domingo, 17 de novembro de 2019

Lula no Recife, o fracasso do ato dos morominions e o relato exclusivo s...

Equipe da Jovem Pan vira alvo de milícia bolsonarista, diz Carlos Andreazza

Equipe da Jovem Pan vira alvo de milícia bolsonarista, diz Carlos Andreazza: Embora tenha sido uma das principais propagadoras do discurso de ódio no Brasil, a Joven Pan virou alvo de milicianos apoiadores de Jair Bolsonaro na avenida Paulista, durante cobertura da manifestação pelo impeachment do ministro Gilmar Mendes. A denúncia foi feita pelo jornalista Carlos Andreazza

BOLÍVIA - O ódio contra os indígenas.

“O ódio ao índio”: o belíssimo artigo do vice de Evo sobre as raízes do golpe na Bolívia



Assim como no Brasil jamais aceitaram um operário como 

presidente, na Bolívia jamais aceitaram um índio.

Jamais imaginei a virulência do ódio aos índios vigente na Bolívia.

Em relação ao Lula está também embutido um ódio de classe.




Publicado por
 Kiko Nogueira
 - 
 


Linera escreve que "por trás de cada liberal medíocre, se esconde um golpista contumaz".
Caixões com indígenas mortos pelas forças do golpe na Bolívia

O ex-vice presidente da Bolívia, Álvaro Linera, escreveu um belíssimo artigo sobre o golpe e as raízes racistas da sociedade boliviana. 
Chama-se “O ódio ao índio” e foi publicado no Celag.org.
Eis alguns trechos:
Como uma espessa neblina noturna, o ódio se espalha pelos bairros das tradicionais classes médias urbanas da Bolívia.
 Seus olhos transbordam de raiva.
 Eles não gritam, cospem; eles não reivindicam, eles impõem.
Suas canções não são de esperança ou fraternidade, são de desprezo e discriminação contra os índios.
 Eles andam de moto, andam de caminhão, se reúnem em universidades particulares e caçam índios que ousaram tirar seu poder.
No caso de Santa Cruz, eles organizam hordas motorizadas com veículos 4×4 com paus na mão para assustar os índios, que os chamam de collas  [termo racista para identificar os indígenas] e que vivem em favelas e mercados.
Eles cantam slogans dizendo que você tem que matar collas, e se alguma mulher de pollera [o vestido típico] cruza seu território, eles a espancam, ameaçam e expulsam.
 Em Cochabamba, organizam comboios para impor a supremacia racial na zona sul, onde vivem as classes carentes, e avançam como se fossem um destacamento de cavalaria sobre milhares de camponesas indefesas.
Eles carregam tacos de beisebol, correntes, granadas de gás, algumas exibem armas de fogo.
 A mulher é sua vítima favorita, eles agarram uma prefeita camponesa, humilham-na, arrastam-na pela rua, batem nela, urinam quando ela cai no chão, cortam seus cabelos, ameaçam linchá-la e quando percebem que eles são filmados decidem jogar tinta vermelha, simbolizando o sangue.

