quinta-feira, 30 de novembro de 2017

TACLA DURAN ACABA COM SÉRGIO MORO E GLOBO, E DIZ TER PROVAS

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AGORA: PIMENTA REPERCUTE DENÚNCIAS REVELADAS POR TACLA DURÁN SOBRE LAVA ...

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O Sinos e os Sacristãos

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O É da Coisa, com Reinaldo Azevedo - 28/11/2017

Paulo Teixeira acusa Dalagnol e Moro de golpismo e de tentar intervir na...

Contra o Abuso de Poder e o estado judiciário fascista!

Contra o Abuso de Poder e o estado judiciário fascista!

Em nome da inocência: Justiça

Bob Fernandes/Documentário: o suicídio de Reitor Cancellier e o ferir a ...

MÍDIA - Mídia alternativa.

O que a mídia alternativa faz pelo Brasil?

Por Pedro Zambarda, no site do FNDC:

Impeachment ou golpe? Bolivarianismo ou projeto de país? A notícia que está na mídia de massa está correta? Por que questionar?

A mídia alternativa brasileira que se propaga hoje é muito diferente dos anos 70 e 80, fruto de censores que invadiram as redações dos maiores jornais e revistas do país para impôr a ideologia e as pautas da ditadura militar. No entanto, há semelhanças.

O Pasquim durou entre 1969 e 1991 publicando palavrões, deboche e entrevistas com tons sarcásticos, além de reunir os melhores nomes da imprensa daquele tempo, como Henfil, Paulo Francis, Ivan Lessa, Ruy Castro e muitos outros.

Apesar de diferenças históricas, a mídia alternativa que temos em 2017 é similar em muitos aspectos.

Jornalista de destaque na TV Record, Paulo Henrique Amorim foi um dos pioneiros nesta mídia que contesta a “grande mídia”. Criou o Conversa Afiada como um programa de economia que passou pela TV Cultura e hoje sustenta o site com textos críticos agudos contra o PSDB, a Globo, o Judiciário e banqueiros como Daniel Dantas. Diz ele que a frase é do deputado petista Fernando Ferro, mas foi PHA que emplacou a expressão “Partido da Imprensa Golpista”, o PIG.

No mesmo tom de crítica aguda e até deboche das figuras tucanas, os irmãos Kiko e Paulo Nogueira criaram o Diário do Centro do Mundo (DCM), local onde o autor deste texto também trabalha. Criado originalmente como um blog na revista Época, quando Paulo era correspondente em Londres, atualmente é um site de hardnews com seleções de notícias da imprensa, textos opinativos e furos de reportagem. Um destaque que pouco é dado é justamente para as campanhas bem-sucedidas de crowdfunding do DCM, que financiaram com até R$ 25 mil reportagens sobre a mansão atribuída à família Marinho da TV Globo, o helicóptero de cocaína do aliado de Aécio Neves (Zezé Perrella), a crise hídrica da Sabesp e muitas outras pautas que não são cobertas com tanto afinco pela imprensa das grandes famílias. Alguns destaques do Diário são textos de repórteres como Joaquim de Carvalho (ex-Veja e Jornal Nacional), que faz textos de fôlego, Mauro Donato, que cobre sobretudo as ruas, e Nathalí Macedo, que vai atrás de assuntos feministas.

A Revista Fórum, de Renato Rovai, traz importantes furos e comentários sobre o panorama nacional, com diferentes blogueiros. Os sites Tijolaço, Viomundo e Cafezinho normalmente se centram em análises, embora o segundo tenha sido o primeiro a ter acesso ao processo de sonegação fiscal envolvendo direitos da Copa de 2002 e a Rede Globo. Mais antigo do que todos estes sites, a revista Carta Capital de Mino Carta mantém-se como uma alternativa impressa e digital às concorrentes ISTOÉ, Época e Veja desde os anos 90. Mais novos de todos, a Mídia Ninja e os Jornalistas Livres, sendo o último chefiado por Laura Capriglione (ex-Folha e Veja), fazem a cobertura dos protestos de rua desde 2013 ao vivo e de pautas do cotidiano, incluindo abusos policiais, penitenciárias e tópicos correlatos. Opera Mundi é um site com viés esquerdista para assuntos internacionais.

O Brasil247 faz uma cozinha crítica sobre as principais notícias e colunas dos grupos Estado, Folha, Globo e outros, além de trazer textos opinativos de jornalistas consagrados, como Paulo Moreira Leite e Tereza Cruvinel. Leio pouco, mas acompanho o Pragmatismo Político. No entanto, acho que ele copia demais informações de outros sites e não faz nenhum comentário, ponderação ou furo jornalístico do que ocorre no atual cenário brasileiro.

Por último, e não menos importante, o GGN de Luís Nassif (ex-conselho editorial da Folha) carrega tanta experiência quanto Paulo Henrique Amorim, mas um tom mais ameno e analítico do noticiário. Jornalista econômico por muitos anos e pioneiro na busca de dados desde seus tempos no Estadão, Nassif faz contrapontos sobretudo quanto à precisão dos grandes grupos de comunicação.

Estes sites e iniciativas são frequentemente chamados de “sites petistas” ou “blogs sujos”, sendo a última expressão empregada por Mario Sabino, Diogo Mainardi e jornalistas alinhados com José Serra. Publicamente, eles se declaram favoráveis aos programas sociais do PT e alguns deles manifestam apoio claro ao ex-presidente Lula e sua sucessora, Dilma Rousseff. No entanto, o principal motor destes novos grupos de mídia não é a propaganda política e sim a falta de diversidade de vozes no debate público.

