têm assumido, nas últimas eleições, influência que vai além da conveniência republicana. Eles são necessários, a fim de vestir as ideias e programas dos candidatos e dos partidos. Especialistas em comunicação propagam as virtudes de seus candidatos, mas não é ético que construam para eles discursos falsos e decidam sua plataforma eleitoral. O ideal seria que eles comungassem das mesmas ideias dos clientes. A grande campanha de Tancredo, em 1984, teve essa singularidade. Os publicitários que a ela aderiram tinham a convicção de que estavam contribuindo para a redemocratização do país, e atuaram com esse entusiasmo. Mesmo assim, todos eles se submeteram à direção da campanha, orientada, em última análise, pelo próprio Tancredo.

Informa-se que, de um lado e de outro da campanha presidencial destes meses – como vem ocorrendo desde 1994 – os chamados marqueteiros orientam tudo, até mesmo as alianças políticas. A escolha de Indio da Costa para vice de Serra teria sido sugerida pelos marqueteiros do PSDB. De qualquer forma, o padrinho do deputado carioca, Cesar Maia, sempre se vangloria de produzir “factoides”, como expediente político.

Essa manipulação, mesmo reconhecendo a inteligência e competência dos profissionais, deforma o processo democrático e dificulta a formação da cidadania. Isso é evidente quando se supervalorizam os programas de propaganda eletrônica – e se trocam, na formação de alianças sujas, os princípios éticos por mais alguns segundos de exposição, que nem sempre influem no resultado.

POLÍTICA - As mentiras que pareciam verdades.

Do site Agência Carta Maior.


Os Anos Lula e as mentiras que pareciam verdades

Nos últimos oito anos vivemos mudanças profundas em nossa forma de entender o Brasil. Passamos a refletir sobre o que é realmente e para que serve o governo federal e o que significa o exercício da presidência da República. Vivemos novos aprendizados que merecem ser destacados.

Os anos Lula serão registrados nos livros de história do Brasil como aquele período em que o país investiu na criação de uma cultura de aprendizagem. O período republicano começado em 1º janeiro de 2003 e prestes a findar em 1º de janeiro de 2011 testemunhou mudanças profundas em nossa forma de entender o Brasil. Passamos a refletir sobre o que é realmente e para que serve o governo federal, o que significa o exercício da presidência da República e também o que quer dizer viver em uma época em que um país cindido teve sua maior confluência, unindo de maneira indivisível o Brasil-Índia com o Brasil-Bélgica. Vivemos novos aprendizados. E destes, compartilho alguns que podem ser aferidos a olho nu. Vejamos:

Aprendemos ao longo do tempo que exercer qualquer cargo na administração pública exigia, no mínimo, certo estofo intelectual, diploma de curso superior na parede, apenas para começo de conversa. Lula tem estofo intelectual, mas não aquele certificado pelo diploma na parede. Na verdade no dia 2 de janeiro de 2003 tinha apenas dois diplomas: o de torneiro mecânico certificado pelo Senai e o de Presidente da República certificado pelo Congresso Nacional Brasileiro.

Aprendemos que nenhuma autoridade guindada pelo voto popular ao posto máximo do país – a Presidência da República – conseguiria sobreviver muito tempo como força política se não contasse com o beneplácito dos formadores de opinião, dos luminares da academia e da classe artística, dos colunistas de plantão nas revistas e jornais de maior tiragem diária e semanal. Lula contrariou isso. É denunciado sistematicamente como embuste pelo príncipe dos sociólogos Fernando Henrique Cardoso, é visto como quem infunde terror à ex-namoradinha do Brasil Regina Duarte, é desancado de forma grosseira por Caetano Veloso, é satanizado semanalmente por colunistas da revista Veja e está bastante longe de contar com o olhar benevolente da Rede Globo de Televisão.

Aprendemos que, com o mundo se tornando aldeia global, e o processo de globalização galopando livre, leve e solto nos campos da iniciativa privada e do neoliberalismo, saber ao menos a língua inglesa seria meio caminho andado para o sucesso. Lula não pode dispensar o tradutor em qualquer conversa com não-nacionais. E seu tradutor não pode ser qualquer um: tem que entender e falar inglês, francês, espanhol, russo, farsi, alemão, italiano, japonês e árabe.

Aprendemos que, havendo a imprensa ocupado o chamado Quarto Poder desde meados do século 19, ninguém poderia ser eleito para cargo público de relevo se não contasse de antemão com o apoio dos mais expressivos e influentes órgãos da imprensa. Lula contrariou essa tese, sempre se elegeu... apesar da imprensa e, em especial, da grande imprensa.

Aprendemos que para bem governar o Presidente deve passar a mão na cabeça da imprensa três vezes ao dia: ao amanhecer, ao meio-dia e ao anoitecer. Do contrário é preparar os nervos para resistir ao milionésimo ataque da fera ao seu governo. Do contrário a imprensa estaria sempre emparedada no círculo vicioso que vitimou do ex-ministro da economia Rubens Ricupero, aquele do indiscreto bordão “o que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”. É oportuno resgatar entrevista à Folha de S. Paulo, de 22/10/2009, em que Lula afirmou: “Eu não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. É informar. (...) Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas... a única coisa que peço a Deus é que a imprensa informe da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas apenas em seus editoriais”. Exatamente uma semana depois (29/10/2009), discursando em São Paulo para uma plateia formada por catadores de materiais recicláveis, o mesmo Lula criticou o trabalho da imprensa, o que levou o público, estimado em cerca de 3.000 pessoas, a vaiar o grupo de jornalistas que acompanhava o seu discurso.

Naquela ocasião o presidente recomendou que os repórteres não interpretassem para dizer em seguida que “os formadores de opinião já não decidem mais (...) porque o povo não quer mais intermediário. Hoje vocês têm a oportunidade de fazer a matéria da vida de vocês. Se vocês esquecerem a pauta do editor de vocês e se embrenharem no meio dessa gente (...) aproveitem para conversar sobre a vida deles (...) Publiquem apenas o que eles falarem. Não tentem interpretar". Lula, ao receber o prêmio de Brasileiro do Ano da revista IstoÉ, na noite de 7/12/2009, afirmou em discurso de agradecimento que “teria vontade de "se suicidar" se olhasse as manchetes da imprensa...”

Aprendemos que, para um Presidente abordar temas internacionais em geral, política mundial, economia planetária, contatos com Chefes de Estados, relações com as Nações Unidas etc é exigido que este detenha profundo conhecimento de cada tema, expertise diplomática tarimbada por muitos anos no ora carcomido circuito Helena Rubinstein (Londres, Paris, Roma, Washington, Nova York, Moscou e Tóquio) e considerável jogo de cintura para não queimar o filme do país. É fato que, não obstante protestos generalizados, Lula trouxe ao Brasil o controvertido presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad e antes deste chegar a Brasília, também estendeu boas-vindas em solo nacional ao não menos polêmicos presidente israelense Shimon Perez e ao chefe da Autoridade Palestina Mahmud Abbas.

Aprendemos que para o país ficar bem na foto teria que se alinhar automaticamente com políticas e agendas formuladas por países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e o Japão. Lula mudou os figurantes da fotografia. Além de manter boas relações com estas quatro potências, trouxe para seu lado a Venezuela de Hugo Chávez, a Bolívia de Evo Morales, Cuba dos irmãos Castro, e ainda conseguiu liderar com folga os chamados BRICs, que inclui na foto emergentes continentais como China, Índia e Rússia.

