Carlos Augusto de Araujo Dória, 86 anos, economista, nacionalista, socialista, lulista, budista, gaitista, blogueiro, espírita, membro da Igreja Messiânica, tricolor, anistiado político, ex-empregado da Petrobras. Um defensor da justiça social, da preservação do meio ambiente, da Petrobras e das causas nacionalistas.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
PETRÓLEO - O preço da gasolina e o futuro.
Você já deve ter lido que a gasolina nos postos dos EUA é mais barata que no Brasil. Mas, se lá os moradores têm poder aquisitivo superior ao daqui e se importam mais da metade do petróleo consumido internamente, por que isso acontece? Considerando nossa baixa estima de subdesenvolvidos, a resposta imediata poderia ser: porque são mais eficientes e capazes que nós. Na verdade, não é bem assim.Considerando os valores médios de 2007, o preço do litro de gasolina foi de US$ 0,75 nos EUA, US$ 1,80 na Europa, US$ 1,30 no Brasil, US$ 0,60 na Argentina e US$ 1,15 no Chile. Por que a diferença? Se olharmos para as diversas parcelas que compõem o preço, verifica-se que as remunerações das refinarias de petróleo são equivalentes: cerca de US$ 0,50. A exceção é Argentina, com US$ 0,25. O mesmo ocorre com a remuneração dos distribuidores e revendedores (postos), que varia de US$ 0,10 a US$ 0,20. O valor recebido pelos produtores do petróleo é o responsável pelo nível de investimentos na descoberta de novas reservas e produção.A diferença, entretanto, aparece nos impostos: são cerca de US$ 1,20 na Europa, US$ 0,60 no Brasil, US$ 0,40 no Chile, US$ 0,30 na Argentina e apenas US$ 0,10 nos EUA. Os dados, com informações mais detalhadas sobre outros combustíveis e o detalhamento dos impostos pagos, podem ser vistos no sítio http://www.petrobras.com.br/, clicando no título `Para você e seu automóvel/Composição de Preços`.A maioria das pessoas elogiará a reduzida carga tributária nos EUA, mas esta decisão tem suas conseqüências. Os americanos são os maiores consumidores de petróleo do planeta: um em cada quatro barris produzido, cerca de cinco vezes a média mundial. Estão no Iraque, gastando bilhões de dólares e perdendo milhares de vidas exatamente para garantir o abastecimento energético de seu país. O transporte individual é valorizado, ao contrário da Europa, onde os trens e metrôs são intensamente utilizados e a circulação de carros é desestimulada nas grandes cidades. A troca de carros grandes, paixão americana, por outros compactos e econômicos e a questão ecológica estão entrando na pauta das discussões americanas, como nos dá conta o filme do Al Gore.Os engarrafamentos cada vez maiores nas grandes cidades como Rio e São Paulo, o aumento desenfreado de venda de carros, os gastos com estradas, viadutos e desapropriações para abrir espaço para os novos veículos devem nos fazer parar para pensar qual o modelo que devemos seguir: o americano que está sendo forçado a mudar, ou o europeu, incentivando o transporte de massas?A descoberta pela Petrobrás dos campos de Tupi, Júpiter e Carioca pode ser um fator decisivo para o futuro do país, a favor ou contra. Podemos começar a exportá-lo, como o fez o México para pagar sua dívida externa no final da década 90, reduzindo suas reservas de 1995 a 2003 de 51 para 13 bilhões de barris. A Pemex, estatal petrolífera mexicana, informou em 2007 à Bolsa de Nova York que as reservas do país se esgotariam em sete anos, passando o país a importador de petróleo em 7 anos somente. Ou então, podemos adotar uma atitude a favor do país, com um planejamento energético que não entregue a decisão ao mercado, favorável à maximização da exportação.O petróleo é matéria prima para milhares de produtos, do plástico ao remédio e a química fina. Temos de ter em mente que é um recurso não renovável, formado ao longo de milhões de anos e não temos o direito de esgotá-lo predatoriamente em detrimento das futuras gerações, vendendo hoje o que terão que importar a um custo muito superior amanhã.Diomedes Cesário da Silva é vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET).
CURIOSIDADES - Alta dos alimentos estimula venda de carne ilegal no Egito.
Rodrigo Durão CoelhoDa BBC Brasil, no Cairo.
Preço dos alimentos subiu 50% nos últimos seis meses no Egito.
A alta dos preços dos alimentos no Egito está provocando o aumento do número de casos de venda ilegal de carne de jumento, cachorro e porco nas áreas mais pobres da capital, Cairo, segundo informou a polícia.
Com a crescente demanda por carne mais barata, muitos comerciantes estão vendendo a carne desses animais como se fosse de vaca ou de carneiro.
O juiz Farid Nasr, chefe da corte criminal do Cairo, pediu penalidades mais severas, incluindo a pena de morte, para coibir este tipo de crimes. Atualmente, os condenados podem ser sentenciados a até dez anos de prisão.
A reitora da Universidade de Ain Shams, Suhair Abdel-Aziz, também pediu para que a pena de morte seja aplicada nestes casos.
Religião
Um dos casos que mais chamou a atenção no país foi o de dois homens acusados de colocar à venda a carne de animais como cães, jumentos, ovelhas e búfalos como se fosse de vaca.
Eles confessaram que, para disfarçar o odor, misturavam a carne com uma série de temperos.
Outro açougueiro foi detido no Cairo com grandes quantidades de carne de jumento, que eram vendidas como sendo carne de carneiro. Um desempregado também foi preso após levantar suspeitas por causa do baixo preço da carne que vendia.
Além de possíveis riscos para a saúde, a comercialização de carne ilegal viola leis religiosas no Egito.
A religião muçulmana proíbe o consumo de carne de animais que também consomem carne, como o porco e o jumento.
Com mais da metade de sua população vivendo abaixo ou nas proximidades da linha da pobreza, o Egito é considerado um dos países mais afetados pela recente alta internacional dos preços dos alimentos.
De acordo com dados do governo, nos últimos seis meses o preço dos alimentou subiu 50%.
Preço dos alimentos subiu 50% nos últimos seis meses no Egito.
A alta dos preços dos alimentos no Egito está provocando o aumento do número de casos de venda ilegal de carne de jumento, cachorro e porco nas áreas mais pobres da capital, Cairo, segundo informou a polícia.
Com a crescente demanda por carne mais barata, muitos comerciantes estão vendendo a carne desses animais como se fosse de vaca ou de carneiro.
O juiz Farid Nasr, chefe da corte criminal do Cairo, pediu penalidades mais severas, incluindo a pena de morte, para coibir este tipo de crimes. Atualmente, os condenados podem ser sentenciados a até dez anos de prisão.
A reitora da Universidade de Ain Shams, Suhair Abdel-Aziz, também pediu para que a pena de morte seja aplicada nestes casos.
Religião
Um dos casos que mais chamou a atenção no país foi o de dois homens acusados de colocar à venda a carne de animais como cães, jumentos, ovelhas e búfalos como se fosse de vaca.
Eles confessaram que, para disfarçar o odor, misturavam a carne com uma série de temperos.
Outro açougueiro foi detido no Cairo com grandes quantidades de carne de jumento, que eram vendidas como sendo carne de carneiro. Um desempregado também foi preso após levantar suspeitas por causa do baixo preço da carne que vendia.
Além de possíveis riscos para a saúde, a comercialização de carne ilegal viola leis religiosas no Egito.
A religião muçulmana proíbe o consumo de carne de animais que também consomem carne, como o porco e o jumento.
Com mais da metade de sua população vivendo abaixo ou nas proximidades da linha da pobreza, o Egito é considerado um dos países mais afetados pela recente alta internacional dos preços dos alimentos.
De acordo com dados do governo, nos últimos seis meses o preço dos alimentou subiu 50%.
CURIOSIDADES - Americano pagará indenização por bigamia.
Copiado do site Espaço Vital.
Homem americano pagará US$ 850 mil de indenização por bigamia.
Por Marina Birnfeld,da Editoria Internacional do Espaço Vitalmailto:Vitalmarina@espacovital.com.br.
Uma briga judicial de um casal ganhou enorme repercussão na mídia norte-americana por causa das queixas incomuns de Weerasinghe Turner, uma médica pediatra proveniente de Sri Lanka, que acusou o seu marido de bigamia e de ter "roubado" a sua virgindidade. Mas, apesar de inverossímeis inicialmente, as acusações formuladas pela mulher convenceram o júri de Fall River, no Estado de Massachusetts (EUA), que condenou Ronald D. Viveiros a pagar US$ 550.000 por ter "praticado fraude ao se apresentar para casar com ela no Sri Lanka, quando já estava casado nos Estados Unidos". A condenação somou mais US$ 300.000 por ele ter enganado a mulher, permitindo que ela consumasse o matrimônio e perdesse a virgindade. As informações são do jornal Chicago Tribune.Em 2000, Harshini Weerasinghe, uma pediatra cristã vivia e trabalhava no Sri Lanka, quando os seus pais publicaram um anúncio em um jornal, à procura de um marido para a filha. De Massachusetts, Ronald D. Viveiros de Berkley, respondeu o anúncio. Durante vários meses, os dois desenvolveram uma relação, por telefone e e-mail. "Ela se apaixonou por ele, na expectativa de retribuição do sentimento", escreveu a advogada Patricia L. Davidson, na petição inicial. Ela relata que Viveiros propôs e eles se casaram no dia 21 fevereiro de 2001, em uma cerimônia em Sri Lanka, custeada pelos pais da autora. Depois do casamento, Viveiros e Weerasinghe partiram para uma virgem de lua-de-mel, durante a qual foi "consumado" o matrimônio. Durante os dois anos e meio seguintes, Weerasinghe e Viveiros viveram separadamente - ele em Massachusetts (onde seria representante comercial) e ela no Sri Lanka - em razão de seu trabalho. Ela mudou-se mais tarde para duas ilhas situadas no Caribe. Os dois se viram pessoalmente só uma vez, durante uma segunda lua de mel de cinco dias no Sri Lanka. Durante o matrimônio, a mulher deu para Viveiros mais de US$ 136.000, e os pais dela o presentearam com mais US$ 25.000, em retribuição por ele ter respondido ao anúncio e aceitado as condições previamente estabelecidas para o casamento.
Outros detalhes do caso* As primeiras desconfianças - Ainda segundo o Chicago Tribune, em 2003 a pediatra teve as primeiras suspeitas em relação ao seu marido e, com ajuda de um advogado de Massachusetts, e localizou um cheque sem fundo passado por ele. Em outubro, ela e o advogado chegaram de surpresa à casa de Viveiros, quando descobriram que tinha uma outra esposa (Dina M. Viveiros Jorge). Somente depois que as duas mulheres se encontraram, Viveiros procurou Weerasinghe Turner no hotel em que se hospedara e admitiu que ele tinha mentido sobre "estar casado". A médica rompeu com Viveiros, voltado ao Caribe, mas a família dela processou Viveiros no Sri Lanka pela fraude. Naquele país, o caso ainda está pendente. * Segundo casamento dela - Em 2005 de abril, Harshini Weerasinghe se casou outro homem, Michael A. Turner, e foi morar com ele na Carolina do Norte. No mês de dezembro, Viveiros voltou a procurar Weerasinghe, chamando-a repetidamente em sua casa de Carolina do Norte. Ele também contratou advogados para processá-la por bigamia, iniciou uma acusação criminal e ajuizou uma ação alegando ter sido "vítima" de fraude contra Weerasinghe. Mas todas as manobras dele falharam. Weerasinghe foi então à forra. Moveu uma ação contra Viveiros em Massachusetts, na qual alegou que ele, Viveiros, já era casado em fevereiro de 2000 quando respondeu ao anúncio de seus pais. Portanto, Viveiros era o bígamo, que cometeu fraude se casando com Weerasinghe quando ele já tinha uma esposa.
Fraude * Fraude civil - Desde o princípio, a advogada Patricia Davidson argumentou que o caso de sua cliente não era um simples caso de bigamia criminal, mas um caso de fraude civil, porque Viveiros já era casado e, por sua "bigamia", todos os atos tinham de ser declarados nulos em Massachusetts e também no Sri Lanka, onde celebraram o casamento. Ela assinalou que o matrimônio anterior era totalmente desconhecido de Weerasinghe, o que demonstra a intenção deliberada de Viveiros em praticar uma fraude civil para obter vantagens. Essa foi a tese reconhecida pelo júri civil.
POLÍTICA - A difícil arte de governar (entre as feras).
Reproduzo e assino embaixo o belíssimo artigo do Carlinhos Medeiros do blog Bodega Cultural.
É difícil governar o Brasil.
Não é fácil governar um país de dimensões continentais e os inúmeros problemas sociais gerados por séculos de política colonialista.
É complicado. As dívidas sociais ainda são muitas, a concentração de renda gritante, os investimentos em saúde, educação e infra-estrutura, mesmo tendo aumentado consideravelmente em relação aos governos anteriores, precisam de mais aportes.
Ainda assim, o Brasil está subindo a ladeira. Passos importantes foram dados rumo à consolidação de um crescimento sustentável e com menos desigualdade social. Foram criados 8,5 milhões de empregos com carteiras assinadas e o poder de compra do salário mínimo, hoje, permite ao trabalhador um pouco mais de tranqüilidade. Se Figueiredo fosse vivo não teria proferido a famosa frase do tiro no coco. Para mim, a história política do país se resume em duas fazes: antes e depois de Luiz Inácio lula da Silva.
Lula é um fenômeno. E quando digo isso não estou exagerando. Não é só por causa das conquistas do seu governo, principalmente no que diz respeito às áreas sociais. Penso que qualquer outro presidente realmente comprometido com os problemas da nação, sobretudo com os menos favorecidos, uma dose de boa vontade e uma equipe capacitada poderia fazer igual. Não há nada de tão extraordinário nisso. O que o diferencia dos demais é a capacidade de governar entre as feras, no meio de tantos poderosos lhe fazendo oposição, duras criticas, sendo terrivelmente discriminado por sua condição de nordestino sem currículo acadêmico. Mesmo quando faz tudo para privilegiá-los, enchendo suas insaciáveis gordas e sebosas panças, é discriminado.
Eu me senti, guardadas as devidas proporções, um pouco Lula quando fui contratado para ser supervisor de uma concessionária de motos aqui em minha cidade. Quando cheguei, algumas pessoas da equipe resistiram a minha presença, pois almejavam o mesmo cargo. Durante o tempo que fiquei nessa empresa fui humilhado de todas as formas, e era quase impossível supervisionar a turma, porque, além de não ter o apoio do Gerente Geral, também não tinha o apoio da maioria dos funcionários, a turma do contra era liderada pela pessoa que pleiteava o cargo. Foi terrível. Não resisti e sai, e até hoje penso nos sapos que tive que engolir para poder trabalhar.
Assim faz o Lula. Tem engolido cada sapo... Para a mídia, roubo só é manchete quando tem petista envolvido, por isso, o caixa 2 de Azeredo passou em branco e o escândalo da Alston também passará. Lula tem pagado um preço alto para realizar o seu sonho de ver cada cidadão brasileiro fazendo três refeições diárias. Primeiro, foram as invenções das crises alardeadas pela grande mídia, agora, o problema é que o Brasil arrecada muito e gasta mal. Pelo menos sabemos para onde estão indo nossas contribuições. Antes, pagávamos e não sabíamos onde elas estavam sendo aplicadas, por isso, pago meus impostos com muito prazer, e acho levíssima a carga tributaria. Afinal, eu quero o Brasil um País de todos.
Lula é um fenômeno. Não tem maioria no congresso, não tem mídia, os empresários gananciosos, mesmo de boca cheia lhes dão coices e ainda assim, consegue desenvolver o belíssimo trabalho que tem projetado o nosso País a patamares nunca antes alcançados.
É difícil governar o Brasil.
Não é fácil governar um país de dimensões continentais e os inúmeros problemas sociais gerados por séculos de política colonialista.
É complicado. As dívidas sociais ainda são muitas, a concentração de renda gritante, os investimentos em saúde, educação e infra-estrutura, mesmo tendo aumentado consideravelmente em relação aos governos anteriores, precisam de mais aportes.
Ainda assim, o Brasil está subindo a ladeira. Passos importantes foram dados rumo à consolidação de um crescimento sustentável e com menos desigualdade social. Foram criados 8,5 milhões de empregos com carteiras assinadas e o poder de compra do salário mínimo, hoje, permite ao trabalhador um pouco mais de tranqüilidade. Se Figueiredo fosse vivo não teria proferido a famosa frase do tiro no coco. Para mim, a história política do país se resume em duas fazes: antes e depois de Luiz Inácio lula da Silva.
Lula é um fenômeno. E quando digo isso não estou exagerando. Não é só por causa das conquistas do seu governo, principalmente no que diz respeito às áreas sociais. Penso que qualquer outro presidente realmente comprometido com os problemas da nação, sobretudo com os menos favorecidos, uma dose de boa vontade e uma equipe capacitada poderia fazer igual. Não há nada de tão extraordinário nisso. O que o diferencia dos demais é a capacidade de governar entre as feras, no meio de tantos poderosos lhe fazendo oposição, duras criticas, sendo terrivelmente discriminado por sua condição de nordestino sem currículo acadêmico. Mesmo quando faz tudo para privilegiá-los, enchendo suas insaciáveis gordas e sebosas panças, é discriminado.
Eu me senti, guardadas as devidas proporções, um pouco Lula quando fui contratado para ser supervisor de uma concessionária de motos aqui em minha cidade. Quando cheguei, algumas pessoas da equipe resistiram a minha presença, pois almejavam o mesmo cargo. Durante o tempo que fiquei nessa empresa fui humilhado de todas as formas, e era quase impossível supervisionar a turma, porque, além de não ter o apoio do Gerente Geral, também não tinha o apoio da maioria dos funcionários, a turma do contra era liderada pela pessoa que pleiteava o cargo. Foi terrível. Não resisti e sai, e até hoje penso nos sapos que tive que engolir para poder trabalhar.
Assim faz o Lula. Tem engolido cada sapo... Para a mídia, roubo só é manchete quando tem petista envolvido, por isso, o caixa 2 de Azeredo passou em branco e o escândalo da Alston também passará. Lula tem pagado um preço alto para realizar o seu sonho de ver cada cidadão brasileiro fazendo três refeições diárias. Primeiro, foram as invenções das crises alardeadas pela grande mídia, agora, o problema é que o Brasil arrecada muito e gasta mal. Pelo menos sabemos para onde estão indo nossas contribuições. Antes, pagávamos e não sabíamos onde elas estavam sendo aplicadas, por isso, pago meus impostos com muito prazer, e acho levíssima a carga tributaria. Afinal, eu quero o Brasil um País de todos.
Lula é um fenômeno. Não tem maioria no congresso, não tem mídia, os empresários gananciosos, mesmo de boca cheia lhes dão coices e ainda assim, consegue desenvolver o belíssimo trabalho que tem projetado o nosso País a patamares nunca antes alcançados.
MST - Comentário da entrevista com o João Pedro Stédile.
A minha amiga Vera Pereira fez um comentário a respeito do texto do relatório da Anistia Internacional que assino embaixo. No preâmbulo, falo das minhas visitas à propriedades rurais, quando pude observar muitos dos fatos que justificam a existência do MST, tão bem dirigido pelo João Pedro Stédile. Vamos ao texto:
"Você viu a entrevista do João Pedro Stédile no Canal Livre (Band) de hoje? Se não viu talvez tenha vídeo no site da Band ou alguém já copiou no You Tube. Fantástico! Se tivéssemos uns 10 caras feito ele neste país, mais umas 10 Dilmas, falando firme, direto, claro, correto (na minha opinião) agindo na linha de frente da política concreta, e depois uns dois Lulas na retaguarda para fazer a negociação (porque tem a hora de atacar, porpor, planejar, e depois a hora de conversar, negociar, que o Lula faz muito bem) até acho que o povo desse país poderia ter um futuro menos longínquo. Desculpe o desabafo, assim corrido, mas gostei demais da entrevista do JPS. Se não quiser publicar esse comentário, fique à vontade e delete. Vera "
"Você viu a entrevista do João Pedro Stédile no Canal Livre (Band) de hoje? Se não viu talvez tenha vídeo no site da Band ou alguém já copiou no You Tube. Fantástico! Se tivéssemos uns 10 caras feito ele neste país, mais umas 10 Dilmas, falando firme, direto, claro, correto (na minha opinião) agindo na linha de frente da política concreta, e depois uns dois Lulas na retaguarda para fazer a negociação (porque tem a hora de atacar, porpor, planejar, e depois a hora de conversar, negociar, que o Lula faz muito bem) até acho que o povo desse país poderia ter um futuro menos longínquo. Desculpe o desabafo, assim corrido, mas gostei demais da entrevista do JPS. Se não quiser publicar esse comentário, fique à vontade e delete. Vera "
CUBA - Cuba aprendeu a lição.
'Cuba aprendeu a lição', diz Amorim.
Ilha não quer mais depender economicamente de um único parceiro, como ocorreu com a URSS, afirma chanceler.
Denise Chrispim Marin, do Estadão.
