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domingo, 15 de julho de 2012

CACHOEIRODUTO - As provas da venda da casa para Cachoeira.

As provas da venda da Casa de Marconi para Cachoeira

A Excitante Indústria e Comércio de Confecções Ltda, razão social da grife Babiole, é uma empresa goiana conceituada, de Leonardo Souza Ramos, primo de Carlinhos Cachoeira.
No extrato abaixo, os dados finais que comprovam a operação Cachoeira-Perillo na venda da sua casa. Ou seja, Perillo se valeu do dinheiro do crime organizado na venda da casa.
O extrato da Excitante
A revista Época desta semana contou parte da história.
Aqui vai a história com mais detalhes e informações sobre a operação.

A triangulação do dinheiro

Em fevereiro de 2011, Marconi decidiu vender a casa. Conversou com seu assessor Wladimir Garcez, que entrou em contato com Cachoeira. O bicheiro decidiu comprar porque era uma boa casa, mas não apenas isso: era a casa do governador.
Wladimir GarcezA compra da casa foi concluída até 28 de fevereiro.
Do dia 28 ao dia 3 há um bom conjunto de áudios, 18 no total, mostrando o fechamento do negócio. A casa foi vendida por R$ 1,4 milhão.
Nas negociações, Cachoeira ligou para seu sobrinho Leonardo Souza Ramos. Como era a casa do governador, o dinheiro não dava para vir diretamente das empresas-laranjas do bicheiro.
Aí se monta a triangulação captada pelo extrato da Excitante.
1. No dia 1o de março de 2011, a Adécio & Rafael Construção e Incorporação (uma das empresas fantasmas de Cachoeira) deposita R$ 250 mil na conta da Excitante. No dia seguinte, mais R$ 250 mil. No mesmo dia, a Excitante emite um cheque de R$ 500 mil.
2. No dia 31 de março, a Alberto e Pantoja Construções (outra fantasma) emite mais um cheque de R$ 250 mil para a Excitante. No dia 4 de abril, mais um cheque de R$ 250 mil, enquanto a Excitante emite um cheque de R$ 500 mil.
3. No dia 2 de maio, a Alberto e Pantoja deposita mais R$ 400 mil na conta da Excitante. No mesmo dia, a Excitante emite outro cheque de R$ 400 mil.

A preocupação de Cachoeira

Ao longo de março e abril, os grampos captaram a preocupação de Cachoeira com o negócio. Formou-se um burburinho, muitos comentando a operação.
A escritura de compra estava em nome de André Teixeira Jorge, o Deca, homem da Cachoeira para as empresas de comunicação do grupo. Cachoeira decide, então, vender a casa.
Um dos diálogos gravados, mostra o desconforto de Cachoeira. Ligou para lá um corretor de nome Rodolfo, querendo intermediar a venda. Em seguida, Cachoeira ligou para Cláudio Abreu e lhe passou uma bronca, acusando-o de espalhar que ele havia decidido vender a casa.
Garcez sai à cata de comprador e encontra Walter Paulo, o dono da faculdade.
Walter adquire a casa por R$ 2,1 milhão – R$ 500 mil a mais do que Cachoeira havia pago, e entrega a caixa em espécie.
Aparentemente, Walter Paulo não sabia que a casa estava sendo vendida por Cachoeira. Ele achava, de fato, que estava comprando a casa do governador. Tanto assim, que exige que o próprio governador receba o dinheiro.

O papel de Lúcio Fiuza

Perillo envia para lá Lucio Fiuza (espécie de assessor faz-tudo de Perillo) , quetoma a frente das negociações e recebe os R$ 2,1 milhão de Walter Paulo.
Nos áudios, fica claro a divisão do botim. Lucio comparece, recebe a maleta de dinheiro, retém R$ 500 mil adicionais para Marconi, R$ 100 mil para Garcez, R$ 100 mil para Fiuza e entrega R$ 1,4 milhão para Cachoeira.
Na primeira etapa da operação, Garcez já havia repassado três cheques de R$ 500 mil para Fiuza, que deposita na conta de Marconi.
Lúcio Fiuza é figura chave no que se poderia denominar de esquema Marconi. Não é apenas um facilitador, mas também empresta (ou repassa) dinheiro para o governador. Em sua declaração de renda consta um empréstimo de R$ 150 mil para Marconi. É figura chave para explicar a relação de Marconi com Cachoeira.
Concretizada a venda, a noiva de Cachoeira, Andreza se descabela, chora dizendo que havia gostado da casa, gasto R$ 500 mil com decoração. Se não arrumasse outra casa para morarem, iria se separar do bicheiro.
É aí que Cachoeira pede para Garcez conversar com Walter Paulo para alugar a casa para eles. Walter cede e não cobra aluguel
É nessa casa que Cachoeira será preso.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

CACHOEIRODUTO - Ninguém quer abrir o bico.

CPI convoca, mas não é para abrir o bico



kotscho CPI convoca, mas não é para abrir o bico
Luiz Antonio Pagot, Paulo Vieira de Souza (Paulo Preto) e Fernando Cavendish/Montagem R7