Em La Paz, eles suspeitam de suas empregadas e não falam quando trazem a comida para a mesa, no fundo as temem, mas também as desprezam.
 Depois saem às ruas para gritar, insultam Evo e todos esses índios que ousaram construir a democracia intercultural com igualdade.
Quando são muitos, arrastam a whiphala, a bandeira indígena, cospem nela, pisam, cortam, queimam.
 É uma raiva visceral que é lançada sobre este símbolo de índios que gostariam de extinguir.
Tudo explodiu no domingo, 20, quando Evo Morales venceu as eleições com mais de 10 pontos de diferença no segundo turno, mas não mais com a imensa vantagem de antes ou 51% dos votos. 
Foi o sinal de que as forças regressivas aguardavam, do candidato da oposição liberal, as forças políticas ultraconservadoras, a OEA e a classe média tradicional. 
Evo venceu novamente, mas ele não tinha mais 60% do eleitorado. O perdedor não reconheceu sua derrota.
 A OEA falou de eleições limpas, mas de uma vitória reduzida e pediu um segundo turno, aconselhando a ir contra a Constituição que afirma que se um candidato tiver mais de 40% dos votos e mais de 10 pontos de diferença em relação ao segundo é o eleito.
E a classe média foi à caça dos índios.
 A cidade de Santa Cruz decretou uma greve que articulou os habitantes das áreas centrais da cidade, ramificando a greve nas áreas residenciais de La Paz e Cochabamba.
 E então o terror eclodiu.
Bandas paramilitares começaram a sitiar instituições, a queimar sedes sindicais, a queimar as casas de candidatos e líderes políticos do partido do governo, até que a residência particular do presidente fosse saqueada.
 Em outros lugares, famílias, incluindo crianças, foram sequestradas e ameaçadas de serem flageladas e queimadas se o ministro ou o líder sindical não renunciassem à sua posição.
 Uma longa noite de facas longas foi desencadeada e o fascismo apareceu.
Quando as forças populares mobilizadas para resistir a esse golpe civil começaram a recuperar o controle territorial das cidades com a presença de trabalhadores, mineiros, camponeses, indígenas e colonos urbanos, e o equilíbrio da correlação de forças estava se inclinando para o lado das forças.
Os policiais haviam demonstrado durante semanas uma indolência e ineptidão para proteger as pessoas humildes quando elas eram espancadas e perseguidas por gangues facistóides; mas a partir de sexta-feira, com a ignorância do comando civil, muitos deles mostrariam uma capacidade extraordinária de atacar, torturar e matar manifestantes populares. (…)
O mesmo aconteceu com as forças armadas.
 Em toda a nossa administração, nunca permitimos que as manifestações civis fossem reprimidas, mesmo durante o primeiro golpe civil de 2008. (…)
Não hesitaram em pedir ao presidente Evo que se demitisse, quebrando a ordem constitucional.
 Eles se esforçaram para tentar sequestrá-lo quando ele foi e estava no Chapare.
 E quando o golpe foi consumado, eles foram às ruas para disparar milhares de balas, militarizar as cidades, matar camponeses.
 Tudo sem decreto presidencial.
Linera e Morales
Obviamente, para proteger o índio, era necessário um decreto.
 Para reprimir e matar índios, bastava obedecer ao que o ódio racial e de classe ordenava.
 Em cinco dias já há mais de 18 mortos e 120 feridos a tiros. Claro, todos eles indígenas.
A questão que todos temos que responder é: como é que essa classe média tradicional foi capaz de incubar tanto ódio e ressentimento que a levou a abraçar um fascismo racializado centrado no indígena como inimigo? 
Como ele irradiou suas frustrações de classe para a polícia e as Forças Armadas?
Foi a rejeição da igualdade, isto é, a rejeição dos próprios fundamentos de uma democracia substancial.
Nos últimos 14 anos de governo, os movimentos sociais tiveram como principal característica o processo de equalização social, redução abrupta da pobreza extrema (de 38% para 15%), extensão de direitos para todos (acesso universal à saúde, educação e proteção social), indianização do Estado (mais de 50% dos funcionários da administração pública têm uma identidade indígena, nova narrativa nacional em torno do tronco indígena), redução das desigualdades econômicas (de 130% para 45%, a diferença de renda entre os mais ricos e os mais pobres), isto é, a democratização sistemática da riqueza, acesso a bens públicos, oportunidades e poder estatal. (…)
Mas isso levou ao fato de que em uma década a porcentagem de pessoas na chamada classe média, medida em renda, aumentou de 35% para 60%, principalmente de setores indígenas populares.
É um processo de democratização dos bens sociais através da construção da igualdade material, mas que inevitavelmente levou a uma rápida desvalorização das capitais econômicas, educacionais e políticas pertencentes às classes médias tradicionais. (…)
É, portanto, um colapso do que era característico da sociedade colonial, a etnia como capital, ou seja, o fundamento imaginado da superioridade histórica da classe média sobre as classes subalternas, porque aqui na Bolívia a classe social é apenas compreensível e visível sob a forma de hierarquias raciais.
O fato de os filhos desta classe média terem sido a tropa de choque da insurgência reacionária é o grito violento de uma nova geração que vê a herança do sobrenome e da pele desaparecerem diante da força da democratização dos bens.
Embora exibam bandeiras da democracia entendidas como voto, na verdade se rebelaram contra a democracia entendida como equalização e distribuição da riqueza.
 É por isso que o excesso de ódio, de violência, porque a supremacia racial é algo que não é racionalizado.
 É vivido como um impulso primário do corpo, como uma tatuagem da história colonial na pele.
Portanto, o fascismo não é apenas a expressão de uma revolução fracassada, mas, paradoxalmente, também nas sociedades pós-coloniais, o sucesso de uma democratização material alcançada.
Portanto, não surpreende que, enquanto os índios colham os corpos de cerca de 20 mortos a tiros, seus autores materiais e morais narrem que o fizeram para salvaguardar a democracia.
 Na realidade, eles sabem que o que fizeram foi proteger o privilégio da casta e do sobrenome.
Mas o ódio racial só pode destruir.
 Não é um horizonte, nada mais é do que uma vingança primitiva de uma classe histórica e moralmente decadente que demonstra que por trás de cada liberal medíocre se esconde um golpista contumaz.