Há ainda outras publicações alternativas mais equilibradas, como é o caso do Nexo Jornal e Agência Pública, além dos novos representantes brasileiros de grupos de mídia internacionais, como Intercept, El País, Deutsche Welle e BBC. No entanto, para além da polarização destrutiva, é fundamental que exista grupos de contrapontos no Brasil.

De acordo com o site Volt Data Lab, mais de 500 profissionais perderam o emprego em 2016. Do montante, a maioria absoluta foi de grandes grupos de mídia. Num mercado de baixa competitividade entre empresas, onde o grupo Globo ainda recebe 60% do bolo publicitário sobretudo por ter a maior TV aberta, a briga política entre os meios se transforma também num embate pela pluralidade que resultará em mais vozes públicas e publicáveis.

Internacionalmente, é tradição existir mídias polarizadas e debates editoriais. Nos Estados Unidos, o Huffington Post é declaradamente democrata, pró-LGBT e crítico às guerras do Afeganistão e do Iraque, enquanto o Washington Post e o Wall Street Journal se alinham aos setores mais conservadores e ao Partido Republicano. O New York Times também dá apoio aberto ao Partido Democrata.

Na França, o Libération é abertamente de esquerda, o Le Monde é centrista e o Le Figaro é conservador. O polêmico Charlie Hebdo, embora seja muito crítico com islâmicos e árabes, também é esquerdista. Já no Reino Unido, há uma variedade de publicações de direita, como a Economist, Financial Times e outras, embora o Guardian seja abertamente progressista.

Ao invés de taxar este site como “petista” e outro como “tucano”, vamos celebrar a beleza da mídia alternativa e da mainstream: A diversidade. É isso que a mídia alternativa de fato pode fazer pelo Brasil polarizado de hoje.

Sou um leitor de imprensa onívoro, embora tenha convicções políticas de centro-esquerda.

Seja onívoro. Consuma mídia alternativa além dos grandes grupos.

* Publicado originalmente no site Portal Comunique-se.

FGV aponta governo Flávio Dino como o mais transparente do país - Portal Vermelho

FGV aponta governo Flávio Dino como o mais transparente do país - Portal Vermelho: De acordo com estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Maranhão, governado por Flávio Dino (PCdoB), é exceção no que se refere à transparência e acesso à informação da administração pública, se transformando em referência nacional, sendo o estado que tem o maior índice de transparência desde que a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor.

Por Dayane Santos

Muita Infomação e Pouca reflexão

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Caminhada pela verdade

CINEMA - "O jovem Karl Marx".

[#Rioblogprog] o diretor Raoul Peck sobre e o Filme ‘O Jovem Karl Marx’: “Vou ao passado para compreender a eleição de Trump”




qui 16/11, 13:33

O diretor Raoul Peck e o Filme  ‘O Jovem Karl Marx’: “Vou ao passado para compreender a eleição de Trump”

1 MAIO, 2017 - INSIDER FILM

O Jovem Karl Marx - (Trailer legendado em português PT)

