quarta-feira, 3 de junho de 2015

ECONOMIA - A recessão e as contas públicas.



Os efeitos da recessão sobre as contas públicas

A política econômica não pode ser vista como um arquipélago de esforços isolados, cada qual tocando sua tarefa independente dos demais.
O conhecimento das ferramentas fiscal e monetária é simples. É como o médico que conhece o antibiótico para cada infecção. O desafio é a dosagem, a combinação adequada das duas políticas de maneira a não intoxicar o organismo do paciente.
Ponto 1 - Quando a economia caminha em uma direção – seja de desaquecimento ou aquecimento – qualquer medida pró-cíclica (isto é, na mesma direção) potencializa os movimentos. Desde o último trimestre do ano passado a economia vem despencando.
Ponto 2 – Além da queda de renda e do consumo, já estava no ar o efeito Lava Jato que sabia-se iria prolongar no tempo.
Ponto 3 – Aí entra o Banco Central como se fosse a ilha autônoma e se propõe a fazer a “sua” recessão, induzida pelo aumento da Selic.  Aplica uma política monetária virulenta, explodindo os juros e spreads bancários, pegando no contrapé todas as empresas e pessoas físicas que se valiam do capital de giro bancário.

A resultante final

O objetivo final do ajuste fiscal é estabilizar a relação dívida/PIB. Mas o que acontece se o PIB cai?
Veja o exemplo simples:  33,8 (dívida líquida) / 100 (PIB) = 33,8%
Suponha que o PIB caia 2% e a dívida permaneça a mesma: 33,8 / 98 = 34,5%
Ou seja, só pelo efeito PIB em queda, mudando o numerador,  a relação aumentou 0,7 ponto percentual.
Para exemplificar, vamos montar contas bem simplificadas em cima dos seguintes grandes números:
  1. PIB = 100
  2. Dívida líquida = 33,8
  3. Arrecadação = 35,95
  4. Superávit nominal = 1,2
  5. Gastos públicos 3-4 = 34,75
Esses 34,75 financiam todas as despesas e investimentos públicos.

Efeito queda do PIB

Se o PIB cair 2 pontos, conforme já se viu, a relação dívida/PIB aumenta 0,7 ponto percentual. O superávit teria que subir para 1,9 para manter a relação anterior. Mas como o PIB caiu para 98, esse 1,9 representará 1,914% do novo PIB. Os gastos públicos teriam que cair de 34,75 para 34,07 (em termos nominais) para gerar o superávit necessário.

Efeito queda da arrecadação

Para não complicar as contas, suponhamos que a receita caia com a mesma intensidade do PIB. Ou seja, 2%.  Essa queda representará 0,72 nominal ou 0,73% do novo PIB que caiu 2%. Somado ao efeito queda no PIB, o superávit teria que subir de 1,2% para 2,65% do novo PIB para manter estável a relação dívida/PIB. E os gastos públicos cairiam para 33,36.

Efeito juros

O BC calculava que superávit primário de 1,2% do PIB seria suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB. Com 4 pontos a mais de taxa real, e o PIB caindo 2 pontos percentuais, para voltar à relação anterior seria necessário  aumentar em 2,03 (ou 2,07% do novo PIB) o superávit primário. Significaria reduzir as despesas para 31,33 – ou 3,42% do PIB antes da queda.

Conclusões

São cálculos que levam em conta apenas alguns fatores. Não se incluíram aí os efeitos do desarmamento das danosas operações de swap reverso – uma política indecente de transferência de lucros para o setor financeiro. Nem os efeitos da inflação sobre a despesa nominal.
Mas é um desenho simplificado dos problemas trazidos por uma política recessiva.

MÍDIA - O uso dos bordões no jornalismo econômico.


O uso dos bordões no jornalismo econômico

O Valor Econômico tem alguns dos melhores quadros do jornalismo econômico brasileiro voltado para um público mais especializado.
No Banco Central, Alex Ribeiro tem conseguido destrinchar temas complexos – como os estudos sobre inflação – com uma competência à altura de Celso Pinto. Sérgio Léo tornou-se uma referência em diplomacia comercial; Cláudia Safatle mantém a mesma profundidade de sempre nos temas da Fazenda. Maria Cristina Fernandes é – na minha opinião – a mais abalizada analista política da imprensa.
Por isso causa um pouco de surpresa os artigos de Cristiano Romero.
Bom repórter, Romero decidiu revestir-se dos slogans de mercado na tentativa de se tornar um analista. Não se monta um analista com dez slogans. E, com isso, passa ao largo ou minimiza temas originais que porventura lhe caem às mãos.
É o caso de sua coluna de hoje – “Razões do PIB fraco: uma visão polêmica” (http://www.valor.com.br/brasil/4079112/razoes-do-pib-fraco-uma-visao-polemica) Romero identifica uma pequena joia, uma visão original – e lógica – contestando as interpretações de mercado sobre a crise.
É de Luiz Guilherme Schimura, diretor do ortodoxo IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV-Rio, questionando uma das teses preferidas do establishment: a de que a crise econômica foi consequência da má alocação de recursos (como, por exemplo, na política de substituição de importações) ou da mudança de regras que assustou os investidores privados.
Diz Schimura:
·      as mudanças no setor elétrico foram feitas dentro do marco da legalidade em contratos que iriam vencer. Não havia qualquer diploma legal assegurando às empresas a manutenção das condições anteriores. Independentemente do mérito das mudanças, não houve mudanças nas regras do jogo.
·      Não existe nenhum estudo sólido, do ponto de vista acadêmico, que avalize o argumento da perda de crescimento em decorrência de uma deterioração alocativa num contexto mais amplo.  Tese está sendo sacramentada porque repetida à exaustão.
Para exemplificar:
A política de conteúdo nacional adotada pela Petrobras encareceu os equipamentos adquiridos – pelo custo do aprendizado. Mas movimentou o setor de máquinas, equipamentos e serviços, induziu a investimentos internos e ao aumento do emprego. Impactou positivamente o PIB.
A alternativa seria importar equipamentos mais baratos. Esse custo menor mediria a “eficiência” alocativa, mas não geraria uma máquina a mais, um emprego a mais no país.
Pode-se até discutir os efeitos no longo prazo. Mas é evidente que, no curto prazo, a suposta menor eficiência alocativa do conteúdo nacional foi um fator de dinamismo na economia muito maior do que seria a importação de equipamentos, ainda que mais baratos..
É uma evidente falácia que Schmira rebate com competência.
Quais seriam as razões para a perda de dinamismo da economia, segundo Schimura:
·      o crescimento contínuo das despesas previdenciárias, levando à redução da poupança pública e do crescimento potencial da economia, processos anteriores ao que o mercado denomina de “nova matriz econômica”. Segundo ele, o ciclo das commodities mascarou a crise fiscal.
Trata-se de um tema relevante, polêmico, que demanda uma discussão de alto nível, que vai muito além das planilhas.
Nas análises de mercado não entram as externalidades positivas das políticas sociais, o incremento do mercado de consumo, os ganhos nas áreas de saúde, educação e segurança com o aumento das transferências constitucionais.
E nunca entram os diagnósticos sobre as razões de se manter taxas de juros fora de qualquer parâmetro internacional, nem seus efeitos sobre os investimentos públicos.
Repito: é tema polêmico que demanda discussões de alto nível.
Ai entra o analista Romero, dizendo que “esta coluna (a dele) discorda dessa visão”. E qual a visão “desta coluna”?
“Com o desmonte do arcabouço de política macroeconômica que vigorou nos governos Fernando Henrique e Lula, os empresários perderam a confiança para investir”.
E nada mais disse, nem lhe foi exigido.
Há uma enorme complexidade no diagnóstico da crise.
Há as questões óbvias, como o aumento da demanda que não foi acompanhada pela oferta, por fatores que vão do câmbio ao custo Brasil, fazendo com que grande parte fosse apropriada pelas importações.
Há a questão do impacto dos salários sobre os custos, que não pode ser ignorada – e que nada tem a ver com a tal “nova matriz econômica”.
Há o efeito Selic, que determina a análise custo-benefício para as decisões de investimento privado e para os recursos do orçamento público.
Nada disso entra em suas análises corriqueiras. Resume tudo a um “ na minha opinião”, com análises incompletas que prejudicam o bom repórter que ainda é.
Faria melhor em reportar as opiniões de quem lhe faz a cabeça.