Cuba deverá tornar-se um “tigre” na América Latina. Essa é uma convicção do governo brasileiro, para quem nenhum outro país no mundo pode contribuir para a transformação econômica da ilha como o Brasil. Um dia depois de dizer que o País quer converter-se no “parceiro número 1” de Cuba, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, conversou por quase três horas com o presidente cubano, Raúl Castro.Amorim convidou Raúl a visitar o Brasil em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde sua posse, Raúl não fez nenhuma viagem ao exterior. O próprio Amorim mostrou-se ciente de que, neste momento, dificilmente o presidente cubano prefira Brasília a Caracas como destino de sua primeira visita. Graças aos embarques de petróleo a preços subsidiados, a Venezuela continua a ser o primeiro parceiro da ilha.Na avaliação de Amorim, Cuba aprendeu as lições de sua histórica dependência de um único parceiro econômico - primeiro, os EUA; depois, a URSS; hoje, a Venezuela - e pretende diversificar suas relações. Ele tentou evitar, porém, que o encontro deixasse a impressão de que o Brasil está tentando desbancar a influência venezuelana na ilha: “Nós somos o parceiro número 1 da Venezuela também. Você está dando pouco crédito à generosidade do presidente (Hugo) Chávez. Sinceramente, não acho que vá haver esse ciúme”, disse Amorim. Para Amorim, “Cuba será uma espécie de tigre asiático na América Latina.” “Ao Brasil, interessa estar aqui no momento em que essas mudanças econômicas estão começando”, afirmou, referindo-se às reformas prometidas por Raúl ao assumir o cargo que era do irmão Fidel Castro, no início do ano. “Nenhum outro país tem a capacidade do Brasil de ajudar Cuba no desenvolvimento agrícola e industrial e na produção de alimentos.” O interesse brasileiro em Cuba, segundo Amorim tem “números e datas”. De fato, a construtora Odebrecht deverá montar um escritório em Havana para comandar a reconstrução de uma rodovia. A Petrobrás deve firmar no dia 28 uma parceria com a estatal Cupet para a exploração de petróleo em águas profundas no Golfo do México.Na outra mão, Cuba repassará sua tecnologia de fabricação do medicamento Interferon, que será produzido em larga escala no Brasil.Em suas conversas no alto escalão de Havana, nos últimos dois dias, Amorin obteve a confirmação da decisão de Raúl de enxugar a máquina administrativa, a partir de uma reforma na estrutura ministerial, e acabar com o câmbio duplo.
PETRÓLEO - Combustíveis e clima abalam o "american way life"
Copiado do blog Vermelho.
O preço do petróleo e a mudança climática põem em xeque o modelo urbanístico dos EUA, baseado em grandes áreas residenciais. Levittown, o primeiro subúrbio residencial, lidera uma pequena revolução para reduzir o consumo.
Em uma das ruas principais de Hicksville, um povoado de Long Island a uma hora do centro de Nova York, há um cartaz que recomenda aos motoristas: "Troquem o posto de gasolina pela estação de trem".
Com os preços dos combustíveis na estratosfera e a ameaça de mudança climática fora de discussão, cada vez mais habitantes dessa região formada por quilômetros e quilômetros de zonas residenciais estão conscientes da necessidade de mudar de estilo de vida. Mesmo que seja por causa da conta de gasolina.
Long Island ainda é a pátria das urbanizações características da classe média norte-americana, com casas de dois andares e jardins construídas no final da Segunda Guerra Mundial, coincidindo com o regresso de centenas de milhares de soldados e o início de uma longa era de prosperidade.
Mas Suburbia -o nome dessa cidade imaginária que se estende de Long Island à Califórnia, de Chicago ao Texas- passa por um mau momento. Desde que foi criado há 60 anos, no que era um campo de batatas perto de Hicksville, Levittown, considerado o primeiro bairro residencial do país, Suburbia foi o cenário do "American way of life". Um estilo de vida indissociável da dependência do petróleo e do consumo energético desenfreado.
A construção das urbanizações e a rede de autopistas ocorreram paralelamente. Sem as primeiras não se entende a dependência do automóvel pelos americanos. Quem vive em uma dessas áreas -e mais da metade dos 300 milhões de americanos vivem nelas- precisa do carro para ir comprar e trabalhar.
Viver sem automóvel? Nem em Levittown é possível. "É muito difícil", diz Louise Cassano, ao volante de seu carro enquanto conduz o visitante pelas ruas do bairro prototípico.
Cassano, casada e com dois filhos já adultos, mora aqui desde 1951. Quatro anos antes, a empresa familiar Levitt & Sons começou a construir as 17 mil casas para outras tantas famílias jovens que começavam do zero. Não está claro se Levittown foi realmente o primeiro, mas serviu de modelo para as centenas de subúrbios que brotaram por todo o país.
Quando Cassano, que tem uma pequena empresa de relações públicas, chegou aqui, procedente do bairro nova-iorquino do Brooklyn, era menina. Seu pai era bombeiro e usava o único carro que havia na casa.
"Não havia serviço telefônico. Os serviços de ônibus eram horríveis. Íamos sempre andando", lembra.
As vantagens de viver em Levittown, porém, eram indiscutíveis. A área residencial representava o sonho da casa com jardim ao alcance de todos. Longe da sujeira e do ruído urbanos, o ambiente era limpo e seguro.
"Nunca trancávamos a porta", diz Cassano. Com os anos, os moradores dessas regiões compraram outro carro. A gasolina era "de graça". A era de Levittown também foi a dos "malls", os imensos centros comerciais que serviram de rua principal dos bairros residenciais.
Enquanto ocorria o êxodo para a periferia, o centro das cidades empobreceram e foram tomados pela violência e o abandono.
O crescimento dos subúrbios tinha limites. Em seu livro "A Opção do Urbanismo", o urbanista Christopher B. Leinberg afirma que essa evolução "fomentou a decadência urbana, aumentou as emissões de gases do efeito estufa e contribuiu para o aumento da obesidade e da asma".
Leinberg acredita que o esgotamento do modelo energético, as mudanças demográficas -a proporção de famílias com filhos diminuiu- e a crise imobiliária vão acelerar uma "mudança importante na maneira de viver e trabalhar de muitos americanos".
Para reduzir drasticamente as emissões, seria preciso uma revolução: ou construir uma rede de transportes públicos que alcançasse todos os subúrbios do país -coisa improvável, nem que seja pelas dimensões dessas áreas residenciais-, ou que seus habitantes voltassem de repente para o centro das cidades. O repovoamento das cidades já é um fato, mas dificilmente representará a morte dos subúrbios.
Enquanto isso, em Levittown buscam soluções mais realistas. Pioneiros há 60 anos, querem voltar a sê-lo agora. Tom Suozzi, o presidente do condado de Nassau, onde se encontra Levittown, lançou uma iniciativa para revigorar a área. Associado a empresas privadas, o condado ofereceu milhares de lâmpadas de baixo consumo, assim como facilidades para substituir as velhas caldeiras ou instalar painéis solares.
Os Cassano trocaram as lâmpadas há dez anos e instalaram um aparelho para economizar combustível para a caldeira, o que reduz ao mesmo tempo a poluição e a conta de energia no fim do ano.
"Temos de recrutar os americanos comuns", diz Brad Tito, assessor de Suozzi em questões ambientais. "As mudanças começam em casa."
Fonte: La VanguardiaTradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves / UOL Mídia Global
O preço do petróleo e a mudança climática põem em xeque o modelo urbanístico dos EUA, baseado em grandes áreas residenciais. Levittown, o primeiro subúrbio residencial, lidera uma pequena revolução para reduzir o consumo.
Em uma das ruas principais de Hicksville, um povoado de Long Island a uma hora do centro de Nova York, há um cartaz que recomenda aos motoristas: "Troquem o posto de gasolina pela estação de trem".
Com os preços dos combustíveis na estratosfera e a ameaça de mudança climática fora de discussão, cada vez mais habitantes dessa região formada por quilômetros e quilômetros de zonas residenciais estão conscientes da necessidade de mudar de estilo de vida. Mesmo que seja por causa da conta de gasolina.
Long Island ainda é a pátria das urbanizações características da classe média norte-americana, com casas de dois andares e jardins construídas no final da Segunda Guerra Mundial, coincidindo com o regresso de centenas de milhares de soldados e o início de uma longa era de prosperidade.
Mas Suburbia -o nome dessa cidade imaginária que se estende de Long Island à Califórnia, de Chicago ao Texas- passa por um mau momento. Desde que foi criado há 60 anos, no que era um campo de batatas perto de Hicksville, Levittown, considerado o primeiro bairro residencial do país, Suburbia foi o cenário do "American way of life". Um estilo de vida indissociável da dependência do petróleo e do consumo energético desenfreado.
A construção das urbanizações e a rede de autopistas ocorreram paralelamente. Sem as primeiras não se entende a dependência do automóvel pelos americanos. Quem vive em uma dessas áreas -e mais da metade dos 300 milhões de americanos vivem nelas- precisa do carro para ir comprar e trabalhar.
Viver sem automóvel? Nem em Levittown é possível. "É muito difícil", diz Louise Cassano, ao volante de seu carro enquanto conduz o visitante pelas ruas do bairro prototípico.
Cassano, casada e com dois filhos já adultos, mora aqui desde 1951. Quatro anos antes, a empresa familiar Levitt & Sons começou a construir as 17 mil casas para outras tantas famílias jovens que começavam do zero. Não está claro se Levittown foi realmente o primeiro, mas serviu de modelo para as centenas de subúrbios que brotaram por todo o país.
Quando Cassano, que tem uma pequena empresa de relações públicas, chegou aqui, procedente do bairro nova-iorquino do Brooklyn, era menina. Seu pai era bombeiro e usava o único carro que havia na casa.
"Não havia serviço telefônico. Os serviços de ônibus eram horríveis. Íamos sempre andando", lembra.
As vantagens de viver em Levittown, porém, eram indiscutíveis. A área residencial representava o sonho da casa com jardim ao alcance de todos. Longe da sujeira e do ruído urbanos, o ambiente era limpo e seguro.
"Nunca trancávamos a porta", diz Cassano. Com os anos, os moradores dessas regiões compraram outro carro. A gasolina era "de graça". A era de Levittown também foi a dos "malls", os imensos centros comerciais que serviram de rua principal dos bairros residenciais.
Enquanto ocorria o êxodo para a periferia, o centro das cidades empobreceram e foram tomados pela violência e o abandono.
O crescimento dos subúrbios tinha limites. Em seu livro "A Opção do Urbanismo", o urbanista Christopher B. Leinberg afirma que essa evolução "fomentou a decadência urbana, aumentou as emissões de gases do efeito estufa e contribuiu para o aumento da obesidade e da asma".
Leinberg acredita que o esgotamento do modelo energético, as mudanças demográficas -a proporção de famílias com filhos diminuiu- e a crise imobiliária vão acelerar uma "mudança importante na maneira de viver e trabalhar de muitos americanos".
Para reduzir drasticamente as emissões, seria preciso uma revolução: ou construir uma rede de transportes públicos que alcançasse todos os subúrbios do país -coisa improvável, nem que seja pelas dimensões dessas áreas residenciais-, ou que seus habitantes voltassem de repente para o centro das cidades. O repovoamento das cidades já é um fato, mas dificilmente representará a morte dos subúrbios.
Enquanto isso, em Levittown buscam soluções mais realistas. Pioneiros há 60 anos, querem voltar a sê-lo agora. Tom Suozzi, o presidente do condado de Nassau, onde se encontra Levittown, lançou uma iniciativa para revigorar a área. Associado a empresas privadas, o condado ofereceu milhares de lâmpadas de baixo consumo, assim como facilidades para substituir as velhas caldeiras ou instalar painéis solares.
Os Cassano trocaram as lâmpadas há dez anos e instalaram um aparelho para economizar combustível para a caldeira, o que reduz ao mesmo tempo a poluição e a conta de energia no fim do ano.
"Temos de recrutar os americanos comuns", diz Brad Tito, assessor de Suozzi em questões ambientais. "As mudanças começam em casa."
Fonte: La VanguardiaTradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves / UOL Mídia Global
domingo, 1 de junho de 2008
DIREITOS HUMANOS - Relatório da Anistia Internacional.
De 1965 a 1975, por força do meu trabalho, visitei mais de 100 propriedades agrícolas nos Estados do Paraná e Minas Gerais. Naquela ocasião, percebi o quanto os trabalhadores rurais eram, de um modo geral, considerados cidadãos de segunda classe. Vi trabalho semi-escravo, vi bóias-frias sendo explorados e trabalhando sem nenhum direito, vi a justiça do lado dos poderosos, etc. Pelo visto, nada mudou, daí não ficar surpreendido pelo relatório da Anistia.
Relatório da Anistia destaca abusos no setor canavieiro.
Márcia Freitas, da BBC.
Anistia investiga impacto da agroindústria nos direitos humanos.
Preocupações com abusos de direitos humanos no setor de cana-de açúcar - base para a produção do etanol no Brasil - aparecem pela primeira vez em um relatório anual da Anistia Internacional.
"Trabalho forçado e condições de trabalho exploradoras foram registrados em muitos Estados, inclusive no setor de cana-de açúcar, que cresce rapidamente", diz o relatório anual de 2008, com dados referentes a 2007, divulgado nesta quarta-feira.
O documento cita casos de resgates feitos pelo Ministério do Trabalho no ano passado, como a retirada de 288 trabalhadores de seis plantações de cana-de açúcar em São Paulo, de 409 resgatados de uma destilaria de etanol no Mato Grosso do Sul e a libertação de mais de mil em condições "análogas à escravidão" em uma plantação da fabricante de etanol Pagrisa, no Pará.
Tim Cahill, porta-voz da organização para o Brasil, diz reconhecer o "papel importante" que o setor tem no crescimento econômico do Brasil, mas que é fundamental que isso não aconteça às custas de violações de direitos humanos.
"É importante que o governo brasileiro comece a regulamentar esse setor, a realmente policiar. Nós sabemos que existe algum policiamento por parte do Ministério Público e do Ministério do Trabalho, mas é preciso ser mais forte", afirmou Cahill.
A organização prepara um estudo sobre o impacto do crescimento da agroindústria como um todo sobre a questão dos direitos humanos no Brasil. Além da cana-de açúcar, os setores madeireiro e de produção de laranja também são alvo da investigação.
Papel internacional.
No relatório anual, a Anistia também afirma que o papel internacional do Brasil como defensor de direitos humanos pode perder credibilidade se o país não conseguir implementar medidas que produzam benefícios dentro de casa.
"Países como o Brasil e o México têm tido posições fortes em defender direitos humanos internacionalmente e em apoiar o sistema da ONU. Mas, a não ser que a distância entre as políticas internacionais desses governos e o seu desempenho doméstico seja diminuída, a credibilidade desses países como defensores de direitos humanos será questionada", diz o documento.
Leia mais sobre o relatório da Anistia na BBC Brasil
Tim Cahill lembra que o Brasil lutou, por exemplo, pela criação do Conselho de Direitos Humanos da ONU e foi um dos primeiros países a aceitar se submeter a um sistema de análise das condições internas pelo órgão.
Por outro lado, segundo ele, o país teria continuado a não responder a questões importantes, como "por que que a polícia continua a matar e por que que continua a torturar".
"Nós reconhecemos que o Brasil tem um papel importante a desempenhar a nível internacional em relação às reformas e aos avanços internacionais na luta pelos direitos humanos, mas nós continuamos a pressionar para que o país faça coisas concretas para seus próprios cidadãos", disse Cahill.
Relatório da Anistia destaca abusos no setor canavieiro.
Márcia Freitas, da BBC.
Anistia investiga impacto da agroindústria nos direitos humanos.
Preocupações com abusos de direitos humanos no setor de cana-de açúcar - base para a produção do etanol no Brasil - aparecem pela primeira vez em um relatório anual da Anistia Internacional.
"Trabalho forçado e condições de trabalho exploradoras foram registrados em muitos Estados, inclusive no setor de cana-de açúcar, que cresce rapidamente", diz o relatório anual de 2008, com dados referentes a 2007, divulgado nesta quarta-feira.
O documento cita casos de resgates feitos pelo Ministério do Trabalho no ano passado, como a retirada de 288 trabalhadores de seis plantações de cana-de açúcar em São Paulo, de 409 resgatados de uma destilaria de etanol no Mato Grosso do Sul e a libertação de mais de mil em condições "análogas à escravidão" em uma plantação da fabricante de etanol Pagrisa, no Pará.
Tim Cahill, porta-voz da organização para o Brasil, diz reconhecer o "papel importante" que o setor tem no crescimento econômico do Brasil, mas que é fundamental que isso não aconteça às custas de violações de direitos humanos.
"É importante que o governo brasileiro comece a regulamentar esse setor, a realmente policiar. Nós sabemos que existe algum policiamento por parte do Ministério Público e do Ministério do Trabalho, mas é preciso ser mais forte", afirmou Cahill.
A organização prepara um estudo sobre o impacto do crescimento da agroindústria como um todo sobre a questão dos direitos humanos no Brasil. Além da cana-de açúcar, os setores madeireiro e de produção de laranja também são alvo da investigação.
Papel internacional.
No relatório anual, a Anistia também afirma que o papel internacional do Brasil como defensor de direitos humanos pode perder credibilidade se o país não conseguir implementar medidas que produzam benefícios dentro de casa.
"Países como o Brasil e o México têm tido posições fortes em defender direitos humanos internacionalmente e em apoiar o sistema da ONU. Mas, a não ser que a distância entre as políticas internacionais desses governos e o seu desempenho doméstico seja diminuída, a credibilidade desses países como defensores de direitos humanos será questionada", diz o documento.
Leia mais sobre o relatório da Anistia na BBC Brasil
Tim Cahill lembra que o Brasil lutou, por exemplo, pela criação do Conselho de Direitos Humanos da ONU e foi um dos primeiros países a aceitar se submeter a um sistema de análise das condições internas pelo órgão.
Por outro lado, segundo ele, o país teria continuado a não responder a questões importantes, como "por que que a polícia continua a matar e por que que continua a torturar".
"Nós reconhecemos que o Brasil tem um papel importante a desempenhar a nível internacional em relação às reformas e aos avanços internacionais na luta pelos direitos humanos, mas nós continuamos a pressionar para que o país faça coisas concretas para seus próprios cidadãos", disse Cahill.
DIREITOS HUMANOS - Anistia Internacional condena "60 anos de fracasso" em direitos humanos.
Márcia Freitas, da BBC.
Para Anistia, situação em Mianmar é uma das que requerem ação imediata.
A Anistia Internacional pediu nesta quarta-feira aos líderes mundiais que se desculpem por seis décadas do que a entidade considera fracasso na defesa dos direitos humanos.
A cobrança está no relatório anual da organização, que, neste ano, faz um balanço entre o que foi prometido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e o que foi cumprido até agora.
"Injustiça, desigualdade e impunidade são as marcas do nosso mundo hoje. Os governos devem agir agora para acabar com a distância entre promessa e desempenho", disse Irene Khan, secretária-geral da organização, em uma nota à imprensa.
A Anistia diz que os governos ao redor do mundo deveriam se comprometer novamente a apresentar melhoras concretas.
"Os problemas de direitos humanos em Darfur, Zimbábue, Gaza, Iraque e Mianmar exigem uma ação imediata", disse Khan.
'Falta de liderança coletiva'
Segundo o relatório, 60 anos depois de a Declaração Universal dos Direitos Humanos ter sido adotada pelas Nações Unidas, pessoas ainda são torturadas ou mal tratadas em pelo menos 81 países, são submetidas a julgamentos injustos em pelo menos 54 países e não têm direito de se manifestar livremente em pelo menos 77.
"2007 foi caracterizado pela impotência de governos ocidentais e a ambivalência ou relutância dos poderes emergentes em combater algumas das piores crises de direitos humanos no mundo, desde guerras a desigualdades que deixam milhões para trás", disse Khan.
Para a organização, a maior ameaça ao futuro dos direitos humanos é a ausência de uma visão compartilhada e de uma liderança coletiva.
"2008 representa uma oportunidade sem precedentes para que novos líderes e países emergentes no cenário internacional estabeleçam uma nova direção e rejeitem as políticas e práticas míopes que têm deixado o mundo um lugar mais perigoso e mais dividido", afirmou a secretária-gera da Anistia.
'Poderosos'
Segundo Khan, "os mais poderosos devem liderar dando o exemplo."
Nesse sentido, a organização faz um apelo direto para a China, os Estados Unidos, a Rússia e a União Européia.
A Anistia diz que a China deve cumprir as promessas feitas por conta dos Jogos Olímpicos e permitir a liberdade de expressão e de imprensa e acabar com o sistema de "reeducação através do trabalho", que permite a prisão por até quatro anos sem indiciamento, julgamento ou revisão judicial.
No caso dos Estados Unidos, o apelo se refere ao fechamento da prisão de Guantánamo e outros centros de detenção e à rejeição da tortura.
Já a Rússia deveria mostrar mais tolerância à dissidência política e nenhuma tolerância à impunidade de abusos de direitos humanos na Chechênia.
E a União Européia, segundo a Anistia, deveria investigar a cumplicidade de seus integrantes em "entregar" suspeitos de terrorismo e egixir deles os mesmos padrões de direitos humanos que exige de países fora do bloco.
Para Anistia, situação em Mianmar é uma das que requerem ação imediata.
A Anistia Internacional pediu nesta quarta-feira aos líderes mundiais que se desculpem por seis décadas do que a entidade considera fracasso na defesa dos direitos humanos.
A cobrança está no relatório anual da organização, que, neste ano, faz um balanço entre o que foi prometido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e o que foi cumprido até agora.
"Injustiça, desigualdade e impunidade são as marcas do nosso mundo hoje. Os governos devem agir agora para acabar com a distância entre promessa e desempenho", disse Irene Khan, secretária-geral da organização, em uma nota à imprensa.
A Anistia diz que os governos ao redor do mundo deveriam se comprometer novamente a apresentar melhoras concretas.