A surrealista CPI do Cachoeira, que andava devagar, quase parando, deu agora para inventar os depoimentos silenciosos.
Só depois de um acordo entre governistas e oposicionistas na CPI, garantindo o direito de permanecerem calados, foram convocados Fernando Cavendish, dono da Delta, Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit, órgão do Ministério dos Transportes, e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, empresa do governo paulista que cuida de obras rodoviárias.
No caso de Cavendish, acusado de ter ligações com o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, foi ainda mais constrangedor: seu nome só entrou na lista de convocados depois de ele próprio garantir que vai permanecer calado.
Para que servem, então estes depoimentos? O único dos três que pode romper o pacto de silêncio é Pagot, que ameaça se tornar um homem-bomba, com acusações ao PT e ao PSDB, desde que foi defenestrado do Ministério dos Transportes na "faxina" do ano passado, acusado de irregularidades diversas na direção do Dnit.
O silêncio de Fernando Cavendish interessa tanto ao governo federal, já que a sua empreiteira recebeu a maior fatia das obras do PAC, como aos governos de São Paulo, do PSDB, e Rio de Janeiro, do PMDB, onde a Delta foi responsável por grandes contratos e recebeu verbas gordas.
O grande incômodo para os tucanos e a imprensa aliada é a convocação de Paulo Preto, um arrecadador de fundos para as campanhas do PSDB, acusado por membros do próprio partido de sumir com R$ 4 milhões destinados à campanha presidencial de José Serra, em 2010.
O assunto foi levantado pela então candidata Dilma Rousseff num dos debates com Serra durante a campanha presidencial, mas depois sumiu do noticiário.
Trata-se de um tema tão delicado que o Jornal Nacional, da TV Globo, teve que se desmentir ao final da edição, depois de ter relacionado Paulo Preto a José Serra na matéria sobre os convocados pela CPI. No jornal impresso do mesmo grupo, o nome dele só aparece no sexto parágrafo e não foi incluído na manchete da página.
Já a Folha, cheia de dedos, só se refere à convocação do arrecadador tucano no sétimo parágrafo da matéria, sem explicar o motivo: "A CPI, controlada pelo PT, também decidiu investigar os contratos da Delta com o governo de São Paulo — daí a convocação de Paulo Preto, que trabalhou no governo do agora candidato José Serra". Nada escreve sobre a participação dele na campanha de 2010.
Como o Congresso Nacional vai entrar em recesso na próxima semana, os depoimentos de Cavendish, Pagot e Paulo Preto só deverão ser marcados para o mês de agosto, bem no auge da campanha eleitoral e do julgamento do processo do mensalão.
Entre várias outras testemunhas convocadas junto com os três, está o prefeito de Palmas(TO), Raul Filho, expulso do PT em abril do ano passado, fato ignorado pela grande mídia, que foi flagrado num vídeo ao fazer acertos com Carlinhos Cachoeira durante a sua primeira campanha, em 2004. O depoimento de Raul Filho foi marcado para a próxima terça-feira.
Com estes depoimentos, embora silenciosos, a CPI quer mostrar que não morreu. Conseguirá?
Blog R7 do Ricardo Kotscho.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

CACHOEIRODUTO - A estratégia do silêncio está prestes à terminar.

Cachoeira prestes a abandonar a estratégia do silêncio


Nesta semana, a sorte de Carlinhos Cachoeira mudou. O jogo virou pro lado dele e deu zebra. E Cachoeira está nervoso a ponto de ter acabado de desacatar um agente penitenciário.
Cachoeira, a propósito, estava animadíssimo com o voto equivocado do desembargador federal Tourinho Filho. No momento, e segundo avaliam policiais federais consultados por este articulista, Cachoeira, que está a perder fichas no jogo jogado, poderá “quebrar o silêncio e detonar”.
Como todos lembram, –até porque assustador em termos de insegurança social–, o desembargador, Torunho Neto, havia, em voto, concedido a Cachoeira ordem de habeas-corpus. Isto para colocá-lo em liberdade. E, também, para anular todas as interceptações telefônicas realizadas, –com autorização judicial e aval do Ministério Público–, na chamada operação Monte Carlo, conduzida pela Polícia Federal.
Mais animado Cachoeira ficou quando, em outro e diverso feito, o precipitado Tourinho Neto deu efeito extensivo ao habeas corpus concedido em favor de um tal Careca. Com o efeito extensivo, a ordem de soltura de Careca beneficiava Cachoeira.
Mas, a festa judiciária promovida por Tourinho Neto virou, ontem e para Cachoeira, uma tragédia.
Como já informado e comentado neste espaço, por 2×1, o voto de Tourinho Neto foi rejeitado pelos seus colegas togados do Tribunal Regional Federal (1ª.Região), na segunda-feira passada.
Ontem, o ministro Gilson Dip, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu liminar para cassar o efeito extensivo, concedido por Torurinho Neto, para colocação de Cachoeira em liberdade, junto com o referido Careca.
Para rematar e ainda ontem, uma nova zebra apareceu para Cachoeira.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal denegou ordem de habeas-corpus em favor de Cachoeira. Ele pretendia cair fora da cadeia em face de prisão preventiva imposta nos autos do inquérito iniciado pela operação Sain Michel. A operação Sain Michel refere-se a fraudes em licitações de bilhete eletrônico de transporte público em Brasília.
Resta a Cachoeira bater à porta do Supremo Tribunal Federal (STF). E as suas esperanças voltariam num STF que conta com um ministro Marco Aurélio, que soltou Salvatore Cacciola (fugiu para a Itália e só foi recapturado quando foi passear em Monte Carlo) e um Gilmar Mendes que, contrariando jurisprudência do STF, pulou instâncias para conceder liminar e soltar o banqueiro Daniel Dantas. Fora isso, Gilmar Mendes soltou o médico Roger Abdelmassih, que estaria no Líbano, como lhe convém espalhar para tirar a polícia do seu encalço em território brasileiro.
Pelo que circula, Cachoeira, — que de tolo não tem nada–, já analisa se “jogou certo” ao optar pelo silêncio.
Pelas informações que circulam, Cachoeira já está a achar que o silêncio não foi suficiente para ganhar a liberdade e reduzir a pó as operações Monte Carlo e Vegas (a que ficou anos na gaveta do procurador-geral Roberto Gurgel, apesar do prazo de 30 dias estabelecido pela lei processual para se manifestar). E pouco valeu a defesa técnica entregue ao influente advogado Márcio Thomaz Bastos, contrato a peso de ouro.
Por isso, Cachoeira já estaria a imaginar numa outra cartada, pois insatisfeito com o poder de pressão dos seus amigos poderosos e potentes. E até o seu fâmulo, senador Demóstenes Torres, caiu no desespero pela não prevalência do voto de Tourinho Neto e manutenção das conversas telefônicas gravadas. Demóstenes estava pronto para afirmar a inexistência de provas lícitas das suas ligações com Cachoeira.
Num pano rápido. Cachoeira pode mudar e virar uma metralhadora giratória. Para tanto, bastará abrir a boca e deixar o silêncio de lado. Essa cartada é desaconselhada pelos seus defensores, certamente.
–Wálter Fanganiello Maierovitch– Blog Sem Fronteiras.

sábado, 16 de junho de 2012

CACHOEIRODUTO - Que desembargador é esse?

Para desembargador, Cachoeira não é mais socialmente perigoso e merece liberdade.