Aprendemos que para termos uma economia sólida, funcional e confiável é necessário que o papel do Estado seja mínimo e que o Deus-mercado tem que permanecer intocável, como Zeus em seu ilusório Olimpo. Aprendemos também que política pública que se preze não pode desconsiderar os efeitos benéficos que advêm com as privatizações. Lula contrariou mais este cânone. Ante a crise econômica mundial que se avizinhava partiu pra cima com o discurso que para o Brasil tratava-se de uma “marolinha” e que a crise fora feita “por gente branca, de olhos azuis”. Chamou o FMI e o Banco Mundial aos carretéis e denunciou a jogatina em que se transformara a economia mundial. Não privatizou e vociferou contra algumas desastradas privatizações do passado recente: Sistema Telebrás, Companhia Vale do Rio Doce, Companhia Siderúrgica Nacional etc.

Aprendemos que Presidente da República, Chefe de Estado, não pode descuidar da liturgia que o cargo impõe. Lula mexeu muito com isso. Na maioria dos discursos menciona termos e chavões do futebol, simplifica teorias econômicas com o uso de metáforas futebolísticas, de conversa de compadres. E coloca boné do MST, veste camisa do Corinthians, coloca cocar de índio Kiriri na cabeça, vibra como torcedor apaixonado e sem medo de ser feliz pula, chora, grita e abraça quem está por perto como fez, quando em Copenhague, o Rio de Janeiro foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016. É a antiliturgia do cargo em ação. É o presidente-mascate a vender produtos brasileiros no exterior. Apenas com a visita do intolerante Ahmadinejad foram firmados 63 acordos internacionais e as exportações brasileiras para o Irã saltarão de US$ 1,2 bilhão para US$ 10,8 bi ao ano.

Aprendemos que presidente da República tem que estar sempre medindo forças com a oposição, demarcando seu território, viabilizando seu governo. Lula inverteu essa lógica. Troca figurinhas com Aécio Neves e com José Serra, demonstra apreço por sua ex-ministra Marina Silva, não responde a Fernando Henrique Cardoso quando este se põe a remoer a inveja com tantas das vitórias do “despreparado” petista. Lula consegue manter, lado a lado, na defesa de seu governo políticos antípodas como Jacques Wagner e Geddel Vieira Lima, José Sarney e Michel Temer, Fernando Collor e Renan Calheiros, Ana Julia Carepa e Jader Barbalho, Sérgio Cabral e o casal Garotinho. Mesmo fazendo essa exótica e bem-sucedida engenharia política Lula não pode nos apresentar qualquer diploma de conclusão de curso de ciência política, de história das instituições políticas brasileiras, de sociologia política. Em matéria de ostentação de diplomas acadêmicos é nada mais que um rotundo fracasso.

Aprendemos que para ser um bom Presidente da República há que se fiar muito na competência e na formação adquirida ao longo da vida. Há que confiar muito na experiência e tarimba conseguidas através do exercício de cargos executivos, de preferência, começando como prefeito, passando a governador e de lá a presidente. Se no meio tempo tiver sido deputado estadual, senador... ainda melhor. Pois bem, Lula contrariou tudo isso. Nunca foi prefeito e muito menos governador. Só foi eleito para a Câmara dos Deputados. E como Deputado Federal causou estupefação com aquela famosa frase depois adotada pela MPB: “o Congresso Nacional abriga 300 picaretas”. Sua competência só podia ser mensurada pela passagem na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Em ambiente tão improvável ele criou um partido político, formou lideranças populares, liderou conglomerado de siglas partidárias, perdeu três eleições para Presidente (1989/1994/1998) e se elegeu presidente duas vezes (2002/2006). Lula provou que ter sorte é mais que mero acaso.

Em seu governo viu a autosuficiência do país em petróleo; descobriu extensas reservas do ouro negro no Pré-Sal; trouxe para o Brasil a Copa do Mundo de Futebol 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016; autorizou o Tesouro Nacional a emprestar US$ 10 bi ao FMI; criou e gerenciou o maior programa mundial de distribuição de renda – o Bolsa-Família; está colocando uma pá de cal sobre a indústria da Seca que mantinha os Estados nordestinos à mercê dos coronéis com o avanço das obras de transposição do rio São Francisco.

Em meio a tudo isso, há menos de 48 horas, Lula pode deitar a cabeça no travesseiro com a notícia da Pesquisa Ibope dando conta que era bem avaliado por estupendos 78% da população brasileira. Sui generis. Esse novo recorde é certificado por nada menos que o Instituto de Pesquisa Datafolha, do jornal Folha de S.Paulo. Nesta pesquisa, 17% consideram seu governo “regular” e apenas 4% consideraram o governo “ruim/pésssimo”.

Faço o destaque porque parece ser recorrente que os números do Datafolha, ao menos nesta eleição presidencial 2010 tendem a sistematicamente contrariar os resultados de seus congêneres Ibope, Sensus e Vox Populi. Curiosamente os congêneres são contrariados porque vêm apresentando o crescimento “sustentado” da candidata governista e o refluir de votos do candidato oposicionista, nestes últimos Institutos a taxa de rejeição da candidata reflui e a do candidato oposicionista aumenta e assim por diante. Não precisamos ser futurólogos para perceber que três institutos de pesquisas mostrarão nas próximas semanas números robustos dando conta da transferência da popularidade presidencial para sua candidata. E, no encalço destas, saberemos que o contraponto ficará por conta do Datafolha, diminuindo a “transferência”, invertendo as inflexões das curvas estatísticas... até que, cansados, oferecerão um vistoso cavalo-de-pau que, como meio de arrumação matemática, conformarão seus números com os demais. Uma coisa é certa: seja quem for eleito em 3 de outubro de 2010 para governar o Brasil a academia deverá dedicar seus esforços para entender os misteriosos mecanismos que regem alguns de nossos institutos de opinião pública.

A trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva é em si mesma, um vigoroso libelo contra algumas mentiras que parecem verdades. Lula é o brasileiro que mais vezes se candidatou à presidência da República do Brasil, sendo candidato a presidente cinco vezes. Curioso constatar que em 2006 ultrapassou Rui Barbosa, que se candidatou quatro vezes. Pois bem, de tanto ouvirmos as mentiras chegamos a pensar que eram verdades. E assim, gerações após geração de brasileiros descobriram outro Brasil possível. Aprendemos a ver sentido na expressão “nunca antes na história deste país” porque Lula vestiu estas palavras com novos significados. Queiramos ou não foi o que aconteceu.


Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela
UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,
Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org
Email - wlaraujo9@gmail.com

MÍDIA - Demissões na TV Cultura.

Do blog do Miro.

Serra ordena demissões na TV Cultura?
Por Altamiro Borges em 09/07/2010

O vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=ZK4s6KaUdzc

Censura na TV Cultura a mando de José Serra, candidato à  Presidência pelo PSDBDois renomados jornalistas da TV Cultura, tutelada pelo governo paulista, foram demitidos nos últimos dias: Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli. Por mera coincidência, ambos questionaram os abusivos pedágios cobrados nas rodovias privatizadas do estado. A mídia demotucana, que tanto bravateia sobre a “liberdade de expressão”, evita tratar do assunto, que relembra a perseguição e a censura nos piores tempos da ditadura. Ela não vacila em blindar o presidenciável José Serra.

Heródoto Barbeiro, apresentador do programa Roda Viva, foi demitido após perguntar, ao vivo, sobre os altos pedágios. O ex-governador Serra, autoritário e despreparado, atacou o jornalista, acusando-o de repetir o “trololó petista”. Heródoto será substituído por Marília Gabriela, uma das estrelas da Rede Globo. Já Gabriel Priolli, que assumira a função de diretor de jornalismo da TV Cultura apenas uma semana antes, foi sumariamente dispensado ao pautar uma reportagem sobre o “delicado” assunto, que tanto incomoda e irrita os tucanos.