"Os problemas de direitos humanos em Darfur, Zimbábue, Gaza, Iraque e Mianmar exigem uma ação imediata", disse Khan.
'Falta de liderança coletiva'
Segundo o relatório, 60 anos depois de a Declaração Universal dos Direitos Humanos ter sido adotada pelas Nações Unidas, pessoas ainda são torturadas ou mal tratadas em pelo menos 81 países, são submetidas a julgamentos injustos em pelo menos 54 países e não têm direito de se manifestar livremente em pelo menos 77.
"2007 foi caracterizado pela impotência de governos ocidentais e a ambivalência ou relutância dos poderes emergentes em combater algumas das piores crises de direitos humanos no mundo, desde guerras a desigualdades que deixam milhões para trás", disse Khan.
Para a organização, a maior ameaça ao futuro dos direitos humanos é a ausência de uma visão compartilhada e de uma liderança coletiva.
"2008 representa uma oportunidade sem precedentes para que novos líderes e países emergentes no cenário internacional estabeleçam uma nova direção e rejeitem as políticas e práticas míopes que têm deixado o mundo um lugar mais perigoso e mais dividido", afirmou a secretária-gera da Anistia.
'Poderosos'
Segundo Khan, "os mais poderosos devem liderar dando o exemplo."
Nesse sentido, a organização faz um apelo direto para a China, os Estados Unidos, a Rússia e a União Européia.
A Anistia diz que a China deve cumprir as promessas feitas por conta dos Jogos Olímpicos e permitir a liberdade de expressão e de imprensa e acabar com o sistema de "reeducação através do trabalho", que permite a prisão por até quatro anos sem indiciamento, julgamento ou revisão judicial.
No caso dos Estados Unidos, o apelo se refere ao fechamento da prisão de Guantánamo e outros centros de detenção e à rejeição da tortura.
Já a Rússia deveria mostrar mais tolerância à dissidência política e nenhuma tolerância à impunidade de abusos de direitos humanos na Chechênia.
E a União Européia, segundo a Anistia, deveria investigar a cumplicidade de seus integrantes em "entregar" suspeitos de terrorismo e egixir deles os mesmos padrões de direitos humanos que exige de países fora do bloco.
AGRICULTURA - Crítica da Anistia Internacional é equivocada segundo a UNICA.
Crítica da Anistia é equivocada, diz indústria da cana.
Para Unica, eventuais transgressões não representam todo o setor
A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) definiu como "equivocado e fora de contexto" o relatório da Anistia Internacional que criticou as condições de trabalho em parte do setor de cana-de açúcar no Brasil.
"A Unica considera que, ao privilegiar casos isolados e ainda sem conclusão judicial quanto a eventuais transgressões, o documento transmite uma visão equivocada e fora de contexto, que não representa a realidade que se observa hoje na vasta maioria do setor sucroalcooleiro brasileiro", diz nota distribuída pela entidade à imprensa nesta quarta-feira.
O relatório anual da Anistia sobre a situação dos direitos humanos no mundo, divulgado nesta quarta-feira, cita casos em que o Ministério do Trabalho resgatou trabalhadores em condições degradantes ou até "análogas à escravidão" no caso de uma plantação de uma fabricante de etanol no Pará.
Relatório da Anistia destaca abusos no setor canavieiro
Para a Unica, porém, os casos citados pela Anistia são "autuações" ainda sujeitas a processos administrativos conduzidos pela própria entidade.
"O processo administrativo está em andamento nas autuações citadas no relatório e, até agora, não há qualquer conclusão. Terminado esse processo, o caso teria que prosseguir na justiça, para se chegar, então, a uma efetiva condenação. Apesar disso, alguns veículos de comunicação insistem em tratar estas situações como casos concluídos e fatos consumados."
A entidade, que reúne 110 empresas da indústria sucroalcooleira, diz ainda considerar surpreendente que a Anistia "afronte o argumento básico" de que todos são inocentes até que se prove em contrário.
Tim Cahill, porta-voz da Anistia para o Brasil, disse à BBC Brasi, antes do pronunciamento da Unica, que reconhecia o "papel importante" do setor no crescimento econômico do Brasil, mas cobrou maior regulamentação e fiscalização por parte do governo para que o avanço do setor não aconteça às custas de violações de direitos humanos.
A organização prepara um estudo sobre o impacto do crescimento da agroindústria como um todo sobre a questão dos direitos humanos no Brasil. Além da cana-de açúcar, os setores madeireiro e de produção de laranja também são alvo da investigação.
Para Unica, eventuais transgressões não representam todo o setor
A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) definiu como "equivocado e fora de contexto" o relatório da Anistia Internacional que criticou as condições de trabalho em parte do setor de cana-de açúcar no Brasil.
"A Unica considera que, ao privilegiar casos isolados e ainda sem conclusão judicial quanto a eventuais transgressões, o documento transmite uma visão equivocada e fora de contexto, que não representa a realidade que se observa hoje na vasta maioria do setor sucroalcooleiro brasileiro", diz nota distribuída pela entidade à imprensa nesta quarta-feira.
O relatório anual da Anistia sobre a situação dos direitos humanos no mundo, divulgado nesta quarta-feira, cita casos em que o Ministério do Trabalho resgatou trabalhadores em condições degradantes ou até "análogas à escravidão" no caso de uma plantação de uma fabricante de etanol no Pará.
Relatório da Anistia destaca abusos no setor canavieiro
Para a Unica, porém, os casos citados pela Anistia são "autuações" ainda sujeitas a processos administrativos conduzidos pela própria entidade.
"O processo administrativo está em andamento nas autuações citadas no relatório e, até agora, não há qualquer conclusão. Terminado esse processo, o caso teria que prosseguir na justiça, para se chegar, então, a uma efetiva condenação. Apesar disso, alguns veículos de comunicação insistem em tratar estas situações como casos concluídos e fatos consumados."
A entidade, que reúne 110 empresas da indústria sucroalcooleira, diz ainda considerar surpreendente que a Anistia "afronte o argumento básico" de que todos são inocentes até que se prove em contrário.
Tim Cahill, porta-voz da Anistia para o Brasil, disse à BBC Brasi, antes do pronunciamento da Unica, que reconhecia o "papel importante" do setor no crescimento econômico do Brasil, mas cobrou maior regulamentação e fiscalização por parte do governo para que o avanço do setor não aconteça às custas de violações de direitos humanos.
A organização prepara um estudo sobre o impacto do crescimento da agroindústria como um todo sobre a questão dos direitos humanos no Brasil. Além da cana-de açúcar, os setores madeireiro e de produção de laranja também são alvo da investigação.
PETRÓLEO - Ato-show do Fórum Nacional Contra a Privatização do Petróleo.
Estamos juntos através deste blog, na campanha contra os leilões promovidos pela ANP.
GRANDE ATO-SHOW DO FÓRUM NACIONAL CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO PETRÓLEO.
A proposta é fazer um ato-show com artistas e intelectuais para centenas de pessoas. A atividade lança também o abaixo-assinado pelo cancelamento dos leilões das áreas promissoras de petróleo e gás e pela re-estatização da Petrobrás. A reunião do Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás, realizada no dia 29 de maio, no Sindipetro-RJ, marcou atividade para o dia 12 de junho, às 18:00h, no Auditório Paulo Freire, no Palácio Gustavo Capanema, no MEC, que fica na Rua da Imprensa, 16, Centro do Rio. Na oportunidade será lançado o abaixo-assinado pelo cancelamento dos leilões das áreas promissoras de petróleo e gás e pela re-estatização da Petrobrás, aprovado na última reunião. Os integrantes do Fórum esperam com essa manifestação político-cultural, atrair o grande público para a campanha. Nomes como o de Beth Carvalho, entre outros artistas, estão sendo contatados. No dia 4 de junho, às 17 horas, o Fórum realizará um encontro da comissão organizadora, mas aberto a todos, para fechar os detalhes da programação do ato. No dia 6 de junho, será realizada uma nova plenária. Será o momento para os movimentos avaliarem a mobilização para atividade do dia 12, concluir a operacionalização dos materiais de divulgação e organizar a militância para a promoção de um grande ato contra a privatização do petróleo e gás. Nesse sentido, foi criada uma comissão composta por integrantes da direção do Sindipetro-RJ e a equipe da Agência Petroleira de Notícias para organizar a divulgação do ato do dia 12 (quinta-feira), em especial para a mídia alternativa. A defesa da relevância da luta contra a privatização do petróleo e a proposta de construção de uma aliança estratégica com os meios de comunicação alternativos são elementos a serem desenvolvidos por essa comissão. (Agência Petroleira de Notícias - APN/Redação)
GRANDE ATO-SHOW DO FÓRUM NACIONAL CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO PETRÓLEO.
A proposta é fazer um ato-show com artistas e intelectuais para centenas de pessoas. A atividade lança também o abaixo-assinado pelo cancelamento dos leilões das áreas promissoras de petróleo e gás e pela re-estatização da Petrobrás. A reunião do Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás, realizada no dia 29 de maio, no Sindipetro-RJ, marcou atividade para o dia 12 de junho, às 18:00h, no Auditório Paulo Freire, no Palácio Gustavo Capanema, no MEC, que fica na Rua da Imprensa, 16, Centro do Rio. Na oportunidade será lançado o abaixo-assinado pelo cancelamento dos leilões das áreas promissoras de petróleo e gás e pela re-estatização da Petrobrás, aprovado na última reunião. Os integrantes do Fórum esperam com essa manifestação político-cultural, atrair o grande público para a campanha. Nomes como o de Beth Carvalho, entre outros artistas, estão sendo contatados. No dia 4 de junho, às 17 horas, o Fórum realizará um encontro da comissão organizadora, mas aberto a todos, para fechar os detalhes da programação do ato. No dia 6 de junho, será realizada uma nova plenária. Será o momento para os movimentos avaliarem a mobilização para atividade do dia 12, concluir a operacionalização dos materiais de divulgação e organizar a militância para a promoção de um grande ato contra a privatização do petróleo e gás. Nesse sentido, foi criada uma comissão composta por integrantes da direção do Sindipetro-RJ e a equipe da Agência Petroleira de Notícias para organizar a divulgação do ato do dia 12 (quinta-feira), em especial para a mídia alternativa. A defesa da relevância da luta contra a privatização do petróleo e a proposta de construção de uma aliança estratégica com os meios de comunicação alternativos são elementos a serem desenvolvidos por essa comissão. (Agência Petroleira de Notícias - APN/Redação)
GÁS - Mercado de GNL Brasileiro está nas mãos de multinacional.
Acordo firmado entre Petrobrás e White Martins é extremamente lesivo ao país.Denunciado como crime de lesa-pátria, o Consórcio Gemini, composto por 60% de ações da White Martins e 40% da Gaspetro (subsidiária da Petrobrás), para a produção e distribuição de Gás Natural Liquefeito, continua funcionando normalmente. Autor da denúncia contra o acordo, o professor universitário e engenheiro João Vinhosa falou ao programa Rádio Surgente da Web Rádio Petroleira, no último dia 19/5, para esclarecer que tipo de prejuízos o país têm e poderá vir a ter em função da parceria.Vinhosa, que acompanha o Gemini desde as primeiras negociações entre Petrobrás e White Martins, em 2004, alerta o quão lesiva aos interesses do Brasil é essa sociedade, que busca levar o gás natural às regiões não atendidas pelo sistema de distribuição canalizado. A parceria foi firmada para os processos de liquefação e transporte do gás natural liquefeito, já que, para ser transportado em grandes quantidades sem gasoduto, o gás natural precisa ser transformado para o estado líquido e transportado, a baixíssimas temperaturas, por carretas em tanques que funcionam como “garrafas térmicas”. A alegação da Petrobrás para fechar o acordo foi a de não ter o conhecimento necessário sobre os processos de liquefação e transporte de gás liquefeito. O grande questionamento ao Gemini é o fato de o consórcio se obrigar a contratar a sócia majoritária White Martins para a execução dos serviços de liquefação, armazenamento e transporte do gás natural, quando existem outras empresas no país que realizam tais serviços. O “Acordo de Cotistas” do Gemini, portanto, garante lucros exorbitantes à transnacional acionista majoritária da sociedade, a White Martins, que pertence integralmente à empresa estadunidense Praxair Inc.“O prejuízo que essa sociedade causou ao país é muito grande, e pode ser ainda maior. O Gemini contratou a White Martins para transporte do gás natural em todo o país, imaginem o dinheiro que está envolvido nisso. A White Martins pode cobrar o que quiser. E quem está fiscalizando isso? Há funcionários da Petrobrás para defender nossos interesses, procurando saber se é regular ou não o que está sendo cobrado do Gemini? Se a White Martins transportadora faz o serviço e cobra da Gemini, 40% da despesa é da Petrobrás e 60% da própria White Martins. O que acontece é que a White Martins tira de um bolso e põe no outro, e os 40% da Petrobrás vão, também, para o bolso da White Martins. A Petrobrás paga 40% do valor do transporte a preço sigiloso, sem concorrência e sem que o preço seja declarado sequer para o Tribunal Contas da União”, explicou Vinhosa.O professor e engenheiro, que por seis anos compôs o Conselho Nacional do Petróleo, alertou ainda para o fato de que os impactos negativos da parceria serão mais sentidos se o Brasil encontrar poços de gás e decidir entrar no mercado internacional. A recente descoberta do Campo de Júpiter, com previsão de capacidade de produção de gás muito grande, é apenas um exemplo do que pode vir a acontecer: “As conseqüências, que hoje já são grandes, serão ainda maiores se descobrirmos gás para explorar. Investir em um poço como esse, o Campo de Júpiter, de águas profundas, de cara exploração e produção, só será viável se o Brasil entrar no mercado internacional, já que nós não temos essa capacidade de consumo.Outro ponto destacado no programa, relacionado à garantia da soberania nacional do Brasil, foi a importância do desenvolvimento de tecnologia pela Petrobrás, para que não se criem laços de dependência eterna com as multinacionais. Nesse sentido, o Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobrás) poderia cumprir papel fundamental, utilizando-se de seus recursos humanos e materiais para a produção de tecnologia própria para a liquefação e transporte do gás natural. “Imaginem se em 1954, 1955, a Petrobrás falasse que não sabia refinar petróleo e que, por isso, ia fazer sociedade com a Shell e deixar todo o refino com ela, para vender o petróleo já refinado aos brasileiros. Até hoje estaríamos nas mãos da Shell, que argumentaria que a tecnologia de refino é dela. Outro exemplo é o a distribuição: a Petrobrás não sabia transportar e hoje transporta por navios, com a BR Distribuidora. A liquefação do gás poderia seguir o mesmo caminho”, finalizou João Vinhosa, desejando que o assunto venha à tona e ganhe cada vez mais repercussão e visibilidade, para que seja definitivamente esclarecido. Publicado originalmente: Jornal Surgente/Sindipetro-RJ.
Fonte: AEPET
Fonte: AEPET
POLÍTICA INTERNACIONAL - A ópera, a guerra e a ressurreição russa.
A ópera, a guerra e a ressurreição russa.
Deu no Le Monde Diplomatique Brasil:
Como já fizera três vezes, desde o século 18, o país ressurge, superando o trauma da derrota soviética na Guerra Fria. Além de grande potência geopolítica, recompôs sua base econômica e cresce aceleradamente. O "espírito russo" parece saltar da obra de Prokofiev direto para a vida realJosé Luís Fiori(30/05/2008)Relembro, porque causou profunda impressão, uma montagem russa, da ópera Guerra e Paz, de Serguei Prokofiev, na Bastilha. Era 1998, a União Soviética havia desaparecido, e a Rússia estava humilhada e destruída. A ópera estreou no Teatro Maly, em Leningrado, no dia 12 de junho de 1946, pouco depois da expulsão das tropas alemãs e da vitória russa na Segunda Guerra Mundial. Conta a história da invasão e expulsão das tropas francesas e da vitória da Rússia na guerra contra Napoleão Bonaparte, em 1812. Na última cena, o povo e os soldados russos cantam juntos uma peroração apoteótica, proclamando a eternidade do “espírito russo”. Com força, emoção, convencimento: inesquecível. E, de fato, depois da destruição de 1812, a Rússia reconstruiu-se e se transformou numa das principais potências européias do século 19. Após 1945, a União Soviética voltou a levantar e se transformou na segunda potência militar e econômica do mundo, na segunda metade do século 20. A exemplo de como já havia acontecido antes, em 1709, depois invasão e expulsão das tropas suecas de Carlos XII, por Pedro o Grande, quando a Rússia começou sua fantástica modernização do século 18.
[ . . . ]Em 1991, imediatamente depois da dissolução da União Soviética, os Estados Unidos e a União Européia atribuíram-se a tarefa de “administrar” a desmontagem do “império russo”. Por causa das conseqüências econômicas da queda e do problema geopolítico da Europa Central. Para os Estados Unidos, o objetivo fundamental era impedir o surgimento de uma “terra de ninguém” no leste europeu. Por isso, lideraram a expansão imediata das fronteiras da OTAN e a ocupação das posições militares que haviam sido abandonadas pelos soviéticos na Europa Central. Tal ofensiva estratégica da OTAN e da União Européia, e sua posterior intervenção militar nos Bálcãs, foi uma humilhação para os russos e provocou uma reação imediata e defensiva, que começou exatamente pela vitória eleitoral de Vladimir Putin, em 2000, e a retomada de uma estratégia militar agressiva pelo seu governo, depois de 2001. Durante seus dois governos sucessivos, o presidente Putin manteve a opção pela economia de mercado, mas rescentralizou o poder e reconstruiu o estado e a economia russa. Refez o complexo militar-industrial e nacionalizou os recursos energéticos. A Rússia ainda detém o segundo maior arsenal atômico do mundo, e o governo Putin aprovou uma nova doutrina militar que autoriza o uso de armamento nuclear, mesmo no caso de um ataque convencional à Rússia, no caso em que fracassem outros meios para repelir o agressor.
[ . . . ]Ou seja, quinze anos depois da derrota e do colapso da União Soviética, o estado russo retomou o comando de sua economia e de sua inserção internacional. E tudo indica, nesse início do século 21, que está recuperando sua importância estratégica, como maior estado territorial do mundo, o único com capacidade de intervenção por terra, por meio de suas próprias fronteiras, em todo o continente eurasiano. Por isso, é uma rematada bobagem falar da Rússia como uma potência ou uma economia emergente, quando, na verdade, se trata de uma velha e grande potência que está reocupando sua posição tradicional, na Europa, Ásia Central e Oriente Médio.Mas nenhum analista internacional consegue prever os caminhos futuros da nova ressurreição do “espírito russo”, até porque a Rússia sempre foi mais misteriosa e imprevisível do que a União Soviética. Há algumas semanas, Andre Klimov, líder liberal da Duma, afirmou que seria um erro grave, nesse momento, alguém pensar que possa "fazer com a Rússia o que bem entenda” [2]. Palavras que soam como uma advertência suave, como quem quisesse relembrar, às demais potências, a mensagem final de Serguei Prokofiev, na sua grandiosa ópera Guerra e Paz: o “espírito russo é eterno” e ressurgirá sempre, e com mais força, toda vez que o seu sagrado território for invadido; ou que o povo russo for humilhado, como aconteceu várias vezes, na história, e voltou a acontecer, no final do século 20.
José Luís Fiori é colaborador do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Leia na íntegra em http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2420
Deu no Le Monde Diplomatique Brasil:
Como já fizera três vezes, desde o século 18, o país ressurge, superando o trauma da derrota soviética na Guerra Fria. Além de grande potência geopolítica, recompôs sua base econômica e cresce aceleradamente. O "espírito russo" parece saltar da obra de Prokofiev direto para a vida realJosé Luís Fiori(30/05/2008)Relembro, porque causou profunda impressão, uma montagem russa, da ópera Guerra e Paz, de Serguei Prokofiev, na Bastilha. Era 1998, a União Soviética havia desaparecido, e a Rússia estava humilhada e destruída. A ópera estreou no Teatro Maly, em Leningrado, no dia 12 de junho de 1946, pouco depois da expulsão das tropas alemãs e da vitória russa na Segunda Guerra Mundial. Conta a história da invasão e expulsão das tropas francesas e da vitória da Rússia na guerra contra Napoleão Bonaparte, em 1812. Na última cena, o povo e os soldados russos cantam juntos uma peroração apoteótica, proclamando a eternidade do “espírito russo”. Com força, emoção, convencimento: inesquecível. E, de fato, depois da destruição de 1812, a Rússia reconstruiu-se e se transformou numa das principais potências européias do século 19. Após 1945, a União Soviética voltou a levantar e se transformou na segunda potência militar e econômica do mundo, na segunda metade do século 20. A exemplo de como já havia acontecido antes, em 1709, depois invasão e expulsão das tropas suecas de Carlos XII, por Pedro o Grande, quando a Rússia começou sua fantástica modernização do século 18.
