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sábado, 5 de maio de 2012

PALESTINA - Boicote a produtos israelenses.

Rede britânica de supermercados adere a boicote a produtos israelenses


A quinta maior rede de supermercados britânica, a Co-op, anunciou a suspensão de acordos com quatro empresas exportadoras de alimentos de Israel, devido à “cumplicidade na violação de direitos humanos dos palestinos”.
Com a decisão, a Co-op engrossa a lista de companhias europeias que boicotam produtos israelenses. Entre elas está a empresa ferroviária alemã Deutsche Bahn, que suspendeu sua participação na construção de uma linha de trens de Tel Aviv a Jerusalém, que passaria em um trecho dos territórios ocupados na Cisjordânia. Segundo a empresa, o projeto era problemático, “com um potencial de violar leis internacionais”.
Já o banco holandês ASN suspendeu seu investimento na empresa francesa Veolia, devido ao envolvimento da companhia na construção do bonde de Jerusalém, que passa pela parte oriental da cidade, ocupada em 1967. O banco alega que seus critérios de alocação de recursos respeitam as resoluções da ONU que mantêm a parte árabe de Jerusalém como território ocupado.
O banco e a Deutsche Bahn aderiram ao boicote após intensa campanha do BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), um movimento criado em 2005 por ONGs palestinas com o objetivo de exercer pressão internacional sobre Israel.
O movimento obteve apoio de sindicatos de trabalhadores e de ONGs na maioria dos países europeus e também nos Estados Unidos, África do Sul e Austrália.
A campanha pelo boicote a produtos dos assentamentos também conta com o apoio de grupos israelenses de esquerda. No ano passado o parlamento de Israel aprovou uma lei criminalizando a campanha pelo boicote e, segundo a lei, os grupos que o apoiarem poderão ser processados e multados.
As quatro empresas que passaram a ser boicotadas pela rede britânica Co-op são Agrexco, Arava, Adafresh e Mehadrin, que exportam alimentos produzidos tanto em Israel como nos assentamentos israelenses ilegais existentes nos territórios palestinos na Cisjordânia ocupados por Israel
Fonte: Tribuna da Internet

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PALESTINA - Grata ao apoio brasileiro.

Palestina agradece o apoio brasileiro

Por Viviane Vaz, de Ramallah, na CartaCapital:

Milhares de palestinos aproveitaram nesta quarta-feira o dia de folga estabelecido pela Autoridade Palestina para participar das demonstrações de apoio à iniciativa do presidente Mahmud Abbas em buscar um assento na ONU – seja de membro permanente ou observador.

No centro de Ramalah, cerca de 15 mil pessoas se reuniram na praça Yasser Arafat para acompanhar os discursos em defesa da criação do Estado 194 e assistir as apresentações de música e dança típicas palestinas.

Pelos televisores de casa e nos estabelecimentos comerciais, os palestinos também ouviram as palavras da presidenta Dilma Rousseff na inauguração da Assembleia Geral da ONU em Nova York e agradeceram a posição do país. “O apoio do Brasil e outros países na ONU nos dá ânimo. Como cidadã palestina, acho que é importante recebermos este apoio moral em um momento em que estávamos quase perdendo as esperanças”, disse a cineasta palestina, Ghada Terabi, 37 anos, enquanto descansava da marcha em Ramalah para tomar um café.

A cineasta afirma que não está completamente de acordo com a iniciativa de Abbas – uma vez que o povo ainda não sabe ao certo qual será a estratégia do presidente na ONU e que tipo de Estado se pretende criar, mas pondera que pelo menos ele está tentando buscar uma saída de paz entre Israel e Palestina. “Aqui há um problema que precisa ser resolvido e as negociações não estão adiantando”, diz Ghada. “Mais do que os resultados, o ato de hoje é importante para chamar atenção da mídia internacional para o cenário palestino”, completa.

Em Nova York, Dilma recordou que no Brasil pessoas de religiões e origens diversas conseguem viver lado a lado. “Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia – como deve ser”, disse à Assembleia Geral da ONU.

Aham Hamda, 60 anos, levou os netos para assistir à concentração e afirmou que o Brasil se confirmou como um país amigo dos palestinos. “Muitos palestinos vivem no Brasil e a Palestina é a casa dos brasileiros também”, garantiu. Para Basam Qatanani, 38 anos, o discurso de Dilma foi especial. Ele trabalha como coordenador de uma associação de mulheres artesãs e está casado com uma brasileira-palestina.

Pai de Mohamed, 2 anos, Basam deseja para o futuro um Estado palestino para seu filho, além do Brasil. Em dezembro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o reconhecimento do Brasil a um Estado palestino com as fronteiras anteriores a 1967. Em 1948, outro brasileiro, o chanceler Oswaldo Aranha, também representava o Brasil na criação do Estado de Israel.

Reforçando a posição brasileira de uma solução de dois Estados vizinhos e em paz – Israel e Palestina – Dilma ressaltou que o reconhecimento da Palestina “amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio”.

“Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional”, opinou.

Por outro lado, Dilma sublinhou que os brasileiros querem para os outros países “o que queremos para nós mesmos”.

“O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram”, disse a presidenta

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

PALESTINA - Territórios ocupados e sedentos.

No Médio-Oriente, o petróleo sempre esteve no centro das disputas políticas. Porém, nos territórios palestinos ocupados por Israel, ele foi substituído pela água. Por Thalif Deen, da IPS.


Palestinos continuam a ver negado o acesso à sua água pelo Estado israelita

Shaddad Attili, director da Autoridade de Água Palestina, disse à IPS que esse recurso está sendo usado como arma de guerra pelos israelitas. “A água é um tema humanitário. Deveria ser retirado da política”, disse, lembrando que todos na região – israelitas, jordanos, libaneses e palestinos –, devem ter direito a esse recurso para suas necessidades básicas.

O funcionário disse que Israel continua destruindo infraestrutura essencial, como cisternas e poços, afectando as comunidades palestinas. A ocupação tem grande impacto em “nossa capacidade” de atender as necessidades domésticas, agrícolas e industriais dos palestinos, tanto agora como no futuro, afirmou Attili. “Para dizer de forma simples, o povo palestino está sedento de justiça, e exorta todos os Estados a exigirem de Israel, a potência ocupante, que ponha fim a esta situação injusta e deplorável”, ressaltou.

Ao falar, no dia 26, na última reunião da Semana Mundial da Água, em Estocolmo, Attilli disse: “Israel explora mais de 90% de nossos recursos compartilhados para seu próprio uso, enquanto exerce uma tremenda influência sobre os nossos restantes 10%. Não só nos nega nossa parte equitativa e razoável de água sob o direito internacional consuetudinário, como também impede os palestinos de desenvolverem infraestrutura essencial”.

No ano passado, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) adoptou uma resolução reconhecendo o acesso a água e saneamento como um direito humano universal. Mas isto ainda está longe de ser aplicado aos palestinos. A resolução foi adoptada por uma esmagadora maioria de países, apesar da abstenção de Israel, junto com Austrália, Áustria, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Irlanda, Japão, Luxemburgo e Suécia.

Em um informe crítico divulgado no mês passado, o Comité Especial da ONU para Investigar as Práticas israelitas nos Territórios Ocupados, expressou consternação pelo “contínuo desprezo (israelita) por suas obrigações sob o direito internacional”. O Comité, de três membros, após visitar os territórios ocupados, disse que, “lamentavelmente, o que descobrimos foi que as opressivas restrições impostas sobre Gaza por Israel tiveram o efeito de um castigo colectivo contra a população”.

Como cerca de 35% da terra em Gaza não pode ser usada para fins agrícolas, já que Israel criou uma zona de exclusão em sua fronteira, e as áreas de pesca estão limitadas a apenas três milhas náuticas da costa, a população de Gaza tem dificuldades para conseguir alimentos, e muito mais para reavivar a economia, concluiu o Comité. “Deve ser responsabilidade das potências ocupantes ajudar a reconstrução de Gaza”, acrescentou.

Além das casas, escolas e dos negócios destruídos, há uma urgente necessidade de se criar e reparar estações de tratamento de água, estradas, sistema de canalização e redes de energia, diz o Comitê. Em um documento apresentado na Assembleia Geral das Nações Unidas no ano passado, o observador permanente da Palestina para a ONU, Riyad H. Mansour, disse que, durante 42 anos, os territórios ocupados sofreram “todo tipo de crueldade, destruição e abuso nas mãos de Israel, a potência ocupante, que foi contra a vida, o sustento e os recursos dos palestinos”.

Estes abusos também afectam o direito dos palestinos terem acesso a água. Desde que Israel iniciou a ocupação, em 1967, violando o direito internacional, assumiu o controle de todos os recursos hídricos, incluindo a água na superfície, os aquíferos e o acesso à bacia do Rio Jordão, diz o documento. Attili afirmou à IPS que é hora de a comunidade internacional intervir para resolver o problema. Ao falar na capital sueca, alertou: “Não se enganem, pois não haverá um Estado palestino viável sem que possa acessar, controlar e administrar suficientes recursos hídricos para cobrir suas necessidades internas, presentes e futuras, agrícolas e industriais”.

“Sabemos o que a paz necessita. O que está faltando agora é vontade política. É isto que deve mudar, e espero que esta conferência ajude a tornar possíveis as transformações”, acrescentou Attili. Para ele, em certo sentido, os desafios dos palestinos em relação à água são os mesmos, ou similares, aos que enfrentam muitas outras nações. A disponibilidade de água é um tema primordial na Palestina. “Além de aguda escassez, também enfrentamos enormes problemas em termos de qualidade. Com o tempo, isto se agravou drasticamente”, afirmou Attilli, destacando que este ano é de particular importância para a Palestina, que espera ser admitida como Estado-membro das Nações Unidas no próximo mês.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011