Risco à liberdade de expressão

Sua equipe chegou a entrevistar Geraldo Alckmin e Aloizio Mercadante, candidatos ao governo paulista. Mas pouco antes de ser exibida, a reportagem foi suspensa por ordens do novo vice-presidente de conteúdo da emissora, Fernando Vieira de Mello. “Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre viagens dos candidatos” e “Priolli foi demitido do cargo”, relata o sempre bem informado Luis Nassif, que também foi alvo de perseguições na TV Cultura.

Entre os jornalistas, não há dúvida de que mais estas demissões foram ordenadas diretamente por José Serra. Nas redes privadas de rádio e TV e nos jornalões e revistonas, o grão-tucano goza de forte influência. Ele costuma freqüentar as confortáveis salas dos barões da mídia. Ele também é conhecido por ligar para as redações exigindo a cabeça de repórteres inconvenientes. Depois os tucanos e a sua mídia ainda falam nos ataques à liberdade de expressão no governo Lula.

“Para quem ainda têm dúvidas, a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder da mídia, que já tem o poder de Estado”, alerta Nassif. Aguarda-se, agora, algum pronunciamento de Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli sobre o ditador José Serra, para o bem da dignidade dos jornalistas e do jornalismo.

NOTA COMPLEMENTAR DA REDAÇÃO
Matéria original do blog do Luis Nassif, 08/07/2010 às 22h25, você encontra abaixo:

“Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.

Ontem [quarta 07], planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aluizio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.

Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.

Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana. Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.

Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado.”

POLÍTICA - Almoço na mansão dos Marinho.

Do blog Amigos do Presidente Lula.

"Dilma tem coragem de fazer política", diz Lily Marinho




A candidata à presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, foi considerada simpática, bonita e muito elegante pela socialite Lily Marinho, viúva do ex-presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho. Dilma participou, no início da tarde dessa sexta-feira (9), de um almoço oferecido por Lily em sua mansão no Cosme Velho (zona Sul do Rio de Janeiro).

Também participaram do evento diversas mulheres influentes ou casadas com homens influentes. Entre as convidadas estavam Andrea Agnelli, mulher de Roger Agnelli, presidente da Vale, Lucy Barreto, mulher do produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, Maria do Carmo Vilaça, mulher do presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça, e Flávia Sampaio, mulher do empresário Eike Batista, além da candidata a deputada federal, Jandira Feghali, do PCdoB, e da cantora Alcione, que cantou As rosas não falam.

Perguntada se convidaria os outros principais candidatos à presidência para almoços semelhantes, Lily disse que não sabia, pois não havia pensado nisso. "Não sou política, nem me interesso por política". No entanto, quando questionada sobre o que, então, a havia interessado em Dilma, Lily disse que era "a coragem de fazer política".

A viúva de Roberto Marinho elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Tenho gostado muito do Lula. Nesses oito anos ele conseguiu se fazer aparecer na Europa, nos Estados Unidos, e sabe falar ao povo".

Apesar de elogiar a ex-ministra da Casa Civil, Lily Marinho disse que não tinha objetivo de conseguir votos para a candidata.

Durante o almoço, Dilma elogiou as mulheres em geral e disse que o encontro foi bastante agradável. "Fiquei bastante satisfeita, todas foram amáveis e é muito bom esse convívio com mulheres tão qualificadas".

Na apresentação às convidadas, Lily se referiu ao espírito democrático do encontro. "Convidei-as para, juntas, homenagearmos a 'senhora D'. Sim, esta grande dama, a senhora Democracia. Pois, graças a ela, a senhora Democracia, nos é permitido esse convívio de diferença de opiniões, de troca de experiências, de questionamentos. Poucos têm a oportunidade de ouvir diretamente os candidatos, sem intermediários ou interferências de pré-julgamentos", opinou a anfitriã.

Lily agradeceu a gentileza de Dilma: "hoje, esse privilégio nos foi dado por outra senhora D., a senhora Dilma Rousseff, candidata da situação que se propõe a ser a primeira mulher presidente do Brasil, e que gentilmente comparece a esse almoço."

Votos para a petista
A mulher de Eike Batista não declarou voto em Dilma, mas disse que "se ela conseguir congregar tudo o que vem falando, tem meu apreço". De acordo com ela, o marido bilionário está satisfeito com oito anos de governo Lula, ao qual Dilma afirma que pretende dar continuidade. "Ele sempre fala que está gostando muito do rumo que o Brasil vem tomando nesses últimos oito anos".

Por sua vez, a mulher do presidente da ABL afirmou que votará em Dilma. Maria do Carmo Vilaça elogiou em especial o programa de governo da ex-ministra. A própria candidata, no entanto, não respondeu quando questionada por que o seu programa falava em "monopólio no ramo da comunicação quando este setor é aberto e disputado por diversas empresas concorrentes".

Na mansão que pertenceu a Roberto Marinho, um dos maiores empresários de comunicação da história do País, o menu foi tartar de salmão com maçã e funcho no molho verde de ervas, filé de cherne com banana caramelizada e purê de batata-baroa com molho de passas e urucum. Na sobremesa foi servido crepe com suflê de maracujá. "Preparei o menu sem nem saber quem vinha. É uma relação de confiança que tenho com a família há mais de 20 anos", afirmou o chef. "Só soube que seria a Dilma quando ela veio me cumprimentar na cozinha", disse.

Em seguida, Dilma encontrou-se com o governador do Rio, Sérgio Cabral, candidato à releeição pelo PMDB, no Palácio Larajeiras, sua residência oficial - embora de fato ele more num apartamento no Leblon. Ao deixar o Palácio, Dilma falou que "vir ao Rio e não encontrar o Sérgio Cabral seria ir como ir a Roma e não ver o Papa".Terra

FUTEBOL - Meia corintiano Edu e sua amizade com os espanhóis.

Do site Terra Magazine.

Meia corintiano troca mensagens com artilheiro da Copa

Eliano Jorge

O meio-campista corintiano Edu tem seis grandes motivos para torcer para a Espanha contra a Holanda na final da Copa do Mundo domingo, 11, e nenhum deles se refere à eliminação do Brasil pela Laranja nas quartas de final. As razões chamam-se David Villa, Juan Manuel Mata, David Silva, Carlos Marchena, Raúl Albiol e Cesc Fábregas, seus amigos e ex-colegas de time.

Amigos mesmo, sem forçar a barra. "Criamos uma certa intimidade com o pessoal na Espanha. Passamos Ano-Novo e Natal juntos, na minha casa, em Valência. Estavam sempre juntos comigo", conta Edu.

Em entrevista a Terra Magazine, ele revela as mensagens que trocou, durante o Mundial, com o atacante Villa, artilheiro da competição com cinco gols, ao lado do holandês Wesley Sneijder, carrasco da Seleção.

- É um cara muito bacana, muito tranquilo, bom de grupo, brincalhão para caramba, sempre está de bom humor, dificilmente você o vê reclamando ou falando mal de alguém. É um cara que merece o que está passando - testemunha o corintiano, que defendeu o espanhol Valencia entre 2005 e 2009.

Edu ressalta a principal característica que observava no ex-colega de clube: "A facilidade com que ele chuta a bola com as duas pernas. Isso sempre me chamou muito a atenção no clube lá. E a facilidade para fazer gols".

Ele acredita que o amigo Villa vai estourar no Barcelona, na próxima temporada. E explica como é difícil marcá-lo.

No inglês Arsenal, entre 2001 e 2005, Edu, de 32 anos, testemunhou o início de carreira do holandês Van Persie e do espanhol Fabregas. Agora, analisa a decisão do Mundial que opõe seus dois ex-parceiros.

Leia a entrevista.

Terra Magazine - Você, que jogou com alguns desses finalistas, o que pensa sobre a decisão da Copa do Mundo?
Edu
- É uma surpresa, né? Porque são duas seleções que não têm título mundial ainda. Todas as seleções mais cotadas estão fora, mas acho que os dois (finalistas) foram os que mostraram o melhor futebol nessa Copa, junto com a Alemanha.