[ . . . ]Em 1991, imediatamente depois da dissolução da União Soviética, os Estados Unidos e a União Européia atribuíram-se a tarefa de “administrar” a desmontagem do “império russo”. Por causa das conseqüências econômicas da queda e do problema geopolítico da Europa Central. Para os Estados Unidos, o objetivo fundamental era impedir o surgimento de uma “terra de ninguém” no leste europeu. Por isso, lideraram a expansão imediata das fronteiras da OTAN e a ocupação das posições militares que haviam sido abandonadas pelos soviéticos na Europa Central. Tal ofensiva estratégica da OTAN e da União Européia, e sua posterior intervenção militar nos Bálcãs, foi uma humilhação para os russos e provocou uma reação imediata e defensiva, que começou exatamente pela vitória eleitoral de Vladimir Putin, em 2000, e a retomada de uma estratégia militar agressiva pelo seu governo, depois de 2001. Durante seus dois governos sucessivos, o presidente Putin manteve a opção pela economia de mercado, mas rescentralizou o poder e reconstruiu o estado e a economia russa. Refez o complexo militar-industrial e nacionalizou os recursos energéticos. A Rússia ainda detém o segundo maior arsenal atômico do mundo, e o governo Putin aprovou uma nova doutrina militar que autoriza o uso de armamento nuclear, mesmo no caso de um ataque convencional à Rússia, no caso em que fracassem outros meios para repelir o agressor.
[ . . . ]Ou seja, quinze anos depois da derrota e do colapso da União Soviética, o estado russo retomou o comando de sua economia e de sua inserção internacional. E tudo indica, nesse início do século 21, que está recuperando sua importância estratégica, como maior estado territorial do mundo, o único com capacidade de intervenção por terra, por meio de suas próprias fronteiras, em todo o continente eurasiano. Por isso, é uma rematada bobagem falar da Rússia como uma potência ou uma economia emergente, quando, na verdade, se trata de uma velha e grande potência que está reocupando sua posição tradicional, na Europa, Ásia Central e Oriente Médio.Mas nenhum analista internacional consegue prever os caminhos futuros da nova ressurreição do “espírito russo”, até porque a Rússia sempre foi mais misteriosa e imprevisível do que a União Soviética. Há algumas semanas, Andre Klimov, líder liberal da Duma, afirmou que seria um erro grave, nesse momento, alguém pensar que possa "fazer com a Rússia o que bem entenda” [2]. Palavras que soam como uma advertência suave, como quem quisesse relembrar, às demais potências, a mensagem final de Serguei Prokofiev, na sua grandiosa ópera Guerra e Paz: o “espírito russo é eterno” e ressurgirá sempre, e com mais força, toda vez que o seu sagrado território for invadido; ou que o povo russo for humilhado, como aconteceu várias vezes, na história, e voltou a acontecer, no final do século 20.
José Luís Fiori é colaborador do Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Leia na íntegra em http://diplo.uol.com.br/2008-05,a2420
CUBA - Cuba e Estados Unidos, aproximação improvável.
Cuba já foi, na ditadura de Fulgêncio Batista, um "prostíbulo" americano. Fidel acabou com isso, mas os Estados Unidos estão doidos para transformar Cuba em mais um estado americano. Cabe lembrar que após derrotar a Espanha na Guerra Hispano-Americana em 1898, querra na qual morreu o herói nacional cubano Jose Martí, os americanos transformaram Cuba em seu protetorado. Em 1902, foi aprovada a primeira constituição cubana, mas os Estados Unidos obrigaram a inclusão no texto contitucional, da famosa "The Platt Amendement", ou Emenda Platt. Através dela, ficaram os americanos com o DIREITO de intervir em Cuba quando achassem necessário. Fidel sempre lembra que esta Emenda bem como a Doutrina Monroe, foram fatos que também motivaram sua revolução. Lembro isto, pois não faz parte do artigo a seguir do Professor José Luís Fiori.
Cuba e EUA, aproximação improvável.
Desde 1819, os EUA desejam Cuba. Tal obsessão permanente não autoriza grandes ilusões de mudanças nas relações entre os dois países. Para Washington, a ilha lhes pertence. E esta não tem como abrir mão do poder que acumulou, a partir de sua posição defensiva e resistência vitoriosa.
José Luís Fiori .
Foi logo depois da conquista da Flórida, em 1819. Os Estados Unidos só tinham 40 anos de idade, e seu território não ia além do Rio Mississipi. James Monroe era o presidente, mas foi seu secretário de Estado, John Quincy Adams, quem falou, pela primeira vez, da atração norte-americana por Cuba. Quando disse, numa reunião ministerial do governo Monroe, que “existem leis na vida política que são iguais às da física gravitacional: e por isso, se uma maçã for cortada de sua árvore nativa — pela tempestade — não terá outra escolha senão cair no chão; da mesma forma que Cuba, quando se separar da Espanha, não terá outra alternativa senão gravitar na direção da União Norte Americana. E por essa mesma lei da natureza, os americanos não poderão afastá-la do seu peito” [1]. Naquele momento, o desejo de Quincy Adams ainda não era conquistar a ilha, mas preservá-la, e por isso ordenou a seu embaixador em Madrid, que comunicasse ao governo espanhol a “repugnância norte-americana a qualquer tipo de transferência de Cuba para as mãos de outra Potência”.
Em 1819, a capacidade americana de projetar seu poder para fora de suas fronteiras nacionais ainda era muito pequena, mas a declaração de Quincy Adams explicitou um desejo e antecipou um projeto, que se realizaria plenamente a partir de 1890. Logo no início da década, o almirante Alfred Thayer Mahan publicou um livro clássico [2], que exerceu imensa influência sobre a elite dirigente americana. Sobre a importância do poder naval, das ilhas do Caribe e do Pacífico para o controle dos oceanos e a expansão das grandes potências. Logo em seguida, os Estados Unidos anexaram o Hawaii, em 1897, e venceram a Guerra Hispano-Americana, em 1898, conquistando Cuba, Filipinas e algumas outras ilhas caribenhas, onde estabeleceram um sistema de “protetorados”, como forma de governo compartido destes territórios. Logo depois da sua vitória contra a Espanha, o presidente William McKinley repetiu, frente ao Congresso Americano, em dezembro de 1989, a velha tese de Quincy Adams: “a nova Cuba precisa estar ligada a nós, americanos, por laços de particular intimidade e força, para assegurar de forma duradoura o seu bem estar” [3].
E foi o que aconteceu: os cubanos aprovaram sua primeira Constituição independente, em 1902, mas tiveram que anexar ao seu texto uma lei aprovada pelo Congresso dos EUA e imposta aos cubanos, em 1901. Era The Platt Amendement, que definia os limites e condições de exercício da independência dos islenhos. Os Estados Unidos mantinham a política externa e a política econômica de Cuba sob seu controle. Ficava assegurado o direito de intervenção dos americanos na ilha, em “caso de ameaça à vida, propriedade e liberdade individual dos cubanos” [4]. Em 1934, a Emenda Platt foi abolida, sendo substituída por um novo tratado entre os dois países. Esse assegurou o controle americano da base naval de Guantanamo e garantiu a tutela dos Estados Unidos sobre o longo período de poder de Fulgêncio Batista — que assumiu o governo de Cuba, em 1933, a bordo de um cruzador norte-americano, e depois governou Cuba, de forma direta ou indireta, até 1959.
Depois do fim da Guerra Fria, os EUA mantiveram e ampliaram sua ofensiva contra Cuba — só que em nome da democracia, e apesar de sua amizade com Vietnã e China...
Depois da Revolução Cubana, de 1959, a ilha deixou de ser a “maçã” de Quincy Adams, sem deixar de ser o “objeto do desejo” dos americanos. O novo governo revolucionário assumiu o comando da economia e da política externa, e provocou a reação imediata e violenta dos Estados Unidos. Primeiro, foi o “embargo econômico”, imposto pelo governo Eisenhower, em 1960, e logo depois, a ruptura das relações diplomáticas, em 1961. Em seguida, o governo Kennedy promoveu e apoiou a frustrada invasão da Bahia dos Porcos, a expulsão cubana da Organização dos Estados Americanos, e vários atentados contra dirigentes cubanos. No início, os Estados Unidos justificaram sua reação, como defesa das propriedades americanas expropriadas pelo governo cubano, em 1960, e como contenção da ameaça comunista, situada a 145 quilômetros do seu território. Mas depois de 1991 — do fim da URSS e da Guerra Fria — os Estados Unidos mantiveram e ampliaram sua ofensiva contra Cuba, só que agora, em nome da democracia, apesar de manterem relações amistosas com o Vietnã e a China. No auge da crise econômica provocada pelo fim das relações preferenciais com a economia soviética, entre 1989 e 1993, os governos de George Bush e Bill Clinton, tentaram um xeque-mate contra Cuba. Proibiram as empresas transacionais norte-americanas, instaladas no exterior, de negociarem com os cubanos, e depois, impuseram penalidades às empresas estrangeiras que tivessem negócios com a ilha, por meio da Lei Helms-Burton, de 1996.
A atração precoce e obsessão permanente dos Estados Unidos não autorizam grandes ilusões de mudanças nos dois países neste momento. Do ponto de vista americano, Cuba lhes pertence, e está incluída na sua “zona de segurança”. Além disso, aos seus olhos, a posição soberana dos cubanos transforma a ilha num aliado potencial dos países que se propõem a exercer influência no continente americano de forma competitiva com os Estados Unidos. Por fim, Cuba já se transformou em símbolo e resistência que é intolerável para os seus vizinhos americanos. Por isso, o objetivo principal dos Estados Unidos, em qualquer negociação futura, será sempre o de fragilizar e destruir o núcleo duro do poder cubano.
Por sua vez, Cuba não tem como abrir mão do poder que acumulou a partir de sua posição defensiva e resistência vitoriosa. A hipótese de uma “saída chinesa” para Cuba é improvável, porque se trata de um país pequeno, com baixa densidade demográfica, e com uma economia que não dispõe da massa crítica indispensável para uma relação complementar e competitiva com os norte-americanos. Assim, apesar da mobilização internacional a favor de mudanças nas relações entre os dois países, o mais provável é que os Estados Unidos mantenham sua obsessão de punir e enquadrar Cuba; e que essa se mantenha na defensiva e lutando contra a lei da gravidade, formulada por John Quincy Adams, em 1819.
Fonte: Le Monde Diplomatique
Cuba e EUA, aproximação improvável.
Desde 1819, os EUA desejam Cuba. Tal obsessão permanente não autoriza grandes ilusões de mudanças nas relações entre os dois países. Para Washington, a ilha lhes pertence. E esta não tem como abrir mão do poder que acumulou, a partir de sua posição defensiva e resistência vitoriosa.
José Luís Fiori .
Foi logo depois da conquista da Flórida, em 1819. Os Estados Unidos só tinham 40 anos de idade, e seu território não ia além do Rio Mississipi. James Monroe era o presidente, mas foi seu secretário de Estado, John Quincy Adams, quem falou, pela primeira vez, da atração norte-americana por Cuba. Quando disse, numa reunião ministerial do governo Monroe, que “existem leis na vida política que são iguais às da física gravitacional: e por isso, se uma maçã for cortada de sua árvore nativa — pela tempestade — não terá outra escolha senão cair no chão; da mesma forma que Cuba, quando se separar da Espanha, não terá outra alternativa senão gravitar na direção da União Norte Americana. E por essa mesma lei da natureza, os americanos não poderão afastá-la do seu peito” [1]. Naquele momento, o desejo de Quincy Adams ainda não era conquistar a ilha, mas preservá-la, e por isso ordenou a seu embaixador em Madrid, que comunicasse ao governo espanhol a “repugnância norte-americana a qualquer tipo de transferência de Cuba para as mãos de outra Potência”.
Em 1819, a capacidade americana de projetar seu poder para fora de suas fronteiras nacionais ainda era muito pequena, mas a declaração de Quincy Adams explicitou um desejo e antecipou um projeto, que se realizaria plenamente a partir de 1890. Logo no início da década, o almirante Alfred Thayer Mahan publicou um livro clássico [2], que exerceu imensa influência sobre a elite dirigente americana. Sobre a importância do poder naval, das ilhas do Caribe e do Pacífico para o controle dos oceanos e a expansão das grandes potências. Logo em seguida, os Estados Unidos anexaram o Hawaii, em 1897, e venceram a Guerra Hispano-Americana, em 1898, conquistando Cuba, Filipinas e algumas outras ilhas caribenhas, onde estabeleceram um sistema de “protetorados”, como forma de governo compartido destes territórios. Logo depois da sua vitória contra a Espanha, o presidente William McKinley repetiu, frente ao Congresso Americano, em dezembro de 1989, a velha tese de Quincy Adams: “a nova Cuba precisa estar ligada a nós, americanos, por laços de particular intimidade e força, para assegurar de forma duradoura o seu bem estar” [3].
E foi o que aconteceu: os cubanos aprovaram sua primeira Constituição independente, em 1902, mas tiveram que anexar ao seu texto uma lei aprovada pelo Congresso dos EUA e imposta aos cubanos, em 1901. Era The Platt Amendement, que definia os limites e condições de exercício da independência dos islenhos. Os Estados Unidos mantinham a política externa e a política econômica de Cuba sob seu controle. Ficava assegurado o direito de intervenção dos americanos na ilha, em “caso de ameaça à vida, propriedade e liberdade individual dos cubanos” [4]. Em 1934, a Emenda Platt foi abolida, sendo substituída por um novo tratado entre os dois países. Esse assegurou o controle americano da base naval de Guantanamo e garantiu a tutela dos Estados Unidos sobre o longo período de poder de Fulgêncio Batista — que assumiu o governo de Cuba, em 1933, a bordo de um cruzador norte-americano, e depois governou Cuba, de forma direta ou indireta, até 1959.
Depois do fim da Guerra Fria, os EUA mantiveram e ampliaram sua ofensiva contra Cuba — só que em nome da democracia, e apesar de sua amizade com Vietnã e China...
Depois da Revolução Cubana, de 1959, a ilha deixou de ser a “maçã” de Quincy Adams, sem deixar de ser o “objeto do desejo” dos americanos. O novo governo revolucionário assumiu o comando da economia e da política externa, e provocou a reação imediata e violenta dos Estados Unidos. Primeiro, foi o “embargo econômico”, imposto pelo governo Eisenhower, em 1960, e logo depois, a ruptura das relações diplomáticas, em 1961. Em seguida, o governo Kennedy promoveu e apoiou a frustrada invasão da Bahia dos Porcos, a expulsão cubana da Organização dos Estados Americanos, e vários atentados contra dirigentes cubanos. No início, os Estados Unidos justificaram sua reação, como defesa das propriedades americanas expropriadas pelo governo cubano, em 1960, e como contenção da ameaça comunista, situada a 145 quilômetros do seu território. Mas depois de 1991 — do fim da URSS e da Guerra Fria — os Estados Unidos mantiveram e ampliaram sua ofensiva contra Cuba, só que agora, em nome da democracia, apesar de manterem relações amistosas com o Vietnã e a China. No auge da crise econômica provocada pelo fim das relações preferenciais com a economia soviética, entre 1989 e 1993, os governos de George Bush e Bill Clinton, tentaram um xeque-mate contra Cuba. Proibiram as empresas transacionais norte-americanas, instaladas no exterior, de negociarem com os cubanos, e depois, impuseram penalidades às empresas estrangeiras que tivessem negócios com a ilha, por meio da Lei Helms-Burton, de 1996.
A atração precoce e obsessão permanente dos Estados Unidos não autorizam grandes ilusões de mudanças nos dois países neste momento. Do ponto de vista americano, Cuba lhes pertence, e está incluída na sua “zona de segurança”. Além disso, aos seus olhos, a posição soberana dos cubanos transforma a ilha num aliado potencial dos países que se propõem a exercer influência no continente americano de forma competitiva com os Estados Unidos. Por fim, Cuba já se transformou em símbolo e resistência que é intolerável para os seus vizinhos americanos. Por isso, o objetivo principal dos Estados Unidos, em qualquer negociação futura, será sempre o de fragilizar e destruir o núcleo duro do poder cubano.
Por sua vez, Cuba não tem como abrir mão do poder que acumulou a partir de sua posição defensiva e resistência vitoriosa. A hipótese de uma “saída chinesa” para Cuba é improvável, porque se trata de um país pequeno, com baixa densidade demográfica, e com uma economia que não dispõe da massa crítica indispensável para uma relação complementar e competitiva com os norte-americanos. Assim, apesar da mobilização internacional a favor de mudanças nas relações entre os dois países, o mais provável é que os Estados Unidos mantenham sua obsessão de punir e enquadrar Cuba; e que essa se mantenha na defensiva e lutando contra a lei da gravidade, formulada por John Quincy Adams, em 1819.
Fonte: Le Monde Diplomatique
ANOS DE CHUMBO VII - Entrevista com Arthur Poerner.
"A ditadura se viu obrigada a tirar o que lhe restava de máscara democrática".
Por Pedro Venceslau.
Em 1968, Arthur José Poerner era redator e articulista do Correio da Manhã, um dos raros veículos de comunicação a fazer frente à ditadura no Brasil. Mas não foi apenas dali que ele acompanhou os turbulentos dias que marcaram aquele ano. O jornalista e escritor esteve envolvido desde o início das manifestações estudantis no Rio de Janeiro, tendo inclusive carregado o caixão do estudante Edson Luis, morte que foi o estopim dos protestos dos jovens contra o regime autoritário.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Poerner, autor do livro O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros, dá a sua versão do significado de 1968 para o Brasil. Fórum – Como foi o ano de 1968 para você?
Arthur Poerner - Em 1968, aos 28 anos, eu chegava ao sexto de carreira jornalística, como redator e articulista do Correio da Manhã, que liderava a resistência à ditadura na imprensa, e ao meu terceiro livro, O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros, lançado pela Civilização Brasileira e um dos mais vendidos já no segundo nº da Veja, em 18 de setembro. Era quintanista da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ) e, desde julho de 1966, o mais jovem brasileiro atingido por decreto presidencial de suspensão dos direitos políticos por 10 anos, o que me obrigara a renunciar à direção do semanário Folha da Semana, também do Rio de Janeiro, ligado ao Partido Comunista Brasileiro.
Rebelde sem causa até 1960, quando deixara a Escola Naval como aspirante da Marinha de Guerra, eu me politizaria e conscientizaria socialmente em viagens pelo Nordeste e pela Amazônia, como comissário de bordo da Cruzeiro do Sul, e com a ajuda do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), onde muito me impressionara a entusiasmada palestra de Jean-Paul Sartre sobre a Revolução Cubana. A fracassada invasão promovida pelos EUA na Baía dos Porcos, em 1961, já me encontrou na esquerda, mas só me organizei politicamente com o golpe militar, quando, decidido a resistir, procurei me aproximar do Partido Comunista. Por isto, na Passeata dos Cem Mil, em 26 de junho de 1968, eu gritava "Povo organizado derruba a ditadura!", e não "Povo armado derruba a ditadura !".
Fórum - Quais ações da época foram equivocadas e quais foram corretas? O que poderia ter sido feito e não foi?
Poerner - Os que preconizavam a organização e a luta de massas para derrotar a ditadura no Brasil não incorreram, a meu ver, em equívocos relevantes em suas ações. Levaram-nas aos limites possíveis, que se esgotaram com a edição do AI-5, em 13 de dezembro, quando, com os colegas, também escritores, Edmundo Moniz e Franklin de Oliveira, tive que deixar a redação do jornal, num terceiro andar, pela janela, enquanto forças policial-militares a invadiam e o radialista Alberto Cury lia os drásticos dispositivos do ato em cadeia nacional. A luta armada, sim, foi um equívoco de estratégia política, mas é fácil dizê-lo 40 anos depois. À época, também tive dúvidas e nutri esperanças. Fórum – Qual o legado que ficou de 1968?
Poerner - Depois daquele ano, o mundo não foi mais o mesmo, embora o que a compulsão simplificadora da mídia relembre hoje como 68 tenha sido uma rebelião plural e diversificada, isto é, vários 68 coincidindo, com as suas peculiaridades locais, em diversos países. A nossa, por exemplo, foi deflagrada quando a Polícia Militar do Rio, então sob o comando do Exército, matou, no restaurante estudantil do Calabouço, em 28 de março, o estudante Edson Luís, que participava com colegas de manifestação pela melhoria da comida e da higiene; a francesa começou quando os universitários de Nanterre resolveram exigir o fim das barreiras que separavam os dormitórios masculino e feminino no campus. Não deixa de ser interessante distinção entre as aflições do terceiro e do primeiro mundos. No Brasil, a ditadura se viu obrigada a tirar o que lhe restava de máscara democrática, o que contribuiria para o seu inglório final; na França, as mulheres casadas se livraram da até então obrigatória autorização dos maridos para abrir contas bancárias, e as relações entre professores e alunos se tornaram menos autoritárias (já podem até se tratar por “tu”); pelo mundo afora, - México, Alemanha, Tchecoslováquia, etc. - , um alento libertário sacudiu relações anacrônicas de poder e ridicularizou a caretice, reforçando os movimentos ecológicos, feministas, das minorias raciais e sexuais; enfim, fortalecendo a luta mundial pela igualdade e pelos direitos humanos. O que resta a explicar - a ciência ainda não o conseguiu - é porque tudo isso aconteceu em 1968, inaugurado com a grande ofensiva do Tet (ano novo lunar) da Frente de Libertação Nacional do Vietnã. Algo a ver ?
Fonte: Revista Fórum.
Por Pedro Venceslau.
Em 1968, Arthur José Poerner era redator e articulista do Correio da Manhã, um dos raros veículos de comunicação a fazer frente à ditadura no Brasil. Mas não foi apenas dali que ele acompanhou os turbulentos dias que marcaram aquele ano. O jornalista e escritor esteve envolvido desde o início das manifestações estudantis no Rio de Janeiro, tendo inclusive carregado o caixão do estudante Edson Luis, morte que foi o estopim dos protestos dos jovens contra o regime autoritário.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Poerner, autor do livro O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros, dá a sua versão do significado de 1968 para o Brasil. Fórum – Como foi o ano de 1968 para você?
