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sábado, 28 de setembro de 2013

LEILÃO DE LIBRA - Algumas informações importantes.

Algumas informações importantes sobre o leilão do Campo de Libra

Welinton Naveira e Silva
De acordo com Graça Foster, presidente da Petrobras, a marca de 300 mil barris por dia foi atingida apenas sete anos após a primeira descoberta. No Golfo do México, foram necessários 17 anos para se atingir uma produção significativa, enquanto na Bacia de Campos, levamos 11 anos.
A concessionária vencedora do leilão de Libra terá que repassar à União uma parte do óleo que produzir. Por isso o regime é chamado de partilha. Vence a licitação quem oferecer a maior fatia de produção à União. Terá que pagar um bônus de R$ 15 bilhões à União.
A Petrobras e a Pré-Sal, por lei participam de todas as operações do pré-sal. O governo terá uma participação total de 75% na receita do projeto. Isso inclui 40% do lucro do petróleo (o que sobra do valor de cada barril quando são descontados os custos de produção e royalties).
A empresa vencedora faz a exploração por sua conta e risco. Se achar petróleo, será remunerada em petróleo pela União por seus custos. Além disso, receberá mais uma parcela, que é seu ganho. O restante fica para a União.
EDUCAÇÃO E SAÚDE
Pela lei nova lei, 75% dos royalties do petróleo serão destinados para a educação e 25% para a saúde. A legislação ainda prevê que 50% do Fundo Social do Pré-Sal também devem ir para as áreas da educação e saúde.
A verba oriunda da exploração petrolífera deverá alcançar R$ 19,96 bilhões em 2022 e totalizará R$ 112,25 bilhões em uma década, estima o governo.
Das informações acima, percebe-se o bilionário negócio do Campo de Libra. Por detrás dessa gigantesca oportunidade, reúnem poderosas elites, internas e externas, em busca de lucros e ganhos, pouco a ver com os legítimos interesses econômicos do Brasil. Para piorar, sob a regência da grande mídia livre, bem ao gosto e sabor dessas elites.
Trata-se de bilionário negócio com inúmeras implicações, oportunidades de empregos, tecnologias e mercados, envolvendo nossa importante indústria naval, e todas as demais indústrias e empresas ligadas à extração, produção de petróleo, de gás e de derivados.
Por outro lado, o Brasil não pode ficar postergando o combate à  miséria que ainda afeta milhões de brasileiros. Temos ainda que investir muito pesado em saúde, educação, ciência, tecnologia e defesa. Tudo, com muita transparência e competência.
Por conta dos interesses das elites, torna-se impossível reunir consagrados engenheiros e economistas visando discussão ampla e abrangente , via TV, sobre todas as implicações, vantagens e desvantagens do leilão de Libra. E o povão vai ficando apenas com fragmentos do assunto. Lamentável.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

LEILÕES DO PETRÓLEO -Leilão do campo Libra, do pré-sal.


"Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência".  (Marx)


