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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

POLÍTICA - Dá para confiar no PSol?

Mais uma vez , o PSOL revela que está a reboque da política direitista da frente ampla e de isolar o PT do cenário político
Juliano Medeiros
O presidente do PSOL Juliano Medeiros | Imagem: Reprodução
Recentemente, o presidente do PSOL Juliano Medeiros participou de um debate da TV 247 e falou sobre a situação política atual e sobre a política colocada em prática pela esquerda brasileira.
Quando questionado sobre a unidade da esquerda em torno da figura do ex-presidente Lula para mobilizar a população, Medeiros enrola na declaração e disfarçadamente procura mostrar que não há nenhuma possibilidade dessa unidade.
Em posição contrária, Juliano Medeiros e o PSOL se esforçam para obter uma unidade com o golpista Ciro Gomes. Em seu twitter, Medeiros diz “Hoje conversei com o companheiro @cirogomes. Discutimos a necessidade de formar um amplo movimento em defesa do serviço público e do Estado brasileiro. Vou procurar os demais líderes da oposição com o mesmo objetivo. É hora de unidade em defesa do Brasil e contra Bolsonaro!
Há importantes grupos dentro do PSOL que se opuseram a luta contra o golpe, contra a prisão de Lula e por sua liberdade. Contudo, a posição de Juliano Medeiros é uma unanimidade entre as direções do partido, que não querem nenhum tipo de frente de luta ou de mobilização com o Partido dos Trabalhadores
O PSOL busca dessa maneira ser uma oposição “agradável” à direita golpista, para substitui o PT e especialmente a ala lulista. Não é por acaso que seu principal candidato às eleições municipais, Guilherme Boulos, está sendo impulsionado pela imprensa golpista como a Folha de S.Paulo. Boulos e o PSOL participam de maneira empolgada da frente ampla com setores golpistas, como FHC ou grupos formados por elementos do PSDB como o chamado Direitos Já!.
Essa posição mostra que o PSOL não tem uma política própria e muito menos contra a direita golpista. Seguem a orientação da burguesia em de apoiar a frente ampla, colocando os trabalhadores a reboque da direita golpista, e o isolamento de Lula e o PT.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

POLÍTICA - Retaliação da lava jato.

PF apreende prova do grampo feito por Moro no escritório de advogados de Lula

09/09/2020  Por REDAÇÃO URBS MAGNA

Zanin diz que é alvo de atentado e intimidação em operação sobre o sistema S: “Era óbvio que a Lava Jato iria promover alguma retaliação contra mim”

