Carlos Augusto de Araujo Dória, 82 anos, economista, nacionalista, socialista, lulista, budista, gaitista, blogueiro, espírita, membro da Igreja Messiânica, tricolor, anistiado político, ex-empregado da Petrobras. Um defensor da justiça social, da preservação do meio ambiente, da Petrobras e das causas nacionalistas.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
REFORMA AGRÁRIA - Sempre necessária.
segunda-feira, 8 de março de 2010
REFORMA AGRÁRIA - Manifesto em defesa da reforma agrária.
Sociedade civil se organiza em defesa da reforma agrária
Manifesto
Denuncie a ofensiva dos setores conservadores contra a reforma agrária!
Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.
Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de latifundiários, grileiros - e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.
A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa campanha claramente orquestrada. Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo "grave atentado". A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é "bandido", é "marginal". Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.
Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.
Trata-se de grave distorção.
Mal comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.
No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido...
A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.
Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar - nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.
A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.
Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.
Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.
Se você pensa assim, compareça ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no próximo dia 11 de março, e venha refletir com a gente:
- por que tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra seja dividida?
- como reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?
- como travar a batalha da comunicação, para defender a reforma agrária no Brasil?
É o convite que fazemos a você.
Assinam:
Altamiro Borges
Hamilton Octavio de Souza
Igor Fuser
João Brant
Jorge Pereira Filho
José Arbex Jr.
Rodrigo Savazoni
Rodrigo Vianna
Vânia Alves
Verena Glass
Dia 11 de março, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, rua Rego Freitas 530 – Sobreloja, reunião para montagem da “rede de comunicadores sociais em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais". Participe!
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
REFORMA AGRÁRIA - Uma CPI contra a Reforma Agrária.
| 17.12.09 - BRASIL |
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João Pedro Stedile *
Adital -
A burguesia agrária brasileira não tem jeito mesmo. O seu poder econômico, político e ideológico na mídia brasileira é tão grande que a deixa cada vez mais prepotente; porém, cega e burra.
Vejamos alguns dados da realidade agrária explicitados pelo censo agropecuário realizado pelo IBGE em dezembro de 2006 e recentemente publicados:
- Cerca de um por cento dos proprietários de terra no Brasil, controlam 46% de todas as terras do país.
- Apenas 15 mil fazendeiros, que possuem áreas acima de 2.500 ha, são donos de 98 milhões de hectares (equivalente a 4 Estados de São Paulo juntos).
- A concentração de terras no Brasil continua aumentando. E se desnacionalizando. Nos últimos anos as empresas transnacionais compraram mais de 20 milhões de hectares. E junto com a terra, água, minérios, etanol, usinas, madeira e biodiversidade.
- O Índice de Gini que mede a concentração de terras, no Brasil é de 0,856 e é o segundo país de maior concentração de terras do mundo.- O Banco Oportunity, por exemplo, que opera recursos de origem norte-americana comprou em apenas três anos, 56 fazendas e mais de 600 mil ha, no sul do Pará.
- A empresa Cutrale, passou a monopolizar a produção de sucos de laranja e conseguiu levar a miséria milhares de pequenos e médios agricultores paulistas que tiveram que destruir nada menos do que 280 mil ha de cultivo de laranjas, nos últimos dez anos. Mas ela acumulou 60 mil ha, em 36 fazendas. Detém 80% de toda produção de suco do país, exporta 90% e controla 30% do comércio mundial de suco, em parceria com a coca-cola.
- Os fazendeiros vinculados ao agronegócio produzem ao redor de 100 bilhões de reais por ano. Mas estão cada vez mais dependentes do capital financeiro e para conseguir produzir esse valor tomam emprestado junto aos bancos, todos os anos, ao redor de 90 bilhões de reais de crédito rural.
- Essa produção é na verdade fruto do trabalho de aproximadamente três milhões de assalariados permanentes e temporários. É revendida para apenas 20 empresas (a maioria transnacionais) que controlam o comercio de commodities e de insumos agrícolas no Brasil.
- O Balanço dessas 20 maiores empresas que atuam no agro revelou que elas faturam sozinhas ao redor de 115 bilhões de reais por ano. Ou seja, toda aquela riqueza vai parar nas mãos deles.
- O agronegócio dá emprego para apenas 15% da população economicamente ativa (PEA) os outros 85% trabalham na agricultura familiar. Ou seja, há 18 milhões de trabalhadores rurais adultos, e destes 15 milhões estão na agricultura familiar.
- Do total de trabalhadores adultos que estão na agricultura, 80% fez apenas ate a quarta serie do ensino fundamental, e há 35% de analfabetos.
- A agricultura familiar produz 85% de todos alimentos que vão para a mesa do povo brasileiro. Já o agronegócio produz apenas commodities, ou seja, matérias primas para exportação.
-Cerca de 90% dos proprietários de terra que detêm áreas acima de 200 hectares não moram nas fazendas, mas nas cidades. Dos 15 mil maiores fazendeiros, a grande maioria mora em São Paulo e no Rio de Janeiro.
- Graças a essa aliança entre os grandes fazendeiros brasileiros com as empresas transnacionais, o Brasil se transformou em 2008, o maior consumidor mundial de venenos agrícolas. São aplicados nos 45 milhões de hectares, nada menos que 700 milhões de litros de venenos. Apenas seis empresas produzem: Monsanto, Syngenta, Bayer, Basf, Shell, todas transnacionais. Os agrotóxicos são de origem química. Matam o solo, matam a biodiversidade, contaminam as águas e viram câncer no seu estomago.
