domingo, 29 de setembro de 2013

MÍDIA - Por que não interpelar o Merval Pereira?

Mais uma vez esse jornalista global, de modo irresponsável e leviano, escreve um artigo, desta vez com o título de "Dilma digital", onde ele diz textualmente que "há um bom montado esquema de blogs pagos por verba oficial para elogiar o governo petista e tentar desqualificar os críticos, sejam eles políticos, jornalistas "independentes" ou cidadãos que não se veem representados pelo governo que está aí".

Eu particularmente, assim como diversos blogueiros que escrevem para mostrar que existe um outro lado da informação, que não seja somente aquela mostrada pelo JN, Veja e outros veículos da grande mídia,  escrevem,  sem receber nenhum centavo de ninguém, acho que deveríamos intimar judicialmente o imortal jornalista, para que prove suas acusações.

Eu só criei um blog, porque o jornal que ele escreve, só uma vez publicou uma, das dezenas de cartas que enviei para a sessão "carta dos leitores" do O Globo.

Nessas cartas, contestava muitos editoriais e matérias publicadas por esse órgão da imprensa, pois pude verificar que 90% do que era mostrado nas referida sessão, eram de apoio a linha editorial do jornal ou do teor das matérias escritas.
O contraditório não tinha espaço na "carta dos leitores".

Em função disso, além de me tornar blogueiro, cancelei minha assinatura, pois achava de uma tremenda hipocrisia O Globo dizer que era isento e apartidário, que não manipulava as informações e, no entanto, só publicava aquilo que lhe interessava.

Poderia citar um monte de exemplos da maneira como o Globo trata as notícias.

Semana passada, só de brincadeira, para mostrar que O Globo continua o mesmo, escrevi uma carta criticando um artigo que mostra um
posicionamento que ilustra claramente o oportunista vale-tudo implantado e que de ético nada tem do colunista Merval Pereira.
Este, na quarta-feira do julgamento, fazendo coro à pressão contra o possível voto de Celso de Mello, escreveu: “Não é mais possível ao ministro dar um voto apenas técnico , já que suas consequências podem ser graves para a imagem da instituição e, consequentemente, para a democracia brasileira que o próprio Celso de Mello procurou defender”.

 Na quinta-feira, porém, como foi possível ao ministro dar o tal voto, Merval afirma: “A aceitação dos embargos infringentes tem a vantagem para a democracia brasileira de impedir que prospere a lenda de que o Supremo Tribunal Federal fez um julgamento de exceção contra os mensaleiros.”.
Que acha disso? 
O julgamento de exceção vai ficar considerado se,  no caso o mensalão tucano, escondido pelo O Globo e seus parceiros, deixe de ser aplicada a Teoria do Domínio de Fato, que foram buscar no julgamento de Nuremberg, para que fosse possível condenar o Zé Dirceu, com base somente em suposições, ilações e achismos.
  By de way, O Globo escondeu a notícia mais comentada  nos meios jurídicos e políticos, que foi a entrevista  do jurista Ives Granda à FSP declarando que "o Zé Dirceu foi condenado sem provas".
Quem quiser, procure saber quem é o Ives Granda e vai ficar surpreso com a descoberta.
Voltando ao tema inicial, dessa forma vou conversar com meus amigos blogueiros, para tomarmos uma posição a respeito da declaração leviana do ilustre imortal.
O de positivo a mostrar, é que as redes sociais, principalmente os blogues, estão começando a incomodar a mídia grande, que passou a ter seu "pensamento único", contestado,  desmascarado e confrontado.
Ganha com isso  a sociedade, que com a possibilidade do contraditório, não fica refém do quase monopólio da informação existente em nosso país.

As pessoas de posse dos dois lados da notícia, poderão fazer suas reflexões e decidir quem está sendo honesto na informação.

POLÍTICA - Assim como o Rovái: Aí Aécio, vamos conversar?

Seguindo o mesmo caminho do meu amigo jornalista Renato Rovái, do Blog do Rovái e da revista Fórum, aceitei o chamado do senador Aécio, que encerra sua propaganda eleitoral na TV com o bordão: "Sou Aécio Neves, vamos conversar".

Achei legal a iniciativa e respondo: "Sou Carlos Dória, do Blog de Um Sem Mídia" e aceito seu convite.

Quero conversar com Vossa Excelência.
 Nesse sentido, estou lhe encaminhando meu pedido para um bate-papo reto, cabendo lembrar que o Sr., repetidas vezes tem usado o termo reto, daí usá-lo no meu texto.

Nesse bate-papo reto, vou lhe fazer algumas perguntas sobre temas que me parecem relevantes, algumas delas já feitas  pelo Rovái.

Confio no seu espírito democrático, na sua boa intenção e na sinceridade ao nos convidar e a todos os brasileiros, para conversar.

Vamos às perguntas:

- Sua opinião sobre as privatizações da era FHC, que a exemplo do jornalista Élio Gaspari, gosto  de chamar de "Privataria Tucana" e o custo da mesma para o nosso país;

- Por que acha que o "Mensalão Tucano", que um jurista do seu Estado declarou que é igual ao mensalão petista, continua até hoje sem ser julgado e escondido pela grande imprensa que lhe apóia?

- Por que supostos desvios de recursos da saúde, quando o Sr. era governador, divulgados pela mídia alternativa, não foram até agora investigados?

- Qual sua opinião a respeito da investigação do cartel do metrô de São Paulo, envolvendo multinacionais do porte da Alston e Siemens, também escondida da mídia amiga, que prefere a denúncia seletiva, desde que envolva o PT?

- Que motivos levaram seu partido ser contra o "Bolsa Família", programa que hoje é reconhecido e recomendado pela ONU?

- Por que o PSDB é contrário ao programa "Mais Médicos", que acima de tudo, considero um programa de caráter humanitário, que visa propiciar assistência médica a milhões de brasileiros que vivem nos quase 1000 municípios e nas periferias das grandes cidades, onde não existe nenhum médico que possa prestar assistência médica? Mesmo tendo conhecimento de que, segundo pesquisa do Ibope, 75% dos consultados se mostraram a favor desse programa do governo federal?

-O que o Sr. acha da intenção dos EUA de atacar a Síria, mesmo sem autorização do Conselho de Segurança da ONU?

