segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

"SAPATOS" DA CONTESTAÇÃO.

Inicia-se no próximo dia 31 o julgamento do jornalista que insultou George W. Bush durante uma conferência de imprensa em Bagdad. Contrariamente às autoridades iraquianas, para os povos al-Zaidi é um herói e os sapatos um símbolo de resistência à ocupação.

O anúncio do início do processo foi feito, segunda-feira, por fonte oficial, a qual explicou ainda que Muntazer al-Zaidi será julgado pelo Tribunal Criminal Central do Iraque, órgão encarregado de apreciar os atentados terroristas. Esta decisão foi tomada apesar da defesa ter pedido a transferência do caso para um tribunal comum. Muntazer al-Zaidi, acusado de agressão a um chefe de Estado estrangeiro durante uma visita oficial, enfrenta uma pena que pode ir de cinco a 15 anos de prisão por violação do artigo 223 do código penal iraquiano.
A notícia do início do julgamento surgiu depois do advogado de al-Zaidi ter informado que o repórter vai processar a segurança do presidente iraquiano por agressão. De acordo com o seu irmão, al-Zaidi tem várias costelas partidas, uma mão fraturada, e diversos hematomas num dos olhos e no corpo, resultantes das agressões a que teria sido sujeito durante e após a detenção na «zona verde» de Bagdad.

Solidariedade crescente

O gesto contra Bush tornou Zaidi reconhecido mundialmente, mas segundo a televisão al-Jazeera, o iraquiano era já conhecido das autoridades de Bagdad pela sua militância política. O jovem de 29 anos, garante a estação do Qatar, é membro do Partido Comunista do Iraque e teria pertencido à União dos Estudantes Iraquianos, uma das organizações ligadas aos comunistas locais.
A filiação de Zaidi não é, no entanto, obstáculo para que no mundo árabe cresça a onda de solidariedade para com o jornalista, movimento que, para além de exigir a sua libertação, reclama o fim da ocupação norte-americana do Iraque e faz dos sapatos objetos simbólicos de protesto.
Aos mais de 200 advogados dispostos a defender gratuitamente Muntazer al-Zaidi, juntam-se milhares de iraquianos nas ruas das principais cidades. De sapatos na mão, em Bagdad, no campos universitário e nos bairros da capital, em Fallujah, em Diyala ou em Baquba as manifestações sucedem-se.
Fora do Iraque, também ecoam os protestos. No Líbano e na Palestina realizaram-se concentrações de apoio e solidariedade. Em Bilin e Nilin, na Cisjordânia, o habitual protesto semanal contra o Muro do Apartheid construído por Israel separando o território, revestiu-se a semana passada de uma dinâmica inovadora. No lugar das pedras, os palestinianos atiraram sapatos aos soldados ocupantes.
Já em Washington, a organização anti-guerra Code Pink promoveu uma concentração de apoio a Muntazer al-Zaidi e de repúdio a Bush, que acusam de «crimes de guerra» e, por isso, pretendem que seja julgado. Também na capital norte-americana, familiares e amigos de soldados mortos no Iraque empilham sapatos frente à Casa Branca.
Ainda no Médio Oriente, o Festival de Cinema do Dubai fica marcado este ano pela dedicatória da vencedora do prémio para o melhor argumento. «Dedico este prémio ao jornalista que atirou os sapatos a Bush», disse a realizadora palestiniana Annemarie Jacir, presente no certame com o filme «Sal deste Mar».

Efeito dominó

A par dos protestos, o efeito dominó provocado pelo gesto de al-Zaidi alarga-se, dos negócios ao entretenimento. Na Internet surgiram vários jogos que permitem atirar sapatos a Bush. Quanto aos negócios, a coisa parece bem mais séria, sobretudo para o fabricante dos sapatos de al-Zaidi.
O turco Ramazan Baydan, proprietário da Baydan Shoes Company diz já ter recebido mais de 300 mil encomendas do modelo mais famoso do mundo, de sua autoria, adianta, e agora rebatizado de «sapato de Bush».
Em declarações recolhidas pela imprensa turca, Baydan disse sentir-se orgulhoso por o modelo se ter «convertido num símbolo de democracia para o povo do Iraque».

Golpe falhado

Entretanto, no Iraque, a aproximação das eleições provinciais de Janeiro avolumam as tensões no seio do poder. No final da semana passada, pelo menos meia centena de funcionários do Ministério do Interior, entre os quais altas patentes do exército, desde tenentes a brigadeiros, foram detidos alegadamente por tentativa de golpe de Estado com o intuito de derrubar o governo.
O executivo de Nuri al-Maliki acusa os revoltosos de pertencerem ao Al-Awda (Regresso), grupo descendente do ilegalizado Partido Baas. Se o objetivo era de fato provocar a substituição do governo, ninguém o admite abertamente. O que já foi confirmado é que os insurrectos pretendem quebrar a ostracização a que foram levados desde 2003. No início deste ano, o parlamento de Bagdad votou uma lei que permite aos antigos membros do Baas regressar aos cargos públicos e ao funcionalismo estatal, mas os militantes e dirigentes da antiga formação política dominante no país parecem não se conformar com a falta de liberdade de ação e intervenção política.
Original em Avante/Blog O Velho Comunista.

OBAMA CONVIDA VÍTIMAS DO RACISMO PARA SUA POSSE.

Milhares de negros norte-americanos que arriscaram suas vidas no movimento dos direitos civis estarão no mês de janeiro em Washington para a posse de Barack Obama. No meio desta multidão, poucos estarão mais orgulhosos que um pequeno grupo de pioneiros, convidados especiais que encararam uma violenta reação racista há mais de 50 anos, quando lutaram contra a segregação racial nas escolas dos EUA. Chamados de "Os Nove de Little Rock", eles foram espancados, humilhados e ameaçados de morte diariamente por meses após se matricularem em uma escola branca do Arkansas.

Melba Patillo, um dos nove, disse que está "honrado" que Barack Obama achou adequado convidá-lo. "Obama disse que aspirou subir os degraus da Casa Branca porque os Nove de Little Rock subiram as escadas da Central High School", declarou ao The Guardian. Todos os integrantes do grupo seguem vivos e alguns ainda moram em Little Rock, outros se espalharam pelos EUA e foram até à Suécia, seguindo carreira como banqueiros, psicólogos e funcionários públicos.

Os nove se conheceram apenas quando se matricularam na Central High School, em 1957, seguindo decisão da Suprema Corte americana, que determinou a inconstitucionalidade da segregação entre negros e brancos nas escolas. Quando apareceram no prestigiado colégio, todos em idades entre 14 ou 15 anos, depararam com hordas de brancos hostis. Os estudantes e seus pais promoveram uma violenta reação de ódio, e o goverandor do Arkansas ordenou que soldados da Guarda Nacional barrassem sua entrada na escola.

Em um ato que repercutiu pelo mundo, o Presidente Eisenhower destacou tropas nacionais para que protegessem os nove e garantissem sua entrada. A partir disso, os adolescentes puderam ir às aulas, mas foram acossados diariamente. "Nos davam socos, chutes, jogavam bolas de neve com pedras dentro sobre nós. Éramos chamados de tudo que é coisa e ameaçados de morte", disse Brown.

Eram nove estudantes negros entre 1.900 brancos. "Era bem difícil de lidar, mas não fugimos. Sabíamos que tínhamos o direito de estar ali. Tudo o que queríamos era igualdade no acesso ao melhor ensino e a chance do sonho americano", disse Carlotta Walls, a mais nova entre os nove. Ela agora vive em Colorado.

Eles foram premiados com uma medalha de ouro pelo Presidente Bill Clinton em 1999, mas a coroação de sua batalha será no dia 20 de janeiro.

Fonte: The Guardian/Site O Vermelho.

RESPOSTA AO LEITOR JOÃO PAULO FRANCISCO DE ASSIS.

Prezado João Paulo,

Respondendo a sua indagação, quero lhe informar que sou neto do Capitão Augusto de Araujo Dória, que foi professor do Colégio Militar de Barbacena. Meu avô sempre teve ao longo da sua vida,grande preocupação com a questão educacional e também indígena. Foi amigo do Marechal Rondon.Obrigado por ter me revelado uma informação que eu não sabia: o fato de ele ter sido presidente da Liga Barbacenense contra o Analfabetismo.

Aquele abraço

Carlos Dória

domingo, 28 de dezembro de 2008

MÍDIA - Internet já é o meio de comunicação preferido nos EUA.

Um relatório da empresa de pesquisas Pew Research mostrou que nos Estados Unidos a Internet já ultrapassou os meios de comunicação impressos, transformando-se na principal fonte de informação para os leitores.

De acordo com a pesquisa, é a primeira vez na história que a imprensa tradicional deixou de ser o meio de comunicação preferido dos norte-americanos: 40% dos entrevistados informaram que buscam informações sobre assuntos nacionais e internacionais inicialmente na Internet, contra 35% que procuram nos jornais.

No entanto, apesar de a Internet estar mais popular nos EUA, ela ainda está atrás da televisão. Quando os espectadores do país querem se informar, a maioria deles - 70% - tem a TV como veículo preferido. Apenas entre a população com menos de 30 anos é que a Internet e a televisão se assemelham na preferência, informou o site Sol.

Espanha

No começo de dezembro, um outro estudo, realizado na Espanha, mostrou que Internet foi o meio de comunicação mais consumido no país em 2008, à frente da televisão. Segundo a pesquisa, 60% da população européia usa a Internet em média 12 horas por semana.

Na Espanha, esse tempo aumentou 16% desde 2007, para 12,1 horas; em frente à TV, os espanhóis passam cerca de 11,7 horas semanais. Desde 2004, o tempo que a população espanhola fica na frente de um computador aumentou 20%.

Fonte: Portal Imprensa/Site O Vermelho.

UM CONTO DE NATAL IRONIZA FESTAS DE FIM DE ANO.

Por Redação, com Reuters - de São Paulo

Catherine Deneuve ficou com o papel da matriarca Junon.

No cinema de Hollywood, Natal é sempre igual: a época do ano quando as famílias se reúnem para trocar acusações mútuas e acertar as contas com o passado. Um Conto de Natal, que estréia apenas em São Paulo, possui todos esses elementos, mas há um diferencial: este filme é francês, por isso, seu desenvolvimento reserva várias surpresas, a começar pelo tom irônico e, às vezes, amargo.

Dirigido com vigor por Arnaud Desplechin (de Reis e Rainha), a partir de um roteiro assinado por ele e Emmanuel Bourdieu, Um Conto de Natal é um filme de difícil classificação. Há momentos de comédia, como também de drama e sentimentalismo. O cineasta transita por diversos registros e técnicas - até teatro de marionetes aparece na tela -, acrescentando camadas aos personagens e suas tramas.

A matriarca, Junon (Catherine Deneuve, que recebeu um prêmio especial por este trabalho no Festival de Cannes 2008), sofre de um tipo raro de câncer e depende de um transplante para sobreviver. Seus possíveis doadores são os parentes mais próximos - ou seja, filhos e netos. O fato de a família não se dar muito bem, mantendo ressentimentos e frustrações do passado, dificulta as coisas.

Depois de uma série de exames, descobrem-se os possíveis doadores: Henri (Mathieu Amalric, de 007 Quantum of Solace), o filho do meio de Junon, e Paul (Emile Berling), o neto depressivo e suicida. As perspectivas, assim, não são nada boas para Junon, uma vez que Henri foi banido da família pela irmã mais velha, Elizabeth (Anne Consigny) e sempre teve uma relação bastante tensa com a própria mãe.

Desplechlin nos lembra de que somos protagonistas de nossas vidas, mas coadjuvantes das vidas das outras pessoas. Assim, todos aqui têm seus momentos em primeiro plano. Sylvia (Chiara Mastroianni), por exemplo, a mulher do filho mais novo, Ivan (Melvil Poupaud), tem uma história de amor mal resolvida com o primo dele, Simon (Laurent Capelluto), que só agora vem à tona, quando ela descobre ter sido privada de uma chance de escolha entre os dois rapazes.

Um diálogo entre Junon e seu filho mais rejeitado, Henri, de quem agora tanto necessita, traz à tona a frieza da relação entre os dois. Ela lembra que ele foi concebido para salvar a vida do irmão mais velho há muitos anos, mas o transplante não funcionou, o primogênito morreu. Pela vida toda, Henri foi culpado por isso. Só que agora repete-se uma situação parecida, entre a mãe e o filho.

Apesar de sua longa duração (duas horas e meia) e sua verborragia tipicamente francesa, Um Conto de Natal consegue colocar o público dentro da reunião familiar. Não é como se assistíssemos a um final de semana entre família, é como se fossemos um dos convidados, compartilhando com eles as dores e alegrias dessa convivência.

Como em seu Reis e Rainha, o diretor não tem medo de usar elementos que, nas mãos de outros cineastas, pareceriam exibicionismo.

Com citações de Nietzsche a Shakespeare, passando por Hitchcock, e atores falando diretamente para a câmera, Desplechin retrata a complexidade da vida, em especial, aquela em família - em que a convivência tantas vezes depende mais de abrir mão de algumas coisas do que impor os próprios desejos.
Fonte:Jornal Correio do Brasil.

ALIMENTAÇÂO - Empresa portuguesa quer lançar azeite com sabor de café.