A Polícia Federal apreendeu a única cópia do grampo feito por Sergio Moro no escritório de Cristiano Zanin Martins, durante as buscas realizadas nesta quarta-feira (8) em sua residência. As gravações telefônicas foram realizadas durante o trâmite do processo do ex-presidente na Operação Lava Jato de Curtiba.
O material original foi destruído em 2018 e excluído do processo por determinação do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4a Região) em atendimento ao pedido da defesa de Lula, mas Cristiano Zanin fez uma cópia das interceptações e a manteve consigo como prova da atuação ilegal na perseguição ao ex-presidente.
As informações são de Bela Megale em sua coluna no jornal o Globo no fim da tarde desta quarta-feira (9). A jornalista acrescentou que os dados encontravam-se em um HD externo e acumulava 23 dias de conversas no “ramal principal do escritório de Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, feitas em 2016, por determinação do então juiz Sergio Moro“.
De acordo com Megale, o material também continha áudios com conversas entre Lula e sua defesa.
A operação, realizada pelo MPF (Ministério Público Federal) em conjunto com a Polícia Federal e a Receita Federal, emitiu mais de 50 mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas, escritórios de advocacia e outras empresas.
A investigação apura possível desvio, entre 2012 e 2018, de cerca de 355 milhões de reais das seções do Serviço Social do Comércio (Sesc RJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac RJ) e da Federação do Comércio (Fecomércio/RJ).
Cristiano Zanin, que também sofreu mandado de busca, afirmou em nota que sofre “atentado” e “intimidação” pela Lava Jato. “Todos os serviços prestados pelo seu escritório à Fecomércio-RJ, entre 2011 e 2018, estão devidamente documentados em sistema auditável“, disse.
O advogado de Lula acrescentou que entregou cópia de todo o material produzido pelo escritório durante a defesa da entidade, “comprovando a efetiva realização dos serviços que foram contratados”.
Os pagamentos, diz Zanin, foram processados internamente pela Fecomércio-RJ por meio de seus órgãos de administração e fiscalização, com aprovação em assembleias da entidade. A decisão judicial que autorizou a invasão à sua casa possui “claros traços de abuso de autoridade”, disse.
Segundo o advogado de Lula, o juiz Marcelo Bretas, autor da decisão, é “notoriamente vinculado ao presidente Jair Bolsonaro” e a decisão está vinculada ao “trabalho desenvolvido em favor de um delator assistido por advogados ligados ao senador Flávio Bolsonaro”.
Zanin diz que Bretas não tem competência para tratar dos pagamentos realizados pela Fecomércio, porque, segundo ele, a matéria deve ser tratada pela Justiça Estadual.
“A iniciativa do Sr. Marcelo Bretas de autorizar a invasão da minha casa e do meu escritório de advocacia a pedido da Lava Jato somente pode ser entendida como mais uma clara tentativa de intimidação do Estado brasileiro pelo meu trabalho como advogado, que há tempos vem expondo as fissuras no Sistema de Justiça e do Estado Democrático de Direito”.
Leia a íntegra da nota de Cristiano Zanin Martins:
NOTA DE CRISTIANO ZANIN MARTINS
  1. Atentado à advocacia e retaliação. A iniciativa do Sr. Marcelo Bretas de autorizar a invasão da minha casa e do meu escritório de advocacia a pedido da Lava Jato somente pode ser entendida como mais uma clara tentativa de intimidação do Estado brasileiro pelo meu trabalho como advogado, que há tempos vem expondo as fissuras no Sistema de Justiça e do Estado Democrático de Direito.
É público e notório que minha atuação na advocacia desmascarou as arbitrariedades praticadas pela Lava Jato, as relações espúrias de seus membros com entidades públicas e privadas e sobretudo com autoridades estrangeiras. Desmascarou o lawfare e suas táticas, como está exposto em processos relevantes que estão na iminência de serem julgados por Tribunais Superiores do país e pelo Comitê de Direitos Humano da ONU.
O juiz Marcelo Bretas é notoriamente vinculado ao presidente Jair Bolsonaro e sua decisão no caso concreto está vinculada ao trabalho desenvolvido em favor de um delator assistido por advogados ligados ao Senador Flavio Bolsonaro. A situação fala por si só.