Arthur Poerner - Em 1968, aos 28 anos, eu chegava ao sexto de carreira jornalística, como redator e articulista do Correio da Manhã, que liderava a resistência à ditadura na imprensa, e ao meu terceiro livro, O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros, lançado pela Civilização Brasileira e um dos mais vendidos já no segundo nº da Veja, em 18 de setembro. Era quintanista da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ) e, desde julho de 1966, o mais jovem brasileiro atingido por decreto presidencial de suspensão dos direitos políticos por 10 anos, o que me obrigara a renunciar à direção do semanário Folha da Semana, também do Rio de Janeiro, ligado ao Partido Comunista Brasileiro.
Rebelde sem causa até 1960, quando deixara a Escola Naval como aspirante da Marinha de Guerra, eu me politizaria e conscientizaria socialmente em viagens pelo Nordeste e pela Amazônia, como comissário de bordo da Cruzeiro do Sul, e com a ajuda do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), onde muito me impressionara a entusiasmada palestra de Jean-Paul Sartre sobre a Revolução Cubana. A fracassada invasão promovida pelos EUA na Baía dos Porcos, em 1961, já me encontrou na esquerda, mas só me organizei politicamente com o golpe militar, quando, decidido a resistir, procurei me aproximar do Partido Comunista. Por isto, na Passeata dos Cem Mil, em 26 de junho de 1968, eu gritava "Povo organizado derruba a ditadura!", e não "Povo armado derruba a ditadura !".
Fórum - Quais ações da época foram equivocadas e quais foram corretas? O que poderia ter sido feito e não foi?
Poerner - Os que preconizavam a organização e a luta de massas para derrotar a ditadura no Brasil não incorreram, a meu ver, em equívocos relevantes em suas ações. Levaram-nas aos limites possíveis, que se esgotaram com a edição do AI-5, em 13 de dezembro, quando, com os colegas, também escritores, Edmundo Moniz e Franklin de Oliveira, tive que deixar a redação do jornal, num terceiro andar, pela janela, enquanto forças policial-militares a invadiam e o radialista Alberto Cury lia os drásticos dispositivos do ato em cadeia nacional. A luta armada, sim, foi um equívoco de estratégia política, mas é fácil dizê-lo 40 anos depois. À época, também tive dúvidas e nutri esperanças. Fórum – Qual o legado que ficou de 1968?
Poerner - Depois daquele ano, o mundo não foi mais o mesmo, embora o que a compulsão simplificadora da mídia relembre hoje como 68 tenha sido uma rebelião plural e diversificada, isto é, vários 68 coincidindo, com as suas peculiaridades locais, em diversos países. A nossa, por exemplo, foi deflagrada quando a Polícia Militar do Rio, então sob o comando do Exército, matou, no restaurante estudantil do Calabouço, em 28 de março, o estudante Edson Luís, que participava com colegas de manifestação pela melhoria da comida e da higiene; a francesa começou quando os universitários de Nanterre resolveram exigir o fim das barreiras que separavam os dormitórios masculino e feminino no campus. Não deixa de ser interessante distinção entre as aflições do terceiro e do primeiro mundos. No Brasil, a ditadura se viu obrigada a tirar o que lhe restava de máscara democrática, o que contribuiria para o seu inglório final; na França, as mulheres casadas se livraram da até então obrigatória autorização dos maridos para abrir contas bancárias, e as relações entre professores e alunos se tornaram menos autoritárias (já podem até se tratar por “tu”); pelo mundo afora, - México, Alemanha, Tchecoslováquia, etc. - , um alento libertário sacudiu relações anacrônicas de poder e ridicularizou a caretice, reforçando os movimentos ecológicos, feministas, das minorias raciais e sexuais; enfim, fortalecendo a luta mundial pela igualdade e pelos direitos humanos. O que resta a explicar - a ciência ainda não o conseguiu - é porque tudo isso aconteceu em 1968, inaugurado com a grande ofensiva do Tet (ano novo lunar) da Frente de Libertação Nacional do Vietnã. Algo a ver ?
Fonte: Revista Fórum.
MÍDIA - Benefícios de possuir um blog.
Expressar sentimentos num blog faz bem à saude, diz pesquisa.
Expressar seus pensamentos e emoçoes através de um blog pode bom para a saúde, diz uma materia da revista Scientific American . Entre os beneficios de se expressar atraves da escrita estao a melhoria a memória e do sono, o estimulo à atividade imunológica das celulas e a aceleraçao da recuperaçao após uma cirurgia. Em fevereiro, um estudo na França com pacientes com cancer indicou que os que se envolveram com a escrita logo antes do tratamento se sentiram melhor, mental e fisicamente, do que os que nao fizeram isso. Ainda segundo a materia, blogar pode liberar dopamina, um neurotransmissor que estimula o sistema nervoso central, da mesma maneira que outras atividades como ouvir musica, correr ou ver obras de arte. E ainda mais, a possibilidade de resposta imediata oferece a quem escreve o beneficio de encontrar outras pessoas em situaçao similar. (fonte: Bluebus)
Expressar seus pensamentos e emoçoes através de um blog pode bom para a saúde, diz uma materia da revista Scientific American . Entre os beneficios de se expressar atraves da escrita estao a melhoria a memória e do sono, o estimulo à atividade imunológica das celulas e a aceleraçao da recuperaçao após uma cirurgia. Em fevereiro, um estudo na França com pacientes com cancer indicou que os que se envolveram com a escrita logo antes do tratamento se sentiram melhor, mental e fisicamente, do que os que nao fizeram isso. Ainda segundo a materia, blogar pode liberar dopamina, um neurotransmissor que estimula o sistema nervoso central, da mesma maneira que outras atividades como ouvir musica, correr ou ver obras de arte. E ainda mais, a possibilidade de resposta imediata oferece a quem escreve o beneficio de encontrar outras pessoas em situaçao similar. (fonte: Bluebus)
MST - A necessidade de mídias da classe trabalhadora.
Gostaria de informar que aquí no meu blog, o MST sempre terá espaço. Digo isso porque passei cerca de 10 anos, de 1965 a 1975, visitando, em função do meu trabalho, mais de uma centena de propriedades rurais, nos Estados do Paraná e Minas Gerais. Nesse período, pude constatar "in loco", como de um modo geral, os trabalhadores rurais são tratados como cidadãos de segunda classe. Isto em dois Estados da região sudeste, mais rica do que as regiões norte, nordeste. Vi trabalho escravo, vi a situação dos "bóias-fria", vi a cumplicidade da justiça com os grandes proprietários, etc. Pelo jeito, tudo continua como antes ou pior, daí a importância de movimentos como o MST, que não tem espaço na grande imprensa e só aparece nela para ser criminalizado.
STÉDILE, DO MST, CHAMA À CONSTRUÇÃO DE MÍDIAS DA CLASSE TRABALHADORA .
Por Arthur Willian e Raquel Júnia, da redação.
Em entrevista concedida ao Boletim do NPC e ao Fazendo Media, o membro da coordenação nacional do MST João Pedro Stédile deixa claro o acúmulo que o Movimento tem sobre a comunicação. Aos estudantes de jornalismo Arthur Willian e Raquel Júnia, Stédile fala no almoço, entre uma garfada e outra, sobre o papel do estudante, sobretudo de jornalismo; a necessidade de se construir mídias da classe trabalhadora e a atuação dos meios de comunicação da burguesia.Para João Pedro, não deve haver obrigatoriedade de diploma para ser comunicador. A entrevista foi feita após a participação de Stédile no Congresso dos Trabalhadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), no dia 6 de maio.O senhor comentou sobre essa questão da mídia assumir hoje o papel de disseminar a ideologia da classe dominante. A solução a esse contexto seria a criação de uma mídia da classe trabalhadora?João Pedro Stédile - Quando a sociedade brasileira, estava ainda sob a égide do capital industrial, os trabalhadores tinham diversas formas de organização social, tinham o sindicato, a associação de bairro, o partido e a escola. O capital industrial reproduzia a sua ideologia, a sua hegemonia, a sua forma de ver o mundo nesses espaços onde a classe trabalhadora estava organizada.O capital dirigia a escola, dirigia o sindicato e influenciava por aí o partido porque os partidos nasceram na República não só para eleger pessoas, mas para reproduzir o projeto da burguesia. Agora nós estamos em uma outra etapa do capital, em que ele usa outras formas de dominação. Basicamente é o capital financeiro, são as empresas internacionalizadas, e para esse capital financeiro e para as empresas internacionais é muito difícil dirigir ideologicamente os trabalhadores porque, inclusive, eles não estão mais organizados como antes. Aqui mesmo, no Brasil, só 51% da população economicamente ativa tem carteira assinada, isso significa que a metade dos trabalhadores está dispersa no trabalho informal, sem nenhuma forma de organização.Nessa etapa que ficou mais conhecida como neoliberalismo, como o capital reproduz a sua forma de ver o mundo? Através da televisão, dos grandes meios de comunicação, jornal e revista mais para a classe média, pequena burguesia, setores intelectualizados, das universidades, e a televisão e o rádio para a grande massa, que agora está dispersa. Então, o balanço crítico que nós fizemos, as reflexões que temos com esses setores que acompanham mais a imprensa, é que a grande imprensa se transformou em uma arma poderosa na mão do capital. Primeiro porque ela não se preocupa com a neutralidade da informação, ela usa a informação como uma mercadoria, então, ela tem que ganhar dinheiro vendendo uma idéia. O segundo problema é que a imprensa virou um monopólio, sete ou oito grupos no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão, na Europa. Esse monopólio é importante para a classe dominante porque é a maneira deles controlarem; por isso é que no Brasil, quando algum jornal resolve nos atacar, todos atacam porque é um monopólio.O terceiro fato é que a imprensa está misturada com grandes grupos econômicos, não são mais aquelas famílias, aqueles jornalistas históricos, nem sequer são os Marinho, os Marinho são frutos do período anterior. Agora a grande imprensa se mistura como grupo econômico, em todos os grupos econômicos do capital financeiro e internacional. Não é por nada que a Abril foi vendida para um banco da África do Sul, não é por nada que a Telefônica tem ações na Folha, e assim sucessivamente, ou seja, o grande capital controla por meio de acumulação. Bem, para fazer frente a isso, é preciso primeiro que a classe trabalhadora se conscientize, saia daquela visão, daquela ilusão de que a imprensa é democrática, republicana, ouve os dois lados e é neutra e ao mesmo tempo construa novos meios de comunicação. Esses novos meios têm que representar em primeiro lugar um avanço em termos democráticos, ou seja, eles têm que levar a informação mais ampla possível para as massas. Segundo, tem um componente ideológico que é explicar o mundo e os fatos pelo olhar dos trabalhadores.Então não seria uma imprensa neutra?João Pedro Stédile - Tampouco é uma imprensa neutra. Isso no ideológico, mas ela tem que ser democrática no sentido de apresentar as várias formas que a classe trabalhadora tem de interpretar o mundo, também não há uma só visão da classe trabalhadora de ver o mundo. Há várias visões, então nisso ela tem que ser plural, não pode ser única, mas ela tem que ser um olhar das maiorias da classe trabalhadora. E combater o uso da imprensa como mercadoria, como forma de ganhar dinheiro, de explorar, que é isso que está, inclusive, na base das distorções dos próprios profissionais de imprensa, que reproduziu a mesma desigualdade social nos meios de comunicação. Os editores que são os zeladores da linha editorial ganham fortunas. Uma editora aqui no Brasil ganha mais do que nos Estados Unidos e na Europa. E por outro lado, como vocês dizem, os foquinhas, os repórteres recém formados, ganham salários abaixo do que a classe trabalhadora humilde ganha – mil e duzentos reais, três salários mínimos – isso não é nada.O senhor mencionou a televisão, mas talvez esse meio, juntamente com o rádio, apresente dificuldades maiores para que seja de fato da classe trabalhadora, por causa da legislação restritiva e outros fatores. Quais seriam os caminhos, então, para construirmos efetivamente essa mídia da classe trabalhadora?João Pedro Stédile - Eu acho que a maior restrição da televisão é o poder econômico mesmo, porque no caso brasileiro, inclusive o território é grande, para você chegar a amplas massas tem que ter canais de difusão potentíssimos, que custam milhões de dólares, e isso a classe trabalhadora não tem. Mas para a nossa sorte aquela forma da classe dominante de usar os meios de comunicação tem contradições também, não é assim, passe de mágica.Tudo no mundo tem contradições e uma das contradições da televisão é que ela é efêmera, ela te dá uma informação e tu esqueces porque tu viras um espectador. A segunda contradição é que a juventude já cansou, a juventude sempre quer mudar, então entre quatorze e vinte e oito anos os índices da audiência são baixíssimos, são ridículos; a televisão hoje consegue influenciar ideologicamente as camadas de maioridade, acima de 50 anos, e abaixo de dez anos. Então, a juventude procura outras alternativas, e isso é positivo para nós.Agora, a segunda parte da sua pergunta, essas mudanças em construir outros e novos tipos de comunicação, essas mudanças para deixar a nossa sociedade mais democrática, não aconteceram separadas das mudanças gerais da sociedade. Só vão acontecer quando o Brasil fizer um grande movimento de massas que derrote o neoliberalismo, derrote o capital financeiro e o capital internacional, ou seja, derrote essa forma de dominação do capital.Com isso então abrirá espaços para mudanças estruturais na sociedade brasileira nos vários campos, abrirá espaços para termos uma educação universalizada para todo o jovem entrar na universidade, abrirá espaço para todo mundo ter direito à sua casa, uma moradia digna, abrirá espaço para a reforma agrária e abrirá espaço, então, para que a sociedade organize de uma maneira diferente a forma de se comunicar.A TV Brasil, chamada de TV Pública, atende essa demanda dos movimentos sociais ou está aquém disso?João Pedro Stédile - A TV pública é uma boa iniciativa no sentido do estado chamar para si, sem ser governamental. Mas se o Estado, o público no Brasil, ainda é dominado pelo capital financeiro e internacional, o espaço de manobra da TV Pública, embora na sua origem a idéia é boa, vai ser limitadíssimo. Porque o estado é que vai controlá-la, não são os movimentos sociais, e o estado está sob a hegemonia ideológica e do poder econômico do capital financeiro e internacional. Então eu acho que é uma idéia que só vai alcançar plenitude quando houver essas outras mudanças que eu falei, quando houver mudanças do modelo econômico do Brasil.Paralelamente eu poderia comparar com a Petrobrás. A Petrobrás é uma empresa estatal, embora já metade do seu capital seja estrangeiro; na idéia é importante, o petróleo que é uma energia importante tem que estar sob o controle do estado para beneficiar a todos, mas o jeito que o capital financeiro fez, manteve 51% da administração do estado e se apropriou das ações para ter o lucro da Petrobrás.Então a Petrobrás do jeito que está hoje apenas reproduziu o modelo do capital financeiro, ela não serve. Ah, então você é contra a Petrobrás? Não, mas eu acho que a idéia boa da Petrobrás só vai se realizar em plenitude quando tivermos um outro modelo econômico, que reorganize a economia para atender as necessidades da população, aí sim vai ser fundamental termos uma empresa pública como a Petrobrás a serviço do povo.Qual deve ser o papel dos comunicadores com vistas a esse novo modelo? Só para complementar a pergunta, o senhor é a favor da obrigatoriedade do diploma para jornalista?João Pedro Stédile - Não faz sentido, todo o povo se comunica. É claro que existem técnicas de você fazer o melhor, mas as pessoas não necessariamente podem dominar essas técnicas em um banco escolar. Eu acho que nós devemos estimular que todos os militantes sociais sejam comunicadores, que eles escrevam notícias, que eles falem, que eles saibam editar um programa de rádio.Sem desmerecer o papel que a universidade como um centro acadêmico tem de aprimorar as técnicas, de preparar profissionais mais capacitados, mas esse papel não pode ser exclusivo, sobretudo porque a comunicação é, acima de tudo, um direito, uma forma de expressão cultural do povo, então não pode ser restrita a alguns profissionais só porque tem o diploma.Mas então qual seria o diferencial dessa pessoa que tem um diploma, uma formação acadêmica, dos demais comunicadores populares, diríamos?João Pedro Stédile - Eu acho que ele tem muitas funções em um outro modelo, ele pode ajudar a formar melhor os comunicadores populares que não têm formação acadêmica, ele pode aprimorar a técnica nas redações, nas rádios, ele pode contribuir para que as coisas sejam feitas de uma maneira mais profissional, mas não pode ser exclusiva dele essa missão.Vou comparar com outro exemplo, para você pregar uma doutrina religiosa não precisa ser padre, não precisa ter o título de teólogo, qualquer pessoa se estudar um pouco, ler, pode ser um pregador de uma idéia religiosa, e para isso não precisa ser teólogo. E às vezes os melhores pregadores são os pregadores populares que dominam a cultura. Isso não quer dizer que não é necessário teólogos, eles vão se aprimorar, vão fazer a exegese, no caso de vocês, como profissionais da comunicação, vão fazer a exegese da luta de classe, vão interpretar melhor, mas não pode ser exclusivo de quem passa na universidade.Essa seria, então, nossa função? Se o senhor estivesse em nossas universidades o que o senhor falaria para os estudantes de comunicação sobre a forma pela qual eles podem contribuir, por exemplo, para a luta do MST?João Pedro Stédile - Não pretendo ser pedante, nem existe manual com regra, faça isso, faça aquilo. Mas eu acho que os estudantes de comunicação, assim como qualquer outro estudante universitário de outras carreiras, a sua missão principal na conjuntura atual, e é disso que nós estamos falando, é serem pessoas conscientes, terem conhecimento da realidade em que vivem.Esse é o primeiro passo, deixar de ser alienado, de ser manipulado por outros, e isso as pessoas só adquirem com estudo, participando da luta social, vivenciando os problemas da nossa sociedade. É assim que as pessoas viram conscientes, ou seja, como vem do latim, conhecer a realidade, isso é que é ser consciente. Então esse é o primeiro passo, até porque os estudantes universitários são privilegiados na sociedade atual, só oito, dez por cento de jovens chegam às universidades, então, os que chegam deveriam ter a consciência de conhecer melhor a realidade e ajudar a organizar para que outras pessoas também se conscientizem para mudá-la.Evidentemente que eu não estou colocando a responsabilidade de achar que os estudantes universitários vão mudar a realidade brasileira, isso é uma tarefa de milhões e do povo, mas os estudantes universitários, por serem um setor social privilegiado que tem acesso ao conhecimento, podem colocar os seus conhecimentos para ajudar a conscientizar outras pessoas e organizá-las.Isso seria então a segunda missão histórica, embora nessa conjuntura, ajudar a conscientizar outras pessoas. E você ajuda de muitas formas, fazendo um boletim, fazendo um programa de rádio, fazendo uma reunião no centro acadêmico, fazendo uma reunião onde tu mora; as formas dependem do meio onde tu vive, e são infinitas, não há regras e nem grau de prioridade. Terceiro, como missão, eu acho que os estudantes de comunicação deveriam então contribuir também para levar essa leitura de que todos os movimentos e setores da classe precisam se comunicar, terem seus meios de comunicação.E assim, com a sua profissão e a sua consciência, ajudar que a classe organize esses meios de comunicação para que ela se comunique com a base, com seus vizinhos e com a sociedade em geral. Tudo isso só tem um sentido se as pessoas obviamente se colocarem também, como missão histórica, de que querem lutar contra as injustiças e mudar a sociedade. Se você está satisfeito com a sociedade brasileira, com o jeito que ela funciona, então, as três missões anteriores não tem sentido nenhum. Então, faz parte também da missão do jovem consciente, se dispor a lutar para mudar a sociedade.Tem uma música do Rappa que diz que “hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa”. As tecnologias permitiram uma pulverização da produção da mídia o que acabou sendo uma individualização, a pessoa que tem um computador pode produzir um vídeo, um 'blog', uma mídia qualquer, só que a recepção é muito menor, poucas pessoas ouvem as 'webradios', poucas pessoas acessam os 'blogs'. O que você acha desse fenômeno de facilidade de produção, mas também dificuldade de recepção dessa produção midiática?João Pedro Stédile - É essa pluralidade que eu estava falando antes, eu acho que nós não podemos nos ater, 'ah o prioritário é isso ou aquilo', mas procurar potencializar todas as formas de comunicação. É claro que algumas são mais massivas, outras são mais individualistas, mas eu acho que na soma todas são importantes.Mas também não é uma luta de Davi contra Golias, de um lado a grande imprensa, de outro, as pequenas imprensas alternativas, com dificuldades de financiamento e sem conseguirem ter uma audiência tão grande quanto a grande mídia.João Pedro Stédile - Não se preocupe com isso, com você bem usou o exemplo bíblico, no final da história o Davi vai ganhar. Vocês são jovens e não viveram o período da ditadura militar, o período da ditadura militar foi ainda mais hegemônico do capital e dos meios de comunicação, tanto é que essa estrutura atual, se formou lá. Aí as pessoas que queriam mudar a sociedade, que queriam lutar contra a ditadura se sentiam ainda mais fracas, frágeis diante do tamanho do Golias.Mas se você considerar que o que muda a sociedade é a consciência das pessoas, e que a consciência das pessoas não se compra, nem se vende, em algum momento as massas vão despertando, vão tendo conhecimentos que levam a elas se moverem contra as injustiças. E aí é que tu vê que tudo que você fizer para levar algum conhecimento para as massas é importante. O que eu acho é que nós devemos ser criteriosos nessa pluralidade dos meios de comunicação é com o foco para levar informação, levar consciência. Nesse sentido devemos priorizar os trabalhadores, os pobres.Se você ficar fazendo comunicação de internet para informar outro pequeno burguês ou camada da classe média que já está acomodada, aí a sua comunicação não serve para nada porque ela vai ser uma comunicação pequeno burguesa, no fundo vai ser alienante. Aí seria unicamente pelo exercício de exercitar, para ser redundante, um meio de comunicação novedoso como a internet, como um blog. Então, eu acho que aí o diferencial não está no instrumento, mas para quem ele se dirige, tu pode fazer um bom programa de rádio para as massas populares, e pode fazer um programa de rádio muito bem feito mas uma porcaria, porque vai ser só para a classe média que está interessada na última moda de Paris.Você pode fazer um bom programa jornalístico, explicando as tendências da moda, quais são os principais estilistas, qual foi o último lançamento em Paris, e ser um programa de rádio agradável, todo mundo ficar ouvindo, mas serve para que? Quem é que está ouvindo? Mais do que o instrumento é para quem se dirige. Então, se é para eu dar algum conselho eu daria esse: se preocupem em fazer comunicação que ajude a classe trabalhadora, que ajude os pobres, para que eles possam entender melhor o mundo, porque somente eles poderão transformá-lo. Não há outra força que possa transformar a sociedade, mudar a sociedade, deixar a sociedade mais progressista, mais democrática, mais justa, se não a força das massas organizadas.O senhor pode comentar a atitude recente da companhia Vale do Rio Doce em entrar com uma ação na justiça contra o senhor...João Pedro Stédile - Primeiro para os leitores ou ouvintes de vocês entenderem a natureza da nossa luta contra a Vale é preciso explicar que há dois tipos de luta que estão sendo travadas agora. Uma de caráter mais macro, mais político, que é a luta de todo o povo brasileiro para reestatizar a Vale, da qual o MST é um mero figurante. O plebiscito que consultou o povo do qual participaram cinco, seis milhões de pessoas, foi organizado por 280 movimentos, alguns locais, outros nacionais, participaram como mesárias de urnas, 150 mil pessoas, portanto é um movimento popular, cívico, e essa luta pela reestatização tem vários componentes.Tem um componente jurídico, que nós já ganhamos uma sentença no Tribunal Regional Federal de Brasília anulando o leilão, tem componentes políticos, tem componentes sindicais porque a previdência do Banco do Brasil é dona de 15% das ações da Vale, a Caixa Econômica eu acho que também tem, então, até parcelas do movimento sindical estão envolvidas nesse processo, e essa luta vai ser prolongada. Não é uma luta do MST, é uma luta do povo brasileiro, quando vai ter um desfecho?De novo, eu acho que vai ter um desfecho feliz para o povo com a reestatização da Vale, mas vai depender dessa re-ascenso do movimento de massas que leve a outras mudanças na sociedade brasileira. Para daí o povo se dar conta que os minérios e o subsolo não podem estar a cargo de uma empresa privada, tem que ser a velha Vale estatal, para que o lucro da Vale seja distribuído para todos os brasileiros e não só para os seus acionistas.E há um outro contencioso com a Vale, que são os problemas localizados que a Vale, por suas operações econômicas cada vez mais buscando unicamente o lucro, tem afetado comunidades que tem relação com o MST. Vou citar três exemplos que são emblemáticos. Nós temos um assentamento em Açailândia, com 250 famílias, em uma fazenda de 10 mil hectares que nós ocupamos, foi desapropriada e as famílias estão lá há dez anos.A Vale comprou uma fazenda vizinha, instalou uma carvoaria com 70 fornos industriais e aquela fuligem do carvão alterou o clima completamente, os companheiros não conseguem produzir mais na agricultura, nem arroz dá, e agora começou a dar doenças, então, está aí um conflito. Ou a Vale põe filtro, ou sai de lá, ou desapropria uma outra fazenda, mas do jeito que está as pessoas vão morrer. E essas pessoas têm direito, até porque chegaram antes no assentamento do Incra, a lutar contra a Vale, então essa carvoaria foi ocupada no dia 8 de março.Outro exemplo, também relacionado com o 8 de março, a Vale está construindo com a Camargo Correia, uma hidrelétrica no Rio Tocantins, na região do estreito no Maranhão e Tocantins. Isso vai atingir 13 mil famílias, entre elas, três assentamentos nossos, três reservas indígenas, ribeirinhos, fazendeiros, quilombolas, tudo o que puder imaginar. A Vale não apresentou nenhum plano de reassentamento, as pessoas até se dão conta, “bom nós não vamos conseguir parar a barragem, né, mas e onde nós vamos morar? Qual é a terra? Para onde vão me levar? Quem vai me indenizar?”Ninguém falou nada para essas pessoas, então, elas ocuparam o canteiro de obras, e exigiram um processo de negociação. A maioria delas nem é do Movimento. Então, se não resolver o problema do reassentamento, o conflito vai ser permanente, porque é a vida delas, é um problema de direitos humanos. Bem, depois a Vale tem outros contenciosos com outras comunidades, seja de garimpeiros, seja dos próprios trabalhadores que estão mais próximos do trem.Essas comunidades que tem alguma demanda contra a Vale pararam o trem duas vezes. Eles param o trem como se fosse fazer uma greve, para forçar a Vale a negociar, e muitos desses movimentos que aconteceram lá no município onde está a Serra dos Carajás, a própria prefeitura local apoiou. Por que? Porque a Vale está devendo para a prefeitura de Paraopebas 500 milhões de reais em impostos atrasados. Isso não sai em lugar nenhum, está lá na dívida ativa da prefeitura, isso nos últimos dez anos, depois da privatização.Então, nós temos três assentamentos nesse município, o prefeito puxa lá o balanço da prefeitura e diz “oh, não temos dinheiro, estamos em déficit, porque que nós estamos em déficit? Porque a Vale não pagou imposto”. Então a turma faz a associação: “vamos pressionar a Vale para pagar a prefeitura aí teremos escola”.Claro, não precisa ser muito inteligente para isso. Estou eu um dia dando a aula magna no inicio do ano letivo na universidade e chega a oficial de justiça com uma intimação da juíza. A Vale entrou com um processo como se eu fosse o responsável por aquelas mobilizações, eu e o MST. A sacanagem é que esses processos em geral são demorados, mas em dois dias a Vale entrou, eles tem o maior escritório de advocacia do Rio, eu nem moro aqui, mas eles monitoraram tudo, sabiam que eu estaria na universidade, vieram, inclusive, com uma produtora de vídeo independente para filmar tudo, e me coagiram a assinar, embora não seja meu domicílio aqui, e ao assinar, pelos prazos legais eu tive só oito dias para contestar.O mais absurdo é a natureza da ação. Eles alegam o seguinte: essas populações param o trem, a carvoaria e causam prejuízos econômicos, portanto, eu tenho que ressarci-los. E a multa por esses prejuízos econômicos, eles pediram inicialmente para a juíza, quinhentos mil reais por ação, a juíza no despacho da sentença já botou menos, cinco mil reais. Mas não é o problema do valor, o problema da natureza, ou seja, eu moro em São Paulo, toda a opinião pública sabe, qualquer sociólogo num primeiro ano de faculdade sabe que o movimento social decide as coisas por assembléia, eles que decidem o que fazer, quando fazer, como fazer, não é de minha responsabilidade.Agora o mais grave é, você até pode ilustrar a sua matéria, compre a revista Exame dessa semana [5 a 11 de maio], a revista tem uma matéria que era para sair na Veja. A Veja tentou fazer aquelas páginas amarelas comigo, eu mandei eles tomarem banho. O editor da Veja, um tal de Alexandre me ligou, querendo me entrevistar para as páginas amarelas, aí nós explicamos para ele que o movimento não tem a prática de dar entrevistas para meios de comunicação mentirosos e não idôneos como é a Veja. A matéria, que é uma paulada no MST, que eu acho que ia sair na Veja, eles deslocaram para a Exame. Porque é a mesma linha, né, bem direitista.A Vale fala na matéria que organizou um sistema de vigilância 24 horas sobre o MST e os movimentos, que inclui escuta telefônica, espionagem, acompanhamento das lideranças, filmagem, eles atribuíram a si agora o poder de polícia, o poder de estado, o poder de justiça, quem são eles para fazer isso. Eu acho que cabe um pedido de explicação judicial.A ação continua correndo?João Pedro Stédile - Sim, nossos advogados contestaram. A primeira contestação que nós fizemos foi a seguinte: meu domicílio é em São Paulo então o processo não pode ser aqui, ou é lá em Açailandia ou em São Paulo. Mas o Tribunal de Justiça do Rio, tão ponderado que é, diz que não, que pode ser aqui. Sabe-se lá porque né? Só porque passei aqui, poderia ter passado em Nova York. Então já por aí você vê as influencias.No escritório de advocacia da Vale tem o ex-ministro Sepúlveda [Pertence], tem aquela mulher que era do BNDES que fez a privatização da Vale, a [Elena] Landau, então é um escritório poderoso. Tem filhos de ministros do supremo e, evidentemente, as influências que eles têm são enormes. Segundo passo, eles contestaram então a natureza da ação e isso está correndo. E os advogados me informaram que como na sexta-feira houve mais uma ação de garimpeiros na Vale, a Vale entrou com uma espécie de agravo no processo dizendo “estão vendo como ele não obedece” e pedindo para aumentar para um milhão.O MST está preocupado com isso?João Pedro Stédile - Nem um pouco, eu falei no dia que era uma idiotice, e falo agora de novo. Digo que é idiotice não para ficar ofendendo o poder judiciário, idiotice no sentido de falta de idéia da Vale, isso que é idiota, o cara que não tem idéia. Porque é obvio, qualquer pessoa que pensa um pouquinho, que tem idéia, deve se dar conta de que se há uma população que vai ser despejada por uma hidrelétrica da Vale, enquanto não for resolvido o problema dessa população, pode prender o João Pedro, pode botar multa, que a população vai continuar protestando.Se há um assentamento sem terra ao lado de uma carvoaria e que as pessoas e as crianças amanhecem todo o dia tossindo, cuspindo cimento preto, é obvio que aquela população vai continuar protestando contra a Vale, não sou eu o responsável. Então, só tem uma maneira de resolver problemas sociais, se tu resolver, se não o problema vai continuar lá. Por isso é uma idiotice, no fundo o verdadeiro objetivo da ação judicial é amedrontar as lideranças, e dar uma resposta para os acionistas da Vale, “vejam como estamos tomando medidas energéticas”. Porque como devem ter vendido a imagem do Brasil para os acionistas estrangeiros que aqui é o paraíso, que voltou a ser colônia, ninguém reclama, aqui é Barbada, tu investe e só leva dinheiro de volta. Esqueceram de combinar com o povo!O MST está participando do movimento pró Conferência Nacional de Comunicação. Quais as expectativas de vocês?João Pedro Stédile - Em geral eu acho que nossa participação nesse tipo de evento é coadjuvante, nossos companheiros vão lá para se somar a esse esforço político de democratizar a comunicação e ao mesmo tempo trazer o acúmulo do debate que vai gerando para dentro do movimento. Mas nós não queremos ser hegemonia, nem dirigir, nem ter um papel vanguardista, por isso sempre ficamos mais na retaguarda aprendendo com esses companheiros que tem uma visão mais aprofundada, que tem uma clareza maior sobre quais são os caminhos para democratizar os meios de comunicação.
STÉDILE, DO MST, CHAMA À CONSTRUÇÃO DE MÍDIAS DA CLASSE TRABALHADORA .
Por Arthur Willian e Raquel Júnia, da redação.
Em entrevista concedida ao Boletim do NPC e ao Fazendo Media, o membro da coordenação nacional do MST João Pedro Stédile deixa claro o acúmulo que o Movimento tem sobre a comunicação. Aos estudantes de jornalismo Arthur Willian e Raquel Júnia, Stédile fala no almoço, entre uma garfada e outra, sobre o papel do estudante, sobretudo de jornalismo; a necessidade de se construir mídias da classe trabalhadora e a atuação dos meios de comunicação da burguesia.Para João Pedro, não deve haver obrigatoriedade de diploma para ser comunicador. A entrevista foi feita após a participação de Stédile no Congresso dos Trabalhadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), no dia 6 de maio.O senhor comentou sobre essa questão da mídia assumir hoje o papel de disseminar a ideologia da classe dominante. A solução a esse contexto seria a criação de uma mídia da classe trabalhadora?João Pedro Stédile - Quando a sociedade brasileira, estava ainda sob a égide do capital industrial, os trabalhadores tinham diversas formas de organização social, tinham o sindicato, a associação de bairro, o partido e a escola. O capital industrial reproduzia a sua ideologia, a sua hegemonia, a sua forma de ver o mundo nesses espaços onde a classe trabalhadora estava organizada.O capital dirigia a escola, dirigia o sindicato e influenciava por aí o partido porque os partidos nasceram na República não só para eleger pessoas, mas para reproduzir o projeto da burguesia. Agora nós estamos em uma outra etapa do capital, em que ele usa outras formas de dominação. Basicamente é o capital financeiro, são as empresas internacionalizadas, e para esse capital financeiro e para as empresas internacionais é muito difícil dirigir ideologicamente os trabalhadores porque, inclusive, eles não estão mais organizados como antes. Aqui mesmo, no Brasil, só 51% da população economicamente ativa tem carteira assinada, isso significa que a metade dos trabalhadores está dispersa no trabalho informal, sem nenhuma forma de organização.Nessa etapa que ficou mais conhecida como neoliberalismo, como o capital reproduz a sua forma de ver o mundo? Através da televisão, dos grandes meios de comunicação, jornal e revista mais para a classe média, pequena burguesia, setores intelectualizados, das universidades, e a televisão e o rádio para a grande massa, que agora está dispersa. Então, o balanço crítico que nós fizemos, as reflexões que temos com esses setores que acompanham mais a imprensa, é que a grande imprensa se transformou em uma arma poderosa na mão do capital. Primeiro porque ela não se preocupa com a neutralidade da informação, ela usa a informação como uma mercadoria, então, ela tem que ganhar dinheiro vendendo uma idéia. O segundo problema é que a imprensa virou um monopólio, sete ou oito grupos no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão, na Europa. Esse monopólio é importante para a classe dominante porque é a maneira deles controlarem; por isso é que no Brasil, quando algum jornal resolve nos atacar, todos atacam porque é um monopólio.O terceiro fato é que a imprensa está misturada com grandes grupos econômicos, não são mais aquelas famílias, aqueles jornalistas históricos, nem sequer são os Marinho, os Marinho são frutos do período anterior. Agora a grande imprensa se mistura como grupo econômico, em todos os grupos econômicos do capital financeiro e internacional. Não é por nada que a Abril foi vendida para um banco da África do Sul, não é por nada que a Telefônica tem ações na Folha, e assim sucessivamente, ou seja, o grande capital controla por meio de acumulação. Bem, para fazer frente a isso, é preciso primeiro que a classe trabalhadora se conscientize, saia daquela visão, daquela ilusão de que a imprensa é democrática, republicana, ouve os dois lados e é neutra e ao mesmo tempo construa novos meios de comunicação. Esses novos meios têm que representar em primeiro lugar um avanço em termos democráticos, ou seja, eles têm que levar a informação mais ampla possível para as massas. Segundo, tem um componente ideológico que é explicar o mundo e os fatos pelo olhar dos trabalhadores.Então não seria uma imprensa neutra?João Pedro Stédile - Tampouco é uma imprensa neutra. Isso no ideológico, mas ela tem que ser democrática no sentido de apresentar as várias formas que a classe trabalhadora tem de interpretar o mundo, também não há uma só visão da classe trabalhadora de ver o mundo. Há várias visões, então nisso ela tem que ser plural, não pode ser única, mas ela tem que ser um olhar das maiorias da classe trabalhadora. E combater o uso da imprensa como mercadoria, como forma de ganhar dinheiro, de explorar, que é isso que está, inclusive, na base das distorções dos próprios profissionais de imprensa, que reproduziu a mesma desigualdade social nos meios de comunicação. Os editores que são os zeladores da linha editorial ganham fortunas. Uma editora aqui no Brasil ganha mais do que nos Estados Unidos e na Europa. E por outro lado, como vocês dizem, os foquinhas, os repórteres recém formados, ganham salários abaixo do que a classe trabalhadora humilde ganha – mil e duzentos reais, três salários mínimos – isso não é nada.O senhor mencionou a televisão, mas talvez esse meio, juntamente com o rádio, apresente dificuldades maiores para que seja de fato da classe trabalhadora, por causa da legislação restritiva e outros fatores. Quais seriam os caminhos, então, para construirmos efetivamente essa mídia da classe trabalhadora?João Pedro Stédile - Eu acho que a maior restrição da televisão é o poder econômico mesmo, porque no caso brasileiro, inclusive o território é grande, para você chegar a amplas massas tem que ter canais de difusão potentíssimos, que custam milhões de dólares, e isso a classe trabalhadora não tem. Mas para a nossa sorte aquela forma da classe dominante de usar os meios de comunicação tem contradições também, não é assim, passe de mágica.Tudo no mundo tem contradições e uma das contradições da televisão é que ela é efêmera, ela te dá uma informação e tu esqueces porque tu viras um espectador. A segunda contradição é que a juventude já cansou, a juventude sempre quer mudar, então entre quatorze e vinte e oito anos os índices da audiência são baixíssimos, são ridículos; a televisão hoje consegue influenciar ideologicamente as camadas de maioridade, acima de 50 anos, e abaixo de dez anos. Então, a juventude procura outras alternativas, e isso é positivo para nós.Agora, a segunda parte da sua pergunta, essas mudanças em construir outros e novos tipos de comunicação, essas mudanças para deixar a nossa sociedade mais democrática, não aconteceram separadas das mudanças gerais da sociedade. Só vão acontecer quando o Brasil fizer um grande movimento de massas que derrote o neoliberalismo, derrote o capital financeiro e o capital internacional, ou seja, derrote essa forma de dominação do capital.Com isso então abrirá espaços