Raoul Peck é um homem deste tempo. Não só da América que deixa de ser de Obama e passa a ser de Trump, mas também da Europa que parece também seduzida por um nacionalismo que poderá rimar com alguns ‘ismos’ nefastos. Em O Jovem Karl Marx, que agora chega às nossas salas, atreve-se a regressar onde tudo começou, ou seja, ao Manifesto do Partido Comunista, um outro ‘ismo’, até à identificação dos princípios capitalistas que Peck considera gerarem nefastas consequências e vícios atuais; mas refletiu também sobre os ecos do seu outro filme, Eu Não Sou o Teu Negro, o tal documentário que foi nomeado ao Óscar (estreia em maio), onde aborda o privilégio de raça através dos textos e persona do ativista político William Baldwin. Na entrevista que fizemos ao realizador haitiano, no passado festival de Berlim, foram passadas em revista as implicações de ambos esses filmes estranhamente orgânicos.
O realizador politicamente implicado aposta num cinema de causas a admitir certos efeitos. Porque, segundo ele, a democracia não é só votar e ficar sentado no sofá a ver reality shows.
Porque decidiu escolher este momento preciso na vida de Karl Marx, durante a sua juventude até à edição do Manifesto do Partido Comunista?Talvez porque este foi talvez o momento que teve mais impacto naquilo que eu queria mostrar, aquele processo de raciocínio e aproximação à sociedade que mudaria todo o mundo. Esta aproximação não foi apenas feita por dois lunáticos (Marx e Engels), foi um processo baseado na realidade, com uma análise da sociedade. Desde logo pelo livro que Engels escreveu sobre os trabalhadores britânicos – e que Marx considerou fenomenal – encarado como um trabalho duro de pesquisa. O Engels passou muito tempo a fazer inquéritos e recolher material empírico. O trabalho de Marx baseou-se sempre no empenho de muitos outros cientistas, economistas ou filósofos. Portanto, para mim, este filme é importante para mostrar todo esse processo.Acha que este tema continua a ser contemporâneo, mesmo depois da anunciada morte do comunismo?Claro que sim. Para mim é a base. Eu sou aquilo que sou hoje devido a essa estrutura que adquiri quando era ainda jovem a estudar o trabalho do jovem Marx. Estudei em Berlim, nos anos 70 e 80, e essas ideias eram necessárias para nos confrontarmos nós próprios e com esses livros. É o nosso passado e o nosso presente. E faz parte do conhecimento geral, até porque permite compreender a sociedade em que vivemos.Em todo o caso, o capitalismo de hoje é bastante diferente do capitalismo do período que retrata o filme…Tomemos então, por exemplo, o Manifesto do Partido Comunista, alguns dos artigos descrevem com detalhe a crise de 2008. É quase um livro para crianças sobre a história e evolução do capitalismo até hoje. Que outras provas necessitamos? Voltando à pergunta inicial e ao momento que escolhi, porque quis regressar aos fundamentos e instrumentos. Talvez essa seja esse o seu maior legado. O instrumento para analisar de forma mais precisa a nossa sociedade. Também como é hoje. Eu não fiz um filme sobre o passado; vou ao passado para buscar instrumentos e compreender porque o Trump foi eleito.
Era precisamente aí que queria chegar. É que este pedaço de história política é particularmente relevante hoje em dia. E ainda mais nos Estados Unidos. Que tipo de impacto espera que o filme possa ter na sociedade?
Espero que muitas pessoas, em particular os jovens, se possam rever nesta procura, que possam encontrar, não uma receita, mas uma resposta para combater aquilo que se passa hoje. Porque estamos exatamente no mesmo tipo de capitalismo, onde o dinheiro e a riqueza ficam cada vez mais nas mãos de poucos ao passo que uma imensa maioria ficará cada vez mais pobre. Isto é a História a repetir-se. O que o Marx nos forneceu foi um instrumento científico para compreender e analisar cada momento desta sociedade. Um momento que começou com a revolução Industrial e que continua até hoje.
De que forma este filme e o documentário Eu Não Sou o Teu Negro se interligam?
Ambos os temas mudaram a minha vida e em épocas próximas. Conheci o trabalho de William Baldwin quando era ainda muito jovem, com 17 anos; e descobri Marx aos 18 anos. Ambos estruturaram a minha mente; de uma forma diferente. São, por assim dizer, as duas pernas com que caminho. No meu filme, Baldwin diz que “o branco é uma metáfora do poder”, o que é uma outra forma de dizer “Chase Manhatan Bank”. Os analistas de Marx não dizem nada de diferente, apenas encaram numa perspetiva semelhante. A raça é apenas uma emanação do capitalismo. É como o tema dos refugiados; não se trata da cor dos refugiados, é o capitalismo a fazer o seu papel, ou seja, a separar pessoas, dividindo-as e uma certa classe a proteger os seus privilégios.
Eu Não Sou o Teu Negro foi nomeado para um Óscar. Qual é a importância que dá a essa distinção?Enquanto cineasta é importante ser reconhecido pelos meus pares, mas ao mesmo tempo já tenho idade para não ser abalado por essa ideia. Foi bom, mas o mais importante é trazer a obra de Baldwin, um autor acutilante, uma mente brilhante, extremamente relevante hoje em dia. Tudo o que ele diz no filme foi escrito há 50 anos atrás. Tem o mesmo peso do que se tivesse escrito hoje essas palavras. Por aí conseguimos analisar toda a situação do que se passa hoje na América. Para mim, foi importante voltar a essas referências fundamentais. Hoje vivemos num mundo estranhamente nublado, onde não sabemos bem o que são notícias ou eventos falsos, o que é opinião, quando um Presidente pode afirmar que o aquecimento global não existe.Em que momento na sua vida decidiu abandonar a agenda de ativismo politico e passar a ser também um cineasta?Eu vim para a Alemanha com 18 anos, que era um país muito político mas também cultural. Não foi imediato que o cinema pudesse ser um veículo político. Entretanto, estudei engenharia industrial e iniciei depois um mestrado. Provavelmente seguiria uma carreira nessa área. Entretanto, decidi fazer um exame na escola de cinema. Mas sempre com a ideia de regressar ao Haiti e usar o cinema não como entretenimento, mas como forma de transmitir conteúdo. E cheguei numa altura após uma geração anterior empenhada num cinema militante.E como eram as coisas no seu pais nessa altura?Nessa altura, vivíamos uma ditadura no Haiti. O Jean-Claude Duvalier, o “baby doc”, era Presidente. Um grupo de estudantes que tinha vindo antes de mim, regressou ao Haiti, mas foram todos mortos. A CIA já tinha informado o governo que era ativista. Eu sabia que teria também de regressar ao Haiti. Regressei um pouco à arena política, na luta contra a ditadura. Muitos dos meus amigos eram pessoas da SWAPO, ANC, da Nicarágua, Brasil, Irão, Turquia. Estávamos todos juntos na rua a lutar contra a política de Reagan. Essa foi a minha educação. Lembro-me quando estava na escola de cinema, de trabalhar na televisão e de me chamarem traidor. Isso foi nos anos 80. Nesses dias, ter um emprego na televisão era considerado um “vendido”. Imaginem agora…
Acha que aquele momento, no filme, em que se preparava uma revolução pode estar também para chegar?
Para quem sabe, a revolução de 1848 acabou em desastre. Foi o acordar de toda a Europa, mas a repressão foi tremenda. É um processo que avança e recua, mas não é sempre retrocesso. Faz parte do processo, mas o processo somos nós. Nós é que decidimos o que fazer. A resposta a Trump é a manifestação, claro, mas passado esse momento, o que podemos fazer? Isso dá trabalho.
Esse é um processo que já dura há algum tempo…
Sim, nos EUA começou em 1973 com a primeira crise do petróleo; a Europa e o mundo ocidental foi abalado, porque foi um ataque a toda esta construção; 80% da produção foi para a Europa e EUA, mas os nativos revoltaram-se. O que acabou em crise económica. Entretanto tivemos Reagan, Thatcher, com a destruição dos sindicatos e organizações progressivas. Tudo isso tem consequência. Por isso, hoje quando os movimentos “Black Lives Matter” ou “Ocuppy Wal Street” iniciam um protesto não têm a mesma liderança, pois os sindicatos não têm a mesma força financeira que antes para assegurar a eficácia desse movimento.
Não deixa de ser curioso o final do filme, em que diversas revoluções se conjugam ao som do tema de Dylan, Like a Rolling Stone. Foi propositado?
Claro. É a mesma História. Está tudo ligado. Eu mostro a crise de 1929, mostro o Vietname, Mandela, Che Guevara, o Muro de Berlim…
Acha que a Presidência de Obama foi um progresso?
Sim. Mas a mudança foi estrutural. O Baldwin tem uma frase sobre o Obama, embora não seja sobre o Obama, claro. O jornalista perguntou-lhe como seria quando tivesse o primeiro Presidente negro. E ele respondeu que a questão não era quando, mas de que país seria esse Presidente. No sentido de saber se as pessoas se levantam par afazer alguma coisa ou se ficam a observar o que se passa. Nos EUA se não tivermos influência sobre os congressistas os “lobbys” terão. A democracia não é votar e ficar no sofá a ver reality shows. Isso não é democracia. A democracia é feita de cidadãos ativos, em que se questiona tudo.
Fala de democracia, mas a televisão, o cinema e até a internet não nos transformam também hoje em meros espetadores?
Isso faz parte da nossa indústria, claro. No meu filme, Baldwin viveu numa altura em que existiam apenas três canais americanos nacionais. Ou seja, a indústria trabalhou da mesma forma que os narcóticos. E isso foi antes de todos os reality shows. É esse o desenvolvimento dos media capitalistas. É o mundo das grandes companhias. Por exemplo, o tipo de liberdade argumentativa que os jornalistas têm hoje já quase não se vê. É esta a realidade. Por isso é mais difícil de lutar. Ficámos mais preguiçosos, mas sabemos que depois a queda do Muro de Berlim, o capitalismo venceu e não há nada a fazer. Não há mais história. Só que a crise de 2008 acordou-nos. Mas também fez com que muitos jornais económicos colocassem Marx na primeira página. Se calhar, ele tinha razão… Agora vem Trump que quer desregulamentar tudo outra vez. Porquê? Porque não demos uma resposta. Ainda estamos letárgicos, sem organização.
Esta entrevista também foi publicada em Insider.