Por ter jogado lá, você está torcendo para a Espanha?
Eu, sim. Estou com a Espanha. Tenho amigos lá no time espanhol.

Tem muita gente do Valencia, né?
É, exatamente. Tem cinco lá que são amigos meus. Estou torcendo por eles.

Você falou com eles recentemente?
Só com o Villa, o atacante. Mas evito ligar nesse momento. Eu mando uma mensagem, ele me responde. É tudo: "boa sorte", "bom jogo", "parabéns". Aí eu fiz uma brincadeira, que era pra tomar cuidado. No primeiro jogo, eles perderam (para a Suíça), ele falou: "Não tem problema, vamos ganhar do Chile", na primeira fase, que ia dar tudo certo. Uma coisa normal, assim. Mas eu não procuro ficar toda hora (mandando mensagem) não. Ele deve estar com a cabeça a 200 por hora lá, mas já nos falamos algumas vezes neste Mundial.

Então vocês têm uma proximidade mesmo, têm um bom relacionamento.
Tenho, tenho um ótimo relacionamento com todo mundo lá. Graças a Deus, por todos os lugares em que passei, deixei uma boa amizade. A gente se fala, sim, porque criamos uma certa intimidade com o pessoal na Espanha. Passamos Ano-Novo e Natal juntos, na minha casa, em Valência. Estavam sempre juntos comigo. O Villa foi, o Marchena já foi, o Mata... A gente sempre combinava, fazia uma festa, participava, o grupo era junto, fazia tudo junto, era bacana.

E como é pessoalmente Villa, o artilheiro da Copa?
É um cara muito bacana, muito tranquilo, bom de grupo, brincalhão para caramba, sempre está de bom humor, dificilmente você o vê reclamando ou falando mal de alguém. É um cara que merece o que está passando.

Villa é das Astúrias, como o piloto de Fórmula-1 Fernando Alonso. Tem alguma particularidade por isto?
Não, não. Ele coloca na chuteira dele a bandeira das Astúrias. Mas não falava nada não.

O que você destaca nele como jogador? Que pontos fortes?
A facilidade com que ele chuta a bola com as duas pernas. Isso sempre me chamou muito a atenção no clube lá. E a facilidade para fazer gols. Chuta muito bem. Tanto é que ele está vindo com o Valencia, sendo vice-artilheiro, terceiro lugar, há bastante tempo. E num time que não é tão ofensivo como Barcelona e Real Madrid.

O Barcelona faz mais de 100 gols na temporada, fica mais fácil para os atacantes...
Exatamente. É o que eu falo. Mas o Villa está sempre ali, em segundo ou terceiro (da artilharia), sempre perto do primeiro. Então é um cara que realmente sabe fazer gol, né?

E jogará no Barcelona, na próxima temporada.
Agora, sim. Agora ele vai estourar.

E no que ele ainda precisa melhorar? O que tentava corrigir?
É o cabeceio, você pode ver. Mas não é o ponto fraco dele. É a altura (1,75 m), né? Ele não é alto. Mas não tem nada específico que me chama a atenção.

E como se marca um cara desse, rápido, que conclui com os dois pés?
É, meu, é complicado. Tem que estar no pé do cara os 90 minutos, não dar espaço. É difícil porque ele tem velocidade também, tem o pessoal do lado dele que é muito bom e passa muito bem a bola. É difícil, mas tem que estar muito em cima, muito próximo dele, acho que é a única maneira.

Existe algum atacante brasileiro no mesmo nível dele atualmente?
Bom, eu gosto muito também dos nossos atacantes. Não sei se está no mesmo nível porque todos nós vivemos momentos especiais como o Villa está vivendo agora, porém temos atacantes até mais completos do que ele. Se for pegar o momento que ele está vivendo agora, não tem um brasileiro. Ele está na frente aí.

Você jogou com alguém dessa seleção holandesa?
Joguei com Robin Van Persie, no Arsenal. Joguei contra Robben, essa turma toda.

Manteve esse grau de proximidade que tem com os espanhóis?
Não. Com ele, menos. Só quando a gente se encontra nos jogos, a gente se fala, a gente conversa bastante. Também criei uma boa relação com ele, que é um cara muito bacana, que gostava muito de mim, me citava como grande jogador nas entrevistas. Mas não tinha a mesma intimidade que tenho com os espanhóis.

E com Fabregas, da Espanha, que foi seu colega no Arsenal?
Com Fabregas, muito. Conheci os pais dele. Iam no centro de treinamento, ele era bem novinho, eu conversava bastante com eles e com Fabregas.

Ele foi seu sucessor naquela posição, no Arsenal, né?
Mais ou menos. Foi ali. Porque logo depois que saiu todo mundo daquele time, ele assumiu.

Você tem alguma explicação para o fracasso da Inglaterra na Copa?
Eu não sei, meu. Pelo que eu via, parecia que eles estavam jogando uma partida normal. Você olhava para a cara dos ingleses, e era um jogo frio, eles não passavam aquela emoção de vestir a camisa da seleção inglesa, "vamos dar o sangue, vamos correr, vamos fazer o possível para ganhar", sabe? Para eles, entrar no Mundial parecia que era entrar num jogo normal. Isso me chamou muito a atenção.

Até Rooney, que teve uma temporada sensacional, não foi nem sombra do que se esperava?
Ele teve uma contusão antes da Copa, se recuperou, a gente não sabe se ele estava 100%. Mas não é só ele, né? Ali bastante gente deixou de fazer uma boa competição.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

PETRÓLEO - A impunidade das petroleiras.


Rio de Janeiro, 08 de Julho de 2010
A IMPUNIDADE DAS PETROLEIRAS

No último dia 20 de abril, os trabalhadores de instalações da plataforma Deepwater Horizon estavam quase concluídos, à exceção de um poço, que ainda precisava ser perfurado. Diante do custo diário da plataforma os gerentes da BP decidiram ignorar os procedimentos de segurança. Uma tragédia anunciada

Khadija Sherife * (Le Monde Diplomatique Brasil)

Na sede da companhia de exploração de petróleo Transocean, no cantão de Zoug, na Suíça, a explosão da plataforma Deepwater Horizon foi celebrada em um hotel de luxo. No dia 14 de maio de 2010, três semanas após o desastre, o proprietário da plataforma - avaliada em US$ 650 milhões antes do acidente - esperava um primeiro depósito de sua seguradora, no valor de US$ 401 milhões, pela perda ocasionada. Logo depois, em uma reunião a portas fechadas, o diretor da empresa, Steven Newman, decidiu conceder a seus acionistas US$ 1 bilhão em dividendos - bastante otimista e sensato, diga-se de passagem.

As plataformas petrolíferas, segundo o Direito marítimo internacional, são consideradas embarcações, de modo que os advogados da Transocean podem reivindicar a redução da responsabilidade financeira da empresa no acidente até ao valor da plataforma pós-desastre: meros US$ 27 milhões. Essa operação jurídica é fundamentada por uma lei do século XIX, o Decreto de Limitação de Responsabilidade (Limitation of Liability Act), publicado em 1851; o mesmo que, em 1912, permitiu aos proprietários do Titanic pagar apenas US$ 95 mil às vítimas do naufrágio - correspondentes ao valor dos equipamentos de segurança e dos botes salva-vidas.