FUTEBOL - Del Nero está esperando o que?

O que Del Nero está esperando para cair fora?

   
 O que Del Nero está esperando para cair fora?
João Havelange e seu ex-genro Ricardo Teixeira, que mandaram na Fifa e na CBF nos últimos 40 anos, como se fossem seus donos, já tinham dançado. Confundiram entidades privadas com propriedades particulares. O herdeiro do espólio, José Maria Marin, está em cana na Suíça. Joseph Blatter foi obrigado a renunciar antes que a polícia chegasse. A casa caiu. Em meu comentário no Jornal da Record News de terça-feira (vídeo abaixo), sugeri que Marco Polo Del Nero, o atual presidente da CBF, siga o exemplo do capo do futebol mundial, e também caia fora rapidinho.
Aos 74 anos, este inexpressivo advogado paulista, que se tornou mais conhecido por desfilar em iates acompanhado de exuberantes namoradas jovens, com idade para serem suas netas, sem nunca ter feito nada de relevante no submundo da cartolagem, deveria se fingir de morto e sair de fininho, antes que seja tarde demais. E é melhor não sair do Brasil, pois aqui, com a polícia e a justiça que temos, ele estará mais seguro.
Basta ver o que aconteceu com Ricardo Teixeira, que está solto até hoje. Obrigado a deixar a presidência da CBF em 2012, e desde então investigado pela Polícia Federal, só esta semana, depois que o FBI arrombou o bunker da Fifa, ele foi indiciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica. Embora o processo seja mantido em grau máximo de sigilo _ nem a identidade do juiz responsável pode ser divulgada _ ficamos sabendo que, apenas em 2014, durante a Copa no Brasil, Teixeira movimentou mais de R$ 460 milhões. Imaginem quanto seria se ele não estivesse sendo investigado... Qual a razão de tanto sigilo?
Antes mesmo de assumir a presidência da CBF, poucas semanas atrás, Del Nero já era investigado pelo Ministério Público Federal, no Rio, para apurar se houve irregularidades na compra de dois apartamentos de alto luxo na Barra da Tijuca, no Rio. Primeiro, ele comprou um duplex por R$ 1,6 milhão e, poucos meses depois, resolveu arrematar outro na cobertura do mesmo prédio, por R$ 5,2 milhões, adquirido de Wagner Abrahão, velho parceiro comercial da CBF e do ex-presidente Ricardo Teixeira. É tudo um mistério.
Afinal, quem pagou todas estas propinas milionárias para tanta gente, a mando de quem, com que objetivo?
Como vemos, este é um assunto cada vez mais para o noticiário policial do que para o esportivo, que até está sumindo dos nossos jornais. Ninguém mais fala de futebol, só do escândalo. Antes tarde do que nunca, graças ao FBI, a podridão do esporte mais popular do mundo, nossa grande paixão, em que o Brasil já foi soberano, está vindo a público e, quem sabe, a gangue toda vá passar o resto de suas vidas atrás das grades. Resta saber quem assumirá a massa falida no lugar deles.

ECONOMIA - A grande crise é na ordem mundial.

A grande crise é na ordem mundial. US$ 1,1 bi a menos, em um mês.

  Autor: Fernando Brito

soja
Os “sabichões” da economia quase nunca dizem que o modelo de pesados financiamentos públicos – via  BNDES – e as renúncias fiscais feitas no primeiro mandato de Dilma foram uma tentativa de fazer com que o país pudesse depender, como historicamente depende – da exportações de commodities, ainda que não possa nem devam estas deixarem de ser parte importantíssima de nossa pauta de exportações, pelo potencial agrícola e mineral do Brasil e por uma extensão territorial, sol e água que são diferenciais estratégicos (quem duvidar, veja se os EUA descuidam de sua produção agrícola).
Hoje, na Folha, a coluna de Mauro Zafalon, especialista em comércio de commodities, traz uma informação que puxa parte do tapete dos que dizem que o Brasil vive uma crise que vem quase que só dos gastos públicos e de episódios de corrupção que, embora graves e sérios, do ponto de vista macroeconômico influi mais pelo clima  que cria do que pelo dinheiro desviado criminosamente.
Diz ele:
“O Brasil nunca exportou tanta soja em um mês como em maio passado. Mas, apesar desse volume recorde, a receita encolheu.(…)Mas o menor preço médio da soja neste ano é uma má notícia para a balança comercial brasileira.Após ter atingido US$ 31,4 bilhões com as exportações do ano passado, o complexo soja (soja em grãos, farelo e óleo) deverá render apenas US$ 23,4 bilhões neste ano, segundo estimativas da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).”
O preço, informa Zafalon, caiu fortemente: “em maio do ano passado, a tonelada da oleaginosa exportada atingia US$ 508. Neste ano, esteve em US$ 387.”
Fazendo as contas: ao preço do ano passado, os 9,34 milhões de soja exportada deveriam render US$ 4,74 bilhões.
US$ 800 milhões  a mais.
Mas renderam US$ 3,6 bilhões,  “apenas” US$ 1,1 bilhão a menos, num mês, do que seria a preços de 2014.
Sessenta anos depois, permanece, infelizmente, o que Getúlio Vargas escreveu em sua “carta-testamento”:
– Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
É claro que muito daquele mundo é diferente do de hoje, sobretudo o protagonismo do capital financeiro, mas não a essência da dominação dos poderosos.
Não é o “mercado” que vai dotar o Brasil de uma economia mais equilibrada em produtos de média-alta tecnologia – e preço – nem vai elevar nosso nível educacional, nem financiar a ampliação e modernização do nosso parque de máquinas. Muito menos fazer usinas elétricas, refinarias. Aliás, petróleo querem, mas só para sacar do solo e exportar.
É por isso que têm tanta saudade dos tempos em que o Brasil vivia como cão vadio, abanando cauda e se oferecendo para qualquer negócio, entregando-se todo.
Entre as pessoas e as nações, tão importante quanto evitar a soberba, é não se conformar em ser capacho

FUTEBOL - O traseiro sujo dos "coxinhas".

Valcke e o traseiro sujo dos 'coxinhas'

Por Altamiro Borges

Muita gente que saiu às ruas nas marchas golpistas, vestindo a camiseta da CBF, exigindo o "padrão Fifa" para o Brasil e rosnando pelo impeachment da presidenta Dilma, já deve estar com a sensação de que levou um baita chute no traseiro. A prisão de vários mafiosos do futebol – que não contou com a ajuda da Polícia Federal contra os cartolas amigos, nem do carrasco Sérgio Moro, frequentador dos convescotes da CBF, e nem do "jornalismo investigativo" da Rede Globo – complicou de vez o falso discurso ético dos tais "coxinhas". Agora, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, que ganhou os holofotes da mídia ao esbravejar que o Brasil merecia um "chute no traseiro" na preparação da Copa do Mundo e virou herói dos direitistas, também apareceu na lista dos metidos na roubalheira.