O Jovem Karl Marx - (Trailer legendado em português PT)

REDES SOCIAIS - Cuidado nas redes.


CUIDADO NAS REDES
Durante a campanha eleitoral de Donald Trump, veio a público uma série de técnicas para manipulação de redes sociais.
Em certa medida, essas técnicas reproduzem velhos métodos de infiltração e provocação desenvolvidos em outras épocas.
A grande questão, para os estrategistas do atual presidente do EUA, era como furar o sistema de bolhas e chegar nos eleitores tradicionalmente democratas, uma dificuldade agravada pelo discurso extremista do candidato republicano.
Amadureceram, então, uma orientação com três medidas fundamentais:
1. Recrutar pessoas com razoável grau de formação e instruí-las a intervir nas redes como se fossem democratas, de tal maneira que estabelecessem conexões e amizades dentro do campo adversário.
2. Conquistado algum grau de confiança, a partir de técnicas antigas de manipulação e animação, esses infiltrados deveriam começar a questionar lideranças e parlamentares do Partido Democrata como se tivessem uma posição mais progressista e combativa que a agremiação de Hillary Clinton. Por exemplo, reivindicando posições mais firmes sobre direito ao aborto ou casamento homoafetivo. O objetivo era duplo: extrair declarações que pudessem ser usadas de público e/ou criar um clima de insatisfação e irritação na própria base democrata, estimulando-a a enxergar suas referências como “frouxas”.
3. Após certo acúmulo na etapa anterior, começar uma série de ataques e agressões, sempre com um tom radicalizado, que viessem a acossar os líderes democratas, provocando o máximo de cizânia e conflito interno, com a meta adicional de afastar do processo eleitoral os seguidores de Bernie Sanders, da esquerda democrata e derrotado por Hillary nas prévias.
Essa metodologia, que teve importante papel na vitória de Trump, passou a ser exportada para outros países pelos formuladores da direita.
O motivo é claro: os petistas, por exemplo, dariam mais ouvidos a operadores do PSDB ou a quem se apresentasse como vozes de esquerda, fazendo um trabalho de sapa por trás das fileiras amigas?
Alias, não foi essa a função do Cabo Anselmo, nos idos anteriores ao golpe de 1964? Com um discurso radical e caloroso, ganhou a adesão de inúmeros marinheiros dispostos à luta, mas os empurrava a provocações que desgastavam a esquerda e o governo João Goulart, facilitando o clima para o golpe militar. Somente depois descobriu-se que se tratava de um infiltrado a serviço da CIA e dos serviços de inteligência das Forças Armadas.
Fiquemos atentos, então. Esse mesmo tipo de intervenção há tempos está em curso nas redes sociais, de forma planejada e financiada, buscando enfraquecer o campo de esquerda e abrir alas para sua derrota nas batalhas que se avizinham.
por Breno Altman em seu Facebook

ECONOMIA - Entrevista com David Harvey.