- Gostaria  que o Sr. explicasse sua declaração a respeito do discurso da Dilma na ONU, criticando a espionagem americana, discurso esse bem elogiado pela comunidade internacional, e que o Sr. chamou de "pronunciamento eleitoreiro".

 - Qual sua real opinião sobre o ex-governador José Serra que está fazendo mistério se vai ou não apoiá-lo na eleição presidencial de 2014. É verdade que tanto o Sr. como o Serra têm dossiês impressionantes, um contra o outro?

 -Que comentário faz sobre o verdadeiro massacre midiático a que foi submetido o ministro Celso de Mello para votar contra os embargos infringentes?

- Por último, que acha da entrevista à FSP do jurista Ives Granda, que declarou que "o Zé Dirceu foi condenado sem provas", com base na Teoria do Domínio de Fato, à qual bastam apenas indícios, ilações, suposições, ou seja, achismos para que alguém seja condenado, teoria essa que começou a trazer preocupações ao meio jurídico e empresarial, já que qualquer um pode ser condenado sem provas materiais.
Meus agradecimentos por seu espírito democrático e sua atenção.
No aguardo.
sds carlos dória

sábado, 28 de setembro de 2013

POLÍTICA - E aí, Aécio, vamos conversar?

Caro senador Aécio Neves, imagino que o senhor não conheça este escriba e talvez nem a Revista Fórum, apesar de a revista já circular há 12 anos e de eu ter lhe encontrado recentemente no Aeroporto de Congonhas. Sentamos frente a frente no saguão e vossa excelência me olhou umas quatro ou cinco vezes de soslaio. Eu fiz de conta que não percebia e me mantive concentrado no tablet. Depois pegamos o mesmo ônibus que nos levou ao avião. Íamos para o Rio de Janeiro. Aliás, parece que vossa excelência gosta muito da capital carioca. Eu também sou fã. E se tivesse as mesmas condições econômicas que o senhor não resistiria a viver boa parte do meu tempo por lá. Mas o que me motiva a escrever este post não é o Rio. E outra coisa.
Assisti a uma recente inserção de TV do seu partido e vi que vossa excelência está aberta ao diálogo. Diz algo assim: “Sou Aécio Neves, vamos conversar”. Achei ótima a iniciativa. E por este simples blogue, lhe digo: “Sou o Renato Rovai e aceito o convite”. Quero conversar com vossa excelência.
E aproveito para lhe dizer que irei lhe enviar oficialmente essa solicitação de conversa. Acho que vou falar em entrevista, porque talvez a sua assessoria não entenda o espírito da coisa. Mas que fique claro, será um bate-papo. Aliás, um papo reto (o senhor tem usado este termo) transmitido pela web. No qual farei algumas perguntas sobre temas que me parecem muito importantes. Na sequência, seguem alguns temas das perguntas. Ah, claro, vou abrir para os internautas poderem falar com o senhor. É assim que funciona na lógica do papo reto. As pessoas não ficam com esse lenga-lenga do script televisivo, onde tudo é meio que combinado antes. Por isso não posso lhe garantir que tratarei apenas dos temas abaixo. Mas, confio no seu espírito democrático. E na sua boa intenção e sinceridade ao nos convidar para conversar. E fazer um papo reto.
Pautas para a conversa.
- As privatizações no governo Fernando Henrique e o custo delas para o Brasil
- O mensalão mineiro
- Supostos desvios de recursos da saúde no governo de Minas Gerais
- A investigação do cartel do metrô no governo de SP
- Os motivos que levaram o PSDB a ser contra o Bolsa Família no início do governo Lula
- Por que o PSDB é contra o Mais Médicos
- O silêncio da mídia mineira em relação ao governo de Minas, denunciado como censura econômica por vários jornalistas e movimentos sociais.
- Os motivos que lhe levaram a rejeitar a usar o bafômetro numa blitz no Rio de Janeiro.
- O que o senhor achou daquele texto em espaço editorial, assinado por Mauro Chaves, no jornal O Estado de S. Paulo, cujo título era “Pó parar, governador”.
- Qual a sua real opinião sobre o ex-governador José Serra. É verdade que o senhor e ele têm dossiês impressionantes um contra o outro?
Listei apenas 10 pontos iniciais. Mas como na internet não há limite de tempo, podemos ficar horas conversando. Papo reto, senador. Sem papas na língua. Que tal?
Então, só pra finalizar, vou imitá-lo.
E aí, senador Aécio Neves, vamos conversar?

ECONOMIA - Crise internacional, perspectivas e ações necessárias.


Crise, perspectivas e ações necessárias

A crise no cerne do capitalismo atingiu todos os países emergentes, desacelerando o crescimento econômico que vinham ostentando. Antes da crise, no período 2004/2008 a média anual de crescimento desses países foi de 7,5% e caiu para 5,4% no período 2009/2012, com perda de 2,1 pontos ou 29%. O Brasil sentiu o golpe e o impacto da crise nesses períodos fez com que o crescimento passasse de 4,8% para 2,7%, com perda de 2,1 pontos ou 44%, portanto acima dos países emergentes e da própria média mundial. Por Amir Khair.

A crise internacional pôs a nu a fragilidade financeira, monetária e fiscal dos países desenvolvidos, que estão sendo obrigados, para estimular o consumo, a operar com taxas de juros reais (excluída a inflação) negativas e desvalorizar suas moedas para crescer as exportações uma vez que o mercado interno anda de lado. 

O socorro do Estado ao sistema financeiro para evitar o colapso por ele engendrado ampliou déficits fiscais e endividamentos públicos sem precedentes e, mantém posição problemática nas principais macrovariáveis desses países.

Impactos da crise - Por outro lado, a crise no cerne do capitalismo atingiu todos os países emergentes, desacelerando o crescimento econômico que vinham ostentando. Antes da crise, no período 2004/2008 a média anual de crescimento desses países foi de 7,5% e caiu para 5,4% no período 2009/2012, com perda de 2,1 pontos ou 29%.

A situação dos países desenvolvidos nesses mesmos períodos foi a seguinte: antes da crise o crescimento foi de 2,3% e caiu para 0,5%, com perda de 1,8 pontos ou 77%. Essas quedas atingiram de forma diferente esses países. Nos Estados Unidos e na Alemanha a queda foi de 53%, na Área do Euro 147% e no mundo a queda foi de 37%. 