  1. Comprovação dos serviços. De acordo com laudo elaborado em 2018 por auditores independentes, todos os serviços prestados à Fecomércio/RJ pelo meu escritório entre 2011 e 2018 estão devidamente documentados em sistema auditável e envolveram 77 (setenta e sete) profissionais e consumiram 12.474 (doze mil, quatrocentas e setenta e quatro) horas de trabalho. Cerca de 1.400 (mil e quatrocentas) petições estão arquivadas em nosso sistema. Além disso, em 2018, a pedido da Fecomércio-RJ, entregamos cópia de todo o material produzido pelo nosso escritório na defesa da entidade, comprovando a efetiva realização dos serviços que foram contratados. Os pagamentos, ademais, foram processados internamente pela Fecomércio/RJ por meio de seus órgãos de administração e fiscalização e foram todos aprovados em Assembleias da entidade — com o voto dos associados.
  2. Natureza dos serviços prestados. Nosso escritório, com 50 anos e atuação reconhecida no mercado, foi contratado a partir de 2012 para prestar serviços jurídicos à Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), que é uma entidade privada que representa os milhares de empresários e comerciantes daquele Estado. A atuação do escritório em favor da Fecomércio/RJ e também de entidades por ela geridas por força de lei — o Sesc-RJ e do Senac- RJ —, pode ser constatada em diversas ações judiciais que tramitaram perante o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, do Superior Tribunal de Justiça, do Supremo Tribunal Federal, e também em procedimentos que tramitam no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e perante outros órgãos internos e externos à entidade. Em todos os órgãos judiciários houve atuação pessoal e diligente do nosso escritório.
    A atuação do nosso escritório deu-se um litígio de grandes proporções, classificado como uma “guerra jurídica” por alguns veículos de imprensa à época, entre a Fecomércio/RJ e a Confederação Nacional do Comércio (CNC), duas entidades privadas e congêneres de representação de empresários e comerciantes. Cada uma delas contratou diversos escritórios de advocacia para atuar nas mais diversas frentes em que o litígio se desenvolveu.
  3. Abuso de autoridade. Além do caráter despropositado e ilegal de autorizar a invasão de um escritório de advocacia e da casa de um advogado com mais de 20 anos de profissão e que cumpre todos os seus deveres profissionais, essa decisão possui claros traços de abuso de autoridade, pois: (a) o seu prolator, o Sr. Marcelo Bretas, é juiz federal e sequer tem competência para tratar de pagamentos realizados por uma entidade privada, como é a Fecomercio/RJ, e mesmo de entidades do Sistema S por ela administrados por força de lei; a matéria é de competência da Justiça Estadual, conforme jurisprudência pacífica dos Tribunais, inclusive do Superior Tribunal de Justiça; (b) foi efetivada com o mesmo espetáculo impróprio a qualquer decisão judicial dessa natureza, como venho denunciando ao longo da minha atuação profissional, sobretudo no âmbito da Operação Lava Jato; (c) foi proferida e cumprida após graves denúncias que fiz no exercício da minha atuação profissional sobre a atuação de membros da Operação Lava Jato e na iminência do Supremo Tribunal Federal realizar alguns dos mais relevantes julgamentos, com impacto na vida jurídica e política do país. Ademais, foge de qualquer lógica jurídica a realização de uma busca e apreensão após o recebimento de uma denúncia — o que mostra a ausência de qualquer materialidade da acusação veiculada naquela peça.
Esse abuso de autoridade, aliás, não é inédito. A Lava Jato, em 2016, tentou transformar honorários sucumbenciais que nosso escritório recebeu da Odebrecht, por haver vencido uma ação contra a empresa, em valores suspeitos — e teve que admitir o erro posteriormente. No mesmo ano, a Lava Jato autorizou a interceptação do principal ramal do nosso escritório para ouvir conversas entre os advogados do nosso escritório e as conversas que eu mantinha com o ex-presidente Lula na condição de seu advogado, em grave atentado às prerrogativas profissionais e ao direito de defesa. Não bastasse, em 2018 a Lava Jato divulgou valores que o nosso escritório havia recebido a título de honorários em decorrência da prestação de serviços advocatícios.
Todas as circunstâncias aqui expostas serão levadas aos foros nacionais e internacionais adequados para os envolvidos sejam punidos e para que seja reparada a violação à minha reputação e à reputação do meu escritório, mais uma vez atacadas por pessoas que cooptaram o poder do Estado para fins ilegítimos, em clara prática do lawfare — fenômeno nefasto e que corroeu a democracia no Brasil e está corroendo em outros países.
São Paulo, 9 de setembro de 2020 Cristiano Zanin Martins