Enquanto autoridades e empresários buscam soluções para deter o vazamento e limpar a costa do estado da Luisiana, as famílias dos 11 operários mortos em 20 de abril e milhares de vítimas da maré negra - como trabalhadores do litoral e representantes de movimentos sociais de proteção ao meio ambiente - já entraram no braço de ferro jurídico. A Transocean, contudo, espera se desresponsabilizar com a brecha fornecida pela norma internacional e passar a responsabilidade para a frente. Nesse empurra-empurra, a British Petroleum (BP), operadora da plataforma, tem sido o foco das críticas. Outras grandes petrolíferas retiraram a solidariedade em relação à multinacional britânica, com a justificativa de que o acidente poderia ter sido `evitado` e que, da parte delas, `não teriam perfurado esse poço`.1

Já a Casa Branca prepara um acordo segundo o qual os dividendos da BP deveriam ser suspensos durante este ano e depositados na conta corrente de um terceiro, enquanto a avaliação financeira dos estragos estiver em curso. A moratória de seis meses para as plataformas flutuantes, decretada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, inquieta os petroleiros, que esperam retomar ao regime habitual o mais rápido possível embora esse mesmo regime tenha forjado as bases da catástrofe.

Reston, no estado da Virgínia, periferia de Washington DC, está a milhares de quilômetros do Golfo do México, de suas costas cheias de óleo e do desastre ecológico. No entanto, foi lá que tudo começou, onde estão os escritórios da corporação International Registries (IRI).

São escritórios pequenos, já que a atividade da IRI não requer mão-de-obra abundante. A empresa propõe a seus clientes contornar a regulamentação marítima e instalar suas plataformas em um país com leis mais amenas: a República das Ilhas Marshall, um arquipélago de 62 mil habitantes situado no meio do Oceano Pacífico. Na sua área de atuação, a IRI se autodenomina a empresa `mais experiente` do mundo; ocupa-se da exploração e transporte do petróleo. Entre seus clientes, está a Transocean, e claro, a BP.

PARAÍSO FISCAL

Em 2009, o número de registros marítimos das Ilhas Marshall foi o maior do mundo, com 221 plataformas de petróleo - quatro vezes mais que os registros concedidos nos Estados Unidos, país com as maiores empresas petroleiras. Assim como o Panamá e a Libéria, as Ilhas Marshall propõem uma `jurisdição do sigilo`. Reduto de condescendência, as Ilhas servem também de paraíso fiscal e centro financeiro não continental. Nem sequer é necessário estar de corpo presente para adquirir uma `porção de permissividade` no arquipélago para criar `uma firma, uma sociedade limitada, uma empresa de responsabilidade limitada ou uma entidade marítima estrangeira`. Alguma troca de correspondência, fax ou e-mail é suficiente, como pudemos verificar.

Alegando atuar em nome de um cliente que desejava `escapar dos entraves regulamentários de seu país de origem`, entramos em contato com os serviços da IRI alguns dias após a explosão da Deepwater Horizon. Uma primeira mensagem eletrônica nos informou que a criação de uma empresa registrada nas Ilhas não tardaria mais que um dia, por um custo total de US$ 650 mil. `Mais US$ 450 de renovação anual`, precisou ainda o interlocutor.

Informaram-nos que o status de nossa empresa não seria publicado, a menos que `o cliente demandasse expressamente`, de forma que poderíamos desfrutar o máximo da jurisdição local: ausência completa de impostos e níveis de confidencialidade comercial inigualáveis.

Nosso cliente deseja instalar uma plataforma de petróleo nas Ilhas Marshall, do tamanho da plataforma da BP, por exemplo. Na mensagem de resposta, a IRI nos propõe um `parcelamento` em cotas de US$ 15 mil, aos quais convém adicionar um pequeno montante - 15 centavos por barril2 - de honorários anuais. Com bastante traquejo comercial, ele ainda nos oferece voluntariamente `uma redução de 50%` para `registrar uma frota de 10 (ou mais) plataformas com menos de 15 anos`. A oferta é sedutora: permite escapar do pagamento de taxas e royalties, direitos trabalhistas3 e de qualquer regulamentação ambiental.

A Transocean, maior empresa do mundo na terceirização de exploração de petróleo, aproveitou bem a mesma oferta: 29 das 83 plataformas indicadas no site da firma estão instaladas nas Ilhas Marshall, enquanto o restante está quase todo nos mares da Libéria e do Panamá.

Nosso personagem negociante se inquieta, e pergunta: `Que aconteceria, por exemplo, em caso de acidente, se as autoridades questionassem a identidade dos donos da empresa?`. Logo em seguida, nosso interlocutor nos acalma: `Se as autoridades vierem fiscalizar os registros, ou nossa jurisdição, para solicitar a divulgação de informações complementares sobre os acionistas, diretores da empresa etc., notem que não temos essas informações, já que toda organização do negócio e sua condução são efetuadas diretamente por seus advogados e diretores. A menos que os nomes de diretores e acionistas estejam registrados nas Ilhas Marshall - o que não é obrigatório4 -, não somos obrigados a revelar essas informações`. E assim nos sentimos seguros...

Empresas como a IRI são herdeiras diretas da política internacional dos Estados Unidos, cuja tradição remonta ao cenário pós-Segunda Guerra Mundial. Naquele momento, percebeu-se que, com a demanda que ultrapassava a oferta, o ouro negro se tornaria a riqueza natural mais cobiçada do mundo. Com o apoio da Standard Oil5 e de um antigo secretário de Estado do presidente Roosevelt, Edward R. Stettinius, a Libéria criou em 1948 o primeiro `registro marítimo aberto`, gerenciado desde Nova York pela empresa Stettinius Assodates-Liberia Inc. De acordo com a historiadora Rodney Carlisle, naquele momento o código marítimo da Libéria foi `lido, referendado e aprovado pela Standard Oil`.6

DE OLHO NA LIBÉRIA

Até o início dos anos 1990, era a IRI – sucessora de Stettinius Inc. depois de uma história de fusões e compras de Bancos e empresas – que fazia da Libéria um porto pacífico para as petroleiras. No entanto, durante a guerra civil que dilacerava o país, o presidente Charles Taylor se mostrou muito voraz em relação à empresa, o que desencadeou a ruptura de uma relação que, no auge da guerra, resultava em 70% da receita de seu governo. A IRI se voltou então às Ilhas Marshall – antiga colônia japonesa que ficou sob tutela americana de 1947 a 19867 -, onde desenvolveria um novo programa de registros permissivos. A IRI transfere para as Ilhas o conjunto de seus clientes e, em quinze anos, impeliu a República ao topo do ranking dos refúgios fiscais e regulamentários do mundo (ver tabela).

Atualmente, uma porcentagem significativa das plataformas de petróleo do planeta continua registrada na Libéria. Essa área não é mais gerenciada pela Stettinius, e sim pelo Serviço de Registro Internacional Liberiano de Embarcações e Empresas (LISCR), cujos escritórios estão localizados na periferia de Washington, em Vienna, cidade situada a apenas 13 km de Reston. “Mais de 3,1 mil plataformas de mais de 96 milhões de barris brutos, ou seja, 10% de toda a frota mundial” estão registrados na Libéria, festeja a empresa em seu site na internet.8

“Muitas pessoas podem ficar surpresas com o fato de os registros marítimos da Libéria e das Ilhas Marshall estarem a alguns quilômetros de Washington”, observa John Christensen, antigo alto funcionário da Ilha de Jersey (paraíso fiscal britânico) que, desde então, fundou a associação internacional Tax Justice Network (TJN). Contudo, ele não vê nenhum paradoxo: “Na realidade, esses dois espaços ultramarinos foram criados em função de interesses americanos para contornar as regulamentações que protegem os cidadãos dos Estados Unidos, entre outros aspectos, dos custos que nesse preciso momento estão sendo produzidos no Golfo do México”.

Voltemos à nossa negociação com a IRI. O representante da empresa, de repente, introduz um elemento que parece ser uma atenuante ao seu discurso entusiasta: “Para uma plataforma móvel de exploração de petróleo operar nas águas de outro país, o proprietário deve aderir ao conjunto de solicitações formuladas por esse país antes de obter a autorização de funcionamento”. Mas o registro das plataformas nas Ilhas Marshall não faria com que os operadores ficassem fora do alcance da legislação americana? Esse detalhe não parece produzir em nosso interlocutor a inquietação que imaginávamos, quando mencionou o que parecia uma condição.