Uma empresa da cidade de Campo Maior, no Alentejo, pretende lançar no mercado um azeite com sabor de café, um produto inovador para aliar as duas principais atividades econômicas da região, mas a iniciativa está atrasada.

O proprietário da empresa, António Gralha, disse à Agência Lusa que, embora este produto já tenha sido apresentado, ainda estão sendo feitos testes. A comercialização deve ser iniciada logo que seja possível.

António Gralha revelou que a empresa necessita de mais tempo para poder lançar no mercado "um produto para ser consumido com todas as garantias".

O empresário explicou que há testes elaborados, mas existe a necessidade de atribuir um determinado prazo de validade ao produto, para não "correr o risco de perder as suas propriedades e o aroma" antes de ser consumido.

"Necessitamos de mais tempo, para poder assegurar que o produto mantém o paladar", disse Gralha.

De acordo com o responsável técnico da empresa, Mário Bernardo, a marca Azeitonas Café de Campo Maior constitui um produto inovador, com características que vão "surpreender os apreciadores de azeitonas e de café".

Divulgação

A apresentação deste produto, criado pela empresa Azeitonas e Azeite Gralha de Campo Maior, foi efetuada durante a Feira Nacional de Olivicultura, em 2007, na cidade alentejana.

Durante a divulgação do produto, foi produzida uma pequena quantidade de azeite com sabor de café, mas sem entrar no circuito de comercialização.

O lançamento deste produto no mercado chegou a ser anunciado para o mês em que foi feita a sua apresentação.

A região de Campo Maior é conhecida pelas suas fábricas de café, sendo ainda a principal região de Portugal em termos de produção de azeites.

De acordo com Mário Bernardo, o novo produto surgiu com a adição de café na azeitona de conserva, com uma formulação desenvolvida pela empresa, que considera ser "um segredo industrial".

Esta empresa produz vários tipos de azeitona de conserva, à maneira tradicional de Campo Maior, temperada habitualmente com ervas aromáticas, sobretudo oréganos, e que, segundo o proprietário, "estão com grande aceitação no mercado".

António Gralha declarou ainda que a empresa produz também o azeite Gralha de Campo Maior, azeite virgem extra, que também tem tido "grande aceitação", por ser "diferente", visto que inclui uma mistura de azeitona da região, o que o torna um produto de "alta qualidade".
Fonte:Blog SRZD

MATANÇA NA FAIXA DE GAZA.

Passaram apenas quatro dias desde que aqui dei conta dos planos bélicos do governo de Israel, que em processo de eleições internas, resolve trazer para a campanha eleitoral aquilo que parece dar mais votos aos candidatos em confronto, a violência gratuita ou desproporcionada.

No ataque mais mortífero desde há várias décadas, as forças militares israelitas lançaram cerca de 40 mísseis sobre a Faixa de Gaza, causando dezenas de vítimas. O número continua a aumentar nas últimas horas e neste momento o número de mortos palestinianos eleva-se a 230, a maioria deles na cidade de Gaza, 700 feridos, muitos deles graves e ainda estão a ser resgatadas pessoas debaixo dos escombros.

A adensar ainda mais o cenário do massacre é preciso ter-se em conta que o bombardeamento produz-se no momento em que as autoridades egípcias se encontravam num processo de mediação para restabelecer a trégua que tinha sido fixada em 19 de Junho passado e que se tinha prolongado por seis meses.

Cerca de 1,5 milhões de pessoas vivem em Gaza, mais de metade dos quais são refugiados dos diferentes conflitos entre palestinianos e israelitas nos últimos anos. A cidade de Gaza tem uma das maiores densidades de população do mundo, assim como uma importante taxa de crescimento demográfico.

O ataque tem, como já aqui ficou claro, como principal objectivo acabar com o governo do Hamas em Gaza que, recorde-se, ganhou o poder em eleições livres.

Assistimos a um espectáculo que foi cuidadosamente planeado, assim o demonstram as palavras proferidas por Tzipi Livni, ministra dos negócios estrangeiros, transcritas neste blogue há quatro dias. O que podemos esperar é que as vítimas serão muitas. Estamos perante uma catástrofe humanitária de dimensões incalculáveis.

Os políticos israelitas têm competido para ver quem lançava ameaças mais duras, ávidos de ganhar o apoio de um eleitorado que nos últimos dias se inclinaram em favor dos partidos da ultra-direita.

Esta escalada verbal terminou com o maior bombardeamento dos últimos anos. E lançou uma clara mensagem ao novo inquilino da Casa Branca, Barak Obama. Uma mensagem de factos consumados procedente de um país que durante a campanha eleitoral norte-americana disse preferir o candidato republicano e que teme que Obama mostre uma maior compreensão pelos palestinianos que os seus predecessores.

O presidente palestiniano, Mahmud Abbas, condenou os ataques e pediu a intervenção internacional para deter estes ataques. Sabendo-se como se sabe que Israel contará com o apoio e o poder de veto dos Estados Unidos na ONU, seguem-se, como é habitual, as tímidas condenações. O chefe da política externa da União Europeia, Javier Solana, "exigiu" um cessar fogo, o presidente em exercício da União Europeia, Nicolas Sarkozy idem. O primeiro-ministro britânico Gordon Brown expressou "profunda preocupação" pelos últimos desenvolvimentos do conflito e apelou ao fim da violência. O secretário geral das Nações Unidas, Ban-Ki Moon, mostrou-se alarmado pelo derramamento de sangue ocorrido e "sugeriu" um imediato cessar fogo para evitar a continuação da violência.

Enquanto isto, preparamo-nos para "festejar" a passagem de um ano em que a violência extrema esteve sempre presente. E pela forma como acaba podemos ter a certeza de que para o ano haverá mais...
Fonte:Blog Ai Portugal/Blog Salvo Conduto.

BOLÍVIA - Uma boa notícia, pelo Natal

A Bolívia junta-se a Cuba e Venezuela, países que já há algum tempo ficaram livres do flagelo do analfabetismo aquí na nossa América Latina.Recentemente, saiu o IDH preparado pela ONU,e Cuba aparece na quadragésima posição, enquanto o Brasil ocupa a posição 70, também atrás da Venezuela.O fator educação contribuiu para as boas posições apresentadas por Cuba e Venezuela.
Carlos Dória.

Acabaram-se os dias em que milhares de indígenas e camponeses bolivianos não podiam defender adequadamente os seus direitos, por não saberem ler nem escrever. Acabaram-se os tempos em que cada vez que para votar, ou dar o visto a um documento, o faziam através da impressão digital, porque não eram capazes de assinar. A Bolívia viveu na madrugada de domingo um dia histórico: o país foi declarado "território livre de analfabetismo" e converteu-se na terceira nação latino-americana que se proclama livre de analfabetos, depois de Cuba, em 1961, e da Venezuela, em 2005.

FOI RATIFICADO PELA UNESCO: num tempo recorde de três anos, os mesmos que Morales cumpre no poder, a Bolívia passou de um país com um elevado grau de analfabetismo a contar neste momento com menos de 4% de analfabetos. Este é o número que a Unesco estabelece para declarar alfabetizada qualquer nação.

Era o grande sonho de Evo Morales. "Quero ser presidente para acabar com o analfabetismo na Bolívia", disse-o a um jornalista, quando ainda era candidato a presidente.

A mãe de Evo foi analfabeta. O seu pai, semi-analfabeto, e vários dos seus familiares não sabiam ler nem escrever quando chegou ao poder. No mesmo dia da sua investidura, Morales anunciou que tinha acordado com Fidel Castro e Hugo Chavez o envio de centenas de voluntários, que deveriam cooperar com a Bolívia na luta contra o analfabetismo.

Tanto Cuba como Venezuela doaram as equipas necessárias para a formação, e o programa educativo se desenvolveu com financiamento conjunto venezolano-boliviano.

Em só dois anos e nove meses, 824.000 bolivianos, na sua maioria mulheres indígenas quechuas, aymaras e guaraníes, aprenderam a ler e a escrever com o método audiovisual cubano 'Eu sim posso', o mesmo método que Fidel Castro implementou anos antes na Venezuela. O programa 'Eu sim posso' recebeu duas menções honrosas por parte da Unesco.

Os enviados de Castro e Chávez orientaram quase 50.000 educadores bolivianos. Cuba forneceu 30.000 televisores e vídeos para pôr em marcha o programa educativo. Muitas das comunidades indígenas nem sequer contavam com electricidade, e por isso a Venezuela instalou 8.350 painéis solares, para que os bolivianos pudessem seguir as aulas. Em alguns casos, os materiais educativos foram transportados por mulas, para comunidades indígenas muito isoladas. Mas apresentou-se outro problema: muitos dos alunos eram anciãos que não conseguiam ler o ecrã. Cuba voltou a socorrer, com 212.000 pares de óculos.

"Vivemos momentos maravilhosos", assim se exprimiam uma das voluntárias cubanas. Nunca me vou esquecer da emoção de uma anciã de 80 anos, que chorava e se abraçava a mim quando conseguiu escrever o seu nome".

Há histórias comovedoras, como a de outra anciã, de 92 anos, que chegava à escola depois de caminhar uma hora desde a sua aldeia, apoiada num cajado, e nunca faltou a uma aula, conta outra voluntária.

"Nunca mais nos vão enganar, nem aproveitar-se de nós", dizia Juliana Quispe, uma camponesa aymara de 56 anos, que até há pouco tempo dependia do filho de 7 anos. "Sem o meu filhito, que lia os papeis por mim, eu não podia ir a nenhum lado, eu envergonhava-me muito".

A este tipo de situações se referiu Evo Morales. "Jamais me vou esquecer, quando eu era dirigente sindical, de um companheiro que chegava às reuniões das federações com o filho de 10 anos, o menino tomava apontamentos e depois lia-os ao pai, ponto por ponto, o que tínhamos acordado. Nunca mais os nossos companheiros vão passar por este tipo de sofrimento".

À celebração estiveram presentes o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, o vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba, José Ramon Fernandez, a ministra da Educação de Cuba, Enaelsa Velazquez, o ministro da Educação da Venezuela e representantes da Unesco e da Organização dos Estados Americanos, entre outros.

É por coisas como esta que eu não perco a esperança, mesmo quando no nosso país, em 2001, dez em cada cem portugueses eram ainda analfabetos, segundo dados do Censos 2001 apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística. Segundo o mesmo organismo, entre 1991 e 2001, em dez anos, este índice apenas melhorou um por cento. Ao que parece as prioridades são "outras".
Fonte:Ai Portugal.

SAÚDE - Obesidade pode ser determinada antes dos 5 anos.

Um recente estudo feito na Inglaterra determinou que a grande parte do excesso de peso adquirido por uma criança é determinado antes dela entrar para a escola. Através deste estudo uma das grandes teorias de que o culpado para a obesidade infantil era a comida servida nas escolas cai por água abaixo.

Segundo o professor Terry Wilkin, o peso dos bebês que nascem hoje em dia são similares aos de 25 anos atrás, mas ao chegarem na puberdade eles adquiriram mais gordura se comparado com as crianças da mesma idade na década de 80.

“É muito difícil de determinar a provável causa”, disse Wilkin. Porém as maiores porções que são servidas hoje em dia e os alimentos mais calóricos podem ser um dos fatores.

Outro fato interessante é que 90% das meninas obesas já adquiriram o seu excesso de peso antes de entrarem para a escola, para os meninos a porcentagem fica na casa dos 70%.

Isto significa que um dos grandes culpados para a obesidade infantil é a alimentação e não a falta de exercícios, televisão ou videogames.

Vale destacar que nunca é muito cedo ou muito tarde para mudar os seus hábitos.

Fonte: BBC News/Blog da Dieta.

DO CACHORRO.

Paulo Coelho.


“Qual a importância do seu primeiro mestre?”

“Ele me ensinou como entrar no caminho”, respondeu Chibli.

“E qual o nome dele?”

“Não sei. Era um cachorro”.

“Um cachorro?”, disseram os discípulos, assustados.

“Ainda jovem, eu estava certo dia diante de um poço, quando um cachorro veio beber água. Mas ao ver seu reflexo na superfície do poço, fugiu de medo. Isto aconteceu várias vezes. Até que, já morto de sede, atirou-se contra aquela estranha criatura na superfície. Qual foi sua alegre surpresa, ao descobrir o frescor da água no seu corpo e na sua língua!”

“Com isto aprendi as duas primeiras - e importantes - lições: que era preciso olhar para outra coisa além de mim mesmo, e que só mergulhando de corpo e alma no caminho eu podia entender seu significado”.
Fonte:Blog do Paulo Coelho.

AMÉRICA LATINA - Entrevista com Marco Aurélio Garcia na FSP.

O jornal Folha de S. Paulo, assim como a maioria dos jornais da grande imprensa brasileira apegada aos ditames da política externa estadunidense, não consegue esconder sua antipatia pela América Latina, sobretudo agora, quando vários países da região estão sendo comandados por forças políticas de esquerda. As iniciativas de integração dos países latino-americanos, reforçada na recente reunião de cúpula ocorrida na Bahia, parece incomodar bastante a mídia brasileira. Este incômodo transparece na entrevista que a Folha fez com o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Em suas respostas, Garcia desmonta um a um os argumentos e os preconceitos da mídia contrários à integração regional da América Latina.
Garcia reforça, sobretudo, as boas relações existentes entre Brasil e Cuba. Segundo ele, investimentos, ajuda humanitária e apoio diplomático compõem o atual momento das relações entre os dois países.