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

POLÍTICA - "No Brasil, a injustiça é a lei.

Vera Dutra
No Brasil a injustiça é a Lei. Desde sempre as Policias foram e são ainda o braço armado das elites econômicas para exterminarem o povo!Elites econômicas aqui são AGRO/BANCOS/FIESP. Agora tem outros querendo entrar nesse clubinho, os donos dessas FALSAS IGREJAS Iurd e Malafaias. Essas falsas Igrejas são Fabricas de extorquir fanáticos. Aqui historicamente a Força da Polícia é usada em cima dos Pobres assassinando-os, chutando as portas de suas casas, arrombando suas vidas, entrando para impor o terror, assassinando sem ao menor respeito crianças, adolescentes, jovens e adultos. Não há exceções matam quem bem entendem!. E essas elites ainda pagam salários de fome mantendo o povo a míngua! É UMA DESGRAÇA. São uma elite de MERDA! E por outro lado as elites econômicas oprimem também a classe media alienada. Aí a norma é colocarem Impostos escorchantes que jogam a vontade em cima da classe media otária: ou seja, nós! Só não nos exterminam como fazem com os pobres porque preferem sugar o nosso já anêmico sangue, pra servirem no banquete das elites. Essas elites por aqui funcionam com REIS e VAMPIROS dos regimes do Absolutismo! Vivem como REIS com poderes quase que absolutos! Reis (repetindo pra ficar claro) são o AGRO/BANCOS/FIESP, e o pior é que eles dominam e manipulam as suas cortes - CONGRESSO E JUDICIÁRIO - que se abastecem com milhares de privilégios junto com os Reis. ESSES MULAMBOS DAS CORTES COMEM AS SOBRAS COMO OS PORCOS! MORO É UM HOMEM DELES!! UM PORCO. solitárias... Enquanto eles se locupletam o país está anêmico e minguando e lá se vão as vidas dos brasileiros e nosso sangue! !!! BOZO É A TITICA DELES! Vazou o esgoto se abriu e ele esta infectando mais um pouco o planalto. Depois dele terão que desinfetar!

domingo, 6 de setembro de 2020

POLÍTICA - "Patriopatetismo".



"PATRIOPATETISMO"
Precisei ir ao dentista no centro do Rio de Janeiro e presenciei uma triste cena às 12h de um dia útil: algumas lojas e restaurantes abertos e poucos clientes, mas um impressionante amontoado de miseráveis nas marquises e em filas de distribuição de comida. A economia, sem o socorro do governo, está em ruínas, dezenas de milhões de pessoas não tem como se sustentar.
O governo deveria implementar, pra "ontem", um plano econômico com medidas de estímulo ao comércio, à indústria e serviços e um vigoroso pacote de obras de infraestrutura, gerando emprego e renda. Certo? Mas o governo é insensível ao contingente de miseráveis, ainda pouco visíveis nas grandes cidades por causa do home office, mas quando chegar dezembro...
E o que fazem Paulo Guedes e seu chefe, Bolsonaro? Enquanto colocam a granada no bolso do trabalhador, enchem o bolso dos seus financiadores de campanha de "lobos-guarás", com propostas de privatizações escandalosas, retirada de direitos dos trabalhadores e ataque aos servidores públicos, que não produzem nenhum efeito imediato positivo na economia, pelo contrário...
A urgência é resolver a miséria que se acumula e que, logo, logo, vai produzir mais ondas de violência urbana e não firulas contábeis para agradar o mercado.
Bolsonaro deveria ter vergonha na cara, arregaçar as mangas pra nos tirar da grave crise que nos meteu e não ficar, pateticamente, esmolando "patriotismo" pra quem visa, tão somente, o lucro...

sábado, 5 de setembro de 2020

POLÍTICA - Eduardo Galeano.

As orelhas abertas de Eduardo Galeano

Ontem, escritor uruguaio, falecido em 2015, completaria 80 anos. Definia-se como “escutador de causos do povo” — e assim transformava História em apaixonante folhetim, denúncia em poesia e a memória em força insurgente
Por Aram Aharonian, no Sur y Sur Tradução de Simone Paz
No dia 3 de setembro de 1940, nascia, em Montevidéu, o escritor e jornalista uruguaio, Eduardo Galeano. O autor d’As Veias Abertas da América Latina, que faleceu em 13 de abril de 2015, teria feito 80 anos. Considerado um dos maiores artistas da literatura latinoamericana, seus trabalhos transcendem os gêneros ortodoxos e combinam documentário, ficção, jornalismo, análise política e história.
Galeano, sedutor em e com sua prosa, é tido como o mestre dos relatos curtos. Fundador da Revista Crisis (“Crise”, em português) e autor de livros como a trilogia Memória do Fogo, Galeano foi preso e obrigado a abandonar o Uruguai em 1973. Na sequência, foi para a Argentina e precisou se exilar em 1976, com o começo da ditadura. Como consequência desse contexto, o livro As Veias Abertas da América Latina foi proibido em grande parte da região.
A editora Siglo XXI, que publicou todos os seus livros, anunciou que lançará a hashtag #Galeano nas redes sociais, para convidar as pessoas a compartilharem seus textos e leituras. Assim, estarão disponíveis as obras, Bocas do TempoFutebol ao Sol e à SombraO livro dos AbraçosEspelhos, os três volumes de Memória do FogoDias e noites de amor e guerraO caçador de histórias e Os filhos dos Dias, entre outras.
+ OUTRAS PALAVRAS é financiado pelas pessoas que o leem. Faça parte >>>