Como todo acadêmico de Direito sabe, uma organização criminosa de matriz mafioso, como a operada por Carlinhos Cachoeira, é constituída por prazo indeterminado. Quando a organização se infiltra no poder do Estado, e está o senador Demóstenes Torres e deputados a confirmar, ela ganha força, musculatura, ao seu chefão recuperar a liberdade.
Para o desembargador Tourinho Neto, o “capo” Cachoeira já não é mais perigoso socialmente pois seu negócio, com relação à exploração ilícita de jogos eletrônicos de azar, já foi fechado. Ele, evidentemente, não lembrou da lavagem de dinheiro, da cooptação de políticos e de Cachoeira explorar, além da jogatina, outras atividades ilegais, com a construtora Delta de ponta-de-lança.
Tourinho ainda não percebeu que Cachoeira comanda “um holding criminal”. Apesar de todo o noticiário e do revelado em conversas interceptadas, Tourinho continua míope e, pela visão curta, enxerga apenas a atividade da jogatina eletrônica.
Já na terça feira passada, ao votar pela anulação das provas da Operação Monte Carlo e soltura imediata de Cachoeira, o desembargador Tourinho Neto surpreendeu. Para ele, as interceptações telefônicas eram ilegais pois os motivos apresentados pelos policiais não eram suficientes para o deferimento.
Os motivos era tão insuficientes, data vênia, que serviram para revelar, à sociedade civil brasileira, um mega-escândalo. Tem até governador sob suspeita.
Pano Rápido. Têmis, a deusa da Justiça, acaba de perder a cabeça, como na charge do Bessinha e uma pergunta fica no ar: Em que mundo Tourinho Neto vive ?????
–Wálter Fanganiello Maierovitch– Blog Sem Fronteiras. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

CACHOEIRODUTO - Gilmar Mendes desmentiu a Veja...

Gilmar Mendes desmentiu a Veja; apavorou-se com CPI; e não devia debater 'mensalão'




Depois de ver a entrevista de Gilmar Mendes na TV Globonews contando a "sua versão" do encontro com Lula, a história já mudou completamente de figura.

Na sua narrativa, ele simplesmente desmentiu a revista Veja, e mostrou-se inseguro com a CPI do Cachoeira.

A repórter pergunta: - Em algum momento [houve] a situação realmente de oferecer uma blindagem em relação às investigações que ocorrem no caso Carlinhos Cachoeira?

Gilmar desmente a Veja: - NÃO! A questão não se coloca dessa forma...

Com isso a versão de Jobim, a nota de Lula e até mesmo esta entrevista de Gilmar, confirmam que não houve proposta indecorosa nenhuma, e a revista Veja mentiu (ainda que Mendes tenha deixado a mentira correr solta durante o fim de semana, alimentando boatos).

Gilmar continuou contando sua versão na TV, mostrando que Lula conversava sobre a CPI como assunto político do momento, e do jeito que ele (Gilmar) falou, foi ele mesmo quem vestiu a carapuça e se meteu a dar explicações sobre seu relacionamento com Demóstenes e Cachoeira, por conta própria. Eis a transcrição da entrevista do ministro do STF:

- A rigor o presidente tocou várias vezes na questão da CPMI... no domínio que o governo tinha sobre a CPMI...e aí eu entendi... Eu depreendi, que ele estava inferindo que eu tinha a dever nessa matéria de CPMI, então eu disse a ele com toda franqueza: presidente, deixe eu lhe dizer uma coisa, parece que o senhor está com alguma informação confusa ou o senhor não está devidamente informado. Eu não tenho nenhum relação, a não ser relação de conhecimento, e trabalho funcional com o senador Demóstenes... E aí ele, um pouco ficou assustado, e disse: Mas não tem? E essa viagem de Berlim? Aí então eu esclareci essa viagem de Berlim, que era uma viagem que eu fizera, a partir de uma atividade acadêmica que eu tivera na Universidade de Granada, me encontrara com o senador em Praga, isso foi agendado previamente, ele tinha também uma viagem para Praga, então nos deslocamos até Berlim, onde mora a minha filha. Até brinquei, eu vou um pouco a Berlim, como o senhor vai a São Bernardo.

No Jornal Nacional, a versão sobre pedido para adiamento do mensalão, também é desmentida:

- Não houve nenhum pedido específico do presidente em relação ao mensalão. Manifestou um desejo, eu disse da dificuldade que o tribunal teria. Ele não pediu a mim diretamente. Disse: ‘O ideal era que isso não fosse julgado’. Então eu disse: ‘Não, vamos torcer para que haja um julgamento, e é tudo que o tribunal quer, e essa é a minha posição em matéria penal, é muito conhecida.”

Na Globonews ele fala algum detalhe a mais, onde Lula teria analisado consequências políticas e não jurídicas, de fazer o julgamento simultaneamente à campanha eleitoral.

Com isso, ainda que eu não confie muito na "memória" de Gilmar Mendes, o que haveria é o relato de uma opinião pessoal de Lula, sobre as consequências políticas de fazer o julgamento simultaneamente à campanha eleitoral. É um direito de Lula ter sua opinião e expressá-la, como de qualquer cidadão.

Se alguém achar que ter opinião é fazer "pressão", então os senadores e deputados da oposição, os barões da mídia, que todo dia cobram data do julgamento, também estão fazendo pressão, inclusive com mentiras, sobre prescrição de crimes que só ocorreria em 2015.

Se alguém errou ao entrar na conversa do "mensalão" foi Gilmar Mendes. Ele nem precisaria ter argumentado. Como magistrado que irá julgar a causa, deveria simplesmente dizer que sente-se impedido de discutir o assunto e deixar Lula e Jobim conversarem entre si sobre esse assunto.

Em outra entrevista, ao UOL, Gilmar afirma que foi ao encontro porque há algum tempo tentara visitar Lula e não conseguia.

Isso também desmente a Veja. Pois não foi Lula quem procurou Gilmar. A assessoria de Lula marcou o encontro, solicitado há muito tempo por Gilmar.

Se Lula estivesse empenhado em fazer lobby sobre o julgamento, não teria demorado tanto tempo para marcar o encontro.

Como se vê, Gilmar Mendes apavorou-se com seu nome citado na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, e plantou fantasmas em uma conversa informal com Lula. Infelizmente, passou a espalhar boatos por aí, que chegou à versão difamatória da revista Veja.

