Por Altamiro Borges
Começa hoje, dia 18, a primeira reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) do governo de Dilma Rousseff. Os chamados “agentes do mercado”, nome fantasia que a mídia dá aos agiotas financeiros, já dão como certo um novo aumento da taxa básica de juros. A aposta dos especuladores é de que a Selic subirá 0,5% - elevando a taxa dos atuais 10,75% para 11,25%, uma das mais altas do planeta. A presidenta, que prometeu lutar pela redução dos juros, talvez sofra a sua primeira derrota já nesta semana.
A pressão do “deus-mercado”, que tem a mídia como o seu principal porta-voz, é violenta e barulhenta. Miriam Leitão, a colunista das Organizações Globo que mantém estranha relação com o capital financeiro, defende todo santo dia a urgência da elevação da Selic para combater a inevitável volta da inflação – o fantasma usado para assustar os incautos. “Todo mundo está achando que é necessário subir a taxa de juros”, afirmou a jornalista em seu comentário de ontem na rádio CBN, também da família Marinho.
Receita amarga dos neoliberais
Os banqueiros, rentistas e especuladores, meia dúzia de agiotas, acham que falam em nome de “todo mundo” e ainda tentam botar pressão sobre o governo. A elevação dos juros, afirmam, é inapelável - dane-se a dívida pública, o crédito, a produção e a geração de emprego e renda. Dane-se o Brasil! O Copom só não aumentará a Selic, diz a colunista da TV Globo, se o Banco Central perder a sua autonomia, como se este organismo se sobrepusesse ao governo eleito democraticamente pelos brasileiros.
A oligarquia financeira não vacila em defender os seus interesses. Ela quer sangue. Aurélio Bicalho, economista do Itaú-Unibanco, propõe três aumentos seguidos de 0,5% da Selic para “desacelerar a economia”. Além do aumento dos juros, os banqueiros e sua mídia exigem forte aperto fiscal. Pregam um corte de R$ 40 a R$ 60 bilhões no orçamento. Miriam Leitão critica os “aumentos estapafúrdios de gastos no governo Lula”. Eles nada falam sobre os efeitos maléficos desta receita amarga, neoliberal.
Causa das mortes nas enchentes
Como observa a organização Auditoria Cidadã da Dívida, enquanto o “deus-mercado” exige aumento dos juros e cortes de gastos públicos, a população mais pobre sofre com as moradias precárias e a ausência de infra-estrutura básica. As tragédias das chuvas no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais confirmam a ganância dos rentistas, que aumentam suas riquezas com a especulação financeira. “Cortam-se os gastos sociais para que se continue gastando sem limite com o setor financeiro”.
“Enquanto o governo insiste na infindável tentativa de obter a credibilidade do mercado – que é insaciável – o povo sofre as conseqüências da falta de gastos sociais”. A entidade lembra que o déficit habitacional brasileiro é de cerca de 8 milhões de casas, sem contar os 11 milhões de domicílios inadequados. O programa “Minha Casa Minha Vida” entregou, até o fim de 2010, um número de casas equivalente a apenas 3% do déficit. “Enquanto pessoas morrem nas áreas de risco, não há limite algum para os gastos com a dívida pública, que paga os maiores juros do mundo”.
Fonte: Blog do Miro.
Carlos Augusto de Araujo Dória, 86 anos, economista, nacionalista, socialista, lulista, budista, gaitista, blogueiro, espírita, membro da Igreja Messiânica, tricolor, anistiado político, ex-empregado da Petrobras. Um defensor da justiça social, da preservação do meio ambiente, da Petrobras e das causas nacionalistas.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
HAITÍ - A volta de Baby Doc, o sanguinário ditador do Haiti.
Por Altamiro Borges
Um dos principais culpados pelas atuais mazelas do Haiti, o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, retornou ao país neste domingo (16). Durante quinze anos, de 1971 a 1986, ele comandou uma das ditaduras mais ferozes e corruptas do planeta. Como “presidente hereditário”, ele deu sequência ao regime sanguinário de seu pai, François Papa Doc, que comandou o Haiti de 1957 a 1971 sob a proteção do imperialismo estadunidense.
Para impor a sua ditadura, a dinastia Duvalier criou uma milícia particular, o Tonton Macoute, que dizimou a oposição, criou um clima de terror no país e agravou a miséria haitiana. Pesquisas apontam que mais de 150 mil ativistas foram assassinados durante a presidência de Baby Doc. Através da violência, seu governo foi capacho dos interesses geopolíticos dos EUA na região e saqueou o Haiti. Metido a playboy, ele foi acusado de desviar mais de 100 milhões de dólares para bancos suíços.
Uma nação saqueada e devastada
Agora, aos 59 anos de idade e após 25 anos da sua deposição por uma revolta popular, Baby Doc retorna do seu luxuoso exílio na França. Seu indesejado regresso ocorre no momento em que o Haiti enfrenta inúmeras dificuldades. O país ainda não superou o trauma do terremoto devastador do ano passado, que matou mais de 250 mil pessoas; sofre com uma grave epidemia de cólera; e enfrenta uma dilacerante crise política. As eleições presidenciais estão suspensas, o que gera incertezas sobre o futuro do país.
No primeiro turno, ocorrido em 28 de novembro, a conservadora Mirlande Maniga, ex-primeira dama, obteve 31,37% dos votos, o governista Jude Celestin teve 22,48% e o cantor Michel Martelly, 21,48%. O processo eleitoral foi acusado de inúmeras fraudes e o segundo turno, previsto para 16 de janeiro, foi suspenso. O retorno de Baby Doc somente cria maior tensão política no país. Entidades de direitos humanos exigem que ele seja levado imediatamente à Justiça para pagar por seus crimes.
Fonte: Blog do Miro.
Um dos principais culpados pelas atuais mazelas do Haiti, o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, retornou ao país neste domingo (16). Durante quinze anos, de 1971 a 1986, ele comandou uma das ditaduras mais ferozes e corruptas do planeta. Como “presidente hereditário”, ele deu sequência ao regime sanguinário de seu pai, François Papa Doc, que comandou o Haiti de 1957 a 1971 sob a proteção do imperialismo estadunidense.
Para impor a sua ditadura, a dinastia Duvalier criou uma milícia particular, o Tonton Macoute, que dizimou a oposição, criou um clima de terror no país e agravou a miséria haitiana. Pesquisas apontam que mais de 150 mil ativistas foram assassinados durante a presidência de Baby Doc. Através da violência, seu governo foi capacho dos interesses geopolíticos dos EUA na região e saqueou o Haiti. Metido a playboy, ele foi acusado de desviar mais de 100 milhões de dólares para bancos suíços.
Uma nação saqueada e devastada
Agora, aos 59 anos de idade e após 25 anos da sua deposição por uma revolta popular, Baby Doc retorna do seu luxuoso exílio na França. Seu indesejado regresso ocorre no momento em que o Haiti enfrenta inúmeras dificuldades. O país ainda não superou o trauma do terremoto devastador do ano passado, que matou mais de 250 mil pessoas; sofre com uma grave epidemia de cólera; e enfrenta uma dilacerante crise política. As eleições presidenciais estão suspensas, o que gera incertezas sobre o futuro do país.
No primeiro turno, ocorrido em 28 de novembro, a conservadora Mirlande Maniga, ex-primeira dama, obteve 31,37% dos votos, o governista Jude Celestin teve 22,48% e o cantor Michel Martelly, 21,48%. O processo eleitoral foi acusado de inúmeras fraudes e o segundo turno, previsto para 16 de janeiro, foi suspenso. O retorno de Baby Doc somente cria maior tensão política no país. Entidades de direitos humanos exigem que ele seja levado imediatamente à Justiça para pagar por seus crimes.
Fonte: Blog do Miro.
MÍDIA - Globo detesta servidores públicos.
Reproduzo artigo de Augusto da Fonseca, publicado no blog Festival de Besteiras na Imprensa:
Como já dissemos anteriormente, O Globo está no terceiro turno das eleições presidenciais ou, na melhor das hipóteses, já está na campanha presidencial de 2014.
A manipulação da informação corre à solta no jornal, na rádio CBN, na TV Globo e na Globo News.
Não importam os fatos. Qualquer que seja, há sempre uma forma de manipular a informação via juizo sem fundamentação ou via manchetes negativas para fatos positivos.
Como exemplo do que digo, analisemos as manchetes do jornal O Globo de hoje (16/1/11) e o conteúdo das respectivas matérias:
Capa: "No governo Lula, mais 82 mil servidores".
Página 3 (a principal, depois da capa): "Máquina foi inchada até com serviços terceirizados".
Subtítulo dessa manchete: "Na gestão Lula, essas despesas subiram muito acima da inflação".
Como a maioria das pessoas não passa das manchetes, ou seja, não lê a matéria completa, fica a impressão de que o Lula inchou “indevidamente” a máquina pública que era tão “enxutinha” ao final do governo FHC, ainda que às custas de sucateamento da educação, saúde, segurança e infraestrutura, entre muitas outras.
Entretanto, as pessoas que se dispuserem a ler a matéria completa terão uma grata surpresa: essa é uma notícia altamente positiva para o país!
Senão, vejamos alguns trechos relevantes da matéria, elaborada pela Regina Alvarez, que não tem culpa do que o editor faz com as suas matérias (normalmente manipula).
“Maioria das contratações ocorreu na área de educação, com mais 49 mil servidores“.
Perguntei para a minha neta de quatro anos se isso era bom ou ruim e ela me respondeu na lata:
“Vô, todo mundo diz que a prioridade número um do Brasil é a educação. Logo, isso é muito bom!”
Li outro trecho da matéria para a minha neta:
Subtítulo manipulador: “Na Presidência, aumento de 148%“.
Que horror! Diriam em uníssono o Merval e a Míriam Leitão.
Mas, o que diz o texto?
“O número de servidores passou de 3.147 para 7.820. Nesse caso, pesou o fato de a Presidência ter incorporado alguns órgãos que estavam em outros ministérios no governo passado, como é o caso do IPEA“.
‘Voilá”! Não há o que criticar, portanto.
Aumentou muito o número de professores e de profissionais da educação para as Escolas Técnica e Universidades.
E vai aumentar mais, senhores e senhoras do Globo.
“É difícil viver num país onde a imprensa pode manipular a informação do jeito que for mais conveniente para ela, né vô?“, falou a minha neta
“Mas nós e o governo Dilma vamos fazer alguma coisa contra isso. Aguarde, minha neta.”
“E eu vou poder ajudar?“
Balancei a cabeça positivamente.
Politizada essa menina!
Como já dissemos anteriormente, O Globo está no terceiro turno das eleições presidenciais ou, na melhor das hipóteses, já está na campanha presidencial de 2014.
A manipulação da informação corre à solta no jornal, na rádio CBN, na TV Globo e na Globo News.
Não importam os fatos. Qualquer que seja, há sempre uma forma de manipular a informação via juizo sem fundamentação ou via manchetes negativas para fatos positivos.
Como exemplo do que digo, analisemos as manchetes do jornal O Globo de hoje (16/1/11) e o conteúdo das respectivas matérias:
Capa: "No governo Lula, mais 82 mil servidores".
Página 3 (a principal, depois da capa): "Máquina foi inchada até com serviços terceirizados".
Subtítulo dessa manchete: "Na gestão Lula, essas despesas subiram muito acima da inflação".
Como a maioria das pessoas não passa das manchetes, ou seja, não lê a matéria completa, fica a impressão de que o Lula inchou “indevidamente” a máquina pública que era tão “enxutinha” ao final do governo FHC, ainda que às custas de sucateamento da educação, saúde, segurança e infraestrutura, entre muitas outras.
Entretanto, as pessoas que se dispuserem a ler a matéria completa terão uma grata surpresa: essa é uma notícia altamente positiva para o país!
Senão, vejamos alguns trechos relevantes da matéria, elaborada pela Regina Alvarez, que não tem culpa do que o editor faz com as suas matérias (normalmente manipula).
“Maioria das contratações ocorreu na área de educação, com mais 49 mil servidores“.
Perguntei para a minha neta de quatro anos se isso era bom ou ruim e ela me respondeu na lata:
“Vô, todo mundo diz que a prioridade número um do Brasil é a educação. Logo, isso é muito bom!”
Li outro trecho da matéria para a minha neta:
Subtítulo manipulador: “Na Presidência, aumento de 148%“.
Que horror! Diriam em uníssono o Merval e a Míriam Leitão.
Mas, o que diz o texto?
“O número de servidores passou de 3.147 para 7.820. Nesse caso, pesou o fato de a Presidência ter incorporado alguns órgãos que estavam em outros ministérios no governo passado, como é o caso do IPEA“.
‘Voilá”! Não há o que criticar, portanto.
Aumentou muito o número de professores e de profissionais da educação para as Escolas Técnica e Universidades.
E vai aumentar mais, senhores e senhoras do Globo.
“É difícil viver num país onde a imprensa pode manipular a informação do jeito que for mais conveniente para ela, né vô?“, falou a minha neta
“Mas nós e o governo Dilma vamos fazer alguma coisa contra isso. Aguarde, minha neta.”
“E eu vou poder ajudar?“
Balancei a cabeça positivamente.
Politizada essa menina!
A TRAGÉDIA NA CARA DOS CACHORROS.
Depois de tudo que já li, vi e ouvi sobre a catástrofe da Região Serrana, não pretendia voltar ao assunto, até porque os leitores também já devem estar saturados de tantas imagens e histórias de dor e sofrimento nos últimos dias.
O que me leva a escrever é uma fotografia publicada na capa da Folha desta terça-feira. De autoria do grande Jorge Araújo, o veterano e premiado profissional, com quem trabalhei por muitos anos, mostra a profunda tristeza estampada no olhar do cachorro branco nas mãos de um menino, Bruno Bento, de 11 anos, em Teresópolis.
Bento é um dos 40 voluntários que resgataram animais nas enchentes e estão cuidando deles num abrigo, segundo o relato do repórter Vinícius Queiroz Galvão. No meio de tanta desgraça, alguém se lembrou dos bichos que ficaram orfãos.
Já são mais de 200 cães e 100 gatos que estão sob os cuidados da turma de Maria Elisabete Filpi, protetora de animais, salva pelos bombeiros carregando nos braços dois cachorros. Outras fotos de Jorge Araújo podem ser vistas neste endereço:
folha.com.br/ct861934
Na semana passada, outro retrato da orfandade animal que me tocou foi o do cachorro Caramelo, montando guarda ao lado da cova rasa da sua dona, tema do desenho de hoje do Chico na capa do Globo.
Estas cenas me fizeram lembrar dos dramas que vivi em Caraguatatuba, no litoral norte paulista, 44 anos atrás _ até a semana passada, a maior tragédia natural registrada no país, em que morreram 430 pessoas. Estava começando a trabalhar como repórter estagiário no Estadão e esta foi a minha primeira grande cobertura.
Uma das matérias terminava assim:
” Caraguatatuba já tem água, graças a uma mina encontrada no Morro do Tatu (…) Um caminhão do Exército que transportava parte da ponte metálica móvel, proveniente do Rio Grande do Sul, que será instalada provisoriamente sobre o rio Santo Antonio, tombou ontem na estrada São Luís do Paraitinga-Ubatuba (…) As operações aéreas na zona flagelada diminuíram sensivelmente. Os flagelados continuam deixando a cidade, a pedido das autoridades”.
A grande diferença em relação ao trabalho dos meus colegas hoje é que, naquela época, nem se pensava em celular, satélite, laptop, essas coisas. Textos e fotos tinham que ser colocados num envelope e levados até a vizinha cidade de Ubatuba _ três horas de carro para percorrer 50 quilômetros em meio aos estragos. De lá seguiam num avião da FAB até a Base Aérea em Santos, onde alguém da redação ia recolher o material.
As comunicações evoluiram muito, é fato, mas os esquemas de prevenção e salvamento parecem continuar os mesmos, como a tristeza dos cachorros sem dono.
Fonte: Balaio do Kotscho.
O que me leva a escrever é uma fotografia publicada na capa da Folha desta terça-feira. De autoria do grande Jorge Araújo, o veterano e premiado profissional, com quem trabalhei por muitos anos, mostra a profunda tristeza estampada no olhar do cachorro branco nas mãos de um menino, Bruno Bento, de 11 anos, em Teresópolis.
Bento é um dos 40 voluntários que resgataram animais nas enchentes e estão cuidando deles num abrigo, segundo o relato do repórter Vinícius Queiroz Galvão. No meio de tanta desgraça, alguém se lembrou dos bichos que ficaram orfãos.
Já são mais de 200 cães e 100 gatos que estão sob os cuidados da turma de Maria Elisabete Filpi, protetora de animais, salva pelos bombeiros carregando nos braços dois cachorros. Outras fotos de Jorge Araújo podem ser vistas neste endereço:
folha.com.br/ct861934
Na semana passada, outro retrato da orfandade animal que me tocou foi o do cachorro Caramelo, montando guarda ao lado da cova rasa da sua dona, tema do desenho de hoje do Chico na capa do Globo.
Estas cenas me fizeram lembrar dos dramas que vivi em Caraguatatuba, no litoral norte paulista, 44 anos atrás _ até a semana passada, a maior tragédia natural registrada no país, em que morreram 430 pessoas. Estava começando a trabalhar como repórter estagiário no Estadão e esta foi a minha primeira grande cobertura.
Uma das matérias terminava assim:
” Caraguatatuba já tem água, graças a uma mina encontrada no Morro do Tatu (…) Um caminhão do Exército que transportava parte da ponte metálica móvel, proveniente do Rio Grande do Sul, que será instalada provisoriamente sobre o rio Santo Antonio, tombou ontem na estrada São Luís do Paraitinga-Ubatuba (…) As operações aéreas na zona flagelada diminuíram sensivelmente. Os flagelados continuam deixando a cidade, a pedido das autoridades”.
A grande diferença em relação ao trabalho dos meus colegas hoje é que, naquela época, nem se pensava em celular, satélite, laptop, essas coisas. Textos e fotos tinham que ser colocados num envelope e levados até a vizinha cidade de Ubatuba _ três horas de carro para percorrer 50 quilômetros em meio aos estragos. De lá seguiam num avião da FAB até a Base Aérea em Santos, onde alguém da redação ia recolher o material.
As comunicações evoluiram muito, é fato, mas os esquemas de prevenção e salvamento parecem continuar os mesmos, como a tristeza dos cachorros sem dono.
Fonte: Balaio do Kotscho.
POLÍTICA - Serra deve explicações.
Por que liberou, como governador de SP, 400 milhões de reais do precatório do Parque Villa Lobos, se a lei lhe permitia pagar parceladamente em 15 anos? Mas isso Serra nunca vai explicar.
Carlos Newton
Existem vários casos muito mal explicados na gestão de José Serra como governador de São Paulo, que ele usou como trampolim para tentar a Presidência. Um deles refere-se a um precatório (dívida judicial da Fazenda Pública).
Por que, em 28 de dezembro de 2009, Serra liberou cerca de 400 milhões de reais (a nona parcela do precatório do Parque Villa Lobos, o maior do Brasil, que atualizado supera os 3 bilhões de reais), se a emenda constitucional 62/2009 já permitia que os precatórios em atraso fossem parcelados em 15 anos?
Como se sabe, a 9 de dezembro de 2009 foi promulgada a emenda 62/2009, que ofereceu ao Poder Público (União, Estados e Municípios) a possibilidade de quitarem os precatórios em 15 anos. Anteriormente, essas entidades públicas caloteiras já tinham obtido prazo de 8 anos e depois prazo de 10 anos e assim mesmo quase nada pagaram. Hoje, essas dívidas decorrentes de desapropriação de áreas e de imóveis ou de condenações por danos morais e materiais e de direitos usurpados de funcionários públicos, segundo a OAB, ultrapassam a casa dos 80 bilhões de reais.
Só o Estado de São Paulo deve mais de 20 bilhões de reais e a Prefeitura de sua capital outros 12 bilhões de reais. Por conta dessa vergonhosa dívida, o então governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, competentemente, lideraram movimento no Congresso Nacional em favor da aprovação da absurda emenda 62, que acabou sendo promulgada.
Entrando em vigor essa tal emenda Renan Calheiros, (que é flagrantemente inconstitucional, segundo a Procuradoria Geral da República e a OAB nacional), os estados e municípios ganharam, a partir de 9 de dezembro de 2009, uma moratória alargada, uma quase anistia, para saldarem os milhares de precatórios em atraso. Só no Estado de São Paulo, há mais de 500 mil credores aguardando pagamento há dezenas de anos. Ou seja, milhares de titulares desses créditos até já morreram.
Por conta dessa nova emenda, os Tribunais de Justiça que, a pedido dos credores, vinham determinando o seqüestro de rendas contra Estados e Municípios que não estavam pagando as 10 parcelas anuais, estabelecidas na emenda 30/2000, de pronto suspenderam esse procedimento em respeito ao estabelecido na Emenda 62/2009.
Se o Tribunal observou os dispositivos previstos na nova emenda do calote, abortando pedidos de sequestro e a liberação das parcelas sequestradas e ainda não pagas, por que o então governador do Estado de São Paulo, espontaneamente, liberou a 9ª parcela do precatório do Parque Villa Lobos (parcela de quase 400 milhões de reais), que, de acordo com a emenda 30/2000, poderia ser paga até 31 de dezembro de 2010?
Essa liberalidade precisa ser esclarecida, sobretudo se levarmos em conta que em 2009, conforme dados divulgados oficialmente, para pagar dezenas de milhares de precatórios de natureza alimentar, que precisam ter prioridade absoluta, o governador Serra disponibilizou apenas 100 milhões de reais. Já para os precatórios de desapropriação, destinou em 2009 quase 2 bilhões de reais.
Notas inseridas em diversos sites informam que são três os credores do maior precatório brasileiro, os empresários Toninho Abdalla, seu primo José João Abdalla Filho e a empresa S/A Central de Imóveis e Construções.
No Home IG – Gente – Notícias, de 04/11, foi divulgado que Toninho Abdalla, “é considerado um dos últimos playboys de sua geração – ele tem 56 anos”. A nota diz que “Toninho Abdalla recebeu a maior indenização já paga por uma desapropriação de terreno no Brasil. A família de Antonio João Abdalla Filho era dona de uma área de 717 mil metros quadrados em região nobre da cidade. Para transformá-la no Parque Villa Lobos, o Estado de São Paulo acertou com Toninho e um primo seu, João José Abdalla Filho, o pagamento de R$ 1,7 bilhão, que eles receberam em dez parcelas anuais de R$ 250 milhões, entre 1999 e 2009 – Toninho, no entanto, era o sócio majoritário da propriedade”.
Inexplicavelmente, a Prefeitura de São Paulo também transformou-se em credora de parte desse bilionário precatório, referente a uma área na Marginal Pinheiros, onde em 1988 a Prefeitura depositava lixo recolhido e pagava pelo uso do terreno, segundo informação extraída dos autos do processo de desapropriação.
Não bastasse a irregularidade do pagamento da nona parcela do precatório, face à existência da Emenda 62/2009, vigente a partir de 9 de dezembro de 2009, o ex-governador José Serra precisa explicar também por que pagou R$ 17, 2 milhões a mais, a título de juros moratórios, correspondentes a 359 dias de atraso, se ele, espontaneamente, quitou por antecipação a 9ª parcela no dia 28 de dezembro de 2009, a qual venceria só três dias depois, quando realmente começariam a ser contados os dias de atraso para se computar os juros de mora.