Eduardo da América “Lapobre”

Eduardo Germán María escolheu assinar com o sobrenome materno, Galeano, para não usar o paterno e anglo-saxão Hughes — mesmo tendo utilizado o Gius para assinar alguns desenhos e quadrinhos. Eduardo foi jogador de futebol frustrado (por ser perna de pau), pedreiro, mensageiro, cartunista, jornalista e, finalmente, escritor, para “ajudar a resgatar as cores e a luz do arco-íris humano, essa coisa mutilada por anos, séculos, milênios de racismo, machismo, guerras e mais. Sim, irmão, somos muito mais do que aquilo que nos contam”
Se, na casa dos vinte anos, já havia passado pela edição do semanário Marcha e pela gestão do jornal Época, aos 30 já havia escrito As veias abertas da América Latina — que apresentou ao prêmio Casa das Américas… mas não ganhou
Cerca de 40 anos depois, o presidente venezuelano Hugo Chávez presenteou Barack Obama com uma cópia do livro (na Cúpula das Américas de 2009), com suas análises socioeconômicas que por vezes tinham sabor de manifesto, e ímpeto de proclamação. Mas Obama não se interessa pela história, muito menos pelas interferências e genocídios executados por seus antecessores — e, obviamente, não leu a obra.
Caminhante incansável da América “Lapobre” [brincadeira para substituir o “Latina”], foi correspondente da Prensa Latina na Venezuela e, para não sentir saudades do litoral de Montevidéu, se hospedava no decadente Hotel La Alemania, em Macuto, a cerca de 40 quilômetros de Caracas. Muitos anos depois, para esquecer que quase morreu de malária nos trópicos (chegou a escrever uma crônica sobre seu delírio), conseguiu se banhar novamente no Caribe, em frente ao mesmo hotel, que resistira à Vaguada de 1999 [ou “Tragédia de Vargas”, conjunto de desastres naturais que atingiram o estado de Vargas entre 14 de dezembro e 16 de dezembro de 1999, com chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos].
Seu amigo Luis Britto García brinca que cada vez que a polícia, ou os vírus, ou os infartos atacavam Eduardo, ele saía revigorado. Exílios consecutivos o separaram da edição da Revista Marcha e do Época (em Montevidéu), e também, da Crisis, uma das revistas de repercussão continental que a ditadura argentina encerrou em 1973. No exílio, em Barcelona, ​​as autoridades lhe exigiam ter um emprego para renovar o visto, mas não o deixaram trabalhar enquanto não tivesse o visto renovado.
Rico em exílios, Eduardo driblou diversos gêneros literários para fazer com que a plenitude de suas mensagens chegasse a todos. Conheceu e conviveu com guerrilheiros maias, mineiros bolivianos, garimpeiros venezuelanos, ciente de que dessa fragmentação surgiria a totalidade em suas Memórias do Fogo, um mural em que as partes se enxergam dentro de um todo, feito de detalhes que se tornam leis gerais e de análises ágeis feito aforismos.
Eduardo começou a escrever suas ideias em guardanapos e toalhas de mesa de papel, e, posteriormente, em minúsculos cadernos, para se transformarem em contos, romances, tratados sociopolíticos, entrevistas e reportagens, com frases poderosas.
Britto se anima a concluir que, ao tratar a história como uma novela emocionante, a mitologia indígena como notícia, e a denúncia como poesia, Galeano vai se tornando cada vez mais propenso à antologia, porque tudo nele é antologizável.