Durante a investigação pública sobre a explosão da Deepwater Horizon, os americanos ficaram chocados ao se inteirar de que “não existe nenhum tipo de vigilância” às plataformas de petróleo. E isso não era o pior: também descobriram, a partir das audiências realizadas pelo serviço de gestão mineral (Mineral Management Service, MMS)9, que os operadores e proprietários “se autocertificam e estabelecem eles mesmos os critérios que lhes parecem adequados”.10 O capitão da marinha costeira, Hung Nguyen, tentou resumir da seguinte forma: as regras são “concebidas segundo os critérios da indústria, fabricadas pela indústria, aplicadas pela mesma indústria sem supervisão do governo durante a construção ou manutenção. Não é assim?”. O diretor regional do MMS, Mike Saucier, não tinha outra escolha a não ser concordar.

Alguns anos antes, outra investigação concluiu que o MMS havia isentado a BP de respeitar as regulamentações petroleiras de segurança. Na ocasião, Earl Devaney, ex-inspetor geral do Ministério do Interior, havia qualificado o serviço de gestão mineral de “eticamente irresponsável”. Esse órgão não teria, talvez, aceitado regularmente “presentes” provenientes de empresas do setor de energia?11

Se, hipoteticamente, a regulamentação da indústria no que se refere à segurança fosse aplicada, isso acarretaria algum verdadeiro problema às grandes empresas? Não necessariamente: a definição dos critérios de vigilância, sobretudo os que regem os sistemas antiexplosão – instrumentos-chave nesse âmbito –, são confiados às próprias empresas ou a organismos profissionais, como o Instituto Americano do Petróleo (AIP), que representa 400 empresas do setor petroleiro e de gás.

Primeiro beneficiário dos fundos da BP destinados aos candidatos presidenciais, Barack Obama herdou um sistema colocado em andamento sob a administração de seu predecessor, George W. Bush – que estava, por sua vez, sob a pressão do (muito discreto) grupo de trabalho para o desenvolvimento de uma política nacional de energia, encabeçado pelo vice-presidente Richard Cheney (ver box sobre Halliburton).

Formado após uma semana da posse de Bush, em janeiro de 2001, esse grupo de trabalho forjou, em oito semanas, o decreto executivo n° 13211, sobre energia. Os trabalhos foram tão rápidos, a ponto do Conselho Nacional pela Defesa dos Recursos Naturais (NRDC) identificar que o texto retomava a “estrutura” e as “conclusões” de um documento da API. Uma das seções mais importantes era, inclusive, “quase idêntica” ao material identificado como base.12 Além disso, as sessões de trabalho se resumiram a encontros reservados com grandes patrões do setor petroleiro, dentre os quais estava John Browne13, da BP.

LEI DO SILÊNCIO

Ao obter uma cópia das 13,5 mil páginas dos documentos preparados pelo GT, o NRDC concluiu que “as grandes empresas de energia comandavam o grupo de trabalho da Casa Branca, enquanto os oficiais decidiam sobre um plano de bilhões de dólares de subvenções às empresas e eliminavam das regulamentações medidas preventivas cruciais em termos de saúde e do meio ambiente”.

Com esse cenário favorável dos últimos anos, a BP, encabeçando 294 filiais registradas em países que garantem “sigilo”, decidiu aumentar sua produção – reduzindo sua exposição aos riscos – por meio da prestação de serviços a empresas petroleiras. Foi nesse contexto que a Transocean alugou sua plataforma Deepwater Horizon à BP pelo valor de US$ 1 milhão por dia, até 2013. A partir de operações como essa – e sob a direção de Tony Hayward, ex-diretor do departamento de exploração e produção –, a BP estendeu suas atividades nos campos marítimos de petróleo de modo voluntarista.

No último 20 de abril, os trabalhos de instalação da plataforma Deepwater Horizon estavam quase concluídos, à exceção de um poço que ainda necessitava ser perfurado. Diante do custo diário da plataforma, os gerentes da BP decidiram ignorar os procedimentos de segurança da Transocean. Embora estivessem conscientes dos problemas que o sistema antiexplosão apresentava, perseguiram um único objetivo: perfurar a qualquer custo – “drill, baby, drill”, se retomarmos o slogan da campanha da infeliz Sarah Palin, ex-candidata republicana à vice-presidência dos Estados Unidos.

O ecossistema de Nova Orleans pode levar centenas de anos para se restabelecer. O diretor de comunicação da Transocean, alegando um problema de “emergência dentária”, não respondeu às nossas questões. Quanto ao diretor da BP, Tony Hayward, não será sem certa dificuldade que tentará se esquivar de suas declarações no dia 18 de maio: “O impacto ambiental desse desastre será, provavelmente, bastante modesto”. (d)

JURISDIÇÕES DO SIGILO

Os dez principais redutos da permissividade, em função da medida das embarcações registradas (em milhares de barris).


País

Total de Embarcações

Embarcações petroleiras (plataformas)

Panamá

183.503

36.945

Libéria

82.389

32.010

Bahamas

46.543

16.983

Ilhas Marshall

42.637

19.978

Maita

31.633

10.862

Chipre

20.109

4.944

Bermudas

9.592

1.312

Antígua e Barbuda

9.537

16

Ilha de Man

8.965

5.137

S.Vicente e Granadinas

5.203

210

Fonte: UNCTAD, Review of Maritim Transport [Relatório de Transporte Marítimo], 2009.

* Khadija Sherife é jornalista, coautora de “Aid to Africa. Redeemer ar coloniser?”, Editora Parnbazuka, Cidade do Cabo, 2009.

1 `Oil Executives Testify`, The Wall Street Journal, 16 de junho 2010.

2 Unidade de medida de petróleo líquido que serve para definira capacidade de uma plataforma: um barril equivale a 2,83 m3.

3 Ler François Ruffin, `Naufrage industriel pour la marine marchande`, Le Monde Diplomatique, novembro de 2005.

4 O grifo é de nosso interlocutor.

5 Standard Oil se tornará Mobil Oil Corp., e depois Exxon.

6 Ler Andrew Leonard, `The Gulf oil spill spreads to the South Pacific` [O vazamento de óleo do Golfo atinge o Pacífico Sul], Salon.com, 13 de maio de 2010, e Rodney Carlisle, `The American Century Implemented: Stettinius and the Líberian Flag of Convenience`, The Business History Review, vol. 54, n° 2, Soston, 1980.

7 Seu atol Kwajalein abriga uma base militar e, no quadro de um pacto de livre associação, o arquipélago se beneficia da proteção militar americana e de um importante auxilio financeiro (cerca de US$ 1 bilhão desde 1990).

8 www.liscr.com

9 Encarregado, no âmbito do Ministério do Interior, de supervisionar a exploração de recursos minerais e coletar os devidos impostos.

10 David Hammer, `Kenner hearing: Some Coast Guard oil rig safety regulations outdated`, The Times-Picayune, Nova Orleans, 12 de maio de 2010.

11 `Sex, Drug Use and Graft Cited in Interior Department`, The New York Times, 10 de setembro de 2008.

12 Comunicado de 27 de março de 2002, `Cheney Energy Task Force Documents`.

13 Na época, Srowne dirigia a BP. Hoje, é designado pela coalizão conservadora britânica para gerenciar um comitê de `especialistas` (oriundos, sobretudo, do patronato) encarregados de validar os orçamentos dos ministérios do Reino Unido.

Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil - julho de 2010.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

CUBA - tentativa de furar o bloqueio econômico.