Ora, se não houve atraso no pagamento da 9ª parcela, que nem deveria ter sido saldada antecipadamente, por que o pagamento de um acréscimo de quase R$ 18 milhões, referentes de juros de mora que na verdade jamais existiram? Isso cheira mal a quilômetros de distância, faz Serra colocar o falecido Orestes Quércia no chinelo, em matéria de corrupção.
***
UMA EMENDA TIPO RENAN CALHEIROS
Vejam o que saiu no conceituado site “Consultor Jurídico”, a respeito da emenda Renan Calheiros: “A Constituição Federal prevê que “uma lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. Com base nesse entendimento, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a inconstitucionalidade incidental do regime que se pretende implantar com a Emenda Constitucional 62/09. A emenda trata de precatórios pendentes de pagamento.
“Ao ferir a coisa julgada, a emenda afronta a independência que deve haver entre os Poderes, afirmou o desembargador Ivan Sartori em acórdão relatado em agosto. “O colegiado entendeu que a EC 62 fere princípios constitucionais como os da proporcionalidade e da razoabilidade”.
Surge, então, uma pergunta ao presidente nacional da OAB e à opinião pública em geral: nas ações de desapropriação em que se discute apenas o valor real da desapropriação com base no laudo pericial, é correto, não fere a moral administrativa e o patrimônio público, que se pague ao escritório de advocacia que atuou no caso 10% do valor real do imóvel desapropriado?
Num caso como o acima relatado, poderia o advogado receber honorários advocatícios de 300 milhões de reais, que seriam pagos também pelo Poder Público (ou seja, pelos contribuintes), na condição de expropriante?
Todos os contribuintes merecem explicações. Mas Serra jamais se explicará.
Fonte: Tribuna da Imprensa online.
Carlos Newton
Existem vários casos muito mal explicados na gestão de José Serra como governador de São Paulo, que ele usou como trampolim para tentar a Presidência. Um deles refere-se a um precatório (dívida judicial da Fazenda Pública).
Por que, em 28 de dezembro de 2009, Serra liberou cerca de 400 milhões de reais (a nona parcela do precatório do Parque Villa Lobos, o maior do Brasil, que atualizado supera os 3 bilhões de reais), se a emenda constitucional 62/2009 já permitia que os precatórios em atraso fossem parcelados em 15 anos?
Como se sabe, a 9 de dezembro de 2009 foi promulgada a emenda 62/2009, que ofereceu ao Poder Público (União, Estados e Municípios) a possibilidade de quitarem os precatórios em 15 anos. Anteriormente, essas entidades públicas caloteiras já tinham obtido prazo de 8 anos e depois prazo de 10 anos e assim mesmo quase nada pagaram. Hoje, essas dívidas decorrentes de desapropriação de áreas e de imóveis ou de condenações por danos morais e materiais e de direitos usurpados de funcionários públicos, segundo a OAB, ultrapassam a casa dos 80 bilhões de reais.
Só o Estado de São Paulo deve mais de 20 bilhões de reais e a Prefeitura de sua capital outros 12 bilhões de reais. Por conta dessa vergonhosa dívida, o então governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, competentemente, lideraram movimento no Congresso Nacional em favor da aprovação da absurda emenda 62, que acabou sendo promulgada.
Entrando em vigor essa tal emenda Renan Calheiros, (que é flagrantemente inconstitucional, segundo a Procuradoria Geral da República e a OAB nacional), os estados e municípios ganharam, a partir de 9 de dezembro de 2009, uma moratória alargada, uma quase anistia, para saldarem os milhares de precatórios em atraso. Só no Estado de São Paulo, há mais de 500 mil credores aguardando pagamento há dezenas de anos. Ou seja, milhares de titulares desses créditos até já morreram.
Por conta dessa nova emenda, os Tribunais de Justiça que, a pedido dos credores, vinham determinando o seqüestro de rendas contra Estados e Municípios que não estavam pagando as 10 parcelas anuais, estabelecidas na emenda 30/2000, de pronto suspenderam esse procedimento em respeito ao estabelecido na Emenda 62/2009.
Se o Tribunal observou os dispositivos previstos na nova emenda do calote, abortando pedidos de sequestro e a liberação das parcelas sequestradas e ainda não pagas, por que o então governador do Estado de São Paulo, espontaneamente, liberou a 9ª parcela do precatório do Parque Villa Lobos (parcela de quase 400 milhões de reais), que, de acordo com a emenda 30/2000, poderia ser paga até 31 de dezembro de 2010?
Essa liberalidade precisa ser esclarecida, sobretudo se levarmos em conta que em 2009, conforme dados divulgados oficialmente, para pagar dezenas de milhares de precatórios de natureza alimentar, que precisam ter prioridade absoluta, o governador Serra disponibilizou apenas 100 milhões de reais. Já para os precatórios de desapropriação, destinou em 2009 quase 2 bilhões de reais.
Notas inseridas em diversos sites informam que são três os credores do maior precatório brasileiro, os empresários Toninho Abdalla, seu primo José João Abdalla Filho e a empresa S/A Central de Imóveis e Construções.
No Home IG – Gente – Notícias, de 04/11, foi divulgado que Toninho Abdalla, “é considerado um dos últimos playboys de sua geração – ele tem 56 anos”. A nota diz que “Toninho Abdalla recebeu a maior indenização já paga por uma desapropriação de terreno no Brasil. A família de Antonio João Abdalla Filho era dona de uma área de 717 mil metros quadrados em região nobre da cidade. Para transformá-la no Parque Villa Lobos, o Estado de São Paulo acertou com Toninho e um primo seu, João José Abdalla Filho, o pagamento de R$ 1,7 bilhão, que eles receberam em dez parcelas anuais de R$ 250 milhões, entre 1999 e 2009 – Toninho, no entanto, era o sócio majoritário da propriedade”.
Inexplicavelmente, a Prefeitura de São Paulo também transformou-se em credora de parte desse bilionário precatório, referente a uma área na Marginal Pinheiros, onde em 1988 a Prefeitura depositava lixo recolhido e pagava pelo uso do terreno, segundo informação extraída dos autos do processo de desapropriação.
Não bastasse a irregularidade do pagamento da nona parcela do precatório, face à existência da Emenda 62/2009, vigente a partir de 9 de dezembro de 2009, o ex-governador José Serra precisa explicar também por que pagou R$ 17, 2 milhões a mais, a título de juros moratórios, correspondentes a 359 dias de atraso, se ele, espontaneamente, quitou por antecipação a 9ª parcela no dia 28 de dezembro de 2009, a qual venceria só três dias depois, quando realmente começariam a ser contados os dias de atraso para se computar os juros de mora.
Ora, se não houve atraso no pagamento da 9ª parcela, que nem deveria ter sido saldada antecipadamente, por que o pagamento de um acréscimo de quase R$ 18 milhões, referentes de juros de mora que na verdade jamais existiram? Isso cheira mal a quilômetros de distância, faz Serra colocar o falecido Orestes Quércia no chinelo, em matéria de corrupção.
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UMA EMENDA TIPO RENAN CALHEIROS
Vejam o que saiu no conceituado site “Consultor Jurídico”, a respeito da emenda Renan Calheiros: “A Constituição Federal prevê que “uma lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. Com base nesse entendimento, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a inconstitucionalidade incidental do regime que se pretende implantar com a Emenda Constitucional 62/09. A emenda trata de precatórios pendentes de pagamento.
“Ao ferir a coisa julgada, a emenda afronta a independência que deve haver entre os Poderes, afirmou o desembargador Ivan Sartori em acórdão relatado em agosto. “O colegiado entendeu que a EC 62 fere princípios constitucionais como os da proporcionalidade e da razoabilidade”.
Surge, então, uma pergunta ao presidente nacional da OAB e à opinião pública em geral: nas ações de desapropriação em que se discute apenas o valor real da desapropriação com base no laudo pericial, é correto, não fere a moral administrativa e o patrimônio público, que se pague ao escritório de advocacia que atuou no caso 10% do valor real do imóvel desapropriado?
Num caso como o acima relatado, poderia o advogado receber honorários advocatícios de 300 milhões de reais, que seriam pagos também pelo Poder Público (ou seja, pelos contribuintes), na condição de expropriante?
Todos os contribuintes merecem explicações. Mas Serra jamais se explicará.
Fonte: Tribuna da Imprensa online.
sábado, 15 de janeiro de 2011
TUNÍSIA - "Que a fagulha tunisina abrase todo o mundo árabe!"
por Mohamed Belaali.
Mais de quatro semanas de revoltas populares, o exército atira com balas reais sobre a multidão, mortos às dezenas, cessar-fogo, desaparecimento e execução de sindicalistas, prisão de bloguistas, etc, etc. Estes acontecimentos não se desenrolam nem em Cuba, nem na Venezuela, nem na Bolívia, nem na China e nem no Irão mas na... Tunísia! Os países europeus, a França de Sarkozy à cabeça, sempre prontos a se imiscuírem nos assuntos do Irão ou da Costa do Marfim, por exemplo, desta vez contentaram-se com alguns comunicados após semanas de silêncio cúmplice: "a Tunísia confronta-se com problemas económicos e sociais. Só o diálogo permitirá aos tunisinos ultrapassá-los" dizia servilmente um comunicado do Ministério francês dos Negócios Estrangeiros.
Que contraste entre a violência da propaganda contra o Irão na Primavera de 2009 aquando das eleições presidenciais e o servilismo das declarações oficiais a propósito da revolta do povo tunisino. Bastaria na época ler os títulos dos jornais e olhar as imagens difundidas em cadeia pelas televisões americanas e europeias para perceber o ódio do imperialismo à República Islâmica do Irão. Mas a revolta do povo tunisino não merece senão o desprezo e o silêncio. Pois "A Tunísia é um país amigo, estamos extremamente vigilantes com o que se passa lá em baixo e muito preocupado (...) Ao mesmo tempo, a França não tem de se ingerir nos assuntos da Tunisia", declarava Luc Chatel na Radio Classique e i-Télé .
Sempre invocando cinicamente o direito de não ingerência nos assuntos dos outros países, os governo francês, através da sua ministra dos Negócios Estrangeiros Michèle Alliot-Marie, chega mesmo a propor aos regimes tunisino e argelino sua colaboração em matéria de seguranças e manutenção da ordem: "Propomos que o know how das nossas forças de segurança, reconhecido no mundo inteiro, resolva situações securitárias deste tipo. Esta é a razão pela qual propomos aos dois países [Argélia e Tunísia], no quadro das nossas cooperações, agir neste sentido para que o direito de manifestar possa ser feito ao mesmo tempo que a garantia da segurança" [1] . É que a França é um dos primeiros investidores estrangeiros na Tunísia. Ela ocupa mesmo o primeiro lugar quanto ao número de empresas instaladas neste país (1200 empresas). Pode-se citar dentre muitas Lacoste, Valeo, Sagem, Danone, Sanofi-Aventis, Fram, Accor, Club med, BNP-Paribas, Société générale, Groupe Caisse d'épargne etc. etc. [2]
As burguesias ocidentais que apregoam incessantemente desejarem difundir a democracia por todo o mundo, na realidade não fazem senão sustentar, directa ou indirectamente, as ditaduras e impedem deste modo todo progresso no caminho da democracia e do progresso social. Toda a história do imperialismo não é senão o apoio aos regimes mais ferozes, quando não são instalados directamente por ele. Seria difícil e fastidioso pretender estabelecer uma lista exaustiva destas ditaduras pois são demasiado numerosas. Citemos ainda assim as mais conhecidas e as mais terríveis: Augusto Pinochet no Chile, Videla na Argentine, Somoza na Nicarágua, Suharto na Indonésia, Marcos nas Filipinas, Musharraf no Paquistão, o xá Reza Pahleve no Irão, Hosni Mubarak no Egipto, Omar e Ai Bongo no Gabão, etc, etc. O apoio indefectível das burguesias ocidentais aos regimes mais sangrentos é uma constante na história do capitalismo.
Hoje, o levantamento do povo tunisino, sua coragem e sua determinação a enfrentar um dos regimes mais repressivos, mostra o caminho a seguir a todos os oprimidos não só do Magreb como de todo o mundo árabe!
As massas populares árabes sofreram demasiado desta cumplicidade objectiva das suas próprias burguesias corrompidas até a medula e da burguesia ocidental que os mantêm na dependência e na miséria. O mundo árabe hoje é uma verdadeira bomba que pode explodir a qualquer momento.
Exploradas, marginalizadas e humilhadas por longo tempo, as massas populares árabes lentamente levantam a cabeça e tentam sair desta longa noite na qual foram mergulhadas.
Trabalhadores, progressistas e democratas europeus: é nosso dever apoiar o povo tunisino na sua luta contra um regime de outra era. A sua vitória nesta região do mundo árabe será igualmente a nossa aqui na Europa.
14/Janeiro/2011
(1) www.rue89.com/...
(2) www.ambassadefrance-tn.org/...
O original encontra-se em www.legrandsoir.info/...
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
Mais de quatro semanas de revoltas populares, o exército atira com balas reais sobre a multidão, mortos às dezenas, cessar-fogo, desaparecimento e execução de sindicalistas, prisão de bloguistas, etc, etc. Estes acontecimentos não se desenrolam nem em Cuba, nem na Venezuela, nem na Bolívia, nem na China e nem no Irão mas na... Tunísia! Os países europeus, a França de Sarkozy à cabeça, sempre prontos a se imiscuírem nos assuntos do Irão ou da Costa do Marfim, por exemplo, desta vez contentaram-se com alguns comunicados após semanas de silêncio cúmplice: "a Tunísia confronta-se com problemas económicos e sociais. Só o diálogo permitirá aos tunisinos ultrapassá-los" dizia servilmente um comunicado do Ministério francês dos Negócios Estrangeiros.
Que contraste entre a violência da propaganda contra o Irão na Primavera de 2009 aquando das eleições presidenciais e o servilismo das declarações oficiais a propósito da revolta do povo tunisino. Bastaria na época ler os títulos dos jornais e olhar as imagens difundidas em cadeia pelas televisões americanas e europeias para perceber o ódio do imperialismo à República Islâmica do Irão. Mas a revolta do povo tunisino não merece senão o desprezo e o silêncio. Pois "A Tunísia é um país amigo, estamos extremamente vigilantes com o que se passa lá em baixo e muito preocupado (...) Ao mesmo tempo, a França não tem de se ingerir nos assuntos da Tunisia", declarava Luc Chatel na Radio Classique e i-Télé .
Sempre invocando cinicamente o direito de não ingerência nos assuntos dos outros países, os governo francês, através da sua ministra dos Negócios Estrangeiros Michèle Alliot-Marie, chega mesmo a propor aos regimes tunisino e argelino sua colaboração em matéria de seguranças e manutenção da ordem: "Propomos que o know how das nossas forças de segurança, reconhecido no mundo inteiro, resolva situações securitárias deste tipo. Esta é a razão pela qual propomos aos dois países [Argélia e Tunísia], no quadro das nossas cooperações, agir neste sentido para que o direito de manifestar possa ser feito ao mesmo tempo que a garantia da segurança" [1] . É que a França é um dos primeiros investidores estrangeiros na Tunísia. Ela ocupa mesmo o primeiro lugar quanto ao número de empresas instaladas neste país (1200 empresas). Pode-se citar dentre muitas Lacoste, Valeo, Sagem, Danone, Sanofi-Aventis, Fram, Accor, Club med, BNP-Paribas, Société générale, Groupe Caisse d'épargne etc. etc. [2]
As burguesias ocidentais que apregoam incessantemente desejarem difundir a democracia por todo o mundo, na realidade não fazem senão sustentar, directa ou indirectamente, as ditaduras e impedem deste modo todo progresso no caminho da democracia e do progresso social. Toda a história do imperialismo não é senão o apoio aos regimes mais ferozes, quando não são instalados directamente por ele. Seria difícil e fastidioso pretender estabelecer uma lista exaustiva destas ditaduras pois são demasiado numerosas. Citemos ainda assim as mais conhecidas e as mais terríveis: Augusto Pinochet no Chile, Videla na Argentine, Somoza na Nicarágua, Suharto na Indonésia, Marcos nas Filipinas, Musharraf no Paquistão, o xá Reza Pahleve no Irão, Hosni Mubarak no Egipto, Omar e Ai Bongo no Gabão, etc, etc. O apoio indefectível das burguesias ocidentais aos regimes mais sangrentos é uma constante na história do capitalismo.
Hoje, o levantamento do povo tunisino, sua coragem e sua determinação a enfrentar um dos regimes mais repressivos, mostra o caminho a seguir a todos os oprimidos não só do Magreb como de todo o mundo árabe!
As massas populares árabes sofreram demasiado desta cumplicidade objectiva das suas próprias burguesias corrompidas até a medula e da burguesia ocidental que os mantêm na dependência e na miséria. O mundo árabe hoje é uma verdadeira bomba que pode explodir a qualquer momento.
Exploradas, marginalizadas e humilhadas por longo tempo, as massas populares árabes lentamente levantam a cabeça e tentam sair desta longa noite na qual foram mergulhadas.
Trabalhadores, progressistas e democratas europeus: é nosso dever apoiar o povo tunisino na sua luta contra um regime de outra era. A sua vitória nesta região do mundo árabe será igualmente a nossa aqui na Europa.
14/Janeiro/2011
(1) www.rue89.com/...
(2) www.ambassadefrance-tn.org/...
O original encontra-se em www.legrandsoir.info/...
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
ORIENTE MÉDIO - "Criamos um monstro: A Ocupação."
Entrevista a Yehuda Shaul, ex oficial Israelense.
Catherine Schwaab*
Nesta entrevista ao Paris Match do ex-oficial do Tsahal (exército israelense) Yehuda Shaul, ex-oficial do exército israelita com 28 anos, e autor de Breaking the Silence [Ouvir o silêncio], fica claro que a política do tandem Israel-EUA não só não resolve o problema, como assenta numa série de crimes contra a humanidade exercidos sobre os palestinos. A mentira e o terrorismo de estado pode durar mais de seis décadas, como acontece na Palestina, mas não durarão sempre…
Catherine Schwaab (CS): O seu livro é uma bomba pelas suas revelações: que efeito concreto espera?
Yehuda Shaul (YS): Espero poder enfim suscitar uma verdadeira discussão séria em Israel pois, desta vez, os nossos testemunhos são numerosos, verificados, incontestáveis: são 180 e tiramos deles uma análise, o que é novo.
Pensa que a opinião pública ignora o que significa a ocupação militar dos territórios palestinianos?
O público tem clichés na cabeça que incitam à aprovação cega. Por exemplo, em hebreu, a política israelita nos territórios ocupados resume-se a quatro termos que não se pode contestar: «sikkul» (a prevenção do terrorismo), «afradah» (a separação entre a população israelita e a população palestina), «mirkam hayyim» (o «fabrico» da existência palestiniana) e «akhifat hok» (a aplicação das leis nos territórios ocupados). Na realidade, sob esses nomes de código escondem-se terríveis desvios que vão do sadismo à anarquia e rejeitam os mais elementares direitos da pessoa. Isso vai até aos assassinatos de indivíduos inocentes que se calcula serem terroristas. E não falo das prisões arbitrárias e dos assédios de toda a espécie.
CS: Qual é o objectivo disso?
YS: Está claramente definido: é o de mostrar a presença permanente do exército, de produzir o sentimento de ser-se perseguido, controlado, em suma, trata-se de impor o medo a todos na sociedade palestina. Opera-se de maneira irracional, imprevisível, criando um sentimento de insegurança que quebra a rotina.
CS: A ocupação dos territórios não será necessária para evitar «surpresas» terroristas?
YS: Não! A ocupação sistemática não se justifica, pois ela abrange uma série de interdições e de entraves inadmissíveis. Queremos discutir sobre isso agora. Nem no seio do exército nem no seio da sociedade civil ou política se quer enfrentar a verdade. E essa verdade, é que nós criámos um monstro: a ocupação.
CS: Pode esperar-se que discussões sérias sobre a paz melhorem a situação?
YS: Não, tentar acabar com o conflito é uma coisa, acabar com a ocupação é outra. Estamos todos de acordo para procurar a paz, mas esquecemos a ocupação. Ora, é preciso começar por aí.
CS: Os vossos testemunhos revelam a incrível impunidade de que beneficiam os colonos, verdadeiros assistentes militares: eles brutalizam os vizinhos palestinianos, levam os seus filhos à agressividade e ao ódio dos árabes…
YS: Certamente, mas não são eles o problema. É o mecanismo de ocupação que lhes deu esse poder desmedido. Eu, quando era militar em Hebron, não podia deter um colono que estivesse a infringir abertamente a lei sob os meus olhos. Eles fazem parte desse sistema imoral.
CS: Pensa encontrar um apoio na opinião israelita?
YS: Por enquanto, somos minoritários mas optimistas! Temos de sê-lo, pois vivemos tempos sombrios, a opinião israelita é apática, as pessoas estão fartas. E o preço a pagar por esta ocupação não é pesado. É a razão por que não há vontade política. Em contrapartida, o preço moral é enorme.
CS: É a primeira vez que são feitas tais revelações?
YS: Não, há um ano, tínhamos contado as pilhagens na faixa de Gaza e tínhamos sido atacados por todos os lados: pelo exército, pela sociedade civil e a sociedade política. Netanyahu acusou-nos de termos «ousado quebrar o silêncio». Mas que silêncio? É um silêncio vergonhoso sobre um escândalo estrondoso! Eles fizeram tudo para nos desacreditar. Saiu-lhes mal, pois nós somos todos antigos oficiais que vivemos esses acontecimentos terríveis.
CS: Precisamente, muitos soldados e oficiais que se expressam parecem traumatizados pelo que tiveram de fazer. Um sofrimento que permanece.
YS: Sim… Enfim, não nos enganemos: as vítimas, são os palestinos que aguentam esse controlo. Hei-de sempre recordar a resposta de um comandante do exército durante uma discussão televisiva em 2004. Tínhamos organizado uma exposição de fotografias com um vídeo de testemunhos. Ele disse-me: «Concordo com o que vocês mostram, mas é assim, temos de aceitá-lo, isso chama-se crescer, tornar-se adulto». Fiquei sem palavras.
CS: Algumas pessoas pensam que Israel tem interesse em manter o conflito e que os palestinianos nunca terão as suas terras.
YS: É falso. É impossível erradicar uma população de 3,5 milhões de habitantes. O problema não está em dar-lhes uma terra, mas na obsessão de querer controlá-los.
CS: Serão as jovens gerações dos 20-30 anos mais permeáveis ao vosso ponto de vista?
YS: Nem toda a minha geração está de acordo comigo, mas ninguém pode dizer que minto. Somos todos ex-membros do exército nacional, pagámos o preço, ganhámos o direito de falar. É preciso que os espíritos mudem a partir de dentro.
CS: Você é judeu ortodoxo e tem um discurso estranhamente aberto. A sua fé ajuda-o neste combate?
YS: Nem por isso… Mas eu sei o que significa ser judeu religioso: não ficar silencioso perante o que está mal. E quero trazer uma solução, não um problema.
* Jornalista do Paris Match
A versão em português deste texto foi publicada em:
www.egaliteetreconciliation.fr
Fonte: Diário.info.
Catherine Schwaab*
Nesta entrevista ao Paris Match do ex-oficial do Tsahal (exército israelense) Yehuda Shaul, ex-oficial do exército israelita com 28 anos, e autor de Breaking the Silence [Ouvir o silêncio], fica claro que a política do tandem Israel-EUA não só não resolve o problema, como assenta numa série de crimes contra a humanidade exercidos sobre os palestinos. A mentira e o terrorismo de estado pode durar mais de seis décadas, como acontece na Palestina, mas não durarão sempre…
Catherine Schwaab (CS): O seu livro é uma bomba pelas suas revelações: que efeito concreto espera?