CT 154/13 Rio de Janeiro, 07 de maio de 2013

Exma. Sra. Dilma Rousseff
M.D. Presidenta da República Federativa do Brasil

Excelentíssima Presidenta,

O Clube de Engenharia remeteu a Vossa Excelência em 17 de maio de 2011 uma carta, com nosso número "CT 326/11", contendo análises técnicas, econômicas e políticas que condenavam a 11ª Rodada de Leilões de Áreas para Exploração e Produção de Petróleo.
Não obtivemos nenhuma resposta de parte do governo de Vossa Excelência condizente com a nossa preocupação, a menos de uma resposta protocolar, relatando o encaminhamento da nossa carta para a autoridade competente, que nunca se manifestou.
Em vista do silêncio técnico e político do governo de Vossa Excelência quanto à questão da entrega de patrimônio nacional para empresas multinacionais, sem usufruto compensatório para o povo brasileiro, que os Leilões representam, o Clube de Engenharia reiterou com mais veemência e argumentos sólidos que os leilões constituem um crime de lesa-pátria.
Desta vez, a resposta do vosso governo foi tão absurda que consideramos um escárnio a uma entidade com mais de 130 anos, que atua na defesa da engenharia, da tecnologia genuinamente brasileira e da Soberania Nacional. A resposta veio da ouvidoria do Ministério da Fazenda e diz: "em atenção à manifestação de V. Sª, cumpre-nos informar que o assunto foi reportado à Petrobras a quem compete prioritariamente (sic) o trato da matéria. Solicitamos ainda que a resposta seja repassada diretamente a V. Sª".
A resposta, de uma profunda imprecisão, mostra total desprezo por uma questão profundamente estratégica para o País. Vejamos alguns dos erros grosseiros da resposta que recebemos: 1) a carta deveria ser remetida ao MME e não ao Ministério da Fazenda; 2) A Petrobras não tem nada a ver com a organização de leilões; 3) Ouvidoria-Geral só serve, em geral, para amortecer queixas devidas a erros do Governo a que servem. Assim, não pode ser solicitada a se manifestar sobre assunto de tamanha relevância.
Cabe lembrar, presidenta, que nas últimas eleições, preocupada com o fato de haver 2º turno, vossa assessoria solicitou a um dos redatores destas cartas, declaração sobre a questão petróleo. Foi enviado texto em que era dito que "o pré-sal era a maior oportunidade que o País já teve para deixar de ser o eterno país do futuro". V. Exa. Mudou para "o pré-sal é o nosso passaporte para o futuro" e prometeu defender o interesse nacional. Passadas as eleições, vemos estarrecidos a retomada dos leilões, inclusive das áreas regidas pela Lei 9478/97, que dá todo o petróleo para quem o produz e só a suave obrigação de pagar 10% de royalties, em dinheiro, à União. Como mostramos nas cartas anteriores, a Petrobras já descobriu mais de 54 bilhões de barris no pré-sal, que somados à reserva anterior de 14 bilhões de barris, nos dão uma auto suficiência para mais de 50 anos. Isto dispensa os leilões em definitivo.
Considerando ainda que vosso Governo tem promovido estrangulamentos sucessivos e Ilegais na Petrobras, obrigando-a a importar derivados por preços menores do que é obrigada a vender no País (e não obriga as concorrentes multinacionais a fazerem o mesmo), resulta que fica aberto o caminho para o cartel internacional atuar em bloco e se beneficiar altamente da eventual impossibilidade da Petrobras participar dos leilões.
No caso do pré-sal, é previsto na nova lei 12351/10 que o vencedor do leilão é aquele que der maior percentual do óleo lucro para a União. Se a Petrobras não participar, o cartel poderá ganhar blocos com uma oferta irrisória do percentual do óleo lucro, o que anularia o esforço do Governo Lula para neutralizar o estrago que a Lei 9478/97 tem feito ao País.
Finalizando senhora presidenta, lembramos que o período eleitoral já está aberto e os movimentos sociais junto com o povo brasileiro, estarão atentos para apoiar candidatos que defendam honesta e continuamente o interesse do povo brasileiro e a Soberania Nacional.

Respeitosamente,

Conselho Diretor do Clube de Engenharia

LEILÕES DE PETRÓLEO - Libra: a gota de petróleo a transbordar o barril.