David Harvey, legendário geógrafo e teórico marxista, é o primeiro entrevistado da série Qué hacer [O que fazer?]. O intelectual faz uma viagem pelo encadeamento dos fluxos do capital no planeta. Harvey encontra em tais fluxos as origens das crises que nos afetam – a social, a climática e a política –, incluindo a ascensão política de Donald Trump. Contudo, o professor emérito da City University of New York também observa pontos de tensão no sistema que origina essas crises. Tão implacável em seus métodos, como eclético ao escolher onde colocar a lupa, o intelectual britânico oferece uma análise totalizadora, que nos convida a pensar o que nos trouxe até aqui, para assim poder enfrentar como sairmos desta.

A entrevista é de Ignasi Gozalo-SalellasÁlvaro Guzmán Bastida e Héctor Muniente, publicada por Ctxt, 22-11-2017. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Esta série inicia com uma premissa para enfocar soluções políticas em tempos agitados: ‘O que fazer?’. Certa vez, você disse que se a energia empregada hoje em dia na ajuda humanitária fosse dedicada ao desenvolvimento de modelos para superar o capitalismo, estaríamos muito melhor como sociedade. Partindo dessa base, como responderia à pergunta: ‘O que fazer’?

A revolução é um processo, não é um acontecimento. E é um processo que demora muito a seguir adiante e precisa avançar em diferentes frentes. Supõe transformações em conceitos mentais sobre o mundo, as relações sociais, as tecnologias e também em estilos de vida. Cada um de nós tem uma posição em nossa sociedade, onde pode contribuir em alguma destas frentes. Eu sou acadêmico e posso tentar influir nos conceitos mentais do mundo, mas sei que não é a única coisa que é necessário fazer. Sendo assim, todos temos que empregar nossas habilidades para conseguir um processo revolucionário que nos distancie dessa loucura do capitalismo contemporâneo, para criar uma sociedade sensata, na qual cada um de nós tenha uma vida decente, condições de vida decentes e conceitos razoáveis sobre um futuro decente.

Dedicou grande parte de sua vida ao estudo e a difusão da obra de Marx. Muitos críticos do marxismo, hoje em dia – tanto da direita como da esquerda –, destacam que embora essas ideias puderam ser úteis para o século XIX, deixaram de ser relevantes. Você não tem inconveniente em abordar assuntos aparentemente díspares, conforme o mundo que lhe rodeia muda, indo do desenvolvimento tecnológico à crise climática. Para aqueles que não conhecem a obra de Marx ou não a leram, por que continua tendo valor, em pleno século XXI, diante dos desafios que enfrentamos e o mundo em que vivemos?

Há uma história do marxismo que é problemática, e tem coisas muito boas e coisas muito ruins. É como o capitalismo. É como tudo. Depois, existem os escritos de Marx, que me impressionam particularmente. O que fazia era se abstrair das atividades cotidianas de uma economia e buscava contribuir para o entendimento do modo como funciona o capital. O capital é simplesmente a produção de valor e mais-valias através de uma série de configurações e atividades, e na época de Marx, esse sistema de levar o pão à mesa e todos esses tipos de coisas. Esse sistema existia apenas em um relativamente pequeno canto do mundo. Agora, o mundo inteiro está aprisionado pelo modo de produção capitalista. Se você vai à China, nota-o. Se vai à Índia, nota-o. Se vai ao Brasil, nota-o. Seja onde for, nota-o.

De modo que não escrevia o século XIX. Escrevia sobre algo chamado capital e sobre como funciona o capital. O capital continua conosco, e continua fazendo coisas muito prejudiciais e continua fazendo algumas coisas muito fascinantes, e Marx tem um modo de o analisar, que examina suas contradições. Por uma parte, desenvolve tecnologias novas. Por outra parte, observamos como estas novas tecnologias não são empregadas para libertar os seres humanos e os emancipar, mas, ao contrário, para gerar mais riqueza e poder para uns poucos. A economia contemporânea tende a evitar as contradições. Não gosta das contradições, desse modo, finge que não existem. Então, Marx vem e diz que o capital por definição é contraditório, e se você deseja uma análise sobre o funcionamento das contradições, você tem que se colocar e precisa estudar Marx.

Em seu trabalho, desenvolveu a ideia de que o modo como saímos de uma crise – a maneira como enfrentamos as contradições que nos conduzem a ela – determina a crise seguinte. Uma década após a última grande crise financeira, você observou algo na maneira como saímos dela que ajude a explicar a situação política nos Estados Unidos e no restante do mundo?

Todas as crises que ocorreram a partir dos anos 1980 foram acompanhadas com o que chamamos de uma recuperação sem emprego, que é como se encontra a classe trabalhadora que não se recuperou da crise. O capital se recuperou, mas as pessoas não. Em 2009, as estatísticas oficiais mostravam que havíamos nos recuperado, mas todo mundo sabia que não havia trabalho. Não havia trabalhos decentes. As crises são uma das maneiras que o capital possui para se renovar, de modo que não supõem o fim do capitalismo. Na realidade, são um modo de reconfigurar o capitalismo, e acredito que cabe se perguntar se 2007, 2008 era o modo em que o capital iria se reorganizar. Bom, em múltiplos aspectos não se reorganizou em absoluto. Minha interpretação do neoliberalismo foi que desde o princípio foi um projeto político acerca da consolidação e a crescente concentração da riqueza e o poder dentro da classe capitalista, e que a concentração continuou.

Alguns de nós lemos a eleição de Trump, o Brexit e outros fenômenos como um sinal do fim da era neoliberal. Como, entre outras coisas, historiador do neoliberalismo, você faz a leitura do mesmo modo? Refiro-me, em concreto, a sua decisão de tirar os Estados Unidos de acordos comerciais como o TPP ou o NAFTA, suas promessas de criar postos de trabalho, etc. Um ano após sua eleição, como interpreta a ascensão política de Trump e seu encaixe com o projeto neoliberal?