Yehuda Shaul (YS): Espero poder enfim suscitar uma verdadeira discussão séria em Israel pois, desta vez, os nossos testemunhos são numerosos, verificados, incontestáveis: são 180 e tiramos deles uma análise, o que é novo.
Pensa que a opinião pública ignora o que significa a ocupação militar dos territórios palestinianos?
O público tem clichés na cabeça que incitam à aprovação cega. Por exemplo, em hebreu, a política israelita nos territórios ocupados resume-se a quatro termos que não se pode contestar: «sikkul» (a prevenção do terrorismo), «afradah» (a separação entre a população israelita e a população palestina), «mirkam hayyim» (o «fabrico» da existência palestiniana) e «akhifat hok» (a aplicação das leis nos territórios ocupados). Na realidade, sob esses nomes de código escondem-se terríveis desvios que vão do sadismo à anarquia e rejeitam os mais elementares direitos da pessoa. Isso vai até aos assassinatos de indivíduos inocentes que se calcula serem terroristas. E não falo das prisões arbitrárias e dos assédios de toda a espécie.
CS: Qual é o objectivo disso?
YS: Está claramente definido: é o de mostrar a presença permanente do exército, de produzir o sentimento de ser-se perseguido, controlado, em suma, trata-se de impor o medo a todos na sociedade palestina. Opera-se de maneira irracional, imprevisível, criando um sentimento de insegurança que quebra a rotina.
CS: A ocupação dos territórios não será necessária para evitar «surpresas» terroristas?
YS: Não! A ocupação sistemática não se justifica, pois ela abrange uma série de interdições e de entraves inadmissíveis. Queremos discutir sobre isso agora. Nem no seio do exército nem no seio da sociedade civil ou política se quer enfrentar a verdade. E essa verdade, é que nós criámos um monstro: a ocupação.
CS: Pode esperar-se que discussões sérias sobre a paz melhorem a situação?
YS: Não, tentar acabar com o conflito é uma coisa, acabar com a ocupação é outra. Estamos todos de acordo para procurar a paz, mas esquecemos a ocupação. Ora, é preciso começar por aí.
CS: Os vossos testemunhos revelam a incrível impunidade de que beneficiam os colonos, verdadeiros assistentes militares: eles brutalizam os vizinhos palestinianos, levam os seus filhos à agressividade e ao ódio dos árabes…
YS: Certamente, mas não são eles o problema. É o mecanismo de ocupação que lhes deu esse poder desmedido. Eu, quando era militar em Hebron, não podia deter um colono que estivesse a infringir abertamente a lei sob os meus olhos. Eles fazem parte desse sistema imoral.
CS: Pensa encontrar um apoio na opinião israelita?
YS: Por enquanto, somos minoritários mas optimistas! Temos de sê-lo, pois vivemos tempos sombrios, a opinião israelita é apática, as pessoas estão fartas. E o preço a pagar por esta ocupação não é pesado. É a razão por que não há vontade política. Em contrapartida, o preço moral é enorme.
CS: É a primeira vez que são feitas tais revelações?
YS: Não, há um ano, tínhamos contado as pilhagens na faixa de Gaza e tínhamos sido atacados por todos os lados: pelo exército, pela sociedade civil e a sociedade política. Netanyahu acusou-nos de termos «ousado quebrar o silêncio». Mas que silêncio? É um silêncio vergonhoso sobre um escândalo estrondoso! Eles fizeram tudo para nos desacreditar. Saiu-lhes mal, pois nós somos todos antigos oficiais que vivemos esses acontecimentos terríveis.
CS: Precisamente, muitos soldados e oficiais que se expressam parecem traumatizados pelo que tiveram de fazer. Um sofrimento que permanece.
YS: Sim… Enfim, não nos enganemos: as vítimas, são os palestinos que aguentam esse controlo. Hei-de sempre recordar a resposta de um comandante do exército durante uma discussão televisiva em 2004. Tínhamos organizado uma exposição de fotografias com um vídeo de testemunhos. Ele disse-me: «Concordo com o que vocês mostram, mas é assim, temos de aceitá-lo, isso chama-se crescer, tornar-se adulto». Fiquei sem palavras.
CS: Algumas pessoas pensam que Israel tem interesse em manter o conflito e que os palestinianos nunca terão as suas terras.
YS: É falso. É impossível erradicar uma população de 3,5 milhões de habitantes. O problema não está em dar-lhes uma terra, mas na obsessão de querer controlá-los.
CS: Serão as jovens gerações dos 20-30 anos mais permeáveis ao vosso ponto de vista?
YS: Nem toda a minha geração está de acordo comigo, mas ninguém pode dizer que minto. Somos todos ex-membros do exército nacional, pagámos o preço, ganhámos o direito de falar. É preciso que os espíritos mudem a partir de dentro.
CS: Você é judeu ortodoxo e tem um discurso estranhamente aberto. A sua fé ajuda-o neste combate?
YS: Nem por isso… Mas eu sei o que significa ser judeu religioso: não ficar silencioso perante o que está mal. E quero trazer uma solução, não um problema.
* Jornalista do Paris Match
A versão em português deste texto foi publicada em:
www.egaliteetreconciliation.fr
Fonte: Diário.info.
REFLEXÕES DE FIDEL - O discurso de Obama.
O discurso de Obama no Arizona.
ONTEM o escutei quando falou na Universidade de Tucson, onde se prestava homenagem às seis pessoas assassinadas e às 14 feridas na chacina de Arizona, de maneira especial, à congressista democrata por esse Estado, gravemente ferida por um tiro na cabeça.
O fato foi levado a cabo por uma pessoa desequilibrada, intoxicada pela prédica de ódio que existe na sociedade norte-americana, onde o grupo fascista do Tea Party tem imposto seu extremismo ao Partido Republicano que, sob a liderança de George W. Bush, colocou o mundo onde hoje se encontra, à beira do abismo.
Ao desastre das guerras aderiu a maior crise econômica na história dos Estados Unidos e uma dívida do governo, equivalente já a 100% do Produto Interno Bruto (PIB), unido a um déficit mensal que supera os US$ 80 bilhões e novamente o incremento das moradias que se perdem por dívidas hipotecárias. O preço do petróleo, dos metais e dos alimentos, aumenta progressivamente. A desconfiança no papel-moeda incrementa as compras de ouro, e não poucos auguram que nos finais do ano o preço deste metal precioso atingirá os USS$ 2 mil a onça troy. Inclusive, alguns acham que chegará a US$ 2.500.
Os fenômenos climáticos se têm agravado, com perdas consideráveis nas colheitas da Federação Russa, Europa, China, Austrália, norte e sul da América, e noutras áreas, ameaçando os fornecimentos de alimentos a mais de 80 países do Terceiro Mundo, criando instabilidade política num número crescente deles.
O mundo enfrenta tantos problemas de caráter político, militar, energético, alimentares e do meio ambiente, que nenhum país deseja o retorno dos EUA a posições extremistas que incrementariam os riscos de uma guerra nuclear.
Foi quase unânime a condenação internacional ao crime de Arizona, onde se evidenciava uma expressão desse extremismo. Não se esperava do presidente dos Estados Unidos um discurso exaltado nem confrontador, que não se corresponderia com seu estilo nem com as circunstâncias internas e o clima de ódio nacional que está prevalecendo nos Estados Unidos.
As vítimas do atentado foram indiscutivelmente valentes, com méritos individuais, e em geral cidadãos humildes; caso contrário não tivessem estado ali, defendendo o direito ao atendimento médico de todos os norte-americanos, e opondo-se às leis contra os imigrantes.
A mãe da menina de nove anos que nasceu em 11 de setembro, tinha declarado, com valentia, que o ódio desatado no mundo devia cessar. Não tenho nenhuma dúvida de que as vítimas eram credoras do reconhecimento do presidente dos Estados Unidos, bem como dos cidadãos de Tucson, dos estudantes da Universidade e dos médicos que como sempre quando acontecem fatos dessa natureza expressam sem reservas a solidariedade que os seres humanos levam dentro. A congressista gravemente ferida, Gabrielle Giffords, merece o reconhecimento nacional e internacional que se lhe tributou. A equipe médica continuava hoje informando notícias positivas sobre sua evolução.
Contudo, ao discurso de Obama lhe faltou a condenação moral da política que inspirou semelhante ação.
Tentava imaginar como tivessem reagido homens como Franklin Delano Roosevelt ante um fato semelhante, para não mencionar Lincoln, que não hesitou em proferir seu famoso discurso em Gettysburg. Qual outro momento esperará o presidente dos Estados Unidos para expressar o critério que, tenho a certeza, compartilha a grande maioria do povo dos Estados Unidos?
Não se trata de que não haja uma personalidade excepcional à frente do governo dos Estados Unidos. O que converte em histórico um presidente que foi capaz de chegar por seus méritos a esse cargo, não é a pessoa, mas sim a necessidade dele num momento determinado da história de seu país.
Quando ontem começou seu discurso notava-se tenso, e muito dependente das páginas escritas. Rapidamente recobrou a serenidade, o domínio habitual do cenário, e a palavra precisa para expressar suas ideias. O que não disse foi porque não quis dizê-lo.
Como peça literária e elogio justo aos que o mereciam, se lhe pode outorgar um prêmio.
Como discurso político deixou muito a desejar.
ONTEM o escutei quando falou na Universidade de Tucson, onde se prestava homenagem às seis pessoas assassinadas e às 14 feridas na chacina de Arizona, de maneira especial, à congressista democrata por esse Estado, gravemente ferida por um tiro na cabeça.
O fato foi levado a cabo por uma pessoa desequilibrada, intoxicada pela prédica de ódio que existe na sociedade norte-americana, onde o grupo fascista do Tea Party tem imposto seu extremismo ao Partido Republicano que, sob a liderança de George W. Bush, colocou o mundo onde hoje se encontra, à beira do abismo.
Ao desastre das guerras aderiu a maior crise econômica na história dos Estados Unidos e uma dívida do governo, equivalente já a 100% do Produto Interno Bruto (PIB), unido a um déficit mensal que supera os US$ 80 bilhões e novamente o incremento das moradias que se perdem por dívidas hipotecárias. O preço do petróleo, dos metais e dos alimentos, aumenta progressivamente. A desconfiança no papel-moeda incrementa as compras de ouro, e não poucos auguram que nos finais do ano o preço deste metal precioso atingirá os USS$ 2 mil a onça troy. Inclusive, alguns acham que chegará a US$ 2.500.
Os fenômenos climáticos se têm agravado, com perdas consideráveis nas colheitas da Federação Russa, Europa, China, Austrália, norte e sul da América, e noutras áreas, ameaçando os fornecimentos de alimentos a mais de 80 países do Terceiro Mundo, criando instabilidade política num número crescente deles.
O mundo enfrenta tantos problemas de caráter político, militar, energético, alimentares e do meio ambiente, que nenhum país deseja o retorno dos EUA a posições extremistas que incrementariam os riscos de uma guerra nuclear.
Foi quase unânime a condenação internacional ao crime de Arizona, onde se evidenciava uma expressão desse extremismo. Não se esperava do presidente dos Estados Unidos um discurso exaltado nem confrontador, que não se corresponderia com seu estilo nem com as circunstâncias internas e o clima de ódio nacional que está prevalecendo nos Estados Unidos.
As vítimas do atentado foram indiscutivelmente valentes, com méritos individuais, e em geral cidadãos humildes; caso contrário não tivessem estado ali, defendendo o direito ao atendimento médico de todos os norte-americanos, e opondo-se às leis contra os imigrantes.
A mãe da menina de nove anos que nasceu em 11 de setembro, tinha declarado, com valentia, que o ódio desatado no mundo devia cessar. Não tenho nenhuma dúvida de que as vítimas eram credoras do reconhecimento do presidente dos Estados Unidos, bem como dos cidadãos de Tucson, dos estudantes da Universidade e dos médicos que como sempre quando acontecem fatos dessa natureza expressam sem reservas a solidariedade que os seres humanos levam dentro. A congressista gravemente ferida, Gabrielle Giffords, merece o reconhecimento nacional e internacional que se lhe tributou. A equipe médica continuava hoje informando notícias positivas sobre sua evolução.
Contudo, ao discurso de Obama lhe faltou a condenação moral da política que inspirou semelhante ação.
Tentava imaginar como tivessem reagido homens como Franklin Delano Roosevelt ante um fato semelhante, para não mencionar Lincoln, que não hesitou em proferir seu famoso discurso em Gettysburg. Qual outro momento esperará o presidente dos Estados Unidos para expressar o critério que, tenho a certeza, compartilha a grande maioria do povo dos Estados Unidos?
Não se trata de que não haja uma personalidade excepcional à frente do governo dos Estados Unidos. O que converte em histórico um presidente que foi capaz de chegar por seus méritos a esse cargo, não é a pessoa, mas sim a necessidade dele num momento determinado da história de seu país.
Quando ontem começou seu discurso notava-se tenso, e muito dependente das páginas escritas. Rapidamente recobrou a serenidade, o domínio habitual do cenário, e a palavra precisa para expressar suas ideias. O que não disse foi porque não quis dizê-lo.
Como peça literária e elogio justo aos que o mereciam, se lhe pode outorgar um prêmio.
Como discurso político deixou muito a desejar.
EUA - A direita pede passagem.
Do Opera Mundi.
Crise, democratas e decisões de Obama favoreceram o fortalecimento de um ''novo'' conservadorismo.
Em novembro de 2008, vencia a esperança. De novo. Não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo, a eleição do primeiro negro para a presidência do país foi celebrada com entusiasmo. Entre os setores mais progressistas, a ascensão de Barack Obama era um sinal de que a maior potência mundial dava um passinho (por menor que fosse) para a esquerda e que sua futura gestão apresentaria políticas mais humanas, tanto interna quanto externamente.
sados dois anos, Obama governa um país possivelmente mais à direita do que era antes de sua eleição. E, segundo alguns analistas do campo da esquerda, em parte por sua própria culpa.
Seu segundo ano no cargo não poderia ter sido pior. Além dos recuos de Obama em vários temas e da derrota histórica do Partido Democrata nas eleições legislativas de novembro, o presidente e a sociedade estadunidenses viram a consolidação de um movimento novo, surgido em 2009. Difuso, contraditório, um tanto desorganizado. Mas um movimento que tem uma certa base. E, mais do que tudo, que vai além do republicanismo e possui características notadamente fascistas: o Tea Party.
Muitos desdenham de sua força: o nível “folclórico” de seu extremismo afastaria os corações e mentes da maioria dos estadunidenses. No entanto, as eleições de meio mandato vieram para desmentir pelo menos em parte essa tese.
Embora o desempenho do movimento tenha ficado abaixo das expectativas, o fato é que ele conquistou cadeiras no Congresso que provavelmente estariam destinadas a republicanos moderados, ou menos à direita (e não poderia se esperar que em apenas dois anos tal participação fosse arrebatadora).
Somado a isso, o Tea Party já tem uma “líder” de alcance nacional que, inclusive, endossou diversas candidaturas vitoriosas: a ex-governadora do Alasca Sarah Palin que, desde que foi escolhida como candidata a vice-presidenta pelo Partido Republicano em 2008, tem sido um verdadeiro fenômeno de mídia nos EUA.
Revés no Congresso
O pleito de novembro se configurou como o maior avanço de um partido opositor na Câmara dos Representantes (equivalente à nossa Câmara dos Deputados) em eleições de meio de mandato desde 1938, com o Partido Republicano recuperando 63 assentos. Agora, a conta está em 242 deputados republicanos contra 193 democratas.
De acordo com David Swanson, jornalista e membro do conselho da organização Democratas Progressistas dos Estados Unidos (Progressive Democrats of America), os candidatos democratas que mais se opõem à guerra e são mais favoráveis à políticas sociais não perderam, enquanto “os mais malucos dos novos candidatos republicanos”, ou seja, do Tea Party, perderam.
No entanto, “em quase todas as cadeiras que mudaram de dono, houve a troca dos mais direitistas democratas pelos mais esquerdistas republicanos. De acordo com o padrão internacional, eles são todos de direita, claro. Mas alguns da extrema-direita entraram, e a agenda inteira de ambos partidos deu mais alguns grandes passos para a direita”, analisa Swanson.
Segundo ele, a maioria dos cidadãos estadunidenses que deram a vitória aos republicanos é formada por patriotas favoráveis à guerra, “e muitos deles estão sendo manipulados por racismo, fanatismo e dogmas direitistas para defender coisas que vão contra seus próprios interesses e contra os interesses de todos os trabalhadores”.
Há, entretanto, analistas do campo progressista que minimizam a vitória republicana e não veem um crescimento e/ou fortalecimento da direita nos EUA. Um deles é o analista político Mark Engler. Para ele, os que votaram nos republicanos nas eleições de novembro representam os mesmos segmentos que já haviam votado em John McCain para presidente em 2008. “Embora a direita tenha tido ganhos eleitorais, não acredito que ela atraiu um número substancial de novos eleitores para suas fileiras”, pondera. Uma das razões à qual ele credita a derrota democrata é a alta abstenção, especialmente entre jovens, negros e latinos, que votaram em massa em Obama há dois anos.
Mark Weisbrot, economista, colunista e codiretor do Centro para Investigação Econômica e Política (CEPR, na sigla em inglês), concorda. Ele não acredita que os resultados do pleito de meio de mandato tenham refletido uma mudança política. “É normal que o partido do presidente perca cadeiras nas eleições de meio de mandato. Muito do que vimos nas eleições passadas pode ser explicado por essa tendência, combinado com a situação da economia”, analisa.
Recuos e derrotas
Mas os acenos do presidente à oposição não demoraram a chegar. Apenas dois dias depois das eleições, ele sinalizou que poderia fazer um acordo com os republicanos sobre a prorrogação dos benefícios tributários para os mais ricos, ao contrário do que antes defendia.
Não deu outra. No dia 6 de dezembro, anunciou a prolongação do corte de impostos por mais dois anos, significando um “presente” de estimados 4 trilhões de dólares às classes mais abastadas. Para piorar, o acordo entre Obama e oposição incluiu, também, a redução em dois pontos percentuais (de 6,2% para 4,2%) da retenção sobre folha de pagamento que corresponde ao principal tributo financiador da Seguridade Social, causando um desfalque previsto de 120 bilhões de dólares.
E a questão tributária deverá continuar sendo motivo de grande preocupação para os setores progressistas, já que Dave Camp, deputado republicano que defende o aprofundamento dos benefícios aos mais ricos, passou a presidir neste mês o comitê da Câmara dos Representantes encarregado de elaborar a legislação de impostos do país.
Mas os efeitos práticos da derrota vieram antes mesmo do novo Parlamento ter tomado posse, em 3 de janeiro. No dia 18 de dezembro, o projeto de reforma migratória patrocinado pela Casa Branca não foi aprovado no Senado estadunidense. A proposta abriria as portas para legalizar 11 milhões de indocumentados que vivem no país.
Dinheiro e preconceito
O jornalista David Swanson relaciona o crescimento da direita nos EUA a uma série de fatores: o enorme aumento do nível de financiamento corporativo às campanhas eleitorais tornado possível por uma decisão recente da Suprema Corte, o papel de parte da mídia, o preconceito contra um presidente negro e a depressão econômica em que vive o país.
“O apoio a uma agenda reacionária veio junto com a completa desmoralização da esquerda: houve o abandono da ilusão de que Obama ou o Partido Democrata irão fazer muitos esforços por empregos, pela paz, pelo meio ambiente ou pelos direitos civis”, explica.
A ativista estadunidense Medea Benjamin, cofundadora do grupo antiguerra Code Pink e da organização pró-comércio justo Global Exchange, põe no grupo dos culpados os sindicatos estadunidenses e seus laços mais do que estreitos com o Partido Democrata. Segundo ela, como tais organizações não querem ser vistas como críticas ao presidente, elas acabaram por não mobilizar suas bases para lutar por seus direitos e contra os banqueiros de Wall Street. “Assim, o terreno foi deixado amplamente aberto para a direita mobilizar os descontentes contra as políticas do partido no poder”, destaca Medea.
A crise econômica que atinge o país desde o final de 2008 não ajuda em nada nessa equação. Para além dos números macroeconômicos, os índices da “vida real” vêm atingindo profundamente a população estadunidense. Além da perda massiva das casas com o estouro da bolha imobiliária, estima-se que 8,5 milhões de trabalhadores tenham perdido o emprego em 2008 e 2009, enquanto 8 milhões não têm cobertura de seguro-desemprego. Até mesmo o governo projeta que em 2012 a taxa de desemprego será superior a 8%. Para Medea, o desespero da população faz com que ela procure uma válvula de escape. No caso, quem está aproveitando dessa situação é a direita.
"Uma direita revigorada possivelmente combinaria iniciativas tecnocráticas keynesianas com um programa social e cultural populista, mas reacionário. Existe um termo para tal regime: fascismo”, escreveu o filipino Walden Bello, coordenador do centro de pesquisas Focus on the Global South, em um artigo publicado pelo sítio Outras Palavras.
No entanto, se os efeitos da crise econômica para a vida da maioria dos estadunidenses vêm engrossando o caldo de cultura reacionária no país, não foram suficientes para impedir um dos fatores fundamentais para o fortalecimento da direita e, para muitos, um dos maiores ataques à democracia da história dos EUA: a decisão da Suprema Corte, proferida em janeiro de 2010, de derrubar as limitações para que as grandes corporações financiem as campanhas eleitorais.
Segundo escreveu o jornalista Andy Kroll em um artigo recente, tal sentença “abriu as comportas para que uma torrente de doações anônimas da oligarquia pudesse inundar as terras políticas”. Citando o Center for Responsive Politics, Kroll informa que entidades criadas apenas para arrecadar fundos doaram 190 milhões de dólares a candidatos republicanos nas últimas eleições, o dobro do recebido por candidatos democratas. Além disso, empresas de seguro de saúde, das mais ferrenhas opositoras da “opção pública” proposta pela reforma sanitária de Obama – e que, no final, não foi contemplada –, doaram 86,2 milhões de dólares aos concorrentes à Câmara dos Representantes.
Em seu artigo, Kroll ainda relata que “o magnata dos meios de esquerda David Brock planeja criar um grupo de fora para brigar nas trincheiras do gasto de campanha de 2012”. Ou seja, seja entre republicanos, seja entre democratas, o poder das corporações entrou de vez no jogo da “democracia”.
Que direita é essa?
Mas o que é e o que quer essa “nova” direita estadunidense? Uma coisa é certa. Tea Party e Partido Republicano podem até ser irmãos, mas o primeiro vai além do segundo. Muito além.
“Seria um erro grave acreditar que os resultados das eleições são, de alguma forma, uma aceitação entusiasta do Partido Republicano”, afirmou, no dia seguinte ao pleito, o senador eleito pela Flórida Marco Rubio, um dos “cotados” para concorrer à presidência em 2012.
“O Tea Party foi fundado e é organizado por grupos que querem mover o Partido Republicano ainda mais para a direita. Nós, da esquerda, invejamos isso, porque não temos uma grande instituição empurrando o Partido Democrata para a esquerda”, diz David Swanson.
Em artigo de 3 de novembro para o jornal estadunidense The Nation, o editor da publicação, Richard Kim, lista algumas palavras-chave do movimento: constituição, liberdade individual, empreendedorismo, capitalismo, orçamento equilibrado e o fim da escravidão da dívida.