E agora? Quem falou demais por aí, acusando Lula de ter "pressionado" para adiar o "mensalão" e oferecido "proteção" na CPI, vai, pelo menos, pedir desculpas?
Os Amigos do Presidente Lula

segunda-feira, 28 de maio de 2012

CACHOEIRODUTO - As pistas das caronas de Cachoeira.

As pistas das caronas proibidas de Cachoeira

Por Stanley Burburinho
Demóstenes liga para Cachoeira e pede que envie avião particular para buscá-lo em SP. Veja que Wladimir diz para Cachoeira sobre diferença de fuso horário de 5 horas. Parece que Demóstenes estava na Europa.

Detalhe: Demóstenes avisa que um tal "Gilmar está com ele." Olhei todas as transcrições e não encontrei nenhuma outra citação do nome Gilmar a não ser do Gilmar Mendes.
Notei que Perillo é sócio em um avião de R$ 4 milhões.

TELEFONE NOME DO ALVO
316010027445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS - MONTE CARLO

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO
CARLINHOS X WLADIMIR(PLX)

DATA/HORA INICIAL DATA/HORA FINAL DURAÇÃO
18/04/201 I 18:08:45 18/04/201 I 18:09:37 00:00:52

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO
316010027445095 316010027450381 316010027450381 R

DIÁLOGO

\VLADIMIR diz que os pedidos de cargos pequenos do SENADOR (DEMOSTENTES), ELIANE não [em lista deles c
precisa mandar urgente para ela. CARLINHOS diz que DEMOSTENES está em BERLIM .

(ENCERRADA)


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TELEFONE NOME DO ALVO
6293391661 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS· MONTE CARLO

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO: CARLINHOS X WLADIMIR(PLX)

DATA/IIORA INICIAL DATA/HORA FINAL DURAÇÃO
23/0412011 19:31:40 23/0412011 19:34:38 00:02:58

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO A

RESUMO

Conversam sobre acidente d~ barco. CARLINHOS diz que DEOCLECIANO e JAIRINHO são innãos de AILTON.
CARLINHOS pede para avisar MARCONI. WLADlMIR diz que o PROFESSOR ligou e quer que o peguem de avião emSP. WLADlMIR diz que não achou ATAÍDE .

DIÁLOGO

CARLINHOS infonna que o DEOCLECIANO innão do AILTON pode morreu em acidente acontecido com barco em
Bandeirante/GO junto com o JAIRINHO, daí solicita que WLADIMIR avise ao MARCONI.

WLAlJlMIR diz que o Professor (DEM6STENES) está querendo vir de São Paulo no Avião do ATAIDE, mas só locali:.wu o Piloto e não localizou o ADTA!DE, daí pergunta se pode autorizar.

CARLINHOS responde que pode autorizar.

WLADIMIR diz que está ele e o GILMAR (?GILMAR MENDE?)
CARLINHOS diz c que vá preparando o Avião enquanto aclw o ATAiDE.

(ENCERRADA)


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TELEfONE NOME DO ALVO
316010027445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS - MONTE CARLO
INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO
CARLINHOS X WLADlMIR(I'LX)
DATAlHORA INICIAL DATAIHORA FINAL DURAÇÃO
23/04/2011 20:14:17 23/04/2011 20:15:35 00:01:18
ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO
316010027445095 724009030214054 316010027445095 R

RESUMO

WLADlMIR diz que combinou com ROSSINI para buscar DEMÓSTENES em SÃO PAULO.

DIÁLOGO

( ... )

WLADJMIR: uai o meu deu problema aqui transmissor off: cu num sei o quê que é. Mas eu já conversei com o
ROSSINI, tamo organizando já com o ROSSINI sabe. Por que o (ininteligívcl) num quer fazer, sem autorização do
ATAÍDE por que depois o ATAíDE num tá ... num chega né. Ai eu já liguei pro DEMÓSTENES é ... amanhã, o
ROSSINl já lá organizando ai cu pego ele lá.

CARLiNHOS: qual que é o avião do ROSSINI?

WLADlMIR: é um jatinho né, ele tem um que é um jatinho que ele falou, um King air.

CARLINHOS: á um pequeno né?

WLAOIMIR: é ... ai eu peguei falei com ele, ele falou não, não preocupa não que eu organizo. Por que tá vindo elc c o
GILMAR né, por que não vai achar vôo sabe.

CARLINHOS: não, então tranquilo, tentar falar com ele ai.

WLADIMIR: Você quer o telefone que o DEMÓSTES está falando, me ligou de um outro numero.

CARLINHOS: já me deu já. Antes dele ir me deu o número.

(ENCERRADA)



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TELEFONE NOME DO ALVO
316010027445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS - MONTE CARLO

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO
CARLINHOS X WLADlMIR(PLX)

DATAIHORA INICIAL DATN HORA FINAL DURAÇÃO
23/04/2011 20:38:45 23/04/2011 20:41:07 00:02:22

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO
316010027445095 724009030214054 724009030214054 R

RESUMO

CARLINHOS pergunta se WLADIMIR já avisou MARCONI sobre o acidente de barco. WLADIMIR diz que já avisou o piloto para pegar o SENADOR (DEMOSTENES) na segunda.

DIÁLOGO

CARLINHOS: WLADIMIR você avisou ao MARCONI?

WLADlMIR: falei com ele, ele lava num encontro lá de Governadores no Nordeste parece.

CARLINHOS: Sabia?

WLADIMIR: Recebeu a notícia mas, perguntou se tinha encontrado, falei que não, se souber notícia me passa. Você
sabe se já encontraram o corpo não né?

CARLINHOS: Não o JUNINHO falou com o AILTON agora ele ta um choro só.

WLADlMIR: o JUNINHO lava com eles lá CARLlNHO?

CARLINHOS: Quem?

WLADIMIR: o JUNINHO lava lá no Araguaia com eles.

CARLINHOS: Quem você falou?

WLADIMIR: O JUNINHO estava no Araguaia eom eles não né?

CARLINHOS: Não o JUNINHO está lá no JÚLIO. (ininteligíveJ) tava em Caldas, o MARCONI já tinha tido notícias
né?

WLADIMIR: Já mas já encontrou o corpo? Não né?

CARLINHOS: (inintcligível) agora é só boiá né?