Segundo reportagem do jornal "The New York Times", publicada nesta segunda-feira (1), a Justiça dos EUA já teria provas de que o número dois da Fifa estaria envolvido no esquema de corrupção na entidade. Funcionários do governo ianque apontaram o francês Jérôme Valcke como o responsável pela transferência de US$ 10 milhões (cerca de R$ 32 milhões) usados para o pagamento de propinas. Ele seria o "alto funcionário da Fifa" que, segundo o indiciamento, transferiu o montante para contas controladas por Jack Warner, ex-presidente da Concacaf, a confederação de futebol das Américas do Norte e Central. O pagamento teria sido feito em três parcelas, entre janeiro e março de 2008.

A revelação complica ainda mais a vida dos mafiosos do futebol internacional e brasileiro – sete deles já estão presos, inclusive o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. Ela também ainda pode respingar nas empresas patrocinadoras dos jogos da Copa e nas "transmissoras televisivas". Jérôme Valcke, o novo personagem do escândalo, tornou-se famoso dos brasileiros nos preparativos da Copa do Mundo do ano passado. Durante vários meses, ele circulou pelos estádios nacionais esbanjando arrogância e autoritarismo. Jornalista com passagens pelos departamentos de esportes de TVs francesas, ele chegou ao topo da Fifa em 2003, assumindo o cargo de diretor de marketing e televisão da entidade.

Em março de 2012, ele ganhou as manchetes da mídia colonizada ao afirmar que o Brasil merecia um "chute no traseiro" para acelerar as obras da Copa. O governo brasileiro reagiu à bravata do cartola e cobrou uma retratação formal da Fifa, que foi feita a meia boca. De imediato, Jérôme Valcker virou o herói das elites decadentes, que padecem do complexo de vira-lata e não vacilam em usar de todas as baixarias para derrubar ou "sangrar" a presidenta Dilma. Agora, muitos "coxinhas" devem ter sentido o impacto do chute nos seus traseiros sujos!

MÍDIA - O "clamor" alimentado pela imprensa.

O 'clamor' alimentado pela imprensa

Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:

Muito frequentemente, leitores de jornais questionam este observador sobre as razões pelas quais a mídia tradicional do Brasil perdeu diversidade e adotou nos últimos anos um viés tão radicalmente conservador e tão homogêneo que chega a se caracterizar como um verdadeiro partido político. A resposta nunca é simples, mas a própria imprensa oferece exemplos que ajudam a entender como se deu esse processo de perda de qualidade e degeneração da atividade jornalística.
Por exemplo, sabe-se que a imprensa, como sistema, tem um alinhamento automático com o campo ideológico que se denomina “liberal”, no que se refere às questões da economia, o que corresponde a escolhas que devem ser qualificadas como reacionárias no campo social. Reacionárias porque reagem vigorosamente a qualquer intervenção direta do Estado no sentido de corrigir as perversidades do sistema capitalista para produzir um mínimo de equanimidade nas oportunidades de promoção social dos indivíduos.

Assim, esse conjunto de empresas que catalisa pensadores e ativistas como instrumentos de influência e poder vive essa contradição que, de certa forma, reproduz as discrepâncias do próprio sistema capitalista. Por exemplo, a imprensa precisa se apresentar como uma espécie de farol da modernidade, porque isso justifica sua existência, mas se comporta mais frequentemente como uma lanterna na popa, mais apta a iluminar o passado, reescrevendo a História, do que ajudando a entender o que vem pela frente.

Numa sociedade complexa como a brasileira, onde a dinâmica das relações sociais e de negócios não encontra no campo político uma representação correlata, as escolhas da imprensa acabam por distorcer o equilíbrio entre as opções ideológicas, dando maior peso às alternativas conservadoras.

Isso fica muito claro quando notamos que a mídia tradicional despreza certos protagonistas da cena política, por considerá-los menos qualificados, mas se vale deles como a “mão do gato” para alcançar determinados propósitos.

Na terça-feira (2/6), por exemplo, registre-se como, novamente, os jornais dão grande destaque, sem o devido senso crítico, a iniciativas dos líderes do Congresso Nacional, que estão empenhados em fazer aprovar uma série de propostas que produzem retrocessos em conquistas sociais importantes da democracia brasileira.

Negação do contraditório

Estimulados pela constante exibição nas primeiras páginas dos jornais e pelo tempo que lhes é destinado nos noticiários do rádio e da televisão, o senador Renan Calheiros e o deputado Eduardo Cunha mantêm um aceso conflito com o poder Executivo, dando curso a mudanças em questões há muito acomodadas no quadro legal.

A proposta da redução da maioridade penal entra em pauta nesse contexto de confrontação, e em seguida é colocado na agenda um projeto que altera o equilíbrio dos poderes, transferindo para o Parlamento funções de gestão das empresas estatais.

Nessa linha de iniciativas, aguarda na fila um projeto de lei que pretende transformar em letra morta o sistema de controle da circulação de armas de fogo, restrição que é apontada por especialistas como uma das principais causas da redução de mortes violentas no país nas duas últimas décadas.

Propostas como essas avançam e conquistam a opinião de cidadãos pouco educados politicamente, justamente porque a imprensa não faz o trabalho de elucidar problemas complexos que preocupam a sociedade.

A desinformação, produzida pela prática das aleivosias e da meia-verdade na rotina da mídia, resulta em opiniões radicais sobre questões sociais, como a defesa do encarceramento de adolescentes e o apoio crescente à pena de morte. Por trás de tudo, como justificativa para esses retrocessos, acena-se com o que se denomina de “clamor popular”.

O tal “clamor” nasce quase sempre do mau jornalismo, como no caso de um jovem acusado do assassinato do médico Jaime Gold, no Rio de Janeiro, e que se demonstrou ser inocente.

Em editorial no qual apoia veladamente a proposta de mudança na regra da maioridade penal, o Globo se refere a uma suposta “rigidez paternalista” do Estatuto da Criança e do Adolescente e afirma que há “um compreensível clamor por mudanças, ideologias à parte”. Com esses argumentos, defende a consulta popular porque o assunto seria “de fácil compreensão geral”.

Primeiro, a expressão “ideologias à parte” é uma negação do contraditório, fundamento da sociedade moderna. Segundo, o que o jornal qualifica de “clamor por mudanças” é apenas o resultado da ação cotidiana da própria imprensa em sua pregação reacionária. Terceiro, a “fácil compreensão” é o efeito do noticiário que criminaliza crianças e adolescentes negros e pardos, aos quais é negada qualquer oportunidade de inclusão social.

MÍDIA - A crise, a mídia e suas interpretações.

A crise, a mídia e suas interpretações

Por Marcos Coimbra, na revista CartaCapital:

Quanto mal uma mídia partidarizada pode causar a um País? Que prejuízos a irresponsabilidade dos veículos de comunicação traz à sociedade?

No Brasil, essas não são perguntas acadêmicas. Ao contrário. Em nossa história, sobram exemplos de períodos em que a “grande imprensa”, movida por suas opções políticas, jogou contra os interesses da maioria da população. Apoiou ditaduras, avalizou políticas antipopulares, fingiu não ver os desmandos de aliados.

O instituto Vox Populi acaba de realizar uma pesquisa nacional sobre sentimentos e expectativas a respeito da economia. O levantamento deixa claro o preço que pagamos por ter a mídia que temos.