“Cerca de 30% do Tea Party seria mais libertário que republicano, mas há muita sobreposição”, lembra Medea Benjamin. Libertários são aqueles que defendem, antes de tudo, as liberdades individuais, especialmente as de pensamento e ação. Para eles, o poder deveria ser exercitado por associações de indivíduos livres, e não por um Estado coercitivo.
Assim, destaca Swanson, “entre os que compareceram às urnas [em novembro], está incluída uma minoria que se opõe à guerra e ao Exército do mesmo modo em que se opõem a qualquer coisa que o governo faça, porque – em um modo estadunidense único de ser – se opõem à própria ideia de governo”.
Tais posicionamentos já fizeram surgir certas “tensões” entre republicanos e membros do movimento. Segundo Mark Weisbrot, um dos temas no qual eles não estão de acordo é a Guerra do Afeganistão. O Tea Party defende seu fim. “Uma boa parte de sua base não acredita em império. Isso é verdadeiramente geral: a crença de que os EUA devem controlar o mundo é quase universal entre a elite, mas não é tão popular entre a maioria dos estadunidenses, especialmente entre os menos educados, que estão mais propensos a morrerem em guerras imperialistas”, explica.
Ao mesmo tempo, muitos integrantes do movimento defendem as bandeiras mais caras à direita, como o repúdio ao casamento gay e à imigração e o incentivo à abstinência como melhor forma de prevenção à Aids.
De acordo com Medea, os republicanos mais moderados estão preocupados com o fortalecimento do enraizamento do Tea Party, que, segundo ela, atacará aqueles republicanos que se recusarem a apoiar suas iniciativas. “Isso moverá o sistema político para a direita, a não ser que a esquerda se mobilize para contra-atacar”, alerta.
Consequências
Para a ativista, a nova configuração do sistema político estadunidense e do legislativo tornará mais complicada a realização de mudanças positivas. “Será mais difícil terminar as guerras, ter cobertura de saúde para todos os estadunidenses, aprovar legislação para combater o aquecimento global, aprovar uma reforma do projeto de lei de imigração etc”.
Um dia após as eleições de meio de mandato, o deputado republicano John Boehner afirmou que o principal tema a ser debatido no Congresso dos EUA neste ano será a redução dos gastos federais. a ele, o resultado do pleito foi “um mandato para que Washington reduza o tamanho do governo”.
"A direita está obcecada com a ideia de que o governo precisa cortar gastos – apesar de os serviços sociais serem mais urgentemente necessários que nunca devido à crise econômica e de o estímulo governamental ser uma das poucas coisas que está criando a demanda necessária. Uma grande batalha [entre governo e oposição para o próximo período] será se o governo cairá na austeridade ou não”, opina o analista político Mark Engler.
Na mesma declaração, Boehner prometeu lutar para rever a reforma da saúde aprovada em 2010, nas suas palavras, uma “monstruosidade”. No entanto, apesar das ameaças, os democratas ainda controlam (embora por pequena margem) o Senado e o presidente Obama tem poder de veto.
"Portanto, não consigo ver os republicanos indo muito longe. Mas, nunca se sabe: Obama pode decidir fazer acordos com eles”, diz o economista Mark Weisbrot.
O entendimento sobre a prorrogação dos benefícios tributários aos mais ricos não foi um bom primeiro sinal.
*Artigo publicado originalmente pelo jornal Brasil de Fato.
http://operamundi.uol.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1349
Fonte: Blog do Luis Nassif.
Crise, democratas e decisões de Obama favoreceram o fortalecimento de um ''novo'' conservadorismo.
Em novembro de 2008, vencia a esperança. De novo. Não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo, a eleição do primeiro negro para a presidência do país foi celebrada com entusiasmo. Entre os setores mais progressistas, a ascensão de Barack Obama era um sinal de que a maior potência mundial dava um passinho (por menor que fosse) para a esquerda e que sua futura gestão apresentaria políticas mais humanas, tanto interna quanto externamente.
sados dois anos, Obama governa um país possivelmente mais à direita do que era antes de sua eleição. E, segundo alguns analistas do campo da esquerda, em parte por sua própria culpa.
Seu segundo ano no cargo não poderia ter sido pior. Além dos recuos de Obama em vários temas e da derrota histórica do Partido Democrata nas eleições legislativas de novembro, o presidente e a sociedade estadunidenses viram a consolidação de um movimento novo, surgido em 2009. Difuso, contraditório, um tanto desorganizado. Mas um movimento que tem uma certa base. E, mais do que tudo, que vai além do republicanismo e possui características notadamente fascistas: o Tea Party.
Muitos desdenham de sua força: o nível “folclórico” de seu extremismo afastaria os corações e mentes da maioria dos estadunidenses. No entanto, as eleições de meio mandato vieram para desmentir pelo menos em parte essa tese.
Embora o desempenho do movimento tenha ficado abaixo das expectativas, o fato é que ele conquistou cadeiras no Congresso que provavelmente estariam destinadas a republicanos moderados, ou menos à direita (e não poderia se esperar que em apenas dois anos tal participação fosse arrebatadora).
Somado a isso, o Tea Party já tem uma “líder” de alcance nacional que, inclusive, endossou diversas candidaturas vitoriosas: a ex-governadora do Alasca Sarah Palin que, desde que foi escolhida como candidata a vice-presidenta pelo Partido Republicano em 2008, tem sido um verdadeiro fenômeno de mídia nos EUA.
Revés no Congresso
O pleito de novembro se configurou como o maior avanço de um partido opositor na Câmara dos Representantes (equivalente à nossa Câmara dos Deputados) em eleições de meio de mandato desde 1938, com o Partido Republicano recuperando 63 assentos. Agora, a conta está em 242 deputados republicanos contra 193 democratas.
De acordo com David Swanson, jornalista e membro do conselho da organização Democratas Progressistas dos Estados Unidos (Progressive Democrats of America), os candidatos democratas que mais se opõem à guerra e são mais favoráveis à políticas sociais não perderam, enquanto “os mais malucos dos novos candidatos republicanos”, ou seja, do Tea Party, perderam.
No entanto, “em quase todas as cadeiras que mudaram de dono, houve a troca dos mais direitistas democratas pelos mais esquerdistas republicanos. De acordo com o padrão internacional, eles são todos de direita, claro. Mas alguns da extrema-direita entraram, e a agenda inteira de ambos partidos deu mais alguns grandes passos para a direita”, analisa Swanson.
Segundo ele, a maioria dos cidadãos estadunidenses que deram a vitória aos republicanos é formada por patriotas favoráveis à guerra, “e muitos deles estão sendo manipulados por racismo, fanatismo e dogmas direitistas para defender coisas que vão contra seus próprios interesses e contra os interesses de todos os trabalhadores”.
Há, entretanto, analistas do campo progressista que minimizam a vitória republicana e não veem um crescimento e/ou fortalecimento da direita nos EUA. Um deles é o analista político Mark Engler. Para ele, os que votaram nos republicanos nas eleições de novembro representam os mesmos segmentos que já haviam votado em John McCain para presidente em 2008. “Embora a direita tenha tido ganhos eleitorais, não acredito que ela atraiu um número substancial de novos eleitores para suas fileiras”, pondera. Uma das razões à qual ele credita a derrota democrata é a alta abstenção, especialmente entre jovens, negros e latinos, que votaram em massa em Obama há dois anos.
Mark Weisbrot, economista, colunista e codiretor do Centro para Investigação Econômica e Política (CEPR, na sigla em inglês), concorda. Ele não acredita que os resultados do pleito de meio de mandato tenham refletido uma mudança política. “É normal que o partido do presidente perca cadeiras nas eleições de meio de mandato. Muito do que vimos nas eleições passadas pode ser explicado por essa tendência, combinado com a situação da economia”, analisa.
Recuos e derrotas
Mas os acenos do presidente à oposição não demoraram a chegar. Apenas dois dias depois das eleições, ele sinalizou que poderia fazer um acordo com os republicanos sobre a prorrogação dos benefícios tributários para os mais ricos, ao contrário do que antes defendia.
Não deu outra. No dia 6 de dezembro, anunciou a prolongação do corte de impostos por mais dois anos, significando um “presente” de estimados 4 trilhões de dólares às classes mais abastadas. Para piorar, o acordo entre Obama e oposição incluiu, também, a redução em dois pontos percentuais (de 6,2% para 4,2%) da retenção sobre folha de pagamento que corresponde ao principal tributo financiador da Seguridade Social, causando um desfalque previsto de 120 bilhões de dólares.
E a questão tributária deverá continuar sendo motivo de grande preocupação para os setores progressistas, já que Dave Camp, deputado republicano que defende o aprofundamento dos benefícios aos mais ricos, passou a presidir neste mês o comitê da Câmara dos Representantes encarregado de elaborar a legislação de impostos do país.
Mas os efeitos práticos da derrota vieram antes mesmo do novo Parlamento ter tomado posse, em 3 de janeiro. No dia 18 de dezembro, o projeto de reforma migratória patrocinado pela Casa Branca não foi aprovado no Senado estadunidense. A proposta abriria as portas para legalizar 11 milhões de indocumentados que vivem no país.
Dinheiro e preconceito
O jornalista David Swanson relaciona o crescimento da direita nos EUA a uma série de fatores: o enorme aumento do nível de financiamento corporativo às campanhas eleitorais tornado possível por uma decisão recente da Suprema Corte, o papel de parte da mídia, o preconceito contra um presidente negro e a depressão econômica em que vive o país.
“O apoio a uma agenda reacionária veio junto com a completa desmoralização da esquerda: houve o abandono da ilusão de que Obama ou o Partido Democrata irão fazer muitos esforços por empregos, pela paz, pelo meio ambiente ou pelos direitos civis”, explica.
A ativista estadunidense Medea Benjamin, cofundadora do grupo antiguerra Code Pink e da organização pró-comércio justo Global Exchange, põe no grupo dos culpados os sindicatos estadunidenses e seus laços mais do que estreitos com o Partido Democrata. Segundo ela, como tais organizações não querem ser vistas como críticas ao presidente, elas acabaram por não mobilizar suas bases para lutar por seus direitos e contra os banqueiros de Wall Street. “Assim, o terreno foi deixado amplamente aberto para a direita mobilizar os descontentes contra as políticas do partido no poder”, destaca Medea.
A crise econômica que atinge o país desde o final de 2008 não ajuda em nada nessa equação. Para além dos números macroeconômicos, os índices da “vida real” vêm atingindo profundamente a população estadunidense. Além da perda massiva das casas com o estouro da bolha imobiliária, estima-se que 8,5 milhões de trabalhadores tenham perdido o emprego em 2008 e 2009, enquanto 8 milhões não têm cobertura de seguro-desemprego. Até mesmo o governo projeta que em 2012 a taxa de desemprego será superior a 8%. Para Medea, o desespero da população faz com que ela procure uma válvula de escape. No caso, quem está aproveitando dessa situação é a direita.
"Uma direita revigorada possivelmente combinaria iniciativas tecnocráticas keynesianas com um programa social e cultural populista, mas reacionário. Existe um termo para tal regime: fascismo”, escreveu o filipino Walden Bello, coordenador do centro de pesquisas Focus on the Global South, em um artigo publicado pelo sítio Outras Palavras.
No entanto, se os efeitos da crise econômica para a vida da maioria dos estadunidenses vêm engrossando o caldo de cultura reacionária no país, não foram suficientes para impedir um dos fatores fundamentais para o fortalecimento da direita e, para muitos, um dos maiores ataques à democracia da história dos EUA: a decisão da Suprema Corte, proferida em janeiro de 2010, de derrubar as limitações para que as grandes corporações financiem as campanhas eleitorais.
Segundo escreveu o jornalista Andy Kroll em um artigo recente, tal sentença “abriu as comportas para que uma torrente de doações anônimas da oligarquia pudesse inundar as terras políticas”. Citando o Center for Responsive Politics, Kroll informa que entidades criadas apenas para arrecadar fundos doaram 190 milhões de dólares a candidatos republicanos nas últimas eleições, o dobro do recebido por candidatos democratas. Além disso, empresas de seguro de saúde, das mais ferrenhas opositoras da “opção pública” proposta pela reforma sanitária de Obama – e que, no final, não foi contemplada –, doaram 86,2 milhões de dólares aos concorrentes à Câmara dos Representantes.
Em seu artigo, Kroll ainda relata que “o magnata dos meios de esquerda David Brock planeja criar um grupo de fora para brigar nas trincheiras do gasto de campanha de 2012”. Ou seja, seja entre republicanos, seja entre democratas, o poder das corporações entrou de vez no jogo da “democracia”.
Que direita é essa?
Mas o que é e o que quer essa “nova” direita estadunidense? Uma coisa é certa. Tea Party e Partido Republicano podem até ser irmãos, mas o primeiro vai além do segundo. Muito além.
“Seria um erro grave acreditar que os resultados das eleições são, de alguma forma, uma aceitação entusiasta do Partido Republicano”, afirmou, no dia seguinte ao pleito, o senador eleito pela Flórida Marco Rubio, um dos “cotados” para concorrer à presidência em 2012.
“O Tea Party foi fundado e é organizado por grupos que querem mover o Partido Republicano ainda mais para a direita. Nós, da esquerda, invejamos isso, porque não temos uma grande instituição empurrando o Partido Democrata para a esquerda”, diz David Swanson.
Em artigo de 3 de novembro para o jornal estadunidense The Nation, o editor da publicação, Richard Kim, lista algumas palavras-chave do movimento: constituição, liberdade individual, empreendedorismo, capitalismo, orçamento equilibrado e o fim da escravidão da dívida.
“Cerca de 30% do Tea Party seria mais libertário que republicano, mas há muita sobreposição”, lembra Medea Benjamin. Libertários são aqueles que defendem, antes de tudo, as liberdades individuais, especialmente as de pensamento e ação. Para eles, o poder deveria ser exercitado por associações de indivíduos livres, e não por um Estado coercitivo.
Assim, destaca Swanson, “entre os que compareceram às urnas [em novembro], está incluída uma minoria que se opõe à guerra e ao Exército do mesmo modo em que se opõem a qualquer coisa que o governo faça, porque – em um modo estadunidense único de ser – se opõem à própria ideia de governo”.
Tais posicionamentos já fizeram surgir certas “tensões” entre republicanos e membros do movimento. Segundo Mark Weisbrot, um dos temas no qual eles não estão de acordo é a Guerra do Afeganistão. O Tea Party defende seu fim. “Uma boa parte de sua base não acredita em império. Isso é verdadeiramente geral: a crença de que os EUA devem controlar o mundo é quase universal entre a elite, mas não é tão popular entre a maioria dos estadunidenses, especialmente entre os menos educados, que estão mais propensos a morrerem em guerras imperialistas”, explica.
Ao mesmo tempo, muitos integrantes do movimento defendem as bandeiras mais caras à direita, como o repúdio ao casamento gay e à imigração e o incentivo à abstinência como melhor forma de prevenção à Aids.
De acordo com Medea, os republicanos mais moderados estão preocupados com o fortalecimento do enraizamento do Tea Party, que, segundo ela, atacará aqueles republicanos que se recusarem a apoiar suas iniciativas. “Isso moverá o sistema político para a direita, a não ser que a esquerda se mobilize para contra-atacar”, alerta.
Consequências
Para a ativista, a nova configuração do sistema político estadunidense e do legislativo tornará mais complicada a realização de mudanças positivas. “Será mais difícil terminar as guerras, ter cobertura de saúde para todos os estadunidenses, aprovar legislação para combater o aquecimento global, aprovar uma reforma do projeto de lei de imigração etc”.
Um dia após as eleições de meio de mandato, o deputado republicano John Boehner afirmou que o principal tema a ser debatido no Congresso dos EUA neste ano será a redução dos gastos federais. a ele, o resultado do pleito foi “um mandato para que Washington reduza o tamanho do governo”.
"A direita está obcecada com a ideia de que o governo precisa cortar gastos – apesar de os serviços sociais serem mais urgentemente necessários que nunca devido à crise econômica e de o estímulo governamental ser uma das poucas coisas que está criando a demanda necessária. Uma grande batalha [entre governo e oposição para o próximo período] será se o governo cairá na austeridade ou não”, opina o analista político Mark Engler.
Na mesma declaração, Boehner prometeu lutar para rever a reforma da saúde aprovada em 2010, nas suas palavras, uma “monstruosidade”. No entanto, apesar das ameaças, os democratas ainda controlam (embora por pequena margem) o Senado e o presidente Obama tem poder de veto.
"Portanto, não consigo ver os republicanos indo muito longe. Mas, nunca se sabe: Obama pode decidir fazer acordos com eles”, diz o economista Mark Weisbrot.
O entendimento sobre a prorrogação dos benefícios tributários aos mais ricos não foi um bom primeiro sinal.
*Artigo publicado originalmente pelo jornal Brasil de Fato.
http://operamundi.uol.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1349
Fonte: Blog do Luis Nassif.
TUNÍSIA - A primeira revolução do WikiLeakes?
A publicação dos telegramas da embaixada norte-americana com exemplos de corrupção no país foi a gota d'água para o povo tunisino se revoltar contra o poder ditatorial de Ben Ali. Artigo de Elizabeth Dickinson.
Os tunisinos não precisavam de qualquer novo motivo para protestar, quando tomaram as ruas nas últimas semanas – os preços dos alimentos subindo, corrupção incontrolável, desemprego assustador. Mas pode-se contar a Tunísia como o primeiro caso em que notícias publicadas por WikiLeaks foram, para o povo, a gota d’água. Os protestos são também contra a absoluta falta de liberdade de expressão – inclusive para a WikiLeaks.
No material publicado por Wikileaks, o governo da Tunísia faz triste figura. A família que governa é descrita como “A Família” – espécie de elite mafiosa que deixa impressões digitais em toda a economia. “O presidente Ben Ali está envelhecendo, seu regime está esclerosado e não há sucessor à vista”, lê-se num telegrama diplomático de junho de 2009. Quanto à cleptocracia governante, diz um telegrama de junho de 2008: “Rumores persistentes de corrupção, além da inflação crescente e continuado desemprego, ajudaram a fazer aumentar a frustração com o governo da Tunísia e têm contribuído para os protestos que acontecem no sudoeste do país. Com acusações que se acumulam contra os principais do regime, que tudo indica que continuarão no poder, não há qualquer controle possível.
Evidentemente, os tunisinos não precisavam que alguém lhes contasse tudo isso. Mas os telegramas trazem detalhes – por exemplo, a informação de que a primeira dama aufere lucros massivos de uma escola privada – aceleraram o processo de revolta. As coisas pioraram, em vez de melhorar (como o governo certamente esperava), quando as autoridades bloquearam completamente a divulgação dos telegramas e passaram a caçar dissidentes e ativistas das redes sociais.
Como PayPal e Amazon aprenderam ano passado, os apoiantes de WikiLeaks não reagem bem quando são impedidos de usar a internet. A rede de hackers Anonymous lançou uma operação,OpTunisia, contra as páginas oficiais da Tunísia, que continuará “até que o governo da Tunísia mude de atitude” – como disse ao Financial Times um dos hackers militante dos Anonymous.
Como as recentes chamadas “Twitter Revolutions” na Moldávia e no Irão, é claro que havia muita coisa errada na Tunísia, antes até de Julian Assange receber o arquivo dos telegramas diplomáticos. Mas WikiLeaks serviu como agente catalisador: como gatilho e ferramenta para ação política popular. Dificilmente haverá maior elogio, para uma página de internet de um novo jornalismo militante.
Elizabeth Dickinson escreve na revista Foreign Policy . Tradução Vila Vudu, publicado no blogueredecastorfoto
http://esquerda.net/artigo/tun%C3%ADsia-primeira-revolu%C3%A7%C3%A3o-wik...
Fonte: blog do Luis Nassif.
Os tunisinos não precisavam de qualquer novo motivo para protestar, quando tomaram as ruas nas últimas semanas – os preços dos alimentos subindo, corrupção incontrolável, desemprego assustador. Mas pode-se contar a Tunísia como o primeiro caso em que notícias publicadas por WikiLeaks foram, para o povo, a gota d’água. Os protestos são também contra a absoluta falta de liberdade de expressão – inclusive para a WikiLeaks.
No material publicado por Wikileaks, o governo da Tunísia faz triste figura. A família que governa é descrita como “A Família” – espécie de elite mafiosa que deixa impressões digitais em toda a economia. “O presidente Ben Ali está envelhecendo, seu regime está esclerosado e não há sucessor à vista”, lê-se num telegrama diplomático de junho de 2009. Quanto à cleptocracia governante, diz um telegrama de junho de 2008: “Rumores persistentes de corrupção, além da inflação crescente e continuado desemprego, ajudaram a fazer aumentar a frustração com o governo da Tunísia e têm contribuído para os protestos que acontecem no sudoeste do país. Com acusações que se acumulam contra os principais do regime, que tudo indica que continuarão no poder, não há qualquer controle possível.
Evidentemente, os tunisinos não precisavam que alguém lhes contasse tudo isso. Mas os telegramas trazem detalhes – por exemplo, a informação de que a primeira dama aufere lucros massivos de uma escola privada – aceleraram o processo de revolta. As coisas pioraram, em vez de melhorar (como o governo certamente esperava), quando as autoridades bloquearam completamente a divulgação dos telegramas e passaram a caçar dissidentes e ativistas das redes sociais.
Como PayPal e Amazon aprenderam ano passado, os apoiantes de WikiLeaks não reagem bem quando são impedidos de usar a internet. A rede de hackers Anonymous lançou uma operação,OpTunisia, contra as páginas oficiais da Tunísia, que continuará “até que o governo da Tunísia mude de atitude” – como disse ao Financial Times um dos hackers militante dos Anonymous.
Como as recentes chamadas “Twitter Revolutions” na Moldávia e no Irão, é claro que havia muita coisa errada na Tunísia, antes até de Julian Assange receber o arquivo dos telegramas diplomáticos. Mas WikiLeaks serviu como agente catalisador: como gatilho e ferramenta para ação política popular. Dificilmente haverá maior elogio, para uma página de internet de um novo jornalismo militante.
Elizabeth Dickinson escreve na revista Foreign Policy . Tradução Vila Vudu, publicado no blogueredecastorfoto
http://esquerda.net/artigo/tun%C3%ADsia-primeira-revolu%C3%A7%C3%A3o-wik...
Fonte: blog do Luis Nassif.
ECONOMIA - Mudança do fluxo migratório.
Trabalhadores que migraram do Nordeste para o Sudeste hoje fazem caminho de volta.
Joselma dos Santos se desiludiu com São Paulo e retornou para Pernambuco. Hoje, lidera equipe de 25 homens num estaleiro. Estamos diante de um novo Brasil, que se desconcentra economicamente e reduz as desigualdades sociais.
O fluxo migratório do Nordeste para o então chamado "Sul Maravilha" sempre foi uma tragédia para a economia da região, que perdia mão de obra, mercado consumidor, além do drama de ver muitas famílias segregadas. Para as regiões receptoras, restava a chaga da favelização, da violência urbana, consequência de uma população sem vínculos históricos e sem qualificação; e por isso principal vítima das crises econômicas que se sucederam ao longo das últimas décadas.
Essa mudança econômico-social, resultado da desconcentração dos investimentos regionais, é parte importante dessa retomada do país. Lembro que há poucos dias numa rede social li o post de um importante político mineiro lamentando a ida da nova fábrica da FIAT para Pernambuco, o que como brasileiro ele deveria comemorar. Isso sem esquecer pólo farmacoquímico na Mata-norte, Kraft Foods e Sadia, Transposição, Ferrovia Transnordestina e, claro os Arranjos Produtivos que do sertão ao litoral, do gesso de Araripina ao Porto Digital, estão cada vez mais dinâmicos pelo extraordinário momento econômico do Nordeste que cresce promovendo justiça social.