WLADIMIR: é verdade. Se voeê tiver notícia você me fala. Eu to aguardando o Piloto. Já avisei o SENADOR to aguardando o Piloto pra ... pra pegá-lo lá sabe, mas eu já deixei ele avisado.

CARLINHOS: mas é segunda cedo ué?

WLADIMIR: á mas é tudo desconjuntado, ele sai de lá amanhã meio dia, que é sete horas da manhã daqui, agora tava falando com ele lá era duas horas da manhã entendeu?Então cu até combinei com ele que eu vou passar. Já deixei tudo
acertado, mas eu vou passar o e-mail pra ele, dou um telefonema ... um recado, mensagem pra ele pra que chegar de
manhã cedo ou ... pegar tudo já ta com a mensagem, com o nome do Piloto, onde que ta, telefone entendeu? Pra deixar
tudo organizado com ele.

CARLINHOS: a hora que ele chega em São Paulo?

WLADIMJR: Seis horas da manhã.

CARLINHOS: meia dúzia?

WLADIM1R: é meia dúzia, seis horas.

(ENCERRADA)



++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++


"(...)

Ressalte-se que ATAÍDES é Suplente do SENADOR JOÃO BATISTA DE JESUS RIBERITO (PR-TO), que estava licenciado durante grande parte do per iodo de monitoramento telefônico, já tendo retornado ao seu cargo. Pelo teor dos diálogos interceptados, CACHOEIRA parece ter bastante influência com o DEPUTADO FEDERAL CARLOS ALBERTO LERÉIA (PSDB/GO). Além do fato descrito acima envolvendo o DEPUTADO, há vários contatos via rádio NEXTEL, que demonstram uma relação forte entre ambos.

(...)


+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

TELEFONE NOME DO ALVO
316010027445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS - MONTE CARLO

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO CARLINHOS X WLADIMIR(PLX)

DATA/HORA INICIAL DATA/HORA FINAL DURAÇÃO
18/04/20112230:44 18/04/2011 22:31:59 00:01:15

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO
316010027445095 316010027450381 316010027445095 R

RESUMO

CARLINHOS inform;) \VLADIMIR sobre sociedade entre MARCONI, ROSS1NI e WELBER na compra de uma aeronave.

DIÁLOGO

( ... )

CARLINHOS: Aquele cam do Porcão, ??WELBER?? aquele cara de Brasí1ia, ele é sócio dn MARCONI no avião ai
com o ROSSINI viu. Rapaz esse cara ta com parceria com lodo mundo rapaz. Pô eu lo achando que nus tamo é levando
hora nas costa em tudo viu. O ROSSINI mc chamou no canto lá pra fàlar isso. eu esqueci de te falar. Eles têm um
pequeno aí 20to, pagou 4 milhões de reais um trem assim, e o MARCONllem 50% o ROSSINl 25 e esse, WELBER (ininteligível) tem 25 viu (ininteligívcl).

\VLADIMIR: e é ... aquele dia ele ralou que era amigo dele voeê lembra?

CARLINHOS: uai to te filiando uai, esse trem aí... nos lama Icvandn hola nas costa de todo mundo.

(ENCERRADA)



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TELEFONE NOME DO ALVO
6293391661 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS - MONTE CARLO

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO
CARLINHOS X WLADIMIR(PLX)

DAT NHORA INICIAL DATA HORA FINAL DURAÇÃO
23/0412011 19:31:40 23/04/2011 19:34:38 00:02:58

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO A

RESUMO

Conversam sobre acidente de barco. CARLINHOS diz que DEOCLECIANO e JAIRINHO são irmãos de AILTON.
CARLINHOS pede para avisar MARCONT. WLAD1MIR diz que o PROFESSOR ligou e quer que o peguem de avião em SP, WLADlMIR diz que não achou ATAiDE.

DIÁLOGO

CARLINHOS infonna que o DEOCLEClANO irmão do AILTON pode morreu em acidente acontecido com barco em
Bandeirante-GO junto com o JAIRINHO, dar solicita que WLADIMIR avise ao MARCONL

WLADIMIR diz que O Professor (DEMÓSTENES) está querendo vir de São Paulo no Avião do ATA IDE, mas só
localizou o Piloto e não localizou o ADTAí DE, daí pergunta se pode autorizar.

CARLINHOS responde que pode autorizar.

WLADlMIR diz que está ele e o GILMAR (?GILMAR MENDE?)

CARLINHOS diz e que vá preparando o Avião cnquanto acha o ATAíDE.

(ENCERRADA)


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TELEFONE NOME DO ALVO
·316010027445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS· MONTE CARLO
INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO
CARLINHOS X WLADIMIR(PLX)
DATA/1I0RA INICIAL DATA/HORA FINAL DURAÇÃO
23/041201120:38:45 23/04/201120:41:07 00:02:22
ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO
316010027445095 724009030214054 724009030214054 R
RESUMO
CARLlNHOS pergunta se WLADIMIR já avisou MARCONI sobre o acidente de barco. WLADIMIR diz que já avisou o
pilolo para pegar o SENADOR (DEMÓSTENES) na segunda.
DIÁLOGO
CARLINHOS: WLADIMIR você avisou ao MARCONI?
WLADlMIR: ralei com ele, ele tava num encontro lá de Governadores no Nordeste parece.
CARLINHOS: Sabia?
WLAOIMIR: Recebeu a noticia mas. perguntou se linha encontrado, falei que não, se souber.notícia me passa. Você sabe se
já e~lcontraram o corpo não né? .

