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domingo, 2 de maio de 2010

IMIGRAÇÃO - Protestos contra lei anti-imigração do Arizona.

Estados Unidos

Milhares protestam nos EUA contra lei anti-imigração do Arizona

Protesto em Los Angeles

Protesto em Los Angeles reuniu 100 mil, segundo polícia

Dezenas de milhares de pessoas realizaram manifestações em mais de 70 cidades dos Estados Unidos, neste sábado, para protestar contra uma polêmica lei anti-imigração introduzida no Estado do Arizona.

O maior protesto ocorreu em Los Angeles, onde a cantora de origem cubana Gloria Estefan e o arcebispo Roger Mahoney lideraram uma marcha que contou com pelo menos 60 mil pessoas, a maioria de ascendência hispânica.

A nova lei prevê que a polícia do Arizona aborde e interrogue qualquer pessoa suspeita de estar no país ilegalmente.

Mas os manifestantes dizem que a legislação pode tornar alvos cidadãos de origem hispânica, além de inflamar a tensão racial.

Boicote

"É o direito de todo americano proteger o lugar onde vivem. Mas isso não lhes dá um motivo para impor uma lei que pode criar racismo e discriminação", disse Gloria Estefan à multidão reunida em Los Angeles.

Os manifestantes seguravam cartazes pedindo um boicote ao Arizona ou até com a imagem do governador republicano Jan Brewer como Adolf Hitler.

Muitos presentes acenavam a bandeira americana e outros gritavam frases pedindo a intervenção do presidente Barack Obama.

A nova legislação foi assinada no início de abril por Brewer, que disse que ela "protege todos os cidadãos americanos".

Aqueles que apoiam a lei dizem que ela ajudará a controlar a imigração ilegal no Arizona.

O Estado é o principal ponto de entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos e abriga cerca de 460 mil deles.

domingo, 30 de agosto de 2009

IMIGRAÇÃO - Países ricos levantam "muros" para imigrantes.

Após um ano de crise, números indicam queda no fluxo de migrantes para a Europa e os EUA
Mohamed Nur trabalha num camping em um balneário na Catalunha. Todos os meses, desde que chegou em 2002, enviava parte de seu salário à família, que permaneceu no Marrocos, seu país de origem. Mas desde junho vive uma situação que não tem coragem sequer de explicar à sua mulher. Seu patrão deixou de pagar seu salário e lhe deu duas alternativas: ser demitido ou continuar trabalhando de graça até que a situação melhore, em um dos países que mais sofrem com a crise.

A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo, 30-08-2009.

Mohamed, por enquanto, decidiu ficar na Espanha. Mas muitos estão optando por deixar a Europa, principalmente aqueles que trabalham no setor da construção, que entrou em colapso. Um ano depois da eclosão da pior crise econômica em 70 anos, o mundo vê um novo fenômeno: a queda do fluxo de migrantes dos países pobres para Europa e Estados Unidos.

A crise, somada aos "muros" levantados pelos países ricos em suas fronteiras, faz com que o fluxo de imigrantes de países pobres aos desenvolvidos sofra pela primeira vez em 30 anos um freio. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que o número de estrangeiros chegando na Europa e EUA recuou pela primeira vez em 2009. O levantamento também conclui que os imigrantes estão sendo os primeiros a perder o emprego.

O volume de imigrantes cresceu a cada ano no mundo desde 1980. Nos países ricos, a baixa taxa de natalidade exigia estrangeiros para mão de obra. Nos países pobres, as perspectivas de estabilidade eram poucas. Entre 1997 e 2008, 70% dos empregos criados no Reino Unido foram preenchidos por estrangeiros. Na Espanha, Itália, Dinamarca e Áustria, pelo menos 40% da população economicamente ativa era estrangeira. Nos últimos meses, porém, a pressão para criação de barreiras à entrada de estrangeiros aumentou de forma expressiva.

Políticos em toda a Europa passaram a lidar com o assunto como ponto central de suas campanhas eleitorais. Com a chegada da pior crise em 60 anos, políticas de restrição ganharam apelo popular e começaram a ser executadas. No Reino Unido, por exemplo, vistos de trabalho agora são dados apenas para quem tem títulos de pós-graduação. Na Itália, membros do governo chegaram a sugerir uma moratória de vistos de trabalho para qualquer um por 12 meses.

DEMISSÕES

Outra constatação preocupante é que os primeiros a serem demitidos são os estrangeiros. Muitos trabalhavam na construção, setor que desabou na Espanha, Reino Unido, Irlanda, EUA e outros países ricos. Os imigrantes tendem a ocupar postos temporários. Com a crise, os primeiros postos suprimidos são os temporários.

Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego entre os estrangeiros é de 10%, ante 9,4% para a média geral. Antes da crise, a taxa de desemprego entre imigrantes era mais baixa que a média nacional. A maioria dos imigrantes apenas vive nos Estados Unidos para trabalhar e 12 milhões deles não têm vistos.