Veja abaixo a entrevista:

Folha - Na reunião de Salvador, há uma semana, surgiu a idéia da união latino-americana. Já temos o Mercosul e a Unasul. Não é cedo para uma iniciativa do tipo?
Marco Aurélio Garcia - Nosso esforço inicial de integração foi sul-americano. A idéia era a aproximação em blocos. Mas houve um efeito positivo sobre a América Central e do Caribe. Temos problemáticas econômicas, étnicas e políticas semelhantes. Estamos buscando uma identidade regional. México e Cuba mudaram a percepção sobre as questões que estão em jogo na política externa, e agora apostam na América Latina. Havíamos convidado Cuba para o Grupo do Rio há três anos, mas não houve interesse.

Folha - Por que a mudança?
Garcia - O Sul está se fazendo respeitar, com a melhoria da situação econômica, o avanço democrático. Isso exerce uma certa influência. Estamos descobrindo nossa importância, temos um grande potencial energético, mineral, uma biodiversidade extraordinária, uma das maiores reservas agrícolas do mundo e um imenso mercado consumidor. Mas não queremos substituir os Estados Unidos, nem no conteúdo e muito menos na forma. Chegamos ao fim do apogeu das idéias neo-conservadoras e do unilateralismo. Isso se traduz em orientações de integração. Nos interessa a Argentina forte industrialmente, que a Bolívia se torne estável e a Venezuela não produza só petróleo, mas diversifique a produção. Cada país tem uma leitura particular. O [Hugo] Chávez vê isso de uma ótica bolivariana, o Evo [Morales] vê isso do ponto de vista de uma certa refundação com os povos originários. Nós temos outro tipo de visão e o Chile tem outra. Mas conseguimos estabelecer um terreno comum.

Folha - E os conflitos com o Equador e o Paraguai?
Garcia - Com o Equador, a moratória seria uma catástrofe para o futuro dos investimentos lá. É um episódio ruim, por isso reagimos. Mas na minha opinião, a crise foi superada e o embaixador pode voltar. Outras empresas já estão querendo substituir a Odebrecht. Com o Paraguai houve um avanço de método para elevar o diálogo, que às vezes fica contaminado. Temos que ter sensibilidade sobre a questão de Itaipu. Não vamos perdoar a dívida, mas não queremos um Paraguai pobre. Ninguém perde por ser generoso, mas aqui no Brasil isso é entendido como fraqueza. Mas os que criticam praticaram subserviência.

Folha - Qual impacto terá a crise financeira?
Garcia - Não sabemos ainda, mas vamos sofrer mais se estivermos isolados. Temos que evitar o protecionismo, aumentar a confiança e evitar conflitos desnecessários. E essas reuniões, que muitos criticam, são fundamentais para a confiança. Se fôssemos arrogantes com o Evo [Morales] em 2006, a coisa tinha piorado. Hoje a produção de gás cresce e nossa relação é muito boa. As pessoas podem não gostar do Evo, criticar o Lula por respeitar o [Alvaro] Uribe, que admira o Fidel. A política é complexa.

Folha - A relação com Cuba é ideológica?
Garcia - Não é ideológica. Não compartilhamos uma série de valores dos cubanos. Nosso sistema político e eleitoral é diferente. Mas não é esse o problema. Queremos ajudar Cuba, como a Jamaica. Com a particularidade de que, com Cuba, há um elemento de afinidade subjetiva. Várias gerações entraram na política tendo o modelo cubano como referência, a forma como defenderam a soberania e as mudanças sociais implementadas. Gostemos ou não, quando fizerem um inventário dos grandes personagens do século 20, Fidel Castro vai estar nele.

Folha - Hugo Chávez quer se reeleger sucessivamente. Isso não fere a democracia?
Garcia - No Mercosul temos a cláusula democrática. Achamos que a integração reforça a democracia, mas não exportamos paradigmas. Se as eleições são livres, não há problema. Só espero que esse assunto não interfira na reunião do Lula com [o presidente francês, Nicolas] Sarkozy, já que a França é um país com eleição indefinida. Isso também não fazia parte da tradição francesa. O general DeGaulle foi quem introduziu. Tanto é que alguns caracterizaram a 5ª República como um golpe de Estado permanente.

Folha - Como responder às críticas sobre o fracasso de Doha, do G20 e da reforma do Conselho de Segurança da ONU?
Garcia - Doha não foi um fracasso do Brasil, foi um fracasso do mundo inteiro. Levamos uma tese para o G20. Muita gente diz que é só retórica, mas sem retórica as ações não se consubstanciam. O fato é que o Brasil se transformou em referência importante nos últimos anos. Em primeiro lugar, no plano econômico e social e no aprofundamento da democracia. Em segundo lugar, porque entrou em várias bolas divididas internacionais. Nós participamos ativamente das negociações comerciais. Alguém vai dizer, ''fracassaram''. Bom, claro. Não tem nenhum time de futebol que só contabilize vitórias. Estamos participando ativamente no reordenamento da arquitetura institucional internacional, seja na briga do Conselho de Segurança, ou na reforma da ONU em sentido mais amplo, seja na presença no G8 ampliado. Isso tudo exige trabalho, exige reflexão, iniciativas concretas, como aumentar o número de embaixadas e de embaixadores. A ampliação do Conselho de Segurança, naturalmente poderá ser retomada, mas estou cético. O contexto de crise não vai ajudar. Mas a reforma é um imperativo, pois temos enormes focos de tensão internacionais.

Folha - E quais são as ameaças de segurança na nossa região?
Garcia - Aqui na região temos ameaças potenciais. No Brasil, a Amazônia e o litoral, com sua riqueza energética. Por isso criamos o Conselho Sul-americano e Defesa. Vamos trocar informações, configurar um debate da segurança coletiva e reerguer a indústria de defesa, que vai prover as forças armadas da região. O Conselho tem uma estrutura light no momento atual. Não daria para funcionar se projetasse uma ambição desmesurada, que pudesse criar suspicácias ou resistências. Estávamos defasados. Grande parte das América do Sul nos últimos 40 anos viveu sob ditaduras militares, sob a égide da Doutrina de Segurança Nacional. Isso caducou e não veio nada no lugar. Queria chamar a atenção para um problema fundamental que é o seguinte: projeto político de integração que não tem dimensão de defesa, vai ser tutelado por alguém. A Europa hoje, vive essa ambigüidade, da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e não consegue construir um projeto. Os europeus vão dizer que não é bem assim, mas eu acho que é assim. A regionalização da indústria de defesa vai gerar emprego e conhecimento científico e tecnológico.

Folha - Como financiar? Não corremos o risco de repetir o modelo de outros países, fornecendo equipamentos para a guerra dos outros?
Garcia - A concepção de defesa que nós temos é dissuasiva. O último grande conflito que temos na região é interno na Colômbia, que está amainando e oxalá se resolva rapidamente pela via diplomática. Então temos uma concepção dissuasiva, grande parte dos conflitos podem ser resolvidos. Agora, temos ameaças potenciais. Ou você enfrenta ou não. Eu vou lhe dar um exemplo de que a roda está andando: os Super Tucanos. O Chile comprou, a Colômbia comprou, o Equador está comprando, a Bolívia quer comprar e a Venezuela queria comprar, mas foi impedida e acabou comprando de outro. Nós gostaríamos que esse avião fosse regional, não só no consumo, mas também na produção. Os chilenos estão produzindo algumas peças já de aviões da Embraer. Nós não estamos financiando a guerra. Estamos financiando justamente a paz, se nós tivermos a idéia de que os mísseis vendidos para o Paquistão são dissuasivos. Por outro lado, se não vendermos, alguém vende. Não podemos ter uma atitude cínica, de que não nos interessa vender armamento. Claro que nos interessa! Mas tampouco devemos ter um atitude romântica. Não é a construção de uma indústria de defesa da região que será um fator de instabilidade política. Temos que ter responsabilidade e fazer com que os meios diplomáticos se sobreponham aos meios militares.
Fonte:Site O Vermelho.

JAPÃO - O sol é poente.

Gilberto Yoshinaga, de Nagoya

Com documentos, roupas e outros poucos pertences guardados em mochilas, Flávio Ideiti Murakami e sua esposa, Érica Alves Kosaka, perambulam de bicicleta há três meses pelas ruas e estradas do Japão. Desempregados, já pedalaram centenas de quilômetros à procura de trabalho. Dormem em praças públicas, vivem de doações e representam, em pleno ano do centenário da imigração japonesa ao Brasil, um triste capítulo para a recente história do “fenômeno dekasségui”: são as primeiras vítimas de uma crise econômica que, a espantosa velocidade, tem pulverizado os sonhos de muitos brasileiros que atravessaram o mundo.

Quando decidiu ir trabalhar no Japão, Murakami, nascido em Bauru (SP), tinha um sonho semelhante ao de todo dekasségui, juntar dinheiro para retornar ao Brasil o mais rápido possível e comprar uma casa. “Pensava que no Japão seria fácil ganhar bastante dinheiro rapidamente. Tudo não passou de uma ilusão, um conto de fadas”, desabafa. “Agora, só quero ir embora do Japão, onde nunca mais pretendo pôr os pés.” Murakami está no Japão há cinco anos, quatro a menos que a esposa. No período, fizeram várias remessas de dinheiro para familiares que estão no Brasil, mas não conseguiram economizar muito. “Os salários já não são os mesmos de antes, o custo de vida é muito alto e os impostos, também”, argumenta Érica, que até perder o emprego mantinha no Japão dois filhos de outro casamento. “Eles não merecem morar na rua e, por isso, resolvi mandá-los de volta ao Brasil. Mas o dinheiro acabou. Agora, preciso trabalhar para poder comprar a minha passagem de volta, mas não encontro serviço.”

De fato, o País do Sol Nascente não é mais o mesmo eldorado que se noticiava no início da década de 1990, quando os dekasséguis facilmente ganhavam salários em torno de 5 mil dólares e, com dois ou três anos de trabalho, conseguiam poupar o suficiente para comprar um imóvel ou montar um negócio próprio no Brasil. Desde então, uma série de fatores fez o cenário piorar. A crescente concorrência da mão-de-obra oriunda de outros países asiáticos, como China, Tailândia, Filipinas e Vietnã, fez os salários caírem – a média salarial, hoje, oscila entre 2 mil e 3 mil dólares. Além disso, os impostos e o custo de vida aumentaram significativamente.

O drama de Murakami e Érica tem se repetido com freqüência entre os 317 mil brasileiros que moram no Japão. Nos últimos doze meses, o iene, a moeda local, valorizou mais de 20% em relação ao dólar. Somada à queda da demanda nos Estados Unidos, principal destino das exportações japonesas, a valorização afetou as grandes empresas do país, principalmente as montadoras, que iniciaram uma onda de demissões. A maioria dos dekasséguis trabalha no setor automobilístico. Estima-se que ao menos 50 mil brasileiros estarão desempregados até o fechamento do ano fiscal japonês, no fim de março de 2009. Segundo previsões do governo japonês, a crise só vai começar a ser revertida em 2010.

Em várias cidades onde a concentração de estrangeiros é numerosa, já não são raros os casos de brasileiros dormindo em bancos de praças ou debaixo de pontes e viadutos. Alguns fazem do carro sua “casa”. Como milhares ainda cumprem aviso prévio, nos próximos meses o contingente de dekasséguis desabrigados tende a aumentar. Explica-se: boa parte reside em apartamentos fornecidos pelas “empreiteiras” (nome como são conhecidas as agências de relocação de mão-de-obra). Ao se desligar dos empregos, são forçados a deixar esses apartamentos. Por trabalhar em mais de uma ocupação e não conseguir comprovar renda fixa – um dos rigorosos requisitos para alugar outro imóvel –, acabam na rua.

Em raros casos há empreiteiras compreensivas que permitem que o ex-funcionário continue no apartamento até conseguir outra moradia. Na maioria das vezes, porém, esse tipo de empresa explora a desinformação dos brasileiros e age com truculência, respaldada pelo descaso das autoridades. Murakami e a esposa, por exemplo, foram pressionados a deixar o apartamento uma semana após se desligarem do emprego – período inferior aos 30 dias estipulados pela lei japonesa. E, antes mesmo de o prazo terminar, a empreiteira confiscou o último salário do casal e trocou as fechaduras do imóvel, sem permitir que os móveis e objetos pessoais fossem retirados. “Ficaram até com meus documentos. Na polícia e na prefeitura, disseram que não podem fazer nada”, lamenta o brasileiro, que tem pouca familiaridade com o idioma japonês.

Apreensivo com a crise na comunidade brasileira, o cônsul-geral do Brasil em Nagoya (província de Aichi), Geraldo Affonso Muzzi, resolveu emitir, entre o fim de novembro e o início de dezembro, cartas de “alerta” a cerca de 50 empreiteiras. “Solicitei para que se lembrem de suas responsabilidades como empregadores e não deixem os brasileiros desamparados”, explica ele, que também contatou as autoridades japonesas.

Segundo Muzzi, alguns pedidos de ajuda já começaram a chegar à repartição consular. “Estamos sabendo de pessoas morando nas ruas ou dentro de carros. É triste, mas não temos como abrir as portas do consulado para abrigá-las”, afirma o cônsul, ao salientar que os funcionários orientam os brasileiros sobre como podem se inscrever em programas japoneses de assistência social. Um último expediente é solicitar do consulado uma passagem aérea de repatriação, mas para isso é preciso enquadrar-se em critérios que atestem sua condição de desvalido.