Em Pernambuco, estado que já comemorava a implantação de uma refinaria, de um grande complexo petroquímico, de um polo naval que deverá ter, além do Atlântico Sul, outros estaleiros, a exemplo do Promar, anunciou há pouco, além da FIAT, a construção da CSS – Companhia Siderúrgica Suape. Todos estes empreendimentos representam algumas dezenas de milhares de novos postos de trabalho que se multiplicarão, atraindo mais investimentos e serviços.
Esse é o Brasil novo que vai se formando, sem voluntarismo, mas com visão sustentável de longo prazo. Enquanto Lula representou essa mudança de paradigma, esperamos agora que Dilma dê o salto na gestão dos recursos. "Fazer mais com menos" parece ser o mote da nova administração. Que venha para dar ritmo a essa transformação.
Victor Martins, Gustavo Henrique Braga e Rosa Falcão, para o Correio Braziliense - O Eldorado não está mais no Sul e no Sudeste, as regiões mais ricas do Brasil. Nordestinos, nortistas e os que nasceram no cerrado do Centro-Oeste e fugiram da fome em caminhões pau-de-arara entre os anos 1970 e 1990 estão voltando para casa de avião em busca de oportunidades. Nos últimos 20 anos, as peças do xadrez econômico mudaram de tal forma que o desenvolvimento se desconcentrou e, por consequência, o país iniciou um processo de reversão do fluxo migratório.
As cenas da seca com chão rachado e gado morto no pasto foram quase totalmente abandonadas pelas figuras imponentes dos complexos industriais e pela corrida consumista por bens duráveis e serviços. Nas ruas das cidades de menor porte, os jegues foram substituídos pelas motocicletas. Vultosos investimentos em tecnologia possibilitaram às regiões menos desenvolvidas tornarem-se polos exportadores de commodities (produtos básicos com cotação internacional).
Assinatura da instalação da fábrica da FIAt em Pernambuco
São Paulo e Rio de Janeiro ainda têm grande importância econômica, mas Norte, Nordeste e Centro-Oeste são as regiões com as maiores taxas de crescimento. Não à toa, a quantidade de migrantes para a Região Amazônica avançou 58,4% entre 2001 e 2009.
Nos últimos oito anos, o Nordeste passou a receber migrantes e diminuiu a exportação de pessoas, registrando crescimento de 5,9% na população vinda de outras partes do Brasil. "Essas regiões são a nova fronteira do país", afirma Fábio Romão, analista da LCA Consultoria. Nos cálculos dele, entre 1992 e 2002, o território nordestino perdeu 1,5% dos habitantes ao ano. De 2002 a 2007, a taxa caiu para 0,98%. Em 2009, o ritmo encolheu para 0,85% e, hoje, está próxima de zero. "Estamos diante de um novo Brasil, que se desconcentra economicamente e reduz as desigualdades sociais."
O redesenho dos fluxos migratórios é consequência da robustez do Brasil nos últimos anos, em especial após a estabilização econômica. Se a bandeira verde e amarela ganhou projeção no cenário global, abandonando o mundo subdesenvolvido para flertar com a posição de 4ª potência econômica, a população entrou no xadrez e se beneficia da nova ordem mundial. O jogo do poder econômico no país segue, de maneira semelhante, o que ocorre no planeta e o Brasil ganha cara nova.
Virtuoso - O ponto de ignição que tornou mais aparente essas mudanças foram os 30 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média em oito anos. Esse contingente deixou as classes D e E, da base da pirâmide, para se tornar consumidor. Na opinião de especialistas, grande parte estava concentrada no Norte e no Nordeste. Nos cálculos da consultoria Plano CDE, apesar de todos os avanços, a maioria da população nordestina ainda está na camada social mais baixa: 71% de D e E. Mas a velocidade da mobilidade social mudará esse quadro. "O público D do Nordeste é muito mais otimista em relação ao futuro do que os paulistas na mesma condição", conta Luciana Aguiar, antropóloga e diretora da Plano CDE. [...]
[...] A indústria foi para perto desses consumidores para melhor atendê-los. Não só encarou as marcas locais, como passou a contribuir para a geração de emprego e renda. A renda do Norte, Nordeste e Centro-Oeste cresce 12% ao ano, acima da média nacional (9,6%). A parte da população que recebia um salário mínimo passou a ter reajustes superiores à corrosão inflacionária e o Bolsa Família turbinou o consumo. Tamanho poder de compra chamou a atenção de multinacionais, que, sofrendo com mercados estagnados na Europa e nos Estados Unidos, viram nos rincões brasileiros um oásis.
O pau-de-arara que levou milhões para o Sudeste perdeu clientela. As empresas aéreas e os ônibus mais confortáveis são o transporte dos que fazem parte do novo êxodo brasileiro.
Fonte: Blog do Alê.
Joselma dos Santos se desiludiu com São Paulo e retornou para Pernambuco. Hoje, lidera equipe de 25 homens num estaleiro. Estamos diante de um novo Brasil, que se desconcentra economicamente e reduz as desigualdades sociais.
O fluxo migratório do Nordeste para o então chamado "Sul Maravilha" sempre foi uma tragédia para a economia da região, que perdia mão de obra, mercado consumidor, além do drama de ver muitas famílias segregadas. Para as regiões receptoras, restava a chaga da favelização, da violência urbana, consequência de uma população sem vínculos históricos e sem qualificação; e por isso principal vítima das crises econômicas que se sucederam ao longo das últimas décadas.
Essa mudança econômico-social, resultado da desconcentração dos investimentos regionais, é parte importante dessa retomada do país. Lembro que há poucos dias numa rede social li o post de um importante político mineiro lamentando a ida da nova fábrica da FIAT para Pernambuco, o que como brasileiro ele deveria comemorar. Isso sem esquecer pólo farmacoquímico na Mata-norte, Kraft Foods e Sadia, Transposição, Ferrovia Transnordestina e, claro os Arranjos Produtivos que do sertão ao litoral, do gesso de Araripina ao Porto Digital, estão cada vez mais dinâmicos pelo extraordinário momento econômico do Nordeste que cresce promovendo justiça social.
Em Pernambuco, estado que já comemorava a implantação de uma refinaria, de um grande complexo petroquímico, de um polo naval que deverá ter, além do Atlântico Sul, outros estaleiros, a exemplo do Promar, anunciou há pouco, além da FIAT, a construção da CSS – Companhia Siderúrgica Suape. Todos estes empreendimentos representam algumas dezenas de milhares de novos postos de trabalho que se multiplicarão, atraindo mais investimentos e serviços.
Esse é o Brasil novo que vai se formando, sem voluntarismo, mas com visão sustentável de longo prazo. Enquanto Lula representou essa mudança de paradigma, esperamos agora que Dilma dê o salto na gestão dos recursos. "Fazer mais com menos" parece ser o mote da nova administração. Que venha para dar ritmo a essa transformação.
Victor Martins, Gustavo Henrique Braga e Rosa Falcão, para o Correio Braziliense - O Eldorado não está mais no Sul e no Sudeste, as regiões mais ricas do Brasil. Nordestinos, nortistas e os que nasceram no cerrado do Centro-Oeste e fugiram da fome em caminhões pau-de-arara entre os anos 1970 e 1990 estão voltando para casa de avião em busca de oportunidades. Nos últimos 20 anos, as peças do xadrez econômico mudaram de tal forma que o desenvolvimento se desconcentrou e, por consequência, o país iniciou um processo de reversão do fluxo migratório.
As cenas da seca com chão rachado e gado morto no pasto foram quase totalmente abandonadas pelas figuras imponentes dos complexos industriais e pela corrida consumista por bens duráveis e serviços. Nas ruas das cidades de menor porte, os jegues foram substituídos pelas motocicletas. Vultosos investimentos em tecnologia possibilitaram às regiões menos desenvolvidas tornarem-se polos exportadores de commodities (produtos básicos com cotação internacional).
Assinatura da instalação da fábrica da FIAt em Pernambuco
São Paulo e Rio de Janeiro ainda têm grande importância econômica, mas Norte, Nordeste e Centro-Oeste são as regiões com as maiores taxas de crescimento. Não à toa, a quantidade de migrantes para a Região Amazônica avançou 58,4% entre 2001 e 2009.
Nos últimos oito anos, o Nordeste passou a receber migrantes e diminuiu a exportação de pessoas, registrando crescimento de 5,9% na população vinda de outras partes do Brasil. "Essas regiões são a nova fronteira do país", afirma Fábio Romão, analista da LCA Consultoria. Nos cálculos dele, entre 1992 e 2002, o território nordestino perdeu 1,5% dos habitantes ao ano. De 2002 a 2007, a taxa caiu para 0,98%. Em 2009, o ritmo encolheu para 0,85% e, hoje, está próxima de zero. "Estamos diante de um novo Brasil, que se desconcentra economicamente e reduz as desigualdades sociais."
O redesenho dos fluxos migratórios é consequência da robustez do Brasil nos últimos anos, em especial após a estabilização econômica. Se a bandeira verde e amarela ganhou projeção no cenário global, abandonando o mundo subdesenvolvido para flertar com a posição de 4ª potência econômica, a população entrou no xadrez e se beneficia da nova ordem mundial. O jogo do poder econômico no país segue, de maneira semelhante, o que ocorre no planeta e o Brasil ganha cara nova.
Virtuoso - O ponto de ignição que tornou mais aparente essas mudanças foram os 30 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média em oito anos. Esse contingente deixou as classes D e E, da base da pirâmide, para se tornar consumidor. Na opinião de especialistas, grande parte estava concentrada no Norte e no Nordeste. Nos cálculos da consultoria Plano CDE, apesar de todos os avanços, a maioria da população nordestina ainda está na camada social mais baixa: 71% de D e E. Mas a velocidade da mobilidade social mudará esse quadro. "O público D do Nordeste é muito mais otimista em relação ao futuro do que os paulistas na mesma condição", conta Luciana Aguiar, antropóloga e diretora da Plano CDE. [...]
[...] A indústria foi para perto desses consumidores para melhor atendê-los. Não só encarou as marcas locais, como passou a contribuir para a geração de emprego e renda. A renda do Norte, Nordeste e Centro-Oeste cresce 12% ao ano, acima da média nacional (9,6%). A parte da população que recebia um salário mínimo passou a ter reajustes superiores à corrosão inflacionária e o Bolsa Família turbinou o consumo. Tamanho poder de compra chamou a atenção de multinacionais, que, sofrendo com mercados estagnados na Europa e nos Estados Unidos, viram nos rincões brasileiros um oásis.
O pau-de-arara que levou milhões para o Sudeste perdeu clientela. As empresas aéreas e os ônibus mais confortáveis são o transporte dos que fazem parte do novo êxodo brasileiro.
Fonte: Blog do Alê.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
POLÍTICA - Na mira do sonho americano.
Por Alejandro Nadal - da Cidade do México
O portal de internet do comitê político de Sarah Palin incluía Gabrielle Giffords, a parlamentar do Arizona, na lista dos 20 membros do Congresso que tinham aprovado a legislação de Obama sobre a saúde. Não era uma lista qualquer. Os nomes apareciam abaixo de um mapa, a cujos estados esses parlamentares pertencem, marcados com a típica cruz de mira telescópica de um rifle. Na parte superior do mapa havia outra legenda belicosa, em que se faz alusão à necessidade de resistir.
A que se deve resistir, senhora Palin? Resposta: a nada menos que a marcha secular em direção ao socialismo que a administração Obama quer impor aos Estados Unidos. Assim mesmo: há uma marcha secular em direção ao socialismo e Obama é o artífice dessa transformação. Essa retórica foi referência repetida de Palin e de outros safados da extrema direita nos Estados Unidos.
Desde que apareceu o mencionado mapa no portal da senhora Palin www.palinpac.com muitas pessoas notaram essa incitação à violência. Mas nem Palin, nem os seus seguidores fizeram algo para mudá-la ou para modificar o tom da retórica utilizada para designar os seus opositores políticos. A senhora Palin introduziu seu mapa dos 20 parlamentares democratas malvados no twitter, com a frase: “Não retrocedam! Ao contrário, recarreguem!”.
Hoje a representante Giffords luta para sobreviver num hospital de Tucson, depois que um fanático disparou contra ela, na cabeça, em 8 de janeiro, no momento em que a parlamentar levava a cabo uma reunião destinada a entrar em contato direto com seus eleitores. O assassino matou 6 pessoas (inclusive uma criança de 9 anos) e feriu outras 14. Pode ser que o homicida Jared Loughner seja uma pessoa perturbada mentalmente, mas isso não elimina a conexão com o discurso da incitação à violência utilizado por Palin e muitos políticos que mantém posições conservadoras nos Estados Unidos.
O opositor de Gifford no mesmo distrito eleitoral em 2010 é Jesse Kelly, membro da extrema direita do Partido Republicano. É provável que este personagem seja quem mais longe foi na incitação à violência. Sua marca de campanha no ano passado incluía a convocatória a um ato com estas palavras: “Dê a vitória em novembro ao branco. Ajude a retirar Gabrielle Giffords de seu posto. Dispare um M16 automático com Jesse Kelly”. O quadro mostrava o político, um ex-marine, com seu uniforme de campanha, empunhando seu querido fuzil.
A militarização da retórica eleitoral nos Estados Unidos não é casualidade. Em meio a sua pior crise econômica em sete décadas, o país cada vez afunda mais numa trajetória de decadência. Seu setor financeiro, outrora orgulho de seu desempenho econômico, foi o epicentro dessa crise. Hoje a triste recuperação promete altos níveis de desempenho para muitos anos. A desigualdade econômica se parece cada vez mais com a de um país subdesenvolvido, dominado por uma oligarquia feroz. A extraordinária concentração de riqueza vai de par com a deterioração do sistema educativo em todo o país. Por último, os desequilíbrios macroeconômicos que marcam a economia estadunidense não são só um problema doméstico, mas, dado o papel chave do dólar no sistema internacional de pagamentos, pioram a dor de cabeça da economia mundial.
O senhor Loughner provavelmente não tem ideia desses problemas. Em seu delírio, pensa que só atua defendendo o Sonho Americano que a senhora Palin reclama para si com tanta insistência. Equivoca-se. O paradoxo é que a deputada Giffords não era a única na mira da nova extrema direita estadunidense. O principal alvo desse movimento é precisamente toda a geração de Loughner, uma geração golpeada e condenada a viver sem educação, sem a promessa de um emprego bem remunerado e estável, sem serviços de saúde adequados. Uma geração perdida que nunca poderá aspirar a um melhor nível de vida. Seu sacrifício é para que uma pequena minoria de privilegiados possam viver o sonho americano, sem sonhar com mais nada.
Samuel Johnson, autor inglês da segunda metade do século XVIII disse que o patriotismo era o último refúgio do canalha. Sua sentença se aplica bem ao caso da extrema direita estadunidense. Ninguém duvida da safadeza de personagens como Palin e alguns pseudo-jornalistas, mas agora se tem a conexão direta com o super patriotismo homicida.
Só que não há que se esquecer que no Arizona já existia um ambiente político protofascista que literalmente tem os imigrantes latinos na mira. A direita e seus aliados nos meios de comunicação foram o motor do clima de ódio que impera não só no Arizona, mas em muitos outros estados. Afinal de contas, como disse Soljenitsin, todo aquele que proclama como método a violência inexoravelmente deverá eleger a mentira como princípio.
Alejandro Nadal é economista, professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos, no Colégio do México. Colaborador do jornal La Jornada.
Tradução para a Agência Carta Maior: Katarina Peixoto
O portal de internet do comitê político de Sarah Palin incluía Gabrielle Giffords, a parlamentar do Arizona, na lista dos 20 membros do Congresso que tinham aprovado a legislação de Obama sobre a saúde. Não era uma lista qualquer. Os nomes apareciam abaixo de um mapa, a cujos estados esses parlamentares pertencem, marcados com a típica cruz de mira telescópica de um rifle. Na parte superior do mapa havia outra legenda belicosa, em que se faz alusão à necessidade de resistir.
A que se deve resistir, senhora Palin? Resposta: a nada menos que a marcha secular em direção ao socialismo que a administração Obama quer impor aos Estados Unidos. Assim mesmo: há uma marcha secular em direção ao socialismo e Obama é o artífice dessa transformação. Essa retórica foi referência repetida de Palin e de outros safados da extrema direita nos Estados Unidos.
Desde que apareceu o mencionado mapa no portal da senhora Palin www.palinpac.com muitas pessoas notaram essa incitação à violência. Mas nem Palin, nem os seus seguidores fizeram algo para mudá-la ou para modificar o tom da retórica utilizada para designar os seus opositores políticos. A senhora Palin introduziu seu mapa dos 20 parlamentares democratas malvados no twitter, com a frase: “Não retrocedam! Ao contrário, recarreguem!”.
Hoje a representante Giffords luta para sobreviver num hospital de Tucson, depois que um fanático disparou contra ela, na cabeça, em 8 de janeiro, no momento em que a parlamentar levava a cabo uma reunião destinada a entrar em contato direto com seus eleitores. O assassino matou 6 pessoas (inclusive uma criança de 9 anos) e feriu outras 14. Pode ser que o homicida Jared Loughner seja uma pessoa perturbada mentalmente, mas isso não elimina a conexão com o discurso da incitação à violência utilizado por Palin e muitos políticos que mantém posições conservadoras nos Estados Unidos.
O opositor de Gifford no mesmo distrito eleitoral em 2010 é Jesse Kelly, membro da extrema direita do Partido Republicano. É provável que este personagem seja quem mais longe foi na incitação à violência. Sua marca de campanha no ano passado incluía a convocatória a um ato com estas palavras: “Dê a vitória em novembro ao branco. Ajude a retirar Gabrielle Giffords de seu posto. Dispare um M16 automático com Jesse Kelly”. O quadro mostrava o político, um ex-marine, com seu uniforme de campanha, empunhando seu querido fuzil.
A militarização da retórica eleitoral nos Estados Unidos não é casualidade. Em meio a sua pior crise econômica em sete décadas, o país cada vez afunda mais numa trajetória de decadência. Seu setor financeiro, outrora orgulho de seu desempenho econômico, foi o epicentro dessa crise. Hoje a triste recuperação promete altos níveis de desempenho para muitos anos. A desigualdade econômica se parece cada vez mais com a de um país subdesenvolvido, dominado por uma oligarquia feroz. A extraordinária concentração de riqueza vai de par com a deterioração do sistema educativo em todo o país. Por último, os desequilíbrios macroeconômicos que marcam a economia estadunidense não são só um problema doméstico, mas, dado o papel chave do dólar no sistema internacional de pagamentos, pioram a dor de cabeça da economia mundial.
O senhor Loughner provavelmente não tem ideia desses problemas. Em seu delírio, pensa que só atua defendendo o Sonho Americano que a senhora Palin reclama para si com tanta insistência. Equivoca-se. O paradoxo é que a deputada Giffords não era a única na mira da nova extrema direita estadunidense. O principal alvo desse movimento é precisamente toda a geração de Loughner, uma geração golpeada e condenada a viver sem educação, sem a promessa de um emprego bem remunerado e estável, sem serviços de saúde adequados. Uma geração perdida que nunca poderá aspirar a um melhor nível de vida. Seu sacrifício é para que uma pequena minoria de privilegiados possam viver o sonho americano, sem sonhar com mais nada.
Samuel Johnson, autor inglês da segunda metade do século XVIII disse que o patriotismo era o último refúgio do canalha. Sua sentença se aplica bem ao caso da extrema direita estadunidense. Ninguém duvida da safadeza de personagens como Palin e alguns pseudo-jornalistas, mas agora se tem a conexão direta com o super patriotismo homicida.
Só que não há que se esquecer que no Arizona já existia um ambiente político protofascista que literalmente tem os imigrantes latinos na mira. A direita e seus aliados nos meios de comunicação foram o motor do clima de ódio que impera não só no Arizona, mas em muitos outros estados. Afinal de contas, como disse Soljenitsin, todo aquele que proclama como método a violência inexoravelmente deverá eleger a mentira como princípio.
Alejandro Nadal é economista, professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos, no Colégio do México. Colaborador do jornal La Jornada.
Tradução para a Agência Carta Maior: Katarina Peixoto
ECONOMIA - O que está em causa.
Depois de décadas de “ajuda ao desenvolvimento” por parte do Banco Mundial e do FMI, um sexto da população mundial vive com menos de 77 centavos por dia. O que vai acontecer a Portugal (no seguimento do que aconteceu à Grécia e à Irlanda e irá acontecer à Espanha, e talvez não fique por aí) aconteceu já a muitos países em desenvolvimento. A intervenção do FMI teve sempre o mesmo objetivo: canalizar o máximo possível do rendimento do país para o pagamento da dívida. A “solução da crise” pode bem ser a eclosão da mais grave crise social dos últimos oitenta anos. O artigo é de Boaventura de Sousa Santos.
Boaventura de Sousa Santos
Portugal é um pequeno barco num mar agitado. Exigem-se bons timoneiros mas se o mar for excessivamente agitado não há barco que resista, mesmo num país que séculos atrás andou à descoberta do mundo em cascas de noz. A diferença entre então e agora é que o Adamastor era um capricho da natureza, depois da borrasca era certa a bonança e só isso tornava “realista” o grito de confiança nacionalista, do “Aqui ao leme sou
mais que eu…”.
Hoje, o Adamastor é um sistema financeiro global, controlado por um punhado de grandes investidores institucionais e instituições satélites (Banco Mundial, FMI, agências de avaliação de risco) que têm o poder de distribuir as borrascas e as bonanças a seu bel-prazer, ou seja, borrascas para a grande maioria da população do mundo, bonanças para eles próprios. Só isso explica que os 500 indivíduos mais ricos do mundo tenham uma riqueza igual à da dos 40 países mais pobres do mundo, com uma população de 416 milhões de habitantes. Depois de décadas de “ajuda ao desenvolvimento” por parte do BM e do FMI, um sexto da população mundial vive com menos de 77 cêntimos por dia.
O que vai acontecer a Portugal (no seguimento do que aconteceu à Grécia e à Irlanda e irá acontecer à Espanha, e talvez não fique por aí) aconteceu já a muitos países em desenvolvimento. Alguns resistiram às “ajudas” devido à força de líderes políticos nacionalistas (caso da Índia), outros rebelaram-se pressionados pelos protestos sociais (Argentina) e forçaram a reestruturação da dívida. Sendo diversas as causas dos problemas enfrentados pelos diferentes países, a intervenção do FMI teve sempre o mesmo objetivo: canalizar o máximo possível do rendimento do país para o pagamento da dívida. No nosso contexto, o que chamamos “nervosismo dos mercados” é um conjunto de especuladores financeiros, alguns com fortes ligações a bancos europeus, dominados pela vertigem de ganhar rios de dinheiro apostando na bancarrota do nosso país e ganhando tanto mais quanto mais provável for esse desfecho.
E se Portugal não puder pagar? Bem, isso é um problema de médio prazo (pode ser semanas ou meses). Depois se verá, mas uma coisa é certa: “as justas expectativas dos credores não podem ser defraudadas”. Longe de poder ser acalmado, este “nervosismo” é alimentado pelas agências de notação: baixam a nota do país para forçar o Governo a tomar certas medidas restritivas (sempre contra o bem-estar das populações); as medidas são tomadas, mas como tornam mais difícil a recuperação econômica do país (que permitiria pagar a dívida), a nota volta a baixar. E assim sucessivamente até a “solução da crise”, que pode bem ser a eclosão da mais grave crise social dos últimos oitenta anos.