para mudanças estruturais na sociedade brasileira nos vários campos, abrirá espaços para termos uma educação universalizada para todo o jovem entrar na universidade, abrirá espaço para todo mundo ter direito à sua casa, uma moradia digna, abrirá espaço para a reforma agrária e abrirá espaço, então, para que a sociedade organize de uma maneira diferente a forma de se comunicar.A TV Brasil, chamada de TV Pública, atende essa demanda dos movimentos sociais ou está aquém disso?João Pedro Stédile - A TV pública é uma boa iniciativa no sentido do estado chamar para si, sem ser governamental. Mas se o Estado, o público no Brasil, ainda é dominado pelo capital financeiro e internacional, o espaço de manobra da TV Pública, embora na sua origem a idéia é boa, vai ser limitadíssimo. Porque o estado é que vai controlá-la, não são os movimentos sociais, e o estado está sob a hegemonia ideológica e do poder econômico do capital financeiro e internacional. Então eu acho que é uma idéia que só vai alcançar plenitude quando houver essas outras mudanças que eu falei, quando houver mudanças do modelo econômico do Brasil.Paralelamente eu poderia comparar com a Petrobrás. A Petrobrás é uma empresa estatal, embora já metade do seu capital seja estrangeiro; na idéia é importante, o petróleo que é uma energia importante tem que estar sob o controle do estado para beneficiar a todos, mas o jeito que o capital financeiro fez, manteve 51% da administração do estado e se apropriou das ações para ter o lucro da Petrobrás.Então a Petrobrás do jeito que está hoje apenas reproduziu o modelo do capital financeiro, ela não serve. Ah, então você é contra a Petrobrás? Não, mas eu acho que a idéia boa da Petrobrás só vai se realizar em plenitude quando tivermos um outro modelo econômico, que reorganize a economia para atender as necessidades da população, aí sim vai ser fundamental termos uma empresa pública como a Petrobrás a serviço do povo.Qual deve ser o papel dos comunicadores com vistas a esse novo modelo? Só para complementar a pergunta, o senhor é a favor da obrigatoriedade do diploma para jornalista?João Pedro Stédile - Não faz sentido, todo o povo se comunica. É claro que existem técnicas de você fazer o melhor, mas as pessoas não necessariamente podem dominar essas técnicas em um banco escolar. Eu acho que nós devemos estimular que todos os militantes sociais sejam comunicadores, que eles escrevam notícias, que eles falem, que eles saibam editar um programa de rádio.Sem desmerecer o papel que a universidade como um centro acadêmico tem de aprimorar as técnicas, de preparar profissionais mais capacitados, mas esse papel não pode ser exclusivo, sobretudo porque a comunicação é, acima de tudo, um direito, uma forma de expressão cultural do povo, então não pode ser restrita a alguns profissionais só porque tem o diploma.Mas então qual seria o diferencial dessa pessoa que tem um diploma, uma formação acadêmica, dos demais comunicadores populares, diríamos?João Pedro Stédile - Eu acho que ele tem muitas funções em um outro modelo, ele pode ajudar a formar melhor os comunicadores populares que não têm formação acadêmica, ele pode aprimorar a técnica nas redações, nas rádios, ele pode contribuir para que as coisas sejam feitas de uma maneira mais profissional, mas não pode ser exclusiva dele essa missão.Vou comparar com outro exemplo, para você pregar uma doutrina religiosa não precisa ser padre, não precisa ter o título de teólogo, qualquer pessoa se estudar um pouco, ler, pode ser um pregador de uma idéia religiosa, e para isso não precisa ser teólogo. E às vezes os melhores pregadores são os pregadores populares que dominam a cultura. Isso não quer dizer que não é necessário teólogos, eles vão se aprimorar, vão fazer a exegese, no caso de vocês, como profissionais da comunicação, vão fazer a exegese da luta de classe, vão interpretar melhor, mas não pode ser exclusivo de quem passa na universidade.Essa seria, então, nossa função? Se o senhor estivesse em nossas universidades o que o senhor falaria para os estudantes de comunicação sobre a forma pela qual eles podem contribuir, por exemplo, para a luta do MST?João Pedro Stédile - Não pretendo ser pedante, nem existe manual com regra, faça isso, faça aquilo. Mas eu acho que os estudantes de comunicação, assim como qualquer outro estudante universitário de outras carreiras, a sua missão principal na conjuntura atual, e é disso que nós estamos falando, é serem pessoas conscientes, terem conhecimento da realidade em que vivem.Esse é o primeiro passo, deixar de ser alienado, de ser manipulado por outros, e isso as pessoas só adquirem com estudo, participando da luta social, vivenciando os problemas da nossa sociedade. É assim que as pessoas viram conscientes, ou seja, como vem do latim, conhecer a realidade, isso é que é ser consciente. Então esse é o primeiro passo, até porque os estudantes universitários são privilegiados na sociedade atual, só oito, dez por cento de jovens chegam às universidades, então, os que chegam deveriam ter a consciência de conhecer melhor a realidade e ajudar a organizar para que outras pessoas também se conscientizem para mudá-la.Evidentemente que eu não estou colocando a responsabilidade de achar que os estudantes universitários vão mudar a realidade brasileira, isso é uma tarefa de milhões e do povo, mas os estudantes universitários, por serem um setor social privilegiado que tem acesso ao conhecimento, podem colocar os seus conhecimentos para ajudar a conscientizar outras pessoas e organizá-las.Isso seria então a segunda missão histórica, embora nessa conjuntura, ajudar a conscientizar outras pessoas. E você ajuda de muitas formas, fazendo um boletim, fazendo um programa de rádio, fazendo uma reunião no centro acadêmico, fazendo uma reunião onde tu mora; as formas dependem do meio onde tu vive, e são infinitas, não há regras e nem grau de prioridade. Terceiro, como missão, eu acho que os estudantes de comunicação deveriam então contribuir também para levar essa leitura de que todos os movimentos e setores da classe precisam se comunicar, terem seus meios de comunicação.E assim, com a sua profissão e a sua consciência, ajudar que a classe organize esses meios de comunicação para que ela se comunique com a base, com seus vizinhos e com a sociedade em geral. Tudo isso só tem um sentido se as pessoas obviamente se colocarem também, como missão histórica, de que querem lutar contra as injustiças e mudar a sociedade. Se você está satisfeito com a sociedade brasileira, com o jeito que ela funciona, então, as três missões anteriores não tem sentido nenhum. Então, faz parte também da missão do jovem consciente, se dispor a lutar para mudar a sociedade.Tem uma música do Rappa que diz que “hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa”. As tecnologias permitiram uma pulverização da produção da mídia o que acabou sendo uma individualização, a pessoa que tem um computador pode produzir um vídeo, um 'blog', uma mídia qualquer, só que a recepção é muito menor, poucas pessoas ouvem as 'webradios', poucas pessoas acessam os 'blogs'. O que você acha desse fenômeno de facilidade de produção, mas também dificuldade de recepção dessa produção midiática?João Pedro Stédile - É essa pluralidade que eu estava falando antes, eu acho que nós não podemos nos ater, 'ah o prioritário é isso ou aquilo', mas procurar potencializar todas as formas de comunicação. É claro que algumas são mais massivas, outras são mais individualistas, mas eu acho que na soma todas são importantes.Mas também não é uma luta de Davi contra Golias, de um lado a grande imprensa, de outro, as pequenas imprensas alternativas, com dificuldades de financiamento e sem conseguirem ter uma audiência tão grande quanto a grande mídia.João Pedro Stédile - Não se preocupe com isso, com você bem usou o exemplo bíblico, no final da história o Davi vai ganhar. Vocês são jovens e não viveram o período da ditadura militar, o período da ditadura militar foi ainda mais hegemônico do capital e dos meios de comunicação, tanto é que essa estrutura atual, se formou lá. Aí as pessoas que queriam mudar a sociedade, que queriam lutar contra a ditadura se sentiam ainda mais fracas, frágeis diante do tamanho do Golias.Mas se você considerar que o que muda a sociedade é a consciência das pessoas, e que a consciência das pessoas não se compra, nem se vende, em algum momento as massas vão despertando, vão tendo conhecimentos que levam a elas se moverem contra as injustiças. E aí é que tu vê que tudo que você fizer para levar algum conhecimento para as massas é importante. O que eu acho é que nós devemos ser criteriosos nessa pluralidade dos meios de comunicação é com o foco para levar informação, levar consciência. Nesse sentido devemos priorizar os trabalhadores, os pobres.Se você ficar fazendo comunicação de internet para informar outro pequeno burguês ou camada da classe média que já está acomodada, aí a sua comunicação não serve para nada porque ela vai ser uma comunicação pequeno burguesa, no fundo vai ser alienante. Aí seria unicamente pelo exercício de exercitar, para ser redundante, um meio de comunicação novedoso como a internet, como um blog. Então, eu acho que aí o diferencial não está no instrumento, mas para quem ele se dirige, tu pode fazer um bom programa de rádio para as massas populares, e pode fazer um programa de rádio muito bem feito mas uma porcaria, porque vai ser só para a classe média que está interessada na última moda de Paris.Você pode fazer um bom programa jornalístico, explicando as tendências da moda, quais são os principais estilistas, qual foi o último lançamento em Paris, e ser um programa de rádio agradável, todo mundo ficar ouvindo, mas serve para que? Quem é que está ouvindo? Mais do que o instrumento é para quem se dirige. Então, se é para eu dar algum conselho eu daria esse: se preocupem em fazer comunicação que ajude a classe trabalhadora, que ajude os pobres, para que eles possam entender melhor o mundo, porque somente eles poderão transformá-lo. Não há outra força que possa transformar a sociedade, mudar a sociedade, deixar a sociedade mais progressista, mais democrática, mais justa, se não a força das massas organizadas.O senhor pode comentar a atitude recente da companhia Vale do Rio Doce em entrar com uma ação na justiça contra o senhor...João Pedro Stédile - Primeiro para os leitores ou ouvintes de vocês entenderem a natureza da nossa luta contra a Vale é preciso explicar que há dois tipos de luta que estão sendo travadas agora. Uma de caráter mais macro, mais político, que é a luta de todo o povo brasileiro para reestatizar a Vale, da qual o MST é um mero figurante. O plebiscito que consultou o povo do qual participaram cinco, seis milhões de pessoas, foi organizado por 280 movimentos, alguns locais, outros nacionais, participaram como mesárias de urnas, 150 mil pessoas, portanto é um movimento popular, cívico, e essa luta pela reestatização tem vários componentes.Tem um componente jurídico, que nós já ganhamos uma sentença no Tribunal Regional Federal de Brasília anulando o leilão, tem componentes políticos, tem componentes sindicais porque a previdência do Banco do Brasil é dona de 15% das ações da Vale, a Caixa Econômica eu acho que também tem, então, até parcelas do movimento sindical estão envolvidas nesse processo, e essa luta vai ser prolongada. Não é uma luta do MST, é uma luta do povo brasileiro, quando vai ter um desfecho?De novo, eu acho que vai ter um desfecho feliz para o povo com a reestatização da Vale, mas vai depender dessa re-ascenso do movimento de massas que leve a outras mudanças na sociedade brasileira. Para daí o povo se dar conta que os minérios e o subsolo não podem estar a cargo de uma empresa privada, tem que ser a velha Vale estatal, para que o lucro da Vale seja distribuído para todos os brasileiros e não só para os seus acionistas.E há um outro contencioso com a Vale, que são os problemas localizados que a Vale, por suas operações econômicas cada vez mais buscando unicamente o lucro, tem afetado comunidades que tem relação com o MST. Vou citar três exemplos que são emblemáticos. Nós temos um assentamento em Açailândia, com 250 famílias, em uma fazenda de 10 mil hectares que nós ocupamos, foi desapropriada e as famílias estão lá há dez anos.A Vale comprou uma fazenda vizinha, instalou uma carvoaria com 70 fornos industriais e aquela fuligem do carvão alterou o clima completamente, os companheiros não conseguem produzir mais na agricultura, nem arroz dá, e agora começou a dar doenças, então, está aí um conflito. Ou a Vale põe filtro, ou sai de lá, ou desapropria uma outra fazenda, mas do jeito que está as pessoas vão morrer. E essas pessoas têm direito, até porque chegaram antes no assentamento do Incra, a lutar contra a Vale, então essa carvoaria foi ocupada no dia 8 de março.Outro exemplo, também relacionado com o 8 de março, a Vale está construindo com a Camargo Correia, uma hidrelétrica no Rio Tocantins, na região do estreito no Maranhão e Tocantins. Isso vai atingir 13 mil famílias, entre elas, três assentamentos nossos, três reservas indígenas, ribeirinhos, fazendeiros, quilombolas, tudo o que puder imaginar. A Vale não apresentou nenhum plano de reassentamento, as pessoas até se dão conta, “bom nós não vamos conseguir parar a barragem, né, mas e onde nós vamos morar? Qual é a terra? Para onde vão me levar? Quem vai me indenizar?”Ninguém falou nada para essas pessoas, então, elas ocuparam o canteiro de obras, e exigiram um processo de negociação. A maioria delas nem é do Movimento. Então, se não resolver o problema do reassentamento, o conflito vai ser permanente, porque é a vida delas, é um problema de direitos humanos. Bem, depois a Vale tem outros contenciosos com outras comunidades, seja de garimpeiros, seja dos próprios trabalhadores que estão mais próximos do trem.Essas comunidades que tem alguma demanda contra a Vale pararam o trem duas vezes. Eles param o trem como se fosse fazer uma greve, para forçar a Vale a negociar, e muitos desses movimentos que aconteceram lá no município onde está a Serra dos Carajás, a própria prefeitura local apoiou. Por que? Porque a Vale está devendo para a prefeitura de Paraopebas 500 milhões de reais em impostos atrasados. Isso não sai em lugar nenhum, está lá na dívida ativa da prefeitura, isso nos últimos dez anos, depois da privatização.Então, nós temos três assentamentos nesse município, o prefeito puxa lá o balanço da prefeitura e diz “oh, não temos dinheiro, estamos em déficit, porque que nós estamos em déficit? Porque a Vale não pagou imposto”. Então a turma faz a associação: “vamos pressionar a Vale para pagar a prefeitura aí teremos escola”.Claro, não precisa ser muito inteligente para isso. Estou eu um dia dando a aula magna no inicio do ano letivo na universidade e chega a oficial de justiça com uma intimação da juíza. A Vale entrou com um processo como se eu fosse o responsável por aquelas mobilizações, eu e o MST. A sacanagem é que esses processos em geral são demorados, mas em dois dias a Vale entrou, eles tem o maior escritório de advocacia do Rio, eu nem moro aqui, mas eles monitoraram tudo, sabiam que eu estaria na universidade, vieram, inclusive, com uma produtora de vídeo independente para filmar tudo, e me coagiram a assinar, embora não seja meu domicílio aqui, e ao assinar, pelos prazos legais eu tive só oito dias para contestar.O mais absurdo é a natureza da ação. Eles alegam o seguinte: essas populações param o trem, a carvoaria e causam prejuízos econômicos, portanto, eu tenho que ressarci-los. E a multa por esses prejuízos econômicos, eles pediram inicialmente para a juíza, quinhentos mil reais por ação, a juíza no despacho da sentença já botou menos, cinco mil reais. Mas não é o problema do valor, o problema da natureza, ou seja, eu moro em São Paulo, toda a opinião pública sabe, qualquer sociólogo num primeiro ano de faculdade sabe que o movimento social decide as coisas por assembléia, eles que decidem o que fazer, quando fazer, como fazer, não é de minha responsabilidade.Agora o mais grave é, você até pode ilustrar a sua matéria, compre a revista Exame dessa semana [5 a 11 de maio], a revista tem uma matéria que era para sair na Veja. A Veja tentou fazer aquelas páginas amarelas comigo, eu mandei eles tomarem banho. O editor da Veja, um tal de Alexandre me ligou, querendo me entrevistar para as páginas amarelas, aí nós explicamos para ele que o movimento não tem a prática de dar entrevistas para meios de comunicação mentirosos e não idôneos como é a Veja. A matéria, que é uma paulada no MST, que eu acho que ia sair na Veja, eles deslocaram para a Exame. Porque é a mesma linha, né, bem direitista.A Vale fala na matéria que organizou um sistema de vigilância 24 horas sobre o MST e os movimentos, que inclui escuta telefônica, espionagem, acompanhamento das lideranças, filmagem, eles atribuíram a si agora o poder de polícia, o poder de estado, o poder de justiça, quem são eles para fazer isso. Eu acho que cabe um pedido de explicação judicial.A ação continua correndo?João Pedro Stédile - Sim, nossos advogados contestaram. A primeira contestação que nós fizemos foi a seguinte: meu domicílio é em São Paulo então o processo não pode ser aqui, ou é lá em Açailandia ou em São Paulo. Mas o Tribunal de Justiça do Rio, tão ponderado que é, diz que não, que pode ser aqui. Sabe-se lá porque né? Só porque passei aqui, poderia ter passado em Nova York. Então já por aí você vê as influencias.No escritório de advocacia da Vale tem o ex-ministro Sepúlveda [Pertence], tem aquela mulher que era do BNDES que fez a privatização da Vale, a [Elena] Landau, então é um escritório poderoso. Tem filhos de ministros do supremo e, evidentemente, as influências que eles têm são enormes. Segundo passo, eles contestaram então a natureza da ação e isso está correndo. E os advogados me informaram que como na sexta-feira houve mais uma ação de garimpeiros na Vale, a Vale entrou com uma espécie de agravo no processo dizendo “estão vendo como ele não obedece” e pedindo para aumentar para um milhão.O MST está preocupado com isso?João Pedro Stédile - Nem um pouco, eu falei no dia que era uma idiotice, e falo agora de novo. Digo que é idiotice não para ficar ofendendo o poder judiciário, idiotice no sentido de falta de idéia da Vale, isso que é idiota, o cara que não tem idéia. Porque é obvio, qualquer pessoa que pensa um pouquinho, que tem idéia, deve se dar conta de que se há uma população que vai ser despejada por uma hidrelétrica da Vale, enquanto não for resolvido o problema dessa população, pode prender o João Pedro, pode botar multa, que a população vai continuar protestando.Se há um assentamento sem terra ao lado de uma carvoaria e que as pessoas e as crianças amanhecem todo o dia tossindo, cuspindo cimento preto, é obvio que aquela população vai continuar protestando contra a Vale, não sou eu o responsável. Então, só tem uma maneira de resolver problemas sociais, se tu resolver, se não o problema vai continuar lá. Por isso é uma idiotice, no fundo o verdadeiro objetivo da ação judicial é amedrontar as lideranças, e dar uma resposta para os acionistas da Vale, “vejam como estamos tomando medidas energéticas”. Porque como devem ter vendido a imagem do Brasil para os acionistas estrangeiros que aqui é o paraíso, que voltou a ser colônia, ninguém reclama, aqui é Barbada, tu investe e só leva dinheiro de volta. Esqueceram de combinar com o povo!O MST está participando do movimento pró Conferência Nacional de Comunicação. Quais as expectativas de vocês?João Pedro Stédile - Em geral eu acho que nossa participação nesse tipo de evento é coadjuvante, nossos companheiros vão lá para se somar a esse esforço político de democratizar a comunicação e ao mesmo tempo trazer o acúmulo do debate que vai gerando para dentro do movimento. Mas nós não queremos ser hegemonia, nem dirigir, nem ter um papel vanguardista, por isso sempre ficamos mais na retaguarda aprendendo com esses companheiros que tem uma visão mais aprofundada, que tem uma clareza maior sobre quais são os caminhos para democratizar os meios de comunicação.
IMPOSTOS - CPMF & Carga Tributária.
Muito bom e esclarecedor este artigo da Sonia Montenegro que estou copiando do site do Saraiva 13. Através dele podemos perceber como no nosso país as pessoas são tão mal informadas e manipuladas na questão da carga tributária e dos impostos.