Para parte dos dekasséguis, a única saída tem sido o aeroporto. Nos próximos três meses, os vôos para o Brasil estão praticamente lotados. “A venda de passagens aéreas é o único negócio que anda aquecido na comunidade brasileira. A procura nunca esteve tão grande em tão pouco tempo”, afirma Oscar Tence, dono de duas agências de viagens. Tence sabe do que fala. Além das agências, é dono de duas lojas de roupa, dois restaurantes, dois pequenos mercados e duas revendedoras de produtos de origem filipina.

No Japão desde 1991, o comerciante trabalhou como operário durante quatro anos, antes de montar seu primeiro negócio, e diz se sentir “traído” pelas circunstâncias. “Investi aqui tudo o que conquistei em dezessete anos de trabalho, para gerar empregos e movimentar a economia. Isso é o que recebo em troca”, desabafa o comerciante, que prevê para 2009 um ano “nebuloso” para os brasileiros que ficarem no Japão. “O que mais me incomoda é a sensação de impotência, é sentir que tudo o que construí está prestes a ruir e não há nada que eu possa fazer para evitar o pior.”

Um dos termômetros da crise que assola os brasileiros no Japão é o padre Evaristo Higa, de Hamamatsu (província de Shizuoka), a cidade mais “verde-amarela” do país, com cerca de 20 mil moradores brasileiros. Há catorze anos, ele coordena o Grupo Esperança, uma equipe de voluntários que distribui alimentos, roupas e medicamentos a moradores de rua japoneses. “Fazemos esse trabalho todos os sábados e nunca falhamos, mesmo debaixo de chuva ou neve”, assegura.

Espécie de “porto seguro” dos brasileiros desamparados, padre Higa está preocupado com o início de 2009. “Se a economia mantiver esta tendência de declínio, a situação vai ficar realmente muito preocupante nos próximos meses”, prevê. Há quinze anos no Japão, ele conta já ter visto outras crises anteriores, mas diz que elas não foram tão graves. “Felizmente, nestes momentos, o espírito de solidariedade dos brasileiros se intensifica. Tenho recebido doações de mantimentos de todo o Japão e o número de voluntários também aumentou.”
Fonte: Carta Capital.
(Crédito da foto: Gilberto Yoshinaga)

SE GAZA CAIR, CISJORDÂNIA CAIRÁ DEPOIS.

Além do bloqueio, Israel não estava nem permitindo ajuda humanitária.

O que está acontecendo em Gaza, ante nossos olhos, é a destruição de toda uma sociedade e nenhum clamor se ouve, além dos avisos da Organização das Nações Unidas (ONU), que são ignorados pela comunidade internacional. Com o bloqueio praticado por Israel, população da região (cerca da metade é composta por crianças) está sem alimentos e remédios. A análise é de Sara Roy, professora do Harvard's Center for Middle Eastern Studies.

Sara Roy (*)

O sítio de Gaza, por Israel, começou em 5 de novembro, um dia depois de Israel ter atacado a Faixa, ataque feito sem possibilidade de dúvida para pôr fim à trégua estabelecida em junho entre Israel e o Hamás. Embora os dois lados tenham violado antes o acordo, nunca antes acontecera qualquer violação em tão grande escala. O Hamás respondeu com foguetes, e desde então a violência não recrudesceu.

Com o sítio, Israel visa a dois principais objetivos. Um, reforçar a idéia de que os palestinos são problema exclusivamente humanitário, como pedintes, mendigos sem qualquer identidade política e, portanto, sem reivindicações políticas. Segundo, impingir a questão de Gaza, ao Egito.

Por isso, os israelenses toleram as centenas de túneis que há entre Gaza e o Egito, pelos quais começou a formar-se um setor comercial informal, embora cada vez mais regulado. A muito grande maioria dos habitantes da Faixa de Gaza vive em condições de miséria, com 49,1%, estatísticas oficiais, de desempregados. De fato, os habitantes de Gaza já sabem que está desaparecendo rapidamente, para todos, qualquer possibilidade real de emprego.

Dia 5/11, o governo de Israel fechou todas as vias de entrada e saída de Gaza. Comida, remédios, combustível, peças de reposição para as redes de energia, água e esgoto, adubo, embalagens, telefones, papel, cola, calçados e até copos e xícaras não entram nos territórios ocupados em quantidade suficiente, ou absolutamente não há.

Conforme relatórios da Oxfam, apenas 137 caminhões com alimentos entraram em Gaza no mês de novembro de 2008. Em média, 4,6 caminhões/dia; em outubro de 2008, entraram em média 123; em dezembro de 2005, 564. As duas principais organizações que levam comida a Gaza são a UNRWA, Agência de Ajuda Humanitária da ONU para os Refugiados Palestinos e o Oriente Médio; e a WFP, "Programa Alimento para o Mundo". A UNRWA alimenta aproximadamente 750 mil palestinos em Gaza (cerca de 15 caminhões/dia de alimentos). Entre 5/11 e 30/11, só chegaram 23 caminhões, cerca de 6% do mínimo indispensável; na semana de 30/11, chegaram 12 caminhões, 11% do mínimo indispensável.

Durante três dias, em novembro, a UNRWA esteve totalmente desabastecida e 20 mil pessoas não receberam a única comida com que contam para matar a fome. Nas palavras de John Ging, diretor da UNRWA em Gaza, praticamente todos os atendidos pela organização dependem completamente do que recebem, seu único alimento. Dia 18/12, a UNRWA suspendeu completamente a distribuição de alimento, dos programas regulares e dos programas de emergência, por causa do bloqueio israelense.

A WFP enfrenta problemas semelhantes; conseguiu enviar apenas 35 caminhões, dos 190 previstos para atender as necessidades da Faixa de Gaza até o início de fevereiro de 2009 (mais seis caminhões conseguiram chegar a Gaza, entre 30/11 e 6/12). E não é só: a WFP é obrigada a pagar pelo armazenamento dos alimentos que não podem ser enviados a Gaza. Só em novembro, pagou 215 mil dólares. Se Israel mantiver o sítio a Gaza, a WFP terá de pagar mais 150 mil dólares pelo armazenamento dos alimentos, no mês de dezembro, dinheiro que deveria ser usado para auxiliar os palestinos, mas está entrando nos cofres de empresas israelenses de armazenamento.

A maioria das padarias comerciais em Gaza (30, de 47) foi obrigada a fechar as portas por falta de gás de cozinha. As famílias estão usando qualquer tipo de combustível que encontrem, para cozinhar. Como a FAO/ONU já informou, o gás é indispensável para manter aquecidos os criadouros de aves. A falta de gás e de rações, já levou à morte milhares de galinhas e frangos. Em abril, conforme a FAO, já praticamente não haverá galinhas e frangos em Gaza e para 70% dos palestinos, carne e ovos de galinha são a única fonte de proteína.

Bancos, impedidos por Israel de operar nos territórios ocupados, fecharam as portas dia 4/12. Num deles há um aviso, em que se lê: "Por decisão da Autoridade das Finanças na Palestina, o banco permanecerá fechado hoje, 4/12/2008, 5ª-feira, por falta de numerário. O banco só reabrirá quando voltar a receber moeda."

O Banco Mundial já antecipara que o sistema bancário em Gaza entraria em colapso se as restrições continuassem. Todo o fluxo de dinheiro para os programas foi suspenso, e a UNRWA suspendeu a assistência financeira a outros subprogramas, para os mais necessitados, dia 19/11. Também está paralisada a produção de livros didáticos e cadernos, porque não há papel, tinta de impressão e cola, em Gaza. Com isso, 200 mil estudantes serão afetados, ano que vem, no início das aulas.

Dia 11/12, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, enviou 25 milhões de dólares para o sistema bancário na Palestina, depois de um apelo do primeiro-ministro palestinense, Salaam Fayad; foi a primeira remessa, desde outubro. Não bastará nem para pagar o mês de salários atrasados dos 77 mil funcionários públicos de Gaza.

Dia 13/11, foi suspensa a operação da única estação de energia elétrica que opera em Gaza; as turbinas foram desligadas por absoluta falta de diesel industrial. As duas turbinas movidas a bateria 'caíram' e não voltaram a funcionar dez dias depois, quando chegou um único carregamento de combustível. Cerca de 100 peças de reposição, encomendadas para as turbinas, estão há oito meses no porto de Ashdod, em Israel, a espera de que as autoridades da alfândega israelense as liberem. Agora, Israel começou a leiloar as peças não liberadas, porque permanecem há mais de 45 dias no porto. Tudo feito conforme a legislação de Israel.

Durante a semana de 30/11, 394 mil litros de diesel industrial foram liberados para a estação de produção de energia: aproximadamente 18% do mínimo que Israel está legalmente obrigado a fornecer. Foi suficiente apenas para fazer funcionar uma turbina, por dois dias, antes de a estação ser novamente fechada. A Gaza Electricity Distribution Company informou que praticamente toda a Faixa de Gaza ficará sem eletricidade por períodos que variarão entre 4 e 12 horas/dia. Em vários momentos, haverá mais de 65 mil pessoas sem eletricidade.

Nem mais uma gota de óleo diesel (para geradores e para transporte) foi entregue essa semana (como já acontece desde o início de novembro); nem de gás de cozinha. Os hospitais em Gaza estão operando, ao que parece, com diesel e gás recebido do Egito, pelos túneis; ao que se diz, são produtos administrados e taxados pelo Hamás. Mesmo assim, dois hospitais em Gaza estão sem gás de cozinha desde 23/11.

Além dos problemas diretamente causados pelo sítio israelense, há os problemas criados pelas divisões políticas entre a Autoridade Palestina na Cisjordânia e a Autoridade do Hamás, em Gaza. Por exemplo, a CMWU, que fornece água para a região costeira de Gaza, que não é controlada pelo Hamás, é financiada pelo Banco Mundial via a Autoridade Palestina para a Água (PWA) em Ramállah; o financiamento destina-se a pagar o combustível para as bombas do sistema de esgotos de Gaza.

Desde junho, a PWA tem-se recusado a liberar o dinheiro, aparentemente porque entende que o funcionamento dos esgotos beneficiaria o Hamás. Não sei se o Banco Mundial tentou alguma intervenção nesse processo, mas, por hora, a UNRWA está fornecendo o combustível necessário, embora não tenha orçamento para essa finalidade. A CMWU também pediu autorização a Israel para importar 200 toneladas de cloro; até o final de novembro recebeu apenas 18 toneladas suficiente para o consumo de uma semana de água clorada. Em meados de dezembro, a cidade de Gaza e o norte da Faixa só tinha água por seis horas, a cada três dias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as divisões políticas entre Gaza e a Cisjordânia também têm tido sério impacto sobre o abastecimento de remédios em Gaza. O ministério da Saúde da Cisjordânia (MOH) é responsável por comprar e distribuir quase todos os produtos farmacêuticos e cirúrgico-hospitalares usados em Gaza. E todos os estoques estão perigosamente baixos. No mês de novembro, várias vezes o ministério devolveu carregamentos recebidos por via marítima, por não haver espaço para armazenamento; apesar disso, nada tem sido entregue em Gaza, em quantidades suficientes. Na semana de 30/11, chegou a Gaza um caminhão com remédios e suprimentos médios, enviado pelo MOH em Ramállah; foi o primeiro, desde o início de setembro.

Está acontecendo aí, ante nossos olhos, a destruição de toda uma sociedade e nenhum clamor se ouve, além dos avisos da ONU, que são ignorados pela comunidade internacional.

A União Européia anunciou recentemente que deseja estreitar relações com Israel, pouco depois de as autoridades israelenses terem declarado abertamente que preparam a invasão, em larga escala, da Faixa de Gaza e de terem apertado ainda mais o bloqueio econômico, com o apoio, já nada tácito, da Autoridade Palestina em Ramállah. Essa, vê-se, está colaborando com Israel, em várias medidas. Dia 19/12, o Hamás deu oficialmente por encerrada a trégua (que Israel declarou que estaria interessado em renovar), porque Israel não suspendeu (nem diminuiu) o bloqueio.

Por quê, como, em que sentido, negar alimento e remédios à população de Gaza ajudaria a proteger os israelenses?

Por quê, como, em que sentido, o sofrimento das crianças de Gaza - mais de 50% da população são crianças! - beneficiaria alguém?

A lei internacional e a decência humana exigem que essas crianças sejam protegidas. Se Gaza cair, a Cisjordânia cairá depois.

(*) Professora do Harvard's Center for Middle Eastern Studies. Autora de Failing Peace: Gaza and the Palestinian-Israeli Conflict.
Fonte:Agência Carta Maior.

A BOLÍVIA QUE EU VÍ.

Guiado pelo amor à verdade, acompanhei de perto ao longo do ano o intenso e rico processo que vive o povo boliviano na afirmação da sua soberania, no resgate da sua auto-estima, no reencontro com a luta dos seus ancestrais pela dignidade e a justiça. Decretada em 1º de Maio de 2006, a nacionalização dos hidrocarbonetos (petróleo, gás e minérios) representou mais do que a inversão de uma lógica excludente e parasitária, por meio da qual as transnacionais se apropriavam de 82% dos recursos desta imensa riqueza natural, propriedade dos bolivianos, que ficavam tão somente com os 18% restantes.