Qualquer cidadão com as naturais luzes da vida, perguntará, como é
possível tanta irracionalidade? Viveremos em democracia? As várias
declarações da ONU sobre os direitos humanos são letra morta? Teremos
cometidos erros tão graves que a expiação não se contenta com os anéis e
exige os dedos, se não mesmo as mãos? Ninguém tem uma resposta clara
para estas questões mas um reputado economista (Prêmio Nobel da
Economia em 2001), que conhece bem o anunciado visitante, FMI,
escreveu a respeito deste o seguinte:
“as medidas impostas pelo FMI falharam mais vezes do que as em que tiveram êxito…Depois da crise asiática de 1997, as políticas do FMI agravaram as crises na Indonésia e na Tailândia. Em muitos países, levaram à fome e à confrontação social; e mesmo quando os resultados não foram tão sombrios e conseguiram promover algum crescimento depois de algum tempo, frequentemente os benefícios foram desproporcionadamente para os de cima, deixando os de baixo mais pobres que antes. O que me espantou foi que estas políticas não fossem questionadas por quem tomava as decisões…Subjacente aos problemas do FMI e de outras instituições económicas internacionais é o problema de governação: quem decide o que fazem?”
(Joseph Stiglitz, Globalization and its Discontents, 2002)
Haverá alternativa? Deixo este tema para a próxima crônica.
(*) Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
Fonte: Agência Carta Maior.
Boaventura de Sousa Santos
Portugal é um pequeno barco num mar agitado. Exigem-se bons timoneiros mas se o mar for excessivamente agitado não há barco que resista, mesmo num país que séculos atrás andou à descoberta do mundo em cascas de noz. A diferença entre então e agora é que o Adamastor era um capricho da natureza, depois da borrasca era certa a bonança e só isso tornava “realista” o grito de confiança nacionalista, do “Aqui ao leme sou
mais que eu…”.
Hoje, o Adamastor é um sistema financeiro global, controlado por um punhado de grandes investidores institucionais e instituições satélites (Banco Mundial, FMI, agências de avaliação de risco) que têm o poder de distribuir as borrascas e as bonanças a seu bel-prazer, ou seja, borrascas para a grande maioria da população do mundo, bonanças para eles próprios. Só isso explica que os 500 indivíduos mais ricos do mundo tenham uma riqueza igual à da dos 40 países mais pobres do mundo, com uma população de 416 milhões de habitantes. Depois de décadas de “ajuda ao desenvolvimento” por parte do BM e do FMI, um sexto da população mundial vive com menos de 77 cêntimos por dia.
O que vai acontecer a Portugal (no seguimento do que aconteceu à Grécia e à Irlanda e irá acontecer à Espanha, e talvez não fique por aí) aconteceu já a muitos países em desenvolvimento. Alguns resistiram às “ajudas” devido à força de líderes políticos nacionalistas (caso da Índia), outros rebelaram-se pressionados pelos protestos sociais (Argentina) e forçaram a reestruturação da dívida. Sendo diversas as causas dos problemas enfrentados pelos diferentes países, a intervenção do FMI teve sempre o mesmo objetivo: canalizar o máximo possível do rendimento do país para o pagamento da dívida. No nosso contexto, o que chamamos “nervosismo dos mercados” é um conjunto de especuladores financeiros, alguns com fortes ligações a bancos europeus, dominados pela vertigem de ganhar rios de dinheiro apostando na bancarrota do nosso país e ganhando tanto mais quanto mais provável for esse desfecho.
E se Portugal não puder pagar? Bem, isso é um problema de médio prazo (pode ser semanas ou meses). Depois se verá, mas uma coisa é certa: “as justas expectativas dos credores não podem ser defraudadas”. Longe de poder ser acalmado, este “nervosismo” é alimentado pelas agências de notação: baixam a nota do país para forçar o Governo a tomar certas medidas restritivas (sempre contra o bem-estar das populações); as medidas são tomadas, mas como tornam mais difícil a recuperação econômica do país (que permitiria pagar a dívida), a nota volta a baixar. E assim sucessivamente até a “solução da crise”, que pode bem ser a eclosão da mais grave crise social dos últimos oitenta anos.
Qualquer cidadão com as naturais luzes da vida, perguntará, como é
possível tanta irracionalidade? Viveremos em democracia? As várias
declarações da ONU sobre os direitos humanos são letra morta? Teremos
cometidos erros tão graves que a expiação não se contenta com os anéis e
exige os dedos, se não mesmo as mãos? Ninguém tem uma resposta clara
para estas questões mas um reputado economista (Prêmio Nobel da
Economia em 2001), que conhece bem o anunciado visitante, FMI,
escreveu a respeito deste o seguinte:
“as medidas impostas pelo FMI falharam mais vezes do que as em que tiveram êxito…Depois da crise asiática de 1997, as políticas do FMI agravaram as crises na Indonésia e na Tailândia. Em muitos países, levaram à fome e à confrontação social; e mesmo quando os resultados não foram tão sombrios e conseguiram promover algum crescimento depois de algum tempo, frequentemente os benefícios foram desproporcionadamente para os de cima, deixando os de baixo mais pobres que antes. O que me espantou foi que estas políticas não fossem questionadas por quem tomava as decisões…Subjacente aos problemas do FMI e de outras instituições económicas internacionais é o problema de governação: quem decide o que fazem?”
(Joseph Stiglitz, Globalization and its Discontents, 2002)
Haverá alternativa? Deixo este tema para a próxima crônica.
(*) Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
Fonte: Agência Carta Maior.
ECONOMIA - "É preciso um Nuremberg dos especuladores".
Guillaume Fourmont *
Adital
Diplomata internacional na ONU, Ziegler publicou o ensaio El odio a Occidente, uma crítica ao sistema capitalista dominado pela Europa e pelos EUA.
A reportagem é de Guillaume Fourmont Madrid, publicada no sítio Publico.es, 29-12-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Que ninguém se deixe enganar pelo seu cargo muito oficial de membro do Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Por trás de seus óculos de professor de universidade, o suíço Jean Ziegler (Thoune, 1934) é um revolucionário. Ele gosta de provocar e gritar o que os seus colegas diplomatas não ousam dizer nem nos corredores das organizações internacionais.
Um exemplo: "Uma criança que morre de fome hoje em dia é um assassinato". Outro: "Somos democracias, mas praticamos um fascismo exterior". Ziegler é um argumento que argumenta cada frase com números ou citações de grandes intelectuais, como esse grito de dor do poeta anticolonialista Aimé Césaire: "Vivo em uma ferida sagrada / Vivo em um querer obscuro / Vivo em um longo silêncio".
Dessa ferida, Ziegler falar em seu último livro, El odio a Occidente (Ed. Península), um título que responsabiliza os países desenvolvidos pelos males do mundo. O escritor não perde a esperança e aspira a uma "revolução para acabar com a ordem canibal do mundo". Na capa do seu ensaio, a letra "i" da palavra ódio é uma bomba com detonador. Resta só um segundo para que ela exploda.
Eis a entrevista.
O mundo vai tão mal assim?
Jamais na história um imperador ou um rei teve tanto poder como o que a oligarquia do poder financeiro possui na atualidade. São as bolsas que decidem quem vive e quem morre. Doze bilhões de pessoas podem comer, o dobro da população mundial. Mas a cada cinco segundos, uma criança menor de 10 anos morre de fome. É um assassinato!
É daí que vem o ódio do qual o senhor falar? Por que nos odeiam?
É preciso distinguir dois tipos de ódio. Um, primeiro, patológico, como o da Al Qaeda, que assassina inocentes com bombas. Mas nada justifica essa violência, nada! E o meu livro não trata disso. Refiro-me a um ódio meditado, que pede justiça e compensação, que chama a romper com o sistema estrutural do mundo, dominado pelo capitalismo.
Não aprendemos nada com a crise?
Lições? É pior ainda: esses bandidos de especuladores que provocaram a crise e a quebra do sistema ocidental atacam agora produtos como o arroz e o trigo. Há milhares de vítimas a mais do que antes. É preciso sentar esses especuladores na cadeira. É preciso realizar um Nuremberg para eles!
O senhor trabalha na ONU. Não acredita no papel da comunidade internacional?
O mero fato de que a comunidade internacional seja consciente dos problemas do mundo é positivo. Os Objetivos do Milênio não se cumpriram, mas não sou uma pessoa cética.
Não acredita, no entanto, que o Ocidente só se interessa pelo Ocidente e que mantém o Terceiro Mundo na pobreza de propósito?
É verdade! Mas não se trata de doar mais, mas sim de roubar menos. Na África, podem-se encontrar produtos europeus mais baratos do que os locais, enquanto que as pessoas se matam trabalhando. A hipocrisia dos europeus é bestial! Nós geramos fome na África, mas quando os imigrantes chegam às nossas costas em balsas os mandamos embora. Para acabar com a fome, é preciso uma revolução!
No Ocidente? Isso é possível?
A sociedade civil se despertou. Há movimentos como Attac, Greanpeace e outros que fazem uma crítica radical da ordem mundial. No Ocidente, temos democracias, mas praticamos um fascismo exterior. Embora não haja nada impossível na democracia. "O revolucionário deve ser capaz de ouvir a grama crescer", disse Karl Marx.
Em seu livro, o senhor fala da Bolívia de Evo Morales como exemplo.
É um caso exemplar. Pela primeira vez na história, o povo boliviano elegeu como presidente um deles, um indígena aimara. E, em seis meses, expulsaram as empresas privadas que ficavam com todos os benefícios das energias do país. O governo pode, com esses milhões ganhados, lançar programas sociais, e a Bolívia é agora um Estado florescente e, principalmente, soberano. Veja, não sou um ingênuo, mas na Bolívia a memória ferida do povo se converteu em uma luta política, em uma insurreição identitária.
Em outros termos, Morales merecia mais o Nobel da Paz do que Obama?
Claro! O Nobel de Obama era ridículo, era una operação de marketing.
Obama não trazia consigo nenhuma esperança?
Ver uma cara negra de presidente dos Estados Unidos na capa de grandes revistas foi incrível, principalmente porque o bisavó da esposa de Obama era um escravo. Mas é só um símbolo. O império norte-americano é três coisas: a indústria armamentícia, Wall Street e o lobby sionista. Obama sabe que se tocar em algum dos três está morto. E não vai fazer isso. A esperança vem da sociedade civil. Se conseguirmos criar uma aliança planetária de todos os movimentos de emancipação, do Ocidente e do Sul, então haverá uma revolução mundial, uma revolução capaz de acabar com a ordem canibal do mundo.
* Publico.es
Fonte: ADITAL.
Adital
Diplomata internacional na ONU, Ziegler publicou o ensaio El odio a Occidente, uma crítica ao sistema capitalista dominado pela Europa e pelos EUA.
A reportagem é de Guillaume Fourmont Madrid, publicada no sítio Publico.es, 29-12-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Que ninguém se deixe enganar pelo seu cargo muito oficial de membro do Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Por trás de seus óculos de professor de universidade, o suíço Jean Ziegler (Thoune, 1934) é um revolucionário. Ele gosta de provocar e gritar o que os seus colegas diplomatas não ousam dizer nem nos corredores das organizações internacionais.
Um exemplo: "Uma criança que morre de fome hoje em dia é um assassinato". Outro: "Somos democracias, mas praticamos um fascismo exterior". Ziegler é um argumento que argumenta cada frase com números ou citações de grandes intelectuais, como esse grito de dor do poeta anticolonialista Aimé Césaire: "Vivo em uma ferida sagrada / Vivo em um querer obscuro / Vivo em um longo silêncio".
Dessa ferida, Ziegler falar em seu último livro, El odio a Occidente (Ed. Península), um título que responsabiliza os países desenvolvidos pelos males do mundo. O escritor não perde a esperança e aspira a uma "revolução para acabar com a ordem canibal do mundo". Na capa do seu ensaio, a letra "i" da palavra ódio é uma bomba com detonador. Resta só um segundo para que ela exploda.
Eis a entrevista.
O mundo vai tão mal assim?
Jamais na história um imperador ou um rei teve tanto poder como o que a oligarquia do poder financeiro possui na atualidade. São as bolsas que decidem quem vive e quem morre. Doze bilhões de pessoas podem comer, o dobro da população mundial. Mas a cada cinco segundos, uma criança menor de 10 anos morre de fome. É um assassinato!
É daí que vem o ódio do qual o senhor falar? Por que nos odeiam?
É preciso distinguir dois tipos de ódio. Um, primeiro, patológico, como o da Al Qaeda, que assassina inocentes com bombas. Mas nada justifica essa violência, nada! E o meu livro não trata disso. Refiro-me a um ódio meditado, que pede justiça e compensação, que chama a romper com o sistema estrutural do mundo, dominado pelo capitalismo.
Não aprendemos nada com a crise?
Lições? É pior ainda: esses bandidos de especuladores que provocaram a crise e a quebra do sistema ocidental atacam agora produtos como o arroz e o trigo. Há milhares de vítimas a mais do que antes. É preciso sentar esses especuladores na cadeira. É preciso realizar um Nuremberg para eles!
O senhor trabalha na ONU. Não acredita no papel da comunidade internacional?
O mero fato de que a comunidade internacional seja consciente dos problemas do mundo é positivo. Os Objetivos do Milênio não se cumpriram, mas não sou uma pessoa cética.
Não acredita, no entanto, que o Ocidente só se interessa pelo Ocidente e que mantém o Terceiro Mundo na pobreza de propósito?
É verdade! Mas não se trata de doar mais, mas sim de roubar menos. Na África, podem-se encontrar produtos europeus mais baratos do que os locais, enquanto que as pessoas se matam trabalhando. A hipocrisia dos europeus é bestial! Nós geramos fome na África, mas quando os imigrantes chegam às nossas costas em balsas os mandamos embora. Para acabar com a fome, é preciso uma revolução!
No Ocidente? Isso é possível?
A sociedade civil se despertou. Há movimentos como Attac, Greanpeace e outros que fazem uma crítica radical da ordem mundial. No Ocidente, temos democracias, mas praticamos um fascismo exterior. Embora não haja nada impossível na democracia. "O revolucionário deve ser capaz de ouvir a grama crescer", disse Karl Marx.
Em seu livro, o senhor fala da Bolívia de Evo Morales como exemplo.
É um caso exemplar. Pela primeira vez na história, o povo boliviano elegeu como presidente um deles, um indígena aimara. E, em seis meses, expulsaram as empresas privadas que ficavam com todos os benefícios das energias do país. O governo pode, com esses milhões ganhados, lançar programas sociais, e a Bolívia é agora um Estado florescente e, principalmente, soberano. Veja, não sou um ingênuo, mas na Bolívia a memória ferida do povo se converteu em uma luta política, em uma insurreição identitária.
Em outros termos, Morales merecia mais o Nobel da Paz do que Obama?
Claro! O Nobel de Obama era ridículo, era una operação de marketing.
Obama não trazia consigo nenhuma esperança?
Ver uma cara negra de presidente dos Estados Unidos na capa de grandes revistas foi incrível, principalmente porque o bisavó da esposa de Obama era um escravo. Mas é só um símbolo. O império norte-americano é três coisas: a indústria armamentícia, Wall Street e o lobby sionista. Obama sabe que se tocar em algum dos três está morto. E não vai fazer isso. A esperança vem da sociedade civil. Se conseguirmos criar uma aliança planetária de todos os movimentos de emancipação, do Ocidente e do Sul, então haverá uma revolução mundial, uma revolução capaz de acabar com a ordem canibal do mundo.
* Publico.es
Fonte: ADITAL.
MÍDIA - Ou se trata seriamente a incitação ou haverá mais assssinatos.
por WikiLeaks [*]
Wikileaks apresentou hoje sentimentos de simpatia e condolências às vítimas do tiroteio de Tucson, bem como os melhores desejos quanto à recuperação da deputada Gabrielle Giffords. Giffords, democrata do 8º distrito do Arizona, foi o alvo de uma orgia de tiros num evento político de 8 de Janeiro no qual seis outras pessoas foram assassinadas.
Clarence Dupnik, sheriff de Tucson que dirige a investigação dos tiros sobre Gifford, afirmou que a "retórica vitriólica" destinada a "inflamar o público numa base diária ... tem impacto sobre as pessoas, a principiar especialmente por aquelas que têm personalidades desequilibradas". Dupnik também observou que responsáveis e personalidades dos media empenhadas em retórica violenta "têm de considerar que têm alguma responsabilidade quando ocorrem incidentes como este e com os que possam ocorrer no futuro".
A equipe e os colaboradores do WikiLeaks também tem sido alvo de retórica violenta sem precedentes por parte de personalidades eminentes dos media dos EUA, incluindo Sarah Palin, a qual instou a administração estado-unidense a "perseguir e capturar o chefe do WikiLeaks tal como o Taliban". O conhecido político dos EUA Mike Huckabee, no fim de Novembro, apelou à execução do porta-voz do WikiLeaks, Julian Assange, no seu programa da Fox News; e um comentarista da Fox News, Bob Beckel, referindo-se a Assange, apelou publicamente a "disparar ilegalmente sobre o filho da puta". Rush Limbaugh, personalidade da rádio dos EUA, pressionou Roger Ailes , presidente da Fox News, a "Dar a ordem e [então] já não há Assange, garanto-lhes, e não haverá impressões digitais sobre isto", ao passo que o colunista Jeffery T. Kuhner, do Washington Times, intitulou a sua coluna como "Assassinato de Assange" acompanhada por uma foto de Julian Assange com um local de tiro assinalado, a pingar sangue e a legenda "PROCURADO MORTO OU VIVO" com a palavra "vivo" riscada.
John Hawkins de Townhall.com declarou: "Se Julian Assange leva um tiro na cabeça amanhã ou se o seu carro explodir quando ele virar a chave, que mensagem pensa você que enviaria acerca da divulgação de dados americanos sensíveis?".
Christina Whiton, num artigo de opinião da Fox News, apelou à violência contra os editores do WikiLeaks, dizendo que os EUA deveriam "designar o WikiLeaks e os seus responsáveis como combatentes inimigos, abrindo o caminho para acções não judiciais contra eles".
Julian Assange, porta-voz do WikiLeaks, declarou: "Nenhuma organização em qualquer parte do mundo é um advogado mais dedicado do livre discurso do que WikLekas mas quando políticos seniors e comentaristas dos media à procura de atenção apelam à morte de indivíduos ou grupos específicos eles deveriam ser acusados de incitação – ao assassínio. Aqueles que apelam a um acto de assassínio merecem parte tão significativa da culpa quanto aqueles que empunham uma arma e puxam o gatilho".
"WikiLeaks tem uma equipe muito jovem, voluntários e apoiantes na mesma vizinhança geográfica daqueles que difundem ou circulam estas incitações à morte. Também temos visto pessoas mentalmente instáveis viajarem dos EUA e outros países para outros locais. Consequentemente temos de nos empenhar em medidas de segurança extremas".
"Apelamos às autoridades dos EUA e outras a protegerem a regra da lei processando agressivamente estas e semelhantes incitações a matar. Um país civil com leis não pode ter membros eminentes da sociedade a apelarem constantemente ao assassínio e à morte de outros indivíduos ou grupos".
Mais exemplos: http://www.peopleokwithmurderingassange.com/
10/Janeiro/2011
O original encontra-se em http://uruknet.net/?p=m73783&hd=&size=1&l=e
Este comunicado de imprensa encontra-se em http://resistir.info/ .
Wikileaks apresentou hoje sentimentos de simpatia e condolências às vítimas do tiroteio de Tucson, bem como os melhores desejos quanto à recuperação da deputada Gabrielle Giffords. Giffords, democrata do 8º distrito do Arizona, foi o alvo de uma orgia de tiros num evento político de 8 de Janeiro no qual seis outras pessoas foram assassinadas.
Clarence Dupnik, sheriff de Tucson que dirige a investigação dos tiros sobre Gifford, afirmou que a "retórica vitriólica" destinada a "inflamar o público numa base diária ... tem impacto sobre as pessoas, a principiar especialmente por aquelas que têm personalidades desequilibradas". Dupnik também observou que responsáveis e personalidades dos media empenhadas em retórica violenta "têm de considerar que têm alguma responsabilidade quando ocorrem incidentes como este e com os que possam ocorrer no futuro".
A equipe e os colaboradores do WikiLeaks também tem sido alvo de retórica violenta sem precedentes por parte de personalidades eminentes dos media dos EUA, incluindo Sarah Palin, a qual instou a administração estado-unidense a "perseguir e capturar o chefe do WikiLeaks tal como o Taliban". O conhecido político dos EUA Mike Huckabee, no fim de Novembro, apelou à execução do porta-voz do WikiLeaks, Julian Assange, no seu programa da Fox News; e um comentarista da Fox News, Bob Beckel, referindo-se a Assange, apelou publicamente a "disparar ilegalmente sobre o filho da puta". Rush Limbaugh, personalidade da rádio dos EUA, pressionou Roger Ailes , presidente da Fox News, a "Dar a ordem e [então] já não há Assange, garanto-lhes, e não haverá impressões digitais sobre isto", ao passo que o colunista Jeffery T. Kuhner, do Washington Times, intitulou a sua coluna como "Assassinato de Assange" acompanhada por uma foto de Julian Assange com um local de tiro assinalado, a pingar sangue e a legenda "PROCURADO MORTO OU VIVO" com a palavra "vivo" riscada.
John Hawkins de Townhall.com declarou: "Se Julian Assange leva um tiro na cabeça amanhã ou se o seu carro explodir quando ele virar a chave, que mensagem pensa você que enviaria acerca da divulgação de dados americanos sensíveis?".
Christina Whiton, num artigo de opinião da Fox News, apelou à violência contra os editores do WikiLeaks, dizendo que os EUA deveriam "designar o WikiLeaks e os seus responsáveis como combatentes inimigos, abrindo o caminho para acções não judiciais contra eles".
Julian Assange, porta-voz do WikiLeaks, declarou: "Nenhuma organização em qualquer parte do mundo é um advogado mais dedicado do livre discurso do que WikLekas mas quando políticos seniors e comentaristas dos media à procura de atenção apelam à morte de indivíduos ou grupos específicos eles deveriam ser acusados de incitação – ao assassínio. Aqueles que apelam a um acto de assassínio merecem parte tão significativa da culpa quanto aqueles que empunham uma arma e puxam o gatilho".
"WikiLeaks tem uma equipe muito jovem, voluntários e apoiantes na mesma vizinhança geográfica daqueles que difundem ou circulam estas incitações à morte. Também temos visto pessoas mentalmente instáveis viajarem dos EUA e outros países para outros locais. Consequentemente temos de nos empenhar em medidas de segurança extremas".
"Apelamos às autoridades dos EUA e outras a protegerem a regra da lei processando agressivamente estas e semelhantes incitações a matar. Um país civil com leis não pode ter membros eminentes da sociedade a apelarem constantemente ao assassínio e à morte de outros indivíduos ou grupos".
Mais exemplos: http://www.peopleokwithmurderingassange.com/
10/Janeiro/2011
O original encontra-se em http://uruknet.net/?p=m73783&hd=&size=1&l=e
Este comunicado de imprensa encontra-se em http://resistir.info/ .
MÍDIA - Google fecha canal de vídeos do CubaDebate no Youtube.
O site de notícias cubano Cubadebate denunciou nesta quinta (13) que o Google fechou sua conta no YouTube. A razão seria infração de direitos autorais em um vídeo sobre o terrorista contrário ao governo da ilha, Luis Posada Carriles. O Cubadebate questionou os motivos verdadeiros da medida, que classificou como um atentado à liberdade de expressão.