“Acho admirável a capacidade dos povos indígenas das Américas em perpetuar uma memória que foi queimada, punida, enforcada, desprezada ao longo de cinco séculos. E toda a humanidade tem que agradecer, porque graças a essa memória teimosa aprendemos que a terra pode ser sagrada, que fazemos parte da natureza, que a natureza não acaba em nós. Que existem possibilidades de organizar a vida coletiva, formas comunitárias que não se baseiam no dinheiro. Que a competição com os demais não é inevitável e que o próximo pode ser alguém, muito melhor do que um simples adversário”, escreveu em Memórias de fogo.
As Veias Abertas destrinchava a barbárie estadunidense no continente, a obsessão norte-americana em apoiar ditaduras e genocídios para realizar seus negócios. “Procurava ser um livro de economia política, mas eu não contava com o preparo necessário”, afirmou.
Inclusive reconhecia, com humor, que não poderia lê-lo novamente porque desmaiaria: “Para mim essa prosa da esquerda tradicional é extremamente pesada e minha mente não tolera isso.” Obviamente, a direita tentou usar esse argumento contra ele, mas com isso, fez com que muitos que não tinham lido o texto, se interessassem.
Agora, sua obra Mulheres nos intoxica de beleza e feminismo, com a ajuda de Helena Villagra, a sonhadora, sua esposa por quatro décadas.
Eduardo era um grande ouvinte, o cacique Oreja Abierta (Orelha Aberta), como ele próprio se definia. Sempre falou da e pela juventude, dos e para os indígenas, contra os narco-Estados e o neoliberalismo, a favor da ecologia e da legalização das drogas. Ele falava contra o esquecimento e sobre o resgate da memória para encontrar os caminhos do futuro comum.
Mas ele também foi um exilado político, e se absteve de fazer disso uma profissão. Saiu do Uruguai depois de ter sido preso pela ditadura, atravessou o rio da Prata para morar na Argentina, mas — ameaçado de morte — teve de voltar à Espanha. Perdão, à Catalunha.
Em 1985 voltou ao seu país, onde foi cofundador do semanário Brecha. Nesse mesmo ano obteve o Prêmio Stig Dagerman, e ao longo de sua vida recebeu diversos doutorados Honoris Causa de universidades em Cuba, El Salvador, México e Argentina; em 2010, o Prêmio Manuel Vázquez Montalbán na categoria de Jornalismo Esportivo; e em 2013, a Ordem Simón Rodríguez das mãos de Nicolás Maduro — Chávez não sobreviveu para lhe entregar essa ordem, depois de Galeano recusar uma condecoração com o nome de Francisco de Miranda, “agente inglês”.
Foi solidário por excelência, com os povos e as ideias. De seus últimos textos publicados, lembramos: “Os órfãos da tragédia de Ayotzinapa não estão sós na busca obstinada por seus entes queridos entre o caos dos lixões queimados e das valas lotadas de restos humanos. Vozes de solidariedade os acompanham, e sua presença calorosa em todo o mapa do México e além, inclusive nos campos de futebol, onde há jogadores que comemoram seus gols desenhando com os dedos, no ar, a cifra 43, que homenageia os desaparecidos”.
Sempre do lado dos pobres e dos indignados, seu ativismo social e compromisso com os mais vulneráveis o levou até Chiapas, para conhecer de perto o Exército Zapatista de Libertação Nacional, experiência que compartilhou ao longo de vários anos em inúmeros artigos, por exemplo, em Uma marcha universal (2001).
“Aqueles que falam do problema indígena terão de começar a reconhecer a solução indígena. Afinal, a resposta zapatista a cinco séculos de acobertamento, o desafio dessas máscaras que desmascaram, abre o esplêndido arco-íris que o México tem dentro de si e devolve as esperanças àqueles condenados à espera perpétua”.
“Como já se percebeu, os indígenas são um problema apenas para aqueles que lhes negam o direito de ser o que são e, portanto, negam a pluralidade nacional e negam o direito dos mexicanos de serem totalmente mexicanos sem as mutilações impostas pela tradição racista, que diminui a alma e corta as pernas”.