Na Espanha, a situação é ainda mais crítica. A taxa de desemprego entre os imigrantes já supera os 28%, ante 16% para os espanhóis. Desde 2000, a Espanha recebeu mais de 5 milhões de estrangeiros.

Na Suíça, a brasileira Irene da Silva trabalha há cinco anos como empregada doméstica. Não tem visto, mas acreditava que o sacrifício valia a pena para enviar dinheiro para sua casa, na Bahia. Agora, tem dúvida diante da queda de serviço. "Não sei até quando vou conseguir aguentar."
Fonte:IHU

domingo, 2 de agosto de 2009

IMIGRAÇÃO - Inação de Obama acua imigrantes nos EUA.

Eleito com o apoio de grupos pró-reforma migratória e com um discurso favorável ao alcance da cidadania pelos estimados 12 milhões de irregulares nos EUA, o presidente Barack Obama não só protelou o debate do tema nos primeiros seis meses de governo como ainda fortaleceu algumas políticas da gestão anterior.
O resultado é que grupos conservadores se viram fortalecidos na tarefa de dificultar ao máximo a vida de imigrantes sem documentos, na esperança de que eles voltem voluntariamente a seus países -tática apelidada de "autodeportação".

A reportagem é de Andrea Murta e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 02-08-2009.

Entre as ações mais polêmicas da nova Casa Branca estão aumento de acordos que permitem a policiais de municípios agir como agentes de imigração e o investimento em programas que checam o status legal de presos para deportar os que estão no país ilegalmente -ambas defendidas pelo ex-presidente George W. Bush.

No caso da checagem do status migratório dos presos, o governo recentemente alocou US$ 195 milhões para o próximo ano para expandir o programa dos atuais 70 condados (inclusive nas regiões de Miami e San Diego) para o restante do país até 2012, quando passará a custar US$ 1 bilhão por ano.

Mas a política mais criticada pelos grupos pró-imigrantes é mesmo a atuação de policiais locais como agentes de imigração. "Comunidades que ajudaram a eleger o presidente Obama acreditavam que haveria mudanças. Há uma crescente sensação de traição pelo fato de o governo estar abraçando e fortalecendo as políticas mais contraproducentes da era Bush", disse em comunicado na última semana Chung-Wha Hong, diretora da ONG Coalizão da Imigração de Nova York.

De grão em grão

O adiamento da reforma migratória favorece advogados como Kris Kobach, um dos líderes do movimento anti-imigração ilegal nos EUA. Kobach se tornou, nos últimos anos, o mais conhecido defensor de Estados e municípios interessados em coibir a presença de irregulares em seus territórios.

Ele acredita que a melhor forma de agir não é nem tentar deportar os 12 milhões de irregulares nem oferecer uma anistia. "O caminho é aumentar gradualmente a fiscalização, para que se torne mais difícil aos irregulares violar a lei. Assim, eles deixarão o país por conta própria", disse.

Nos tribunais, ele argumenta a favor de legislações regionais que, entre outros, punam proprietários que alugam imóveis a irregulares e empregadores que os contratam. Ele também defende a obrigatoriedade do uso do "e-verify", um programa de computador no qual empregadores checam na base de dados do governo se um empregado estrangeiro tem autorização para trabalhar nos EUA.

Kobach rejeita críticas de que usa os tribunais para mudar políticas federais. "O que faço é ajudar instâncias locais a definir a lei onde ela é vaga."

Segundo ele, não houve mudanças visíveis nos casos em que ele leva aos tribunais desde que Obama assumiu. Ele reclama, porém, da percebida diminuição do ritmo de batidas dos agentes de imigração em locais de trabalho em busca de ilegais, tática que sob Bush teve aumento de mais de 966% entre 2002 e 2008.

Até agora, os números não o decepcionaram. Dados da ICE (agência federal de imigração) indicam aumento de 18% nas deportações em entre outubro de 2008 e junho último, em relação ao mesmo período do ano fiscal anterior. O número assume nova dimensão quando se leva em conta que em 2008 houve recorde em deportações, com 349 mil casos.

Do outro lado da disputa, grupos pró-imigrantes alertam sobre riscos de deixar a questão migratória nas mãos de agentes locais. Segundo Foster Maer, advogado do grupo Latino Justice, "se policiais agem como agentes de imigração, as pessoas param de denunciar crimes por medo de ser questionadas sobre seu status legal, o que as torna mais vulneráveis a ataques e abusos".

O advogado, que já enfrentou Kobach nos tribunais, diz que "tornar a vida dos imigrantes mais difícil não os afastará dos EUA". "O que veremos é o crescimento de uma subclasse, especialmente de latinos, que vai se afundar cada vez mais em um submundo", disse.
Fonte:IHU