Os únicos que verdadeiramente se beneficiaram da crise de 2007-2008 foram o 1% mais rico e o 0,1% mais rico, ao passo que todos os demais perdiam. Uma das coisas que mudou é que, após 2007-2008, já não era possível alegar ideologicamente que os mercados resolveriam tudo. O neoliberalismo era instável e era provável que evoluísse em algo que se tornaria muitíssimo mais autoritário. O neoliberalismo gerou uma grande desilusão. As populações cada vez se sentiam mais alienadas em seus postos de trabalho. De modo que os trabalhos dignos cada vez eram mais difíceis. A vida cotidiana cada vez era mais angustiante, e a política não falava dessa alienação. Então, surgiu Donald Trump e falou disso de um modo ou de outro, de forma que as populações alienadas não necessariamente votam à esquerda. Podem se tornar neofacistas. Podem ir em qualquer direção e acredito que existia certo anseio, em muitos setores da população alienada, de que se produzisse uma alteração de algum tipo.

O que Donald Trump prometeu foi alteração e o que proporcionou, é claro, foi alteração. Acredito que é significativo que tenha corrido ao Goldman Sachs para suas nomeações econômicas e que o Goldman Sachs tenha controlado o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos desde aproximadamente 1992. Trump eliminou normativas que detinham a concentração de maior riqueza e poder, de modo que não adotou nenhuma medida em absoluto nesse sentido. Só continuou o projeto neoliberal porque ele é a quinta-essência do homem neoliberal em pessoa. Há um estancamento geral, e, por sua vez, a contínua acumulação de riqueza e poder por parte dos que cada vez estão se convertendo mais em uma espécie de oligarquia global. Então, surge a pergunta: de quem é a culpa?

Pois bem, é possível jogar a culpa no capital. Eu culparia o capital, mas os capitalistas não gostam de ser culpados pela crise. Gostam de jogar a culpa nos outros, de modo que os imigrantes são o problema ou a deslocalização é o problema, desde os anos 1970 e 1980. A perda de emprego nas fábricas se deve à mudança tecnológica, não porque vão para a China, não porque são enviados agora. Se você se apresenta em algumas eleições e diz que é contra a mudança tecnológica, olha até onde pode chegar. Caso se apresente e diga que essa perda de empregos tem que parar, que temos que impedir a entrada dos imigrantes e temos que culpar alguém mais, a quem culpamos? A China, e assim temos, nesse exato momento, as políticas contra os imigrantes e as políticas contra a China.

Contudo, isto é interessante. Da China, disse Trump, ‘no primeiro dia em que subir ao poder, me encarregarei disso’. Foi capaz de se encarregar disso? De modo algum. Quem possui a dívida dos Estados Unidos? A China. E esse foi um momento interessante na crise, que é quando aparecem Fannie Mae e AIG, as duas grandes companhias seguradoras. Das ações destas instituições, 60% pertenciam só aos chineses e aos russos. Em 2008, os russos foram aos chineses e lhes disseram: “Vamos vender todas as nossas ações, arruinar o mercado dos Estados Unidos”. Caso tivessem agido assim, teria sido um desastre. Os chineses não fizeram isto porque não tinham nenhum interesse em arruinar a economia dos Estados Unidos, porque essa economia é um mercado principal. Os russos não se preocupam com o mercado dos Estados Unidos porque não é importante para eles. Contudo, esta é a situação: se os Estados Unidos tentarem pressionar muito a China em questões comerciais, a China tem muito poder sobre a economia estadunidense. Se os Estados Unidos começarem a deixar de vender seus produtos no mercado, então os chineses dirão, tudo bem, não temos razão alguma para manter tão precipitadamente o mercado dos Estados Unidos. Vamos nos desfazer de toda a dívida, e então veremos o que acontece com o endividamento dos Estados Unidos.

O imperialismo é um conceito ao qual dedicou grande parte de seu trabalho, inclusive um livro completo. No entanto, ultimamente, disse que já não lhe parece um conceito útil para entender o mundo. Por que pensa assim? Tem algo a ver com sua análise dos fluxos do capital e o advento de uma classe rentista global?

Não acredito que a exploração das pessoas em uma parte do mundo por alguém que está em outra parte do mundo tenha cessado em absoluto. De fato, são realizadas enormes transferências de valores, principalmente em tempos de crise. Esse 1% de mais ricos na realidade alcançou esse posto graças a transferências massivas de riqueza da população mundial geral para tal classe e, deste modo, trata-se mais de uma questão de classe que do fato de que uma parte do mundo domine a outra.

As pessoas podem conservar seu patrimônio? Pode obter ingressos sobre as rendas, sobre aluguel de propriedades, de imóveis? E, cada vez mais, é claro, nos últimos 50 anos, impõem-se os ingressos sobre a propriedade intelectual. Há muitas corporações capitalistas que acreditam que alguns ingressos sobre a propriedade intelectual é a única coisa que precisarão ter e que não necessitam produzir nada. De modo que há organizações como Google e Facebook ou outras parecidas que são a base de fortunas tremendas, acumuladas por poucos, baseadas na cobrança de receitas. Quando se observa a estrutura dos ativos do 1% ou do 0,1% dos mais ricos, dois terços dos ativos são em propriedade ou similar. As pessoas muito, muito, muito ricas estão começando a se dedicar a este processo de acumulação de terras. Um grande pedaço da Patagônia pertence a uma só família.