Em 2008, Galeano recebeu a distinção do Mercosul — o primeiro ilustre cidadão da sub-região — e fez um discurso inesquecível, no qual se disse um “patriota de muitas pátrias”. “Só estando juntos poderemos descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos treinou para o medo, a resignação e a solidão e que a cada dia nos ensina a não nos amarmos”, disse.
Conheci Eduardo quando eu começava minha carreira de jornalista esportivo na Época e nossa amizade se expandiu entre cafés, almoços e longos jantares em diferentes cidades (o último, em Montevidéu, com Zé Fernando e Angelito Ruocco como cozinheiros, com vinho Tannat para nós e cerveja para ele), onde as histórias de e sobre seus netos foram ganhando espaço. Mas neste 3 de setembro não poderemos compartilhar comida armênia (e não será por causa da peste).
Foi referência e fomentador de diversos empreendimentos, entre eles a Telesur, quando nos ensinou a nos enxergarmos com os próprios olhos e nos reconhecermos no próprio espelho, e a defendeu e promoveu como um dos maiores sucessos da Revolução Bolivariana.
Solidário com os palestinos (“Desde 1948 eles vivem condenados à humilhação perpétua. Eles não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Eles não têm nem o direito de eleger seus governantes”), os povos indígenas, os haitianos, e os povos subjugados que lutam pelo seu futuro. Mas também com seus amigos, que conseguiu distribuir pela América inteirinha e pelo mundo. Os indignados, os batalhadores da América Lapobre e do mundo perderam um de seus guias, uma de suas poucas referências intelectuais e políticas das últimas cinco décadas. E um amigo.
“A identidade não é um objeto de museu, quietinha na vitrine, mas a síntese sempre surpreendente das nossas contradições quotidianas. Nessa fé, fugitiva, eu acho. Me parece ser a única fé digna de confiança, pela sua semelhança com o inseto humano, ferrado porém sagrado, e com a louca aventura de viver no mundo (…) Afinal de contas, somos aquilo que fazemos para mudar quem somos: dos medos nasce a coragem; e das dúvidas, as certezas. Os sonhos anunciam outra realidade possível; e os delírios, outra razão ”, dizia.
Que falta ele nos faz hoje, enquanto procuramos por um novo pensamento crítico latino-americano e pensamos no relançamento de um «outro» Fórum Social Mundial!
Hoje, Eduardo – Gius, Edu, Dudi, Abu – é um legado de milhões de palavras, escritas em inúmeros livros, ditas em múltiplas falas, transformadas em texto, som e imagem, arrebatadas por milhares e milhares de jovens e adultos, homens e mulheres inconformados ao redor deste planeta, nas entrevistas concedidas, em todas aquelas frases que circulam na Internet… e que hoje, felizmente, as novas gerações procuram.
“Este é um mundo violento e mentiroso, mas não podemos perder a esperança e o entusiasmo para transformá-lo … a grandeza humana está nas pequenas coisas, que fazemos rotineiramente, no dia-a-dia que os anônimos fazem sem saber que o fazem”: nisso nós continuamos.

POLÍTICA - Turma de canalhas.




Ao simular renúncia a cargos que não existem, fora do imaginário popular, um grupo de procuradores da franquia paulista da “lava jato” tentou imputar à nova chefe do 5º Ofício Criminal da Procuradoria da República em São Paulo, Viviane de Oliveira Martinez, a criação de entraves ao avanço das investigações. Mas deixaram de mencionar que a maior contrariedade do grupo com a procuradora Viviane foi ela ter desvendado e demonstrado os métodos do grupo: a distribuição viciada de processos e o desrespeito ao princípio do promotor natural.