Cuba tenta furar bloqueio econômico ao se aproximar da UE com ajuda da Espanha

Por: Renata Giraldi, da Agência Brasil


Brasília – Sob embargo econômico, imposto pelos Estados Unidos desde 1962, Cuba busca fugir das restrições ao restabelecer relações com o restante da comunidade internacional. O foco agora é a União Europeia.

Na terça-feira (6) os ministros dos Negócios Estrangeiros da Espanha, Miguel Angel Moratinos, e o de Cuba, Bruno Rodriguez Parrilla, iniciaram uma série de negociações. As informações são do jornal oficial cubano, Granma.

O chanceler cubano resumiu os esforços diários feitos no país nos últimos 38 anos sob o regime de restrições. "É um trabalho árduo realizado pelo povo cubano para ter sucesso no meio da vida econômica, comercial e financeira sob os efeitos das alterações climáticas e os efeitos da crise econômica Cuba é mundial, bem como em outros países", disse Parrilla.

Ele criticou a adesão de alguns governos ao bloqueio econômico norte-americano a Cuba. "A posição comum representa um obstáculo intransponível para o avanço das relações com a União Europeia, porque fornece uma política injusta, unilateral e intervencionista", disse o cubano.

Em seguida, o cubano elogiou a Espanha: "Há esforços da presidência espanhola para conseguir um melhor relacionamento entre a União Europeia e o nosso país."

Moratinos, por sua vez, manifestou a satisfação por estar de volta a Cuba. Ele ressaltou a importância das relações bilaterais. "[As relações] estão no caminho certo e são reforçadas de forma mais intensa, de esperança e cooperação por meio do respeito e diálogo", afirmou.

Para o espanhol, é necessário fugir das posições comuns e assumir a defesa de uma relação estruturada. "Chegou a hora, como sempre defendeu o governo espanhol, de superar a posição comum: trabalhar para uma relação bilateral mais estruturada, muito mais forte, no interesse de ambas as partes por intermédio do respeito e do progresso. É necessário dirigir o futuro entre a Europa e Cuba de uma forma positiva", completou.

terça-feira, 6 de julho de 2010

MÍDIA - Um novo barão da mídia.

Do site Rede Brasil.

Um novo barão da mídia

Centro de estudos faz homenagem a Apparício Torelli, o Barão de Itararé, para discutir meios de comunicação e formas de democratizar o direito à informação

Por: Anselmo Massad

Publicado em 09/06/2010

Um novo barão da mídia

Debate reuniu jornalistas e blogueiros. (Foto: Gerardo Lazzari)

Se as comunicações no Brasil são dominadas por dez famílias ou grupos empresariais, um novo barão surge para confrontar a mídia convencional. O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé foi lançado em maio.

Na sede do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, um debate reuniu jornalistas e blogueiros para uma série de discussões. Na primeira, Paulo Henrique Amorim, Maria Inês Nassif e Leandro Fortes discutiram a mídia e as eleições deste ano.

O nome da organização homenageia o jornalista Apparício Torelli, que criou o pseudônimo Barão de Itararé, em referência à cidade paranaense palco de uma batalha – que não se concretizou – na Revolução de 1930. O gaúcho radicou-se no Rio de Janeiro, onde fundou o jornal A Manha, com características progressistas, condizentes com suas opções ideológicas. Ele chegou a ser eleito vereador carioca pelo então Partido Comunista Brasileiro, o PCB de Luiz Carlos Prestes.

Para Altamiro Borges, presidente do Centro, entre os objetivos do barão está a busca pela democratização da comunicação, fortalecer mídias alternativas, comunitárias e públicas, investir em formação crítica de produtores de mídia e estudar o setor.
“Há mais pessoas hoje preocupadas com o direito à comunicação, antenadas com essa questão estratégica, mas sem uma militância mais permanente”, avalia Borges. “Um dos nossos objetivos é ajudar a formar essa militância que luta pelo fortalecimento das mídias alternativas”, explica.

A entidade nasce com um conselho consultivo de 48 pessoas – e crescendo –, com representantes de entidades sintonizadas na luta pelo direito à informação e por outra mídia. Paulo Salvador, do Núcleo de Planejamento da Revista do Brasil, está entre os integrantes.

O barão, por sua vez, é autor de frases de efeito que se tornaram pérolas da sabedoria popular. Uma delas, destacada pelos organizadores, vem bem a calhar: “Nunca desista de seu sonho. Se ele acabou numa padaria, procure em outra”.

FUTEBOL - Mídia não critica "Era Ricardo Teixeira"

Do site O Vermelho

Mídia celebra fim da Era Dunga, mas poupa Ricardo Teixeira e CBF

No futebol, o sonho do hexa acabou. Mas quase alguns minutos depois, o mercado, leia-se a Brahma, patrocinadora da seleção brasileira, determinou que não deu desta vez, o negócio agora é 2014. Podem imaginar o que vem por aí em matéria de negócios futebolísticos?

Por Mário Augusto Jakobskind, no Direto da Redação

Como não poderia deixar de ser, a “agredida” TV Globo, via Galvão, não perdoou Dunga pela derrota mortal para a Holanda. O treinador volta para casa e antes de qualquer coisa já avisou que o seu contrato era de quatro anos. Mesmo se o Brasil ganhasse, o seu destino na CBF estava selado, porque quem “atrapalha” os negócios, ainda mais envolvendo a Globo, não tem vez na seleção do Teixeira (Ricardo), ou melhor, brasileira.

A imprensa saudou o fim da Era Dunga, mas não se atreveu a pedir o fim da Era Ricardo Teixeira, na prática o proprietário da CBF, que sai ano entra ano está sempre no comando de tudo que diz respeito ao futebol brasileiro e aos negócios dele advindos. O cidadão acima de qualquer suspeita nunca é cobrado pelos eventuais desempenhos medíocres da seleção. Dunga só existiu porque Teixeira quis, mas ninguém cobrou do big-shot da CBF a mediocridade.

Mas é isso aí, o mundo não acabou por causa de uma desclassificação da seleção brasileira. Futebol é assim mesmo. O Uruguai, depois de 40 anos, voltou ao primeiro escalão do futebol mundial. Joga com a Holanda nesta terça-feira, numa parada dura de roer, sendo a camisa laranja franca favorita, mas futebol é futebol.

Depois de esfriada a cabeça pela derrota com a Holanda, neste país continente a campanha presidencial vai mesmo começar a esquentar. Nos 45 minutos do segundo tempo para a escolha de quem preencheria a chapa tucana-demo-pepesista (PPS) e petebista (PTB do Jeferson), o candidato da direita brasileira, José Serra, encontrou um vice, o emergente da Barra, Índio da Costa. Esse cria político de Cesar Maia, o tal ex-prefeito do Rio que na sua última administração abandonou a cidade para se dedicar integralmente ao seu blog, foi possivelmente indicado pelo filho do padrinho político, de nome Rodrigo Maia.

E assim o Partido Democratas (Demo), o ex-Partido da Frente Liberal, conseguiu emplacar o vice de linha tão ou mais conservadora que o patrono Maia. Índio da Costa é acusado pela vereadora do PSDB carioca Andréia Gouvêia de falcatrua com merenda escolar quando secretário de Administração na gestão do padrinho Cesar Maia. Ela até pediu licença do seu partido.

O jogo vai ser bruto, ou seja, a direita vai fazer o possível e o impossível para evitar que a candidata de Lula, Dilma Roussef, chegue lá. Serra tenta se apresentar como o “mais experiente para governar o país”, mas tentará evitar associações com outros políticos da América Latina, entre os quais o recém-eleito Juan Manuel Santos, sucessor da Álvaro Uribe. O novo presidente colombiano, por sinal, está convocando Tony Blair, o “cachorrinho” de George Bush, para ajudar a incrementar o que ele e alguns analistas denominam de Terceira Via, que na verdade não passa de uma marca de fantasia do esquema neoliberal inaugurado na Grã-Bretanha pela então primeira-ministra britânica Margareth Thatcher.