Por Leonardo Wexell Severo*

Invertidos os sinais, agora são 82% para a nação e 18% para as empresas estrangeiras, o que redundou num salto espetacular da balança comercial de US$ 1,5 bilhão para US$ 7 bilhões de dólares, o que tem proporcionado inúmeros avanços na área social, melhorando os salários, garantindo bolsa para todos os estudantes, aposentadoria para os maiores de 60 anos, aceleração da reforma agrária e o mais simbólico: investimentos que tornarão a Bolívia, nos próximos dias, o terceiro país livre do analfabetismo, depois da Cuba de Fidel e a Venezuela de Hugo Chávez. Digno de nota, o aporte que estes dois países fizeram para tornar possível tamanho feito.

Com o fortalecimento do mercado interno, outrora devastado pela subserviência ao amo estrangeiro, o país ostentou este ano crescimento de 6,7% no PIB, o maior das últimas três décadas, ampliando a distribuição da renda e a justiça social, que haviam sido riscadas do dicionário neoliberal, com suas privatizações, desnacionalizações, arrocho e subemprego.

Evo tomou posse em 2006 com 53% dos votos e nas eleições de agosto de 2008 ampliou sua votação para 67,4%, tendo vencido em 95 das 112 províncias. Diante do crescente apoio popular e tentando reverter o revés, a direita fascista organizou boicotes e sabotagens, com ocupações de prédios públicos, fazendo o sangue jorrar forte e caudaloso em agressões que redundaram em dezenas de camponeses e indígenas assassinados, como no massacre de Pando, e prejuízos econômicos da ordem de US$ 200 milhões.

Com serenidade e firmeza, que pude comprovar em minhas visitas a Tarija, La Paz e Santa Cruz, o governo instalou a ordem, isolou os golpistas, ganhou o respaldo do conjunto da população e o respeito dos presidentes e povos da América do Sul, que se pronunciaram em defesa do governo Evo Morales. Agora, o primeiro presidente indígena se concentra para uma disputa chave para o avanço da democratização do Estado.

No dia 25 de janeiro, os bolivianos voltam às urnas para dizer Sim ou Não à nova Constituição Política do Estado que, entre outras conquistas, estabelece “a direção integral do desenvolvimento econômico e seus processos de planificação”; aprofunda e massifica a reforma agrária; fomenta a industrialização; impede a privatização e a concessão dos serviços públicos essenciais; estabelece normas de proteção aos trabalhadores (reconhecidos como a principal força produtiva da sociedade); subordina a propriedade privada à função social e ao interesse coletivo; garante a educação pública, universal, descolonizadora e de qualidade; fortalece a democracia e a soberania popular com o voto e o serviço militar obrigatórios, impede os monopólios e oligopólios nas comunicações, fomenta a criação e manutenção de meios comunitários “em igualdade de condições e oportunidades”, garantindo o direito à retificação e a réplica, assegurando a liberdade de expressão, opinião e informação.

Na nova Constituição, podemos ver com clareza o horizonte que se descortina, vivo e rico para o povo, com as cores do arco-íris da bandeira andina, mas também trágico e lúgubre para os servos da ignorância e subserviência ao amo estrangeiro.

* Leonardo Wexell Severo é assessor da CUT Nacional, editor do jornal Hora do Povo e autor do livro “Bolívia nas ruas e urnas contra o imperialismo”.
Fonte:Site O Vermelho.

ANOS DE CHUMBO - Ministério da Educação publicou manual de espionagem em 1970.

Publicação ensinava a fazer buscas clandestinas e interrogatórios, além de citar técnicas de contrapropaganda.

Marcelo de Moraes

Para facilitar a repressão a seus adversários, manuais secretos da ditadura militar ensinavam o passo- a- passo para a atuação e infiltração de seus agentes de informação. A preocupação em vigiar e barrar os passos dos opositores do regime era tão intensa que esse tipo de material chegou a ser editado, na década de 70, até mesmo por órgãos que, por suas finalidades, não deveriam cuidar desse tipo de assunto.

Foi o caso do então Ministério da Educação e Cultura (MEC) - hoje desmembrado em duas pastas distintas -, que publicou, em 1970, um Manual de Segurança e Informações. O Estado teve acesso ao documento inédito, com 75 páginas e classificado como reservado, que está guardado no Arquivo Nacional, em Brasília.

O material parece uma cartilha do Serviço Nacional de Informações (SNI), principal órgão de inteligência da ditadura. Oferece instruções absolutamente anormais para uma publicação do Ministério da Educação e acaba servindo como testemunho formal da existência de técnicas violentas de interrogatório.

"Se hoje, nos países democráticos, a psicologia prática, aliada à sagacidade e à experiência dos inquiridores, tem dado ótimos resultados, os métodos violentos e brutais ainda são utilizados por algumas organizações, não obstante a sua total ilegalidade e pequena eficiência", descreve o manual, na sua página 17. Chega a admitir que "por mais democrático que seja o interrogatório, será sempre um ato de coação psicológica, visto o interrogado encontrar-se em situação de inferioridade em relação ao inquiridor".

O manual ensina como um agente deve fazer buscas, inclusive clandestinas, alertando para as conseqüências de um fracasso. "Convém assinalar que uma busca clandestina mal sucedida poderá conduzir ao ridículo um órgão e até mesmo um serviço de informações", previne o documento. "A montagem de uma busca clandestina deve ser meticulosa e detalhada. A execução deve ser entregue a agentes experimentados.

No manual, o governo não tem qualquer pudor em sistematizar a atividade de busca clandestina, um instrumento que o próprio documento reconhece como prática ilegal.

"Decidida a realização de busca clandestina, a meticulosidade deve ser a tônica em todos os itens do planejamento, pois que dois fatores essenciais devem ser conciliados: eficiência e segurança. Sendo uma operação sem cobertura legal, a compartimentação rigorosa, em todos os escalões e em todas as suas fases, é básica para a segurança da operação em si e para a salvaguarda da organização que a ordenou", recomenda o manual.

Detalha ainda técnicas de contrapropaganda, contra-espionagem, contra-sabotagem e contraterrorismo. No caso da contrapropaganda, o manual prega que a imprensa deveria ser o alvo desse tipo de ação.

"Os profissionais da imprensa (escrita, falada e televisionada) devem constituir o primeiro objetivo de quem planeja a contrapropaganda. Uma vez influenciados e orientados, tornar-se-ão os veículos das idéias, sentimentos e atitudes que se pretendem incutir em qualquer público", orienta o manual.

Em outro ponto, onde trata do combate à subversão, o manual admite o uso da força contra a ação de dos grupos clandestinos. "A única força empregada, diametralmente oposta à subversão, é aquela que terá de ser executada contra terroristas, bandos armados e guerrilhas. Em outras palavras, a força empregada contra os subversivos que pretendem obrigar a população a lhes dar apoio ou que combatem pelas armas contra as autoridades."

O manual tinha como objetivo ajudar a sistematizar a produção e transmissão das informações consideradas estratégicas pelo governo contra seus adversários, aproveitando as novas técnicas de comunicação.

"Na era da comunicação, que permite a divulgação de idéias e informações com uma rapidez nunca antes sonhada, a Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Educação e Cultura objetiva, com este manual, maior aproximação com as fontes, através do pleno conhecimento de seu setor específico e, de modo especial, a correta mentalidade de informações", avisa a introdução do material.

E introduz, em seguida, uma filosofia de "guerra" contra os grupos clandestinos que combatiam o governo. Para isso, usa uma citação de "A Arte da Guerra", um clássico da estratégia militar, do chinês Sun Tzu: "Se conheceis o inimigo e vós mesmos, não deveis temer o resultado de cem batalhas. Se conheceis a vós mesmos, mas não conheceis o inimigo, para cada vitória alcançada sofrereis uma derrota. Se não conheceis nenhum dos dois, sereis sempre derrotado".

O governo também admite as dificuldades de lidar contra a oposição armada, a quem trata como terroristas. "O terrorismo é uma arma poderosa, particularmente para perturbar a segurança interna. Tem como alvo, sempre, as populações e contra elas dirige seus ataques", diz o texto. "Como os agentes terroristas têm a vantagem da iniciativa, da escolha dos alvos e da oportunidade, o contraterrorismo é uma atividade difícil, de caráter eminentemente preventivo."
Fonte:ESTADÃO.

AFEGANISTÃO - CIA troca viagra por informações.

Quatro pílulas conquistaram lealdade de chefe de clã, diz agente.
A CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, encontrou uma nova forma de obter informações dos chefes militares locais no Afeganistão - a doação de Viagra, disse o jornal The Washington Post.

Segundo reportagem publicada no diário americano, a droga usada para combater impotência está entre os possíveis presentes que a CIA oferece em seus esforços para conquistar líderes locais, notórios por sua pouca lealdade. Entre os outros artigos estariam ferramentas, brinquedos e equipamento escolar. Também são oferecidos serviços como cirurgias a parentes doentes e tratamento dentário.

"(A CIA faz) o que for necessário para fazer amigos e influenciar pessoas", disse um agente que o jornal manteve no anonimato.

Mas o medicamento tem que ser usado com muito critério pois nem todos o conhecem em áreas rurais, diz a reportagem.

Um agente aposentado contou ao jornal que foram entregues quatro das famosas pílulas azuis a um chefe de clã no sul do Afeganistão que tinha 60 anos e quatro esposas. Quatro dias depois, ele forneceu detalhes dos movimentos do Talebã em troca de mais Viagra. "Depois disso, nós podíamos fazer o que quséssemos em sua área", afirmou o agente.

Um outro integrante da CIA que o jornal não identificou disse que as pílulas colocam os chefes locais "de volta em uma posição de autoridade".

Outras estratégias para conquistar lealdades como a concessão de armas e artigos de luxo podem ter um efeito indesejado, de acordo com a reportagem.

Jamie Smith, veterano de operações secretas no Afeganistão e hoje diretor da SCG International, uma empresa de segurança privada, disse que as armas podem cair em mãos erradas e o enriquecimento súbito pode dar muito na vista, de acordo com o Washington Post.
Fonte:BBC BRASIL.

A MORTE DE CHICO MENDES - Sede de justiça.

Por Bob Fernandes Terra Magazine

No verão de 1990, para saciar a sede de justiça do mundo e, talvez, sua
inoperância pregressa, jornais, revistas, rádios e televisões levaram a
Xapuri mais de “5 mil pessoas”. Tal multidão existiu apenas nas manchetes.
Lá não estiveram mais de 300 manifestantes, além de centenas de jornalistas.

Inesquecível, pelos piores motivos, as cenas de filhos de Chico Mendes:
Sandino, 4 anos de idade, e Elenira, 6 anos, a desfilar pela ruas de Xapuri
com a foto do pai morto pregado em um cartaz, ou a posar ao lado de seu
túmulo.

O fizeram, o faziam, a mando de fotógrafos, cinegrafistas, repórteres. A

fizeram, o faziam, a mando de fotógrafos, cinegrafistas, repórteres. A
mídia que se calara até o assassinato, por desconhecimento ou desinteresse,
para incensar manchetes durante o julgamento pagava picolés aos filhos do
líder morto.

Duas décadas depois Márcio Tomaz Bastos faz um outro balanço, o da Justiça
no Brasil:

*- Xapuri foi só uma ilusão. O Judiciário não funciona como deveria. É
lento, ineficaz, o Brasil tem um sistema, um Judiciário que fala para si
mesmo, que não está em conexão com o mundo exterior, com a sociedade, que é,
em uma palavra, solipsista… O judiciário não funciona adequadamente.*

Quando Darly e Darci foram condenados, Thomaz Bastos imaginou que ali “se
quebrava um paradigma”. Ilusão, como ele mesmo agora constata.

Márcio Thomaz Bastos foi por cinco anos, como se sabe, ministro da Justiça
do governo Lula. Entre seus grandes êxitos, a construção de uma Polícia
Federal objeto de admiração e respeito. Na tarefa, e no comando da Polícia
Federal, o delegado Paulo Lacerda.

O mesmo Paulo Lacerda ilhado e atacado por adversários de fora e de dentro
do governo nestes dias de 2008.

De dentro, por aqueles que temem o passado e o futuro, ou apenas o invejam e
jogam o jogo.

De fora do governo, pelos milhares que foram para a cadeia em operações da
PF, pelos que temem uma Polícia Federal forte e eficaz e, mais do que nunca,
por uma diminuta mas barulhenta corte de rábulas & Associados.

Atacado não pelos milhares de advogados do Brasil, mas por facções daquela
parcela que vive dos milhõe$ e milhõe$ de quem sempre tungou cofres
públicos. Tungou, tungavam, até então sem problemas.

A PF de Thomaz Bastos ganhou recursos, deixou de depender de esmolas de DEA
e CIA para operar, fechou as portas para a palpitologia ilegal do FBI.

Para quem imagina que se pode recortar a história e, assim, monitorá-la, um
lembrete: o Márcio Thomaz Bastos que arrancou a condenação dos assassinos de
Chico Mendes é o mesmo que esteve à frente do ministério da Justiça quando a
Polícia Federal se tornou objeto de respeito e admiração.

A mesma Polícia Federal que, duas décadas antes, não apenas não conseguiu
impedir o assassinato de Chico Mendes como por ele mesmo era acusada de
integrar “um complô” para matá-lo.