Veiculado pelo Correio da Cidadania

Paulo Metri
 

Conselheiro do Clube de Engenharia

Mossadegh, primeiro-ministro iraniano, nacionalizou o petróleo em 1951, fechando as atividades da empresa Anglo-Persian Oil Company no país. Em 1953, como resultado de um golpe de Estado, cuja articulação é creditada à CIA, foi deposto e preso. Depois, os campos de petróleo do Irã voltaram às empresas estrangeiras para a continuação da produção. No Iraque, depois da invasão pelos Estados Unidos, os campos também foram entregues a empresas estrangeiras.
Estes são os únicos casos que conheço de entrega de quantidades conhecidas de petróleo no subsolo a empresas privadas. Quantidades, estas, já descobertas e prontas para serem produzidas. O usual, mesmo no atual mundo constituído pelo império, entre os países satélites do império, as várias colônias dominadas e os países mais independentes, quando não possuem o monopólio estatal, é leiloarem áreas para empresas buscarem o petróleo e, se encontrarem, o produzirem. Isto acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Noruega.
No entanto, a subserviência ao mercado do governo brasileiro, acoplada à traição de brasileiros representantes dos interesses de grupos estrangeiros, inova ao entregar campo, e não mais área, para busca de petróleo. Libra foi descoberto pela Petrobras e, já sendo um campo, pretende-se entregá-lo às empresas petrolíferas, usando a mesma visão da privatização, comum no governo FHC. Na questão da entrega da riqueza do petróleo, o PT e o PSDB são irmãos siameses. Nenhum dos membros de um destes partidos pode acusar o outro de não satisfazer aos interesses da sociedade brasileira, com relação a este aspecto.
Reconheça-se, com pesar, que está havendo uma “volta por cima” dos neoliberais, quando todos socialmente compromissados pensavam que, depois da crise de 2008, tinha ficado claro que o atendimento aos dogmas do mercado trazia desgraça aos povos. Fica patente que o capital é articulado, por envolver a mídia dominada e as opções mais populares de candidatos do país, nomeando seus prepostos para cargos chaves e determinando nefastas decisões.
Outro ponto importante de salientar é que o presidente Lula acrescentou, recentemente, ao seu discurso várias colocações de cunho geopolítico e estratégico. Esta nova postura do ex-presidente é muito bem vinda. Em estudo da Associação de Engenheiros da Petrobras (AEPET), é dito que, para os contratos de partilha, admitindo algumas suposições lá contidas, as empresas ficam com a posse de 50% do petróleo produzido e o Estado com os outros 50%. Como Libra tem de 8 a 12 bilhões de barris recuperáveis, segundo a diretora-geral da Agência “Nacional” do Petróleo, o Brasil perderá a possibilidade de agir estrategicamente com a comercialização de cerca de 5 bilhões de barris. Só resta o ex-presidente, como tem grande prestígio junto à sua sucessora, avisá-la da perda estratégica.
Se alguém tem a dúvida sobre o que fazer com o campo de Libra, então, sugiro a utilização do artigo 12 da lei 12.351, que permite a entrega de um campo à Petrobras diretamente, sem leilão prévio, através de um contrato de partilha, desde que o interesse nacional justifique. E, claramente, existe o interesse em converter o lucro e o poder que o petróleo gera em benefícios aos brasileiros. Além disso, como a Petrobras está com a responsabilidade de ter de investir em vários campos simultaneamente e, também, como a pressa em leiloar só satisfaz às empresas estrangeiras, pois o país está abastecido para além do ano de 2050, a entrega de Libra à Petrobras poderá ficar reservada para o futuro.
Prestem atenção às ações coordenadas de privatização deste nosso patrimônio para grupos estrangeiros. Primeiro, tem-se a pressa tresloucada da ANP em leiloar, podendo ser classificada como um furor entreguista. Em paralelo, vem a consequente asfixia financeira da única saída heróica encontrada pelos verdadeiros brasileiros para não serem dominados, qual seja, a da Petrobras entrar nas rodadas para arrematar os blocos. Por fim, não bastando a carga diária negativa da mídia contra a empresa, deputados subservientes a interesses externos buscam criar uma CPI da Petrobrás. Deixo claro que se deve apurar tudo sobre a Petrobrás que a boa norma exige e, para isso, já existe a estrutura de auditoria e fiscalização do governo. Entretanto, a criação de uma CPI parece ter outro objetivo, que é o de malhá-la perante a opinião pública para, em passo seguinte, como recomendação desta CPI, sugerir-se a sua privatização.
Notem que, depois das privatizações embutidas nos leilões de petróleo, que ocorreram na 11ª rodada do dia 14 de maio, e da presente privatização de Libra, em um eventual debate de segundo turno em 2014, que espero que nunca aconteça, entre Dilma e Aécio, nenhum dos dois poderá acusar o outro de ser privatista, por falta de credibilidade de ambos para tal. Em vista deste fato, quero declarar que estou aberto a receber “santinhos” de candidatos de todos os partidos de esquerda fora da atual base do governo, para qualquer cargo, desde deputado estadual a presidente, passando por governador, deputado federal e senador.
Em outras palavras, respeito muito o combate à miséria e outros feitos dos governos petistas, mas não me conformo com a entrega do patrimônio nacional a estrangeiros, até porque, a partir de determinado patamar, só se melhora substancialmente o IDH se o país for soberano.

Blog do autor: http://paulometri.blogspot.com.br/