O vídeo ao qual se referiu o YouTube foi editado de um material bem mais amplo que circulou na rede e tinha sido reproduzido em vários sites e demais veículos, sem autoria. Nenhum deles foi punido.
"O extraordinário é que o YouTube está infestado de vídeos que apresentam informações manipuladas e tendenciosas sobre Cuba, com imagens roubadas do site Cubadebate no Youtube, sem que o Google os tenha retirado de sua rede social, mesmo que tenhamos feito declarações a respeito", criticou o site prejudicado.
Ex-agente da CIA, Posada Carriles - tema do vídeo em questão -, é o responsável por um atentado a bomba contra um avião da Cubana de Aviação, que matou 73 pessoas em 1976, e fugiu do cárcere venezuelano onde cumpria uma condenação por esse crime.
O fechamento da conta do Cubadebate acontece no momento em que Carriles está sendo julgado nos EUA por 11 acusações de fraude, perjúrio e falsas declarações à Emigração, após ter entrado clandestinamente no país, em 2005.
Ele também é acusado de prestar falso testemunho há cinco anos, quando foi questionado por uma série de ataques que aconteceram em 1997 contra hotéis em Havana. A primeira testemunha do caso foi ouvida nesta quinta (13). O julgamento, contudo, é considerado por especialistas um deboche à justiça, pois se trataria de uma tentativa de evitar uma extradição solicitada pela Venezuela.
Apontado pelo YouTube como motivo para o fechamento da conta do site cubano, o famoso vídeo sobre o Fundo Legal constituído para apoiar Posada Cariles ante o julgamento que ocorre em El Paso, no Texas, contém, além do que foi publicado pelo Cubadebate, uma lista dos principais contibuintes. Entre eles, estão a representante republicana Ileana Ros Lethinen, o senador Marco Rubio, que porpõe ações violentas contra Cuba e outras figuras políticas do estado da Flórida.
O Cubadebate - que contava em seu canal com 400 vídeos e 1,6 milhões de acessos desde sua abertura há três anos - condenou o fato, afirmando se tratar de um "atentado contra a liberdade de expressão de um site alternativo de um país bloqueado econômica, comercial e financeiramente pelos Estados Unidos há quase meio século".
"Como consequência do bloqueio, para o site, cujo acesso à Internet é via satélite e que não dispõe de recursos para servidores multimídia próprios, é impossível comprar com exclusividade materiais produzidos nos Estados Unidos, particularmente aqueles que revelam a impunidade dos terroristas em Miami e que, por essa razão, são relevantes para nossa produção informativa”, colocou o Cubadebate.
A decisão do YouTube desatou um movimento de protestos e solidariedade com a página cubana. "Com rapidez, surgiram em outros meios alternativos espaços para reproduzir a informação diária do Cubadebate, o que constitui um revés para a tentativa de calá-lo", disse Rosa Miriam Elizalde", editora chefe do site.
No Facebook, um grupo registrado protesta com o título: "Não + censura no YouTube", enquanro outros meios alternativos reproduzem a indignação. Segundo Elizalde, o fechamento da conta é significativo, já que o vídeo que serviu de justificativa para o ocorrido foi publicado em vários espaços, dentro e fora da rede, inclusive pela rede norte-americana CNN.
Elizalde questiona por que penalizar o Cubadebate por publicar um extrato de seis minutos desse vídeo e não fazer o mesmo com diversas publicações norte-americanas que roubaram materiais exclusivos desse meio sem mencionar sua autoria. "Isso faz pensar em uma agressão de tipo político", disse.
Com agências
O vídeo ao qual se referiu o YouTube foi editado de um material bem mais amplo que circulou na rede e tinha sido reproduzido em vários sites e demais veículos, sem autoria. Nenhum deles foi punido.
"O extraordinário é que o YouTube está infestado de vídeos que apresentam informações manipuladas e tendenciosas sobre Cuba, com imagens roubadas do site Cubadebate no Youtube, sem que o Google os tenha retirado de sua rede social, mesmo que tenhamos feito declarações a respeito", criticou o site prejudicado.
Ex-agente da CIA, Posada Carriles - tema do vídeo em questão -, é o responsável por um atentado a bomba contra um avião da Cubana de Aviação, que matou 73 pessoas em 1976, e fugiu do cárcere venezuelano onde cumpria uma condenação por esse crime.
O fechamento da conta do Cubadebate acontece no momento em que Carriles está sendo julgado nos EUA por 11 acusações de fraude, perjúrio e falsas declarações à Emigração, após ter entrado clandestinamente no país, em 2005.
Ele também é acusado de prestar falso testemunho há cinco anos, quando foi questionado por uma série de ataques que aconteceram em 1997 contra hotéis em Havana. A primeira testemunha do caso foi ouvida nesta quinta (13). O julgamento, contudo, é considerado por especialistas um deboche à justiça, pois se trataria de uma tentativa de evitar uma extradição solicitada pela Venezuela.
Apontado pelo YouTube como motivo para o fechamento da conta do site cubano, o famoso vídeo sobre o Fundo Legal constituído para apoiar Posada Cariles ante o julgamento que ocorre em El Paso, no Texas, contém, além do que foi publicado pelo Cubadebate, uma lista dos principais contibuintes. Entre eles, estão a representante republicana Ileana Ros Lethinen, o senador Marco Rubio, que porpõe ações violentas contra Cuba e outras figuras políticas do estado da Flórida.
O Cubadebate - que contava em seu canal com 400 vídeos e 1,6 milhões de acessos desde sua abertura há três anos - condenou o fato, afirmando se tratar de um "atentado contra a liberdade de expressão de um site alternativo de um país bloqueado econômica, comercial e financeiramente pelos Estados Unidos há quase meio século".
"Como consequência do bloqueio, para o site, cujo acesso à Internet é via satélite e que não dispõe de recursos para servidores multimídia próprios, é impossível comprar com exclusividade materiais produzidos nos Estados Unidos, particularmente aqueles que revelam a impunidade dos terroristas em Miami e que, por essa razão, são relevantes para nossa produção informativa”, colocou o Cubadebate.
A decisão do YouTube desatou um movimento de protestos e solidariedade com a página cubana. "Com rapidez, surgiram em outros meios alternativos espaços para reproduzir a informação diária do Cubadebate, o que constitui um revés para a tentativa de calá-lo", disse Rosa Miriam Elizalde", editora chefe do site.
No Facebook, um grupo registrado protesta com o título: "Não + censura no YouTube", enquanro outros meios alternativos reproduzem a indignação. Segundo Elizalde, o fechamento da conta é significativo, já que o vídeo que serviu de justificativa para o ocorrido foi publicado em vários espaços, dentro e fora da rede, inclusive pela rede norte-americana CNN.
Elizalde questiona por que penalizar o Cubadebate por publicar um extrato de seis minutos desse vídeo e não fazer o mesmo com diversas publicações norte-americanas que roubaram materiais exclusivos desse meio sem mencionar sua autoria. "Isso faz pensar em uma agressão de tipo político", disse.
Com agências
POLÍTICA - Mestres do ódio carregado e engatilhado.
Pepe Escobar
NEW YORK. Há uma aterrorizante conexão direta entre a retórica do ódio que arde como febre alta nos EUA, os tiros contra a deputada Gabrielle Giffords do Arizona, as ameaças de morte contra Julian Assange, fundador de WikiLeaks, e o nono aniversário da infame prisão em Guantánamo, Cuba. Essa conexão perturbadora deveria provocar calafrios na espinha, em quem tenha qualquer preocupação com direitos humanos, por remota que seja. Pois não provoca. Não, pelo menos, nos EUA.
Julian Assange
Assange voltará ao tribunal em Londres dia 7 de fevereiro para audiência de dois dias inteiros sobre sua possível extradição para a Suécia, conectada ao ultra-nebuloso caso de camisinhas supostamente furadas e “sexo por surpresa”, coestrelado por duas fanzocas de Assange numa Estocolmo candente, em agosto passado.
Os advogados de Assange entenderam rapidamente o xis da questão: se ele for extraditado para a Suécia, o governo dos EUA moverá céus e terra até conseguir extraditá-lo para os EUA. Nos EUA, Assange pode ser condenado à morte, ou à pena irmã-gêmea dessa, nos termos da “guerra ao terror” – ser mandado para o limbo legal de Guantánamo. Para os EUA, o fato de que os tratados de direitos humanos proíbam extradição nessas condições é coisa de somenos.
Prisão de Guantánamo
Almas simplórias, bem-intencionadas, talvez lembrem que o presidente Barack Obama dos EUA prometeu fechar Guantánamo. Nunca fechará. O Congresso dos EUA matará qualquer possibilidade de transferir “combatentes inimigos” para a pátria-mãe, para que tenham julgamento adequado. A Casa Branca está pronta para condenar pelo menos 40 daqueles prisioneiros a permanecer para sempre em Guantánamo – sem acusação formalizada, sem julgamento, só um buraco negro. E Bagram, no Afeganistão, segue o mesmo caminho. Esqueçam a Constituição dos EUA e a lei internacional.
Os direitos humanos tiveram de aparecer como parte crucial da estratégia de defesa de Assange, em sete partes – porque uma possível extradição viola o Artigo 3 da Convenção Europeia sobre Direitos Humanos. Assim, os advogados de Assange, no sumário inicial de 35 páginas de sua estratégia, foram obrigados a chamar atenção para a possibilidade real de Assange ser vítima de prisão ilegal e para “o risco real de ser condenado a pena de morte. Sabe-se que figuras destacadas da cena pública nos EUA já declararam implicitamente, quando não explicitamente, que o Sr. Assange deve ser executado.”
Sarah Palin
Para que a ideia apareça com clareza para a opinião pública global, a própria WikiLeaks distribuiu release para a imprensa, no qual destaca o paralelo inevitável entre a retórica de “peguem Assange” (a ex-governadora do Alaska Sarah Palin diria “recarregue e atire”) e a narrativa dos mestres do ódio da direita, que culminou, até agora, nos tiros contra Giffords. Palin é citada, porque conclamou o governo Obama a “caçar esse chefe de WikiLeaks como os Talibãs”.
A estrada à frente só aponta para radicalização – enquanto o ódio supura, numa configuração que o próprio Assange resumiu como “Orwelliana”. Assim como os ataques contra WikiLeaks são hoje mais fortes que nunca, assim também cresce o apoio global. E há muito mais a caminho. Até agora, só foram publicados 2.017 telegramas diplomáticos (nesse passo, o arquivo ainda não estará integralmente publicado no final da década). O próximo mega-alvo é o Banco da América. E há ainda preciosidades sobre a China, os EUA e, sim, Guantánamo.
Embora a parceria entre WikiLeaks e algumas publicações da imprensa global pareça ter chegado a um ponto de equilíbrio em termos jornalísticos, estamos a um passo de guerra declarada entre os que defendem a mídia como – a palavra já diz tudo – instituição de mediação, e os que apoiam o ethos de WikiLeaks, de descarregar blocos de realidade, com mínima intervenção. Embora nada vença a informação bruta, é essencial alguma contextualização e alguma edição. E o leitor que compare e decida se prefere a versão crua ou as versões filtradas.
O que mais preocupa é o fato de que o ponto crucial do argumento de WikiLeaks – se há políticos e figuras de destaque da mídia, promovendo o homicídio e incitando ao crime, ele deveriam ser acusados e processados nos termos da lei – não está tendo qualquer ressonância nem nos EUA nem no resto do mundo. Inevitavelmente, como argumenta WikiLeaks, se o grupo continuar a ser estigmatizado como uma espécie de nova al-Qaeda, certamente acontecerão outras tragédias semelhantes à de Tucson, Arizona.
Massacre de Tucson
Não há evidência alguma de que os mestres do ódio nos EUA, que infestam o pântano do show midiático e político corram qualquer risco de serem punidos. Não há evidência alguma de que os líderes do Partido Republicano tomarão atitude pública contra a retórica “peguem, matem e arrebentem”. O massacre no Arizona, que matou seis pessoas e feriu 14, já está sendo desqualificado em bloco, pelos círculos da direita, como mais um ato isolado, de mais um dos doidos solitários de sempre.
Portanto, não há sinal algum de que o crescimento acelerado, gráfico, endêmico, do fascismo na sociedade dos EUA esteja em vias de começar a ser enfrentado seriamente. Abandonai toda a esperança, vós que ansiais por debate adulto, sereno, racional na política dos EUA. Negócio lastimável, que o pensador político e historiador francês, Alexis de Tocqueville, previu há mais de um século e meio, em A Democracia na América.
Hoje é Giffords. Amanhã pode ser Assange. Mas o verdadeiro alvo somos todos nós.
Fonte: Redecastorphoto.
NEW YORK. Há uma aterrorizante conexão direta entre a retórica do ódio que arde como febre alta nos EUA, os tiros contra a deputada Gabrielle Giffords do Arizona, as ameaças de morte contra Julian Assange, fundador de WikiLeaks, e o nono aniversário da infame prisão em Guantánamo, Cuba. Essa conexão perturbadora deveria provocar calafrios na espinha, em quem tenha qualquer preocupação com direitos humanos, por remota que seja. Pois não provoca. Não, pelo menos, nos EUA.
Julian Assange
Assange voltará ao tribunal em Londres dia 7 de fevereiro para audiência de dois dias inteiros sobre sua possível extradição para a Suécia, conectada ao ultra-nebuloso caso de camisinhas supostamente furadas e “sexo por surpresa”, coestrelado por duas fanzocas de Assange numa Estocolmo candente, em agosto passado.
Os advogados de Assange entenderam rapidamente o xis da questão: se ele for extraditado para a Suécia, o governo dos EUA moverá céus e terra até conseguir extraditá-lo para os EUA. Nos EUA, Assange pode ser condenado à morte, ou à pena irmã-gêmea dessa, nos termos da “guerra ao terror” – ser mandado para o limbo legal de Guantánamo. Para os EUA, o fato de que os tratados de direitos humanos proíbam extradição nessas condições é coisa de somenos.
Prisão de Guantánamo
Almas simplórias, bem-intencionadas, talvez lembrem que o presidente Barack Obama dos EUA prometeu fechar Guantánamo. Nunca fechará. O Congresso dos EUA matará qualquer possibilidade de transferir “combatentes inimigos” para a pátria-mãe, para que tenham julgamento adequado. A Casa Branca está pronta para condenar pelo menos 40 daqueles prisioneiros a permanecer para sempre em Guantánamo – sem acusação formalizada, sem julgamento, só um buraco negro. E Bagram, no Afeganistão, segue o mesmo caminho. Esqueçam a Constituição dos EUA e a lei internacional.
Os direitos humanos tiveram de aparecer como parte crucial da estratégia de defesa de Assange, em sete partes – porque uma possível extradição viola o Artigo 3 da Convenção Europeia sobre Direitos Humanos. Assim, os advogados de Assange, no sumário inicial de 35 páginas de sua estratégia, foram obrigados a chamar atenção para a possibilidade real de Assange ser vítima de prisão ilegal e para “o risco real de ser condenado a pena de morte. Sabe-se que figuras destacadas da cena pública nos EUA já declararam implicitamente, quando não explicitamente, que o Sr. Assange deve ser executado.”
Sarah Palin
Para que a ideia apareça com clareza para a opinião pública global, a própria WikiLeaks distribuiu release para a imprensa, no qual destaca o paralelo inevitável entre a retórica de “peguem Assange” (a ex-governadora do Alaska Sarah Palin diria “recarregue e atire”) e a narrativa dos mestres do ódio da direita, que culminou, até agora, nos tiros contra Giffords. Palin é citada, porque conclamou o governo Obama a “caçar esse chefe de WikiLeaks como os Talibãs”.
A estrada à frente só aponta para radicalização – enquanto o ódio supura, numa configuração que o próprio Assange resumiu como “Orwelliana”. Assim como os ataques contra WikiLeaks são hoje mais fortes que nunca, assim também cresce o apoio global. E há muito mais a caminho. Até agora, só foram publicados 2.017 telegramas diplomáticos (nesse passo, o arquivo ainda não estará integralmente publicado no final da década). O próximo mega-alvo é o Banco da América. E há ainda preciosidades sobre a China, os EUA e, sim, Guantánamo.
Embora a parceria entre WikiLeaks e algumas publicações da imprensa global pareça ter chegado a um ponto de equilíbrio em termos jornalísticos, estamos a um passo de guerra declarada entre os que defendem a mídia como – a palavra já diz tudo – instituição de mediação, e os que apoiam o ethos de WikiLeaks, de descarregar blocos de realidade, com mínima intervenção. Embora nada vença a informação bruta, é essencial alguma contextualização e alguma edição. E o leitor que compare e decida se prefere a versão crua ou as versões filtradas.
O que mais preocupa é o fato de que o ponto crucial do argumento de WikiLeaks – se há políticos e figuras de destaque da mídia, promovendo o homicídio e incitando ao crime, ele deveriam ser acusados e processados nos termos da lei – não está tendo qualquer ressonância nem nos EUA nem no resto do mundo. Inevitavelmente, como argumenta WikiLeaks, se o grupo continuar a ser estigmatizado como uma espécie de nova al-Qaeda, certamente acontecerão outras tragédias semelhantes à de Tucson, Arizona.
Massacre de Tucson
Não há evidência alguma de que os mestres do ódio nos EUA, que infestam o pântano do show midiático e político corram qualquer risco de serem punidos. Não há evidência alguma de que os líderes do Partido Republicano tomarão atitude pública contra a retórica “peguem, matem e arrebentem”. O massacre no Arizona, que matou seis pessoas e feriu 14, já está sendo desqualificado em bloco, pelos círculos da direita, como mais um ato isolado, de mais um dos doidos solitários de sempre.
Portanto, não há sinal algum de que o crescimento acelerado, gráfico, endêmico, do fascismo na sociedade dos EUA esteja em vias de começar a ser enfrentado seriamente. Abandonai toda a esperança, vós que ansiais por debate adulto, sereno, racional na política dos EUA. Negócio lastimável, que o pensador político e historiador francês, Alexis de Tocqueville, previu há mais de um século e meio, em A Democracia na América.
Hoje é Giffords. Amanhã pode ser Assange. Mas o verdadeiro alvo somos todos nós.
Fonte: Redecastorphoto.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
POLÍTICA - O atentado nos EUA e a radicalização por aquí.
Ainda não chegamos a tanto, mas é bom tomarmos cuidado para que o clima de radicalização política, que se acirrou na campanha presidencial, não acabe em tiros por aqui, como aconteceu nos Estados Unidos neste final de semana.
Lá também ninguém esperava que os discursos irados da oposição republicana contra o governo Obama e o seu projeto de reforma da saúde, amplificados na velha e na nova mídia por jornalistas da direita radical, cada vez mais belicosos, fosse acabar em tragédia.
Mas hoje parece ninguém mais ter dúvidas de que “a insensatez retórica que permeia nosso momento político”, na perfeita definição de Matt Bai, no New York Times, levou Jared Loughner, um jovem de 22 anos, a cometer o atentado que deixou seis mortos e feriu gravemente a deputada democrata Gabrielle Giffords, além de outras 13 pessoas, em Tucson, no Arizona.
Autoridades americanas informaram nesta segunda-feira já ter provas de que Loughner planejou a ação. Por que será que, momentos após a divulgação dos primeiros relatos sobre o atentado de Tucson, sumiu da internet o infame mapa de “mira telescópica” de Sarah Palin, que mostrava distritos como alvo de tiros, incluindo o de Giffords, segundo a denúncia de Matt Bai?
Candidata derrotada a vice na chapa republicana, uma espécie de Indio da Costa dos americanos, Palin é a voz mais estridente da oposição a Obama. Em março, logo após a votação da reforma na saúde, ela publicou propaganda colocando alvos em 20 Estados e listava Giffords entre os parlamentares democratas que deveriam ser derrotados nas eleições legislativas de novembro, segundo o relato de Álvaro Fagundes, correspondente da Folha em Nova York.
A oposição partidária por aqui está em férias, mas continua atuante na mídia, até desenterrando toda hora o passado para lembrar a participação de Dilma Rousseff na luta armada e lançando a cada dia novas denúncias contra o ex-presidente Lula.
“O PSDB que me desculpe, mas ter um presidente que vai para a Disneylândia enquanto o governo se inicia é um absurdo. Ficam os desmandos sem oposição”, chegou a se queixar no twitter o ex-secretário tucano Herbert Alqueres.
Nada contra o Sergio Guerra ir passear na Disney, onde eu também estive, mas Alqueres está sendo injusto com os bravos editores, colunistas e blogueiros que continuam dedicados a manter acesa a chama na luta contra o antigo e o atual governo.
Basta ver a grosseria e a intolerância constantes nos artigos e nos comentários dos leitores na internet para constatar que o clima por aqui não é muito diferente daquele que antecedeu o tiroteio com 20 vítimas no Arizona.
Os fundamentalistas pró e contra o governo brasileiro, o que saiu e o que entrou, continuam com o dedo no gatilho, como se a eleição de 2010 já não fizesse parte da história. Agora, caros amigos, gostemos ou não do resultado, só tem outra em 2014.
Matt Bai comparou o quadro atual com os embates ideológicos dos anos 1960, “marcados por uma série de assassinatos políticos que mudaram o rumo da história americana”, e das guerras culturais dos anos 1990, em torno do direito ao porte de armas e ao aborto, quando extremistas de direita deixaram 168 mortos em Oklahoma City.
“O que é diferente no atual momento é o surgimento de uma cultura política em blogs, no twitter e na TV a cabo que, em voz alta e sem hesitar, reforça visões sombrias de extremistas”, constata o articulista do New York Times.
Lá como cá, havia cheiro de pólvora nas palavras. Para virar tragédia, basta aparecer um maluco armado.
Fonte:Balaio do Kotscho.
Lá também ninguém esperava que os discursos irados da oposição republicana contra o governo Obama e o seu projeto de reforma da saúde, amplificados na velha e na nova mídia por jornalistas da direita radical, cada vez mais belicosos, fosse acabar em tragédia.
Mas hoje parece ninguém mais ter dúvidas de que “a insensatez retórica que permeia nosso momento político”, na perfeita definição de Matt Bai, no New York Times, levou Jared Loughner, um jovem de 22 anos, a cometer o atentado que deixou seis mortos e feriu gravemente a deputada democrata Gabrielle Giffords, além de outras 13 pessoas, em Tucson, no Arizona.
Autoridades americanas informaram nesta segunda-feira já ter provas de que Loughner planejou a ação. Por que será que, momentos após a divulgação dos primeiros relatos sobre o atentado de Tucson, sumiu da internet o infame mapa de “mira telescópica” de Sarah Palin, que mostrava distritos como alvo de tiros, incluindo o de Giffords, segundo a denúncia de Matt Bai?
Candidata derrotada a vice na chapa republicana, uma espécie de Indio da Costa dos americanos, Palin é a voz mais estridente da oposição a Obama. Em março, logo após a votação da reforma na saúde, ela publicou propaganda colocando alvos em 20 Estados e listava Giffords entre os parlamentares democratas que deveriam ser derrotados nas eleições legislativas de novembro, segundo o relato de Álvaro Fagundes, correspondente da Folha em Nova York.
A oposição partidária por aqui está em férias, mas continua atuante na mídia, até desenterrando toda hora o passado para lembrar a participação de Dilma Rousseff na luta armada e lançando a cada dia novas denúncias contra o ex-presidente Lula.