Sobre a Polícia Federal de hoje, a do pré e pós Satiagraha, Márcio Thomaz
Bastos alerta:

*- …Em alguns casos há uma clara tentativa de se atacar, de se destruir a
polícia federal…*

A propósito, quanto ao passado - mas sem que se descure do presente- vale
destacar o fator que Márcio Thomaz Bastos considera vital, aquele que
nascido na Europa e nos Estados Unidos no rastro do assassinato de Chico
Mendes, chegou ao Brasil como um vagalhão e levou à condenação de Darly e
Darci:

- …Então o que se levantou foi uma autoridade moral…

*Terra Magazine - Há 20 anos morria Chico Mendes e há 18 o senhor era
assistente de acusação, mas conduzia a acusação na prática, contra os
assassinos de Chico, Darly e Darci Alves da Silva. Passado tanto tempo…
*
Inesquecível. Aquele é um dos raros momentos na vida em que alguém… Em que
eu me senti falando em nome de todos, me senti falando em nome da
humanidade. É uma sensação impressionante, e inesquecível. O ambiente, as
pessoas, tudo…
**
*O ambiente, a Amazônia?*

sso. Você de repente fala por todos. Defender a memória do Chico, acusar os
que o mataram, era falar pela Amazônia, falar em nome da humanidade. Ali nós
tivemos claramente a explicitação do que era o bem e do que era o mal.
**
*E quanto ao resultado, do ponto de vista jurídico? *

A condenação, que se deu em tempo recorde, dois anos depois do crime,
ocorreu por vários fatores. Um deles é que somos ainda um país de
colonizados, então foi muito importante ali a pressão internacional, o
protesto do mundo todo, que criou o ambiente, a pressão pelo julgamento
rápido. Aquele julgamento criou, ou imaginávamos estar criando, um novo
paradigma, o de uma justiça eficiente, rápida…
**
*Foi só uma ilusão? *

Foi só uma ilusão. O Judiciário não funciona como deveria. É lento,
ineficaz, o Brasil tem um sistema, um Judiciário que fala para si mesmo, que
não está em conexão com o mundo exterior, com a sociedade, que é, em uma
palavra, solipsista. Um ano depois do julgamento, me lembro, escrevi um
artigo para a *Folha de S.Paulo*…
**
*Já sem ilusões? *

Já sem ilusões, já tínhamos voltado a ser o que sempre fomos. A mesma
lentidão, o mesmo sistema penitenciário, as mesmas cadeias lotadas, as
mesmas injustiças…
**
*E o senhor imaginava uma quebra de paradigma… *

]Encaminhamos modificações durante minha passagem pelo Ministério da
Justiça, defendemos uma ampla reforma do Judiciário. Já há uma maior
celeridade… Acho, cada vez mais, que o Conselho Nacional de Justiça deve
ter um papel muito importante nesse cenário. Outro dia participei de um
julgamento e está claro para mim que já há modificações importantes, já há
condições para maior celeridade, mas nem por isso podemos deixar de dizer
que o Judiciário, como um todo, não funciona adequadamente.
**
*A propósito, passados 20 anos, temos o Supremo nessa questão em pauta já há
meio ano, a “Operação Satiagraha”…*

Olha, quanto ao Supremo, esse Supremo, o de hoje, está mais próximo das
ruas, mais do que nunca esteve…
**
*Mas não lhe parece que está nas ruas mas ainda de toga? Não há um
descompasso muito grande entre o que o Supremo escuta, percebe, e o país
real? Não estamos aqui, claro, a sugerir que o Supremo atenda a “clamores
populares”, mas não lhe parece às vezes que eles estão ainda distantes,
isolados, presos às suas vaidades, sem perceber o que de verdade pulsa no
país real? *

Eu diria que, em tese, você tem razão, mas, para o bem e para o mal, hoje
ele está mais voltado para o povo de carne-e-osso, para a Nação real.
**
*A propósito de teses, há outras na praça; haveria uma “fascistização” em
curso, embalada por um “estado policialesco”… Proponho uma outra tese: a
hipotética “fascistização” não nasceria, antes de qualquer coisa, numa
sociedade que aceita a impunidade? Que não consegue levar ao fim os
julgamentos contra quem tem poder, dinheiro? Que vê se arrastar por anos,
décadas, até a prescrição, os processos contra quem tem grana? *

A propósito dessa tese basta lembrar das nossas raízes e costumes ibéricos,
voltarmos a Raimundo Faoro e o país patrimonialista exposto em *Os donos do
Poder* (*Nota da Redação: um clássico da sociologia, publicado em 1958*), ou
em *Raízes do Brasil*, por Sérgio Buarque de Holanda (*NR: outra leitura
clássica sobre o Brasil, esta de 1936*).
**
*Quanto às teses em curso… *

Outro dia li, alguém disse, algo em latim, algo sobre o “abuso não deve
impedir o uso”. Ou seja, se há excessos, incorreções eventuais, que isso
seja corrigido, que as corregedorias funcionem de verdade, não como meros
instrumentos com outros fins, mas o que não se pode fazer é buscar destruir
as instituições só porque agora elas funcionam um pouco melhor e, cumprindo
seu papel, passaram a incomodar quem antes se sentia confortável.
**
*Se bem entendi o senhor está falando da Polícia Federal? *

]Também. Em alguns casos há uma clara tentativa de se atacar, de se destruir
a Polícia Federal.
**
*… Tentativa de quem um dia foi preso, de quem teme ser preso um dia, de
quem teme uma polícia séria, forte, eficaz. Tentativa de uma certa porção do
establishment… *

… Certamente. Mas eu tenho certeza de que não conseguirão. Tenho muito
orgulho do trabalho que fizemos, que fez minha equipe, na recuperação da
Polícia Federal, da sua imagem, das suas ações…
**
*Uma polícia que até então tinha que usar verbas da DEA (NR: Drug
Enforcement Administration) para operar, que tinha um de seus braços, à
época chamava-se SOIP, construído com verbas do Departamento de Estado dos
EUA - leia-se CIA -, assim como o mesmo departamento de Estado havia “doado”
automóveis para o tal SOIP, não sei como se chama hoje… *

Pois é, mas tudo isso foi modificado, reformulado, a polícia foi
reaparelhada, ganhou autonomia, nossa polícia hoje se parece muito, tem a
eficácia (*risos*) dos “feds” (*NR: os policiais federais dos EUA*)…e eu
tenho a convicção de que ela continuará sendo eficiente. Estão tentando, mas
não vão conseguir destruí-la.
**
*Voltemos a Chico Mendes e às metáforas correlatas, estas que ligam os dois
tempos, aquele e o de hoje. Você lembra que lá em Xapuri, no Acre, onde
estávamos no julgamento, rádios, televisões, jornais, diziam, repetiam, que
lá estavam “5 mil pessoas acompanhando o julgamento”… e que, na verdade,
não estavam ali mais do que 300 pessoas que não fossem de Xapuri? *

Me lembro, perfeitamente. Foi isso mesmo.
**
*Lembra? Manchetes e mais manchetes. À época escrevi algo sobre isso,
“Holofotes na Selva”, sobre “as 5 mil pessoas” que na verdade nunca lá
estiveram. *

Me lembro, falava-se muito nesse número e de fato isso nunca existiu.
**
*Isso não diz muito sobre o que era, como funcionava, funciona a mídia? *

De fato… Mas ali era o mundo que queria falar, queria punir os criminosos,
era o Bem contra o Mal. Daí os exageros. Naquele caso, a mídia captou o
sentimento geral, aquela vontade de justiça que estava no ar.
**
*E o senhor soube que, à época, fotógrafos, cinegrafistas, jornalistas,
davam dinheiro ao filho pequeno (NR: Sandino, aos 4 anos) de Chico Mendes
para que ele posasse ao lado do túmulo do pai? E que pagavam picolés à
filha, também pequena (NR: Elenira, então com 6 anos, que hoje, já adulta,
escreveu para o Blog da Amazônia e Terra Magazine uma
cartaem
memória ao pai, Chico Mendes),
para que desfilasse nas ruas de Xapuri com um cartaz com a foto do pai?
Desta forma garantiam as manchetes, as fotos, as capas da noite ou do dia
seguinte. O senhor chegou a ver ou saber disso? *

Não, disso eu não soube… Eu estava muito isolado, concentrado na acusação,
como você deve se lembrar. Quase não fui às ruas, não acompanhei essa
movimentação externa ao julgamento. Vi, sabia que não estavam lá 5 mil
pessoas, mas não soube disso.
**
*Ali tínhamos um poder: o dos fazendeiros, grileiros, que era um poder
grande lá em Xapuri, no Acre, mas que era um poderzinho, um poder menor
diante da gigantesca força moral que se levantou com o assassinato do Chico
Mendes… *

Exatamente. Então o que se levantou foi uma autoridade moral que veio com
muita força do exterior, que levou todo o mundo do trabalho no Brasil a
Xapuri. Me lembro claramente do Lula chegando a Xapuri, da Marina Silva, do
Jair Meneguelli, que era presidente da CUT…
**
*Voltando às metáforas. Chico Mendes morreu na noite de 22 de dezembro. O
Brasil não o conhecia. Ele era um absoluto desconhecido e naquela noite… *

Eu não conhecia o Chico. Tinha ouvido falar, mas não o conhecia, não tinha
dimensão da sua luta. E sua luta pela Amazônia, pelos seringueiros, também
não tinha toda aquela dimensão, repercussão, antes da sua morte. O Lula
conhecia o Chico, sabia disso tudo, mas eu, não.
**
*Nem os jornalistas conheciam. Teve repórter (NR: Edílson Martins) que
tentou, sem conseguir, emplacar matéria no Jornal do Brasil sobre a morte
próxima, anunciada, de um líder dos seringueiros, o Chico Mendes. Aliás, na
noite em que o Chico morreu, o Brasil todo estava parado, assistindo,
debatendo excitado um outro assassinato. Naquela noite o Brasil parou para
saber, na novela das 8, quem havia matado Odete Roittman (NR: Beatriz
Segall, em personagem hiper malvada da novela Vale Tudo). *

Eu não sabia disso.
**
*O que ficou na sua memória, passados 20 anos do assassinato e 18 do
julgamento? *

Aquela sensação de que enquanto acusava os assassinos do Chico Mendes, eu
falava em nome da humanidade. Ali ficou claro, e nem sempre é assim, é muito
difícil ter isso tão claro, que tínhamos um embate do Bem contra o Mal.
Ficou também a impressão de que tínhamos quebrado um paradigma, o da
injustiça permanente, do Judiciário que não funciona, que é fechado em si
mesmo. Mas, apesar dos avanços que também são evidentes, vejo que foi só uma
ilusão.
Apesar disso, são essas lutas que dão sentido concreto à História. Todos
esses fatos se acumulam no tempo, esses valores pelos quais lutamos vão
sedimentando uma cultura, vão formando e inspirando outras mentes.
Em algum momento, as mudanças se precipitam e a realidade se transforma,
embora de maneira mais lenta do que gostaríamos. De modo que, passados 20
anos, Chico Mendes continua sendo uma inspiração e uma presença para todos
nós.

Mensagem enviada por: João Carlos Gomes
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental (GPEA)
Facilitador: Rede Mato Grossense de Educação Ambiental (REMTEA)
Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA).
Fonte:Terra Magazine.

AFEGANISTÃO - Aumenta presença do Talebã

Segundo documento, insurgentes estão presentes em 75% do país.

O Talebã está presente de forma permanente em cerca de 75% do Afeganistão, diz um relatório publicado pelo International Council on Security and Development (Conselho Internacional de Segurança e Desenvolvimento).

Segundo o documento do conselho, que é uma entidade internacional de pesquisas, os rebeldes do Talebã, movimento islâmico linha-dura expulso do poder pelos americanos em 2001, vem ressurgindo como uma força que ameaça o governo do Afeganistão.

O relatório afirma que o Talebã avançou muito além de seu antigo domínio, no sul do país, e chegou aos portões da capital, Cabul.

"Das quatro portas que levam para fora de Cabul, três estão hoje comprometidas por atividades do Talebã", diz a entidade.

"O aumento de sua presença geográfica mostra que as estratégias políticas, militares e econômicas do Talebã são hoje mais bem-sucedidas do que as do ocidente no Afeganistão", afirma.

Metodologia

O Ministério das Relações Exteriores afegão disse que "rejeita fortemente a afirmação sobre a dimensão da presença do Talebã no Afeganistão".

"Além da metodologia questionável e de sua confusão conceitual, o relatório interpreta erroneamente as atividades esporádicas, amedrontadoras e dirigidas à mídia do Talebã", afirmou o ministério.

Segundo o correspondente da BBC em Cabul, Ian Pannell, o relatório é polêmico mas há poucas dúvidas de que a violência no Afeganistão cresceu e de que o movimento rebelde se alastrou e está bem próximo da capital.

A divulgação do relatório coincide com novas tentativas de incentivar negociações de paz com o Talebã, diz o correspondente.

Um encontro entre cerca de 40 representantes dos insurgentes e do governo afegão deverá ser realizado em Dubai dentro de alguns dias.

De acordo com Pannell, o encontro está sendo organizado pelo genro de um dos mais notórios líderes tribais pró-Talebã do Afeganistão e tem o apoio de Washington.

Muitos alertam, no entanto, que isso é apenas um primeiro passo e as expectativas ainda são baixas.

Declaração

Recentemente, o líder do Talebã, Mullah Omar, avisou que a violência no Afeganistão vai aumentar e disse às forças estrangeiras que se retirem do país.