O Brasil sentiu o golpe e o impacto da crise nesses períodos fez com que o crescimento passasse de 4,8% para 2,7%, com perda de 2,1 pontos ou 44%, portanto acima dos países emergentes e da própria média mundial.

Medidas e perspectivas - Há que recuperar a perda ocorrida e para isso o governo vem tentando um coquetel amplo de medidas: desonerou setores e produtos, priorizou as empresas locais nas compras governamentais, ampliou a oferta de crédito e reduziu as taxas de juros nos bancos oficiais (BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), autorizou estados e municípios a ampliar o endividamento para investimentos, lançou os programas de concessões nos modais de transporte rodoviário, ferroviário, portuário e aeroviário, ampliou programas de renda e voltados à base da pirâmide social, com destaque para o Bolsa Família, Brasil sem Miséria, Minha Casa Minha Vida, Minha Casa Melhor (compras de móveis e eletrodomésticos) e vários outros estímulos.

Os resultados podem começar a ocorrer de forma mais visível a partir de 2014, uma vez que para este ano a previsões ficam abaixo da média registrada de 2009/2012 de 2,7%.

Mas, será que a expectativa do governo vai se viabilizar? Caso ocorra há grande probabilidade de novo mandato para Dilma Rousseff e, com o crescente impacto desse extenso programa de estímulos pode ser que ocorra cenário macroeconômico mais favorável no segundo mandato. Nesse caso a perspectiva de continuação do objetivo político da crescer com inclusão, como marca dos governos Lula/Dilma se consolide, afastando os riscos de volta a políticas econômicas mal sucedidas.

Resta, no entanto, responder aos clamores das manifestações de massa, colocando o Estado ao serviço da sociedade e não do poder econômico e do corporativismo que só visa se servir do Estado e não de servir à sociedade. O programa Mais Médicos é o primeiro teste de enfrentamento desse corporativismo. Tem tudo para dar certo e conta com decisivo apoio popular. Caso emplaque, abre a porta de avanços significativos na área de maior impacto na vida das pessoas que é a saúde.

Resta, também, avançar na área estratégica da educação. Os últimos anos registraram significativa melhora, especialmente com o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico (FUNDEB), Prouni e escolas profissionalizantes. A formação da mão de obra tem muito a avançar e conta com recursos carimbados de vulto ao objetivo que o País necessita. A valorização do magistério caminha lado a lado com essa evolução e tem garantia legal de recursos para sua continuidade.

A recente decisão de destinar 75% dos royalties do pré-sal para educação e 25% para a saúde, pode garantir a sustentação financeira para o deslanche dessas importantes áreas sociais.

Falta - Mas tudo isso poderá ser ampliado e acelerado em seus resultados caso o governo ataque de forma firme o obstáculo do atraso do sistema financeiro e de setores que ocupam posições de monopólio e oligopólio e práticas de cartel, elevando preços e subtraindo recursos dos setores que competem e dos consumidores.

Há que derrubar, de fato, e não tão pouco como ocorrido, as taxas de juros do País, trazendo-as para o nível internacional. O governo tem as armas para isso independentemente do Congresso e teria o apoio da sociedade se atuasse firme nessa direção.

Quanto aos esquemas produtivos que impõem preços na economia e que ainda se encontram demasiadamente protegidos por tarifas e outras vantagens alfandegárias, o governo pode alterar isso removendo o excesso protecionista. Com isso poderá impedir a contaminação das cadeias produtivas, reduzir custos e preços da economia e derrubar a inflação. Quanto ao Copom, que só serve ao atraso e à farsa do controle inflacionário, o melhor para o País é fechá-lo, pois até agora só serviu ao rentismo dominante.

Vale acompanhar.

(*) Mestre em Finanças Públicas pela FGV e consultor

POLÍTICA - Marina recorre ao TSE.

Marina Silva recorre ao TSE, mas recurso não tem chance alguma

MARINA SILVA COM LULLA LÁ... CHARGE......
Pedro do Coutto
 
O repórter Renier Bragon, Folha de São Paulo do dia 20, publicou que a ex-senadora vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral para que o TSE aceite o pedido de criação do Rede Sustentável, partido que pretende criar, mesmo sem o número exigido de assinaturas de eleitores, 492 mil conforme a legislação. Ela conseguiu reunir 440 mil, mas faltam 55 mil apoios. Sentindo que não há tempo para completar a exigência até o dia 5 de outubro, a segunda colocada nas pesquisas eleitorais pede que seja revista a primeira decisão da Corte recusando 95 mil assinaturas que apresentavam duplicidade. O recurso foi encaminhado através do ex-ministro Torquato Jardim, que, por coincidência, integrou o TSE.
Esse o propósito inicial do recurso. O segundo objetivo é obter registro provisório. Não adiantaria nada para Marina Silva a concessão do adiamento, decisão totalmente improvável. Da mesma forma que o TSE reconsiderasse sua decisão a respeito de 95 mil manifestações de concordância com a criação da legenda. Mas, mesmo que isso viesse a ocorrer, Marina Silva estaria impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2014. A Lei Eleitoral determina que qualquer candidato, para disputar as eleições de 2004, tem que se encontrar inscrito num partido até 5 de outubro de 2013, um ano antes das urnas.
Não resolveria nada para a ex-senadora que fosse concedido registro provisório. Ela não teria os doze meses de filiação exigidos pela Lei. Marina Silva, lembra Bragon, é a segunda colocada na pesquisa, segundo o Datafolha com 26% das intenções de voto. Dez pontos atrás de Dilma Rousseff. Para o Instituto MDA, Marina tem 22 pontos, Dilma Rousseff 36%. A impressão que o quadro fornece é que a presença de Marina Silva nas eleições conduz à ideia de um segundo turno entre ela e a atual presidente da República. Isso porque Aécio Neves registra 15 pontos, Eduardo Campos apenas 7%, e José Serra constitui uma incógnita porque, sem o PSDB, para concorrer teria que se filiar à nova legenda também até o dia 5 próximo. Faltam menos de duas semanas tanto para ele, quanto para marina Silva decidirem os rumos a tomar.
Marina Silva, afirma-se, dificilmente retornaria ao Partido verde. Restaria o PPS de Roberto Freire, caso Serra não ingresse nesta sigla. Os demais partidos, como o Partido Ecológico Nacional, o PEN, não possuem estrutura capaz de4 sustentar uma candidatura à presidência da República. Utilizariam a figura popular de Marina Silva para obter votos para a Câmara Federal e Assembleias Legislativas. Isso de um lado. De outro o tempo de acesso aos horários gratuitos da televisão e do rádio será pouco significante, frustrando o eleitorado. Porém uma coisa parece certa: a disposição de Marina Silva ser mesmo candidata em 2014, confiante que está na manutenção dos índices de intenção de voto registrados nos levantamentos pré-eleitorais.
Em minha opinião, ela não está longe da verdade, mas deve levar em conta que o PSDB possui uma estrutura partidária nacional e Aécio neves, embora fraco em São Paulo, é forte em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. A candidatura de Eduardo campos alcança somente 7 pontos, muito pouco para uma decolagem forte rumo ao Planalto. E a tendência de Aécio Neves é crescer, pelo menos até o patamar atingido por José Serra no primeiro turno da disputa presidencial de 2010: cerca de 30%. Assim, Marina e Aécio disputariam o direito de ir à final contra Dilma Rousseff. Mas para isso é preciso que Marina desista do recurso ao TSE e se inscreva em uma das legendas disponíveis.