A pesquisa tratou principalmente de inflação e desemprego e mostra que a opinião pública vive um pesadelo. Olha com desconfiança o futuro, teme a perda de renda e emprego, prefere não consumir e não tem disposição de investir. Está com medo da “crise”.

Todos sabem quão importante é o papel das expectativas na vida econômica. Quando a maioria se convence de que as coisas não vão bem, seu comportamento tende a produzir aquilo que teme: a desaceleração da economia e a diminuição do investimento público. A “crise” é, em grande parte, provocada pelas expectativas.

O principal sucesso da mídia oposicionista na desconstrução da imagem do governo ocorreu no primeiro semestre de 2013, quando as pesquisas de opinião apontaram o salto das preocupações com o “descontrole da inflação”. Ali, a inflação crônica que conhecíamos desde o Plano Real foi transformada pela “grande imprensa” em aguda. Sem que a “inflação objetiva” mudasse, a “inflação subjetiva” foi acelerada.

Estampada em manchetes e com tratamento de luxo nos noticiários de tevê, a “crise econômica” estava na pauta dos meios de comunicação muito antes de se tornar uma preocupação real da sociedade. Há ao menos dois anos, é o principal assunto.

A nova pesquisa mostra que a quase totalidade dos brasileiros, depois de ser bombardeada durante tanto tempo com a noção de “crise”, perdeu a capacidade de enxergar com realismo a situação da economia.

A respeito da quantia imaginada para comprar, daqui a um mês, o que compram atualmente com 100 reais, apenas 2% dos entrevistados estimaram um valor próximo àquele. Os demais 98% desconfiam de que vão precisar de mais ou de muito mais. Desse total, 73% temem uma alta dos preços superior a 10%. Quase a metade, 47%, estima uma inflação acima de 20%. E não menos de 35% receiam que os preços subirão mais de 30% em um mês.

Convidados a raciocinar com o horizonte do fim deste ano, tivemos 1% de entrevistados seguros de que até lá os preços vão subir em média menos de 5%. Outro 1% estima uma alta entre 5% e 10%. Ou seja: a crer nas projeções para 2015 da inflação, 1% errou para menos, 1% acertou e 98% erraram para mais. E erraram desmesuradamente. Quase a metade se apavora com a perspectiva de uma inflação anual superior a 50%, e, destes, um terço fantasia uma inflação de 80%.

Os números sãos semelhantes nas análises do desemprego. Apenas 7% dos entrevistados sabem que hoje menos de dez indivíduos em cada cem estão desempregados. Cerca de um quarto acredita que o desemprego varie de 10% a 30% da força de trabalho e 38% imaginam que a proporção de brasileiros sem emprego ultrapassa os 40%.

Por esse raciocínio, o cenário até o fim do ano seria dantesco: quase 40% acreditam que o desemprego em dezembro punirá mais da metade da população ativa.

Para tanta desinformação e medo do futuro, muitos fatores contribuem. Nossa cultura explica parte desses temores. Os erros do governo, especialmente de comunicação, são responsáveis por outra. Mas a maior responsável é a mídia hegemônica.

Ninguém defende que a população seja mantida na ignorância em relação aos problemas reais enfrentados pela economia. Mas vemos outra coisa. A mídia deseduca ao deformar a realidade e por nada fazer para seus leitores e espectadores desenvolverem uma visão realista e informada do País. Fabrica assustados para produzir insatisfeitos.

Com isso, torna-se agente do agravamento de uma crise que estimulou e continua a estimular, apesar de seu custo para as famílias e para o Brasil.

MÍDIA - A campanha pelo quanto pior, melhor.


Mídia estimula o pessimismo no Brasil

Por Helder Lima, na Rede Brasil Atual:

Para quem acompanha o noticiário sobre inflação e desemprego na grande mídia, o país está à beira do caos. "A mídia tem um comportamento em relação aos governos Lula e Dilma constante e regular de apresentar de uma maneira seletiva os dados eventualmente negativos", afirma Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo, jornalista e professor da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da USP.
Dados divulgados por uma pesquisa do Ibope na sexta-feira (29), sobre como os brasileiros se sentem em relação ao futuro do país, confirmam a tese. A pesquisa apurou que 41% dos brasileiros acreditam que a imprensa mostra a situação econômica do país mais negativa do que na realidade o cidadão percebe. "Isso revela que os níveis de contradição entre a realidade e o que a mídia publica chegaram a graus altíssimos", observa Lalo, colunista da Revista do Brasil.

A pesquisa indica que 48% dos brasileiros – quase a metade da população – estão pessimistas sobre o futuro. Outro dado reforça a ideia de que o processo de formação de opinião pela mídia hegemônica tende ao que Lalo classifica como "exagero". A maioria (35%) das 2.002 pessoas ouvidas não sabe apontar quais são os níveis atuais de inflação, mas 19% consideram que ela é maior do que 12% ao ano e 18%, que ela está entre 9% e 12%, enquanto os dados das pesquisas mais recentes indicam uma inflação anual em torno de 8%.

"Há uma contradição entre a realidade e o que é pauta. Essa contradição se mantém há muito tempo, e agora num grau de distanciamento muito maior. É isso que explica a percepção da sociedade e do cidadão revelada nesses números", afirma Lalo.

Outra pesquisa, do Instituto Vox Populi, confirma a influência da imprensa nas expectativas pessimistas. Segundo esta, quase metade dos pesquisados estimam a inflação mensal superior a 20%. Essa projeção foi feita perguntando o que o entrevistado acha que compraria com R$ 100 daqui a um mês. Para 73%, a inflação mês vai superar os 10% e 47% acreditam que a inflação será superior a 20% – ao mês.

"Quanto mal uma mídia partidarizada pode causar a um país?", indaga o diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, em artigo na revista CartaCapital desta semana. Para o articulista, sobram exemplos históricos de momentos em que a mídia atua contra os interesses da população, movida por suas ambições políticas.

"Nos estudos da comunicação e entre os movimentos sociais que discutem a questão da mídia no Brasil, essa percepção já é antiga. Nós temos publicações, depoimentos, que mostram claramente que o discurso da mídia hegemônica não corresponde à situação concreta vivida pela população brasileira", afirma Lalo Leal. "Mesmo nos momentos em que a economia melhora, como foi até a metade do governo Dilma, a mídia só destacava de uma maneira seletiva os aspectos pontuais que poderiam impactar negativamente o sentimento da população sobre a economia", destaca.

Se o leitor observar os dados divulgados pela grande imprensa em um contexto histórico, notará com mais propriedade o comportamento que é criticado pelos especialistas. O desemprego, por exemplo, confirma essa tese. Atualmente, seu indicador está em 6,4% – índice de abril, segundo a pesquisa mensal de emprego do IBGE –, crescendo um pouco em relação aos meses anteriores, é verdade, mas nada que se compare ao nível da época anterior a Lula e Dilma, quando ele chegou ao dobro do nível atual.

Para Coimbra, "a 'crise' é, em grande parte, provocada pelas expectativas". Ele também escreve que "a nova pesquisa (do Vox Populi) mostra que a quase totalidade dos brasileiros, depois de ser bombardeada durante tanto tempo com a noção de 'crise' perdeu a capacidade de enxergar com realismo a situação da economia".

SAÚDE - A campanha contra o SUS.

A quem interessa desmoralizar o SUS?

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Ontem, o advogado gaúcho Marcelo Santos, no Facebook, fez um post emocionado sobre seu pai:

Esse remédio abaixo (Valcyte -cloridrato de valganciclovir) é comercializado pela bagatela de R$ 12.000,00 (doze mil reais), são 60 comprimidos, que custam R$ 200,00 cada um.