No mesmo time de Santos, e de Serra, encontra-se o menos conhecido presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, que no último dia 1º de julho completou um ano de governo. O dirigente panamenho, também aliado de Washington, em 365 dias incrementou uma reforma do Código de Trabalho, totalmente inconstitucional, segundo analistas, que na prática acabou com o direito de greve dos trabalhadores. Como se não bastasse, Martinelli aprovou uma reforma fiscal que entrando em vigência acarretará um aumento de 40% nos impostos dos setores mais pobres da população. O imposto do consumo sobe de 5 para 7% para todos os produtos e serviços, sem incluir os alimentos.

Martinelli, como alguns candidatos a governos de estado no Brasil, que prometeram acabar com a violência em seis meses, entre os quais o hoje diretor da Caixa Econômica, Moreira Franco, não cumpriu com a palavra, muito pelo contrário, pois em um ano o Panamá viu aumentar inclusive o tráfico de drogas e outras manifestações de violência.

No Chile, o atual presidente Sebastián Piñera segue pelo mesmo caminho que o colombiano Santos e o panamenho Martinelli, enquanto em Honduras, o presidente Porfírio Lobo, que venceu uma eleição fajuta depois da derrubada de Manuel Zelaya, não deteve a repressão que se abate sobre o movimento popular do país, que já resultou em centenas de mortes.

Neste período pós-Copa e no momento em que a campanha eleitoral se intensifica, os eleitores brasileiros precisam ser informados sobre o que acontece neste continente e com isso ter mais elementos para poder fazer a opção por seus candidatos. Como, segundo indicam as pesquisas, a maioria absoluta não quer correr o risco de retrocessos como o que acontece nos países mencionados, a informação nesse contexto é artigo de primeira necessidade.

SAÚDE - Todo apoio ao STF quanto aos planos de saúde.

Todo apoio ao STF quanto aos planos de saúde
STF obriga planos de saúde privados a pagar ao SUS...


Todo apoio e força aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que em suas sentenças estão determinando aos planos de saúde privados que reembolsem o Sistema Único de Saúde (SUS) pelo atendimento por este prestado em seus hospitais públicos a clientes desses convênios médico-hospitalares. Levantamento publicado pelo Folhão hoje dá conta de que já são sete as sentençãos dos ministros nesse sentido nos últimos meses, todas obrigando ao ressarcimento.

Vamos ver se agora acaba o processo de "empurroterapia" - como denominou muito apropriadamente a dra. Ligia Bahia, coordenadora do Laboratório de Economia Política da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) especialista no assunto. Afinal, a lei que obriga esse pagamento é de 1998 - 12 anos atrás! - e nunca foi cumprida pelos convênios médicos.

Desde então eles recorrem à Justiça e com as mais ladinas manobras protelam o pagamento mesmo que a lei e as decisões judiciais sejam mais do que claras a respeito. Perdem os recursos a que dão entrada em todas as instâncias judiciais, mas vão recorrendo às superiores.

Convênios são meros biombos para ganhar dinheiro


Quando a questão chega aos tribunais, atuam para que as decisões se encaminhem para os períodos proxímos aos recessos do Judiciário, quando então sempre conseguem um pedido de vistas ou outra medida que joga a decisão para a frente, indefinidamente.

Assim, chegamos a essa situação em que, conforme levantamento publicado hoje pela Folha, as operadoras privadas devem ao SUS R$ 2,6 bi - e isso correspondente só ao período de atendimento da rede pública feito entre os anos de 2003 e 2007 e não aos 12 de vigência da lei de ressarcimento que as operadoras não cumprem.

Seus advogados alegam que a lei é inconstitucional porque saúde é um "direito de todos" e um "dever do Estado". Então por que montam essas arapucas chamadas de convênios médicos que cobram fortunas mensalmente de seus associados se não pretendem atendê-los?

Quando instituíram esse biombo para tomar dinheiro, esse sistema de planos de saúde privados a intenção já era essa, encaminhar os associados para a rede pública a qualquer doença que eles apresentem, ou dizer que "essa" o convênio não cobre? Pretendiam apenas embolsar a mensalidade do cliente?

fonte: Blog do Zé

FUTEBOL - Eu sou Uruguaio.


Rio de Janeiro, 05 de Julho de 2010
EU SOU URUGUAIO

Paulo Metri *

Torci, obviamente, pelo Brasil contra a Holanda. Mas, torci também pela Argentina contra a Alemanha e pelo Paraguai contra a Espanha. Acho totalmente irracional, alguns brasileiros torcerem por qualquer país que vá enfrentar a Argentina. Os argentinos são nossos irmãos e são muito mais parecidos conosco do que muitos europeus. Precisamos acabar com esta rixa alimentada por grupos radicais dos dois lados. Apesar deles não terem tido influência da cultura negra, nem da indígena, eles têm uma identidade constituída de forma similar à nossa.

Ambos países foram colônias de países europeus católicos, durante mais de trezentos anos, e eram colônias destinadas à exploração pelos colonizadores, que nunca pensaram em estabelecer na América novos reinos, que passariam a compor Reinos Unidos junto com os países europeus. O caso brasileiro, em que a corte portuguesa, fugindo de Napoleão, aqui se estabeleceu, é uma exceção imposta por um acidente histórico. A lei que era válida nas Colônias não era a mesma do Reinado ou Império europeus. Pulando centenas de anos, a onda neoliberal dos anos 90 varreu o continente sul americano por igual, então, na dor da exploração, somos vítimas idênticas. É impossível, portanto, não ser solidário a qualquer país sul americano!

Entretanto, confesso que fiquei um pouco em dúvida para quem torcer no jogo Uruguai versus Gana, pois o Uruguai é nosso, mas a África conseguiu ser mais sofredora que a América do Sul. Trata-se de um continente em que seu povo foi seqüestrado, transferido para bem longe, acorrentado e surrado para oferecer sua força física. Não se pode entregar a taça para eles gratuitamente, pois é necessário possuir o mérito para recebê-la, mas ninguém irá me proibir de torcer por eles.

Assim, meu critério de escolha para que um país seja aquinhoado com meu desejo de sucesso, meus gritos de incentivo e minhas mandingas e ansiedades é simples: em primeiro lugar, o Brasil; em segundo, os países do Mercosul; em terceiro, os demais países da América Latina; em quarto, os países da África; em quinto, os demais países subdesenvolvidos; e em último lugar, os países desenvolvidos. Se dois times de países do berço ocidental da exploração econômica humana, ou seja, dois times europeus, estiverem jogando, posso reconhecer até um futebol de excelente nível, mas nenhum ganhará minha torcida. Só torcerei por uma seleção européia no dia em que os alienígenas baixarem na Terra e quiserem jogar um campeonato galáctico, e a seleção de um país europeu estiver representando a raça humana.

Vejo no futebol um caminho de superação da exploração que fomos submetidos durante séculos, de início pela força e, hoje, pela sutil dominação cultural, com apoio de traidores pertencentes aos povos dominados. O Uruguai, neste intervalo de quatro dias entre as oitavas e as quartas de final, representa a esperança de todo um continente. Vibrarei por sua vitória como vibrei em todas as cinco copas ganhadas pelo Brasil e chorarei, se por acaso for derrotado, como chorei em todos fracassos da seleção do meu país. Pode não valer grande coisa, mas a seleção do Uruguai é, no momento, meu instrumento de libertação. Até os próximos jogos, e tomara que até o fim da Copa, serei, com muito orgulho, uruguaio.

Paulo Metri é conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros e sócio honorário da AEPET.

05/06/2010