INTERNET - "Regulação da Internet é impossível".

Dilma foi firme na ONU, mas regulação da Internet é impossível

Pedro do Coutto

A presidente Dilma Rousseff foi indiscutivelmente firme no discurso de abertura da reunião anual da ONU. Como está bem acentuado na reportagem de Flávia Barbosa e Isabel de Luca, O Globo de 25. Ela condenou de forma direta e frontal o sistema de espionagem montado (e exercido) pelo governo norte-americano, através da Agência de Segurança Nacional, em relação ao Brasil, ao governo brasileiro, abrangendo até a vida pessoal da presidente da república e as atividades da Petrobrás no projeto do pré-sal.
Violação dos direitos humanos – disse Rousseff -. Não se sustentam os argumentos da casa Branca de que as nações contra o terrorismo. Mais uma vez, Dilma levou o presidente Barack Obama ao recuo, uma vez que, no discurso que proferiu em seguida, acentuou, numa frase isolada, que “começamos a rever a forma com que coletamos informações de inteligência para equilibrarmos apropriadamente as legítimas preocupações sobre segurança”.
Dilma Rousseff marcou pontos favoráveis à campanha pela reeleição, embora tenha proposto algo totalmente impossível: a regulação internacional da Internet. Não há como. O problema é ético, não técnico. Tanto é impossível que um contratado por terceirização da Agência de Segurança dos EUA, Edward Snowden, revelou para o mundo, através do jornal inglês The Guardian, todo o sistema secreto de inteligência e espionagem do governo de Washington. Não há blindagem possível. Se houvesse, Snowden não teria sido o autor principal de um gigantesco episódio de vazamento, cujo desfecho, até agora, foi seu asilo político concedido por Moscou.
A Internet é incontrolável. Os fatos comprovam esta realidade. Por mais secreto que um sistema de sigilo seja, ainda que o mais sofisticado possível, haverá sempre algum ser humano com acesso a ele. A rede internacional não opera, tampouco poderia operar, sozinha, sem a participação e o conhecimento de alguém. Além do mais, a informação é algo tão sedutor que rompe as barreiras possíveis dos segredos institucionais e acaba sempre revelada publicamente. A Internet, até hoje, vinte anos depois de formalizada sua rede mundial pelo Pentágono, não conseguiu evitar os acessos a cadastros pessoais e a emissão (falsa) de cartões de crédito. Basta citar os exemplos mais comuns para se perceber a vulnerabilidade de um sistema fantástico de comunicação.
RECURSO DE MARINA SILVA

Se rejeitado, como é provável, o recurso da ex-senadora Marina Silva ao TSE para formar seu partido, Rede Sustentável, (escrevo este artigo com antecedência) terá ela o prazo de até 7 de outubro para se inscrever numa legenda existente, o PPS por exemplo. Caso contrário, se tornará inelegível. A lei eleitoral, lei 9504/97, artigo 9, estabelece que os candidatos, para concorrer, têm que possuir filiação partidária até exatamente um ano das eleições. O prazo de Marina Silva, assim, é improrrogável.

Mas é prorrogável no caso dos magistrados, conforme a lei de Inelegibilidade, lei complementar 64 de maio de 90. Como se verificava uma contradição legal: os magistrados não podem se filiar a partidos políticos e, para disputarem as urnas, têm que se desincompatibilizar seis meses antes do pleito, o TSE, no acórdão 993 de 21 de setembro  de 2006, me informa o editor deste site, jornalista Carlos Newton, estabeleceu que a data de desincompatibilização dos magistrados é a mesma da filiação partidária. Caso contrário, nenhum ministro do STF, por exemplo, poderia vir a ser candidato.

Como Carlos Newton sustenta que Joaquim Babosa poderá ser candidato à presidência em 2014, e acredita que não lhe faltará legenda viável, fechou seu raciocínio com o acórdão 993 do tribunal Superior Eleitoral. Carlos Newton vai além: acha que Lula, e não Dilma, será o candidato do PT nas urnas de 2014. Prover o desenrolar de fatos políticos é sempre muito difícil. Porque, como disse o senador Magalhães Pinto, a política é como a nuvem: muda de forma e direção a todo instante. Vamos aguardar os acontecimentos. Mas é saborosa a especulação do leitor. Será uma nova lei de Newton – versão 2014?

LEILÃO DE LIBRA - Algumas informações importantes.