Meu pai precisou tomar esse medicamento porque adquiriu uma bactéria e teve que tomar um comprimido por dia, por 14 dias. Hoje estamos devolvendo o medicamento que poderá servir a outro paciente.

Sabem quanto ele gastou? NADA.

Ele fez todo seu tratamento gratuito: 4 anos em hemodiálise (cerca de R$ 6 mil reais por mês, que em 4 anos totaliza aproximadamente R$ 280.000,00 duzentos e oitenta mil reais) , um transplante de rim onde teve q ficar uma semana na UTI e 22 dias internado e agora revisões semanais em q ele faz exames toda semana na parte da manhã e ficam prontos a tarde para consulta, repito, toda semana.

Ele não teve custo algum. Sabem porque?

Porque ele tem o melhor plano de Saúde do mundo, o SUS, o Sistema Único de Saúde.

O SUS tem que melhorar, sim! mas o SUS salva muitas vidas.

Sobre o post, o comentário do professor Nilson Lage, precioso como sempre, dá o testemunho, sem hipocrisias, de um professor de universidades públicas, aposentado, que, aos 79 anos e do reconhecimento de milhares de seus ex-alunos, não tem razão ou interesses em fazer propaganda ou falar aquilo que é o coro geral. A propósito, Lage era estudante de medicina, quando abraçou, para não largar nunca, o jornalismo, nos anos 50.

Recebo vacinas todo ano e tomo diariamente dois medicamentos fornecidos pelo SUS. Já fui atendido quatro ou cinco vezes em unidades de pronto atendimento da rede oficial – sempre de forma correta.


Tenho plano de saúde, mas pago consultas médicas, exceto nas especialidades em que as clínicas faturam adicionalmente com exames (oftalmológicas, por exemplo). A única vez que procurei atendimento de emergência pelo plano, o nível técnico foi inferior ao aceitável – e bem abaixo do oferecido na UPA.
Sei que a garantia de internação vale para doenças comuns, em prazo limitado; para coisas mais sérias, remédios caros, cirurgias complexas, males duráveis, só mesmo o SUS.

Mantenho o plano de saúde porque temo as limitações, flutuações e desvios da política instável do Brasil – que prejudicam e protelam principalmente atendimentos eletivos – e conheço os mecanismos de sabotagem desenvolvidos pelos que enriquecem com a doença dos outros.
Creio que os médicos deveriam lutar por salários decentes no setor público, em lugar de se submeter à exploração nessas clínicas privadas ou tentar enriquecer à custa da ética profissional e dos compromissos humanos de seu ofício. Renda razoável, renúncia aos desvarios do consumo, emprego estável, oportunidade de aprimoramento em uma carreira – sem os exageros da “carreira de estado” – permitem vida decente e gratificante.
Eu sei porque tive uma.

*****

Precisamos de um bom sistema de saúde pública. Ninguém nega as deficiências do SUS e a tranquilidade de um seguro-saúde, quando se pode ter um.

Mas só o teremos quando valorizarmos o que temos de bom e ajudarmos a ser melhor, entendendo que a desmoralização do sistema público de saúde rende, aos planos privados, cerca de R$ 90 bilhões no Brasil, mais dinheiro do que o próprio Estado, e este dinheiro, em boa parte, também sai dos cofres públicos, via isenção de impostos)

Agora que descobri a diabetes, descobri também que diferença faz o remédio ser grátis e darem-se, também (juro que não tinha a menor ideia disso) os aparelhos, agulhas e fitas reagentes para medição caseira da glicose). São coisas caras (especialmente as fitas, que custam de dois a três reais, cada) que às vezes têm de ser usadas mais de uma vez por dia.

Mas, talvez, o medicamento que mais esteja em falta no Brasil seja a humanidade e o amor ao ser humano.

MÍDIA - A revista "Veja" também será vendida?

A revista “Veja” também será vendida?

Por Altamiro Borges

Nesta terça-feira (2), a Editora Abril, que publica a asquerosa revista “Veja”, deu outro sinal da sua acelerada decadência. Ela anunciou a venda de mais sete revistas e a demissão de 120 profissionais. Até os jornalistas que ainda chamam patrão de companheiro – como sempre ironiza Mino Carta – estão assustados com a agonia do ex-império midiático da famiglia Civita. “Placar”, “Anamaria”, “Arquitetura&Construção”, “Contigo”, “Tititi”, “Você RH” e "Você S/A" foram vendidas à Editora Caras. Numa nota lacônica, o grupo empresarial justificou o desmonte argumentando que pretende se concentrar na produção “de conteúdo editorial e de marketing”, desfazendo-se do modelo tradicional de editora. Ninguém entendeu exatamente o que isto quer dizer – a não ser mais demissão!

No ano passado, a Editora Abril já havia vendido as revistas “Aventuras na História”, “Bons Fluidos”, “Manequim”, “Máxima”, “Minha Casa”, “Minha Novela”, “Recreio”, “Sou+Eu”, “Vida Simples” e “Viva Mais”. Já no final de maio, num fato inédito na história da corporação, mais de 40 profissionais foram demitidos da redação da “Veja” – antes considerada intocável como peça de propaganda política da famiglia Civita. O grupo também se desfez da área de educação, que era considerada a mina de dinheiro da empresa. Diante destes fatos, muita gente já se pergunta se a “Veja” também será vendida? Os mais irônicos garantem que o negócio ainda não se concretizou somente porque não há compradores interessados nesta publicação do esgoto.

A decadência da Editora Abril é dramática para centenas de assalariados. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, cumprindo seu papel de instrumento de defesa dos trabalhadores, tem procurado mobilizar a categoria para resistir à selvagem onda de demissões, arrocho salarial e precarização do trabalho. Infelizmente, é muito baixo o nível de consciência e organização dos jornalistas. A entidade realizou assembleia nesta terça-feira, mas o comparecimento foi pequeno - o que mostra que o jornalista, mesmo na desgraça, tem dificuldade para se identificar enquanto classe. Vale conferir a nota de convocação:

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Assembleia de emergência no Sindicato

Jornalista da editora Abril: venha hoje à assembleia de emergência, às 18h30, na sede do Sindicato, para debatermos como enfrentar a situação.
Apenas três semanas depois de demitir cerca de 30 jornalistas da redação da Veja em São Paulo (e mais 20 em Belo Horizonte e Brasília), a editora Abril anuncia nesta terça-feira, 2 de junho, a demissão de mais três dezenas de jornalistas, e o fechamento da redação do Guia 4 Rodas e da revista Exame PME.
A empresa divulgou também a venda para a editora Caras de sete títulos: Ana Maria, Tititi, Arquitetura e Construção, Contigo, Placar, Você S.A e Você R.H., com a transferência de cerca de outros 60 jornalistas da Abril para a editora Caras.

Os jornalistas não podem assistir passivamente a essa situação. Já vivemos uma realidade de enxugamento das redações, aumento da pressão cotidiana e dificuldades crescentes para realizar um bom trabalho jornalístico na Abril.

Nessa maré terrível, o Sindicato dos Jornalistas tem se pautado pela defesa do emprego, dos direitos trabalhistas e do próprio jornalismo, atividade essencial na sociedade contemporânea.

Chamamos os jornalistas da Abril para virem ao Sindicato nesta noite, às 18h30, para debatermos juntos quais ações podemos tomar frente às medidas anunciadas hoje, e também sobre como agir diante dos preocupantes rumos da empresa.

Venha defender os seus direitos e as suas condições de trabalho!

POLÍTICA - Baixarias contra a Dilma.