"Os atuais confrontos armados, hoje em dezenas, vão aumentar para as centenas", disse Omar, cujo paradeiro é ignorado. "Suas vítimas, que hoje somam centenas, vão chegar aos milhares."

Segundo o coronel Greg Julian, porta-voz militar dos Estados Unidos, a declaração pública o líder do Talebã, a primeira em quase um ano, é um sinal de que Omar está preocupado com o aumento no número de tropas americanas no Afeganistão.

Julian disse concordar com a declaração de Omar de que haverá mais embates e afirmou que as tropas americanas não vão deixar "redutos seguros" para os militantes no país.

Violência

Atualmente, há 33 mil soldados americanos no Afeganistão, e o presidente George W. Bush anunciou que outros 4.500 homens vão ser enviados ao país no início de 2009.

O número de pessoas mortas no conflito no Afeganistão subiu em anos recentes, com a violência retornando a níveis não vistos desde que o Talebã foi derrubado, em 2001.

Segundo a ONU, entre janeiro e agosto de 2008, 1.445 civis foram mortos - um aumento de 39% em relação ao mesmo período em 2007.

A maioria das mortes foi atribuída ao Talebã, mas o número de civis mortos por forças pró-governo - a maioria em ataques aéreos - também subiu.

Forças afegãs e estrangeiras dizem que centenas de militantes também foram mortos, mas é impossível obter-se números precisos. As mortes entre os militares também aumentaram.
Fonte:BBC BRASIL.

É HORA DE MUDANÇA

João Pedro Stédile.

Participamos de reunião com o governo federal para apresentar essas alternativas, construídas por mais de 50 entidades

O nosso país tem uma importante oportunidade de aproveitar a crise econômica mundial para deixar para trás a atual política econômica neoliberal e tomar medidas para adotar um novo modelo de desenvolvimento nacional, com base em distribuição de renda, geração de empregos e fortalecimento da indústria e do mercado interno, melhorando as condições de vida do povo brasileiro.

A crise demonstra em todo o mundo que o neoliberalismo não tem condições de sustentar o desenvolvimento social, ambiental e econômico, sendo necessário aplicar medidas de regulação da economia e fortalecimento do Estado. Chegou à falência o modelo econômico caracterizado pela hegemonia do capital financeiro, altas taxas de juros, superávit primário [NR 1] e prioridade ao setor exportador.

Não encontraremos a solução em políticas que reforcem ou amenizem os problemas do neoliberalismo, apoiando bancos e grandes empresas, mas com iniciativas que apontem para mudanças estruturais. No Brasil, precisamos reduzir imediatamente as taxas de juros e controlar a movimentação do capital especulativo, impedindo a livre circulação, instituindo quarentenas e taxações.

O governo deve revisar uma desgastada orientação do FMI, um dos responsáveis pela crise: o superávit primário. O Tesouro Nacional gastou nos primeiros quatro anos do governo Lula cerca de R$ 600 bilhões com a rubrica relativa aos juros da dívida pública! Temos que usar esses recursos para construir escolas e contratar professores para universalizar o acesso à educação pública.

Nas grandes cidades, é urgente fazer investimentos em transporte público, hospitais e moradias populares, fazendo uma reforma urbana. No campo, a produção de alimentos da agricultura familiar e camponesa precisa receber investimentos públicos, com o fortalecimento da pequena e média propriedade e realização da reforma agrária.

O governo deve estabelecer metas de geração de postos de trabalho formais, dentro de um amplo programa público, reagindo ao aumento do desemprego causado pela crise. Ao mesmo tempo, para dar força ao mercado interno e garantir o consumo, o salário mínimo e os benefícios da Previdência Social devem aumentar, distribuindo renda.

Essas medidas só serão viáveis se os recursos públicos forem aplicados com responsabilidade. Os subsídios para salvar bancos e empresas especuladoras -que ganharam muito dinheiro com o neoliberalismo- apenas reforçam as contradições do modelo que entrou em crise.

É uma incoerência os que sempre defenderam o mercado como "deus regulador" recorrerem ao Estado em um momento de dificuldade. Os bancos públicos, como BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, não têm que socorrer o grande capital e devem só aprovar empréstimos com garantia de desemprego zero.

Estamos preocupados também com a investida predatória sobre os recursos naturais, que aumentam em tempos de crise, porque proporcionam acumulação rápida.

Não podemos aceitar as propostas irresponsáveis do agronegócio para mudanças na legislação ambiental, reduzindo áreas de preservação na Amazônia e no que resta da mata atlântica. As grandes empresas do ramo petrolífero estão de olho no petróleo na camada do pré-sal e querem a manutenção do regime de concessão, impedindo mudanças legais que garantam a soberania nacional. [NR 2]

A atual crise econômica é de responsabilidade dos países centrais e dos organismos dirigidos por eles, como OMC, Banco Mundial e FMI.

Defendemos uma nova ordem internacional, que respeite a soberania de povos e nações. O Brasil precisa fortalecer a estratégia de integração regional, com foco no Mercosul, na Unasul e na Alba. Com isso, por exemplo, poderemos substituir o dólar nas transações comerciais por moedas locais em toda a América Latina, como recentemente fizeram Brasil e Argentina.

Participamos de reunião com o governo federal para apresentar essas alternativas, construídas por mais de 50 entidades. Não estamos preocupados com as eleições, mas com o futuro do país. Queremos contribuir com o debate para que o povo brasileiro se mobilize por um novo modelo econômico diante da gravidade da crise.

Não podemos perder esta oportunidade de fazer mudanças necessárias em nosso país.
[NR 1] O superávite primário é constituído pelo Total da arrecadação fiscal menos o Total das despesas correntes e de capital do sector público (governos municipais, estaduais e federal e ainda empresas estatais). O superávite assim formado destina-se a pagar os credores do país. O FMI exige metas quantitativas para o superávite primário, em percentagem do PIB. O governo Lula esmerou-se ultrapassando a percentagem que lhe era exigida pelo FMI.
[NR 2] Ver Governo Lula dá prenda de Natal ao capital imperialista

[*] João Pedro Stedile, 54, economista, é integrante da coordenação nacional do MST e da Via Campesina. José Antônio Moroni, 45, filósofo, é membro do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) e diretor da Abong (Associação Brasileira de ONGs). Nalu Faria, 50, psicóloga, é coordenadora-geral da Sempreviva Organização Feminista (SOF) e integrante da Secretaria Nacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil.

O original encontra-se em http://alainet.org/active/28056

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

sábado, 27 de dezembro de 2008

OS ACONTECIMENTOS DE 2008 E SUA EVOLUÇÃO EM 2009.

Os últimos quatro meses foram muito reveladores dos dois mundos em que o mundo está dividido, o mundo dos ricos e o mundo dos pobres, separados mas unidos para que o mundo dos pobres continue a financiar o mundo dos ricos. Muito do que se desencadeou em 2008 vai continuar, sem qualquer solução de continuidade, em 2009 e mais além. O sociólogo Boaventura de Sousa Santos analisa algumas destas continuidades.

Boaventura de Sousa Santos

Tudo leva a crer que o ano de 2008 não termine em 31 de dezembro. O tempo inerte do calendário cederá o passo ao tempo incerto das transformações sociais. Muito do que se desencadeou em 2008 vai continuar, sem qualquer solução de continuidade, em 2009 e mais além. Analisemos algumas das principais continuidades.

Crise financeira ou o baile de gala da finança?

Os últimos quatro meses foram muito reveladores dos dois mundos em que o mundo está dividido, o mundo dos ricos e o mundo dos pobres, separados mas unidos para que o mundo dos pobres continue a financiar o mundo dos ricos. Dois exemplos. Fala-se de crise hoje porque atingiu o centro do sistema capitalista. Há trinta anos que os países do chamado terceiro mundo têm estado em crise financeira, solicitando, em vão, para a resolver, medidas muito semelhantes às que agora são generosamente adoptadas nos EUA e UE.

Por outro lado, os 700 billhões de dólares de bail-out estão sendo entregues aos bancos sem qualquer restrição e não chegam às famílias que não podem pagar a hipoteca da casa ou o cartão de crédito, que perdem o emprego e estão a congestionar os bancos alimentares e a “sopa dos pobres”. No país mais rico do mundo, um dos grandes bancos resgatado, o Glodman Sachs, acaba de declarar no seu relatório que neste ano fiscal pagou apenas 1% de impostos. Entretanto, foi apoiado com dinheiro dos cidadãos que pagam entre 30 e 40% de impostos. À luz disto, os cidadãos de todo o mundo devem saber que a crise financeira não está a ser resolvida para seu beneficio e que isso se tornará patente em 2009. Na Europa, os jovens gregos foram os primeiros a dar-se conta. É de prever que não sejam um caso isolado.

Zimbabwe: o fardo neocolonial

A crise do Zimbabwe é a melhor prova de que as contas coloniais estão ainda por saldar. A sua importância reside no fato de a questão que lhe subjaz - a questão da terra - pode incendiar-se proximamente noutros países (África do Sul, Namíbia, Moçambique, Colômbia, etc.). À data da independência (1980), 6.000 agricultores brancos possuiam 15.5 milhões de hectares, enquanto quatro milhões e meio de agricultores negros apenas detinham 4.5 milhões de hectares, quase toda terra árida. Os acordos da independência reconheceram esta injustiça e estabeleceram o compromisso de a Inglaterra financiar a redistribuição de terras. Tal nunca aconteceu.

Mugabe é um lider autoritário que suscita muito pouca simpatia e o seu poder pode estar chegando ao fim, mas a sua sobrevivência até agora assenta na ideia de justiça anti-colonial, com o que os zimbabwianos estão de acordo, mesmo que achem os métodos de Mugabe incorretos. Recentemente falou-se de intervenção militar, uma questão que divide os africanos e onde, mais uma vez, a mão dos EUA (African Command, recém-criado) pode estar presente. Seria um erro fatal não deixar a diplomacia africana seguir o seu curso.

Sessenta anos de direitos pouco humanos.
A celebração, em 2008, dos 60 anos da Declaração Universal, deixou um sabor amargo. Os avanços tiveram lugar mais nos discursos do que nas práticas. A esmagadora maioria da população do mundo não é sujeita de direitos humanos; é antes objeto de direitos humanos, objeto de discursos por parte dos reais sujeitos de direitos humanos, dos governos, fundações, ONGs, igrejas, etc. Será preciso um muito longo 2008 para inverter esta situação.

Cuba: o começo da transição?

Apesar de só no próximo ano se celebrarem os cinquenta anos da revolução cubana, falou-se muito de Cuba em 2008. A doença de Fidel levantou a questão da transição. De quê? e para quê? Vai ser um outro tema do longo 2008 e mais importante para o futuro do mundo do que se pode imaginar. É que se é possível dizer que a Europa e a América do Norte seriam hoje o que são sem a revolução cubana, já o mesmo se não pode dizer da América Latina, da África e da Ásia, ou seja, das regiões do planeta onde vive cerca de 85% da população mundial.
Fonte: Agência Carta Maior.

ATAQUE À FAIXA DE GAZA -APELO À MOBILIZAÇÃO INTERNACIONAL.

As últimas informações das agências de notícias internacionais já falam em mais de 250 mortos.O bloqueio imposto por Israel à faixa de Gaza, onde vivem quase dois milhões de palestinos, é uma das coisas mais revoltantes do momento atual da humanidade.
Carlos Dória

O Partido Comunista de Israel (PCI) e o Hadash (a Frente Democrática para a Paz e a Igualdade) condenam o ataque mortífero de hoje [27/Dezembro] da Força Aérea Israelense à Faixa de Gaza, o qual resultou na matança de mais de 150 palestinos. O PCI apela aos partidos comunistas e de trabalhadores e aos movimentos sociais de todo o mundo para se mobilizarem contra estes crimes de guerra israelenses e exigirem que a comunidade internacional imponha sanções contra Israel e processem Tzipi Livni, Ehud Barak e outros da liderança política e militar israelense por estes brutais crimes de guerra, cometido como parte do processo eleitoral de Israel.

O ataque militar de hoje é parte do cerco em curso da Faixa de Gaza. Israel está a explorar os últimos momentos da administração Bush para implementar a política mortífera mas inútil de utilizar a força militar para efectuar mudança política. Manifestações contra o assalto israelense à Faixa de Gaza estão planeadas nas principais cidades israelenses e serão efectuadas hoje à noite em Tel Aviv, Haifa e Nazaré. Ontem (sexta-feira), centenas de manifestantes compareceram a um comício no centro de Tel Aviv para protestar contra a esperada operações militar israelense contra ataques de foguetes palestinos a partir de Gaza. O comício foi organizado pela Coligação contra o Sítio de Gaz e o Hadash.

"Sugiro irmos noutra direcção", disse Dov Khenin , membro do Hadash no Knesset e da direcção do Partido Comunista de Israel. "O nosso poder é a nossa tragédia. Uma pancada forte não trará o fim. Eles responderão com foguetes e finalmente embarcaremos numa guerra geral. Ir noutra direcção significa reforçar a calma, assegurar o cessa fogo e levantar o sítio que só serve para unir a população em torno do Hamas".

"Um processo de paz genuíno será iniciado num face a face com a Autoridade Palestina", afirmou. "O trágico aqui é isto é possível. Só é preciso querer".