Algumas informações importantes sobre o leilão do Campo de Libra

Welinton Naveira e Silva
De acordo com Graça Foster, presidente da Petrobras, a marca de 300 mil barris por dia foi atingida apenas sete anos após a primeira descoberta. No Golfo do México, foram necessários 17 anos para se atingir uma produção significativa, enquanto na Bacia de Campos, levamos 11 anos.
A concessionária vencedora do leilão de Libra terá que repassar à União uma parte do óleo que produzir. Por isso o regime é chamado de partilha. Vence a licitação quem oferecer a maior fatia de produção à União. Terá que pagar um bônus de R$ 15 bilhões à União.
A Petrobras e a Pré-Sal, por lei participam de todas as operações do pré-sal. O governo terá uma participação total de 75% na receita do projeto. Isso inclui 40% do lucro do petróleo (o que sobra do valor de cada barril quando são descontados os custos de produção e royalties).
A empresa vencedora faz a exploração por sua conta e risco. Se achar petróleo, será remunerada em petróleo pela União por seus custos. Além disso, receberá mais uma parcela, que é seu ganho. O restante fica para a União.
EDUCAÇÃO E SAÚDE
Pela lei nova lei, 75% dos royalties do petróleo serão destinados para a educação e 25% para a saúde. A legislação ainda prevê que 50% do Fundo Social do Pré-Sal também devem ir para as áreas da educação e saúde.
A verba oriunda da exploração petrolífera deverá alcançar R$ 19,96 bilhões em 2022 e totalizará R$ 112,25 bilhões em uma década, estima o governo.
Das informações acima, percebe-se o bilionário negócio do Campo de Libra. Por detrás dessa gigantesca oportunidade, reúnem poderosas elites, internas e externas, em busca de lucros e ganhos, pouco a ver com os legítimos interesses econômicos do Brasil. Para piorar, sob a regência da grande mídia livre, bem ao gosto e sabor dessas elites.
Trata-se de bilionário negócio com inúmeras implicações, oportunidades de empregos, tecnologias e mercados, envolvendo nossa importante indústria naval, e todas as demais indústrias e empresas ligadas à extração, produção de petróleo, de gás e de derivados.
Por outro lado, o Brasil não pode ficar postergando o combate à  miséria que ainda afeta milhões de brasileiros. Temos ainda que investir muito pesado em saúde, educação, ciência, tecnologia e defesa. Tudo, com muita transparência e competência.
Por conta dos interesses das elites, torna-se impossível reunir consagrados engenheiros e economistas visando discussão ampla e abrangente , via TV, sobre todas as implicações, vantagens e desvantagens do leilão de Libra. E o povão vai ficando apenas com fragmentos do assunto. Lamentável.

MÍDIA - JÂNIO DE FREITAS - ARRASTÃO POLÍTICO.

Arrastão político


A pretendida eliminação dos contratos vigentes para a exploração do petróleo, e respectivos royalties, é uma nova modalidade de ação política por parlamentares, governadores e partidos, inspirada pela mentalidade que se dissemina no Brasil atual.
Agrupar-se em maioria para tomar bens e direitos de minoria surpreendida e indefesa é - na política, na praia, na rua - arrastão. O lugar, a ocasião e o que é tomado (ou pretendem tomar) não faz diferença. Não mais do que a diferença entre o genérico e o remédio de marca, ou seja, o reduzido às suas condições verdadeiras e o protegido pelo facilitário das leis privilegiantes.
Foi fundamental para a sustentação do governo Lula, nos seus primórdios, a garantia de respeito integral a todos os contratos deixados pelo antecessor. A submissão aos contratos foi repetida ao longo do governo como uma ladainha. E transferiu-se como parte do mandato a Dilma Rousseff, passando, nesta etapa, a ser visto também como princípio pessoal da presidente.
Na praia e nas vias públicas, a horda atira-se ao arrastão sem meio de defesa das desavisadas vítimas, que se supõem protegidas pelo direito legal de estar onde estão. Da praia ao mar: o que dois ou três Estados produtores e retribuídos pelos royalties, com tal direito supostamente assegurado pela legislação, podem fazer em defesa desse direito se mais 23 ou 24 Estados agrupam-se para tomar-lhe a retribuição?
Não faz diferença se a arma para tanto é o voto na Câmara e no Senado e, na praia e na via pública, é outra. O voto parlamentar, por si só, não confere moralidade nem legitimidade. Durante 21 anos - para não discutir possíveis exemplos menos distantes -, os votos de Câmara e Senado consagraram indignidades por motivos, eles mesmos, os mais sórdidos.
Compete à União transferir em verbas ou serviços, aos Estados não produtores, a sua quota de recebimento pela exploração de bens nacionais.
O fato sem precedente, em tempo algum, de negar-se a um Estado o domínio do patrimônio natural de seu território, para transferir os benefícios a outros, nega a própria federação que define a ordem institucional do país. Até no nome República Federativa do Brasil.
Os arrastões pré-políticos levam os bens e o direito da pessoa. O arrastão político leva também a Constituição.
SUPREMA
Os ministros do Supremo não se entenderam muito bem em torno de confissão e colaboração. Deu no mesmo: queriam conceder a Roberto Jefferson o benefício da delação premiada e o concederam. Nem um dia de cárcere.
Decisão interessante para os conceitos de Justiça. A acusação inaugural de Jefferson era, de fato, uma forma de cobrança dos milhões que queria receber do PT. Não os recebeu mesmo, e na CPI fez, em represália, as acusações que silenciara. Daí não admitir, com certa razão, que seja delator. Interpretação muito original, portanto, a de que fez por merecer o prêmio.
Janio de Freitas

Audiência pública na CAE mostra porque leiloar Libra é contra interesses...

MÍDIA Dilma retorna ao twitter.

Dilma retorna ao Twitter, conversa com humorista e critica 'Economist'

Dilma e o humorista Jéferson Monteiro, responsável pelo perfil “Dilma Bolada”
Dilma tuitou ao lado do humorista Jéferson Monteiro, responsável pelo perfil “Dilma Bolada”
Após ficar três anos fora do Twitter, a presidente Dilma Rousseff retomou hoje sua conta na rede social (@dilmabr), com mais de 20 tuítes, mesclando um tom bem humorado com críticas à revista britânica The Economist.
No Plananto, Dilma tuitou ao lado do humorista Jéferson Monteiro, responsável pelo perfil "Dilma Bolada" (@diimabr), uma personagem que faz uma sátira da presidente e tem mais de 500 mil seguidores no Facebook e 147 mil no Twitter.

Respondendo a um tuíte do humorista, ela disse: "Bom dia linda maravilhosa, sempre acompanhei vc. Mas não me dê bom dia. Mas me dê bons resultados."
A presidente começou a trocar tuítes com o humorista pouco antes do meio-dia e deixou os internautas perplexos logo na primeira mensagem, em que ela chamou Dilma Bolada de "maravilhosa", termo bastante usado pelo perfil atualizado por Monteiro.
Em seguida, a presidente disse que não se incomodava pelo fato de muitos acharem que ela era, na verdade, Dilma Bolada. "A vida sem humor fica muito pesada", tuitou.