Em tempos em que se discute a volta da CPMF, que se chamará CSS, com taxa de 0,1% (contra 0,38% da contribuição anterior) e para ser totalmente empregada na saúde, gostaria de fazer algumas considerações:Um assunto freqüente na imprensa é a alta carga tributária brasileira. Empresários paulistas chegaram a montar um relógio exibindo para a população, a cada minuto o que estaria sendo recolhido de imposto, sem distinguir o que de fato é federal, estadual ou municipal. Tudo somado, induzindo serem apenas tributos federais.Com isso, o assalariado inadvertidamente concorda, porque a sua contribuição de imposto de renda é de fato muito alta. Porém o que ele não percebe é que aqueles que reclamam da alta carga tributária, são exatamente aqueles que têm mil e um truques para não pagar o imposto de renda correspondente aos seus altos ganhos, deixando à classe assalariada a incumbência de carregar o país nas costas. Vale lembrar que quem faz as leis é o Congresso Nacional, cujas campanhas são financiadas por eles, para que sejam sempre beneficiados.Ouvi certa vez o Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, afirmar que a carga tributária não é alta ou baixa. Ela depende das necessidades do país, no que concordo plenamente.As necessidades do Brasil são enormes. Historicamente, os serviços prestados, sejam saúde, educação, infra-estrutura (energia, estradas, portos, etc), até o atendimento nos serviços públicos, sempre foram precaríssimos.O que a imprensa não diz, é que a carga tributária brasileira não é alta, mas injusta, ou seja, mal distribuída. Quando ela fez campanha pelo fim da CPMF, afirmou que os preços baixariam, porém, não foi o que aconteceu. Uma pesquisa realizada pelo professor Marcos Cintra, da FGV - Fundação Getúlio Vargas, mostrou que o fim da CPMF não fez os preços caírem, e que alguns até subiram, virando aumento da margem de lucro dos bancos e das grandes empresas, embolsando mais de R$ 32 bilhões, parcela da contribuição que lhes cabia.A imprensa vive de seus anunciantes, que são majoritariamente os bancos e as grandes empresas, os maiores beneficiários do fim da CPMF, como dito acima. Se a imprensa estivesse do lado da classe assalariada, ela incentivaria uma pressão popular para tornar a distribuição dos tributos mais justa, mas não é o que se vê. Ela consegue fazer com que as pessoas fiquem contra os seus próprios interesses.Em 2007, o cruzamento de dados da declaração do imposto de renda com a CPMF, levou a Receita Federal a autuar 208.471 contribuintes apenas no 1º semestre, com valor sonegado de R$ 1,33 bilhões.Melhor seria para a classe-média, continuar pagando a CPMF, ou agora CSS e reivindicar uma distribuição mais justa de imposto de renda, e essa proposta não é impossível, porque já houve uma tentativa, no 1º mandato do Presidente Lula, quando o Ministro Palocci foi ao Congresso para explicar e pedir a aprovação da proposta da reforma tributária do governo.Eu assisti na TV Senado, e não vi nenhuma menção na imprensa escrita ou falada. Nela, era prevista a taxação sobre grandes heranças, um imposto para barcos e aviões particulares (carros pagam IPVA, porém aviões e iates não) e um aumento nos tributos bancários. Em contra-partida, seriam diminuídas nas mesmas proporções, as contribuições da classe assalariada e a imediata correção da tabela de imposto de renda, congelada nos 8 anos do governo FHC.O então ministro Palocci foi aparteado pelo senador Bornhausen, que disse ser absurda a taxação sobre heranças. Dizia ele que era injusto que um filho que herdasse um apartamento, tivesse que vendê-lo para pagar o imposto. O ministro Palocci então disse ao senador que não era o caso de pequenas, mas de grandes heranças. Palocci disse ainda que estava na hora da elite, que historicamente teve sempre grandes vantagens no país, ter uma atitude mais “desprendida”.A imprensa disse que o governo Lula queria aumentar os impostos, fazendo a cabeça da população contra a medida. Resumo da história: o PSDB e (Arena/PDS/PFL/DEM) retiraram esses quesitos para negociar a aprovação, e tudo continuou como dantes, no quartel de Abrantes.O presidente da FIESP, o Paulo Scaffi, defensor dos grandes empresários paulistas, teve a cara de pau de dizer que era cara de pau do deputado que sugeriu a volta da CPMF (CSS), porque ela não seria boa para o Brasil. Eu perguntaria para que Brasil ela não seria boa, porque certamente para aqueles que padecem nas filas de hospitais públicos, seria muito boa sim, e também para aqueles que não precisam dos serviços médicos públicos mas que têm senso de justiça.Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de São Paulo, conta o encontro entre o cardiologista e ex-Ministro da Saúde, Adib Jatene com Paulo Skaf, presidente da FIESP, falando sobre a CPMF: “No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, concordarei com o fim da CPMF. Enquanto vocês milionários não toparem, não concordo. Os ricos não pagam impostos e por isso o Brasil é tão desigual. Vocês são contra porque a CPMF não dá para sonegar”.A dúvida que ainda poderia persistir é se é ou não uma necessidade do governo esse recurso adicional. Mais uma vez ela, a imprensa, propalou o valor de tributos recebidos em abril, para induzir as pessoas a acreditarem ser o CSS desnecessário, mas esqueceu de dizer que foi o mês de entrega do imposto de renda, quando o recolhimento tem uma majoração substancial.Sem ter maiores conhecimentos sobre o orçamento da União, adotei um raciocínio que me parece bastante razoável, para me colocar a favor da CSS.O governo FHC, além da receita comum a ambos os governos, contou com a CPMF nas duas gestões, vendeu 76% do patrimônio público e obteve 3 empréstimos do FMI. Com tudo isso, ainda aumentou a dívida interna em mais de 1.400% (2001 - Itamar: R$ 61 bilhões / 2005 - FHC: R$ 881 bilhões).Não diria que não houve investimento algum no governo FHC, mas apesar disso, as estradas do país foram sucateadas, os aeroportos e portos abandonados, a energia resultou no apagão. O salário dos militares e funcionários públicos foram congelados, o país não cresceu. E para mim, a pergunta que não quer calar é: O que fez FHC com o nosso dinheiro?Já com Lula, não houve endividamento externo, pelo contrário, pagamos o que devíamos ao FMI e ao Clube de Paris, para recuperar a soberania, porque quem dá o pão, dá a instrução. Não houve também alienação do patrimônio.Mas vimos os programas sociais tomarem vulto, a ponto do legado do Betinho, o “Natal sem fome”, nos últimos anos, em vez de distribuir cestas básicas, passar a distribuir brinquedos e livros. E quando há inclusão de cidadãos na economia do país, esta resulta em desenvolvimento, porque os ricos contribuem mesmo é para a economia dos países desenvolvidos.Com Lula o país voltou a crescer, e o PAC está investindo em todos os estados da União, para acelerar o desenvolvimento. O Brasil tem sido constantemente elogiado no exterior: dizem que o gigante adormecido está finalmente acordando. Recebeu “grau de investimento” de três agências e pela 1ª vez, as más notícias não nos dizem respeito, mas à grande nação norte-americana.A oposição não está preocupada com o país, até porque, se o Brasil chegou ao fundo do poço como sabemos, eles foram os grandes responsáveis, já que o governaram o por tantos anos. Não são capazes de fazer críticas pertinentes, como seria desejável para o fortalecimento da democracia, mas apenas atrapalhar, inventando dossiês cuja lógica não se sustenta, única e exclusivamente para impedir que o Lula continue trabalhando pelo bem do país e que possa eleger o seu sucessor.Finalmente, o último argumento que poderia haver, seria o problema da corrupção. Infelizmente, é verdade. O Brasil tem uma cultura de corrupção que começou desde os tempos em que foi descoberto. A sensação que passa é que, onde se procurar corrupção, se há de encontrar. Porém, o governo PSDB + (Arena/PDS/PFL/DEM), a roubalheira correu solta. O Procurador Geral da República era conhecido como “engavetador”, porque arquivava todas as denúncias. A CGU - Controladoria Geral da União era dirigida pela Sra. Anadia, e foi o “jeitinho” que o FHC encontrou para evitar que fosse criada uma CPI para investigar uma quantidade incomensurável de denúncias contra o seu governo. A atual CGU é responsável pela destituição de inúmeros prefeitos, pegos em ladroagem. A Polícia Federal nunca trabalhou tanto, e pela 1ª vez estamos vendo ricos ladrões indo para a cadeia.Não poderia afirmar que corrupção tenha acabado no Brasil. As pessoas são humanas, com defeitos, e as tentações muito grandes, mas o que é encontrado está tendo conseqüências, que só não são maiores, quando a justiça manda soltar os presos. Aliás, essa era uma outra bandeira a ser abraçada: acabar com a impunidade que o judiciário confere aos chamados “crimes de colarinho branco”.[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
Em tempos em que se discute a volta da CPMF, que se chamará CSS, com taxa de 0,1% (contra 0,38% da contribuição anterior) e para ser totalmente empregada na saúde, gostaria de fazer algumas considerações:Um assunto freqüente na imprensa é a alta carga tributária brasileira. Empresários paulistas chegaram a montar um relógio exibindo para a população, a cada minuto o que estaria sendo recolhido de imposto, sem distinguir o que de fato é federal, estadual ou municipal. Tudo somado, induzindo serem apenas tributos federais.Com isso, o assalariado inadvertidamente concorda, porque a sua contribuição de imposto de renda é de fato muito alta. Porém o que ele não percebe é que aqueles que reclamam da alta carga tributária, são exatamente aqueles que têm mil e um truques para não pagar o imposto de renda correspondente aos seus altos ganhos, deixando à classe assalariada a incumbência de carregar o país nas costas. Vale lembrar que quem faz as leis é o Congresso Nacional, cujas campanhas são financiadas por eles, para que sejam sempre beneficiados.Ouvi certa vez o Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, afirmar que a carga tributária não é alta ou baixa. Ela depende das necessidades do país, no que concordo plenamente.As necessidades do Brasil são enormes. Historicamente, os serviços prestados, sejam saúde, educação, infra-estrutura (energia, estradas, portos, etc), até o atendimento nos serviços públicos, sempre foram precaríssimos.O que a imprensa não diz, é que a carga tributária brasileira não é alta, mas injusta, ou seja, mal distribuída. Quando ela fez campanha pelo fim da CPMF, afirmou que os preços baixariam, porém, não foi o que aconteceu. Uma pesquisa realizada pelo professor Marcos Cintra, da FGV - Fundação Getúlio Vargas, mostrou que o fim da CPMF não fez os preços caírem, e que alguns até subiram, virando aumento da margem de lucro dos bancos e das grandes empresas, embolsando mais de R$ 32 bilhões, parcela da contribuição que lhes cabia.A imprensa vive de seus anunciantes, que são majoritariamente os bancos e as grandes empresas, os maiores beneficiários do fim da CPMF, como dito acima. Se a imprensa estivesse do lado da classe assalariada, ela incentivaria uma pressão popular para tornar a distribuição dos tributos mais justa, mas não é o que se vê. Ela consegue fazer com que as pessoas fiquem contra os seus próprios interesses.Em 2007, o cruzamento de dados da declaração do imposto de renda com a CPMF, levou a Receita Federal a autuar 208.471 contribuintes apenas no 1º semestre, com valor sonegado de R$ 1,33 bilhões.Melhor seria para a classe-média, continuar pagando a CPMF, ou agora CSS e reivindicar uma distribuição mais justa de imposto de renda, e essa proposta não é impossível, porque já houve uma tentativa, no 1º mandato do Presidente Lula, quando o Ministro Palocci foi ao Congresso para explicar e pedir a aprovação da proposta da reforma tributária do governo.Eu assisti na TV Senado, e não vi nenhuma menção na imprensa escrita ou falada. Nela, era prevista a taxação sobre grandes heranças, um imposto para barcos e aviões particulares (carros pagam IPVA, porém aviões e iates não) e um aumento nos tributos bancários. Em contra-partida, seriam diminuídas nas mesmas proporções, as contribuições da classe assalariada e a imediata correção da tabela de imposto de renda, congelada nos 8 anos do governo FHC.O então ministro Palocci foi aparteado pelo senador Bornhausen, que disse ser absurda a taxação sobre heranças. Dizia ele que era injusto que um filho que herdasse um apartamento, tivesse que vendê-lo para pagar o imposto. O ministro Palocci então disse ao senador que não era o caso de pequenas, mas de grandes heranças. Palocci disse ainda que estava na hora da elite, que historicamente teve sempre grandes vantagens no país, ter uma atitude mais “desprendida”.A imprensa disse que o governo Lula queria aumentar os impostos, fazendo a cabeça da população contra a medida. Resumo da história: o PSDB e (Arena/PDS/PFL/DEM) retiraram esses quesitos para negociar a aprovação, e tudo continuou como dantes, no quartel de Abrantes.O presidente da FIESP, o Paulo Scaffi, defensor dos grandes empresários paulistas, teve a cara de pau de dizer que era cara de pau do deputado que sugeriu a volta da CPMF (CSS), porque ela não seria boa para o Brasil. Eu perguntaria para que Brasil ela não seria boa, porque certamente para aqueles que padecem nas filas de hospitais públicos, seria muito boa sim, e também para aqueles que não precisam dos serviços médicos públicos mas que têm senso de justiça.Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de São Paulo, conta o encontro entre o cardiologista e ex-Ministro da Saúde, Adib Jatene com Paulo Skaf, presidente da FIESP, falando sobre a CPMF: “No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, concordarei com o fim da CPMF. Enquanto vocês milionários não toparem, não concordo. Os ricos não pagam impostos e por isso o Brasil é tão desigual. Vocês são contra porque a CPMF não dá para sonegar”.A dúvida que ainda poderia persistir é se é ou não uma necessidade do governo esse recurso adicional. Mais uma vez ela, a imprensa, propalou o valor de tributos recebidos em abril, para induzir as pessoas a acreditarem ser o CSS desnecessário, mas esqueceu de dizer que foi o mês de entrega do imposto de renda, quando o recolhimento tem uma majoração substancial.Sem ter maiores conhecimentos sobre o orçamento da União, adotei um raciocínio que me parece bastante razoável, para me colocar a favor da CSS.O governo FHC, além da receita comum a ambos os governos, contou com a CPMF nas duas gestões, vendeu 76% do patrimônio público e obteve 3 empréstimos do FMI. Com tudo isso, ainda aumentou a dívida interna em mais de 1.400% (2001 - Itamar: R$ 61 bilhões / 2005 - FHC: R$ 881 bilhões).Não diria que não houve investimento algum no governo FHC, mas apesar disso, as estradas do país foram sucateadas, os aeroportos e portos abandonados, a energia resultou no apagão. O salário dos militares e funcionários públicos foram congelados, o país não cresceu. E para mim, a pergunta que não quer calar é: O que fez FHC com o nosso dinheiro?Já com Lula, não houve endividamento externo, pelo contrário, pagamos o que devíamos ao FMI e ao Clube de Paris, para recuperar a soberania, porque quem dá o pão, dá a instrução. Não houve também alienação do patrimônio.Mas vimos os programas sociais tomarem vulto, a ponto do legado do Betinho, o “Natal sem fome”, nos últimos anos, em vez de distribuir cestas básicas, passar a distribuir brinquedos e livros. E quando há inclusão de cidadãos na economia do país, esta resulta em desenvolvimento, porque os ricos contribuem mesmo é para a economia dos países desenvolvidos.Com Lula o país voltou a crescer, e o PAC está investindo em todos os estados da União, para acelerar o desenvolvimento. O Brasil tem sido constantemente elogiado no exterior: dizem que o gigante adormecido está finalmente acordando. Recebeu “grau de investimento” de três agências e pela 1ª vez, as más notícias não nos dizem respeito, mas à grande nação norte-americana.A oposição não está preocupada com o país, até porque, se o Brasil chegou ao fundo do poço como sabemos, eles foram os grandes responsáveis, já que o governaram o por tantos anos. Não são capazes de fazer críticas pertinentes, como seria desejável para o fortalecimento da democracia, mas apenas atrapalhar, inventando dossiês cuja lógica não se sustenta, única e exclusivamente para impedir que o Lula continue trabalhando pelo bem do país e que possa eleger o seu sucessor.Finalmente, o último argumento que poderia haver, seria o problema da corrupção. Infelizmente, é verdade. O Brasil tem uma cultura de corrupção que começou desde os tempos em que foi descoberto. A sensação que passa é que, onde se procurar corrupção, se há de encontrar. Porém, o governo PSDB + (Arena/PDS/PFL/DEM), a roubalheira correu solta. O Procurador Geral da República era conhecido como “engavetador”, porque arquivava todas as denúncias. A CGU - Controladoria Geral da União era dirigida pela Sra. Anadia, e foi o “jeitinho” que o FHC encontrou para evitar que fosse criada uma CPI para investigar uma quantidade incomensurável de denúncias contra o seu governo. A atual CGU é responsável pela destituição de inúmeros prefeitos, pegos em ladroagem. A Polícia Federal nunca trabalhou tanto, e pela 1ª vez estamos vendo ricos ladrões indo para a cadeia.Não poderia afirmar que corrupção tenha acabado no Brasil. As pessoas são humanas, com defeitos, e as tentações muito grandes, mas o que é encontrado está tendo conseqüências, que só não são maiores, quando a justiça manda soltar os presos. Aliás, essa era uma outra bandeira a ser abraçada: acabar com a impunidade que o judiciário confere aos chamados “crimes de colarinho branco”.[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
POLÍTICA - Dilma, Serra, Aécio e a estratégia de Lula.
Escrito por Luiz Antonio Magalhães.
Depois da crise de 2005 e 2006, a política brasileira vem passando por uma fase de relativa calmaria. É verdade que o clima às vezes esquenta por conta de um dossiê aqui, outra denúncia acolá, mas no fundo o cenário da economia em franca expansão acaba trazendo não apenas popularidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como também uma certa interdição do debate de idéias no país.
Os leitores certamente notaram que nos últimos meses os principais líderes da oposição com chance de bater o PT na eleição de 2010 – os governadores Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo, ambos tucanos – simplesmente pararam de criticar o governo federal.
Serra não diz absolutamente nada sobre coisa alguma desde que assumiu a prefeitura de São Paulo, pois parece ter gostado do marketing criado para aquela campanha, repetido quando ele concorreu ao governo do estado, que consiste em falar apenas generalidades e dar uma boa lustrada em sua biografia, tentando convencer o eleitorado de que ele é o "mais preparado" para a administração pública brasileira, ao passo que seus adversários todos seriam meros amadores. É possível que Serra tenha sido mais combativo ao questionar a política econômica de Fernando Henrique Cardoso, seu correligionário, do que a de Lula, seu adversário. Mais recentemente, o governador paulista decidiu aceitar convites para aparecer a lado de Lula em eventos dos mais variados, como inaugurações de obras do PAC ou lançamento da Política Industrial.
De Aécio, então, nem é preciso falar: age praticamente como um parceiro de Lula, patrocinando uma candidatura em Belo Horizonte na qual o PSB é cabeça de chapa e o PT fica com a vice, excluindo seu próprio partido, o PSDB, que participaria da aliança com a esperança de, uma vez eleita a chapa, participar do governo municipal em algumas secretarias. Mais ainda: quem é o candidato de Aécio ao governo de Minas em 2010? É o petista Fernando Pimentel, atual prefeito de BH, que em contrapartida poderia apoiar Aécio em uma eventual candidatura à presidência da República.
Trocando em miúdos, o maior partido de oposição do país a rigor não faz oposição alguma ao governo, pelo menos não neste momento. No fundo, o coro dos descontentes ficou limitado hoje à extrema esquerda e ao DEM, sobre o qual seria até injusto qualificar como extrema-direita, pois se trata apenas de um saco de gatos pingados que foram excluídos do banquete fisiológico servido pelo governo federal. Nos dois casos, os descontentes guardam como semelhança a extrema incompetência em se comunicar com a população – basta ver como Agripino Maia e Heloísa Helena se parecem em seus recentes discursos de tom udenista-desastrado.
Governo em ação: agora é Dilma?
Se o presidente Lula tem tido a sorte de contar com o vigoroso crescimento da economia e, ao mesmo tempo, com a absoluta tibieza da oposição, é fato que ele ainda não está com a vida ganha, como se diz no campo da malandragem, porque não tem ainda um "sucessor natural" que pudesse absorver a força da altíssima popularidade do governo e do presidente. Muita gente já tem certeza que o nome é Dilma Rousseff, a ministra da Casa Civil que já começa a ser conhecida como "mãe do PAC". É um pouco cedo, embora o PAC já seja a grande bandeira eleitoral da eleição de 2010. Ademais, como bem lembrou o experiente deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), um nome como o de Dilma, que não foi "curado pelo tempo", é mais suscetível a oscilações, coisa que não acontece com a turma que está nessa estrada há muitos anos, como Serra, Lula e Aécio.
Outro experiente parlamentar que prefere falar em off diz que Lula só não parte para o terceiro mandato porque acha difícil aprovar a mudança constitucional no Senado – "na Câmara passa com mais de 400 votos, no Senado faltam pelo menos dois ou três. Só daria certo se o pedido viesse das ruas", explica. Segundo este mesmo parlamentar, o presidente está agindo com habilidade no trato da oposição, fomentando a disputa entre Serra e Aécio no PSDB, mas sem permitir que qualquer um deles se fortaleça em demasia neste momento, a fim de que a definição da candidatura só ocorra mesmo em 2010, desgastando os dois pré-candidatos internamente. Por outro lado, continua a fonte, Lula não se compromete com nenhum nome da base aliada, embora tenha "carregado" bastante a ministra Dilma nos últimos tempos.
Lula conhece melhor que ninguém o que significa uma eleição presidencial – já disputou 5 delas. Se aparenta não ter uma estratégia definida neste momento, é porque está observando o cenário e tentando ouvir a voz rouca das ruas, como dizia seu antecessor na presidência. A pressão da mídia para que ele esqueça o terceiro mandato é grande, enorme. Resta saber se o presidente agüenta a outra pressão - do PT e da massa para que ele concorra mais uma vez...
Luiz Antônio Magalhães é editor de política do DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/).
Blog do autor: http://www.blogentrelinhas.blogspot.com/
Depois da crise de 2005 e 2006, a política brasileira vem passando por uma fase de relativa calmaria. É verdade que o clima às vezes esquenta por conta de um dossiê aqui, outra denúncia acolá, mas no fundo o cenário da economia em franca expansão acaba trazendo não apenas popularidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como também uma certa interdição do debate de idéias no país.
Os leitores certamente notaram que nos últimos meses os principais líderes da oposição com chance de bater o PT na eleição de 2010 – os governadores Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo, ambos tucanos – simplesmente pararam de criticar o governo federal.
Serra não diz absolutamente nada sobre coisa alguma desde que assumiu a prefeitura de São Paulo, pois parece ter gostado do marketing criado para aquela campanha, repetido quando ele concorreu ao governo do estado, que consiste em falar apenas generalidades e dar uma boa lustrada em sua biografia, tentando convencer o eleitorado de que ele é o "mais preparado" para a administração pública brasileira, ao passo que seus adversários todos seriam meros amadores. É possível que Serra tenha sido mais combativo ao questionar a política econômica de Fernando Henrique Cardoso, seu correligionário, do que a de Lula, seu adversário. Mais recentemente, o governador paulista decidiu aceitar convites para aparecer a lado de Lula em eventos dos mais variados, como inaugurações de obras do PAC ou lançamento da Política Industrial.
De Aécio, então, nem é preciso falar: age praticamente como um parceiro de Lula, patrocinando uma candidatura em Belo Horizonte na qual o PSB é cabeça de chapa e o PT fica com a vice, excluindo seu próprio partido, o PSDB, que participaria da aliança com a esperança de, uma vez eleita a chapa, participar do governo municipal em algumas secretarias. Mais ainda: quem é o candidato de Aécio ao governo de Minas em 2010? É o petista Fernando Pimentel, atual prefeito de BH, que em contrapartida poderia apoiar Aécio em uma eventual candidatura à presidência da República.
Trocando em miúdos, o maior partido de oposição do país a rigor não faz oposição alguma ao governo, pelo menos não neste momento. No fundo, o coro dos descontentes ficou limitado hoje à extrema esquerda e ao DEM, sobre o qual seria até injusto qualificar como extrema-direita, pois se trata apenas de um saco de gatos pingados que foram excluídos do banquete fisiológico servido pelo governo federal. Nos dois casos, os descontentes guardam como semelhança a extrema incompetência em se comunicar com a população – basta ver como Agripino Maia e Heloísa Helena se parecem em seus recentes discursos de tom udenista-desastrado.
Governo em ação: agora é Dilma?
Se o presidente Lula tem tido a sorte de contar com o vigoroso crescimento da economia e, ao mesmo tempo, com a absoluta tibieza da oposição, é fato que ele ainda não está com a vida ganha, como se diz no campo da malandragem, porque não tem ainda um "sucessor natural" que pudesse absorver a força da altíssima popularidade do governo e do presidente. Muita gente já tem certeza que o nome é Dilma Rousseff, a ministra da Casa Civil que já começa a ser conhecida como "mãe do PAC". É um pouco cedo, embora o PAC já seja a grande bandeira eleitoral da eleição de 2010. Ademais, como bem lembrou o experiente deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), um nome como o de Dilma, que não foi "curado pelo tempo", é mais suscetível a oscilações, coisa que não acontece com a turma que está nessa estrada há muitos anos, como Serra, Lula e Aécio.
Outro experiente parlamentar que prefere falar em off diz que Lula só não parte para o terceiro mandato porque acha difícil aprovar a mudança constitucional no Senado – "na Câmara passa com mais de 400 votos, no Senado faltam pelo menos dois ou três. Só daria certo se o pedido viesse das ruas", explica. Segundo este mesmo parlamentar, o presidente está agindo com habilidade no trato da oposição, fomentando a disputa entre Serra e Aécio no PSDB, mas sem permitir que qualquer um deles se fortaleça em demasia neste momento, a fim de que a definição da candidatura só ocorra mesmo em 2010, desgastando os dois pré-candidatos internamente. Por outro lado, continua a fonte, Lula não se compromete com nenhum nome da base aliada, embora tenha "carregado" bastante a ministra Dilma nos últimos tempos.
Lula conhece melhor que ninguém o que significa uma eleição presidencial – já disputou 5 delas. Se aparenta não ter uma estratégia definida neste momento, é porque está observando o cenário e tentando ouvir a voz rouca das ruas, como dizia seu antecessor na presidência. A pressão da mídia para que ele esqueça o terceiro mandato é grande, enorme. Resta saber se o presidente agüenta a outra pressão - do PT e da massa para que ele concorra mais uma vez...
Luiz Antônio Magalhães é editor de política do DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/).
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