CARLlNHOS: Não O JUNINHO ralou com o AILTON agora ele ta um choro só.
WLADIMIR: o JUNINHO lava com eles lá CARLlNHO?
CARLINHOS: Quem?
\VLADIMIR: o JUNINHO tava lá no Araguaia com elcs.
CARLINHOS: Quem você falou? .
\VLADIMIR: O JUNLNHO estava no Araguaia com eles não né?
CARLINHOS: Não o JUNrNHO t..'Stá lá no JÚLIO. (ininteligível) tava em Caldas, o MARCONljá tinha tido notícias né?
\VLADIMIR: Já mas Já encontrou o cofJXl? Não né?
CARLINHOS: (ininteligível) agora é só boiá né?
\VLADIMIR: é verdade. Se .você tiver notícia você me fala. Eu to aguardando o Piloto. Já avisei o SENADOR to aguardando
o Piloto pra ... pra pegá-lo lá sabe, mas cuja deixei ele avisado.
CARLINHOS: mas é segunda cedo né?
WLADIMIR: á mas é tudo desconjuntado, ele sai de lá amanhã meio dia, que é sete horas da manhã daqui, agora tava
falando com ele lá era duas horas da manhã entendeu? Então eu até combinei com ele que eu vou passar. Já deixei tudo
acertado, mas eu vou passar o e-mail pra ele, dou um telefonema ... um recado, mensagem pra ele pra que chegar de manhã
eedo ou ... pegar tudo já ta com a mensagem, com o nome do Piloto, onde que ta, telefone entendeu? Pra deixar tudo
organizado com ele.
CARLTNHOS: a hora que ele chega em São Paulo?
WLADlMIR: Seis horas da manhã.
CARLINHOS: meia dúzia?
WLADIMIR: é meia dúzia. seis horas.
(ENCERRADA)

domingo, 27 de maio de 2012

CACHOEIRODUTO - Cachoeira grampeou o Supremo?

À medida em que as peças do quebra-cabeça Cachoeira vão se juntando, vislumbra-se um quadro inédito na história do país. Tão inédito que ainda não caiu a ficha de parte relevante da opinião pública e, especialmente, do Judiciário. O desenho que se monta é uma conspiração contra o Estado brasileiro (não contra o governo Lula, especificamente), através de três vértices principais.
Havia o chefe de quadrilha Carlinhos Cachoeira. Sua principal arma era a capacidade de plantar matérias e escândalos, falsos ou verdadeiros, na revista Veja – o outro elo da corrente.
Durante algum tempo, graças ao Ministro Gilmar Mendes, seu principal operador – o araponga Jairo Martins – monitorou o sistema de telefonia do Supremo. E Cachoeira dispunha da revista Veja para escandalizar qualquer conversa, fuzilar qualquer reputação.
Essa é a conclusão objetiva dos fatos revelados até agora.
O que não se sabe é a extensão das gravações. Veja demonstrou em várias matérias – especialmente no caso Opportunity – seu poder de atacar magistrados que votavam contra as causas bancadas pela revista.
A falta de discernimento das denúncias, o fato da revista escandalizar qualquer conversa, a perspectiva de virar capa em uma nova denúncia da revista, seria capaz de intimidar o magistrado mais sólido.
A dúvida que fica: qual a extensão das conversas do STF monitoradas e gravadas por Jairo? Que Ministros podem ter sido submetidos a ameaças de denúncia e/ou constrangimento?
Gilmar colocou a mais alta Corte do país ao alcance de um bicheiro.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

CACHOEIRODUTO - CPI vira circo.

Blog do Ricardo Kotscho


CPI vira circo e está exibindo novas atrações


No grande circo em que se transformou a CPI do Cachoeira em suas cinco primeiras semanas de funcionamento, não se avançou um passo sequer nas investigações já feitas pela Polícia Federal sobre a organização criminosa para esclarecer seus vínculos políticos, empresariais, jurídicos e midiáticos.
A única novidade até agora foi o aparecimento de novas estrelas de CPI, alguns destes tipos que rompem o anonimato e sempre aparecem quando se acendem os refletores da televisão para transmissões ao vivo, com a sala da comissão repleta de jornalistas.
Uma destas atrações é o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), delegado licenciado da Polícia Federal, que está em seu primeiro mandato. Nesta quinta-feira, ele teve seu dia de glória ao bater boca com o relator da CPI, Odair Cunha (PT-SP), e ameaçar sair na porrada com o deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que tomou as dores do colega.
fernando ok CPI vira circo e está exibindo novas atrações
Caminhando pela CPI com o peito estufado e o paletó aberto, como se estivesse num "saloon" do velho oeste americano, e pudesse sacar uma arma a qualquer momento, o deputado-delegado partiu para o confronto com o relator, utilizando um linguajar típico de porta de cadeia:
"Quando fala do sr. Agnelo Queiroz, o relator é tchuchuca; quando fala do Marconi Perillo, ele vira o tigrão".
Embora seja do Paraná, o principal objetivo de Francischini desde o início da CPI é denunciar a ligação de Agnelo Queiroz, governador petista de Brasília, com o esquema de Carlinhos Cachoeira.
Por isso, ele não gostou da insistência do relator em fazer perguntas apenas sobre Perillo, governador tucano de Goiás, ao depoente Wladimir Garcez, um ex-vereador goiano apontado como braço político de Cachoeira.
Adversário de Francischini na política paranaense, Dr. Rosinha, que assim é conhecido por ser um médico bastante franzino, não se levantou da cadeira quando o tucano o desafiou a resolver o problema no tapa.
Graças à turma do deixa disso, que também faz parte de toda CPI, o rebuliço ficou só no bate- boca, com ofensas mútuas. Foi a cena que ganhou mais destaque nos telejornais da noite e na imprensa de papel desta sexta-feira.
Na semana passada, durante o não depoimento de Carlinhos Cachoeira, o deputado já tinha avisado seus seguidores pelo twitter que estava aparecendo ao vivo na televisão. Imperdível...
Correndo por fora entre as atrações mais midiáticas da CPI, está com bom ibope meu velho amigo Miro Teixeira (PDT-RJ), que ganhou espaço ao se apresentar como fervoroso porta-voz dos interesses das grandes empresas de comunicação, em nome da liberdade de imprensa.
Na entonação da voz de locutor, no pentado caprichado e no gesto de colocar e tirar os óculos, está parecendo muito com outro amigo, o Galvão Bueno. De estilo semelhante, o onipresente senador Álvaro Dias (PSDB-PR) acabou ofuscado pelo seu conterrâneo Francischini, que assumiu no grito o comando da tropa de choque tucana.
Diante deste cenário, a valente senadora Kátia Abreu (PSD-TO) desabafou outro dia: "Senhores, estamos aqui fazendo papel de bobos". Modéstia da senadora. Os bobos somos nós que acreditamos na seriedade desta CPI.
Enquanto isso, mais uma vez era adiada pelo relator Odair Cunha a decisão sobre a convocação dos governadores Agnelo, Perillo e Sérgio Cabral, e a quebra de sigilo da empreiteira Delta. Acordo entre as lideranças dos três maiores partidos na CPI, o PT, o PMDB e o PSDB, deixou para a próxima terça-feira a votação destas questões.
Se estivessem mesmo interessados em levar a sério o trabalho, longe de câmaras e microfones, suas excelências poderiam passar o final de semana trancados na sala-cofre, onde estão guardados a sete chaves os documentos sobre as investigações da PF.
Além do vasto material que lá já estava à disposição dos membros da CPI, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, mandou ontem mais nove DVDs, com cerca de mil horas de conversas gravadas pela PF na Operação Monte Carlo.
Quem se dispõe a ouví-las para, finalmente, dar início às investigações?
Mestre Raul, 70
Vira e mexe, escrevo aqui sobre os meus mestres no jornalismo. É que tive muitos... Um dos que mais me ensinou na carreira e na vida foi Raul Martins Bastos, genioso e genial jornalista autodidata, que montou no velho "Estadão", na segunda metade do século passado, a maior rede de sucursais e correspondentes da imprensa brasileira _ hoje, infelizmente, desativada.
Sempre discreto, falando baixo na cozinha das grandes redações por onde passou, mestre Raul formou e comandou equipes de profissionais que até hoje se destacam em várias regiões do país. Continua firme e forte no batente, como diretor de planejamento da agência DM9DDB.
Escrevo sobre a figura porque, na semana passada, ele completou 70 anos, e esta noite parentes e amigos vão lhe oferecer um jantar. Raul não gosta destas coisas. Por isso, vai ser um "jantar surpresa". Por favor, não contem a ele. É capaz do mestre se entocar e não aparecer na festa dele...
Parabéns, velho Raul, grande jornalista brasileiro!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