Roberto Carlos

Dilma, que não tuitava desde as eleições presidenciais de 2010, afirmou, citando o cantor e compositor Roberto Carlos, que agora vai atualizar as redes sociais: "Eu voltei, voltei para ficar. Porque aqui, aqui é meu lugar".
Ela também anunciou que agora tem uma conta (@palaciodoplanalto) no Instagram, rede social de compartilhamento de fotos, e que vai abrir uma conta no Facebook.
Dilma e o humorista Jéferson Monteiro, responsável pelo perfil “Dilma Bolada”
Dilma e o humorista também trataram de assuntos sérios, como o programa Mais Médicos
A "conversa" entre Dilma e Dilma Bolada passou então a tratar de assuntos sérios, como as acusações de espionagem do governo americano contra o governo brasileiro e a Petrobras.
As denúncias reveladas pela imprensa, com base em documentos secretos da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), são de que o governo americano teria interceptado telefonemas e e-mails da presidente e de seus principais assessores, além de dados sigilosos da empresa.
"Países amigos não podem viver sob desconfiança. Um outro comportamento dos EUA para com o Brasil é necessário. Como disse na ONU. Vamos nos proteger. O novo marco civil da Internet vai ampliar a privacidade dos brasileiros", disse a presidente em dois tuítes.

'Economist'

Instigada por Dilma Bolada, a presidente então rebateu as críticas que a revista britânica The Economist fez ao governo brasileiro em sua edição desta semana.
Segundo a publicação, o país pode ter ''estragado tudo'' e precisa mudar de rumo. A revista diz que o crescimento de 0,9% em 2012, em contraste com a expansão de 7,5% de 2010, levou muita gente no país a pensar que os anos de bonança podem ter sido mais um "voo de galinha" e critica Dilma, afirmando que ao invés de atacar as deficiências, ela criou outros problemas ao interferir demasiadamente na economia.
"Estou boladíssima com a @TheEconomist... vou falar mais umas verdades agora pra The Recalconomist pelo @dilmabr pq eu falo na cara...", escreveu Dilma Bolada.
A presidente então afirmou que a revista está "desinformada", dizendo que "o dólar estabilizou, a inflação está sob controle e somos o único grande país com pleno emprego". E em um segundo tuíte: "Somos a 3ª economia que + cresceu no mundo no 2º trimestre. Quem aposta contra o Brasil, sempre perde".
Dilma e Monteiro também falaram sobre o programa Mais Médicos. Após o humorista dizer que o programa era tão "maravilhoso" que deveria ter até no hospital da novela da Globo Amor à Vida, a presidente defendeu o plano.
"Respeito muito os médicos brasileiros, mas traremos médicos de onde pudermos. Importante é atender melhor a população. Isso é o + médicos."
A conversa terminou com outra mensagem bem-humorada da presidente, tratando de uma conversa que teve com o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, em agosto, sobre ter passeado de moto por Brasília.
"Me diverti pra valer. Será que vc tem carteira pra digirir moto? Se tiver, da próxima vez, podemos atuar no 8° Velozes e Furiosas", tuitou a presidente, se referindo à série americana de filmes.
A conversa entre Dilma e o humorista foi tão popular entre os internautas que o perfil da presidente acabou se tornando um dos trending topics do site no Brasil.
Fonte: BBC

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

MÍDIA - Requião contesta "O Globo" e mostra importância do projeto de Direito de...

POLÍTICA - O rancor do Freire.

Ricardo Kotscho

 

É Dilma subindo, os outros caindo e o rancor de Freire


kotscho1 É Dilma subindo, os outros caindo e o rancor de FreireA presidente petista Dilma Rousseff subiu mais 8 degraus no Ibope, foi a 38% das intenções de voto, e abriu 22 pontos de vantagem sobre a segunda colocada, Marina Silva (sem partido), que caiu de 22 para 16%. Na nova pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira, só a presidente subiu, todos os outros candidatos caíram. Aécio Neves (PSDB) foi de 13 para 11% e, Eduardo Campos, caiu de 5 para 4%.
No mesmo dia, Dilma recebeu outras duas boas notícias, que devem se refletir positivamente nas próximas pesquisas: a taxa de desemprego caiu para 5,3%, a menor do ano, e a renda média dos trabalhadores subiu 1,7% em agosto.
Enquanto isso, a rede nacional de televisão foi ocupada durante 10 minutos pelo PPS de Roberto Freire para denunciar, mais uma vez, que os governos petistas estão acabando com o país. Carregado de rancor, o programa parecia uma novela de época dos tempos da Guerra Fria, que fez lembrar a imagem assustadora das viúvas globais fantasiadas de negros fantasmas após o voto do ministro Celso de Mello a favor dos embargos infringentes na semana passada.
kotscho2 É Dilma subindo, os outros caindo e o rancor de Freire
A impressão que me deu é que o programa foi gravado há mais tempo e estava na gaveta aguardando o momento oportuno para ir ao ar. O proprietário do PPS, velha linha auxiliar do PSDB, caminhando para a irrelevância, certamente não poderia ter escolhido dia melhor. Pena que os fatos não o tenham ajudado.
Após as manifestações de protesto de junho e o julgamento do mensalão, Freire deve ter avaliado com o seu estado-maior que Dilma e o PT estavam no chão, e chegara a hora de soltar os seus canhões, já um tanto desgastados pelo tempo. Sem noção do seu tamanho, acreditando no espaço que a mídia sempre lhe deu, na proporção inversa da sua importância política, Roberto Freire chegou a ser candidato a presidente da República, em 1989, quando foi contemplado com 1,06% dos votos
Com seu conhecido senso de oportunidade, carisma, simpatia e sofisticada estratégia política, o dono do PPS, partido que ele fundou em 1992 para substituir o antigo Partido Comunista Brasileiro, e preside até hoje, deputado federal eleito por José Serra em São Paulo, em 2010, Freire escolheu como assistente de palco Stepan Nercessian, ator reserva do segundo time da Globo. Até Soninha Francine (lembram-se dela?), agora sem mandato e sem uma boquinha, deu uma aparecida. O resto nem sei quem é.
Freire entoou o discurso "ético", bufando contra a inflação, os desmandos administrativos e a corrupção, mas só se esqueceu que o artista convidado para ser o âncora do programa, também deputado federal, foi acusado no ano passado de ter pedido e recebido R$ 175 mil do notório bicheiro Carlinhos Cachoeira, o que não o impediu de caprichar no sorriso sarcástico para atacar Dilma e o PT. Na época, o ator deputado garantiu que devolveu o dinheiro, o caso foi arquivado e não se falou mais no assunto.
Memória e coerência não são o forte desse pessoal. Ainda esta semana, o jornalista Sebastião Nery lembrou em sua coluna que o "comunista de carteirinha" Roberto Freire fora nomeado para seu primeiro cargo público, o de procurador do Incra, no Recife, pelo general Médici, no auge da repressão dos anos 1970.
Este ano, Freire ensaiou, primeiro, uma aliança com Eduardo Campos. Depois, tentou fazer a fusão do seu partido com o PMN para criar o MD (Movimento Democrático) com o objetivo de  abrigar uma nova candidatura presidencial do parceiro José Serra, que até hoje não decidiu o que pretende fazer da vida. Sempre em negociações, o führer do PPS também ofereceu a sigla a Marina Silva, que até agora não conseguiu viabilizar sua Rede da Sustentabilidade, seja lá o que isso quer dizer. Sendo contra o PT, para Freire, qualquer candidato serve.
Na salada de siglas da política brasileira, que ganhou mais duas esta semana, chegando a 32, o PPS ocupa atualmente o 13º lugar no ranking, atrás do PCdoB, com 12 deputados e R$ 8 milhões do Fundo Partidário para gastar este ano, sem falar nos seus valorizados minutos na televisão, que Freire pode destinar a quem quiser, dependendo da conversa. Na próxima semana, quando se encerra o prazo para filiações e criação de novos partidos, saberemos finalmente  em qual onda o PPS vai surfar desta vez.
Já escrevi aqui outro dia e repito: com estes candidatos e esta oposição, Dilma corre o risco de ganhar as eleições do próximo ano por WO.