Detendo-nos por um momento no meio ambiente, como relaciona a emergência dessa oligarquia global com a crise climática que enfrentamos? Parece que a decisão de Trump em retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris não fará mais que aprofundar essa crise. Compartilha do diagnóstico?

O contexto disto é que há algum tipo de relação com a natureza, uma relação metabólica com a natureza. Marx se refere a isto como presentes da natureza, e para que o capital sobreviva precisa haver um fluxo destes presentes da natureza, o que supõe que precisa estar em posição de se apropriar ou, caso se queira empregar outra linguagem, saquear os presentes que oferece o ambiente natural que, então, é possível incorporar no sistema de circulação.

Por exemplo, falamos do motivo pelo qual Trump não organizou um vasto projeto de infraestrutura. Quem organizou um enorme projeto de infraestrutura em 2007, 2008? A China. Em dois anos, os chineses consumiram mais cimento, 40% a mais de cimento, que os Estados Unidos em 100 anos. Precisavam resolver o problema do desemprego. Resolveram esse problema descarregando no meio ambiente, e o resultado agora é um desastre ambiental em muitos sentidos. Os chineses estão conscientes disso e agora estão dizendo, muito bem, vamos ter carros elétricos e reorganizar a sociedade porque agora temos que solucionar o problema ambiental. A isto me refiro quando digo que o capital transfere seus problemas. Tinham um problema de desemprego. Solucionaram, mas agora existe um problema ambiental. E como irão resolvê-lo? Bom, farão isto com outra coisa e provavelmente descobriremos que há dificuldades financeiras. Isto está conectado com o fato de que o capital como sistema precisa crescer. Não pode ser sempre o mesmo.

Acredito que o Acordo de Paris era sumamente deficiente. Tentou resolver o problema da mudança climática recorrendo às forças do mercado, e acredito que na realidade as forças do mercado são o problema e não a solução. Não estou particularmente incomodado que Trump tenha saído dele.

Como conceber uma transição na qual a maioria de nós não passe fome, parece-me que precisa fazer parte do que seja qualquer revolução ou transformação. Acredito que continua havendo uma tendência na sociedade que estabelece esta distinção cartesiana entre humanidade e natureza ou cultura e natureza, e economia e natureza como se fossem dois compartimentos separados, mas sou tristemente célebre para dizer que não há nada de antinatural na cidade de Nova York. As formigas constroem formigueiros. Os seres humanos constroem cidades. Todos os organismos, em certo nível, transformam seus ambientes de maneira que supõem ser positivos para eles. Em lugar de enxergar isto como um conflito entre cultura e natureza, vejo como um conflito entre posições, caso se prefira, ou entre populações que estão discutindo que deveríamos estar indo em outra direção.

A questão é a quem beneficia tudo isto. Agora mesmo, as transformações ambientais são essencialmente as que são ditadas pelo capital, que não está se organizando para o bem-estar da população. Aqui, em Nova York, por exemplo, há um enorme boom imobiliário no qual tudo são estruturas de investimento para rendas altas. Temos uma crise de moradia acessível. Estamos construindo para os bilionários dos estados do golfo e Rússia e de lá onde se possa investir, de modo que possam ter um lugar para vir comer e ficar duas semanas ao ano, nas quais irão comprar ou o que seja. É uma loucura. É uma economia demente, e continuo pensando com meus botões que é tão demente que não entendo por qual motivo as pessoas continuam tolerando. Isto se deve ao fato de que o projeto neoliberal de concentração da riqueza e poder está mudando a forma de nossas cidades, tornando-as cidades para investir, não em cidades para viver.

Há um conceito que você desenvolveu muito, antes da ascensão de Trump, e que tem especial ressonância no momento político atual: a alienação universal. Em que consiste essa ideia, que manifestações tem, e como pode nos ajudar a entender o presente e imaginar o futuro?

É interessante, muitas das revoltas que ocorreram no mundo, nos últimos 15-20 anos, foram em torno de problemas urbanos. O parque Gezi na Turquia, as revoltas em cidades brasileiras em 2013, etc. Muito descontentamento em zonas urbanas, distúrbios urbanos, e tendo a pensar que se trata de uma das zonas-chave de organização e reflexão, o lugar onde realmente podemos mudar a natureza do capitalismo. Não só lutando pelos problemas no lugar de trabalho, algo que continua sendo tremendamente importante, mas também lutando por algumas novas condições no espaço vital onde todos possamos ter um lar decente e um ambiente decente e, imaginemos, uma vida cotidiana decente.

Quando as pessoas começam a dizer ‘que sentido tem minha vida’, ‘que sentido tem meu trabalho’, e as pesquisas apontam que aproximadamente 70% da população nos Estados Unidos odeiam seu trabalham ou, então, é absolutamente indiferente em relação ao que se trata... Quando você pensa nas novidades que poupam tempo no lar, mas vai até as casas e pergunta: ‘tem muito tempo livre?’, a resposta é que não temos tempo livre em absoluto. Uma das genialidades de Marx foi sugerir que o tempo livre é sinal de uma grande sociedade, mas o fato é que até mesmo a vida diária na cidade te absorve. Que se eu levo a televisão para consertar e convido alguém para casa... e as frustrações de lidar com o seguro médico... e o que ocorrer a você. O papel da máquina não é a de facilitar o trabalho. O papel da máquina é o de estabelecer uma situação onde o capitalista possa obter maior mais-valia. Por este motivo, a máquina não reverterá em benefício do trabalho. Sempre será utilizada sob o capitalismo para beneficiar o capital.