A pesquisa fajuta contra Lula

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

As eleições de 2014 ficaram marcadas por uma torrente de pesquisas eleitorais fajutas que o tempo tratou de mostrar que foram feitas sob encomenda para enganar a sociedade e influir no processo eleitoral. Nesse aspecto, três institutos sobressaíram: Veritá, Sensus e Paraná.

O instituto Veritá, por exemplo, a 5 dias da eleição presidencial em segundo turno, publicou uma pesquisa absolutamente maluca em que Aécio Neves aparecia com sólida vantagem sobre Dilma Rousseff – fora da margem de erro.
Em 21 de outubro de 2014, esse instituto mostrou Aécio com 53,2% das intenções de voto, quase sete pontos percentuais à frente de Dilma, que tinha 46,8%. Considerados os votos totais (considerados votos brancos, nulos e indecisos), a contagem era de 47% para o tucano e 41,4% para a petista.

Era uma maluquice. Nenhum outro instituto apontava semelhante quadro. Os números do Veritá contrastavam com a terceira pesquisa Datafolha do segundo turno, divulgada no mesmo dia, que mostrava diferença de quatro pontos percentuais em favor de Dilma.

Tratava-se de uma virtual vigarice, mas que duraria pouco. Míseros 4 dias após o segundo turno, agora com Dilma eleita, a
Folha de São Paulo publicou matéria que mostrava que o tal instituto Veritá usara dados falsos, o que não impediu que a campanha tucana e a mídia amiga usassem a patifaria para tentar enganar o eleitor.


Dez dias antes, outro instituto que usou e abusou de fraudes para tentar ajudar Aécio a se eleger publicara uma pesquisa ainda mais escandalosa, que contrariava todas as outras. A pesquisa apresentava, inclusive, uma conclusão: faltando duas semanas para o segundo turno, o tucano já estaria eleito.

Em 11 de outubro de 2014, pesquisa sobe a sucessão presidencial divulgada pelo Instituto Sensus mostrava Aécio com 58,8% dos válidos contra 41,2% da presidente Dilma Rousseff, ou seja, uma vantagem de 17,6 pontos.

A pesquisa, evidentemente fajuta, viera revestida com a capa de uma certa credibilidade que ainda tinha o instituto Sensus, credibilidade que naufragou durante a eleição. Eis os dados oficiais do registro da pesquisa no TSE.

Registro na Justiça Eleitoral – BR-01076/2014

Entrevistas – 2.000, em cinco regiões, 24 Estados e 136 municípios do País

Metodologia – Cotas para sexo, idade, escolaridade, renda e urbano e rural

Campo – de 07 a 10 de Outubro de 2014

Margem de erro – +/- 2,2%

Confiança – 95%

Quatro dias após a divulgação dessa farsa, o Datafolha publicou sondagem com dados muito diferentes. Tão diferentes que qualquer um poderia concluir que ou o Sensus ou o Datafolha estavam mentindo – e todos viram, poucos dias depois, quem estava mentindo.

PETROBRAS - E tem gente que diz que ela está "quebrada", etc, etc"

Bônus de 100 anos: só quem não acredita na Petrobras é quem odeia a Petrobras

  Autor: Fernando Brito
petroleos
É  de dar risada a matéria de O Globo sobre a captação de bônus resgatáveis em 100 (isso mesmo, cem anos!) da Petrobras:
­ A Petrobras emitiu US$ 2,5 bilhões em títulos no mercado internacional nesta segunda-­feira. Divulgada inicialmente por fontes do mercado financeiro, a operação inédita foi confirmada pela companhia após as 22h desta segunda-feira. Os “bonds” foram emitidos pela subsidiária Petrobras Global Finance em Nova York e estão precificados em dólares. O prazo é de cem anos e a taxa de retorno aos investidores é de 8,45% ao ano. A operação surpreendeu o mercado e foi muito bem recebida pelos investidores, segundo analistas: atraiu interesse de mais de US$ 10 bilhões junto aos aplicadores.
Vejam bem: atraiu ” interesse de mais de US$ 10 bilhões”, ou seja, quatro vezes o que foi oferecido.
Aquela Petrobras que está “quebrada”, arruinada, demolida, que tem um petróleo “inviável economicamente” no pré-sal e que tinha mesmo é de entregar tudo aos estrangeiros, esta gente sempre honesta, que saqueou o planeta e fez guerra só em nome da liberdade e da democracia, como se vê hoje no Oriente Médio primaveril, onde campeia a delicadeza, a paz e o respeito às pessoas, não é?
Enquanto isso, Miriam Leitão bufa: “A Petrobras vai pagar juros de 8,45% ao ano sobre a captação de US$ 2,5 bilhões feita ontem. Taxa mais alta que a de outras emissões da empresa.”
Lógico: o petróleo está num mau momento, a Petrobras sofreu, mais que o baque das malfeitorias, uma campanha de demolição, o prazo de resgate é centenário e, como todo mercado sabe, estes títulos são resgatados ou negociados muito antes do vencimento, com deságios expressivos. Para quem não sabe, A Disney lançou estes “century bonds” em 1993 – quando estava em dificuldades –  e já se prepara para resgatar tudo.
A Petrobras tem lastro para isso e muito mais tem a cada dia:  depois do sucesso em Carcará Norte na semana passada, ontem confirmou mais petróleo de boa qualidade em Sergipe.
Monteiro Lobato conta, num dos seus livros – foge-me qual – que um dia, ao vender ações de sua Cia. Petróleos do Brasil, com que tentava achar o óleo que diziam não existir aqui, depois de uma palestra, um casal de negros, já idoso, se aproximou para subscrever uns tantos contos em ações. Era muito, muito para a aparência humilde de ambos, e Lobato trocou olhares com seu sócio e, honestamente, explicou que aquilo era arriscado e que ele poderia perder tudo, todas as economias da vida.
O homem negro insistiu e  Lobato perguntou se ele achava que, com aquilo, poderia ganhar  uma “bolada” e ficar rico. E a resposta veio tranquila, convicta:
– Não, não senhor. É que eu acredito no Brasil.
Ele, sim.
A gente “bem”, não. Nem antes, nem agora, nem nunca.

terça-feira, 2 de junho de 2015

PARA QUEM NÃO SABE O QUE É UM COXINHA


PARA QUEM NÃO SABE O QUE É UM COXINHA


Ronaldo, você está na marca do pênalti


POLÍTICA - Artigo do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães.

2015

SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES: "IMPEACHMENT, GOLPE DE ESTADO E DITADURA DE “MERCADO”



       Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães

IMPEACHMENT, GOLPE DE ESTADO E DITADURA DE “MERCADO”

Por SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES

"Aqueles que defendem hoje o impeachment e criam o clima de instabilidade e de radicalização são os mesmos golpistas históricos de 1954 e de 1964: as classes privilegiadas que temem o progresso e os resultados da democracia e não os aceitam.

O impeachment é a tentativa de anular, por via legislativa, pelo voto de 513 deputados e 81 senadores, os resultados das eleições de novembro de 2014 que refletiram a vontade da maioria do povo brasileiro ao reeleger a Presidenta Dilma Rousseff, por 53 milhões de votos.

Desde 2003, as televisões, em especial a TV Globo; os maiores jornais, como o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e o Globo; e as principais revistas, quais sejam a Veja, Isto É e Época, se empenham em uma campanha sistemática para desmoralizar o Partido dos Trabalhadores e os partidos progressistas e para tentar "provar" a ineficiência, o descalabro e a corrupção dos Governos do PT, inclusive de seus programas sociais, que retiraram 40 milhões de brasileiros da miséria e da pobreza.