POLÍTICA - Padilha versus Alckmin.

Diário do Centro do Mundo

A disputa mais interessante de 2014 vai ser entre Padilha e Alckmin

by Paulo Nogueira
O frescor do nome é uma força de Padilha
O frescor do nome é uma força de Padilha

As últimas pesquisas sugerem que as eleições mais interessantes, em 2014, serão as que definirão quem vai governar São Paulo.
Aparentemente, no plano nacional, a coisa está resolvida a favor de Dilma. As manifestações de junho chacoalharam – mas não derrubaram – o prestígio de Dilma. Marina teve um instante de brilho, então, mas este brilho vai se pondo. Isso se vê não apenas nas pesquisas mas na dificuldade dela em amealhar as assinaturas necessárias à criação de sua Rede.
Em São Paulo a disputa parece aberta. O PSDB domina há muitos anos a política paulista, mas o desgaste nacional trazido pela Era Serra pode cobrar seu preço regionalmente.
O PSDB não se renovou apenas em ideias, mas também em gente. Faz tempo que tudo gira em torno de FHC, Serra, Alckmin e Aécio.
Disse algumas vezes que o PSDB precisa de um Bertoglio para sair do atraso e da letargia, ou para simplesmente não morrer na irrelevância progressiva, mas é possível que qualquer possível Bertoglio acabe expelido do partido pela estrutura viciada que sobretudo Serra montou.
A sensação que os líderes tucanos transmitem é que não estão enxergando o problema, e muito menos a solução.
Padilha, diante de tudo isso, terá chance de desalojar Alckmin?
A favor dele, está o frescor de seu nome. E também a força do Mais Médicos, provavelmente a melhor coisa que Dilma fez em seu governo. (Vejamos, apenas, se a execução desta ótima ideia não se perde na inépcia gerencial que tantas vezes marca não apenas o PT mas a administração pública brasileira em geral.)
Padilha pode repetir Haddad. Fato.
Contra ele, mais que o conservadorismo tradicional paulista, está a imagem que o PSDB cultivou em São Paulo de “competência” administrativa. Essa imagem vem à base de coisas como as fotos dos líderes sempre de paletós e gravatas, como se fossem executivos.
Mas um olhar mais profundo para o estado de São Paulo mostra que a realidade não bate com a percepção que se tenta passar. São Paulo poderia, pela riqueza, ser uma Dinamarca, mas é a Belíndia de que nos anos 1980 falou o economista Edmar Bacha – muito mais para a Índia do que para a Bélgica.
Cada vez que visito São Paulo faço uma careta no trajeto do aeroporto ao topar com tantas favelas.
A questão crucial do combate à iniquidade tem que entrar no topo da agenda dos administradores paulistas.
Se Padilha mostrar aos eleitores que é o homem para fazer isso, pode se transformar em 2014 em mais um poste, aspas, bem sucedido, sem aspas.

MÍDIA - "The Economist"

Diário do Centro do Mundo

Só os brasileiros levam a sério a Economist

by Paulo Nogueira
Nem o aplauso ajudou e nem a crítica vai prejudicar
Nem o aplauso ajudou e nem a crítica vai prejudicar
Uma das primeiras coisas que aprendi ao chegar a Londres, em 2009, é que ninguém dá a menor bola para a Economist. A revista, idolatrada no Brasil, é simplesmente ignorada em sua terra.
Ninguém fala nela. Você não encontra no metrô ou no ônibus gente a lendo. Jornalistas de primeira linha não trabalham nela – mas na BBC, no Guardian, no Times, ou mesmo em tabloides como o Sun. A Economist, de certa forma, é hoje uma invenção brasileira.
Rio comigo mesmo quando vejo, como agora, a repercussão intensa de alguma reportagem da Economist sobre o Brasil.
É uma prova de imensa caipirice nacional. Lembro uma vez em que fui a Rio Claro, no interior de São Paulo, quando dirigia a Exame. Fui nota na coluna social do principal jornal da cidade, e fui tratado como um Platão. Só para minha mãe, ou talvez nem para ela, eu fazia jus a tanta deferência.
É mais ou menos o que os brasileiros fazem com a Economist, e com outros títulos como o Financial Times.
A Economist não consegue resolver seus próprios problemas, nem os da Inglaterra, e mesmo assim tem a pretensão de resolver os problemas da humanidade.
É professoral, como os editoriais do Estadão também são, só que não existem entre os britânicos alunos dispostos a levá-la a sério.
A revista vai minguando, e minguando, e minguando na Era Digital, para a qual não encontrou resposta, talvez por estar demasiadamente entretida em salvar o mundo. Mas, no apogeu da desimportância, não perde a pose.
O Brasil terá chegado à maturidade quando reagir às lições da Economist -- e do FT – da seguinte maneira: ignorando-as.