CACHOEIRODUTO - Um inexplicável silêncio arrogante.

Carlos Chagas

Ou terá sido uma palhaçada? O palhaço e seu diretor de cena deixaram o picadeiro do circo, perdão, o plenário da CPI, cientes de que a platéia voltará às arquibancadas, mas agora para botar fogo na lona. Um retornou para a cadeia, outro foi jantar num dos badalados restaurantes de Brasília. A verdade é que devem ter saído arrependidos do anti-espetáculo encenado durante três horas, na terça-feira. Já estarão imaginando o massacre de que não escaparão no próximo depoimento.
Não precisava, o Carlinhos Cachoeira, ter sido insolente como foi, não por alegar o direito constitucional de ficar calado, mas pelos trejeitos orgulhosos e soberbos, na suposição de estar abafando. Nem o advogado Márcio Thomas Bastos precisava ter distribuído sorrisos de superioridade sempre que seus olhos cruzavam com senadores ou deputados perplexos diante do silêncio presunçoso de seu cliente. Tratou-se de um erro de estratégia do excepcional advogado, a demonstrar que ninguém acerta sempre.
Vão pagar pelo que fizeram e pelo que não fizeram, quando teria sido muito mais benéfico para a causa já perdida de ambos, caso um aconselhasse e o outro obedecesse, respondendo com abobrinhas e com humildade os variados questionamentos dos parlamentares. Pelo contrário, situaram-se num patamar superior, acima do bem e do mal.
O resultado foi uma irritação que dificilmente vai desaparecer entre os integrantes da CPI, agora ávidos da réplica prevista para os primeiros dias de junho. Convocado outra vez, o bicheiro não deve contar sequer com a isenção dos inquisidores, prontos para destruí-lo, não mais para ouvi-lo, no que parece vir a ser agora uma questão pessoal.
Que o Cachoeira é um bandido, já se sabia. Mas a partir de seu comparecimento ao plenário da CPI, transformou-se num bandido condenado à fogueira.
Deputados e senadores não pedirão esclarecimentos, da próxima vez em que se confrontarem com ele: vão agredi-lo, desnudá-lo, expô-lo à execração pública. Afinal, foram humilhados, não lhes faltando munição para arcabuzá-lo. Réu, o infeliz imaginou poder comportar-se como o chefe de quadrilha que era. Esqueceu, ou nunca soube, que papéis devem ser desempenhados num tribunal, entre acusados e acusadores…

CACHOEIRODUTO - O silêncio do Cachoeira.

Se silêncio absolvesse alguém, criminoso algum seria condenado


Pedro do Coutto

O título, penso eu, reflete uma simples questão de lógica, palavra de valor sensível e absoluto, para a qual não existe sinônimo. Ela se impõe por si. Faço esta afirmação, claro, para acentuar que o fato de não haver respondido a uma pergunta sequer dos integrantes da CPMI que leva seu nome, não fará com que Carlos Ramos Cachoeira se livre dos processos nos quais está envolvido.
Muitas pessoas julgam o contrário. Que a mudez do estranho empresário, uma espécie de homem-aranha do mundo dos negócios, não o punirá. Ao contrário. O silêncio foi, nitidamente, uma confissão. Até porque ele não respondeu às indagações dos senadores e deputados. Mas tampouco negou qualquer acusação. Desrespeitou a decisão do STF que manteve seu depoimento.
Dir-se-á, como é tradição no Direito Penal, que à acusação compete o ônus da prova. É verdade. Porém mais provas do que as já existentes é desnecessário. Neste ponto uma situação curiosa da CPMI: ela não precisa investigar, pois as investigações já foram realizadas pela Polícia Federal. A CPMI partiu em busca de confirmações. Carlos Cachoeira não rebateu nenhuma delas.
A foto sensacional de Ailton Freitas, primeira página de O Globo de quarta-feira, é mais que reveladora: por si a imagem do acusado ao lado do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, já expõe suficientemente o cinismo do personagem. E não só o cinismo, mas sobretudo um falso ar de superioridade.
Um desafio? Não faz sentido. Pois Carlos Cachoeira já se encontra preso e vai ser, em breve, julgado pela Justiça comum. Thomaz Bastos poderá conseguir absolvê-lo? É pouco provável. A pressão da opinião pública em torno do processo Cachoeira-Demóstenes-Delta, é mais forte do que a tese da negativa pela conspiração d silêncio.
Se advogados hábeis pudessem assegurar a absolvição de seus clientes, as prisões se encontrariam vazias. Pelo contrário, estão repletas. Sem contar os 300 mil mandados de prisão a serem cumpridos. Mas para isso seriam necessárias, ao todo 700 mil vagas no sistema prisional.
As reportagens de O Globo e da Folha de São Paulo, edições de 23, focalizaram nitidamente a atmosfera grotesca do silêncio. No Globo, a matéria foi assinada por André de Souza, Chico de Góis, Roberto Maltchik e Paulo Cesar Pereira. Na FSP por Andreza Matais, Ernesto Credêncio e Rubens Valente. Mas as fotos, especialmente a obra de arte de Ailton Freitas, tornam-se peças fortíssimas de revelações e confirmações.
Se Cachoeira fosse inteligente, como tenta parecer, não estaria na cadeia, inclusive com a perspectiva de nela permanecer por mais algum tempo. O espetáculo que proporcionou na CPMI significou um desastre para ele próprio.
Sim. Porque nesta altura dos acontecimentos, não pode contar com o apoio do senador Demóstenes Torres, do empresário Fernando Cavendish, de qualquer outro parlamentar ou governador de estado. Todos, agora, desejam distância dele.
A vida é assim há pelo menos três mil anos. Não vai mudar. Seguirá dessa forma até o final dos tempos. Se houver final dos tempos. No que não creio. Os fatos continuam em sequência. Não possui o menor sentido brigar com eles.
Alguns, inclusive artistas, tentaram e afundaram. Ezra Pound, um dos maiores exemplos. Americano de Idaho, apoiou o nazismo apesar de os EUA estarem na guerra. Foi expulso do país e da história. Passou a viver em Veneza. Nessa cidade não encontrei marca alguma dessa passagem ou de seu nome.
É uma ilusão supor que Cachoeira, Demóstenes, Cavendish vão escapar. Nada disso. Já se tornaram prisioneiros de si mesmos. No mínimo. Eles e outros à sua volta.
( faltou incluir o Policarpo, da Veja)
Fonte: Tribuna da Internet.