Khenin acrescentou que é "essencial assegurar uma troca de prisioneiros que incluiria Gilad Shalit". Quando perguntado porque poucos israelenses objectam à guerra em Gaza, disse: "As pessoas perderam a esperança. Elas percebem que o que está a acontecer é mau, mas pensam que não há outra opção. Mas não estamos destinados a sermos vítimas da história". Outro participante no comício, Tamar Gozansky, disse: "Dois anos atrás protestámos neste mesmo lugar, antes da Segunda Guerra do Líbano. Fomos proscritos e apresentados como traidores. Mas vários meses mais tarde, todas as pessoas que fizeram troça de nós carregaram os seus próprios cartazes para a Praça Rabin e protestaram contra a política de Olmert. Espero realmente que não tenhamos razão para dizer 'Nós lhe dissemos' ". Em declaração anterior, Khenin disse: "Uma guerra abrangente em Gaza é perigoso e desnecessário e colocará em risco as vidas de milhares de habitantes de Gaza e de residentes no Negev ocidental". "A guerra não é a solução para problema dos foguetes Kassam", continuou. "Há outro caminho: um acordo real de trégua. Não apenas um cessar fogo, mas também acabar com o bloqueio de Gaza e aliviar o extremo sofrimento de um milhão e meio de pessoas".

Liderança do PCI encontra-se em Ramalá com representantes da esquerda palestina

Membros da liderança do PCI encontraram-se em Ramalá com representantes de facções da esquerda palestina, incluindo a Frente Democrática para Libertação da Palestina, a Frente Popular para a Libertação da Palestina e o Partido do Povo Palestino. Militantes dos quatro partidos encontraram-se na quinta-feira (25 de Dezembro de 2008) em Ramalá para coordenar passos futuros e considerar meios para fortalecer a cooperação entre si. O PCI foi representado na reunião pelo secretário-geral, Mohammed Nafa'h, e o presidente do Hadash, M. M. Mohammed Barkeh. Esta é a primeira vez em que ocorre uma reunião com o comparecimento de todos os quatro partido. "A arena palestina está hoje na necessidade desesperada de um diálogo de unidade progressista e de esquerda", disse Barakeh.
Ver também: http://www.uruknet.de/?s1=1&p=49933&s2=27

O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/cpi271208.html

Este apelo encontra-se em http://resistir.info/ .

TERAPIA FLORAL - Renove seu coração para 2009.

Carolina Arêas.

Se 2008 não foi o melhor ano da sua vida, não desanime. Obstáculos, dúvidas e contrariedades fazem parte da realidade de qualquer um. A maneira de reagir a eles é que faz toda a diferença.

Quando a pessoa se deixa abater facilmente e o desânimo bloqueia sua capacidade de seguir adiante, Gentian (Bach) é o floral indicado pois restaura a fé e a certeza de que dias melhores virão. E que é você quem vai construir esta nova realidade.

Em geral, as pessoas que precisam deste floral são aquelas que duvidam de si mesma e que, rapidamente, se deixam contaminar por pensamentos negativos, permitindo que estes minem sua força de vontade. Algumas vezes caem em estado moderado de depressão.

O floral traz o entendimento e a compreensão de que aqueles aparentes obstáculos são justamente as lições que precisa para seu crescimento espiritual. Gentian traz de volta confiança e determinação para atingir seus objetivos, ajudando a recuperar rapidamente do desânimo que os reveses trazem.

Um passo para trás pode representar o início de uma nova caminhada de mil passos. O novo ano está logo ali, renove suas perspectivas e, independente do obstáculo, sinta seu coração renovado de esperança e capacidade de enfrentar a vida com todas as delícias e perigos que ela oferece.
Fonte: Blog Terapia Floral - Carolina Arêas.

ANOS DE CHUMBO - História da Dor.

A Operação Condor no Brasil (1973/1985) - Neusa Cerveira

A idéia de realizar uma Pesquisa sobre a Operação Condor surgiu quando conheci o Professor e ex-preso político paraguaio Martim Almada, por ocasião da entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência, no ano de 2002.
Ele, como meu pai (então já falecido), era um dos agraciados.
Já sabia que ele havia descoberto toneladas de documentos numa Delegacia do Paraguai, que comprovavam a colaboração dos órgãos de Segurança do Cone Sul no seqüestro e extermínio de opositores das ditaduras de pelo menos quatro países do subcontinente. Conversamos muito e começamos a trocar informações.
Para mim, a descoberta não era surpresa, já que estava fazendo esse levantamento desde o seqüestro e extermínio de opositores das ditaduras de pelo menos quatro países do subcontinente. Conversamos muito e começamos a trocar informações.
Para mim, a descoberta não era surpresa, já que estava fazendo esse levantamento desde o seqüestro de meu pai, o major Joaquim Pires Cerveira, e de João Batista de Rita Pereda, em 1973, em Buenos Aires, numa operação conjunta dos órgãos de Segurança brasileiros e argentinos.
E sabia que, em princípios de 1974, o resto dos companheiros da organização em que meu pai militava naquele momento – como Joel e Daniel Carvalho, Onofre Pinto e o jovem argentino Ruggia – tiveram o mesmo destino.
Durante o preparo de minha dissertação de mestrado (Luta Armada no Nordeste – PCR – 1966/1973), defendia na UFRN, consegui mais documentos que apontavam nessa direção, e que embora não tivessem sido utilizados naquela pesquisa, apareceram no decorrer do estudo. Obtive também material testemunhal e jornalístico, que, somado ao meu acervo pessoal de quase 30 anos, apontavam um caminho. A história teimava em aparecer.
No princípio, o que me incomodava um pouco era que os jornalistas e pesquisadores da época (como o historiador norte-americano John Dinges, por exemplo) insistiam em que essa colaboração só tivera início a partir de 1975, e totalmente idealizada e tutelada pelos EUA.Isso aguçou mais ainda minha curiosidade.
Decidi, então, começar a pesquisa, utilizando o material pessoal, documental e testemunhal que havia acumulado e mais a contribuição do Professor Almada.
Prioritariamente, a pesquisa não tinha como objetivo enfocar o caso Cerveira e seus companheiros de organização e muito menos adquirir cunho memorialista. Porém, após dialogar com a bibliografia que foi surgindo dos pesquisadores da Operação Condor e de depoimentos, no Brasil e noutros países envolvidos, o caminho apontava para surpreendentes descobertas tais como: os casos Cerveira/Rita Pereda foram mais ou menos uma estréia bem sucedida ou o embrião que gestou a Operação Condor.
Claramente as ditaduras através desse braço terrorista que se tornou a Condor tinham uma certa autonomia no que se referia a aplicar técnicas aprendidas na Escola das Américas/EUA, onde muitos oficiais latino-americanos, brasileiros, inclusive, foram treinados pelos estadunidenses.
Já na minha qualificação da USP, procurei demonstrar isso para a Banca Examinadora, composta pelos Drs Antonio Rago, Osvaldo Coggiola e Marcos Silva.
Percebi que nessa primeira fase até o golpe do Chile (1973), a Condor deixava muitos rastros, provas e testemunhas. Pude concluir que, no momento em que a CIA e outras Agências americanas passaram a participar na operacionalização e execução do trabalho de extermínio, assumindo sua coordenação direta, a Condor se refinou. Isso fez com que os casos pós-1975 passassem a ser de mais difícil comprovação.Posso afirmar com segurança que a idéia da Condor partiu dos órgãos de repressão brasileiros, e posteriormente foi aperfeiçoada pelos EUA, até desaparecer temporariamente nas selvas da Nicarágua no final da experiência sandinista.
Posso afirmar também, baseada em pesquisas e documentos, que o criou a Condor permanece, e só pede uma razão para ser reativado.A tese em alguns momentos adquire com certeza uma dimensão memorialista, em função de não poder escapar do fato de que fui personagem desses fatos históricos que me propus analisar, mas procuro ir além disso.
O recorte temporal que me propus fazer encerra-se com essa tese, mas não com minhas pesquisas: Há muito ainda a ser desvendado não só por mim, como por colegas brasileiros e de outras nacionalidades. Os últimos escritos de Dinges, Stella Calloni, Patrice Mc Sherry e Almada seguem a mesma direção que foi colocada como hipótese desde o início dessa pesquisa.
Uma questão importante que este trabalho busca colocar é a tentativa de furar todos os bloqueios e conseguir uma entrevista com alguns dos participantes dos Órgãos de repressão que atuaram na Condor.
Consegui nesse sentido bastante coisa, inclusive uma entrevista com o Coronel Ustra, o Dr. Tibiriçá. Fiz até um comentário que julguei pertinente no último capítulo sobre o livro que Ustra escreveu. Sei que é perigoso, sofri muitas ameaças e retaliações e até críticas, mas aconselho todo pesquisador a procurar ouvir os diferentes lados envolvidos. O pesquisador tem que se expor para garimpar a verdade, e ainda há muita verdade a ser garimpada.
Casos mais recentes da Operação Condor que estão fora do meu recorte temporal não foram analisados nesta tese, mas são do meu conhecimento, até por ter tido militância com Direitos Humanos, sendo uma das fundadoras do GTNM e do CBA.
Se fosse colocar todo material, vocês estariam lendo mais de mil páginas!Acredito que no decorrer de minhas próximas pesquisas, já tenho material, vocês estariam lendo mais de mil páginas!
Acredito que no decorrer de minhas próximas pesquisas, já tenho material suficiente para partir para estudos com novo enfoque, novos personagens e nova temporalidade. Vou trabalhar com o Projeto Orvil.
Meu orientador doará documentos que não utilizei em minhas pesquisas, para possibilitar que pesquisadores possam utilizar informações documentais que consegui, e, acredito, devam ser democratizadas.
Penso que atingi o objetivo que me propus, mesmo essa pesquisa tendo sido realizada se Bolsa.
Correio Brasiliense publica séria de reportagens sobre documentos que consegui
O Jornal Correio Brasilense publicou uma série de reportagens (iniciadas em 22 de julho de 2007} sobre documentos que conseguiu do CIEX como inéditos, embora a maioria, ou eu diria até mais, já conste da Tese defendida por mim em 14 de maio de 2007. Mas considerei isso bom.
Embora nunca tenha pretendido cultuar a memória do meu pai, sempre soube que a história verdadeira apareceria, de uma forma ou de outra.
Triste foi saber que esses fatos que eu conhecia todos, a repressão também conhecia, triste que não tenham sido seus ex-companheiros que tenham contado como os fatos se passaram, muitos dos quais nem estariam vivos ou teriam voltado para o Brasil escrever livrinhos... se não fosse o suplício que meu pai e outros companheiros foram submetidos sem entregar ninguém.
Triste que a verdade tenha saído dos arquivos secretos do CIEX. O que importa, apesar de tudo é que a luta continua!
“Até agora pouco se sabe da atuação do ex-coronel Joaquim Cerveira, relegado a um papel menor na memória da resistência armada. Ele é identificado como uma espécie de braço-direito de Brizola na Frente de Libertação Nacional, dissolvida em 1970, data de sua primeira prisão. Ele foi banido naquele ano, e depois disso passaria a integrar as filas do MR8, informação inédita, que se soma ao fato de que Cerveira chegou a ser eleito pelo regime cubano para liderar nova tentativa de uma guerrilha rural.
De fato, os informes do Ciex dão conta de uma movimentação incessante de Cerveira, com colaboração da esposa Lourdes, na estruturação de uma ação contra o regime militar, especialmente a partir dos anos 70.
Cerveira é citado no Informe 483, de 8 de dezembro de 1970, tendo convencido o presidente cubano, Fidel Castro, a permitir que todos os brasileiros de Cuba fossem escoados para o Chile, onde se reuniriam com outros provenientes da Argélia.
O plano de ataque incluiria levantamento de todos os quartéis de fronteira, do Acre até a Bolívia.
“Já se encontraria em Cuba o levantamento da base da Marinha brasileira localizada em Corumbá”, informa. Também haveria levantamento sobre a vida privada do general Ernesto Geisel.
O informe 85, de 19 de abril de 1971, confirma como Cerveira se tornou importante para o regime de Cuba, “que não ajudou Jefferson por não confiar nele”. “Cerveira recebeu recursos financeiros e autorização para recrutar gente em Cuba”, relata.
“Como é do conhecimento da comunidade, Cerveira tem sido apontado como o ‘lider militar’ escolhido pela DGI cubana para chefiar a guerrilha rural no Brasil.
Nessa qualidade, receberia ‘assistência técnica’ de elementos cubanos – notadamente Fermin Ravello – e possivelmente de brasileiros treinados em Cuba – como Thalles Fleury.
O círculo de Cerveira em Santiago é bastante fechado, não permitindo fácil infiltração”, avalia o Ciex. Há vários informes com detalhes sobre atividades de Cerveira ao longo de 1972, inclusive a montagem de uma base em Arica.
O informe 033/72 traz balanço geral dos movimentos subversivos no Chile e classifica, segundo sua força e capacidade de influência no Brasil, em primeiro o de Cerveira – constituído por elementos do MRT, FLN, Ex-Colina, VPR e Val-Palmares. O informe 657/72, mostra que o Ciex tinha o endereço de Cerveira em Santiago.
A última referência a ele com vida está no informe 635, sobre encontro com Cāndido Aragão em Buenos Aires.
Lá, Cerveira desapareceu após ser preso.”
Neusah Cerveira.
Fonte:Ousar Lutar!!! Ousar Vencer!!!