- O Brasil é a nona economia mundial em produção de riquezas. Mas está em 75º lugar nas condições de vida da população, e é a sétima pior sociedade do mundo, em desigualdade social.
- Desde a redemocratização, em 1985, mais de 1.600 lideranças de trabalhadores foram assassinadas no campo. Destes apenas 80 chegaram aos tribunais, 15 foram condenados e uns 5 mandantes e assassinos estão na cadeia. Todos os demais estão impunes inclusive os autores dos massacres de Corumbiara (1995) Carajás (1996) e Felisburgo (2004).
O que fazer para enfrentar uma realidade tão dura e injusta? Os parlamentares ruralistas que são a fina flor da direita atrasada e burra decidiram: Vamos convocar uma CPMI, para impedir a reforma agrária!!
Como diria o saudoso Florestan Fernandes, como nos faz falta uma revolução burguesa! Pelo menos.
[Caros Amigos]
*****
Copenhague e suas falsas soluções
A Conferência em Copenhagen não vem tratando sobre o clima e suas mudanças. Trata, sim, de uma avançada engenharia financeira para a consolidação e expansão do que se convencionou chamar capitalismo verde.
Isso se comprova facilmente pela vitória dos mecanismos de mercado sobre as propostas de fundos públicos, pelo avanço dos agrocombustíveis e dos transgênicos resistentes a um clima mais adverso. Tudo construído e legitimado pelo processo decadente da democracia representativa, na qual os povos de todo o mundo, diretamente afetados pelo aquecimento global e as mudanças climáticas, não têm voz.
Entretanto, no Clima Fórum, espaço paralelo ao oficial, construiu outra perspectiva. A compreensão de que o sistema tem que mudar, e não o clima, foi um dos consensos mais fortes. É necessária uma mudança estrutural em direção a um sistema que não tenha como seu único objetivo a acumulação privada, mas sim as necessidades humanas.
A Via Campesina Internacional, que congrega 148 organizações de 68 países, possui a mesma compreensão. A agricultura industrial capitalista tem imensa responsabilidade nas mudanças climáticas, seja pela utilização intensiva de insumos químicos, seja pela devastação florestal que promove. Somente a agricultura camponesa, com suas agroindústrias e distribuição de seus produtos, pode alimentar a humanidade com base em sistemas agroecológicos, que acumulam carbono e preservam o meio ambiente.
A COP 15 tem como resultado uma colcha de retalhos de falsas soluções. Antes que a humanidade pague a conta destas aventuras capitalistas, a proposta popular de Copenhagen precisa ser levada a cabo. Somente quando a humanidade se libertar dos interesses pelo lucro, poderá utilizar sua capacidade para consolidar sistemas urbanos e camponeses sustentáveis. Assim, teremos soluções reais para os atuais problemas ambientais.
[O Dia]
* Membro da coordenação nacional do MST e da Via campesina Brasil
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
REFORMA AGRÁRIA - Ministro avisa a MST que meta para reforma agrária não será atingida.
A reportagem é de Paulo de Tarso Lyra e publicada pelo jornal Valor, 13-08-2009.
Cassel, ao lado do secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, recebeu ontem a pauta de reivindicações do MST e do Movimento dos Atingidos pelas Barragens. No encontro, ele informou que a crise econômica internacional atrapalhou os planos de sua pasta. "Temos limites orçamentários, o mundo está passando por uma crise financeira de alta gravidade, o governo contingenciou os recursos do Orçamento entre 27% e 30% e isso também atingiu os programas de reforma agrária", disse aos participantes da reunião.
Cassel acredita que ainda há esperança de que parte dessas verbas sejam descontingenciadas mas, mesmo assim, segundo ele, será impossível atingir a meta de assentar 90 mil famílias até dezembro. "Nós praticamente já usamos todos os recursos de obtenção de terras que tínhamos disponível. Temos um orçamento de obtenção de terras este ano de R$ 958 milhões. Estamos com R$ 300 milhões contingenciados e já utilizamos R$ 600 milhões", afirmou.
Para dar alguma satisfação aos integrantes do MST, Guilherme Cassel defendeu a revisão dos índices de produtividade. "Estamos trabalhando no Brasil com os padrões de 1975. Não foram reajustados esses índices de lá pra cá. Há dois anos temos no governo um trabalho técnico pronto para reajustar esses índices de produtividade", disse.
Falta, agora, segundo afirmou, apenas uma convocação do Conselho de Político Agrícola para avaliar o estudo e, posteriormente, tanto ele quanto o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, deverão assinar uma portaria com os novos índices. "É uma decisão do governo escolher a ocasião em que vamos reajustar os índices de produtividade. Por mim reajusto hoje", afirmou.
Os representantes do MST saíram do encontro desanimados. "Nós estamos um pouco decepcionados, porque na verdade o governo só recebeu a nossa pauta e todos os pontos que tem na pauta já foram previamente conversados, discutidos, negociados, acordados. E hoje eles receberam como se fosse uma pauta nova", reclamou Marina dos Santos, que foi escolhida para ser porta-voz do movimento. "Nós esperávamos que o governo já fosse acenar hoje para nós o que vai apresentar de concreto pra efetivar os pontos assumidos na pauta de reivindicações", acrescentou ela.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, 13-08-2009, que na semana que vem terá resposta sobre a reivindicação dos sem-terra por mais recursos para obtenção de terras. Uma nova reunião foi agendada para terça-feira.
Fonte:IHU