MÍDIA - Entrevista com um ator engajado.

Diário do Centro do Mundo

“O futuro pode ser muito pior”: uma entrevista com Matt Damon, o ator mais engajado de Hollywood

by Harold Von Kursk
matt damon
Aos 42 anos, Matt Damon se firmou como o ator mais engajado de Hollywood. Em seu novo filme, Elysium, incrível sci-fi pós-apocalíptico dirigido por Neill Blomkamp, Damon vive Max, um antigo ladrão de carros morando em Los Angeles, uma cidade que vira uma grande favela um século e meio no futuro. Depois de ser exposto a uma dose letal de radiação em seu trabalho, Max fica sabendo que tem apenas mais 5 dias de vida.
Isso o inspira a encontrar uma forma de chegar em Elysium, a cidade dentro de uma gigantesca estação espacial onde as elites extremamente ricas migraram para escapar do planeta super populado, poluído e movido ao crime. Elysium providencia a todos os seus residentes máquinas capazes de curar qualquer doença em questão de segundos, e Max está determinado a pular essa barreira apocalíptica e se salvar.
“Eu vi o roteiro como uma metáfora à desigualdade social que vemos hoje e que pode ficar muito pior no futuro”, disse Damon. “Sou fã de Neil Blomkamp desde que vi Distrito 9, que achei muito original e divertido, mas que também continha uma metáfora sombria sobre o seu país natal. Elysium é uma extensão dos maiores problemas que podem acontecer no nosso planeta em 150 anos se continuarmos tratando as coisas como estamos fazendo.”
Matt, você se preocupa que o nível de poluição, aquecimento global e desigualdade social transforme o planeta em uma favela tóxica como a que Elysium prevê?
Talvez eu não seja tão pessimista, mas acho que temos que prestar atenção aos problemas que Neill Blomkamp aborda de uma forma metafórica no filme. Isso é o que torna seu trabalho tão interessante. Ter crescido na África do Sul fez com que Neill fosse muito atento à desigualdade entre pobres e ricos. Então ele tem um senso muito forte de justiça social e responsabilidade que é parte do subtexto de seus filmes.
Você acha que o público vai concordar com o comentário social por trás da missão de Max?
A princípio, Elysium tem como objetivo entreter o público. Sabe, no fim das contas, esses são filmes-pipoca e você quer que eles sejam satisfatórios nesse intuito. Mas em relação a seus temas, há coisas acontecendo em Elysium muito interessantes e provocadoras, mas sem ser pretensioso de qualquer forma.
Vocês filmaram grande parte do filme na Cidade do México. Isso te ajudou a imaginar que o planeta apresentado em Elysium não está tão distante?
Sim. A Cidade do México é o segundo maior lixão da terra. Comunidades inteiras chegaram a nascer e morrer e a ver seus filhos se tornarem parte dessas favelas tóxicas. As pessoas fazem a vida organizando o lixo. Eu viajei muito pelo terceiro mundo, mas a Cidade do México levou minha compreensão a outro nível. Há também muito crime e fora da cidade há o problema dos carteis de droga, que têm muito poder no país.
Você foi contratado inicialmente para Avatar (para o papel de Sam Worthington) mas teve que desistir por conta de problemas de agenda. Você sempre quis voltar ao gênero sci-fi?
Eu amo filmes sci-fi e alguns filmes que me marcaram até hoje são Blade Runner e Matrix, mas dificilmente os diretores pensam em mim para este tipo de projeto. James Cameron me queria para Avatar e o que me impressionou em Neill foi que ele tinha a história toda e a visão desse mundo em sua cabeça e numa HQ que ele preparou para o filme. Ele conseguia responder qualquer coisa que eu perguntasse na hora. James Cameron era assim também quando discutíamos Avatar – ele sabia todos os detalhes sobre cada aspecto do mundo que queria criar. Todo ator quer trabalhar com diretores que tem essa visão extraordinária sobre o que querem fazer.
O subtexto político e social foi importante para você aceitar o trabalho?
Eram elementos interessantes mas não os mais importantes. É algo que ajuda o filme a ser mais profundo, mas não é uma mensagem jogada na cara de todo mundo. Neill não acredita que filmes podem mudar a opinião pública mas acredita que pode fazer as pessoas pensarem. Ele foi do Canadá para a África do Sul quando tinha 18 anos e então sua mente foi aberta a uma mudança de ambiente gigantesca.
E como foi vestir o figurino com o exoesqueleto pela maior parte do filme enquanto tenta entrar em Elysium?
Foi bem pesado, mas não tão difícil de se locomover. Tinha mobilidade total e quando começamos a filmar já me sentia confortável com ela. A parte mais difícil foi filmar a luta com Sharl. A armadura é afiada e você tem que tomar todo o cuidado para não acertar alguém com ela, já que não quer cortar o rosto de ninguém. A coreografia era um pouco perigosa. Normalmente quando você filma uma luta, tem que intencionalmente errar o golpe por alguns centímetros. Mas as vezes você acaba acertando o outro ator, e isso não podia acontecer de forma alguma nesse filme. Tive que tomar cuidado com Sharl porque ele é um ator muito intenso e que quer colocar muita emoção nas cenas de luta. [rs] Você tem que se manter calmo porque se acabar provocado, pode fazer um estrago com aquela roupa.
Você nunca esteve tão forte como em Elysium. O que você fez para ficar assim?
Basicamente malhei 8 horas por dia por três meses. Foi muito difícil porque adoro comer e beber. E eu cheguei num ponto na minha vida em que alguém foi boba o suficiente para se casar comigo e continuar comigo mesmo que eu ganhe alguns quilos. Então é difícil conseguir me motivar para manter a forma. Mas quando vi todas as imagens de Neill e como ele imaginava Max, pensei: “Ok, entendi e vale a pena”.
Sua mulher gostou?
Acho que ela gosta da variedade. Quando fiz O Desinformante, ganhei 18 quilos e fiquei surpreso ao ver que ela ainda assim gostava de mim! Estou tentando fazer com que ela goste só daquele cara, já que a minha tendência é deixar meu corpo com aquele formato ao invés do de Jason Bourne ou de Max.