O mesmo se aplica aos processos culturais de consumo. Todos vimos essa espécie de pequenos robôs que rodeiam o solo e limpam por você e tais tipos de coisas, mas qual é o propósito de tudo isso? O propósito é o de oferecer tempo livre às pessoas ou, na realidade, é o de conduzir a uma situação na qual você se torna cada vez mais consumista? De modo que o consumismo consiste em liberar as pessoas dos trabalhos domésticos para que possam sair e comprar. Ou seja, as pessoas não têm tempo de se deitar, nem o direito de folgar. Isso provoca muito estresse e muita alienação, porque você percebe que está sumamente ocupado, mas com qual propósito e a propósito de quem? E sabe que não é a seu propósito. É a propósito de outro. A propósito de quem? Acredito que é provavelmente um dos problemas mais sérios que subjazem, em grande parte, as turbulências políticas que estamos vendo.

TV 247 debate: Primeira flechada de Dodge é contra Gleisi

Jessé Souza fala em sua palestra sobre os abandonados e a luta de classe...

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PETRÓLEO - Dá pra entender?

Do Blog do Roberto Moraes

terça-feira, novembro 07, 2017


A impossível explicação para o atual preço da gasolina no Brasil

Em junho de 2014, o preço do barril de petróleo estava em US$ 112, enquanto o preço médio da gasolina no Brasil valia R$ 3,09.

Ontem, 6 de novembro de 2017, o preço do barril de petróleo subiu bastante e atingiu US$ 64 - pouco mais da metade do valor de três anos e meio atrás -, mas o litro da gasolina valia na média 3,90, com picos de até R$ 4,40, quase 50% acima do valor de 2014, quando o petróleo valia quase o dobro. Ou seja uma variação de quase 4 vezes.

As explicações são sempre muito embaraçosas para os tecnocratas que alegam trabalhar para os investidores. 

O Brasil hoje exporta mais da metade de sua produção de óleo cru, na faixa de 1,146 milhão de barris por dia, enquanto nossas refinarias trabalham com folga de capacidade de produção de quase 30%.

Difícil explicar porque tamanha variação e porque a renda petroleira não chega à população.

PS.: Atualizado às 12:36: A discussão online é mais ampla e densa no Facebook que nesta plataforma. Porém, o blog pereniza melhor o que vai sendo por lá debatido. Assim, trago também para este espaço os comentários gerados lá no FB até aqui sobre a questão. Ele suscita questões e tema que valem ser incorporados à questão stricto-sensu do preço do combustível (gasolina e diesel). Assim, abaixo está a transcrição dos comentários com seus autores:

Denis Freitas ToledoEu estava falando justamente isso, imagina o preço do barril chegando a US$ 80, 90 ou 100, vamos ter gasolina a R$ 6,00? Diesel que movimenta o país a R$ 5,00? Essa política de preços da Petrobras serve pra que afinal?
Gustavo RabeloNo momento serve ao Deus mercado...

Arlete Moyses RodriguesPeça pro Meireles a Lava Jato explicar, ah não esqueça do Serra com a alteração da partilha para a concessão.

Roberto MoraesSim, professora. Eu tenho insistido que esta fração do capital (com captura da renda petroleira) ajuda a explicar o movimento da política e vice-versa, assim, os artífices nacionais do golpe entre os banqueiros (a expressão maior do setor financeiro) e o estado capturado sabem exatamente o que estão fazendo com o desmonte do setor óleo e gás, a engenharia e empresas nacionais, o BNDES, etc. Todos setores estratégicos. Creio que este processo ainda não foi compreendido em toda a extensão e dimensões (num profundo e robusto diagnóstico) para então se voltar a pensar num projeto de Nação pós-golpe. Esta luta que demandará uma frente para derrubar o mercadismo que deverá ter entre suas ações na dimensão política, referendos revogatórios para desatar o nó dado que impedirá uma retomada de um projeto soberano e inclusivo de nação.

Omar GonçalvesUm detalhe importante é que apesar da elevação dos preços a Petrobras perde dinheiro, já que a ANP escancarou as portas à importação. A agência relaxou inclusive as exigências de teor de enxofre para derivados importados. A elevação brutal dos preços dos refinados nacionais tornou os importados muito mais baratos. A renda petroleira está indo para as distribuidoras que obtém grande margem revendendo derivados importados ao preço inflado nas bombas pelo governo.

Marcio RochaO pior, como já disseram, que esse filé fica com as distribuidoras, e o Pedro Parente quer vender (doar) a BR Distribuidora, o caixa da Petrobras.

Roberto MoraesSim, as 18 refinarias com capacidade ociosa de quase 700 mil barris por dia e importação de derivados superior a 1 milhão de barris por dia. Se a atual remuneração da venda de combustíveis permitisse capitalizar a empresa para evitar a venda dos ativos - apelidada de desinvestimentos - seria até uma compensação, mas o caso é remunerar os investidores, tornar a empresa pequena fatiada com o mercado de derivados nas mãos das traders (especialmente a Trafigura).

Meyrelles RomeroSe o brent chegar a 100 dólares a gasolina aqui vai para 8 reais. E o povo idiota daqui vai achar certo.

Roberto MoraesEsta estratégia de preços do combustíveis dará um nó em nossa economia quando nova fase do ciclo de preços do petróleo for avançando. Não precisará chegar a US $100, o barril. Na faixa dos US$ 80 a economia dependente do combustível fóssil perderá ainda mais competitividade. Com o golpe a nação foi amordaçada e perdeu capacidade de intervenção entregue ao mercado.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

PETRÓLEO - Ação da FUP pedindo anulação dos leilões.