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POLÍTICA - O dedo americano no golpe e na lava jato.

Mídia ignora participação dos EUA no caso Lula e continua campanha de difamação


Foto: Reprodução
Publicado originalmente no GGN:
Brian Mier, jornalista da Fair.org, um dos observatórios da imprensa mais respeitados dos EUA, escreveu um artigo (veja aqui) em que narra a reação da mídia internacional à libertação de Lula. Para ele, o fato é que os veículos de comunicação continuam abafando a participação do governo americano na Lava Jato e seguem com a campanha de “difamação” em relação ao ex-presidente, mesmo diante das fortes evidências de ilegalidades e politização do processo.
No texto, Brian relembra a fragilidade do caso envolvendo o triplex no Guarujá, passando pelas provas de inocência feitas pelos advogados de Lula e ignoradas por Sergio Moro, o uso da delação questionável de Leo Pinheiro (OAS), até chegar à sentença controversa.
Segundo Brian, um aspecto do julgamento deixado à margem do debate na mídia nacional e internacional diz respeito ao papel do governo norte-americano na construção da Lava Jato.
Os procuradores brasileiros trocaram informações com autoridades norte-americanos – Departamento de Justiça, Comissão de Valores Mobiliários e FBI, NSA e outros órgãos de inteligência – que investigaram a Petrobras em processo próprio nos Estados Unidos.
Há evidências fortes demais para serem ignoradas – como um vídeo do procurador Kenneth Blanco, que o GGN mostrou aqui – de que a cooperação entre Lava Jato e EUA ocorreu muitas vezes de maneira ilegal, o que seria suficiente para anular a operação. A cooperação informal e irregular, aliás, se repetiu com autoridades da Suíça, como confirmaram as mensagens de Telegram vazadas pelo Intercept Brasil.
Para Brian, esses dois fatos contrastam com a cobertura da imprensa, que minimaliza a questão mesmo após a libertação de Lula. Segue tratando sua condenação como se tivesse sido fruto de um processo judicial padrão, e não algo totalmente politizado.
“Alguém poderia pensar que agora a mídia corporativa dos EUA iria finalmente duvidar da narrativa de que Lula pudesse realmente ser culpado de corrupção. Os leitores americanos não estariam interessados em saber qual o papel desempenhado pelo Departamento de Justiça nesse processo?”, questiona.
“Infelizmente, desde a libertação de Lula nenhum dos principais meios de comunicação corporativos mencionou o papel do Departamento de Justiça dos EUA na Lava Jato. Embora alguns artigos tenham mencionado as revelações do Intercept, eles foram reformulados para terem uma narrativa menos ameaçadora, apresentada em um contexto que pudesse ‘levantar algumas dúvidas’ sobre a investigação”, afirmou.
Segundo Brian, “apesar das provas da inocência e perseguição ilegal a Lula, com a cooperação do Departamento de Justiça dos EUA, que o afastou das eleições presidenciais de 2018, a grande mídia se apega a uma falsa narrativa que, embora enfraquecida pelas ações subsequentes do atual ‘Super Ministro da Justiça’ Moro , ainda busca prejudicar a imagem pública do presidente mais popular da história brasileira.”
Ao final, ele escreveu: “Enquanto a campanha de difamação continua, é importante lembrar que Lula representou um projeto de desenvolvimento nacional social-democrata, na tradição do que os brasileiros chamam de desenvolvimentismo, baseado no controle estratégico sobre os recursos naturais e seu uso para financiar serviços públicos, como saúde e educação, políticas de fortalecimento do salário mínimo e direitos trabalhistas, ampliação do acesso a universidades públicas gratuitas e forte investimento em pesquisa científica. Este é o projeto que foi desmontado após o golpe de 2016, em benefício de empresas como Monsanto, Chevron, ExxonMobil e Boeing. A história mostra que todo presidente brasileiro que já tentaram implementar políticas desenvolvimentistas – de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Jango Goulart a Dilma e Lula – foi submetido a um golpe, prisão ou assassinato político, com suspeita permanente do envolvimento dos EUA. E como vemos a mídia corporativa trabalhando para normalizar o golpe militar na Bolívia (FAIR.org, 11/11/19), fica claro que esse problema não se limita ao Brasil.”