terça-feira, 22 de maio de 2012

CACHOEIRODUTO - Por que não duas CPIs?.

CPI da Delta ou CPI da Veja? Por que não as duas?


ok CPI da Delta ou CPI da Veja? Por que não as duas?
A revista Veja e seus aliados na oposição e na imprensa, abrigados no Instituto Millenium, o clube dos barões da imprensa montado para defender sua própria "liberdade de expressão", querem porque querem transformar a CPI do Cachoeira na CPI da Delta, a empreiteira que tem como seu maior cliente as obras do PAC do governo federal.
De outro lado, setores do PT e da imprensa, que não fazem parte do clube, querem fazer da CPI do Cachoeira a CPI da Veja para investigar as relações da revista com o contraventor goiano reveladas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal.
Por que, então, não investigar, ao mesmo tempo, tanto a Delta de Fernando Cavendish como a Veja de Roberto Civita? Afinal, as empresas de ambos aparecem nas investigações sobre o capo do crime organizado, que fez parcerias nas mais variadas áreas, da polícia ao judiciário, das empreiteiras à imprensa, sempre com a ajuda do seu braço político, o quase ex-senador Demóstenes Torres.
Já está mais do que provado que, assim como os negócios de Cachoeira com a Delta não se limitavam ao centro-oeste, o alvo da CPI, as relações da equipe do contraventor com o diretor de Veja em Brasília, Policarpo Júnior, iam muito além do que habitualmente ocorre entre fonte e repórter.
Havia interesses comuns: o "empresário de jogos" usava a revista para plantar notícias contra quem pudesse prejudicar seus negócios, e o repórter se aproveitava do aparato de arapongas de Cachoeira para fazer suas matérias "investigativas" contra membros do governo petista, o eterno alvo de Civita.
Dos dois lados, bombeiros entraram logo em ação para limitar as investigações e blindar governadores, políticos em geral, empresários e jornalistas. "Você é nosso e nós somos teus" — como escreveu Vaccareza, o Cândido, para o governador Sérgio Cabral, aquele da turma do guardanapo — é a frase que melhor resume o momento político do País.
Apenas um mês depois de instalada, a CPI do Cachoeira começou a fazer água e os dois protagonistas do início da história, o "Doutor" e o "Professor", correm o risco de virar figurantes de um espetáculo mambembe que ameaça terminar antes mesmo de começar.
Como disse o marqueteiro João Santana, em encontro de comunicação do PT, semana passada, em Porto Alegre, "política é teatro, mas não ficção". Há controvérsias. Nem o mais alucinado ficcionista, é verdade, seria capaz de criar uma história tão mirabolante com personagens tão inverossímeis como estes que desfilam na chamada CPI do Cachoeira, dirigidos por advogados da melhor qualidade, que só trabalham para clientes inocentes, como já disse um deles.
Que diferença faz, a esta altura do campeonato, se Carlinhos Cachoeira vai ou não sair da cadeia para comparecer à CPI, na tarde desta terça-feira, se vai ou não abrir a boca? Depois de todos os crimes denunciados com provas no inquérito da Polícia Federal, tanto o "Professor", como seu amigo "Doutor", que ainda passeia como um fantasma pelo Congresso Nacional querem apenas ganhar tempo, aproveitando-se das brechas do Código Penal, das prerrogativas constitucionais e dos regimentos da Câmara e do Senado.
Para ir mais fundo e revelar como funcionam as engrenagens do poder no Brasil, os interesses que ligam personagens de diferentes setores da sociedade com o crime organizado e qual o papel de cada um deles nesta história, a CPI teria que acabar com todas as blindagens, convocar quem tiver que ser convocado para prestar depoimentos e encaminhar suas conclusões para as devidas providências do Poder Judiciário.
Quem ainda acredita nisso? Talvez esta desesperança esteja na raiz de um clima de mal estar generalizado, um sentimento difuso que se espalha em diferentes ambientes, no momento em que o STF se prepara para colocar em julgamento o processo do mensalão, a inflação e o dólar sobem, o PIB cai, a Comissão da Verdade já começa dividida e falando demais, os militares voltando ao noticiário, a crise sem fim da Grécia que ameaça levar o mundo junto — e ainda tem esta danada da gripe que não vai embora...
Se o caro leitor tiver uma notícia boa para espantar o baixo astral, por favor conte para a turma do Balaio. Estamos precisando.
Atchiiiim!
Fonte: Blog do Ricardo Kotscho