“O PSDB que me desculpe, mas ter um presidente que vai para a Disneylândia enquanto o governo se inicia é um absurdo. Ficam os desmandos sem oposição”, chegou a se queixar no twitter o ex-secretário tucano Herbert Alqueres.
Nada contra o Sergio Guerra ir passear na Disney, onde eu também estive, mas Alqueres está sendo injusto com os bravos editores, colunistas e blogueiros que continuam dedicados a manter acesa a chama na luta contra o antigo e o atual governo.
Basta ver a grosseria e a intolerância constantes nos artigos e nos comentários dos leitores na internet para constatar que o clima por aqui não é muito diferente daquele que antecedeu o tiroteio com 20 vítimas no Arizona.
Os fundamentalistas pró e contra o governo brasileiro, o que saiu e o que entrou, continuam com o dedo no gatilho, como se a eleição de 2010 já não fizesse parte da história. Agora, caros amigos, gostemos ou não do resultado, só tem outra em 2014.
Matt Bai comparou o quadro atual com os embates ideológicos dos anos 1960, “marcados por uma série de assassinatos políticos que mudaram o rumo da história americana”, e das guerras culturais dos anos 1990, em torno do direito ao porte de armas e ao aborto, quando extremistas de direita deixaram 168 mortos em Oklahoma City.
“O que é diferente no atual momento é o surgimento de uma cultura política em blogs, no twitter e na TV a cabo que, em voz alta e sem hesitar, reforça visões sombrias de extremistas”, constata o articulista do New York Times.
Lá como cá, havia cheiro de pólvora nas palavras. Para virar tragédia, basta aparecer um maluco armado.
Fonte:Balaio do Kotscho.
FUTEBOL - Perdeu quem ganhou, ganhou quem perdeu.
_ Pelo jeito, está finalmente chegando aos últimos capítulos esta novela mexicana da volta de Ronaldinho Gaúcho ao Brasil, como se ele fosse a última coca-cola do deserto, ou a princesa mais bela do baile, na definição de Paulo Vinicius Coelho, o PVC, na sua coluna deste domingo na Folha.
A história do leilão encenado por Ronaldinho e Roberto Assis, seu irmão e agente, é tão inacreditável que, no final das contas, inverteram-se os papéis dos clubes na disputa por seu passe. Perdeu quem ganhou, ganhou quem perdeu.
Sim, em primeiro lugar ganhou o Milan, que “perdeu” Ronaldinho, ou melhor, se livrou deste ex-craque em atividade, levando ainda 4 milhões de dólares, metade do valor da multa. Em segundo lugar, ganharam o Grêmio e o Palmeiras, os outros dois clubes brasileiros que estavam dispostos a pagar o que não tinham para ficar com o rei das baladas.
Só perdeu o Flamengo, um clube que está falido há tempos, e vai pagar ao jogador mais de 1 milhão de reais por mês, durante três anos e meio, fora os prêmios por títulos e classificação do time para a Libertadores.
A melhor definição do imbroglio foi dada por Salvador Hugo Palaia, vice-presidente do Palmeiras: “Uma palhaçada. Nem se fosse o Pelé poderia fazer isto. Os dois (o jogador e o irmão) deveriam montar um circo”.
De fato, desde a Copa de 2006, na Alemanha, Ronaldinho está mais para malabarista de circo do que para jogador de futebol de alta performance. Com todo respeito à querida torcida do Flamengo, acho que o rubro-negro vai gastar uma fortuna para comprar apenas mais um problema ao custo total de mais de 40 milhões de reais.
Em tempo:
Como tudo pode acontecer nesta novela, agora só falta Ronaldinho desistir, depois de tudo 99,9% acertado entre o Flamengo, o Milan e o seu agente-irmão, como o iG informou no sábado. É o único jeito do Flamengo não perder.
Fonte: Blog Balaio.
A história do leilão encenado por Ronaldinho e Roberto Assis, seu irmão e agente, é tão inacreditável que, no final das contas, inverteram-se os papéis dos clubes na disputa por seu passe. Perdeu quem ganhou, ganhou quem perdeu.
Sim, em primeiro lugar ganhou o Milan, que “perdeu” Ronaldinho, ou melhor, se livrou deste ex-craque em atividade, levando ainda 4 milhões de dólares, metade do valor da multa. Em segundo lugar, ganharam o Grêmio e o Palmeiras, os outros dois clubes brasileiros que estavam dispostos a pagar o que não tinham para ficar com o rei das baladas.
Só perdeu o Flamengo, um clube que está falido há tempos, e vai pagar ao jogador mais de 1 milhão de reais por mês, durante três anos e meio, fora os prêmios por títulos e classificação do time para a Libertadores.
A melhor definição do imbroglio foi dada por Salvador Hugo Palaia, vice-presidente do Palmeiras: “Uma palhaçada. Nem se fosse o Pelé poderia fazer isto. Os dois (o jogador e o irmão) deveriam montar um circo”.
De fato, desde a Copa de 2006, na Alemanha, Ronaldinho está mais para malabarista de circo do que para jogador de futebol de alta performance. Com todo respeito à querida torcida do Flamengo, acho que o rubro-negro vai gastar uma fortuna para comprar apenas mais um problema ao custo total de mais de 40 milhões de reais.
Em tempo:
Como tudo pode acontecer nesta novela, agora só falta Ronaldinho desistir, depois de tudo 99,9% acertado entre o Flamengo, o Milan e o seu agente-irmão, como o iG informou no sábado. É o único jeito do Flamengo não perder.
Fonte: Blog Balaio.
POLÍTICA - Eles não conseguem esquecer o Lula.
_ Faz uma semana hoje que o Brasil mudou de presidente. Como todo mundo viu, saiu Lula, entrou Dilma, um novo governo assumiu, a roda da história girou, a fila andou. Para certos setores da imprensa brasileira, no entanto, que até hoje não se conformam com a vitória de Lula em 2002 e 2006, e o sucesso dos oito anos de seu governo, aprovado ao final por 87% da população, é como se nada houvesse mudado.
Parece obsessão _ e é. Entre as perturbações mentais mais comuns, a obsessão compulsiva caracteriza-se pela presença de ideias, de imagens ou de impulsos recorrentes, segundo o Manual Muck da Biblioteca Médica Online.
Dia sim, noutro também, eles não conseguem virar o disco, mudar de assunto. Lula continua sendo o assunto dominante nas manchetes, nas colunas, nos blogs. A única diferença é que, quando ele ainda estava no governo, o presidente respondia aos ataques no mesmo tom, dando a sua versão dos fatos, o que levava a imprensa a falar em ameaças à liberdade de expressão.
Agora, não. É um monólogo do pensamento único. Só um lado investiga, denuncia e julga, sem dar tempo para que as instituições se manifestem. Até entendo o comportamente de editores, colunistas, blogueiros e repórteres da grande mídia, que afinal ganham para isso ou pensam mesmo aquilo que escrevem em seu nicho de mercado.
Mas o massacre é de tal ordem que atingiu até alguns leitores do Balaio, principalmente aqueles que usam codinomes; não importa o tema tratado, escrevem comentários com a mesma ferocidade dos tempos da campanha eleitoral que acabou faz mais de dois meses.
Neste clima, pouco importa se o ex-presidente tem ou não razão ou direito nos atos adotados em seus últimos dias de governo e na primeira semana depois de passar a faixa. Nem tudo o que a lei permite é eticamente recomendável, eu sei. Não estou aqui para julgá-lo ou defendê-lo, não ganho para isso. Posso discordar dele em várias coisas, mas me espanta o tratamento raivoso e vingativo dado a Lula fora do governo em comparação aos seus antecessores.
Qualquer coisa que o agora ex-presidente faça ou deixe de fazer é motivo de críticas, denúncias, editoriais irados, como se devesse simplesmente desaparecer do mapa para ter um pouco de paz.
Nestes primeiros dias de 2011, procurei tratar de assuntos mais amenos, fugir da eterna pauta política de confronto entre governo e oposição, mas está difícil. Cada um entende o que quer, enxerga intenções que não tive e usa qualquer argumento para avivar a guerra ideológica. Até quando?
Fonte: Blog Balaio.
Parece obsessão _ e é. Entre as perturbações mentais mais comuns, a obsessão compulsiva caracteriza-se pela presença de ideias, de imagens ou de impulsos recorrentes, segundo o Manual Muck da Biblioteca Médica Online.
Dia sim, noutro também, eles não conseguem virar o disco, mudar de assunto. Lula continua sendo o assunto dominante nas manchetes, nas colunas, nos blogs. A única diferença é que, quando ele ainda estava no governo, o presidente respondia aos ataques no mesmo tom, dando a sua versão dos fatos, o que levava a imprensa a falar em ameaças à liberdade de expressão.
Agora, não. É um monólogo do pensamento único. Só um lado investiga, denuncia e julga, sem dar tempo para que as instituições se manifestem. Até entendo o comportamente de editores, colunistas, blogueiros e repórteres da grande mídia, que afinal ganham para isso ou pensam mesmo aquilo que escrevem em seu nicho de mercado.
Mas o massacre é de tal ordem que atingiu até alguns leitores do Balaio, principalmente aqueles que usam codinomes; não importa o tema tratado, escrevem comentários com a mesma ferocidade dos tempos da campanha eleitoral que acabou faz mais de dois meses.
Neste clima, pouco importa se o ex-presidente tem ou não razão ou direito nos atos adotados em seus últimos dias de governo e na primeira semana depois de passar a faixa. Nem tudo o que a lei permite é eticamente recomendável, eu sei. Não estou aqui para julgá-lo ou defendê-lo, não ganho para isso. Posso discordar dele em várias coisas, mas me espanta o tratamento raivoso e vingativo dado a Lula fora do governo em comparação aos seus antecessores.
Qualquer coisa que o agora ex-presidente faça ou deixe de fazer é motivo de críticas, denúncias, editoriais irados, como se devesse simplesmente desaparecer do mapa para ter um pouco de paz.
Nestes primeiros dias de 2011, procurei tratar de assuntos mais amenos, fugir da eterna pauta política de confronto entre governo e oposição, mas está difícil. Cada um entende o que quer, enxerga intenções que não tive e usa qualquer argumento para avivar a guerra ideológica. Até quando?
Fonte: Blog Balaio.
POLÍTICA - Planalto não pode ser conivente com a desconstrução de Lula.
A mídia tradicional já escolheu sua estratégia para tentar abater Lula e Dilma até 2014. Parece coisa de maluco começar a pensar na sucessão presidencial na primeira semana de um novo mandato. Mas é disso que se trata.
O discurso dos colunistas do estabilishment está afiadinho. Cada um de sua maneira (leia com atenção certas colunas) começa a demonstrar que Dilma está imprimindo um novo ritmo no governo e que Lula era um cara mais folgado, relaxado, que não gostava de cumprir prazos etc.
Não à toa, a foto que tem sido usada para sustentar imageticamente esse discurso tem sido a em que o ex-presidente aparece na sacada de sua casa com uma camiseta sem mangas.
A análise intramuros que esse grupo do colunismo deve estar fazendo é que mesmo Dilma não fazendo um grande governo, Lula seria imbatível em 2014 caso sua imagem não sofra um grande desgaste nos próximos anos.
O pior é que pelo que apurei em conversas com gente que tem acesso ao circulo palaciano, isso está sendo considerado bom por alguns assessores próximos da presidenta.
Eles estariam avaliando que essa diferenciação entre Dilma e Lula que a mídia está fazendo garante personalidade política à presidenta. E que não é exatamente um problema Lula perder um naco de seu capital político, já que não trabalham com a hipótese de que ele deveria voltar em 2014.
Essa análise é tão inteligente quanto a que levou o PT a abrir mão da prefeitura de BH num acordo com Aécio para que o então governador de Minas apoiasse uma candidatura do partido na sua sucessão.
Ou seja, é idiotice pura.
Se a mídia tradicional conseguir desgastar Lula, ela vai babando para cima de Dilma. Que não terá em quem se apoiar.
Lula forte é a melhor salvaguarda da presidenta eleita. É o Pelé no banco de reservas, como disse o ministro Gilberto Carvalho.
A tese de que tudo bem deixar bater em Lula para elogiar Dilma não pode ser aceita pelo atual governo.
O ideal seria que a própria Dilma botasse um ponto final nisso com uma declaração contundente. Se a intenção for deixá-la fora disso, no mínimo um dos seus ministros fortes precisa sair em defesa do ex-presidente e dizer que não há um outro estilo melhor agora do que o anterior. De que são estilos diferentes. E ponto.
Até porque se essa tese avançar estará se cometendo uma baita injustiça com o torneiro mecânico. E também porque o sucesso dessa operação pode ser fatal não para o futuro de Lula, mas principalmente para o de Dilma.
Fonte:Blog do Rovai.
O discurso dos colunistas do estabilishment está afiadinho. Cada um de sua maneira (leia com atenção certas colunas) começa a demonstrar que Dilma está imprimindo um novo ritmo no governo e que Lula era um cara mais folgado, relaxado, que não gostava de cumprir prazos etc.
Não à toa, a foto que tem sido usada para sustentar imageticamente esse discurso tem sido a em que o ex-presidente aparece na sacada de sua casa com uma camiseta sem mangas.
A análise intramuros que esse grupo do colunismo deve estar fazendo é que mesmo Dilma não fazendo um grande governo, Lula seria imbatível em 2014 caso sua imagem não sofra um grande desgaste nos próximos anos.
O pior é que pelo que apurei em conversas com gente que tem acesso ao circulo palaciano, isso está sendo considerado bom por alguns assessores próximos da presidenta.
Eles estariam avaliando que essa diferenciação entre Dilma e Lula que a mídia está fazendo garante personalidade política à presidenta. E que não é exatamente um problema Lula perder um naco de seu capital político, já que não trabalham com a hipótese de que ele deveria voltar em 2014.
Essa análise é tão inteligente quanto a que levou o PT a abrir mão da prefeitura de BH num acordo com Aécio para que o então governador de Minas apoiasse uma candidatura do partido na sua sucessão.
Ou seja, é idiotice pura.
Se a mídia tradicional conseguir desgastar Lula, ela vai babando para cima de Dilma. Que não terá em quem se apoiar.
Lula forte é a melhor salvaguarda da presidenta eleita. É o Pelé no banco de reservas, como disse o ministro Gilberto Carvalho.
A tese de que tudo bem deixar bater em Lula para elogiar Dilma não pode ser aceita pelo atual governo.
O ideal seria que a própria Dilma botasse um ponto final nisso com uma declaração contundente. Se a intenção for deixá-la fora disso, no mínimo um dos seus ministros fortes precisa sair em defesa do ex-presidente e dizer que não há um outro estilo melhor agora do que o anterior. De que são estilos diferentes. E ponto.
Até porque se essa tese avançar estará se cometendo uma baita injustiça com o torneiro mecânico. E também porque o sucesso dessa operação pode ser fatal não para o futuro de Lula, mas principalmente para o de Dilma.
Fonte:Blog do Rovai.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
POLÍTICA - Em nome da serenidade.
Mauro Santayana, no Jornal do Brasil.
O melhor que devemos fazer, diante de novas manifestações contra a decisão soberana do Brasil em negar a extradição de Batistti, é atender à recomendação dos velhos sábios: deixar que os protestos entrem por um ouvido e saiam pelo outro. Quando a Itália concedeu boa acolhida a Salvatore Cacciola, o Brasil se manteve em silêncio, tendo em vista a sua condição de cidadão italiano. Esperou-se a boa oportunidade, e ela surgiu quando Cacciola foi passear sua impunidade no Principado de Mônaco.
É natural que a direita e parcela da esquerda da Itália se sintam ofendidas pela decisão assumida – dentro de sua inteira potestade e responsabilidade – pelo presidente Lula. Inaceitável é a posição de personalidades do governo, que confundem o Estado com seus sentimentos pessoais ou posições ideológicas. É interessante registrar que poucas pessoas conhecem o tratado de extradição (sempre citado pelos que exigem a entrega de Batistti à Itália). O tratado, em seu artigo II, que trata da recusa de extradição, diz, claramente, que ela não será concedida “se o fato pelo qual é pedida for considerado, pela parte requerida, crime político”.
Quem é juiz para decidir se o crime foi político, ou não, é a parte requerida: o governo brasileiro (letra e).
O item seguinte (f) traz uma razão adicional para esse entendimento, ao acrescentar que a parte requerida poderá negar a extradição, se tiver razões ponderáveis para supor que a pessoa reclamada será submetida a atos de perseguição e discriminação por motivo de raça, religião, sexo, nacionalidade, língua, opinião política , condição social ou pessoal; ou que sua situação possa ser agravada por um dos elementos antes mencionados.
Assim como o presidente Lula, em nome do Estado, do qual era constitucionalmente chefe, negou a extradição, poderia tê-la concedido, se assim entendesse como de interesse do país. Ele tomou decisão soberana, em nome do povo, como seu mais importante mandatário. Que o governo italiano, atendendo ao clamor das presumidas vítimas de Batistti, busque a extradição, é compreensível. Mas é necessário que aceitem a decisão brasileira, assim como aceitaram, antes, a de Mitterrand ao asilar, na França, o mesmo Batistti por dez anos.
A facção política a que pertencia Batistti era minoritária entre as que atuavam na Itália no fim dos anos 70. As Brigadas Vermelhas, que sequestraram e mataram Aldo Moro, não agiram de forma a atender o Partido Comunista, que negociara com aquele político democrata-cristão o famoso Compromesso Storico – criava a aliança entre os dois partidos para governar a Itália. Hoje, ninguém mais duvida que a direita democrata-cristã, de Giulio Andreotti, o principal adversário de Aldo Moro no partido, foi a maior beneficiada pelo crime. Nos anos 70, quando Moro foi assassinado, o hoje ministro La Russa – o mais irado inimigo do Brasil no caso Batistti – já era notório militante da extrema-direita.
O grupinho a que pertencia Batistti era insignificante do ponto de vista político, e poderia ter sido instrumento da própria direita. Se o seu processo foi farsa, ou não, não importa ao nosso raciocínio, embora ele tenha sido condenado por dois assassinatos cometidos em cidades diferentes e distantes, no mesmo dia.
Enquanto alguns manifestantes protestavam ontem, diante da nossa embaixada, na Piazza Navona, a poucos metros, na via lateral, o Corso del Rinascimento, outros pediam a libertação de Cesare Batistti. E importantes jornalistas e políticos italianos buscam diminuir a importância do dissídio diplomático – a partir do próprio primeiro-ministro, Berlusconi, que defendeu ontem a continuidade do bom entendimento entre a Itália e o Brasil.
Ao mesmo tempo, a União Europeia se nega a transformar a causa italiana em um problema daquela comunidade de nações.
Postado por Jussara Seixas
Fonte: Por Um Novo Brasil.
O melhor que devemos fazer, diante de novas manifestações contra a decisão soberana do Brasil em negar a extradição de Batistti, é atender à recomendação dos velhos sábios: deixar que os protestos entrem por um ouvido e saiam pelo outro. Quando a Itália concedeu boa acolhida a Salvatore Cacciola, o Brasil se manteve em silêncio, tendo em vista a sua condição de cidadão italiano. Esperou-se a boa oportunidade, e ela surgiu quando Cacciola foi passear sua impunidade no Principado de Mônaco.
É natural que a direita e parcela da esquerda da Itália se sintam ofendidas pela decisão assumida – dentro de sua inteira potestade e responsabilidade – pelo presidente Lula. Inaceitável é a posição de personalidades do governo, que confundem o Estado com seus sentimentos pessoais ou posições ideológicas. É interessante registrar que poucas pessoas conhecem o tratado de extradição (sempre citado pelos que exigem a entrega de Batistti à Itália). O tratado, em seu artigo II, que trata da recusa de extradição, diz, claramente, que ela não será concedida “se o fato pelo qual é pedida for considerado, pela parte requerida, crime político”.
Quem é juiz para decidir se o crime foi político, ou não, é a parte requerida: o governo brasileiro (letra e).
O item seguinte (f) traz uma razão adicional para esse entendimento, ao acrescentar que a parte requerida poderá negar a extradição, se tiver razões ponderáveis para supor que a pessoa reclamada será submetida a atos de perseguição e discriminação por motivo de raça, religião, sexo, nacionalidade, língua, opinião política , condição social ou pessoal; ou que sua situação possa ser agravada por um dos elementos antes mencionados.
Assim como o presidente Lula, em nome do Estado, do qual era constitucionalmente chefe, negou a extradição, poderia tê-la concedido, se assim entendesse como de interesse do país. Ele tomou decisão soberana, em nome do povo, como seu mais importante mandatário. Que o governo italiano, atendendo ao clamor das presumidas vítimas de Batistti, busque a extradição, é compreensível. Mas é necessário que aceitem a decisão brasileira, assim como aceitaram, antes, a de Mitterrand ao asilar, na França, o mesmo Batistti por dez anos.
A facção política a que pertencia Batistti era minoritária entre as que atuavam na Itália no fim dos anos 70. As Brigadas Vermelhas, que sequestraram e mataram Aldo Moro, não agiram de forma a atender o Partido Comunista, que negociara com aquele político democrata-cristão o famoso Compromesso Storico – criava a aliança entre os dois partidos para governar a Itália. Hoje, ninguém mais duvida que a direita democrata-cristã, de Giulio Andreotti, o principal adversário de Aldo Moro no partido, foi a maior beneficiada pelo crime. Nos anos 70, quando Moro foi assassinado, o hoje ministro La Russa – o mais irado inimigo do Brasil no caso Batistti – já era notório militante da extrema-direita.
O grupinho a que pertencia Batistti era insignificante do ponto de vista político, e poderia ter sido instrumento da própria direita. Se o seu processo foi farsa, ou não, não importa ao nosso raciocínio, embora ele tenha sido condenado por dois assassinatos cometidos em cidades diferentes e distantes, no mesmo dia.
Enquanto alguns manifestantes protestavam ontem, diante da nossa embaixada, na Piazza Navona, a poucos metros, na via lateral, o Corso del Rinascimento, outros pediam a libertação de Cesare Batistti. E importantes jornalistas e políticos italianos buscam diminuir a importância do dissídio diplomático – a partir do próprio primeiro-ministro, Berlusconi, que defendeu ontem a continuidade do bom entendimento entre a Itália e o Brasil.
Ao mesmo tempo, a União Europeia se nega a transformar a causa italiana em um problema daquela comunidade de nações.
Postado por Jussara Seixas
Fonte: Por Um Novo Brasil.
domingo, 9 de janeiro de 2011
PEDIDO DE DESCULPAS AOS AMIGOS LEITORES DO BLOG.
Como vcs observaram sumi do mapa nos últimos 11 dias. Viajei para passar a virada do ano no sul de Minas Gerais.
Levei meu laptop após consultar a TIM. Esta me informou que se comprasse um mini-modem não teria problema de acesso à Internet no lugar para o qual viajaria.
Tipo da propaganda enganosa, pois lá chegando, vi que era impossível conectar a Internet. Dessa forma, fiquei sem poder entrar no meu blog durante esses dias todos.
Na próxima segunda-feira retornarei ao mesmo.
Um grande abraço a todos e um FELIZ 2011.
Levei meu laptop após consultar a TIM. Esta me informou que se comprasse um mini-modem não teria problema de acesso à Internet no lugar para o qual viajaria.
Tipo da propaganda enganosa, pois lá chegando, vi que era impossível conectar a Internet. Dessa forma, fiquei sem poder entrar no meu blog durante esses dias todos.
Na próxima segunda-feira retornarei ao mesmo.
Um grande abraço a todos e um FELIZ 2011.
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