LULA LIVRE NO NORDESTE

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sábado, 16 de novembro de 2019

POLÍTICA - a República estrebucha.


De golpe em golpe, a República estrebucha

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Sexta-feira, 15 de novembro de 2019, feriado da Proclamação da República.

Para mim, que trabalho de domingo a domingo, hoje é um dia como outro qualquer, nada vejo para comemorar, 130 anos depois.

Se não me falha a memória dos tempos de escola, o que houve no dia 15 de novembro de 1889 foi um golpe militar para destituir o imperador D. Pedro II, seguido de muitos outros golpes até chegarmos aos tenebrosos dias atuais com um ex-militar no poder.

Muita gente não deve lembrar, mas nossos dois primeiros presidentes republicanos foram marechais do Exército.

A galeria de militares na presidência foi inaugurada pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, que renunciou dois anos depois, para dar lugar a outro marechal, Floriano Vieira Peixoto.

Era a chamada “República da Espada”, como a chamavam na época.

O primeiro presidente civil, Prudente de Moraes, só seria eleito pelo voto direto em março de 1894.

No mais longo período de militares no poder, vários generais se sucederam na Presidência da República na ditadura militar (1964-2005), começando por outro marechal, Castelo Branco, e terminando em João Figueiredo, que saiu pela porta dos fundos, recusando-se a entregar a faixa presidencial ao civil José Sarney.

Pela primeira vez, temos agora no poder um tenente reformado como capitão, aos 33 anos, depois de ser preso e processado pelo Exército por atos de insubordinação..

Como vemos, a República baixou de patente, embora um batalhão de generais de pijama tenha sido convocado para fazer parte do governo (nove deles já foram demitidos).

É a primeira vez também que somos governados por um quarteto, o presidente e três dos seus filhos.

Antes, em 1968, tivemos uma junta de três militares, os comandantes das Forças Armadas, no impedimento de outro marechal, Costa e Silva, em 1968.

De golpe em golpe, dos mais variados tipos, chegamos a 2016, quando um golpe parlamentar derrubou a presidente Dilma Rousseff, abrindo caminho para a volta dos militares ao poder, agora pelo voto direto.

Escrevo sem consultar minha modesta biblioteca nem o Google e posso estar cometendo alguns enganos de memória, mas em resumo é isso.

Começamos a República com um golpe militar, e isso não poderia mesmo dar coisa boa.

Já tem até gente, como o ministro da Educação, este abominável Weintraub, nostálgica da Monarquia.

Ficamos sabendo esta semana que Bolsonaro até pensou em colocar como vice um herdeiro da família imperial, o “príncipe” Philippe Orleans e Bragança, que é deputado federal por São Paulo.

É o enredo pronto para para uma bela porno-chanchada com Alexandre Frota, Oscarito, e Grande Otelo, tendo como tema musical o Samba da República Doida, que está estrebuchando.

Bom final de semana a todos.

Vida que segue

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BOLÍVIA - As figuras que deram o golpe.


As figuras que deram o golpe na Bolívia

Por Victor Farinelli, no site Carta Maior:

O golpe de Estado ocorrido na Bolívia no último domingo (10/11) mostrou clara características de racismo e intolerância política. E isso não é um acaso.