Agora, com a ajuda de membros do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, os meios de comunicação, tendo seu candidato perdido as eleições, tentam criar um clima político e de opinião que venha a derrubar ou imobilizar a Presidenta e, assim, anular a vontade da maioria do povo brasileiro.

Fazem isso divulgando dia a dia, a conta gotas, as declarações de delatores, criminosos confessos, e de procuradores, policiais e juízes que as "vazam", seletivamente, para os meios de comunicação, cometendo notória ilegalidade, e publicando notícias sobre o extraordinário descalabro e corrupção em que viveria o país.

Diante da instabilidade política gerada por essa campanha, a Presidenta Dilma, com o objetivo de conter as manobras golpistas (recontagem de votos, acusações de fraude, ameaças diversas etc.) e de apaziguar o "mercado", anunciou um programa de austeridade, de equilíbrio orçamentário, de contração de gastos do Estado, de redução de investimentos, na esperança de conquistar a "confiança dos investidores", seu principal objetivo, e de "acalmar" seus opositores políticos.

É preciso notar que o "mercado" não é uma entidade da sociedade civil, mas sim, na realidade, um ínfimo grupo de multimilionários, investidores, especuladores e rentistas, e seus funcionários, quais sejam os chamados economistas-chefe de bancos e fundos, os jornalistas e articulistas de economia, e seus associados no exterior.

Há economistas e jornalistas que são notável exceção a essa afirmação, mas são eles minoria.

Quando foi apresentado o programa de ajuste, declarou-se, com ênfase, que ele não iria afetar as conquistas dos trabalhadores (a legislação sobre horário de trabalho, férias, aposentadoria, seguro desemprego etc.), nem os programas sociais, mas que ele iria equilibrar o orçamento através do contingenciamento, da contenção de despesas e do aumento de impostos, com o objetivo de fazer um superávit primário que permitisse pagar os juros da dívida pública e conquistar a "confiança do mercado, a confiança dos investidores".

Conquistar a "confiança dos investidores" significa fazer com que tomem a decisão de realizar investimentos (para obter lucros) e assim ampliar a capacidade instalada, gerar empregos, condição para a retomada do desenvolvimento.

A "confiança dos investidores", todavia, tem a ver com a expansão da demanda, pois só com essa expansão (sustentada) podem surgir oportunidades de investimentos lucrativos.

A construção de "confiança" e a realização de investimentos são improváveis, em uma conjuntura em que se elevam os juros dos títulos públicos e das aplicações financeiras para torná-los os mais altos do mundo, o que atrai os capitais para o setor financeiro, especulativo ou rentista, e os afasta do setor produtivo e, portanto, dos investimentos.

Outros fatores que afetam negativamente a "confiança" dos investidores são a competição predatória e destrutiva das importações; taxas cambiais inadequadas; a redução dos investimentos públicos em infraestrutura; o aumento das taxas de juros dos financiamentos de longo prazo do BNDES; a redução da demanda e o aumento do desemprego (que alguns esperam poderia criar as condições políticas para um clima favorável ao impeachment) devido à redução da atividade econômica.

Há um mantra, repetido sem cessar, sobre competitividade e produtividade, entoado por autoridades públicas, acadêmicos, jornalistas especializados, economistas-chefe de consultoras, de empresas, de bancos.

Segundo esses especialistas, a solução dos problemas internos, isto é, a retomada do crescimento, e o afastamento para longe da crise externa latente e cada vez mais ameaçadora, dependeriam não somente da "confiança dos investidores", mas também do aumento da produtividade (isto é, da produção por trabalhador) e do aumento da competitividade das empresas brasileiras diante das chinesas, americanas e europeias, e da redução do "Custo Brasil".

No caso da produtividade, alguns afirmam que seu aumento resultaria de grandes investimentos em educação, como teriam, segundo argumentam, feito os países desenvolvidos, tais como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Coreia e que teria sido, segundo eles, uma razão importante, e talvez a principal, para explicar o seu desenvolvimento.

Os paladinos da educação defendem a educação primária geral, a atenção especial à primeira infância, a inclusão de todas as crianças e jovens (e os adultos?) no sistema. Não se fala muito na preparação de professores nem no horário integral, nem nos efeitos negativos da televisão e da internet sobre o sistema de ensino em seu cerne, que é o tempo dedicado aos estudos pelos jovens. Pode-se perguntar quando esses brasileiros, hoje infantes e jovens, entrariam no mercado de trabalho para tornar a mão de obra mais produtiva e o Brasil mais competitivo: daqui a 10 anos? Daqui a 15? E até lá?

Outros argumentam que os "custos do trabalho" (parte do "Custo Brasil") seriam muito elevados (em comparação com os "custos" em que países? Na China? Nos Estados Unidos? Na Alemanha?) e que, portanto, seria necessário reduzir esses "custos", impedindo aumentos "artificiais" do salário mínimo (já que não haveria escassez de mão de obra), reduzindo os benefícios da legislação trabalhista, estimulando a rotatividade da mão de obra etc.

Quanto ao "Custo Brasil", argumentam com os altos custos de transporte e de energia, com a carga tributária elevada, com a multiplicidade de impostos, com a burocracia "infernal".

Reclamam, também, da intervenção "excessiva" do Estado (empresas estatais e regulamentação) e pedem, ainda que até agora apenas insinuem, a privatização dessas empresas e a "desburocratização", isto é, menos lei e mais liberdade para o capital.

Segundo os defensores do programa de austeridade, em decorrência do aumento da produtividade interna, a competitividade internacional seria alcançada, com todas as suas vantagens, tais como um superávit comercial estável, a diversificação dos mercados e o aumento das exportações de manufaturados.

Assim, a crise atual seria superada. Todavia, a verdade é outra.

A crise atual, em parte verdadeira e em parte fabricada, decorre da revolta conservadora devido ao fato de a Presidenta Dilma ter cometido dois "pecados mortais" à luz dos interesses do "mercado", isto é, daqueles indivíduos beneficiários da concentração de riqueza, de renda e de poder político no Brasil, que são os grandes multimilionários, os latifundiários rurais e urbanos, os rentistas, os banqueiros, e seus representantes na mídia, no Congresso, no Judiciário.

O primeiro "pecado" foi a política de redução, ainda que temporária, das taxas de juros; o segundo "pecado" foi o apoio, ainda que tímido, à democratização dos meios de comunicação.

O sistema financeiro e bancário é o principal instrumento de concentração de riqueza no Brasil. Ao reduzir as taxas de juros dos bancos públicos e ao forçar a redução dos juros dos bancos privados (que foi logo compensada pelo aumento das "taxas" de administração) a Presidenta diminuiu a transferência de riqueza da sociedade e do Estado para os bancos privados, seus acionistas e os detentores de títulos públicos. A Presidenta atingiu o cerne do mecanismo de concentração do sistema econômico e provocou a ira dos setores conservadores que hoje pedem a privatização dos bancos públicos.

O sistema de comunicações no Brasil é o instrumento das classes dominantes para construir o imaginário do povo, para manipular as informações e para justificar o sistema econômico e social vigente e desmoralizar aqueles que lutam por mais igualdade, mais liberdade, mais fraternidade e pelos direitos das minorias, em um contexto de desenvolvimento.

A concentração do poder midiático condena os que ele acusa ao difundir e repetir incansavelmente "informações" antes de julgamentos e transformou o mensalão em julgamento prévio contra o qual não soube resistir o STF ao aceitar a conduta imprópria de seu Presidente da época e a intimidadora campanha de imprensa.

O mesmo ocorre com a operação Lava Jato. Não há nenhuma iniciativa do Poder Judiciário para impedir a formação de uma opinião pública contra os acusados, gerada pelas denúncias sem provas, feitas por criminosos confessos que denunciam a torto e a direito quando, no caso dos procedimentos de delação premiada, as investigações deveriam ser feitas sob o maior sigilo, já que se trata de denúncias feitas por criminosos em busca de vantagens pessoais. A mídia transformou o pedido da Procuradoria Geral da República de investigar determinados indivíduos em prova de sua culpa. Aqueles indivíduos, políticos ou não, que vierem a ser investigados e julgados culpados devem ser punidos com rigor, mas a imprensa não pode substituir o Poder Judiciário nem constrangê-lo, por motivos puramente políticos.

Ao ameaçar aqueles dois pilares da ordem conservadora, o sistema financeiro e a mídia, a Presidenta Dilma se tornou "culpada" e a oposição insiste, ainda veladamente, e à vezes já abertamente, em que deve ser punida pela destituição do cargo por um processo de impeachment.

Seria importante que o Governo compreendesse que o que está de fato ocorrendo é uma manobra política cujos objetivos são, pela ordem:

--fazer o Governo adotar o programa econômico e social do "mercado", isto é, da minoria multimilionária e de seus associados externos;

--ocupar os cargos da administração pública (Ministérios, Secretarias Executivas, agências reguladoras) com representantes do "mercado";

--enfraquecer política e economicamente o Governo;

--enfraquecer o PT e os partidos progressistas com vistas às eleições de 2018;

--aprovar leis de interesse do "mercado"; e, se nada disso ocorrer, 

--fazer o Governo "sangrar" e aí, então, se necessário e possível, exigir o impeachment da Presidenta.

Contra essa enorme e múltipla ofensiva econômica, midiática e política do "mercado" e de seus representantes, somente há uma estratégia possível: a ação política intensa junto aos movimentos populares, junto às organizações da sociedade civil, junto ao Congresso, junto à Administração Pública e aos Governadores, enfim, a mobilização da sociedade pelo seu esclarecimento para a defesa da democracia em toda sua integridade.

É indispensável que, na distribuição de suas verbas de publicidade, o Governo leve em consideração a existência de televisões comunitárias, universitárias, educativas, de rádios comunitárias, de blogs e sites, e dos pequenos e médios jornais e emissoras regionais e deixe de concentrar a distribuição de verbas e anúncios apenas na grande mídia, o que fortalece os oligopólios que atuam de forma ostensivamente partidária e contra a maioria do povo, estimulando antagonismos violentos e radicalizando a sociedade.

As manifestações populares contra o Governo e contra a Presidenta Dilma têm reunido cidadãos que, em sua maioria, votaram contra a reeleição da Presidenta em 2014.

Hoje, insuflados pela mídia e por organizações de identificação e origem nebulosa, através das redes sociais, inconformados com a derrota e a pretexto da denúncia de corrupção, iniciam o processo político de "Fora Dilma", que é, de fato, uma campanha pró-impeachment.

O impeachment é o golpe de Estado do "mercado". Aqueles que defendem hoje o impeachment e criam o clima de instabilidade e de radicalização são os mesmos golpistas históricos de 1954 e de 1964: as classes privilegiadas que temem o progresso e os resultados da democracia e não os aceitam, apesar de ter o Brasil uma concentração de renda que se encontra entre as dez piores do mundo, enquanto seu PIB é um dos dez maiores do mundo, e de ser urgente deter o processo de concentração de renda (que a crise acentua) para que seja possível construir uma sociedade mais justa, mais democrática, mais próspera, mais estável.

Para que esse objetivo possa ser alcançado, é preciso que a sociedade brasileira não se submeta à ditadura do "mercado", cujos integrantes têm sido os grandes beneficiários da crise, que se iniciou em 2008 e não apresenta sinais sólidos de fim."

FONTE: escrito pelo embaixador SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES e publicado no portal "Brasil 247

POLÍTICA - A perseguição ao Zé Dirceu.

MÍDIA - E tem gente que não acredita no PIG.

Duas pesquisas divulgadas na semana passada por Ibope e Vox Populi sobre como os brasileiros se sentem em relação ao futuro mostram como a grande mídia joga contra o país para desgastar o governo, ao privilegiar e exagerar no noticiário negativo.
Para 41% dos brasileiros, segundo o Ibope, a imprensa mostra a situação econômica do país mais negativa do que na realidade o cidadão percebe. "Isso revela que os níveis de contradição entre a realidade e o que a mídia publica chegaram a graus altíssimos", constata Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo, jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, em entrevista a Helder Lima, da Rede Brasil Atual.
Esta contradição apontada por Leal Filho pode ser explicada pelos números da "Pesquisa Brasileira de Mídia 2014", também do Ibope: 75% dos 18.312 entrevistados em 848 municípios nunca lê jornal e 85% nunca lê qualquer revista. Apenas 6% dos brasileiros leem jornais diariamente. Acrescento: é este noticiário, porém, que serve de matéria prima e alimenta os comentários das redes sociais nas novas plataformas da mídia eletrônica.
Na mesma linha, pesquisa nacional do Vox Populi sobre sentimentos e expectativas a respeito da economia revela que a opinião pública vive um pesadelo. Quase metade da população estima uma inflação mensal superior a 20% até o final do ano e apenas 7% dos entrevistados sabem que hoje menos de dez indivíduos em cada cem estão desempregados, enquanto 38% imaginam que a proporção de brasileiros sem emprego já ultrapassa os 40%.
"A nova pesquisa mostra que a quase totalidade dos brasileiros depois de ser bombardeada durante tanto tempo com a noção de "crise", perdeu a capacidade de enxergar com realismo a situação da economia", analisa Marcos Coimbra, do Vox Populi, em artigo publicado na última edição da revista Carta Capital, sob o título "A crise e suas interpretações".
Na abertura do texto, Coimbra se pergunta: "Quanto mal uma mídia partidarizada pode causar a um País? Que prejuízos a irresponsabilidade dos veículos de comunicação traz à sociedade?"
E ele mesmo responde mais adiante: "Todos sabem quão importante é o papel das expectativas na vida econômica. Quando a maioria se convence de que as coisas não vão bem, seu comportamento tende a produzir aquilo que teme: a desaceleração da economia e a diminuição do investimento público. A "crise" é, em grande parte, provocada pelas expectativas".
Os números do Ibope confirmam o que diz Coimbra: enquanto os dados das pesquisas mais recentes indicam uma inflação anual em torno de 8%, uma em cada três das 2.002 pessoas ouvidas não sabe apontar corretamente quais são os atuais níveis. Para 19%, ela já estaria acima dos 12% ao ano.
"Há uma contradição entre a realidade e o que é pauta. Essa contradição se mantém há muito tempo, e agora num grau de distanciamento muito maior. E isso explica a percepção da sociedade e do cidadão revelada nesses números".
Como se estivessem participando juntos de um debate, os dois analistas chegam às mesmas conclusões sobre diferentes pesquisas, e Coimbra lembra um ponto importante: "Ninguém defende que a população seja mantida na ignorância em relação aos problemas enfrentados pela economia. Mas vemos outra coisa. A mídia hegemônica deseduca ao deformar a realidade e por nada fazer para seus leitores e espectadores desenvolverem uma visão realista e informada do País. Fabrica assustados para produzir insatisfeitos".
Em 1968, o ano do AI_5, o golpe dentro do golpe, Caetano Veloso já cantava em "Alegria, Alegria":
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...
E vamos que vamos. Para onde?