O professor José Luis Fiori, um dos maiores intelectuais brasileiros, fez um relato de alguns dos fatos que marcaram aquele início de golpe, e que mostram o tipo atitude que está por trás da avançada golpista:

“Assim como outras tantas, a residência presidencial de Evo foi invadida, depredada e vandalizada. Na parede da sala, uma grande pichação: `Hijo de Puta´. Transmitido pelas TVs um vídeo amador mostrava o ato. Dentro da casa dezenas de jovens de classe média, incluindo muitas meninas adolescentes com casacos do Mickey Mouse. Quem vandalizou a casa de Evo inacreditavelmente foram estudantes de classe média. Mas algo grandioso se revela no próprio vídeo. Se a intenção era depredar a casa de algum político magnata, a surpresa foi geral. Uma casa austera, simples, sem luxo algum. Nenhuma ostentação de nada, nem uma única banheira de hidromassagem, nada. O box onde Evo tomava seus banhos é metade do meu. Ao lado de seu quarto uma salinha minúscula com uma esteira rolante e dois aparelhos de exercício. A mini-academia mais simples que já vi na vida. E é aí que o vídeo acaba mordendo o próprio rabo. Pois ao não encontrarem o luxo que esperavam só restou aqueles jovens mediocrizados pela vida a ridicularização do gosto simplório de seu ex-presidente indígena. E assim ao mirar um par de tênis numa pequena estante um jovem comenta sorrindo: "olha o mal gosto do índio". Eles bem que tentaram. Depredaram, vandalizaram, violentaram. Mas quem saiu digno e erguido, livre de todo aquele lixo que tentaram jogar-lhe, foi um homem nobre e digno chamado Juan Evo Morales Ayma”.

Mas além dos vândalos que destruíram a casa do presidente, o que podemos falar também dos líderes do processo? Falemos sobre os três nomes que são os mais visíveis, e que foram também os que convocaram os grupos causadores de vandalismo: a senadora Jeanine Áñez, autoproclamada presidenta do país, o jornalista Carlos Mesa, que perdeu a eleição presidencial contra Evo Morales no dia 20 de outubro, e o empresário e fundamentalista religioso Luis Fernando Camacho, que invadiu o Palácio Quemado com uma bíblia e lidera os grupos mais racistas de Santa Cruz de la Sierra.

Jeanine Áñez era, até a segunda-feira (11/11), somente a vice-presidenta do Senado. Os golpistas a alçaram como sua representante depois que as Forças Armadas obrigaram a renunciar as únicas quatro pessoas com direito constitucional de estar na linha de sucessão: o presidente Evo Morales, o vice-presidente Álvaro García Linera, a presidenta do Senado Adriana Salvatierra e o presidente da Câmara dos Deputados, Víctor Borda.

Além da cena lamentável de sua autoproblamação, diante de um Senado vazio – a autoproclamação de Áñez se realizou diante de um Senado vazio –, ela tem antecedentes de ser uma das figuras mais racistas da política boliviana. São conhecidas no país as suas críticas a Evo Morales atacando sua origem indígena, e tuítes onde ela crítica a utilização por parte do seu governo de símbolos indígenas, como a bandeira Whipala.

Por sua parte, o jornalista Carlos Mesa, candidato derrotado por Evo Morales nas eleições de outubro, é um ex-presidente do país, que governou entre os anos de 2003 e 2005, depois de ser vice-presidente durante o breve governo de Gonzalo Sánchez de Lozada (2002-2003).

Tanto o seu governo quanto o do seu antecessor foram marcados pela chamada Guerra do Gás, quando a população se revoltou porque o governo passou a priorizar o uso das reservas de gás natural produzido pelo país para as exportações a Brasil, Argentina e Chile, em detrimento das necessidades da população local. A repressão aos movimentos populares ordenada por Mesa e Lozada resultou em mais de 200 pessoas mortas, mais de mil feridos e cerca de 4 mil detenções arbitrárias.

Finalmente, o líder intelectual do golpe, o empresário Luis Fernando Camacho. Se trata de um fundamentalista religioso e figura proeminente da elite de Santa Cruz de la Sierra, reduto político dominado pela direita. Amigo da família Bolsonaro, Camacho chegou a visitar o Itamaraty em maio deste ano, cinco meses antes das eleições presidenciais.

Depois do golpe, Camacho passou a tentar esconder seu racismo, devido às críticas que recebeu por seu gesto de entrar no Palácio Quemado (sede do governo boliviano) com uma bíblia e realizar um culto, mas a verdade é que os grupos que realizaram queimas da bandeira indígena Whipala em vários edifícios governamentais do país no dia do golpe pertencem ao seu partido, o Centro Cívico.

Além disso, Camacho também está ligado ao escândalo internacional Panamá Papers, pelo qual teria sonegado mais de 50 milhões de dólares de suas empresas através de paraísos fiscais na América Central, segundo investigações do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, por sua sigla em inglês).